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Revistas Clipping da Semana 19_11_2007

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					Clipping de Revistas
                                                    Data:31/03/ 2010




IstoÉ, IstoÉ Dinheiro,Veja, Exame e Época
Veja
   FHC paparica Roriz e Dilma reverencia Collor
   Lula resolve deixar Ciro Gomes fora do jogo
   O rico sistema de apoio à candidata Dilma Rousseff

Isto É
   "O Brasil está dividido"
   A hora da faxina
   Cadê os Vices?
   Mercadante e Alckmin entram no jogo
   O sonho de Lula

Isto é Dinheiro
   Rodoanel: como a maoir obra viária do país mudará a vida das
     companhias
   As "formigas" do comércio mostram as cartas
   Brasília, 50 uma obra inacabada

Época
   Mais leis, menos emprego
   Falta de dinheiro não é problema para eles
   Sindicalismo eleitoral




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                                                     Data:31/03/ 2010




FHC paparica Roriz e Dilma reverencia Collor
Veja - 29/03/2010


Autor(es): Daniel Pereira
É assim que começa
Em busca de palanque e tempo de televisão, candidatos
se aproximam do que deveria ser mantido a distância
MÁS COMPANHIAS
A ministra Dilma Rousseff afaga o PTB do ex-presidente Collor, enquanto
Fernando Henrique busca o PSC de Joaquim Roriz
Em julho de 2007, Joaquim Roriz renunciou ao mandato de senador para
evitar a cassação e não perder os direitos políticos até 2022. Flagrado pela
polícia numa conversa telefônica negociando a partilha de 2,2 milhões de
reais de origem supostamente ilícita, o ex-quatro vezes governador do
Distrito Federal também é padrinho, mentor e beneficiário do esquema de
propinas que soterrou José Roberto Arruda, deputados e empresários da
capital do país. Ex-petista e ex-peemedebista, Roriz é um espécime clássico
do político-problema, de quem se deveria manter distância asséptica em
ano eleitoral. Certo? Errado. Na segunda-feira passada, o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso recebeu em São Paulo o coronel candango,
que, por incrível que pareça, lidera as pesquisas de intenção de voto para o
governo do Distrito Federal. A aproximação faz parte de uma ofensiva
destinada a convencer o partido de Roriz, o PSC, a apoiar formalmente a
campanha do governador José Serra ao Palácio do Planalto. Apesar de a
negociação entre as legendas estar em curso, a revelação do encontro
causou um aparente mal-estar entre os tucanos. "Em Brasília, o melhor a
fazer é apoiar um nome acima de qualquer suspeita, suprapartidário",
ponderou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra.
A construção de alianças políticas sólidas é fundamental para o sucesso ou
fracasso de uma candidatura. Elas significam mais apoios, palanques
regionais, recursos e, principalmente, tempo de propaganda na televisão –
a principal arma da eleição. Uma coligação formal com o PSC renderia aos
tucanos trinta segundos no tempo televisivo. É por causa disso que os
candidatos, às vezes, preferem tapar o nariz na hora de negociar. O PTB,
por exemplo, é alvo de cobiça por seus 48 segundos de televisão. A
candidata do PT, Dilma Rousseff, já estendeu os braços ao partido. Há duas
semanas, ela participou de um jantar na casa do senador Gim Argello,
antigo afilhado político de Roriz. Compartilhou a mesa, entre outros, o ex-
presidente Fernando Collor. Depois de derrotar Lula na eleição de 1989,
Collor se reconciliou com o petista. Voltou, inclusive, a frequentar o
gabinete mais poderoso do Planalto. Agora, é uma das apostas de Dilma –
ao lado de Renan Calheiros – para formar um palanque forte em Alagoas e
garantir os segundinhos do PTB no período eleitoral. No jantar, Collor até
aconselhou Dilma a procurar Roberto Jefferson, o petebista que detonou o
escândalo do mensalão. Deu a entender que uma boa conversa pode aparar
as arestas entre as partes. Tudo muito civilizado na aparência. É sempre
assim que começa...




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                                                      Data:31/03/ 2010




Lula resolve deixar Ciro Gomes fora do jogo
Veja - 29/03/2010


Autor(es): Otávio Cabral
O último a saber
Ciro Gomes diz ter "99,47%" de chance de ser candidato.
Mas está 99,99% descartado. Falta decidir quem lhe dará a notícia
LULA E O DILEMA
O presidente já acertou com o PSB que Ciro Gomes não disputará a
Presidência da República:
a queda livre nas intenções de voto será usada para convencê-lo a sair de
cena sem traumas
O deputado federal Ciro Gomes é um político transparente, que não
costuma esconder de ninguém suas convicções. Ciro já acreditou que
poderia ser o candidato do presidente Lula nas eleições de outubro – e
anunciou isso em alto e bom som. Depois, convencido pelo presidente de
que talvez fosse melhor disputar o governo de São Paulo, topou o papel de
títere e transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para a capital paulista.
Agora, Ciro se diz novamente convencido de que será candidato à
Presidência, mesmo sem o apoio do PT. "Tenho 99,47% de chance de ser
candidato", diz. "Só quem pode me tirar da disputa é o PSB, que é o meu
partido, e mamãe." Dona Maria José não faria uma maldade dessas. Já o
PSB... Ciro ainda não sabe, mas, ao contrário do que imagina, há, sim, uma
probabilidade realmente quase absoluta, mas de ele não ser candidato a
nada. Avalizado pelo governo, o partido já decidiu que não dará a legenda
ao deputado – discute tão somente a hora apropriada e a melhor maneira
de lhe dar a notícia.
A candidatura Ciro Gomes foi uma experiência oficial que tinha tudo para
dar errado. Na semana passada, o presidente Lula e o governador de
Pernambuco, Eduardo Campos, que preside o PSB, se reuniram para
sepultá-la de vez. O presidente reclamou das declarações recentes de Ciro
contra o governo e das críticas que ele tem feito à aliança do partido com o
PMDB. "O que o Ciro está fazendo é inaceitável", disse Lula. Dado o
veredicto, a estratégia inicial era tentar convencer o deputado, que já teve
21% das intenções de voto e hoje tem apenas a metade, de que suas
chances minguaram e o melhor a fazer é uma republicana batida em
retirada. Os conselheiros do governo, porém, temem que, informado do
plano de naufrágio, Ciro possa apontar sua metralhadora oral na direção de
Dilma Rousseff. Para evitar que isso aconteça, o melhor, decidiu-se, é
afastar Lula do processo. A missão de contar a Ciro o que só ele ainda não
sabe ficará por conta – e risco – do PSB.
Apesar do constrangimento de ser obrigado a assistir passivamente à
decisão sobre seu futuro político, Ciro Gomes sabia desde o início que sua
candidatura era teoricamente descartável e dependia exclusivamente da
bússola de Lula. Sem nomes relevantes no PT, o presidente acreditava que
ter dois candidatos oficiais era a melhor maneira de chegar ao segundo


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                                                        Data:31/03/ 2010
turno. Mudou de estratégia quando concluiu que Dilma pode ser
uma candidata competitiva. Emparedado, Ciro topou até avaliar
uma participação na disputa pelo governo de São Paulo, o que hoje também
parece inviável. O fim de sua candidatura, por tudo isso, era previsível. A
dúvida – e o receio de alguns – é saber se ele vai representar até o fim o
papel que lhe reservaram.




O rico sistema de apoio à candidata Dilma Rousseff
Veja - 29/03/2010


Autor(es): Diego Escosteguy
O kit da candidata e um luxo
Jatinho, mansões, assessores e salário, tudo pago pelo PT, esperam Dilma
Rousseff quando a campanha decolar. Partido rico é outra coisa...
Dida Sampaio/AR
LOGÍSTICA
A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, viajará de jatinho e ganhará salário:
quem assina o cheque é Vaccari
A petista Dilma Rousseff sairá a pé do Palácio do Planalto nesta quarta-feira
para percorrer a jornada eleitoral que, daqui a nove meses, poderá conduzi-
la de volta ao poder pelo elevador privativo que leva ao gabinete do
presidente da República. Dilma deixará o cargo de ministra da Casa Civil
para se consagrar exclusivamente à pré-campanha, que dura até o fim de
junho, quando a lei eleitoral estabelece o início oficial do pleito presidencial.
O PT montou uma estrutura de primeira linha para a ministra. Ela receberá
salário, contará com cinco assessores, voará de jatinho e vai se hospedar
em uma confortável casa em Brasília (veja o quadro). Quem fechará esses
contratos e pagará todas as despesas? Ele, o novo e já notório tesoureiro
do PT, João Vaccari Neto, o homem que, segundo depoimentos em poder da
Procuradoria-Geral da República colhidos durante o mensalão, cobrava
propina de quem quisesse fechar negócios com os fundos de pensão das
estatais – e que, de acordo com o promotor José Carlos Blat, participou dos
desvios na Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São
Paulo. À frente dos gastos com a pré-campanha petista, Vaccari por
enquanto é o Delúbio Soares de Dilma. Pelo menos na prática.
Na semana passada, o tesoureiro deveria ter comparecido ao Congresso
para prestar esclarecimentos sobre as acusações. Mas escapuliu.
Argumentando que seu advogado estava em viagem ao exterior, Vaccari
pediu que seu depoimento fosse adiado por duas semanas. Os senadores
toparam. Na terça-feira, porém, os parlamentares da oposição puderam
confirmar que a justificativa de Vaccari era apenas o que parecia ser mesmo
– um álibi para tentar escapar da CPI. Coube ao líder do governo no
Senado, o peemedebista Romero Jucá, investigado no Supremo Tribunal
Federal por compra de votos, a tarefa de mostrar os dentes. Ele correu à
comissão para levar recados ameaçadores. Jucá ensaiou apresentar
requerimentos para convocar promotores que investigam ilegalidades


