Santos Dumont_2_

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					Santos Dumont




Alberto Santos Dumont

Alberto Santos Dumont (Palmira, 20 de julho de 1873 — Guarujá, 23 de julho de
1932) foi um engenheiro (apesar de não ter tido formação acadêmica nessa área) e
pioneiro da aviação. Ele foi o primeiro a decolar a bordo de um avião, impulsionado
por um motor aeronáutico, apesar de alguns países considerarem os Irmãos Wright
como os inventores do avião, por uma decolagem ocorrida em 17 de dezembro de
1903. Santos Dumont foi o primeiro a cumprir um circuito pré-estabelecido sob
testemunho oficial de especialistas, jornalistas e da população parisiense. Em 23 de
outubro de 1906, voou cerca de 60 metros e a uma altura de 2 a 3 metros com seu 14
Bis, no Campo de Bagatelle em Paris. Menos de um mês depois, repetiu o feito e,
diante de uma multidão de testemunhas, percorreu 220 metros a uma altura de 6
metros. O vôo do 14-Bis foi o primeiro verificado pelo Aeroclube da França de um
aparelho mais pesado que o ar na Europa, e foi a primeira demonstração pública no
mundo de um veículo levantando vôo por seus próprios meios, sem ser catapultado,
sendo considerado o protótipo dos aviões atuais. O 14 Bis teve uma decolagem auto-
propelida, e por isso Santos Dumont é considerado por parte da comunidade científica
e aeronáutica e principalmente em seu país de origem, o Brasil, como o Pai da
Aviação.

Herdeiro de uma família de cafeicultores prósperos na Cidade de Ribeirão Preto; pôde
se dedicar aos estudos da ciência e da mecânica vivendo em Paris. Ao contrário de
outros aeronautas da época, deixava suas pesquisas como domínio público e sem
registrar patentes.

A casa onde nasceu Alberto Santos Dumont situa-se no município de Santos Dumont,
zona da mata mineira, a 240 km de Belo Horizonte e 220 km do Rio de Janeiro. O
local foi transformado no Museu de Cabangu. Também em Petrópolis existe o Museu
de Santos Dumont.

Biografia
Alberto Santos Dumont nasceu na localidade mineira de Palmira (hoje rebatizada em
honra a este seu filho mais ilustre), sendo o sexto filho do casal Henrique Dumont e
Francisca dos Santos.

Seus avós paternos foram François Dumont e Euphrasie Honoré, franceses. François
veio ao Brasil em busca de pedras preciosas para as indústrias de seu sogro, ourives.
Teve três filhos no Brasil e faleceu cedo. Henrique, apoiado pelo padrinho, se formou
na "École des Arts et Métiers" (Escola de Artes e Ofícios de Paris), tendo se formado
engenheiro. Ao retornar ao Brasil, profissionalizou-se trabalhando no serviço de obras
públicas da cidade de Ouro Preto. Casou-se em 1856 com Francisca dos Santos. Sua
mudança para Palmira deveu-se ao serviço da construção da Estrada de Ferro Dom
Pedro II (Central do Brasil), ligando Rio de Janeiro a Minas Gerais. Henrique assumiu
a construção do trecho na subida da Serra da Mantiqueira, tendo instalado seu canteiro
de obras na localidade de Cabangu, próximo à localidade de Palmira, hoje Santos
Dumont. Lá, passou a residir no sítio Cabangu, onde nasceria seu filho Santos
Dumont.

