Nosso Trabalho

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ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO – SEDUC Julho de 2007 Alessandra Valeska A. Rodrigues de Araújo Laura Patrícia da S. Macedo Di Loreto Plano de Ação Pedagógica para trabalhar com alunos que apresentam altas habilidades/ superdotação, atividade complementar da carga horária do curso de Capacitação na Área das Altas Habilidades/ Superdotação, oferecido pela SEDUC/MT. Campo Verde/MT Julho de 2007 INTRODUÇÃO Atualmente, o que ainda se vê é uma certa ‘descrença’ em encontrar pessoas com altas habilidades/superdotação por parte de algumas comunidades escolares como se fosse algo sobrenatural, ou quase isso. Porém, por mais raro que o ‘fenômeno’ possa parecer, nenhuma sociedade moderna pode se permitir o luxo de renunciar a seus ‘talentos’, mesmo porque toda pessoa tem o direito fundamental de ter suas capacidades e habilidades desenvolvidas. Partindo dessa premissa, vimos a necessidade de se elaborar um plano de ação pedagógico para atender a essa demanda aqui no município de Campo Verde. O afã por primeiramente identificar pessoas com altas habilidades/superdotação e a posteriori desenvolver adequadamente todos seus potenciais é, precisamente, o motivo fundamental que estimula todas as pessoas que se interessam pelo tema. Retomando os obstáculos colocados acima, as crianças superdotadas ainda, por vezes, têm que enfrentar inúmeros preconceitos. Com freqüência, são consideradas auto-suficientes em sua própria educação, se levarmos em conta suas elevadas capacidades. É senso comum que outras crianças, incluindo as com deficiências, as com dificuldades de aprendizagem e as com condutas típicas, precisariam de muito mais ajuda do que elas. No entanto, há muitos problemas que os superdotados têm de solucionar, nos planos pessoal e social, como sua aceitação, seu relacionamento intra e interpessoal e o grau de expectativa elevado com o qual convivem diariamente. O conceito de altas habilidades/superdotação encerra em si portanto, um grande dinamismo que leva a uma melhor diferenciação do sistema educacional, a uma intensificação dos métodos diagnósticos e ao estabelecimento de medidas educacionais correspondentes. Isso porque tem-se como conceito de superdotação alguém que, segundo Renzulli (1986), possua capacidade acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa sempre numa intensidade, freqüência e duração que sobrepujam o que seja considerado comum. Diante de uma problemática tão complexa, primeiro elucidaremos o conceito de superdotação de forma mais contundente para depois trabalharmos na identificação do superdotado e no alcance das medidas de educação voltadas ao desenvolvimento de todo o potencial desse aluno. Teremos como objetivo buscar incessantemente os preceitos teóricos, a fim de nos munirmos com suportes adequados que preencham nossas angústias e que nos remetam a uma efetivação desse plano de ação pedagógica de forma eficaz e eficiente, direcionado a nosso aluno e ao contexto que o cerca, visando sempre seu aprimoramento. Mais especificamente, temos como objetivos:  Criar salas de recursos para o atendimento do aluno com altas habilidades/superdotação no contra-turno;  auxiliar as escolas municipais de Campo Verde quanto ao enriquecimento do currículo para o atendimento desse aluno em sala regular;  prover os grupos de estudos de professores com informações e estratégias atuais para a efetivação desse atendimento e  preparar a comunidade escolar para receber essa clientela de forma adequada para que as pessoas identificadas não vivam sob o jargão opressor de um rótulo. 