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ROMANTISMO
O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu. O termo romântico refere-se, assim, ao movimento estético ou, num sentido mais lato, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.

CARACTERÍSTICAS
• Subjetivismo • O romantista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. • Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra. • Idealização • Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é uma virgem frágil, o índio é um herói nacional, e a pátria sempre perfeita. Essa característica é marcada por descrições minuciosas e muitos adjetivos.

• Sentimentalismo • Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão.E que expressa seu sentimento suas emoções e todo o relato sobre uma vida

• Egocentrismo • Como o nome já diz, é a colocação do seu ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os no texto. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.

• Natureza interagindo com o eu lirico • A natureza, no Romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol. • Grotesco e Sublime • Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa a idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de A Bela e a Fera, no qual uma jovem idealizada, se apaixona por uma criatura horrenda

• Medievalismo • Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas se passam em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas. • Indianismo • É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone que retrata a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (JeanJacques Rousseau), no qual retrata que a sociedade que corrompe o homem e o homem perfeito seria o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade européia.

• Byronismo • Inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo e sexo, podendo estar representado no personagem, ou na própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angustia e pelo satanismo, este último visto em Bernardo Guimarães, por exemplo.

ORIGEM
• O Romantismo surgiu na Europa numa época em que o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política, caíam os sistemas de governo despótico e surgia o liberalismo político (não confundir com o liberalismo econômico do Século XX). No campo social imperava o inconformismo e no campo artístico o repúdio às regras. A Revolução Francesa é o clímax desse século de oposição. No Brasil, o romantismo coincidiu com a independência política em 1822 com o 2º Reinado, a guerra do Paraguai e a campanha abolicionista. • Alguns autores neoclássicos já nutriam um sentimento mais tarde dito romântico antes de seu surgimento de fato, sendo assim chamados pré-românticos. Nesta classificação encaixam-se Francisco Goya e Bocage. • Romantismo surge inicialmente naquela que futuramente seria a Alemanha (tendo o movimento, inclusive, fundamental importância na unificação germânica) com o movimento Sturm und Drang e na Inglaterra.

• O Romantismo viria a se manifestar de formas bastante variadas nas diferentes artes e marcaria, sobretudo, a literatura e a música (embora ele só venha a se manifestar realmente aqui mais tarde do que em outras artes). À medida que a escola foi sendo explorada, foram surgindo críticos à sua demasiada idealização da realidade. Destes críticos surgiu o movimento que daria forma ao Realismo. • Neste sentido, as características centrais do romantismo viriam a ser o lirismo, o subjetivismo e o sonho de um lado e o exagero e a busca pelo exótico e pelo inóspito de outro. Também destacam-se o nacionalismo, a idealização do mundo e da mulher, assim como a fuga da realidade e o escapismo. Eventualmente também serão notados o pessimismo e um certo gosto pelo lúgubre.

Romantismo na literatura
• O Romantismo surge na literatura quando os escritores trocam o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não compreendem os valores literários clássicos e apreciam mais a emoção que a sutileza.

• Tendo o liberalismo como referência ideológica, o Romantismo renega as formas rígidas da literatura, como versos de métrica exata. O romance se torna o gênero narrativo preferencial, em oposição à epopéia. É a superação da Retórica, tão valorizada pelos clássicos. • Os aspectos fundamentais da temática romântica são o historicismo e o individualismo. O historicismo está representado nas obras de Walter Scott (Inglaterra), Vitor Hugo (França), Almeida Garrett (Portugal), José de Alencar (Brasil), entre tantos outros. São resgates históricos apaixonados e saudosos ou observações sobre o momento histórico que atravessava-se àquela altura, como no caso de Balzac ou Stendhal (ambos franceses).

• A outra vertente, focada no individualismo, traz consigo o culto do egocentrismo, vazado de melancolia e pessimismo ( Mal-do-Século). Pelo apego ao intimismo e a valores extremados, foram chamados de UltraRomânticos. Esses escritores como Byron, Alfred de Musset e Álvares de Azevedo beberam do Sturm and Drang alemão, perpetuando as fontes sentimentais. • O romantismo é um movimento que vai contra o avanço da modernidade em termos da intensa racionalização e mecanização. É uma crítica à perda das perspectivas que fogem àquelas correlacionadas à razão.