Francisca dos Santos era filha do comendador Paula Santos e dona Rosalina.
Henrique e Francisca casaram-se em 6 de setembro de 1856, na freguesia de Nossa
Senhora do Pilar, em Ouro Preto. O casal teve oito filhos:

   1.   Henrique - 1857, Ouro Preto, Minas Gerais;
   2.   Maria Rosalina - 1860, Fazenda do Congo Soco, Santa Bárbara, Minas Gerais;
   3.   Virgínia - 1866, Jaguará, Rio das Velhas, Minas Gerais;
   4.   Luís - 1869, Jaguará, Rio das Velhas, Minas Gerais;
   5.   Gabriela - 1871, Jaguará, Rio das Velhas, Minas Gerais;
   6.   Alberto Santos Dumont 1873;
   7.   Sofia - 1875, Casal, Valença, Rio de Janeiro;
   8.   Francisca - 1877, Casal, Valença, Rio de Janeiro;

O nascimento de Alberto Santos Dumont deu-se no dia em que seu pai completava 41
anos. Passados seis anos, após a conclusão do trecho da ferrovia, mudou-se para a
localidade de Casal, em Valença (atualmente município de Rio das Flores) com a
família, passando a se dedicar ao cultivo de café. Ali, Alberto foi batizado em 20 de
fevereiro de 1877 na Paróquia de Santa Teresa.

Henrique Dumont comprou a fazenda Arindeúva,a cerca de 20 quilômetros de
Ribeirão Preto. Chegou a ser considerado, na época, o rei do café por ter plantado,
nessa propriedade, cerca de cinco milhões de pés. Além disso, a fazenda tinha sete
locomotivas e 96 km de ferrovias, para escoamento da safra até a estrada de ferro para
Ribeirão Preto, considerada como a mais moderna na América do Sul, na época.

Alberto Santos Dumont foi alfabetizado por sua irmã Virgínia. Estudou ainda em
Campinas, no colégio Culto a Ciência, em São Paulo, nos colégios Kopke e Morton e
na Escola de Ouro Preto. Na infância, Santos Dumont estudava também com
professoras particulares francesas contratadas por seu pai, diretamente de Paris.
Observava as nuvens, as aves e fazia pipas. Também se interessava pela leitura dos
livros de Júlio Verne e experiências com balões de festas juninas. Em 1888 pôde ver,
numa feira em São Paulo, um balão pela primeira vez, numa exposição de
equipamentos franceses.

Alberto se interessava pela engenharia e logo adolescente pôde pilotar as locomotivas
da fazenda de seu pai, devidamente autorizado. Também ajudava na manutenção das
máquinas de café e da máquina de costura de sua mãe. Analisando o funcionamento
das máquinas a vapor, das engrenagens e a transmissão das polias, aprendeu a lidar
com equipamentos mecânicos.

Sempre buscando informações sobre experiências aéreas, conheceu as experiências
com balões de ar quente feitas pelos irmãos Montgolfier em 1783 e a de Jean Pierre
Blanchard e John Jeffries, que realizaram a travessia do Canal da Mancha em balão,
em 1785.

Em 1890 seu pai sofreu um acidente de charrete, e em consequência do tratamento,
vendeu a sua fazenda. Em 1891 foi com seu pai a Paris e lá observa pela primeira vez
um motor a gasolina, distinto dos motores a vapor que conhecia. Traz para o Brasil
um automóvel Peugeot, a gasolina, o primeiro do gênero no Brasil. No ano seguinte,
seu pai lhe dá dinheiro (parte de sua fortuna) e a emancipação, aconselhando-o a
estudar engenharia na França, para que Alberto pudesse desenvolver seu potencial já
demonstrado, prevendo que estaria na engenharia o futuro da Humanidade.

A França e a dirigibilidade dos balões




Seu dirigível número 1.

Estabelecido em França, começa a dedicar-se aos balões, pois queria desenvolver
mais o instrumento, que não possuía dirigibilidade. Considera, contudo, os vôos muito
caros. Dedica-se então ao automóvel, tendo participado inclusivamente em algumas
corridas.
Continuando sua busca pela propulsão e dirigibilidade dos balões, prosseguiu seus
estudos. Estudou com o professor Garcia, humanista de origem espanhola, com vasto
conhecimento em Física, Mecânica e Eletricidade. Também estudou na Universidade
de Bristol como aluno ouvinte, e depois retornou a Paris.

Em 1897, constrói um motor a explosão de dois cilindros, adaptando-o a um triciclo.