1 REFERENCIAL TEÓRICO A teoria sobre altas habilidades/superdotação que parece ser mais abrangente é a de Renzulli (1986), no seu Modelo dos Três Anéis, onde, como foi supracitado, a concepção do comportamento superdotado consiste na interação entre os três grupamentos básicos dos traços humanos: habilidades gerais e/ou específicas acima da média, elevados níveis de comprometimento com a tarefa e elevados níveis de criatividade. Um dos aspectos que Renzulli (1986, 2004) dá ênfase em sua concepção é o motivacional. Esse aspecto inclui uma série de traços, como: perseverança, dedicação, esforço, autoconfiança e uma crença na sua própria habilidade de desenvolver um trabalho importante. A pessoa pode ter altas habilidades/superdotação nas seguintes áreas: Lingüística (sensibilidade para a língua falada e escrita, habilidade de aprender línguas, capacidade de usar línguas para atingir certos objetivos); Lógico-matemática (capacidade de analisar problemas com lógica, de realizar operações matemáticas); Musical (habilidade na atuação, na composição e na apreciação de padrões musicais); Corporal-cinestésica (potencial de se usar o corpo para resolver problemas ou fabricar produtos); Espacial (potencial para reconhecer e manipular os padrões de espaço, (aqueles usados por navegadores e pilotos), bem como os padrões de áreas mais refinados (como os que são importantes para escultores, cirurgiões, artistas plásticos); Interpessoal (capacidade de entender intenções, motivações e desejos do próximo e, consequentemente, trabalhar de modo inteligente com terceiros); Intrapessoal (capacidade de se conhecer para regular a própria vida) e Naturalista (capacidade de observar padrões na natureza, (identificando e classificando objetos e compreendendo os sistemas naturais e aqueles criados pelo homem) (GARDNER, 2000). González e colaboradores (2007) também destaca alguns traços apresentados em crianças superdotadas: grande curiosidade e anseio pelo saber, concentração profunda no trabalho, podem dedicar-se a várias tarefas ao mesmo tempo, excelente memória, campo de interesse amplo, dispõe de vocabulário passivo muito extenso, ou seja, compreendem muito mais palavras do que podem expressar, alcançam logo o reconhecimento das relações, sobretudo as de causa / efeito, pouca paciência e satisfação pelos exercícios rotineiros, elevada capacidade de observação ou preocupação pelo domínio inteligente do tempo, que os leva a se perguntar sobre o sentido da vida, sua origem e destino. Para identificação do aluno, segundo as teorias apresentadas acima, utilizaremos os indicadores descritos nos ‘Saberes e Práticas da Inclusão – Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com altas habilidades/superdotação’ (BRASIL, 2005), publicado pelo MEC. A partir da identificação básica, ou seja, do número elevado de indicadores, o aluno que o obtiver, será encaminhado para uma Sala de Desenvolvimento de Potenciais e/ou Sala de Recursos para uma avaliação transdisciplinar minuciosa, com profissionais habilitados e capacitados para tal tarefa (Pedagogo, Fonoaudiólogo, Assistente Social, Psicólogo e Especialista na área afim) 2 METODOLOGIA 2.1 PÚBLICO-ALVO: 5ª(s) séries das Escolas Municipais de Campo Verde que contam com uma população por vezes carente tanto de informação, quanto financeiramente, e estruturas familiares precárias. 2.2 ORGANIZAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E IMPLEMENTAÇÃO 1° passo Sensibilização da comunidade escolar como um todo para esclarecimento do tema e do programa a ser implantado, via datashow, assim como, informar e justificar o motivo pelo qual só as 5ª(s) séries serão atendidas a princípio. 2° passo Sensibilização e preparação dos professores específicos das 5ª(s) séries, abordando o tema de forma sucinta, utilizando dinâmica de grupo e trazendo texto e vídeo de reflexão. 3° passo Apresentação dos indicadores, evidenciando sua importância no processo de identificação de alunos com altas habilidades/superdotação e sua utilização em sala de aula, utilizando datashow e fichas contendo os indicadores. 4° passo Análise das fichas já devidamente preenchidas pelos professores e seleção dos alunos que participariam desse projeto piloto focado nas áreas identificadas também utilizando-se dos indicadores. 5° passo Sensibilização e orientação das famílias dos alunos identificados para que o processo não gere expectativas altas demais, aproveitando o momento para preenchimento das fichas com indicadores referentes ao comportamento do aluno em casa e em sociedade. 