Romantismo em Portugal
• Teve como marco inicial a publicação do poema "Camões", de Almeida Garrett, em 1825, e durou cerca de 40 anos terminando por volta de 1865 com a Questão Coimbrã. As Gerações e seus principais autores • Primeira Geração (1825 a 1840)
– Almeida Garrett – Alexandre Herculano – António Feliciano de Castilho

• Segunda Geração (Ultra-Romantismo) (1840 e 1860)
– Camilo Castelo Branco – Soares de Passos

• Terceira Geração (Pré-Realismo) (1860 a 1870+-)
– Júlio Dinis – João de Deus

Romantismo no Brasil
• De acordo com o tema principal, os romances românticos no Brasil podem ser classificados como indianistas, urbanos ou regionalistas. • Romance indianista O índio era o foco da literatura, pois era considerado uma autêntica expressão da nacionalidade, e era altamente idealizado. Como um símbolo da pureza e da inocência, representava o homem não corrompido pela sociedade, o não capitalista, além de assemelhar-se aos heróis medievais, fortes e éticos. Junto com tudo isso, o indianismo expressava os costumes e a linguagem indígenas, cujo retrato fez de certos romances excelentes documentos históricos. • Romance urbano Os temas desenvolvidos tratam da vida na capital e relatam as particularidades da vida cotidiana da burguesia, cujos membros se identificavam com os personagens. Os romances faziam sempre uma crítica à sociedade através de situações corriqueiras, como o casamento por interesse ou a ascensão social a qualquer preço.

• Romance regionalista Propunha uma construção de texto que valorizasse as diferenças étnicas, lingüísticas, sociais e culturais que afastavam o povo brasileiro da Europa, e caracterizava-os como uma nação. Os romances regionalistas criavam um vasto panorama do Brasil, representando a forma de vida e individualidade da população de cada parte do país. A preferência dos autores era por regiões afastadas de centros urbanos, pois estes estavam sempre em contato com a Europa, além de o espaço físico afetar suas condições de vida.

Romantismo brasileiro
• Considera-se a obra Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, publicada em Paris em 1836, como o marco inicial do Romantismo brasileiro. • A poesia romântica brasileira passou por diferentes momentos nitidamente caracterizados. Essas diferentes vagas são apontadas pelos estudiosos, que agrupam os autores segundo as características predominantes em sua produção, dando destaque a essas tendências. Embora alguns críticos estabeleçam quatro, cinco e até seis grupos, observa-se que os aspectos apresentados em relevo podem ser assim reunidos:

Primeira Geração (NacionalistaIndianista)
• Voltada para a natureza, regressa ao passado histórico e ao medievalismo. Cria um herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores podemos destacar Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre. • Gonçalves de Magalhães foi o introdutor do Romantismo no Brasil. Obras: Suspiros Poéticos e Saudades. • Gonçalves Dias foi o mais significativo poeta romântico brasileiro. Obras: Canção do exílio, I-Juca-Pirama. • Araújo Porto Alegre fundou com os outros dois, a Revista Niterói-Brasiliense

Características 1ª geração
• Nacionalista Ufanista (que sente orgulho de sua pátria) • Indianista • Subjetivismo • Religioso • Brasileirismo (linguagem) • Evasão do tempo e espaço

Segunda geração(mal do século)
• Essa geração, também conhecida como Byroniana e Ultra-Romantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão. • Álvares de Azevedo fazia parte da sociedade destinada a repetir no Brasil a existência boêmia de Byron. Obras: Pálida à Luz, Soneto, Lembranças de Morrer, Noite na Taverna • Casimiro de Abreu. Obras: As Primaveras. Poemas: Poesia e amor, etc. • Fagundes Varela: Embora byroniano, a poesia dele já apresentava algumas características da 3º geração do romantismo. • Junqueira Freire - Com estilo dividido entre a homossexualidade e a heterossexualidade, demonstrava as idiossincrasias da religião católica do século XIX.

características
• • • • • Profundo subjetivismo Egocentrismo Individualismo Evasão na morte Saudosismo (lamentação)- Casimiro de Abreu • Pessimismo

