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					                  Modelos de Negócio e
         Iniciativas de Comercialização


 Edição dos depoimentos dos agentes de mercado ligados a modelos de
 negócios e iniciativas de comercialização de conteúdos audiovisuais de
curta duração em funcionamento no país que participaram do Seminário.
       Os resumos estão organizados por ordem alfabética dos projetos.
Auwé Digital
Cacá de Carvalho, gerente de atendimento da empresa
www.auwe.com




A
          Auwé Digital não é uma empresa distribuidora e nem exibidora.
          Nós gerenciamos conteúdo digital, ou seja, digitalizamos diversos
          produtos audiovisuais para que eles sejam exibidos em salas de
cinema ou em espaços alternativos, como clubes e condomínios, ao ar livre
ou onde o espetáculo de cinema for representado. Atualmente, trabalhamos
com 25 grupos de exibidores, totalizando 165 salas de cinemas espalhadas
em 75 complexos pelo Brasil afora. Também trabalhamos com 29 distribui-
doras independentes, além das que trabalham com filmes nacionais, e algu-
mas produtoras que resolveram escoar os seus produtos, já que estavam com
dificuldades de fazer com que eles chegassem às telas de cinema.
      Com relação ao tema proposto aqui pelo Seminário, infelizmente o que
nós tínhamos para apresentar não está mais acontecendo, mas creio que a
experiência que tivemos serve como embasamento para novas frentes de
trabalho no futuro bem próximo. É o caso do Instituto Brasil Leitor, que
aconteceu no metrô de São Paulo. Fazia parte do Projeto Encontros, cujo
objetivo principal era levar dança, exposição, teatro, poesia e também cine-
ma à nossa geração. E o produto escolhido para representar o cinema foi o
curta-metragem, justamente em função de sua duração.
      Nós montávamos uma sala de cinema aberta, dentro da estação Santa
Cecília do metrô, onde exibíamos toda sexta-feira um programa de 30 minu-
tos só com curtas-metragens, que passavam às seis, seis e meia e sete horas,
que é o horário de pico. A ideia era fazer com que as pessoas que estives-
sem chegando de uma semana cansada conseguissem dar uma paradinha,
assistir a um curta, dar uma relaxada, rir, pensar. Exibíamos documentário,
comédia, drama, enfim, a ideia era propiciar o cinema para aquela população
que não tinha muito acesso.
      De abril de 2009 até julho de 2010 fizemos cerca de 180 exibições de
curta-metragem desses programas, em um espaço aberto dentro da estação,

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mas com toda a propriedade de cinema. Tinha tela, projetor, áudio 5.1, pufes
espalhados e era aberto para que quem estivesse passando por ali se sentisse
convidado a parar um pouquinho e assistir. O Instituto Brasil Leitor não está
mais coordenando o projeto. Agora, segundo uma licitação, será coordenado
por outra empresa. Vale lembrar que esse projeto inicialmente se espalharia
por mais 14 estações de metrô aqui em São Paulo e se propagaria depois
para o Brasil.




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Blopix
Guilherme Coelho, empresário, sócio da ZeroUm Digital,
e empreendedor do mundo digital
www.blopix.com




O
         Blopix nasceu há dois anos como uma plataforma de distribuição
         controlada de conteúdo audiovisual profissional em computadores
         e celulares, não apenas para fins de entretenimento, mas também
para o mercado corporativo. Montamos uma forma de locação de conteúdo
audiovisual em computadores, notebooks, desktops e também vários forma-
tos de celulares para atender a uma base grande desse mercado.
      Além do curta-metragem, trabalhamos com longa, documentário, fic-
ção, uma série de coisas. Os filmes ficam à disposição no catálogo do site,
que tem versão em português e inglês e também filtro geográfico para con-
trole de direitos que os produtores e os distribuidores possuem. Depois do
filme escolhido, é só entrar na página do filme e escolher o formato. Estamos
até estudando ter um formato download, de compra mesmo. Por enquanto,
disponibilizamos o streaming, exibição contínua em que a pessoa não baixa
o arquivo, mas tem acesso ao filme por um tempo determinado. Há vanta-
gens e desvantagens em relação a esse formato. É mais rápido porque não




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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




é preciso esperar o download inteiro para assistir, mas é necessário estar
conectado. A facilidade de baixar o arquivo é que se pode assistir depois,
mesmo não estando conectado.
     O pagamento é feito por meio de cartão de crédito. Os realizadores tam-
bém recebem cartões de vale-filme para distribuir às pessoas que quiserem
ou mesmo para disponibilizar no ponto de venda. Isso quebra um pouco a
barreira do e-commerce, porque ainda há uma resistência quanto a pagar
com cartão pela internet. Os filmes comprados ficam todos reservados. Não
há preocupação de copiar os arquivos, pois eles serão exibidos em qualquer
computador ou celular que seja compatível. É só acessar a conta no Blopix e
encontrar a filmoteca disponível.




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      Assim que o pagamento é processado, a pessoa tem 30 dias para come-
çar a ver o filme. Esse prazo ainda está sendo estudado, podemos aumentar
para 60 ou 120 dias, mas isso não influencia tanto. O importante é que em
até 48 horas após a primeira visualização pode-se assistir ao filme quantas
vezes quiser. Para a pessoa que já que usa o cartão de crédito on-line, o pro-
cesso é muito fácil.
      O realizador que quiser saber se alguém já alugou seu filme, pode
encontrar esta e outras informações no site. Todos que nos fornecem títulos
têm uma conta com login e senha. É só entrar, buscar por período, escolher
num dropdown o título desejado e checar o relatório. Nosso esquema de
trabalho com os produtores funciona assim: recebemos a obra, fazemos a
digitalização para vários formatos, cadastramos no site e colocamos o filme
à disposição. Depois, fazemos um share de 50% do que gerar dos aluguéis
com o produtor ou negociamos ações com vale-filme.
      Aproveito para citar o exemplo do curta-metragem Espalhadas pelo ar,
de Vera Egito, produzido pela Ioiô Filmes, que é um dos maiores sucessos
de locação na Blopix. Ele foi selecionado para o Festival de Cannes, saiu em
jornais e revistas e nesse período foi o curta que nós mais alugamos no site.
O Blopix nasceu por causa disso. Na hora que um curta é lançado e está nos
festivais, saindo em vários órgãos da imprensa, geralmente, não está dispo-
nível em nenhum lugar para exibição. É claro que nossa batalha é comercial.
No momento em que o curta tem o seu maior potencial, escutamos dos pro-
dutores “Eu tenho um ano ainda de janela de festival, vou cumprir em vários
festivais, daqui a um ano a gente conversa”. Para tentar fazer o audiovisual
ser produtivo, esse tempo perdido pode ser mais bem trabalhado.




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Canal Brasil
Alexandre Cunha, gerente de programação do canal
http://canalbrasil.globo.com




P
        ara explicar a relação do Canal Brasil com o curta-metragem, vou
        começar falando da política de aquisição, que é norteada por dois
        pressupostos básicos. O primeiro é que um dos objetivos do canal é
construir um amplo painel da produção audiovisual brasileira, não só em
curta-metragem, mas em todos os formatos. Aqui vamos falar mais espe-
cialmente de curta-metragem. O segundo pressuposto é que não fazemos
qualquer tipo de restrição quanto à duração, região da produção, gênero ou
suporte utilizado. O Canal Brasil exibe curtas em 35mm, 16mm, vídeo, Super
8, enfim, não há restrição a nenhum tipo de suporte ou formato.
       Com relação à precificação, na época do nascimento do Canal, em 1998,
muito pouco se comprava de conteúdo com menos 30 minutos. A solução
que encontramos foi utilizar um parâmetro do departamento de aquisições
da GloboSat. O que se comprava ali com menos de 30 minutos era conteú-
do internacional, quer dizer, existia um teto de US$ 1 mil para esse tipo de
produto. Na época fizemos uma conversão e chegamos a um valor de R$ 1,2
mil como referencial para começar a comprar curtas-metragens brasileiros.
      Em 2004, procuramos fazer algo diferente: criamos um piso e um teto.
O valor, então, variava de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Atualmente, o Canal Brasil
ampliou um pouquinho esse teto e agora o valor varia de R$ 1 mil a R$ 2,5
mil. Os nossos termos de negociação, de 1998 a 2010, também passaram por
oscilações significativas. Por exemplo, no início trabalhávamos com exclu-
sividade total, hoje essa exclusividade acompanha o tempo da janela, que
é de um ano para TV aberta. Em 1998, não tínhamos ideia de como seria a
utilização, as exibições eram ilimitadas, hoje estão limitadas a 24.
      Além da aquisição normal, o Canal Brasil também procura estimular
a produção de curta-metragem. Já em 1998 foi criado o Prêmio Aquisição
Canal Brasil. Começamos com dois festivais, Gramado e Brasília, e premiáva-
mos dez curtas. Ao longo dos anos, o prêmio se modificou, fomos tentando

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ajustar o formato. Em 2010, chegamos a esse modelo de nove festivais, pre-
miando um curta por festival ao valor unitário de R$ 15 mil. Se somarmos de
1998 até 2010, o Prêmio Aquisição distribuiu R$ 785 mil em prêmios.




     Outra forma de estimular ainda mais a produção se deu com a criação
do Grande Prêmio Canal Brasil, que foi criado em 2006 como resultado do
Prêmio Aquisição. Os vencedores do ano concorrem novamente ao Gran-
de Prêmio e o vencedor recebe um prêmio ainda maior. Começamos com
R$ 20 mil em 2006 e em 2008 chegamos a R$ 50 mil.




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      Em termos de programação, ocupamos uma faixa permanente de curtas-
metragens e também temos uma programação especial muito voltada para
a democratização dos festivais. Ou seja, levar o festival local para a televisão,
para torná-lo nacional. Já tivemos vários programas especiais, como o “Anima
Mundi”, em duas temporadas; o “Cine Mix Brasil”, apresentado pelo André
Fischer, que é curador dessa faixa; o “Curta São Paulo”, apresentado pela Bár-
bara Paz, que em 2011 vai se expandir e passa a se chamar “Curta na Estrada”,
possibilitando visitar outros lugares do Brasil. Conseguimos levar o Super 8
para a televisão no programa “Tamanho Também é Documento”, apresentado
pelo Clovis Molinari, que fez um trabalho arqueológico que resultou em uma
temporada de 13 programas. Somos parceiros do Cel.U.Cine no formato celu-
lar: um dos prêmios para os vencedores é ter exibição no Canal Brasil.
      Nossa faixa de curtas se chama Curta na Tela e seu horário principal
é nobre, às 20h30. Há também um horário alternativo de segunda a sex-
ta, às 15h30. No fim de semana o curta é exibido em forma de maratona,
quer dizer, é outro jeito de assistir ao curta-metragem. O horário principal
da maratona é sábado às 14h30 e vai até as 16h00, e o horário alternativo é
aos domingos às 9h30.
      Em relação à divisão da ocupação do curta-metragem na grade do Canal
Brasil, o predomínio é da região Sudeste, com 70% praticamente. Depois
temos a participação do Sul, do Nordeste e muito pouco no Centro-Oeste e
no Norte (veja gráfico abaixo). Acredito que esse gráfico reflete a produção
do Brasil. Dentro de cada região, no Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro
impulsionam e Minas também contribui; no Sul, o Rio Grande do Sul é o




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grande impulsionador, incluindo os curtas da RBS; no Nordeste existe uma
participação bastante significativa em Pernambuco, Bahia, Ceará e Paraíba.
Por enquanto, não conseguimos colocar Goiás, Acre, Amapá e Tocantins na
nossa grade de programação.




      Os dados fechados até julho mostram que 1.231 curtas-metragens já
passaram pela grade do Canal Brasil, negociados com 359 produtores distin-
tos, com um volume total de negociação ultrapassa R$ 2 milhões. A previsão
até dezembro é que o investimento de 2010 chegue a R$ 500 mil. É o maior
investimento dos últimos 10 anos.




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Canal Futura
Marcio Motokane, coordenador artístico do canal
www.futura.org.br




O
         Canal Futura pretende fazer diferença na televisão porque se trata
         de um projeto social de comunicação, de interesse público, gerado
         e construído por parceiros da iniciativa privada, pois trabalhamos
com licitações, terceirização de projetos, e isso é importante para termos
sempre novos horários e novos fornecedores.
      Ser uma TV que trabalha como uma rede social de mobilização é o
nosso grande diferencial. Em 12 anos, 11 mil instituições – desde presídios,
cooperativas, escolas, grupo de terceira idade, entre outras – passaram pelo
canal. Sempre buscamos um formato atrativo para valorizar a diversidade da
produção audiovisual brasileira. Afinal, para que ficarmos sempre no mesmo
olhar de um eixo se podemos trabalhar com um Brasil de ponta a ponta?
Temos cinco regiões que nos proporcionam novos modos e novos olhares
para se fazer uma narrativa de televisão. Esses são os nossos parceiros. Temos
um grupo de 73 milhões de brasileiros prontos para assistir ao canal. Desses
73 milhões de brasileiros, 40 milhões têm o hábito de assistir ao Canal Futura.
      E como assistir ao Canal Futura? O principal modo é a banda C, ou seja,
o sinal de parabólica. Devemos sempre ficar atentos à parabólica. É uma dis-
cussão que as pessoas tentam sempre retornar, às vezes deixam um pouco
de lado, mas acho que possuímos um potencial muito grande de público ali.
Todo mundo deveria olhar para esse público. Na TV por assinatura, que é
onde a gente nasceu, o Canal Futura é veiculado pela NET e também pela
Sky. Já nas TVs universitárias disponibilizadas em várias regiões do Brasil,
basicamente nós utilizamos as nossas redes de comunicação, com uma mes-
cla de produção local de ambos. E o mais recente modo de veiculação é a
nossa geradora, o canal 18, que fica na cidade de São Gonçalo, Rio de Janei-
ro. A população do Grande Rio realmente assiste ao Canal Futura como um
canal de TV aberta, então nós precisamos passar por todos os trâmites, estar
totalmente voltados a uma legislação de radiodifusão de TV aberta.

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      Resumidamente, o perfil de espectador do Canal Futura é formado pela
Classe C, D e E. É o nosso público, é onde está a parabólica. Nosso público C,
D e E está muito concentrado nas regiões Norte e Nordeste, e o retorno da
audiência pela nossa rede de mobilização é sempre destaque na região do
semiárido nordestino. Então, essa busca de novos olhares é bem forte ali, no
Sudeste também, obviamente, mas ali há um DNA interessante para o Futura.
      Espalhados pelo Brasil, contamos com vários mobilizadores que traba-
lham os nossos conteúdos como realizadores, tentando expandir suas jane-
las de exibição. Às vezes, esses conteúdos são exibidos em circuito fechado,
outras vezes com retorno na televisão e, depois de um tempo, onde a gente
sequer imaginava. Assim, a rede de mobilização desenvolve um trabalho de
educação com uma temática específica que se torna uma demanda de exibi-
ção, ampliando a nossa janela.




      Ao articular essa rede de 11 mil instituições que passaram pelo canal,
começa então uma produção cooperativa entre canal, mobilização, o grupo
local e às vezes também entre os grupos. O resultado é transformado em
produto de televisão. Nós acompanhamos o retorno disso na mobilização e,
às vezes, conseguimos dados interessantes de pesquisa formativa. Por exem-
plo, eu posso criar um piloto de programa a partir da própria rede de mobi-
lização, passar isso na televisão, devolver para a rede e juntos mudarmos na
medida do possível. Claro que isso depende de orçamento também, mas na
medida do possível tendemos sempre a pensar que trabalhar na pesquisa
articulando redes é um fator de qualidade.

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      Tentando definir o que seria a nossa iniciativa de aquisição de conteú-
do de curta duração, trouxemos quatro casos para o Seminário, divididos em
produtos de dois tipos: programas (com mais de cinco minutos de duração)
e interprogramas (menos de cinco minutos de duração). Vou especificar três
casos de interprogramas de cinco minutos e um de 15 minutos.
      Quando olhamos uma iniciativa, pensamos sempre em um apoio maior
do que a veiculação do produto no canal. Foi pelo envolvimento de processo
com incentivo de produção artística, capacitação audiovisual, busca e propa-
gação de talentos, que aqui na rodada de negócios foi exposta a divulgação
de projetos de multiplataformas, pensando não apenas na televisão, mas em
internet e celular entre outros, como também a participação no júri. É uma
forma muito legal de nos aproximarmos para determinados processos e pro-
jetos audiovisuais, veiculação de conteúdos e uso de conteúdos pela mobili-
zação comunitária.




      Um deles é o Animart, que é o Festival Brasileiro Estudantil de
Animação. Trabalhamos com a divulgação de concurso, participação no
júri, premiação para os vencedores e veiculação do canal. É uma premiação
simbólica, mas mexe com categorias de estudantes do Brasil, isso é bem
interessante.
      O Plural Plus é o projeto internacional de vídeo juvenil que agrega
uma temática voltada para a migração, diversidade e inclusão social e a gen-
te participa com a divulgação do concurso, participação no júri e veiculação
do canal, sendo que eu mesmo fiz parte do júri fazendo a avaliação pela

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própria internet, que isso é uma nova janela, que isso possibilita, viabiliza
muitas formas de negócio em aproximação.
      A Olimpíada das Artes na Infância é um concurso internacional
voltado para as crianças da International Child Art Foundation (ICAF). Nós
trabalhamos com a divulgação do concurso, participação do júri e com o
diferencial que é a animação de vinhetas para a veiculação no canal. A pro-
dução é feita conjuntamente: pegamos os desenhos das crianças brasileiras
finalistas e criamos vinhetas na programação do canal, num processo cola-
borativo. Assim, além de incentivar o concurso, você incentiva outras pesso-
as do Brasil a participar desse tipo de produção, não necessariamente do pró-
prio ICAF, mas de outros modos de produção, outros modelos de negócio.
      E o Revelando os Brasis é um projeto de 40 curtas-metragens com 15
minutos de duração para cidades de até 20 mil habitantes. Juntamente com
o Ministério da Cultura, entendemos que essa era uma boa forma de veicular
curtas, mas se eles durassem 15 minutos seriam considerados programas.
Então, jogamos para a faixa de 30 minutos adicionando entrevistas com os
realizadores e com os diretores de curta-metragem, e aplicamos oficinas de
formação audiovisual que acabam participando do processo. O Futura é um
canal que trabalha com esses valores, basicamente, que são espírito empreen-
dedor, espírito comunitário, pluralismo, ética e sustentabilidade do planeta.




