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4.         EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA E PRINCIPAIS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS



4.1.       CRÁTON DO GUAPORÉ


4.1.1.     Evolução dos Modelos Geotectônicos

        A denominação Cráton do Guaporé foi introduzida por ALMEIDA, (1964, 1974), que
segundo o autor “é a grande unidade geotectônica pertencente ao escudo Brasil Central, que serviu de antepaís
aos geossinclíneos nos quais se desenvolveram as faixas de dobramentos do Pré-Cambriano Superior existentes
em Goiás e Mato Grosso. A oeste, seus limites ocultam-se sob a Sinéclise do Chaco e a Dala Cisandina; a norte
encobre-se a área cratônica sob os sedimentos paleozóicos da Sinéclise Amazônica, ressurgindo a norte desta,
para constituir a maior parte do Escudo das Guianas... A leste o Cráton do Guaporé limita-se quase que
bruscamente com a faixa de dobramentos Paraguai-Araguaia”.

          AMARAL, (1974), estudando grande parte da Amazônia Legal Brasileira,
compreendida no Cráton do Guaporé, divide-a em três províncias geológicas, denominando-as
de oriental, ocidental e central. Todas as três províncias encontram-se segmentadas pela
Bacia Sedimentar Amazônica, em duas partes, com representantes tanto na porção
setentrional como meridional, (Figura 007).

          Os estudos geológicos e geocronológicos efetuados por AMARAL, (op. cit.),
permitiram-no reconhecer que a Plataforma Amazônica apresentava um desenvolvimento
muito mais complexo do que o anteriormente admitido por SUSZCZYNKY, (1970); FERREIRA,
(1972), os quais admitiam que a Plataforma Amazônica fora formada pelo ciclo orogênico
Transamazônico e teria sido consolidada após grande período magmático-metamórfico
ocorrido a 1.900 ± 100 Ma.

          Na realidade, após esta consolidação, AMARAL, (op. cit.), descreve a ocorrência de
três episódios: “depois de um período de pequena mobilidade, cuja duração não foi inferior a 100 Ma, a porção
central da Plataforma Amazônica foi palco de processo de ativação autônoma (segundo SHCHEGLOV, 1970) ou de
reativação (segundo NAGIBINA, 1967), com formação de estruturas tipo “diwa”, associados a magmatismo e
sedimentação característicos. Esse processo durou cerca de 200 Ma, terminando há cerca de 1.500 Ma. Após outro
período estável, com duração também não inferior a 100 Ma, instalou-se outro processo de ativação autônoma...
Esse evento deformou e metamorfisou as rochas anteriormente formadas e causou a intrusão de corpos
circunscritos de granitos alcalinos. ... Depois de um novo período de estabilidade, com duração superior a 200 Ma,
sobreveio um terceiro período de ativação autônoma, caracterizado por um intenso magmatismo granítico. Esses
três episódios de ativação constituem, respectivamente, os eventos Paraense, Madeirense e Rondoniense ...”
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FIGURA 007 DIVISÃO DA AMAZÔNIA EM TRÊS PROVÍNCIAS GEOLÓGICAS, ORIENTAL, CENTRAL E
         OCIDENTAL




FONTE:   AMARAL, 1974


          Assim, ao evento mais antigo ao qual denominou de Paraense, compreendeu-o
entre 1.700 a 1.550 Ma e associava-o ao intenso vulcanismo e coberturas sedimentares
associadas, notavelmente desenvolvidos na Província Central, no oeste e sudoeste do Estado
do Pará. Ao evento intermediário denominado de Madeirense, compreendeu-o entre 1.400-
1.250 Ma e associava-o ao magmatismo e deformação que afetaram as cobertura da
Amazônia ocidental, melhor desenvolvido na bacia do Rio Madeira e, finalmente, ao terceiro
evento, denominado Rondoniano, compreendeu-o entre 1.050 e 900 Ma e associava-o aos
corpos circunscritos de granito, notavelmente desenvolvidos no Estado de Rondônia.

           CORDANI et al., 1979, apoiados em centenas de análises Rb/Sr e K/Ar, propõem
uma evolução tectônica da Amazônia em sua porção Pré-Cambriana, com base em dados
geocronológicos, petrológicos e geológicos. Esta proposição arquiteta, de forma preliminar, a
separação de quatro entidades geotectônicas maiores, correspondendo uma delas a uma
região mais antiga e central, denominada de Província Amazônia Central, de vocação cratônica
e três faixas móveis que se alinham grosseiramente à região central segundo uma direção NW-
SE, denominadas de Província Maroni-Itacaiunas, Província Rio Negro-Juruena e Província
Rondônia. Aplicaram o termo Faixa Móvel para significar uma província petrotectônica e
geocronológica, na qual predominam rochas do embasamento, em geral afetadas por
metamorfismo regional de médio a alto grau (fácies anfibolito), por deformação policíclica e/ou
polifásica, e por granitização e migmatização.

          De acordo com aqueles autores, a Província Amazônia Central corresponde a uma
unidade geotectônica com vocação cratônica, composta por distintos blocos tectônicos
separados por grandes zonas de falha. As rochas pertencentes ao embasamento indicam
idade isocrônica aparente transamazônica, com raros resultados radiométricos do Arqueano
(Figura 008). Eventos vulcanogênicos (1.700 – 1.550 Ma) e plutogênicos marcados por corpos
graníticos anorogênico, alcalinos, associados temporal ou geograficamente às fases
vulcânicas, demonstrando uma atividade ígnea contínua por um período de aproximadamente
500 Ma, foram considerados como atividade reflexa do desenvolvimento das sucessivas faixas
móveis adjacentes.
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FIGURA 008 ISÓCRONAS Rb/Sr DE REFERÊNCIA PARA ROCHAS DO EMBASAMENTO NA REGIÃO
         AMAZÔNICA




FONTE:   CORDANI et al. 1979

          Durante o ciclo Transamazônico, na borda nor-noroeste da Província Amazônia
Central, ter-se-ia desenvolvido uma extensa faixa móvel denominada Maroni-Itacaiunas, com
direções estruturais predominantes segundo NE-SW, aproximadamente paralelas à borda do
segmento crustal antigo. O estudo geocronológico das rochas dessa província indicaram, pelo
método Rb/Sr em rocha total e U/Pb em zircões, idades concentradas em 2.000 e 2.200 Ma e
pelo método K/Ar, em micas, resultados da ordem de 1.800-1.900 Ma.
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           Após a estabilização da Faixa Móvel Maroni-Itacaiunas desenvolveu-se, na borda
ocidental da Província Amazônia Central, a Faixa Móvel Rio Negro-Juruena, com direções
estruturais também paralelas à margem cratônica. A fase sintectônica do evento metamórfico
Rio Negro-Juruena foi admitida ter ocorrida há cerca de 1.700 Ma, isto apoiado em mais de
uma centena de datações Rb/Sr em rochas sincinemáticas do embasamento cristalino. As
idades K-Ar em micas destas rochas apresentam cerca de 200 a 300 Ma mais jovens,
refletindo a época de resfriamento regional. O vulcano-plutonismo Teles-Pires (Grupo Iriri) ter-
se-ia manifestado por volta de 1.580 Ma, na porção meridional da província.

          Por fim, a Província Rondoniana constituiria a unidade geotectônica mais jovem do
Cráton Amazônico. Limitar-se-ia com a Província Rio Negro com contato difuso, pois que suas
direções estruturais são também generalizadamente NW-SE. Ao sul esta província encontra-
se truncada pela Faixa de Dobramentos Paraguai-Araguaia. De acordo com os autores supra
citados, esta faixa móvel teve sua fase sintectônica há 1.400 Ma, havendo evidências
geocronológicas de atividade magmática até 1.100 – 1.000 Ma. Idades Rb/Sr mais antigas que
1.400 Ma também foram obtidas em rochas do interior da faixa móvel, o que demonstraria a
existência de um embasamento anterior sobre o qual se desenvolveu esta província.

          Os estudos realizados permitiram, em suma, propor um modelo evolutivo baseado
no desenvolvimento de sucessivas faixas móveis pré-cambrianas (Maroni-Itacaiunas há
2.200 – 1.800 Ma, Rio Negro-Juruena 1.700 - 1.400 Ma e Rondoniana 1.400 - 1.000 Ma). Às
baixas razões iniciais obtidas, concluíram que o material diferenciado do manto em cada
época supera qualitativamente àqueles originados por regeneração crustal, caracterizando
desta forma um mecanismo de formação de crosta continental no qual o fenômeno acrescional
predomina sobre o de retrabalhamento da crosta. Concluem também que o desenvolvimento
de cada faixa móvel foi acompanhado de uma atividade magmática reflexa, principalmente na
Província Amazônia Central, representada pelas formação de efusivas ácidas e intermediárias,
granitos pós-tectônicos e reativação ao longo das principais zonas de falhas, com focos de
magmatismo básico e alcalino.

          TASSINARI, (1981), mantendo a denominação das 4 faixas móveis definidas por
CORDANI et al., (1979), detalha geocronologicamente a província Rio Negro-Juruena e
propõe-lhe uma evolução geotectônica, baseado, principalmente, na interpretação de mais de
três centenas de datações realizadas pelos métodos K/Ar, Rb/Sr e, mais raramente, U-Pb. Em
síntese, conclui que:

         - a Província desenvolveu-se no período de 1.750 a 1.400 Ma;

         - a fase principal de metamorfismo teria ocorrido há 1.750 Ma;

         - o intenso vulcano-plutonismo se sucedeu próximo há 1.600 Ma;

         - a fase de metamorfismo epizonal das supracrustais data de 1.550 Ma;

         - as coberturas sedimentares, por ele consideradas como Molassóides, datam entre
           1.400 e 1.300 Ma;

         - as intrusões de granitos cratogênicos com textura rapakivi teriam ocorrido em
           1.400 Ma, marcando a passagem das condições orogênicas para cratônicas, e

         - as intrusões tipicamente cratogênicas representadas pelos complexos alcalinos
           anelares ao redor de 1.400-1.300 Ma.

         TASSINARI, (op. cit.), para explicar a evolução geotectônica, aplica o modelo de
tectônica de placas, onde grandes movimentos horizontais seriam responsáveis pelo
crescimento da crosta continental e desenvolvimento da província. O modelo preconizado aduz
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que ao redor de 1.750 Ma teria existido uma margem continental adjacente a um fundo
oceânico em subducção para oeste, propiciando o surgimento de um sistema de arcos
magmáticos (Figuras 009a, b). Segundo o autor: “...a medida que a subducção progride, a distância entre
a Província Amazônica Central e o Arco Magmático Rio Negro-Juruena decresce. Com o avanço deste processo
ocorre a fusão parcial da crosta oceânica e também parte da continental originando um intenso vulcanismo ácido a
intermediário, datado de 1.650 Ma (vulcanismo Teles Pires), o surgimento de granitos tipo “rapakivi” entre 1.550 e
1.400 Ma... Após o vulcano-plutonismo ácido a intermediário, iniciou-se o acúmulo de detritos terrígenos em
pequenos grabens e de sedimentos epineríticos na zona de subducção (Grupos Caiabis e Beneficente)”.

          Dos estudos geocronológicos efetuados salienta-se que para as vulcânicas Teles
Pires (segundo BASEI, 1977), na região de Porto Velho e Juruena, o resultado de 35 pontos
considerados, quando plotados num diagrama isocrônico Rb/Sr, situaram-se próximo a uma
isócrona de referência com idade de 1.651 ± 18 Ma, e razão inicial de 0,703 ± 0,001, tendo sido
considerado de boa confiabilidade.

           Estudos provindos do Programa de Cooperação Técnica Bilateral Anglo-Boliviana,
efetuados pelo Serviço Geológico da Bolívia e o British Geological Survey, efetuados na borda
ocidental do Cráton do Guaporé no território boliviano, levaram ao reconhecimento da orogenia
San Ignacio ao redor de 1.300 Ma (análises Rb-Sr de alguns granulitos sugerem idade do
protolito ao redor de 2.000 Ma), a qual foi grandemente acompanhada de plutonismo granítico
e metamorfismo fácies granulito (LITHERLAND et al., 1986, 1989). Os representantes desta
orogenia encontram-se reunidos no Cráton Paragua, que, por sua vez, serviu de antepaís do
ciclo orogênico Sunsás, que foi acompanhado pelo alojamento de ígneas básicas e fase
granitóide, incluindo geração de pegmatitos. No Brasil atribuem-lhe correlação ao Grupo
Aguapeí no Mato Grosso e à Formação Pacaás Novos em Rondônia O, constituindo no
conjunto a faixa Sunsas-Aguapeí. Grande parte dos terrenos metamórficos relativas à estas
faixas encontram-se sob os sedimentos quaternários da Formação Guaporé, assim como as
intrusões máficas-ultramáficas aludidas à Faixa Móvel Sunsas-Aguapeí.

          TEIXEIRA et al., (1989), faz uma revisão dos dados geocronológicos da Amazônia,
promove um refino nos intervalos geocronológicos das províncias geocronológicas. No tocante
à área de abrangência deste estudo promove um deslocamento para sudoeste do limite sul da
Província Rio Negro-Juruena anteriormente proposta por CORDANI et al., (1979), e mantida
por TASSINARI, (1981). Descreve para a Província Central um núcleo Arqueano que exibe
condições cratônicas desde o Proterozóico Inferior, conforme atestado pela ocorrência de
várias coberturas vulcano-sedimentares indeformadas de 1.800-1.600 Ma. A Província Rio
Negro-Juruena, descreve-a formada principalmente por terrenos granitóides de Proterozóico
Médio, sem registro de embasamento mais antigo, na qual o caráter isotópico U-Pb, Pb-Pb, Rb-
Sr sugerem fortemente uma evolução a partir de um arco magmático mantélico, ao contrário da
Província Rondônia e Sunsas, ensiálicas, onde encontram-se impressas retrabalhamento de
material continental preexistente. Para o autor, os dados isotópicos sugerem eventos de
acresção e de diferenciação mantélica para as províncias Amazônia Central, Maroni-Itacaunas
e Rio Negro-Juruena, então seguidas por uma típica orogênia ensiálica intracontinental das
províncias Rondônia e Sunsas.
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FIGURA 009a    ESQUEMA DA EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA DA PROVÍNCIA RIO NEGRO-JURUENA
         BASEADO NA TECTÔNICA DE PLACAS




     FONTE: TASSINARI, 1981
                                                                                                                         117




FIGURA 009b           ESQUEMA DA EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA DA PROVÍNCIA RIO-NEGRO - JURUENA BASEADO NA TECTÔNICA DE PLACAS




FONTE:   TASSINARI, 1981
                                                         118




FIGURA 010 – PROVÍNCIAS TECTÔNICAS DO CRÁTON AMAZÔNICO




FONTE:   TASSIONARI, 1996
                                                                                              119




           TASSINARI, (1996), retoma o tema de províncias geocronológicas e apresenta uma
síntese dos dados geocronológicos disponíveis para o Cráton. Elabora um mapa
geocronológico na porção brasileira e propõe a evolução crustal deste segmento cratônico da
plataforma brasileira. A Figura 010 apresenta a compartimentação das províncias
geocronológicas e tectônicas arquitetadas. Pela figura pode-se verificar que grande parte da
Província Amazônia Central anteriormente definida por CORDANI et al., (1979), deu lugar a
uma nova província geocronológica denominada de Ventuari-Tapajós, com limites entre 1.900-
1.800 Ma, reduzindo, com isso, os terrenos com evolução no Arqueano. TASSINARI mantém o
limite setentrional estabelecido por CORDANI et al., (op. cit.), e adota como limite meridional da
Província Rio Negro-Juruena, aquele marcado por TEIXEIRA, (1989), que introduzia
deslocamento da ordem de mais de 200 km daquele anteriormente adotado na porção do
Estado de Mato Grosso, Porém maior mudança e de caráter conceitual introduz no sentido do
mergulho da placa subductante, que, em 1981, propalava ter existido uma margem continental
adjacente a um fundo oceânico em subducção para oeste (Figuras 009a,b), e, em 1996,
defende um mergulho para leste (Figura 011), apresentando a evolução da Província Rio
Negro-Juruena num contexto de arco magmático.


FIGURA 011 SEÇÃO ESQUEMÁTICA DO MODELO TECTÔNICO PARA O DESENVOLVIMENTO DOS ARCOS
         VENTUARI-TAPAJÓS E RIO NEGRO-JURUENA




FONTE:    TASSINARI, 1996
                                                                                                             120




           Restringindo-se às províncias que ocorrem no Estado da Mato Grosso tem-se que,
para a Província Central se preservou os conceitos outrora emitidos, ou seja, de uma província
com vocação cratogênica arqueana, mantendo-se tectonicamente estável e sujeita a atividades
ígneas reflexas das orogenias que a circundaram. Compreende um embasamento constituído
por terrenos granito-gnáissico-migmatítico, por terrenos granito-greenstone e complexos
granulíticos. Os terrenos granito-greenstone apresentam idades claramente arqueanas e são
compostos por tonalitos, trondjemitos e granodioritos, e pelas seqüências supracrustais que
incluem metavulcânicas ácidas e máfica-ultramáficas, formações ferríferas e rochas
sedimentares clásticas. Foi introduzido um novo domínio, outrora não reconhecido, e
denominado de Ventuari-Tapajós (TASSINARI, 1996), que se interpõe entre a Província
Central e a Província Rio Negro-Juruena. Esta última vem apresentar seu limite oeste ao sul da
Serra da Providência, fazendo limite com a Província Rondônia-San Ignacio que representa um
front colisional ensiálico.

        O Quadro 002, a seguir, apresenta os eventos e as Províncias Geocronológicas
observadas para o Cráton do Guaporé, segundo os trabalhos mais abrangentes.


QUADRO 002          PROVÍNCIAS GEOCRONOLÓGICAS DO CRÁTON AMAZÔNICO
                                        IDADE DO EVENTO ou IDADE DA
    EVENTO/PROVÍNCIA                                                                           FONTE
                                 CROSTA/DESENVOLVI MENTO DA PROVÍNCIA
      Evento Paraense                             1.700-1.550 Ma
     Evento Madeirense                            1.400-1.250 Ma                            AMARAL, 1974
    Evento Rondoniano                              1.050-950 Ma
 Província Amazônia Central                       2.700-1.800 Ma
 Província Maroni-Itacaunas                       2.700-1.950 Ma                        CORDANI et al., 1979
                                           1.700 Ma (fase sintectônica)
                                 1.750-1400 Ma desenvolvimento da província (fase
                                                                                          TASSINARI, 1981
Província Rio Negro-Juruena                   sintectônica 1.750 Ma)
                                                                                        BETTENCOURT et al.,
                                                  1.800-1.700 Ma
                                                                                               1999
                                            1.400 Ma (fase sintectônica)                CORDANI et al., 1979
     Província Rondônia
                                   1.400-1.100 Ma (desenvolvimento da província)          TASSINARI, 1981
   Província Rondonia- San                                                              BETTENCOURT et al.,
                                                  1.500-1.300 Ma
            Ignacio                                                                            1999
    Orogenia San Ignacio                             1.300 Ma                         LITHERLAND et al., 1981,
       Orogenia Sunsas                               1.000 Ma                                  1989
 Província Amazônia Central                         > 2.500 Ma
 Província Maroni-Itacaiunas                      2.250-1.900 Ma
 Província Rio Negro-Juruena                      1.750-1.500 Ma                          TEIXEIRA et al. 1989
   Faixa Móvel Rondoniana                         1.450-1.250 Ma
     Faixa Móvel Sunsas                            1.100-900 Ma
 Província Amazônia Central                         > 2.300 Ma
 Províncias Maroni-Itacaiunas                     2.200-1.900 Ma
  Província Ventuari Tapajós                      1.900-1.800 Ma
 Província Rio Negro-Juruena                      1.800-1.550 Ma                            TASSINARI, 1996
  Província Rondoniana-San
                                                  1.500-1.300 Ma
            Ignacio
       Província Sunsás                           1.250-1.000 Ma
Obs.:       Em todas províncias/orogenias, foram encontrados núcleos ou protolitos mais antigos.
FONTE:      CNEC, 2000

          Não obstante estes grandes eventos ou províncias geocronológicas descritas, cujas
fronteiras se estendem por centenas a milhares de quilômetros no Cráton do Guaporé,
dirigindo a atenção para a porção sudoeste do cráton, podemos verificar que muitos trabalhos
de cunho específico e maior escala contribuíram para a evolução dos conhecimentos, nas
décadas de 80 e 90.

         FIGUEIREDO et al., (1974), reconheciam como intrusivo em gnaisses do Complexo
Xingu, gabros, gabros anfibolitizados, anfibolitos e serpentinitos, litologias estas que reuniu sob
                                                                                          121




a denominação “Intrusivas Básico-Ultrabásicas”, e embora descritas no âmbito do Complexo
Basal, já reconheciam ser aquelas litologias intrusivas no complexo. Chamavam a atenção de
que as limitações com que se depararam (cobertura vegetal e manto de intemperismo) não
permitiam um correto posicionamento estratigráfico, posicionando tanto o Complexo Basal
como as Intrusivas Básico-Ultrabásicas no Proterozóico médio a inferior. Apesar das
dificuldades, foi-lhes possível reconhecer três corpos de serpentinitos: o do Morro Sem Boné
(6,5 x 1,5 km), o do Morro do Leme (5 x 2,5 km) e o da Cachoeira do Aguapeí (1,5 x 1,0 km).

           BARROS et al., (1982), reconheceram as litologias reunidas sob a denominação de
Intrusivas Básico-Ultrabásicas de FIGUEIREDO, (op. cit.), intrusivas no embasamento. Às
rochas anteriormente enfeixadas sob a denominação de Complexo Basal, passaram a
denominá-las de Complexo Xingu (uma uniformização da denominação estratigráfica que vinha
sendo elaborada na porção meridional do cráton pelo Projeto RADAMBRASIL), posicionando-o
no Proterozóico Médio a Inferior; e, às Intrusivas Básico-Ultrabásicas de FIGUEIREDO, (op.
cit.), caracterizaram-nas na Suíte Intrusiva Rio Alegre, como um conjunto básico-ultrabásico,
posicionando-o no Proterozóico Médio a Superior.

          SAES et al., (1984), coordenando o mapeamento de formandos da Universidade
Federal de Mato Grosso, elabora a cartografia de uma área de 1.300 km 2 na escala de
1:50.000, grosso modo balizada pelas cidades de Indiavaí, Figueirópolis, Taquaruçu e Lucialva,
trazendo novas proposições litoestruturais para esta porção do cráton. Subdividem o Complexo
Xingu em três subunidades denominadas de:

         -   Associação     Gnáissica-Migmatítica    Brigadeirinho,    reunindo gnaisses
             leucocráticos, mesocráticos, anfibolitos, e, subordinadamente, migmatitos,
             granada muscovita xistos/gnaisses e muscovita quartzitos;

         -   Granito Santa Helena, um corpo de dimensões batolíticas constituído por
             quartzo, feldspato alcalino e oligoclásio; hornblenda e biotita como os minerais
             máficos presentes e o desenvolvimento secundário de epidoto. Apatita, alanita,
             rutilo e zircão são os acessórios comuns. A textura é dominantemente
             granoblástica e nematoblástica-lepidoblásitica, conferida pelo alinhamento de
             anfibólio e mica; e

         -   Granodiorito Água Clara, o qual mostra relações intrusivas com as rochas da
             Associação Brigadeirinho, intrudido por gabros e noritos.

            Propõem a denominação Seqüência Vulcano-Sedimentar Quatro Meninas para
definir um conjunto de rochas básicas e ultrabásicas, vulcânicas e plutônicas, metamorfisadas
na fácies xisto verde, associadas a restos de metassedimentos terrígenos e químicos. Como
localidade tipo confere que as melhores exposições estão ao longo das margens do Rio Jauru,
nas proximidades da foz do Rio Vermelho, estendendo-se para leste nas fazendas Quatro
Meninas e São Francisco. Ressaltam a preservação de estruturas em almofadas, texturas
porfiríticas e amidaloidais em lavas básicas que ocorrem na Fazenda Quatro Meninas. Como
litologias mais freqüentes indicam metagabros, metanortositos, metabasaltos e xistos
magnesianos.

          Propõem ainda a formalização do nome Figueira Branca para designar a seqüência
de rochas básicas e ultrabásicas não metamorfisadas que foram reconhecidas. Esta suíte
corresponderia em parte às Intrusivas Básico-Ultrabásicas de FIGUEIREDO et al., (1974), e à
Suíte Rio Alegre de BARROS et al., (1982). Reconhecem então estes autores, primariamente,
a presença de seqüência vulcano-sedimentar embutida no contexto do Complexo Xingu na
porção sudoeste do cráton, ficando esta cronologicamente posicionada entre o Complexo
Xingu (Proterozóico Inferior) e a Suíte Intrusiva Figueira Branca (Proterozóico Superior).
Reconhecem um padrão estrutural complexo, onde o trend estrutural NW corresponderia ao
evento estrutural mais intenso e mais jovem , o qual obnubilaria as estruturas anteriores.
                                                                                           122




          CARNEIRO, (1985), realizando mapeamento de uma área de 550 Km2 na região de
São José dos Quatro Marcos, reconhece uma variedade de domínios litológicos que vinham
sendo consideradas como do embasamento, tais como gnaisses cinzentos tonalíticos,
gnaisses róseos oftalmíticos de composição granítica, rochas cálcio-silicáticas bandadas
representantes de seqüências supracrustais deformadas e metamorfisadas. Estas rochas
encontram-se invadidas por granitóides não-circunscritos, tanto maciços como orientados,
constituídos por tonalitos, granodioritos, granitos 3a,b e, finalmente, vulcânicas riolíticas.
Determinações radiométricas pelo método Rb/Sr mostraram idades isocrônicas de 1.971  70
Ma para os gnaisses cinzentos com ri 0,7017 e 1.472  19 Ma com ri 0,7037 para os
granitóides róseos. As idades K/Ar em gnaisses cinzentos e anfibolitos foram da ordem de
1.500 Ma, considerado como atuação de um evento termo-tectônico relacionado à reativação
Parguazense (Ciclo San Ignacio). CARNEIRO, (op. cit.), sugere que a área é parte integrante
de uma faixa deformada e que os gnaisses cinzas corresponderiam ao embasamento das
supracrustais.

          MONTEIRO et al., (1986), através de uma série de dados acumulados pela
mineração Santa Martha, oriundos de mapeamentos geológicos efetuados nas escalas de
1:100.000 e 1:50.000, de uma área limitada pelos paralelos de 15 e 16º de latitude sul e 58 e
59º de longitude W Gr., propuseram a denominação de “Greenstone Belt do Alto Jauru”, em
contrapartida da Seqüência Vulcano-Sedimentar Quatro Meninas de SAES et al., (1984), para
caracterizar um conjunto de rochas vulcânicas e plutônicas (ultrabásicas, básicas,
intermediárias e ácidas) e sedimentares (detríticas e químicas), metamorfisada na fácies xisto
verde a anfibolito, situado nas bacias hidrográficas dos rios Jauru e Cabaçal. Referem-se, pela
primeira vez, à ocorrência de rochas arqueanas nesta porção do cráton.

          Subdividem o greenstone em três formações, quais sejam, Formação Mata Preta,
basal, constituídas por rochas vulcânicas básicas de caráter toleítico; Formação Manuel Leme,
intermediária, constituída por rochas vulcânicas ácidas, localmente intermediárias e sedimentos
químico-pelíticos associados; e, finalmente, a Formação Rancho Alegre, superior, constituída
por sedimentos detrito-químicos, com ocorrência de rochas vulcânicas básicas em sua porção
basal. Descrevem três faixas de trend NNW-SSE separadas por embasamento granítico-
gnáissico, denominadas de faixas Cabaçal, Araputanga e Jauru, de leste para oeste,
respectivamente; nestas faixas a foliação tem direção coincidente com o alongamento das
mesmas e o mergulho da ordem de 40 a 75º SW para faixa Cabaçal, e 50 a 80º SW para as
faixas Araputanga e Jauru.

          Mantiveram a denominação Suíte Intrusiva Rio Alegre para referenciar-se a corpos
básicos e básico-ultrabásicos intrusivos tanto no Complexo Xingu como no Greenstone Belt do
Alto Jauru. A partir de datação K/Ar em duas amostras do gabro de Indiavaí, apresentaram
idades de 2.800 Ma, estabelecendo assim a idade mínima para o Complexo Xingu e o
Greenstone Belt de Alto Jauru.

          PINHO, (1990), faz um estudo petrológico e geoquímico das rochas ocorrentes ao
longo do Rio Aguapeí, numa área de 10 km2, com ênfase aos granitóides e anfibolitos.
Constata que os granitóides tem características cálcio-alcalinas e composições mineralógicas
variadas, predominando tonalitos-trondjemitos; para os anfibolitos presentes como encraves
nos tonalitos, reconhece trend toleiítico. Conclui pela semelhança dos terrenos estudados com
os terrenos arqueanos do tipo granito-greenstone

           LEITE, (1989), analisando parte da Seqüência Vulcano-Sedimentar Quatro Meninas
de SAES, (1984), propõe a subdivisão estratigráfica, da base o para o topo, em três unidades,
assim constituídas: Unidade Vulcânica Máfica, Unidade Química e Unidade Vulcânica Félsica.
Reconhece dois grupos de lavas máficas, representados por komatiítos basálticos e outro por
toleiítos normais e ferro-toleiítos. O conjunto foi submetido a condições metamórficas fácies
xisto verde.
                                                                                                             123




          MENEZES et al., (1991, 1993), entre as unidades litoestratigráficas identificadas na
Folha Pontes e Lacerda (SD-21-Y-D) reconheceram, da base para o topo, o Complexo
Metamórfico Alto Guaporé, com idade atribuída ao Arqueano/Proterozóico Inferior, constituído
por orto e paragnaisses, polideformados e metamorfisados na fácies anfibolito alto; o Complexo
Granulito-Anfibolítico de Santa Bárbara, representado por noritos, enderbitos e anfibolitos, que
estariam relacionados com as remobilizações crustais pré-transamazônicas; o Complexo
Metavulcano-Sedimentar Pontes e Lacerda para caracterizar um conjunto de rochas vulcânicas
e sedimentares químicas e clásticas fortemente transpostas e metamorfisadas no intervalo
xisto verde alto a anfibolito baixo, situadas a oeste das três faixas do Greenstone Belt do Alto
Jauru, com idade atribuída ao Proterozóico Médio; Granito-Gnaisse Santa Helena do
Proterozóico Médio e outras unidades intrusivas ou sedimentares.

           RUIZ, (1992), realizou um mapeamento na escala 1:100.000 na região do Distrito da
Cachoeirinha, sudoeste do Estado de Mato Grosso, e separou dois grandes conjuntos
litoestruturais representados pelo Grupo Alto Jauru, e uma série de unidades intrusivas. Sob a
denominação de Grupo Jauru reuniu conjuntos de rochas vulcânicas, subordinadamente
plutônicas (ultrabásicas, básicas, intermediárias e ácidas) e sedimentares (clásticas e
químicas), polideformadas e com metamorfismo variando da fácies xisto verde a anfibolito, que
se distribuem com certa expressividade em 5 regiões, de leste para oeste denominadas de
Faixa Cabaçal, Araputanga, estas duas primeiras faixas segundo Monteiro (1986), Quatro
Meninas, segundo SAES, (1984), Jauru, segundo MONTEIRO, (1986), Pontes e Lacerda e Rio
Alegre.

           RUIZ, (op. cit.), já sintetizava que os dados radiométricos disponíveis para as
unidades geológicas no sudoeste do Estado do Mato Grosso apresentavam uma variação de
950-1.600 Ma, sendo que as idades mais antigas (1.500-1600 Ma) situam-se mais a leste, mais
especificamente na região de São José dos Quatro Marcos e a Reserva do Cabaçal. Apresenta
também um quadro sinóptico da evolução geológica da área, que se iniciaria por um
embasamento gnássico-tonalítico (gnaisses Quatro Marcos) do Proterozóico Inferior; deposição
de um conjunto Vulcano Sedimentar também no Proterozóico Inferior, que sofreriam um
rejuvenescimento isotópico ao redor de 2.000 Ma Seguir-se-ia a colocação de batolitos
tonalíticos (Cabaçal e Santa Cruz) no Proterozóico Inferior, passando por um rejuvenescimento
isotópico ao redor de 1.500-1.550 Ma

          MATOS, (1995), apresenta o resultado de um mapeamento geológico efetuado na
escala de 1:100.000, numa área de 220 Km2 na Região de Rio Alegre, Município de Santo
Esperidião, sudoeste do Estado. Defende que o Complexo Metamórfico Alto Guaporé é
constituído por gnaisses tonalíticos-trondjemíticos peraluminosos arqueanos, isto, com bases
estritamente interpretativas, advogando que a idade paleoproterozóica obtida por CARNEIRO,
(1985), através da isócrona Rb/Sr de com valor de 1.971  70 Ma ri de 0,7017  0,0005, em
gnaisses cinzentos que afloram próximo à cidade São José dos Quatro Marcos, trata-se de
idade mínima, superimposta originalmente a terrenos arqueanos do tipo TTG (tonalitos,
trondjemíticos e granodioríticos), no curso dos retrabalhamentos proterozóicos, incluindo a
intrusão dos granitóides de São José dos Quatro Marcos. Enfatizou ainda que os valores
encontrados por CARNEIRO, (1985), dizem respeito a rochas graníticas intrusivas nos TTGs.

           Dentre outras conclusões de MATOS, (op. cit.), destacam-se as seguintes:

            “geológicamente, a região do Rio Alegre possui características de terrenos arqueanos, com
retrabalhamentos proterozóicos superimpostos similares a outras áreas da borda do cráton amazônico e/ou, em
geral, de núcleos continentais arqueanos, com acréscimos crustais proterozóicos, de outras regiões do Brasil e do
mundo (quadrilátero ferrífero, África do sul, Austrália e Canadá entre outras)”.

            “parte dos gnaisses e migmatitos observados na áreas de estudo, apresentam características
petrográficas de complexos de gnaisses TTG (gnaisses tonalito-trondjemito-granodioríticos) arqueanos, onde os
litotipos mais aluminosos eventualmente granatíferos, poderiam representar, respectivamente, associações TTG
com alto e baixo alumínio, no sentido de CONDIE, (1981)”.
                                                                                                            124




            “balizados por contatos tectônicos, a oeste, pelos gnaisses do Complexo Metamórfico Alto Guaporé e a
leste ora pelos metassedimentos do Grupo Aguapeí, ora pelo granito Santa Helena, ocorre a seqüência vulcano-
sedimentar do Rio Alegre. Para esta, foi proposta, com base em critérios de campo, petrográficos e geoquímicos,
uma origem como cinturão de rochas verdes (greenstone belt) arqueanas e a seguinte divisão litoestratigráfica: ”.

          Conforme ficou exposto de forma clara pelo autor, a associação dos litotipos
observados corresponde ao de terrenos arqueanos do tipo TTG, assim como podemos
adicionar aquelas associações observadas nos terrenos circunvizinhos às cidades de Indiavaí,
Quatro Marcos e Jauru.