Terceira Geração(Condoreira)
• Conhecida também como Condoreira, simbolizado pelo Condor, uma ave que costuma construir seu ninho em lugares muito altos, ou Hugoniana, referente ao escritor francês Victor Hugo, grande pensador do social. • Apresenta linguagem declamatória e vem carregada de figuras de linguagem. • Sentimento Social Liberal e Abolicionista. • Apresenta como principais autores Castro Alves, Sousândrade e Tobias Barreto. • Castro Alves: Negro, denominado "Poeta dos Escravos", o mais expressivo representante dessa geração. Obras: Espumas Flutuantes, Navio Negreiro. • Essas três gerações citadas acima, apenas se aplicam para a poesia romântica, pois a prosa no Brasil, não foi marcada por gerações, e sim por estilos de textos - indianista, urbano ou regional - que aconteceram todos simultaneamente.

• CARACTERÍSTICAS DO ROMANTISMO
• Grande é o número de características que marcaram o movimento romântico, características essas que, centradas sempre na valorização do eu e da liberdade, vão-se entrelaçando, umas atadas às outras, umas desencadeando outras e formando um amplo painel de traços reveladores. • Para aqui discuti-las, vamos seguir os aspectos considerados os mais significativos por Domício Proença Filho em sua análise dos estilos de época na literatura.

• 1. Contraste entre os ideais divulgados e a limitação imposta pela realidade vivida. O universo conhecido se alarga, o Século das Luzes deixa um rastro de anseios libertários, desloca-se o centro do poder; a dependência social e econômica, a inconsciência, o desconhecimento estabelecem para a imensa maioria, no entanto, uma existência marcada por limitações de toda ordem.

• 2. Imaginação criadora. Num movimento de escapismo, o artista romântico evade-se para os universos criados em sua imaginação, ambientados no passado ou no futuro idealizados, em terras distantes envoltas na magia e no exotismo, nos ideais libertários alimentados nas figuras dos heróis. A fantasia leva os românticos a criar tanto mundos de beleza que fascinam a sensibilidade, como universos em que a extrema emoção se realiza no belo associado ao terrificante (vejam-se as figuras do Drácula, do Frankstein, do Corcunda de Notre Dame e a ambiência que os rodeia). • 3. Subjetivismo. É o mundo pessoal, interior, os sentimentos do autor que se fazem o espaço central da criação. Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra. • 4. Evasão. O escapismo romântico manifesta-se tanto nos processos de idealização da realidade circundante como na fuga para mundos imaginários. Quando acompanhado de desesperança, sucumbe ao chamado da morte, companheira desejada por muitos e tema recorrente em grande número de poetas.

• 5. Senso de mistério. A valorização do mistério, do mágico, do maravilhoso acompanha a criação romântica. É também esse senso de mistério que leva grande número de autores românticos a buscar o sobrenatural e o terror. • 6. Consciência da solidão. Conseqüência do exacerbado subjetivismo, que dá ao autor romântico um sentimento de inadequação e o leva a sentir-se deslocado no mundo real e, muitas vezes, a buscar refúgio no próprio eu. • 7. Reformismo. Esta característica manifesta-se na participação de autores românticos em movimentos contestadores e libertários, com grande influência em sua produção, como foi a campanha abolicionista abraçada por Castro Alves e o movimento republicano assumido por Sílvio Romero.

• 8. Sonho. Revela-se na idealização do mundo, na busca por verdades diferentes daquelas conhecidas, na revelação de anseios. • 9. Fé. É a fé que conduz o movimento: crença na própria verdade, crença na justiça procurada, crença nos sentimentos revelados, crença nos ideais perseguidos, crença que se revela ainda em diferentes manifestações de religiosidade cristã – fé. Não se pode esquecer a profunda influência do medievalismo na construção do mundo romântico, dele fazendo parte a religiosidade cristã. • 10. Ilogismo. Manifestações emocionais que se opõem e contradizem. • 11. Culto da natureza. A natureza adquire especial significado no mundo romântico. Testemunha e companheira das almas sensíveis, é, também, refúgio, proteção, mãe acolhedora. Costuma-se afirmar que, para os românticos, a natureza foi também personagem, com papel ativo na trama.

