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“A privatização da TAP” – 20 de Janeiro de 2004 Conferencistas: Orador convidado: Comandante José Sousa Monteiro (economista) Orador: Engenheiro Cardoso e Cunha Orador: Dr. Norberto Pilar Moderador: Dr. Miguel Coutinho, Director do Diário Económico. Moderador Desejo saudar a Ordem dos Economistas (OE) por mais esta iniciativa, julgo que tem sido uma série de conferências muito interessante sobre os sistemas da economia. São temas de muita actualidade que geram também muito interesse entre os economistas. Julgo que esta conferência não será excepção; a privatização da TAP é um tema recorrente, sempre muito interessante e que mobiliza muito os portugueses. A TAP é uma companhia que tanto provoca amor como ódio nos portugueses e portanto uma privatização da TAP é um tema que envolve sempre muita gente. Para o debate de hoje temos como orador convidado o Comandante e economista José Sousa Monteiro e depois para comentar a intervenção dele duas pessoas que também dispensam apresentação: o Engenheiro Cardoso e Cunha e o Sr. Dr. Norberto Pilar. Vamos seguir a seguinte metodologia na nossa sessão de hoje; eu vou pedir ao Sr. Comandante Sousa Monteiro que faça uma intervenção de 20 minutos, eu vou ser implacável no tempo, depois vou pedir aos outros dois conferencistas que façam um comentário à intervenção do Dr. Sousa Monteiro e abriremos então o debate à audiência. Passo de imediato a palavra ao Dr. Sousa Monteiro. Comandante Sousa Monteiro Obrigado. Constato que já me cortaram mais de metade do tempo que eu pensava ter. Trabalhei para uma apresentação de 45 minutos de maneira que o Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha, digníssimo Presidente da TAP, não me vai levar a mal, é uma rasteira que eu lhe estou a passar porque eu não combinei isto previamente com ele, mas eu vou-lhe “passar a bola” precisamente a privatização da TAP. Eu vou avaliar o que é que nós temos para privatizar, isto é, que empresa nós temos no contexto nacional, com o amor e com o ódio que o nosso moderador acaba, e muito bem, de explicitar e, em termos futebolísticos e perdoem-me a expressão, em face do corte de tempo que me fizeram, eu sugiro ao Eng. Cardoso e Cunha que fale sobre a privatização, um processo, enfim, muito político e do qual creio ele estar mais habilitado a falar do que eu. Antes disso, eu quero também dizer algo que não é simpático, mas em consciência terei que o dizer; eu trazia aqui as contas da TAP, estão aqui, mas trazia-as também para “passar a bola” ao Engenheiro Fernando Pinto, portanto a pessoa que nestes últimos três anos e meio tem sido responsável pelas contas da empresa. Sucede que o Eng. Fernando Pinto não pôde vir e como tal eu não tenho a quem “passar a bola” e vamos ter de chegar a um acordo de forma como é que se vai analisar as contas que vão ser projectadas. Muito bem, que empresa é que nós temos na TAP? O que é que é a TAP? Vou distribuir pelos senhores jornalistas alguns exemplares da minha apresentação. Vou-me referir à componente do serviço público. Esta empresa nasceu, iminentemente por uma necessidade colectiva. Agora o seu objectivo já não é esse. É o lucro. A rentabilidade económica pura e simples. E quero começar por dizer que eu desejo o Estado português na aviação, o mesmo é dizer, eu quero o Estado na TAP. Em maioria. Na RTP houve a reestruturação, na TAP já não sei quantas vezes se fala de reestruturação, recuperação. Nunca mais acertamos. Oxalá que seja desta. Portanto em linguagem caricatural eu penso o seguinte: Tem havido, na minha opinião, alguma falta de sucesso de gestão, globalmente. De forma a que, na minha opinião, quando a economia em geral apanha uma constipação, a aviação comercial, a TAP, apanha uma pneumonia. Preocupa-me também, na gestão actual destes últimos anos o que eu designo por obsessão dos resultados. É quase um doentio pendor para exteriorizar, comunicar resultados alcançados conjunturalmente. Enfim, a estrutura da TAP é a mesma. Eu estou na TAP desde 1965 ou 66, já era comandante em 72, ajudava no Gabinete Central do Planeamento. Há pessoas aqui que se lembram, com certeza, os mais velhos (estou a ver aqui caras da TAP), mas hoje a estrutura é a mesma, basicamente a mesma, foram os ingleses que cá chegaram em 72 e até hoje, para mim, essencialmente a estrutura não mudou. Portanto, a meu ver, a TAP não tem só uma dor-de-dentes, neste aspecto da sua estrutura, neste aspecto das suas ineficiências tem é um cancro para extirpar. A meu ver a salvação da TAP, ou aqueles que pretendem ser seus salvadores, deviam preocupar-se com o equilíbrio da razoabilidade, da preocupação da obtenção dos melhores resultados possíveis, mas num quadro de reformas estruturais que lhe dê sustentabilidade e resistência nos momentos recessivos. Claro que algumas destas reformas terão de ser porventura algo impopulares, mas a verdade é que o respeito pela continuidade do projecto TAP manda que é necessário despreendimento pessoal e coragem para as tomar, ainda que arcando com o ónus dessa impopularidade - as medidas de fundo, aquelas que se designa por estruturantes. Penso eu que, nestes últimos anos, os gestores da TAP, de há 3 anos e meio a esta parte (é a esses que eu me refiro) têm amenizado os problemas reais e conduzido as coisas com excesso de optimismo. A importância, em termos de impacto macro-económico, foi feito já há uns 15 anos. Ainda chegam a vir nos relatórios de contas da TAP e deixaram de vir (era uma boa ideia que voltassem a vir), mas concluíu-se, através da análise do impacto macro- económico, que ela é uma empresa muitíssimo interessante para o país, por causa do multiplicador de rendimento - 1.6, dá quase vinte e tal mil postos de trabalho que dependem da TAP ou da sua existência. As exportações que ela assegura, andam á volta de 4.8% das exportações totais da nossa economia. Na balança cambial é fácil ver o que ela importa de divisas pela venda dos bilhetes, pelos serviços que presta em “handling”, pelos serviços que presta em manutenção de engenharia e por outros serviços que as suas filiadas também prestam. É de facto uma balança comercial altamente positiva. Na rubrica “Transferências TAP-Estado”, ou seja, o que recebe do Estado e o que mete nos cofres do Estado, apresenta-se como um grande negócio para o Estado. Pelos impostos que pagam os seus trabalhadores, pela segurança social e em sede de IRS, pelos impostos que paga a TAP em sede de IRC. Já teve lucros em 97 e em 98; agora é a 3ª vez que tem lucros. Portanto nesta rubrica “Transferências TAP-Estado”, o grande beneficiário, o grande aproveitador da própria existência da TAP é o próprio Estado. Depois dos 180 milhões de contos que lá foram injectados e que infelizmente voaram depressa demais, a TAP nunca mais recebeu nada sob outra forma que não fosse indemnizações compensatórias; que as recebe também a RTP, sendo que a RTP recebe 5 vezes mais indemnizações compensatórias que recebe a TAP. As indemnizações compensatórias da TAP como sabeis, é pelas linhas que pratica abaixo do preço real para a Madeira e para os Açores. A TAP vende cá em Portugal 500 milhões de euros e vende no estrangeiro 700 milhões. Esse dinheiro integra-se na economia nacional; se ela não existisse, esse dinheiro não era injectado na economia nacional, circularia pelo país. Portanto, por tudo isto, é justo afirmar, eu digo isto com orgulho, que a TAP não é uma sidecura; não chupa, por assim dizer, os portugueses, (houve fases em que assim aconteceu, mas nessas fases, verificou-se que ela era uma empresa socialmente útil, porque o que saía com uma mão ela aconchegava com a outra). Rentabilidade social positiva portanto. Temos aqui outro capítulo: ”Posição e compromissos do Governo”. Bom, eu vou passar á frente deste capítulo, talvez haja oportunidade de o discutir aquando da privatização. Mas eles estão aqui escritos e eu se puder abordá-los-ia. Bem, agora a velha questão: a TAP é, de facto, na minha opinião e na opinião de muita gente, inclusive do Sr. Ministro dos Transportes que esteve na Assembleia da República, a 30 de Abril e considerou que ela era uma empresa estratégica. Estou de acordo com o Sr. Ministro. E porquê? Porque se trata de uma necessidade nacional que passa ou que vai desde a defesa estratégica à própria economia, dando um sintoma, um sinal da nossa independência nacional. Ela é também uma empresa política e na empresa política eu dividia no bom sentido e no mau sentido. No bom sentido bem-haja um inquérito aos portugueses, uma sondagem feita em 1999, em Abril de 99; a 800 pessoas foi-lhes perguntado quais os problemas que estavam a decorrer na TAP nessa altura, foi fantástico; 77% dos portugueses disseram que a TAP deveria continuar a ser uma empresa portuguesa a qualquer custo. A pergunta era explícita. É uma imagem de marca portuguesa e é conhecida no Mundo, a mais conhecida, é mais conhecida que o Eusébio. Daqui eu acho que, de vez em quando, quando vejo quadros com responsabilidades políticas, um deles usa e abusa disso, que é o Dr. Alberto João Jardim, apelar para que “feche-se a TAP, venda-se a TAP”, eu digo, e acho que os portugueses o querem dizer com esta sondagem, recupere-se a TAP, é a vontade dos portugueses, portanto um ponto político de uma empresa política no bom sentido. Um partido político, o Partido Comunista em Abril passado, por causa deste assunto da segmentação da TAP, que é também considerado por desmembramento da TAP, propôs à Assembleia da República, um debate de urgência. Esta questão, não se podia dar melhor sinal de que é uma empresa política. Quantas já foram chamadas à Assembleia da República em uso de um direito potestativo de uma legislatura para discutir a situação de uma empresa? À semelhança do que se deu na Bélgica e na Suiça, fechar a TAP, na minha opinião, é ou seria um cataclismo nacional. Pergunte-se aos Belgas e aos Suíços, principalmente aos Belgas. Agora no mau sentido político é uma empresa que tem sido demasiado exposta em termos político-partidários. Isto tem afectado a credibilidade da sua gestão. Ao longo de todos estes anos até à actualidade, chega a ser confrangedora a qualidade de alguns gestores que por ela têm passado. Esta é a TAP, uma empresa política no sentido negativo; outro, desejo de facto que a despolitizem face ao que acabo de referir, eliminando lá dentro aquilo que eu designo por partidarite-clubite e uma ganância política de uns tantos que estão mal informados sobre o que é a luta partidária e acabam por contaminar muitas vezes o ambiente empresarial. A TAP não é o parlamento, outros, poucos, movem-se claramente, descaradamente, por interesses pessoais, tentando pela colagem partidária obter um diminuto prato de lentilhas, mas também estragam o ambiente da empresa, e porquê? Porque atropelam os mais competentes. Há gente séria, muito boa! Lá como cá fora não se metem nas coisas, ou não são metidos, são atropelados por estes fura-vidas. Tem-se permitido também que a empresa fique refém de influências exercidas por grupos, grupos de pressão internos a que os sucessivos governos acabam por ceder para não deixar cair essas clientelas. Cada um que deite a mão à consciência. A TAP também é excessivamente corporativa, veja-se o que se tem passado em certos momentos e por parte de determinados sectores nas suas lutas por vantagens profissionais e de classe. Vive-se e é grave, é grave o que eu vou dizer. Vive-se o presente e moralmente não se defende o futuro dos novos curando de aceitar sacrifícios para o futuro. Num dever de cidadania é preciso chamar isso à responsabilidade; não é só sacar. Assistiu-se ainda recentemente a um apelo, tecnicamente mal fundamentado que me chocou, por parte de um sector trabalhista de um partido político, pedindo a substituição da administração da TAP. Para mim e para muitos isso foi tomado no sentido claramente de uma iniciativa política. Então cá temos - a TAP é bem política. É política no sentido positivo e é política no sentido negativo. O meu balanço está feito. Mas o problema da TAP é estrutural, segundo a revista “airline business” ela era 81ª empresa em termos de produtividade do seu pessoal entre 180, entre 150 empresas. Um comité de sábios nomeado pela comissão europeia também concluiu que dentro das europeias, as regulares, a TAP era infelizmente pouco produtiva. No quadro das relações de trabalho dentro da empresa, tenho-me