Principais causas de acidentes na educao fsica e nos esportes

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					Principais causas de acidentes na educação física e nos esportes
Allan José Silva da Costa *

Introdução: Acidentes são lesões e alterações secundárias produzidas, acidental e instantaneamente, sobre os tecidos pela ação de forças que, veiculadas a um agente específico, atingem estes tecidos com intensidade igual ou superior ao limite de resistência destes. Segundo Flegel (2002), estudos recentes demonstram que taxas de lesões relativamente altas entre alunos do ensino médio vem sendo observadas freqüentemente. As aulas de educação física e esportes são as que apresentam maior índice de lesões. Visto isso, você que é educador físico ou técnico esportivo deve estar ciente de que é o principal responsável pela saúde e bem-estar de seus respectivos alunos e atletas durante suas aulas, já que a presença de um médico ou massagista no local do acidente quase nunca é observada. Uma situação prática do que foi afirmado anteriormente foi observada quando a ginasta Kim Evans, durante seu treinamento, caiu das barras assimétricas e chocou-se violentamente contra o solo. Ao cair ficou deitada de bruços e parecia inconsciente. A sua técnica, Sue Calhoun, virou-a para verificar se ela estava respirando. Kim tinha sofrido uma fratura nas costas e perdeu a função das duas pernas. A técnica foi processada pelos pais de Kim e condenada por negligência, em virtude de não ter prestado assistência médica adequada. Desta situação prática percebe-se a grande importância que professores de educação física e técnicos esportivos tem durante a realização de suas aulas. O presente artigo objetiva justamente auxiliar estes educadores físicos e técnicos esportivos no sentido de apontar as principais causas de acidentes no meio profissional dos mesmos, para que assim possam eliminar estas "possíveis causas" de suas aulas e consequentemente torná-las mais seguras. Seis são as principais causas de acidentes na educação física e nos esportes: inabilidade do principiante, desigualdade corporal e/ou técnica, idade, desprezo ao perigo, causas imprevisíveis e supertreinamento (overtraining). A seguir analisaremos uma por uma. 1) Inabilidade do principiante: Um dos princípios básicos da educação física é o ensino das atividades de maneira progressiva, ou seja, inicia-se com exercícios simples e a medida que as aulas vão se desenvolvendo novos elementos motores são adicionados aos exercícios tornando-os mais complexos. Neste contexto o cuidado com o aluno ou atleta principiante deve ser redobrado, pois devido a sua inexperiência e incapacidade técnica ele tende a executar os movimentos de maneira incorreta, podendo, em muitos casos, ser fonte originária de lesões em si mesmo e nos alunos que o rodeiam. Por isso mesmo sempre o

