Os Sacramentos

					                               Os Sacramentos
         Para entendermos a doutrina da Igreja sobre os Sacramentos, devemos começar por entender o
significado da palavra “sacramento”. Esta palavra lembra “aquilo que é sagrado”. Sacramento também significa
“alguma coisa sensível, visível, palpável que representa algo que nossos olhos não podem ver nem nossos
ouvidos ouvir, ou seja, nossos sentidos não podem perceber”. Por isso que, às vezes, podemos ouvir : “a Igreja é
sacramento da Salvação”. Isto é explicado pois a Igreja é um meio que podemos ver, sentir, da Salvação que não
podemos ver nem perceber com nossos cinco sentidos. Normalmente quando falamos dos sacramentos, não
estamos nos referindo a este sentido tão amplo da palavra, mas estamos falando dos sete (7) sacramentos da
Igreja, que Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu. Estes sacramentos são sagrados, pois Jesus os instituiu para ser
instrumento de sua salvação, para nos levar para o reino dos céus. Os sacramentos são “sinais sensíveis que nos
comunicam a graça invisível”. O sacramento realiza aquela realidade simbolizada pela matéria e pela forma de
sua celebração. Por exemplo, no batismo somos “lavados” do pecado original e de outros pecados cometidos e
renascemos na água e no Espírito Santo para uma nova vida, a vida da graça de Deus.
         A matéria do sacramento é o meio físico usado na celebração do sacramento. Por exemplo, no batismo é
a água, na eucaristia é o pão. A forma são os ritos e condições específicas da celebração do sacramento. Por
exemplo, no batismo: “eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, na eucaristia: o rito da Missa
com a oração eucarística “...Isto é o meu Corpo ... isto é o meu Sangue”. Aquilo que é representado pela matéria
e pela forma é realizado no sacramento.
         O ministro também é importante ser considerado. Para cada sacramento existe um ministro que pode
realizar em nome de Cristo o sacramento. Por exemplo, o ministro ordinário da eucaristia é o sacerdote
ordenado, ou seja, o padre ou o bispo. Ministro ordinário é o ministro adequado para aquele sacramento. Existe
em certos sacramentos o ministro extraordinário, ou seja, o ministro que na falta do ministro ordinário e em caso
de necessidade pode realizar o sacramento. Por exemplo, o ministro ordinário do batismo é o padre, mas todos
nós somos ministros extraordinários do batismo, ou seja, em caso de extrema urgência e na falta de um sacerdote
podemos batizar usando a matéria e formas adequadas para o sacramento.
         São sete (7) os sacramentos instituídos por Jesus Cristo. São eles: o Batismo, a Crisma ou
Confirmação, a Confissão ou Reconciliação ou Penitência, a Eucaristia, a Ordem, o Matrimônio e Unção dos
Enfermos. Eles são para efeito de entendimento divididos em sacramentos de Iniciação Cristã ( Batismo, Crisma
e Eucaristia), sacramentos de Cura (Confissão e Unção dos Enfermos) e sacramentos de serviço ou de vocação
(Ordem e Matrimônio).
         É curioso perceber que os sacramentos estão ordenados para a nossa vida e estão correlacionados com os
principais eventos dela. Veja a correlação entre a vida natural e a vida sacramental.

Nascimento Alimentação Amadurecimento Trabalho – Serviço - Cura das Doenças               Cura ou fim da
                                      Missão                                              vida
Batismo    Eucaristia  Crisma         Matrimônio         e Reconciliação                  Unção          dos
                                      Ordem                                               Enfermos

        Da mesma forma que Deus nos possibilita o desenvolvimento da vida natural, nos possibilita através de
seus sete sacramentos a vida sobrenatural. É importante que tenhamos em mente que os Sacramentos são
sacramentos de Jesus Cristo e sacramentos da Igreja. A Igreja recebeu de Cristo estes meios de salvação.

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Perguntas:
1- Qual o significado do termo “sacramento”?

2- Quem institui os sacramentos e o que eles comunicam?

3- Qual o significado dos termos “matéria”, “forma” e “ministro”? Dê exemplos.




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                                      Para Saber mais . . .

Os Sacramentais
(texto cedido por Carlos Ramalhete)

        Muitas vezes encontramos cristãos que, devido a uma falsa compreensão do que seja um sacramental,
tendem a considerá-los superstições (diminuindo o seu valor) ou equipará-los aos Sacramentos (exagerando o
seu valor).
        Com o objetivo de esclarecer estas confusões hoje tão comuns, decidi escrever este artigo.
        Antes de mais nada, comparemos os Sacramentos e os Sacramentais:

Os Sacramentos:                                    Os Sacramentais:
Foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo    São estabelecidos pela Igreja que Cristo fundou
São os sete que Cristo instituiu:                  São muitos e variados, de acordo com as
Batismo,                                           instruções dadas pela Santa Mãe Igreja
Confirmação,
Confissão,
Sagrada Eucaristia,
Unção dos Enfermos,
Ordens Sagradas e
Matrimônio
Produzem Graça diretamente na alma, se não   Não produzem Graça diretamente ou por eles
                                             mesmos, mas produzem Graça indiretamente ao
houver obstáculo por parte daquele que os recebe
                                             dispor e preparar a alma para este divino dom
As palavras usadas no ministério dos As orações usadas nos Sacramentais apenas
Sacramentos, com exceção das usadas na Unção pedem a Deus que produza certos efeitos e
dos Enfermos, declaram firmemente que Deus conceda certas graças
está produzindo certos efeitos na alma
Dão ou aumentam a Graça Santificante1        São meios para a obtenção de graças atuais2

        Podemos dividir os Sacramentais em várias categorias: orações, objetos piedosos, sinais sagrados e
cerimônias religiosas.
        Alguns sacramentais são uma combinação, pertencendo a mais de uma categoria. O Rosário, por
exemplo, é uma oração e um objeto piedoso.
        Não podemos, contudo, esquecer que o mérito não reside no objeto. Seria superstição acreditar que um
mero objeto teria algum tipo de poder por si só.
        Os sacramentais, entretanto, são objetos separados pela Igreja para a nossa santificação, usando da
oração oficial da Igreja e dos méritos de Cristo, presentes e distribuídos por Sua Igreja. Eles nos levam a
pensamentos e sentimentos mais espirituais, aumentam a nossa lembrança e confiança na Misericórdia Divina.
        Desde o tempo do Antigo Testamento nós encontramos prenúncios dos Sacramentais: os judeus
receberam de Deus a ordem de usar franjas em suas roupas, para que se lembrem dos Mandamentos 3. Estas
franjas lembram aos judeus a presença de Deus. Do mesmo modo, mas ao mesmo tempo de maneira muito
superior, os Sacramentais atraem a nossa atenção para a Graça de Deus. Deus não arromba as portas dos nossos
corações; os Sacramentais nos ajudam a abri-las de par em par.
        Eles não são necessários para a nossa salvação; podemos perfeitamente ser salvos sem que deles
façamos uso. Mas sem dúvida eles podem nos ajudar, e muito!
        A batina de um padre faz com que se calem os blasfemos no lugar em que ele entra, e igualmente faz
com que ele esteja sempre consciente de sua função de sacerdote e testemunha, tornando mais difícil que peque.
        A cruz ou o escapulário que o cristão leva ao peito também lembra a ele e ao próximo a necessidade de
nos abrirmos para Deus e o valor do sacrifício.
        A madeira ou metal da cruz, o pano do escapulário e da batina, nada disso tem valor salvífico em si. Mas
essas coisas, separadas pela Igreja e por ela abençoadas e dotadas de uma missão, nos atraem para Deus, nos
levam a abrir as portas para a Graça, e podem ser indiretamente a causa de nossa salvação.
        Quantas vezes já aconteceu de um cristão encontrar forças para resistir ao pecado simplesmente
segurando a cruz que trazia ao peito?
        A madeira da cruz não valeu de nada; não seria a mesma coisa segurar um palito de fósforo ou uma acha
de lenha! O fato desta cruz ser um símbolo da fé e da confiança em Deus, o fato desta cruz ter sido abençoada e
separada pela Igreja, tudo isso, no entanto, faz com que o cristão, ao segurá-la, lembre-se de Deus e abra seu
coração para a Graça, que dá a ele a força de lutar contra o pecado.
        Do mesmo modo o sinal da cruz que fazemos ao percebermos que estamos na presença do mal é um
pedido a Deus, um pedido de Graça, um apelo a que ele não nos deixe cair na tentação que ora se apresenta.
1
  A Graça Santificante, ou habitual, nos ajuda a lutar contra o Pecado, dando-nos fortaleza para resistir às
tentações.
2
  A Graça atual é uma Graça não-habitual, que recebemos como auxílio para o momento presente.
3
  Livro dos Números, Capítulo 15,37-41: "O Senhor disse a Moisés: 'Fala aos israelitas e dize-lhes que, por
todas as gerações, façam franjas nas bordas das vestes e nas franjas da borda atem um cordão de púrpura
violácea. O cordão fará parte da franja para que, vendo, vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor e
os cumprais, e não corrais atrás dos desejos de vosso coração e dos vossos olhos, que vos levam à
infidelidade. Assim, lembrando-vos dos meus mandamentos e pondo em prática, sereis consagrados para o
vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Eu sou o Senhor
vosso Deus."

