Dilermando Reis by mpiano

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									UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC
       PÓS-GRADUAÇÃO EM MÚSICA - PPGMUS
     DISCIPLINA HISTÓRIA DA MÚSICA NO BRASIL




     MARCOS ANTONIO DE ARAUJO FIGUEREDO




                A VIDA E A OBRA DE
           DILERMANDO REIS (1916-1977)




                 FLORIANÓPOLIS
                      2011
                           SUMÁRIO




1 INTRODUÇÃO                          3
2 O CONTEXTO HISTÓRICO                4
3 A VIDA E OBRA DE DILERMANDO REIS    5
4 PUBLICAÇÕES SOBRE DILERMANDO REIS   9
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS                12
6 REFERENCIAS                         13
7 APÊNDICE                            15
8 ANEXO                               18
                                    1 INTRODUÇÃO


             No final do séc. XIX, o violão foi o instrumento favorito e apropriado para o
acompanhamento da voz nas modinhas e na música instrumental juntamente com a flauta e o
cavaquinho, formando a base do conjunto de choro. Contudo, adquiriu má fama durante anos,
por ser um instrumento popular associado aos boêmios, chorões e seresteiros. Os primeiros
brasileiros que se dedicaram ao violão de forma séria foram o engenheiro Clementino Lisboa,
que estreou em público no Clube Mozart no Rio de Janeiro, os professores Ernani Figueiredo
e Alfredo Imenes, o desembargador Itabaiana e o escritor Melo Morais, sendo que estes
tentaram reerguer o violão á estatura de instrumento de concerto em decorrência do
desprestígio que viva, porém essa tentativa foi em vão. (DUDEQUE, 1994, p. 101)
             Já no início do século XX o paraguaio Augutin Barrios (1885-1944), a espanhola
Josefina Robledo (1887-1931), e o brasileiro Américo Jacomino (1889-1928) através de uma
série de concertos no Rio de Janeiro e São Paulo, influenciaram diretamente as novas
gerações consolidando a formação do violão solo brasileiro. Esse movimento alcançou
Dilermando Reis através de Levino Albano da Conceição. ( CASTAGNA, 1994,P.6)
               O trabalho traz um breve apanhado histórico sobre os concertistas da época
com o intuito de situar o momento cultural existente quando do inicio da carreira de
Dilermando Reis, em seguida apresentar uma revisão bibliográfica sobre sua história,
discografia e influências nas gerações posteriores.
                           2 O CONTEXTO HISTÓRICO


           Em julho de 1916 o paraguaio Augustin Barrios           (1885-1944) através da
realização de um concerto no Rio de Janeiro demonstrou seu virtuosismo chamando a
atenção do público. No ano seguinte executou uma série de concertos pelo país. A virtuose
Josefina Robledo (1887-1931), também conquistou a aceitação pública e estabeleceu-se no
Brasil por algum tempo difundindo os fundamentos da escola de Francisco Tárrega.
Também destacavam-se Américo Jacomino (1889-1928), o Canhoto, que se apresentou no dia
5 de setembro de 1916 no salão nobre do Conservatório Dramático Musical de São Paulo para
um grande público e pela    imprensa local.   Todos refletiram na formação da maioria dos
violonistas brasileiros como: Joaquim Santos (1873-1935) ou Quincas laranjeiras, João
Teixeira Guimarães (1883-1947) ou João Pernambuco e Aníbal Augusto Sardinha (1915-
1955), o Garoto. (TAUBKIN, 2007, p. 66)
            Devido ao intenso trabalho feito por Quincas Laranjeiras acabou por exercer
grande influência na divulgação e no ensino do violão nas famílias tradicionais da sociedade
carioca. Com formação baseada nos métodos eruditos, passou a então à decodificá-los para o
âmbito do violão popular, alcançando aquele que seria o tutor de Dilermando Reis, Levino
Albano da Conceição (1895 -1955), professor conceituado, compositor e arranjador de obras
clássicas, foi comparado ao virtuose Augutin Barrios e Josefina Robledo. Escreveu vários
estudos para o instrumento aplicando para o desenvolvimento da técnica violonística.
(MEDEIROS, 2009, p.4)
                3 A VIDA E A OBRA DE DILERMANDO REIS