          De acordo com os trabalhos ora apresentados, a porção cratônica do Estado de Mato
Grosso encontra-se dividida em cinco províncias geocronológicas, quais sejam: Amazônia
Central, Ventuari-Tocantins, Rio Negro-Juruena, Rondoniana-San Ignacio e Sunsas. As três
primeiras ocorrem no norte do Estado, com sua extensão meridional encoberta por sedimentos
mesozóicos Parecis, enquanto que a Província Rondoniana-San Ignacio faz-se presente no
Estado de Rondônia, tangencia o noroeste do Estado de Mato Grosso na fronteira com
Rondônia, a oeste da Serra da Providência, e estende-se para sul, em direção ao Planalto de
Jauru; e, finalmente, a Província Sunsás representada pelas coberturas vulcanogênicas ácidas
e básicas e sedimentares.

          Os dois modelos evolutivos apresentados, apesar das diferenças, admitem a
reativação, somente que, o primeiro modelo, estático, diz respeito a uma extensa área
cratônica arquena/proterozóica inferior que vem sendo retrabalhada e reativada
sucessivamente, sendo o magmatismo anorogênico uma das grandes expressões dos eventos
de reativação (AMARAL, 1974, ALMEIDA et al., 1981, HASUI & ALMEIDA, 1985); o segundo
modelo, mobilístico, apresenta o Cráton Amazônico decorrente de uma série de eventos
acrescionários ocorridos no Proterozóico, circundando um núcleo cratônico Arqueano
(CORDANI et al., 1979, TASSINARI, 1981, TEIXEIRA et al., 1989, TASSINARI, 1996). Com
relação à causa das reativações, para AMARAL e seguidores é exclusivamente endógena
(autônoma), para CORDANI e seguidores é induzida por fronts orogênicos.

           Esta dicotomia de opiniões ligadas à tectogênese são até hoje debatidas em termos
internacionais, dentro dos seguintes parâmetros. O termo “magmatismo anorogênico” refere-se
a uma larga variedade de rochas ígneas, mais comumente granitos que não estão associados
com estruturas compressionais e cujas idades estão separadas por muitas dezenas de milhões
de anos da última orogenia. Eles são a longo tempo indicadores de terem se alojado em
regimes extensionais. As rochas graníticas pertencem ao tipo A (anidro, alcalino e
anorogênico), que são caracterizadas por alto SiO2, K/Na, Fe/Mg, F, Zr, Nb, Ga, Sn, Y, REE
(exceto Eu); baixo CaO, Ba e Sr. Apresentam biotitas ricas em ferro, anfibólios alcalinos,
piroxênios sódicos, feldspatos alcalinos e por mineralização de Sn, W, Nb, Ta, F e Bi. As faixas
portadoras de magmatismo anorogênico apresentam uma associação de granitos rapakivi,
riólitos, granitos alcalinos e peraluminosos, anortositos, gabros, diques básicos e rochas
alcalinas. A idade das principais faixas portadoras deste magmatismo variam de 1.8 a 1.1 Ga,
mas são mais freqüentes de 1,76 Ga a 1,4 Ga (WINDLEY, 1993).

         O ambiente tectônico destas rochas anorogênicas é um dos maiores problemas da
geologia precambriana. Existem muitas hipóteses contrastantes sobre sua origem, tais como
(WINDLEY, op. cit.):

           -    ação de plumas do manto/diapirismo em regimes extensionais (EMSLIE, 1978,
                MORSE et al., 1988, ANDERSON & BENDER, 1989);

           -    correntes de convecção do manto superaquecidas com milhares de quilômetros
                de diâmetros (“a convective upwelling mantle superswel thousands of kilometers
                in diameter”) (HOFFMAN, 1989);
                                                                                          125




         -   resposta termal ao espessamento crustal produzido por uma tectônica de placas
             primariamente convergente (VAN SCHMUS & BICKFORD et al., 1986;
             BICKFORD et al., 1986); e

         -   em conecção com estágios colisionais tardios (VAN SCHMUS et al., 1987).

         Diante dos estudos anteriormente elaborados e os aqui realizados, podem-se efetuar
algumas considerações acerca da porção cratônica do Estado de Mato Grosso.

         -   na porção norte do Estado, raros foram os trabalhos que cartografaram
             associações TTG, conforme observado ao sudeste de Peixoto de Azevedo
             (PAES DE BARROS, 1994), e seqüências máficas-ultramáficas que pudessem
             representar restos ofiolíticos ou seqüências vulcano-sedimentares arqueanas ou
             do Proterozóico Inferior. A este fato devemos creditar, com segurança, à
             inexistência de trabalhos de detalhe que pudessem configurá-los; como os foram
             feitos na região sudoeste, isto pelas dificuldades naturais ali reinantes,

         -   a cobertura vulcano-plutônica Iriri recobre todas províncias geocronológicas, com
             exceção da Sunsas. Aflora nos flancos do Alto Estrutural Juruena-Teles-Pires,
             onde no núcleo expõem-se as infracrustais e, nos flancos, as coberturas
             vulcanogênicas e as sedimentares que lhas sotapõem;

         -   para o conjunto vulcânico situado entre Porto Velho e Juruena temos uma idade
             isocrônica Rb/Sr de boa confiabilidade com idade de 1.651 Ma ri 0,703 ± 0,001
             (TASSINARI, 1981), o que permite assumir com segurança que àquela época a
             crosta já estava formada e estabilizada quanto aos processos deformacionais;

         -   se admitirmos um evento colisional Rio Negro-Juruena/Ventuari-Tapajós com
             ápice sintectônico a 1.700 Ma, tería-se um lapso de 50 Ma entre o evento
             sintectônico e o grande evento vulcano-plutônico;

         -   no Estado não foram reconhecidos nenhum tipo de sedimentos molassóides
             (quer sejam molassóides ou não) interpostos entre as infracrustais Xingu e as
             coberturas vulcanogênicas, o que é uma situação um tanto quanto intrigante
             diante da cronologia das províncias e modelos colisionas propostos, ainda mais
             se admitido que o evento vulcânico teve um largo período de ocorrência;

         -   a Formação Mutum-Paraná, de ocorrência restrita à Província Rio Negro-
             Juruena, encontra-se, no geral, mais deformada do que as demais coberturas
             sedimentares que lhas sotapõem estratigraficamente, e.g. Beneficente e
             Dardanelos (exceção feita às faixas lineares deformadas verificadas nos bordos
             da Formação Beneficente, aqui interpretadas como decorrentes de falhas de
             inversão de bacia).

         -   admite-se neste trabalho uma possível conexão entre os sedimentos Dardanelos
             e Beneficente, em que os primeiros corresponderiam aos limites mais proximais,
             fluviais, de uma grande bacia de deposição epinerítica, atualmente segmentada
             pelo Alto Estrutural Juruena-Teles Pires;

         -   um fato marcante em termos de mineralizações é a perfeita delimitação de
             províncias mineralizadas predominantemente a ouro e estanho. Assim, no
             meridiano balizado pela cidade de Aripuanã, em direção ao oriente, a vocação
             metálica é seguramente mais notável para Au; de Aripuanã rumo ao ocidente a
             vocação metálica é nitidamente para Sn ou Sn:Au. Na Folha Rio Branco, MIR
             296, os trabalhos efetuados pela CPRM detectaram inúmeras ocorrências de Sn
             associadas aos vulcanitos Iriri. Mineralizações de Sn associadas a efusivas
                                                                                          126




              ácidas são características de ocorrerem em áreas com crosta continental
              espessa (REED et al., 1986). Embora seja uma ilação, insere-se
              harmoniosamente à porção considerada, pois de Aripuanã para leste, a vocação
              aurífera observada, quer dentro do contexto da Província Rio Negro – Juruena,
              como dentro da Província Amazônica Central, sugere uma maior contribuição
              mantélica às plumas graníticas ou vulcanogênicas, ou, em outras palavras, uma
              crosta mais fina em relação àquela encontrada de Aripuanã para oeste, onde a
              Província Estanífera de Rondônia deve de refletir o aspecto ensiálico da
              orogênese ou então o retrabalhamento de uma crosta que se enriqueceria mais
              em estanho como decorrência de inúmeros eventos plutano-graníticos
              (magmatismo por ativação reflexa).


4.1.2.     Principais Estruturas Geológicas do Cráton do Guaporé

           A compartimentação geotectônica do Estado de Mato Grosso abrange, em sua maior
distribuição territorial, o segmento sul do Cráton Amazônico, que compreende a Província
Estrutural do Tapajós; seguido da Faixa de Dobramentos Paraguai (Província Estrutural do
Tocantins) e, finalmente, a Bacia do Paraná, que corresponde à Província Estrutural do
Paraná, conforme apresentado esquematicamente no Mapa 003. Cada província apresenta um
estilo estrutural característico e próprio de sua evolução geológica, em resposta às diversas
fases ou etapas de movimentações a que esta vasta região foi submetida.

         As principais estruturas identificadas nesta província refletem a evolução de antigos
terrenos cratônicos, sendo caracteristicamente reconhecidos: grandes feições lineagênicas;
grabens, altos e baixos estruturais, grandes dobramentos suaves e estruturas dômicas
menores.


4.1.2.1.   Feições Lineagênicas

           Representando grandes descontinuidades, as feições lineagênicas apresentam
distribuição bimodal bem definida pelos trends NE e NW que cortam o embasamento, as
coberturas sedimentares do Proterozóico Médio e Fanerozóico, as quais, pela recorrência das
orientações sugerem tratar-se de reativações de antigas linhas de fraqueza, em sucessivos
movimentos epirogenéticos. Aparentemente o trend NW é o mais antigo, por estar truncado
pelo trend NE (BARROS et al., 1982).

           São representantes destas feições os lineamentos Madeira-Quatorze de Abril, São
João da Barra-Teles Pires, Arinos-Aripuanã etc, e as falhas do Canamã, São João da Barra, do
Cristalino, Tenente Marques-Eugênia, do Rio Vermelho, entre outras.

           As feições lineagênicas balizam altos e baixos estruturais, os vulcanitos da
Formações Iriri, assim como aparentam controlar o posicionamento de plutonitos graníticos e
alcalinos, representantes de vários episódios plutono-magmáticos de reativação aos quais a
região foi submetida. Estruturas circulares associadas a intrusões graníticas e sieníticas são
conspícuas ao norte do Estado.
                 127




ENTRA MAPA 003
                                                                                            128




4.1.2.2.   Altos e Baixos Estruturais

          A movimentação vertical de blocos parece ter sido o agente dominante na
tectogênese da Província do Tapajós, ocorrendo ao longo de lineamentos que delimitaram
estruturas do tipo graben e horst. Aliado aos processos epirogenéticos, esforços tectônicos e
atividade magmática, essa província também exibe estruturas flexurais.

         São representantes desse tipo de estruturas o Graben do Cachimbo, o Alto Estrutural
Juruena - Teles Pires, o Graben dos Caiabis, o Alto Estrutural Eugênia-Arinos, o Sinclinal São
Pedro, o Graben da Serra Formosa, o Sinclinal do Ariranha, etc.

         Dentre estas estruturas, o Graben do Caximbo, o Alto Estrutural Juruena-Teles Pires
e o Graben Caiabis constituem mega estruturas de importância regional e, por essa razão,
encontram-se sintetizadas a seguir:

           -   O Graben do Caximbo situa-se no extremo norte do Estado e abriga os
               sedimentos do Grupo Beneficente. Sua delimitação ao sul com as vulcânicas da
               Formação Iriri dá-se pelo lineamento São João da Barra - Teles Pires. Esta
               estrutura se extende ao norte para os estados do Pará e Amazonas, por uma
               extensão aproximada de 600 km, orientada segundo WNW.

           -   O Alto Estrutural Juruena-Teles Pires configura-se como uma megaestrutura
               positiva de direção WNW-ESE, controlado por falhas profundas que delimitam ao
               norte, o Graben do Caximbo (lineamento São João da Barra de Teles Pires) e, ao
               sul, o Graben dos Caiabis (lineamento Arinos-Aripuanã). Com uma extensão
               superior a 600 km por 120 km de largura, reúne rochas do Complexo Xingu, as
               vulcânicas da Formação Iriri e um número expressivo de stocks graníticos da
               Suíte granítica Teles Pires. Esta estrutura       reveste-se de importância
               metalogenética, pelo grande número de depósitos auríferos que abriga.

           -   O Graben Caiabis apresenta direção geral WNW-ESE, condicionado aos
               lineamentos Apiacás-Teles Pires e Arinos-Aripuanã, que o delimitam ao norte e
               sul, respectivamente. Esta megaestrutura deprimida ocupa a porção centro-norte
               do Estado, abriga os sedimentos da Formação Dardanelos e, no extremo
               ocidental da Serra dos Caiabis, inclui basaltos alcalinos pertencentes à Formação
               Arinos. Esta depressão perde-se a SE sob a cobertura detrito-laterítica
               neogênica.

          Ao sul desta Província, os terrenos proterozóicos coalescem sob expressíveis
coberturas sedimentares correspondentes ao Grupo Parecis (Cretáceo) e sedimentos
quaternários, abrigados pela Depressão Araguaia, configurando uma monotonia estrutural
caracterizada por feições lineares NE e NW, presumidas de refletirem linhas de fraqueza do
embasamento.


4.2.       CINTURÃO DOBRADO PARAGUAI-ARAGUAIA

         Ocupando a porção centro-meridional do Estado, encontra-se a Faixa de
Dobramentos Paraguai-Araguaia, a qual se desenvolveu durante o Proterozóico Superior,
quebrando a estabilidade da borda oriental do Cráton Amazônico. Ao sul do Estado, esta faixa
encontra-se oculta sob os sedimentos das bacias do Paraná e dos Pantanais (Paraguai e
Guaporé), ao norte, pelos sedimentos do Grupo Parecis e, a oeste, pelos sedimentos da Bacia
do Araguaia. São feições características desta faixa: intensa deformação linear polifásica, na
zona externa presença de extensos falhamentos inversos ou de empurrão, escassez de
                                                                                           129




produtos vulcânicos, a presença de plutão granítico circunscrito e discordante com produtos
vulcânicos localmente associados na área mais interna da faixa. No conjunto, as estruturas
configuram um grande arco convexo para o cráton com mais de 1.000 Km de extensão.

           Segundo ALMEIDA, (1984), esta faixa encontra-se subdividida em duas zonas
estruturais, com características distintas, que denominou de Brasilides Metamórficas
(representada pelo Grupo Cuiabá) e Brasilides não-Metamórficas (representada pelo Grupo
Alto Paraguai), sendo que as diferenças marcantes nestas zonas incluem idade, estilo
estrutural, magmatismo e metamorfismo. O limite das estruturas Brasilides não-Metamórficas
com a zona interna metamórfica, ou seja, Brasilides Metamórfico, dá-se por um front tectônico,
praticamente contínuo onde exposto, que em vários locais lançaram os metamorfitos da zona
interna sobre as Brasilides não-Metamórficas. O antepaís da faixa de dobramentos é
representado pela área cratônica estabilizada no ciclo Sunsas.


4.2.1.   Brasilides Metamórficas

           O Brasilides Metamórficas representado pelo Grupo Cuiabá compreende as rochas
mais antigas da faixa sedimentar, reunindo micaxistos, filitos, quartzitos, metarcóseos,
metaconglomerados, calcários e mármores, apresentando ainda uma escassez rochas
vulcânicas, sendo estas últimas descritas no Estado somente no Garimpo do Araés, Nova
Xavantiva (MARTINELI, 1998), assim como plutonismo granítico (Granito São Vicente) com
material subvulcânico (vulcânicas de Mimoso) localmente associado na porção central da faixa
dobrada. ALMEIDA, (op. cit.), designou esta zona de ortotectônica da faixa orogênica, a qual
apresenta dobramentos holomórficos, cujos eixos sub-horizontais são geralmente paralelos à
configuração arqueada da borda do cráton. Estes dobramentos ocorrem em várias escalas,
apresentando-se simétricas ou assimétricas, constituindo braquissinclinais, braquianticlinais e
isoclinais, por vezes, com flancos invertidos. Podem alcançar dezenas de quilômetros de
extensão, assim como as grandes falhas inversas ou de empurrão que os afetam.

          Às deformações desta faixa de dobramentos são atribuídas três eventos tectônicos
(LUZ, et al., 1980, apud ALMEIDA, 1984), que são considerados fases distintas do Ciclo
Brasiliano. Na área que se estende de Cuiabá para SW, verificaram que a primeira fase
desenvolveu-se com o metamorfismo regional do Grupo, assim como originou os grandes
dobramentos holomórficos. A segunda fase produziu novos dobramentos holomórficos, com
isoclinais assimétricas, recumbentes, assim como as principais lineações observadas,
enquanto que, a terceira fase, menos intensa, desenvolveu clivagem de crenulação nas rochas
mais plásticas.

           As estruturas indicam que a vergência tectônica durante a segunda fase deu-se em
sentido oposto ao cráton, enquanto nas outras duas fases produziram-se em direção a ele. O
magmatismo ácido penetrou o Grupo Cuiabá após a terceira fase tectônica. O metamorfismo
regional que afetou as rochas do Grupo Cuiabá não ultrapassou o fácies xisto-verde, com
desenvolvimento local de biotita. Como minerais gerados ou recristalizados pelos processos de
metamorfismo regional observam-se com maior freqüência sericita, clorita, epídoto, moscovita,
grafita, pirita, albita, microclíneo, hematita, magnetita e rutilo. Metamorfismo de contato é
descrito nas auréolas do Granito São Vicente.


4.2.2.   Brasilides não-Metamórficas

          As estruturas Brasilides não-Metamórficas desenvolveram-se contíguas à borda
cratônica. Devido à natureza pelítica, psamítica e dolomítica das unidades que a compõem,
somados os efeitos dos dobramentos lineares e falhamentos longitudinais que as afetaram,
apresentam cordões serranos contínuos por dezenas de quilômetros de extensão. A largura da
faixa dobrada varia de 20 a 50 km e sua extensão se alonga por aproximadamente 300 km. As
                                                                                                           130




Brasilides não-Metamórficas incluem todas as unidades do Grupo Alto Paraguai acima do
Grupo Cuiabá, o metamorfismo é ausente ou só se manifesta de forma incipiente.

          As deformações da zona Brasilides não-Metamórficas foram originadas sobretudo no
terceiro episódio tectônico que afetou a Faixa de Dobramentos Paraguai. Apresenta como
característica um sistema linear de dobramentos, sub-paralelos à borda do antepaís e extensos
falhamentos inversos ou de empurrão, denotando o conjunto dessas deformações uma
vergência dirigida para o antepaís (Foto 044). Os dobramentos são inúmeros e sucessivos,
com seus eixos paralelos à configuração arqueada da borda do cráton. Apresentam-se em
várias dimensões constituindo anticlinais, sinclinais, branquianticlinais, braquissinclinais, não
raramente apresentando flanco invertido.

        A zona limítrofe entre os Brasilides Metamórficas e não-Metamórficas é marcada por
um adensamento de grandes falhas inversas ou de empurrão apresentando-se os
dobramentos, no local, mais cerrados e sendo por elas cortados.


4.2.3.     Evolução Tectônica da Faixa Paraguai – Região de Cuiabá

          Considerável contribuição à Faixa Paraguai, quanto a sedimentação, estratigrafia e
evolução tectônica foram dadas por ALVARENGA, (1984, 1985, 1986 1988, 1990),
ALVARENGA & SAES, (1992), e ALVARENGA & TROMPETTE, (1992, 1993). Estes últimos
autores reconhecem quatro grandes associações que empilham o Grupo Alto Paraguai, assim
dispostas da base para o topo: Unidade Inferior que correspondente ao Grupo Cuiabá, Unidade
Glaciomarinha e Turbidítica que reúne as formações Puga e Bauxi, as quais transgridem da
Bacia Cuiabá para adentrarem na zona cratogênica, a Unidade Carbonatada representada pela
Formação Araras, a qual encontra-se mais bem representada sobre a porção cratônica, porém
ainda adentrando para a Bacia Cuiabá (Calcário da Guia, ou Formação Guia) e, finalmente, a
Unidade Detrítica que reúne as formações Raizama e Diamantino (pela estratigrafia adotada
neste trabalho soma-se ainda a Formação Sepotuba), cobertura exclusiva da zona cratônica
(Figura 012). Neste esquema, a unidade Glaciomarinha e Turbidítica representada pelas
formações Puga e Bauxi, pouco espessas e dobrada na zona externa da faixa, passam ao
Grupo Cuiabá, espessas, tectonizadas e metamorfisadas dentro do domínio interno da faixa.
Quanto ao contato basal dos metassedimentos do Grupo Cuiabá, este é descrito apenas na
região do Alto Araguaia, na região de Bom Jardim de Goiás - GO, numa hipótese de extensão
deste grupo até o Maciço Mediano de Goiás, dando-se em contato tectônico.

          Segundo ALVARENGA & TROMPETTE, (1993), existem quatro fases de
deformações superimpostas (D1 a D4) que afetaram a faixa Paraguai e são de idade
brasiliana. A primeira fase é a principal, registrando os traços estruturais mais marcantes,
encontrando-se representada em toda a faixa (zonas interna e externa), “as dobras D1 têm uma
evolução geométrica e contínua na faixa. Os dobramentos inicialmente abertos na zona externa, passam a dobras
fechadas, inversas a isoclinais no extremo leste da zona interna. O mergulho alto dos planos axiais 70-90ºSE na
zona externa passa para 40-60ºW nos metassedimentos do extremo leste da zona interna... O eixo dos
dobramentos tem caimentos que não ultrapassam 15ºNE, localmente estes caimentos podem estar para SW ”.

          A segunda e terceira fase têm caráter local e são sobretudo caracterizadas por
clivagens de crenulação; a quarta e última fase de deformação está relacionada às dobras de
grande comprimento de onda, reconhecidas nos mapas geológicos, com seus eixos dispostos
perpendicularmente aos eixos das três primeiras fases de deformação. De acordo com os
autores, o principal traço estrutural dessa fase D4 é um forte fraturamento orientado N50-70ºW
variando de vertical a 80ºSW, o qual também afeta o Granito São Vicente. Dentre as
conclusões obtidas pelos autores, pode-se enumerar entre outras:

           -    o modelo para a evolução tectônica da Faixa Paraguai parece não se enquadrar
                dentro dos clássicos modelos de geossinclinais. A Faixa Paraguai mostra um
                                                                                        131




             sistema de dobramentos D1 que a medida que se torna mais intenso em direção
             às zonas internas, apresenta dobras assimétricas a isoclinais e,
             consequentemente, em sentido oposto ao cráton (ALVARENGA, 1990). Dados
             de atitudes de dobras e de clivagens, que induzem vergências contrária ao
             Cráton do Guaporé, são também registrados em diversos trabalhos sobre a faixa
             Paraguai (ALMEIDA, 1964, 1984; LUZ et al., 1980; ALVARENGA, 1986, 1990);

         -   as atitudes medidas para as clivagens S1, S2 e S3 são provavelmente atitudes
             originais (não são resultados de basculamentos posteriores), que estão de
             acordo com um modelo de tectônica tangencial. Esta é uma interpretação a favor
             da existência de uma deformação “sub-autóctone”;

         -   o estudo sedimentar do Grupo Cuiabá e de seus equivalentes cratônicos mostra
             uma evolução lateral de sedimentação que pode ser interpretada tanto quanto
             como característica de uma margem passiva, desenvolvido na borda oeste de um
             oceano brasiliano, como de acumulação em borda de aulacógeno ou de um rift
             intra-continental (ALVARENGA & TROMPETTE, 1992);

         -   a deformação dessas rochas pode ser interpretada como resultado de uma
             orogênese de colisão com o desenvolvimento completo do Ciclo de Wilson ou
             como o fechamento de um aulacógeno ou rift intracontinental, possivelmente com
             reduzida oceanização. De acordo com a primeira hipótese, o Grupo Cuiabá
             representa um páleo-prisma sedimentar numa antiga margem passiva ou, de
             acordo com a segunda hipótese, a borda oeste de um aulacógeno. Nenhum
             vestígio de crosta oceânica ou de arcos magmáticos que poderiam estar
             relacionados com a subducção de litosférica oceânica foi identificado na região
             de Cuiabá.


FIGURA 012 ESQUEMA DAS RELAÇÕES ESTRATIGRÁFICAS NA BORDA SUDESTE DO CRÁTON
         AMAZÔNICO




FONTE:   ALVARENGA & TROMPETTE, 1993



4.2.4.   Principais Estruturas Geológicas da Faixa Dobrada Paraguai-Araguaia

        Ocupando a porção centro-meridional do Estado, encontra-se a Faixa de
Dobramentos Paraguai que, durante o Proterozóico Superior, se desenvolveu na borda sul do
Cráton Amazônico. No sul do Estado encontra-se oculta sob os sedimentos das bacias do
                                                                                           132




Paraná e do Pantanal e, ao norte, pelos sedimentos do Grupo Parecis e coberturas
neogênicas.

          ALMEIDA, (1984), subdividiu esta faixa em duas zonas estruturais, com
características distintas, que denominou de Brasilides Metamórficas (aqui representada pelo
Grupo Cuiabá) e Brasilides não-Metamórficas (aqui representada pelo Grupo Alto Paraguai),
sendo que a diferença marcante nestas zonas inclui idade, estilo estrutural, magmatismo e
metamorfismo.


4.2.4.1.   Brasilides Metamórficas

          O Brasilides Metamórficas compreenderia as rochas mais antigas da faixa
sedimentar, apresentando ainda rochas vulcânicas, assim como intrusões graníticas e
granodioríticas com materiais subvulcânicos, localmente associados. ALMEIDA, (op cit),
designou esta zona de ortotectônica da faixa orogênica, a qual apresenta dobramentos
holomórficos, cujos eixos sub-horizontais são geralmente paralelos à configuração arqueada da
borda do cráton. Estes dobramentos ocorrem em várias escalas, apresentando-se simétricas
ou assimétricas, constituindo braquissinclinais, braquianticlinais e isoclinais, por vezes, com
flancos invertidos. Podem alcançar dezenas de quilômetros de extensão, assim como grandes
falhas inversas ou de empurrão que os afetam.

          Atribui-se a três eventos tectônicos as deformações desta faixa de dobramentos, que
são considerados fases distintas do Ciclo Brasiliano. Na área que se estende de Cuiabá para
SW, LUZ et al., (1980, apud ALMEIDA, 1984) verificaram que a primeira fase desenvolveu-se
com o metamorfismo regional do Grupo, assim como originou os grandes dobramentos
holomórficos, com isoclinais assimétricas, recumbentes, e as principais lineações observadas.
A segunda fase produziu novos dobramentos holomórficos, mantendo as isoclinais
assimétricas, recumbentes, assim como as principais lineações observadas e a terceira fase,
menos intensa, desenvolveu clivagem de crenulação nas rochas mais plásticas.

         As estruturas indicam que a vergência tectônica durante a segunda fase deu-se em
sentido oposto ao cráton, enquanto nas outras duas fases produziram-se em direção a ele. O
magmatismo ácido penetrou o Grupo Cuiabá após a terceira fase tectônica.


4.2.4.2.   Brasilides não-Metamórficas

          As estruturas Brasilides não-Metamórficas desenvolveram-se contíguas à borda
cratônica. Devido à natureza pelítica, psamítica e dolomítica das unidades que a compõem,
somados os efeitos dos dobramentos lineares e falhamentos longitudinais que as afetaram,
apresentam cordões serranos por dezenas de quilômetros de extensão. A largura da faixa
dobrada varia de 20 a 50 km e sua extensão se alonga por aproximadamente 300 km.

          As deformações da zona Brasilides não-Metamórficas foram originadas sobretudo no
terceiro episódio tectônico que afetou a Faixa de Dobramentos Paraguai. Apresenta como
característica um sistema linear de dobramentos, sub-paralelos à borda do antepaís e extensos
falhamentos inversos ou de empurrão, denotando o conjunto dessas deformações uma
vergência dirigida para o antepaís. Os dobramentos são inúmeros e sucessivos, com seus
eixos paralelos à configuração arqueada da borda do cráton. Apresentam-se em várias
dimensões constituindo anticlinais, sinclinais, branquianticlinais, braquissinclinais, não
raramente apresentando flanco invertido.

        A zona limítrofe entre os Brasilides Metamórficas e não-Metamórficas é marcada por
um adensamento de grandes falhas inversas ou de empurrão apresentando-se os
dobramentos, no local, mais cerrados e sendo por elas cortados.
                                                                                           133




4.3.     BACIA DO PARANÁ

           Compreende a terminação NW da bacia intracratônica do Paraná. O empilhamento
estratigráfico e as estruturas observadas demonstram que os esforços que aí atuaram
correspondem àqueles decorrentes de movimentos epirogenéticos ascendentes e
descendentes, de amplitudes diversas, que truncaram determinadas seqüências, situação esta
observada durante o Paleozóico, Mesozóico e mesmo o Cenozóico. Quanto às estruturas
presentes, observam-se blocos altos e baixos ao longo de falhamentos, além de estruturas
flexurais caracterizadas por domos e arcos responsáveis pela perturbação da feição estrutural
monoclinal original da bacia. Como a sedimentação da bacia encontra-se registrada em
períodos descontínuos, seguidos de fases erosivas, optou-se por apresentar os conjuntos
sedimentares em intervalos tectono-sedimentares.


4.3.1.   Intervalo Pré-Devoniano ou Seqüência Pré-Furnas

            Trabalhos recentes, em parte também verificados no transcorrer destes
levantamentos, reconheceram também no Estado de Mato Grosso, à semelhança do que vinha
sendo constatado para o Estado de Goiás, que a sedimentação inicial da bacia deu-se por uma
unidade tectono-sedimentar representada pelo Grupo Rio Ivaí (ASSINE, 1996), com início no
Neo-Ordoviciano (Série/Andar Caradoc/Ashgill), com a Formação Alto Garcas, concluindo seu
ciclo com a Formação Vila Maria eosiluriana (Llandovery). O poço Alto Garças perfurado pela
PETROBRAS apresentou intervalo de 1779 – 1944 m, ou seja 165 m atribuível a Arenito Pré-
Furnas ou seja, Grupo Rio Ivaí. A Formação Alto Garças é constituída, na porção oriental da
Chapada dos Guimarães, na base por uma fácies de conglomerado maciço, arenito com
laminação plano paralela, arenito com laminação cruzada por onda e arenitos com Skolithos
linearis (icnofácies Skolithos) interpretadas como o registro de ambiente marinho raso sob ação
de ondas (BORGHI & MOREIRA, 1998), representando a primeira transgressão marinha da
bacia.

           Segue-se à Formação Alto Garças, a Formação Iapó, a qual embora desde longo
tempo reconhecida no Estado do Paraná (MAAK, 1947), somente recentemente vem-se
demonstrando sua continuidade e significado. Pelas características faciológicas dos seus
sedimentos (diamictito com clastos de granulometria variada, diamictitos maciços,
conglomerados, lamitos com seixos pingados, etc.), pequena espessura, por apresentarem-se
diretamente sobre o embasamento e serem sobrepostos por fácies aquosas glacialmente
influenciadas, são interpretados como depósitos sub-glaciais (PEREIRA, 1992, ASSINE &
SOARES, 1993). Quanto ao tipo de glaciação, ASSINE, (1997), conclui por uma glaciação
continental, demonstrando a existência de inúmeros depósitos cronocorrelatos na maioria das
bacias Gondwânicas, cujas datações têm marcado um máximo glacial no Neo-Ordoviciano,
assistindo desse modo, a Bacia do Paraná, ao seu primeiro registro glacial. A Formação Iapó
foi descrita na região de Rio Verde de Mato Grosso (estrada de acesso ao Pantanal a partir do
km 682 da BR-163), constituída por diamictitos e folhelhos com seixos caídos, capeando
arenitos da Formação Alto Garças (ASSINE, 1997); e na região da Chapada dos Guimarães,
onde BORGHI & MOREIRA, (1998), relataram a ocorrência de diamictitos da Formação Iapó
recobrindo arenitos da Formação Alto Garças.

          Segue-se à Formação Alto Garças os sedimentos da Formação Vila Maria,
caracterizados por ambiente litorâneo de águas rasas sob influência de marés, com condições
temporárias de sublitorâneo, com períodos de fluxo de detritos entrando na bacia (FARIA,
1982). A idade eosiluriana (andar/série Llandovery), marcada para o intervalo sedimentar desta
unidade vem encerrar o primeiro intervalo tectono-sedimentar observado, após o qual deduz-se
regressão marinha e erosão que teria removido grande parte dos registros sedimentares,
promovendo o grande aplainamento que antecedeu a deposição da Formação Furnas.
                                                                                          134




4.3.2.   Intervalo Devoniano

         Este intervalo constituído pelas Formações Furnas e Ponta Grossa encontra-se bem
representado no Estado, com ampla exposição nas bordas da bacia, próximo aos limites com
as bacias cenozóicas do Pantanal e Araguaia. O poço de Alto Garças perfurado pela
PETROBRAS apresentou os seguintes intervalos litoestratigráficos: 1.448 – 1.779 m para a
Formação Furnas (331 m) e 981 – 1.448 m para a Formação Ponta Grossa (467 m).

          A Formação Furnas assenta-se por discordância sobre os sedimentos do Grupo Rio
Ivaí, sendo transgressiva sobre o embasamento Pré-Siluriano. Embora bastante semelhantes
as descrições litológicas referentes à Formação Furnas, quanto às suas estruturas
sedimentares e idade eodevoniana, é reconhecido uma diversidade faciológica muito grande
nos sedimentos que compõem borda leste (BORGHI, 1993, 1996 e 1997a,b, apud
BORGHI & MOREIRA, 1998), que se traduzem em diferentes ambientes de sedimentação, de
fluvial a marinho. Para o Estado, os trabalhos mais abrangentes corresponderiam ao de
SCHUBERT, (1994, 1995), onde foi propalado uma sedimentação inicial marcada por um
ambiente marinho costeiro que evoluiu para um ambiente marinho raso, inicialmente dominado
por marés e posteriormente por ondas normais e de tempestade. Este por sua vez evoluiu para
um ambiente de offshore-transition.

          O contato superior com a Formação Ponta Grossa é concordante e como local de
observação indica-se o contato que ocorre na Cachoeira Véu da Noiva, ponto turístico notável
próximo à cidade de Chapada dos Guimarães, onde afloram estratos de arenitos finos
laminados (Formação Furnas), que gradam para siltitos arenosos, siltitos argilosos e folhelhos
cinza, fossilíferos onde foram caracterizados fósseis de braquiópodes (Orbiculoidea,
Australocoelia e Australosperifer?) e de moluscos (Tentaculites?). Quanto ao ambiente de
sedimentação é fartamente indicado ambiente marinho de águas rasas. Especificamente no
Estado, chamou a atenção a quantidade de hematita presente nos seus sedimentos mais
argilosos que faz suspeitar de precipitação química de ferro quando da deposição de seus
sedimentos. Após a sedimentação Ponta Grossa, observa-se novo período erosivo que
antecede a deposição das camadas permo-carboníferas da Formação Aquidauana.


4.3.3.   Intervalo Permo-Carbonífero

        O intervalo permo-carbonífero encontra-se impresso pelos sedimentos da Formação
Aquidauana, amplamente distribuída no Estado, ocupando toda a porção central da bacia.

            O poço de Alto Garças perfurado pela PETROBRAS apresentou o intervalo
litoestratigráficos de 182 – 981 m, ou seja 799 m para o Grupo Itararé (Formação Aquidauana
neste projeto)

          Encontra-se depositado em discordância angular sobre as formações Ponta Grossa e
Furnas e sotopostos, também em discordância angular pela Formação Palermo. A presença de
diamictitos com os mais variados tipos de matriz, a presença de dobras convolutas e a cor
vermelha dos sedimentos levam a apontar sedimentação em ambiente continental sob
influência de glacial proximal. Após a sedimentação Aquidauana a bacia assistiu a outro
episódio de soerguimento e erosão, não sendo descrito e aqui ratificado a ausência de
sedimentos pertencentes à Formação Rio Bonito.