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                                                     Data:31/03/ 2010
cometidas por tucanos no Rio Grande do Sul e no Paraná – e
também por democratas em Brasília. "Por mim, podem chamar
quem eles quiserem", respondeu o senador tucano Alvaro Dias, autor da
convocação de Vaccari. A tentativa de intimidação de Jucá falhou – por
enquanto. O tesoureiro terá de depor.
Pressionado por colegas do PT, Vaccari admitiu a pelo menos três deles que
realmente recebeu o corretor Lúcio Bolonha Funaro e o deputado Valdemar
Costa Neto, réu no STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e
formação de quadrilha, para uma "conversa rápida", no fim de 2004 –
conforme relatado pelo corretor ao Ministério Público Federal e revelado por
VEJA. A esses interlocutores, contudo, Vaccari assegurou que, ao contrário
do que afirmou Funaro, ali não se discutiram negociatas com os fundos de
pensão nem se mencionou a necessidade de pagamento de propina para
que as tratativas prosseguissem. O tesoureiro disse que deu detalhes da
montagem de um fundo de pensão para os trabalhadores filiados à CUT, a
Central Única dos Trabalhadores, aliada do PT, projeto que estaria sendo
articulado por ele. Na conversa, jurou Vaccari, Valdemar apresentou Funaro
e disse que ambos poderiam "trabalhar juntos" na captação de
investimentos para esse fundo. Na versão dele, os três nunca mais se
viram.
EXPLICAÇÕES
O tesoureiro do PT, João Vaccari: ele admitiu aos colegas que se encontrou
com o corretor e o deputado mensaleiro
A explicação do tesoureiro é tão real quanto os prédios que a Bancoop
deveria ter construído. Se Vaccari não tinha nada a ver com o caixa
clandestino do PT, o que ele teria a tratar com um deputado poderoso como
Valdemar e um corretor especializado em operações heterodoxas, ambos
envolvidos com o mensalão? Funaro confessou aos procuradores sua
participação no esquema entre 2005 e 2006 e incluiu Vaccari na lista de
operadores do PT quando nem sequer havia motivos eleitorais para atingi-
lo. O corretor só virou o único réu-colaborador no caso do mensalão porque
produziu provas. Flagrado em qualquer mentira, perderia automaticamente
os benefícios advindos da colaboração. Em 2006, o ministro Joaquim
Barbosa, relator do caso no STF, determinou que as denúncias
apresentadas por Funaro fossem compartilhadas com procuradores que
investigavam a ramificação do mensalão nos fundos de pensão. A
Procuradoria da República em Brasília ainda não revelou qual foi o
desdobramento da acusação de que o novo tesoureiro petista cobrava 12%
de propina para o caixa do partido. A acusação foi registrada em
depoimento oficial. Não vai desaparecer.




"O Brasil está dividido"
Isto é - 29/03/2010


Autor(es): Alan Rodrigues e Yan Boechat




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                                                      Data:31/03/ 2010
O autor do livro "A Cabeça do Brasileiro" diz que a polarização
entre o PT e o PSDB na eleição presidencial é sinal de uma
democracia madura
Batalha
“Será uma disputa dura para qualquer um dos lados. Não há favoritos”
Apesar de toda sorte de ma-zelas que atingem o universo político brasileiro
com escândalos de corrupção, compra de votos, mensalinhos e mensalões,
as eleições de 2010 consolidarão no País uma característica típica de países
desenvolvidos: a segmentação eleitoral. Apenas países com democracias
longevas e estruturadas têm disputas tão passionais entre dois partidos
políticos antagônicos.
"A novidade é que o cidadão não vota mais em candidatos que
dão ênfase somente a grandes obras de infraestrutura"
É assim nos Estados Unidos, com o Democrata e o Republicano; na
Inglaterra, com o Trabalhista e o Conservador; e, agora, no Brasil, com o
PT e o PSDB. “Esse é um fenômeno novo, em que duas forças dominam a
maior parte do eleitorado e dependem dos eleitores de centro para vencer
as eleições”, diz o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida, do
Instituto Análise, principal advogado dessa tese. Autor dos livros “A Cabeça
do Brasileiro”, “A Cabeça do Eleitor” e do novo “Erros nas Pesquisas
Eleitorais e de Opinião”, Almeida acredita mais uma vez que o eleitor será
pragmático. “Ele escolhe aquele que lhe der mais capacidade de consumo.”
"Já está dado o alinhamento: a classe mais alta prefere o PSDB
e os mais pobres o PT. Não existe lulismo, Lula será passado em alguns
dias"
Alberto Carlos Almeida -
Ele quer um presidente que melhore a vida diária dele especificamente no
consumo, na sua capacidade de comprar mais. O eleitor brasileiro é
extremamente pragmático e egoísta. A maioria expressiva não pensa no
bem comum. Só olha para o próprio umbigo, o bolso e o bem-estar.
Istoé -
Então, voto não tem ideologia, o eleitor pouco se preocupa com o coletivo?
Alberto Carlos Almeida -
Na eleição, o eleitor vê a oportunidade de manter alguma coisa na vida dele
ou de mudar alguma situação que não o está ajudando em nada. A
novidade eleitoral é que o cidadão não vota mais em candidatos que dão
ênfase somente a grandes obras de infraestrutura. O eleitor agora se
preocupa principalmente com temas sociais, como a saúde.
Istoé -
Há uma mudança no perfil do eleitor?
Alberto Carlos Almeida -
Sim. O eleitor não acreditava que seu voto poderia mudar a sua forma de
viver. Agora não. O eleitorado pobre, por exemplo, descobriu que com o
passar do tempo ele ficou menos pobre, foi se escolarizando, e agora sabe
que seu voto pode mudar sua vida. Políticos que não tinham marcas do
social, como o (Paulo) Maluf, ficaram ultrapassados.
Istoé -
Esse tipo de comportamento serve para todo mundo?
Alberto Carlos Almeida -
Em certa medida, sim. Mas quanto mais o eleitor está colado na
necessidade, mais ele é pragmático.
Istoé -


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                                                     Data:31/03/ 2010
O Brasil está dividido eleitoralmente?
Alberto Carlos Almeida -
Estamos diante de um novo fenômeno que surgiu a partir de 2006, que é a
segmentação eleitoral. Hoje, temos uma segmentação típica de países
desenvolvidos, como a Inglaterra. O eleitorado tem segmentos diferentes.
Os mais pobres tendem a votar no PT, enquanto a classe média, que ganha
acima de R$ 1,2 mil, tende a votar no PSDB. Isso aconteceu nas últimas
eleições presidenciais e vai se repetir em 2010. É uma mudança que veio
para ficar. O Nordeste terá tendência de votar pesadamente, em todas as
eleições, em um candidato do PT, enquanto o Sul tenderá a votar no PSDB.
Istoé -
Por que um país desenvolvido tem essa característica? Quais são os
alicerces sociais para se chegar a isso?
Alberto Carlos Almeida -
A primeira coisa é ter certa longevidade do sistema democrático. Apesar de
jovem, o Brasil já conseguiu essa condição. A outra característica é surgir
dentro desse sistema um partido de esquerda que busque apoio social. Isso
é o que o PT fez e vem fazendo.
Istoé -
É um novo cenário calcado em quê? Ideologia?
Alberto Carlos Almeida -
Numa ideologia no sentido fraco do termo, em formas de pensar diferentes.
Uns acham que o governo tem que ajudar mais as pessoas a mudar de vida
ativamente. Outros têm a visão de que as próprias pessoas é que terão que
fazer mais. São duas ideologias distintas. A pessoa que é mais pobre,
naturalmente, tende a pensar que precisa de alguma ajuda.
Istoé -
É aí que o PT ganha força eleitoral?
Alberto Carlos Almeida -
É. O PT trocou a ligação com as celebridades pela entrada de milhões de
desconhecidos do interior do Nordeste. O partido mudou a fonte de sua
força. Quem lembra que Paulo Betti fez campanha para o PT? Ninguém. O
que importa é o Bolsa Família e o eleitor do Nordeste. Se for feita uma
pesquisa no País só sobre o PT, fica claro que ele tem uma imagem
fortalecida junto a esse eleitor mais pobre. É o PT, não é Lula nem
ninguém. O PT é conhecido e é valorizado por esse segmento da sociedade.
A forma como o partido criou sua imagem é responsável por uma
segmentação da sociedade. Isso é uma das características políticas de um
país desenvolvido. Ou seja, o eleitor certo de cada lado. É um equívoco
pensar que o PT está enfraquecido.
Istoé -
Isso pode garantir ao PT uma continuidade no poder?
Alberto Carlos Almeida -
Hoje, na eleição presidencial o PT tem como certo 30% do eleitorado, o
PSDB conta com 25% dos votos e o resto é eleitor de centro que flutuará de
acordo com a conjuntura. Isso veio para ficar. A eleição será decidida pelo
eleitor de centro. Este ano, será uma disputa dura para qualquer um dos
lados. Não há favoritos. O PT tem um marca forte, mas também existe a
força do anti-PT, que naturalmente é o eleitor do PSDB. O Brasil caminhou
rapidamente para ser um país bipartidário quando se trata de eleição
presidencial.
Istoé -