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Casa de Cinema de Porto Alegre (Distribuidora)
Ana Luiza Azevedo, sócia da empresa e diretora cinematográfica
www.casacinepoa.com.br




E
        Estou muito feliz em acompanhar este Seminário, que considero fun-
        damental, e ver tanta gente pensando no curta como negócio. Fui
        convidada para relatar a nossa experiência e acho que se a Casa de
Cinema de Porto Alegre teve alguma participação importante nesses seus
23 anos de existência foi a de tentar mostrar que o curta é e poderia ser
um negócio. Quando criamos a produtora, em 1987, a ideia era exatamente
essa: éramos 12 pessoas (organizadas em quatro produtoras) que trabalha-
vam com cinema, que faziam longas, mas principalmente curtas. As quatro
empresas produtoras se uniram para criar uma distribuidora, para fazer com
que nossos filmes fossem considerados um produto do nosso trabalho e por
isso fossem remunerados. Queríamos fazer com que fossem veiculados e
assistidos. Não víamos sentido em realizar aquela quantidade de filmes, e
ter as latas empoeirando nas prateleiras (ou embaixo das camas), sem que
fossem exibidos.
      A Casa de Cinema tem três eixos principais de ação: distribuição, exi-
bição e produção. A produção é o carro-chefe e os outros dois servem como
apoio ao nosso trabalho, principalmente a distribuição. A exibição é bem
mais recente, nós administramos e programamos uma sala de cinema em
um centro cultural, o Santander Cultural. A sala é pequena, tem 85 lugares,
mas conseguimos com ela pensar um pouco no que é a exibição de cinema
hoje, promover a formação de platéia e a reflexão sobre cinema, além de
nos divertir bastante, é claro. Isso complementa o trabalho que temos feito.
Compreender a relação do público com o cinema é fundamental para quem
quer realizar filmes.
      Mas focando na distribuição, que é o tema deste seminário, como eu
disse, criamos este braço para dar apoio ao nosso trabalho de produção, que
já estava sendo reconhecido nacional e internacionalmente. A ideia era que
não ficássemos esperando convites para exibir os fimes, mas que criásse-

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




mos alternativas de exibição. Naquele momento, e por um bom tempo ainda,
eram alternativas de exibição físicas, não havia a possibilidade de exibição
virtual. Criamos uma tabela para venda e aluguel dos filmes que acabou se
impondo como uma referência para quem trabalhava com curta-metragem
no país todo. Naquele momento, final dos anos 80 e início dos 90, quem
trabalhava a distribuição de curta era a CDI, uma distribuidora indepen-
dente de curtas criada por cineastas paulistas com a mesma preocupação
nossa e a Fundação de Cinema Brasileiro, que fazia um trabalho de fomento
(criando editais de produção), difusão ( facilitando e participação de curtas
em festivais internacionais) e distribuição. Era à Fundação que qualquer um
recorria quando queria exibir um curta brasileiro, mas a FCB praticava uma
tabela de locação que era quase de graça, o que foi discutido e alterado. A
troca de informação e a prática de cobrança pela exibição dos curtas fosse
em cinemas, mostras, associações ou na televisão por estes três agentes (Casa
de Cinema de Porto Alegre, CDI e Fundação do Cinema Brasileiro) foi fun-
damental para que os realizadores acreditassem que este formato era viável
e poderia ser encarado como negócio. Em dois ou três anos (de 87 à 90), as
vendas e alugueis dos curtas chegaram a 60% da receita da Casa de Cinema
de Porto Alegre.
      Claro que 60% não era tanto, já que nossa receita era pequena. O retor-
no do curta não sustentou ninguém (nenhum de nós ficou rico ou teve auto-
nomia financeira com o curta), mas nos permitiu manter um espaço físico,
uma pessoa trabalhando exclusivamente para a distribuição, como temos até
hoje e, principalmente, conseguimos manter o acervo em dia, com controle
das cópias e fazendo novas quando necessário. Esta organização é funda-
mental para o trabalho. Quando pensamos na difusão do curta-metragem,
seja na bitola que for, é preciso ter uma estrutura mínima de organização
que dê suporte a essa distribuição. Muitas vezes o produtor ou realizador
não sabe onde está a cópia, não tem CPB, ... o que dificulta muitíssimo o
trabalho de exibição e distribuição.
      Com a produção de longas a partir dos anos 90, passamos a trabalhar
com as grandes distribuidoras internacionais, e com as pequenas e médias
distribuidoras brasileiras para fazer a distribuição destes filmes. Mas ter um
departamento organizado nos facilitou o trabalho de apoio que todo produ-
tor de longa precisa fazer junto ao distribuidor, pelo menos no Brasil. No
filme “3eFes”, do Carlos Gerbase, nós mesmos fizemos a distribuição, porque
esta era a proposta do filme: experimentar um lançamento na sala de cinema,
na internet e na televisão ao mesmo tempo. O filme foi pensado para isso, foi
produzido para ficar em cartaz na sala de cinema, e disponível na internet

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




por uma semana. A experiência foi bastante positiva e provocou uma grande
discussão interna sobre as eternas trocas de paradigmas da distribuição. E
esta é uma prática fundamental: estar sempre repensando o mercado do
audiovisual, que muda constantemente, não só em relação ao suporte, mas
como dinâmica de mercado em si. Quais são as possibilidades do mercado?
Como fazer com que esta atividade seja sustentável? O que fazer para man-
termos uma estrutura e que ela seja lucrativa? De que forma trabalhar com
as novas mídias? O que nos interessa nesta forma de expressão? E agora, o
cinema é o quê, mesmo? Estamos nos questionando constatemente. Por isso
é que fomos criando esses braços. São apoios para que possamos experimen-
tar todas as possibilidades de negócios que vão surgindo.
      Um suporte extremamente importante ainda hoje no nosso negócio
de curta-metragem é a loja virtual. A criamos há uns cinco anos, vendemos
todos os nossos produtos, e geram uma receita razoável. Claro, não é o que
sustenta a produtora, mas sustenta o braço da distribuidora e viabiliza aven-
da e circulação dos produtos. Para se ter uma ideia, nos primeiros 20 dias de
agosto vendemos 26 curtas. Em termos de receita não é muito, mas os filmes
estão girando. E é aquilo que eu disse antes, é um dinheiro que sustenta a
estrutura para que a gente possa continuar fazendo com que nossos filmes
sejam assistidos. Hoje também distribuímos, sem exclusividade, filmes gaú-
chos, de pessoas que trabalham conosco. É uma forma de oferecer um apoio
de infraestrutura, para que estes realizadores ou produtores usufruam dos
mecanismos já criados. Mas a distribuição de nossos filmes não ficam res-
tritos a nossa estrutura. Também trabalhamos com outros projetos, como o
Porta Curtas, o Curta o Curta, e as distribuidoras dos longas.
       Quando a Casa de Cinema fez 20 anos, lançamos uma caixa de curtas,
com quatro DVDs. Na época o mercado de DVD era bom e chegamos a ven-
der 1,9 mil caixas, quase 8 mil DVDs. É bastante.
      Bem, essas são algumas das nossas ações como uma distribuidora cria-
da para apoiar a produtora e manter os filmes em circulação. É uma expe-
riência de 23 anos de quem sempre acreditou no potencial do curta como
expressão, criação e possibilidades de experimentação e negócio.




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Circuito de Festivais Audiovisuais
Antonio Leal, diretor executivo do Fórum dos Festivais
www.forumdosfestivais.com.br




O
          s festivais no Brasil são na verdade uma vitrine muito especial do
          curta-metragem brasileiro, pois é a principal janela de exibição des-
          se tipo de formato. É uma responsabilidade muito grande começar-
mos a ter uma interlocução dentro da questão da economia da cultura, da
economia criativa.
      Hoje, possuímos um circuito com 220 festivais de cinema, construído
ao longo de 20 anos, à disposição da produção brasileira não só de curta-
metragem, mas também de outros formatos. Quando falamos sobre festivais
de cinema, é preciso saber que para montar um festival é necessário um
grande esforço do organizador. É construir uma nova edição a cada ano e
colocar esse circuito à disposição da produção brasileira para que ela cresça.
      A partir de uma relação muito próxima com a Secretaria do Audiovisu-
al, nós fizemos a primeira pesquisa do setor de festivais do Brasil. São núme-
ros bastante impressionantes e é importante que entendamos que esse é um
circuito bastante heterogêneo. Essa variação de perfis enriquece e valoriza
muito a nossa atividade. Temos vários realizadores de curta-metragem que
hoje organizam festivais de sucesso, com boas propostas, seriedade na exibi-
ção e preocupação em relação aos filmes exibidos. Ao mesmo tempo, temos
festivais com décadas de existência. Por exemplo, o Festival de Brasília tem
43 anos, está plenamente consolidado.
      O circuito é muito diverso e essa heterogeneidade às vezes provoca uma
má compreensão das possibilidades e capacidades financeiras dos festivais.
Nós temos 220 festivais mapeados, 28 deles são brasileiros que acontecem
no exterior e cumprem o papel de garantir a exibição de filmes nacionais
em países americanos e europeus. E sabemos que quase 90% desse circuito
é feito com orçamentos modestos. Um dado dessa pesquisa aponta que ape-
nas 46% do volume de recurso que circula nos festivais vêm da chamada Lei
Federal de Incentivo à Cultura, que é a Lei Rouanet. A partir da realização

                                      69
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




deste Seminário, pretendemos fazer uma interlocução mais profunda para
compreender como estamos nos relacionando com a produção de curtas.
      E o que nós entendemos que seja da responsabilidade de um organiza-
dor é colocar seu evento à disposição da sociedade, principalmente no aspec-
to de formação de público – é por meio dos festivais que muitas pessoas têm
contato pela primeira vez com o cinema –, e, ao mesmo tempo, estabelecer
uma relação entre os festivais.
      Conversando com vários organizadores, percebemos que o caderno de
encargos dos organizadores brasileiros é superior aos dos festivais de cine-
ma de outros países. É um perfil que foi construído assim, temos inúmeras
e enormes responsabilidades. A Luísa Lins, que realiza a Mostra Infantil
de Cinema, batalha para a implantação de políticas públicas para o cinema
infantil. Nós sempre vamos além da obrigação de encontrar um espaço para
realização do festival e de exibir bem os filmes, o que também não é uma
tarefa simples.
      Atuamos em mais de 100 municípios do Brasil. Normalmente, os even-
tos não acontecem nos cinemas de shopping, mas em espaços culturais, luga-
res adaptados ou mesmo em cidades que sequer têm salas de exibição. Neste
caso, são construídas tendas para que as pessoas possam ter contato com o
cinema. Esse é o papel que os festivais têm, de colocar uma plataforma con-
sistente, forte e regular para que os nossos filmes sejam exibidos. É muito
ruim para todos nós quando um festival é cancelado ou a edição daquele ano
não ocorre por uma questão de viabilidade financeira. Todos perdem.
      Como empreendedores culturais, os festivais têm como meta e como
objetivo renovar os seus esforços para cumprir a viabilidade do evento a cada
ano. Da relação com o curta-metragem, nós exibimos mais de 12 mil por ano
nesse circuito. Além de sediar eventos, procuramos contratar e requisitar
serviços de curtas-metragistas para criação de oficinas e da chamada cultura
audiovisual na localidade de atuação do profissional.
      É importante destacar também que os festivais têm um poder muito
forte de inter-relações com as diversas atividades que compõem essa cadeia
produtiva do audiovisual brasileiro. Não só na questão da gestão governa-
mental, já que sediamos também vários encontros que possibilitam o debate
e o encaminhamento de políticas públicas, como também na articulação de
tudo o que circula em torno dos festivais.




                                           70
Circuito Espaço de Cinema
Adhemar de Oliveira, exibidor
www.cinespaco.com.br




V
          ejo o curta-metragem como uma das expressões da nossa cultura e
          da nossa juventude, mas também tenho um lado contraditório. Ao
          mesmo tempo em que apoio o curta-metragem de tudo quanto é
forma como exibidor, minha posição é contrária ao Estado intervir no mer-
cado como fez na época da Lei do Curta. Afinal, o cinema não é uma conces-
são pública como a televisão. Foi a fraqueza dos sindicatos de exibidores que
permitiu essas intervenções indevidas.
      Às vezes, elogiamos uma forma momentânea de democratização de
acesso que, na realidade, é uma adversidade. Quando se considera os festi-
vais como janela de exibição, isso nada mais é do que a expressão de uma
pobreza enorme na própria exibição. Nós não podemos fazer da riqueza dos
festivais um tapume para o acesso.
      Normalmente, a porta de entrada para o cinema é o curta-metragem. É
a forma de conhecer e de se relacionar, porque o cinema é uma das artes que
precisam desse relacionamento na exibição, distribuição, produção, criação
ou roteiro. De todas as artes, é a mais profundamente coletiva.
      De certa forma, todos que participam da possibilidade de que a exibi-
ção do curta chegue ao olhar do espectador – seja ele de qualquer canto do
país ou de que formato – sabem que hoje nós temos uma realidade muito
mais rica de potencialidades comparada à de 15 anos atrás, embora continue
deficiente na capacidade de execução.
      Desde o início, o Circuito Espaço abriu uma janela de exibição a partir
da parceria com o Festival de Curtas-Metragens de São Paulo exibindo parte
de sua programação. Em 1999, criamos o Curta às Seis, patrocinado pela
Petrobras, que durante sete anos tornou possível a 500 mil pessoas assisti-
rem aos filmes com entrada franca.
      Com o modelo formatado e o patrocínio da Lei Rouanet, essa asso-
ciação para exibição de curtas em salas Multiplex aconteceu no Congresso

                                     71
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




Brasileiro de Cinema, entre a ABD e a Associação Brasileira de Multiplex
(Abraplex). Conseguimos articular interesses de empresas exibidoras e dos
realizadores e tivemos uma experiência de qualidade.
      Essas ações objetivam aliar elementos de uma cadeia produtiva sem
intervenções, que produzam resultados tocando na questão econômica das
salas de cinemas, para que o exibidor consiga fazer projetos patrocinados.
A inventividade que outros projetos naquela ocasião demonstraram tem de
ser transformada em permanências que não enganem a nossa realidade, seja
na internet e na telefonia, seja nos movimentos de comunidade de base ou
itinerantes.
      A busca da diversidade não é só uma questão do curta, é da progra-
mação do cinema. Hoje, o realizador de longa-metragem, aliado ao curta-
metragista, também tem dificuldades nessa busca. O ponto em comum que
eu tenho, tanto com um quanto com outro, é a filosofia de que a diversidade
exposta da cultura do próprio País é um dos pilares da construção de uma
sociedade democrática.




                                           72
Claro Curtas
Carime Kanbour, vice-presidente do Instituto Claro e gerente de
responsabilidade corporativa da Claro
www.claro.com.br




A
         operadora de telefonia celular Claro criou o Instituto Claro em mar-
         ço de 2009 com o objetivo de estruturar seu investimento social
         privado e estimular o uso de novas tecnologias na educação. Uma
das primeiras ações desse movimento resultou no Claro Curtas, festival de
curtíssima metragem para vídeos de até 90 segundos a partir de celulares,
webcams, câmeras digitais e outros dispositivos móveis.
      Em 2008, organizamos a primeira edição do festival, que unia o serviço
de tecnologia da empresa ao audiovisual. A ideia era trabalhar o tema “Diver-
sidade e Inclusão” em vídeos de um minuto e meio, que podiam ser produ-
zidos por meio do celular e outras mídias. Recebemos mais de 1.300 filmes,
de 22 estados brasileiros, vindos de 194 cidades. A premiação foi de R$ 100
mil divididos entre os três primeiros lugares e o filme mais votado pelo júri
popular. Depois, 20 finalistas foram selecionados para vir à capital paulista
participar de oficinas técnicas de aprimoramento, incluindo a acessibilidade
dos filmes para pessoas portadoras de deficiência visual e auditiva.
      Após a criação do Instituto Claro, lançamos a segunda edição do fes-
tival, repensada para trabalhar as novas tecnologias ligadas à educação.
Apostamos em uma plataforma que busca a democratização do audiovisual,
principalmente para as pessoas que não têm tanto acesso. É muito comum
chegar a Macapá, Belém, Rio Branco ou ao Sul do Brasil e encontrar pesso-
as que possuem um celular com câmera e acesso ao YouTube e às mídias
sociais. Mas o que elas estão produzindo, qual é a qualidade do que produ-
zem? De que forma podemos trabalhar o olhar dessas pessoas para a produ-
ção de audiovisual?
      Para ampliar os debates sobre as possibilidades trazidas pelas novas
tecnologias, suas formas de expressão e participação no mundo contempo-
râneo, criamos materiais educativos gratuitos para aprimorar a realização
dos vídeos, disponíveis no site do Claro Curtas para download. Por exemplo,

                                     73
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




temos uma cartilha feita em parceria com a produtora Casa Redonda e o
editor multimídia Carlos Seabra, que ensina como captar o áudio com o celu-
lar ou o que fazer se a câmera digital não possuir zoom, entre outras dicas.
É uma nova linguagem destinada a quem quer fazer o curtíssimo formato
nessas novas tecnologias.
      Em 2009, a segunda edição recebeu por volta de 1,9 mil vídeos, vol-
tados para o tema “Ser digital”. Além das oficinas, o Claro Curtas disponi-
bilizou para download cinco vídeos tutoriais e um miniguia, que também
teve versão impressa e foi distribuído para instituições parceiras, ONGs que
trabalham com audiovisual e para os Pontos de Cultura do Programa Cultura
Viva do Ministério da Cultura. A premiação continuou com o mesmo valor
da primeira edição, R$ 100 mil, distribuídos para quatro vencedores. Dez
finalistas vieram para o Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) participar
de Seminários ministrados por especialistas em audiovisual e novas mídias,
promovidos em parceria com a Gullane Filmes.
      Enfim, para a próxima edição queremos discutir os novos formatos
com o Claro Curtas, saber qual é o caminho desse incipiente mercado de
audiovisual, como as novas tecnologias entram no mercado e descobrir
como isso pode ser importante para a economia criativa.




