MODERNISMO – 1ª fase 11

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MODERNISMO – 1ª fase 11 Powered By Docstoc
					MODERNISMO – 1ª Geração
A historiografia literária brasileira costuma dividir em três fases o Modernismo brasileiro. Os marcos cronológicos da primeira fase, também conhecida como "heróica", são o ano de 1922, quando realizou-se a Semana de Arte Moderna em São Paulo, e o ano de 1930, quando ocorreu a publicação de Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade, dando início a um novo período. No entanto, bem antes de 1922 os artistas participantes da Semana já produziam obras influenciadas pelas novas correntes européias, que debatiam e divulgavam pela imprensa. Assim, a realização da Semana de 22 apenas reuniu e apresentou a um público bastante restrito – e escandalizado – alguns dos artistas paulistas e cariocas que já vinham cultivando modernas formas de expressão. Entre eles estavam os escritores Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e Menotti del Picchia, além de Graça Aranha, na época autor consagrado e membro da Academia Brasileira de Letras, que usou seu prestígio para apresentar os jovens modernistas. Também participaram da Semana o músico Villa-Lobos, a pintora Anita Malfatti e o escultor Victor Brecheret, entre outros.

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Caracterizada por uma oposição entre o projeto formal inovador e a proposta de resgatar elementos da cultura tradicional, a primeira geração de modernistas desenvolve uma arte experimental, de acordo com o projeto fixado por Mário de Andrade na Semana de Arte Moderna de 22. A produção destes iniciadores da arte moderna no Brasil concilia uma linguagem importada das vanguardas modernistas européias, com um conteúdo nativista que resgata as raízes culturais brasileiras.

• Nos anos 20, estes modernistas conviveram de perto com a arte européia. Paris, como centro de produção artística, definiu os novos rumos da arte brasileira, influenciando toda essa geração de artistas. Antes mesmo de 22, Victor Brecheret e Vicente do Rego Monteiro vão para a capital francesa para se aprofundarem na pintura moderna. • Logo depois da Semana de Arte Moderna é a vez de Tarsila do Amaral ir a Paris. Outros artistas passam a seguir o mesmo rumo e unirem-se a eles, buscando concretizar o projeto modernista. É o que acontece com Di Cavalcanti e Anita Malfatti, em 23, e com Antonio Gomide, em 24. Ismael Nery, que estivera na Europa no começo dos anos 20, volta a capital francesa, em 27, buscando um estilo vanguardista.

• Junto com o pernambucano Cícero Dias, que revela seu talento precoce quando vai ao Rio de Janeiro, em 1927, estes artistas vão se consolidar como os grandes iniciadores da arte moderna brasileira. Nesta época, os centros artísticos no Brasil, além de escassos, privilegiavam uma arte acadêmica com contornos tradicionais, o que incentivava os artistas modernos à buscar alternativas de aprendizado independentes. Por isso, as escolas parisienses representavam mais do que um intercambio cultural: eram necessárias para qualquer tentativa de atualização.

• Estes artistas traziam para outros brasileiros as novidades de Paris, transmitindo novas linguagens vanguardistas. A absorção desta arte presente nos centros europeus une-se à elementos da nacionalidade brasileira, consolidando o projeto modernista. A partir de então, a arte moderna passa a trilhar novos rumos, distanciando-se, no entanto, daqueles estabelecidos na Semana de 22. Tarsila do Amaral ,Anita Malfatti, Victor Brecheret , Di Cavalcanti ,Vicente do Rego Monteiro,Antonio Gomide ,Ismael Nery ,Cícero Dias

• Segundo Alfredo Bosi, "a Semana foi, ao mesmo tempo, o ponto de encontro das várias tendências que desde a I Guerra vinham se firmando em São Paulo e no Rio, e a plataforma que permitiu a consolidação de grupos, a publicação de livros, revistas e manifestos, numa palavra, o seu desdobrar-se em viva realidade cultural • ." A necessidade de consolidar a nova estética, de definir seus rumos, de romper com os padrões literários do passado conferiu ao Modernismo da primeira fase um alto grau de radicalismo. Mário de Andrade afirmou, a respeito da violência com que se processou a ruptura com o passado: "(...) se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista. Isto é, o seu sentido verdadeiramente específico. Porque, embora lançando inúmeros processos e idéias novas, o movimento modernista foi essencialmente destruidor.".