• 12. Retorno ao passado. Tal retorno deu origem a diversas manifestações: saudosismo voltado para a infância, o passado individual; medievalismo e indianismo, na busca pelas raízes históricas, as origens que dignificam a pátria. • 13. Gosto do pitoresco, do exótico. Valorização de terras ainda não exploradas, do mundo oriental, de países distantes. • 14. Exagero. Exagero nas emoções, nos sentimentos, nas figuras do herói e do vilão, na visão maniqueísta a dividir o bem e o mal, exagero que se manifesta nas características já listadas. • 15. Liberdade criadora. Valorização do gênio criador e renovador do artista, colocado acima de qualquer regra.

• 16. Sentimentalismo. A poesia do eu, do amor, da paixão. O amor, mais que qualquer outro sentimento, é o estado de fruição estética que se manifesta em extremos de exaltação ou de cinismo e libertinagem, mas sempre o amor. • 17. Ânsia de glória. O artista quer ver-se reconhecido e admirado. • 18. Importância da paisagem. A paisagem é tecida de acordo com as emoções dos personagens e a temática das obras literárias. • 19. Gosto pelas ruínas. A natureza sobrepõe-se à obra construída. • 20. Gosto pelo noturno. Em harmonia com a atmosfera de mistério, tão próxima do gosto de todos os românticos. • 21. Idealização da mulher. Anjo ou prostituta, a figura da mulher é sempre idealizada

• 22. Função sacralizadora da arte. O poeta sente-se como guia da humanidade e vê na arte uma função redentora. • Acrescentem-se a essas características os novos elementos estilísticos introduzidos na arte literária: a valorização do romance em suas muitas variantes; a liberdade no uso do ritmo e da métrica; a confusão dos gêneros, dando lugar à criação de novas formas poéticas; a renovação do teatro.

Na prosa
• O romance não fazia parte de nossa tradição cultural.Ganhou corpo com o romantismo,graças à aquisição pelo público do gosto da leitura de folhetins,importante fonte de lazer no século XIX.No Brasil pósindependência,colocou-se um desafio para nossos escritores românticos:definir o que seria nação,o povo e a cultura brasileira.O romance,ao surgir nesse contexto assumiu o papel de um dos principais instrumentos nesse processo de “descoberta” do país e de busca da identidade nacional.

• Os romances do período romântico foram construídos em torno de quatro grandes núcleos: • os romances históricos, voltados para as relações que fizeram o Brasil colônia;

• os romances indianistas, com a intenção de estabelecer nossas raízes históricas, construiu-se em torno da idealização da figura do índio, transformado em herói nacional;
• os romances urbanos, com ênfase nas relações amorosas, foram o espaço de revelação das preocupações burguesas, sua noção de honra e o significado do dinheiro nas relações estabelecidas; • o romance sertanista ou regionalista, voltado para o mundo rural, veio a ser a abertura para uma das temáticas mais significativas a desenvolver-se na literatura brasileira nos movimentos literários que se seguiram ao Romantismo.

Joaquim Manuel de Macedo
• O primeiro romance bem-sucedido na história da literatura brasileira foi A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844. Seu reconhecimento se deve ao fato de ter sido a primeira narrativa centrada em personagens brasileiros, com ambiência local.

Além das características já citadas encontramos ainda:
• Flash-back narrativo:o autor faz uma volta ao passado para explicar atitudes de algumas personagens(em A Moreninha,explica o comportamento indiferente de Augusto em relação às mulheres): O amor como redenção:o conflito consiste na oposição entre valores da sociedade e o desejo de realização amorosa entre os amantes:ou a família não quer a união,ou um dos dois está impossiblitado,ou não merece moralmente o amor); Idealização do herói:é em geral um ser dotado de idealismo,de honra e coragem(por exemplo Peri na obra O Guarani de José de Alencar): Idealização da mulher:personagens dominadas pela emoção,obedientes às determinações dos pais e educadas para o casamento,desprovidas de opiniões própria: Personagens planas:as personagens mantém o mesmo perfil do começo ao fim da obra,não mudam no decorrer da narrativa: Linguagem metafórica:a prosa romantica tende a fantasia e a imaginação,por isso as adjetivações,comparações,metáforas são abundantes na narrativa.