batido arduamente por um pacto com os representantes dos trabalhadores no sentido da defesa do desenvolvimento sustentável da TAP. E esse exemplo bom concretizou-se na Auto-Europa. Qual é o raio do mal que tem a TAP para que tal não aconteça na TAP quando ela é mais vulnerável que a Auto-Europa? É portuguesa, é por isso? Será pela questão da sua alternização nacional de mentalidade. Os estrangeiros conseguem aquilo que nós não conseguimos então trata-se assim a mais portuguesa das empresas portuguesas? Porque é que não há um acordo com o pessoal da TAP? U m pacto de forma a permitir uma gestão mais aberta, mais elástica e tornar a empresa mais competitiva. Que eu saiba até hoje não foi feita nenhuma proposta aos representantes dos trabalhadores nesse sentido. A TAP é uma empresa técnica e tecnologicamente avançada, todos sabemos, mas os métodos de trabalho não tem sido ou não foram constantemente desenvolvidos de forma racional. Precisa também de melhorar a capacidade organizativa. O quadro de relações de trabalho é inelasticamente afugentador de grandes melhorias de produtividade. Precisa aliar-se a outras transportadoras mais evoluídas aí encontrando economias de escala e diversificando a sua rede. Em termos de geo-estratégia, quem sou eu!? Mas penso, sou um economista preocupado: a TAP em termos de geo-estratégia deverá considerar apenas os seguintes factores valorativos. Primeiro que tudo a Europa. A Europa onde estamos, a Europa da União Europeia, para aí temos de voar mais e cada vez mais, na minha opinião temos meios disponíveis; voar pela Europa sem deixar de olhar às oportunidades, na Europa de Leste, se forem consideradas boas oportunidades. A seguir, interessa-me, bastante, mais do que o Brasil, muito mais a África ao Sul do Sahara, em termos de geo-estratégia, é aí que eu gostaria de ver concentrar forças, habilidade, habilidade aproveitando a liberalização de transporte aéreo que eles querem lá instituir, em Moçambique já está, em Angola vai estar, noutros países vai estar então eu faria força para a África ao Sul do Sahara especialmente com os PALOP’s. Nem que tivéssemos que entrar eventualmente no capital de algumas empresas que se irão mais tarde ou mais cedo privatizar, para termos uma, passe o termo, lança em África. Bom, e depois em terceiro lugar, para mim, vem a América Latina, sobretudo o Brasil, onde, contudo, ides ter uma surpresa. Este folclore de voar muito para o Brasil, é formidável, mas temos de ver os preços; a TAP não é uma empresa charter, não é uma low-cost, temos de ver a tarifa média. Disseram-me ontem, que afinal as receitas para o Brasil caíram. Porquê? O ILD (ou a tarifa média são coisas diferentes) baixa. Então é boa aposta? Bom, eu não sou gestor da TAP. Mas é uma constatação e disseram-me na empresa: - Olhe que isso do Brasil há muitos passageiros, mas o dinheirinho é que está a minguar. Fica o aviso! No campo dos custos é outra luta. É absolutamente necessário continuar uma política de contracção. Moderador Permita-me o aviso, tem 5 minutos Comandante Sousa Monteiro Eu sou assim por natureza! No campo dos custos é absolutamente necessário continuar uma política de contracção. Haja coragem! Observa-se que noutras companhias, as classes profissionais de pilotos, a minha e outras têm colaborado, congelando salários, provavelmente está aqui algum representante. E o que direi como sempre, é claro, transparente e com coragem, que noutras companhias as classes profissionais de pilotos têm colaborado, congelando salários ou até aceitando reduções. Há notas explícitas de que algumas companhias na Europa, nos EUA e no Canadá foram salvas graças a este bom entendimento de sacrifício temporário. Aqui fica uma nota! Não sei porque é que cá não se fez ainda ou não se há-de fazer se for necessário. Ora tem aqui um tema, outro tema, outro capítulo, que é “As Relações Ibéricas”. Eu acho que só isto merecia uma conferência própria. Nós estamos num processo cerrado de integração com Espanha; o Presidente da Portugália diz: A TAP, inevitavelmente o seu futuro, passa pela Ibéria. Bom, o Presidente da Ibéria, em Maio de 2002 disse: a gente agora não nos interessamos pela TAP, mas nunca se sabe, a seu tempo se verá. Ora bem, pela minha parte receio que neste, nesta entrada na Ibéria ou da Ibéria cá, nós sejamos subalternizados e Lisboa se torne secundária em relação a Madrid, obrigando os nossos passageiros a passar por Madrid, conforme os interesses deles. Enfim com respeito aos interesses recíprocos, talvez qualquer coisa se possa fazer, mas receio e quero dizer o seguinte: o cruzamento de participações entre a Ibéria e a TAP é uma possibilidade desta convergência que está a haver. Isto é político, até nos ultrapassa, mas eu quase garanto que há uma desconfiança generalizada neste entrosamento, ou encaixe, ou fusão, já não vou tão mais longe mas cuidado porque as pessoas estão com receio. Se porventura nós pelas condições de vida ou pela política, formos até à Ibéria, penso que as coisas têm de ficar claras para Aljubarrota ter tido algum significado. Portanto Centro de decisão cá no país! Centro de decisão em Portugal! Esteve cá em Lisboa recentemente, a convite aliás do Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha, o Director-geral dos Transportes da Comissão Europeia que directamente avisou, e ele sabe muito mais do que nós, mas muito mais, que se a TAP quiser manter-se como companhia intercontinental, praticando longo curso tem de se associar a outros grupos mais fortes, senão não vai lá e eu sou da mesma opinião. A nível interno estou muito satisfeito por ver que estão dados passos fortes na ligação à Portugália e à SATA. Agrada-me bastante estes passos. Fico muito contente! Fui daqueles que inicialmente me bati mais pela ligação da TAP à Portugália e à SATA. Portanto, as fusões não significam necessariamente uma empresa engolir outra. A identidade pode manter-se. No caso da Áustria, estou farto de o referir, estavam em dificuldades. A Austrian Airlines fez uma fusão com a Laudair que era uma charter com a Tiroline do Tirol, uma regional e uma outra que eu não sei dizer o nome em alemão, regionais. A Austrian Air Lines continua a voar tudo o que é linhas regulares com lugares ou aviões acima de 80 lugares. A Lauder continua a fazer os seus charters, as outras duas fazem vôos regulares e internacionais até 80 lugares. O centro de decisão é uno, a estratégia é comum, as economias de escala brotam, a defesa de todas na estratégia comum brota pelos vistos, os resultados têm sido bons e eles mantêm as suas identidades e no avião cada um continua a ter a sua marca. O trabalho é que é conjunto. Uma fusão com manutenção de culturas e identidades. Em Portugal bato-me pelas fusões possíveis de forma a obter massa critica suficiente e vantagens competitivas para melhor se poder encarar a concorrência estrangeira. Perspectivas futuras de transporte aéreo, vou passar à frente, porquê? Porque o transporte aéreo está florescente, não está em perda, o negócio pode não ser muito bom em termos de alternativas onde aplicar capitais, mas o presente e o futuro do transporte aéreo sobretudo o futuro; o transporte e o turismo são as duas áreas da economia que não têm problemas de futuro. Apontamentos importantes: quando é que vai ser a substituição dos aviões? Andam a falar nisso; já temos seis 310, têm de os substituir por 330. Foi prometido, salvo erro, pelo Engenheiro Fernando Pinto para 2005. Bom, uma pergunta é, quando? A TAP tem apenas cinco anos, a idade média da frota da TAP é cinco anos, isto é um luxo. Moderador Cinco minutos, não vamos permitir mais de cinco minutos. Comandante Sousa Monteiro Bom, temos um problema com a Air Atlantis. É um problema sério. Os advogados da TAP, claro, dizem sempre que vão ganhar, que está tudo no melhor dos mundos, oxalá. Já foram vendidas as acções da France Telecom, além de anteriormente outros activos da empresa terem seguido idêntico caminho, onde é que eu quero chegar? Eu quero chegar que neste momento só nos restam activos que são 20% da participação na Air Macau, de resto não temos mais nada para vender. Há um ano parece que pediam 25 milhões de euros por eles, vendável não resta mais nada a não ser as empresas penduradas na TAP. Essas não convém vender porque estão a dar lucro, não é? A Yes, uma filiada da TAP, não tem tido um comportamento bom. A rentabilidade tem sido um buraco, desculpem o termo, não tem ajudado a empresa mãe. Ora a empresa mãe não precisa de quem a puxe para baixo, não precisa de mais pés de chumbo. A Yes tem de ser rentável! Se não for rentável, tenham paciência. Alguém tem de tomar a decisão de chamar à pedra quem de direito e não pode haver mais… porque há lá problemas, problemas graves, alguns até, li eu num jornal, passados com os meus colegas pilotos, não é? Querem isto ou querem aquilo! A Yes ou pode dar ou não pode dar, se pode dar tudo bem! Se não pode dar então não dá! Tem é de dar rentabilidade se não que desapareça! A Yes pode ter um futuro em Portugal, se se filiar com outras charters ou não se associando com outras charters se, porventura, houver grupos económicos, do turismo especialmente, que vão até ela e queiram fazer dela qualquer coisa. Bom, assim pode ter futuro! É claro que contrariando os problemas a que eu acabo de apontar o dedo. A Academia de Évora forma pilotos; eu concordo que se a Academia de Évora forma pilotos para ricos, eu estou contra! Se levam 12 mil contos para formar um piloto, eu estou contra! E porquê? Estou contra no preço e depois estou contra a prioridade que querem dar aos pilotos da Academia de Évora, ou seja, paga-se 12 mil contos, vai-se para a Academia de Évora, pertence-se à TAP, dá-se prioridade, os ricos entram na TAP! Ora eu não estou de acordo com isso! Agora se a Academia de Évora fizer preços iguais às outras escolas aí sim! Eu acho que se deve dar prioridade aos pilotos que são formados na Academia de Évora! Repito, se os preços forem iguais aos de outras escolas. O problema da ANA; felizmente o tráfego continua a crescer…no aeroporto de Lisboa. A ANA da forma que está estruturado o estado do aeroporto, só trás problemas à TAP, não há compensações! Ninguém paga à TAP… as ineficiências do aeroporto de Lisboa. Os constrangimentos… eu tenho aqui uma afirmação, mas vou passá-la à frente; ora se me permite senhor moderador tenha paciência, que tenho aqui mais uns papéis. Moderador Agora tem 1 minuto. Agora tem mesmo o seu último minuto. Comandante Sousa Monteiro Deixe-me ler a parte final. Portanto, passo à frente da privatização da TAP, eu só desejo que a privatização da TAP seja para injectar capital na TAP, que é isso que eu acho que vai ser. Não é para o Estado fazer o reconhecimento, por parte do accionista Estado da sua incompetência para nomear gestores de qualidade ao longo dos tempos. Notas finais: sistematicamente a TAP apresenta uma receita unitária média inferior ao seu custo unitário médio; isto é, a TAP, sistematicamente gasta mais do que produz! Há quem diga que, tecnicamente, a receita por lugar oferecido é inferior em 20% ou 30% ao lugar da concorrência. Ora bem, chega-se aos resultados que agora felizmente estão a ser obtidos através de efeitos extraordinários que não indiciam a criação de riqueza. Ou seja, enquadram-se os resultados, mas não se cria valor! O número de trabalhadores é, há anos… praticamente o mesmo. Em 2002 até subiu em 150 ou 153 trabalhadores em relação ao ano anterior. A desigualdade a nível salarial mantém-se; pagando-se mal aos quadros da empresa e ao pessoal de terra também! Eu tenho a informação de que os trabalhadores se preocupam com a moralização dos sacrifícios partilhados. Eu tenho escrito que são necessários sacrifícios, eles dizem… “preocupamo-nos com a moralização dos sacrifícios salariais, apreciamos o exemplo na vertical. De cima para baixo”. Insisto fortemente na necessidade de ser criada uma plataforma ou um pacto de entendimento com os sindicatos e com a comissão de trabalhadores. Há uma necessidade premente de quadros substitutos para uma boa gestão futura da empresa. Deve ser evitada a influência partidária na empresa, prosseguindo antes um compromisso suportado na sugestão do nosso Presidente da República. É necessário adoptar as melhores políticas das empresas concorrentes, copiá-las sem rebuço, copiá-las e implementá-las na TAP. Aprovo e acho muito correcto a actual vontade