Hipertrofia Ventricular Esquerda do Atleta - Resposta Adaptativa Fisiolgica do Corao

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Hipertrofia Ventricular Esquerda do Atleta - Resposta Adaptativa Fisiolgica do Corao Powered By Docstoc
					Hipertrofia Ventricular Esquerda do Atleta: Resposta Adaptativa Fisiológica do Coração
Autor: Nabil Ghorayeb Tese de Doutorado, defendida em São Paulo, 2001 Instituição: Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo (USP) Orientador: Michel Batlouni Correspondência: Nabil Ghorayeb – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia Av. Dr. Dante Pazzanese, 500 – CEP: 04012-909 – Ibirapuera – São Paulo, SP

Resumo
O real significado da hipertrofia ventricular esquerda do atleta tem sido objeto de controvérsia desde sua primeira descrição, ainda no século XIX. O objetivo do presente estudo foi verificar se a hipertrofia ventricular esquerda de atletas competitivos de resistência (maratonistas) representa processo adaptativo puramente fisiológico ou se pode envolver aspectos patológicos em suas características anatômicas e funcionais. De novembro de 1999 a dezembro de 2000, foi separada uma amostra consecutiva de 30 maratonistas em atividade esportiva plena, idade inferior a 50 anos, com hipertrofia ventricular esquerda previamente documentada e ausência de cardiopatia subjacente. Foram submetidos aos exames: clínico, eletrocardiográfico convencional, ecocardiográfico com Doppler colorido, teste ergométrico simples. Quinze foram sorteados para realizar, também, teste ergoespirométrico (cardiopulmonar) e ressonância magnética. Nos testes ergométricos, todos apresentavam boa capacidade física cardiopulmonar, sem evidências de resposta isquêmica ao exercício, sintomas ou arritmias. No ecodopplercardiograma, os valores absolutos e os indexados à superfície corpórea do diâmetro diastólico e espessura diastólica da parede posterior, do septo e massa do ventrículo esquerdo e do diâmetro do átrio esquerdo foram significativamente maiores comparados aos do grupo controle de não atletas, com idades e medidas antropométricas semelhantes. Especificamente, a média da massa do ventrículo esquerdo dos atletas indexada à superfície corpórea (126 g/m2) foi significativamente maior que a do grupo controle (70 g/m2) (p <
0,001). A função ventricular esquerda sistólica, avaliada pela fração de ejeção e percentual de encurtamento sistólico da fibra, foi igualmente significativamente maior no grupo atleta (0,70 e 40%) em comparação com a do controle (0,60% e 36%, respectivamente) (p < 0,001). A função ventricular esquerda diastólica avaliada pelos índices velocidade das ondas E e A do fluxograma mitral, relação E/A, tempo de desaceleração da onda E e tempo de relaxamento isovolumétrico evidenciou valores normais em todos os atletas. A ressonância magnética analisou a movimentação regional e o deslocamento sistólico das fibras cardíacas pelo tagging e mensurou o espessamento regional, demonstrando que não havia prejuízo da força contrátil ou da performance ventricular esquerda. Evidenciou, igualmente, valores de volume diastólico final, volume sistólico final e fração de ejeção dentro dos limites da normalidade. Por outro lado, houve diferença significativa na massa ventricular esquerda e nas espessuras ventriculares ao final da diástole e sístole entre o grupo atleta e o controle. Assim, a média da massa no grupo atleta foi 162,93 

17,90 g (controle: 110  14,2 g p = 0,0001), a média da espessura ao final da diástole foi 13,67  2,13 mm (controle: 8  0,9 mm, p = 0,0001) e a média da espessura ao final da sístole foi 18,87  3,40 mm (controle: 10  1,80 mm, p = 0,0001). Os resultados do presente estudo, num grupo de maratonistas em período de atividade esportiva plena, permitiram concluir que a hipertrofia ventricular esquerda observada nesses atletas, avaliada por métodos não invasivos, representa resposta adaptativa ao treinamento físico intensivo e prolongado, com características puramente fisiológicas.

Athlete's Left Ventricular Hypertrophy: An Adaptive Physiological Response of The Heart
Summary The real meaning of the athlete’s left ventricular hypertrophy has been controversial since its first publication in the XIX th century. The goal of the current study was to evaluate if the left ventricle hypertrophy in high-level competitive athletes (marathoners) represents an adaptive physiological process or if it
may reflect pathological changes in the structure and function of the heart. From November 1999 through December 2000 we randomized 30 fully active marathon runners, with less than 50 years of

age, with previously documented left ventricle hypertrophy and no history of heart disease. All athletes underwent physical examination, rest ECG, Doppler-echocardiography and exercise treadmill test. Fifteen of them were randomly selected to also undergo cardiopulmonary exercise test and cardiac magnetic resonance. All presented good performance and no abnormalities in the exercise treadmill test. By Doppler-echocardiography, the athletes had bigger values of septum, posterior wall diameter and thickness, left ventricular mass and diameter of the left atrium, when compared to a control population of similar age and anthropometrics measures, both in absolute values and indexed by body surface area. Specifically, the mean left ventricle mass was higher in athletes than in the controls (126 g/m2 vs. 70 g/m2, p < 0.001). The systolic left ventricular function, assessed by the ejection fraction and the percentage of fiber systolic shortening, was equally higher in the athletes (0.70 and 40%) than in the control population (0.60 and 36%, p < 0.001). The diastolic left ventricular function, evaluated by the E and the A wave velocity in the mitral flow gram, by the E/A ratio, by the deceleration time if the E wave and by the time of isovolumetric relaxation, showed normal values to all athletes. Cardiac magnetic resonance analyzed the wall motion and the regional systolic contraction by the tagging technique and measured the wall thickening. It showed no reduction of the left ventricular performance, unraveling normal results to all athletes. Likewise, cardiac magnetic resonance showed normal values of end diastolic volume, end systolic volume and ejection fraction within the limits of the normality. On the other hand, this test suggested that athletes had thicker walls at the end diastole and end systole, as well as heavier left ventricles. Thus, by cardiac magnetic resonance, the left ventricle's mass was 162,93 

17.9 (control: 110  14 g, p = 0.0001), the end diastolic thickness 13.29  1.53 mm (control: 8  0.9 mm, p= 0.0001) and the end systolic thickness 18.50  3.09 (control: 10  1.80 mm, p = 0.0001). The results of the present study, in an active group of competitive marathon runners, allow concluding that the left ventricle hypertrophy observed in this subset of individuals represents an adaptive response to intensive and prolonged physical training, with purely physiological characteristics. 1.

Ghorayeb N, Batlouni M, Pinto IMF. Hipertrofia ventricular esquerda do atleta: Resposta adaptativa fisiológica do coração. Arq Bras Cardiol 2005; (in press).


				
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posted:7/5/2008
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