Em viagem ao Brasil, através de pesquisas em livros encontra um que falava sobre o
Sr. Lachambre, construtor de balões, que junto com Machuron, haviam construído o
balão l'Œrn, que realizara uma expedição ao Pólo Norte. Em 23 de março de 1898 fez,
com Machuron, sua primeira ascensão num balão de 750 m3, saindo do Parque de
Vaugirard e voaram duas horas até o parque do castelo de La Ferriere, um percurso de
100 km.

Santos Dumont encomendou então um balão à tradicional Casa Lachambre.
Acompanhou todas as etapas da construção, para aprender a técnica e também para
implementar inovações. Fez questão de que fosse construído com seda japonesa para
reduzir o peso. Tinha um cesto para uma pessoa apenas, tinha corda-pendente mais
longa que o costume e era de dimensões reduzidas (103 m3). Dizia-se na época que
Santos Dumont havia construído um balão que podia carregar na mala.

Em 4 de julho de 1898, subia ao céu o balão Brasil, que surpreendeu os parisienses
pelo seu tamanho reduzido.

Partiu então para solucionar o problema da dirigibilidade e propulsão dos balões.
Projetou então o seu número 1, com forma alongada, de charuto, com hidrogênio e
motor de propulsão a gasolina. Fez o projeto de modo a evitar qualquer risco de
explosão do hidrogênio no contato com faíscas do motor da hélice.

Na primeira tentativa, chocou contra árvores, devido ao fato de ter decolado a favor
do vento, por sugestão de outras pessoas. No dia 20 de setembro de 1898 realiza então
o primeiro voo de um balão com propulsão própria. Partindo do Jardin
d'Acclimatation, voou sobre Paris, contra e a favor dos ventos. Teve um pequeno
acidente ao descer, que não teve maiores conseqüências porque pediu a alguns
meninos para usarem o cabo pendente do balão como se fosse uma pipa (papagaio de
papel, em Portugal), correndo contra o vento.




O dirigível número 3.
Realizou em 1899 vôos com os dirigíveis número 2 e número 3. Com o sucesso de
Dumont, o magnata do petróleo Henry Deutsch de La Muerte, no dia 24 de março
de 1900, ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud e,
sem auxílio de terra, contornasse a torre Eiffel e regressasse ao ponto de partida em no
máximo 30 minutos. Era o chamado prêmio Deutsch.

Santos Dumont fez experiências com seu número 4 (setembro de 1900) e tentou
vencer o prêmio com seu número 5. Na primeira tentativa, em 13 de julho de 1901,
decolou, contornou a torre, mas uma falha do motor fez seu balão ser carregado pelo
vento e chocar-se contra as árvores do parque de Edmond de Rothschild. Em 8 de
agosto, houve uma segunda tentativa. Com a presença da Comissão Científica do
Aeroclube da França, contornou a Torre Eiffel, e partiu de volta a Saint-Cloud, como
mandava o desafio. Mesmo com o balão perdendo hidrogênio decidiu prosseguir.
Perdendo gás, as cordas de suspensão foram sendo cortadas pela hélice, o que obrigou
Dumont a parar o motor. O balão caiu e chocou contra o telhado do Hotel Trocadéro,
causando uma grande explosão. Dumont se salvou porque se amarrou à quilha do
dirigível, ficando suspenso, dependurado no hotel, de onde foi resgatado por
bombeiros de Paris.

Em 19 de outubro de 1901 convocou os jurados do Aeroclube da França. Devido ao
mau tempo, apenas 25 compareceram, entre eles, o próprio instituidor do prêmio,
Deutsch de La Muerte. Em 29 minutos e 30 segundos, o número seis cruza a linha de
chegada. Mas houve uma polêmica: a prova havia sido alterada e o novo regulamento
previa que o pouso também fosse realizado antes de 30 minutos após a decolagem.
Dumont havia pousado seu dirigível em 30 minutos e 29 segundos. A polêmica
prossegiu até que em 4 de novembro o Aeroclube da França decidiu declará-lo
vencedor. O prêmio era então de 129 mil francos, que Dumont distribuiu entre sua
equipe e desempregados de Paris.

