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A MODERNIZA__O DA PRODU__O DO MATE

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A MODERNIZA__O DA PRODU__O DO MATE Powered By Docstoc
					               A MODERNIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DO MATE
            E A CRIAÇÃO DE GRUPOS ESCOLARES NO PARANÁ.

                                                  SANDINO HOFF
               UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA – UNOESC

                                        MARIA ANGÉLICA CARDOSO
                  DOUTORANDA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
                                            EDUCAÇÃO DA UNICAMP
                         GT: HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES
                                               SEM FINANCIAMENTO
                                             Sandino.hoff@unoesc.edu.br
                                               Sandino.hoff@terra.com.br
                                            cardosoangelica@terra.com.br

RESUMO: O objeto deste estudo é a modernização da educação, mediante a instalação
dos grupos escolares no estado do Paraná, verificada a partir de sua relação com a
modernização da produção material - passagem da manufatura para a maquinaria, no
beneficiamento da erva-mate. O trabalho respaldou-se em Saviani, quando ele considera
a educação, desenvolvida no final do século XIX, em consonância com as
transformações mais decisivas de nosso país nos planos econômico, político, social,
cultural e educacional; e em Faria Filho (2000, p. 22) que mostra o movimento da
escola no diálogo com as formas capitalistas de organizar e gerir o mundo do trabalho.
A pesquisa documental buscou as ações governamentais, os resultados da estatística
oficial sobre instrução pública e os documentos das indústrias ervateiras. O recorte
temporal - 1880 a 1915 - permitiu trabalhar a transição da produção manufatureira do
mate para o beneficiamento, mediante as máquinas a vapor e, a partir dessa expansão,
analisar o movimento da instrução pública, ministrada no estado do Paraná. Propusemos
como idéia principal de análise a modernização da instrução pública, gerada pela nova
mentalidade burguesa, proveniente da produção material e da comercialização da erva-
mate, que instituíram a racionalização e a divisão do trabalho, a produtividade e o
planejamento, a redução de custos e os instrumentos a movimentar o trabalho. Essa
idéia foi entendida como um novo horizonte cultural, proveniente do mundo dos
negócios, que se estendeu à organização das instituições escolares e do ensino. O
trabalho discute duas realidades econômicas que ordenaram, também, a idéia central: 1.
a coleta e o cancheamento do mate no oeste paranaense (o ciclo que abrange as
operações de coleta, sapeco, secagem, trituração); e 2. o beneficiamento do mate no
litoral, no planalto paranaense e no Planalto Norte do atual estado de Santa Catarina. O
novo horizonte cultural da mentalidade burguesa teve influência decisiva na população
e nos governos para que se instalassem grupos escolares, escolas isoladas e escolas
reunidas, mas, não teve a participação direta dos empresários do mate; o trabalho
intenso e prolongado da coleta e do cancheamento da erva-mate não propiciou uma
educação para os filhos dos trabalhadores; logo que a população entrou em contato com
as casas comerciais do mate e com os empregos oferecidos nos engenhos e no comércio,
despertou-lhe a exigência escolar para seus filhos.

				
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