depositada na grande atenção à diversificação de actividades da empresa. Trata-se da tese de grupo empresarial de fornecimento de produtos híbridos, complementares ou não, não interessa, mas de grande interesse se rentáveis. Finalmente anoto que a TAP pode ser a garantia da existência de mais um centro de competência em Portugal, num país em que perante o estrangeiro há falta de qualidade, a TAP é um exemplo português de grande qualidade, é uma das suas maiores e melhores marcas. Manter o seu centro de decisão em Portugal é a afirmação de uma grande parte integrante da identidade nacional. Por estas razões e por tudo o que ao longo deste trabalho escrevi, eu entendo sem exageros, de que ela necessita absolutamente de um plano de sobrevivência o qual passa pelo modelo de gestão que saiba persuadir quem deve sobre o que inadiavelmente tem de ser feito. Este modelo de gestão não pode deixar de lado a qualidade, uma estrutura de custos racional e sobretudo a boa prática de preços suficientes, fugindo à tentação de “dumping”, pois se o fizer levará à ruína. Termino, mais uma vez, com as palavras do Director Geral dos Transportes da Comissão Europeia que afirmou aqui em Lisboa “que foi errado, o errado modelo de gestão que deitou abaixo a Sabena”. Ele sabe do que fala, melhor do que nós, muito melhor! Hoje, defender a TAP, e tudo o que dela depende, sobretudo os seus trabalhadores, é defender a tomada de medidas que dêem um sentido definitivo à sua existência independente. A TAP ou se adapta ou morre! É justo o que eu vou dizer! O meu juízo de valor em relação à administração actual, ao Sr. Engenheiro Fernando Pinto e ao seu comité de direcção; o meu juízo de valor sobre a administração destes últimos 3 anos e meio vai no seguinte sentido; 1º) Represtigiou a TAP em termos de comunicação pública e da obtenção de resultados positivos, embora à custa de grandes efeitos extraordinários, razão pela qual eu desejava muito que o Sr. Engenheiro Fernando Pinto cá estivesse porque eu não vos sei explicar isso; ele saberia. 2º) Não alterou a sua ineficiente estrutura, praticamente a mesma que já vem desde 1972. Dinamizou a actividade comercial, sem dúvida, conseguiu um clima de paz laboral, mas não conseguiu vencer as resistências à mudança, interesses instalados! Alguns bem mesquinhos! Por esta razão a TAP, isto é duro de se dizer ao Sr. Engenheiro Fernando Pinto, por esta razão a TAP está longe de se poder considerar recuperada, pois continua sem capacidade de resistência a momentos difíceis, mesmo os mais ténues. Em Lisboa, 19 de Janeiro de 2004, com isenção e suprema preocupação de ser justo. Muito obrigado! Moderador Muito obrigado Sr. Comandante. Engenheiro Cardoso e Cunha, começamos por si. Para falar um pouco do plano de privatização e alguns comentários. Engenheiro Cardoso e Cunha Muito obrigado Sr. Dr. Miguel Coutinho, Sr. Comandante, um abraço e muito obrigado. O Sr. tem uma vida ligada à empresa e fala com o coração pela boca fora. Comandante Sousa Monteiro Nota-se!? Engenheiro Cardoso e Cunha Nota-se! Ainda bem! Felicito-o pela sua dedicação, pelo seu entusiasmo, embora eu tenha tendência a me distanciar da sua aproximação emocional ou romântica deste problema. Na minha opinião esse tem sido um dos grandes males da companhia. É uma demasiada dependência de interpretações sentimentais, por vezes românticas, onde os nossos amigos da imprensa têm naturalmente uma certa responsabilidade, mas é o que o público quer e, neste momento, todos nós somos portugueses responsáveis e todos nós temos uma opinião relativamente a esse grande problema; falta de objectividade! A TAP é uma grande empresa! A TAP vende, aproximadamente, um bilião e meio de dólares por ano de vendas. É, em termos portugueses, uma empresa importante! A sua marca, TAP-AIR PORTUGAL, está escrita em letras bem visíveis nos aviões que circulam por todo o mundo. A TAP- AIR PORTUGAL tem portanto uma responsabilidade particular. Se se chamasse AIR LITORAL ou AIR IBÉRICA, não era a mesma coisa que chamar-se AIR PORTUGAL! Esta preocupação tem vindo a ser, desde o princípio da TAP, tão forte que resistiu a todos os “ups and downs” do sector e da companhia e felizmente até hoje o nível de qualidade intrínseca que a TAP presta ao público manteve-se num nível elevado. Esta é certamente uma constatação que os senhores certamente partilham comigo, e que é um ponto importante da discussão. Não podemos esquecer que esse trunfo, esse activo imaterial é a principal razão de adesão e de familiaridade dos portugueses com a companhia. O Comandante Sousa Monteiro referiu uma estatística, eu tenho outra; recentemente a Petrogal quando lançou a marca GALP fez um estudo de mercado sobre a aceitação das marcas em Portugal. Curiosamente a TAP foi a 1ª marca conhecida por toda a gente, mesmo em Trás-os-Montes, aonde aquelas pessoas nunca viram um avião na sua vida e nem fazem conta de ver um. A TAP, a marca TAP, é facilmente reconhecida e, curiosamente, a 2ª foi os CTT, os correios. Portanto, isto é um dado importante. Nós não podemos esquecer que este activo é uma necessidade imperiosa e isso felizmente tem ultrapassado as tais dificuldades que o Sr. Comandante Sousa Monteiro sublinhou e naturalmente não posso deixar de referir, mas não quero estar agora aqui a avançar com detalhes da nossa vida íntima, mas toda a gente, todos os sindicatos, todas as associações patronais, todos os nossos clientes, o mercado reconhece que a marca TAP-AIR PORTUGAL é uma coisa que tem de ser conservada. Confesso que não me sinto à vontade para falar, ou comentar as expressões como amor-ódio, cancro, obsessão de resultados. A TAP é uma empresa como as outras! Tem necessariamente de ter objectivos de gestão, objectivos empresariais que não ponham em risco o tal outro activo imaterial que é o respeito pela marca. Mas, fora disso, a TAP tem que resistir dentro das condições de mercado. Tem que ter perspectivas de crescimento. Nem sequer são resultados anuais. A minha 1ª preocupação é a perenidade da companhia para o que é necessário ter resultados anuais, porque se não os tivermos, morremos! Mas, a perenidade da companhia, a visão do depois de amanhã, eu gostaria de sublinhar que aquilo com que eu e os meus colegas nos preocupamos fundamentalmente é com a visão da TAP daqui a 10 anos, admitindo portanto na nossa, no nosso raciocínio, na nossa intuição, admitindo portanto, sem dúvida, que daqui a 10 anos a TAP ainda estará lá. E portanto temos de verificar como adaptamos a TAP que temos, não é uma TAP ideal, por vezes dizem-me, mas você não se aborrece com a pressão dos sindicatos, com os problemas dos acordos da empresa, das coisas mais ou menos negativas que existem na companhia? Eu não tenho esse tipo de raciocínio. Para mim, se me perguntarem se eu prefiro Boeing a Airbus eu digo que é uma dúvida que não me interessa! Eu tenho Airbus! Se gostasse de Boeing pior para mim! Quer dizer, eu tenho de viver com a TAP que tenho. Com a TAP que estes trabalhadores, estes aviões, estas rotas, estas sindicatos, este pessoal, este Presidente! Esta é a TAP que temos! Não vale a pena imaginar o que é que faríamos se tivéssemos a organização da KLM ou da AIR FRANCE. Não temos! Portanto temos de, em consciência, conhecer bem o terreno que pisamos, orientá-lo numa perspectiva de perenidade e é nessa perspectiva de perenidade que eu entendo esse grande dossier que é a privatização da TAP. Privatizar a TAP é um objectivo antigo. Ouço-o já, nem eu sonhava sentar-me uma vez naquelas cadeiras e já ouvia falar que a TAP iria ser privatizada e o que é verdade é que nunca se fez. E nunca se fez, não porque as pessoas fossem más ou porque estivessem a dormir, é porque as condições não foram propícias a essa privatização. Neste momento há uma razão que ultrapassa, digamos, a bondade ou a maldade dessa acção. É que é uma decisão tomada pelo accionista. O accionista tem, ou propôs, na Assembleia da República um programa de acção para a TAP, que tem uma linha: privatizar a TAP! E a Assembleia da República aprovou-o! Está no programa de governo e a única instrução que eu recebi, aliás devo-lhos dizer com toda a justiça, não tenho qualquer interferência do meu accionista que não seja essa instrução de base, privatizar a TAP! De resto tenho completa liberdade; trabalho com perfeita autonomia e tenho naturalmente relações respeitosas, mutuamente respeitosas, e o Estado não me pede para meter cunhas para o pessoal, não me pede para eu dar protecção aos laranjinhas contra os socialistas! Essas coisas não existem na TAP de hoje! Garanto-lhes que não existem! E portanto podemos acompanhar ou verificar este problema da privatização da TAP com uma grande objectividade. Se me perguntarem se eu estou de acordo com esse programa, é óbvio que se eu não estivesse de acordo não teria aceite o lugar. Eu, pessoalmente, politicamente e como cidadão considero que a melhor estratégia para a perenidade da TAP passa pela sua privatização. Portanto, nesse sentido e sem qualquer estado de alma, sem qualquer emoção particular, é uma obrigação que cumpro com prazer! E, felizmente, presumo, que as coisas se encaminham nesse sentido. Quais são, para lá das considerações que o nosso comandante Sousa Monteiro fez, como é que eu vejo a posição actual, pré-privatização da TAP? Ela é profundamente influenciada pelo tipo de accionista que temos. O accionista, com todo o respeito, o Estado Português, é, no meu entender, um mau accionista. Mau accionista não porque as pessoas sejam más; mau accionista porque de facto o Estado não tem tempo, não tem flexibilidade, não tem vocação para acompanhar as naturais flexibilidades e flutuações e adaptações que a TAP exige num negócio que hoje é incrivelmente errático! A TAP está a trabalhar num clima de elevada concorrência. A concorrência já está em Portugal, é só ler os jornais e qualquer dia quando esta concorrência desaparecer vem outra para ficar, portanto eu não tenho aqui nenhuma intenção quem faz gestão de negócios em termos diferentes da nossa. É essa a nossa obrigação e temos tido até uma certa protecção da nossa geografia. Na minha opinião, os dramas da pneunomia atípica e os dramas da guerra do Iraque passaram-nos de certa foram ao lado. Em alguma razão até teríamos tido alguma vantagem comparativa. Quer dizer, estamos longe desse caldeirão e não é por aí que nós devemos estar fundamentalmente preocupados. O que acontece é que o Estado, de facto, não é suficientemente flexível e atento. Como eu gostaria de ter um accionista com quem eu tivesse essa relação operacional, mas o problema complica-se porque este Estado teve a iniciativa de se associar à União Europeia, o que eu como sabem, tenho alguma responsabilidade e tem o meu acordo total, mas por essa associação atou as suas mãos. Este Estado, este accionista está inibido juridicamente de desempenhar as suas funções de accionista. Portanto, tenho um accionista que não só é desatento como é inerte. Quando houver um problema da TAP e agora esses problemas podem aparecer de um momento para o outro, eu sei que dali não espero nenhuma espécie de apoio. Esse drama foi no passado e isso é, enfim, a história da companhia, muitas vezes não cumprido. As pessoas ganharam uma certa habituação à ideia de seja qual for o resultado da nossa acção, no fim do ano lá aparece o cheque das finanças, a gente paga e vamos lá começar novo exercício. Esse problema não é verdade hoje, a TAP tem de viver sobre si própria, tem que ser capaz de ter uma actuação que tem de ser produtiva, não pode acumular anos de prejuízo porque se o fizer não vai ter sucesso. E por isso tem que ter muito cuidado com a gestão. A gestão de uma empresa deste tipo num mercado tão errático como a aviação comercial exige profissionalismo, muita atenção, algum sentido de risco e fundamentalmente uma perspectiva de futuro. O drama da Sabena e da Swiss Air que na TAP é uma obsessão, essa sim é uma obsessão, foi uma situação que não correu bem. Tanto quanto eu me consigo aperceber dos relatos que me fazem e dos documentos que leio, a opção Swiss Air era uma opção defensável. Não se imaginava que o parceiro com quem a TAP se ligou tivesse aquele problema que estava oculto e quando ele rebentou toda a gente se insurgiu porque tinha sido má opção. Não é a minha opinião. A opção era perfeitamente trabalhável e se houve uma coisa que correu mal e que hoje não correrá porque estamos