BASQUETE
12 garotas na estrada
Seleção de basquete sub-15 do DF vai a Goiânia tentar a classificação para o Brasileiro
Thalita Kalix A seleção sub-15 do Distrito Federal embarcou para a capital goiana, onde disputará, de hoje a domingo, a primeira fase do Campeonato Brasileiro de Basquete Base. A viagem para Goiânia é a primeira rumo a uma competição nacional para a maioria delas. No grupo 3, disputam, além do DF, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins. O campeão terá o direito de disputar o título nacional no grupo especial, de 16 a 20 de setembro, em Santa Catarina. A missão, entretanto, não é fácil: de 2000 para cá, a seleção do Distrito Federal conseguiu no máximo um segundo lugar, em 2001. Nos anos seguintes, as últimas posições foram mais frequentes. O que dá esperança é o desenvolvimento crescente da equipe, segundo o auxiliar técnico, João Ricci. Fotos: Monique Renne/CB/D.A Press
Ricci e Fabiana à frente do grupo: torneio seletivo e só um campeonato no ano
Ano passado, Brasília acabou na terceira colocação da região. “Estamos fazendo um trabalho para o sub-17. Ficar entre os três primeiros colocados já será bom demais”, explica a técnica, Fabiana Freitas. Das 12 atletas, apenas quatro já competiram no Brasileiro. A ala Ana Borges Costa, de 14 anos, é uma delas. “O nível técnico é maior, as equipes são mais fortes”, avisa. Em um time iniciante, isso pode ser uma pressão grande. Por isso, em um mês e meio de treinamento, a técnica trabalhou o ritmo de jogo. Elas fizeram diversas partidas contra os times adultos da UnB, Vizinhança e Avabra. Fabiana, no entanto, conta que investiu mais na preparação psicológica das garotas. “Esse é o primeiro brasileiro de muitas. Por mais que tenha muita qualidade individual, o coletivo é que pesa”, explica. O entrosamento também teve que ser construído às pressas. Para montar a equipe, a comissão técnica promoveu um campeonato entre os principais times de Brasília. Dali selecionaram as 18 atletas que integrariam a seleção do DF. Dessas, 12 embarcaram ontem para Goiânia. BENDITO FRUTO O auxiliar técnico, acostumado a lidar apenas com os rapazes, confessa que sentiu a diferença ao trabalhar com meninas. Mas garante que ainda não teve problemas em ser o único homem no meio de 13 mulheres.
De adversária a aliada
Se o armador é o jogador que pensa as jogadas de uma equipe, a seleção de Brasília está em boas mãos. A jovem Serena Costa, de 14 anos, fala com propriedade sobre a modalidade. Ano passado, ela defendeu seu estado de origem, Rondônia, no Brasileiro sub-15 e sub-17. Morando em Brasília, ela está confiante de que pode conseguir a vaga para o grupo especial. “Dá para ganhar se a gente jogar com garra.” A estreia de Brasília , no entanto, será contra Rondônia, sua equipe ano passado. A atleta garante que isso não a atrapalhará. “Estou mais tranquila, por já conhecer o time. Para mim vai ser mais fácil.” Serena conversou muito com a técnica Fabiana Freitas durante o mês e meio de treinamentos da seleção distrital. “Cada estado tem seu jeito de jogar.” E explica que em Rondônia, por exemplo, o basquete não é tão técnico, é mais na força. “É feijão com arroz”, arremata. Já em Brasília, continua Serena, o jogo é mais inteligente, assim como no Mato Grosso do Sul.
Serena jogava por Rondônia e agora defende Brasília
Fala sério
“Uma única competição pela seleção do DF durante todo o ano é muito pouco. Quando a gente começa a se entender, a virar um time, acaba”, reclama a armadora Serena, 14 anos. No calendário do time que representa o DF, não tem mais nenhum campeonato além do Brasileiro.
Fotos: http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20090715/fotos/e-1507-1401.jpg http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20090715/fotos/e-1507-1402.jpg
Correio Braziliense, quarta-feira, 15 de julho de 2009.