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        Do mesmo modo as imagens piedosas com que adornamos a nossa residência não têm, por si só, a
capacidade de nos salvar. Ao vermos, entretanto, a imagem de um Santo, nos lembramos de nosso chamado à
Santidade, e mais facilmente dizemos "não" ao pecado.
        Ao vermos a imagem de São Francisco, nos lembramos de que há mais no mundo que a riqueza e o
dinheiro; ao vermos a imagem de São Cristóvão, pedimos a Deus que nos proteja em nossos caminhos...
        Não esqueçamos, portanto, do valor e da eficácia daqueles objetos, sinais e orações que graças aos
méritos de Cristo, preservados e distribuídos por Sua Igreja, nos levam a cada vez mais abrirmos nossos
corações à Graça, conduzindo-nos sempre ao reto caminho que leva à estreita porta da Salvação!
Amém.




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                                           Batismo
     O Batismo é o primeiro dos três Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma ou
Confirmação).
     O Batismo é o fundamento de toda vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que abre o acesso aos
demais Sacramentos. Pelo Batismo somos libertos do Pecado Original e regenerados como filhos de Deus, nos
tornamos membros de Cristo e somos incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão (Sacerdócio
Régio). O Batismo é o Sacramento da regeneração pela água na Palavra.
     Este Sacramento é também chamado “o banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo” (Tt 3,5),
pois ele significa e realiza este nascimento a partir da água e do Espírito, sem o qual “ninguém pode entrar no
reino de Deus” (Jo 3,5).

Prefigurações do Batismo na Antiga Aliança

    [Prefiguração é a imagem antecipada de uma realidade futura. Muito do que lemos no Antigo Testamento é
uma prefiguração do que teremos no Novo Testamento]

    Na liturgia da noite pascal, quando da bênção da água batismal, a Igreja faz solenemente memória dos
grandes acontecimentos da história da salvação que já prefiguravam o mistério do Batismo. Desde a origem do
mundo, a água é fonte de vida e da fecundidade, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas para que elas
concebessem a força de santificar:

     “E a terra era sem forma e vazia e havia sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face
das águas.” (Gn 1,2)

    A Igreja viu na Arca de Noé uma prefiguração da salvação pelo Batismo, por ela, com efeito, nas próprias
águas do dilúvio houve o nascimento da nova humanidade de modo que a mesma água sepultou os vícios e fez
nascer a santidade (1Pd 20 e 21).
    É sobretudo a travessia do Mar Vermelho, verdadeira libertação de Israel da escravidão do Egito, que
anuncia a libertação operada pelo Batismo:

     “E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, em seco; e as águas foram-lhes como muro, à sua direita e
à sua esquerda.” (Ex 14,22)

     O Batismo é finalmente prefigurado na travessia do rio Jordão, pela qual o povo de Deus recebe o Dom da
Terra Prometida à descendência de Abraão, imagem da vida eterna. A promessa desta herança bem-aventurada
realiza-se na Nova Aliança.

O Batismo de Cristo

    Todas as prefigurações da antiga aliança encontram a sua realização em Jesus Cristo:

“Então veio Jesus, da Galiléia, Ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.
    Mas, João opunha-se, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti e vens tu a mim?
    Jesus, porém, disse-lhe: deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda justiça.
    Então ele o permitiu.
    E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água e eis que se lhe abriram os céus e viu o Espírito de Deus
descendo como pomba e vindo sobre ele.
    E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu filho amado, em que muito me agrada.” ( Mt 3,13-17)

    Foi na sua Páscoa que Cristo abriu a todos os homens as fontes do Batismo. Com efeito já tinha falado da
Paixão que iria sofrer em Jerusalém, como de um “Batismo” com o qual deveria ser batizado (Mc 10,38). O
sangue e a água que escorreram do lado traspassado de Jesus crucificado (Jo 19,34) são típicos do Batismo e da
Eucaristia. Desde então é possível “nascer da água e do Espírito” para entrar no Reino de Deus (Jo 3,5)
    E após a sua ressurreição, Jesus confere aos apóstolos a missão do Batismo:

     “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estarei convosco, todos os dias,
até a consumação dos séculos.” (Mt 19-20)

O Rito Essencial do Batismo

O Batismo é realizado de maneira mais significativa pela tríplice imersão na água batismal (água verdadeira).
Mas, desde a antigüidade ele pode ser conferido também derramando-se , por três vezes, água sobre a cabeça do
candidato.

O Ministro do Batismo

O Ministro ordinário do Batismo é o Bispo, o Pároco ou simples Sacerdote. Ministro extraordinário pode ser o
Diácono ou, em perigo de morte, qualquer pessoa, mesmo não católica e ou não batizada, contando que observe
o Rito Essencial e se tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja.
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Um só Batismo

Uma vez batizado, nunca mais será necessário ou validado um novo batismo. O Batismo é único e para sempre.
Há um só Batismo em três formas:

     Batismo de água: o que todos nós recebemos.
     Batismo de sangue: os que morreram por Jesus mesmo sem serem batizados ( os mártires).
     Batismo de desejo: ocorre quando, por falta de um ministro ou por outros motivos, algum jovem ou
       adulto que esteja se preparando para receber este sacramento venha a falecer sem realizar este desejo,
       mas, manifestando em vida claramente sua vontade de recebê-lo.

Uma nova Mãe

Pelo Batismo nos tornamos filhos de Deus, irmãos de Cristo e filhos de Maria Santíssima.

E o que mais...

Recebemos ainda as virtudes infundidas:                         Soma-se ainda:

FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE                                         O SACERDÓCIO RÉGIO

   Matéria:                                                                         Forma:

    ÁGUA VERDADEIRA                                                 “EU TE BATIZO: EM NOME
                                                                    DO PAI, E DO FILHO E DO
                                                                    ESPÍRITO SANTO”

“ MERGULHAR NAS ÁGUAS DO BATISMO E DELAS SAIR É, POIS, MORRER E RESSUSCITAR COM CRISTO
            ( Rm6,3s; Cl 2,20-3,4).ISTO É OBRA DO ESPÍRITO SANTO (Mt 3,11; AT 1,5).”

Perguntas:
1- Procure uma passagem na Bíblia que mostra a necessidade do batismo para a Salvação e
transcreva-a .

2- Quem é o ministro ordinário do Batismo? Como se dá a celebração do sacramento (matéria e
   forma)?

3- Quais são os efeitos do Batismo?

                                     Para ler mais . . .