                                           74
Curta nas Telas
Jaime Lerner, presidente da Associação Profissional dos Técnicos
Cinematográficos do RS (APTC) e da ABD-RS e cineasta
www.aptc.org.br




D
         entro do cenário de produção do curta-metragem, acredito que já
         estava na hora de fazer um Seminário dessa natureza e também de
         formatar e botar em operação um sistema para que o curta-metra-
gem dê conta do conteúdo que temos nas mais diversas janelas. É importan-
te falar de mercado, de sustentabilidade, mas o poder público sempre terá
um papel a cumprir. Na medida em que vamos avançando, o mercado agre-
gará parceiros que querem lucrar com esse negócio e essa parcela do poder
público diminuirá, mas certamente nunca estará ausente.
      Para avançarmos precisamos fazer uma sinergia entre os setores públi-
co e privado. O projeto Curta nas Telas é um produto de uma iniciativa da
Associação Profissional dos Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do
Sul e Associação Brasileira de Documentaristas (APTC – ABD/RS) e da Pre-
feitura Municipal de Porto Alegre, em conjunto com o Sindicato dos Exi-
bidores do RS, com o objetivo de divulgar a produção nacional de curtas-
-metragens em sessões comerciais nos cinemas da capital gaúcha. São cur-
tas de todo Brasil, inscritos em dois editais por ano. Os filmes selecionados
recebem R$ 1,5 mil reais e são exibidos durante duas semanas em sistema de
rodízio nos cinemas da capital antecedendo o longa-metragem. Até o último
edital, todos os filmes precisavam ser exibidos em 35 mm, com limite de
15 minutos. Adotamos posturas mais flexíveis na renovação do convênio
e expandimos para filmes digitais (em Rain), pois vários cinemas possuem
hoje sistema de exibição digital. Também ampliamos a minutagem. De 2007
para cá, identificamos uma boa safra de curtas com 16, 17 minutos, então
ampliamos para filmes de 15 minutos sem contar os créditos finais, o que dá
uns dois minutos a mais para o curta.
      Com o novo edital, serão selecionados mais 12 filmes e o Curta nas
Telas chegará a quase 250 filmes exibidos em 14 anos de existência – até
agora exibimos 237 curtas. O projeto começou na APTC, em 1994, junto

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




com dois vereadores da Câmara de Porto Alegre. Pensávamos em como fazer
uma lei de incentivo ao curta-metragem e descobrimos que a existência da
Lei do Curta, federal, possibilitava a criação e regulamentação de uma lei
parecida no município. Com base nela, expusemos o projeto em uma sessão
plenária e tivemos o consenso dos vereadores para criamos a Lei do Curta
de Porto Alegre. Precisamos ainda negociar com o sindicato dos exibidores
para que não houvesse liminares, pois eles eram contra a obrigatoriedade
das exibições. Assim, ao invés da Lei, negociamos entre as três partes e cria-
mos o Convênio Curta nas Telas. Hoje, a Prefeitura cria os folders, entra em
contato com os realizadores,recebe as inscrições e publica os editais, além
de pagar os produtores. Os exibidores exibem e a APTC tem a função de
divulgar e fiscalizar o funcionamento e pensar na qualificação do projeto.
Nós identificamos duas fragilidades nesse sistema. Alguns exibidores têm
boa vontade, outros acham que estão perdendo parte do horário que podiam
usar para exibir comerciais. Ainda não existe um incentivo, então eles pas-
sam os filmes quase por uma obrigação, apenas porque existe um convênio.
Precisamos cobrar, fiscalizar, criar um mecanismo, um incentivo real para
que os curtas sejam exibidos. E isso passa pela segunda fragilidade: o públi-
co de Porto Alegre não conhece o Curta na Tela. Queremos que, na hora
de escolher um filme, a pessoa saiba que em alguns cinemas ela também
pode ver um curta-metragem com o mesmo ingresso. Para isso, fizemos um
concurso junto aos alunos de Publicidade da PUC de Porto Alegre e criamos
uma campanha de incentivo. Até o início do ano vamos divulgar o projeto
com o apoio da mídia – RBS, TVE, algumas rádios, BusTV (televisão em ôni-
bus) – porque é importante incentivar o exibidor.
     Sobre a questão nacional: se a gente conseguir criar um sistema nacio-
nal em que o curta já sai casado com um longa será importante para o cine-
ma, para o homevdeo e para outras plataformas que venham a ser geradas.
Pode ser um casamento temático ou de gênero, o mais importante é que o
público crie uma identificação e curta ver o curta-metragem. Não podemos
deixar cair a peteca, precisamos avançar com todo o acúmulo de informação
deste Seminário e desenhar um formato para um sistema de distribuição
que possa ser promovido rapidamente. Eu acredito numa integração de
esforços capitaneada pela SAv/Minc para a criação de um sistema de distri-
buição e comercialização do curta.




                                           76
Curta o Curta
Marcos Vinícius Mannarino, sócio-diretor da distribuidora
www.curtaocurta.com.br




O
         momento é muito oportuno para se falar de curta-metragem na
         perspectiva de um produto. Nos últimos 20 anos, houve um cres-
         cimento e uma consolidação do circuito de festivais e mostras de
cinema em todas as regiões do País. Eles são a evidência da enorme produ-
ção de curtas. Já existe uma economia de curta-metragem. Há muita troca de
valor, são centenas de produções anuais, mais recursos são investidos tanto
na produção das obras quanto na de eventos, geram-se empregos, o públi-
co assiste às exibições nos eventos. Agora, é o momento de pegarmos essa
pujança e transformá-la em benefício para os produtores dos filmes.
      A Curta o Curta é uma distribuidora exclusiva de curta-metragem
nacional. O produtor Guilherme Whitaker criou em 2000 o website Curta o
Curta, pioneiro em exibição e divulgação de informações sobre curtas-metra-
gens. No final de 2005, me associei ao Guilherme e montamos a Distribui-
dora Curta o Curta com o objetivo de desenvolver o mercado exibidor do
curta-metragem brasileiro, por meio da promoção e distribuição dos filmes
e da publicação de notícias relacionadas ao setor, contribuindo, assim, para a
formação de público, valorização cultural das obras e geração de receita para
seus realizadores.
      Buscamos oportunidades de exibição tanto em salas físicas — e esta-
mos olhando para instituições culturais e para grandes empresas que inves-
tem em gestão de recursos humanos. Essas últimas estão descobrindo que
podem oferecer sessões de cinema, de curta duração, para seus funcionários.
Atendemos escolas, também. E prospectamos oportunidades de exibição em
mídia eletrônica: telefonia móvel, internet, mídia indoor, TV.
      Na relação com os produtores, não adquirimos direitos sobre as obras.
Na verdade, funcionamos como um agente. Oferecemos para o produtor o
seguinte: eu tenho uma operação comercial para prospectar exibidores. A
sua obra fica disponível no meu catálogo, que está no website — não tenho

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




catálogo impresso. O acesso aos filmes do Catálogo Curta o Curta é restrito
para exibidores que se cadastram no site (o cadastro como exibidor não sig-
nifica um compromisso de contratação). E, sempre que houver um contrato
de licenciamento em negociação com um exibidor, eu volto para o produtor,
passo as informações completas e negocio com ele. Por exemplo: o exibidor
XPTO está negociando com a Curta o Curta um contrato que inclui 40 fil-




mes. A exibição é em sala física, no endereço tal. Seu filme vai ser exibido em
duas sessões, nos dias X e Y. O custo unitário pelo licenciamento é R$ XX,00,
e a participação da distribuidora é XX%. Você autoriza?
      Nossa atuação comercial busca construir um relacionamento, com
transparência e equilíbrio, com os produtores. O produtor sempre sabe onde
o filme dele está sendo exibido, por quem, quando e como. E ele tem remu-
neração na receita que cada contrato gera.
      Privilegio a remuneração do produtor. Viabilizo meu negócio no volu-
me de contratos firmados.
      E o modelo de negócio, na relação com os exibidores, lhes oferece um
único interlocutor para fazer negócio com dezenas de produtores. O exibi-
dor não tem de buscar 10, 20, 30 produtores de curta-metragem, negociar
valores, firmar contratos, checar documentação, receber mídias etc. para
montar a programação para seu público.
      Há produtoras profissionais com boa coleção de filmes. Mas muitas
vezes são produtores independentes. É um trabalho árduo identificar bons
títulos, checar licenças, reunir masters, negociar condições. E é justamente o


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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




que fazemos para viabilizar a exibição remunerada dos curtas e o acesso do
público aos filmes.
      Parte desse trabalho é educativo. Dizemos: para o filme entrar no Catá-
logo Curta o Curta é preciso ter o CPB. Nem sempre a oportunidade de exi-
bição vai exigir o CPB. Mas para a evolução e profissionalização da distri-
buição dos curtas, é preciso que o filme tenha o CPB. O registro sistemático
das obras ajuda a desenvolver o mercado. Ele permite que a Ancine gere
e divulgue séries históricas sobre a produção mais próximas da realidade,
conheça melhor esse nicho e desenvolva políticas públicas mais adequadas
às nossas necessidades.
      Para o exibidor, nosso cuidado dá maior tranquilidade pois reduz o
risco de exibição de obras com irregularidades legais relacionadas ao direito
autoral. Nossa atuação especializada em curta-metragem é uma vantagem
para o mercado porque a produção é extremamente difusa e ainda requer
esse grau de cuidado, esse esforço de profissionalização.
      Temos mais de 160 títulos no Catálogo Curta o Curta. Temos uma estra-
tégia exclusiva e diferenciada para ampliação permanente de nosso catálo-
go. Além da Distribuição Curta o Curta, nós temos outro serviço chamado
Distribuição Cultural Curta o Curta. Esse último não envolve licenciamento.
É, na verdade, um serviço de pós-produção. Ele cuida da inscrição dos fil-
mes em festivais. O produtor, ao finalizar sua obra, nos procura, escolhe em
quais festivais nacionais quer ter seu filme inscrito, nos contrata e nós cui-
damos de tudo: preenchemos fichas de inscrição, fazemos cópias do filme,
enviamos pelo correio. Por conta desse serviço, nós apoiamos festivais de
cinema. Firmamos parcerias com eles para oferecer gratuitamente pacotes
de Distribuição Cultural aos filmes que conquistarem prêmios. Assim, man-
temos relacionamento com os festivais e conhecemos os filmes premiados,
convidando-os para integrar o Catálogo Curta o Curta.
      Desenvolvemos parcerias com festivais e entidades para manter o Catá-
logo Curta o Curta atualizado com filmes selecionados e premiados. Firma-
mos parceria com a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, a Mostra do
Filme Livre e a Associação Brasileira de Documentaristas Nacional (ABD-N).
A produção de curtas que circula nos festivais é a mais nobre. Os festivais
têm um papel muito relevante no que diz respeito ao curta-metragem nacio-
nal. Eles dão conta da consistência da produção do curta, se olharmos para
os últimos 10 anos de produção.
      O Catálogo Curta o Curta possui obras de ficção, documentários, ani-
mações e experimentais. Infantis e adultos. Sem pornografia. Filmes recen-
tes. Temos esse foco de ter no catálogo os filmes que estão circulando nos

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




festivais. Mas isso é um foco, não é uma restrição. Também temos filmes
mais antigos, que já não participam dos festivais. Casa de Cinema de Porto
Alegre, Superfilmes, Urca Filmes, Quadro Vermelho, ABCA são algumas das
produtoras com quem já temos um contato mais próximo.
      Para falar um pouco sobre resultados e o negócio em si, há um poten-
cial enorme de organização de sessões de curtas para exibição remunerada
em salas físicas.
      Desde 2008, negociamos anualmente com a Secretaria Municipal de
Educação do Rio licença de filmes. Eles desenvolvem um projeto fantástico
para formar professores e alunos como público de cinema. Hoje, há mais
de 200 escolas municipais do Rio de Janeiro com filmes infantis de curta-
metragem licenciados pela Curta o Curta para exibição permanente aos alu-
nos e professores.
      O senador Cristovam Buarque elaborou um projeto de lei que está em
tramitação no Congresso para abrir uma janela de duas horas de exibição
de audiovisual nas escolas. O curta pode, efetivamente, atender parte dessa
demanda que enriquece a educação, faz a democratização do acesso ao cine-
ma nacional e forma público.
      O “Curta no Almoço”, realizado na Caixa Cultural do Rio de Janeiro
com patrocínio da Caixa, é um evento de exibição de curtas em sala física.
Lá, atuamos não apenas como distribuidores. Somos produtores do even-
to, com projeto aprovado no edital da Caixa Cultural. São três semanas de
sessões diárias de curta-metragem no horário do almoço. Uma sessão por
dia (de terça a sexta-feira), de até 20 minutos, com 1 a 3 filmes, às 12h30, e
reprises às 13h e às 13h30min. Começamos em 2007 e fazemos uma edição
por semestre.
      Desde a primeira edição, em fevereiro de 2007, até a última em setem-
bro, um total de 7.841 pessoas assistiram aos 91 curtas exibidos. A média diá-
ria de público chegou a 164, em 2010. Em 2007, foi de 75. Cada edição é uma
experiência fantástica onde acontece nosso contato diário com o público.
      Em cada edição do evento fazemos sessões exclusivas para alunos
de escolas da rede pública estadual. Alugamos ônibus para transportar as
crianças da escola para a Caixa e levá-las de volta. São duas sessões infanto-
juvenis. A programação é de curtas infanto-juvenis. Em uma das sessões
promovemos debate entre os alunos e realizadores dos filmes da TV Morri-
nho, uma iniciativa na comunidade do Pereirão (Laranjeiras). Então, além da
exibição, os alunos batem papo com os produtores que são da comunidade.
      O Curta no Almoço tem sido nossa experiência mais consistente de
licenciamento para exibição em salas físicas, com fortes desdobramentos.

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




Fizemos o Curta no SESI-RJ em 2009, durante quatro meses, com sessões
semanais. Em 2010, foram retomadas durante quatro meses. Estamos nego-
ciando para ampliar para outras unidades SESI que existem no Rio em 2011.
E o CCBB de São Paulo aprovou o projeto Curta o Curta no Almoço, no edital,
com sessões de outubro a novembro deste ano.
     Em 2010, licenciamos três filmes para o Congresso Nacional de Medici-
na do Trabalho e dois para o Congresso Brasileiro de Geriatria.
     Em mídia eletrônica, firmamos contrato com a Claro. Oito curtas já
estão disponíveis no Minha TV Claro. E outro com a EnterPlay, um canal de
veiculação web&celular. Temos filmes em exibição na SESCTV pelo progra-
ma CurtaDoc. Já licenciamos filmes para a TV Brasil (em 2008), para o portal
web da Oi.




      Este ano, apoiamos o Festival Olimpikus, na seleção dos ganhadores. E
o festival ofereceu para o filme vencedor “Elton e a bailarina”, de Diógenes
Fritsh de Moraes, um pacote da Distribuição Cultural Curta o Curta.
      A Dobra Digital é uma empresa de recursos humanos que licenciou
filme para ação interna de RH.
      Além da Distribuição Curta o Curta e da Distribuição Cultural Curta
o Curta, mantemos o website. Lá mantemos o Acervo Curta o Curta de fil-
mes com acesso gratuito, na íntegra, por streaming. Produtores de filmes do
Catálogo Curta o Curta podem optar por ter o filme exibido, sem custo e sem
restrições, no Acervo Curta o Curta.
      O Curta o Curta foi o primeiro website brasileiro de exibição de curtas
e divulgação de informações, em 2000.

                                           81
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      A inovação do nosso modelo de negócios, onde tentamos desenvolver
uma relação com os produtores de confiança, de transparência, de valoriza-
ção dos filmes, é sustentada em sistemas de informação. Nossa operação é
baseada em sistemas de informação. Precisamos manter um nível perma-
nente de investimento para desenvolver essa área.
      Seria muito interessante licenciar filmes para unidades Sesc. Já fizemos
alguns contratos isolados com as unidades como Santos, São José do Rio Pre-
to e Birigui. Mas há um enorme potencial de desenvolvimento econômico e
cultural com a circulação regular de filmes em salas físicas de unidades do
sistema ‘S’, bastante atraente para os produtores.
      Entendemos que o curta-metragem é parte da produção audiovisual
nacional que promove cultura e lazer. Ele forma público para o cinema bra-
sileiro. Nossa missão é desenvolver o mercado exibidor do curta-metragem
brasileiro, por meio da promoção e distribuição dos filmes e da publicação
de notícias relacionadas ao setor, contribuindo, assim, para a formação de
público, valorização cultural das obras e geração de receita para seus reali-
zadores.
      Queremos ser reconhecidos por produtores e exibidores como a melhor
distribuidora de filmes de curta-metragem brasileiros, pioneira, inovadora,
comprometida com o desenvolvimento do setor e com visão de longo prazo.
      A distribuição tem um caráter muito importante na formação de valor
do curta-metragem. Exibidores e produtores não possuem estruturas pre-
paradas para fazer a intermediação necessária. Essa riqueza não pode ser
desperdiçada.




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EBC/TV Brasil
Silvio Da-Rin, gerente executivo de articulação e licenciamento
da rede e do canal
www.ebc.com.br




A
         credito que a TVE tenha sido a primeira televisão brasileira de sinal
         aberto a veicular curtas-metragens. A TV Brasil herdou essa tradi-
         ção, que vem do final dos anos 1970, mais de 30 anos atrás, quando
foi criado o programa “Cinemateca”, produzido pelo SRTV da Embrafilme.
Mais tarde, o programa foi transformado no “Telecine Brasil”, de responsa-
bilidade da Fundação do Cinema Brasileiro, com curadoria do CTAv. Mais
adiante, se transformou no “Curta Brasil”, que durante anos exibia dois fil-
mes por semana. Sem exagero, milhares de curtas brasileiros foram exibidos
nesses programas, que foram sucessivamente mudando de nome e tendo
seu formato aperfeiçoado. Eu mesmo participei pelo menos cinco vezes, seja
para debater curtas realizados por mim, seja como debatedor convidado.
Testemunhei a evolução contínua do programa, que por meio dos curtas
promovia debates não só sobre cinema, mas sobre a sociedade brasileira, de
modo geral. O “Curta Brasil” está em fase de reformulação e, ainda no final
de 2010, passará a ser realizado por uma produtora independente que vai
proporcionar nova roupagem, novo formato e nova apresentadora.
      Outro programa dedicado ao curta na TV Brasil é o “Curta Criança”,
que também começou na TVE, em parceria com a Secretaria do Audiovisual
do Ministério da Cultura. É um programa que envolve também um esforço
de formação, por meio de oficinas para desenvolvimento dos projetos, com
participação de especialistas em comunicação para a infância. Essas oficinas
também têm como objetivo ajudar o realizador a melhor formatar o seu cur-
ta para a grade de televisão. Temos também na nossa grade de programação
o “Animania”, dirigido por Quiá Rodrigues, um programa que exibe curtas
de animação.
      Além desses, a TV Brasil está realizando, juntamente com o Ministério
da Cultura, o programa AnimaTV. Não é exatamente um programa de cur-
tas, mas uma iniciativa que visa o fomento da animação e também a criação