4.3.4.   Intervalo Permiano

          No Permiano a bacia volta assistir nova transgressão marinha, a qual, dentro de suas
flutuações, deu origem à sedimentação Palermo, Irati e Corumbataí. A Formação Palermo
encontra-se depositada em discordância angular sobre o Aquidauana e sotaposta pelos
                                                                                           135




sedimentos Irati. Estas três unidades afloram na forma de franja no entorno das regiões
planálticas no sul do Estado, todas elas apresentando em superfície pequena espessura, da
ordem de metros a dezenas de metros. O poço de Alto Garças, perfurado pela PETROBRAS,
apresentou os seguintes intervalos litoestratigráficos: 169 a 182 m, para a Formação Palermo,
ou seja 13 m; 128 a 169 m para a Formação Irati, ou seja 41 m; e 20 a 128 m para a Formação
Teresina (aqui denominada de Corumbataí) ou seja 108 m.

         Em Alto Araguaia, em perfurações para fins geotécnicos, demonstraram que a
Formação Palermo é sotoposta por diabásio posicionado na forma de sill, apresentando
espessura ao redor de 10 metros, espessura esta que foi observada quando a unidade
encontra-se exposta em superfície

         A Formação Irati ocorre de forma descontínua com espessura não superior a 15
metros em superfície. Não foi verificado a natureza do contato Palermo e Irati, tidos
regionalmente na bacia como concordantes.

          Quanto à Formação Corumbataí, no âmbito da Folha Mineiros, aflora nas latitudes
setentrionais, sendo que na porção leste da referida folha, no vale do Rio Claro e nas
cabeceiras e afluentes do Rio Araguaia, foram identificados exclusivamente termos da
Formação Corumbataí, que se assentam por disconformidade sobre a Formação Palermo. Já
na porção oeste, no vale do Rio Itiquira, Bacia do Paraguai, assenta-se sobre a Formação Irati,
que se expõe subordinadamente. Tal fato vem reafirmar uma borda instável sujeita a
oscilações.

           A espessura de 108 metros para a Formação Corumbataí, observada no poço Alto
Garças, vem demonstrar que esta unidade foi muito mais espessa do que atualmente
observado, ou seja, após o soerguimento desta borda da bacia, o mar Permiano regrediu e
grande parte de seus sedimentos foram erodidos. Supõe-se que esta fase de soerguimento foi
acompanhada de tectonismo pois boa parte dos sedimentos Corumbataí encontram-se
conservados em enfossamentos tectônicos dentro do Aquidauana que o preservaram da
erosão. Raciocínio análogo pode ser efetuado com relação aos 41 m de sedimentos Irati
observados no poço Alto Garças. A pequena espessura observada para o Irati leva a sugerir a
influencia de um alto ou que seus sedimentos foram removidos por erosão, ambas situações
ratificando uma borda de bacia instável.


4.3.5.   Intervalo Juro-Cretáceo

         Este intervalo tectono-sedimentar é sucedido por uma grande discordância erosiva
que se estendeu desde o Eopermiano até o Jurássico, para reiniciar a sedimentação com a
Formação Botucatu (sensu lato).

          Observa-se, no Estado, que a Formação Botucatu encontra-se bem representada no
Planalto de Itiquira e nas bordas ocidental e meridional da Chapada dos Guimarães, com
espessura da ordem de dezenas de metros. Porém, já nos bordos das Serra da Estrela e da
Saudade (região de Tesouro e Guiratinga) afloram na forma de franjas com pequena
espessura. Derrames básicos atribuíveis à Formação Serra Geral foram identificados no
entorno da Serra Estrela com estruturas de fluxo e vesículas no topo, com espessura da ordem
de 5 a 6 m.

         A ausência de sedimentos Botucatu no flanco oriental da Chapada dos Guimarães
(sob sedimentos cretáceos), diante das espessas camadas no flanco ocidental, levam a inferir,
que tais sedimentos foram naquela porção erodidos, numa sucessão de episódios de
sedimentação e erosão que vem sendo observados desde tempos eosilurianos
                                                                                            136




         Os derrames basálticos são pouco expressivos na terminação NW da bacia. As
poucas informações disponíveis na Chapada dos Guimarães merecem detalhamento no
sentido de trazer luz à questões cronolitoestratigráficas e evolutivas. Nas Serras da Estrela e
Saudade, como acima exposto, temos delgadas franjas de rochas efusivas basálticas. Elas se
tornam pouco mais expressivas na borda oriental do Planalto de Itiquira.

            O desenvolvimento de Latossolos Argilosos Vermelhos-Escuros sobre estes basaltos
vêm sugerir que a superfície de aplainamento sulamericana removeu e aplainou a Formação
Marília e demais unidade cretáceas e subjacentes, até expor o nível de basalto do Planalto de
Itiquira, tendo sido certamente este também erodido.


4.3.6.   Intervalo Neocretáceo

         Este intervalo diz respeito à grande sedimentação cretácea que ocorreu no Estado.
Apesar de na Bacia do Paraná a sedimentação diga respeito à Formação Marília, a
sedimentação cretácea como um todo inclui o Grupo Parecis, que se estende por toda porção
central do Estado, numa disposição leste-oeste. A Formação Marília dispõe-se por
disconformidade sobre os sedimentos Furnas, Ponta Grossa, Aquidauana, Botucatu e Serra
Geral. Tal situação vem demonstrar que o substrato da bacia em tempos pré Marília estava
rompido, colocando lado a lado unidades distintas.

        A presença de testemunhos cretáceos na região de Nova Xavantina e Água Boa vêm
demonstrar a continuidade da sedimentação cretácea entre as bacias do Paraná e Parecis, ao
menos para a porção oriental do Estado, agora rompida por neotectonismo.

           A presença de silcretes na Formação Marília vem demonstrar um ambiente de aridez
a que esta unidade esteve submetida, à semelhança do que se observa em outros Estados.
Tanto nos sedimentos cretáceos da Bacia do Paraná como nos da Bacia do Parecis, observa-
se uma superfície de aplanamento, cimeira em relação às demais, correlacionáveis entre si, à
qual foi interpretada como resultante da Superfície de Aplanamento Sulamericana.

           Esta superfície, pela extensão com que ainda se observa o topo preservado, também
identificados nos limites com os Estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul, pode-se dizer,
reflete sua própria denominação, que faz alusão a dimensão continental.


4.3.7.   Estruturas Flexurais na Bacia do Paraná

          A nordeste de Cuiabá configura-se uma importante unidade geomorfológica,
representada pela Chapada e Planalto dos Guimarães, que se alonga numa direção geral E-W
por mais de 200 km. As rochas aí presentes permitem um modelado com relevo cuestiforme,
cuja frente está voltada para a Depressão Cuiabana (ROSS & SANTOS, 1982).

           Os limites da borda ocidental da bacia são marcados por extensa linearidade NW,
onde se encontram alojados o granito São Vicente e vulcânicas correlatas, numa situação
indicativa de importante descontinuidade estrutural, que atualmente baliza o flanco ocidental da
bacia.

           Na porção sul da Chapada dos Guimarães, OLIVEIRA & MÜHLMANN, (1967),
identificaram uma feição arqueada que denominaram Arco de São Vicente, a sudeste da
cidade homônima. Posteriormente, GONÇALVES & SCHNEIDER, (1970), consideraram ser
esta estrutura uma expressão tectônica que possuía uma das maiores áreas de influência na
borda da bacia, exibindo seu eixo grosseiramente alinhado a NE - SW.
                                                                                          137




         Nos arredores da cidade de Chapada dos Guimarães as evidências desta estrutura
encontram-se marcadas nos mergulhos das Formações Furnas e Ponta Grossa, algo
acentuados para NNE.

          Outra notável estrutura de conformação circular trata-se do Domo de Araguainha,
ocupando uma área de aproximadamente 1.300 km², no Planalto dos Guimarães, seccionada
pelo Rio Araguaia. Os sedimentos do Grupo Passa Dois dispõem-se em faixas semicirculares,
limitados por falhas de gravidade e constituindo o anel mais externo da estrutura (Fotos 045 e
046). Em direção ao seu núcleo seguem as rochas das formações Aquidauana, Ponta Grossa
e Furnas, dispostas em áreas concêntricas.

          Normalmente, os contatos entre as unidades estratigráficas dão-se por falhas
gravitacionais. No núcleo soerguido afloram blocos de rocha de composição granítica, com
texturas assemelhando-se às de rochas subvulcânicas e, na parte externa do núcleo, rochas
de textura vulcânica.

         Esta estrutura dômica, inicialmente admitida como uma “ascensão diapírica”,
decorrente de magmatismo ou vulcanismo, que teria arqueado as camadas paleozóicas na
forma de um domo (NORTHFLEET et al., 1969; GONÇALVES & SCHNEIDER, 1970), para
outros autores trata-se de um astroblema, de dimensões fora do comum (DIETZ et al., 1973;
WILLIGE, 1981 e CROSTA, 1982), onde, no seu centro, estariam rochas fundidas por impacto.

         Ao norte do Domo de Araguainha tem-se a terminação de uma estrutura em arco
denominada Arco de Torixoréu. Apresenta eixo de direção ENE-WSW, com mergulho para
oeste, estendendo-se desde o Estado de Goiás, balizado pelas cidades de Piranhas (GO),
adentrando para o Estado de Mato Grosso, com sua terminação oeste balizada pela cidade de
Diamantino (MT).

         Afora estas maiores estruturas dômicas ou arqueadas, ocorrem também estruturas
mais localizadas como a Estrutura do Alto Coité, localizada 10 km ao norte da vila homônima.
Apresenta um conjunto de falhas normais cuja extensão não excede 20 km, com orientações e
marcante subparalelismo à estrutura maior, desenvolvendo fraturas de distensão e
estabelecendo, localmente, contatos tectônicos entre as formações Aquidauana, Palermo,
Botucatu e Marília.

           A importância dessas estruturas arqueadas, em parte obliteradas e delimitadas por
uma tectônica distensiva, posicionadas em borda de bacia e também de cráton, consiste em
constituírem os grandes controles tectônicos de alojamento de corpos quimberlíticos que
ocorrem na região, conforme atestam as múltiplas atividades garimpeiras ao redor destas
estruturas.


4.3.8.   Estruturas Lineagênicas na Bacia do Paraná

          A par das estruturas flexurais, figuram um número expressivo de feições lineagênicas
caracterizadas por inúmeros falhamentos, predominantemente de caráter normal, cuja
orientação preferencial é NE e subordinadamente para NW. Feições circulares do tipo ring
faults também são observadas.

         Alguns falhamentos maiores do trend NW se destacam no conjunto, como as falhas
de Jaciara-Serra Grande e de Poxoréo, ambas com o bloco baixo para NW. Outros
falhamentos expressivos compreendem a Falha do Diamantino, Falha da Fazenda Formoso,
bem como outros de menor expressão.

        O arranjo destas falhas também imprime um número expressivo de grabens, como os
do Tombador, Rio do Garças, Rio Passa Vinte, General Carneiro e outros.
                                                                                            138




4.4.     BACIA DOS PARECIS

         A Bacia dos Parecis embora tratada como um ente geotectônico distinto dos demais,
se analisada sob a ótica dos sedimentos cretáceos, poderia ser descrita no intervalo
neocretáceo da Bacia do Paraná, juntamente com a sedimentação Marília. Conforme
anteriormente mencionado, morros testemunhos Utiariti nas regiões de Nova Xavantina e Água
Boa permitem considerar que estes sedimentos formavam um horizonte contínuo. Além disso,
a sedimentação Ponta Grossa, a oeste das referidas cidades, em discordância sobre a
Formação Diamantino e sob os sedimentos Parecis demonstram que ao menos sedimentos
paleozóicos se estenderam sob a Bacia dos Parecis.

           A Bacia dos Parecis, considerada intracratônica, tem seu limite meridional situado na
borda do Cráton do Guaporé, apresentando forte influência desta zona de fraqueza (Faixa
Móvel Paraguai-Araguaia). Os derrames Tapirapuã do Cretáceo Inferior denotam a
instabilidade da borda cratônica naquela época.

          Modelagem gravimétrica trimensional do embasamento da Bacia dos Parecis
(BRAGA & SIQUEIRA, 1995) demonstrou que o substrato da bacia encontra-se bem
estruturado, evidenciando horsts e grabens estruturados segundo NW-SE na borda ocidental e
NE-SW na borda oriental, apresentando deflexões segundo padrões de rifts proterozóicos
(Figura 003).

          De acordo com (BRAGA & SIQUEIRA, op. cit.), o preenchimento sedimentar no
Graben de Pimenta Bueno é espesso e aguardado de ser o principal prospecto para geração
de hidrocarbonetos. Na porção mais profunda do graben, denominado baixo gravimétrico de
Salto Magessi, o poço estratigráfico 2-SM-1-MT (5.779 m), perfurado em 1995, apresentou
5.779 m de sedimentos horizontais e sem vulcânicas. De 3.972 m à profundidade terminal a
recorrência de 2 plataformas carbonáticas foram registradas. O carbonato superior (618 m de
espessura) correlaciona-se com carbonatos neríticos e supramaré (supratidal) e anidritas que
afloram em poucos pontos da borda noroeste da bacia, com uma seqüência similar detectada
no poço PB-01-RO (CPRM), localizado no Graben de Colorado, 500 m a oeste do poço 2-SM-
1-MT. Intercalações de folhelhos pretos portadores de Verrucosisporides sp. (Devoniano ao
Triássico) foram encontrados em carbonatos no poço PB-01-RO (SOEIRO, 1982, apud BRAGA
& SIQUEIRA, 1995). A análise da razão Sr87/ Sr86 obtidas de amostras de carbonatos deste
poço indicam o Sakmarian (Permiano Inferior) como uma possível idade desses sedimentos
(RODRIGUES 1993, apud BRAGA & SIQUEIRA, 1995). Estes dados indicam que os grabens
preenchidos por sedimentos sob a Bacia do Parecis tiveram um desenvolvimento complexo,
começando como rifts proterozóicos sucedidos por plataformas carbonáticas e provavelmente
rejuvenecidos em tempos paleozóicos.

         Embora breve, tais relatos vem demonstrar uma espessura inimaginável de
sedimentos não deformados e uma estrutura complexa sob os sedimentos Parecis, cuja
sedimentação remonta a tempos proterozóicos, controlada por altos e baixos estruturais.


4.5.     BACIAS SEDIMENTARES CENOZÓICAS

         Sob esta denominação serão abordadas as bacias do Pantanal, Guaporé e Araguaia.
A Bacia do Guaporé embora tratada de forma individualizada, é contígua à Bacia do Pantanal e
fundem-se numa só bacia no Estado de Mato Grosso do Sul.

         A espessura dos sedimentos da Bacia do Pantanal, determinada pela PETROBRAS
e por alguns poços para água subterrânea, atingiu a profundidade máxima de 412,5 m em
seção incompleta (WEYLER, 1962 e 1964 apud SHIRAIWA, 1996). A porção mais profunda
apresenta-se como uma faixa alongada com direção aproximada N-S, compreendida entre os
meridianos 56°00’ e 56°30’ de longitude oeste de Gr. e os paralelos 17°00’ e 18°30’ de latitude
                                                                                           139




sul; esta faixa situa-se a leste de Porto Jofre (cerca de 30 km) com limite norte adentrando no
Estado de Mato Grosso, e a maior parte de sua extensão situada no Estado de Mato Grosso do
Sul.

         Diante dos trabalhos elaborados pode-se fazer algumas observações, entre as quais:

         -   a superfície de aplanamento paleogênica nivelou as bacias Parecis e do Paraná.
             Na porção oriental da Faixa Móvel Paraguai-Araguaia, os sedimentos cretáceos
             formavam um único horizonte sobre ambas bacias. Na região de Diamantino -
              MT, o aplainamento chegou a expor o substrato Pré-Cambriano (Faixa Móvel
             Paraguai-Araguaia);

         -   a Faixa Paraguai-Araguaia interpôs-se como um alto estrutural entre as bacias do
             Paraná e do Parecis. Apesar dos cordões serranos da Província Serrana, pode-
             se notar que ocorreu inversão topográfica neste alto estrutural. No Grupo Cuiabá
             e na Formação Diamantino a inversão de relevo é mais evidente;

         -   o atual limite da bacia pantaneira é erosivo, ou seja, seus sedimentos se
             estendiam mais para o norte, adentrando na Depressão Cuiabana. Com este
             fato, interpreta-se que os restos sedimentares das Coberturas Detriticas
             Laterizadas observadas em sobre o Grupo Cuiabá digam respeito às porções
             basais dos sedimentos Pantanal;

         -   os limites da Depressão Cuiabana são marcados por quebras topográficas
             positivas, com desníveis da ordem de dezenas até centenas de metros, muitas
             delas das quais se infere escarpas de linha de falha com abatimento da porção
             interna;

         -   os limites da Bacia do Pantanal com Bacia Paraná dão-se por escarpas de linha
             de falha com desníveis de dezenas a centenas de metros, com abatimento da
             porção interna. Na Folha de Itiquira, residuais da Formação Furnas dentro da
             bacia pantaneira apresentam rejeito da ordem de 150 metros;

         -   as escarpas da Serra de Tapirapuã possuem controle estrutural. Erosão
             remontante nivela os sedimentos do Pantanal com os folhelhos Sepotuba até
             atingir as escarpas de Tapirapuã;

         -   o bordo ocidental do Planalto dos Parecis é estruturalmente controlado por
             lineamentos N20-30W, coincidentes com os do Complexo Xingu. Trata-se de
             uma escarpa estrutural que persiste por mais de 250 km e apresenta quebra
             topográfica de até mais de 300 metros. Neste trabalho é sugerido a denominação
             de Escarpa Estrutural do Guaporé como referência para esta importante feição
             geomórfica (Foto 047).

         -   o limite dos sedimentos Guaporé com o embasamento Xingu é erosivo, ou seja,
             os sedimentos Guaporé se estendiam mais a nordeste. Aqui também restos de
             coberturas detríticas laterizadas sobre o embasamento Xingu podem ser
             correlacionáveis à base da Formação Guaporé.

         -   fraturas N10ºW que cortam o embasamento e cobertura sedimentar Guaporé
             (fanglomerados), foi observado ao norte de Vila Bela da Santíssima Trindade,
             numa autêntica manifestação de neotectonismo.

          Diante dessas observações e dos dados apresentados, para melhor compreensão do
texto, denomina-se de Bacia do Pantanal à zona deprimida preenchida por sedimentos e
Depressão Pantaneira, ao conjunto das áreas abatidas que ocorrem no entorno da Bacia do
                                                                                          140




Pantanal. Assim, aquela designação vem abarcar toda a área estruturalmente abatida, na qual,
em sua porção mais central, encontram-se os sedimentos cenozóicos e quaternários
inconsolidados e onde ocorrem processos atuais de sedimentação flúvio-lacustre na sua zona
interiorana. Neste contexto, a Depressão Cuibana corresponde a uma das áreas deprimidas
que fazem parte da Depressão Pantaneira.

         Por sua vez, a Depressão Pantaneira corresponde a uma depressão tectônica que se
formou pós superfície de aplainamento. A análise estratigráfica das unidades que afloram no
entorno da bacia evidenciam que o nível de erosão foi profundo removendo espessas
coberturas sedimentares. Tal fato leva a indicação de que anteriormente ao período de
abatimentos, esta região passou por um período de arqueamento para a instalação dos
processos erosivos que se deduzem.

          Os dados geológicos observados na bacia pantaneira mostram uma ativação com
arqueamento na sua fase inicial, a que se seguiram processos erosivos, abatimentos de
gravidade e sedimentação. Variações no depocentro causando inflexões do substrato,
provocam fenômenos cíclicos e erosão e sedimentação. Pela espessura dos sedimentos
encontrados no seu depocentro (superior a 400 metros) e pelas altitudes observadas no seu
entorno (ao redor de 610 no topo da Chapada), podemos estimar um deslocamento entre a sua
base e a sua superfície original da ordem de 900 metros.

           O trabalho de SHIRAIWA, (1996), explica a seqüência de fenômenos observados.
Para esse autor, a Bacia do Pantanal originou-se por processos de ativação, devido a esforços
extensionais ocorridos na ombreira flexural que se originou em resposta à flexão da placa
litosférica em decorrência da carga formada pelos sedimentos da Bacia Subandina e pela
topografia dos Andes Centrais; isto na transição Plioceno - Pleistoceno. Observar que o modelo
de SHIRAIWA, (op. cit.), diz respeito a ativação reflexa, exclusivamente,

           O braço do Pantanal do Guaporé que toma a direção NNW e se dirige a Rondônia é
um ramo desta estrutura tectônica que se aproveitou das estruturas regionais originadas no
ciclo Rondônia-Sunsas e que serviram como zonas de fraqueza para seu desenvolvimento.
Também para esta bacia, a semelhança do que se deduziu para a Bacia do Pantanal, é
admitido um arqueamento inicial para que a erosão pudesse remover a cobertura cretácea, ao
que se seguiu abatimentos, admissivelmente escalonados, que originaram a grande escarpa
estrutural em que se assenta, no seu reverso, a Chapada dos Parecis.

          Com relação à Bacia do Araguaia, sua caracterização como uma fossa tectônica
remonta há algumas décadas. HALES, (1981), analisando dados magnetométricos e sísmicos
numa área de aproximadamente 40 x 50 km ao sul da Ilha do Bananal, conclui pela existência
de uma fossa tectônica cuja espessura total poderia atingir até 2.000 metros de sedimentos
com idades do recente até paleozóica. O padrão de falhas obtido pela magnetometria na
referida região demonstra um conjunto de falhas de abatimento com trend geral NNW. Além
dessa espessura considerável de sedimentos, demonstra a existência de fortes evidências
geofísicas de intrusões de diabásios dentro destes sedimentos.

          Diante dos processos observados e modelo elaborado para a Bacia do Pantanal, a
Bacia do Araguaia apresenta características próprias. Aqui já não se observa, com tanta
evidência e magnitude, arqueamento. A sua conformação tipo fossa há muito foi observada e
discutida (HALES, 1981). A origem da mesma parece ater-se a falhamentos distencionais.

           Em adição, sobre esta bacia, pode ser comentado que sua terminação meridional
evolui nitidamente por erosão remontante sobre escarpas estruturais sustentadas por arenitos
siluro-devonianos (ou mesmo pré-silurianos). Estas escarpas estruturais são da ordem de
dezenas de metros com quebras topográficas abruptas que evoluem a taxas elevadas por
erosão remontante. Tais feições encontram-se bastante amenizadas na Serra do Roncador,
que baliza a Bacia do Araguaia em sua borda ocidental, sustentada por sedimentos
                                                                                          141




diamantinos, cuja serra corresponde a degraus em suaves patamares que caem para a Bacia
do Araguaia. A porção norte da bacia encontra-se significativamente aplanada com o substrato
Cretáceo ou Proterozóico que o ladeia.

          Na bacia hidrográfica do Rio Xingu observa-se uma bacia madura em relação à
observada na Chapada dos Parecis, em fase de implantação e destruição dos Latossolos
Argilosos Vermelhos-Escuros. A essas diferenças admite-se que a região do Rio Xingu foi
soerguida como compensação isostática da fossa do Araguaia. Tal fato promoveria a
destruição dos paleossolos que ali deveriam se estender. Atualmente a Serra do Roncador,
uma feição geomórfica que se interpõe entre a Bacia do Araguaia e o Planalto dos Parecis,
quase atingiu uma posição de equilíbrio (uma rampa suave que cai em suaves degraus em
direção ao Araguaia), situação oposta ao observado na outra borda do Planalto dos Parecis,
onde a Escarpa Estrutural do Guaporé apresenta-se numa fase jovem, em franca evolução.
Enquanto que nos pantanais do Paraguai e Guaporé a sedimentação em leques aluviais
encontra-se dinamicamente ativa, na Bacia do Araguaia observam-se feições menos
marcantes, com leques sendo recortados e transformados em terraços. Diante destas
observações infere-se que primeiro originou-se a Bacia do Araguaia (ou Fossa do Araguaia),
para depois forma-se a as bacia pantaneiras do Paraguai e Guaporé. Enquanto estas últimas
apresentam-se em fase jovem e evolutiva, observa-se uma quiescência naquela.

          Interessante salientar que toda esta influência tectônica deu-se após Superfície de
Aplainamento Sul Americana, a qual admite-se aplanou todo o Estado, donde o modelado do
relevo e tipos de solo são decorrentes direto da atividade tectônica que ressurgiu pós este
evento. Como esta superfície de aplainamento se encontra relativamente marcada cronológica
e estratigraficamente, é sugerido que a denominação “neotectônica” seja atribuída somente
aos processos tectônicos que sucederam à Superfície de Aplainamento Sulamericana e
subsequentes processos edafoestratigráficos cronocorrelatos.


4.6.     NEOTECTÔNICA

          Pós sedimentação cretácea uma grande superfície de aplainamento se processou a
nível continental. À esta superfície credita-se um período de grande estabilidade tectônica, a
nível continental para que ela pudesse se desenvolver. A taxa de pedogenização foi superior
ao processo erosivo.

         Pode-se observar que boa parte desta superfície encontra-se preservada nas
chapadas dos Parecis e Guimarães, na Serra de São Jerônimo e no Planalto do Itiquira e
algumas considerações gerais podem ser efetuadas tendo por critério este datum.

         -   a Faixa Dobrada Paraguai-Araguaia interpõe-se como um alto estrutural entre as
             bacias do Parecis e do Paraná. Os trabalhos realizados apontam para uma
             continuidade dos sedimentos cretáceos, o que leva à interpretação de que esta
             faixa foi soerguida pós período de aplanamento. Arqueamento este ainda
             identificado como atuante na região compreendida pelo Alto Estrutural de
             Paranatinga, onde os processos morfogenéticos apresentam taxas superiores
             aos processos pedogenéticos. Este alto estrutural é uma fonte de sedimentos
             para as aluviões da bacia hidrográfica do Rio Xingu;

         -   à fossa tectônica do Araguaia é calculado por métodos geofísicos uma espessura
             de 2.000 metros de sedimentos que se distribuem do recente ao paleozóico. Do
             abatimento desta fossa tectônica credita-se uma compensação isostática na sua
             borda ocidental, o que teria destruído a superfície de aplanamento e propiciado a
             instalação da bacia hidrográfica do Xingu. É interessante notar que em todo o
             Estado a bacia do Rio Xingu apresenta uma conformação circular, típica das
             bacias maduras ou evoluídas. Tal situação nos leva a interpretar que
                                                                                          142




             cronologicamente esta bacia hidrográfica se desenvolveu primeiramente em
             relação a outras congêneres.

          Observar que os inúmeros rios que cortam a Chapada dos Parecis apresentam
drenagens lineares e barras angulosas, numa conformação característica de bacias
hidrográficas novas, em formação;

         -   a instalação das bacias do Pantanal e do Guaporé, conforme discutido
             anteriormente, os dados geológicos convergem para processos de arqueamento,
             falhamento e colmatação das bacias, com características de processos ligados a
             ativação. A análise da evolução da paisagem e a espessura de sedimentos
             presentes na Bacia do Araguaia, permitem sugerir que a origem desta última
             precede às outras duas.

        Quanto às bacias do Pantanal e Guaporé, a análise da evolução da paisagem
sugerem serem estas bacias relativamente síncronas;

         -   conforme mencionado anteriormente, na região balizada pelas cidades de
             Rondonópolis, Guiratinga, Tesouro, General Carneiro e Barra do Garças, a Bacia
             do Paraná foi significativamente rompida após a instalação da unidade
             edafoestratigráfica. Esta foi erodida, assim como a sedimentação cretácea.
             Crostas lateríticas rompidas por falhamentos, ainda preservando estrias, podem
             ser observadas na Chapada dos Guimarães ao sul de Primavera do Leste.
             Blocos falhados apresentando adernamentos podem ser observados da Serra da
             Saudade (Foto 048) e na região de Rondonópolis (Foto 049). A estruturação
             tectônica observada segue os trends ENE e E-W. Parte dos processos erosivos
             que se instalaram deram origem aos modelados conhecidos como “Terrenos
             Alcantilados”, denominação esta em alusão às rupturas que as formas
             apresentam. Esta faixa trata-se de um elo de ligação entre as bacias do Pantanal
             e Araguaia.

         A importância da faixa acima referenciada reside na tendência à erosão que
apresentam. Boa parte dos relevos evoluem por escorregamentos e ravinamentos decorrente
de processos naturais. Como estes processos estão sendo acelerados pela ocupação humana,
decorrente das práticas agrícolas agressivas, a quantidade de sedimentos que vem sendo
lançada tanto na Bacia do Pantanal como na do Araguaia apresenta uma carga excedente,
além das suas condições naturais, que levam ao assoreamento dos rios.

         -   para a região norte do Mato Grosso, poucos dados concretos permitem uma
             avaliação. De modo regional a passagem dos sedimentos cretáceos para o
             substrato dá-se por uma superfície de aplanamento que praticamente nivela os
             horizontes litoestratigráficos, afora algumas feições descontínuas de caráter
             local, ao contrário do que se observa para o limite meridional da Bacia dos
             Parecis, onde as passagens encontram-se marcadas por escarpas estruturais;

           Num dos garimpos aluvionares de Apiacás, pode-se constatar aluviões atuais
ferruginizados e com uma trama de fraturamento sub-paralela. Ao que tudo indica os processos
erosivos foram bastante atuantes de forma a originar estes extensos planaltos residuais, porém
se a neotectônica teve algum controle ainda é muito especulativo, diante das observações
efetuadas.

         -   O sistema a NE-SW, que se estende por trechos dos rios Corrente e Itiquira,
             exerce controle na distribuição de seqüências paleozóicas e de feições ligadas
             ao Cenozóico, assim como da cobertura pedo-laterítica atribuída ao Neoterciário.
             Alinhamentos associados indicam a mesma tendência, com indicações de
             campo. O sistema que se estende ao longo do Itiquira, na planície, mostra forte
                                                                                          143




             controle de terraços da Formação Pantanal, controle do desfiladeiro do Itiquira e
             um certo controle na distribuição da Formação Marília. O conjunto de feições
             indicam movimentos normais de caráter recorrente, afetando desde , pelo menos,
             a Seqüência Palermo até as aluviões holocênicas.

           Os lineamentos a N-S têm expressão morfológica segmentada. Contudo, é notável o
condicionamento que exercem nos limites da planície pantaneira, o forte controle na exposição
do Grupo Cuiabá, do Grupo Rio Ivaí e da Formação Furnas e, sobremaneira, os barramentos
que propiciaram o desenvolvimento dos sumidouros do Corrente/Piqueri (Fotos 050 e 051). e
do Itiquira .

          As falhas normais observadas em afloramento são marcadas de modo incipiente,
geralmente definidas por conjuntos de fraturas com pequenos rejeitos. Confinam brechas em
caixas de falha de pequena espessura, ou então em zonas de intenso fraturamento. A zona de
falha na cidade de Itiquira, afetando diversas seqüências, possivelmente com recorrência de
movimentos até o Cenozóico, mostra evidências de movimentos normais, inversos e
direcionais, estes superpostos.

         -   Finalizando, de tudo o que foi mencionado, concluí-se que a neotectônica
             expressa uma herança tectônica característica de ativação de regiões
             cratogênicas e que atuam em zonas de fraqueza formadas em períodos
             anteriores.


4.7.     GEOQUÍMICA – ASPECTOS GERAIS

           Durante os levantamentos geológicos foram selecionadas 30 amostras de rochas
ígneas e metamórficas e analisados os óxidos maiores e menores, os elementos traços e ETR,
conforme métodos analíticos apresentados no item 2.3 desse Relatório, isto como ferramenta
auxiliar no mapeamento geológico, no estudo da evolução geotectônica e da metalogenia. No
tratamento dos dados geoquímicos utilizou-se do programa NEWPET da Memorial University
of Newfoundland, Departament of Earth Sciences, Centre for Earth Resources Research.


4.7.1.   Diagramas de Elementos de Terras Raras.

           Nos diagramas ETR normalizados a condrito foi possível reconhecer 4 padrões de
ETR relativos a rochas ígneas básicas e granitóides. O padrão que reflete as rochas mais
primitivas encontradas, acha-se ilustrado na (Figura 013) , a qual reúne as amostras FC-318-41
(gnaisse monzogranítico com granada e anfibólio do Complexo Xingu com 69,1% SiO2), PC-
386-39 (clinopiroxênio anfibolito fortemente foliado do Complexo Xingu com 51,1 % SiO2) e
RB-300-21 (Leuco Gabro, Granito Matupá com 49,2% SiO2), as quais não apresentaram
fracionamento de Eu (fracionamento de plagioclásio) e quase ausência de enriquecimento de
ETR leves, que apresentam ligeiro aumento da inclinação do segmento que os contém. O
padrão obtido é característico de rochas primitivas não diferenciadas, análogo àquele
pertencente à Série Derivação Mantélica (KEQIN, et al., 1984). Na amostra FC-318-41 (69,1%),
embora macroscópica e microscopicamente não tenha sido detectada nenhuma evidência de
protolito primitivo, este foi revelado pelo padrão ETR, e, desta forma, vêm a corroborar na
explicação do por quê de um embasamento especializado em Au, considerado neste relatório
como um stock aurífero.
                                                                                             144




FIGURA 013 DIAGRAMA DE TERRAS RARAS NORMALIZADOS A CONDRITO. LEUCOGABRO, GRANITO
         MATUPÁ (RB-330-21) E DUAS OUTRAS AMOSTRAS DO COMPLEXO XINGU (FC-318-41 E PC-386-
         39)




FONTE :   CNEC, 2000

          Uma possível evidência de campo deste tipo de relação (protolito primitivo e
mineralização aurífera) é fornecida nos Granitos Matupá. Os granitóides Matupá abrigam
mineralizações auríferas tipo veio, em descontinuidades estruturais e em núcleos
metassomatizados com pirita disseminada e ouro. Estes granitóides afloram em área bem
localizada ao longo da rodovia BR-080, que liga Matupá a São José do Xingu, entre os
quilômetros 3 e 4 a partir de Matupá, na localidade onde se desenvolveu o Garimpo Serrinha.

           Representam granitóides de granulometria média, com as micas cloritizadas e
bastante metassomatizados. A composição, no geral, é granodiorítica e a coloração é variável
em função do grau de alteração hidrotermal, desde verde amarelado até verde oliva. Os
granitóides Matupá podem representar um tipo de mineralização aurífera hidrotermal associada
com processos tardios pós-magmáticos onde a fonte aurífera poderia estar ligada a estes
protolitos primitivos.

          As Figuras 014, 015 e 016 vem apresentar diagramas de ETR normalizados a
condritos para rochas granitóides. O primeiro diagrama reúne granitóides do Complexo Xingu;
o segundo reúne granitóides da Suíte Intrusiva Teles Pires mineralizados a Au; e o terceiro
diagrama riólitos do Grupo Iriri, granitóide da Suíte Intrusiva Teles Pires e granitóide da Suíte
Intrusiva Guapé.