O presidente do Brasil, Campos Salles enviou outro prêmio no mesmo valor, com
uma medalha de ouro com sua efígie e uma alusão a Camões: Por céus nunca dantes
navegados.

Em 1902, Alberto I, o entusiasta príncipe de Mônaco, lhe fez o convite irrecusável
para que continuasse suas experiências no Principado. Oferecia-lhe um novo hangar
na praia de La Condamine, e tudo mais que Alberto julgasse necessário para o seu
conforto e segurança.




Dirigível número 9.
Fez o número sete para corridas entre dirigíveis. Pulou o número oito, por
superstição contra o número e o mês de agosto. Construiu o número 9 que se tornou
popular, por ser menor e por Dumont fazer diversas apresentações nele. Diz-se que
usava o dirigível para visitar os amigos e descia nas ruas com ele para tomar café. Em
14 de julho de 1903, participou das comemorações da queda da Bastilha, desfilando
com o dirigível. Nesse dirigível permitiu que, pela primeira vez, uma outra pessoa
conduzisse, a cubana Aida de Acosta.

Em junho de 1904, foi aos Estados Unidos, para participar da corrida de dirigíveis de
Saint-Louis, mas sofre ação criminosa de sabotadores, que inutilizam o invólucro do
seu dirigível nº 7.

Mais pesado que o ar

Construiu o número 10, com capacidade para doze passageiros. O número onze foi
um bimotor com asas. O número doze era semelhante a um helicóptero. Em 1906,
realizou experiências com o número treze, que teve um invólucro com gás de
iluminação. Construiu o número quatorze também em 1906. Com ele realizou
experiências com seu primeiro avião, o 14-bis que decolava inicialmente acoplado ao
dirigível. Nesse ano foi instituída a Taça Archdeacon, para um voo mínimo de 25
metros com aparelho mais pesado que o ar e propulsão própria. Também é instituído o
Prêmio Aeroclub de França de 1500 francos para vôo de 100 metros, ambos com
aeronave mais pesada que o ar.

Em abril de 1902, viajou aos Estados Unidos, onde visitou os laboratórios de Thomas
Edison, em Nova Iorque, e foi recebido na Casa Branca, em Washington, DC, pelo
Presidente Theodore Roosevelt.




14-bis, o avião pioneiro de Santos Dumont

Em 23 de outubro de 1906, em Bagatelle, faz um voo de cerca de 60 metros
conquistando a Taça Archdeacon, sendo considerado a primeira vez que uma
aeronave desliza e decola utilizando apenas suas próprias forças.

Em 12 de novembro de 1906, foi concorrer com Voisin e Blériot, que construíram
uma máquina concorrente. Cedeu a vez aos concorrentes, que não conseguiram
decolar. Em sua primeira tentativa, às 10 horas não conseguiu decolar. Mas na quarta
tentativa conseguiu e fez um vôo de 220 metros estabelecendo o primeiro recorde de
distância, ganhando o Prêmio Aeroclube.

Fez ainda o número quinze, com asa de madeira, o número 16, misto de dirigível e
avião, o número 17 e o número 18, um deslizador aquático. Descontente com os
resultados dos números 15 a 18, fez uma nova série, de tamanho menor e mais
aprimoradas, chamadas Demoiselles, números 19, 20, 21 e 22.

Na esteira do 14-Bis
O sucesso do vôo de Santos-Dumont, que não patenteou seus inventos exatamente
para motivar as inovações, motivou engenheiros e inventores a desenvolverem novos
projetos. Voisin fabricou com Léon Delagrange um biplano que voou em Bagatelle,
em março e abril de 1907. Blériot também realizava pequenos vôos com seus
modelos. Em 2 de novembro de 1907, Farman, em um aeroplano de Voisin, superou o
recorde do 14-Bis ao voar 771 metros em 52 segundos. Em setembro, faz experiências
no rio Sena, com o nº 18, um deslizador aquático.