avisados é que o esquema de integração da TAP na Swiss Air começou ao contrário. Quero dizer, começou passando para a Swiss Air demasiado poder; quero dizer, neste momento, a TAP claramente tem objectivos óbvios que referiu o Comandante Sousa Monteiro sobre as opiniões, não é preciso ser Director Geral dos Transportes da Comissão Europeia para saber que a médio prazo, se a TAP quer manter uma presença internacional, inter-continental, tem necessariamente de crescer sem se obrigar a voltuosos investimentos. Isso obriga-a a fazer parte de grandes alianças que existem no mercado mundial de aeronáutica hoje em dia. Essa situação é um imperativo, não podemos fugir a essa situação. Mas ela tem de começar gatinhando antes de correr. O que estamos neste momento a fazer e uma chamada particular para a iniciativa que a TAP teve recentemente, e que a TAP tomou essa iniciativa a 100%, penso que é a nossa responsabilidade e o nosso mérito, de provocar uma forte ligação entre as companhias aéreas portuguesas, Portugália e Sata, no sentido de aproximar a tal massa do limite da massa crítica que nos permita então essa aliança internacional. Esse tipo de situações vai-se fazer; 1º) mantendo inalteradas as marcas das companhias, mantendo inalteradas as iniciativas e as identidades empresarias de cada uma, e só se isto evoluir e um dia ele atingir uma fase em que a inter-penetração já é tão forte que já se justifique uma troca de participações accionistas, veremos; talvez tanto melhor! Agora, até chegarmos a essa situação nós temos de testar na prática a operacionalidade das rotas conjuntas que vamos começar a fazer partilhando resultados de algumas rotas, cruzando e isso é muito importante, serviços de “back office”. Aí há um enorme campo para ter economias e resultados positivos e só muito tarde é que nós vamos eventualmente, se os accionistas tiverem para aí virados, considerar alguma possibilidade de integração accionista. Não é preciso ter integração accionista para que as corporações empresariais possam funcionar, é preciso que os parceiros tenham uma ideia clara dessa cooperação e estejam de boa-fé; isso é óbvio e vai certamente acontecer. Portanto, a privatização surge como uma necessidade imperiosa de captar meios financeiros. Esse é que é o drama da TAP, como aliás todos os senhores sabem, são economistas e eu sou um modesto engenheiro, mas os economistas costumam dizer que só é importante aquilo que é escasso. E têm razão. A TAP tem aviões que lhe cheguem, tem pilotos a mais, tem hospedeiras a mais, tem engenheiros a mais, tem contabilistas a mais, tem tudo a mais menos dinheiro. A única coisa que a TAP não tem é dinheiro, quer dizer que a única coisa que realmente devia ser importante na gestão era a captação de meios financeiros, porque a TAP não tem de facto praticamente vida financeira. A TAP, de há muito tempo tem uma posição que de certa forma é passiva. Não articula com o mercado financeiro, até porque não tem tido o balanço com a cara lavada que lhe permita ter essa ligação com o meio financeiro e isso é essencial. E se alguma coisa eu e os meus colegas temos como objectivo é termos capacidade de jogar esse jogo. Jogá-lo honestamente; jogá-lo conhecendo as nossas limitações. Mas pondo também à frente as nossas virtualidades. Uma empresa que vende 1,5 biliões de dólares não aceita ser tratada no banco no rés-do-chão; só aceita ser tratada no 8º andar como é evidente. Isto exige da nossa parte uma acção de higiene íntima, digamos de “house cleaning” e que felizmente começou a ser feita com as iniciativas recentemente tomadas. Essa situação e o Comandante Sousa Monteiro fez-lhe referência, tem razão, não foi fácil. As resistências à mudança são muito grandes. Estou na TAP com a minha equipa há mais ou menos um ano, o 1º semestre foi trágico, felizmente temos capacidade de resistência moral para aguentar com esses solavancos mas, as menções e as acusações, o destruidor da TAP, aquele tipo que vinha aí para fazer a segmentação da companhia, matar o nosso principal activo era a nossa unidade. Eu não penso assim obviamente, as opiniões mais isentas davam-me razão e lançámos um programa de avaliação da possibilidade de cisão de uma das unidades operacionais, que era o trabalho de assistência em terra porque, e isso aí também tenho de o confessar, fui obrigado a esse tipo de acção por causa de uma lei europeia; a TAP-Handling pertencia naturalmente à TAP, a TAP é do Estado, a única concorrente existente era a Portway que pertence à ANA que pertence ao Estado e a União Europeia não aceitava que duas empresas com o mesmo accionista tivessem numa falsa competição. A comissão europeia, enfim, está longe das coisas, é a sua lógica natural, porque a TAP tinha e tem com a Portway um clima de competição acesa; há aqui pessoas que conhecem essa situação. Não havia e nunca houve qualquer concertação anti-competitiva entre a TAP-Handling e a Portway. Mas as coisas são o que são; juridicamente era impossível e portanto a necessidade de transformar a actividade handling numa unidade onde um parceiro não dominado pelo Estado Português fosse maioritário era um imperativo jurídico. Se não o fizesse a nossa licença caducava e portanto com esse aguilhão por trás foi fácil, foi mais fácil chamar à razão os contestatários. O que é verdade é que mediante uma operação que eu considero que foi uma operação bem feita, uma operação financeira com qualidade isso conseguiu fazer-se ao mesmo tempo que o balanço da TAP e o balanço de uma sociedade holding constituída para fazer o chapéu das diferentes actividades passou a ter uma cara que lhe permitia ter uma interacção com as entidades financeiras. Já testámos isso no mercado, não é nenhum milagre mas é curioso comparar as condições que são neste momento oferecidas à TAP pelo mercado financeiro com as condições tradicionais da TAP, poupo-vos à menção de resultados, não estou aqui para fazer relatos quantitativos. Digo-lhes que neste momento o Mundo financeiro olha para a TAP como olha para outra empresa da nossa dimensão e vamos com certeza utilizar essa ferramenta para o nosso desenvolvimento futuro. Com a privatização da TAP não vamos vender nada da TAP. O que nós vamos fazer é ir ao mercado e convencer os investidores que têm os meios e as capacidades para jogar o jogo das nossas actividades empresariais para trazerem os seus capitais para dentro da TAP. Como vos disse há pouco a TAP vende um bilião e meio de dólares por ano, a tesouraria de resistência, de sobrevivência de uma empresa nunca deve ser inferior a um mês de vendas; um mês de vendas já é muito apertado, um mês de vendas corresponde a 120-130 milhões de euros. Nós não temos esse dinheiro, nós olhamos para a tesouraria e esse dinheiro não está cá; muitas vezes a tesouraria está a zero. Onde é que temos a possibilidade de aumentar o nosso balanço financeiro? Esse balanço vem da operação, mas a operação, se tudo correr bem, este ano irá atingir um valor à volta de umas dezenas de milhões de euros de resultado positivo. A este ritmo, oxalá o consigamos manter e talvez até subir, obter os tais 130 milhões levará anos. E nós não temos anos à nossa frente, quer dizer, nós precisamos muito de contar com dinheiro exterior, do Mundo financeiro; a TAP tem um endividamento razoável, mas que não é muito excessivo e se nós conseguirmos ter perenidade da operação podemos até aí, com alguma cautela, com alguma precaução, mas podemos ter algum grau de ambição. Serei naturalmente cauteloso nessa matéria mas isto representa portanto a minha justificação para uma necessidade de privatização. Essa privatização, neste momento o handling está em curso, depois de amanhã são abertas as propostas do concurso de privatização; as notícias que temos são agradáveis, vamos a ver se se confirmam na 6ª feira; estou, como os senhores imaginam com alguma ansiedade à espera dessa abertura de propostas, porque tenho a minha cabeça metida neste jogo, como os senhores imaginam e portanto oxalá corra bem; e a seguir, o que vamos fazer? A seguir nós temos que pensar que temos que dar à TAP não só a tal cara lavada para ela ser suficiente para os bancos se rirem para nós mas, tem que ter também a capacidade de fazer com que os investidores se riam para nós. E neste momento não estamos nessa situação. A TAP tem, ao lado de uma qualidade de serviço ao público invejável, parâmetros de produtividade modestos. É preciso melhorar os nossos parâmetros de produtividade e aí existe um mecanismo em curso numa reestruturação administrativa da empresa, o que não é nenhuma surpresa, visto que qualquer companhia da nossa dimensão já tem sistemas integrados de gestão conhecidos do mercado, a incerteza é mínima. Estão já contratados, neste momento está a iniciar a fase de implementação; levarão um ano a estar operacionais, mas em Janeiro de 2005 a TAP estará preparada com uma produtividade perfeitamente aceitável ao nível da concorrência. Essa produtividade, se aumentar, quer dizer que com as mesmas unidades de esforço nós fazemos mais, ou então para fazer a mesma coisa vamos poder ter menos unidades de esforço. Significa, portanto, que eventualmente este mecanismo vai libertar pessoas. Essa libertação de pessoas vai ser gerida de uma forma prudente e cautelosa porque, quando eu vos disse que tenho ou esforço-me para gerir esta TAP, e não uma TAP ideal que não existe, esta TAP também tem os sindicatos que existem e também tem as obrigações jurídicas que estão assumidas do passado da empresa e são imperativos que não podemos ultrapassar. Se eu não cumprir os imperativos dos nossos acordos de, digamos salariais e profissionais, os sindicatos vão para os Tribunais e ganham. E, portanto, não vale eu armar-me em Dom Quixote e andar a esgrimir com adversários que têm mais força do que eu. Essa realidade é para nós indestrutível. E não adianta estarem a romancear iniciativas conflituantes tentando arranjar problemas onde não existem. Nós não temos nenhuma possibilidade prática de fazer alguma coisa que não seja justa relativamente ao nosso pessoal. Portanto, somos limpos! Não porque sou uma pessoa melhor do que as outras; é porque não posso fazer, se eu quiser fazer marotice não podia fazer porque o tribunal condenava- me, portanto esses problemas não existem e se me permitem, estão aqui tantos ilustres jornalistas, ajudem-me nisso, evitem-me essas interpretações românticas ou emocionais, sentimentais de uma realidade que é perfeitamente limpa; a TAP faz aquilo que pode fazer, não se mete em sarilhos que vai necessariamente perder num tribunal. Portanto, o nosso pessoal que ao fim e ao cabo tem mais a perder do que a administração, porque tem ali o seu futuro, as suas reformas, a garantia de continuidade do seu emprego, deviam imaginar que são os primeiros a suportar a perenidade da empresa, eles são os primeiros interessados; obviamente que eu tenho um interesse profissional, mas eu não tenho 30 anos de TAP como a maior parte das pessoas que me rodeiam e que eu respeito muito por isso. Portanto, este esquema de privatização vai ser precedido de uma lavagem de cara, de um trabalho de arrumação interna que eu auguro ser proveitoso; leva algum tempo, vai ser feito com respeito dos equilíbrios de poder dentro da empresa e de forma nenhuma ele vai ter os tais chavões do amor e do ódio, dos cancros, das obsessões por resultados, é óbvio que nós temos necessidade de ter resultados positivos e uma palavra apenas para referir, enfim, uma observação que foi feita. Não posso deixar de pelo menos acusar a recepção embora não gostasse de a discutir, que é a tal ideia de que a TAP tem lucros à custa de resultados extraordinários. A TAP é uma empresa e, portanto, tem resultados operacionais, tem resultados financeiros, tem resultados extraordinários e deve contar com eles, não é nenhum pecado fazer ou completar o balanço com a intervenção de resultados extraordinários que de facto existiram. A gestão fiscal é uma obrigação da gestão das empresas; o facto de nós termos tido um perdão fiscal no Brasil, coisa que é muito importante, de 18 milhões de euros, isso faz parte da nossa gestão fiscal ou preferiam que nós pagássemos 18 milhões de euros desses impostos? Se conseguimos não o pagar é evidente que esse valor entra nas contas e deve ser observado pelos observadores criteriosos, objectivos, profissionais, dessa forma, se com isso nós conseguirmos ter um resultado positivo