           Dilermando Reis nasceu em 22 de setembro de 1916 em Guaratinguetá. Começou
a tocar violão incentivado pelo seu pai “Chico Reis”, que lhe deu um violão em virtude da
experiência de um homem passar cantando e dedilhando as cordas de um violão em frente de
sua casa. Dilermando o indagou do presente e seu pai disse-lhe que já tinha tocado violão e
imediatamente dedilhou alguns acordes, sendo que sua mãe Benedicta envolvida com o clima
juntou-se a eles para cantar modinhas de Catulo da Paixão Cearense. (TAUBKIN, 2007, p.
66)
           Ainda menino decidiu dedicar-se intensamente ao estudo do violão, que seria a
oportunidade da sua vida. Seu pai sonhou em ser violonista mas sempre se considerou
desajeitado e sentiu-se honrado em ensinar seu filho. Em poucas semanas tinha aprendido
todo o repertório apresentado por seu pai, sendo que em seguida procurou os melhores
professores da cidade e as melhores gravações que o estimularam a tocar solos de “ouvido” ,
entre eles os solos de Américo Jacomino (1889-1928), conhecido como “Canhoto”.
(JEROME, 2005, p. 7)
           Com quinze anos executava pequenos recitais para a família e vizinhos, momento
em que foi apresentado ao exímio concertista Levino Albano da Conceição (1895 -1955), que
ao vê-lo tocar deslumbrou-se e decidiu segui-lo por todos os lugares de espetáculos em
Guaratinguetá. Também, foi convidado por Levino para viajar e visitar pontos escondidos do
Brasil por meses, e foi apresentando como seu melhor aluno. Com o tempo superou seu
mestre explorando a sonoridade do instrumento com idéias mais originais, ricas e bem
elaboradas. Acredita-se que por este motivo Levino em ocasião oportuna disse a Dilermando:
“ Eu vou a Campos, depois à Bahia. Então, mando te apanhar”, contudo não mandou, deixou
pago o hotel por mais quinze dias e desapareceu.
           Dilermando disse em um depoimento dado a rádio jornal do Brasil : “Fiquei num
mato sem cachorro. Sem dinheiro e sem ninguém, perdido no Rio. Daí como o Levino não
apareceu e nem deu notícias, resolvi lutar pela vida, só eu e meu violão”. (apud DENYER,
1982, p. 145)
           Diante dessa situação passou por tempos difíceis, chegando até a passar fome,
momento que começou a dar aulas de violão e apesar de cobrar valores simbólicos, ampliou
seus conhecimentos. Apresentado por um aluno à uma das lojas de instrumentos musicais
mais significativas chamada “Bandolin de Ouro”, e a loja “Guitarra de Prata” conseguiu um
emprego como experimentador de instrumentos musicais e como professor de violão em
ambas as lojas.
           Seguindo sua trajetória, em 1935, com dezenove anos incompletos recebeu uma
oferta do radialista Renato Murce e começou a trabalhar na Rádio Transmissora, onde passou
a acompanhar grandes cantores como: Carmem Miranda, Chico Alves e Sílvio Caldas.
Também cobria intervalos de espera solando enquanto aguardava o atraso dos cantores.
Devido à sua habilidade no instrumento e sua criatividade, ganhou um programa semanal de
meia hora que perdurou até 1969 na Rádio Nacional.
           Em virtude de questões financeiras Dilermando atuou em orquestras, conjuntos,
acompanhador de cantores em bailes, festas, cassinos, reunião familiares, serestas, rodas de
choro e serenatas. O público por sua vez preferia as canções e os cantores, se tratando de uma
velha tradição nacional.
           Musicalmente conservador, resistiu aos modismos dos anos 50 e 60, não aderindo
à bossa-nova, ao rock, as canções de protesto e a tropicália. Obstinado permaneceu fiel aos
seus interesses artísticos, sendo que sua persistência proporcionou a oportunidade de
transcrever obras de outros autores brasileiros          que ainda não eram tão conhecidas,
valorizando as obras de Ernesto Nazareth e Pixinguinha.
           Empenhou-se em destacar o violão solo ao invés do violão acompanhador apenas
como um mero protagonista. Com o repertório para violão solo era limitado naquele período,
Dilermando construiu sua identidade musical híbrida, assimilando o repertório erudito dos
métodos de violão e o popular das rodas de choro e seresta, contribuindo para a afirmação do
novo violão solo popular brasileiro. (DENYER, 1982, p. 146 apud Reis).
           Com temperamento calmo e comedido, Dilermando não se dispôs a bajular os
programadores de rádio e televisão, todavia seu público permaneceu grande e fiel desde a
década de 30.
           Apesar de conhecer profundamente os métodos de violão erudito, não deixou de
lado o violão popular, e afirmou que:
                       Sou contra o purismo exagerado. Sou contra as ortodoxias . Os ortodoxos condenam
                       o popular porque se consideram gênios. Só esquecem que os gênios não se
                       encontram em qualquer esquina. Os gênios não se escondem. Os gênios, quando
                       existem, aparecem cedo ou tarde. (apud DENYER, 1982, p. 146).