Catecismo da Igreja Católica, cans. 1213-1284




                                                                                                          46
        Sacramento da Reconciliação
   “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho o seu
irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão
 de duas ou três testemunhas. Se recusa a ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele
 para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo : tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no
           céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.” (Mt 18, 15-18)


         O sacramento da Reconciliação, também conhecido por Confissão, sacramento da penitência, perdão,
etc. consiste basicamente na apresentação e auto-acusação oral a Deus, por intermédio de seu ministro aqui
constituído (ou seja, o padre), das condutas conhecidas por pecado (atos, pensamentos, palavras e omissões),
acusados pela consciência e que violam os preceitos do Senhor, desrespeitando-se a vontade divina. Mas por que
será que existe tal sacramento e como se tem certeza que realmente é algo proveniente de Deus ?
         Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Podemos entender com isso que o ser humano em
quase tudo se assemelha a Deus, exceto pela condição não divina do homem ; Deus se fez homem, porém o
homem não pode se fazer Deus.
         O ser humano, como imagem e semelhança do Criador era puro, imaculado, a morte sequer lhe era
familiar, eis que esta é a primeira conseqüência do pecado. O homem originalmente não tinha pecado. Porém,
preferiram nossos primeiros pais a sedução sugestiva do mal, que os advertiu “de modo algum morrereis. É que
Deus sabe : no dia em que comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do
mal ” Longe de atingirem a condição divina sugerida pela serpente, o homem e a mulher, DESOBEDECENDO à
palavra do Senhor, descobriram a sua fraqueza, significada pela nudez.
         Ainda assim, Deus não abandonou sua criação. Então, o Senhor amaldiçoou a serpente, por haver
induzido o pecado e eis que surge a mulher cuja descendência será aniquiladora do mal (Gn 3,15). A mulher é
Nossa Senhora e a descendência é Jesus, salvador do gênero humano.
         Por um homem o pecado haveria de entrar no mundo e por outro, a salvação foi estendida a todos. Pela
morte na cruz, fomos redimidos e temos a certeza do perdão de Deus. Surge, portanto, a primeira indagação com
relação ao sacramento do perdão: se Cristo deu a vida, morreu e nossos pecados foram perdoados, para que
haveríamos de pedir perdão?
         Com o sacrifício no Calvário o pecado não foi extinto, mas pela cruz houve a certeza de que o perdão de
Deus seria estendido a toda a humanidade. No entanto, a iniciativa do perdão cabe ao indivíduo, pois a nós foi
dada a liberdade de ação e Deus não abre mão de respeitar essa liberdade por Ele mesmo a nós legada. Portanto,
se ao homem cabe o desejo de violar os preceitos do Altíssimo, também cabe ao homem aproximar-se D‟Ele
para conseguir a reparação das faltas cometidas.
         Com isso, aparece outro questionamento tão comum quando se trata da confissão: se Deus é onipresente
e onisciente, para que então pedir perdão por intermédio de um sacerdote, quando podemos obtê-lo diretamente
com Deus ?
         A resposta é muito simples: porque assim Deus determinou. “ Recebei o Espírito Santo : aos que vós
perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados ; e aos que vós retiverdes, ser-lhe-ão eles retidos. “ (Jo 20,22-23).
         Foi dado aos apóstolos o poder de perdoar os pecados, e de retê-los também. A São Pedro foi dado as
chaves do Paraíso, onde as trevas jamais prevaleceriam e onde tudo que fosse ligado na terra seria ligado no Céu
(Mt 16,15-20)
         Entretanto, podemos complementar afirmando que é a partir de uma expiação é que efetivamente
teremos certeza da ciência do mal causado. Quando uma pessoa ofende a outra, é natural que aquela venha se
retratar, pedindo desculpas à pessoa ofendida. Só assim terá confirmado a certeza do perdão. O rei Davi se
retratou quando, ao colocar o general Urias na linha de frente da batalha, para que este morresse e sua esposa
pudesse ser pretendida por ele. O profeta Natã, falando pelo Senhor, mostrou a Davi a gravidade do ato
cometido. Davi, então, se enche de uma profunda contrição, pedindo a Deus que o revestisse de um coração
puro, e que não o deixasse ir para longe do Senhor (Salmo 50). O arrependimento pressupõe uma profunda
humildade e um sentimento de humilhação e desgosto pela falta cometida.

Como celebrar o sacramento ? Em primeiro lugar, através da contrição, que é a consciência do mal cometido e
a sensação de pesar, com a resolução de não mais pecar no futuro. A contrição será chamada de “perfeita”
quando brota do amor de Deus, daí ser conhecida por contrição de caridade. A contrição “imperfeita” ou
atrição é aquela que provém também de Deus (impulso do Santo Espírito) mas que consiste no temor pela
condenação e de outras penas que pesam sobre a alma do pecador. É conhecida também por contrição por
temor. Um bom exame de consciência é requisito essencial para uma boa confissão. Depois, vem a confissão
propriamente dita. O cristão, arrependido das faltas cometidas, enunciadas por sua própria consciência através de
um exame individual, entrega-se totalmente nos braços de Deus, confiando na sua infinita misericórdia. Não é
permitido aos representantes de Deus divulgar o conteúdo do que foi dito, seja porque motivo for.
        Ao cristão basta a confissão dos pecados que estão na memória. O que foi involuntariamente esquecido
Deus dará também o seu perdão, mas é muito importante a honestidade para consigo mesmo, não tentando
ocultar ou esquecer voluntariamente as faltas cometidas. É preciso que o fiel chegue no sacramento pensando em
Deus não como um carrasco, acusador ou juiz condenador, mas sim como um Pai bondoso disposto a enviar seu
Filho para morrer na cruz para que obtenhamos o retorno da amizade com Ele.
        Por fim, vem a penitência, que é o ato que repara o desequilíbrio gerado pela falta cometida. Alguns
pecados prejudicam também o próximo, então surge a necessidade de reparar o mal. Alguém que levantou falso
testemunho, que faça também o restabelecimento da reputação do ofendido. Quem roubou, devolva ao legítimo
dono e assim por diante. Liberto do pecado, aquele que confessa deve também recobrar a saúde espiritual. Deve,
portanto, corresponder à gravidade do ato cometido, ficando à critério do padre a sua imposição. O sacramento
                                                                                                              47
está completado quando advém a satisfação do restabelecimento da graça santificante e o propósito de não pecar
mais.
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Perguntas:
1 – Quais os efeitos do Sacramento da Reconciliação?

2 – O que é necessário para se receber este sacramento?

3 – Leia o Salmo 50 (51) e faça uma reflexão escrita acerca dele.

                                   Para saber mais . . .

          Para maiores esclarecimentos, veja as “Perguntas sobre Confissão” no apêndice da Apostila.

                                     Para ler mais . . .

Catecismo da Igreja Católica, cans. 1422-1498




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               Crisma (ou Confirmação)
         “Tendo ouvido que a Samaria acolhera a palavra de Deus, os Apóstolos, que estavam em Jerusalém,
enviaram-lhes Pedro e João. Estes descendo de lá, oraram por eles, a fim de que recebessem o Espírito Santo.
Pois ele não tinha caído ainda sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor
Jesus. Então começaram-lhe a impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo” (At 8,14-17)
         A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos
mais profundamente na filiação divina; incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa
vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra,
acompanhada das obras.
         A Confirmação, como o Batismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou caráter indelével;
razão pela qual só se pode receber este sacramento uma vez na vida.
         No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente e depois do Batismo; é seguido da
participação na Eucaristia, tradição que põe em destaque a unidade do três sacramentos da iniciação cristã. Na
Igreja latina administra-se este sacramento quando se atinge a idade da razão, e normalmente se reserva a sua
celebração ao Bispo, significando assim que este sacramento corrobora o vínculo eclesial.
         Um candidato à Confirmação que tiver atingido a idade da razão deve professar a fé, estar em estado de
graça, ter a intenção de receber o sacramento e estar preparado para assumir sua função de discípulo e de
testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nas ocupações temporais.
          O rito essencial da Confirmação é a unção com o santo crisma na fronte do batizado (no Oriente,
também sobre outros órgãos dos sentidos), com a imposição da mão do ministro e as palavras: “Recebe o selo do
dom do Espírito Santo”, no rito romano, e “Selo do dom do Espírito Santo”, no rito bizantino.
         Quando a Confirmação é celebrada em separado do Batismo, sua vinculação com este é expressa, entre
outras coisas, pela renovação dos compromissos batismais. A celebração da confirmação no decurso da
Eucaristia contribuiu para sublinhar a unidade dos sacramentos da iniciação cristã.

       ver também : At 2,1-4

(trecho adaptado do Catecismo da Igreja Católica)
                                                      ...

Perguntas:
1) Qual são os efeitos do sacramento do Crisma (ou Confirmação)?

2) Quais os pré-requisitos para receber este sacramento?

3) Qual a missão do crismado?

4) Quem pode ministrar este sacramento?

5) Por que o nome de “Confirmação”? E de “Crisma”?




