BASQUETE
Lucas salta para o futuro
Rachel Vargas As mãos grandes e largas se assemelham, na prática, às de Oscar Schmidt, um dos maiores jogadores de basquete do país em todos os tempos. Mas Lucas Moraes, de 17 anos, ainda tem um longo caminho pela frente para alcançar, um dia, as marcas do ídolo. Com pressa em vestir a camisa da Seleção Brasileira, o jovem brasiliense já segue os passos do Mão Santa. Sem se importar com as dificuldades financeiras que já o fizeram pensar em desistir do esporte, ele sua para correr atrás dos sonhos. “Quero ser profissional. E vou conseguir isso”, afirmou. A promessa começou a ser traçada com bola na cesta e ótimos resultados. O último foi o título de campeão brasiliense sub-17 anteontem, pelo Lance Livre, que também lhe rendeu o troféu de cestinha do campeonato. Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Destaque nas quadras — foi eleito o melhor ala/pivô da Copa Minas (MG) e nos Jogos Regionais de Desporto Escolar (DF) —, Lucas teve que superar outros adversários para conseguir tocar a bola para Lucas Moraes frente. De família de classe média baixa, é morador Data de nascimento: 24 de maio do Recanto das Emas — cidade a 26km de Brasília — de 1992 e cursa o 2º ano. Para conciliar estudo e esporte, Local de nascimento: Brasília Altura: 2m dribla a falta de dinheiro. E conta que, para treinar, a Peso: 98km ajuda financeira dos pais e do técnico foram Pé: 47 essenciais. “A situação da minha família é complicada. Clube onde joga: Lance Livre Gastava R$ 10 de passagem por dia. Quando meus Títulos: Campeão sub-17 do DF, cestinha da competição e 3º pais não tinham dinheiro para o ônibus, o Ricardo colocado no Campeonato (técnico) me ajudava”, explica. A viagem até o Setor Brasileiro pela seleção de Brasília de Clubes Norte, onde treina no Minas Brasília, dura cerca de uma hora e meia. “É cansativo. Chega uma hora que pensamos em desistir. Quando se quer muito uma coisa, a gente corre atrás”, afirma. O adolescente começou no basquete na educação física da escola, há quatro anos. A escolha se mostrou acertada. Com 2m de altura e calçando 47, Lucas chama a atenção não só pelo basquete. No fim do ano passado, foi convidado a integrar a equipe do Fluminense. A proposta incluía ajuda de custo, hospedagem, escola, alimentação e estrutura para treinamento. Além do tricolor, o Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, também o convidou a reforçar o elenco mineiro, mas Lucas resolveu ficar na capital. Ele explicou que o técnico do Lance Livre, Ricardo Oliveira, alugou uma quitinete na 310 Norte para ele morar. “Ficou mais fácil. Tem semana que fico lá, noutras aqui (Recanto das Emas). Era longe para mim”, alega. E confessa que com o Universo — vice-campeão do Novo Basquete Brasil — em Brasília, as chances de chegar ao basquete profissional são maiores. “Aqui posso conseguir uma vaga no time. Já até treinei com eles no início do ano”, revela. A possibilidade de ficar perto da família foi decisiva para o jogador. “Aqui vou ter mais rendimento”, conclui.
Lance Livre é bicampeão
A equipe do Lance Livre Minas Brasília sagrou-se, ontem à noite, bicampeã brasiliense na categoria sub-15. O time do técnico Marco Aurélio Carvalho derrotou o Unidade Vizinhança, comandado por Andreza Almeida, por 64 x 40. O cestinha da final foi o pivô Thiago Randazzo, que recentemente foi convocado para a Seleção Brasileira sub-16. Thiago marcou 23 pontos. Pelo lado do Vizinhança, quem mais marcou foi o ala Vítor Melo, com 10 pontos.
Correio Braziliense, quarta-feira, 01/07/2009