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                                                      Data:31/03/ 2010
As últimas pesquisas mostram um crescimento da ministra Dilma
no sudeste. Isso é uma surpresa?
Alberto Carlos Almeida -
O Sul e o Sudeste têm preferência pelos tucanos. Mas o fato é que a Dilma
entrou numa área que é do Serra. Disputa eleitoral é isso: um tem que
entrar na área do outro.
Istoé -
Qual discurso a oposição terá que adotar para ganhar espaço?
Alberto Carlos Almeida -
Ela terá que desconstruir a ministra Dilma e deixar claro que seu candidato
é mais preparado para continuar o que está aí. Por exemplo, o PSDB terá
que mostrar ao eleitorado que Serra tem mais ponto de contato com o Lula
que a Dilma.
Istoé -
Em que sentido?
Alberto Carlos Almeida -
O Lula veio da pobreza rural nordestina, o Serra veio da pobreza urbana e a
Dilma é filha da classe média. Quais são os desdobramentos dessa
afirmação? O Serra, assim como o Lula, teve dificuldades na infância. O
Lula tem experiência administrativa, o Serra também. Os dois lutaram
contra a ditadura, mas, ao contrário de Dilma, que foi guerrilheira, eles não
pegaram em armas para fazer isso, o que mostra que ela é muito diferente
do Lula. O PSDB terá que demonstrar que Lula e Serra são mais iguais e
que a Dilma não terá condições de conseguir o mesmo desempenho que o
presidente teve. O PSDB tem que mostrar que Dilma não é Lula.
Istoé -
O chamado lulismo poderá definir as eleições?
Alberto Carlos Almeida -
Não existe lulismo. O Lula só é bem avaliado pelo desempenho do governo
dele.
Istoé -
Para o sr., o Lula não é um fenômeno?
Alberto Carlos Almeida -
Não. Ele tem é sorte. O Lula ganhou força porque seu governo é bem
aprovado. Lula não é um mito. Ninguém tem sucesso sem ter sorte.
Competência, ele teve! Qual foi? Domesticar o PT, levar o partido para o
centro e manter a política econômica.
Istoé -
O presidente Fernando Henrique não teve sorte?
Alberto Carlos Almeida -
Comparando com o Lula, ele foi sem sorte. A sorte sorriu mais para o Lula
que para FHC.
Istoé -
Qual será o impacto eleitoral da comparação entre os governos do PSDB e
do PT?
Alberto Carlos Almeida -
O eleitor não está nem aí para isso. Já está dado o alinhamento: o eleitor
que é classe mais alta prefere o PSDB e os mais pobres o PT. Isso é
passado. Como o Lula será passado daqui a uns dias.
Istoé -
Qual será o grande tema eleitoral deste ano?
Alberto Carlos Almeida -


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                                                      Data:31/03/ 2010
Até agora não existe um grande tema. Em 94, o tema dominante
foi o controle da inflação. Quatro anos depois foi a crise
econômica. Em 2002, o eleitor deu ênfase ao desemprego e em 2006 ao
Bolsa Família. Agora, a inflação está contida, o desemprego não é mais um
problemão e o Bolsa Família está consolidado.
Istoé -
Então, ganha as próximas eleições a candidata ou candidato que melhor
representar a continuidade?
Alberto Carlos Almeida -
Um tema que pega o governo de calça arriada é o imposto. Em 2010, o
tema que poderá embaralhar todas as cartas que estão na mesa será a
redução dos impostos. Na verdade, os políticos não estão ligados neste
tema. Quem está preocupado com isso, segundo as pesquisas, é o
eleitorado, o pobre inclusive. Ele acha que os impostos são um problema
para a vida dele. O eleitor acredita que o governo pode ser exatamente o
que é, mas cobrando menos impostos.
Istoé -
O controle fiscal eficiente é o principal discurso do PSDB. É possível passar
essa mensagem para o eleitor ou esse é um tema muito complexo?
Alberto Carlos Almeida -
Possível é. Porém, a maneira mais eficiente de falar isso é mostrar para o
eleitor que o imposto alto atinge o bolso dele. Esse é um problema que
afeta todo o eleitorado, do PT ao do PSDB, passando pelo eleitor de centro.
Istoé -
O eleitor quer um Estado forte?
Alberto Carlos Almeida -
Essa é uma discussão entre os políticos, mais intelectualizada. O eleitorado
não é conectado neste debate. O que o eleitor quer é mais dinheiro no bolso
dele. Ponto. O foco do eleitor é o bem-estar dele, a condição financeira da
família.
Istoé -
Diante disso, a Dilma leva vantagem nessa eleição, já que 30 milhões de
pessoas subiram para a classe C neste governo?
Alberto Carlos Almeida -
A Dilma já conseguiu o recall necessário para participar da largada da
corrida eleitoral. Ela já está na mesma linha de largada que o Serra.
Istoé -
O eleitor ainda pode mudar de voto?
Alberto Carlos Almeida -
Sim. Os resultados das pesquisas decorrem de um estímulo que é feito,
dizendo que haverá eleição este ano. A maioria das pessoas nem sabe que
teremos eleições este ano.
Istoé -
Como o eleitor trata o tema corrupção?
Alberto Carlos Almeida -
A corrupção está colocada como uma questão moral. O eleitor não se
preocupa muito com isso. Agora, se houvesse um discurso do tipo: irei
combater a corrupção porque meu compromisso é reduzir os seus impostos.
Ou, se a corrupção e o desperdício forem reduzidos, eu irei reduzir seus
impostos. Aí sim, chamaria a atenção do eleitor.
Istoé -
Dá para acreditar em pesquisas eleitorais?


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                                                     Data:31/03/ 2010
Alberto Carlos Almeida -
Na média dá. Mas em geral o eleitor não sabe o resultado das
pesquisas. Se o candidato está muito na frente, o eleitor conhece muita
gente que vota nele. Pesquisas feitas corretamente podem ter resultados
diferentes.




A hora da faxina
Isto é - 29/03/2010


Autor(es): Sérgio Pardellas
Fichas-sujas reagem para barrar a aprovação de lei que os impede de
disputar a eleição deste ano
SEM FORÇA
Temer recebeu o projeto há sete meses: rapidez na votação não é garantia
de nada
Sete meses depois de ser entregue ao presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB-SP), o projeto de iniciativa popular que veta a participação de
políticos fichas-sujas nas eleições – já a partir deste ano – está na agenda
da Casa para ser votado no dia 7 de abril. É um prazo curto diante da
morosidade de muitos temas que, às vezes, chegam a tramitar anos no
Legislativo. Essa rapidez pode até dar a impressão de que o artigo 14,
inciso 3º, foi incluído na Constituição para, realmente, fazer valer a
soberania popular. Mas, a julgar pela movimentação dos parlamentares nos
bastidores, este é mais um artigo incluído na Carta Magna pelos
constituintes para dar-lhe um caráter de cidadã, mas, na prática política, é
difícil de ele sair do papel. A partir do momento em que Temer resolveu
colocar o assunto em votação, na terça-feira 23, deputados de todos os
partidos desencadearam uma articulação conjunta na tentativa de
desfigurar o texto do projeto.
Na próxima semana, parlamentares do PP, PR, PTB e PT vão se reunir para
propor modificações. “Do jeito que está, não passa”, disse à ISTOÉ o
deputado José Genoino (PTSP), que, alegando questão de “princípios”, é
contra o relatório de autoria de Índio da Costa (DEM-RJ). “O projeto é
inconstitucional e autoritário. Vou subir à tribuna para encaminhar contra”,
antecipou Genoino, réu no processo do Mensalão. Pelo texto inicial, se um
único juiz condenasse prefeito ou vereador, por exemplo, eles não poderiam
se candidatar. Os deputados abrandaram a regra, estabelecendo que o
parlamentar só ficará impedido de disputar eleição se a decisão for tomada
por um colegiado de magistrados. Mesmo assim, ainda há quem considere o
projeto muito rígido. Alegam que ele restringe o direito à defesa. Hoje,
partidos menores como PR, PP e PTB são os que exercem a maior
resistência ao projeto dos fichas-limpas. Mas setores do PMDB e PT também
são contra. “A quem interessa colocar isso em votação?”, questionou o líder
do PR, Sandro Mabel (GO), durante reunião com Temer. “No meu partido, a
pressão é para não votar em plenário”, disse, na quarta-feira 24, um
deputado do PTB. O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), cotado


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Clipping de Revistas
                                                      Data:31/03/ 2010
para assumir a relatoria do projeto em plenário, reconhece que a
bancada está rachada: “Terça-feira vamos nos reunir para discutir
o assunto.”
“Não há nada para ser mudado. Quem quer flexibilizá-lo tem culpa no
cartório”, acusa Índio da Costa, relator da proposta que recebeu 1,6 milhão
de assinaturas. Para ele, se o projeto for novamente modificado, perderá a
razão de ser. “A sociedade deve aproveitar o momento em que o assunto
vai para a pauta de votação para pressionar”, afirma o cientista político José
Paulo
Martins Jr. É o que tentam fazer o TSE, a OAB e o Movimento de Combate à
Corrupção Eleitoral, composto por 43 entidades da sociedade civil. Todos
lutam pela faxina já.