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                                       Eucaristia
         A palavra eucaristia significa ação de graças. Este nome tem origem na Santa Ceia, quando Jesus
pronuncia as bênçãos sobre o Pão e o Vinho. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e do Sangue de Nosso
Senhor Jesus Cristo. A Eucaristia tem uma posição de destaque frente os outros sacramentos. Enquanto os outros
sacramentos comunicam a graça santificante, na Eucaristia está presente justamente Aquele que santifica.
         Jesus instituiu a Eucaristia na Santa Ceia (Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22, 19s; 1Cor 11,23-25). A
Santa Ceia foi a última ceia de Jesus com seus apóstolos. Era dia de Páscoa, a páscoa dos judeus(Lc 22, 15;
maiores detalhes: Ex 11). Nesta páscoa (“passagem”) os judeus lembravam sua libertação do Egito em rumo a
Terra Prometida. E comemoravam, de acordo com o ordenado pelo Senhor, imolando (sacrificando) um
cordeiro. Sempre que se oferecia um sacrifício a Deus, os judeus se alimentavam da vitima do sacrifício, como
uma forma de participação neste. Na Santa Ceia, Jesus toma o lugar do cordeiro. Jesus é o Cordeiro de Deus,
Cordeiro Imaculado, perfeito (1Pd 1,19). Ele veio substituir os sacrifícios imperfeitos que os hebreus ofereciam.
Ler Ml 1,11. Jesus Cristo é ao mesmo tempo o Sacerdote (oferece o sacrifício) e a Hóstia (vítima).
         Jesus explicitamente frisou que se dava como vítima para a expiação dos pecados do mundo. Como
vítima de expiação, Jesus selou nova e definitiva Aliança de Deus com a humanidade (Lc 22,20; 1Cor 11,25).
Como a antiga Aliança no Sinai, a nova também é marcada pelo sangue que o próprio Cristo derrama. Isto tudo
implica que Jesus está realmente presente; se não, não haveria sacrifício propriamente dito; em todo culto
sacrifical, é preciso comungar da vítima, e não apenas do seu símbolo. Essa real presença é incutida pelas
palavras mesma da consagração: “Isto é o meu Corpo ... Isto é o meu Sangue” Aliás, o realismo é recomendado
também por textos como o de 1Cor 10,16; 11,27-29; Jo 6,51-56.
         Jesus, na Santa Ceia, antecipava sacramentalmente a sua morte de cruz no Calvário. A morte de cruz de
Jesus, cruenta (ou seja, com dor), é de valor infinito pois Jesus é Deus. Por isto não é sujeita a repetição (Hb
7,27) . Mas a Santa Ceia é repetível; ela não multiplica o sacrifício de Jesus no Calvário, mas o torna presente
aos homens de todos os tempos, para que dele participe como co-oferentes e como hóstia (vítima). Ou seja, na
Santa Missa nós repetimos o sacrifício da Santa Ceia, que torna presente o sacrifício da Cruz. São duas faces da
mesma moeda. É o mesmo sacrifício da cruz, só que de uma forma diferente, sacramental. Nós participamos do
sacrifício nos oferecendo junto com Cristo. Comungando de seu Corpo e Sangue, nos tornando Um com Ele.
“Embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos de um único pão” (1Cor 10,17)
         Vemos em algumas passagens que a Igreja Primitiva já celebrava a Eucaristia, conforme preceito do
Senhor (“Fazei isto em memória de mim”). Ler At 2,42-47;1Cor 11,17-34. Naquela época a eucaristia também
era chamada de fração do pão (obs.: nem sempre que se fala de fração do pão na Bíblia, está se falando da
eucaristia).
         Na Eucaristia, o pão e o vinho se transformam em corpo e sangue de Jesus Cristo. Apesar de continuar
com “a aparência externa do pão e do vinho”, há uma mudança na essencial. Há uma transubstanciação, ou seja,
a substância do pão e do vinho, transformam-se na substância de Jesus Cristo. Por força da natural unidade da
Pessoa de Cristo, Deus e Homem, tanto sob a espécie do pão quanto sob a espécie do vinho estão ambos o Corpo
e o Sangue de Jesus. Além disso, a alma e a divindade de Jesus também. Jesus está todo em cada partícula de
pão e vinho consagrados.
         Em resumo, devemos considerar a Eucaristia como ação de graças e louvor a Deus; como memorial
sacrificial de Cristo e do seu Corpo; como presença de Cristo pelo poder da sua palavra, do seu Espírito, do seu
Corpo.
         Devemos estar em estado de graça para receber o sacramento eucarístico.(1Cor11,23-29s)
         A eucaristia nos santifica e nos dá forças para nossa vida espiritual, além de ser oferecida em reparação
dos pecados dos vivos e dos mortos, e para obter de Deus benefícios também espirituais ou temporais.
         Devemos, pelo mandamento da Igreja, comungar pelo menos uma vez ao ano na Páscoa do Senhor, mas
o ideal é semanalmente, ou mesmo diariamente.
         Devemos prestar culto de adoração ao Santíssimo Sacramento, pois ali está presente verdadeiramente
Deus na pessoa de seu Filho.
         O ministro do sacramento da Eucaristia é o Bispo ou o presbítero (padre).

        Ler também Jo 6,48-58

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Perguntas:
1) Qual o significado da palavra Eucaristia?

2) Qual a principal diferença da Eucaristia para os outros sacramentos?

3) O que nós repetimos na Missa? E o que tornamos presente?

4) O que é transubstanciação? Explique.

5) Devemos adorar o pão e vinho consagrados, ou seja, o Santíssimo Sacramento?

6) Qual é o principal pré-requisito para recebermos a Eucaristia?


                                        Para Ler Mais . . .
Bibliografia:
Catecismo da Igreja Católica
Bíblia Sagrada
Curso de Iniciação Teológica “Mater Eclesiae”
O Mistério Eucarística na Voz do Magistério da Igreja - Thomas Lodi




                                                                                 51
              Sacramento do Matrimônio
        Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e deu-lhe a inteligência para que fosse soberano
sobre todas as outras criaturas. Quis também o Criador que a humanidade participasse de sua obra, através da
capacidade de perpetuação da espécie. Com efeito, o homem, ao momento que dispõe dessa capacidade,
colabora com o projeto de Deus. Portanto, o homem e a mulher são protagonistas de uma belíssima missão: a de
fazer com que venha ao mundo mais uma alma criada pelo Senhor. Chega-se a conclusão que essa missão é algo
extremamente nobre e por isso não pode ser realizada de maneira leviana.

 “ porque os filhos nascidos de uniões ilícitas serão no dia do juízo testemunhas a deporem contra seus pais ”
                                             (Livro da Sabedoria 4,6)

         A instituição do sacramento do matrimônio confirma o caráter de nobreza dessa missão. A questão é que
não se restringe apenas ao unir o homem e a mulher e que dessa união advenha filhos; a missão do casal consiste
também na formação, educação e sustento da nova vida assim gerada, para que esta possa se elevar através das
virtudes cristãs e possa, destarte, elevar ao próximo, para a glória de Deus. O matrimônio cria vínculos não
somente de fidelidade recíproca entre os cônjuges, mas entre estes e Deus, que abençoa a união com os filhos.
         Desse modo, entende-se o porquê da seriedade da Igreja quando trata das questões referentes à
sexualidade humana. O sexo foi feito para o ser humano e não o ser humano foi feito para o sexo. “Não foi
concedido aos seres humanos amarem-se uns aos outros a não ser como filhos de um mesmo Pai. Fora deste
parentesco comum, não há inclinação ou laço que nos una de maneira duradoura. Os laços do prazer são
frágeis; os do interesse, duros ”(Henry Gheon no livro sobre a vida de Cura d‟Ars). O sexo é algo belo, puro,
santificado e sagrado. Torna-se pecaminoso quando se distancia de sua finalidade cooperativa da obra do
Criador. É um dom especialíssimo, fonte de amor e de vida ; um talento a ser administrado, como aquele da
parábola (Mt 25, 14-30). O matrimônio é a confirmação do amor entre homem e mulher ; a despeito de serem
esposo e esposa, também se amam como irmãos e, acima de tudo, dessa forma. O matrimônio é um
compromisso de permanência de acordo com as normas estabelecidas pelo próprio Cristo no Evangelho.
         No limiar de sua vida pública, Jesus opera seu primeiro sinal - a pedido de sua Mãe - por ocasião de uma
festa de casamento. A Igreja atribui grande importância à presença de Jesus nas Bodas de Caná. Vê nela a
confirmação de que o casamento é uma realidade boa e o anúncio de que, daí em diante, o casamento será um
sinal eficaz da presença de Cristo (cf. CIC 1613).