Em 1909 ocorreram dois grandes eventos: a Semaine de Champagne, em Reims, na
França, que foi o primeiro encontro aeronáutico do Mundo, durante o qual foram
disputadas várias provas, com prêmios que somaram 200 mil francos; e o desafio da
travessia do Canal da Mancha, lançado a todos os aviadores. Em janeiro desse ano,
obtém o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França.

Homenagens e aposentadoria

Em 25 de julho de 1909, Blériot atravessou o Canal da Mancha, tornando-se um herói
na França. Guilherme II, Imperador da Alemanha, disse então uma frase que apareceu
estampada em vários jornais: A Inglaterra não é mais uma ilha. Santos Dumont, em
carta, parabenizou Blériot, seu amigo, com as seguintes palavras: Esta transformação
da geografia é uma vitória da navegação aérea sobre a navegação marítima. Um dia,
talvez, graças a você, o avião atravessará o Atlântico. Blériot, então, respondeu: Eu
não fiz mais do que segui-lo e imitá-lo. Seu nome para os aviadores é uma
bandeira. Você é o nosso líder.

Santos-Dumont começou a sofrer de esclerose múltipla. Envelheceu na aparência e
sentiu-se cansado demais para continuar competindo com novos inventores nas
diversas provas. Encerrou as atividades de sua oficina em 1910 e retirou-se do
convívio social.

Em reconhecimento às suas conquistas, o Aeroclube da França o homenageou com a
construção de dois monumentos: o primeiro, em 1910, erguido no Campo de
Bagatelle, onde realizara o voo com o 14-Bis, e o segundo, em 1912, em Saint-Cloud,
em comemoração do vôo do dirigível nº 6, ocorrido em 1901.

Em 18 de setembro de 1909, realiza seu último vôo em uma de suas aeronaves,
voando sobre uma multidão, sem colocar as mãos nos comandos. Segurava um lenço
em cada mão e soltou-os quando passou sobre a multidão.

Últimos anos de vida e suicídio
Carro fúnebre que transportou o corpo de Santos Dumont, no Guarujá-SP.

Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da
Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra, primeiro
para observação de tropas inimigas e, depois, em combates aéreos. Os combates
aéreos ficavam mais violentos, com o uso de metralhadoras e disparo de bombas.
Santos Dumont viu, de uma hora para a outra, seu sonho se transformar em pesadelo.
Daí começava a guerra de nervos do Pai da Aviação.

Santos Dumont agora se dedicava ao estudo da astronomia, residindo em Trouville,
perto do mar. Para isso usava diversos aparelhos de observação, que os vizinhos
julgaram ser aparelhos de espionagem, para colaborar com os alemães. Foi preso sob
essa acusação. Após o incidente ser esclarecido, o governo francês pediu desculpas
formalmente.

Em 1915, sua saúde piorava e decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou
do 11º Congresso Científico Pan-Americano nos Estados Unidos, tratando do tema da
utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países da
América. No entanto, mesmo nas Américas o avião era utilizado para fins militares:
nos Estados Unidos eram produzidos 16 aviões militares por dia.

Já com a depressão que ia acompanhá-lo nos seus últimos dias, encontrou refúgio em
Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com
diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada diferente,
onde só se pode pisar primeiro com o pé direito. A casa atualmente funciona como um
museu. Permaneceu lá até 1922, quando visitou a França chamado por amigos. Não
estabeleceu mais um local fixo. Pemanecia algum tempo em Paris, São Paulo, Rio de
Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.

Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do
centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo
num avião. Nesse mesmo ano, mandou erguer um túmulo para seus pais e para si
mesmo, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. O túmulo é uma réplica
do Ícaro de Saint-Cloud.

Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de
aviões como armas de guerra. Chegou a oferecer 10 mil francos para quem escrevesse
a melhor obra contra a utilização de aviões na guerra. Nesse mesmo ano, inventou um
motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas. Foi
experimentado pela campeã de esqui da França, Srta. Porgés. Interna-se no sanatório
Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Em maio de 1927, chegou a ser convidado pelo Aeroclube da França para presidir o
banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico, feita por ele
próprio, mas declinou do convite devido a seu estado de saúde. Passou algum tempo
em convalescença em Glion, na Suíça e depois retorna à França.