tanto melhor. Portanto, o mal não está em utilizar resultados extraordinários, o mal estará eventualmente em romancear sobre eles e pensar que isso é uma resultante da nossa acção; não é, a nossa acção tem de garantir para o ano resultados, ou este ano, que não conta com essas coisas que os economistas hoje chamam, já não é resultados extraordinários, mas são factos irrepetíveis. Os factos irrepetíveis são por definição irrepetíveis, não podemos contar com eles, portanto agora temos contado o que é perfeitamente normal. Eu só faço um apelo para que as pessoas que têm alguma consciência profissional interpretem os resultados de uma forma objectiva e verifiquem, portanto, até que ponto nós temos possibilidade ou não de assegurar perenidade à empresa, esse é o nosso objectivo, sem factos irrepetíveis: oxalá que nós tenhamos a sorte de haver um perdão qualquer de um encargo e portanto possamos melhorar os nossos resultados. É o nosso objectivo. Mas o que eu não queria era dar-lhes a ideia de que estamos radiantes por termos performances extraordinárias, as nossas performances são profissionais, temos dificuldades, temos problemas. Eles têm de ser resolvidos um atrás do outro, chamo-lhes à atenção que os objectivos, em termos económicos desta introdução de um sistema integrado de gestão e de um aumento de produtividade interna em particular do nosso “back office”, têm expressão nos resultados que neste momento estamos à espera; estamos a falar de resultados que podem ser superiores a dez milhões de euros ou mais, quer dizer, portanto, aqui está uma área onde nós podemos ter o tal resultado irrepetível à nossa custa e isso é positivo e naturalmente que damos uma grande importância. O Dr. Pilar também vai falar sobre a sua experiência na passagem pela TAP. O problema das Aljubarrotas, penso que o pior foi o de aproximar este problema com as menções de Aljubarrota, o que é um disparate. Hoje assinou-se, aqui em Lisboa, o acordo do mercado interno de electricidade, coisa que me deu uma grande satisfação, porque eu fui o lançador, em Bruxelas, quando era Comissário Europeu da Energia, do Mercado Europeu de energia, electricidade e do gás. Portugal hoje tem uma das primeiras realizações concretas do meu sonho e portanto fiquei, naturalmente, muito contente, e porque razão é que nós vamos fazer o mercado único de electricidade com os espanhóis, só porque eles estão aqui ao lado, ninguém escolhe os seus vizinhos, os espanhóis estão cá há muito tempo e vão lá ficar. Toda a nossa vida vamos ouvir matraquear diariamente o problema da ameaça espanhola. Os espanhóis são inevitáveis, estão cá. Eu não tenho uma particular pendência para me pôr naturalmente numa posição de subserviência relativamente à Ibéria ou relativamente ao HUB de Madrid, mas esse problema tem de ser visto com uma grande objectividade. Até lhe digo que possivelmente isso é um raciocínio puramente qualitativo mas que mostra uma ideia; eu não sei se nas alianças europeias onde vamos achar maior complementaridade não será numa empresa que domina o HUB de Madrid. Se não deveria, em princípio, ser mais inteligente procurar HUB’s mais distantes. Madrid será sempre para nós uma ameaça! Ameaça comercial… ameaça não é nenhum defeito. Hoje contavam-me ao almoço que uns senhores gostam de ir para o Brasil, em vez de irem no voo da TAP que é de dia vão a Bruxelas, vão a Madrid apanhar a Ibérica que é de noite; isso acontecerá sempre! Há pessoas que gostam de viajar de noite. Deixem os ir! Não tenho nenhuma intenção de cortar essas possibilidades, temos de viver com isso, temos de viver com as “AIR LUXOR”, temos de viver com as “low costs” todas que vão crescer! Partilho da opinião do Sr. Comandante Sousa Monteiro, o transporte aéreo comercial vai crescer! A nossa esperança é que cresça o suficiente para que nós consigamos também crescer e possamos viver com um mercado que é diferente do de hoje; um mercado mais diversificado; os “low costs” estão a criar uma forma nova de viajar. Há muita gente que nunca pensou viajar de avião e que hoje viaja nos “low costs”. E a companhia tradicional aérea que somos nós, tem de encontrar o seu espaço, mas temos que nos adaptar. Eu não sei se hoje há por exemplo, coisa que a TAP ainda não decidiu, e não faz, uma redução, digamos do nível das refeições servidas a bordo. Hoje nas companhias de bandeira começa a ser visível uma tendência de baixar o custo das refeições servidas a bordo. Isto é uma cedência às “low costs”, isto é uma iniciativa, digamos comercial, evidente; precisamos necessariamente de aumentar a nossa produtividade e portanto isto terá que ser feito com o cuidado suficiente para que a percepção pelo mercado não atinja o respeito pela nossa qualidade; temos pois de arranjar forma de compensar, se essa for a solução, coisa que para mim ainda não é certo. Se essa for a solução, ela tem de ser compensada com actividades que tornem a companhia apetecível, porque nós não podemos forçar ninguém a vir pela TAP. Cada vez mais vão aparecer companhias alternativas. Vamos, com certeza, acompanhar os acontecimentos, os tais irrepetíveis, como o Europeu de futebol. O Europeu de futebol é uma coisa interessante, mas ele não é vital para a TAP, ele é vital para o aeroporto. As nossas linhas não podem ter mais de 100% de ocupação. Nós não temos mais aviões, neste momento já temos aviões ocupados até ao limite. O que nós podemos ganhar com o Europeu de futebol são, digamos, alguns dígitos de percentagem; não é uma solução vital. A TAP tem naturalmente de acompanhar. Esta semana vai ser apresentado o avião pintado com os símbolos do Europeu de futebol. Nós vamos fazer propaganda pelas linhas europeias com um avião, enfim, decorado a propósito, mas a nossa, digamos a nossa execução da nossa missão, e termino com isto, deve ser observada objectivamente, sem emoções, sem romance! Somos aquilo que somos! Temos os defeitos que temos! Tentamos melhorá-los até à medida do possível; mais do que isso não nos peçam porque milagres nós não sabemos fazer. Agora, vejo na TAP saídas. Há com certeza áreas onde a nossa produtividade pode aumentar significantemente e portanto aquela ideia de perenidade, no meu entendimento, é possível. Muito obrigado. (palmas) Moderador Dr. Norberto Pilar, se faz favor. Dr. Norberto Pilar Muito obrigado. Boa tarde. Não me peçam para falar mais alto, é que me deram cabo do meu discurso como já é hábito. (risos) Lembram-se de um Deputado ligar para o Dr. Mário Soares e dizer assim “tinha aqui o meu discurso preparado, mas o Sr. Presidente baralhou-me, de forma que já não importa”. (risos). Agora vamos aqui fazer outro esquema. O que a TAP não é e o que a TAP vai ser depois da privatização. O Sr. Engenheiro disse que falta dinheiro, o Sr. Comandante outro tanto, mas não disseram tudo o que falta. Falta qualquer coisa mais. Bom, uma observação; eu estou desactualizado. Eu saí de lá há um ano e, suponho, 4 meses. É muito tempo, vertiginoso. E como é meu hábito nestas ocasiões não estudo mais aquilo de que me afastei. De qualquer maneira, a ligação carreirística que tive lá há 3 anos e picos… e bem, não podia recusar uma solicitação da Direcção desta Ordem de que eu sou membro do Conselho Geral, com muito respeito. De qualquer maneira as conversas que eu assisti até agora não foram uma provocação, mas estimularam. Foi uma experiência rica, a TAP. A TAP é uma experiência rica. Não é a empresa paralisada, com muita coisa errada, e que está a passar por um período de transformação que demora uns anitos, suponhamos, são 2, 3, 4. Os temas, hoje aqui, para quem se preocupa com a gestão vou citar. Foi uma ocasião para delinear um programa de recuperação com cabeça, tronco e membros; fez-se. E iniciou-se, que era condição essencial para abordar a ideia de privatização-aliança. A empresa não estava em condições. Foi um processo bem urdido! Fez-se e está a prosseguir, percebo-o que sim. É um caso digno de nota! Nós vivemos em plena condição de estar privatizados e aliados com um novo sócio. É isso que dá lugar a que se diga, eu tomei nota, de que havia excesso de poder da Swiss Air; não senhor! Recuso a maledicência! Foi um período de aprendizagem notável, rico para a própria TAP. Nós ganhámos em matéria de fazer melhor o “pricing”, aprender a fazer melhor o planeamento do trabalho dos pilotos, depois que se encomendou um estudo chamado “Compass”, o que nós aprendemos a fazer melhor de delineamento de rede, que é a chave de um problema, que é o produto, o que é que uma companhia de aviação vende? Vende rotas, horários, voa daqui para outra cidade, voa tantas vezes por semana a estas horas, com aviões deste tamanho, com tantos executivos e tantos da outra. Este é o produto, é a chave do problema, é esta rede. O que nós aprendemos com a Swiss Air, durante aqueles meses em que eles estiveram de braço dado, nessa matéria notável, não se ganhava de outra maneira. Qual poder, qual nada, somos pessoas higiénicas, a administração era a administração, os suíços eram os suíços; fomos nós que os convidámos a participar na vida da empresa para nos habituarmos a viver com eles e para eles se habituarem a viver connosco, nunca houve confusões nenhumas, quais poder, qual nada! E depois houve outra maledicência, mas eu aí nem sei falar, que era o problema das reservas “ai que eles invadiram-nos e roubaram-nos o ouro”, ignorância informática, não sei dizer disto mais do que isto. Uma grande experiência forte. E vivemos o que é ensaiar e iniciar uma aliança, que é uma espécie de período pré-matrimonial, que em matéria matrimonial não se pratica, mas em matéria empresarial pode-se praticar e foi muito educativo para nós, a empresa ganhou com isso. Ensaiámos também outra coisa importante, o novo modelo de “governance”. Houve outra coisa finíssima, que é como se escolhe um parceiro, nós não sabíamos, nós estávamos lá ainda há pouco tempo. Lembro-me de ainda falando com o Ferreira Lima, ele andou a namorar a KLM, não fez caso nenhum dele. Às vezes acontece. Com a KLM deu-se isso, sumariamente! E fomos namorados pela AIR-FRANCE. Como é que a gente escolhe entre a AIR-FRANCE e a Swiss Air? Atenção, há métodos para isso. Quantificados. Notável. O que nos permitiu dizer, por exemplo quando estivemos com a Swiss Air. São casos interessantes. A TAP foi teatro de casos que permitem fazer uma espécie de “case study”, para um grau superior, para um mestrado! Não digo um doutoramento. Há uma coisa que é preciso perceber- se. O transporte aéreo tem para nós todos, os menos jovens, implicações românticas; era um negócio de encanto! Lembram-se daquele tempo? Era os pilotos-românticos; tenho um irmão que também é piloto! Recordo-me da 1ª vez que andei de avião, serviram-me champanhe; estava nas nuvens! Muito agradável! Um negócio de encanto! Quando eu chego à TAP, o negócio é danado! Lutar contra os custos! Tão mal, tão antipático, tão desistimulante como qualquer coisa, como correios, como transportes marítimos, como camionagem; o que quiserem! É como fabricar vidro; não tem nada de diferente! Eu agora descaio-me, mas já houve um tempo em que o transporte aéreo era “sexy”, hoje já não tem nada disso! É um negócio danado como os outros! Até tem sindicatos! (risos) A competição em matéria de preços é uma coisa irritante, degradante mesmo. A TAP, dizia o Gomes Mota, está num negócio danadíssimo e é tudo um nojo! Mas depois os competidores fazem o mesmo! A que é que se resume? Aos preços! Os combustíveis são outro adversário terrível! A volatilidade de certos custos, cujas taxas de câmbio dão cabo do negócio; está tudo bem! De repente dá uma coisa lá àqueles senhores que se reúnem na Áustria, na Venezuela; umas vezes dá-lhes para baixar o petróleo, outras dá-lhes para subir o petróleo! A nós calhou-nos dançar com a mais feia! Conclusão: fomos visitados pelo presidente da IATA, um parceiro que era uma sumidade, sabia de tudo em todo o Mundo! E depois é que ele nos explicou; travem lá a ANA! A ANA de Buenos Aires, está a dar cabo do transporte aéreo argentino, não vão pelo mesmo caminho! E explicou mais uma coisa, que os observadores saberão; que é, bolsas - a bolsa no fundo, é um tabuleiro onde se apreciam as performances de vários sectores dos negócios. Onde é que está o transporte aéreo? Deve estar no fundo da 3ª divisão! Rentabilidade nos capitais investidos no transporte aéreo é um dado de 3ª ordem! Não é o tal negócio encantado! Isto