Cadê os Vices?
Isto é - 29/03/2010


Autor(es): Claudio Dantas Sequeira
Nenhum candidato a presidente anunciou o segundo nome da chapa. É uma
boa chance para a barganha política deixar de ser o principal critério para a
escolha
LEQUE DE OPÇÕES
Meirelles, Richa, Kátia Abreu e Temer: interesses eleitorais pesam mais do
que um projeto para o País
Confirmado o nome do governador José Serra (SP), não há mais dúvida
sobre os principais candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A interrogação agora recai sobre quem serão seus companheiros de
chapa. Por enquanto, os partidos têm considerado critérios puramente
eleitoreiros para essa escolha. Está em jogo, por exemplo, a capacidade do
vice de arregimentar os votos de determinada região do País ou, então, de
ampliar o tempo de propaganda gratuita na tevê. Mas pouco se fala da
competência e da capacidade administrativa. O que é um grave erro, pois o
vice-presidente da República não é uma peça decorativa. Deve estar
preparado para assumir responsabilidades no governo. “Os partidos
insistem em escolher o vice na chapa sem pensar que ele tem de exercer
tarefas e missões importantes. Infelizmente, os critérios de escolha são
eleitoreiros, o que é problemático para o País”, avalia o cientista político
Fábio Wanderley Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais.
Um exemplo bem-sucedido é o do vice José Alencar. No início do primeiro
mandato de Lula, ele foi convocado para apagar um incêndio no Ministério
da Defesa, ao ocupar o vácuo deixado pelo embaixador José Viegas, que
entrou em rota de colisão com os comandantes militares.
Alencar também participou de negociações estratégicas e, na greve dos
controladores de voo, assumiu o gabinete de crise, que pôs fim ao
movimento. Experiente empresário mineiro, dono da Coteminas, Alencar foi
escolhido para abrir as portas do setor privado para Lula, até então temido
por suas posições intransigentes na economia. “O ideal é isso: uma chapa


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coesa para dar governabilidade”, afirma David Fleischer, da
Universidade de Brasília. O presidente agora tenta repetir a
fórmula ao defender o nome de Henrique Meirelles (PMDB-GO) na chapa de
Dilma Rousseff, para desgosto dos peemedebistas que insistem no nome do
deputado Michel Temer (SP). A senadora Marina Silva (PV-AC) também foi
atrás de um empresário, Guilherme Leal, da Natura. Sem sucesso. Serra,
por sua vez, pode compor a chapa com um nome do Nordeste, como o
senador Agripino Maia (DEM-RN), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) ou o
ex-governador da Bahia Paulo Souto (DEM). Em outra frente corre o
prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).
Fica clara para o eleitor a função de todos os nomes sondados dentro da
estratégia de vencer as eleições. Mas nenhum dos candidatos arrisca dizer o
que espera do vice caso vença as eleições. Para Fábio Wanderley, a lógica
eleitoreira que prevalece na escolha do vice-presidente só mudará com o
amadurecimento do sistema partidário e a necessária reforma política. “Os
partidos estão muito enfraquecidos, o que dá origem a uma visão distorcida
sobre o papel do vice”, diz ele. No passado, o vice era até eleito pelo voto,
independentemente do candidato a presidente. Um grande sinal da
importância do cargo. Se não garantia uma função no governo para o vice,
pelo menos a eleição direta impedia que o nome fosse escolhido apenas
seguindo o critério dos conchavos políticos.




Mercadante e Alckmin entram no jogo
Isto é - 29/03/2010


Autor(es): Alan Rodrigues e Luiza Villaméa
Maior colégio eleitoral do País deve repetir a polarização entre o PT e o
PSDB na disputa em São Paulo, que há 15 anos é governado pelos tucanos
ARRANJOS
O senador (à esq.) e o ex-governador: indicado por Lula e aprovado por
Serra
Um almoço na casa do senador Aloizio Mercandante (PT-SP), no bairro
paulistano de Alto dos Pinheiros, refletiu na terça-feira 23 a intensa
movimentação nos bastidores da política no maior colégio eleitoral do
Brasil. O cardápio foi um singelo estrogonofe de frango, mas o apetite dos
20 convidados de Mercadante estava mesmo voltado para o Palácio dos
Bandeirantes, há 15 anos comandado pelo PSDB. Ao final do encontro, o
grupo comemorava o apoio de cinco partidos que fazem oposição ao
governador tucano José Serra ao senador petista. Representantes do PC do
B, PDT, PRB, PPL e PR também teriam decidido que o vice de Mercadante na
chapa será indicado pelo PDT. No campo oposto, o ex-governador Geraldo
Alckmin conseguiu consolidar seu nome na disputa interna do PSDB e
espera apenas o lançamento oficial da candidatura de Serra à Presidência
para deslanchar a sua própria campanha. Mas Alckmin não espera sentado
em seu gabinete. Investido da autoridade de secretário estadual de




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Desenvolvimento, tem circulado pelo interior paulista com
disposição de candidato.
A frenética agenda do secretário inclui visita a 24 municípios paulistas em
apenas 15 dias. A maior pausa prevista é também a mais emblemática. Na
tarde da quarta-feira 31, Alckmin estará perfilado junto a Serra na
cerimônia do balanço dos dois anos e três meses de sua gestão. Embora
destacando que trata-se de um ato de governo – e não um ato político –, o
diretório estadual da legenda está mobilizando todos os filiados para que
participem do “momento marcante e histórico”. Ainda esta semana, Alckmin
e outros secretários que vão disputar cargos eletivos em outubro deixam
seus postos no governo estadual. Pelo acerto entre a cúpula tucana e os
Democratas, o vice de Alckmin será o atual secretário de Emprego e
Relações do Trabalho de Serra, o democrata Guilherme Afif Domingos.
Outro secretário a se afastar do cargo será o chefe da Casa Civil, Aloysio
Nunes Ferreira, que pretendia ser o cabeça da chapa tucana ao governo,
mas acaba de avisar aos aliados que concorrerá a uma vaga no Senado. A
outra chapa será disputada pelo peemedebista Orestes Quércia. A aliança
com o DEM e o PMDB garantirá ao PSDB cerca de 60% do tempo do horário
eleitoral gratuito no rádio e na tevê.
O arranjo, porém, não deixou o ninho tucano em completa harmonia. Um
dos problemas que Alckmin terá pela frente é convencer o deputado José
Aníbal (PSDB-SP) a abrir mão da disputa à vaga ao Senado, como deseja o
parlamentar. Nas hostes petistas, a situação é ainda mais complicada,
embora Mercadante, mesmo dentro de casa, convalescendo de uma cirurgia
na próstata, tenha conseguido amealhar o apoio de cinco partidos. Na
prática, a situação política de Mercadante é marcada pela fragilidade.
Pesquisa interna encomendada pelo PT apontou que, caso ele se
candidatasse, não se reelegeria senador. A alternativa de “partir para o
sacrifício” e tentar impedir que o PSDB conquiste o quinto mandato
consecutivo em São Paulo, poderia garantir uma saída honrosa a
Mercadante. No meio do caminho, no entanto, está o senador Eduardo
Suplicy (PT-SP), que tem mandato até janeiro de 2015, mas quer ser
candidato a governador.
Desde novembro, Suplicy segue à risca as orientações do diretório estadual
para os petistas que desejam concorrer à sucessão de Serra. Ele inclusive
protocolou 3.530 assinaturas a favor de seu nome – mais do que a
porcentagem exigida pelo partido. Estaria disposto a abandonar seus planos
estaduais caso o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), atendendo a apelo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transferisse seu título de eleitor para
São Paulo e se tornasse o candidato da coligação capitaneada pelo PT.
Como a proposta não sensibilizou Ciro, Suplicy quer que o partido faça uma
pesquisa comparando quem tem mais chances de vencer o candidato
tucano. “Estou disposto a dar todo o meu apoio ao Mercadante caso os
resultados de uma pesquisa indicarem chances similares”, diz Suplicy. “Mas,
se porventura surgir uma vantagem para o meu nome, o partido precisaria
discuti-lo antes de tomar uma decisão definitiva.”
Ainda esta semana, Suplicy pretende levar a proposta da pesquisa ao
diretório estadual do partido. Ele não recuou da posição nem quando soube
que Lula, em sua mais recente viagem ao Uruguai, disse a Mercadante que
ele era o seu preferido para a disputa paulista. Três dias antes do almoço
que reuniu cinco partidos em torno de Mercadante, Suplicy também esteve
na casa de Alto de Pinheiros. “Aloizio não quer disputar comigo”, relata


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Suplicy. “Ele gostaria de ser o candidato, desde que haja unidade
no partido.” Aloizio, por sua vez, ainda não comenta o assunto
em público. Tampouco fala sobre os arranjos para escolher o vice de sua
chapa. De acordo com o deputado pedetista Paulo Pereira da Silva, o
Paulinho da Força Sindical, está “praticamente” certo que será o prefeito de
Indaiatuba, Reinaldo Nogueira (PDT). Uma das preocupações do
parlamentar é que a disputa seja para valer. “Não queremos apenas ser
palanque para a Dilma”, completou, referindo-se à pré-candidata do PT para
a sucessão presidencial. No cenário paulista há, portanto, muita aresta a ser
aparada. E existem aqueles que ainda não encontraram seu lugar ao sol,
como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, potencial candidato do PSB ao
Bandeirantes.




O sonho de Lula
Isto é - 29/03/2010


Autor(es): Claudio Dantas Sequeira
Em campanha para a ONU , o presidente aposta em imagem de líder
pacificador de conflitos
CANDIDATO
Para Ki-moon, seu opositor, Lula é só críticas; e ao “Times” ele faz juras de
paz
A nove meses de deixar o Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva movimenta- se em duas frentes. No Brasil, a meta é eleger a
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora. No Exterior, o
candidato é ele mesmo. Lula acelerou, nos últimos meses, a estratégia para
tornar-se secretário-geral das Nações Unidas, posto máximo na burocracia
internacional, hoje ocupado pelo sul-coreano Ban Ki-moon. A tática dos
assessores encarregados da campanha lá fora é associar a imagem de Lula
à resolução de conflitos internacionais. Por isso, as viagens protocolares
estão sendo substituídas por ações cirúrgicas em regiões de desastres e
áreas de notório impasse político. É a chamada “agenda de crise”, na
definição dos diplomatas. Mesmo sem assumir ostensivamente sua
ambição, Lula age como candidato e não poupa caneladas à gestão de Ban
Ki-moon, cujo mandato termina no ano que vem. Foi o que o presidente fez
há duas semanas, quando desembarcou em Israel pregando o diálogo entre
israelenses e palestinos. “A ONU é que poderia estabelecer o processo de
paz. À medida que não cumpre esse papel, existe um vácuo”, disse Lula.
Em fevereiro, ele já havia acusado a ONU de inação na questão da
soberania argentina sobre as ilhas Malvinas.
Em maio, Lula pisará no Irã – outro campo minado – e já se prepara para
desfiar seu rosário de críticas à passividade de Ban Ki-moon. Mas as
investidas do presidente podem acabar tendo um efeito indesejado. “O
secretário-geral deve ter o cuidado de se mostrar completamente neutro. O
poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança
é uma arma muito importante. Um veto pode barrar uma candidatura”,