                                      83
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




no Brasil da cultura da série de televisão. Em outubro de 2008, lançamos
um concurso público que selecionou 18 projetos. Seus autores receberam
recursos para desenvolver as “bíblias” e produzir os pilotos de série, exibidos
e reexibidos no começo de 2010. Os produtores dos dois melhores projetos,
escolhidos por uma comissão, com apoio de grupos focais e pesquisa de
público, estão realizando séries de 13 curtas de 11 minutos.
         Também no campo da animação, em 2011 vamos ter a segunda edi-
ção do “Tela Verde”, uma iniciativa conjunta do Ministério da Cultura com
o Ministério do Meio Ambiente. São programas curtos, com um minuto
de duração. O tema do primeiro concurso foi “Aquecimento Global”. Para a
segunda edição o tema é “Consumo Sustentável e Biodiversidade”. Outro edi-
tal em parceria da TV Brasil como MinC, também para realização de micro-
metragens de animação, prevê a produção de 50 interprogramas, com dura-
ção de 90 segundos cada. São séries de animação, centradas em dez temas
de interesse social, como Cidadania, Gentileza Urbana, Patrimônio Histórico,
entre outros. Cada contemplado receberá R$ 125 mil para a produção das
cinco micrometragens de um mesmo tema.
      Outro programa de curta-metragem da TV Brasil, que saiu do ar mas
está sendo renegociado, é um formato proposto pelo José Araripe Jr. - o “Fes-
tival de Vídeo Tela Digital”. O programa atrai uma produção espontânea,
feito com celular ou minicâmeras, que veicula uma produção independen-
te bastante inovadora. Também estamos desenvolvendo novos formatos de
programas para exibição de curtas-metragens.
      Chegamos então à segunda parte da minha intervenção, que diz respei-
to diretamente às atribuições da gerência executiva da TV Brasil que recen-
temente me foi confiada. Trabalhamos em três vertentes. Uma delas é o
licenciamento, ou seja, a aquisição de direito de antena de produções já exis-
tentes. Nós desmontamos o balcão para negociação conforme o currículo e
o prestígio do produtor e adotamos a modalidade do edital, completamente
compatível com uma empresa pública de televisão. Os produtores entram
no sistema eletrônico, via internet, leem a proposta e, caso se interessem,
inscrevem seus filmes. Nós formamos comissões com cinco membros, três
da televisão e dois colaboradores externos, que selecionam os filmes pelo
mérito, conforme os objetivos da TV pública, a qualidade técnica e artística.
A precificação é objetiva, vem com a obra. No momento em que decide ins-
crever o filme, o produtor pode fazer as contas e saber exatamente qual será
o preço do licenciamento, caso o título venha a ser indicado pela Comissão
Avaliadora. O primeiro edital, para longa-metragem de ficção, está em aná-
lise no departamento jurídico e será lançado nos próximos meses. O segun-

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




do será para curta-metragem, exatamente para criar um estoque de filmes
para a Superintendência de Programação e os produtores e curadores desses
diversos programas que eu citei.
      Para esse primeiro edital de longa-metragem de ficção nós adotamos
como preço básico o valor mais alto que a casa estava praticando: R$ 12 mil.
E criamos uma série de critérios de suplementação. Para a animação, que
é uma produção mais demorada e mais cara, são acrescentados 30%. Caso
a obra seja inédita em TV aberta, 50% a mais - ou 70%, caso seja também
inédita em TV por assinatura. Conforme o público atingido em sala de cine-
ma, novos percentuais de suplementação ao preço básico, de 15 até 60%. A
participação ou premiação em festivais também contribui para aumentar o
valor do licenciamento. Enfim, condições objetivas que acompanham a obra
e não dependem de negociação caso a caso.
      Vamos adotar um formato semelhante no primeiro edital para curta-
metragem. Em seguida, haverá um terceiro edital, para longa-metragem
documentário, que vai dar lugar a uma faixa de programação com deba-
tes sobre documentários brasileiros de longa-metragem na TV Brasil. Na
sequência, pensamos lançar um quarto edital, para séries.
      Para finalizar, eu diria que uma demanda especialmente significati-
va, não só da televisão brasileira, mas de toda a comunicação audiovisual
no Brasil, é de conteúdos infantis. A TV Brasil tem 38 horas semanais de
conteúdo infantil, e infelizmente só conseguimos preencher 72,5% dessa
demanda com conteúdos brasileiros. Somos obrigados a licenciar no mer-
cado internacional — essa também é uma atribuição da gerência executiva
que me foi confiada. A Programadora Brasil também recebe uma enorme
demanda de conteúdos infantis, e as apresentações feitas nesse Seminário
de algum modo vão contribuir para mostrar à comunidade de produtores e
realizadores brasileiros que esse segmento de mercado necessita muito da
nossa atenção e certamente será compensador em termos financeiros.




                                           85
Elo Company
Sabrina Nudeliman, co-fundadora e diretora da distribuidora
www.eloaudiovisual.com




E
        specialmente nos últimos anos, o Brasil tem produzido muito conteú-
        do audiovisual de diferentes gêneros e formatos, mas a distribuição
        ainda está abaixo desse potencial de realização. Esse é o foco da Elo
Company. No mercado nacional, a empresa trabalha com distribuição tradi-
cional para televisão, cinema e linhas aéreas e possui um catálogo com mais
de mil títulos, entre curtas-metragens, documentários e pílulas, predominan-
temente brasileiros.
      Fora do Brasil, conta com uma rede de representantes de vendas na
Alemanha, Colômbia, Venezuela, França, Espanha, Portugal, Ásia e envia
participantes aos principais eventos de cinema e televisão nacionais e inter-
nacionais. Hoje, podem-se encontrar produtos nacionais nas companhias
aéreas Air France, TAP e Avianca. Em televisão, há programas brasileiros no
Irã, em Moçambique, na BBC, no Canal Plus, entre outros.
      O curta-metragem tem demanda no Brasil e no exterior com resultados
impressionantes. Um exemplo disso é a exibição de curtas brasileiros em
salas de cinema na Rússia. Mas como qualquer outro produto que não seja
o norte-americano. A distribuição deste conteúdo exige trabalho constante.
      Presente na maioria dos festivais e mercados internacionais, a Elo par-
ticipa dos programas Cinema do Brasil e Brazilian TV Producers, que são óti-
mos para quem se concentra na distribuição internacional. Por mais que se
esteja falando de um produto cultural, necessitamos de pessoas e empresas
que conheçam e que mantenham relacionamentos no mercado local e que
estão ali presentes no dia-a-dia.
      Há mais de três anos, percebemos que havia uma demanda na área de
mídias digitais. Então, primeiramente nos concentramos na venda dos pro-
dutos brasileiros nessas mídias para o mercado internacional. Por exemplo,
na época em que o Skype montou na internet a TV Joost, a Elo foi sua parcei-
ra e fornecia conteúdo brasileiro, incluindo curtas-metragens no canal ELO

                                     86
          seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




CINEMA. Hoje, nosso foco é o desenvolvimento de ações inovadoras com o
incentivo à difusão da produção independente e à democratização do acesso
por meio das mídias tradicionais e digitais.




     O Brasil é um dos maiores mercados de mídias digitais, é líder em uso
de redes sociais, tem mais de 70 milhões de internautas e um mercado de
mídias digitais maior do que salas de cinema. Do outro lado, temos uma
abundante produção audiovisual. Então, por que não juntar as duas coisas?
     Existem várias iniciativas, como TV Escola online e outras já citadas.
É claro que o YouTube tem de tudo, mas é preciso organizar a busca por-
que a maioria do público brasileiro que não é expert em cinema nacional
talvez procure hits como o “Tapa na Pantera”, da Ioiô Filmes. Então, para
todos os outros filmes é preciso dar um direcionamento. A Elo tem 18 canais
temáticos gratuitos de conteúdo nacional segmentado, como Elo Sustentável
(www.elosustentavel.com), Elo Anima (www.eloanima.com) e Elo Cinema
(www.elocinema.com).


     Dicas para a produção e comercialização em mídias digitais

     Os direitos autorais devem ser levados em conta na adaptação de qual-
quer obra. É preciso tomar cuidado com a trilha sonora e as conversões de
peças literárias. Vale utilizar trilhas brancas e conteúdos com licenças Creati-
ve Commons. Ler, fazer os contratos e estar envolvido no processo são fato-
res importantes para que o filme não seja barrado por conter um trecho de

                                            87
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




uma música do Pink Floyd, por exemplo. Quem assina o contrato é respon-
sável pelos direitos de imagem e de áudio, entre outros. Para distribuir um
filme é necessário estar envolvido no processo ou ter o auxílio de um bom
produtor. É pensar no expectador antes de produzir e pensar na distribuição
quando estiver produzindo.
      Já o foco para a exibição e distribuição depende de um público-alvo,
porque quem tenta atingir todas as audiências provavelmente não atingirá
nenhuma. Quem tem como foco a distribuição precisa conhecer seu público-
alvo, saber qual o tipo de história está contando e se o consumidor está na
TV, internet ou celular.
      Em termos de roteiro, vale a pena conhecer os editais de fomento ao
desenvolvimento de roteiro. Afinal, é a alma de todo filme. Esse é um dos gran-
des desafios do cinema nacional, pois muitas vezes o projeto tem boa produção,
trilha excepcional, mas não obtém a difusão devido a falhas de argumento.
      Com a vocação das redes sociais para divulgação, o uso de material extra
se tornou ainda mais importante. Durante as filmagens, pode-se fotografar
o processo de making of e adicionar entrevistas e outros materiais em um
perfil de rede social, tanto no pré quanto no pós-lançamento.




     O barateamento dos meios de produção possibilita fazer um curta com
poucos recursos. Existem ótimos guias de produção que ensinam como fazer
um roteiro, filmar e editar. Vários softwares livres também ajudam a realizar o
processo de produção. Um bom roteiro, dedicação e produção legal não estão
necessariamente ligados a grandes verbas. Em nosso catálogo, há exemplos de
curtas universitários que foram distribuídos no mercado com sucesso.

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      Existem mecanismos automáticos de inscrição em festivais e alguns
podem oferecer mais prestígio do que outros, por isso é importante conver-
sar com o distribuidor. Ele pode aconselhar a melhor estratégia para difun-
dir o curta e impedir que o realizador perca a chance de entrar no Festival
de Cannes porque já participou de outro evento no interior da França. Outra
dúvida constante é saber se é possível colocar o filme primeiramente na
internet. Não há empecilho. Cannes, Karlovy-Vary e vários outros europeus
já possuem festivais online, que acontece em paralelo ao de sala de cinema.
      Vivemos uma fase de mudanças, há certa preocupação de como traba-
lhar no meio digital em uma época em que as pessoas sobem tudo para o
YouTube. Mas também há uma grande oportunidade, principalmente para
que o curta-metragem possa ir para o celular, iPad, games e uma série de
mídias digitais. Não há mais diferenciação entre veículos porque há um
aumento de funcionalidades e interfaces tecnológicas. Temos o 3D, a reali-
dade aumentada, roteiros transmídia, tudo é interessante. No Brasil, é alto o
consumo de games e das redes sociais, mas a nossa produção voltada para
essas novas tecnologias ainda é muito pequena.
      Vale estar atento a estas novas oportunidades que se apresentam.


     O comportamento do consumidor

      Todos já devem ter ouvido falar no conceito “cauda longa”. Com o baixo
custo de carregamento que as mídias digitais trazem, pode-se disponibilizar
uma infinidade de conteúdos sem ter que ocupar prateleiras com DVDs e
ainda possibilitar a segmentação. Por exemplo, em um supermercado, a pra-
teleira recebe um conteúdo de nicho que pode ser ocupada por outro que
gere mais lucro. Mas as novas tecnologias contribuíram para a defasagem
desse modelo por apresentar um baixíssimo “custo de carregamento”.
      A Elo parte de duas premissas: a grande maioria de consumidores não
vai pagar para assistir conteúdo nas mídias digitais; e o mercado de Comuni-
cação e Marketing está sofrendo com a queda de impacto dos 30 segundos,
que praticamente não existe mais. Por isso, a empresa direcionou seu foco
para o relacionamento das marcas com os conteúdos e para a disponibiliza-
ção gratuita.
      Ainda não se sabe o impacto dessas mídias digitais no cinema. Uma
analogia interessante é ver as experiências que aconteceram no mercado
da música. É raro encontrar pessoas que ainda comprem CDs. Pegando um
dado simplista, a venda de música por mídias digitais já representa 12%

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




do total do faturamento. É um valor que cresce muito se analisarmos essas
mídias como difusores do artista e como receita incremental nos shows.
     Para quem trabalha com canal de cinema, videoclipe de música, moda
ou sustentabilidade, é muito interessante estudar o comportamento desses
segmentos. Os produtores de sustentabilidade aceitam com simpatia a difu-
são gratuita de conteúdo audiovisual na internet porque o foco deles é o
engajamento com a causa. Já o mercado de cinema ainda não está convenci-
do. Em nosso canal temos material da Vera Cruz, da Ioiô Filmes, mas grande
parte do mercado ainda resiste por desconfiança.
     Em termos de ineditismo, as mídias digitais não queimam as janelas.
Há casos como o filme “3 EFES”, da Casa de Cinema de Porto Alegre, lança-
do simultaneamente em quatro mídias diferentes. Os próprios festivais de
cinema europeus exibem online em paralelo ao festival, antes mesmo do
lançamento em sala de cinema. Na ELO, disponibilizamos um curta online
da Ioiô Filmes que foi comprado também pelo canal francês Plus.
     Já o temor em relação à pirataria é o mesmo que se deve ter em relação
a outras mídias tradicionais. Todos os sites sérios têm um sistema de prote-
ção de conteúdo por meio do DRM, um conjunto de tecnologias anticópias.
A ferramenta restringe, mas não barra por completo quem copia ilegalmen-
te. Há pessoas que gravam até em salas de cinema.
     Também há dúvidas quanto aos produtos cujos direitos estão compro-
metidos em alguns territórios, como as séries americanas da Hulu que são
bloqueadas para o Brasil. Basta usar um filtro de tráfego (GeoBlock) contra
outros mercados e não haverá impedimento para difusão em mídias digitais.




                                           90
Festival de Micrometragens Cel.U.Cine
Marco Altberg, produtor e diretor de cinema, TV e novas mídias e
coordenador geral do festival
www.celucine.com.br




F
       ui presidente da ABD em 1974, quando criamos a Lei do Curta. Pas-
       saram-se 36 anos e podemos notar que, embora a lei não tenha sido
       implementada daquela forma, os formatos de curta duração se multi-
plicaram e encontraram vários canais diferentes de veiculação.
      Hoje, o objetivo principal do Cel.U.Cine é buscar novos formatos de cur-
ta-metragem para serem exibidos no celular, criar e encontrar novos talen-
tos. Criamos o termo micro-metragem porque são produtos de 30 segundos
a 3 minutos e não existia essa classificação em lugar algum.
      Todo realizado no ambiente do site, o Cel.U.Cine tem edições temáticas e
é apresentado em outros festivais. Nossa primeira experiência aconteceu em
2008, no Festival de Brasília. Em 2009 tivemos uma participação importante
no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, quando apre-
sentamos o Festival e realizamos um workshop sobre novas mídias. Também
participamos do Cine PE, do Festival de Cinema do Ceará, da Mostra de Tira-
dentes, do Festival Indie de BH e do Visões Periféricas no Rio, entre outros.




                                      91
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      O Cel.U.Cine é uma porta de entrada para o cinema e para o setor de
audiovisual. A cada edição temática, propomos um tema para estimular o
realizador, que na maioria das vezes é iniciante. Os cinco semifinalistas rece-
bem kits de celulares com câmeras filmadoras e depois se juntam aos outros
semifinalistas e seguem para o Festival do Rio, quando concorrem à premia-
ção final.
      No ano passado o vencedor foi A palavra mais difícil, de Bruna Baitelli
(RJ). André Pinto Silva (PE), um cineasta revelado pelo festival, recebeu o
segundo lugar por 100 em 1; Fernando Lima ficou com o terceiro lugar, pelo
filme Carajás; e também tivemos o prêmio do júri popular, por meio de vota-
ção no site. Tivemos quatro edições em 2009, mas neste ano começamos um
pouco mais tarde e realizamos apenas duas. O primeiro tema foi “O mundo
é uma bola”, com mais de 150 inscrições. Os cinco selecionados ainda aguar-
dam os próximos cinco que concorrerão com o tema “Lendas urbanas”.
      O objetivo do Festival é ter uma massa de produtos para criar canais
na telefonia celular que exibam esses curtas no futuro. Os filmes devem
ser captados com qualquer tecnologia digital e qualquer suporte, e também
devem ser inéditos. A inscrição é toda feita pelo site, que possui um formato
de blog. O primeiro lugar recebe a premiação de R$ 15 mil; o segundo, de
R$ 7 mil; o terceiro, de R$ 5 mil e a RioFilme ainda oferece um prêmio espe-
cial para o filme eleito pelo voto popular.
      Nosso corpo de jurados é composto por José Wilker, Selton Mello, Esmir
Filho, Adriana Alcântara, da Oi TV, e Cora Rónai, jornalista especializada em
novas mídias. O Cel.U.Cine é realizado em parceria com o Oi Futuro, que é o
instituto de arte, cultura e responsabilidade social da empresa, com apoio da
RioFilme, que fornece o prêmio e é nossa parceira na criação de um trabalho
de capacitação junto às escolas municipais do Rio de Janeiro, além do Canal
Brasil, que veicula os filmes selecionados e premiados.
      É importante saber que o curta-metragem tem realmente amplas possi-
bilidades, sobretudo com a TV. Hoje a televisão é uma grande janela para o
formato de curta duração e as chamadas novas mídias, internet celulares, e
até a possibilidade de games.