CASTIDADE E SEXUALIDADE

        Antes de mais nada, é essencial lembrar que nosso corpo é templo do Espírito Santo. Não somos
proprietários do mesmo e sim administradores. Por isso, não nos é lícito usar do próprio corpo como bem
entender, muito embora a nós foi conferida a liberdade de agir, que é zelosamente respeitada por Deus. Porém,
assim como Deus respeita nossa liberdade de ação, deveríamos também respeitar os seus desígnios, mesmo que a
princípio pareçam incompreensíveis ao primeiro momento. O raciocínio se opera quando se trata da sexualidade.
Para muitos, o prazer é considerado algo natural e como tal, lícito, em quaisquer circunstâncias ou hipóteses. No
entanto, os instintos naturais tem duas finalidades, uma mediata e outra imediata. Quando se fala no instinto
alimentar, tem-se como finalidade imediata o prazer proporcionado pelo alimento saboroso e como finalidade
mediata a satisfação da necessidade orgânica em repor as energias necessárias para a manutenção da vida. O
equilíbrio das duas finalidades é que gera a sensação de bem estar e um organismo saudável. Quando alguém
come demais, só pelo prazer de comer e chega a passar mal por causa disso, peca não por estar comendo demais,
mas porque está fazendo mal ao seu organismo.
        Da mesma forma acontece com a sexualidade. O prazer não é ilícito, mas somente é permitido obtê-lo
dentro do compromisso estabelecido perante à Igreja. A castidade não é algo vergonhoso como tentam muitas
vezes veicular pelos meios de comunicação. A castidade está intimamente ligada com a amizade da alma com
Deus. É um desdobramento da graça batismal (cf. CIC 1619) e é proveniente do próprio Deus. A castidade é
também obediência, que nada mais é do que submeter a própria vontade à vontade do Senhor. E quem ama
realmente o Senhor, cumpre com a sua vontade, respeita seus mandamentos.
                  “Respondeu-lhes Jesus: „Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse:
    Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher ; e os dois formarão uma só carne ?
           Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto não separe o homem o que Deus uniu.‟”

        O sacramento, antes de tudo, é indissolúvel. Não há nenhuma hipótese, com exceção da morte de um dos
cônjuges, em que um matrimônio válido possa ser dissolvido. O que poderá haver apenas é a confirmação de
nulidade do sacramento, através de um tribunal eclesiástico com atributos para tanto. As causas de nulidade do
casamento estão enunciadas no Código de Direito Canônico ( 1095 e seguintes ). Concluindo, não é permitido a
alguém casado na Igreja contrair núpcias novamente, a não ser em caso de viuvez. Uma vez celebrado pelos
cônjuges, não há como se voltar atrás (a Igreja assume meramente o papel de testemunha e ratificadora neste
sacramento ; são os noivos os celebrantes). A fidelidade não é opção e sim obrigação de ambos os cônjuges.
Mesmo quando já não vivem mais juntos (não há mais coabitação, que em certos casos, devido à
impossibilidade, torna-se admissível, embora desaconselhável), não deixam de ser em momento algum esposo e
esposa.

          “Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus
maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la,
                     purificando-a pela água do batismo com a palavra.” (Ef 5,24-26)
                                                                                                              52
        O Matrimônio se baseia no consentimento dos contraentes, a manifestação consciente do desejo do
homem e da mulher de formar uma só carne, doando-se mutuamente e definitivamente para viver uma aliança de
amor fiel e fecundo (CIC 1662). O novo casamento de divorciados, quando um dos cônjuges ainda é vivo fere
esse compromisso resultante da manifestação da vontade na celebração do sacramento. Não ficam separados da
Igreja, mas não podem ter acesso à comunhão eucarística. Vale a pena notar que não é a simples condição de
divorciado que impede o recebimento da eucaristia ; o que irá impedir é, sendo divorciado, contrair novas
núpcias ou viver em união com outrem.
        O lar cristão é o lugar mais propício para o florescimento das vocações, onde primeiramente as crianças
receberão as lições da vida na fé. Dessa forma, é conhecido também por “igreja doméstica”, comunidade de
graça e oração, escola das virtudes humanas e da caridade cristã. Num mundo tão infestado de desamor;
desrespeito; onde a vida é regrada somente com bastante prazer, seja como for, é mais valorizada do que as
virtudes da pureza, virgindade e castidade; onde as doenças como a AIDS disseminam cada vez mais, matando
muitos a cada dia, resta a esperança do exemplo da Sagrada Família, berço formador do Salvador do Mundo.

      DEUS CRIOU O SEXO SEGURO E O CHAMOU DE SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO.

                                                     ...

Perguntas:

1 – Qual a finalidade do Matrimônio?

2 – Quem são os celebrantes deste sacramento?

3 – O divórcio é lícito pela lei de Deus?

4 – O divorciado pode comungar? Justifique.

                                     Para ler mais . . .

Catecismo da Igreja Católica, cans. 1601-1666
Curso de Liturgia por Correspondência – Escola Mater Eclesiae




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                         O Sacramento da Ordem
        Jesus Cristo, sacerdote por excelência, consagrado por Deus “...segundo a ordem de Melquisedec” (Sl 109, 4
ou 110,4; Hb 7, 11-25), exerceu em nosso favor um sacerdócio eterno, superior e diferente do sacerdócio do antigo
Testamento.
        Ele continua, segundo a Bíblia, exercendo seu sacerdócio, de modo sacramental, através dos bispos e padres,
na Igreja. Pois, os apóstolos e seus sucessores recebem a ordem sacerdotal de Cristo para celebrar a santa Ceia:
“Fazei isto em memória de mim”(Lc 22,19)
        O celebrar, portanto, é uma incumbência sacerdotal do Novo Testamento dado por Cristo aos apóstolos. Os
apóstolos escolheram os presbíteros (padres) e os diáconos para os auxiliarem, conferindo parte de seu poder a eles.
Os apóstolos também escolheram pessoas capazes de continuar sua obra, recebendo por intermédio dos primeiros a
ordem apostólica. Os sucessores dos apóstolos são os bispos.
        É Jesus, cabeça da Igreja, que, por meio dos bispos e presbíteros, celebra a Ceia, perdoa os pecados, exerce o
sagrado magistério. É diferente, também, o sacerdócio ministerial do sacerdócio comum, isto é, o sacerdócio do povo,
que vem pelo batismo (1Pe 2,9; Ap 1,6 ). Por isso os bispos, presbíteros e diáconos não são apenas instituições da
comunidade primitiva, como tantas vezes se alega. Na própria Bíblia aparece a diferença entre os discípulos em geral
e os doze apóstolos, escolhidos dentre os discípulos (Lc 6, 13,16).
        A pessoa que vai ser ordenada deverá ser vista também sob este aspecto: o lado humano, social; mas receberá
os poderes de Jesus Cristo, como os apóstolos os receberam na santa Ceia: “Fazei isto em memória de mim”
(Lc22,19) e, ainda, na ressurreição: “Ide a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo” (Mt 28,19); no sacramento do perdão: “Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem vocês perdoarem serão
perdoados”(Jo 20, 22-23).

O que significa a palavra “ordem”? Para que serve este sacramento ?

        A Ordem é um dos sacramentos que está ordenado à salvação de outrem. Se contribui também para a
salvação pessoal, é através do serviço aos outros. Confere uma missão particular na Igreja e serve para edificação do
povo de Deus .
        Os que recebem o sacramento da Ordem são consagrados para ser , em nome de Cristo, “pela palavra e pela a
graça de Deus, os pastores da Igreja”. Por sua vez “os esposos cristãos, para cumprir dignamente os poderes de seu
estado, são fortalecidos como que consagrados por um sacramento especial”.
        A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo
exercida na Igreja até o fim dos tempos: portanto é o sacramento do ministério apostólico . E este sacramento se
divide em três graus Episcopado, o presbiterado e o diaconato .

Por que o nome de Sacramento da Ordem?

       A palavra ordem, na antigüidade romana, significava corpo constituído no sentido civil, mais utilizado para o
corpo de quem governam. “Ordinatio” (Ordenação) designa a integração num “Ordo” (Ordem). Por este motivo a
Igreja Católica desde os tempos primitivos fundamentado na sagrada escritura chamam “ordo episcoporum”(ordem
dos bispos) , “ordo presbyterorum” (ordem dos presbíteros), “ordo diaconorum” (ordem dos Diáconos)

Os três graus do sacramento da Ordem.