Retornou ao Brasil, de navio Cap. Arcona, em 1928. A cidade do Rio de Janeiro
recebê-lo-ia festivamente. Mas o hidroavião que ia fazer a recepção, sobrevoando o
navio onde estava, da empresa Condor Syndikat, e que fora batizado com seu nome,
sofreu um acidente, sem sobreviventes. O avião levava pessoas de projeção —
grandes nomes da engenharia. Abatido, suspende as festividades e retorna a Paris.

Em junho de 1930, é condecorado pelo Aeroclube da França com o título de Grande
Oficial da Legião de Honra da França.

Em 1931, esteve internado em casas de saúde em Biarritz, e em Ortez no sul da
França. Antônio Prado Júnior, ex-prefeito do Rio de Janeiro (então capital do Brasil),
havia sido exilado pela revolução de 1930 e fora para a França. Encontrou Santos
Dumont em delicado estado de saúde, o que o levou a entrar em contato com sua
família e a pedir ao seu sobrinho Jorge Dumont Villares que o fosse buscar a França.
De volta ao Brasil, passam por Araxá, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e
finalmente instalam-se no Hotel La Plage, no Guarujá, onde se instalou em maio de
1932. Antes, em junho de 1931 tinha sido eleito membro da Academia Brasileira de
Letras.

Em 1932 ocorreu a revolução constitucionalista, em que o estado de São Paulo se
levantou contra o governo revolucionário de Getúlio Vargas. Isso incomodava
bastante a Santos Dumont, que lançou apelos para que não houvesse uma guerra entre
brasileiros. Mas o conflito aconteceu e aviões atacaram o campo de Marte, em São
Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente, sobrevoaram o Guarujá, e a visão de aviões
em combate pode ter causado uma angústia profunda em Santos Dumont, que nesse
dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, deu fim à própria vida, aos 59 anos
de idade. Não deixou descendência.

Academia Brasileira de Letras
Santos Dumont foi eleito Imortal da Academia Brasileira de Letras em 4 de junho de
1931, para a Cadeira 38, cujo Patrono é Tobias Barreto, mas não chegou a tomar
posse. Foi o segundo ocupante desta Cadeira.

Precedido por: ABL - cadeira 38 Sucedido por:
Graça Aranha 1931 - 1932        Celso Vieira


Música em homenagem
Homenagem a Santos Dumont em Passa Quatro-MG

Eduardo das Neves (1874-1919), cantor e compositor, compôs a marcha A Conquista
do Ar em 1903, homenageando os feitos de Dumont:

       A Europa curvou-se ante o Brasil
       E clamou Parabéns em meio tom.
       Brilhou lá no céu mais uma estrela:
       Apareceu Santos Dumont.
       Salve, estrela da América do Sul,
       Terra amada do índio audaz, guerreiro!
       Santos Dumont, um brasileiro!
       A conquista do ar que aspirava
       A velha Europa, poderosa e viril,
       Quem ganhou foi o Brasil!
       Por isso, o Brasil, tão majestoso,
       Do século tem a glória principal:
       Gerou no seu seio o grande herói
       Que hoje tem um renome universal.
       Assinalou para sempre o século vinte
       O herói que assombrou o mundo inteiro:
       Mais alto que as nuvens. Quase Deus,
       Santos Dumont – um brasileiro.