é uma síntese tremenda! É este o negócio do transporte aéreo! Esta foi uma boa lição que apanhei naquele dia! É um negócio não brilhante, pouco interessante. É um negócio que supõe um accionista como o Estado; que não exige remunerações de capitais investidos! Mas é um negócio interessante, não é somente aquilo que se pensa! A TAP como um negócio não existe; são três negócios com mercados completamente diferentes! E obrigados a alianças com parceiros que pouco têm a ver uns com os outros! Hipótese de aliança; o “handling”, com a service air; também mexem em bagagens, em volumes, com aquilo tudo, é uma central de correios, é um negócio. A manutenção é outro negócio. Como aliado quem teríamos? Uma General Electric, uma “não sei quantas” francesa, porque fabricam os motores, porque as companhias de aviação não precisam de motores, precisam é de aviões a voar! E o que elas contratam é alguém que lhes ponha os aviões no ar, é a energia! O que é que isto tem a ver com transporte aéreo? Com o nosso conceito de pilotos, de passageiros? É uma engenharia elaboradíssima e ter um monte de motores bem apetrechados permite que, quando houver um que dá sinal de avariado, monta-se logo lá outro! Isto é uma outra profissão. O aliado é a General Electric, parece-me. O aliado para o transporte aéreo é outro, é a AIR FRANCE, é a IBÉRIA, foi a Swiss Air. Enfim, são três mercados, três alianças obrigatórias; portanto não vale a pena pensar na TAP unitária. A TAP já não é o que era. Mudou! E a TAP iniciou uma mudança cultural! Mas só um parêntesis; os 180 milhões de contos que foram para lá à volta de 92, 94, o dinheiro não voou. O dinheiro nem passou pela TAP! O dinheiro foi directo para os credores! Era um balanço desequilibrado; equilibraram-lhe o balanço! Não voou; tinha voado ao longo de muito tempo; digamos dos anos 70 até aos anos 90. Portanto não era culpa do presente. Não era, toma lá 180 milhões e agora safa-te! Era; vou-te equilibrar o balanço, para fazer justiça à história! É uma empresa política? É, estou de acordo! O problema não é estruturá-la no sentido de, estamos condenados a ter custos, errados e irracionais! Não senhor! Os últimos 3 anos provam que a empresa é regenerável! Falar no pacto; foi a última do 1º Ministro! Aproximou-se das entidades patronais e sindicais, vamos fazer um pacto. Esse também é um romance meu! Ah! Tanto que eu gostava! Porque será? Conjugar pactos, conjuga ele desde miúdo. Confessou-me um dirigente sindical que nós no ano passado forçámos os aumentos salariais. Esta empresa não dá para isto! Um aumento de 8% naquele tempo, há 8 ou 6 anos. Podia lá ser! E ele diz; acho que exagerámos um pouco! E estávamos em pacto, os dois a entendermo-nos! Não passou disto. No ano seguinte, se fosse possível, eles iam buscar outros 8%. Por que é que não há pactos laborais em Portugal? Porque não estamos maduros para isso! Por que é que não há pacto na TAP? Há lá um pacto que está a funcionar. Há lá, de uma certa maneira, paz social, há congelamento de salários e não houve mais agitação. O pacto existe! É preciso é saber lê-lo! Afastar a folhagem e ver o pacto! Ninguém o confessa mas ele estava a funcionar. Esta, eu descobri agora. (risos) Eu ia citar, estava na Lisnave, porque é que lá não há pacto? O Dr. Álvaro Cunhal disse que perder o controlo laboral da Lisnave era pior do que perder a câmara de Almada. De maneira nenhuma. Como é que a gente faz um pacto na Lisnave? Eu estava lá, e lembrou-me de que havia um dirigente sindical muito inteligente, muito evoluído nos correios, nos TLP, e convidei-o para almoçar e ele disse-me: - “há-de nascer uma nova geração de dirigentes sindicais, para que se criem condições para isso”. Na altura fiquei arrumado, não fiquei satisfeito; mas é um depoimento, é um sinal de que não estamos maduros para isso. No entanto, ele vai subindo! Se se olhar para a TAP, ela cresceu espectacularmente no Brasil. Têm posição dominante, e depois olha-se para os resultados apresentados, os resultados são positivos mas no Brasil não. Bom! E têm-se vivido lá com congelamento de salários, tome-se nota! Falando na Ibéria, eu queria dizer naquele tema das alianças, há uma vez em que o suíço, disse-me assim: - “ fui abordado pela Ibéria para estabelecer uma aliança parcial connosco, voltada para Leste. E não quis fazer nada sem lhe dizer. Penso que isto não tem impacto negativo nenhum”. E então lá fomos fazer testes, estudar bem, qual o impacto da Ibéria aliada aos suíços? No fundo é este o problema; será aceitável pôr a Ibéria na lista de possíveis aliados? Em Portugal, nem se fala disso. Os políticos são de um nervosismo terrível quando se fala na Ibéria! Temos de pôr esta hipótese tranquilamente, aos “neuróticos”, sem complexos. Não recomendei a Ibéria! Não ponhamos, somente, “ab início”, a Ibéria de parte como parceiro estratégico! O Sr. Comandante é estimulante. (risos) Falando na ATLANTIS, hoje a TAP tem uma “filha”, que é uma charter, que foi uma preocupação terrível, depois fiquei aliviado, tinha chegado o brasileiro e disse, estude- me lá isso, veja lá se isso se safa. Estávamos inquietos com o diabo da YES, passou, e depois disse: “eu assumi-las, nem pensar!” E o sócio privado, que era a Agência Abreu nunca mais nos chateou. Ano antes a TAP já tinha tido uma charter, que era a AIR ATLANTIS, que depois liquidou e houve processos nos tribunais, pois todos eram empregados da TAP que tinham sido colocados naquela empresa e veio tudo cá para fora. E o Sr. perguntou, se não há previsões? Eu acho que há previsões. Na TAP faz-se previsões para tudo. É assim que apareceram estes 3 milhões e meio do Brasil, estavam lá feitas. Eu quero dizer, na altura havia provisões para contratos de trabalho, para contencioso laboral, e é positivo dizer isto, esquadrinhou-se tudo, caso a caso, para ver se se justificava manter aquelas provisões, porque era preciso fazer esse jogo. Então qual era taxa de sucesso dos advogados da TAP? 90% ou mais! Fiquei espantado! Se um trabalhador, despedido, castigado ou suspenso vai para tribunal, a TAP tinha tido mais de 90% de sucesso nesses casos! Um espectáculo! Mas, eu bem sei que era uma miragem. Moderador Dr. Norberto Pilar, chegou aos seus últimos cinco minutos. A seguir vai haver o debate. Dr. Norberto Pilar Ó diabo. Onde é que eu vou? Bem, acho que já limpei a TAP. Relativamente ao Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha, estou plenamente de acordo; a prioridade na privatização e o mau accionista que o Estado é. O Dr. Cadilhe disse-me, um pouco depois de sair, que o Estado é cego e bronco como accionista. Não é surpresa para ninguém. Eu tenho uma experiência larga de relação com acções do Estado. As condições, por vezes, não são homogéneas. Não digo tanto, mas é preciso evitá-lo! É preciso que o Estado vá às Assembleias Gerais e tenha o mínimo de ideias originais. O Estado, por intermédio do IPE, já foi um accionista racional, já o foi. Não vale a pena dourar, ou melhor, azedar mais esse problema, o Estado como accionista. E só fiquei agarrado a um ponto anterior; a falta de dinheiro. Isso não é verdade, faltam muitas coisas. A recuperação está em curso. Passava por consolidação financeira e económica e este ano se se verificarem aqueles resultados, mostram que estão no caminho. Há um processo de actualização cultural, que está em curso; a estrutura mudou e mudou muito! A geração que dirige a empresa por baixo, a dos directores, é outra, do que aquela que lá estava e que naquela altura saíram. Agora há coisas a fazer: 1ª) O contrato de trabalho na TAP é irracional. Houve um esforço para modernizar quadros. Não deu com nada. Ainda não chegámos àquela nova geração de sindicalistas, por isso tem de ser com os antigos. Meu amigo, assinem aquele contrato! Mesmo que ele fosse completamente incompatível com a empresa que tem de voar, é aquele que tem de ser! E aquilo é um travão terrível à renovação cultural que aquela empresa precisa e que está em andamento. Atenção, que saíram de lá, segundo aquele processo de programa social, 800; o que já é uma grande mudança. Há uma palavra modernização, outra recuperação que é o reequilíbrio financeiro; e depois há palavras permanentes como renovação e como modernização. Actualização cultural, a mudança! Isso é um processo permanente! Além de dinheiro, falta também isto! Isto tem de continuar! Há outra palavra-chave que é o saber; encontrámos a empresa atrasada em matéria de saber! As empresas em Portugal estão todas atrasadas nessa matéria! E é o saber, interiorizado no sentido de mudança cultural e modernização. O valor de uma aliança; quando falámos com os franceses eles disseram-nos: o transporte aéreo é uma actividade “high-tech”. Para mim, que sou rústico, que é isto? Mas tenho uma ideia! “High-tech”, quando eu percebi o que era preciso para fazer funcionar bem o “pricing”, que é, recruta lá matemáticos, e não é economistas. Depois foram à Suiça e vieram a saber fazê-lo melhor. O delineamento de rede; a gente nem fazia ideia. O contacto com os suíços permitiu-nos dar um passo em frente; o conhecimento e o saber são vantagens das alianças. Não é apenas uma aliança comercial que nos permite vender aqui e ali uns bilhetes, e, portanto quem mais vendia transporte de longo curso aqui era a Lufthansa. Temos de ter ali um aliado. Era o “high-tech”, depois fazemos em conjunto a frota. Bom, “high-tech” porquê? Para aproveitar as oportunidades da informática na gestão das rotas e das linhas aéreas. Tendo em conta os sinais que vejo, acredito que a TAP está a prosseguir estes projectos todos, e que está em condições de dentro de pouco tempo abordar a escolha de aliados e a escolha de um parceiro que seja accionista, decorrente da privatização, que seja positiva. Oxalá! E com esta me retiro… (palmas) Moderador Muito obrigado a todos. Abríamos agora o espaço para questões da audiência. 30 minutos. Vamos então começar; eu pedia às pessoas que se identificassem. Pergunta Antes de mais queria cumprimentar o Presidente da empresa em que trabalho, neste caso agora, diria antes, do grupo, porque eu já não trabalho na TAP, pertenço à SPDH. Mas, pertença portanto do grupo TAP, acho que estou a ser objectivo. Também gostava de cumprimentar o Dr. Norberto Pilar e a sua maneira de colocar efusivamente as questões. Cumprimentar o moderador da mesa e também o meu colega, o Sr. Comandante Sousa Monteiro. Dito isto, eu pedia para desculparem estar aqui na presença de economistas, eu não sou economista, peço perdão eu não vou falar em economia, posso falar em “economês”, mas dar também algumas ideias da experiência que tenho da TAP. Tenho 32 anos de TAP e há algumas coisas que desculparão, de uma forma popular ou populista, como quiserem ler, que me fizeram algumas “borbulhas”. E algumas foram corrigidas. A 1ª é aqueles malfadados 180 milhões que entraram na TAP. Eu acho que, de uma vez por todas, devia trespassar para a sociedade que não entraram 180 milhões na TAP. Aqui haverá muitos economistas, e depois o Dr. Norberto Pilar corrigiu, houve a assunção de algumas responsabilidades. Não é a mesma coisa que entrar dinheiro fresco, fiquemos claros nisto, não entraram 180 milhões de contos na TAP, nunca! E se tivessem entrado, ainda tínhamos de fazer bem as contas das indemnizações compensatórias, etc, que também nunca foram feitas, portanto este aspecto, quando eu ouço isto, faz-me algumas “borbulhas”. Depois o Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha referiu a questão da lei europeia referente à questão da privatização do “handling” v.s. segmentação do mesmo. Também desculpará, não estou de acordo na perspectiva em que é apresentada. Se é verdade que a directiva comunitária obriga a que não possa haver dois parceiros, portanto digamos institucionais, neste caso, estatais, nada obrigava a que fosse a TAP, ou seja, haveria um que teria de desaparecer, e este é um conflito que nunca foi bem dirimido, porque aqui se poderia pôr a questão de porque é que a ANA não alienou 11% do seu capital na “portway”, ou seja, a ANA serviu de trampolim a uma empresa estrangeira, neste caso a FRAPOR, para entrar no “handling” sem concurso, porque enquanto se mantiver esta situação a “portway” jamais terá de concorrer, e a SPDH, tem de concorrer. Portanto não é liquido, ou seja, esta questão do cumprimento da directiva, como nós dissemos em muitos fóruns, é porque é que tinha de ser à custa da TAP, mas