supervisione de perto, não permitindo que pratique atividades com um al to grau de complexidade ou potencialmente perigosas. 2) Desigualdade corporal e/ou técnica: Ao planejar uma atividade equipare o porte de seus alunos e atletas. Sempre se faz recomendável dividi-los segundo o tamanho, maturidade física, habilidade técnica e experiência de cada um. Hoje em dia, por exemplo, acidentes acontecem no futebol porque garotos de 7 e 8 anos já competem com garotos de 14 e 15 anos em alguns torneios estudantis, e no contato corpo a corpo as lesões podem ser geradas. Esta é uma causa fácil de ser eliminada mas que ainda é muito observada nos acidentes durante treinamentos e aulas nas escolas. 3) Idade: Esta talvez seja a causa com a qual os educadores físicos e técnicos esportivos tenham que tomar os maiores cuidados. Sempre deve-se observar a idade do indivíduo praticante para saber se ele possui um desenvolvimento psicológico e principalmente fisiológico capaz de suportar determinada carga de atividades a ser aplicada durante a aula e durante os treinamentos. Por exemplo: dependendo da idade de uma pessoa o seu desenvolvimento ósseo pode não estar completo (crianças e jovens) ou então pode estar em estado degenerativo (idosos). Portanto um trabalho com cargas acima do limite ósseo de um jovem pode facilmente originar fraturas e artrites. Já em idosos, luxações e fraturas também são muito observadas; isto sem contar com as rupturas musculares, muito comuns em virtude da maior fragilidade e menor elasticidade dos músculos quando uma pessoa atinge esta faixa etária (Barbosa, 1980). 4) Desprezo ao perigo: Em muitos acidentes na ginástica as barras assimétricas acabam por quebrar justamente quando a atleta está realizando a sua rotina de exercícios. O motivo mais alegado para o rompimento das barras é que elas não foram vistoriadas antes dos exercícios. Este é um exemplo de acidente causado pelo desprezo ao perigo. Tanto nas aulas de educação física quanto nos treinamentos esportivos é de fundamental importância que você, professor ou técnico, assegure-se de que os atletas estão usando equipamentos seguros e de boa qualidade assim como também se faz necessária uma vistoria completa do equipamento a ser utilizado antes de cada atividade. Os alunos também devem saber utilizar os materiais da forma correta sob pena de sofrerem algum acidente durante a realização dos exercícios. 5) Causas imprevisíveis: São circunstâncias em que não há como se proteger. Um exemplo é o de um corredor de 100 metros livres que no meio da corrida é obrigado a parar subitamente porque algum "desavisado" entrou no meio da pista. A parada súbita pode provocar lesões. Outro exemplo é o de um nadador que em uma prova de resistência sente cãibras no meio da piscina. Não há como se precaver. Está é uma causa que nunca pode ser totalmente eliminada. 6) Supertreinamento (Overtraining):

Por último temos o famoso "Overtraining". Neste caso o que pode-se dizer é que todos os tecidos do organismo humano tem um determinado limite funcional. Toda vez que os tecidos são requisitados de forma exagerada é instalado o estado de fadiga, na qual o tecido não responde mais a um estímulo recebido. A fadiga não só representa um mal próprio como também é a causa que predispõe o organismo aos acidentes desportivos (Barbosa, 1980). Portanto, você que é técnico esportivo deve realizar um treinamento a base de exercícios que aumentem progressivamente a capacidade física do desportista, levando-o a adquirir um estado de equilíbrio fisiológico que lhe permite realizar todas as suas atividades com o melhor rendimento possível. Neste contexto nunca permita que seu atleta treine ou participe de competições se não estiver apto a realizar tais atividades sem dor ou sem perda de função (ou seja, incapacidade de caminhar, correr, saltar, arremessar, etc., sem restrição.) (Flegel, 2002). Considerações finais: Após a apreciação das seis principais causas de acidentes na educação física e nos esportes, a principal conclusão a que podemos chegar do presente artigo é a de que apenas uma das causas (causas imprevisíveis) não é passível de eliminação durante as aulas ou treinamentos esportivos. Todas as cinco causas restantes podem ser eliminadas rapidamente por um profissional bem qualificado e ciente da sua responsabilidade perante seus alunos e/ou atletas. Sendo assim, a mensagem que podemos deixar para todos aqueles que se interessam pelo assunto é que busquem realizar um estudo mais aprofundado a respeito do tema em questão, pois para se atender as expectativas de pais, atletas e autoridades legais é preciso estar pronto a prestar uma assistência emergencial adequada, sempre, é claro, utilizando somente os conhecimentos que você está qualificado a aplicar. Referências bibliográficas: 1) BARBOSA, Edvaldo. Causas dos acidentes desportivos. Natal: UFRN, 1980. Apostila (disciplina de socorros de urgência), Faculdade de educação física, Universidade federal do Rio grande do Norte, 1980. 2) FLEGEL, Melinda J. Primeiros socorros no esporte. São Paulo: manole, 2002. Nota: * Acadêmico de Educação Física pela UFRN

Para citar este artigo como referência: COSTA, Allan José Silva da. Principais causas de acidentes na educação física e nos esportes. Revista Virtual EFArtigos, Natal, v. 1, n. 8, ago. 2003. Visitante número


				
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posted:7/5/2008
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