                                           92
Festival do Minuto
Gustavo Steinberg, produtor executivo e diretor de novos negócios
do festival
www.festivaldominuto.com.br




C
        om a proposta de fazer curtíssimas-metragens, o Festival do Minuto
        é um pouco diferente dos outros festivais. Possuímos categorias des-
        tinadas aos filmes de até cinco segundos ou de até dez segundos, por
exemplo. Pode parecer exagerado, mas os resultados são interessantes.
      Apesar de todas as dificuldades do mercado de curta-metragem, acu-
mulamos alguns dados interessantes com a experiência que o Festival do
Minuto tem desde 2007, quando começamos a investir mais pesado na inter-
net – nós recebemos e exibimos os filmes por esse meio – e a central do
Festival passou a ser online.
      Eu ousaria dizer que o Festival do Minuto hoje em dia é um dos prin-
cipais compradores de curta-metragem do Brasil. Não são exatamente com-
pras, mas prêmios são entregues mensalmente e isso soma mais ou menos
uns R$ 100 mil por ano, divididos em remunerações de R$ 100, 500, 2 mil,
5 mil ou, em alguns casos, computadores, câmeras, entre outros, dependendo
do concurso que é feito. Nosso foco principal é revelação de talentos tanto
de profissionais como de amadores. Vale lembrar que já passaram pelo Fes-
tival do Minuto pessoas como Fernando Meirelles e Esmir Filho, e que os
próximos diretores de cinema, que vão fazer sucesso daqui a alguns anos,
certamente estão fazendo seus filmes do Minuto. Somos o maior celeiro de
talentos do audiovisual do Brasil.
      Agora, temos outro foco de trabalho que é o desenvolvimento de tec-
nologia tanto para o nosso portal online, como para o sistema de avaliação
de filmes. Para se ter uma ideia, recebemos por dia em média 15 filmes e,
perto da data de vencimento do concurso, chegamos a receber 250. Come-
çamos a investir em tecnologias de inteligência artificial, combinadas com
tecnologias de avaliação por curadores online espalhados pelo Brasil inteiro,
para manter a qualidade dos julgamentos mesmo quando recebemos 250 fil-
mes. Ao contrário de outros portais de vídeos na internet, nós só publicamos

                                     93
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




filmes julgados pela equipe de curadoria do Festival do Minuto, que chega
a ter entre 30 e 35 curadores, dependendo do volume de filmes recebidos.
       Essa tecnologia está cada vez mais consolidada e já foi utilizada pelo
Festival de Curtas e também na realização programa Tela Digital, da TV Bra-
sil. Todo o sistema de julgamento foi desenvolvido pelo Festival do Minuto e
estamos trabalhando com possibilidades de parcerias, além de desenvolver-
mos outros itens diretamente para o usuário. Hoje, ao entrar no portal do Fes-
tival do Minuto, o usuário pode avaliar os trabalhos e receber recomendações
de vídeos de acordo com seu perfil, ou seja, estamos criando tecnologias para
que as pessoas consigam penetrar no nosso catálogo de 15 mil filmes online.
       Temos os vídeos destacados pela curadoria que recebem maior atenção,
mas nem sempre os usuários concordam com essas seleções. Então, essa tec-
nologia de inteligência artificial é interessante para que as pessoas tenham
acesso a outras opções, de acordo com sua preferência. Isso tem funcionado
bastante bem. É só entrar lá e julgar dez vídeos para começar a receber reco-
mendações de filmes que combinam com seu perfil.
       Nós também fortalecemos nossas parcerias para exibição. Por exemplo,
agora o YouTube exibe e destaca os filmes que são premiados mensalmente
com o Festival do Minuto. O participante faz um filme, edita, manda para o
site e daqui a uma semana pode ser premiado. Duas semanas depois, o filme
será exibido em uma série de canais de parceiros nossos que são UOL, IG e
YouTube. Alguns desses vídeos chegam a 500 mil expectadores em apenas
duas semanas depois de terem sido criados.
       É uma experiência bastante interessante. Os conteúdos que são veicula-
dos no YouTube geram receita quando são monetizados, ou seja, quando são
adicionadas propagandas. E já é uma política do Festival do Minuto dividir
o que ganhamos meio a meio com o realizador. Também oferecemos todo o
dinheiro do período para os cinco filmes mais vistos no YouTube. Isso acaba
gerando uma receita razoável, R$ 400, 300.
       Os realizadores também são pagos quando fazemos projeções em locais
que não contam com equipamentos de exibição. É muito chato exibir sem
pagar. Só não pagamos quando se trata de uma exibição não comercial. Faze-
mos em mais de 250 municípios, atingindo mais de 100 mil espectadores.
Também veiculamos no exterior porque o Festival do Minuto foi o primeiro
festival de vídeos e filmes de até um minuto do mundo. Depois, outros fes-
tivais foram surgindo em outros países. Então, eles têm uma relação muito
boa conosco. Fazemos troca de filmes, exibimos aqui trabalhos estrangeiros
e eles exibem os nossos no exterior. Nós exibimos em museus, em televisão
e em centros culturais ao longo do ano inteiro.

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      Além disso, temos um projeto piloto em 4.500 escolas estaduais do
Estado de São Paulo para trabalhar a formação. É um projeto interessante
que capacita professores para ensinar seus alunos a fazerem vídeos. Isso dá
um universo de 3,5 milhões de alunos e pretendemos ampliar o projeto para
o resto do Brasil. A ideia é que os professores ajudem os alunos com nosso
material didático – produzido com base nos filmes que a gente tem no acer-
vo –, e entrevistas dos próprios realizadores. Ou seja, não é uma coisa teó-
rica. Nós entrevistamos realizadores que explicam como foram feitos seus
filmes, depois montamos o material didático, distribuímos para as escolas e
capacitamos os professores. Os resultados são bem legais e são colhidos por
meio do mesmo modelo de concurso que nós temos, mas criado especifica-
mente para as escolas.




                                           95
M1ND – Laboratório de Aplicativos
em Telefonia
Alberto Magno, CEO da empresa
www.m1nd.com




A
          ntigamente se falava de multiplataformas, hoje isso é coisa do pas-
          sado. Hoje são multimeios. Primeiro, vamos falar sobre esse tipo
          de mercado e sobre resultados financeiros. Segundo, podemos falar
sobre métricas, porque temos que saber o resultado, ou seja, quem assiste, o
que e quando. Nossas plataformas não são apenas para celular, também são
para Web TV, IPTV e agora estamos criando um novo canal de televisão que
vai ser transmitido por cabo e por DTH. Esperamos também chegar à TV
aberta, não para concorrer com a Rede Globo de Televisão, mas para fazer
uma diferençazinha no caminho, para criar um ponto fora da curva. Nossa
ideia é “liberar geral”, sem censura, e colocar o veículo à disposição de vocês.
      O produtor que tiver conteúdo pode entregar para a Talitha e receberá
uma interface web para acompanhar os acessos. Nesse primeiro momento,
não vai ganhar dinheiro, porque nesse momento o que temos de fazer é
criar novos conceitos, formar opiniões e medir o público. A cultura móvel




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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




é muito nova, mas tem um potencial de outro planeta, é outro universo.
O Circuito Espaço, por exemplo, vai abrir quatro novas salas de cinema em
Novo Hamburgo, uma delas 3D, com um potencial para 300 mil pessoas.
Mas até o fim de 2010 existirá 1,5 celulares por habitante no Brasil, dos quais
87% são aptos a assistir TV. Esse futuro é o nosso presente.




      Por isso é que, na minha opinião, o conteúdo deve ser feito para multi-
meios, não mais para multiplataformas. Podemos disponibilizar um canal só
para a exibição de curtas e traçar gráficos e parâmetros métricos, para que
vocês possam acompanhar os acessos e disponibilizar a venda on demand
dos seus produtos. Aí sempre pinga e, como dizia meu pai, onde pinga nunca
seca. Esse é o tipo de negócio que pode ser feito hoje, a menos que exista
algum patrocínio.

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      Nós já temos alguns cases. Quatro grandes anunciantes acreditaram
na gente aqui no Brasil e hoje somos líderes absolutos no mercado. Estamos
expandindo para América Latina, África, Leste Europeu e Oriente Médio.
A princípio só queremos trabalhar no Terceiro Mundo. Nossos primeiros
patrocinadores foram a IBM, Xerox, Johnny Walker e Nike.
      O mundo móvel se tornou tão importante que além de transmitirmos a
Copa do Mundo da África do Sul em 3D para o mundo todo, a Nike, um dos
principais patrocinadores deste evento, escolheu os devices móveis (celula-
res) para lançar o filme da Copa, de três minutos, antes de lançá-lo em qual-
quer outro veículo. Esse mundo é o do IP, onde posso falar com cada um de
vocês. Quando entrego uma publicidade para uma pessoa, é uma publicida-
de um a um. Pelo IP, sei exatamente quando a pessoa está assistindo, o quê
e por quanto tempo. Não é preciso sentar todo mundo e ver a mesma coisa.
Além disso, todo mundo pode opinar e programar, e então formar seu line-up,
porque é tudo digital. Além de chats, interação, essas coisas todas que só
estarão por aqui nas TVs abertas em 2014, com a TV Digital, e que no mundo
móvel já acontecem.
      No caso, a Nike nos deu 80 mil números de celular entre Argentina,
Brasil e Itália para que enviássemos esses filmes de três minutos. Era um
comercial com Cristiano Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e outros atletas, foi
visto por essas pessoas um dia antes da estreia mundial na mídia convencio-
nal. Essas pessoas puderam opinar antes, através de um chat, sobre a Cam-
panha. Entrou no Brasil às 19h de sexta-feira e saiu sábado às 12h. Só depois
de 108 inserções na TV Móvel é que foi veiculado nas TVs abertas. Isso
significa que eles já estão enxergando de forma diferente o mundo móvel.
      A Campari acabou de nos contratar. Eles estão lançando mundialmente
150 filmetes de 3 minutos, veiculados durante um ano com 1,8 mil inser-
ções. Então meu conselho como cientista — eu fui o único que dei errado
na família, o resto todo é artista — é o seguinte: busquem patrocínio apre-
sentando todas as plataformas de exibição. Nós conseguimos oferecer os
dados da quantidade de acesso, o tempo de acesso e ainda no mundo móvel
a pessoa assiste em média de 3 a 8 minutos em média. Ou seja, é a duração
de um curta.
      Nosso modelo de negócio atualmente é igual ao de uma TV por assina-
tura. Oferecemos vários pacotes de canais para exibição nessa televisão que
tem duas ou três polegadas — a tela do celular. O cliente compra um pacote
e nós também oferecemos canais gratuitos para degustação, com o objetivo
de mostrar essa diversidade cultural por meio dos filmes curtos. Nesse caso,
não há dinheiro envolvido, nem da operadora, nem da dona da solução (que

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




é a M1ND), nem do usuário final. É uma plataforma que serve para medir a
aceitação dos produtos.
      Além das plataformas da M1ND, estou fundando um canal de televisão
chamado HUMM! TV. Montamos uma equipe de 585 profissionais volun-
tários — roteiristas, atores, câmeras, iluminadores — que durante 180 dias
vão trabalhar de graça, porque acreditaram no sonho, com contratos pré-
assinados. Vamos passar esses 180 dias experimentando e ver o que dá certo.
Se der audiência, vão receber a partir dessa audiência. O que estou propondo
é um estudo de viabilidade. Estou abrindo um veículo para que se possa tes-
tar a viabilidade, ver se vai ter audiência, que tipo de público vamos atingir.
Vamos precisar segmentar, ter horários específicos para o público feminino,
para o público jovem. A partir do momento que der audiência, vira dinheiro.
Todo mundo ganha, é uma cadeia.




                                           99
Mercado de locadoras de vídeo e DVD
Alexandre Costa, vice-presidente da Associação Brasileira de
Vídeolocadoras (ABVL) e sócio da CultVídeo (DF)
www.cultvideo.com.br




E
        stou representando a Associação Brasileira de Videolocadoras, mas
        somos ao todo em dez pessoas que, de alguma forma, tentam fazer as
        coisas andarem. Também sou proprietário da CultVídeo, tenho qua-
tro lojas em Brasília. O foco são filmes de arte e também filmes brasileiros e
curtas-metragens, porque existe uma demanda nas locadoras de vídeo para
o formato, embora seja pouquíssimo explorado.
      Quero dar um panorama rápido do que é o mercado de vídeo no Bra-
sil, apesar de muita gente estar dizendo que as locadoras estão acabando,
que o mercado de vídeo não existe mais. Realmente houve uma queda, hoje
podemos falar que temos algo em torno de 45% do mercado que existia há
uns cinco anos, mas ao mesmo tempo houve um enxugamento, uma profis-
sionalização maior e as lojas que restaram estão mais fortes, mais rentáveis.
Existem aproximadamente 5 mil locadoras no Brasil hoje. É um número que
não pode ser desprezado, ainda mais quando se fala de políticas públicas, de
formação de público, de distribuição de filmes brasileiros.
      Geralmente a locadora não é pensada nesses modelos, apesar de hoje
ser um mercado real e praticamente inexplorado pelo curta-metragem. Logi-
camente, daqui a alguns anos esse modelo deve perder espaço para outros
que estão surgindo, mas ainda são cerca de 5 mil locadoras, em mais de 4 mil
municípios, ou seja, existe uma capilaridade, um alcance que só perde para
a TV aberta. Em alguns municípios não existe TV a cabo, nem acesso rápido
à internet. A locadora acaba sendo a única opção de se consumir conteúdo
audiovisual. E audiovisual americano, pois são as distribuidoras americanas
que colocam os conteúdos nessas locadoras.
      Apesar do número grande de lojas que fechou nos últimos anos, o pri-
meiro semestre de 2010 aponta um crescimento. Esse mercado tem basi-
camente duas vertentes principais, a locação ou rental, que são os filmes
dirigidos para as locadoras com janela de exclusividade e, em um segundo

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




momento, sell-thru, a venda direta ao consumidor. No mercado de rental, no
primeiro semestre de 2010, houve um aumento de aproximadamente 6% a
7% nas vendas para esse mercado, e de 12% no número de filmes para ven-
da direta. É um mercado que começa novamente a respirar, mesmo com a
pirataria, mesmo com as outras formas de entretenimento, que precisam ser
consideradas. Antes havia o VHS, depois o DVD, e não havia outras formas.
Hoje existe a internet, a TV a cabo que está crescendo muito, então as loca-
dores têm de se repensar dentro desse contexto.
       Mas apesar dessas novas tecnologias, a mídia física ainda tem uma
importância muito grande. Só para se ter uma ideia, vou citar os dados do
mercado americano, porque no Brasil não temos dados mais precisos. Uma
pesquisa recente apontou que 79% das pessoas nos Estados Unidos prefe-
rem consumir conteúdo em casa, entretenimento doméstico em mídia física.
Existe espaço para outras, mas as pessoas estão investindo em televisões
gigantescas, equipamento de som e querem esse conteúdo com uma quali-
dade legal. É importante olhar para esse mercado. Daqui a pouco outros for-
matos surgirão, como o Bluray que já está se firmando e ganhando espaço,
e o 3D que vem por aí, então novas oportunidades aparecem.
       Tivemos também uma experiência de distribuição de DVDs de curta-
metragem, em 2005. Fizemos mil cópias dessa coletânea chamada Curta Bra-
sília e todas foram distribuídas por esses canais, não através das grandes dis-
tribuidoras mas por canais alternativos, procurando maneiras de fazer com
que esses DVDs cheguem a quem você quer, seja por vendas na internet, seja
na colocação em pontos fortes de distribuição. A 2001, aqui de São Paulo, por
exemplo, tem muita força nas vendas pela internet e existem também outras
distribuidoras com esse foco. A experiência foi muito legal e agora estamos
girando o volume 2 do Curta Brasília e o Anima Brasília. Fizemos dois mil
DVDs de cada para distribuir nessa rede que criamos.
       Para finalizar, eu e Ana Arruda somos sócios agora em um empreendi-
mento novo. Temos uma empresa incubada na Universidade de Brasília, no
centro de desenvolvimento tecnológico da UnB, e estamos discutindo exa-
tamente essas possibilidades de comercialização do curta-metragem. Espero
que daqui a alguns meses estejamos com tudo realmente consolidado, no
caso uma distribuidora especializada em filmes brasileiros especialmente
de curta-metragem, algo mais ou menos parecido com o que faz a Progra-
madora Brasil, com a criação de programas. A ideia é reunir conteúdos de
forma inteligente, mas comercialmente, porque esse espaço existe e há uma
demanda mal aproveitada no mercado de videolocadoras.


                                          101
Mercado do Filme do Festival de
Clermont-Ferrand (França)
Calmin Borel
www.clermont-filmfest.com



(com tradução simultânea de Anne Fryszman)




O
          Festival de Clermont-Ferrand alcançou sua 32ª edição em fevereiro
          de 2010, com 145 mil espectadores e mais de 3 mil profissionais
          presentes, incluindo produtores, distribuidores, compradores, rea-
lizadores etc. Dentre os 6 mil filmes inscritos para a seleção, 221 eram bra-
sileiros. Ao todo, foram selecionados um pouco menos de 200 filmes. Sete
brasileiros participaram da competição, o que é um número enorme quando
olhamos a quantidade de filmes e de países representados. Foram 500 curtas
exibidos no festival, somando os filmes em competição e fora dela. Cada pro-
grama foi exibido seis ou sete vezes em uma das 15 salas do circuito, sendo
que a maior sala de exibição do festival tem 1.500 lugares.
      Neste ano, tivemos o 25º Mercado do Filme de Curta-metragem, o úni-
co mercado no mundo dedicado só a esse formato, que acontece paralela-
mente ao Festival. O mercado funciona com vários espaços, o principal é
uma videoteca com 39 boxes de visionamento. Todo mundo pode ver filmes
ao mesmo tempo, sem filas ou espera por um DVD ou VHS, pois as obras
são digitalizadas gratuitamente para os diretores. Além disso, com a digita-
lização dos curtas, os profissionais presentes no festival podem assistir aos
curtas pela internet por até seis meses depois do evento.
      Outro serviço oferecido é o acesso ao banco de dados. Com todas as
informações atualizadas sobre os filmes e sobre os profissionais presentes,
pode-se criar uma lista de filmes ou de profissionais, mandar e-mail para
seus contatos, indicar filmes e sessões. Isso permite que os profissionais pos-
sam trabalhar bem durante e depois do festival. Há também o espaço dos
expositores, com 1.000 m2. Agrega indústria técnica, instituições, distribui-
dores, enfim, são vários estandes para as organizações do mundo inteiro
apresentarem seus trabalhos.
      O México foi o único representante da América Latina na edição do
ano passado. Isso é uma pena, porque a Ancine ajudou quem tinha filme

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




em competição a ir ao Mercado, mas, sem o apoio necessário, os realizadores
ficaram perdidos. Para a promoção do cinema e para a comercialização do
curta-metragem brasileiro seria importante ter um estande.
      Duas salas de exibição são utilizadas unicamente para as sessões do
Mercado. Lá, os expositores podem alugar espaços por duas horas e mostrar
sua produção. Os espanhóis, por exemplo, fizeram sessões para mostrar toda
a produção espanhola do ano. É uma janela a mais. Já na plataforma Media-
room Devù pode-se organizar encontros profissionais em que distribuidores
e compradores de trabalhos para televisão explicam o que querem, o que
esperam e sua política de compra. Assim, realizadores e produtores ficam
sabendo para quem propor e vender seu filme.
      Depois do festival, cada realizador recebe uma lista com informações
específicas, por exemplo, quais foram os produtores que assistiram a seu
filme, entre outros dados. Isso permite constituir um caderno de endereços
a partir dessa lista e trabalhar melhor a política de distribuição da obra.