Primeira geração – 1922/1930
• Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida efêmera. Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (RJ) para fundação do Partido Comunista do Brasil. Ainda no campo da política, surge em 1926 o Partido Democrático que teve entre seus fundadores Mário de Andrade. É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor. Principais autores desta fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Plínio Salgado

características
• Busca do moderno, original e polêmico. • Nacionalismo em suas múltiplas facetas. • Volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro. • ―Língua brasileira‖ - falada pelo povo nas ruas. • Paródias - tentativa de repensar a história e a literatura brasileira. • A postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes: - nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas. -nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.

MANIFESTOS E REVISTAS
• Revista Klaxon — Mensário de Arte Moderna (1922-1923) • Recebe este nome, pois klaxon era o termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Primeiro periódico modernista, é conseqüência das agitações em torno da SAM. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo. • ―— Klaxon sabe que o progresso existe. Por isso, sem renegar o passado, caminha para diante, sempre, sempre.‖ • Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924-1925) • Escrito por Oswald e publicado inicialmente no Correio da Manhã. Em 1925, é publicado como abertura do livro de poesias Pau-Brasil de Oswald. Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil. • ―— A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela sob o azul cabralino, são fatos estéticos.‖ • ―— A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.‖

• Revista (1925-1926)
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Importante veículo responsável pela divulgação dos ideais modernistas em Minas Gerais, apesar da vida breve. Teve apenas três números e contava com Drummond como um de seus redatores. O texto PARA OS CÉTICOS, publicado como editorial do primeiro número de ―A Revista‖, é um libelo contra os escritores engessados, que ele diz haver muitos no Brasil da época – ―Assim Deus Nosso Senhor mandasse uma epidemia que os reduzisse à metade! - e é também um clamor para a mudança, perceptível em ―Ação quer dizer vibração, luta, esforço construtor, vida.‖
Foi com a mudança para Belo Horizonte, no início da década de 1920, que a carreira literária de Drummond ganhou impulso. Ele começou a colaborar como cronista no jornal Diário de Minas e integrou-se ao movimento Modernista de seu Estado, com Pedro Nava, Emílio Moura e outros. É nesse momento, em 1925, que ele funda ―A Revista‖, na qual o grupo modernista mineiro propunha uma reformulação dos padrões estéticos da literatura brasileira, influenciado pelas revistas modernistas feitas pelos paulistas e cariocas, uma revista cultural idealista em que modernistas do país inteiro coloriam suas páginas. ―A Revista‖ abrigou em suas páginas a novela de Mário de Andrade, Amar, verbo intransitivo, o poema panfletário de Manuel Bandeira, ―Poética‖, onde Bandeira declara sua aversão ao lirismo comedido, e a publicação de uma conferência proferida por Freud nos Estados Unidos, em que o psicanalista alerta o mundo para sua descoberta do inconsciente. Encerrava-se em 1926 essa aventura.

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• Em outro parágrafo, diz que são jovens e, não, românticos. Mesmo assumindo que para alguns um é o mesmo que o outro, Drummond diz que não são lunáticos e que se tiver que escolher algum romantismo, será o da mocidade, pois é o da ação. Eles são a favor da ―ação intensiva em todos os campos‖ e também pela ―renovação intelectual do Brasil, renovação que se tornou um imperativo categórico‖. • Podemos dizer que os mineiros responsáveis pela ―A Revista‖ olham para a tradição sem a esquecer, mas sem a obedecer, assim como para as vanguardas, que as consideram, mas também não as seguem. • O discurso panfletário de Drummond pode ser explicitado no trecho seguinte: ―Contra esse opressivo estado de coisas é que a mocidade brasileira procura e deve reagir, utilizando as suas puras reservas de espírito e coração‖. • A Revista, segundo o autor, era uma obra de refinamento interior, que deveria ser veiculada pelos meios pacíficos do jornal, tribuna e da cátedra, sendo isso o que nos faz democratas.