6° passo Essa etapa será desdobrada em cinco atividades, assim discriminadas: a) encaminhamento ao NAAHS de Cuiabá/MT para trabalho com alunos que apresentem áreas de habilidades incompatíveis com os recursos que as Escolas Municipais e o próprio município oferecem. b) encaminhamento aos recursos oferecidos na comunidade pelo município, tais como: práticas esportivas, se o aluno tiver alta habilidade cinestésico-corporal; práticas artísticas, se o aluno tiver alta habilidade em música, dança e teatro. c) Encaminhamento às salas de recurso para desenvolvimento de potenciais, promovendo a articulação das altas habilidades/superdotação do aluno com o que pode ser oferecido pela escola. Por exemplo, se o aluno tiver altas habilidades na área de Lingüística, o professor especialista em altas habilidades/superdotação, responsável pela sala de recurso, articulará com o professor da área afim, responsável pela sala de aula do ensino regular, projetos de desenvolvimento de oficinas de produção textual. Pode ser para produção de peças teatrais, já pensando no nosso município, para que essas peças sejam aproveitadas pela nossa Secretaria de Cultura, no nosso Festival Anual de Teatro. d) Realização de convênios com as universidades locais para encaminhamento dos alunos que apresentam altas habilidades nas áreas compatíveis aos cursos oferecidos por essas universidades. e) Atividades de enriquecimento de currículo em sala de aula regular (O aluno com altas habilidades/superdotação no contexto da educação inclusiva - Eunice M. L. Soriano de Alencar, 2005): 1. Experiências exploratórias gerais que irão permitir classificar os interesses e habilidades do aluno. Incluem atividades que propiciam ao aluno ter contato e experimentar uma variedade de áreas e temas de estudo, que tradicionalmente não fazem parte do currículo regular, para posteriormente escolher um deles, sobre o qual poderá desenvolver um projeto específico. Este tipo de enriquecimento é implementado através de uma variedade de procedimentos, como palestras, excursões, visitas a museus, laboratórios, bibliotecas, conversas com pesquisadores, cabendo ao professor direcionar os interesses do aluno e assisti-lo na formulação de problemas sobre os quais conduzirá as suas investigações. 2. Atividades de aprendizagem em grupo que ajudarão o aluno a lidar de uma forma mais efetiva com o conteúdo. O objetivo deste tipo de enriquecimento é desenvolver nos alunos habilidades de "como fazer", de modo a instrumentá-los a investigar problemas reais, usando metodologias adequadas à área de conhecimento de interesses dos alunos. 3. Projetos desenvolvidos, individualmente ou por grupos de alunos, com o objetivo de investigar problemas reais. Nas atividades que caracterizam este tipo de enriquecimento, o aluno desempenha um papel ativo tanto na formulação do problema quanto nos métodos por meio dos quais o será atacado; a área de investigação deve ser do interesse real do aluno ou de seu grupo e não determinada pelo professor; os alunos devem coletar os próprios dados e não fazer uso de conclusões obtidas por estudiosos do tema; ademais, devem ter uma atitude de produtor e não de consumidor, comunicando os resultados alcançados de uma forma apropriada (MAKER, 1982). 3. CRONOGRAMA CRONOGRAMA FICTÍCIO DE ATENDIMENTO DA SALA DE RECURSOS PARA DESENVOLVIMENTO DE POTENCIAIS Atividades Dias da semana Hora do atendimento Período de atendimento Série do aluno Nome da escola Oficina de produção e criação textual de peças teatrais (área lingüística) Oficina de produção e criação de projetos (área cinestésicocorporal) Oficina de criação artística Planejamento do professor especialista, discussão de casos em equipe, montagem de portifólios e visitas. Segunda e Quarta 7 às 9 h e 13 às 15 h Matutino e Vespertino 5ª Escola Municipal Dona Sabina Lazarin Prati Terça e Quinta 7 às 9 h e 13 às 15 h Matutino e Vespertino 5ª Escola Municipal Monteiro Lobato Segunda, Quarta e Quinta Sexta 9 às 11 h e 15 às 17 h 7 à 11 h e 13 às 17 h Matutino e Vespertino Matutino e Vespertino 5ª ----------- Escola Municipal Dona Maria Artemir Pires Sala de Recursos e itinerância nos recursos oferecidos pela comunidade 4 RECURSOS 1 4.1 RECURSOS HUMANOS Os recursos humanos necessários no acompanhamento sistemático são:  um professor capacitado na área das altas habilidades/ superdotação; 1 De acordo com o site da FADERS www.faders.rs.gov.br. Acesso em 27/07/2007.   