        O maior grau é o Episcopal, plenitude do sacramento da Ordem.
        O Concilio Vaticano II ensina que “pela sagração episcopal se confere a plenitude do sacramento da ordem,
que, tanto pelo costume litúrgico da Igreja como pela voz dos Santos Padres, é chamada o sumo sacerdócio, o ápice
do ministério sagrado”.
        O Bispo recebe a plenitude do sacramento da ordem que o insere no Colégio episcopal e faz dele o chefe
visível da Igreja particular que lhe foi confiada. Os Bispos, como sucessores dos apóstolos e membros do Colégio,
participam da responsabilidade apostólica e da missão de toda a Igreja, sob a autoridade de papa, sucessor de S.
Pedro.
        Os presbíteros estão unidos ao Bispos na dignidade sacerdotal e ao mesmo tempo depende deles no exercício
de suas funções pastorais; são chamados a serem atentos cooperadores dos Bispos; formam, em torno de seus Bispos,
o “presbitério” que com ele é responsável pela Igreja particular. Recebem do Bispo o encargo de uma comunidade
paroquial ou uma função eclesial determinada.
        Os diáconos são ministros ordenados para as tarefas de serviços da Igreja; não recebem o sacerdócio
ministerial, mas a ordenação lhe confere funções importantes no ministério da Palavra, do culto divino, do governo
pastoral e do serviço da caridade, tarefas que devem cumprir sob a autoridade pastoral de seu Bispo.

Quem pode conferir este sacramento?

       A única pessoa que pode conferir a uns serem apóstolos (bispos) e a outros presbíteros (padres) ou diáconos é
Jesus Cristo, que continua agindo pelos Bispos até os dias de hoje. Ou seja, o bispo é o ministro do sacramento da
ordem.


Quem pode receber este sacramento

       “Só um varão batizado pode receber validamente a ordenação sagrada”. Quer dizer, só homem pode
receber este sacramento. O Senhor Jesus escolheu homens para formar o colégio dos doze Apóstolos, e os
                                                                                                                   54
apóstolos fizeram o mesmo quando escolheram os colaboradores que seriam seus sucessores na missão. A Igreja
se reconhece ligada a essa escolha do próprio Senhor. Por isso, a ordenação de mulheres não é possível .

Os efeitos do sacramento da Ordem.

        Este sacramento confere aos ordenados:
                 habilidade para agir como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, em sua tríplice função de
sacerdote, profeta e rei .
                 Caráter espiritual indelével, isto é, que não pode ser retirado ou conferido temporariamente, pois é
impresso para sempre .
                 A graça do Espírito Santo:

        A graça de guiar e de defender com força e prudência sua Igreja como pai e pastor, com um amor gratuito
por todos e uma predileção pelos pobres, doentes e necessitados . Esta graça o impele a anunciar o Evangelho a todos,
a ser modelo de seu rebanho, a precedê-lo no caminho da santificação, identificando-se na Eucaristia com Cristo,
sacerdote e vítima, sem medo de entregar-se por suas ovelhas.
        Quanto ao diácono, “a graça sacramental lhe concede a força necessária para servir ao povo de Deus na
„diaconia‟ da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e seu presbitério.

                                                         ...

Perguntas:
1 - Quantos são os graus do sacramento da ordem e quais são eles?

2 - Por que uma mulher não pode receber este sacramento ?

3 - Para qual objetivo foi criado este sacramento?

4 - Se você pudesse dar nome a este sacramento que nome você daria? Por que?


                                      Para saber mais . . .
Curiosidade

        A História da Igreja, conforme escritos de Santo Irineu e de outros, pelo ano 202, comprovam a seqüência de
contínua dos apóstolos na caminhada do cristianismo: “Pedro e Paulo confiaram a Lino o ministério do Episcopado...
A Lino sucedeu Anacleto; a seguir, Clemente. A Clemente sucedeu Evaristo, e a Evaristo, Alexandre. Depois, em
sexto lugar, veio Xisto e, a seguir, Telésforo; depois, Higiono, Pio e Aniceto; Sotero sucedeu Aniceto. E, agora,
Eleutero que, em duodécimo (décimo segundo) lugar, possui a herança do episcopado, após os apóstolos”(Adv.
Haer.III 3,3). Este é um documento célebre para os cristãos, na história da Igreja de Jesus.
        E assim, através da seqüência dos sucessores dos apóstolos e, dentre eles, especialmente, de Pedro, a Igreja
chega até nós com 264 papas; pois, ela existe biblicamente como uma instituição de Jesus, divina, e não apenas como
mera vivência de cristãos divorciados em assembléias, conforme os seus fundadores .

O que é infabilidade?

        Infabilidade é o poder que o Papa tem de proclamar, solenemente, verdades de fé e moral, em nome da Igreja.
Este poder não é invenção da Igreja, mas tem origem na palavra de Cristo: “Tudo o que ligares na terra, será ligado
no céus: e tudo o que desligares na terra, será desligado no céus”; sozinho (Mt 16,19) ou em unidade com os demais
apóstolos (Mt 18,18).
        “Simão, Simão, eis que Satanás pediu para vos peneirar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé
não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22,31-32) . São Pedro cumpria sua missão junto
com os apóstolos.
        Também o Papa, o bispo de Roma, não trabalha sozinho, nem resolve as coisas isoladamente. Ele faz parte do
grande grupo dos bispos. Por isso, ele pensa como eles e, em unidade com eles, procura resolver todos os importantes
assuntos da Igreja de Cristo.
        Nos casos de divergências ou de dúvidas, segundo antiquíssima tradição, o Papa, mesmo assim, assessorado
por vários conselhos e iluminado pelo Espirito Santo, assume a palavra final, decisória.

         O Papa age desta maneira por que o Cristo mesmo garantiu aos apóstolos: “Eis que estou convosco, todos os
dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20); “As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”(Mt 16,18).



                                        Para ler mais . . .
Bíblia.
Catecismo da Igreja Católica.
O que o povo pergunta (Pe. Artur Betti ) Editora VOZES.


                                                                                                                   55
                         Unção dos Enfermos
         A Unção dos Enfermos é um sacramento de cura que consiste na entrega dos doentes aos cuidados do
Senhor Sofredor e Glorificado (Jesus Cristo), para que os alimente e os salve. Confere uma graça especial ao
cristão enfermo ou idoso, confortando-o em sua dor e se identificando cada vez mais com o Cristo sofredor.
         Este sacramento é conferido às pessoas acometidas de doenças perigosas, ungindo-as na fronte e nas
mãos com óleo, juntamente, com uma oração própria.
         Quando o fiel corre perigo de morte por motivo de doença, debilitação física ou velhice ou quando vai
realizar cirurgia de alto risco, pode receber a Unção dos Enfermos.
         No Oriente, a unção é feita também em outras partes do corpo, além da fronte e das mãos.
         Os efeitos do sacramento são: a união do doente com a Paixão de Cristo, para seu bem e o bem de toda a
Igreja; o reconforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice; o
perdão dos pecados se o doente não puder obtê-los pela confissão*; o restabelecimento da saúde, se isso convier
à salvação espiritual e à preparação para a passagem para a vida eterna.
         O primeiro e mais importante efeito da unção dos enfermos é a graça santificante.

[* quando o doente estiver inconsciente ou não puder se comunicar, não poderá receber o sacramento da
confissão, desta forma a unção dos enfermos supre esta necessidade... é claro que isto supõe o arrependimento
dos pecados anterior à unção]

O Viático

       O Viático é o conjunto de sacramentos que preparam para a passagem à vida eterna. Consiste nos
sacramentos da Penitência, Unção dos Enfermos e Eucaristia. É administrado ao término da vida, preparando o
encontro com Cristo.

                                                     ...

Perguntas:
1 – Quais são os efeitos da Unção dos Enfermos?

2 – Quem instituiu o sacramento da Unção dos Enfermos?

3 – Quem deve receber a Unção dos Enfermos?

4 – O que é o Viático?

                                     Para ler mais . . .
Catecismo da Igreja Católica, cans. 1499 – 1532
Bíblia Sagrada:
        Mc 16, 17-18;Tg 5,13-20; Mc 6,13




                                                                                                            56
                                         O Pecado
        “Deus é luz e nele não há trevas” (1Jo 1,5b). Deus é o Bem absoluto e d‟Ele não pode vir mal nenhum.
Esta é uma verdade essencial de nossa fé. Deus não precisava do mundo nem do homem, mas Deus é Amor e
sendo Amor, amou tanto que criou o mundo por este amor. E o ápice da Criação do mundo foi a criação do
homem, imagem e semelhança de Deus. Deus possibilitou ao homem participar da vida divina, da vida de graça.
Deus criou tudo bom e não poderia ser diferente, pois Ele é o Sumo Bem. Então como o Mal entrou no mundo?