           Adorava os compositores antigos, mas não deixou de valorizar e apreciar os
modernos tais como: Baden Powel, Carlos Lyra, Chico Buarque, Edu Lobo e                       Egberto
Gismonti, que segundo ele: “São autores que não perderam de vista a característica da alma
brasileira”. (DENYER, 1982, p.146)
            Devido á sua grande flexibilidade e facilidade interpretativa, utilizou seu
hibridismo para compor, transcrever e gravar em estilos variados; permanecendo contratado
pela gravadora Continental por mais de trinta anos. Dilermando herdou das gerações
anteriores o ofício de compositor e intérprete simultaneamente, suas obras possuem caráter
predominante popular devido a sua relação com o repertório do final do séc. XIX e início do
séc. XX, e os gêneros musicais adotados por ele, tais como: valsas, guarânias, choros e
polcas, o que fez com que se distancia-se do repertório tradicional de concerto sendo
associado á escola de violão popular brasileiro.
            Em decorrência a grande necessidade de ampliar o repertório violonístico na
época, também interpretou muitas obras populares de Pixinguinha e Ernesto Nazareth, e
também levou aos ouvintes da rádio as obras de compositores eruditos como: Frederic
Chopin, Claude Debussy, Robert Schumann, Francisco Tárrega, César Guerra Peixe , Lorenzo
Fernandes e Villa-lobos. Gravou o Concertino nº 1 para violão e orquestra de Radamés
Gnatali regido pelo compositor em 1970. (DENYER, 1982, p. 146)
           Produzia um som polido, distinto e muito expressivo, resultado de seu
entendimento da técnica da mão direita herdada pela escola de Tárrega. Embora com timbre
agudo e metálico, chegou a utilizar as cordas de náilon na década de 60 e 70, mas sua
preferência foram as cordas de aço.
            Compôs em torno de 120 músicas, sendo apenas duas com letras, a saber : Tudo
tem no Brasil por Pedro e Castro Barbosa e a valsa Se ela perguntar por Jair Amorim.
           Deixou gravado 35 discos em 78 rpm e 25 LPs entre 1941 e 1975, sendo que
destes, 7 discos intitulado Uma voz e um violão juntamente o cantor Francisco Petrônio.
            Aplicava uma fórmula original e estratégica para o seu sucesso, vejamos:


   •   “Um punhado de composições próprias”
                     +
   •   “Uma ou outra experiência de transposição erudita”
                     +
   •   “Uma ou outra experiência de composições estrangeiras”
                     +
   •   “Um punhado de composições antigas”
                     +
   •   “Um punhado de composições contemporâneas”
       Resultado: Sucesso.


           Mesmo alcançando o sucesso não ficou rico, porém teve uma vida digna sendo
seu trabalho respeitado no mercado fonográfico.
           Quando da sua atuação como professor criou uma pedagogia peculiar que lhe
proporcionou lecionar para alunos das mais variadas procedências, chegando a ensinar uma
das filhas do presidente Juscelino Kubistschek (1902-1976), considerava que não existia uma
pedagogia única para todos os alunos, e afirmava que:


                        Cada aluno é um aluno... Certas pessoas aprendem imediatamente a ler música.
                       Outras preferem firmar-se nos jogos de acordes e harmonia. Outras mais, limitam-se
                       aos acompanhamentos. Não é possível, e às vezes nem é justo, forçar a natureza do
                       ser humano. Só uma exigência: O bom violonista, porém, tem de empenhar-se, no
                       mínimo, em quinze anos de estudo, cinco a seis horas por dia. DENYER, 1982,
                       p.146).