equipe técnica da escola composta pelo coordenador pedagógico, orientador educacional, professor da sala de aula e/ou da área de destaque do aluno; corpo diretivo da escola. Outros profissionais poderão ser somados a este grupo inicial, conforme o andamento das atividades e a necessidade de cada caso. 4.2 RECURSOS FÍSICOS Os recursos físicos necessários para o trabalho são:   uma escola sensibilizada para o atendimento educacional aos alunos com altas habilidades/ superdotação; um espaço físico adequado para a criação da Sala de Recursos para Desenvolvimento dos Potenciais, nesta escola. 4.3 RECURSOS MATERIAIS Os recursos materiais, ou seja, os equipamentos necessários para o desenvolvimento do trabalho são: mesas para trabalho individual e em grupos, cadeiras, armários, mesas auxiliares, estante, espelho, baú com roupas e adereços para dramatizações, televisão, videocassete, aparelho de som com CD, CDs, gravador, fitas cassete de áudio, filmadora, fitas de vídeo com filmes, documentários e fitas virgens, máquina fotográfica, filmes para fotos, computador com INTERNET, impressora, jogos pedagógicos para computador, disquetes, tintas para impressora, jogos pedagógicos, jogos de estratégias, livros de literatura para diferentes idades, instrumentos musicais, bolas, redes, raquetes, cordas, colchonetes, arcos, tintas diversas, pincéis, lápis de cor, de cera, canetas hidrográficas e hidrocor, massa de modelar, argila, colas, tesouras, folhas de desenho, folhas de ofício, folhas diversas (cartolina, camurça, crepom...), material de sucata 4.4 RECURSOS FINANCEIROS Os recursos financeiros disponibilizados para a implantação e implementação deste atendimento deverão estar incluídos no planejamento financeiro do município. 5 RESULTADOS ESPERADOS Espera-se contemplar 3 escolas, cada uma com 4 salas de 5ª série, ou seja, espera-se abranger 360 alunos, aproximadamente 150 professores (mesmo os não diretamente ligados à série citada) e comunidade escolar referente à área de atuação das escolas. Os benefícios diretos aos alunos serão vinculados justamente ao desenvolvimento do potencial que poderia ter sido embotado, caso não houvesse um plano de atendimento para isso. Os professores ligados aos alunos serão diretamente beneficiados, uma vez que, seu próprio potencial e competência profissional serão estimulados. Os professores que só passaram pela sensibilização inicial geral serão indiretamente beneficiados porque terão chance de modificar visão e atitude frente a algum comportamento antes ‘inexplicável’ por parte de alguns alunos (ex.: desinteresse). A comunidade escolar será beneficiada a partir do momento em que a política governamental estiver modificando seu olhar frente às necessidades especiais de seus alunos. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Saberes e práticas da inclusão: Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com altas habilidades/superdotação, Brasília: MEC/SEESP, 2005. DIAADIAEDUCACAO. Altas Habilidades/Superdotação. www.diaadiaeducacao.com.br, acessado em 27/07/2007. Disponível em GARDNER, H. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. GONZÁLEZ, E. et al. Necessidades Educacionais Específicas. Porto Alegre: Artmed, 2007. p. 384-402. RENZULLI, J. The three-ring conception of giftedness: a developmental model for creative productivity. In: RENZULLI, J.S. ; REIS S. The triad reader. Connecticut: Creative Learning Press, 1986. _____. O que é esta coisa chamada Superdotação e como a desenvolvemos? Uma retrospectiva de vinte e cinco anos. Educação, nº 1, v.52, p.75-131, jan/abr, 2004. RIO GRANDE DO SUL. FADERS. Política Educacional para alunos com Altas Habilidades/Superdotação. Disponível em http://www.faders.rs.gov.br, acessado em 27/07/2007.

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