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alerta Riordan Roett, diretor de Estudos do Hemisfério Ocidental,
da Johns Hopkins University. Até agora, Lula contaria com o apoio
do presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciado durante a Cúpula do
G20 no ano passado, em Pittsburgh. Mas o fato é que o mandato de Ban Ki-
Moon está perto do fim e a campanha para sua substituição já chegou aos
corredores da sede do organismo em Nova York. “As consultas informais já
começaram, e não surpreende que o nome do presidente Lula tenha
surgido”, disse à ISTOÉ a vice-presidente do International Crisis Group
(ICC), Fabienne Hara, especialista em ONU. Segundo ela, Ban Ki-moon tem
sofrido desgaste por seu desempenho na ONU e dificilmente terá o mandato
renovado. No ano passado, vazou para a imprensa uma carta da
embaixadora da Noruega na ONU acusando o secretário-geral de ser uma
liderança “fraca, ineficaz e contraproducente”. “Os EUA, que apoiaram o
nome de Ban Kimoon, também estão decepcionados com sua gestão”,
afirma Fabienne, mas explica que Lula terá pedras no seu caminho para a
ONU. A tradição determina a rotatividade do posto entre os continentes. A
América do Sul já teve o peruano Javier Pérez de Cuéllar entre 1982 e
1991.
Depois foi a vez da África e agora da Ásia. “Caso Ban não seja reeleito, a
Ásia provavelmente vai querer indicar outro representante. E depois será a
vez da Europa”, afirma Riordan Roett. Fabienne ressalta também que Lula
não fala nenhuma das línguas oficiais da ONU, como inglês e espanhol. Mas
para o ex-metalúrgico nada é impossível. No início do ano passado, a
Secretaria de Comunicação da Presidência contratou a CDN, uma das
maiores agências de comunicação do País, para divulgar a imagem do
governo Lula no exterior. Vice-presidente da CDN, o jornalista Inácio Muzzi
afirma que o contrato, de R$ 15 milhões, com duração de um ano, já foi
renovado por igual período. Em novembro, a empresa fixou escritório em
Washington e, em pouco mais de um ano de atividades, atendeu a 3.200
pedidos de correspondentes estrangeiros, além de promover visitas de
jornalistas de peso, como o colunista Thomas Friedman, do “The New York
Times”. Há duas semanas, Lula foi tema de reportagem no jornal inglês
“The Times”, que destacava exatamente sua campanha para substituir Ban
Ki-moon como secretário-geral da ONU. Que ninguém se iluda: a campanha
não é só para inglês ver.




RODOANEL: COMO A MAOIR OBRA VIÁRIA DO PAÍS
MUDARÁ A VIDA DAS COMPANHIAS
Isto é Dinheiro - 29/03/2010


Autor(es): Amauri Segalla e Flávia Gianini
A maior obra viária do País está quase pronta. Vai reduzir em 30% o custo
logístico das empresas e abrir novas fronteiras imobiliárias
Ouça um resumo da matéria sobre a maior obra viária do País
Nos últimos anos, poucas obras viárias no Brasil custaram tanto e causaram
um impacto tão significativo em alguns setores econômicos quanto o


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Rodoanel de São Paulo, rodovia que une as estradas que chegam
à maior cidade do País. Segundo um estudo do governo de São
Paulo, de 2002, ano em que o primeiro trecho do Rodoanel foi inaugurado,
até 2005, o Produto Interno Bruto dos municípios cortados pela rodovia
aumentou 30%. É o triplo da média brasileira. Na semana que vem, uma
nova etapa da obra deve ser inaugurada.
Trata-se do chamado trecho sul, uma ligação de 57 quilômetros entre as
estradas que vêm do interior paulista e do litoral. O projeto consumiu R$
4,86 bilhões (quase quatro vezes mais do que o trecho anterior) e exigiu
um contingente de 41 mil trabalhadores. E tudo isso para quê? Para reduzir
os engarrafamentos em São Paulo, um problema tão grave que já ameaça
comprometer o próprio desenvolvimento da cidade.
Com o trecho sul do Rodoanel, a quantidade de caminhões na Avenida dos
Bandeirantes e na Marginal Pinheiros, duas artérias por onde os veículos
pesados são obrigados a passar para chegar ao porto de Santos, poderá
diminuir em até 47%. Isso é ótimo para toda a cidade, mas os impactos
positivos do Rodoanel transcendem a questão da fluidez do trânsito.
Para um grande número de empresas – e para as próprias localidades que
serão cortadas pela nova rodovia –, a obra tem um valor estratégico. “Para
empresas de praticamente todos os setores, o Rodoanel vai proporcionar
muitos ganhos”, diz Mauro Arce, secretário de Transportes de São Paulo.
Um estudo realizado pela consultoria Qualilog confirma esse potencial. Há
pelo menos três anos, os terrenos que ficam no entorno do trecho sul do
Rodoanel tiveram uma valorização de 50%, índice comparável apenas ao
desempenho dos melhores pontos em algumas capitais nordestinas, região
do Brasil que passa por um boom imobiliário. Num desses locais, em São
Bernardo do Campo, a Bracor, empresa de investimentos imobiliários, e a
holding EcoRodovias, que controla o Sistema Anchieta-Imigrantes,
investiram R$ 120 milhões na construção de um pátio logístico que servirá
de ponto de apoio para os caminhões que vão descer a serra rumo ao porto
de Santos.
Segundo Marcelino Rafart de Seras, presidente da EcoRodovias, o local, que
fica às margens do novo Rodoanel, vai contribuir para um melhor
escalonamento de caminhões que chegam ao porto de Santos. Graças ao
trânsito caótico de São Paulo, que se torna ainda mais imprevisível em dias
de chuva ou acidentes graves, as empresas nunca sabem o tempo que vão
levar de uma determinada cidade até o porto de Santos. “Isso gera um
caos dentro do porto, com caminhões esperando tempo demais para
carregar ou descarregar mercadorias”, diz Renato Barco, diretor de
planejamento da Companhia Docas do Estado de São Paulo.
Com o Rodoanel, o cálculo do tempo será mais racional. Associado a isso, o
surgimento de um pátio logístico poucos quilômetros antes do porto deve
fazer com que o sistema de chegada e saída de caminhões funcione melhor.
Investimentos como o da Bracor e da EcoRodovias devem ser seguidos por
uma série de novos projetos.
Segundo Cristiano Cecatto, da consultoria Qualilog, os quase 60 quilômetros
de extensão do trecho sul vão estimular o surgimento de muitos centros de
distribuição. Um deles está sendo erguido pela Colgate-Palmolive, também
em São Bernardo do Campo, e que servirá de base para toda a distribuição
de mercadorias na região Sudeste do Brasil.
Os prováveis ganhos que as empresas vão ter com o Rodoanel são
comprovados pelos benefícios que o trecho oeste da rodovia já trouxe para


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diversas indústrias. A Perdigão, uma das maiores fabricantes de
alimentos do País, transporta parte da produção de suas fábricas
no Sul para um centro de distribuição que fica no bairro do Jaguaré, em São
Paulo. Segundo estimativas da empresa, antes do trecho oeste do
Rodoanel, os caminhões demoravam duas horas desde o momento que
entravam na cidade até a chegada ao Jaguaré.
Com a inauguração do Rodoanel, esse tempo caiu para meia hora. O trecho
sul deve reduzir de forma significativa o tempo que seus caminhões levam
para sair do centro de distribuição em São Paulo até chegar ao porto de
Santos, de onde os frangos produzidos pela companhia partem para ganhar
o mundo.
Para as empresas, as vantagens não são traduzidas apenas na redução do
custo do frete. Livres do trânsito infernal da maior cidade do País, elas
conseguem planejar de forma mais precisa suas entregas. “Com isso, as
companhias passam a ter um controle melhor de seus estoques e até
podem rever o tamanho da frota”, diz Cecatto, da Qualilog. É exatamente
isso o que está fazendo neste momento a Volkswagen, que prepara um
estudo sobre toda a sua operação logística. A Volks vive uma situação
curiosa.
Pátio da Volks, às margens do rodoanel, em São Bernardo: como muitas
outras empresas, a montadora poderá ficar livre do
trânsito infernal da Marginal Tietê, em São Paulo, chegando de forma mais
ágil aos diversos mercados do País
O novo Rodoanel passa em frente à unidade da empresa em São Bernardo
do Campo. A obra, porém, não vai mudar o esquema de produção da
fábrica local, que já está estrategicamente posicionada no início da Serra do
Mar. O que muda é a operação nacional da empresa, que tem fábricas no
Sul do País e no interior de São Paulo.
Marginal Tietê
As empresas especializadas na área de transporte estão comemorando a
inauguração do novo trecho do Rodoanel. Uma das cinco maiores
transportadoras do Brasil, a Braspress, que entrega mercadorias em todos
os Estados brasileiros, estima uma diminuição de 20% no tempo que um
caminhão vai levar de qualquer cidade do interior de São Paulo até a
Baixada Santista.
“A inauguração deste trecho do Rodoanel representa uma grande mudança
em nosso negócio”, diz Urubatan Helou, presidente da Braspress. Em alguns
casos, a lentidão do trânsito em São Paulo pode aumentar em até 30% os
custos logísticos. Se o trecho sul de fato tornar mais ágil o fluxo de
caminhões na Grande São Paulo, o próprio valor do frete tende a cair de
forma expressiva. “O novo Rodoanel é positivo para todo o sistema de
transporte rodoviário de cargas”, diz Roberto Rodrigues, presidente da TNT.
Especialistas também apostam na valorização de algumas vias de São Paulo
que deixarão de ser ponto de passagem para as incômodas carretas. É o
caso da Avenida dos Bandeirantes, caminho obrigatório para quem vai ao
litoral paulista, e que nos últimos anos passou por um processo de
degradação. Até um projeto antigo do prefeito de São Paulo Gilberto
Kassab, que previa a criação de duas faixas exclusivas para caminhões no
lugar do canteiro central da Bandeirantes, foi descartado.
É inegável que o Rodoanel deverá ser explorado politicamente pelo
governador José Serra, candidato do PSDB à Presidência. Para esta
reportagem, muitas empresas não quiseram se pronunciar por temerem


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uma vinculação de sua imagem à política. Mas também é
irrefutável o fato de que o Rodoanel abre novas – e promissoras –
fronteiras de negócios.