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O romance indianista
• O romantismo brasileiro encontrou no índio a sua mais autêntica expressão de nacionalidade.E,com essa transposição da figura do índio para a literatura,não precisou importar o “mito do bom selvagem”,de Rosseau;ele estava vivo nas matas brasileiras,identificadas como o “paraíso perdido”.O romance indianista celebra tanto o estado de pureza do índio quanto a formação mestiça da raça brasileira.Na poesia destacouse Gonçalves Dias e na prosa José de Alencar.

José de Alencar
• Um dos principais romancistas brasileiros.Sua produção constitui um panorama histórico brasileiro:seus romances vão do mundo selvagem natural à miscigenação entre brancos e índios e desta à formação da sociedade brasileira no campo e na cidade. Romances históricos: As minas de prata;A guerra dos mascates;Alfarrábios que compreende:O garatuja,O ermitão da glória e Alma de Lázaro. Romances regionalista: O gaúcho;O tronco do Ipê;Til;O Sertanejo. Romance indianista: Ubirajara,Iracema,O Guarani Romances Urbanos: Cinco minutos;A viuvinha;Lucíola:Diva:A pata da gazela:Sonhos d`ouro;Senhora;Encarnação.

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Poesia: Os filhos de Tupã
Teatro: A noite de São João;O Rio de Janeiro – verso e reverso;O demônio familiar;As asas de um anjo;Mãe:O jesuíta.

O romance regional
• Diferentemente de outros romances românticos,o romance regional não tinha modelos no romantismo europeu e,por isso, foi obrigado a construir seus próprios modelos.Como consequência a literatura alcança maior autonomia e o Brasil passa a se conhecer melhor em suas enormes diversidades regionais.Cabe aos romances regionalista dar ao país uma visão de si mesmo.Estendendo o olhar para os 4 cantos do país,o romance regional buscou compreender e valorizar as diferenças étnicas,linguísticas,sociais e culturais que ainda hoje marcam essas regiões.

Romance regional
• O Sul: O Gaúcho de José de Alencar; • O Nordeste:O cabeleira de Franklin Távora; • O Centro-Oeste:Inocência de Visconde de Taunay(obra-prima do romance regionalista)

Romance urbano
• Tanto na Europa quanto no Brasil,o romance urbano,pelo fato de tratar das particularidades da vida cotidiana da burguesia,conquistou um enorme prestígio entre o público dessa classe.Esse êxito não apenas teve como consequência a consolidação e o amadurecimento do romance enquanto gênero,mas também preparou caminhos para vôos literários mais altos,representados pelos romances urbanos de Machado de Assis que surgiram anos depois.Aqui no Brasil,destacaram-se Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antonio de Almeida e Lucíola e Senhora de José de Alencar.Podemos dizer que Joaquim Manuel de Macedo introduziu o romance no Brasil e Manuel Antonio de Almeida o consolidou.

Principais romancistas românticos brasileiros
• • Joaquim Manuel de Macedo, romancista urbano escreveu A Moreninha e também O Moço Loiro. José de Alencar, principal romancista romântico. Romances urbanos: Lucíola; A Viuvinha; Cinco Minutos; Senhora. Romances regionalistas: O Gaúcho, O Sertanejo, O Tronco do Ipê. Romances históricos: A Guerra dos Mascates; As Minas de Prata. Romances indianistas: O Guarani, Iracema e o Ubirajara. Manuel Antônio de Almeida: romancista urbano, precursor do Realismo. Obras: Memórias de um Sargento de Milícias. Bernardo Guimarães: considerado fundador do regionalismo. Obras: A Escrava Isaura; "O Seminarista" Franklin Távora: regionalista. Obra mais importante: O Cabeleira. Visconde de Taunay: regionalista. Obra mais importante: Inocência. No país, entretanto, o romantismo perdurará até à década de 1880. Com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis, em 1881, ocorre formalmente a passagem para o período realista.

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Observação:
• Em termos cronológicos, O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa (1843), é o primeiro romance romântico brasileiro, mas A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo (1840), foi o primeiro romance de destaque no Brasil, tendo sido adaptado posteriormente para o teatro, o cinema e a televisão, • Sem dúvida, é praticamente impossível analisar o Romantismo brasileiro sem que sejam feitas referências a José de Alencar, Ele é chamado por muitos de “pai da literatura brasileira", pois foi o romancista capaz de consolidar a prosa romântica.