         Na porção noroeste do Estado, folhas MIR 273, 274, 299, 318 foram detectados
inúmeros corpos graníticos, os quais, por não apresentarem uma associação direta com
vulcânicas Iriri e mesmo a tipologia do granitóide, foram enfeixados no Complexo Xingu. O
padrão de ETR obtido para estes granitóides, Figura 014, demonstra um sensível
fracionamento de ETR leves em relação aos pesados, que se mantém quase que num mesmo
patamar, à semelhança do diagrama anterior, e uma pequena anomalia negativa de Eu. Este
modelo diferencia-se do anterior pela anomalia negativa do Eu e pelo fracionamento dos ETR
leves. O padrão verificado assemelha-se àquele definido como pertencente à Série
Transformação por KEQIN et al., (1984)
                                                                                         145




FIGURA 014 DIAGRAMA DE TERRAS RARAS NORMALIZADOS A CONDRITO. AMOSTRAS DE GRANITÓIDES
         DO COMPLEXO XINGU




FONTE: CNEC, 2000

         A Figura 015 vêm apresentar o padrão de ETR obtido em 3 amostras de granitos que
foram enfeixados na Suíte Intrusiva Teles Pires e que hospedam frisos auríferos. As amostras
analisadas correspondem a granitos leucocráticos cinza de estrutura isótropa, granulação fina
e textura inequigranular porfirítica, podendo ocorrer epídoto preenchendo fraturas,
microscopicamente correspondem a um biotita micromonzogranito porfirítico. O padrão
observado para os ETR é análogo àqueles obtido para granitóides do Complexo Xingu.

FIGURA 015 DIAGRAMA DE TERRAS RARAS NORMALIZADOS A CONDRITO. GRANITÓIDES DA SUÍTE
         INTRUSIVA TELES PIRES COM "FRISOS" MINERALIZADOS A OURO




FONTE :   CNEC, 2000

        Os granitos analisados foram enfeixados na Suíte Intrusiva Teles Pires por DAOUD &
VEIGA, (1988), que o caracterizaram como um biotita granito porfirítico médio a fino,
                                                                                             146




subvulcânico, de forma elíptica com eixo maior orientado segundo E-W e comprimento da
ordem de 18 km (Granito Sete Quedas). Esses autores chamaram a atenção para a presença
de inúmeros xenólitos de rochas termicamente transformadas, incluindo espécimes derivadas
do Complexo Xingu, rochas vulcânicas ácidas e rochas ultramáficas (piroxenitos e
hornblenditos), e também para a natureza alóctone dos xenólitos de rochas ultramáficas ao que
sugeriram magma originado do manto e/ou crosta inferior.

           Esses dados vêm corroborar com uma possível origem mantélica para estes
granitóides. Uma questão aqui levantada diz respeito à litoestratigrafia desses granitóides, cuja
compartimentação muitas vezes passa pela geocronologia e/ou geoquímica isotópica, para que
se possa com maior segurança agrupar os granitos pertencentes ao Complexo Xingu, daqueles
intrusivos no Complexo Xingu.

          A Figura 016 apresenta uma similaridade no comportamento dos ETR entre os riólitos
do Grupo Iriri (PC-274-175b, PC-298-25) e biotita monzogranito a granodiorito da Suíte
Intrusiva Teles Pires (PC-273-140), onde pode ser observado um pequeno aumento no
fracionamento do Eu (ou a presença de feldspatos residuais durante a fusão parcial),
ligeiramente superior aos diagramas até o momento observado, de qualquer maneira, a
similaridade do padrão é indicativa de uma cogeneticidade magmática. Nesta mesma figura, a
amostra PC-353-04a (alcaligranito deformado plasticamente) enfeixado na Suíte Intrusiva
Guapé, apresenta padrão muito semelhante aos riolitos e granito da Suíte Intrusiva Teles Pires,
sugerindo que embora represente granitóide cronologicamente distinto podem ter tido uma
evolução geotectônica similar.


FIGURA 016 DIAGRAMA DE TERRAS RARAS NORMALIZADOS A CONDRITO. GRANITÓIDES DA SUÍTE
         INTRUSIVA TELES PIRES ( CIRCULOS) E RIÓLITOS DO GRUPO IRIRI (DIAMANTES)




FONTE :   CNEC, 2000

          Por fim, a Figura 017 apresenta o padrão dos ETR em duas amostras da Suíte
Intrusiva Guapé, as quais apresentam uma sensível anomalia negativa do Eu, refletindo um
fracionamento deste elemento durante a cristalização de magmas básico-intermediário ou a
presença de feldspatos residuais durante a fusão parcial, apresentando também um notório
fracionamento dos ETR pesados e ETR leves, lembrando aqui que estas amostras fazem parte
da crosta Rondoniana-San Ignacio.
                                                                                        147




FIGURA 017 DIAGRAMA DE TERRAS RARAS NORMALIZADOS A CONDRITO EM DUAS AMOSTRAS DE
         GRANITÓIDES DO COMPLEXO XINGU, PROVÍNCIA RONDONIANA-SAN IGNÁCIO

                                                               Norm: Sun




FIGURA:   DIAGRAMA DE TERRAS RARAS NORMALIZADO A CONDRITO. LEUCO
GABRO     RB-300-21 (GRANITO MATUPÁ) E DUAS OUTRAS AMOSTRAS DO
XINGU


FONTE:    CNEC, 2000



4.7.2.    Outros Diagramas

           O diagrama de alcalinidade de IRVINE & BARAGAR, (1971), Figura 018, para as
rochas vulcânicas, aqui também acrescentadas as rochas ácidas plutônicas, excetuando-se
aquelas que poderiam ter perda de álcalis ou sílica por remobilização metamórfica ou
hidrotermal, reunindo um total de 20 amostras, indicaram predominância de seqüências sub-
alcalinas, com exceção de duas amostras que corresponderam ao leuco gabro (Granito
Matupá, RB-300-21) e ao microsienito (RB-387-27), do Grupo Serra do Rio Branco. O diagrama
mostra que todas as demais amostras (granitóides Xingu, vulcânicas ácidas Iriri, granitóides
das suítes intrusivas Teles Pires e Guapé, caíram no campo das seqüências sub-alcalinas
(cálcio-alcalinas e toleíticas).
                                                                                           148




FIGURA 018 DIAGRAMA DE ALCALINIDADE X VERDE, COMPLEXO XINGU; ASTERISTICO; BRANCO,
         LEUCO GABRO (GRANITO MATUPÁ); CIRCULOS VERMELHOS CHEIOS, GRUPO IRIRI CAIXA
         AMARELA CHEIA, SUÍTE INTRUSIVA TELES PIRES COM “FRISOS” AURÍFEROS; DIAMANTE
         ABERTO MARRON, SUÍTE INTRUSIVA TELES PIRES; DIAMANTE AMARELO EM CAIXA BRANCA,
         METABÁSICAS DO GRUPO SERRA DO RIO BRANCO, TRIÂNGULO ABERTO BRANCO, SUÍTE
         INTRUSIVA GUAPÉ; + BRANCO, BASALTO TAPIRAPUÃ

           RB-387-27 GSRB
           RB-387-26 GSRB                                   IRVINE & BARAGAR,
           RB-372-15 TAPIR
           PC-274-175b GI                                   1971
           RB-300-04 GI                  RB-300-31 LEUCO GABRO (GR.
           PC-298-58 GI
                                         FC-386-43
                                         MATUPÁ)
           RB-300-04 GI
           PC-298-25 GI
                                         PC-353-04a
                                         SIG
           PC-J-01 ou PC-273-129a SITP   SIG
           PC-J-02 ou PC-273-189 SITP
           PC-J-05 ou PC-273-138 SITP
           PC-274-174a CX
           PC-274-227a CX
           PC-273-147 CX
           PC-298-29 CX
           PC-386-05 CX
           PC-274-182 CX
                  ALCALIN
                  O




                                                        SUBALCALIN
                                                        O


                                           SiO2 (Wt%)
FONTE:   CNEC, 2000

          O diagrama AFM de IRVINE & BARAGAR, (1971), aplicado às rochas que foram
discriminadas no campo sub-alcalino, Figura 019, demonstraram que a totalidade das rochas
graníticas pertencem à série cálcio-alcalina. No campo toleítico foram discriminados o basalto
da Formação Tapirapuã (RB-375-15), exemplo notório de derrames de basalto intraplaca
continental e duas amostras de riólitos do Grupo Iriri. A amostra que apresentou maior valor em
FeO*, corresponde à RB-300-04 , com 79,9 % de SiO2, valor este altamente sugestivo de
alteração. A segunda amostra (PC-298-25), apresenta-se praticamente na divisória entre os
campos cálcio–alcalino e toleítico.
                                                                                     149




FIGURA 019 DIAGRMA AFM. CÍRCULOS VERDES, COMPLEXO XINGU; CÍRCULOS VERMELHOS, GRUPO
         IRIRI; DIAMANTES ABERTOS BRANCOS, SUÍTE INTRUSIVA TELES PIRES; TRIÂNGULOS CHEIOS
         BRANCOS, SUÍTE INTRUSIVA GUAPÉ; + AMARELO, GRUPO SERRA DO RIO BRANCO;
         DIAMANTE CHEIO AMARELO, FORMAÇÃO TAPIRAPUÃ GSRB
                               FeO*
                                                  RB-387-27
                                                 RB-372-15 TAPIR.
                                                 RB-300-04 GI
                                                 PC-298-58 GI
                                                 RB-300-04 GI
IRVINE & BARAGAR,                                PC-298-25 GI
1971                                             PC-J-01 ou PC-273-129a SITP
                                                 PC-J-02 ou PC-273-189 SITP
                                                 PC-J-05 ou PC-273-138 SITP
                                                 PC-274-174a CX
                                                 PC-274-227a CX
                                   TOLEÍTICO     PC-273-147 CX
                                                 PC-298-29 CX
                                                 PC-386-05 CX
                                                 PC-274-182 CX
                                                 FC-386-43 SIG
                                                 PC-353-04a SIG




                               CÁLCIO-ALCALINO


 Na2O +                                                          MgO
 K2O
FONTE:    CNEC, 2000

         Quanto à aluminosidade, os granitos de textura maciça (isotrópicos) são no geral
metaluminosos, Figura 020, distinguindo-se notoriamente desta classificação a amostra PC-
353-04a, que corresponde a um alcaligranito da Suíte Intrusiva Guapé, deformado
plasticamente. Nas rochas metaluminosos a proporção da alumina excede a da soda mais a
potasa, mas usualmente é menor que a dos álcalis mais a cal.

FIGURA 020 DIAGRAMA DE SHUND. CÍRCULOS VERDES, COMPLEXO XINGU; CÍRCULOS VERMELHOS,
         GRUPO IRIRI, DIAMANTE CHEIOS BRANCOS, SUÍTE    INTRUSIVA TELES PIRES; CRUZ
         AMARELA, GRUPO SERRA DO RIO BRANCO; TRIÂNGULO BRANCO, SUÍTE INTRUSIVA GUAPÉ.

          INDÍCE DE ALUMINOSIDADE DE SHUND




FONTE:    CNEC, 2000
                                                                                       150




           O diagrama R1-R2 de BATCHELOR & BOWDEN, (1985), Figura 021 discriminou o
campo dos granitos tardi orogênicos para os granitóides do Complexo Xingu, das suítes
intrusivas Teles Pires e Guapé, do microsienogranito do Grupo Serra do Rio Branco e, mesmo,
as vulcânicas do Grupo Iriri. O diagrama ternário Rb-Ba-Sr comumente utilizado na
caracterização da evolução geoquímica e especialização metalogenética, mostra que os
granitóides em foco encontram-se no campo intermediário entre os menos e mais evoluídos,
tipificando os granitos normais, relativamente ricos em Ba, Figura 022.

         Finalizando, podemos dizer que o padrão de Elementos de Terras Raras – ETR
normalizados a condrito pelo comportamento dos ETR leves, pesados e fracionamento do
európio (Eu), se mostrou numa ferramenta efetiva na caracterização evolutiva das rochas
ígneas que compõem o Complexo Xingu ou lhes são intrusivas.

          Do ponto de vista metalogenético, os granitos aos quais associam-se-lhes
mineralizações auríferas não apresentaram uma assinatura que evidencie os granitos
mineralizados dos não-mineralizados.

         A caracterização da série alcalina ao leucogabro Matupá permite especular quanto a
uma fonte mantélica para o ouro, ao menos para o granito em questão.

           Com relação à crosta San Ignácio – Rondoniana, quer seja pelo fracionamento do
Európio como pelo aparecimento de granitos peraluminosos da Suíte Intrusica Guapé, além de
distinguir estes granitos em relação aos demais, são indicativos de uma crosta mais jovem e
evoluida ou mais retrabalhada.

FIGURA 021 DIAGRAMA R1-R2.CÍRCULOS VERDES, COMPLEXO XINGU; CÍRCULOS VERMELHOS, GRUPO
         IRIRI, DIAMANTE CHEIOS BRANCOS, SUÍTE INTRUSIVA TELES PIRES; CRUZ AMARELA, GRUPO
         SERRA DO RIO BRANCO; TRIÂNGULO BRANCO, SUÍTE INTRUSIVA GUAPÉ.
         BATCHELOR & BOWDEN, 1985




FONTE:   CNEC, 2000
                                                                                        151




FIGURA 022 DIAGRAMA Rb-Ba-Sr. CÍRCULOS VERDES, COMPLEXO XINGU; CÍRCULOS VERMELHOS,
         GRUPO IRIRI, DIAMANTE CHEIOS BRANCOS, SUÍTE INTRUSIVA TELES PIRES; CRUZ AMARELA,
         GRUPO SERRA DO RIO BRNCO; TIÂNGULO BRANCO, SUÍTE INTRUSIVA GUAPÉ.




FONTE:   CNEC, 2000




5.       JAZIMENTOS MINERAIS


          No atual estágio de conhecimento geológico e dos jazimentos minerais do Estado de
Mato Grosso, e diante do atual mercado consumidor, as mineralizações economicamente
atrativas para investimento e que ainda deverão manter-se dentro de um quadro com relativa
estabilidade, são as de ouro e diamantes, excluindo-se aqui as matérias primas utilizadas na
construção civil, tais como calcários, rochas ornamentais, argilas e agregados. As
mineralizações de estanho, que foram o fator de exploração e desenvolvimento de Rondônia,
devido a substituição do estanho pelo alumínio, resultou numa queda considerável de preço no
mercado mundial e, a depender de novos usos, ainda poderá voltar a figurar como um metal de
interesse para investimentos no setor mineral.

          As mineralizações de ouro tem uma distribuição generalizada nos segmentos
proterozóicos, verificando-se mineralizações primárias nas infracrustais, nas supracrustais
vulcanogênicas e sedimentares e mineralizações secundárias em pláceres diversos.
Concentrações por processos lateríticos atuaram tanto nas mineralizações primárias quanto
nas secundárias, promovendo enriquecimento supergênico. Por sua vez, as mineralizações
econômicas de diamantes encontram-se somente em concentrações secundárias, em pláceres
que mantém íntima associação espacial com agrupamentos kimberlíticos ou com sedimentos
cretáceos que apresentam diamantes numa fase de pré-concentração (formações Salto das
Nuvens e Marília), os quais, quando retrabalhados, propiciam concentrações aluvionares com
teores econômicos.

        Em função da qualidade econômica das mineralizações, contiguidade, tipo de metal
ou mineral preponderante, bem como categoria geotectônica do terreno que hospeda as
                                                                                          152




mineralizações, elas podem ser agrupadas em envoltórias, cada vez maiores, traduzindo
determinados conceitos mínero-metalogenéticos.

          Numa primeira instância, nos referimos ao status da mineralização e, numa segunda
instância, à noção de situação geográfica relacionada a um determinado segmento geológico
ou geotectônico. Em termos de metalogênese, o significado da primeira é bastante limitada,
sendo, acima de tudo, uma maior ou menor concentração mineral e/ou volume, dentro de
determinado estado de conhecimento científico. A segunda unidade básica diz respeito a uma
área portadora de minério explotável, dentro de um segmento geológico ou geotectônico maior,
que se caracteriza pelo desenvolvimento de concentrações minerais individuais de um ou de
vários metais de interesse econômico.

          Neste aspecto, o conceito status ou qualidade econômica de uma mineralização é
relativo e dinâmico, à medida que novas informações são incorporadas, necessitando-se do
uso correto de uma terminologia apropriada que reflita sua caracterização, assim:

a)    Indício Mineral. Trata-se da verificação da presença de um determinado mineral de
      minério (ou minerais), ou de satélites, que, a depender do contexto geológico em que se
      situam, da reincidência do seu aparecimento, apresentam maior ou menor interesse
      exploratório;

b)    Ocorrência Mineral. Compreende um certo volume de rocha que contém uma
      quantidade de mineralização acima da média, com teor, distribuição e volume que a
      depender do contexto geológico em que se situa e reincidência, apresentam maior ou
      menor interesse exploratório. As terminologias indício mineral e ocorrência mineral
      apresentam um intergrading quanto ao tamanho da manifestação mineral;

c)    Depósito Mineral. Compreende um corpo de rocha que contém um ou mais bens
      minerais em quantidade suficiente de forma a justificar gastos em pesquisa mineral para
      determinar teor, tonelagem, extratibilidade mineral, enfocando a extração tanto no
      presente como no futuro, sob apropriadas condições técnicas, políticas,
      mercadológicas, ambientais e de preço. Se o depósito foi avaliado por pesquisa mineral,
      diz-se que o mesmo é antieconômico se não puder ser extraído com economicidade
      dentro daquelas condições, ou se puder ser extraído com lucro diz-se depósito
      econômico ou jazida mineral.

d)    Jazida Mineral. Compreende um corpo de minério, adequadamente delimitado com
      exposições através de escavações ou por sondagens e que pode ser explotado com
      lucro através da tecnologia disponível e sob condições técnicas, políticas,
      mercadológicas, ambientais e de preço vigentes. A definição do DNPM, no Manual
      Técnico de Geologia, 1985 corresponde a: “qualquer massa individualizada de
      substância mineral ou fóssil, de valor econômico, aflorando à superfície ou existente no
      interior da terra”.

e)    Garimpo. Diz-se da atividade de explotação mineral por meios rudimentares, sem os
      devidos estudos prévios que caracterizem a real delimitação do corpo de minério,
      teores, extratibilidade mineral, etc. Devido à falta desses conhecimentos básicos, esta
      denominação carrega a conotação de sub-aproveitamento do bem mineral, ou mesmo
      uma delapidação da concentração mineral, pois o interesse recai imediatamente sobre
      os maiores teores, sendo praticamente ou totalmente negligenciado blendagem com
      minério de menor teor para melhor apropriação do bem mineral, assim como outros
      procedimentos técnicos visando sua melhor apropriação. Mais comumente são
      atividades ilegais e danosas ao meio ambiente. A definição do DNPM, no Manual
      Técnico de Geologia, 1985 corresponde “ao nome dado ao depósito onde trabalha o
      garimpeiro”.
                                                                                            153




f)    Mina. Diz-se da jazida mineral em lavra, ainda que suspensa. Decorre de trabalhos
      sistemáticos de pesquisa, em que determinado volume e teor de minério foram
      dimensionados e será explotado dentro de determinados critérios tecnológicos e em
      determinado tempo. A implantação da mina envolve uma série de procedimentos legais
      e de recuperação do meio ambiente.

          Procurou-se aqui utilizar o termo mineralização como referência a uma dada
culminação mineral metálica ou não metálica, geralmente em alusão a um determinado
processo, num determinado contexto geológico, geotectônico, geoquímico, tectônico, etc. A
depender da forma empregada, pode referenciar-se a um ambiente geológico mais ou menos
favorável para gerar jazidas minerais. O termo jazimento mineral, quando aplicado
genericamente, refere-se a uma dada concentração mineral, sem atribuir qualidade econômica
específica. Porém, se empregado em alusão a tipologias específicas de mineralizações, que
ocorrem associadas a determinados ambientes geológicos, aí passa a agregar uma qualidade
econômica.

         Tendo como primeiro parâmetro o status das mineralizações (indício, ocorrência
mineral, depósito mineral, garimpo ou mina) acima apresentados, considerando-se o
agrupamento delas através de envoltórias, às quais se associa determinado segmento
geológico ou geotectônico, podemos nos referir a:

         a) Distrito Mineiro. Compreende uma localidade geográfica que reúne um ou mais
            depósitos minerais econômicos, garimpos e minas de um dado bem mineral ou
            bens minerais. No Distrito Mineiro é reconhecido que houve a produção de uma
            quantidade apreciável de um ou mais bens minerais. Neste contexto, em termos
            do Estado de Mato Grosso, pode-se reconhecer o Distrito Mineiro Aurífero de
            Peixoto de Azevedo, o Distrito Mineiro Aurífero de Alta Floresta, o Distrito Mineiro
            Aurífero de Pontes e Lacerda, o Distrito Mineiro Diamantífero de Juína, o Distrito
            Mineiro Diamantífero de Alto Coité, etc.

         b) Faixa Metalogenética. Compreende uma área no geral alongada, portadora de
            ocorrências, depósitos, jazidas, minas de um dado tipo de minério, numa situação
            tectono-magmática-sedimentar correlata a um compartimento específico de uma
            província metalogenética. A faixa metalogenética agrega um ou mais distritos
            mineiros.

         c) Província Metalogenética. Corresponde a uma área metalogenética extensa,
            especialmente caracterizada por mineralizações multiformais (homotípicas e
            heterotípicas) e multifásicas (homócronas e heterócronas), manifestadas sobre
            estruturas geotectônicas de primeira ordem (cráton, faixa dobrada, cobertura
            etc.). Neste contexto, no Estado, podem ser visualizadas a Província Aurífera do
            Cráton do Guaporé, a Província Aurífera da Faixa Dobrada Paraguai-Araguaia
            mais comumente referenciada como Província Aurífera Cuiabana

          As mesmas hierarquias podem ser aplicadas às áreas portadoras de diamantes ou
outros bens minerais. Evidentemente nem todos tipos de jazimentos atingirão a categoria de
Província Metalogenética.

          A sistematização das informações referentes ao cadastrados jazimentos minerais do
Estado de Mato Grosso permitiu o traçado de várias envoltórias, as quais delimitam distritos
mineiros, agrupamentos de mineralizações, ocorrências minerais, garimpos, depósitos minerais
e minas que foram intensamente explotadas ou ainda encontram-se em explotação. Essas
envoltórias discriminam determinados compartimentos geológicos ou tectônicos, de interesses
econômicos pelo volume de minério que já produziram, ou que produzem na atualidade ou que
ainda podem voltar a produzir, a depender de investimentos.
                                                                                           154




        Essas informações encontram-se sintetizadas e espacializados no Mapa A002 –
Mapa de Potencialidade Mineral do Estado de Mato Grosso, na escala 1:1.500.000.


5.1.       PROVÍNCIAS MINERAIS

          Da superposição das informações geológicas e dos jazimentos minerais, adicionados
os dados de produção mineral e informações de áreas de situação legal e reservas
garimpeiras, evidenciou-se a associação de vários distritos mineiros dentro de um determinado
segmento geotectônico, o que permitiu a caracterização de províncias auríferas, diamantíferas,
estanífera, de rochas carbonáticas e de água termais, as quais serão apresentadas a seguir.


5.1.1.     Províncias Auríferas

           O Mapa de Potencialidade Mineral, ao norte do Estado, apresenta uma série de
distritos mineiros que foram denominados de Juruena, Apiacás, Cabeça, Peixoto de Azevedo-
Matupá, em alusão às referências geográficas e literárias já consagradas no Estado.

           Esses distritos encontram-se contornando o Alto Estrutural Juruena-Teles Pires,
evidenciando uma estreita correlação entre o referido arco e as mineralizações. A envoltória de
todas as zonas mineralizadas apresenta-se, em termos regionais, como o ótimo geoquímico
regional de “remobilização, transporte e precipitação” dos fluídos mineralizantes em relação ao
arco. Estas mineralizações encontram-se todas no contexto do Complexo Xingu e Supergrupo
Uatumã, as quais regionalmente são agrupadas sob a denominação de Província Tapajós, cuja
amplitude da denominação recobre não só as mineralizações do norte do Mato Grosso, como
de toda porção meridional do Cráton Amazônico nos Estados do Pará e Amazonas. Neste
contexto, a denominação mais precisa seria Província Aurífera Tapajós, Sub-Província Alto
Estrutural Juruena-Teles Pires, para o agrupamento das mineralizações sob influência deste
alto estrutural.

          Esta subprovíncia distribui-se indistintamente pelas províncias geocronológicas
Ventuari-Tapajós (1.9-1.8 Ga) e Rio Negro-Juruena (1.8-1.55 Ga) de TASSINARI, (1996), sem
mudanças significativas de tipologias das mineralizações, que pudessem refletir províncias
geológicas distintas.

         Na porção sudoeste do Estado, no segmento crustal atribuído ao ciclo Rondoniano -
 San Ignacio, em terrenos do Complexo Xingu, seqüências vulcano-sedimentares associadas,
em coberturas sedimentares proterozóicas e pláceres, observa-se inúmeras mineralizações,
garimpos, depósitos jazidas e minas de ouro. Este conjunto de mineralizações foi agrupado sob
a denominação de Província Aurífera do Guaporé.

          Na porção centro-sul do Estado, acompanhando o Grupo Cuiabá do Proterozóico
Superior, temos um conjunto de mineralizações em veios de quartzo que foram concentradas
por processos eluvionares e/ou lateríticos, onde são reconhecidos importantes distritos
mineiros (v.g. Cuiabá-Poconé, Nova Xavantina) e que foram agrupados sob a denominação de
Província Aurífera Cuiabana. Estas províncias auríferas encontram-se abaixo descritas.


5.1.1.1.   Província Aurífera Tapajós, Sub-Província Alto Estrutural Juruena-Teles Pires

           As mineralizações primárias nesta província estão associadas a controles estruturais
e litoestratigráficos, podendo ser caracterizados os seguintes tipos de mineralizações.

           -   Mineralizações Associadas a Zonas de Cisalhamento.
                                                                                            155




         Estas mineralizações encontram-se associadas a estruturas de cisalhamento dúcteis
que cortam os terrenos arqueanos e do Proterozóico Inferior atribuídos ao Complexo Xingu.
Tem como principal exemplo as mineralizações que ocorrem no Distrito do Cabeça.

          No Distrito do Cabeça, o Complexo Xingu encontra-se representado
predominantemente por rochas graníticas e granodioríticas, localmente gnaissificadas, com
exposições subordinadas de xistos, anfibolitos, metabásicas, gnaisses e formações ferríferas
(BIFs). De acordo com informações obtidas na METAMAT, o ambiente geológico mais
favorável para a geração de depósitos auríferos constituí uma seqüência metavulcano-
sedimentar, representada principalmente por metarcóseos, quartzitos, xistos e metacherts,
intrudida por rochas granodioríticas porfiríticas. Ainda de acordo com aquele órgão, a
seqüência metavulcano-sedimentar não foi até o momento formalmente caracterizada e
delimitada.

           O padrão deformacional de natureza dúctil, magnitude das estruturas cisalhantes e a
tipologia dos granodioritos intrusivos nesta seqüência, evidenciam que a mesma é, no mínimo,
mais antiga que a do Supergrupo Uatumã, admitido como do Proterozóico Médio.

          As zonas de cisalhamento que afetam esta seqüência são múltiplas e
anostomosadas, de direção geral N70-80ºW, com notável transposição de mega estruturas,
gerando dobras fechadas com flancos rompidos, caracterizando formas em bengalas. Os
corpos filoneanos são de pequena possança e alto teor, com extensão inferior a 100 metros,
tem formas sigmóides, estão encaixados preferencialmente em rochas do tipo quartzo-sericita
xisto. Estas rochas apresentam-se localmente com porfiroblastos de granada e afetadas por
bandas de cisalhamento de direção geral N75ºW, com desenvolvimento de vários outros
sistemas de fraturas subordinados. Em princípio, os sistemas de fraturas mais favoráveis para
o alojamento dos corpos filoneanos são os de direção N20-30ºE e N05-15ºW. Exemplo dessa
mineralização é o Filão do Fabinho (MIR 299, ponto 11).

         Remobilizações e concentrações auríferas provocadas por intrusões graníticas são
freqüentemente observadas nesta província, demonstrando ser estes corpos plutônicos
importante metalocteto na geração de fluídos auríferos. Acrescenta-se o fato desses granitos
estarem pouco expostos, sub-aflorantes, donde se infere a possibilidade de jazimentos
associados a contexto de cúpula de granitos.

         Processos de erosão e concentração em pláceres formaram os grandes depósitos
secundários que foram objeto das atividades garimpeiras. Em decorrência da exaustão dos
depósitos secundários, as atividades encontram-se paralisadas ou, quando ativa, verifica-se
condições precárias de operação e subsistência.

         -   Mineralizações associadas a processos hidrotermais em granitóides definidos
             como do tipo Matupá.

          Apresentam condicionamentos similares aos do tipo pórfiros, com alteração pervasiva
do tipo seritização, cloritização, carbonatação e epidotização.

         Este tipo de mineralização encontra registro tipo no município de Matupá, merecendo
atenção especial os depósitos explorados na região da Serrinha, onde ocorrem rochas
monzograníticas com feições petrográficas similares aos granitóides do tipo I, cordilheiranos de
PITCHER, (1982 e 1987, apud PAES DE BARROS, 1994), mineralizados em áreas fortemente
metassomatizadas. PAES DE BARROS, (op. cit.), evidencia a similaridade petrográfica e
contemporaneidade dos granitos Juruena com os termos menos transformados do Granito
Matupá, e realça que o nível crustal pode representar um importante fator para a preservação
das mineralizações disseminadas, uma vez que estes granitóides ocorrem em regiões menos
arrasadas estruturalmente, onde ainda existem restos de coberturas pertencentes ao
Supergrupo Uatumã.
                                                                                            156




         -   Mineralizações associadas a granitóides e vulcânicas ácidas.

          Ocorrem segundo estruturas rúpteis, com veios de quartzo alojados internamente ou
na periferia destes corpos. Exemplos destas mineralizações ocorrem no Distrito Mineiro de
Apiacás, do Zé Vermelho, de Peixoto de Azevedo e Matupá, Juruena etc.

           No Distrito de Apiacás, dezenas de mineralizações primárias ocorrem em veios de
quartzo e em fraturas que se alojam em biotita granitos da Suíte Intrusiva Teles Pires (Fotos
052 e 053) em contato com biotita granitos cinza a róseos, porfiríticos, com quartzo azulado,
aprioristicamente enfeixados no Complexo Xingu.

          De forma análoga, no Distrito Mineiro Aurífero Zé Vermelho, situado no contexto do
Complexo Xingu, em parte recoberto pelas vulcânicas do Iriri, ocorrem dezenas de
mineralizações auríferas em veios de quartzo e em fraturas, que no jargão garimpeiro recebem
a denominação de “frisos”. Aqui, o tipo petrográfico predominante corresponde a um biotita
monzogranito a granodiorito. No geral, apresenta textura granular hipidiomórfica ou pequena
deformação, e a granulação é média a média a grossa. Macroscopicamente é possível
reconhecer plagioclásio cinza, feldspato potássico ligeiramente róseo, biotita preta e quartzo
azulado ou violáceo. Estes granitos foram atribuídos ao Complexo Xingu, porém a falta de
mapas em escala adequada e outros estudos complementares não permitem uma
caracterização cronolitoestratigráfica adequada.

         No município de Peixoto de Azevedo tais mineralizações encontram-se associadas
ao emplacement dos granitos tipo Juruena, representados por horblenda biotita -
 monzogranitos a granodioritos, cálcio-alcalinos, metaluminosos a ligeiramente peraluminosos.
As mineralizações se desenvolvem em estruturas dúcteis-rúpteis de direção N40-70ºE.

          No geral, estas mineralizações são de pequeno porte, com dimensões da ordem de
dezenas de metros e espessuras variáveis, que se apresentam desde fraturas (denominação
local de “frisos”), com as paredes impregnadas com ouro e sulfetos (pirita e calcopirita), ou
então formam delgados veios de quartzo com espessuras, no geral, ao redor de 10-20 cm.
Aqui também, processos erosivos e reconcentração em pláceres originaram os maiores e mais
rentáveis depósitos.

          O Distrito Mineiro de Juruena é o mais desconhecido em termos de ambiente
geológico, com inexpressiva atividade garimpeira direcionada ao primário. Com maior
segurança, trata-se da região com maior abundância de mineralizações associadas ao evento
magmático Uatumã, encontrando-se estruturalmente menos arrasada em relação às demais
regiões mencionadas. De acordo com informações obtidas na METAMAT, os filões já
descobertos evidenciam a existência de estruturas persistentes e minério de alto teor,
condições essenciais para viabilizar a exploração de jazimentos minerais em uma região sem a
menor infra-estrutura.

          Observa-se uma hereditariedade das mineralizações filonianas associadas aos
granitos, pois, embora os corpos graníticos sejam originados em episódios distintos, acabam
gerando mineralizações por uma questão de herança metálica, o que já não é observado nas
mineralizações do tipo ouro porfirítico, intrinsicamente ligadas aos granitóides do tipo Matupá.

         -   Depósitos aluvionares, eluvionares e coluvionares

          Apesar das mineralizações primárias acima descritas, no âmbito da Província
Tapajós – Sub-Província Alto Estrutural Juruena-Teles Pires, os depósitos de origem aluvionar,
eluvionar e coluvionar responderam pela quase totalidade da produção aurífera durante o
“apogeu da garimpagem” entre os anos de 1977 a 1993.
                                                                                             157




          Representam depósitos expressivos pela sua grande distribuição areal, altos teores e
facilidade de explotação. Caracterizam-se por ocupar as calhas das drenagens de 3ª, 4ª e 5ª
ordens, com flats variáveis de 60 a 120 metros, compostos por pacotes de espessuras em
torno de 4 a 5 metros, ou mais, constituídos por cascalhos, areia e argilas, dispostos na ordem
natural de deposição, forma gradacional e submetidos a laterização em graus variáveis.

          O conteúdo aurífero desses depósitos secundários tem sua origem decorrente do
processo de destruição dos depósitos primários associados como os granitos, as vulcânicas e
as zonas de cisalhamento. Os teores encontrados são muito variáveis, mas predominam
depósitos de pequeno volume e alto teor, que possibilitam a sua exploração através dos
recursos tradicionais da garimpagem.

           Estes depósitos podem ser classificados em três tipos:

              de leito ativo. Estabelecido no canal atual dos rios, condicionados por obstáculos
               naturais ou quebra de energia do fluxo, sendo explorados pelos “garimpos de
               balsa”, ao longo dos principais rios da região, como o Peixoto de Azevedo, Teles
               Pires, Apiacás, etc.;

              de planície aluvial. Formado pela deposição da carga de material em suspensão,
               pela menor declividade e inclinação lateral do seu leito. Fazem parte destes
               depósitos os denominados “garimpos de baixão”; e

              de terraço. Formados por níveis que correspondem aos antigos depósitos de
               Leito Ativo. Foram os primeiros depósitos a serem explorados através de
               mecanização, utilizando-se equipamentos como pás-carregadeiras, tratores de
               esteiras, retro-escavadeiras, etc., sendo denominados de “garimpos de sequeiro”.

         De modo geral, em decorrência da exaustão dos depósitos aluvionares, a atividade
garimpeira que prevaleceu nos anos 80 até início dos anos 90, encontra-se totalmente
decadente, existindo ainda alguma atividade junto aos jazimentos primários, porém
permanecendo os danos ambientais provocados pela lavra garimpeira (Foto 054).