As "formigas" do comércio mostram as cartas
Isto é Dinheiro - 29/03/2010


Autor(es): Guilherme Queiroz
Como as pequenas empresas estão desbravando os mercados
internacionais, com remessas simplificadas de seus produtos, em
exportações de até US$ 50 mil
Há sete anos, um grupo de executivos da loja londrina Selfridges & Co.
desembarcou no Rio de Janeiro em busca de moda brasileira para decorar
suas vitrines na Oxford Street. Com peças coloridas, a Casa da Alessa logo
caiu no gosto dos ingleses. Da linha de produção artesanal, a empresa se
viu repentinamente incumbida de atender a uma remessa de 50 peças da
coleção.
“Hoje, nós exportamos para 27 países. Em 2010, a meta é exportar 50% do
meu faturamento”, relatou à DINHEIRO Alessandra Migani, proprietária e
estilista da Casa da Alessa. Ela faz parte de um batalhão de 8,9 mil
empresas exportadoras, na maioria de pequeno e médio porte, que
atravessou a crise global com as linhas aquecidas.
Alessandra Migani, sócia da Alessa: a empresária, do ramo do design, faz
parte de um batalhão de
8,9 mil exportadores de pequeno porte. Em 2009, eles venderam US$ 555
milhões
Em 2009, este mercado cresceu 6,9%, totalizando US$ 555,2 milhões
embarcados em valores baixos – de até US$ 50 mil – via serviços postais,
com burocracia reduzida e pequeno custo alfandegário. Conhecidas pela
sigla DSE (Declaração Simplificada de Exportação), essas remessas
supriram no ano passado demandas de mais de 200 países, com 4,3 mil
produtos made in Brazil.
Como a Casa de Alessa nasceu exportando, Alessandra teve de aprender na
prática como vender para o Exterior. Descobriu que os serviços postais se
encaixavam no perfil de seus produtos pela pouca burocracia alfandegária
e, principalmente, pelo curto prazo de entrega. “Em três ou quatro dias,
nossa mercadoria chega a qualquer lugar do mundo”, relata.
Há 22 anos no mercado de telecomunicações, a brasiliense Wise descobriu
que o futuro da empresa estava no mercado internacional. Fabricante de
aparelhos para análise de redes de telefonia, ela viu no Exterior a forma de
garantir o crescimento da empresa. Hoje exporta para três países o
equivalente a 10% do faturamento. “Optamos pela praticidade”, relata a
sócia Suely Maria Silva.
Os embarques via DSE têm representado uma saída atrativa para uma
variada cesta de produtos. Diante dos US$ 152 bilhões das exportações
brasileiras, no ano passado, a participação das mercadorias de pequeno


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valor é modesta, de apenas 0,4% das vendas internacionais. Mas,
em 2008, no período pré-crise, as exportações simplificadas já
apresentavam crescimento de 34%. Para estimular o serviço, o governo
quer investir em divulgação. Medidas recentes também ajudaram, como a
ampliação do limite de US$ 20 mil para US$ 50 mil.
Suely Silva, sócia da Wise: ela exporta seus equipamentos de
telecomunicações pelos Correios, em razão do custo e da praticidade
Normalmente associada às exportações de pequenas e médias empresas, as
DSEs encontraram apelo crescente entre as empresas de grande porte. As
grandes empresas já são 16% dos nove mil exportadores que recorreram às
DSEs, mas respondem por 50,6% do valor total embarcado. “Significa que
empresas de maior porte estão buscando alternativas de menor custo”, diz
José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior
do Brasil.
Um dos principais prestadores do serviço DSE, os Correios registraram, no
ano passado, 12,3 mil operações do tipo, 10% a mais do que em 2008. O
crescimento foi puxado pelas exportações de joias e bijuterias destinadas a
mercados de alto poder de consumo. “A única coisa que ainda atrapalha é o
câmbio”, diz o analista de comércio exterior dos Correios, Daniel Santos.




Brasília, 50 uma obra inacabada
Isto é Dinheiro - 29/03/2010


Autor(es): Rodolfo Borges
Sem governo, a cidade adia a inauguração de várias obras e celebra de
forma melancólica seu cinquentenário
Enquanto os dois principais candidatos à Presidência, José Serra e Dilma
Rousseff, correm para inaugurar até maquetes, na capital da República a
situação é diferente. A paralisia é tanta que, a três semanas das
comemorações dos 50 anos de Brasília, em 21 de abril, várias obras que
tinham sido planejadas para a festa do cinquentenário só ficarão prontas
vários meses depois.
No ano passado, o custo do aniversário havia sido estimado em R$ 20
milhões – e falava-se em shows de U2, Madonna, Paul McCartney e Shakira.
Agora, nada está garantido. Dono de um orçamento de R$ 22,6 bilhões, o
maior do País na conta por habitante, dinheiro não é problema no Distrito
Federal. O que falta é alguém para tocar as obras.
O ex-governador José Roberto Arruda, preso desde 11 de fevereiro e agora
definitivamente fora do cargo, pretendia usar as inaugurações como
palanque para uma reeleição que até o fim do ano passado parecia certa.
Mas, como não há mais um beneficiário, as obras seguem em ritmo lento e
estão atrasadas reformas de monumentos como a Catedral, o Teatro
Nacional e o Panteão da Pátria.
Uma das que correm o risco de não ficar prontas é o Palácio do Planalto. A
construtora Porto Belo, responsável pela reforma, nega o atraso, mas seus
representantes lembram que o contrato prevê uma entrega provisória, “que


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vai dar condições para que o Palácio seja ocupado”, e uma
definitiva, 90 dias depois. Ou seja, ainda não se sabe quando o
presidente Lula deixará de despachar no Centro Cultural Banco do Brasil e
voltará ao seu antigo local de trabalho.
Fora do prazo: o Palácio do Planalto (acima) e a Catedral não ficarão
prontos antes de 21 de abril
Também ficaram para depois as reformas da Catedral e do Panteão da
Pátria. “É, fica feio”, admitiu à DINHEIRO o secretário de Cultura do Distrito
Federal, Silvestre Gorgulho, sobre o anticlímax nas comemorações dos 50
anos. “Mas temos todo o ano do aniversário para entregar as obras”,
justifica. Símbolo de Brasília, a Catedral projetada por Oscar Niemeyer será
reaberta no dia do aniversário, com uma missa, mas exibindo apenas
metade dos vitrais. O resto da obra, que envolve a estrutura, será concluído
até junho.
No caso do Panteão da Pátria, fechado desde 2007, o prédio perdeu
pedaços de seu revestimento de mármore devido aos disparos de canhão
executados mensalmente durante as cerimônias de troca da bandeira.
Depois de meses de abandono, a obra foi retomada, mas só deve ser
entregue no fim de abril e sem as inovações planejadas pela Secretaria de
Cultura do DF. “A ideia era fazer uma sala multimídia, onde o visitante
pudesse interagir com os heróis brasileiros, mas isso demanda mais
tempo”, lamenta Gorgulho.
O secretário de Obras do Distrito Federal, Jaime Alarcão, confirma que o
problema não é falta de dinheiro – até porque o orçamento já estava todo
empenhado. O complicador, segundo ele, é a ausência do ex-governador
Arruda, que mudou a prioridade e a urgência. “A mudança de governador
naturalmente muda o foco”, diz Alarcão. Agora, a cidade de Brasília, que foi
inaugurada em 1960 com parte da estrutura ainda por construir, para caber
no plano estabelecido pelo presidente Juscelino Kubitschek, celebra seus 50
anos em cenário parecido.




Mais leis, menos emprego
Época - 29/03/2010


Autor(es): Redação Época
As mudanças nas leis trabalhistas em discussão no Congresso como a
semana de 40 horas prejudicam os trabalhadores e o país
Em ano eleitoral, já não se espera muito do Congresso. Para piorar, o já
exíguo trabalho dos parlamentares em 2010 pode fazer o país andar para
trás. O maior exemplo são algumas mudanças na legislação trabalhista em
discussão na Câmara. Não é exatamente uma novidade que as leis
trabalhistas brasileiras formam uma barafunda de normas, taxas e
obrigações que encarecem o emprego. Para cada salário que o trabalhador
recebe, as empresas pagam outro ao governo na forma de impostos e
determinações legais. Também não é nenhuma novidade que esse é o
maior entrave à geração de novos empregos no país. A pretexto de garantir