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Onda Curta (Portugal)
João Garção Borges, autor e programador do programa
da Rádio e Televisão de Portugal (RTP2)
http://tv1.rtp.pt




P
       ara me apresentar rapidamente, há 35 anos trabalho em cinema, 31
       em televisão e há 15 anos tenho um formato, um programa espe-
       cial na Rádio e Televisão de Portugal, mais precisamente na RTP2, o
segundo canal da RTP. Para quem não conhece, o canal mais próximo seria a
TV Cultura aqui no Brasil, com quem inclusive já temos alguns protocolos.
Os padrões da RTP2, portanto, sempre foram de canal cultural, apesar de ser
um jogo de palavras perigoso, porque a cultura deve estar presente em todos
os canais, não necessariamente apenas em um canal menos comercial. No
caso, sobretudo em relação à RTP1, que é mais comercial, e inclusive tem
publicidade, apesar de ser um serviço público de televisão.
      Há 15 anos, portanto, eu me beneficiei da posição de chefe de depar-
tamento de toda a ficção e foi fácil convencer a direção da área a que eu
pertencia de termos um formato específico para curtas-metragens. É preciso
saber, porém, que o curta-metragem em Portugal sempre foi exibido nas
televisões, e até em cinemas. Mas até 1996 era exibido de forma errática,
não exatamente para preencher os buracos da programação, mas havia uma
falta de disciplina. Podiam ser exibidos filmes notáveis ao lado de desenhos
animados e não havia uma definição muito clara do que era um curta.
      Hoje já temos uma definição mais clara disso, mas é preciso ter em
mente que existem processos narrativos diferentes, alguns muito conheci-
dos, outros mais subterrâneos. Uma sitcom para a televisão pode ter 22 ou 23
minutos, mas não é um curta-metragem. Em meu programa, posso comprar
e exibir até uma hora de curta-metragem. Mas nem todos os documentários
que se formatam para caber nos blocos televisivos vão ser exibidos, porque
podem ter uns 50 e tantos minutos.
      Em 1996 fiz sobretudo essa distinção, deixei claro que o programa
Onda Curta era para curtas-metragens sem diferença de gênero. Exibo
tudo, experimental, animação, documentário e ficção. Não existe limite,

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




exceto a própria noção de curta, que, como defendo, vai até o tempo que
outrora era do média-metragem. Os curtas que exibo também são o que se
costuma se chamar em Portugal de curtas de criação, de autor. Portanto,
para mim, o curta não é só uma questão de duração, mas de estrutura inter-
na, que tem a ver com o processo criativo e ponto final. Na minha opinião,
é como um fórum de autoria, não apenas da direção ou da realização, mas
também de todas as áreas criativas que envolvem esse curta.
      No início, o programa tinha 40 minutos e tivemos de aumentar para
uma hora. Isso nos permitiu imediatamente ampliar o catálogo. Depois,
impus uma coisa: se logo depois houvesse algum evento, um jogo de futebol,
e quisessem que nós reduzíssemos o horário, eu não aceitava. Preferia não
exibir o programa a ter uma duração menor.
      Não tenho tanto poder sobre a grade, se vai haver o pronunciamento
de um ministro, não posso evitar, mas posso dizer que não vou colocar o
programa no ar. Isso foi um santo remédio, porque no final só uma vez, e
por uma razão muito especial, o programa não foi ao ar com uma hora. Con-
segui, portanto, impor uma certa disciplina e, ao mesmo tempo, a própria
programação recebeu essa disciplina com bons olhos.
      Em relação ao público, o curta-metragem infelizmente era considerado
mais voltado ao público jovem. A própria produção também era uma coisa
muito voltada para os jovens que faziam curtas, porque se falhassem não
fazia mal, enfim, era uma espécie de cartão visita para o longa. Queriam
então me dar o horário do meio-dia e eu disse: “Não, muito obrigado” Eu
até teria uma audiência interessante em Portugal nesse horário. Não digo
durante a semana, mas no fim de semana, sim. Mas isso ia reforçar o caráter
juvenil do programa e eu não queria, porque a programação infanto-juvenil
já é imensa, sobretudo no canal português, com a transmissão principalmen-
te de séries compradas e produtos do mercado internacional.
      O que eu queria era transformar essa lógica, fazer um formato para
adultos, onde pudesse exibir filmes adultos, o que não quer dizer sexo, embo-
ra isso seja permitido, mas com temática adulta. Então me deram o horário
das 9 da noite, eu aceitei imediatamente, modéstia à parte, foi uma conquis-
ta. Porque uma coisa sagrada em qualquer estação de televisão do mundo é
a informação. E o RPT2 exibe sua informação às 10 da noite. Ao contrário de
praticamente quase todo o mundo, nos canais mais agressivos do ponto de
vista comercial, as hard news começam às 8 da noite, mas justamente para
não se sobrepor no RTP2 as notícias vão às 10.
      Então harmonizamos assim, o programa começava uma hora antes das
notícias. Confesso que usei alguns truques também para impor determinado

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




formato, mas, enfim, as oportunidades nos negócios também se fazem com
truques. Não se pode chegar lá com uma auréola de santo, porque nem eu
tinha vocação para mártir, nem o curta-metragem merecia essa falta de
empenho.
      Ao fim de algum tempo, os curtas-metragens exibidos no Onda Curta
começaram a ter uma audiência absolutamente extraordinária, que ninguém
esperava. Eu mesmo não esperava, e os curtas se tornaram líderes de audi-
ência não apenas do dia, nem da hora, mas da semana. Obviamente, que eu
não consegui isso com filmes experimentais, apesar de gostar muito, mas,
obviamente, o público é mais reduzido.
      Uma hora permite uma latitude muito grande de opções e combinações
de gêneros e temáticas, então consegui misturar azeite e água, como se cos-
tuma dizer. Programei desenhos animados clássicos com filmes de Mathias
Müller, Christophe Girard, quer dizer, filmes bastante diferentes entre si. E
obviamente eu sabia que o público iria atrás de algumas coisas e poderia ver
outras. E isso aconteceu, aliás, em várias áreas da programação, não apenas
de curtas mas também de documentários de criação, enfim, a audiência esta-
va associada a uma combinação mais ou menos astuta de diversas propostas.
      Gostaria de fazer um parêntesis: acredito que o público tem seu gosto.
Aliás, não é o público, são vários públicos que formam esse grande público.
Portanto, não tenho a pretensão de trabalhar para toda a gente. Penso que
tenho informações privilegiadas, já que sou profissional dessa área, ando
nos festivais, vejo milhares de filmes por ano, entre curtas, médias, longas e
por aí a fora. Por isso estou em ótimas condições, se for sincero na aborda-
gem da minha profissão, a mostrar ao público o que se faz de melhor.
      Acho, então, que os públicos se formam ao longo dos anos e, hoje,
quando se fala de Onda Curta em Portugal, não estamos falando necessaria-
mente de todo o curta-metragem, mas se falarmos de Portugal, quase toda
a produção passa pelo Onda Curta. E isso também porque a RTP, há muitos
anos, vem oferecendo participação financeira em regime de co-produção
e, mais recentemente, participação financeira a fundo perdido não só em
curtas mas em todo cinema. O Onda Curta não tem obrigação de exibir
todos esses curtas, seria um tiro no pé, mas se houver a qualidade técnica,
fazemos questão de exibir, para que o público conheça. E justamente por-
que nós investimos, temos os direitos de exibição e, nas co-produções, até
da comercialização.
      Gostaria de dizer também que não pensei o meu programa na RTP
apenas como um espaço de programação que, devido ao sucesso, ficaria por
ali contente, dormindo descansado. Procurei sempre parcerias com festivais

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




e com os mais diversos eventos de cinema, do audiovisual e procurei, inclu-
sive, parcerias com outros canais de televisão, e hoje isso existe tanto em
Portugal como no estrangeiro. Aqui no Brasil já ofereço um prêmio do Onda
Curta no festival Curta Cinema, do Rio.
      Portanto, toda essa estratégia nacional e internacional de parcerias me
parece fundamental para criar pouco a pouco os pontos, como naqueles
desenhos da infância, em que vinham os pontos numerados e depois aquilo
formava um rosto, uma imagem. Acho necessário, seja em Portugal, na Fran-
ça, na China, seja onde for, e aqui no Brasil em particular, porque é um país
muito grande, criar esses pontos todos e unir — e daí resultar uma imagem,
ou duas ou três.
      Outra questão é que também estou em contato permanente com as pla-
taformas de distribuição, que imagino serem as plataformas mais importan-
tes antes de se pensar na comercialização pura. Individualmente, o produtor,
em casa com seu laptop, envia suas propostas, mas precisa pensar em termos
de distribuição, pois isso representa uma ajuda imensa para a circulação
internacional dos curtas-metragens. Em minha experiência, ajuda inclusive
a rentabilização posterior e não apenas momentânea desse curta no merca-
do nacional e internacional.




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Porta Curtas e Curta na Escola
Vanessa de A. Souza, gerente dos projetos do Instituto Tamanduá
Synapse Cultural
www.portacurtas.com.br




E
        ste Seminário é sobre curtas-metragens, mas temos um problema que
        não é restrito ao curta, e sim de todo o cinema nacional: o grande
        público não está habituado a consumir o nosso cinema. O resultado
são centenas de filmes lançados anualmente e ignorados pelo público. Entre
as causas, eu coloco a falta de salas de cinemas nos municípios brasileiros, o
pouco tempo que os títulos ficam em cartaz, a ausência de grande parte dos
títulos do catálogo em DVD ou na internet e o preconceito do próprio brasi-
leiro com a produção local. As pessoas não estão acostumadas a assistir fil-
mes brasileiros, não conhecem, não sabem se é bom, então não consomem.
      O desafio, nesse contexto, é como transformar o curta-metragem em
um produto cultural acessível e festejado pelo grande público, e, consequen-
temente contribuir para a formação de plateia para o cinema nacional. Esse
foi o desafio que o Instituto Tamanduá trouxe para a si, e a nossa propos-
ta foi o Porta Curtas, um site dedicado à exibição e catalogação de curtas-
metragens, disponível via web no endereço www.portacurtas.org.br. O Porta
Curtas foi publicado em 2002, três anos antes do YouTube, e é patrocinado
pela Petrobras desde então. Hoje temos 750 curtas para assistir, 6 mil fichas
de filmes catalogadas, 5 mil profissionais de cinema catalogados, 1,5 milhão
de pageviews por mês e 150 mil exibições de curtas metragem por mês.
      Temos quatro pilares de sustentação para o site: o conteúdo editorial, as
ferramentas interativas, os resultados de busca e o sistema automatizado de
parcerias de difusão. Quanto ao conteúdo editorial, toda semana o site traz
estreias. As obras são publicadas com a ficha completa, então é possível nave-
gar pelo diretor, pelo fotógrafo. Toda a exibição é autorizada por contrato de
licenciamento, com a remuneração dos realizadores. No contrato de licencia-
mento existe uma cláusula que permite a comercialização, ou seja, venda ou
aluguel desse conteúdo, não só para internet mas também para outros veícu-
los. Freqüentemente, curadores, produtores culturais, emissoras de televisão,

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




instituições de ensino, secretarias de educação, entre outros, entram em con-
tato interessados no licenciamento de curtas. O Porta Curtas já licenciou para
TVs a cabo, como TV Escola e Multishow, por exemplo. Também são comuns
exibições públicas em eventos e cursos. No site, existe a seleção por temas,
por mais vistos, mais cotados, mais recomendados, por festivais.
      O Porta Curtas também oferece um prêmio aquisição em vários festi-
vais, inclusive no de Curtas de São Paulo. São três curtas premiados, a R$ 1
mil por título. Não existe exclusividade, então ele pode ser contratado pelo
Porta Curtas e entrar também em outros veículos. Semanalmente, enviamos
informativos semanais por e-mail, que é uma forma de agitar o espectador e
aproximá-lo do curta-metragem. Mesmo que ele não entre no site, vai rece-
ber essas indicações de estreias.
      Temos então as ferramentas interativas comuns hoje em dia, como dar
nota, postar comentário. Entre os destaques, temos o download roteiros, as
indicações por e-mail e a própria parte de exibição. Depois temos os resulta-
dos de busca, com diversos filtros. Você pode procurar por palavra no diálo-
go, pelos nomes na ficha, tudo é hiperlink.
      E por fim nosso sistema de parcerias. Muita gente não conhece o pró-
prio formato de curta-metragem e o Porta Curtas surgiu com o objetivo de
conquistar os não cinéfilos, de formar público para o cinema. A estratégia foi
estabelecer parcerias com vários portais e sites web: é só se cadastrar no site
e você pode publicar o conteúdo. Temos algumas parcerias de sucesso, por
exemplo com o UOL Cinema, onde existe uma coluna semanal Porta Curtas
Petrobras — toda a semana um curta entra em destaque na página princi-
pal do UOL Cinema. E o bacana disso é que você traz o público que não vai
direto ao Porta Curtas porque nem conhece os curtas-metragens. Na verdade,
ele não está consumindo o formato em si, mas uma produção nacional com
a qual pode se entreter e a partir de então passar a visitar o Porta Curtas e
outras janelas de exibição.
      Em termos de números, hoje temos 416 sites profissionais cadastra-
dos e mais de 8 mil páginas de pessoas e blogs cadastrados. Esses parceiros
podem acessar relatórios on-line para acompanhar as exibições nos veículos
deles. Tivemos 13 milhões de exibições de curtas-metragens brasileiros des-
de a estreia em 2002, o que equivale a 25 mil sessões no cinema (usei Cinema
Odeon como exemplo). Nossos espectadores estão em mais de 2,6 mil cida-
des em 154 países — essa é a vantagem de estar on-line. São 205 mil usuários
cadastrados e 123 mil assinantes Curta Clube semanal.
      Em comparação com as causas do pouco consumo do cinema nacional,
podemos dizer que as razões do nosso sucesso são que o site é acessível a

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




todos os municípios brasileiros, inclusive os que não possuem sala de cine-
ma. Ou seja, a internet torna esse conteúdo acessível mesmo em locais com
mais dificuldade. Os títulos não saem de cartaz, então é possível consumir
sob demanda no horário que quiser. A maioria dos títulos está disponível
para comercialização em DVD, ou seja, se a pessoa gostou pode adquirir um
DVD com o filme e assistir em casa, no seu televisor LCD. O público não
cinéfilo é surpreendido por excelentes obras de entretenimento, organizadas
por gênero, temas de interesse, ficha técnica, entre outros. Acho que esse é o
item principal, conquistar o não cinéfilo que se surpreende com a qualidade
daquele conteúdo.
     O acervo do Porta Curtas transcende também o entretenimento e pode
ser usado como conteúdo didático em salas de aula. Essa foi uma grande

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




sacada do projeto, justamente pela grande quantidade de professores que
acessavam o site, comentavam e falavam de cases.
      A experiência do Porta Curtas nos ensinou algumas lições, tais como
a importância de não tratar o curta-metragem como um produto único,
como um formato isolado, porque ele tem muitas variações. Existem curti-
nhas de um minuto excelentes para o celular, por exemplo. Alguns com uma
duração um pouco maior podem melhor trabalhados em sala de aula.
      Essa é a ideia do Curta na Escola, que pega o conteúdo de curta-metra-
gem e usa na educação, formando também uma rede colaborativa de gera-
ção de conteúdo em cima dos filmes. Funciona assim: os professores pegam
um curta, utilizam na aula e relatam sua experiência. Isso fica acessível a
outros educadores. Eles podem reproduzir essa ideia ou partir daí para criar
outra coisa.
      Além de representar nossa sociedade e cultura, e ter sua qualidade
reconhecida no mundo todo, a curta duração é ótima para usar na sala de
aula. O longa-metragem precisa de uma aula toda só para assistir, enquanto
é possível passar o curta-metragem para abrir um assunto e gerar uma dis-
cussão nessa mesma aula, sem perder o calor do momento.
      Hoje temos 21 mil escolas cadastradas no Curta na Escola. São esco-
las que manifestaram interesse em utilizar o curta-metragem como material
didático durante o planejamento pedagógico da instituição. Normalmente
essa escola é representada pela figura do diretor ou do coordenador pedagó-
gico. Temos 43 mil educadores cadastrados. Também oferecemos pareceres
elaborados por pedagogos, que fazem um roteiro sugerindo a aplicação dos
curtas em diversas disciplinas e temas. Esses pareceres ficam disponíveis
para download no site. É possível baixar roteiros, assistir o filme como no
Porta Curtas, dar nota para o parecer também. Para mim, o mais legal é essa
parte de partilhar os relatos de experiência com a exibição de filmes aos alu-
nos em sala de aula. Tudo isso fica em um banco de dados, acessível. Temos
até o concurso cultural “Procura-se Professor Autor”, para estimular a utiliza-
ção e a postagem dos relatos de experiência do conteúdo.
      O site também gera uma série de relatórios, outra vantagem do on-line
que permite registrar vários dados e gerar relatórios. Como alternativa à exi-
bição on-line nós lançamos dois DVDs, cada um com oito curtas-metragens
com alto potencial didático. Já distribuímos gratuitamente 3 mil unidades
para escolas brasileiras.