               Com sua personalidade discreta foi se tornando cada vez mais caseiro e
arredio, detestando confusão e excesso de publicidade, escondendo-se em sua casa do
Engenho Novo no Rio de Janeiro com esposa Celeste, companheira preferida. Gozava de
grande vigor, uma vida regrada e muita força de vontade, mas para surpresa dos amigos,
faleceu de um colapso cardíaco em 2 de janeiro de 1977.
              4 PUBLICAÇÕES DE SOBRE DILERMANDO REIS



4.1 CHEDIAK, Almir. SONGBOOK CHORO, 2007
           Este livro é uma coletânea que contém 97 choros em notação tradicional e cifras,
podendo ser amplamente utilizado por vários instrumentos com registro na clave de Sol.
Contêm um relato da história do choro e da música brasileira com textos, fotos e entrevistas.
Apresenta três composições de Dilermando Reis: Doutor Sabe Tudo, Se ela perguntar e
Tempo de Criança. Contém também obras de importantes compositores brasileiros como:
Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Garoto, João Pernambuco, Luiz Gonzaga, Paulinho da
Viola, Pixinguinha, Tom Jobim, Toquinho entre outros.


4.2 HODNIK, Claudio. O MELHOR DO CHORO BRASILEIRO, VOL. 1, 1998
           Apresenta 60 (sessenta) choros ou chorinhos, escritos em notação musical
tradicional e também cifras para instrumentos com registro na clave de Sol. Contém apenas
uma composição de Dilermando Reis: Bingo. Também inclui compositores como Gaudio
Viotti, Luiz Bonfá, Sivuca, Sylvio.


4.3 HODNIK, Claudio. O MELHOR DO CHORO BRASILEIRO - VOL. 2 , 1998.
           Neste segundo volume estão incluídos 60 (sessenta) choros ou chorinhos, escritos
em notação musical tradicional e cifras para instrumentos com registro na clave de Sol.
Contém apenas duas músicas de Dilermando reis: Dr.Sabe Tudo e Magodo. Possui obras de
compositores brasileiros como André Victor, Angelo Reale,         Attilio Bernardini, Corrêa
Zequinha Abreu, Dante Santoro, Guerra Peixe, Luiz Americano, Nabor Pires Camargo, entre
outros.


4.4 HODNIK, Claudio. O MELHOR DO CHORO BRASILEIRO, VOL. 3, 2002
           Este terceiro volume apresenta 100 (cem) obras em notação tradicional e cifras,
para instrumentos com registro na clave de Sol. Contém um pouco da história do choro e da
música brasileira exibindo algumas fotos, textos e entrevistas. Apenas uma música é de
autoria de Dilermando Reis: Magoado. Outros compositores estão presentes como: Ary
Barroso, Canhoto Da Paraíba, Chico Buarque, Edu Lobo, Heitor Villa-Lobos, Jacob Do
Bandolim, Patápio Silva Radamés Gnattali, Zequinha Abreu, Waldyr Azevedo, entre outros.
4.5 PASCHOITO, Ivan. DILERMANDO REIS - The Great Guitarists of Brazil, 1990
           Contém 10 (dez) peças e um breve comentário sobre o compositor, sendo que as
músicas estão escritas em notação tradicional para violão solo, a saber: Caboclinho, Conversa
de Baiana, Dois Destinos, Dr. Sube-Tudo, Promessa, Se Ela Perguntar, Splica, Ternura, Uma
Valsa e Dois Amores, Xodó da Baiana.


4.6 PASCHOITO, Ivan. DILERMANDO REIS - The Great Guitarists of Brazil, 1994
           Possui 10 (dez) peças e um breve comentário sobre o compositor, as músicas
estão escritas em notação tradicional para violão solo, a saber: Alma Apaixonada, Desengano,
Eterna Saudade, Feitiço, Fim de Festa, Gente Boa, Rosas de Outono, Sandrinha, Sobradinho,
Vê se te Agrada.


4.7 JEROME, David. The brazilian guitar of DILERMANDO REIS, 2005.
           Apresenta um texto a respeito da biografia de Dilermando e também informações
adicionais para execução e interpretação de suas peças. Contém 14 (quatorze) obras para
violão escritas em notação musical tradicional para violão solo, sendo elas: Adeus de pai
João, Ausência, Baile na fronteira, Balada da Saudade, Chico Reis, Disse me disse, Enquanto
meu amor não vem, Gauchinha, Iracema, Oiá de Rosinha, Prelúdio em forma de oração,
Salário mínimo, Terno olhar e Viola triste.