          Entre os anos de 1990 e 1995, segundo dados oficiais do BACEN/DNPM, esta Sub-
província Aurífera produziu um total de 74.644,49 Kg de ouro, correspondente a 70,23% da
produção total do Estado, sendo na sua quase totalidade oriunda de garimpos, embora
empresas de mineração tenham inicialmente desenvolvido trabalhos de pesquisa em cima dos
depósitos aluvionares, como foi o caso da Jaruana Mineração, Indústria e Comércio S/A na
região do Rio Juruena, Mineração Porto Estrela S/A na região do Rio Teles Pires, e da
Companhia Matogrossense de Mineração – METAMAT, na região do Rio Peixoto de Azevedo
etc., que operaram na década de 80, e foram paralisadas devido a conflitos com garimpeiros.


5.1.1.2.   Província Aurífera Guaporé

         As primeiras ocorrências de ouro são conhecidas e exploradas desde o século XVIII,
época em que os depósitos do Rio Galera foram descobertos, com destaque para as lavras de
São Francisco, São Vicente, Sant’ Ana e Nossa Senhora do Pilar.

          Traçando-se um paralelo entre a Província Aurífera do Tocantins, Sub-Província Alto
Estrutural Juruena-Teles Pires e a Província Aurífera do Guaporé, verifica-se que os jazimentos
apresentam tipologia distintas quanto a teor e volume. Enquanto na primeira, a grande
quantidade de depósitos colúvio-eluvionares induziu o fortalecimento da garimpagem,
culminando com a criação de quatro reservas garimpeiras, na segunda, o ouro primário
associado a presença de ambientes geológicos promissores, capazes de gerar jazimentos de
alto volume e baixo teor, foram fatores que contribuíram para atrair as empresas de mineração.
                                                                                                       158




Por conta disso, reúne as duas primeiras minas de ouro primário em Mato Grosso, Cabaçal I,
mina já lavrada e exaurida, pertencente à Mineração Manati (MIR 387 ponto 81) e a mina de
São Vicente, pertencente à mineração Santa Elina. Nesta última os trabalhos de lavra
encontram-se atualmente suspensos em decorrência de mudanças na planta de
beneficiamento (MIR 370, Ponto 20). Em adição, esta província ainda conta com a jazida de
São Francisco (MIR 370, Ponto 19), pertencente à Mineração Santa Elina.

         Essa constatação, entretanto, não significa que a atividade garimpeira na região seja
inexpressiva. No período de 1990-1995 foi responsável por uma produção de 7.194,73 Kg de
ouro, correspondente a 6,77% da produção total do Estado (Fonte: Bacen-DNPM). A
garimpagem desenvolveu-se preferencialmente, ao longo da Bacia do Rio Guaporé e afluentes,
sobre os depósitos elúvio-colúvio-aluvionares que tem o Grupo Aguapeí como área-fonte.
Recentemente, em fins de fins de 1996 e início de 1997, a reserva indígena do Sararé foi
invadida por garimpeiros, cerca de 5.000, tendo causado danos ambientais sensíveis (Foto
055).

          As ocorrências de ouro na Província Aurífera do Guaporé estão relacionadas
principalmente às zonas de cisalhamento em seqüências metavulcano-sedimentares que
ocorrem na forma de faixas encravadas no Complexo Xingu, e às zonas de cavalgamento em
seqüências sedimentares de coberturas de plataforma, atribuídas ao ciclo Sunsas (1,25 - 1,0
Ga), reunidas no Grupo Aguapeí.

         O Grupo Aguapeí constitui-se num cinturão de rocha do Proterozóico Médio, que se
estende em território brasileiro por cerca de 600 km, vindo desde os garimpos denominados
Serra Sem Calça e Genipapo, na região de Ariquemes, Estado de Rondônia, até o garimpo da
Fazenda Ellus, no município de Pontes e Lacerda-MT, nas proximidades da fronteira com a
Bolívia.

          Na continuidade deste cinturão no oriente boliviano, segundo LITHERLAND et al.,
(1986), são reconhecidos pelo menos dois ciclos tectono-metamórficos, denominados de San
Ignacio (1400 - 1280 Ma) e o Sunsas (1280 - 950 ma.). A este último ciclo se associa a
deposição e a deformação do Grupo Aguapeí.

           Em território brasileiro, o Grupo Aguapeí condiciona um conjunto de serras e cristas
alinhadas segundo a direção geral N20-30ºW, constituindo um front tectônico, estruturado a
partir de um sistema de cavalgamentos oblíquos e frontais, gerados por uma tectônica
colisional provavelmente de idade Proterozóico Médio, conforme SILVA & RIZZOTO, (1994).

         As mineralizações de ouro associados a esse tipo de ambiente são do tipo
stratabound, brechado, veios de quartzo e venulações em metassedimentos.

         Em termos de reservas, os dados disponíveis são os seguintes:

                                     MINERAÇÃO MANATI LTDA
                                  (Mina Cabaçal I) - Rio Branco - 1987
                                           Minério Primário
                       RESERVA (t)                                                 TEOR

           Medida                         856.000                        8,92 gr/Au/Ton. - 0,86% Cu
           Indicada                       148.000                        9,85 gr/Au/Ton. - 0,57% Cu
           Inferida                       773.000                        10,14 gr/Au/Ton. - 0,95% Cu
FONTE:   De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.
                                                                                                           159




                                          MINERAÇÃO SANTA ELINA
                            Mina de São Vicente - Vila Bela Santíssima Trindade - 1992
                                                Minério Primário
                           RESERVA (t)                                                    TEOR

            Medida                         6.705.062                                  1,06 g/Au/Ton.
           Indicada                        4.213.350                                  1,06 g/Au/Ton.
           Inferida                        13.175.000                                 1,06 g/Au/Ton.
FONTE:     De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.

                             Mina São Vicente - Vila Bela Santíssima Trindade - 1988
                                               Minério Secundário
                                       3
                          RESERVA (m )                                                    TEOR
                                                                                                       3
            Medida                         46.504.541                                179,22 mg/Au/m
                                                                                                       3
           Indicada                        39.699.777                                121,29 mg/Au/m
                                                                                                       3
            Inferida                       167.737.000                               86,35 mg/Au/m
FONTE:     De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.

                                              Mina de São Francisco
                                     Vila Bela da Santíssima Trindade - 1995
                                                 Minério Primário
                           RESERVA (t)                                                    TEOR

            Medida                           8.350.000                                1,04 g/Au/Ton.
            Indicada                        10.222.500                                1,04 g/Au/Ton.
            Inferida                         8.125.000                                1,04 g/Au/Ton.
FONTE:     De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.


                                    TOTAL RESERVA MINÉRIO PRIMÁRIO (t)

                        MEDIDA                                                 15.911.062
                       INDICADA                                                14.583.850
                       INFERIDA                                                12.073.000
FONTE:     De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.

                                                                                 3
                                  TOTAL RESERVA MINÉRIO SECUNDÁRIO (m )

                       MEDIDA                                                  46.504.541
                       INDICADA                                                39.699.777
                       INFERIDA                                             167.737.000
FONTE:     De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.



5.1.1.3.   Província Aurífera Cuiabana

         A Província Aurífera Cuiabana corresponde a mais antiga e tradicional área produtora
de ouro do Estado. Ocupa grande parte da sua porção central, que se estende desde município
de Poconé, até o município de Nova Xavantina.

         Geologicamente, esta província está inserida na Faixa de Dobramentos Paraguai-
Araguaia, caracterizada como uma seqüência geoclinal, com vergência predominante para o
Cráton Amazônico e orientada segundo a direção NE-SW, confrontando-se ao sul e sudeste
com a sinéclise da Bacia do Paraná e com a Bacia Cenozóica do Rio Paraguai.
                                                                                              160




          É constituída, geologicamente, pelas unidades: Grupo Cuiabá e Formações Bauxi,
Puga, Araras, Raizama, Sepotuba e Diamantino, de Idade Proterozóica Superior, sendo
cortada, discordantemente pela Suíte Intrusiva São Vicente de Idade Cambro-Ordoviciana.

           O Grupo Cuiabá, portador das mineralizações auríferas, constitui a seqüência basal
da Faixa de Dobramentos, abrangendo as “Brasilides Metamórficas”, de ALMEIDA, (1984). O
Grupo Cuiabá apresenta-se dobrado e metamorfisado no fácies xisto-verde, evidenciado pela
recristalização de ilitas e cloritas. Nestas litologias é marcante a estruturação regional segundo
a direção NE-SW, evidenciada por estruturas como traços de foliações e contatos litológicos,
eixos de dobras e lineamentos.

            LUZ et al., (1980), descrevem na Baixada Cuiabana 09 sub-unidades
litoestratigráficas dentro do Grupo Cuiabá, representado principalmente por filitos, metarenitos,
quartzitos, metaconglomerados, metarcóseos, metassiltitos, calcário e mármores, que sofreram
ação de três eventos tectônicos ou fases deformacionais. A primeira desenvolveu uma foliação
plano axial-S1, acompanhada pelo metamorfismo regional de fácies xisto-verde. A segunda
produziu dobras em estilos isoclinais, assimétricas e localmente recumbentes, sendo
representada por uma foliação-S2 com direção principal N40- 60ºE e mergulho médio de
60ºNW, e a terceira caracterizada por uma clivagem de crenulação-S3, com direção principal
N35- 45ºE e mergulhos entre 50 e 65ºSE. Também estão presentes falhas de empurrão,
geradas durante a segunda e terceira fases.

           Foi observado, através dos trabalhos do Projeto Coxipó, (LUZ et al., l980), que as
mineralizações auríferas primárias do tipo veio de quartzo estão encaixadas principalmente nos
metassedimentos das unidades 3, 5 e 6 (filitos, filitos conglomeráticos, metarenitos e
metarcóseos). O ouro na forma de depósitos secundários encontra-se associado às coberturas
detrito laterizadas desenvolvidas sobre as rochas do Grupo Cuiabá, gerados através de um
processo de enriquecimento supergênico, com significativa distribuição areal na região da
Baixada Cuiabana.

          A nível de controle macro estrutural, nota-se que os principais garimpos que
exploram ouro primário estão dispostos segundo dois importantes trends mineralizados, um
denominado “alinhamento Cangas-Poconé” e o outro “alinhamento Praia Grande-Salinas”.
Estes trends estão orientados segundo a direção N35-40ºE, concordantes com a macro
estruturação do Grupo Cuiabá.

          O hidrotermalismo nestas rochas é evidenciado pela intensa sericitização e
potassificação pervasivas, e pela presença de halos restritos aos veios de quartzo, denotados
pela presença de pirita, carbonatos e magnetita.

           As mineralizações auríferas da região de Nova Xavantina ocorrem em uma janela
estrutural, onde afloram rochas pertencentes ao Grupo Cuiabá. A área de ocorrência está
limitada ao oeste por sedimentos do Grupo Paraná e ao leste por coberturas pedogênicas e
lateríticas.

          Localmente, o Grupo Cuiabá está representado por um pacote de metassedimentos,
característicos de seqüências do tipo metavulcano-sedimentar depositados em ambiente
marinho e submetidos a um metamorfismo de baixo grau (fácies xisto-verde). As litologias
presentes são principalmente filitos sericíticos, com intercalações de filitos grafitosos e
hematíticos, níveis de metarenitos e metagrauvacas. Estas rochas apresentam-se com foliação
proeminente segundo as direções N40-70ºE, com mergulhos para ambos os quadrantes.

         A principal mineralização de ouro constitui o Filão do Araés (MIR 375, ponto 02).
Este corpo se estende por cerca de 2,5 km segundo a direção geral ENE-WSW, com uma
espessura que varia de 0.05 metros até 5 metros, sendo facilmente acompanhado em função
das escavações feitas por garimpeiros (PINHO & PINHO, 1990).
                                                                                            161




         As principais mineralizações conhecidas nesta província são dos tipos:

         -   Veios de quartzo concordantes/sub-concordantes

         Na baixada cuiabana estes veios são geralmente denominados de travessão, de
direção geral N-NE, sub-verticais, freqüentemente com extensão superior a 100 m e com
espessuras da ordem de 1 a 2 m. Os teores são normalmente menores que 1,0 g/t.

          A mineralização do Filão do Araés (MIR 375 ponto 03), Nova Xavantina está
encaixada em uma fratura de cisalhamento concordante de conformação sigmoidal, sendo o
minério do tipo veio de quartzo, boudinado, bandado, evidenciando múltiplas fases de
abertura e preenchimento de fratura. De uma maneira geral, o veio tem aspecto bandado com
alternâncias de leitos de quartzo leitoso e sacaroidal com grafita. Algumas bandas quartzosas
são extremamente ricas em pirita, esfalerita e galena, na forma de disseminações, ocorrendo
em proporções da ordem de 1% a 30% do volume do minério. Os halos do tipo sericitização e
carbonatização são os mais expressivos nas encaixantes próximas aos veios de quartzo
mineralizados.

          As amostras analisadas em porções do veio remanescente na superfície
apresentaram teores médios da ordem de 1 a 10 g/t (fire assay). As amostras coletadas nas
galerias abertas para a lavra subterrânea, apresentaram teores extremamente variáveis, com
teores médios da ordem de 1 a 5 g/t e teores máximos da ordem de 40 a 60 g/t.

         -   Veios de quartzo discordantes

          São os mais explorados atualmente, com direção geral N55-80ºW, sub-verticais, e
freqüentemente posicionados transversalmente aos eixos das dobras. Estes veios apresentam-
se na maioria das vezes com extensão inferior a 100 m e com espessuras médias inferiores a
30 cm. Os teores de ouro são bastante variáveis, oscilando em média entre 1,0 a 5,0 g/t.,
pontualmente verifica-se teores superiores a 20 g/t. Na região garimpeira de Salinas (MIR 404
ponto 29), foi possível verificar, que os veios discordantes estão estruturados a partir de
possantes veios concordantes, mostrando um padrão definido de fraturamento e
preenchimento por veios, similar a um sistema conjugado, em princípio, gerado a partir de
esforços compressivos com 1 disposto segundo a direção NW-SE.

         -   Mineralizações do tipo stratabound

          Associadas às zonas de charneiras de dobras recumbentes, notadamente quando
estas estão afetadas por zonas de empurrão de baixo ângulo, configurando discretas zonas de
cisalhamento, sub-paralelas aos eixos das dobras.

            Neste contexto, observa-se na zona tectonizada enxames de venulações, localmente
dobradas e com contornos sigmoidais, vindo a constituir um tipo de mineralização onde os
garimpeiros lavram grandes painéis a céu aberto, com teores médios de corte da ordem de 1
ppm. Em algumas frentes de lavra foi possível verificar que estas zonas mineralizadas ocorrem
no contato entre litologias com competências distintas, geralmente entre um pacote de filito
sericítico, com foliação proeminente e outro de metargilito maciço.

           Nota-se em frentes de lavra abertas nas proximidades da área urbana da cidade de
Poconé-MT, a existência de mineralizações associadas a pacotes de metassiltitos com
intercalações de formações ferríferas - bifs e metacherts. Os metassiltitos, assim como os bifs,
apresentam-se com estrutura fitada, evidenciada pela alternância rítmica de níveis siltosos
esbranquiçados, com níveis mais argilosos de coloração acinzentados. Estes pacotes de
metassiltitos com intercalações de bifs, apresentam-se com o acamamento sub-paralelo a
foliação mais proeminente, com atitudes variando de N15-40ºE / 15-30ºNW.
                                                                                             162




          Nas frentes de lavra observa-se a presença de um sistema de fraturamento, disposto
sub-paralelo a foliação, preenchido por veios de quartzo leitoso, com pirita limonitizada e
pontuações de caolim. Estes veios tem espessuras da ordem de 5 a 15 cm e, localmente,
apresentam-se anastomosados e boudinados, configurando feições sigmoidais e micro
estruturais que evidenciam uma tectônica de empurrões de SE para NW, com pequeno
deslocamento.

         -   Mineralizações associadas a coberturas elúvio laterizadas

           Estas mineralizações estão associadas a processos supergênicos relacionados à
evolução das capas lateríticas sobre litologias enriquecidas em ouro (veios de quartzo e filitos
pré lateritizados). Apresentam ampla expressão superficial, delgada espessura e extrema
irregularidade na distribuição do minério, ocorrendo, comumente, sob a forma de “bonança de
pepitas”. A existência de tais formações evidenciam a estreita ligação instituída entre a fonte
primária do ouro (veios de quartzo, filitos) e o processo de laterização, enriquecimento
supergênico (Foto 056).

           No Garimpo de Jatobá, a zona de minério é constituída por cangas vermiculares ou
compactas com nódulos e oólitos de limonita, com espessura média de 1,0 metro e teores da
ordem de 0,3 a 0,8 ppm. Foi observado que o nível preferencial da mineralização é a zona de
interfácies, nódulos-canga, estando o ouro agregado aos óxidos e hidróxidos de ferro,
ocorrendo uma limitada dispersão secundária a partir dos veios de quartzo. Na porção do solo
eluvial ocorre comumente ouro nativo na forma livre.

         A paragênese do minério é composta por pirita, limonita e carbonatos, sendo que o
ouro à ela associada apresenta granulometria grosseira e alto título, variando entre 93% a
98%. Em termos de reserva, os dados disponíveis são os seguintes:

                                      MINERAÇÃO CASA DE PEDRA
                                             Cuiabá - 1989
                                           Minério Secundário
                      RESERVA (t)                                              TEOR
            Medida                       26.334.356                       0,2225 g/Au/Ton
           Indicada                      4.540.000                        0,2368 g/Au/Ton
FONTE:   De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.

                                       TETRON MINERAÇÃO LTDA
                                      Nossa Sra. do Livramento - 1988
                                            Minério Secundário
                                  3
                     RESERVA (m )                                              TEOR
                                                                                        3
             Medida                         54.224                          1,25 g/Au/m
                                                                                        3
            Indicada                        69.641                          0,90 g/Au/m
                                                                                        3
             Inferida                      421.606                          0,51 g/Au/m
FONTE:   De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.

                                       MINERAÇÃO JAGUAR LTDA
                                          Nova Xavantina - 1993
                                            Minério Primário
                        RESERVA (t)                                              TEOR
              Medida                        288.547,30                      10,55 g/Au/Ton
             Indicada                       90.185,48                       24,72 g/Au/Ton
              Inferida                     2.685.123,65                     5,44 g/Au/Ton
FONTE:   De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.
                                                                                                                                                 163




 TOTAL RESERVA MINÉRIO PRIMÁRIO (t)
 MEDIDA                                                288.547,30
 INDICADA                                              90.185,48
 INFERIDA                                              2.685.123,65
FONTE:    De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.

                                                            3
 TOTAL RESERVA MINÉRIO SECUNDÁRIO(m )
 MEDIDA                                                10.587.966
 INDICADA                                              1.885.641
 INFERIDA                                              421.606
FONTE:    De Miranda, Jocy Gonçalo “A Produção de Ouro no Estado de Mato Grosso”, 1997.
                                                                               3
Obs.      Os dados de Reserva do Minério Secundário foram uniformizados para m através da relação: 1 metro
          cúbico para 2,5 toneladas de minério.



5.1.1.4.        Produção Aurífera do Estado de Mato Grosso

          Os dados de produção de ouro de natureza garimpeira e industrial para o período de
82 a 95, segundo os dados do DNPM-DIPEM e Banco Central (Quadro 003) mostram que o
principal modo de produção é a garimpeira, com lavra rudimentar, apresentando índices que
oscilam entre 92,38 a 96,26% da produção total, ou seja a participação industrial encontra-se
na faixa de 3,74 a 7,62% da produção total. Ressalta-se que nos anos de 84 a 89, a
mineração apresentou participação mais efetiva, com porcentagens que oscilaram entre 13,52
e 29,21%. O Quadro 004 apresenta os dados de produção garimpeira por município de 1982-
1996, com base nos dados DNPM-DIPEM e Banco Central e, o Quadro 005 apresenta os
dados da produção industrial de ouro das empresas de mineração no período de 1982 a 1995.


QUADRO 003                 PRODUÇÃO AURÍFERA DO ESTADO DE MATO GROSSO
                                                            FONTE:
           FONTE :DNPM-DIPEM e Banco Central (1996)                               Valores Trabalhados                     FONTE DNPM-AMB
                                                          DNPM-DIPEM
                       Produção Garimpeira Kg                                Total Kg            Total Kg
 ANOS                                                       Produção        (Produção           (Produção       Lavra
                                                                                                                            Concessão      Total
                                           Variação no      Industrial     Industrial +        Industrial +   Rudimentar
        Oficial - PO    Estimada - PE                                                                                          Kg           Kg
                                          Estoque PE-PO        Kg          Garimpeira          Garimpeira         Kg
                                                                              Oficial           Estimada)
1980                                                                                                                                    230,35
1981                                                                                                                                    593,02
1982    2.173           4.650           2.477                            2.173               4.650                                      2.539,27
1983    5.717           7.661           1.944             222            5.939               7.883                                      6.621,29
1984    8.187           14.413          6.226             490            8.677               14.903           8.163,28      489,77      8.653,05
1985    5.143           15.212          10.069            804            5.947               16.016           5.338,75      575,42      5.915,17
1986    2.828           13.737          10.909            570            3.398               14.307           2.957,24      381,32      3.338,56
1987    4.555           15.663          11.108            803            5.358               16.466           4.403,65      515,20      5.218,85
1988    5.174           13.605          8.431             2.135          7.309               15.740           5.407,91      1.777,44    7.185,35
1989    4.558           12.285          7.727             1.493          6.051               13.778           5.250,88      1.130,62    6.381,50
1990    25.229          19.323          (5.906)           1.356          26.585              20.679           23.966,05     910,48      24.876,53
1991    27.052          20.292          (6.760)           1.228          28.280              21.520
1992    22.211          17.553          (4.658)           693            22.904              18.246
1993    16.808*         14.233          (2.575)           993            17.801              15.226
1994    10.887*                                           873            11.760
1995    8.469*                                                           9.168                                8.944,00      692,44      9.686,44

FONTE:          DNPM e *Jocy Miranda
                AMB = Anuário Mineral Brasileiro

          Os dados, além de mostrar uma produção significativa a nível nacional, demonstram
um aumento brusco de produção nos anos de 1989 e 1990 (vide Gráficos 001 e 002):
Intrigantemente, a produção garimpeira oficial de 1990, de 25.229 kg, mais do que quintuplicou
a produção aurífera em relação a 1989, de 4.558 kg (5,5x). Geologicamente não há fatos que
permitam explicar o por quê deste brusco aumento, com ascensão em 1991, e que apesar do
                                                                                          164




acentuado declínio nos anos de 92, 93 e 94 ainda apresentou produção em patamar bem mais
elevado até o observado em 1989.

         Os dados também apresentam que entre os anos de 89 e 90 houve um aumento na
produção aurífera estimada (Quadro 003) de 12.285 kg para 19.323 kg, ou seja 7.038 kg,
equivalente a 57,29%, números estes também difíceis de se explicar geologicamente.

           Sabendo-se que a produção oficial é aquela calculada com base no pagamento de
tributos (IUM e IOF), os dados de produção confrontados com os dados geológicos evidenciam
que houve uma variação significativa do estoque aurífero. Diante dos dados oficiais e daqueles
que se pode projetar estatisticamente, referendados pelo conhecimento geológico, estima-se
que foram pagos tributos por mais de 10 toneladas de ouro não lavrados em 1990, situação
que persistiu nos anos seguintes, em outras cifras. TaI fato da margem a especulações, dentre
as quais pode-se supor que havia ouro lavrado em anos anteriores e não declarado (hipótese
pouco provável devido ao preço recessivo do metal), ouro provindo de garimpo de outros
Estados, como p. ex., sul do Pará (hipótese também pouco provável pela quantidade de metal
lavrado). Entre as hipóteses, não pode ser descartada possível fonte de lavagem de dinheiro,
fato conhecido em áreas garimpeiras.
                                                                                                                                                       165

QUADRO 004        PRODUÇÃO AURÍFERA GARIMPEIRA POR MUNICÍPIO NO PERÍODO DE 1982 A 1996 (DNPM-DIPEM)
                                                                                                                   (UNIDADE: kg de ouro fino)
                                         1982                        1983                        1984                       1985
                               OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA    OFICIAL       ESTIMADA
MATO GROSSO                     2.173             4.650     5.717             7.661     8.187             14.413     5.143          15.212

ALTA FLORESTA                   1.552             2.964     3.075             4.121     3.362             5.919     1.917            5.670
ALTO ARAGUAIA
ALTO PARAGUAI
APIACÁS
ARENÁPOLIS
ARIPUANÃ                                                                                                              12              35
CÁCERES
COLÍDER
COTRIGUAÇU
CUIABÁ                            0               500       1.024             1.372     1.701             2.995      483             1.429
DIAMANTINO
GUARANTÃ DO NORTE
JACIARA
JUARA
JUÍNA
JURUENA
MATUPÁ
NORTELÂNDIA
NOSSA S. DO LIVRAMENTO
NOVA CANAÃ DO NORTE
NOVA XAVANTINA                                                                                                        29              85
PARANAÍTA
PEIXOTO DE AZEVEDO               621              1.186     1.618             2.168     2.687             4.730     2.587            7.653
POCONÉ                            0                           0                          437               769       115              340
PONTES E LACERDA
PORTO ESPERIDIÃO
SÃO JOSÉ DO RIO CLARO
SINOP
TERRA NOVA DO NORTE
VÁRZEA GRANDE
VERA
VILA BELA DA S. TRINDADE
OUTROS
                                                                                                                                                (continua...)
                                                                                                                                                          166
QUADRO 004        PRODUÇÃO AURÍFERA GARIMPEIRA POR MUNICÍPIO NO PERÍODO DE 1982 A 1996 (DNPM-DIPEM)
                                                                                                                                               (...continuação)
                                         1986                        1987                        1988                        1989
                               OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA
MATO GROSSO                     2.828             13.737    4.555             15.663    5.174             13.605    4.558             12.285

ALTA FLORESTA                   1.706             8.286     2.675             9.196     1.821             4.788     1.604             4.323
ALTO ARAGUAIA
ALTO PARAGUAI
APIACÁS
ARENÁPOLIS
ARIPUANÃ                         19                91        24                84        44               115        39               105
CÁCERES
COLÍDER
COTRIGUAÇU
CUIABÁ                           122              592        78               269        311              818        275              741
DIAMANTINO
GUARANTÃ DO NORTE
JACIARA
JUARA
JUÍNA
JURUENA
MATUPÁ
NORTELÂNDIA
NOSSA S. DO LIVRAMENTO
NOVA CANAÃ DO NORTE
NOVA XAVANTINA                   16                77        18                62        18                47        16                43
PARANAÍTA
PEIXOTO DE AZEVEDO               950              4.617     1.688             5.804     2.073             5.451     1.828             4.926
POCONÉ                           15                74        63                217       159               418       139               375
PONTES E LACERDA
PORTO ESPERIDIÃO
SÃO JOSÉ DO RIO CLARO
SINOP
TERRA NOVA DO NORTE
VÁRZEA GRANDE                                                 9                31        141              371        123              333
VERA
VILA BELA DA S. TRINDADE
OUTROS                                                                                   607              1.597      534              1.439
                                                                                                                                                  (continua...)
                                                                                                                                                          167
QUADRO 004        PRODUÇÃO AURÍFERA GARIMPEIRA POR MUNICÍPIO NO PERÍODO DE 1982 A 1996 (DNPM-DIPEM)
                                                                                                                                               (...continuação)
                                         1990                        1991                        1992                        1993
                               OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA
MATO GROSSO                     25.229            19.323    27.052            20.292    22.211            17.553    16.808            14.233

ALTA FLORESTA                   6.301             4.826     7.247             5.435     5.896             4.659     4.323             3.778
ALTO ARAGUAIA
ALTO PARAGUAI                                                                                                         8
APIACÁS                          561              429       1.365             1.024      943              745        691              604
ARENÁPOLIS                                                                                                            0
ARIPUANÃ                         244              187        211              158        243              192        178              156
CÁCERES
COLÍDER                          527              403        388              291        355              281        261              228
COTRIGUAÇU                                                                                                            0
CUIABÁ                          1.684             1.290     1.382             1.036      742              586        544              475
DIAMANTINO                                                                                                            0
GUARANTÃ DO NORTE               1.628             1.247     1.209             907        734              580        538              470
JACIARA
JUARA
JUÍNA                                                                                                                 0
JURUENA
MATUPÁ                           240              184       1.329             997        449              355        330              288
NORTELÂNDIA                                                                                                           0
NOSSA S. DO LIVRAMENTO           236              181        475              357        716              566        525              459
NOVA CANAÃ DO NORTE                                                                                                   4
NOVA XAVANTINA                   51                39        70                53         1                 1         1                 1
PARANAÍTA                       1.168              895      1.247              936      1.128              892       827               723
PEIXOTO DE AZEVEDO              7.266             5.565     5.708             4.281     5.858             4.629     4.295             3.753
POCONÉ                          1.855             1.421     2.616             1.962     2.954             2.335     2.166             1.893
PONTES E LACERDA                1.160              889      1.701             1.276      999               789       732               640
PORTO ESPERIDIÃO                                                                                                     23
SÃO JOSÉ DO RIO CLARO                                                                                                 0
SINOP                                                                                                                 0
TERRA NOVA DO NORTE              608              465       1.249             937        648              512        475              415
VÁRZEA GRANDE                    794              608        438              329        290              229        212              186
VERA
VILA BELA DA S. TRINDADE                                                                                             488
OUTROS                           906              694        417              313        255              202        187              164
                                                                                                                                                 (continua...)
                                                                                                                 168
QUADRO 004        PRODUÇÃO AURÍFERA GARIMPEIRA POR MUNICÍPIO NO PERÍODO DE 1982 A 1996 (DNPM-DIPEM)
                                                                                                      (...continuação)
                                         1994                        1995
                               OFICIAL          ESTIMADA   OFICIAL          ESTIMADA
 MATO GROSSO                    10.887                      8.469

 ALTA FLORESTA                  2.990                       4.095
 ALTO ARAGUAIA                    0
 ALTO PARAGUAI                    3
 APIACÁS                         519                         134
 ARENÁPOLIS                      12                          14
 ARIPUANÃ                        44                          29
 CÁCERES                         0,2
 COLÍDER                         67                          50
 COTRIGUAÇU                       0
 CUIABÁ                          565                         369
 DIAMANTINO                      32                          67
 GUARANTÃ DO NORTE               338                         318
 JACIARA                                                      1
 JUARA                            0
 JUÍNA                            0
 JURUENA                         0,3
 MATUPÁ                          780                         119
 NORTELÂNDIA                     10                           2
 NOSSA S. DO LIVRAMENTO          177                          5
 NOVA CANAÃ DO NORTE              0
 NOVA XAVANTINA                   2                           3
 PARANAÍTA                       500                         87
 PEIXOTO DE AZEVEDO             2.106                        904
 POCONÉ                         1.198                       1.300
 PONTES E LACERDA                232                         200
 PORTO ESPERIDIÃO                 1
 SÃO JOSÉ DO RIO CLARO            0
 SINOP                            0
 TERRA NOVA DO NORTE             176                         33
 VÁRZEA GRANDE                   528                         371
 VERA                             0                          0,4
 VILA BELA DA S. TRINDADE        606                         368
 OUTROS                                                       0
FONTE:   DNPM-DIPEM e BANCO CENTRAL, com base no IUM e no IOF-ouro (1996)
                                                                                                                                                169
QUADRO 005           PRODUÇÃO AURÍFERA INDUSTRIAL NO PERÍODO DE 1982 A 1995 (DNPM-DIPEN)
                                                                                                                           (UNIDADE: kg de ouro fino)
                                            1982   1983   1984   1985   1986   1987   1988    1989    1990   1991   1992    1993   1994       1995
MATO GROSSO                                  0     222    490    804    570    803    2135    1493    1356   1228   693     993     873       699

MINERAÇÃO PORTO ESTRELA S/A                  0     222    490    575    381    41      0       0       0      0      0       0
(Alta Floresta)

MINERAÇÃO MANATI                             0      0      0      0      0     510    1.736   1.127   874    615    284      0
(Rio Branco)

MINERAÇÃO SANTA ELINA IND E COM LTDA         0      0      0     211    166    212    230     260     376    433    347     925      808       634
(Vila Bela da Santíssima Trindade)

SANTO ONOFRE MINERAÇÃO S/A                   0      0      0     13     23     40      25      25     25      0      0       0
(Aripuanã)

BRASEREM EMPRESA MINERAÇÃO LTDA              0      0      0      5      0      0      0       0       0      0      0       0
(Alta Floresta)

MINERAÇÃO CASA DE PEDRA LTDA                 0      0      0      0      0      0     144      81     81     180     62     68        65        63
(Cuiabá)

CIA ADM. MORRO VERMELHO                                                                                                                         2
(Nortelândia)
FONTE:        DNPM-DIPEM (1996)
                                                                                                                                                                      170




GRÁFICO 001                   PRODUÇÃO AURÍFERA DO ESTADO DE MATO GROSSO, DADOS SEGUNDO DNPM-DIPEM E BANCO DO BRASIL



                   35000


                   30000


                   25000
  Produção em Kg




                   20000


                   15000


                   10000


                    5000


                       0
                             1980



                                     1981



                                                 1982



                                                          1983



                                                                    1984



                                                                           1985



                                                                                  1986



                                                                                            1987



                                                                                                     1988



                                                                                                            1989



                                                                                                                   1990



                                                                                                                          1991



                                                                                                                                   1992



                                                                                                                                            1993



                                                                                                                                                     1994



                                                                                                                                                               1995
                    -5000


                   -10000

                                                                                                                                                            Ano
                                            Produção Estimada- PE                    Diferença PE-POG                      Produção Industrial- PI
                                            Total 1( POG + PI)                       Total 2 ( PE + PI)                     Produção Oficial Garimpeira- POG

FONTE:                  DNPM – DIPEM (1995), modificado
                                                                                                                                              171




GRÁFICO 002 PRODUÇÃO AURÍFERA DO ESTADO DE MATO GROSO, DADOS SEGUNDO DNPM-DIPEM


                          30000




                          25000




                          20000
         Produção em Kg




                          15000




                          10000




                          5000




                             0
                                  1980


                                         1981


                                                1982


                                                       1983


                                                              1984


                                                                     1985


                                                                            1986


                                                                                   1987


                                                                                           1988


                                                                                                  1989


                                                                                                         1990


                                                                                                                1991


                                                                                                                       1992


                                                                                                                                 1993
                                                                                                                                        Ano
                                                Lavra Rudimentar                          Concessão                           Total

FONTE:          DNPM – DIPEM (1995), modificado
                                                                                                           172




          O Sumário Mineral de 1991 ao discutir a produção oficial de ouro de 1990, a nível
nacional, apresenta a seguinte ponderação: “a produção de ouro no ano passado, em função da melhoria
do registro, mostrou crescimento de 87,6%. Pelos dados ainda preliminares, em 1990 foram registradas 93,3 t
contra 52,4 t em 1989. No entanto, esse desempenho global positivo é apenas aparente, pois a produção real dos
garimpos, segundo estimativas, pode ter sofrido uma queda de 31% em relação a 1989, de 80 t para um máximo de
55t em 1990. A performance da produção real foi afetada pela queda do preço interno, combinada com aumento de
custos, interdição de áreas à garimpagem e a exaustão e queda de teores em outras áreas. O maior registro da
produção oficial foi conseqüência das operações de arbitragem do Banco Central, que possibilitaram a exportação
do ouro pela taxa de câmbio flutuante. Como o mercado interno ficou superofertado em função do plano de
estabilização econômica e a arbitragem através do BACEN é menos oneroso do que no mercado informal, quase
toda a produção de 1990 foi negociada por esse sistema. Ao ser reduzido o descaminho houve o aumento
meramente estatístico nos números oficiais, que são apurados a partir do pagamento de impostos. As empresas
mantiveram seus investimentos e fecharam o ano com produção de 29,9 t, 31% acima dos 22,9% de 1989. Esse
desempenho verificou-se apesar da conjuntura desfavorável, combinando a queda do preço interno, com aumento
de custos e provocando, consequentemente, redução de rentabilidade. ...”