Homenagens ao aviador



Cartão postal francês do Santos Dumont no 14 bis

      Em 31 de julho de 1932 o decreto estadual n° 10.447 mudou o nome da cidade
       de Palmira, em Minas Gerais, para Santos-Dumont.
      A Lei n° 218, de 4 de julho de 1936, declara 23 de outubro o dia do aviador,
       em homenagem ao primeiro vôo da história, realizado nesta data, em 1906.
     Em 16 de outubro de 1936, o primeiro aeroporto do Rio de Janeiro foi
      batizado com seu nome.
     A Lei 165, de 5 de dezembro de 1947, concedeu-lhe o posto honorífico de
      tenente-brigadeiro.
     Em 1956 o Correio Brasileiro lançou uma série de selos comemorativa ao
      cinqüentenário do primeiro vôo de aparelho mais pesado que o ar. No mesmo
      ano o correio do Uruguai lançou uma série de selos comemorativa do mesmo
      feito.
     A Lei 3636, de 22 de setembro de 1959, concedeu-lhe o posto honorífico de
      Marechal-do-Ar.
     Em 1973 o Correio Brasileiro lançou uma série de selos comemorativa ao
      centenário de Santos Dumont. O mesmo ocorre nos correios da Bolívia e da
      França. Ainda em 1973 é lançada uma edição com dois LPs sobre o centenário
      de Santos Dumont.
     Em 1976 a União Astronômica Internacional prestou homenagem ao inventor
      brasileiro, colocando seu nome em uma cratera lunar. É o único brasileiro
      detentor desta distinção.
     Em 1981 o Correio Brasileiro lançou uma série de selos comemorativa aos 75
      anos do primeiro voo de aparelho mais pesado que o ar.
     A Lei 7.243, de 4 de novembro de 1984, concedeu-lhe o título de Patrono da
      Aeronáutica Brasileira.
     Em 13 de outubro de 1997, o então presidente dos Estados Unidos, Bill
      Clinton em visita ao Brasil, discursou no Palácio do Itamaraty, se referindo a
      Santos Dumont como o pai da aviação(1).
     Em 1997 o Correio Brasileiro lançou uma série de selos comemorativos do
      centenário da dirigibilidade dos balões.
     Em 2005 o governo brasileiro comprou um avião da Airbus (Airbus Corporate
      Jetliner) para o deslocamento do presidente da República, sendo esse batizado
      de Santos Dumont.
     Em 18 de outubro de 2005, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência
      Espacial Federal Russa (Roscosmos) assinaram um acordo para a realização
      da Missão Centenário, que levou o astronauta brasileiro Marcos César Pontes
      à Estação Espacial Internacional. A missão é uma homenagem ao centenário
      do vôo de Santos Dumont no 14 Bis, ocorrido no dia 23 de outubro de 1906. O
      lançamento da nave Soyuz TMA-8 ocorreu em 30 de março de 2006, no
      Centro de Lançamento de Baikonur (Cazaquistão).
     Em 26 de julho de 2006 seu nome foi incluído no Livro de Aço dos Heróis
      Nacionais localizado no Panteão da Pátria, em Brasília, garantindo-lhe assim
      o status de Herói Nacional.

Curiosidades




     Assinava Santos=Dumont para assinalar que respeitava igualmente sua
      origem brasileira e francesa.
Alexandre e Marcos Vilares, sobrinhos-bisnetos de Santos Dumont, na cerimônia de
inscrição de Santos Dumont como herói nacional em Brasília, 26 de julho de
2006Foto: Wilson Dias/ABr

      Imaginava que um dia os aviões seriam como automóveis aéreos e cada pessoa
       teria um para ir ao trabalho. Não ficou contente com os rumos que a aviação
       comercial tomou, ao construir aviões maiores e mais caros, desviando-se do
       que ele tinha como objetivo (aviões a preço de automóvel). Chegou a vender
       40 demoiselles e não se opunha a que outros copiassem o projeto e o
       comercializassem.
      Atribui-se a Santos Dumont a invenção do relógio de pulso, para substituir os
       relógios de bolso, então utilizados. Com o mostrador preso ao pulso poderia
       consultar as horas com mais facilidade quando estivesse voando.
      O primeiro degrau da escada de acesso a sua casa, em Petrópolis, RJ,
       corresponde à metade dos demais degraus, de maneira que todos os visitantes
       devessem iniciar a subida com o pé direito.
      As suas irmãs mais velhas, Maria Rosalina, Virginia e Gabriela casaram-se
       com três irmãos, respectivamente chamados Eduardo Vilares, Guilherme
       Vilares e Carlos Vilares.

				
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