4.8 PIRES, Luciano Linhares. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: DILERMANDO REIS - O
violonista brasileiro e suas composições. UFRJ, 1995 por. Obra indisponível.


4.9 PASCHOITO, Ivan. DILERMANDO REIS - Great Arrangements, 1996
           Este volume é composto apenas por 10 (dez) músicas, vejamos: Abismo de Rosas,
Suspiro da Nega, Brejeiro, Romance de Amor Spanish Romance, Coral dei Norte 37 La
Despedida, Rapsódia Infantil, Sons de Carrilhões.


4.10 ERNESTO NAZARETH - Gotas de ouro. Vitale.
           Partitura de um arranjo para violão solo de Dilermando Reis.

4.11 ERNESTO NAZARETH - Violão – Escorregando. Vitale.
           Partitura de uma transcrição para violão solo de Dilermando Reis.
4.12 TAUBKIN, Mirian. Org. Violões do Brasil, 2008
            Este livro descreve de forma clara e objetiva a história do violão solo no Brasil,
trazendo a biografia dos principais violonistas, suas obras e o contexto histórico musical
nacional. Também informações adicionais como uma lista de 400 violonistas e 70 luthiers em
atividade no Brasil, acompanha ainda um DVD.


4.13 NOGUEIRA, Genésio. DILERMANDO REIS - Sua Majestade, vida e obra, 2000
            Uma obra de 416 páginas que traz muitas informações a respeito da vida de
Dilermando, desde seu nascimento, o encontro com o professor Levino da Conceição, sua
vida independente, seu primeiro emprego na loja Guitarra de Prata, seu primeiro programa na
Radio Guanabara, suas composições, seus alunos e amigos, violões, gravações e a trajetória
de sua carreira artística.


4.14 PASCHOITO, Ivan. DILERMANDO REIS - A Partir de Seus Manuscritos, 2005
            Esta coletânea tem 10 arranjos elaborados pelo violonista Dilermando Reis na
década de 50 as quais foram revisadas por Ivan Paschoito e em notação musical tradicional
para violão solo. As músicas são: Aurora, Chão de estrelas, Eponina, Escorregando, Faceira,
Fascinação, Linda flor, Pintassilgo apaixonado, Rapaziada do Brás e Valsa da despedida.


4.15 CORDEIRO, Alessandro Borges. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: A OBRA DE
DILERMANDO REIS: Transcrição de peças não publicadas a partir das fontes primárias,
2005. Obra indisponível.


4.16 FRANCISCO ALVES – A voz do violão
            Partitura de um arranjo para violão solo de Dilermando Reis.


4.17 CASTAGNA, Paulo e ANTUNES, Gilson. 1916: o violão brasileiro já é uma arte.
            Este artigo trata basicamente sobre a história e o início do violão solo no Brasil, os
primeiros concertos a partir do início do século XX com a influência dos violonistas
Augustin Barrios, Josefina Robledo e Américo Jacomino, que abriram uma nova trajetória
para o violão deixar de ser marginalizado e se consolidar como um instrumento nobre e
virtuosístico nas salas de concerto.
                            5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


           Dilermando com sua rica trajetória profissional conseguiu deixar para o Brasil as
suas composições e interpretações de bom gosto e harmonia simples, mas que foi
determinante para a criação de uma nova escola de violão solo popular. Fez com que o violão
outrora desprestigiado e apenas de acompanhamento para canções populares e folclóricas
passasse a ocupar um lugar singular e de caráter artístico.
           Dentre os destaques de sua carreira, podemos prestigiar a de 1953, momento no
qual ganhou um concurso para uma vaga na rede CBS de televisão para contrato de três meses
e foi visto e ouvido por milhões de norte-americanos, tendo sua obra como objeto de estudo e
pesquisa na academia deste país. Hoje, conhecido internacionalmente, sua obra também faz
parte do currículo do ensino de violão em grandes universidades no exterior.
            Também, gravou e tocou com frequência por mais de trinta anos nas rádios vindo
a influenciar as novas gerações de violonistas brasileiros consolidando e difundindo o violão
solo brasileiro como instrumento artístico.
            Apesar das barreiras impostas em virtude da divisão entre repertórios popular e
erudito e a consequente desvalorização do violão popular, Dilermando conquistou um status
antes concentrado somente nas mãos daqueles que executavam o repertório clássico da sua
época, contribuindo assim de forma significativa para a construção do ensino de violão.
            Diante da bibliografia pesquisada podemos destacar a obra de Castagna pela sua
relevância de dados minuciosamente detalhados em relação a história do desenvolvimento do
violão solo no Brasil a partir do início do século XX, após a obra de Denyer que de uma
forma simples e objetiva abordou a simplicidade da vida e do cotidiano de Dilermando Reis e
em seguida a obra de Taubkin que além da biografia de Dilermando, expôs o contexto
histórico dos violonistas antecessores e principalmente suas influências musicais na formação
do violão solo brasileiro de Dilermando Reis.
                                                                                    13