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                                                     Data:31/03/ 2010
direitos a quem tem emprego, nossas leis empurram metade da
mão de obra para postos informais em geral sem direito a nada
além da remuneração mensal.
Em vez de reformar a legislação para diminuir o custo do emprego e reduzir
a informalidade da economia, nossos deputados insistem em criar novos
direitos para quem já está contratado. Nos próximos meses, ameaça chegar
à votação em plenário a redução da jornada semanal de trabalho, de 44
para 40 horas. É algo que pode até parecer benéfico à primeira vista e
certamente renderá algum ganho eleitoral a seus defensores. Mas, como
boa parte dos direitos trabalhistas, essa ideia não passa de uma armadilha
perigosa.
Defensores da redução da jornada de trabalho se apoiam em dois
argumentos: dar mais tempo livre ao funcionário e obrigar as empresas a
contratar mais gente para manter a produção. O ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, é o maior partidário da ideia. Temos de entender que o
trabalhador gasta de uma hora e meia a duas horas de deslocamento entre
a residência e seu local de trabalho, disse ele na Câmara.Todo o Primeiro
Mundo já pratica 36, 37 horas.
Na verdade, não é bem assim. Países como Dinamarca, Holanda e
Alemanha têm jornadas legais superiores a 40 horas por semana. A jornada
legal é aquela que, se ultrapassada, exige o pagamento de hora extra. Na
prática, a necessidade de aumentar as horas extras prejudica o trabalhador
e a empresa, diz Márcia Rúbia Alves, especialista em Direito do Trabalho e
professora da escola de negócios Trevisan. A experiência internacional
revela que esse tipo de medida pode até oferecer conforto temporário a
uma camada específica de trabalhadores, mas não estimula a geração nem
a manutenção de empregos, sobretudo os de maior qualidade.
Na prática, a jornada real em vários países europeus está abaixo das 40
horas semanais. Isso acontece tanto por motivos ruins (corte de produção
por falta de demanda) quanto bons (ganhos de produtividade). Por isso, a
lei não deve enrijecer nenhuma dessas situações. Os conceitos chaves que
deveriam inspirar o Congresso brasileiro são a flexibilidade (para que
empresas e funcionários definam os benefícios mais interessantes a ambas
as partes) e o estímulo à contratação.
Empregados, empregadores e profissionais autônomos nos países ricos têm
vida melhor não por causa do número de leis que os protegem, mas pelo
respeito às leis existentes, por seu alto nível de educação e formação
profissional, pela possibilidade de negociar condições de trabalho e pela
facilidade para que empresas nasçam, cresçam e sejam fechadas.
Pode parecer difícil acreditar, mas também há discussões no Congresso
brasileiro que traduzem esse tipo de virtude. Entre elas, o projeto de lei
para simplificar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o volumoso
conjunto de normas trabalhistas que, na prática, é responsável pela alta
informalidade no país. Reformar a CLT deveria ser a prioridade dos
deputados. Não inventar novos direitos e novas leis que só geram mais
desemprego.




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Falta de dinheiro não é problema para eles
Época - 29/03/2010


Autor(es): Andrei Meireles e Leandro Loyola Com Alberto Bombig, Leonel
Rocha e Juliana Arini
A campanha deste ano deverá ser a mais cara da história. E as restrições da
lei eleitoral não vão impedir o caixa dois
Nos próximos dias, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), o
governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e centenas de políticos
deixarão seus cargos públicos em todo o país para disputar as eleições. Até
outubro, sob a vigilância da Justiça Eleitoral, essa turma buscará votos para
se eleger. Paralelamente, longe dos olhos, aliados de Serra, de Dilma e de
todos os políticos se movimentarão de forma discreta em busca de dinheiro
para sustentar essa busca por votos. Eles são os responsáveis por captar os
recursos necessários para pagar marqueteiros, programas de televisão,
cabos eleitorais, carros de som e toda a estrutura necessária das caras
campanhas eleitorais brasileiras.
Na semana passada, o custo das campanhas começou a ser questionado
com a divulgação dos primeiros gastos do PT para a pré-campanha da
ministra Dilma Rousseff. O partido alugou uma casa no Lago Sul, área
nobre de Brasília, por R$ 12 mil mensais para Dilma morar. Pagará a ela um
salário de R$ 17.800, já que Dilma não receberá mais como ministra. Ela
também terá cinco assessores, que receberão R$ 11 mil mensais cada um.
O PT fechará um contrato com uma empresa de táxi-aéreo para que Dilma
tenha jatinhos a sua disposição 24 horas por dia. O PT também contratou a
Blue State Digital, a empresa responsável pela revolucionária estratégia de
campanha pela internet do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Só essa empresa vai custar entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões, diz um
profissional de campanhas que conhece os preços da Blue State. Os gastos
do PT chamaram a atenção da oposição. Com o PT no poder, as campanhas
eleitorais ficaram mais caras, afirma o deputado Antonio Carlos Magalhães
Neto (DEM-BA).
A maioria dos políticos e profissionais acredita que a campanha eleitoral
deste ano tende a ser a mais cara da história. Os partidos terão cerca de R$
160 milhões do fundo partidário, formado por recursos públicos que são
divididos entre os partidos de acordo com seu tamanho. Mas é pouco para
bancar tudo. De acordo com o cientista político Gaudêncio Torquato, que
atua também como consultor na área de comunicação, os candidatos
poderão gastar até R$ 2 bilhões neste ano (leia o quadro na última página).
Os candidatos vão gastar muito em televisão e na logística, diz Torquato. As
campanhas de Dilma e de Serra não deverão custar menos de R$ 150
milhões cada uma. De acordo com o presidente do PT, José Eduardo Dutra,
80% das despesas da campanha presidencial e das campanhas para
governador serão consumidas em propaganda na televisão e no rádio. O
segundo item mais caro será o transporte, que inclui aluguel de jatinhos e
carros. A campanha será cara por causa da concorrência por profissionais,
diz Dutra. Para bancar tudo, os partidos terão de ir ao mercado.
Captar dinheiro para bancar esses gastos representa um desafio para os
candidatos ao Legislativo e ao Executivo. Os candidatos à Presidência
contam com uma grande estrutura para isso. Na campanha de Dilma, o


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encarregado de abrir as portas no empresariado é o deputado e
ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci (PT-SP). Na campanha de
José Serra, esse papel ainda não está definido, mas pode vir a ser
desempenhado pelo ex-ministro Andrea Matarazzo. Mas eles, é claro, não
vão bater à porta de empresas. O trabalho de contatar empresários é feito
por outras pessoas. O PSDB já tem seus especialistas encarregados de
sentir o pulso das empresas. O PT faz o mesmo.
É consenso entre os políticos que as campanhas de Dilma e de Serra não
deverão enfrentar problemas por falta de dinheiro. Dilma é a candidata de
um governo bem avaliado. Serra é o líder nas pesquisas e tem uma boa
relação com o empresariado. Outros deverão ter mais dificuldades. A
senadora Marina Silva (AC), candidata pelo Partido Verde (PV), espera
gastar apenas R$ 5 milhões em sua pré-campanha. Mesmo assim, Marina
afirma que vai pedir uma auditoria externa das contas de sua campanha.
Esse cuidado se deve ao fato de que a candidatura de Marina atraiu o apoio
de um grupo de grandes empresários. O mais conhecido é o possível vice
da chapa de Marina, Guilherme Leal, um dos controladores da Natura.
Nas estimativas de Gaudêncio Torquato, uma campanha para deputado
federal em São Paulo poderá custar até R$ 7 milhões se o candidato não
estiver disputando a reeleição. Em Minas Gerais, poderá chegar a R$ 5
milhões. Esses custos e as dificuldades de arcar com eles variam, porém,
conforme o perfil do candidato. Candidatos ligados a igrejas e
comunicadores de rádio e TV, em geral, gastam menos porque têm base
eleitoral definida ou exposição pública. Os parlamentares que disputam a
reeleição têm nas emendas ao Orçamento da União um instrumento valioso
para tentar captar o apoio de empresas.
Já o candidato que disputa pela primeira vez uma vaga na Câmara dos
Deputados é obrigado a montar um esquema de apoios, que envolve, em
muitos casos, a mobilização e o financiamento de um pelotão de candidatos
a deputado estadual, prefeitos e vereadores. São eles os responsáveis por
contratar equipes de sete ou oito cabos eleitorais cada uma, que são
encarregadas de divulgar o nome do candidato com carros de som e
panfletos e de organizar reuniões. O candidato paga os funcionários, o
aluguel do carro, os panfletos, o combustível e a alimentação. Multiplique
isso por 30 ou 40, dependendo de quantas cidades o candidato tem em sua
base. É muito caro, diz um veterano operador de campanhas.
Há parlamentares que dispensam esses acordos com prefeitos e vereadores
porque captam o voto de opinião dado pelo eleitor que tem preferências
políticas e ideológicas claras. Um exemplo de candidato com voto de opinião
é o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que está no Congresso Nacional desde
1971 e exerce seu nono mandato. O custo aumenta se o sujeito for
candidato dele próprio, sem contar com apoios e uma militância, afirma
Teixeira. Por ter essa militância, em sua campanha pelo décimo mandato na
Câmara, Teixeira acredita que vai gastar apenas R$ 400 mil uma pechincha
no mundo eleitoral.
ÉPOCA apurou que as maiores empresas ainda estão definindo suas
estratégias para as eleições. Por que empresas se preocupam em doar
recursos para políticos? Em um país onde o Estado tem uma forte presença
na economia, as contribuições políticas são fundamentais para empresas
interessadas em conseguir benefícios ou defender seus interesses. Essa
relação é legítima e existe em praticamente todas as democracias. Mas
também é fonte de problemas. O maior deles é o caixa dois, as doações