A prosa Gótica
• Contrapondo-se aos valores racionalistas e materialistas da sociedade burguesa,certos escritores do romantismo criam uma literatura fantasiosa.Identificada com o universoi de satanismo,mistério,morte,sonho,loucura e degradação.Trata-se da literatura de tradição gótica,conhecida também como maldita,que até hoje encontra adeptos na literatura,na música e no cinema.

“venha me beijar,meu doce vampiro Ô,uou,na luz do luar Ah,ah,ah venha me sugar o calor De dentro do meu sangue vermelho, Tão vivo,tão eterno ,veneno Que mata a sua sede Que me bebe quente Como um licor Brindando à morte E fazendo amor”(Rita Lee e Roberto de Carvalho)
O vampirismo,o amor,a morte e o ambiente noturno,presentes no texto acima,são elementos da tradição gótica,introduzida na literatura pelo paulista Álvares de Azevedo e por outros poetas da segunda geração,marcada pelo byronismo e mal do século.

Noite na Taverna de Álvares de Azevedo
• Pode ser considerada um obra de contos apesar do fio narrativo que une todas as histórias.No primeiro capítulo,em terceira pessoa o autor faz uma apresentação do ambiente:uma taverna,povoada de bêbados e loucos:em uma mesa alguns homens conversam e bebem.Excitados pelo alcoól,cada um deles conta um episódio de sua vida,ganhando esse capítulo o nome de seu narrador-personagem.Todas as histórias narradas são fantásticas e envolvem acontecimentos trágicos,amor e morte,vícios e crimes.Todos os narradores demonstram um forte pessimismo diante da vida.Os temas mais excêntricos são encontrados nessas narrativas:violência física e sexual,adultérios,assassinatos,incestos,necrofilia,antrop ofagia,corrupção entre outros.

Na música
• A designação gótico,na literatura,associa-se ao universalismo decadente,mórbido e satânico introduzidos pelos ultra-românticos.No rock,o termo ganhou outro significado.No início do heavy-metal,anos 70,o grupo Black Sabbath cantou o demônio e o sabá;na década seguinte,o grupo Iron Maiden deu continuidade à proposta,porém introduzindo o misticismo e o exótico.Ainda nos anos 80,o grupo Division,cantando o pessimismo,o mal-estar,a depressão,tornou-se um dos principais representantes do dark rock.

“O Diabo é pai do rock”
Dizer que alguns grupos de rock veiculam influências ou mensagens do tipo satânico não é algo propriamente novo,nem secreto,pois alguns roqueiros,orgulham-se abertamente disso.Faz parte do marketing de alguns,como Alice Cooper,Ozzy Osbourne,um teatro de magia negra nos palcos.Antes, o rock cantava o álcool,o amor, a liberdade,o sexo,as drogas mas não foi preciso esperar muito para que grupos como os Beatles e os Rolling Stones acrescentassem mais um tema: o capeta. No Brasil: Raul Seixas em parceria com Paulo Coelho compôs: Rock do diabo

No cinema
• Alguns filmes tornaram-se clássico do gênero: • Dança dos Vampiros,Nosferatu,Drácula do Bran Stoker.

conclusão
• A literatura de tradição gótica é representada por alguns escritores do Romantismo que se posicionaram contra os valores racionalistas e materialistas da sociedade burguesa e se identificaram com um ambiente satânico, misterioso, de morte, sonho e loucura, criando então uma literatura fantasiosa. Na literatura brasileira os elementos da tradição gótica, como a morte, o ambiente noturno, o amor, o vampirismo foram introduzidos por Álvares de Azevedo. Essa produção apresenta um caráter marginal e rompe com os valores da sociedade. Na Europa Charles Baudelaire e Mallarmé, nos Estados Unidos Edgar Allan Poe e no Brasil Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos tiveram ligações com essa tendência. A produção gótico-romântica em prosa é representada pelas obras Noite na taverna (contos) e Macário (peça teatral); ambas de Álvares de Azevedo. A tradição gótica encontra adeptos não só na literatura, mas na música e no cinema. O ex-integrante do grupo Black Sabbath, Ozzy Osbourne é um dos representantes do rock satânico, o cinema também documentou esse movimento com os filmes Laranja mecânica (anos 70) e Juventude transviada (anos 50).
sss/jbc


				
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