                                REFERÊNCIAS

DENYER, Ralph. Toque Violão e Guitarra. Rio de Janeiro. Editora Riográfica, 1982.

DUDEQUE, Norton. História do Violão. Curitiba. Editora da UFPR, 1994.

CASTAGNA, Paulo e ANTUNES, Gilson. 1916: o violão brasileiro já é uma arte. São
Paulo: Cultura Vozes, ano 88, n.1, p.37-51, jan./fev. 1994.

CHEDIAK, Almir. Songbook Choro, vol 1: Virtual Book, 2007. Disponível em:
/http://books.google.com/books?id=vcm7HTQ43okC&printsec=frontcover&dq=CHEDIA
K,+Almir.+SONGBOOK+CHORO,+2007&hl=pt-BR&ei=59YoTqHnNoLZgQfQv-
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thumbnail&resnum=1&ved=0CC8Q6wEwAA#v=onepage&q&f=false/ Acesso em 21 jul.
2011.

HODNIK, Claudio. O melhor do choro Brasileiro. Virtual Books, 2002. # vols.
Disponível em:
/http://books.google.com/books?id=Cd0VrXRsfjgC&pg=PA67&dq=o+melhor+do+choro+
brasileiro+volume+3&hl=pt-BR&ei=H9QoTuaHD4_UgAearbmjCw&sa=X&oi=book_
result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false/. Acesso em
21 jul. 2011.

JEROME, David. Guitarist of the People, Guitarist of the Elite: Towards a Biography
of Dilermando Reis. 2005.
Disponível em:
/http://www.jeromeguitar.com/Guitarist%20of%20the%20People,%20Guitarist%20of%20t
he%20Elite.pdf/ acesso em 20 jul. 2011.

MEDEIROS, Alan R. Análise Estilística da Obra Balada da saudade (1975) do
violonista e compositor Dilermando Reis (1916-1977). Curitiba. 3º Simpósio de Violão
da EMBAP, 2009.

NOGUEIRA, Genésio. Dilermando Reis - Sua Majestade, vida e obra. Rio de Janeiro:
Editora do Autor, 2000.

PASCHOITO, Ivan. DILERMANDO REIS - A Partir de Seus Manuscritos, Virtual Books,
2005.       Disponível    em:       /        http://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=&id=sZekQzCJaSMC&oi=fnd&pg=PA8&dq=A+OBRA+DE+DILERMANDO+R
EIS:+Transcri%C3%A7%C3%A3o+de+pe%C3%A7as+n%C3%A3o+publicadas+a+partir
+das+fontes+prim%C3%A1rias&ots=mqXPYZVSec&sig=QikReYQNZG_AALk6dfsgbr
dLfzE#v=onepage&q&f=false/ Acesso em 21 jul. 2011.

PASCHOITO, Ivan. The Great Guitarist of Brazil Dilermando Reis Vol. 1. San
Francisco, USA. GSP, 1990.

PASCHOITO, Ivan. The Great Guitarist of Brazil Dilermando Reis Vol. 2. San
Francisco, USA. GSP, 1994.

PASCHOITO, Ivan. Dilermando Reis - Great Arrangements. São Paulo: Editora
Fermata, 1996.
                                                                             14




TAUBKIN, Mirian. Org. Violões do Brasil. São Paulo: Edições SESC/Editora SENAC,
2007.
                                                                     15