isso era a questão da privatização, da segmentação, para só clarificar esta situação. Também o Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha e, com o devido respeito, como compreenderá, tocou aqui, um ponto sobre a produtividade da TAP. Eu permito-me discordar. A produtividade na TAP é, segundo números oficiais do accionista, porque gosta muito de apregoar este termo, é bastante alta em relação à média nacional. Isto são números incontestáveis! Depois fala-se aqui muito desta questão; às vezes trespassou aqui, não sei se li bem, que a culpa é dos sindicatos que temos, é dos contestatários… desculparão mas eu também estou aqui na qualidade de trabalhador da TAP, individualmente, e isso é uma questão de quem publicitou este fórum. Mas enquanto representante sindical quero dizer o seguinte; orgulho-me dessa condição, e enquanto representante dos trabalhadores de terra, e se distingo entre os de terra e os do ar, não é para criar um conflito, mas para salientar que há situações diferentes e até bastante objectivas, que os Senhores, quer o Dr. Norberto Pilar enquanto ex- presidente e o Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha como actual, conhecem exactamente. E são questões diferentes. Portanto os sindicatos de terra têm tido uma postura, quando aqui se fala, Dr. Norberto Pilar, pacto, há para ali um pacto, eu gostaria de dizer uma grande responsabilização dos trabalhadores da TAP e dos sindicalistas da TAP, porque têm conseguido desde 1994, que esses trabalhadores não tenham aumentos salariais. Isto é, têm dado um contributo para a recuperação da TAP e também deixe-me dizer com muita frontalidade, a gestão que tem passado pela TAP, tem sido um bocado madrasta para o pessoal de terra e esperemos que, enfim, agora com alguma recuperação, e com o nosso contributo, a situação se possa reverter. Eu diria, para acabar, a privatização da TAP é uma ideia que nos pode levar longe na discussão. Enfim, são decisões políticas, há que acatá-las. Do meu ponto de vista estou de acordo com uma ideia que aqui foi referida, a perenidade da companhia, acho que sim! Estou bastante interessado nessa perenidade. E, copiando o Dr. Norberto Pilar, dizia que na TAP, com uma grande graça, que era preciso “alindar” a noiva para o casamento. Era uma expressão sua. Mas veja lá também se acautela o divórcio. Que por vezes também os há! Do nosso ponto de vista, o divórcio não foi bem acautelado e ainda hoje estamos a pagar algumas coisas. A minha pergunta é se em relação à privatização v.s. segmentação, do meu ponto de vista não é esse o melhor caminho, mas respeito-o, mas é se nestas segmentações estaremos a acautelar o futuro do grupo TAP, se o posso dizer, ou se quando dermos conta, segmentamos, partilhamos e não existirá nem TAP, nem qualquer empresa. E deixe-me dizer isto, eu não sei se sou pessimista, mas estou muito desconfiado que estas segmentações vão levar à destruição de um património que eu ajudei a construir e que me vai entristecer muito. Se assim não for ficarei contente. Muito obrigado! Cavalheira Antunes A questão que eu queria pôr é se há algum estudo de eventuais sinergias que possam existir de uma possível fusão do sector de manutenção da TAP com a OGMA por exemplo. Dr. Fernando Gonçalves Em 1º lugar para agradecer ao colega Sousa Monteiro e ao Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha as suas boas intervenções. Está claro que muito diferentes. Uma mais envergonhada, do colega Sousa Monteiro a defender a nacionalização, e a do Engenheiro Cardoso e Cunha a defender a privatização. Deixo 3 perguntas. A 1ª é dirigida ao Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha, e a pergunta é textual, como ele diz: com a privatização da TAP não vamos vender nada. Gostaria que traduzisse esse não vamos vender nada. Traduzir para um economista Sr. Engenheiro. A 2ª pergunta é porque razão, sendo a privatização a parte final de um processo, que vem da nacionalização, que é a parte inicial, porque é que não se diz desnacionalização em vez de privatização. A 3ª pergunta, tanto o Engenheiro Cardoso e Cunha falaram muito em partidos políticos, mas nós economistas sabemos que os partidos políticos são os que são determinados por interesses económicos, portanto que interesses económicos estão por trás deste partidos e das suas acções. Pergunta Eu queria pedir a palavra para esclarecer a questão do PESEF, porque eu na altura era director financeiro da empresa, e, se eu faltar à verdade está aqui o Dr. Eduardo Farinha que na altura era administrador. Portanto o que eu queria dizer era o seguinte. De facto houve uma negociação com Bruxelas em 94, começou em 93, para se fazer uma injecção de capital na TAP, de 180 milhões de contos. Bruxelas autorizou isso como uma operação de saneamento financeiro e portanto, o dinheiro deu entrada na empresa mas só lá ficava o tempo suficiente para liquidar as responsabilidades vindouras. Mais nada. Absolutamente mais nada! Portanto para esclarecer o que é que aconteceu aos 180 milhões. E esse dinheiro entrou entre 94 e 97; tanto quanto eu me lembro é a verdade das coisas. Se alguém o duvidar há os números que o demonstram e o parecer da Comissão das Comunidades que diz textualmente como é que foi feito e qual era a finalidade a que se destinavam os 180 milhões de contos. A outra questão era relativa às provisões. Eu fui director financeiro da empresa nessa altura, saí de lá em 96, e deixei cerca de 6 milhões de contos, naquela altura, de provisões em excesso, aliás havia pareceres dos auditores externos que diziam que havia excesso de prudência na constituição de provisões. Hoje em dia essas provisões foram todas à vida. Todas! Não há nada! Absolutamente nada! Aliás eu estava a ouvir o Comandante Sousa Monteiro sobre a questão da AIR ATLANTIS e devo-lhe dizer que é uma preocupação que eu também tenho, porque, de facto, aquilo é uma irresponsabilidade. Agora há uma questão que é esta: o Sr. Engenheiro falava nas provisões, falou também na provisão do Brasil, mas também são conhecidas as dificuldades que a TAP tem em gerar “cash flow”. Ora bem, a anulação da provisão do Brasil não lhe mete dinheiro em caixa. Portanto, isso significa que a recuperação da empresa é uma recuperação q.b. Digamos, será que é correcta a minha leitura? Há ou não há, digamos… o Sr. engenheiro aqui há tempos, não falou em contabilidade criativa, mas falou numa coisa do género, há ou não há contabilidade criativa que permita que os números sejam apresentados, digamos, à maneira? É esta a questão que eu lhe gostava de por. Abílio Vilariça, economista O Sr. Presidente da TAP referiu que o sistema bancário deve atender à dimensão das empresas e ao risco do negócio das empresas. A questão que se coloca é: presentemente a TAP beneficia do facto de ser um operador público e tem uma estrutura financeira, tanto quanto eu sei, desequilibrada, acho que tem prejuízos e portanto em termos de riscos ela é objectivamente uma empresa de risco. Ou seria se não fosse o “guarda-chuva” do Estado. A questão que se coloca é em face da privatização como é que a empresa vai melhorar, ou seja, minorar o risco. Porque a dimensão continua a mantê-la e eventualmente crescerá. E a pergunta, a 1ª pergunta é se afinal a TAP tem condições para ser rentável, e se já há fundos para reconstituir uma situação financeira equilibrada e manter um grau de solvidade adequado e 2ª pergunta é, se assim é, porque é que desde 1975 a empresa tem andado nos jornais sempre pelas mesmas razoes que nós sabemos, então porquê é que se ela tem condições para ser rentável porque é que não o foi antes? Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha Muito brevemente, aquele 1º senhor, reparei que disse várias vezes “nós dissemos”, mas quem é esse nós? A posição que tomou é uma posição colectiva? Orador da 1ª pergunta É que se referiu aqui muitas vezes aos sindicatos, esse nós. Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha Eu queria clarificar aqui muito rapidamente, e penso que vai ficar satisfeito com a minha explicação. Eu quando referi que a TAP tem estes sindicatos e não outros, não quero com isso dizer que estes sejam maus; estes são os que temos! São os melhores possíveis! São os que os nossos trabalhadores elegeram. Agora eles têm características próprias. Dentro da minha aproximação, não romântica, estes sindicatos têm uma influência decisiva, não estou a dizer se boa ou má, na gestão da empresa. Eu preocupo--me seriamente com as reacções que os sindicatos possam ter às nossas medidas; não tenho medo deles! É porque eles são um elemento da decisão. E, portanto, quando eu disse que são estes os sindicatos que temos não estou a ser pejorativo. Estou só a dizer que eles são elementos essenciais e existentes; são aqueles que temos. O problema da ANA e da privatização foi amplamente discutido na altura, as razões são técnicas, compreendo, o Sr. não ficou satisfeito ou não ficou convencido mas esse problema já não está em discussão. Digo-lhe apenas que as razões que levaram a esta opção pela privatização da unidade de “handling” e não da “portway” são razões objectivas e na altura foram profundamente discutidas. Quando o Sr. diz que a TAP tem níveis de produtividade incontestáveis eu permito-me, compreendendo a sua apreciação um pouco romântica, a TAP não tem níveis de produtividade incontestáveis. A TAP tem, objectivamente, um problema que não é defeito, é de feitio, nós não podemos querer mal às pessoas por serem assim mas penso que nos enganamos a nós próprios se imaginarmos que com 8500 trabalhadores e com 40 aviões nós temos possibilidade de ter um futuro numa secção mundial de transporte aéreo onde essa relação é completamente diferente. Portanto a produtividade é claramente a definição da quantidade de esforço para se obter um resultado. O nosso resultado é fazer voar 5 milhões de pessoas. Com esse objectivo nós temos uma unidade de esforço que se mede em 8 mil e poucos trabalhadores. É muito! Temos de tentar de uma forma consciente e dentro das regras existentes, com o respeito pelos sindicatos, com o respeito pelos acordos de empresa, não estamos aqui a fazer nenhuma revolução, mas é preciso que todos tenhamos a consciência de que esse objectivo tem de ser perseguido. Penso que fui claro. O Sr. diz que se a segmentação assegura o futuro da TAP porque razão a unicidade não a assegurava? No meu entendimento, e dedico a isto uma parte importante do meu tempo, e estou nisto de alma e coração e com uma postura honesta, a TAP se não fizer brilhar as suas jóias internas, e o Dr. Pilar foi claro quando referiu que os nossos negócios, os três negócios chave, a “hotelaria do handling”, a engenharia da manutenção e os aviadores dos transportes aéreos, que são de facto negócios completamente diferentes. De facto, se nós não pusermos cada uma dessas unidades e refiro-me particularmente neste caso ao “handling” e à manutenção de engenharia, são actividades que dentro do esqueleto da TAP têm o seu futuro ou a sua visão do exterior de certa forma ofuscada pelos resultados, que não têm sido brilhantes, oxalá consigamos melhorar, da parte fundamental que é o transporte aéreo. É, penso que a saída para o labirinto onde estamos, a valorização das potencialidades internas que têm tudo a ganhar se lhes dermos capacidade para andarem sozinhos, as possibilidades, digamos, manietá-las dentro de uma actividade fortemente condicionada ao negócio TAP é limitá-las! O “handling” nunca teria ganho o concurso de Marrocos se não tivéssemos cindido a unidade de “handling”, não haja dúvidas disso! Eu confesso que para mim, foi uma sorte. Quando nós fomos ao concurso de Marrocos, para já, a TAP não tinha perfil financeiro para ser admitida. Nunca podíamos ganhar porque nem sequer íamos a concurso; fomos a concurso e por uma sorte formidável ganhámos! Isso foi uma consagração da opção tomada em segmentar o “handling”, a TAP-HANDLING, que vai, oxalá o futuro não me desminta, ter capacidade não os 5 ou 6 aeroportos nacionais, mais os 4 marroquinos, mas uma quantidade muito grande de aeroportos internacionais, onde nós vamos estar porque temos hoje condição para estar. Isso dá uma garantia. O Sr. é funcionário do “handling”, isso dá-lhe uma garantia pessoal e para os seus colegas, que os outros seus colegas da engenharia e dos transportes aéreos não têm. Se acontecesse uma catástrofe, que eu espero que não aconteça, estavam