A Queda

         Deus é o Bem e tudo foi criado por Deus. Então como existe o mal? O mal é tudo aquilo que se afasta do
bem. Por exemplo, amar é um bem; a falta de amor, o egoísmo e a indiferença é um mal. Deus não criou o mal,
mas o mal surgiu a partir de uma escolha que se afastou do bem.
         No início dos tempos, Deus criou os anjos. Os anjos são seres puramente espirituais que também gozam
de inteligência, vontade e liberdade. E como são seres livres, Deus permitiu que escolhessem em ficar com Ele
ou rebelarem-se contra Ele.[Alguns contam que se rebelaram porque teriam que adorar um homem, Jesus Cristo,
o Filho de Deus encarnado]. Liderados por Lúcifer muitos anjos se voltaram contra Deus. São os chamados
demônios. Por serem puros espíritos, sua decisão é plena e irrevogável; eles não se arrependem desta decisão e
passaram a odiar a Deus e as suas criaturas, entre elas, especialmente, o homem.
         Assim, nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram tentados pelo demônio e escolheram desobedecer a
Deus, pois a soberba dominou seus corações. Este foi o pecado original. O pecado cria uma desordem no mundo,
não afetando apenas quem pecou. A criação de Deus é harmoniosa, mas o pecado destrói esta harmonia. Desta
forma, nossos primeiros pais ao pecar, permitiram que o pecado entrasse na humanidade. A intimidade que o
homem tinha com Deus foi quebrada e, por si só, o homem não pode restaurá-la. Todos nós, humanos, nascemos
com esta herança do pecado original, com esta mancha.
         Com o primeiro pecado, a morte e o sofrimento entraram na humanidade. O ódio, a violência, a miséria e
o desamor passaram a ser constantes.

        Mas Deus não deixou o homem a própria sorte. Mandou seu Filho se encarnar como homem para libertar
a humanidade da escravidão do pecado. Jesus Cristo, Deus e Homem, morreu por nós, pagando o preço de
nossos pecados. Não existe outro nome por meio do qual somos salvos, senão JESUS CRISTO. Deus, em sua
misericórdia, sacrificou o próprio Filho, Deus com Ele, para salvar a humanidade. Mas Deus é Justo e não pode
obrigar o homem a aceitar a Salvação, pois fez o homem livre. Portanto a Salvação de Cristo passa a ser escolha
pessoal. Cada um deve aderir a Jesus Cristo por vontade própria, reconhecendo que não pode ser salvo por si
próprio e sim por Cristo.

        O pecado é a não aceitação de Deus, de se Filho, de sua Salvação. O pecado é a desobediência da lei de
Deus. O pecado é uma falta de amor para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. O pecado é
confiança excessiva em si próprio.
        Podemos perguntar: Se o pecado é tão ruim, por que Deus permitiu que entrasse no mundo?
        Este é um grande mistério, mas devemos confiar em Deus, pois “nós sabemos que todas as coisas
concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). São Paulo também diz em Rm 5, 20: “onde o
pecado proliferou, mas abundante tornou-se a graça”. Deus permite que o mal exista e atue no mundo, para dele
tirar um bem maior.
        Pelo Batismo, nós temos a mancha do pecado original apagada e somos elevados a filiação divina. Pelos
méritos de Cristo, somos chamados de filhos de Deus e passamos a participar da vida divina e ter direito a
herança de Deus: o Seu Reino Celeste. Mas o batismo não apaga as conseqüências do pecado original. O pecado
original trouxe para o homem a tendência ao pecado que chamamos de concupiscência. Mas Deus não permite
que sejamos tentados acima de nossas forças. O pecado é sempre escolha pessoal. Não podemos botar a culpa no
demônio ou nas tentações, pois eles não nos obrigam a pecar. A escolha é sempre nossa. Confiando em Deus,
orando, vivendo a vida da Igreja (que existe para nos auxiliar), recebendo os sacramentos, podemos resistir às
tentações.




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Pecado mortal, pecado venial, pecado contra o Espírito Santo

        Os pecados não têm todos a mesma gravidade e conseqüências. Podemos dividir os pecados em mortais
e veniais.
        Os pecados mortais são pecados graves que acarretam a morte de nossa alma, ou seja, nos afastamos
totalmente de Deus, quebrando o canal de graça que temos com Ele (graça santificante). O pecado mortal para
acontecer exige três condições simultâneas:
        - a matéria do pecado ser grave (enunciados nos Dez Mandamentos).
        - pleno conhecimento
        - pleno consentimento

       Ou seja, sabemos que é errado e grave, e por livre e espontânea vontade o fazemos. Isto nos afasta de
Deus e do vínculo da caridade.
         “A ignorância afetada e o endurecimento do coração não diminuem mas aumentam o caráter voluntário do pecado.
A ignorância involuntária pode até excusar a imputabilidade de uma falta grave, mas supõe-se que ninguém ignore os
princípios da lei moral inscritos na consciência de todo o ser humano” (Catecismo da Igreja Católica - cans. 1859 e 1860)
        O pecado venial pressupõe que uma ou mais condições acima não existam. É um pecado que não nos
afasta completamente do amor de Deus, não nos privando da graça santificante. É um pecado menos grave, mas
que também deve ser evitado, pois pode nos levar ao pecado mortal.
        Para restabelecer a vida da graça em nós, Deus nos deu um grande presente: o sacramento da confissão.
Este sacramento nos reconcilia com Deus, fazendo-nos voltar a graça batismal.

        O pecado contra o Espírito Santo é o único pecado sem perdão. É o pecado que a pessoa não se
arrepende. A pessoa não quer voltar o seu coração para Deus. O Espírito Santo bate a porta, mas lhe é recusada a
entrada. É a única forma da pessoa se condenada ao Inferno, não se arrependendo de um pecado mortal, não
reconhecendo sua culpa e confessando-a. Ou seja, a pessoa morre sem querer se voltar para Deus, apesar das
oportunidades que Ele dá. Não é Deus que condena e sim a própria pessoa se condena à perdição eterna.

       É importante saber que o nosso pecado não afeta apenas a nós. O pecado afeta aqueles diretamente
envolvidos, mas afeta a humanidade como um todo. Cada pecado torna o conjunto da humanidade pior. Da
mesma forma um ato de caridade afeta toda a humanidade, tornando o mundo melhor.

        Podemos pecar por atos, palavras, pensamentos e omissões.

       “O pecado é um ato pessoal. Além disso, temos responsabilidade nos pecados cometidos por outros, quando neles
cooperamos:
       - participando neles direta e voluntariamente;
       - mandando, aconselhando, louvando ou aprovando esses pecados;
       - não os revelando ou não os impedindo, quando a isso somos obrigados;
       - protegendo os que fazem o mal.” (Catecismo da Igreja Católica, can. 1868)

Perguntas:
1 – Defina o que é pecado.

2- Explique o que é o pecado original e como afetou a humanidade.

3 – Qual a diferença entre pecado mortal e venial? Dê exemplos.

4- Reflita sobre o porque Deus permitiu que o pecado entrasse no mundo.

5- Por que o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão?

                                         Para Ler Mais . . .
Catecismo da Igreja Católica cans. 385- 421; 1846-1876




                                                                                                                      58
                                Espírito Santo
                                          “Nos últimos dias, diz o Senhor
                                    derramarei o meu Espírito sobre toda a Carne”
                                                    ( At. 2, 17 )

   Quem quer que sejas, religioso ou leigo;
   Se não te sentes mais entusiasmado a dar testemunho de Cristo crucificado e ressuscitado ;
   Se os ideais da juventude se tornaram um punhado de cinzas;
   Se te envergonhas do Evangelho;
   Se olhas para o futuro da Igreja com ansiedade e pessimismo;
   Se estás a procura de algo novo que dê valor e significado para a sua vida ?

                     DEIXE SEU CORAÇÃO ABERTO À AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.

                          “O mundo não o vê nem o conhece ; vós porém o conheceis,
                             porque habita em vós e entre vós estará ( Jo 14,17 ).”