                                      APÊNDICE


Apêndice A – Discografia de Dilermando Reis


- Noite de lua/Magoado (1941) Columbia 78
- Dança chinesa/Adeus de Pai João (1944) Continental 78
- Recordando/Saudade de um dia (1945) Continental 78
- Minha saudade/Rapsódia infantil (1945) Continental 78
- Noite de estrelas/Dedilhando (1946) Continental 78
- Adelita/Grajaú (1946) Continental 78
- Vê se te agrada/Dois destinos (1948) Continental 78
- Araguaia (1948) Continental 78
- Súplica/Tempo de criança (1949) Continental 78
- Flor de aguapé/Doutor sabe tudo (1949) Continental 78
- Alma sevilhana/Quando baila la muchacha (1950) Continental 78
- Xodó da baiana/Promessa (1951) Continental 78
- Cuidado com o velho/Vaidoso (1951) Continental 78
- Sentimental/Bingo (1951) Continental 78
- Sons de carrilhões/Abismo de rosas (1952) Continental 78
- Calanguinho/Penumbra (1953) Continental 78
- Alma nortista/Interrogando (1953) Continental 78
- Recordando a Malaguenha/Uma noite em Haifa (1954) Continental 78
- Eu amo Paris/Fingimento (1954) Continental 78
- Poema de Fibich/Barqueiro do Volga (1955) Continental 78
- Dois destinos/Vê se te agrada (1955) Continental 78
- Limpa-banco/Sonhando com você (1955) Continental 78
- Rosita/Chuvisco (1955) Continental 78
- Tristesse - opus nº 3/Adelita (1956) Continental 78
- Dilermando Reis (1956) Continental LP
- Sua majestade o violão (1956) Continental LP
- Se ela perguntar/Índia (1958) Continental 78
- Romance de amor/Pavana (1958) Continental 78
- Abismo de rosas (1958) Continental LP
- Volta ao mundo com Dilermando Reis (1958) Continental LP
                                                                                        16


- La despedida (Chilena n° 1)/Ausência (1960) Continental 78
- Melodias da alvorada (1960) Continental LP
- Abismo de rosas (1960) Continental LP
- Uma valsa e dois amores/Marcha dos marinheiros (1961) Continental 78
- Soluços/Odeon (1961) Continental 78
- Oiá de Rosinha/Abandono (1962) Continental 78
- Pequena cantiga de Natal/Idealista/Felicidade/Ato de caridade (1962) Continental 78
- No tempo do vovô/Fingimento (1962) Continental 78
- L'arlequin de Toléde/Recordando a malagueña (1962) Continental 78
- Presença de Dilermando Reis (1962) Continental LP
- Uma voz e um violão - Francisco Petrônio e Dilermando Reis (1962) Continental LP
- Sons de carrilhões/Despertar da montanha (1963) Continental 78
- Gotas de lágrimas/Cisne Branco (1963) Continental 78
- Uma voz e um violão em serenata - volume 2 (1963) Continental LP
- Junto a teu coração (1964) Continental LP
- Meu amigo violão (1965) Continental LP
- Gotas de lágrimas (1965) Continental LP
- Sua Majestade, o Violão (1965) Continental LP
- Junto a teu coração (1965) Continental LP
- Subindo ao céu (1966) Continental LP
- Recordações (1967) Continental LP
- Saudade de Ouro Preto (1968) Continental LP
- Dilermando Reis (1968) Continental LP
- Dilermando Reis (1969) Continental LP
- Grand prix (1970) Continental LP
- Dilermando Reis (1970) Continental LP
- Dilermando Reis (1971) Continental LP
- Uma voz e um violão em serenata - volume 6 (1971) Continental LP
- Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha (1972) Continental LP
- Homenagem a Ernesto Nazareth (1973) Continental LP
- Uma voz e um violão em serenata - vol 7 (1973) Continental LP
- O violão brasileiro de Dilermando Reis (1975) Continental LP
- Concerto Nº 1 para violão e orquestra (1976) Continental LP
- O melhor de Dilermando Reis (1977) Continental LP
                                                                         17


- Dilermando Reis (1978) Continental LP
- Presença de Dilermando c/ Orquestra de Radamés (1978) Continental LP
- Dilermando Reis no Choro (1978) Continental LP
- Aplausos (1979) Continental LP
- Violão brasileiro (1986) Continental LP
- Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha (1988) Continental LP
- Noite de estrelas (2004) Revivendo CD
- Noite boladona (2011) Continental 78


Fonte: http://www.dicionariompb.com.br/dilermando-reis/discografia
                                                                    18


                                    ANEXO


Anexo A - FOTOS




Figura 1                                     Figura 2




Figura 3                                  Figura 4




Fonte: http://www.lastfm.pt/music/Dilermando+Reis/+images/9610357

								
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