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Verde-Amarelismo (1926-1929) É uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil. Grupo formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. Criticavam o ―nacionalismo afrancesado‖ de Oswald. Sua proposta era de um nacionalismo primitivista, ufanista, identificado com o fascismo, evoluindo para o Integralismo de Plínio Salgado (década de 30). Idolatria do tupi e a anta é eleita símbolo nacional. Em maio de 1929, o grupo verdeamarelista publica o manifesto ―Nhengaçu Verde-Amarelo — Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta‖.
Manifesto Regionalista de 1926 1925 e 1930 é um período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife) busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e João Cabral - na 2ª fase modernista.

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• Revista Antropofagia (1928-1929) • Contou com duas fases (dentições): a primeira com 10 números (1928 e 1929) direção Antônio Alcântara Machado e gerência de Raul Bopp; a segunda foi publicada semanalmente em 16 números no jornal Diário de São Paulo (1929) e seu ―açougueiro‖ (secretário) era Geraldo Ferraz. É uma nova etapa do nacionalismo PauBrasil e resposta ao grupo Verde-amarelismo. A origem do nome movimento está na tela ―Abaporu‖ (O que come) de Tarsila do Amaral.

• “A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.” (Revista de Antropofagia, nº 1)

Outras revistas
• Revista Verde de Cataguazes (MG - 19271928) • Revista Estética (RJ - 1924) • Revista Terra Roxa e outras Terras (SP 1926, colaborador Mário de Andrade) • Revista Festa (RJ - 1927, Cecília Meireles como colaboradora)

Autores
• • • • • • • • • • Antônio de Alcântara Machado (1901-1935) Cassiano Ricardo (1895-1974) Guilherme de Almeida (1890-1969) Manuel Bandeira (1886-1968) Mário de Andrade (1893-1945) Menotti del Picchia (1892-1988) Oswald de Andrade (1890-1953) Plínio Salgado (1895-1975) Raul Bopp (1898-1984) Ronald de Carvalho (1893-1935)

Princípios/1ª geração
• negação do passado, caráter destrutivo ("Sabemos o que não queremos") • Eleição do moderno como um valor em si mesmo, segundo Domício de Proença Filho • Valorização do cotidiano • Nacionalismo • Redescoberta das realidades brasileira • Desejo de liberdade no uso das estruturas da língua • Predominância da poesia sobre a prosa

Os autores mais importantes/1ª geração
• • • • • Oswald de Andrade Mário de Andrade Manuel Bandeira Alcântara Machado Cassiano Ricardo

Conclusão
• A primeira fase do Modernismo (1922 1930), é a de uma geração revolucionária, tanto nas artes como na política: volta-se contra toda espécie de "passadismo" e acredita no progresso e nas possibilidades de transformação do mundo; é uma geração crítica e anarquista; uma geração de combate. Suas armas a piada, o ridículo, o escândalo, a agitação.

TEXTOS
• Evocação do Recife Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais. Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância (...) Manuel Bandeira

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Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive

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Mando chamar a mãe-d‘água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada. Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. Manuel Bandeira

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E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio

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• Pronominais
Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro --Fragmentos do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald de Andrade erro de português Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido o português. (Fragmentos do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald de Andrade )

• erro de português Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido o português. -(Fragmentos do livro de poesias PauBrasil, de Oswald de Andrade

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Mário de Andrade • Eu insulto o burguês! O burguês níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! o homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileir o, italiano, é sempre um cauteloso pouco-apouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos, e gemem sangues de alguns milréis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam os ‗Printemps‘ com as unhas! Come! Comete a ti mesmo, oh! gelatina pasma! Oh! puré de batatas morais! Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas! ( ...) Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de piolhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Fora! Fu! Fora o bom burguês!... (Fragmentos de Ode ao Burguês )


				
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