                                          111
Programadora Brasil
Moema Müller, produtora audiovisual e coordenadora da
Programadora Brasil
www.programadorabrasil.org.br




A
         Programadora Brasil é um programa da Secretaria do Audiovisual
         do Ministério da Cultura, desenvolvido pela Cinemateca Brasileira
         através da Sociedade Amigos da Cinemateca. Seu objetivo principal
é promover o encontro do público com o cinema brasileiro, em uma ação de
formação de plateia para o nosso cinema. E ainda fomentar o pensamento
crítico em torno da produção nacional e fortalecer iniciativas de difusão cul-
tural similares e complementares.
      O trabalho da Programadora consiste na organização de filmes e vídeos
em programas disponibilizados em uma mídia de fácil acesso, o DVD, que
possibilita o desenvolvimento de atividades audiovisuais em todo o país e
nos mais diferentes espaços: escolas, centros culturais, prefeituras, ONGs etc.
      Os filmes são contratados e licenciados para exibição pública nesses
pontos de circuitos não comerciais. Só associados têm acesso a esses DVDs,
mas o processo da associação é simples e rápido. É feito a partir de alguns
dados básicos preenchidos no site www.programadorabrasil.org.br. Depois
desse cadastro no site, a Programadora entra em contato com o novo asso-
ciado, que se torna apto a adquirir os programas. Nossos associados então
são cineclubes, centro culturais, pontos de cultura, escolas, universidades,
museus, bibliotecas, enfim... A Programadora não está disponível para pes-
soas físicas, apenas para pessoas jurídicas.
      As atividades começaram em 2006, com o primeiro lançamento em
fevereiro de 2007. Em setembro de 2010 chegamos aos 700 títulos. Des-
se total, 549 filmes têm até 30 minutos. Fazemos essa divisão em nossos
contratos: até 30 minutos, entre 31 e 69, mais de 70, e assim por diante. A
remuneração é feita a partir dessa divisão. Os filmes estão organizados em
214 DVDs que chamamos de programas. Cada DVD é um programa, uma
sugestão de programação. É interessante notar que não existe nenhuma res-
trição para que os pontos façam sua própria programação. Sugerimos, por

                                      112
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




exemplo, essa programação: “Wood e Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”
com “Dossiê Rê Bordosa”. Mas se o programador quiser passar só o “Dossiê
Rê Bordosa” com outro filme, ele tem total liberdade. Até incentivamos os
pontos de exibição para que façam suas próprias programações, a partir do
acervo disponibilizado.
      Voltando aos números, vemos que 78% dos filmes da Programadora
têm até 30 minutos de duração. Esses filmes são de todas as regiões do Brasil
e o conteúdo é destinado a todas a faixas etárias e a um perfil de público
muito diversificado. Temos filmes históricos, filmes do período do cinema
silencioso, filmes contemporâneos de todos os gêneros, animação, documen-
tários, experimentais, ficções. A Programadora Brasil realmente tem esse
compromisso com a diversidade de filmes e realizadores.
      Nesse tempo em que estamos atuando, sentimos que a principal expec-
tativa dos associados num âmbito geral é mesmo o acesso à cultura. Temos
mais de 1,4 mil pontos associados. Desses, 431 estão nas capitais e 1.016
no interior – e muitos em lugares onde não existe sala de cinema. Mas isso
muda o tempo todo, porque o sistema é online, então os dados aqui forneci-
dos são de 18 de agosto (de 2010).
      O que vemos é que a Programadora realmente atende a essa expectati-
va de dar acesso à cultura e ao cinema brasileiro, oferecendo filmes que não
estão ao alcance do grande público. E principalmente o que temos notado
é que a audiência da Programadora é 50% infanto-juvenil. Temos tentado
suprir, com um esforço de programação, a carência de um catálogo dispo-
nível desses filmes voltados ao público infantil e adolescente, que é mais
notadamente de âmbito escolar. Cerca de 10% dos associados são algum
tipo de escola.
      Temos três tipos de programa basicamente. Os programas compostos
de curtas e médias-metragens, que chegam a 82 minutos. Os programas de
longas acompanhados de curtas, que são 68, e programas com apenas um
longa-metragem. Ao todo, são 214 programas. Somados aos programas só de
curtas e médias aos longas acompanhados de curta metragem, temos 70%
de programas com algum filme de até 30 minutos.
      Todos os DVDs têm uma apresentação, que mostra a linha da curadoria
e da programação. Dentro das caixinhas temos encartes com informações
técnicas dos filmes e sempre uma crítica inédita. Essas informações também
estão disponíveis no nosso site. Esse encarte foi criado como uma proposta
de ajuda aos exibidores, para que eles possam fomentar o debate.
      Os programas são criados por equipes de curadoria. A cada ano, a Pro-
gramadora trabalha com um lote de filmes sugerido por esses curadores,

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            seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




que são variáveis, mas sempre pessoas do meio audiovisual atuantes na área,
pessoas que conhecem a cinematografia brasileira. A partir de 2008, abri-
mos inscrições proporcionando aos realizadores a oportunidade de deixa-
rem seus filmes à disposição dos curadores. A única exigência é que as obras
tenham o Certificado de Produto Brasileiro. Os realizadores preenchem os
dados do filme em uma ficha técnica e nos mandam uma cópia em DVD com
a cópia do CPB. Os curadores não têm a obrigação – muito pelo contrário
– de trabalhar apenas no universo dos filmes inscritos. Mas a abertura de
inscrições foi pensada para democratizar o trabalho de curadoria , já que a
produção de curtas vem crescendo cada vez mais e é difícil ter acesso a todos
os filmes que são realizados por ano.
      Mas não é uma inscrição como em festival: o filme não precisa ser
recente nem inédito. Se o filme não foi selecionado em um ano, ele conti-
nua disponível, porque depende do tema que a curadoria define. Programas
infantis, por exemplo, são absolutamente necessários e estamos aumentan-
do cada vez mais. No primeiro lançamento, apresentamos dois programas
infantis, agora estamos em torno de 5 ou 6 por edição. Também não temos
nenhuma restrição intransponível de gênero ou formato, nem de conteúdo.
É raro a gente contratar filmes com menos de 5 minutos, mas existem exce-
ções, como animações voltadas à primeira infância.


      Tabela 1: Filmes da Programadora Brasil por década

 Até 1960                                        4,85%

 De 1961 a 1990                                  24%

 De 1991 a 2000                                  22%

 A partir de 2001                                47%



      Tabela 2: Filmes da Programadora Brasil por gênero

 Ficção                                          43%

 Documentário                                    33,77%

 Animação                                        17%

 Experimental                                    4,8%



    Um dos compromissos dos associados é enviar relatórios de agenda-
mento das sessões, de exibição e de público, para que a Programadora pos-

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




sa traçar o perfil do público. É claro que é um trabalho lento, as pessoas
demoram um pouco a aderir. O próprio projeto demorou um pouco a entrar
nos eixos, mas agora já caminha mais tranquilamente. E o que vemos é que
apenas 50% dos associados cumprem essa obrigação. De qualquer forma,
conseguimos ver que os filmes mais programados são de ficção, seguidos
da animação, no caso por causa dos infantis. Ou seja, temos 17% de filmes
de animação na Programadora, mas eles são 35% dos filmes programados.
      Em termos de formato, os curtas são 52,86% dos filmes programados. O
público predominante aqui é 40,48% infantil e 10,27% juvenil, o que repre-
senta 50% do público da Programadora. Entre os nossos filmes campeões de
audiência estão o “Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)”, de
Victor Hugo Borges. Como ele faz parte do primeiro lançamento, foi adqui-
rido por mais pontos e o curta mais visto. Temos um registro de mais de 11
mil pessoas como espectadores deste filme. Entre os nossos programas cam-
peões de público, estão justamente os programas de Curtas Infantis I e II.




                                          115
RBS TV
Gilberto Perin, diretor do núcleo de programas especiais da emissora
www.rbs.com.br




A
         RBS TV é uma rede de televisão regional brasileira ligada à Rede
         Globo, que ocupa um fade, ou seja, parte de um horário que a Globo
         permite veicular a programação regional, exceto noticiário e espor-
te. A história da RBS TV espelha o que aconteceu com outras emissoras em
vários Estados. No início, 18 jovens partiram do Rio Grande do Sul para o
Rio de Janeiro para aprender como é que se fazia televisão. Em 1959, eles ins-
talaram a TV Gaúcha no estado, a partir das experiências em teatro e rádio, e
que mais tarde veio a se chamar Rede Brasil Sul de Televisão.
      O tempo passou, vieram as grandes redes e isso diminuiu a participa-
ção regional nas TVs. Em 1999, surgiu o Núcleo de Especiais e desde então
temos conseguido nos manter no ar, com uma produção que combina docu-
mentários e programas de ficção. São programas semanais de 15 minutos,
exibidos aos sábados às 12h20 e eventualmente aos domingos após o pro-
grama Fantástico. Tanto o público quanto nós preferiríamos que as produ-
ções fossem exibidas em horários mais nobres, mas fizemos dessa grade que
possuímos um sucesso há 11 anos.
      Como tudo numa televisão comercial aberta, o Núcleo de Especiais
depende do equilíbrio econômico, do projeto sustentado pelo mercado
publicitário, ou seja, tem de se pagar e dar lucro à empresa, de outro modo
já estaríamos fora da grade. Foi preciso sistematizar todo o esquema de pro-
dução, envolver todas as áreas, marketing, comercial, administrativo, ope-
rações e técnica, e explicar o projeto no ano de 1999, já que a RBS TV não
exibia documentários e programas de ficção desde o final da década de 1970.
A emissora também teve de se aproximar do mercado publicitário e dos
clientes para que todos entendessem a proposta e apostassem no talento das
pessoas que estavam no projeto.
      Estabelecemos algumas linhas de estímulo ao talento local, entendendo
que os profissionais não estavam apenas dentro da RBS TV. Em alguns casos,

                                     116
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




a emissora faz toda a produção dos projetos. Em outros, contrata produtoras
para realizar uma série, mas mantém a direção artística. Nós pretendíamos
estimular o crescimento de produtoras no mercado, fomentar o crescimen-
to da área de atuação, da área técnica, de roteiros, enfim, isso foi possível
também por meio de um concurso público que lançamos em que a televisão
financia oito projetos de curta-metragem por ano, um concurso público nos
mesmos moldes do que alguns governos fazem.
      Para uma inovação constante dentro da programação, a emissora ela-
borou uma política de direitos autorais, com regulamentos, contratos trans-
parentes — vários estão na internet para consulta —, para que não houvesse
nenhum problema de direitos autorais de ambos os lados, cedendo parte dos
direitos e reservando outros. Apostou-se também em novos talentos que sur-
giram das escolas de atores, dos cursos de cinema, misturados aos talentos
já conhecidos, muitos remanescentes do caldeirão de artes dos anos 1970.
      O Núcleo de Especiais fez sua estreia com o documentário “Anjo Mala-
quias”, sobre o poeta Mario Quintana, em 31 de julho de 1999. Para se ter
uma ideia, até julho de 2010, produzimos 607 programas e exibimos 718.
Essa diferença de praticamente 100 programas são os curtas gaúchos exi-
bidos no horário de meio-dia de sábado, produtos já finalizados pelos quais
pagamos os direitos de exibição.




     Alguns projetos foram premiados nos Estados Unidos e na Alemanha.
Uma das preocupações da emissora é mostrar a cultura regional, sem ser
regionalista, justamente para ser entendida em qualquer parte do País ou do
mundo. Os programas foram gravados em 299 cidades, 17 estados e 25 países,

                                          117
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




e exibidos em emissoras da RBS TV, no Canal Brasil, que é um parceiro da
RBS, e também na Globo Internacional, que transmite alguns de nossos pro-
gramas para 115 países.




     Modelos de produção

     Recentemente, o Núcleo de Especiais produziu um documentário cha-
mado “Guerra e Paz” formado por cinco programas com a temática da Segun-
da Guerra Mundial. Um dos episódios reconstituiu a história do falsário de
Hitler, que está enterrado em Porto Alegre. O programa fala de um caso regio-
nal, mas abre a discussão para um tema mais universal do que se imagina
no princípio. Judeu, artista plástico e falsificador, o homem foi preso em um
campo de concentração e obrigado a falsificar dinheiro para Hitler. É uma
história famosa que até foi tema de um longa-metragem ganhador do Oscar.
     O Núcleo de Especiais pode trabalhar de várias maneiras. Quando se
transforma em produtora, são contratados diretor, roteirista, atores, equipe
técnica, além de atender todas as necessidades que o diretor possa ter. Esse
é um dos modelos usado pela RBS para produzir seus programas, tanto para
documentário, quanto para ficção.
     Já a série “Online” toma outro caminho. Realizada a partir da sugestão
de uma produtora de Porto Alegre, chamada Sangue Bom, a ideia era criar
um programa de ficção relacionado ao universo do mundo virtual e a garota-
da de 11 a 13 anos e suas famílias. É um sucesso, está na segunda temporada
e deve se tornar um longa-metragem, cujos direitos serão cedidos pela RBS
para que a produtora realize o filme.

                                          118
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      Esses programas têm a supervisão artística do Núcleo de Especiais, ou
seja, nunca o produto é entregue na hora para ser exibido na TV. A emissora
tem uma participação direta, como se a produção fosse feita lá dentro, mas
a extensão é gerenciada por uma produtora reconhecida pela experiência no
mercado.
      Também temos as histórias curtas selecionadas por concurso público
para residentes do Rio Grande do Sul, conforme já citado anteriormente.
São oito projetos selecionados por um júri, com prêmio de R$ 40 mil e a
possibilidade de usar nosso equipamento de captação e montagem. Às vezes
temos roteiros muito bons que ultrapassam o valor estabelecido e por isso
são eliminados.
      Com rígida grade de produção, a inscrição é feita em janeiro, em março
temos o júri, depois já começa a pré-produção, oficina de roteiro e direção,
com acompanhamento de Carlos Gerbasi e Jorge Furtado, até o momento de
pré-produção, produção, primeiro corte, discussão, escolha de elenco e exibi-
ção, que acontece em outubro ou novembro.
      Finalmente, temos o exemplo de “Fundo do Mar”, série em quatro epi-
sódios dirigida por Rafael Figueiredo. A RBS TV comprou as imagens de
uma empresa de Santa Catarina porque não tinha tempo para acompanhar
o crescimento de um determinado molusco durante um ano. Depois o con-
teúdo foi reembalado com história de pescadores, belíssimos cenários e par-
ticipação de especialistas.




                                          119
RioFilme
Sérgio Sá Leitão, diretor-presidente da empresa
www.rio.rj.gov.br/web/riofilme




D
         istribuidora da Prefeitura do Rio de Janeiro, a RioFilme funciona
         de um modo diferente de um órgão da administração direta ou de
         uma autarquia, pois pode reinvestir sua receita em novos projetos
sem destiná-los ao Tesouro, seja da Prefeitura, do governo do Estado ou
da União.
      Nós empregamos recursos em produção e distribuição de conteúdos
para cinema e televisão de diversos formatos, principalmente longas-metra-
gens, também investimos na realização de 11 eventos estratégicos para o
desenvolvimento da indústria audiovisual do Rio de Janeiro como o Festival
do Rio, o Cel.U.Cine, o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, e
temos também um programa de editais que será lançado durante o Festival
do Rio.
      Historicamente, a RioFilme apresenta um número de editais voltados
para a produção de curtas, que vamos ampliar bastante mantendo a linha
para a produção. Fazemos operações reembolsáveis, nas quais a distribuido-
ra se torna sócia do agente privado envolvido e passa a fazer jus aos valores
advindos dos projetos; e não reembolsáveis, ou seja, ações de patrocínio em
que não há sociedade em receitas.
      Em 2008, a capacidade de investimento da RioFilme era muito peque-
na. A partir de um contrato de gestão com a Prefeitura do Rio de Janeiro,
várias medidas foram tomadas e iniciamos um processo de revitalização
muito forte a partir do início de 2009. Para se ter uma ideia, em 2008 a
RioFilme investiu um total de R$ 1,2 milhões. Nós saltamos desse patamar
para R$ 11,5 milhões no ano passado e vamos terminar este ano na casa dos
R$ 17 milhões em investimentos, números que ajudam a empresa a ter um
peso na promoção do desenvolvimento da indústria audiovisual do Rio de
Janeiro, considerando todos os elos da sua cadeia de valor e os seus impactos
econômicos e sociais na cidade.

                                     120
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




       Em relação aos curtas-metragens, a Rio Curtas é um caso muito pecu-
liar. Foram realizados 92 curtas com o investimento da RioFilme e produ-
ziremos mais dez. Dos realizados até agora, 73% dos curtas foram exibidos
em festivais e tiveram alguma forma de comercialização. Majoritariamente
autoral ou experimental, os filmes possuem ambições artísticas e são volta-
dos para o circuito dos festivais. Como os festivais se constituíram ao longo
do tempo na principal janela de exibição de curtas no Brasil, de alguma for-
ma isso condicionou o tipo de produção.
       Hoje, temos uma multiplicação de janelas para o curta, desde plata-
formas on-line e empresas privadas de distribuição, como a Curta o Curta,
a projetos relacionados à exibição em salas de cinema. Também temos as
emissoras de televisão que compram curtas e que, na verdade, do ponto de
vista de quem faz o curta, criam novas possibilidades de produção que de
alguma forma atinjam um público mais amplo que o público dos festivais.
       Em relação à comercialização de curtas-metragens, minha equipe fez
um levantamento de todos os curtas que a RioFilme já ajudou a produzir
e de todo o investimento que já foi feito. Chegamos à conclusão de que o
retorno equivale a 10% do investimento. Basicamente, a comercialização é
feita para emissoras de televisão. Por exemplo, o Canal Brasil tem um papel
essencial como grande comprador de curtas, a TV Cultura, a TV Brasil e a TV
Câmara também são compradoras, enfim, nós temos procurado oferecer o
acervo como conteúdo para essas e outras emissoras. A duração e o formato
são, sem dúvida, impeditivos à comercialização para a televisão porque são
complicados para se ajustar a uma grade. Quando mencionei essa receita de
10% do custo de produção de cada filme, estava falando de uma média de
R$ 5 mil por filme, que advêm da comercialização para a televisão.
       Também procuramos disponibilizar esse conteúdo para sites em ini-
ciativas como o Porta Curtas, em que os filmes acabam conquistando maior
audiência, muitas vezes mais do que em algumas emissoras de TV por assi-
natura. Esse caminho é bastante interessante, pois os curtas têm grande
importância do ponto de vista da formação, da capacitação e da revelação
de novos profissionais. É uma atividade que precisa ser subsidiada de algu-
ma forma, mas acho que nós vivemos hoje uma explosão de formatos, de
plataformas, de janelas de exibição e também de possibilidades de receitas
que ampliam muito as possibilidades para o curta-metragem. A RioFilme
continuará estimulando a produção e também a comercialização de curtas.




                                          121
RNA – Rede Nordestina Audiovisual
Carlos Dowling, coordenador de programação da TV da Universidade
Federal da Paraíba (TV UFPB) e coordenador institucional da RNA

www.rna.org.br:8080/rna




A
         TV UFPB é a mais nova associada da TV Brasil. Atualmente, fun-
         ciona retransmitindo a cabo o canal Futura, mas até os próximos
         meses vamos retransmitir a TV Brasil na Paraíba, em sinal aberto de
televisão. Como sempre, o processo é muito mais demorado do que gostaría-
mos, há uma série de problemas de estrutura do serviço público, mas existe
uma perspectiva muito interessante de juntar os produtores independentes
do audiovisual.
      A partir de 2005, a ABD Paraíba estabeleceu a Urbe Audiovisual, um
Ponto de Cultura que trabalha com capacitação do audiovisual e auxilia a
produção independente e a difusão. E entre 2007 e 2008, iniciamos um pro-
jeto de Pontão de Cultura chamado Rede Nordestina Audiovisual (RNA), cuja
principal função é fomentar e estabelecer esse campo de articulação entre
pontos de cultura e produtores culturais independentes da região Nordeste.
      Estudando um pouco o modelo do programa Cultura Viva do Governo
Federal, entendemos que os primeiros Pontos de Cultura foram ampliados
para Pontões de Cultura exatamente para fazer esse tipo de articulação. A
estrutura de formação de redes contribui para pensarmos em como propor
uma distribuição diferenciada dos poucos mecanismos comerciais que exis-
tem para o curta-metragem e para a produção audiovisual independente de
maneira geral.
      Uma das parcerias estabelecidas no Pontão de Rede Nordestina Audio-
visual é com o Laboratório de Aplicações de Vídeos Digitais (LAVID), um
laboratório de vanguarda do Departamento de Informática da UFPB. Estu-
dando como formar essas redes, percebemos que era necessário criar novas
tecnologias de difusão e compartilhamento do audiovisual.
      As ações da RNA atuam com uma estrutura de grupos permanentes de
trabalho, grupos de trabalhos complementares e grupos de trabalho suple-
mentares, que juntos são projetos em processo de preparação para serem

                                    122
         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




apresentados em parceria. Uma das linhas de atuação da Rede é o portal de
intercâmbio e compartilhamento de vídeos. Além de visualizar os filmes no
próprio browser, os membros participantes da comunidade podem subir e
baixar conteúdos de curta duração com qualidade em Mpeg2 ou H264, for-
matos de compressão com a qualidade de DVD ou superior.
      A segunda linha de ação da Rede é fazer uma seleção, compilação e dis-
tribuição dos curtas-metragens paraibanos. Parte considerável da filmografia
em curta-metragem paraibana foi compilada e dividida por década, para dis-
tribuição sem fins econômicos ou para exibições não comerciais. Além des-
ses filmes, também há a comercialização de DVDs com curtas-metragens do
projeto Curtas ABD Paraíba, em tiragem limitada de 100 discos por vez, cujos
recursos são repassados para os realizadores. A terceira linha de atuação é a
realização de encontros regionais. Já realizamos uma edição em João Pessoa e
temos a perspectiva de concretizar mais duas nos próximos dois anos.
      Atualmente, o portal da RNA está em teste de usabilidade e passa por
um processo de integração com o programa XPTA.Lab, um projeto de imple-
mentação de uma estação escola de televisão digital aprovado pelo LAVID
em parceria com a ABD Paraíba. Conseguimos ativar os núcleos de produ-
ção digital da Rede Olhar Brasil e articular as cidades de João Pessoa, Forta-
leza, Aracaju, Belém, Rio Branco, Teresina, Salvador, Maceió, Natal, Aracaju e
São Luís para um processo de capacitação, culminando com a produção de
11 episódios pilotos de 26 minutos, exigidos pelo edital do XPTA.Lab.
      A lógica do portal é trabalhar, diferenciar o público e pensar em mode-
los de possível comercialização. A priori seriam duas linhas: trabalhar pelo
cinema digital, por meio de uma tecnologia de compressão em alta defini-
ção, e integrar as redes que estão em perspectivas de formação.