5.1.2.     Províncias e Distritos Diamantíferos

          O critério básico do presente enquadramento foi o de agrupar em uma mesma
província os jazimentos que apresentam similaridade em termos geológicos e estruturais e de
área – fonte e encontram-se dispostos numa mesma unidade geotectônica. Entende-se por
área - fonte a unidade ou formação geológica que se constitui na rocha hospedeira,
responsável, em última instância, pela mineralização dos depósitos secundários.

         Como subsídio foram          utilizados, além da bibliografia pertinente, produtos técnicos
gerados pela METAMAT nos              últimos 05 (cinco) anos, com destaque para os projetos:
“Guaporé - Sudoeste”, (1992),         convênio com a SOPEMI e “Diagnóstico das Atividades
Mineradoras da Sub-Bacia do           Alto Rio Paraguai”, (METAMAT,1996), em convênio com a
FEMA.

          As principais seqüências portadoras dessas mineralizações estão associadas aos
conglomerados basais das grandes unidades sedimentares cretáceas que recobrem grandes
extensões do Estado, e se manifestam sob a forma de aluviões recentes, terraços antigos e em
superfícies sujeitas a denudação.

          Diversas pesquisas desenvolvidas no Estado indicam como fonte primária do
diamante corpos kimberlíticos, fato comprovado na região de Juína, onde o diamante é
explorado em aluviões recentes, cuja origem são os kimberlitos bastante alterados ocorrentes
naquela área. Segundo alguns especialistas, como GONZAGA & TOMPKINS, (1991), essas
ocorrências estariam associadas ao lineamento 125º Az, de magnitude continental. Trabalhos
na região Sudeste, proximidades de Paranatinga, corroboram esta afirmativa.

           Os diamantes explorados no Estado apresentam cores e formas variadas, sendo
classificados como diamantes industriais ou gemas. Na região de Juína, cerca de 92% da
produção corresponde a diamantes industriais, apresentando formas achatadas e alongadas e
cores fortes. Por outro lado, os diamantes associado à Formação Marília (sensu lato) e ao
Grupo Parecis, apresentam proporções de 27% e 70% de diamantes do tipo gema.


5.1.2.1.   Província Diamantífera do Sudeste de Mato Grosso

         Situada na região sudeste do Estado, abrange os municípios de Chapada dos
Guimarães, Paranatinga, Nova Brasilândia, Poxoréu, Jaciara, Dom Aquino, Rondonópolis,
Tesouro, Guiratinga, Pedra Preta, Alto Garças, Alto Araguaia, Itiquira, Araguainha, Ponte
Branca, Torixoréo, General Carneiro e Barra do Garças etc., desde Chapada dos Guimarães,
no extremo oeste, até Barra do Garças, a leste.
                                                                                            173




          A geologia da província está representada por um substrato regional, formado pelos
metassedimentos do Grupo Cuiabá, de Idade Proterozóico Superior e pela Suíte Intrusiva São
Vicente. Recobrindo este substrato estão os sedimentos paleozóicos, mesozóicos, lavas
basálticas e sedimentos cenozóicos que formam a extensa depressão deposicional da Bacia
do Paraná.

          Destaca-se nesta província a Reserva Garimpeira de Alto Coité, estrutura do Alto
Coité, localizada cerca de 10 km a nordeste do distrito de Alto Coité. Trata-se de uma estrutura
tectonicamente complexa, de formato grosso modo circular, truncada por falhas normais
colocando lado a lado rochas das formações Ponta Grossa, Aquidauana, Palermo, Botucatu e
Marília. Neste distrito vêm de longa dada, sendo extraído diamante por processos de
garimpagem. Atualmente são garimpos decadentes, que têm provocado muito prejuízos
ambientais na região (Foto 057). Em alguns locais, próximo à Poxoréu, verificam-se áreas onde
foram executados trabalhos de recuperação através de terraplanagem. Nesta região foi
reconhecido o corpo kimberlítico de Tamburi, (WESKA, 1996), que permite atribuir, ao menos
em parte, a fonte primária dos diamantes a este corpo.

          A fonte intermediária das mineralizações diamantíferas na Província está associada
aos conglomerados basais da Formação Marília (ou Formações Quilombinho e Cachoeira do
Bom Jardim, segundo WESKA, 1996). No entanto, os depósitos comumente explorados são os
do tipo Plácer, que situam-se junto às drenagens atuais e seus terraços quaternários, nos quais
a concentração do diamante é maior. A fonte primária dos diamantes está associada às
Intrusões Kimberlíticas de Paranatinga, descritas inicialmente por FRAGOMENI, (1976), no alto
curso dos rios Batovi e Poxoréu.

          Os depósitos diamantíferos da região podem ser classificados em duas categorias:
as aluviões recentes, que ocorrem ao longo das atuais planícies de inundação das principais
drenagens, como por exemplo os Garimpo Santa Maria (Paranatinga, MIR 374 ponto 6) e os
depósitos de terraço, localizado nas encostas dos vales, como o Garimpo do Ademar (Poxoréu,
MIR 389 ponto 11).

          Os teores médios de diamante nesta província giram em torno de 0,05 ct/m3 com
cerca de 73% desses sendo classificados como indústriais e 27% como gemas.
Contrariamente às ocorrências da Província Diamantífera do Alto Paraguai – Nortelândia -
 Arinos, onde o ouro apresenta teores econômicos, nesta, ele ocorre com teores muito baixos,
fazendo parte da paragênese: ouro, turmalina, rutilo, ilmenita, granada, corindon, leucoxênio,
etc.


5.1.2.2.   Distrito Diamantífero do Alto Paraguai

          Este Distrito está localizado na região centro-oeste de Mato Grosso, que vai do
município de Nobres, ao sul, até o município de São José do Rio Claro, ao norte, envolvendo
parte da bacia do Rio Arinos e da bacia do Alto Rio Paraguai.

          Do ponto de vista geológico, os depósitos diamantíferos da bacia do Alto Rio
Paraguai estão relacionados às coberturas quaternárias aluvionares, coluvionares e
eluvionares formadas ao longo do período de evolução da bacia e resultantes dos processos
deposicionais e erosivos nela atuantes.

          Segundo WESKA et al., (1984), os depósitos coluvionares estariam condicionados e
caracterizados por recuo regressivo de escarpa e pouco transporte, os aluvionares por
depósitos muito transportados e dispostos em terraceamentos nítidos nas porções inferiores da
bacia, e os eluvionares por uma concentração vertical de pouco ou nenhum transporte, nas
cotas mais altas do seu bordo.
                                                                                           174




         Utilizando-se essa classificação, foram individualizadas quatro zonas de depósitos na
bacia:

         -   zona 1 - formada por depósitos aluviais e coluviais relacionados às escarpas dos
             Parecis;

         -   zona 2 - caracterizada por colúvios retrabalhados por aluviões mais jovens sobre
             o domínio do Tapirapuã;

         -   zona 3 - superfícies residuais por erosão intensa em colúvios, elúvios e no Grupo
             Parecis;

         -   zona 4 - que comporta os depósitos aluviais e sua planície de inundação,
             (quando localizados junto as drenagens conhecidas como “grupiaras” e nos
             terraços como “monchões”).

           Os cascalhos diamantíferos são constituídos por seixos e matacões de quartzo, de
arenitos alterados ou capeados por óxido de ferro, por arenitos ortoquartzíticos, basaltos,
silexitos, turmalinitos e variadas formas de quartzo secundário. A matriz pode ser arenosa,
areno-argilosa ou argilosa, cimentadas ou não por óxidos de ferro, de que são exemplos locais
os depósitos de São Pedro (MIR 372 ponto 176) e da Laranjeira (MIR 372 pontos 125, 127). O
capeamento do minério é formado por litologias inconsolidadas, finas, como areias e argilas de
cores variadas. Em alguns locais o cascalho é aflorante e mesmo lateritizado.

          O protominério desses depósitos é atribuído aos conglomerados do Grupo Parecis,
cuja porção basal ainda hoje forma relevos residuais no interior da bacia. Sobre essa área -
fonte é que atuariam os processos erosivos e deposicionais, gerando ao longo do tempo
depósitos do tipo pláceres condicionados por falhamentos normais e caracterizados pelos
terraceamentos laterais às drenagens atuais, depósitos coluvionares e de talus, leques aluviais
e depósitos detrito-laterizados.

         No neo-Terciário, a superfície antes estável numa grande superfície de aplainamento
e pedogenização é transformada, por reativação tectônica, em área de erosão, responsável
pelo esculpimento da paisagem e do aparecimento das províncias morfoestruturais.

         Para QUADROS, (1978), os depósitos da região de Diamantino estariam associados
à Formação Morro Vermelho, caracterizada no seu trabalho como uma unidade geológica de
Idade Terciária, individualizada como uma seqüência de origem flúvio-lacustre e sobreposta à
Formação Parecis.

          Os depósitos diamantíferos na região possuem 02 (dois) tipos básicos de
condicionamento dados pela erosão diferencial e/ou controle estrutural. Entre os garimpeiros,
diversas denominações são utilizadas para se referirem a determinados condicionantes
regionais. Entre esses exemplos podemos citar o “ajogo”, como de controle estrutural,
correspondendo aos depósitos do tipo “barra de pontal” gerados a partir do controle de
barreiras geomorfológicas normais à drenagem, a jusante do fluxo; e “travessões”, que são
depósitos localizados a montante de uma zona de falha interposta à drenagem. Todos esses
depósitos variam de pequeno a grande porte.

          Entre os depósitos gerados por erosão diferencial podemos citar: como de pequeno
porte as “panelas” relacionados a imaturidade do bed-rock e a correntes turbilhonares; e como
depósitos de maior porte os “canoões” e “veias” relacionados aos processos erosivos
superimpostos.

          De acordo com o projeto “Diagnóstico das Atividades Mineradoras na Sub-Bacia do
Alto Rio Paraguai, 1996” a classificação dos depósitos diamantíferos pode ser enquadrada em
                                                                                                175




02 (dois) tipos básicos: aluviões antigos e aluviões recentes, em parte devido à sua
abrangência e em parte devido a insuficiência de dados e nível de complexidade dos
depósitos.

          As aluviões antigas formam morrotes isolados ou interligados, sustentados pelo nível
de cascalho que caracterizam os altos terraços. A espessura do pacote pode atingir até 6
metros. Litologicamente, estes depósitos são constituídos quase que exclusivamente de
cascalho, não apresentando um selecionamento e uma granulometria uniforme. Muitas vezes,
observam-se matacões e seixos centimétricos. Os tipos litológicos encontrados são arenitos
ortoquartzíticos, quartzo, silexitos, etc., razoavelmente bem preservados. Localmente, como
ocorre nas cabeceiras dos rios Diamantino e Paraguai, pode ser observado um nítido controle
geológico - estrutural, representado, respectivamente, por barreira do derrame basáltico
Tapirapuã (Salto do Diamantino) e anteparo de flanco de anticlinal da faixa Paraguai-Araguaia,
Formação Raizama (localidade de Melgueira).

          As aluviões recentes ocorrem nas margens (planícies de inundação) ou no leito atual
dos rios. Os pacotes possuem espessuras menores, se comparados com as unidades mais
antigas, em média de 1 metro. São geralmente depósitos bem selecionados, apresentando
variação granulométrica bem definida, do topo (mais fina) para a base (mais grosseira). Os
sedimentos deste ambiente são cascalhos, areias, siltes e argilas, predominando ora uns, ora
outros. Os tipos litológicos são os mais resistentes: arenitos ortoquartzíticos, quartzo, silexitos,
etc., que não foram destruídos durante o retrabalhamento por transporte. Nas aluviões do Rio
Paraguai e afluentes os níveis de cascalho, quando ocorrem, estão sempre na base, não
ocorrendo em outros níveis do perfil.

          Trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela Mineração Morro Vermelho nas áreas da
Fazenda Camargo Corrêa (MIR 273 ponto 115) constataram a existência de cascalhos
mineralizados relacionados a depósitos elúvio-coluvionares, coluvionares, depósitos de
paleocanal e aluviões atuais ocupando a calha dos rios.

          Os minerais pesados, presentes nos cascalhos diamantíferos, devem ser
considerados na região como guias de prospecção, com as devidas reservas, por não estarem
relacionados a área-fonte primária, (WESKA, 1984). São de dois tipos: monominerálicos e
poliminerálicos.

           Os grãos monominerálicos são as piritas (dadinhos), limonitas (feijão), rutilo (agulha,
ferragem, ponta de lápis), zircão, hematita e magnetita (ferragem), leucoxênio (faceira), pedra
baia (calcedônia), quartzo (ovo de pomba, dente-de-cão), topázio (pingo d’água), granada
(chicória) etc. Entre os poliminerálicos podemos citar os turmalinitos (pretinhas fantasiadas),
tremolita-sericita-quartzito (faceira), etc.

         O ouro, na região garimpeira, é explorado como subproduto do diamante, os seus
teores são variáveis e geralmente possuem baixa granulometria, sendo raras as pepitas
encontradas.

          Na região, até recentemente, existiam inúmeros locais de extração de diamante,
entre os quais merecem destaque os garimpos São Francisco (MIR 372 ponto 105), Melgueira
(MIR 372 ponto 126), Tarumã (MIR 372 ponto 299), Boi Rabicho (MIR 372 ponto 231), “Serrão”
(MIR 372 ponto 131), Ouro Fino (MIR 372 ponto 199) e Raizama (MIR 372 ponto 133 ), não se
dispondo de informações recentes se ativos ou paralisados. O Quadro 006 a seguir apresenta
os dados de reserva de diamante para o município de Nortelândia para o ano de 1995.
                                                                                                                 176




QUADRO 006           RESERVA DE DIAMANTE PARA O MUNICÍPIO DE NORTELÂNDIA

  PROCESSO          MEDIDA          TEOR          INDICADA         TEOR           INFERIDA            TEOR
                       3                               3                               3
                     (m )                            (m )                            (m )
                                              3                              3                                   3
  805.982/72         146.163      0,04 ct/m        493.820       0,04 ct/m        650.619            0,04 ct/m

                                              3                              3
  866.912/84         207.794      0,06 ct/m        355.887       0,05 ct/m

                                              3
  866.924/70         22.546       0,10 ct/m        194.000            -

                                              3                               3
  800.098/76         166.301      0,10 ct/m        706.580       0,024 ct/m       404.810

     Total           542.804                      1.750.287                       1.055.429

FONTE:       Relatório Anual de Lavra - DNPM/1996. (Minério Secundário – Adm. Morro Vermelho Ltda)



5.1.2.3.     Distrito Diamantífero de Juína

        O Distrito Diamantífero de Juína está localizado na região noroeste do Estado,
abrangendo o município de Juína, compreendendo as altas bacias dos rios Juína-Mirim, Vinte
e Um de Abril e Cinta Larga.

          Caracteriza-se pela presença de depósitos aluvionares recentes, cuja área-fonte são
os kimberlitos intrusivos no Grupo Parecis. Estes kimberlitos, localizados às cabeceiras dos rios
Juína-Mirim e Cinta Larga, acham-se, em subsuperfície, invariavelmente alterados, sendo
reconhecidos pelos solos argilosos, vermelho-amarronzados, em contraste com os solos
arenosos, amarelo-amarronzados do Grupo Parecis, (HARALYI, 1990).

         No atual estágio erosivo regional, as chaminés kimberlíticas encontram-se
profundamente erodidas e, em conseqüência, embora encontrem-se mineralizadas,
apresentam teores muito baixos. Nos poucos corpos aflorantes são identificados através de
amostra de mão os constituintes tipomórficos: granadas piropo, picroilmenitas, flogopita, olivina,
cromodiopsídio, magnetitas e zircão.

          SCHULTZ FILHO, (1981), atribuiu idade Cretácea ao arenito, correlacionando-o ao
Parecis e o subdividiu em dois níveis, sendo que o Inferior estaria cortado por intrusões
Kimberlíticas (chaminés, sills e diques).

          Recobrindo a seqüência cretácea ao longo dos principais rios, ocorrem as aluviões
recentes caracterizadas pelos depósitos de canais atuais e pelos paleocanais. Os depósitos
diamantíferos de Juína estão associados aos depósitos aluviais (atuais e paleocanais), sendo
constituídos na base por níveis de cascalhos mineralizados, com espessuras variáveis da
ordem de 0,50 até 1,50 metros.

          De maneira informal, e levando em conta as características do minério e a tipologia
dos diamantes, HARALYI, (1990), caracterizou três principais áreas de ocorrência: bacia do Rio
Cinta Larga, bacia do Rio Vinte e Um de Abril e bacia do Rio Juína-Mirim

         A bacia do Rio Cinta Larga apresenta depósitos de canais atuais, de pequena
espessura, em torno de 0,30 a 0,50 metros, e elevado teor em diamantes (6 - 7 ct/m3). Os
diamantes são os maiores da região e apresentam-se na forma de fragmentos com baixa
proporção de gemas (menor que 5-8%).

         Os diamantes do Rio Vinte e Um de Abril ocorrem no canal atual e terraços (Foto
058). Para se atingir o conglomerado basal são removidos cerca de 8 metros de estéril, com
                                                                                                        177




uma concentração mecanizada rudimentar (Fotos 059 e 060). São pouco menores, mais
regulares que os da bacia do Rio Cinta Larga e de teores mais baixos.

          Na bacia do Rio Juína-Mirim e seus tributários estão os melhores diamantes da
região, com maior proporção de gemas. A espessura do cascalho mineralizado é em média de
1,0 a 1,5 metros e os teores variam de 0,6 a 0,8 ct/m3.

           No denominado Chapadão da Serra do Norte, considerado por VELOSO, (1990),
como área fonte dos diamantes do Rio Cinta Larga, foram identificados dois níveis de
cascalhos (paleoleitos), separados entre si por uma camada de sedimentos de 35 metros de
espessura. Em função disto, foi sugerido a ocorrência de pelo menos duas fases de intrusões
kimberlíticas mineralizadas.

          Nas cangas lateríticas desenvolvidas sobre os kimberlitos, e em alguns trechos dos
aluviões, através de um processo de concentração por lixiviação da matriz, ocorre o
enriquecimento em diamantes em proporções de 8 a 10 vezes maior, chegando a alcançar
teores de 0,5 a 1,0 ct/m3.

         De modo geral o hábito dos diamantes em Juína é de fragmentos achatados e
alongados. Nas faixas abaixo de 5 mm, encontram-se cristais irregulares (octaédricos,
octadodecaédricos e rombododecaédricos).

         O maior diamante do tipo gema em Juína , foi encontrado no Ribeirão Mutum e
possuía 232 quilates, e o do tipo indústria na fóz do Ribeirão Porcão, com 263 quilates. Até por
volta de 1990, foram recuperados na região de Juína entre 2,5 a 3,0 milhões de quilates,
(HARALYI, 1990).

           Os dados de reserva disponíveis são:

                                        MINERAÇÃO ITAPENÁ LTDA
                                            Minério Secundário
                                                Juína - MT
                                        3                                                      3
                           RESERVA (m )                                            TEOR (ct/m )

                 Medida                            208.440                              4,66

                Indicada                           227.080                              1,02

                Inferida                           439.200                              1,07

                  Total                            874.720                              1,91

FONTE:     Relatório Final de Pesquisa da Mineração Itapena Ltda. (área do Processo DNPM 860.139/78).



5.1.2.4.   Produção Diamantífera do Estado de Mato Grosso

         Os dados oficiais de produção de diamante (DNPM - AMB) apresentados no Quadro
007, mostram que o Estado de Mato Grosso, em termos de Brasil, foi um importante produtor
deste bem mineral nos anos 80 e início dos anos 90. Com uma produção inicial de 37.701 ct.
em 1980, atinge a cifra dos 368.028 ct. em 1988 e 230.000 ct. em 1989.

          Em 1995, com a exaustão dos garimpos e fiscalização ambiental rígida, a produção
decai sensivelmente atingindo o patamar de 502.878 ct., que não corresponde em absoluto ao
potencial do Estado.
                                                                                             178




           No apogeu da produção, grande parte das pedras correspondia ao diamante
industrial, com valor agregado bem inferior ao das gemas. É plenamente previsível que boa
parte das pedras foram retrabalhadas ou tenham sofrido transporte mais longo. Se isto ocorreu
e sofreram algum tipo de concentração, é de se aguardar que os depósitos com as melhores
pedras ainda estejam para ser descobertos. O desafio atual consiste em se descobrir os
depósitos onde se concentram as gemas.


QUADRO 007    PRODUÇÃO BENEFICIADA DE DIAMANTES (EM QUILATES) NO ESTADO DE MATO
        GROSSO E BRASIL

                                                                       PARTICIPAÇÃO NA
         ANO                MATO GROSSO                  BRASIL
                                                                      PRODUÇÃO NACIONAL
         1980                    37.701                  158.205              23,83%
         1981                    28.120                  135.939               20,68
         1982                   105.786                  212.039               49,88
         1983                    58.762                  120.058               48,94
         1884                    54.788                  122.827               44,61
         1985                   130.000                  349.527               37,19
         1986                   244.209                     ?
         1987                   307.800                  522.437               58,92
         1988                   368.028                  544.588               67,58
         1989                   230.000                  500.141               45,99
         1990                  1.100.000                1.542.241              71,32
         1991                       -
         1992                  1.000.000 *
         1993                   954.200 *
         1994                   302.964
         1995                  502.878                    676.269              0,42
FONTE:     DNPM-AMB/1996
           DNPM – SEM/1996; *= estimativa por levantamento de campo



5.1.3.    Província Carbonática Araras

        Existem ocorrências de rochas carbonáticas distribuídas em diferentes regiões do
Estado de Mato Grosso, relacionadas basicamente às seguintes unidades geológicas:
Formação Araras, Grupo Bauru, Formação Irati, Grupo Cuiabá e Grupo Beneficente.

          Dentre estas, somente a Formação Araras, em função da homogeneidade das
camadas carbonáticas, contexto geológico, grandes reservas, contínua distribuição areal, foi
aqui inserida no contexto das Províncias Minerais, sob a denominação Província Carbonática
Araras. As demais unidades, por apresentarem apenas depósitos minerais de ocorrência
localizada ou de interesse científico, serão descritos item 5.2 “Jazimentos Minerais de Interesse
Econômico”.

           Abrangendo as regiões sudoeste, médio norte e leste do Estado, esta província se
distribui ao longo de uma faixa dobrada, em forma de arco, estendendo-se pelos limites
geopolíticos dos municípios de Cáceres, Porto Estrela, Barra dos Bugres, Tangará da Serra,
Nobres, Rosário Oeste, Planalto da Serra, Nova Brasilândia, Paranatinga e Cocalinho.

         É a mais importante e expressiva zona de ocorrência de Rochas Carbonáticas do
Estado de Mato Grosso, distribuindo-se ao longo de uma faixa que se inicia na borda do
Pantanal Matogrossense, ao sul da cidade de Cáceres, com direção geral N30ºE até as
                                                                                             179




imediações da cidade de Nobres. A partir daí, flexiona-se na direção leste, estendendo-se de
forma descontínua até a região de Cocalinho. Abrange uma área com cerca de 27.000 km2.

          Geologicamente esta Província está inserida na Faixa de Dobramentos Paraguai-
Araguaia, fazendo parte do Grupo Alto Paraguai. A Formação Araras é formada, segundo LUZ
et al., (1978), por um membro inferior, composto por margas conglomeráticas, calcários
calcíticos e calcários dolomíticos e um membro superior composto por dolomitos, com
intercalações subordinadas de siltitos, arenitos e argilitos calcíferos. Suas relações de contato
com a Formação Puga na base e Formação Raizama no topo, são do tipo concordante
gradacional.

           O ambiente de sedimentação desta formação, segundo LUZ et al., (op. cit.), seria do
tipo nerítico, de águas rasas e calmas, numa bacia miogeossinclinal. Na evolução sedimentar
do Grupo Alto Paraguai, proposto por DARDENNE, (1980), é atribuído a Formação Araras um
ambiente marinho raso, representando o membro inferior (calcários) um ambiente sublitorâneo,
e o membro superior (dolomitos) um ambiente litorâneo.

          As rochas carbonáticas da Formação Araras, apresentam-se sob forma de colinas e
morros abaulados. No âmbito da Província Serrana essas feições estão alinhadas e alongadas
no sentido das estruturas regionais.

          Esta modelagem está associada normalmente às áreas de ocorrência dos dolomitos,
que respondem pelas feições topográficas mais expressivas. Os calcários calcíticos da porção
basal, apresentam feições menos imponentes, restringindo-se a afloramentos em forma de
lajeados.

          A estruturação geomorfológica dos horizontes carbonáticos é um dos fatores que tem
contribuído para o seu aproveitamento industrial em larga escala, na medida que possibilita
sua exploração através de métodos de lavra simples e econômicos, como por exemplo o
método de lavra a céu aberto em bancadas de encosta, que é utilizado por todas as empresas
de produção de pó corretivo em operação.

           Os calcários da Formação Araras contém impurezas de magnésio, manganês, ferro e
silicatos. Nos calcários calcíticos a composição química média é a seguinte: CaO 48%, MgO
2%, RI 5%, PF 45% R2O3 1%-2%. Nos calcários dolomíticos é a seguinte: CaO 48%, MgO
5%, RI 5%, PF 42%, R2O3 1%-2%. Nos dolomitos: CaO 30%, MgO 20%, RI 5%, PF 45% e
R2O3 1%-2%, (LUZ et al., 1978).

          Os levantamentos efetuados pelo PROJETO PROVÍNCIA SERRANA, (1978),
através de seções perpendiculares à estrutura regional, estimou uma reserva geológica
aflorante da ordem de 60 bilhões de toneladas de calcários dolomíticos e dolomitos e 800
milhões de toneladas de calcários calcíticos.

           Em função da natureza dos depósitos desta província e dos métodos de extração
utilizados, o principal impacto ambiental observado é a modificação da paisagem e
desmatamento no entorno da mina. Na etapa de beneficiamento os principais impactos
observados são: poluição atmosférica pela emissão de poeira, poluição sonora pela emissão
de ruídos.
                                                                                                 180




         Os dados disponíveis de reserva são os seguintes:

                                 Mineração Itaipú Indústria e Comércio Ltda
                                       Calcário Dolomítico/Calcítico
                                           Barra dos Bugres/MT
                                   Proc. 821.010/72 (MIR 388 ponto 317)

                         RESERVA (t)                                                TEOR (%)

            Medida                           3.753.778,04                       CaO: 29,1%

            Indicada                           5.575.908                            SiO: 4,9 %

            Inferida                          76.466.065                        MgO: 20,9 %

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                                            Ecoplan Mineração Ltda
                                                  Nobres/MT
                                               Proc. 866.426/83

                         RESERVA (t)                                                TEOR (%)

            Medida                                 -                            CaO: 29,75 %

            Indicada                          220.142.112                       MgO: 20,46%

            Inferida                          70.264.750                                -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1995.

                                           Império Mineração Ltda
                                             Rosário Oeste/MT
                                   Proc. 801.820/76 - (MIR 388 ponto 314)

                         RESERVA (t)                                                TEOR (%)

            Medida                           40.642.248,60                          MgO 17,9%

            Indicada                         30.110.041,50                      CaO: 27,8%

            Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                          Copacel Indústria e Comércio de Calcário e Cereais Ltda
                                                Nobres/MT
                                 Proc. 814.943/74 - (MIR 372 ponto 256)

                         RESERVA (t)                                            TEOR (%)

            Medida                            14.853.306                       MgO 18,5%

            Indicada                           8.606.250                       SiO2: 4,0 %

            Inferida                               -                           CaO: 32,5%

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
                                                                                         181




                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                             Proc. 806.671/77

                         RESERVA (t)                                          TEOR (%)

           Medida                           2.700.000

          Indicada                          10.900.000                           SI

           Inferida                             -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
         SI – Sem Informações

                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                   Proc. 806.672/77 (MIR 371 ponto 24)

                         RESERVA (t)                                          TEOR (%)

           Medida                           26.173.729                        CaO: 28%

          Indicada                          28.300.000                        MgO: 14%

           Inferida                         11.900.00

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                             Proc. 806.674/77

                        RESERVA (t)                                           TEOR (%)

          Medida                            10.259.151                        CaO: 28%

          Indicada                              -                             MgO: 14%

          Inferida                              -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                             Proc. 806.675/77

                        RESERVA (t)                                           TEOR (%)

          Medida                            74.500.000

          Indicada                              -                                SI

          Inferida                              -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
         SI – Sem Informações
                                                                                         182




                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                             Proc. 806.676/77

                        RESERVA (t)                                           TEOR (%)

          Medida                            25.800.000

          Indicada                           5.000.000                           SI

          Inferida                          160.000.000

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
         SI – Sem Informações

                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                             Proc. 806.677/77

                        RESERVA (t)                                           TEOR (%)

          Medida                            70.500.000

          Indicada                          79.900.000                           SI

          Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
         SI – Sem Informações

                                Calcário Tangará S/A - Indústria e Comércio
                                           Tangará da Serra/MT
                                            Calcário Dolomítico
                                             Proc. 806.678/77

                        RESERVA (t)                                           TEOR (%)

          Medida                            41.000.000

          Indicada                          41.000.000                           SI

          Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
         SI – Sem Informações

                                         Itaituba Agro Industrial S/A
                                              Rosário Oeste/MT
                                   Proc. 860.908/81 (MIR 388 ponto 315)

                        RESERVA (t)                                           TEOR (%)

          Medida                            240.867.900

          Indicada                          69.850.063                           SI

          Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
         SI – Sem Informações
                                                                                                                183




                               Reical Indústria e Comércio de Calcário e Ltda
                                             Calcário Dolomítico
                                                  Nobres/MT
                                               Proc. 866.170/94

                        RESERVA (t)                                                TEOR (%)

                        Medida                         2.372.102,50               MgO 3,84% CaO: 48,79%

                       Indicada                         420.000.000               SiO2: 4,91 % FeO3 : 0,22%

                        Inferida                       4.872.102,00                              Al2O3: 0,51%

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                                   Reical Indústria e Comércio de Calcário Ltda
                                                  Paranatinga/MT
                                                  Proc. 814.103/94

                        RESERVA (t)                                                TEOR (%)

          Medida                             1.961.404,20                  MgO 4,02% CaO: 48,01%

          Indicada                            350.000,00                   P.F: 41,94% - SiO2: 4,91 %

          Inferida                           5.000.000,00                 Fe2O3 : 0,22% - Al2O3: 0,51%

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                                   Emal - Empresa de Mineração Aripuanã Ltda
                                              Calcário Dolomítico
                                                  Nobres/MT
                                     Proc. 866.459/84 (MIR 372 ponto 247)

                        RESERVA (t)                                                TEOR (%)

          Medida                                   -                         MgO 19% CaO: 29,5%

          Indicada                                 -                               SiO2: 0,8 %

          Inferida                                 -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.

                                Indústria e Comércio de Calcário Cuiabá Ltda
                                             Calcário Dolomítico
                                                 Nobres/MT
                                    Proc. 866.933/93 (MIR 372 ponto 252)

                        RESERVA (t)                                                TEOR (%)

          Medida                              45.638.385

          Indicada                            450.000.000                         CaCo3: 65%

          Inferida                            80.000.000

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996.
                                                                                         184




                                      Camil - Cáceres Mineração Ltda
                                            Calcário Dolomítico
                                                Cáceres/MT
                                    Proc. 866.233/86 (MIR 403 ponto 03)

                        RESERVA (t)                                        TEOR (%)

          Medida                                 -                         CaO: 30%

          Indicada                               -                         MgO: 20%

          Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1995.

                                      Cimento Portland de Mato Grosso
                                                Nobres/MT
                                             Proc. 801.823/78

                        RESERVA (t)                                        TEOR (%)

          Medida                            21.664.117                    CaCo3: 65%

          Indicada                           1.592.036                     MgO< 6%

          Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1995

                                     Cimento Portland de Mato Grosso
                                                Nobres/MT
                                   Proc. 801.824/78 (MIR 372 ponto 251)

                        RESERVA (t)                                        TEOR (%)

          Medida                            30.330.338                    CaCo3: > 90%

          Indicada                          1.292.036,00                   MgO: < 6%

          Inferida                               -

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1995

                                      Cimento Portland de Mato Grosso
                                                Nobres/MT
                                             Proc. 818.196/72

                        RESERVA (t)                                        TEOR (%)

          Medida                            24.239.064                     CaO: 45%

          Indicada                          17.483.400                      MgO: 3%

          Inferida

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1995
                                                                                                                  185




                                    Cooperativa Agrícola Mista de Canarana
                                                Água Boa/MT
                                     Proc. 806.168/78 (MIR 375 ponto 05)

                           RESERVA (t)                                                TEOR (%)

            Medida                             385.774.666                        CaO ≥ 23%

           Indicada                            270.326.690                        MgO ≤ 15%

            Inferida                           180.228.683

FONTE:     Relatório Anual de Lavra - 1993


                                             RESERVA/TOTAL (t)

                       MEDIDA                                        1.063.030.189,34

                   INDICADA                                          1.660.428.536,50

                   INFERIDA                                           588.731.600,00

FONTE:     DNPM 1993/1995 (Modificado)



5.1.3.1.   Produção de Calcário no Estado de Mato Grosso

         A produção de calcário no Estado de Mato Grosso encontra-se em plena ascensão
conforme pode ser observado pelo Quadro 008 a seguir.


QUADRO 008             PRODUÇÃO DE CALCÁRIO NO ESTADO DE MATO GROSSO

    ANO            PRODUÇÃO             PRODUÇÃO             ANO         PRODUÇÃO                  PRODUÇÃO
                   BRUTA (t)          BENEFICIADA (t)                    BRUTA (t)               BENEFICIADA (t)
    1980                98.000                38.400         1988            1.952.699              1.673.825
    1981                328.000               68.800         1989                 -                     -
    1982                197.000               144.919        1990             869.601                584.910
    1983                273.376               383.707        1991            1.093.843 *            753.090 **
    1984                972.550               906.683        1992            2.273.489 *           2.273.489 **
    1985               1.278.500             1.272.523       1993            1.996.994 *                -
    1986               2.402.937             2.121.482       1994                 -                     -
    1987               1.614.261             1.371.853       1995            2.409.576              2.082.532
FONTE:     DNPM-AMB/1996;
           DNPM – SEM /1996 * Minério Lavrado; ** Produto Vendido

         Com uma produção ascendente de 1980 a 1988, observa-se uma queda em 1990,
possivelmente decorrente do Plano Collor I, quando o crescimento ficou bloqueado pela
retenção dos cruzados. Dados de produção e reserva são apresentados na Quadro 009.
                                                                          186




1/2

QUADRO 009    RESERVAS E PRODUÇÃO DE CALCÁRIO PARA O ESTADO DE MATO GROSSO NO
        PERÍODO DE 1971 A 1996
                                                                          187




2/2

QUADRO 009    RESERVAS E PRODUÇÃO DE CALCÁRIO PARA O ESTADO DE MATO GROSSO NO
        PERÍODO DE 1971 A 1996
                                                                                               188




5.1.4.    Província Estanífera de Rondônia, Distrito dos Rios Madeirinha -Roosevelt

         Localiza-se no extremo Noroeste do Estado de Mato Grosso abrangendo o município
de Aripuanã, no contexto da Amazônia Ocidental.