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irregulares, que não estão na contabilidade das empresas e não
são declaradas pelos candidatos. Nas campanhas eleitorais
brasileiras, o caixa dois existe há décadas, mas ganhou notoriedade em
2005 com o escândalo do mensalão.
De lá para cá, o Tribunal Superior Eleitoral adotou diversas medidas para
coibir o caixa dois e tornar as contas de campanhas mais transparentes. Os
partidos são obrigados a publicar, durante a campanha, a lista com nomes
de financiadores e valores doados por eles, além de relacionar suas
despesas. Também foram restringidas as chamadas doações ocultas, em
que o dinheiro é entregue ao partido, que depois distribui aos candidatos. É
uma forma de não estabelecer a relação direta entre uma empresa e o
candidato. Era a modalidade preferida por empresas e por partidos.
Todas essas medidas tendem a reduzir a corrupção, mas não são capazes
de extinguir os desvios. ÉPOCA ouviu nos últimos dias políticos com vasta
experiência eleitoral e profissionais que participaram de campanhas para a
Presidência da República, governos de Estado e Congresso Nacional. Sob a
condição do anonimato, eles foram praticamente unânimes em afirmar que
a campanha deste ano deverá ser a mais cara da história e a maior parte do
financiamento transitará no escuro do caixa dois. Segundo eles, o caixa dois
até pode cobrir 70% das despesas reais. Esse dinheiro é arrecadado por
uma equipe que não se mistura com os arrecadadores oficiais.
As fontes de ÉPOCA afirmam que, em geral, não são os políticos que pedem
a doação por fora. Ela é oferecida pelos empresários. Segundo operadores
de campanha, quem age assim não dá dinheiro de graça. Faz isso em troca
de compromissos contratos com governos ou empresas públicas e proteção
política, entre outros interesses. O receio de aparecer em listas oficiais, com
doações registradas, é de evitar a publicidade caso o candidato beneficie a
empresa. Os arrecadadores afirmam que o caixa dois tende, inclusive, a
crescer por causa das medidas de transparência tomadas pelo TSE.
Segundo eles, muitas empresas temem a obrigatoriedade da divulgação dos
nomes dos doadores ao longo da campanha. O empresário que doa para a
oposição não quer aparecer, porque teme represálias do governo, diz um
candidato da oposição.
Os candidatos se relacionam de maneiras diferentes em relação à
arrecadação de dinheiro para suas disputas eleitorais. Em 1994, na
campanha em que pela primeira vez se elegeu presidente da República,
Fernando Henrique Cardoso delegou o controle da arrecadação ao ex-
ministro Sérgio Motta. O governador de São Paulo, José Serra, exige ser
informado de tudo, até para eventualmente vetar doações. Como mostram
as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, o ex-governador
de Brasília José Roberto Arruda se dedicou ao financiamento de sua
campanha. Ele teria participado pessoalmente de acordos para doações
inclusive pelo caixa dois. O financiamento de campanhas eleitorais não é
um problema unicamente brasileiro. Em todas as democracias existem
desvios no inevitável encontro entre o dinheiro privado e a política. Em
2006, os eleitores ingleses descobriram que o Partido Trabalhista recebeu
doações de milionários e, em troca, concedeu a eles cargos e títulos
honoríficos. Na Alemanha, nos anos 90, a CDU, o partido do ex-chanceler
Helmut Kohl, foi acusada de receber doações por caixa dois. Uma saída é
proibir as doações de empresas, afirma o cientista político Jairo Nicolau, do
Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Assim os
candidatos seriam forçados a gastar menos e o caixa dois seria inibido.


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Após os escândalos recentes, a Inglaterra, um país avesso a fazer
leis, produziu uma lei eleitoral com uma série de restrições. Nos
Estados Unidos, as empresas não podem doar diretamente para candidatos
durante a campanha. Recentemente, a França também proibiu as empresas
de doar.
A relação entre política e dinheiro produz distorções. Ao ex-ministro Luiz
Carlos Santos, um especialista em articulação política, é atribuída uma frase
sobre essa relação: Tem gente que precisa de dinheiro para fazer política.
Tem gente que faz política para fazer dinheiro. Em 2008, o deputado
Fernando Gabeira (PV-RJ) protagonizou um episódio incomum, na direção
contrária. Ao final da campanha, Gabeira recebeu uma oferta de
contribuição de um grande empresário. Gabeira agradeceu, mas recusou,
porque a campanha já tinha terminado e o prazo para arrecadar recursos
também estava encerrado. No ritmo em que os custos de campanha sobem
no Brasil, esse tipo de comportamento também tende a ser cada vez mais
raro.




Sindicalismo eleitoral
Época - 29/03/2010


Autor(es): Alberto Bombig Com Leandro Loyola
Às vésperas de Serra virar candidato, entidades ligadas ao PT fazem greves
e exigem reajustes que elevariam em R$ 8,7 bilhões os gastos do governo
paulista
A julgar pelo comportamento dos sindicalistas que controlam as entidades
de classe do funcionalismo público paulista, o calendário eleitoral de São
Paulo deveria incorporar também uma onda de greves. Isso é o que vem
ocorrendo sistematicamente a cada dois anos desde que o tucano Mário
Covas (1930-2001) assumiu o governo do Estado, em janeiro de 1995.
Agora, com o governador José Serra pronto para deixar o Palácio dos
Bandeirantes e entrar na disputa pela Presidência, a onda de greves e
protestos volta a se levantar.
Os sindicatos dos servidores de três áreas vitais do governo, Educação,
Saúde e Segurança, deflagraram paralisações ou operações-padrão a
poucos dias do prazo legal para que Serra deixe o cargo de governador para
concorrer ao Palácio do Planalto. Eles reivindicam aumentos salariais,
protestam contra o que chamam de falta de diálogo por parte do governo
tucano e passaram a seguir Serra em eventos públicos, quase sempre
inaugurações de obras.
As paralisações poderiam ser entendidas como parte do jogo democrático e
do histórico conflito entre patrões e empregados. Há, no entanto,
componentes nas greves que permitem identificar também interesses
eleitorais nos movimentos: as reivindicações pedem reajustes salariais além
do limite razoável para o governo; os sindicatos e suas centrais são ligados
a partidos que fazem oposição ao PSDB; alguns de seus dirigentes são
filiados ao PT; a adesão das categorias ao movimento é baixa; e as


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manifestações extrapolam os limites da liberdade de expressão e
descambam para agressões.
Conforme um levantamento feito pela Secretaria de Gestão do Estado, a
soma das reivindicações dos sindicatos geraria um impacto de R$ 8,7
bilhões por ano na folha de pagamentos do funcionalismo paulista (R$ 3,5
bilhões na Educação, R$ 2,5 bilhões na Segurança, R$ 1,5 bilhão na Saúde
e R$ 1,2 bilhão de auxílio-alimentação). Imediatamente, São Paulo passaria
a descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que fixa o teto de gastos
com o funcionalismo em 46,55% da receita corrente líquida. Atualmente,
essa relação está em 42%. A pauta dos sindicatos pede coisas impossíveis
de ser cumpridas. Ainda assim, abrimos as negociações, diz o secretário de
Gestão, Sidney Beraldo.
O mais barulhento dos sindicatos é a Apeoesp, que representa os
professores de São Paulo. Para conseguir um reajuste de 34%, eles atiram
ovos e outros objetos em Serra e têm o hábito de parar a Avenida Paulista,
uma das principais vias de São Paulo, às sextas-feiras, dia em que o
trânsito na cidade costuma ficar mais congestionado. Também querem o
fim de um sistema que instituiu a meritocracia na carreira e prevê
aumentos salariais para os professores conforme o cumprimento de metas.
A adesão ao movimento, segundo Beraldo, não ultrapassa 5% da categoria.
Na Saúde, área na qual o SindSaúde pleiteia 40% de aumento, esse índice
é ainda menor. A Associação dos Delegados de Polícia, que está em
operação-padrão, pressiona por um projeto de reestruturação de carreiras,
que, na prática, elevaria os salários.
Mesmo que algumas reivindicações possam ser legítimas, a baixa adesão
talvez se justifique pela opção política de alguns dirigentes sindicais. Na
quinta-feira, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, presidente da
Apeoesp, filiada ao PT, dividiu um palanque com a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, a escolhida do presidente Lula para disputar sua sucessão.
As maiores entidades sindicais do país já decidiram apoiar Dilma. A Central
Única dos Trabalhadores (CUT), vinculada ao PT, é uma aliada natural da
ministra. A Força Sindical, ligada ao PDT, era adversária histórica da CUT,
mas ganhou o Ministério do Trabalho e fará campanha para Dilma. A recém-
criada União Geral dos Trabalhadores (UGT) chegou a debater de que lado
ficar, mas também estará com Dilma. Se vencer, Serra terá dificuldades
para governar, afirma o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o
Paulinho, presidente da Força Sindical, central à qual está ligada a
presidente da Associação dos Delegados de São Paulo, Marilda Pansonato
Pinheiro. De acordo com Paulinho, que apoiou o governo tucano Fernando
Henrique Cardoso, a falta de sintonia com Serra é antiga. Quando o FHC
escolheu o Serra como candidato à Presidência em 2002, nós mudamos, diz
ele. Em outubro de 2008, às vésperas das eleições para prefeito, Paulinho
foi um dos líderes da greve dos policiais civis de São Paulo. Na ocasião,
liderou uma marcha de policiais civis armados até o Palácio dos
Bandeirantes que terminou em confronto com a Polícia Militar e por pouco
não virou uma tragédia.
Pré-candidato ao governo de São Paulo, o senador petista Aloizio
Mercadante postou em seu Twitter, o miniblog da internet, uma mensagem
de apoio aos movimentos, assim como o líder do PT na Assembleia paulista,
Antonio Mentor. Fizemos isso para informar a população. É um absurdo
dizer que as greves são políticas. Elas seriam se os professores, por
exemplo, ganhassem salários dignos e tivessem condições decentes de


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trabalho, diz Mentor. Beraldo discorda: Houve avanços na
qualidade e aumentos reais. O único propósito é desgastar a
imagem do governador José Serra.
Com a proximidade das eleições, um grupo de sindicalistas se mobiliza na
busca de dividendos eleitorais à custa da oposição e de benefícios
imediatistas à custa das empresas . Para além das disputas entre os
partidos, naturais em períodos eleitorais, as greves que não aglutinam as
categorias e servem para retórica política só desgastam a imagem dos
sindicatos e de seus dirigentes, incrustados nas máquinas partidárias.




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