         No Batismo recebemos a luz do Espírito Santo que nos faz filhos de Deus e nos purifica de nossos
pecados ; é o início da vida cristã que ainda não conhecemos, em função da pouca idade ( considerando que é
comum o batismo quando recém-nascido ), mas o Espírito Santo de Deus irá nos acompanhar por toda a nossa
vida. O grande segredo da vida cristã está em desejar, pedir e buscar o Santo Espírito, nosso advogado e
consolador.
         Ao chegarmos à idade adulta ou adolescente e optarmos em sermos crismados e entregarmo-nos
realmente a Deus, temos que ter conhecimento da força e da graça que podem nos trazer os dons do Espírito
Santo. O desejo é a mola propulsora de nossa caminhada em busca da perfeição, o Espírito Santo com seu amor
produz nas almas movimentos internos que as inclinam para uma vida perfeita, ilumina-as sobre as grandes
realidades da graça divina, sobre a felicidade de se dar mais completamente a Deus.
         O Espírito Santo é o animador e santificador da Igreja, sua respiração divina, o vento de suas velas, seu
princípio unificador, sua fonte interior de luz e de força, seu apoio e seu consolador, sua paz e sua alegria, seu
penhor e prelúdio de vida bem-aventurada e eterna. O Espírito Santo não tem barreiras. Ele está sempre
soprando seus dons sobre todos nós: sacerdotes, leigos, homens, mulheres, brancos, negros, sem distinção de
cultura, de raça e de tradição. Podemos usar os dons do Espírito Santo na simplicidade da vida quotidiana com
humildade de coração e ao mesmo tempo com alegre espontaneidade. Precisamos pedir ao Espírito Santo uma
influência mais forte, tanto na nossa vida pessoal como na nossa vida comunitária.
         O Espírito Santo influi diretamente com seus dons na vontade do homem, inflama e o atrai para si e, por
meio do amor, ilumina a nossa mente; à luz do Espírito Santo conhecemos Jesus como verdadeiro Salvador,
compreenderemos melhor a sua mensagem e conseguiremos penetrar verdadeiramente no significado do
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
         Viver segundo o Espírito Santo é realizar uma vida nova em Cristo; é viver de acordo com suas
inspirações um novo estilo de vida que chamamos de vida renovada. A vida renovada do cristão consiste no
relacionamento estabelecido entre ele e Deus, por meio de Cristo, no Espírito Santo. Ele nos eleva acima dos
sentimentos e das paixões desordenadas e nos situa no mundo de Deus.
         Deus, através do Espírito Santo, ensina-nos a amar e a sermos verdadeiros cristãos, quanto mais
profundo for o desejo do Espírito, mais a alma estará aberta à ação divina, instruídos pelo Santo Espírito, com
sua força, passamos das trevas para a luz, caminhando para a fé, para o amor e para a esperança.
         Mas por quê essa insistência com o Santo Espírito ? Jesus Cristo comparou o Espírito Santo ao vento,
para o qual não existem limites e sopra aonde quiser (João 3,8).
         O próprio Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi conduzido por Ele ao deserto para ser
tentado pelo demônio (Lucas 4,1).
         Realmente é pelo Espírito Santo que chegamos à união, à comunhão, ao crescimento e ao discernimento.
Só o Espírito Santo nos leva à total intimidade com o Pai e o Filho.

       “O que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus” (1 Cor 2,11). Sem Ele, a Verdade
não pode ser revelada. Entretanto “o mundo não pode acolhê-lo, porque não o vê nem o conhece”, enquanto os
que crêem em Cristo o conhecem, porque ele permanece com eles (Jo 14, 17). A Igreja, Comunhão viva na fé
dos apóstolos, que ela transmite, é o lugar do nosso conhecimento do Espírito Santo:
 Nas escrituras por ele inspiradas;
 Na Tradição e no Magistério da Igreja, ao qual ele assiste;
 Na Liturgia Sacramental, através de suas palavras e símbolos, onde fica em comunhão com Cristo;
 Na oração, na qual intercede por nós;
 Nos carismas e ministérios, pelos quais a igreja é edificada ;
 Nos sinais de vida apostólica e missionária;
 Nos testemunhos dos santos, onde ele manifesta a sua santidade e confirma a obra da salvação.
        Durante o Mistério Eucarístico, o entendimento do que é a Santíssima Trindade se faz mais presente: No
momento da Consagração, o sacerdote pede a Deus Pai, que envie o Seu Espírito, “afim de que estas ofertas se
tornem para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.” Não há como se falar em Deus separado. Crer no Espírito
Santo é professar que ele é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho e, como o

                                                                                                                59
Pai e o Filho, é adorado e glorificado. “Ninguém diz Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo.” (1 Cor 12,3)
e quem ama Cristo, ama Aquele que o enviou.
        Espírito traduz o hebraico “Ruah”, isto é, sopro, vento, ar. A idéia do Espírito Santo é comumente
atribuída ao “sopro de Deus.” Ele também é conhecido como Consolador, Paráclito, Espírito de Verdade (Jo 16,
13). A promessa de Jesus de enviar seu Espírito está em Lc 24, 44-49, Jo 14, 12-20 ; 16, 5-15 ; 20, 22-23.

Símbolos do Espírito Santo :

Água - ação do Espírito Santo no Batismo, pois após a invocação dele ela se torna o sinal sacramental eficaz no
novo nascimento. A água batismal representa nosso nascimento para a vida divina.

Unção - sinal sacramental da Confirmação, a unção com óleo torna-se inclusive sinônimo do Espírito Santo.

Fogo - Simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito. (Lc 3, 16 e At 2,3-4)

Nuvem e a luz - símbolos inseparáveis nas manifestações do E.S. (ver Catecismo - 697).

Selo - a marca de Deus que está presente nos Sacramentos que formam o caráter.

Mão - pela imposição das mãos se obtém diversas manifestações da presença do E.S.

Dedo - pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demônios (Lc 11, 20) e a Lei foi escrita (Ex 31, 18)

Pomba - no fim do dilúvio, a pomba solta por Noé volta para indicar que a terra estava novamente habitável.
Quando Cristo recebe o sacramento do Batismo, o E.S. sobre ele desce e permanece, em forma de uma pomba.

As promessas de Deus: Na criação Sl 33,6; 104,30; Gn 1,2; 2-7; Na plenitude dos tempos Gl 4,4; em João
Batista, no momento da Encarnação do Verbo, na vida de Cristo. No dia de Pentecostes é revelada plenamente a
Santíssima Trindade. A partir deste dia, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que nele crêem; na
humildade da carne e na fé, eles participam já da Comunhão da SSma. Trindade (dia da fundação da Igreja).



Espírito Santo e a Igreja. “Não vos deixarei órfãos. O Espírito da Verdade permanecerá convosco e estará em
vós.” Jesus promete jamais abandonar a sua Igreja, mantendo sempre o Espírito Santo atuante nela. Durante os
2000 anos que separam essas palavras dos nossos tempos, a Igreja sobrevive ante as profundas transformações
que sofreu o mundo. A Santa Igreja, peregrina neste mundo e esperando a vinda definitiva do Reino, tem no
Espírito o seu orientador e guia. Embora seja composta de homens que podem se deixar ceder às fraquezas e as
tentações, tem a Igreja em sua natureza a mão direta de Deus, o que faz dela santa e infalível quanto aos assuntos
referentes à fé e à orientação espiritual, confirmado este fato no dogma da infabilidade do Santo Padre nas
questões de fé. Um dogma é uma verdade absoluta e indiscutível proclamada somente pelo Papa. Dentre os
dogmas mais conhecidos estão o da Presença Real de Cristo na Hóstia Santa e o da Imaculada Conceição de
Maria, onde Nossa Senhora, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi concebida sem o pecado original. A
obediência à Igreja é compulsória a todos aqueles que assumem sua condição de cristão, já que a Igreja é o
próprio Corpo Místico de Cristo e recebe as orientações diretamente do próprio Deus.

                                                       ...

Perguntas:
1) Quem é o Espírito Santo?

2) De três exemplos onde podemos ver a ação do Espírito Santo.

3) Ache uma passagem na Bíblia que mostra a ação do Espírito Santo.

4) Pesquise quais são os dons do Espírito Santo e o que significa cada um deles.


                                        Para Ler Mais . . .
Bíblia Sagrada: Is 11,2s
Catecismo da Igreja Católica: 683-747




                                                                                                               60

				
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