         Esta região, em termos geológicos, é uma das menos conhecidas do Estado. A
mineração industrial esteve representada nos últimos anos tão somente pela Mineração
Taboca S/A - Grupo Paranapanema, que explorava a Mina de Estanho de São Francisco, na
bacia do Rio Madeirinha.

          Em termos geológicos a região encontra-se representada pelo Complexo Xingu,
constituído por granitos porfiríticos, granodioritos, gnaisses, migmatitos e anfibolitos associados
ao denominado Complexo Xingu, que invariavelmente apresentam feições de cataclase e
retrometamorfismo. O evento magmático Uatumã está representado por importante vulcanismo
ácido e por granitos crustais que afetaram principalmente a porção sul da área.

          Importante sedimentação continental, posicionada no topo do Proterozóico Superior,
denominada de Formação Prainha, está presente nas porções central e norte da área.
Pláceres intraformacionais da base dessa formação encontram-se mineralizados a cassiterita.

         Aluviões imaturos, formados por cascalhos, areias, siltes e argilas depositados em
paleovales e nas calhas dos principais rios da região, constituintes das bacias do Rio
Madeirinha e o Rio Roosevelt, representam a cobertura superimposta final.

          As mineralizações primárias de estanho neste distrito, baseado nos estudos
geológicos sobre a Mina de São Francisco (MIR 271, ponto 03), de VEIGA, (1988), encontram-
se relacionadas aos Granitos Rondonianos

          Em São Francisco, a intrusão se deu em duas fases. A mais antiga representada por
granitos grosseiros de tendência rapakivi e a segunda constituindo o núcleo do maciço, e
formada por granito a biotita fino, (PELACHIN et al., 1986).

          O minério está associado a zonas caulinizadas e graisenizadas da segunda fase, e
aos veios de graisen no contato entre elas. Esses depósitos, em função de fatores como teor,
reserva, custos de extração e tratamento, tem-se mostrados antieconômicos.

        As mineralizações secundárias estão relacionadas a três tipos de depósitos, a saber;
conglomerado basal da Formação Prainha, paleovales e depósitos aluvionares recentes.

         Os depósitos aluvionares recentes, os únicos economicamente explotáveis, ocorrem
nas aluviões atuais ou subatuais, que drenam os granitos Rondonianos ou retrabalham
sedimentos mineralizados pré existentes. Essas aluviões são, em geral, de pequena possança,
ocorrendo nas drenagens acima de 3ª ordem, com flats entre 60 e 300 metros, (VEIGA, 1988).

          Na mina de São Francisco, os depósitos de maior porte eram lavrados por meio de
plantas flutuantes alimentados por retro-escavadeiras e, por vezes, grandes dragas. Nos
depósitos maiores a lavra era feita através de desmonte hidráulico e o beneficiamento por
concentração gravimétrica, através de planta semi-móvel, que incluíam peneira rotativa e
jigues.

           As mineralizações primárias de ouro estão provavelmente relacionadas a
concentração desse metal, a partir de rochas arqueanas, remobilizadas em decorrência das
várias fases de intrusões graníticas na área. Todavia, as mineralizações cadastradas estão
vinculadas a depósitos aluvionares, sendo comum a associação cassiterita-ouro-quartzo-
ilmenita, (SOUSA, 1985), MIR 296, pontos 23, 33.
                                                                                                     189




         Ainda segundo SOUSA, (1985), os indícios de pirita estão relacionados aos corpos
básicos anfibolítitos. (MIR 296, ponto 01).

            Os dados disponíveis de reserva são:

                                              MINERAÇÃO TABOCA S/A
                                                    Aripuanã - MT
                                                Mina de São Francisco
                                                 Minério Secundário
                                              3
                              RESERVA (m )                                            TEOR

                                                                                                 3
             Medida                               14.234.035                        0,498 kg/m

                                                                                                 3
             Indicada                              1.816.000                        0,283 kg/m

                                                                                                 3
               Total                              16.050.035                        0,473 kg/m

FONTE:      Principais Depósitos Minerais do Brasil - Volume III. (1988).



5.1.4.1.    Produção Estanífera do Estado de Mato Grosso

         A produção de estanho no Estado de Mato Grosso diz respeito à mina de São
Francisco, localizada no município de Aripuanã, a qual apresentou ápice de produção nos anos
de 79 a 82 (Quadro 010), quando este metal ainda tinha boa cotação no mercado. Os dados de
reserva e produção encontram-se na Quadro 011. Atualmente a substituição de boa parte
deste metal pelo alumínio, a baixa cotação do metal no mercado, a existência de stock piles,
minas em produção até mesmo a mina gigante de Pitinga-AM faz com que decaia o interesse
por esse metal.


QUADRO 010             PRODUÇÃO BENEFICIADA DE ESTANHO (CASSITERITA) NO MUNICíPIO DE ARIPUANÃ

     ANO               PRODUÇÃO BENEFICIADA EM KG                 ANO       PRODUÇÃO BENEFICIADA EM KG

     1974                             -                           1985                870.150
     1975                          156.000                        1986                725.300
     1976                          258.000                        1987                471.050
     1977                          647.000                        1988                421.600
     1978                         1.106.000                       1989                365.750
     1979                         1.366.000                       1990                 4.478
     1980                         1.131.300                       1991                   -
     1981                         1.913.500                       1992                   -
     1982                         1.931.300                       1993                   -
     1983                          626.200                        1994                   -
     1984                          541.900                        1995                   -
FONTE:      DNPM-AMB.(1996)
                   190




ENTRA

QUADRO 011 – 1/2
                    191




QUADRO 011 – 2/2/
                                                                                          192




5.1.5.     Província de Fontes Termais

          As fontes termais do Estado de Mato Grosso estendem-se ao longo de uma ampla
faixa que se apresenta com comprimento maior segundo a direção leste-oeste, por centenas
de quilômetros, e uma largura da ordem de dezenas a centenas de quilômetros. São
reconhecidas deste a porção oeste da Bacia do Paraná, na latitude do município de Santo
Antônio do Leverger (região de Palmeiras - Granito São Vicente), até a região de Barra do
Garças, na porção ocidental da bacia. Até o momento, em direção à baixada cuiabana e
pantanais do Paraguai e Guaporé não se tem registros de águas termais, sendo, porém,
plenamente previsível sua existência.

          Os estudos geológicos efetuados mostraram que após o desenvolvimento da
Superfície Paleogênica Peneplanizada com Latossolização houve um período de ativação
tectônica que afetou significativamente a Bacia do Paraná, exemplos flagrantes desta
reativação são observadas na região de Barra do Garças. Ao sul de Primavera do Leste tem-se
registro de crostas lateríticas, da base da superfície paleogênica, falhadas e com estrias.

          A identificação desta ampla faixa reativada, onde são encontradas águas termais
com surgência natural ou não, não permite outras divagações a não ser uma associação direta
a este evento neotectônico, que teria origem endógena. As águas pluviais e de formação
adentrariam em zonas de descontinuidade reativadas, se aqueceriam e retornariam à
superfície onde surgem com temperaturas superiores a 40 graus centígrados.

         Conforme será visto no decorrer das descrição dos pontos com águas termais, é
plenamente prognosticável que esteja ocorrendo uma mistura de águas termais com águas de
formação, que acabam por diminuir a temperatura com que as mesmas chegam à superfície.
Abaixo serão descritas as fontes termais cadastradas.


5.1.5.1.   Fontes Relacionadas ao Grupo Cuiabá

           A região de abrangência é geologicamente constituída por terrenos metamórficos e
granítico intrusivo, sobre os quais tem-se a ocorrência de fontes termais. A fontes conhecidas
são:

           -   Fonte da Baía de Porto de Fora

         A geologia local, nas imediações da fonte da Baía do Porto de Fora, (MIR 404, ponto
71) encontra-se representada por quartzitos do Grupo Cuiabá e sedimentos quaternários
recentes e subatuais da Formação Pantanal.

          Petrograficamente, os quartzitos compreendem rochas bastante compactas e
resistentes, bem recristalizados, usualmente com brilho vítreo e, estruturalmente, alinhados
segundo direção das estruturas tectônicas locais e regionais (NE-SW ).

          As estruturas rígidas apresentam direcionamento variado, sendo representado com
maior freqüência por juntas e secundariamente por falhas, sendo que as juntas de direção N60-
65ºW/verticais, são provavelmente as responsáveis pelo controle termal da fonte.

          Com relação à classificação, segundo o Código de Águas Minerais, a fonte em
função da temperatura de surgência (42,10ºC), é classificada como água mineral hipertermal
na fonte.

           O seu aproveitamento para fins de estância hidrotermal ou qualquer outro uso
                                                                                           193




industrial, tem se mostrado inviável, em função da pequena vazão, de cerca de 560 litros/hora.

           -   Fonte do Monjolinho

         A Fonte do Monjolinho, Fazenda Bom Jardim, posiciona-se a uma altura de 10m do
nível de base topográfico, ao longo de uma zona de falhamento em rochas quartzíticas,
pertencentes ao Grupo Cuiabá, em zona de contato com o corpo granítico de São Vicente.

           A composição química desta água apresenta bicarbonato de cálcio, bicarbonato de
potássio, bicarbonato de magnésio e bicarbonato de sódio. A caracterização físico-química
indicou valores de pH da ordem de 6,5, condutividade elétrica a 25º C de 2,20x10,5 metros/cm,
resíduos de evaporação a 180ºC de 21,00 mg/l e temperatura na fonte de 37ºC, sendo assim
classificada como “Água Mineral Isotermal na Fonte”.

         Os direitos minerários desta fonte pertencem à Mineração Aricá-Serrana, que os
arrendou para a empresa Águas Minerais Lebrinha Ltda., que implantou no local uma unidade
de engarrafamento da Água Mineral Buriti.


5.1.5.2.   Fontes Relacionadas com o Granito São Vicente

          No contexto geológico regional, essa área localiza-se na borda noroeste da Bacia do
Paraná, tendo os filitos do Grupo Cuiabá, como embasamento local. Intrudindo os metamorfitos
aparece o Granítico São Vicente, constituindo um batólito alongado na direção N-S.

          A área é cortada por inúmeras falhas e/ou fraturas, com presença de brechas e
milonitos, geralmente silicificados. A direção média dessas estruturas de falha é N40ºE, sendo
as principais direções de fraturamento N20-40ºE e N70-80ºW/vertical.

         As Fontes Termais de Palmeiras (MIR 388, ponto 63) constituem-se em onze
surgências, ocorrentes nos leitos e nas margens do córrego Águas Quentes, situados, com
exceção de uma, sobre diques de delenitos.

         A hipótese mais provável para a origem dessas fontes e do termalismo das águas, é
a de que a infiltração de águas superficiais, ao longo das juntas existentes no granito, a
grandes profundidades, possibilita o aquecimento das águas, que ascendem a superfície,
através das zonas de fraturamento.

         Essas surgências do vale do Córrego Águas Quentes, parecem posicionar-se sobre
uma zona de intersecção de fraturamentos sub-verticais, paralelos ao talvegue do córrego e
dique de delenito, constituindo-se esses elementos num conduto para a circulação das águas
ascendentes.

         A vazão total dessas surgências é da ordem de 1.440.115 litros/dia e a temperatura
das águas de cerca de 41º C, sendo sua classificação definida pela legislação vigente como
“Água Mineral Hipertermal na Fonte”.

          Os direitos minerários dessa área pertencem à METAMAT - Companhia
Matogrossense de Mineração, que os arrendou ao Grupo Hoteleiro HOMAT-TREZE, que os
explora como estância hidromineral (Foto 061).

5.1.5.3.   Fontes Relacionadas à Formação Furnas

          São em número de três, uma no município de Juscimeira, nas imediações da
Fazenda Água Quente, (MIR 405, ponto 12), em exploração como balneário ou uso particular
dos diversos proprietários locais, uma no município de General Carneiro (MIR 290, ponto 07),
                                                                                       194




em fase de estudo de viabilidade para implantação de estância hidromineral, e uma outra no
município de Barra do Garças (MIR 397, ponto 06), em estudos pela prefeitura local, para
implantação de um centro de lazer comunitário.

          Reúnem as mais importantes áreas de surgências hidrominerais termalizadas do
Estado. Regionalmente, localizam-se na borda noroeste da Bacia do Paraná, sobre os arenitos
devonianos da Formação Furnas. A área de ocorrência distribui-se descontinuamente sobre
duas faixas: uma no Sul do Estado de Mato Grosso, englobando os municípios de Juscimeira,
Dom Aquino, Rondonópolis, Poxoréu e São José do Povo, e a outra no Sudeste do Estado,
abrangendo os municípios de Barra do Garças, General Carneiro e Torixoréu.

         De modo geral a Formação Furnas se faz representar por um pacote de sedimentos
essencialmente arenosos, de cores esbranquiçadas e avermelhadas, com níveis de
conglomerados e siltitos argilosos. As estratificações principais são plano-paralelas,
destacando-se camadas com estratificações cruzadas.

          Estruturalmente, as atitudes das unidades estratigráficas apresentam-se sub-
horizontalizadas, com mergulho de (5º a 10º) para leste, (LUZ et al., 1981). Entretanto, na
região em apreço, as camadas que compõem as Formações Furnas, Ponta Grossa e
Aquidauana, estão intensamente cortadas por fraturas, falhamentos normais e estruturas tipo
Graben-Horst, de idade pós-Botucatu e pré-Serra Geral, com reativações pós-paleogeno.

          A essas estruturas parecem estar relacionadas o aparecimento das surgências e a
elas tem sido atribuído o termalismo dessas águas.

         As principais descontinuidades e fontes associadas são:

         -   Falha de Águas Quentes, Fontes de Águas Quentes e poços tubulares termais
             de Juscimeira

         Falha de gravidade, de direção N70-80ºE, com mais de 90 Km de extensão, é
evidente desde as nascentes do Córrego Mutum, na borda da Serra de São Jerônimo até as
imediações da localidade de Santa Elvira. Esta falha rebaixou a Formação Ponta Grossa e
elevou a Formação Furnas. A este sistema estão relacionadas as fontes de Águas Quentes e
os poços tubulares com águas termais da região de Juscimeira.

         -   Falha de Jaciara - Serra Grande, poços tubulares termais de Dom Aquino

         Falha de gravidade de direção NE-SW com aproximadamente 90 Km de extensão,
desde o Rio São Lourenço, entre os municípios de Jaciara e Dom Aquino, em terrenos da
Formação Ponta Grossa, prolongando-se até a serra que lhe empresta parte do nome, onde é
coberta por solos argilo-arenosos da cobertura pedogênica.

         À esta falha associa-se as águas termais da região de Dom Aquino, captadas através
dos poços tubulares.

         -   Graben do Vale Rico, poços tubulares com águas termais da região de São José
             do Povo e Gleba Cascata.

         É o mais extenso graben desta porção da Bacia do Paraná. Começa a se definir na
região de Paraíso do Leste, prolongando-se para sul por cerca de 55 Km, com uma largura
média de 3 Km. Ao sul da localidade de Vale Rico, o graben flexiona-se na direção NE-SW,
(GONÇALVES & SCHENEIDER, 1970).

          À esse graben possivelmente estão relacionados as águas termais dos poços
tubulares da região de São José do Povo e Gleba Cascata em Rondonópolis.
                                                                                         195




         -   Graben de Jarudore, poços tubulares com águas termais de Jarudore (Poxoréu),
             Naboreiro e Três Pontes (Rondonópolis).

          Situa-se a cerca de 50 km a nordeste da cidade de Rondonópolis, estando a
localidade de Jarudore situado sobre o mesmo. Estende-se no sentido N-S por cerca de 25 km,
com largura média de 5 Km, estando recortado por falhamentos menores perpendiculares a
estrutura maior, (GONÇALVES & SCHENEIDER, 1970).

          Devem estar relacionados ao Graben de Jarudore o termalismo das águas dos poços
tubulares, de Jarudore (Poxoréu), Naboreiro e Três Pontes (Rondonópolis).

         -   Região Falhada de General Carneiro e Barra do Garças, águas termais de
             General Carneiro e Barra do Garças

         Área com grande incidência de falhamentos de gravidade. A maioria dos contatos
entre as formações estão cortados por esses falhamentos que, não raro, colocam os
sedimentos da Formação Aquidauana em nível bem inferior aos da Formação Furnas. Alguns
grabens também são encontrados nesta região, sendo constatada a presença de fontes
termais ao longo dos falhamentos. Neste contexto geoestrutural, localizam-se as surgências de
águas termais de General Carneiro e Barra do Garças.

         Dados levantados junto à SANEMAT a partir de poços tubulares, perfurados para
abastecimento urbano e das comunidades rurais dos municípios de Juscimeira, Dom Aquino,
São José do Povo, Rondonópolis e Poxoréu, demonstram o potencial do aqüífero Furnas, que
dispõe de água potável, com indício de mineralização e termalismo latente (Quadro 012)
                                                                                                                        196




 QUADRO 012         RELAÇÃO DOS PONTOS DE SURGÊNCIA DE ÁGUAS TERMOMINERAIS RELACIONADOS À FORMAÇÃO FURNAS

                    LOCAL                 VAZÃO     TEMPERATURA     ALTITUDE   PROFUNDIDADE DO PONTO     TIPO DE
                                             3               o
                                           (m /h)   DA ÁGUA ( C)       (m)        DE CAPTAÇÃO (m)       SURGÊNCIA

 Barra do Garças                             -            39          342             Superfície            Natural

 Dom Aquino                                 70            42          460                368           Poço Artesiano

 General Carneiro                         547.766       34-44         350             Superfície            Natural

 Juscimeira                                 52            42           -                 281           Poço Artesiano

 Poxoréu                                                              450                 -                 Natural

 São José do Povo                           60            39          300                290           Poço Artesiano

 Santa Elvira (Juscimeira)                  20            42           -                 207           Poço Artesiano

 Jarudore (Poxoréu)                         70            52           -                 504           Poço Artesiano

 Três Pontes (Rondonópolis)                 44            37           -                 229           Poço Artesiano

 Gleba Cascata (Rondonópolis)               51            45           -                 424           Poço Artesiano

 Naboreiro    (Rondonópolis)                65            44           -                 387           Poço Artesiano

 Águas Quentes (Juscimeira)                 161         42-43          -                  -                 Natural

FONTE:     SANEMAT (modificado) / 1997
                                                                                         197




           Essas informações aliadas ao contexto geológico-estrutural da região levam a supor
que trabalhos minuciosos de pesquisa, que contemplem levantamentos estruturais e
hidrogeológicos detalhados do aqüífero Furnas na região em apreço, possam permitir a
individualização de um grande distrito termal para essa porção do Estado.

           Através de um modelo genérico, pode-se imaginar que o ciclo dessas surgências e
do termalismo de suas águas inicia-se com a infiltração das águas superficiais, através da
porosidade e de descontinuidades existentes nas rochas, a profundidade cada vez maiores, o
que propicia o aumento da temperatura e pressão. A diferença de pressão entre o ponto de
infiltração e a profundidade em que as águas se encontram, cria condições de fluxo
ascendente. Isto é favorecido quando em seu curso existem falhas, que permitem a ascensão
contínua até a superfície, originando as fontes termais.

          Outro fator relevante a se considerar é que os falhamentos normais, colocam
camadas impermeáveis de argilitos e folhelhos da Formação Ponta Grossa no mesmo nível de
arenitos Furnas, proporcionando que as águas que circulam nesta formação, tendo o seu curso
interrompido, ascendam à superfície através do plano de falha.

          No local onde surgem as fontes termais da região do Córrego Águas Quentes, (MIR
405, ponto 12), município de Juscimeira, a estrutura de falhamento que condiciona o Córrego
Águas Quentes, ao longo do qual ocorrem as fontes termais, rebaixou a Formação Ponta
Grossa e elevou a Formação Furnas, formando escarpas de falha com rejeito avaliado em
torno de 100 metros.

         Na área de ocorrência das fontes termais de Barreiro Grande, (MIR 390, ponto 07),
município de General Carneiro, foram mapeadas duas grandes falhas, uma delas, falha normal,
corta a área na posição leste-oeste, e estabelece o contato da Formação Furnas com a
Formação Ponta Grossa; a outra de direção nordeste-sudoeste.

           De acordo com OLIVEIRA, (1976), as águas que surgem nas fontes provém da
infiltração de águas superficiais e retornam aquecidas através do plano de falha e dos planos
de estratificação do arenito Furnas, que localmente apresentam direção aproximada de N07ºE.

         Da mesma forma que as fontes de Juscimeira, o grau geotérmico parece ser a
explicação mais adequada para o aquecimento das águas.

         As diferentes temperaturas observadas para fontes muito próximas (34ºC - 44ºC),
mostra que parece estar havendo em alguns pontos contaminação de águas de superfície.

          Baseado nesses valores de temperatura, a classificação das fontes de acordo com a
legislação vigente podem ser enquadradas em:

         -   fontes mesotermais, as que possuem temperatura compreendida entre 33ºC e
             36ºC;

         -   fontes isotermais, as que possuem temperatura compreendida entre 36ºC a
             38ºC;

         -   fontes hipertermais, as que possuem temperatura superior a 38ºC.

          Com relação à área de ocorrência da fonte termal de Barra do Garças, não existem
estudos detalhados sobre o controle das surgências. Todavia, baseado nos dados regionais
disponíveis, é possível perceber que o contexto geoestrutural da área é similar ao de
Juscimeira e General Carneiro.

         Sua classificação, em função da temperatura (380C-410C), e da legislação vigente
                                                                                          198




pode ser enquadrada como “Água Mineral Hipertermal na Fonte”.

          Finalizando este item, pode-se lembrar que não foi identificado termalismo associado
ao Grupo Rio Ivaí, base da Formação Furnas, isto provavelmente mais em decorrência do
desconhecimento desta unidade no Estado, a qual vem se ampliando paulatinamente, do que à
inexistência de termalismo em seus aqüíferos.


5.1.5.4.   Fonte Relacionada à Formação Marília

           Restringe-se a uma ocorrência, localizada no município de Poxoréu, nas imediações
da Fazenda Aparecida, nos limites da Reserva Garimpeira de Poxoréu (Foto 062). Esta fonte
não possui, até o momento, uma contextualização geológica, nem tão pouco uma origem bem
definida. Estudos específicos de campo devem ser realizados no sentido de se verificar uma
possível relação entre a existência dessa surgência e a estruturação da falha de Poxoréu e a
estrutura falhada do Coité.

         PINHO, (1987), em relatório de viagem, descreveu o local da surgência como um
pequeno poço, de aproximadamente 3 metros de diâmetro, com aspecto borbulhante, parecido
com “areia movediça”. A temperatura da água na fonte é de 33º C.


5.2.       JAZIMENTOS MINERAIS DE INTERESSE ECONÔMICO

          Neste item serão abordados alguns jazimentos minerais que apresentam ocorrência
localizada, em áreas específicas no Estado. Alguns destes jazimentos já são economicamente
explotados, outros, a depender de investimentos e estudos complementares, poderão se tornar
economicamente explotáveis ou indicarem a possibilidade destes bens serem descobertos em
concentrações econômicas.


5.2.1.     Zinco, Chumbo e Cobre Associados a Tufos Ácidos

          A descoberta mais recente e de porte que abre perspectivas exploratórias para a
Amazônia, de forma geral, refere-se ao depósito de sulfeto maciço do Morro do Expedito, ao
norte da cidade de Aripuanã; em área anteriormente garimpada para ouro (Fotos 063 e 064).
Trata-se de um depósito com 10 milhões de toneladas de minério com 17% de Zn, 1-3% de Pb,
80 a 132 g de Ag por tonelada de minério e pequenas quantidades de ouro e cobre. Está
associado a tufos ácidos atribuídos ao Grupo Iriri no contexto de zonas de cisalhamento. O
estudo de viabilidade econômica do depósito está sendo efetuado pela CSD-GEOKLOCK,
(Revista Brasil Mineral, 1996).

          O Morro do Expedito é constituído, predominantemente, por metatufos (Foto 065)
com intercalações de metacherts, apresentando disseminações de sulfetos de Zn, Pb e Cu.
Segundo o Geól. Luiz Mauro Silva da empresa Mineração Rio Taboco S/A, foi interceptado em
furo de sondagem, executado em vulcânicas desta serra, uma camada de metachert com 10 m
de espessura, com sulfetos de Cu, Pb, Zn e Au disseminados, onde 2 m constituem-se,
praticamente, de sulfeto maciço, sendo que o ouro ocorre em teores baixos. Apesar de serem
poucas as informações disponíveis deste depósito, sua descoberta abre novas fronteiras
exploratórias.


5.2.2.     Cobre e Níquel Associados a Serpentinitos

       A área em referência situa-se sobre a porção sudoeste do cráton do Guaporé, cujo
embasamento é constituído pelo Complexo Gnáissico, metamorfisado na fácies anfibolito.
                                                                                              199




Regionalmente é descrito uma sequência vulcano-sedimentar dobrada, litologicamente
representada por quartzitos, metarenitos e filitos. Estão presentes também, nesta porção do
cráton, rochas vulcânicas, granitos rondonienses, dioritos, gabros e peridotitos serpentinizados.

         Representando a cobertura superimposta final ocorrem depósitos pouco
consolidados, presentes na planície do Rio Guaporé, crostas lateríticas e detrito-lateríticas e as
formações elúvio-coluvionares observadas junto às drenagens principais.

          O Projeto Alto Guaporé, desenvolvido pela CPRM, 1973, foi quem primeiro fez
referência às rochas serpentinizadas do Morro Sem-Boné (MIR 353 ponto 01) e a aventar as
suas possibilidades metalogenéticas, a partir de análises de amostras de solo, com resultados
anômalos para Cromo (5.000 ppm), Níquel (3.300 ppm), Cobre (2.000 ppm), Platina (0,2 ppm)
e Paládio (0,7 ppm).

          GOUVEA & GOUVEA, G. B., (1980), relataram que o Morro Sem-Boné possui uma
altitude de 260 metros acima do nível geral da área, apresentando eixo principal de cerca de
5,5 Km na direção NE - SW e largura média de aproximadamente 1,0 Km.

          No trabalho denominado “Prospecção Geoquímica do Corpo Serpentinítico do Morro
Sem-Boné”, GOUVEA & GOUVEA, (op. cit.), distinguiram quatro unidades geológicas: rochas
graníticas do embasamento, representados pelo solo residual dela derivado; rochas
serpentiníticas; sedimentos inconsolidados da planície aluvial do Guaporé e tributários e
depósitos de talus, no sopé da elevação. A rocha serpentinítica é descrita com coloração
amarelo-clara recoberta por uma capa de alteração laterítica.

          A existência de solos lateríticos pode adquirir importância econômica uma vez que o
processo de laterização pode promover o enriquecimento dos elementos menores como Cu,
Co, Ni, Cr.

        Os resultados geoquímicos alcançados, com valores máximos de cobre com 1.480
ppm, Cobalto 1.620 ppm, Níquel 19.000 ppm, permitiram aos autores concluir que o Morro
Sem-Boné apresentam características favoráveis à existência de jazimentos desses metais

          Trabalhos recentes efetuados por ANGELI et al., (1997), relataram a potencialidade
para depósitos de níquel laterítico em rochas máficas e ultramáficas, nos moldes das
ocorrentes no Morro do Leme e Morro Sem Boné. No Morro do Leme as reservas de níquel
residual (minério tipo garnierítico) atingem mais de uma dezena de milhões de toneladas de
minério, com teor médio de 1,4% de Ni.

           Através de sondagem no Morro do Leme, a profundidade de 115 e 150 m, em
unidade metaperidotítica, foram atravessados, respectivamente, delgados níveis de cromitito e
um horizonte enriquecido em sulfetos. Os níveis de cromititos apresentam 45 a 55% de
cromita, 40 a 50% de serpentina, 2 a 3% de magnetita e 1 a 2% de sulfetos (pirrotita e
calcopirita). As cromitas correspondem a ferro-cromitas, fato que deve se relacionar ao
metamorfismo que afetou o maciço (ANGELI et al., op. cit.).

           Os níveis com sulfetos são constituídos por serpentina (40%), magnetita (30%) e
sulfetos (30%). Os sulfetos correspondem a calcopirita (70%), pirrotita (25%) e pirita (5%).

           O Morro Sem Boné apresenta vários trabalhos de cunho prospectivo para Ni, Co, Cu
e Cr. Para platinóides foram obtidos valores anômalos para amostras de solo: Pt (0,07 – 0,20
ppm) e Pd (0,07 – 0,7 ppm). De acordo com informação verbal, (ANGELI, 1997), a reserva de
níquel laterítico do Morro Sem Boné é de uma dezena de milhões de toneladas com teor médio
de 1,4% de Ni.
                                                                                       200




         Desta forma estes corpos máficos-ultramáficos apresentam uma série de atributos
que os credenciam como prospectos para Ni, Cu PGE (elementos do grupo da platina) e até
mesmo Au.


5.2.3.     Águas Potáveis de Mesa ou Minerais

          As informações mais remotas sobre as águas minerais de Mato Grosso remontam o
ano de 1852, época em que o cientista francês Dr. Amadeé Moure, nos “Anais Brazilienses de
Medicina” relatou a existência das fontes termais do Frade, na Baía do Ponto de Fora,
localizada no atual município de Barão de Melgaço.

          Outra contribuição histórica importante está no livro “O Selvagem”, de Couto de
Magalhães, onde encontra-se curiosa e interessante descrição sobre as fontes termais de
Barreiro-Grande, atualmente município de General Carneiro.

          As referências supra citadas, estão no relatório que o Dr. Orozimbo Corrêa Neto,
estudioso das águas de Poços de Caldas, desenvolveu para a Comissão de Linhas
Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso e Amazonas, por solicitação do então Coronel
Cândido da Silva Rondon, entre 1919-1920, sob o título “Águas Thermais de Mato Grosso”.

         O trabalho do Dr. Orozimbo constituiu-se em documentário histórico sobre as fontes
de Palmeiras (Santo Antônio do Leverger), Baía do Porto de Fora (Barão de Melgaço) e Poúro
(Juscimeira). Este documento possui um conteúdo técnico importante, pois apresenta os
primeiros dados a respeito de localização, vazão, temperatura, testes físico-químicos,
acompanhado de vasto documentário fotográfico e ilustrações.

           Nas últimas décadas, muito pouco se fez em busca de ampliar o conhecimento
científico e viabilizar o aproveitamento racional dos recursos hidrominerais, de modo que
algumas dessas surgências encontram-se inexploradas ou mesmo sub-aproveitadas.

           O maior acervo de informações sobre o assunto pertence à METAMAT - Companhia
Matogrossense de Mineração, que, desde 1973, vêm pesquisando algumas dessas áreas com
o intuito de torná-las economicamente explotáveis. O pioneirismo desta empresa, rendeu-lhe
os direitos minerais das fontes de Palmeiras e de Juscimeira.

          Baseado no “Código das Águas Minerais”, que estabelece como critérios básicos e
individuais, de enquadramento e classificação das águas a composição química, a presença de
gases especiais na surgência ou a temperatura da água na fonte, todas as águas minerais do
Estado de Mato Grosso, conhecidas e estudadas até o presente momento, são classificadas
como águas termominerais na fonte, com temperatura de surgência a partir de 26ºC.

           A origem dessas fontes e do termalismo das águas, estão relacionadas,
provavelmente, às descontinuidades estruturais que permitem a circulação das águas a
grandes profundidades, possibilitando seu aquecimento e funcionando como condutores no
transporte ascendente da mesma. O seu abastecimento deve provir de águas meteóricas por
infiltração através dessas estruturas.

          As fontes de água mineral do Estado de Mato Grosso, conhecidas e estudadas, estão
relacionadas às seguintes unidades geológicas:


5.2.3.1.   Fontes Relacionadas ao Grupo Cuiabá

         São em número de duas, uma jazida localizada no município de Cuiabá, nas
imediações da Fazenda Bom Jardim, Estância São José, sendo explorada para
                                                                                          201




engarrafamento, pelo Grupo Lebrinha, com a denominação de Água Mineral Buriti, (MIR 389,
ponto 24), e uma ocorrência localizada no município de Barão de Melgaço, nas proximidades
da Baía do Porto de Fora (MIR 404, ponto 71).


5.2.3.2.   Fontes Relacionadas à Formação Ponta Grossa

         Regionalmente, a área de ocorrência de fontes de águas minerais relacionadas à
Formação Ponta Grossa, insere-se na unidade geomórfica denominada Planalto da Chapada,
porção noroeste da Bacia do Paraná.

           A Formação Ponta Grossa é constituída de clásticos finos de cor cinza a cinza
esverdeada, de origem marinha. Litologicamente está representado por folhelhos, siltitos e
arenitos finos.

          Para GOUVÊA, (1980), a existência de surgência natural de fontes de água
relacionada à Formação Ponta Grossa, deve-se a alternância litológica de arenitos, siltitos e
folhelhos silto-argilosos, e a infiltração de águas meteóricas nas camadas mais grosseiras,
principalmente nos locais aflorantes ou por percolação em fraturas que as cortam, migrando
por várias extensões, favorecidas pela suave inclinação das rochas.

         O empilhamento de camadas impermeáveis sobrepostas e sotopostas à camada
permeável, conferem-lhe um caráter de conduto fechado tabular. A pressão da água confinada
à camada permeável é decorrente da diferença manométrica entre o ponto de infiltração e a
profundidade do fluxo durante a percolação.

          Quando essas águas percolantes encontram a superfície do terreno, por processo
erosivo, ou uma fratura que permita aliviar essa pressão, ascendem à superfície, formando as
surgências. Estas águas encontram-se abaixo descritas conforme sua denominação regional.

           -   Fonte Santiago

           Na área de lavra da Fonte Santiago (MIR 389, ponto 25), as rochas são formadas por
sedimentos predominantemente pelíticos, com tendência geral de diminuição da participação
dos componentes psamíticos em direção ao topo. Litologicamente estão presentes arenito
siltoso fino, siltito, siltito-argiloso e argila siltosa.

           As camadas apresentam espessuras variando de poucos centímetros a cerca de um
metro, de coloração clara, geralmente amarelas e subordinadamente brancos e vermelho
bordô, sendo comum as intercalações e bandamentos vermelho-amarelo. São comumente bem
estratificadas em lâminas finas de menos de um centímetro, plano paralelas, sendo raras as
estratificações cruzadas, (GOUVEA, 1980).

          Descontinuidades estruturais estão praticamente ausentes, exceto os diaclasamentos
de alívio da pressão. A origem desta fonte é atribuída a existência de uma fratura que liberou
as águas percolantes das camadas impermeáveis sotopostas, para a superfície, numa
admirável surgência pela grande vazão apresentada, da ordem de 1.728.000 litros/dia.