                                          123
SESCTV
Regina Gambini, gerente adjunta do canal
www.sesctv.com.br




O
         SESCTV é um canal do SESC São Paulo, atualmente distribuído por
         diversas operadoras de Tv por assinatura, além de parcerias com
         televisões educativas em todo Brasil. Estamos no ar 24 horas por
dia, trabalhando com a visão da educação informal e permanente,e, para
isso, os programas são desenvolvidos com o objetivo de gerar reflexão,
inquietação e provocação.
      Não funcionamos apenas como um canal de aquisição e exibição.
Os programas são produzidos com produção terceirizada e formatados e
desenvolvidos com o acompanhamento técnico do SESC São Paulo. Nesse
sentido, trabalhamos com a ideia de acervo, pois não existem programas
tipicamente jornalísticos, e o curta-metragem tem um papel bem importante
na programação.
      Atualmente, as séries que exibem curta-metragem são produzidas em
dois formatos: curtadoc, que está na segunda temporada, é um projeto que
agrega documentários em curta-metragem unidos por um eixo temático.
São 52 programas produzidos pela produtora Contraponto, de Florianópolis,
com direção de Kátia Klock e produção executiva de Maurício Venturi. Os
filmes passam por um processo de inscrição pela internet, a produtora faz
a seleção e discute conosco. Então, reunimos trabalhos autorais de diversas
épocas e formatos, com um tema específico que está em primeiro plano nes-
sa discussão. A média do licenciamento tem sido R$ 65,00 por minuto e as
exibições também são negociadas por um prazo de até dois anos de exibição.
O curtadoc é exibido todas as terças-feiras, às 21 horas, com alguns horários
de reprise. Para saber os demais horários, é só acessar o site do SESCTV:
www.sesctv.org.br
      O segundo projeto em andamento é o faixa curtas, voltado para curtas-
metragens de ficção. A produção é da produtora Bambu Filmes, com cura-
doria de Luis Carlos Soares, sempre com o acompanhamento do SESCTV. A

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




ideia é misturar produções de várias épocas, suportes e linguagens. Incluí-
mos desde produções realizadas em super-8 a conteúdos desenvolvidos em
suportes digitais. Os filmes são licenciados seguindo uma tabela com varia-
ções de tempos: de 3 a 8 minutos, de 9 a 15, de 16 a 25, de 26 a 40 minutos.
Esse projeto está em fase de produção com estreia prevista para início de
2011.
      O SESC São Paulo, parceiro de longa data do Festival Internacional de
Curtas-Metragens, exibe os filmes no Cinesesc e participa com o prêmio-
-aquisição SESCTV. São três prêmios, dois na categoria KinoOikos, de R$ 2,5
mil cada, e outro de R$ 5 mil para a Mostra Brasil e Panorama Paulista. Os
curtas são licenciados para exibição no canal por um determinado período.
Também lançamos a coleção “20 Anos”, mais um desdobramento dessa par-
ceria com o Festival. Com a curadoria da Zita Carvalhosa, a programação foi
exibida no SESCTV e também em diversas unidades do SESC São Paulo, na
capital e interior.
      Dentro da possibilidade dos curtas serem formatados em projetos que
agregam conteúdos e discussões, nós pensamos neles também como pro-
gramações especiais- interprogramas e outros. Há pouco tempo, lançamos
o Poéticas do Invisível, um trabalho da videoartista Lucila Meirelles, cuja
proposta é discutir a visão subnormal do ponto de vista estético. Ela agregou
alguns curtas e médias-metragens em seus programas.
      O SESCTV trabalha com os sistemas de produção, co-produção e licen-
ciamento. Além disso, pelo caráter educativo e cultural, há uma constan-
te solicitação de programas por parte de instituições e universidades que
querem ampliar seus acervos. Recentemente fechamos uma parceria com o
Ministério da Educação e Instituto Arte na Escola para disponibilizar parte
do acervo de artes visuais do canal para a rede pública de ensino.




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TV Câmara
Getsêmane Silva, diretor do canal
www2.camara.gov.br




S
       ou diretor da TV Câmara, em Brasília, e queria apresentar um pouco
       da experiência do canal em relação aos conteúdos de curta duração.
       Disponível para 94 milhões de pessoas no Brasil inteiro em TV a cabo,
parabólica, banda C e internet, a TV Câmara foi o primeiro canal que pôs
todo o seu conteúdo em VOD na internet há cinco anos. Transmitimos em
UHF no Distrito Federal e agora também pelo canal digital em São Paulo.
     Nossa programação hoje tem 32% de sessões ao vivo e gravadas de
plenárias e comissões da câmara federal, 33% da grade são ocupados de
programa de debates, 17% de telejornais – transmitimos até quatro por dia
ao vivo –, os culturais preenchem 11%, e os documentários ocupam 5% da
grade. Entre os culturais e os documentários estão os curtas-metragens.
     Nosso público é formado por pessoas de mais idade. As pessoas que
nos assistem querem debater e refletir sobre o Brasil, pois não é um canal
de entretenimento. Aproximadamente 64% dos expectadores têm mais de
35 anos. Cerca de 20% têm entre 25 e 34 anos, um público mais jovem que
também assiste ao canal.




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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      Como é que nos relacionamos com o curta-metragem? A compra é feita
de maneira transparente, por edital, concurso. Da última vez, tivemos 450
filmes inscritos e compramos, mais ou menos, 10% deles. Adquirimos 42
filmes de uma vez e pagamos R$ 5 mil pelo licenciamento não exclusivo por
24 meses. Também usamos o licenciamento sem custo, com termos nego-
ciáveis. Tem realizador que diz assim “Olha, eu quero que você passe ape-
nas uma vez”, e tem outro que diz “Você poder passar quantas vezes quiser
durante um ano”. Dessa maneira, já exibimos 146 curtas. Isso é um pouco
controverso, até determinadas associações de curta-metragistas e até ABDs
estaduais já nos questionaram por apresentar licenciamento sem custo, mas
é uma porta aberta.
      A TV Câmara tem um limite orçamentário, há uma burocracia para que
o dinheiro saia. Não conseguimos pagar por tudo o que gostaríamos. Uma
vez, um pessoal do Ceará proibiu os realizadores cearenses de mandar filmes
pra TV Câmara. Também acho que os filmes devem ser remunerado, mas
todo mundo tem o direito de fazer o que quiser. Nós pagamos por edital, que
é a única maneira de tirar o licenciamento do orçamento da Câmara.
      Está no ar desde 14 de maio a nova temporada do programa Olhares,
que tem uma média de 88 mil telespectadores a cada janela de uma hora. De
maio até agosto de 2010, tivemos uma programação de curtas que atingiu
numa única sessão 244 mil pessoas na máxima, e uma mínima com 18 mil
assistindo. Ou seja, existem curtas e curtas, as pessoas vão gostar mais de
uns e menos de outros. Mas essa média é importante para mostrar que há
um mercado de pessoas querendo ver curta-metragem na TV por assinatura.
      Segundo as medições do IBOPE, nosso alcance semanal atinge em
média 352 mil pessoas que assistem a essa grade de programação. Ao estudar




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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




essa audiência, percebemos que o curta-metragem é importante para nós,
pois a retenção na TV a cabo é muito rápida, as pessoas zapeiam muito. Por
favorecer a reflexão sobre os temas e ter curta duração, o curta-metragem é
ótimo para o canal. Em média, a cada 12 minutos temos um novo grupo de
pessoas assistindo à programação. E você fala assim: “Ah, são 12 minutos
porque é meio chato, as pessoas não assistem muito à TV Câmara”.
      Não é bem assim. Incluindo os canais de filme longa-metragem, a maio-
ria dos canais da TV a cabo também é pouco assistida em termos de tempo.
As pessoas não assistem ao filme inteiro, apenas passam pelo canal. Então,
pensando nesses dados, o curta-metragem é um conteúdo excepcional, por-
que ele se resolve em cerca de 10 minutos. Tanto a TV Câmara quanto o
Canal Futura e o Canal Brasil trabalham com interprogramação, oferecendo
conteúdos que o espectador pode ver do começo ao fim.
      Minha mensagem principal é esta: existe um mercado, as pessoas que-
rem ver curta-metragem na TV por assinatura e, se as pessoas querem ver,
boa parte delas estaria disposta a pagar. Agora, é pensar em algum modelo
de negócio.




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TV Cultura
Carlos Wagner La-Bella, diretor de prestação de serviços, documentários e
produção independente da emissora
www.tvcultura.com.br




A
        ntes de começar, eu peço permissão aos não catarinenses e aos não
        gaúchos para prestar uma homenagem aos parceiros e colegas de
        trabalho de curta-metragem gaúchos e catarinenses – nasci no Rio
Grande do Sul e foi no Estado de Santa Catarina que eu trabalhei nos últi-
mos 20 anos. E preciso fazer uma homenagem especial à Ana Luiza Azeve-
do. Não sei se ela sabe, mas conheci o curta-metragem na Casa de Cinema.
Lá, aprendi que era um formato maravilhoso e fiquei encantado com O Dia
que Dorival encarou a guarda, o primeiro curta que vi.
      Não tenho a produtora há cinco anos, mas trabalhei muito tempo como
produtor independente. De 1996 a 2004, vivemos de curtas-metragens, de
1 minuto e meio até 15 minutos. Foi maravilhoso porque nós tínhamos con-
dição de produzi-los para a televisão. A RBSTV foi uma grande parceira, ela
é pioneira na abertura do curta como negócio. Para se ter uma ideia, um dos
nossos projetos com a RBSTV rendeu US$ 9 milhões em três anos. Eviden-
temente que esse projeto foi um momento, um investimento de uma direto-
ria que acreditava nos projetos e deu resultado. Então, temos um mercado,
temos condições de trabalhar e de fazer projetos sustentáveis.
      Hoje, sou diretor da área de produção independente e aquisições da
TV Cultura. Nós temos dois espaços dedicados ao curta-metragem: o Zoom,
programa histórico que exibe cerca de 70 a 80 curtas por ano; e o A’Uwe,
destinado a produções de documentários indígenas. Exibimos na TV curtas
dirigidos tanto por cineastas indígenas quanto por não indígenas. Para mim
é um orgulho, pois o A’Uwe nasceu de um projeto da minha diretoria há dois
anos. Há uma diferença nos valores de direitos. Os que a gente adquire para
o Zoom ficam por volta de R$ 450, 470 reais, se não me engano. Já com o
A’Uwe cada curta sai por R$ 2 mil cada, porque precisamos de uma duração
aproximada de 20 minutos.

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      São curtas de festival ou mesmo autorais, que temos vontade de fazer. É
muito difícil colocar a minutagem numa grade exclusiva. No caso do A’Uwe,
nós fazemos uma sanfona, inserimos um curta e um média, com interme-
diação do ator Marcos Palmeira. Agora, para uma grade de meia-hora só de
curtas-metragens, nós teríamos uma grande dificuldade porque o formato
não possui um tamanho regular.
      Infelizmente, nós não temos hoje na TV Cultura um espaço satisfatório
para a importância do curta-metragem. Embora tenhamos na área infantil
também espaço para curtas, investimos na última Finep em um projeto de
curta para um programa muito legal de animação, da Marca. Precisamos
pensar o curta-metragem lá na TV Cultura de outra forma, discutir com os
produtores como fazer isso, de que tamanho, ou talvez possamos criar um
edital específico que se divulgue o tamanho que interessa para TV, para que
o realizador já pense nessa possibilidade.




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TV Escola
Douglas Silveira, coordenador do núcleo de comunicação do canal
http://tvescola.mec.gov.br




A
         ntes de compor o Núcleo de Produção e Comunicação da TV Escola,
         canal do Ministério da Educação, trabalhei durante 6 anos no Canal
         Futura, da Fundação Roberto Marinho, como produtor e coordena-
dor de projetos especiais. Há três anos estou no Núcleo de Produção da TV
Escola, do Ministério da Educação e hoje coordeno o Núcleo de Comunica-
ção, que é um novo departamento. Desde a fundação da TV Escola temos
um contrato de transmissão e de produção firmado com a ACERP – Associa-
ção Educativa Roquette Pinto. São produtores, conteudistas e coordenadores
pedagógicos trabalhando para a TV Escola.
      O projeto TV Escola, do Ministério da Educação, é muito conhecido
entre professores e alunos das redes públicas e também particulares do Bra-
sil, mas o público em geral só conhece a TV como o “canal da mãozinha”. No
ano passado, quando trocamos a identidade visual, precisamos explicar aos
professores que a marca era bonitinha, mas que não tinha boa aplicação e
dava à TV Escola um caráter de canal infantil simplesmente. Nós exibimos
programas e documentários de acordo com a grade curricular da educação
básica, que não estão limitados à educação infantil.
      Qual é o objetivo do projeto TV Escola? No início, em 1996, era ofe-
recer aos professores conteúdos audiovisuais, de acordo com as diretrizes
curriculares da educação básica. Ou seja, exibir programas de Matemática,
Língua Portuguesa, Ciências, Biologia e temas transversais como Educação
no Trânsito, Saúde, Meio Ambiente etc, para servir de suporte pedagógico
aos professores, em sala de aula ou em sua formação.
      Nessa época, o Ministério da Educação distribuiu um kit tecnológico,
formado por televisão e videocassete, depois substituído pelo DVD, e antena
parabólica. Cerca de 60 mil escolas receberam esses kits para que seus pro-
fessores tivessem acesso à TV Escola e montassem videotecas. Nosso sinal

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




era transmitido pela ACERP e os professores recebiam a grade de programa-
ção e gravavam os conteúdos para uso em sala de aula.
      Começamos a receber muitas ligações, cartas e mensagens de médi-
cos, psicólogos, engenheiros e profissionais de várias áreas, solicitando os
programas da TV Escola. Então, em 2007, realizamos uma pesquisa com as
escolas que utilizavam o projeto e também com outras pessoas não ligadas
ao corpo docente e discente. Identificar nosso espectador foi um dos moti-
vos dessa pesquisa, cujos números revelaram um público muito maior do
que professores e alunos: a TV Escola era vista como um canal de televisão
convencional.
      Então, resolvemos abrir a grade e criamos esse Núcleo de Comunicação
para poder divulgar a TV Escola dentro do próprio canal e transformá-la não
só em um bloco de programas no qual os professores copiam e exibem aos
alunos, mas que o público, de maneira geral, também pudesse assistir em
casa com a família.
      Hoje a programação da TV Escola é exibida por meio de antena para-
bólica analógica e digital, pela Sky – canal 112, e também por cerca de 50
operadoras a cabo no Brasil. Hoje é possível também assistir à TV Escola
ao vivo, 24h, pela internet. Estreamos o portal neste ano e está em fase de
experimentação, mas até o final do ano outros aplicativos ainda serão desen-
volvidos para que mais conteúdos estejam disponíveis em nosso site, como
exemplo, video on demand/VOD - vídeo sob demanda. A TV Escola também
está no YouTube.
      Entre 60 e 70% da nossa programação é comprada de empresas interna-
cionais, de países como Holanda, França, Canadá, Coréia e Inglaterra. O restan-
te é produzido aqui. Para a TV Escola ainda é muito complicado produzir seus
programas, porque nos submetemos às leis de licitação. Não podemos ficar
presos à morosidade dos editais, pois não conseguiríamos manter as 24 horas
de programação no ar por sete dias na semana. Então, compramos o que há
no mercado e procuramos produzir os conteúdos específicos às necessidades
brasileiras, como programas educativos de Língua Portuguesa e História do
Brasil, por exemplo, dando prioridade internamente a essas produções.
      A vantagem de produzir internamente, de realizar um processo de lici-
tação, é que conseguimos trabalhar com produtoras do Brasil inteiro e incen-
tivar as produções educativas nacionais. Recentemente, fizemos uma série
sobre saúde gravada em João Pessoa, na Paraíba, nossa única dramaturgia
da TV Escola até agora, chamada “Geração Saúde”. Foi toda feita em parceria
com a Universidade Federal da Paraíba e com uma produtora de Natal/RN que
ganhou a licitação e que montou uma base para nos atender em João Pessoa.

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         seminário de comercialização de conteúdos audiovisuais de curta duração




      Todo elenco dessa série foi formado por atores paraibanos, a maioria
com pouca ou nenhuma experiência em audiovisual. A atriz paraibana Mar-
célia Cartaxo foi a preparadora de elenco da série. Fizemos uma prepara-
ção de três meses, antes de gravar, com exercícios de interpretação para a
câmera, palestras e workshops. Recife, por exemplo, conta com um pólo de
produções audiovisuais, mas não vi nada parecido na Paraíba e acredito que
o Estado ainda proporciona poucos trabalhos nesse setor. Então, foi gratifi-
cante ver a realização dos profissionais paraibanos na produção dessa série.
Essa é a parte interessante do processo de licitação.
      Com relação à compra dos produtos, três distribuidoras trabalham
conosco atualmente: Didak, Synapse e Magnatel. Mas trabalhamos também
com outras distribuidoras que representam as empresas internacionais de
quem compramos conteúdo. Todas as empresas brasileiras ou internacio-
nais podem vender curtas-metragens, médias ou longas para a TV Escola,
desde que estejam de acordo com as diretrizes exigidas pelo departamento
jurídico do MEC e que estejam de acordo também com a linha editorial do
canal, que tem como base as diretrizes curriculares da educação básica.




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