no dia seguinte aviões de todas as proveniências para levar os passageiros. Quem realmente corre riscos é o transporte aéreo. O “ handling”, assistência de passageiros, na placa, etc, é sempre necessária sejam aviões da TAP, sejam aviões de outra origem qualquer. Essa opção que tivemos é uma garantia para a sua posição e para a dos seus colegas. OGMA e manutenção de engenharia. Trata-se de uma aproximação na qual a TAP está claramente interessada. É uma aproximação estratégica, não é uma aproximação puramente económica. A TAP tem de ter o cuidado suficiente para que às unidades de Alverca se garanta a perenidade nessa ligação. E portanto estamos de facto claramente interessados numa associação com as OGMA. Obviamente em ligação com as ideias do accionista, que por acaso é o mesmo, em privatizar as OGMA, operação em que queremos participar. Espero, empenhadamente, tal como no “handling”, que consigamos essa união. Era mais uma confirmação de que as secções da TAP têm capacidade isolada de crescer muito em particular se tiverem unidades de comando. Quando eu disse que na privatização da TAP não se vende nada, lembrava- me de que quando se falou na privatização do “handling”, dizia-se que o íamos vender. E foi preciso encontrar uma expressão que demonstrasse que nenhum activo da TAP saia do universo TAP. Aquilo que acontecia era a entrada de recursos financeiros exteriores em troca de uma participação diminuída da TAP-SGPS nesses negócios. No caso do “handling” a obrigação comunitária levou-nos a considerar uma privatização a 51%. Essa situação não acontecerá em mais parte nenhuma; a TAP não prescindirá do comando das operações em mais parte nenhuma da sua actividade. Não é preciso às vezes ter 100% dos negócios para os comandar. No caso do “handling”, o concurso foi feito com a precaução inscrita no caderno de encargos, que aliás foi amplamente discutida com os representantes dos nossos trabalhadores de um acordo para-social entre a TAP e o novo accionista para que os direitos dos trabalhadores da TAP não fossem postos em causa e para que a TAP continuasse a ser o principal cliente dessa estrutura e tivesse uma influência decisiva nas decisões empresariais. Era isso que significava “não vamos vender nada”. Se o senhor acha que desnacionalização é um melhor termo que privatização, seja. Não estamos aqui a discutir terminologia. Partidos políticos e interesses económicos. Esse problema extravasa a nossa discussão. Certamente compreendem que nós temos atenção à vida política do país onde vivemos. E as contingências da política nacional têm influência numa empresa que é claramente dominada por esse Estado. A TAP sofreu, as contingências de alguma instabilidade política desde 74 até hoje. É assim. Não temos nenhuma forma de alterar essa circunstância. O Sr. tem totalmente razão. O PESEF, completamente de acordo. O Dr. Pilar já o tinha dito. Compreendemos, portanto, que esse dinheiro serviu para pagarmos dívidas existentes. É ao fim e ao cabo uma despesa que teve de ser feita; infelizmente as dívidas existiam. Não me adianto mais sobre isso. Eu penso que nunca disse “contabilidade criativa”. Eu penso que nunca utilizei essa expressão. Aliás seria talvez infantil, se calhar está na gravação e até o disse; se o disse não o queria dizer! Contabilidade criativa pressupõe uma visão pejorativa, uma visão que se distancia pela negativa do que foi feito. Eu gostava de afirmar que, hoje na TAP, tudo o que se faz é da minha responsabilidade. Eu não me escondo atrás de ninguém para as decisões que foram tomadas. Portanto, se como lhe disse há factos irrepetíveis, que têm influencia na apresentação de resultados da TAP, isso faz-se sobre a minha responsabilidade. Miguel Valente Tenho aqui uma pergunta para o Engenheiro Cardoso e Cunha. O Engenheiro Jorge Sobral é o administrador da EDP, que reuniu ontem com os sindicatos, e informou-os que de Abril a Outubro não vai haver trabalho de manutenção em aviões. Ou seja, a TAP, que era um líder em assistência a aviões, até Outubro não vai ter essa actividade. Como a nossa frota, o 319, o 320, o 321, está a ser feita a manutenção em Alverca, o que é que a empresa pensa para esses trabalhadores que durante esse tempo não vão ter nada para fazer? Outra questão é o Brasil. O Brasil é algo que mexe muito comigo porque eu tive a coragem de dizer ao Engenheiro Fernando Pinto (quando ele chegou não era bem- vindo à TAP, ele tem vindo a conquistar a simpatia dos trabalhadores, insinua-se bem) que de Janeiro a Novembro a linha do Brasil teve uma redução nas receitas de cerca de 20 milhões de euros em relação ao ano anterior, e em relação ao orçamentado tem menos 30 milhões. E isto é um negócio para viabilizar a TAP, gostava que o Sr. engenheiro mo explicasse, porque eu penso que não é metendo a cabeça na areia que a gente os resolve. É importante o Brasil mas é-o para os brasileiros à conta do turismo que a TAP leva para lá. Não é para a TAP. Eu penso que se são precisos novos sindicalistas são precisos novos gestores com novas ideias, respondendo ao que o Dr. Pilar disse há pouco! Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha Este é um velho “métier” que está sempre presente. As observações que fez ao programa da manutenção não as conheço, pasme-se Sr. Valente, as alterações que o Sr. Engenheiro Sobral lhe comunicou não as conheço. É uma surpresa para mim. Não acredito que não haja trabalho para a manutenção. Não é isso que está hoje a ser discutido. Falarei amanhã com o Sr. Engenheiro Sobral. Quanto ao Brasil, o que interessa à TAP é o resultado consolidado. Nós se andarmos atrás do rendimento, carreiras por carreiras, podemos correr o risco grave de perder volume para absorver em encargos fixos. É perfeitamente natural que uma carreira seja completamente marginal se ela tiver volume para nos permitir pagar os encargos de estrutura, que na TAP são pesados. Não conheço os detalhes. A minha preocupação é o valor consolidado da TAP; nós temos uma grande disparidade de rentabilidade de carreiras para carreiras. Temos carreiras espantosas de rentabilidade e outras não. Mas elas valem pelo seu conjunto. A única coisa que interessa é o nosso resultado consolidado. Esse ainda não está garantido. O futuro tem alguns riscos. As acções que estão em curso têm o seu risco e o Sr. conhece-as tão bem quanto eu. Eu admito que neste momento o nosso resultado esteja mais próximo de estar consolidado, mas manter dúvidas cartesianas sobre a finalidade dessas medidas é útil para os senhores e é útil para a administração. Mesmo velhotes como nós somos. Intervenção de orador da audiência Eu gostava só de clarificar alguns aspectos. 1º a questão dos sindicatos. É preciso que seja dito que os sindicatos de terra não existem na TAP. Nunca vi a administração da TAP emperrar qualquer decisão que fosse por causa dos sindicatos de terra; estes têm sido absolutamente ordeiros nas negociações com as administrações de há dez anos para cá. Em 2º lugar simpatizei pouco com aquilo que o Sr. Comandante disse que os problemas da TAP são os mesmos de há 20 anos atrás. E sobretudo em dois aspectos essenciais. Eu lembro-me do tempo do Comandante Gomes Mota, onde havia dois problemas na TAP; o 1º era a receita por lugar de avião que na TAP é 20% ou 30% abaixo do que nas suas congéneres europeias. E esse deficit de receita recai totalmente na rubrica pessoal e instalações. Porquê? Porque os custos operacionais da TAP são iguais aos das suas congéneres. Portanto, enquanto as suas congéneres europeias encaixam 40 a 50 milhões de euros a mais que a TAP, esta não tem esta receita e tem de reduzir em algum lado; geralmente é no pessoal e nas instalações. Em 2º lugar o outro problema, e contrariamente àquilo que o Dr. Pilar referiu, em relação à Swiss Air estou em grande parte de acordo consigo, excepto num aspecto; disse que nós, numa dada altura tivemos que alterar a cultura vigente na TAP através de uma mudança geracional. Eu considero essa mudança geracional um certo falhanço, porque tal como o Comandante Gomes Mota disse em 83 ou 84, que a TAP tinha falta de marketing, o problema persiste hoje. Depois de haver essa mudança geracional. Para mim o problema não é da idade mas sim da formação. Uma pergunta; um dos grandes erros que eu creio ter sido feito no processo Swiss Air foi essencialmente pormos o carro à frente dos bois. Portanto eu considero que 1º é preciso formar um núcleo privado português e só depois vamos fazer o “casamento” com o parceiro estratégico. E a minha pergunta é se neste momento, é isso que vau ser feito, e se tem havido contactos com grupos privados portugueses? Obrigado. Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha Basicamente o Sr. fez afirmações da sua convicção. Dr. Pilar, não sei se tem alguma observação. Penso que lhe deu acordo. A ideia de que o acordo internacional deve ser precedido por algumas acções portuguesas é exactamente aquilo que estamos a fazer. Aí estou completamente de acordo. Privados portugueses já foram recentemente sondados, quando, antes do 11 de Setembro, se tentou uma movimentação nesse sentido e que por razões de crise abortou. A reacção não foi brilhante. Considero que essa é uma das nossas outras limitações; a IBERIA foi, digamos, salva, com algum exagero, porque o governo espanhol conseguiu juntar investidores privados, Corte Inglês, etc, grandes empresas espanholas, que entraram com capital na Ibéria. E hoje a Ibéria é um bom discípulo na bolsa de Madrid. Em Portugal esse é um problema que não temos. Tal como os sindicatos, os administradores e os aviões, nós temos a empresa que temos e o país que temos. Não há em Portugal muitas entidades com fôlego para acções dessa magnitude. Não é que tenha nada contra. Mas duvido muito disso, até no futuro! Comandante Sousa Monteiro Para terminar vou recomeçar. Eu quero estar em desacordo com alguns dos meus colegas de mesa; no que toca ao Engenheiro Cardoso e Cunha quero dizer o seguinte, no que toca à minha afirmação do Aljubarrota eu acho que é perfeitamente pertinente esse tipo de sentimento. Não se trata de romancear, trata-se de facto de emoção! Estas coisas não são utópicas! Se não fosse isso nós não éramos independentes de Espanha! Eu não sou contra os espanhóis! Agora digo, defendamo- nos! Eu quero dizer aos espanhóis, mas atenção, eu sou mais pequeno, mas quero respeito, exijo respeito! Portanto Aljubarrota no bom sentido! Entendamo-nos mas não nos subalternizemos. E a TAP que o faça! Tem o meu apoio. 2º) o caso do Brasil. Eu agradeço ao meu colega, ao meu amigo Miguel Valente, que pôs o dedo na ferida; isto está é a ser bom para os brasileiros! Nós levamos para lá imensos europeus e portugueses, e a perder dinheiro Sr. Engenheiro! Eu não o sei, mas sinto-o e se o Miguel Valente o diz, ele sabe-o. Disseram há uns dias que estamos a ganhar menos dinheiro levando para lá mais gente! Eu referi-me que a tarifa média é fraca, o ILD é fraco. Ele foi mais além do que eu! Portanto, voemos para o Brasil, mas que ganhemos dinheiro. Na geopolítica, 1º a UE, depois a Europa do Leste, depois África, depois América do Sul e talvez o Brasil, mas desde que ganhemos dinheiro com isso! Estamos feitos companhia “lowcost” para ir e vir ao Brasil, 120 contos! Há um preço marginal a fazer. Eu concordo com os preços fixos, mas temos de jogar com preços variáveis também. E se os marginais cobrirem os variáveis ainda bem! Agora a arte está em 1º) utilizar a frota ao máximo e depois deslocá-los para onde der mais. Pode não ser necessariamente para o Brasil era isso que eu queria chamar a atenção! Dr. Pilar, eu não sujei a TAP. Nem eu a sujei nem o Sr. a limpou! Nós os dois somos convergentes mas com opiniões diferentes! E quanto ao Sr. que dizia que eu, envergonhadamente, estava a defender a privatização, eu defendo é uma espécie de nacionalização da TAP, eu quero o Estado na TAP! Mas não totalmente! Moderador Foi isso que ele disse! Comandante Sousa Monteiro Peço desculpa então. E muito obrigado a todos! Moderador Cabe-me em nome do Sr. Bastonário da Ordem, o Professor Simões Lopes, que com pena e por razões de saúde não pôde estar aqui, desejar uma boa noite, agradecer a todos os presentes, aos oradores, ao Dr. Norberto Pilar, ao Comandante Sousa Monteiro e ao Presidente da TAP, Sr. Engenheiro Cardoso e Cunha. Muito obrigado. Boa noite a todos!
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