         No caso da Fonte Santiago, apesar de suas qualidades, como sabor, leveza e
transparência, o parâmetro relativo à temperatura da água na surgência, da ordem de 26º C
permite seu enquadramento como “Água Mineral Natural Hipotermal na Fonte”.

         Esta fonte está atualmente sendo explorada pela empresa Jeen Distribuidora de
Bebidas Ltda. (MIR 389, ponto 25) com a denominação de Água Mineral Natural Crystalina.

           -   Água Mineral Natural Brunado
                                                                                            202




          Na área de surgência da Água Mineral Natural Brunado (MIR 389, ponto 27), a
Formação Ponta Grossa está representada por intercalações de folhelhos de coloração branca,
amarela e avermelhada. A laterização se faz presente na maior parte da área, com presença
freqüente de concreções ferruginosas.

          As Fontes do Bruno com vazão de 480 l/min., Fonte Leonardo 13.200 l/min. e São
Pedro 540 l/min., encontram-se inseridas na área de lavra. A classificação dessas águas, feitas
a partir do estudo in loco, efetuado pelo Laboratório de Análises Minerais da CPRM-LAMIN,
permitiu o seu enquadramento, em função da temperatura da água na surgência, em “Água
Mineral Hipotermal na Fonte”.

           -   Fonte Bica das Moças

         Relacionado ainda a essa unidade geológica e com gênese similar às fontes da Água
Mineral Brunado, existe nas proximidades da cidade de Chapada dos Guimarães, a Fonte Bica
das Moças, surgência de água potável de mesa, onde está instalada a unidade de
engarrafamento da Água Lebrinha.


5.2.4.     Materiais de Construção Civil e Rochas Ornamentais

        Neste item serão abordados os materiais de construção civil e as rochas
ornamentais.


5.2.4.1.   Materiais de Construção Civil (areia, cascalho, argila e brita)

          A demanda por matérias primas da antiga classe II (argila, areia, cascalho) tem
observado uma fase de crescimento em todo o Estado de Mato Grosso. A utilização desses
materiais está intrinsicamente ligada a implantação de obras civis e de habitação, que se dão,
praticamente, como reflexo das condições sócio-econômica-política vigentes.

           A explotação dos depósitos normalmente se situa num raio inferior à 30 km do centro
consumidor, em virtude do baixo valor agregado, altamente influenciado pelo custo de frete. O
consumo ocorre quase que de imediato, inexistindo estoques reguladores de oferta e procura.
A obtenção da matéria prima advém de inúmeros pequenos produtores que atuam em
planícies de inundação e em leitos ativos de rios, a maioria das vezes de forma oficiosa, nas
circunvizinhanças de centros urbanos.

          Com essas características, podemos resumir que o setor que explora essas matérias
primas se caracteriza pelo amplo consumo da sociedade, produção e consumo quase que de
imediato, valor que não absorve custos adicionais de frete, e, por outro lado, alto potencial de
degradação ambiental visto que a explotação destes bens minerais é realizada em áreas
ambientais sensíveis e, como agravante, próximo de centros urbanos.

         Existem cascalheiras, areeiras, cerâmicas e olarias operando em praticamente todos
os municípios, no entanto, inexistem acompanhamentos técnicos sequer a nível dos principais
centros produtores e consumidores, de caracterização do potencial econômico e de
degradação ambiental que esses depósitos representam.

          As unidades geológicas portadoras destes depósitos compreendem em primeira
instância as planícies atuais e subatuais (terraços) e os depósitos de areia de leito ativo.
Desses depósitos saem praticamente a maior parcela das matérias primas (areia e argila)
utilizadas na construção civil. Outro tipo de depósito de areia explorado (areia de goma)
encontra-se localizado em áreas pouco mais elevadas (terraços ou várzeas), sendo extraída
mecanicamente através de pás-carregadeiras. Quando sofrem o processo de lavagem para
                                                                                           203




desengoma, recebem o nome de “areia lavada”.

           Os depósitos de cascalho, por sua vez, ou são explorados diretamente dos leitos dos
rios, pelo processo de dragagem (cascalho de rio), ou pelo processo de extração mecanizada
nos patamares mais elevados (cascalho de cerrado). Em alguns casos, sofrem um processo de
separação granulométrica (peneiramento), visando sua classificação e comercialização.

         Num segundo plano de exploração, são aproveitados os depósitos detríticos
cenozóicos que foram laterizados e que são extensivamente utilizados como materiais de
empréstimo, principalmente as crostas ferruginosas para cascalhamento de estradas.

           Estes materiais ocorrem em abundância no Estado de Mato Grosso, de forma que
inexistem perspectivas decorrentes de sua escassez, mas sim de danos ambientais
decorrentes da sua lavra em áreas ambientalmente sensíveis. Naturalmente que, próximo a
centros urbanos, a medida que os depósitos mais próximos vão-se esgotando ou são
esterilizados pelo crescimento urbano, novas fontes são procuradas a distâncias crescentes.

          Naturalmente que discorrer sobre os depósitos arenosos e argilosos associados às
grandes bacias cenozóicas ou das planícies aluviais dos grandes rios que ocorrem no Estado
seria entediante e pouco proveitoso, visto que, diante das características deste setor, o
mercado produtor e consumidor estão próximos. Em adição, a descrição regional de tais
materiais foi efetuada em itens precedentes.

          Entre os poucos trabalhos que discorrem sobre estes insumos básicos, encontra-se o
de ÁVILA et al., (1978), elaborado através do Convênio SEBRAE/CEAG-MT/METAMAT na
região da Baixada Cuiabana, intitulado “Diagnóstico Setorial da Construção Civil em Cuiabá” e
pela METAMAT/CPRM, na mesma região, no denominado “Projeto Pesquisa para Argila”,
(1979).

          O primeiro trabalho, de caráter sócio-econômico, objetivou identificar os aspectos
conjunturais das empresas produtoras e do mercado da construção civil, contendo um tópico
sobre os aspectos geológicos da região abrangida, com considerações sobre a jazida de
calcário da Guia (fabricação de cal virgem) e sobre o Granito São Vicente (produção de brita e
paralelepípedo).

          O segundo, centra seus estudos sobre a pesquisa geológica dos depósitos de argila,
areia e cascalho em uma área de 29,38 Km2, ao longo do Rio Cuiabá, abrangendo parte dos
municípios de Cuiabá e Várzea Grande. Neste estudo foram pesquisados e individualizados 10
(dez) corpos de argila, enquadrados, estratigraficamente, na denominada unidade Qp2 da
Formação Pantanal, com espessura média inferida de 1 metro e reservas da ordem de
6.771.000 m3. Os corpos argilosos mais representativos foram localizados nas partes mais
externas da bacia de inundação do Rio Cuiabá. A argila pesquisada foi submetida a ensaios
cerâmicos que a caracterizou como aplicável apenas em cerâmica vermelha, no fabrico de
tijolos maciços, furados, telhas e ladrilhos cerâmicos.

           Os depósitos de areia corrida de rio e cascalho não foram quantificados, mas foram
individualizados em campo e enquadrados como pertencentes à unidade Qp3 (Depósito de
Barra de Pontal). Os depósitos de areia de goma (silto-argilosa) foram enquadrados na unidade
Qp1 (Depósitos de Planícies Alçadas) e os cascalhos de cerrado enquadrados como depósitos
eluviais (Residual do Grupo Cuiabá).

          Deve-se esclarecer, que os termos locais, utilizados para caracterização dos tipos de
depósito (corrida, de goma, cerrado), tem sua denominação ligada ao tipo de aplicação: assim,
a areia de goma (mais fina) é utilizada para reboco, enquanto a areia corrida (mais grosseira)
para massa.
                                                                                         204




          Sob o aspecto ambiental, a exploração desses bens minerais se caracteriza por seu
alto grau de degradação, em função do tipo de exploração adotada e da sua localização em
áreas de preservação permanente, rios, lagoas, baías etc., próximas aos núcleos urbanos
(Foto 066).

         Em conseqüência disto é cada vez maior a preocupação dos municípios com os
impactos oriundos da atividade, que se caracterizam pelo desmatamento, alteração da
paisagem, assoreamento de drenagens e erosão do solo. Secundariamente, outros fatores,
oriundos do abandono de áreas lavradas, têm ocasionado riscos relacionados à segurança das
populações vizinhas e também de ordem sanitária.


5.2.4.2.   Rochas Ornamentais

         Mato Grosso é um Estado que possui cerca de 30% do seu território constituído por
rochas do “embasamento cristalino” (granito, gnaisses, migmatitos, etc.). No entanto, o
percentual de ambientes favoráveis à ocorrência de rochas, adequadas à utilização como
rochas ornamentais, é provavelmente muito maior.

          Entre os terrenos favoráveis a este tipo de ocorrência podemos citar aqueles
associadas aos corpos intrusivos ácidos, intermediários e básicos, presentes em quase todas
as regiões do Estado, além das rochas metamórficas como xistos, mármores, quartzitos, etc.

          As principais unidades geológicas ocorrentes no Estado, com possibilidades de
originar jazidas de rochas ornamentais, são o “embasamento cristalino” Arqueano e
Proterozóico Inferior (Complexo Xingu e Complexo Goiano), as Suítes Intrusivas do
Proterozóico Médio (Suítes Intrusivas Rio Dourado, Tarumã, Teles Pires, Serra da Providência,
Rondônia, Grupo Serra do Rio Branco e Alcalinas Canamã) e Superior (Suíte Intrusiva Guapé).
No Paleozóico Inferior (Cambro-Ordoviciano) temos a Suíte Intrusiva São Vicente, as
Vulcânicas de Mimoso, e, no Mesozóico Superior, as Intrusivas Ponta do Morro e o Grupo
Iporá.

         Na presente discussão serão destacadas principalmente as ocorrências de rochas
ornamentais cadastradas pelo Projeto “Estudos das Rochas Graníticas do Estado de Mato
Grosso Para Fins Ornamentais”, (DNPM, 1994), um trabalho de levantamento preliminar,
desenvolvido em algumas das muitas ocorrências de rochas do embasamento cristalino no
Estado.

         Neste trabalho as ocorrências cadastradas foram englobadas em cinco regiões:
sudoeste, norte, leste, nordeste e central. Em cada uma delas foram identificadas várias
ocorrências e efetuados vários pontos de amostragem. Destas regiões a mais detalhada, em
termos geológicos, é a região sudoeste, cujo embasamento é o Complexo Xingu.

           Ressalta-se que as jazidas de rochas graníticas utilizadas para produção de brita,
não puderam ser incluídas no presente trabalho, tendo em vista a completa falta de
informações sobre estas áreas, visto que a grande maioria delas são utilizadas apenas para
atender obras viárias, durante a fase de construção, sendo posteriormente abandonadas pelos
seus titulares.


5.2.4.2.1. Ocorrências de Rochas Ornamentais do Sudoeste do Estado

          Foram identificados, amostrados e caracterizados nesta região, os seguintes corpos
“graníticos”:

           -   Tonalito Cabaçal (MIR 387, ponto 60)
                                                                                           205




          Aflora em uma faixa de aproximadamente 90 Km2, que se estende desde o Rio dos
Bugres até a Fazenda Santo Antônio do Cabaçal. É caracterizado como uma rocha de
granulometria média, cor cinza esverdeada, aspecto gnáissico, localmente exibindo sinais de
catáclase.

         -   Granito Alvorada (MIR 386, ponto 40)

         Aflora em uma faixa de 160 Km2, que se estende da cidade de Araputanga até a
Fazenda Salto do Jauru. É caracterizado como uma rocha de granulometria média a grosseira,
localmente porfirítica, de cor rósea a cinza claro, fracamente foliada nos bordos.

         -   Grupo Rio Branco (MIR 387, pontos 64, 66)

          Constitui uma superfície contínua, de extensão regional, abrangendo a Serra do Rio
Branco, que se estende do município de Rio Branco ao município de Lambari do Oeste. Trata-
se de uma seqüência pluto-vulcânica, constituída e rochas básicas tipo diabásio, gabro e
basaltos toleíticos, e rochas ácidas como riodacitos e granitos pórfiros.

          Os gabros ocupam a borda da Intrusão, com uma extensão de 400 Km2, e estão
localizados próximos à Salto do Céu (ponto 64). Essas rochas apresentam granulometria
média, cor escura, e textura subofítica. Os riodacitos (ponto 66) são de granulometria fina,
coloração vermelho a róseo, sem orientação dos cristais e ocupam o restante da área.


5.2.4.2.2. Ocorrências de Rochas Ornamentais do Norte do Estado

         Na região norte foram identificadas e cadastradas duas unidades portadoras de
rochas ornamentais, quais sejam:

         -   Complexo Xingu

          Foram estudadas três elevações orientadas no sentido nordeste-sudoeste, com uma
área aflorante de aproximadamente 10 Km2, localizadas 7 km ao norte da cidade de Juara.
Nessa área foi instalada a Pedreira Peval, atualmente desativada (MIR 318, ponto 03).

           A rocha descrita neste local possui estrutura gnáissica, relativamente homogênea,
coloração rósea. No centro do maciço ocorre um veio pegmatítico de preenchimento de
fratura, subvertical com direção N50ºE.

         -   Granito Teles Pires

          Afloram na Fazenda São Cristóvão, município de Terra Nova do Norte, como corpos
intrusivos de dimensões batolíticas e direção NE/SW, em elevações do tipo meia-laranja e
extensão de 65 X 20 Km (MIR 300, ponto 175). A rocha granítica exibe granulometria
grosseira, cor vermelho-carne, estrutura compacta e textura homogênea.


5.2.4.2.3. Ocorrência de Rochas Ornamentais do Leste do Estado

         Na região leste é cadastrado um ponto, localizado na Fazenda Paulistinha, à cerca
de 35 Km ao Norte da cidade de Barra do Garças (Serra Vargem das Éguas - MIR 391, ponto
09) associado ao Complexo Goiano.

          A ocorrência faz parte de um maciço de dimensões batolíticas orientado na direção
leste-oeste. Possui expressão regional e é caracterizada como uma rocha granítica,
granulometria média a grosseira, cor rósea a castanho claro, porfirítica, cortada por diques de
                                                                                           206




aplito.


5.2.4.2.4. Ocorrência de Rochas Ornamentais do Nordeste do Estado

         Na região nordeste foi cadastrada ocorrência de olivina-gabro, caracterizada como
um corpo intrusivo (Serra do Tapirapé), com dimensões de 40 X 50 km, nos domínios da
Fazenda Confusão até o vilarejo de Cantagalo, 31 Km a noroeste da cidade de Confresa (MIR
302, ponto 01).

         A rocha pesquisada, de textura fanerítica, cor escura, maciça, homogênea, sem
orientação cristalográfica no centro do maciço, passa, para as bordas, para uma rocha de
mesma composição, mas afanítica, contendo xenólitos de natureza granítica e quartzítica.


5.2.4.2.5. Ocorrência de Rochas Ornamentais da Região Central do Estado

          Na região de São Vicente/Santo Antônio do Leverger, foi cadastrada uma jazida de
granito da “Suíte Intrusiva São Vicente”, na serra homônima, localizada cerca de 70 Km a
sudoeste de Cuiabá, no local denominado Fazenda Bonfim, município de Santo Antônio do
Leverger.

         O corpo batolítico, com dimensões de cerca de 100 Km2 de extensão, está
representado, no local estudado, por uma rocha granítica, equigranular, de média a grosseira,
cor vermelho-carne, por vezes porfirítica. Nas proximidades das encaixantes (Grupo Cuiabá)
ocorrem xenólitos de rochas encaixantes.

         Nesse local esteve em operação uma frente de lavra da De Jorge Mineradora, que
produzia e comercializava blocos e paralelepípedos no mercado local (MIR 388, ponto 320).


5.2.4.3.   Rochas Carbonáticas

            As rochas carbonáticas descritas neste item dizem respeito às rochas calcárias
calcíferas e dolomíticas e/ou dolomitos que encontram-se associados a quatro unidades
litoestratigráficas, a saber: Grupo Bauru, Formação Irati, Grupo Cuiabá e Grupo Beneficente,
encontrando-se as mesmas abaixo descritas.


5.2.4.3.1. Rochas Carbonáticas Associadas ao Grupo Bauru

        A ocorrência de rochas carbonáticas no Grupo Bauru estão associadas, segundo
GONÇALVES & SCHNEIDER, (1970), ao seu membro médio, o qual é caracterizado como
uma sequência calcífera, com intercalações de calcário arenoso e calcário branco.

          Segundo os mesmos autores, os sedimentos do Grupo Bauru resultaram de
deposição continental, fluvial e lacustrina (planícies de inundação, canais e deltas fluviais),
tendo a tectônica exercido grande influência na sedimentação e distribuição destes sedimentos
de Idade Cretácea.

         BARROS et al., (1982), referem-se aos afloramentos de arenitos calcíferos, finos a
médios, róseos, com níveis silicificados, maciços, apresentando estratificação plano paralela
espessa, matriz argilosa e cimento calcífero ocorrentes a sudoeste da cidade de Poxoréu.

         Na presente unidade se fará referência a uma jazida em exploração a sudoeste de
Poxoréu (Calcário Rocha Indústria e Comércio Ltda.) e um depósito já estudado no município
                                                                                               207




de Chapada dos Guimarães (Mineração e Agropecuária Pedra Grande Ltda.).

         O primeiro empreendimento, Calcário Rocha Indústria e Comércio Ltda. (Lindenberg
S/A), ocupa uma área total de 121 ha nas cabeceiras do Rio Areia, afluente do Rio Poxoréu, 15
km a sudoeste da cidade de Poxoréu. Foi pesquisada a nível de detalhe pela Companhia
Matogrossense de Mineração – METAMAT, (1977).

           Na ocasião foi efetuado um mapeamento geológico em escala de 1:2.000, que
identificou, na base, uma rocha argilosa de cor avermelhada, bastante alterada, intercalada
com rochas carbonáticas. Na sequência, uma rocha calcária de cor branco-avermelhada,
horizontalizada, fraturada, estratificação plano-paralelo com espessura de até 12 metros,
apresentando nódulos de argilito e arenito e veios de quartzo e calcita. Recobrindo essa
sequência aparece um arenito de granulação média, bastante alterado.

          Foram efetuadas análises químicas para determinação da CaO, MgO, SiO 2 e R2O3, e
executados 03 (três) furos de sonda, que atingiram 15 m, 10 m e 15 m respectivamente, sendo
o calcário, tanto de superfície como de sub-superfície, classificado como calcário dolomítico.

         Os dados de reserva disponíveis são os seguintes:

                                     Lindberg S/A Indústria e Comércio
                                                Poxoréo/MT
                                    Proc. 806.746/85 (MIR 389 ponto 29)
                                        3
                           RESERVA (m )                                     TEOR (%)

             Medida                               -                        CaO: 44,53%

          Indicada                          2.600.246.120                  MgO: 4,72%

             Inferida                             -                        SiO2: 5,82%

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1995.

           O segundo empreendimento está situado no município de Chapada dos Guimarães,
proximidades do Rio Roncador, local denominado Morro Branco, e se caracteriza por um relevo
residual tipo “monadnock”, topo praticamente plano, e altura de aproximadamente 150 metros.

          Este depósito também foi pesquisado pela Companhia Matogrossense de Mineração
- METAMAT, a nível de detalhe, em 1985. O trabalho de pesquisa caracterizou o depósito
como um nível subhorizontalizado de calcarenitos, arenitos e brechas carbonáticas, com
espessura de 35 metros, que na porção norte e leste acunham-se abruptamente para arenitos
e arenitos e níveis conglomeráticos.

            Os testemunhos de sondagem, realizados em 4 pontos, identificou as seguintes
litologias, do topo para a base:

         -       calcarenitos, esbranquiçados a róseos, com nódulos e vênulas de calcita;

         -       brechas carbonáticas, esbranquiçadas a pardas, possuindo uma matriz mais
                 silicosa que os fragmentos brechóides;

         -       níveis silicosos constituídos de arenitos fracamente carbonáticos, de coloração
                 marron, às vezes conglomeráticos;

         -       arenito pardacento muito poroso e friável, com mínimos teores de carbonato.

         Destas litologias predominam, no geral, as brechas carbonáticas.
                                                                                                   208




          Os trabalhos de pesquisas, à época, consideraram o depósito como antieconômico,
tendo em vista que os valores de PN mínimo (67%) e soma de carbonatos (38%) exigidos pela
legislação só foram confirmados em dois dos cinco blocos. A forma lenticular do depósito e a
presença de sílica em alguns níveis obrigariam a execução de uma lavra seletiva. Os dados de
reserva disponíveis são os seguintes.

                                         Calcário do Morro Branco
                                        Chapada dos Guimarães/MT
                                            (MIR 389 ponto 37)

                          RESERVA (t)                                          TEOR (%)

             Medida                         40.548                            CaO: 36,83%

             Indicada                          -                       MgO: 2,98% - SiO2: 29,27%

             Inferida                          -                            PN Total: 57,75%

FONTE:   Relatório de Pesquisa Anual - 1985 e Plano de Aproveitamento Econômico - 1983.


                                           RESERVA/TOTAL (t)

                        MEDIDA                                              40.548

                        INDICADA                                         2.600.246,12

                        INFERIDA                                               -

FONTE:       DNPM, 1983



5.2.4.3.2. Rochas Carbonáticas Associadas à Formação Irati

           GONÇALVES & SCHNEIDER, (1970), no “Projeto Geologia do Centro-Leste de Mato
Grosso”, desenvolvido para a PETROBRAS, caracterizam esses sedimentos como constituídos
essencialmente de: folhelhos cinza-escuro, pouco síltico, calcífero, carbonoso, fóssil,
apresentando intercalações de calcário creme, micro cristalino, nódulos e veios de sílex
oolíticos, cinza-escuro. Os seguintes jazimentos são conhecidos.

         -     Calcário Itiquira

          Durante os trabalhos preliminares de pesquisa, desenvolvidos pela METAMAT em
1984 no local denominado Fazenda Santa Maria, município de Itiquira (MIR 420, ponto 06),
objetivando a delimitação e avaliação das ocorrências de rochas carbonáticas, foi mapeado um
corpo lenticular, constituído por folhelhos negros com alternância de rochas carbonáticas de
cor rósea-creme e cinza; e dolomitos creme e róseo, com nódulos de sílex e níveis de arenitos
calcíferos, associados a argilitos e siltitos amarelados e arroxeados, freqüentemente maciços.
                                                                                                          209




         Os dados de reserva disponíveis para esta jazida são os seguintes:

                                                    Calcário Itiquira
                                            Itiquira/MT (MIR 420 ponto 6)
                                        3
                            RESERVA (m )                                               TEOR (%)

             Medida                                   -                           CaO + MgO: 41,20%

             Indicada                                 -                          CaCo3 + MgCo3: 81,5%

             Inferida                             5.584.950                           SiO2: 22,4%

FONTE:   METAMAT, 1996

         -     Calcário Mendes Teixeira de Alto Garças

          PINHO & PAES DE BARROS, (1987), descrevem a Formação Irati, nas imediações
da jazida da empresa MENTEL/Mendes Teixeira (MIR 406, Ponto 35), região de Alto Garças,
constituída por um pacote de sedimentos clasto-químicos bastante fraturado, com intercalações
de calcários cinza e lentes de sílex e folhelhos.

          Na área de maior ocorrência no Estado de Mato Grosso, que se estende de Alto
Garças a Alto Araguaia, dados do Projeto Geologia do Centro-Leste de Mato Grosso (furo de
sonda 2-AG-1-MT) indicou 41m de espessura para esses sedimentos e relações de contatos
concordante, tanto com a Formação Palermo na base, com a Formação Teresina no topo
(Formação Corumbataí neste projeto). Estudos desenvolvidos com base em esporos,
permitiram a DAEMON & QUADROS, (1969), considerar essa unidade como tendo sido
depositada no Permiano Superior.

         Os dados de reserva disponíveis para esta jazida são os seguintes:

                                   Indústria de Calcário Mendes Teixeira Ltda.
                                                 Alto Garças/MT
                                      Proc. 866.542/94 (MIR 406 ponto 35)

                              RESERVA (t)                                                TEOR (%)

               Medida                                3.500.000                   MgO 14,37% CaO: 32,81%

              Indicada                                590.000                               SiO2: 3%

               Inferida                              7.500.000

FONTE:   Relatório Anual de Lavra – 1996

         Os dados de reserva total relativos à unidade são:

                                               RESERVA/TOTAL (t)

                          MEDIDA                                                 3.500.000

                        INDICADA                                                  590.000

                        INFERIDA                                                 13.084.950

FONTE:   DNPM/1996 E METAMAT/1996 (modificado)
                                                                                                        210




5.2.4.3.3. Rochas Carbonáticas Associadas ao Grupo Cuiabá

          As ocorrências de rochas carbonáticas no Grupo Cuiabá estão associadas à sub-
unidade 8 de LUZ et al., (1980), representada por uma sequência de mármores calcíticos,
dolomíticos, dolomitos e calcários calcíticos, margas e filitos sericíticos. Suas principais
exposições estão localizadas na região da Guia.

          Nesta região são nítidos os dobramentos em sinclinais e anticlinais, cujos planos
axiais de dobramentos indicam uma direção de esforço de noroeste para sudeste. A rocha
encaixante do calcário é um filito ardosiano cinzento. Localmente, ocorrem brechas
intraformacionais.

          Os calcários desta unidade, segundo DARDENNE, (1980), estão associados a um
ambiente do tipo marinho glacial. Sua origem é relacionada ao Grupo Cuiabá, pertencente ao
Proterozóico Superior. Segundo ALVARENGA & TROMPETTE, (1993), representam uma
fácies proximal da unidade carbonática Araras

          Nesta região existem antigos fornos de calcinação para o fabrico de cal, utilizado na
preparação de argamassas para a construção civil. Atualmente apenas uma empresa se
dedica à extração mineral do calcário para a produção de pó corretivo de solo, a Caieira Nossa
Senhora da Guia (MIR 388, pontos 82, 83), localizada próxima ao distrito da Guia, à cerca de
35 km a noroeste de Cuiabá.

         Os dados disponíveis de reserva são:

                                       Caieira Nossa Senhora da Guia
                                    Nossa Senhora da Guia - Cuiabá/MT
                             Título de Lavra: 75.883/75(MIR 388 pontos 82 e 83)

                           RESERVA (t)                                             TEOR (%)

             Medida                               -                         CaCO3 : 60% - MgCO3 : 32%

             Indicada                             -                                 R2O3: 3%

             Inferida                             -                                 SiO2 : 4%

FONTE:   Relatório Anual de Lavra - 1996



5.2.4.3.4. Rochas Carbonáticas Associadas ao Grupo Beneficente

           O Grupo Beneficente representa uma expressiva cobertura sedimentar, de idade
Proterozóico Médio, constituída por uma sequência transgressiva-regressiva, com cerca de
1.000 metros de espessura, depositada em ambiente marinho e composta de seis unidades
estratigráficas, segundo CARVALHO e FIGUEIREDO, (1982):

         -      unidade 1 - Detrítica Basal (220 m) - conglomerados e arenitos;

         -      unidade 2 - Clasto-Química (215 m) - calcarenitos e siltitos;

         -      unidade 3 - Clástica Intermediária (390 m) - arenitos, argilitos e siltitos;

         -      unidade 4 - Clasto-Química Intermediária (90 m) - dolarenitos estromatolíticos,
                brechas intraformacionais e siltitos;
                                                                                              211




         -   unidade 5 - Clástica Superior (149 m) - siltitos e argilitos; e

         -   unidade 6 - Clasto-Química Superior (100 m) - dolarenitos estromatolíticos,
             calcários dolomíticos, arenitos.

          No Estado de Mato Grosso a bacia de sedimentação do Grupo Beneficente, vem
sendo associada a um graben, alinhado na direção NW-SE controlado por falhamentos
regionais, que se estendem, no limite sudeste, desde o Rio Pium, Cabeceira do Rio Peixoto de
Azevedo, até o Rio Aripuanã, estando o seu depocentro situado na parte oeste, região dos rios
Aripuanã e Juruena, onde são mais freqüentes as ocorrências de sedimentos argilosos e
calcíferos, típicos de águas mais profundas.

          SILVA et al., (1980), no Projeto RADAMBRASIL faz referência à ocorrência de
calcário da foz do Rio Ximari (MIR 273, ponto 35), município de Apiacás, onde descreve um
calcário amarelo a cinza-escuro, bem estratificado, fino, compacto, com mineralogia associada
de sericita, quartzo, argilo-minerais, óxido de ferro, feldspato, rutilo e zircão. Este calcário
ocorre sobre a forma de morrotes com continuidade física até 3 km jusante da foz.

          Esta é a única ocorrência significativa, já cadastrada no Estado, associada ao Grupo
Beneficente, embora outras informações sobre ocorrências associadas a esta unidade sejam
citadas, como a do Acampamento do Cristalino, às margens do Rio Teles Pires (MIR 274,
ponto 75), município de Alta Floresta, onde afloram blocos de um calcário argiloso, maciço, cor
preta, granulação fina, exibindo fratura conchoidal e apresentando mineralogia associada de
epidoto, quartzo, feldspato, leucoxênio, biotita e turmalina, (SILVA, 1980).


5.3.     OUTROS JAZIMENTOS MINERAIS

         Reconhece-se ainda no Estado alguns jazimentos que já foram pesquisados no
passado, mas que não revelaram economicidade, e outros que encontram-se numa fase bem
embrionária de conhecimentos. Esses jazimentos encontram-se abaixo descritos.

         -   Chumbo e Zinco do Taperão

         A área de ocorrência localiza-se nas imediações da Fazenda Bom Jardim, (MIR 388
ponto, 65), aproximadamente 70 Km da cidade de Cuiabá, sentido Cuiabá/Rondonópolis
próximo à Serra de São Vicente.

         Localmente, na área de ocorrência do Chumbo-Ranchão, foram individualizadas as
seguintes litologias:

         -   Grupo Cuiabá, representado pelos filitos de coloração cinza-clara a cinza-
             esverdeada, com xistosidade bem desenvolvida; por metassiltitos
             microconglomeráticos, com pequenos clastos angulosos de quartzo intercalados
             ao filitos; por metarenitos com aproximadamente 3 metros de espessura,
             intercalados aos filitos; e por quartzitos de cor branca a cinza-claro silicificados,
             fraturados e cortados por vênulas de quartzo.

         -   Granito de São Vicente, plúton batolítico, intrusivo discordantemente nos
             metassiltitos do Grupo Cuiabá, estabelecendo com este auréola de
             metamorfismo de contato. A auréola de contato possui uma extensão aflorante
             que varia de 50 a 800 metros de espessura, produzindo metamorfismo de
             contato no fáceis hornblenda-hornfels (TURNER, 1968) ou fáceis anfibolito
             (MYASHIRO, 1973).

         Com o resultado do episódio tecto-orogenético, caracterizado pelo emplacement do
                                                                                              212




corpo granítico, surgiram inúmeros falhamentos em dois sistemas principais, com direções
N35-50ºW e N45-55ºE.

         Trabalhos geológicos de detalhamento da Mina do Taperão (Ranchão), executados
pela METAMAT, (1991), indicaram a existência de três galerias, alinhadas na direção geral
N50-60ºW. O minério de chumbo (galena), encontra-se na forma de veio com 30-50 cm de
espessura encaixados nos quartzitos do Grupo Cuiabá. Localmente, observa-se intenso
cisalhamento, gerando rochas cataclásticas e evidências de brechamento.

          Trabalhos de geofísica (magnetometria), com objetivo de se prospectar depósitos de
sulfetos maciços, definiram duas unidades magnéticas, sendo uma associada ao Grupo Cuiabá
e a outra ao Granito São Vicente. A partir desse trabalho foram individualizados quatro alvos
para detalhamento por geoquímica, sendo dois desses alvos no contato filito/horfels, um na
Mina Taperão e um no contato granito/horfels.

          Os trabalhos de geoquímica de solo desenvolvidos sobre estes alvos chegaram a
resultados de análises de até 4.110 ppm de chumbo e 2.070 ppm de zinco. Os resultados da
pesquisa não foram estimuladores de sua continuidade.

          -   Molibdênio

           Granitos de quimismo alcalino da Suíte Intrusiva São Vicente ocorrem na porção
extremo sudeste da Folha Cuiabá. Trata-se de um granito/adamelito com variedades para
alcali sienito pórfiro e leucogranitos. No geral apresentam textura hipidiomórfica granular a
porfirítica de granulação média, tendo como constituintes principais ortoclásio-microclínio
(35%), quartzo (35-40%), plagioclásio-oligoclásio (20-25%), biotita (5%) e traços de
allanita, apatita, zircão e magnetita. Este granito encontra-se truncado por um sistema de
fraturas, algumas das quais acham-se impregnadas de pirita, óxidos de manganês e, muito
subordinadamente, molibdenita.

         Mineralização pode ser observada na pedreira hoje pertencente a Prodecap (FA-388-
21), onde o granito encontra-se truncado por um sistemas de fraturas, algumas das quais
acham-se impregnadas de pirita, óxidos de manganês e, muito subordinadamente, filmes de
molibdenita.

          Estudos realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São
Paulo – IPT, (1981), demonstraram a presença de graisen constituído por 60% de quartzo e
40% de sericita (feldspato sericitizado), junto a antiga pedreira da Andrade Gutierrez e graisen
com hematita (quartzo, muscovita-sericita e hematita), no caminho para a penitenciária
Palmeiras, em meio a granito cataclasado e graisenizado. Os estudos demonstraram a
antieconomicidade da mineralização já no início da década de 80. A mineralização apresenta-
se apenas como filmes de molibdenita encrustados nas paredes das fraturas que são muito
espaçadas (cerca de uma ou duas por metro linear), o que em muito dilui o teor da
mineralização (Foto 067).

          -   Fosfato

           A empresa DOCEGEO desenvolveu programa de pesquisa de mineralização
fosfática na Formação Ponta Grossa, na área centro-leste mato-grossense, através do Projeto
Rondonópolis (AITA, 1978 apud Projeto RADAMBRASIL, Folha SE.21-Corumbá e parte da
Folha SE.20, MME, 1982). Nesta pesquisa foram perfurados 1.142,35m de sedimentos, por
sondagem rotativa, distribuídos em 6 furos nas áreas de Rondonópolis e Rio Negro.

           AITA, (op. cit. ), observou que a mineralização mais importante é piritosa, bem fina e,
em muitos casos, bastante regular, onde o fosfato ocorre na forma de apatita finamente
cristalizada e disseminada em camadas de até 15 cm, ou por erosão e redeposição destas,
                                                                                        213




formando brechas intraformacionais. Presume-se que quando se verificar a presença de
sedimentos químicos, as possibilidades para mineralizações de fosfato ficarão fortalecidas.

         -   Fluorita

          Pequenas mineralizações de fluorita foram descritas por LUZ et al., (1978), na
Formação Araras, associadas a veios de calcita no domínio das rochas calcárias. Fluorita
associada a calcários plataformais são conhecidas nos Grupos Bambui (MG e BA) e Açungui
(SP), e sempre despertam interesse pela possibilidade de jazimentos estratiformes.

         -   Cristal de Rocha

         Na porção sul da Serra de Santa Bárbara, especificamente no Morro Cristalino,
ocorrem veios de quartzo leitoso com núcleos localizados de cristal de rochas, estando esses
veios encaixados na Formação Morro Cristalino, do Grupo Aguapeí.

				
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posted:10/12/2011
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