Barroco 2 by soniamar

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									BARROCO
O Barroco foi desenvolvido no Séc. XVII. Nesse período, o terror provocado pela inquisição tentava limitar pensamentos e manifestações culturais e impor a austeridade. Foi o estilo artístico dominante nas cortes européias do século XVII e dos princípios do Séc. XVIII.

Contexto histórico a nível de Brasil
• Barroco • • • • • Contexto Histórico Geral:1580 a 1756 (Brasil:1601 a 1768) Renascimento Surgimento da Imprensa Protestantismo (a Reforma de Lutero), a ContraReforma da Igreja Católica (Concílio de Trento) e a Companhia de Jesus (Jesuítas) • Heliocentrismo (Heliocentrismo é uma teoria astronômica que demonstra
cientificamente que o Sol é o centro do Sistema Solar. Foi o astrônomo grego Aristarco de Samos que apresentou pela primeira vez, no século III a.C, esta teoria. )

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A nivel de rondônia
• Pelo Tratado de Tordesilhas, a região da Amazônia pertencia à Espanha. Desde o início do século XVII, no entanto, a região passou a ser alvo de incursões portuguesas. Para favorecer as entradas no território, em 1671, Francisco da Mota Galvão construiu o Forte de São José do Rio Negro, origem da cidade Manaus. As disputas com a Espanha terminaram com o Tratado de Madri, que em 1650 concedem a Portugal a posse definitiva da região.

• Em 1755, foi criada a capitania de São José do Rio Negro.// Com a proclamação da independência em 1822, a capitania foi incorporada ao Estado do Pará e, em 1832, foi palco de uma revolta popular que exigem sua autonomia. A rebelião foi reprimida pelas tropas imperiais e em 1850, D. Pedro II criou a província do Amazonas.

características
• • • • • • • • Linguagem Rebuscada (Cultismo) Grandiosidade Jogos de Conceitos (Conceptismo) Fragilidade da Matéria Divino-Humano Religiosidade Preocupação com a morte Estética do conflito : pela confluência de valores medievais (teocentrismo) e valores renascentistas (antropocentrismo) • Tensão e angústia existencial •

CONTRA-REFORMA

A DOUTRINAÇÃO PELO TERROR
A reforma católica mais conhecida como contra-reforma, restabeleceu a Inquisição, que havia sido abandonada durante a Renascença, e alcançou seu auge durante o Concílio de Trento, realizado na Itália, entre 1535 e 1563. Nele, foi reafirmada a autoridade papal, a adoração aos santos, o celibato clerical; proibiu-se severamente a venda de indulgências, e instituiu-se uma rigorosa censura à publicação de livros reprovados pelo clero. Em 1534, o padre espanhol Inácio de Loyola fundou a companhia de Jesus. Os membros dessa ordem tiveram importante participação nos rumos da contra-reforma. Pouco depois de sua fundação os jesuítas já pregavam na América, África e na Ásia.

BRASIL – NASCE UM PAÍS
Desde seu descobrimento, em 1500, o Brasil esteve ligado a alguma forma de Literatura. Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta ao rei de Portugal, D. Manuel, o venturoso, relatando a descoberta, os aspectos pitorescos da terra e seu potencial econômico. Depois tivemos a Literatura de Informação, feita por estrangeiros que aqui estiveram e que narraram episódios do convívio com os nativos. Tivemos ainda, a do convívio com os nativos. Tivemos ainda, a Literatura de Formação feita por jesuítas com a finalidade de catequizar os índios. (textos de teatros e com poesias).

BARROCO: A ARTE DOS CONTRASTES
O Barroco é a arte dos contrastes. O artista tentou conciliar estas forças polares. O resultado é uma arte hiperbólica, que expressa, por meio do rebuscamento formal, a angústia desse conflito entre a

ótica renascentista ainda remanescente e as imposições retrógradas das
contra-reformistas. De origem espanhola, a escola barroca encontra terreno fértil em especial nos países da Europa neolatina, onde os efeitos da contrareforma se fizeram sentir mais intensamente.

LABIRINTO E REBUSCAMENTO
De origem italiana, é na Espanha que o Barroco encontra maior eco e expressão, especialmente na figura do poeta Luís de Gôngora. O nome do movimento, inspirado no de uma pérola de formato irregular, durante algum tempo foi sinônimo de mau gosto. Fundamentado no dualismo entre valores antropocêntricos do classicismo e os valores teocêntricos medievais, o barroco expressa a angústia do homem dividido entre a efemeridade do mundo material e a incerteza do mundo espiritual. teocentrismo x antropocentrismo; razão x fé; céu x inferno, pecado x perdão; desejo x castidade...

O homem está perdido no labirinto da dúvida, cercado pelo terror
católico. Esse dilema existencial encontra uma saída provisória na máxima CARPE DIEM, ou seja, colher o dia, viver intensamente, já que a morte é certa.

CULTISMO
CULTISMO (ou função de Luis Góngora): valorização da forma, abuso das metáforas e hipérboles; adjetivação, apelo sensorial. Aproximase da descrição. É muito difícil um texto ser exclusivamente cultista, em geral se mescla com o conceptismo.

“A minha bela ingrata

Cabelo de ouro tem, fronte de prata De bronze o coração, de aço o peito; São os olhos luzentes Por quem choro e suspiro, Desfeito em cinza, em lágrimas desfeito

Celestial safiro: (...)”
Jerônimo Baía.

CONCEPTISMO
Conceptismo (ou quevedismo, em função de Francisco Gomez Quevedo Y Villegas, escritor espanhol que cultivou esse estilo): valorização do conteúdo, jogo de conceitos, de idéias; argumentação antitética ou

paradoxal, apelo racional; aproxima-se da dissertação.

“Só vos conhece, Amor, quem se conhece, Só vos entende bem quem bem se entende,

Só quem se ofende a si não vos ofende,
E só vos pode amar quem se aborrece” Baltasar Estaco.

BARROCO EM PORTUGAL
O Barroco em Portugal teve início em 1580 e é marcado pela morte de Camões. Houve durante esse período, a fundação de academia dos generosos e a Academia dos singulares de Lisboa. O produto duas

antologias: a Fenix Renascida e o Pastilhão de Apolo.

PADRE ANTONIO VIEIRA (1608 – 1697)
O DOM DIVINO DA PALAVRA Foi um dos oradores sacros europeus de todos os tempos, e o maior da Língua Portuguesa. Em seus sermões ocupava-se de assuntos morais, filosóficos sociais e políticos, pregando contra a corrupção, a ganância, a injustiça e a escravidão, unindo o engajamento aos problemas de seu tempo ao mais genuíno espírito cristão. Seus sermões apresentam: - Tema: Passagem bíblica na qual se baseia o sermão. - Intróito: Antecipação da estrutura e da seqüência de idéias a serem defendidas. - Invocação: Pedido de inspiração, feito geralmente à virgem Maria, para executar a obra; - Argumento: Parte do sermão em que se procura provar o que dizes; - Peroração: (conclusão): fechamento do sermão onde os cristãos são conclamados a praticá-lo.

PADRE ANTONIO VIEIRA
Veio para o Brasil aos 6 anos. Em 1652 pregou durante 9 anos convertendo índios e defendendo-os da crueldade dos colonos; Autor predominantemente conceptista. O brilhantismo de sua verve e a atualidade de seus temas tornaram-no mais notável prosador do séc. XVII. Obras: Sermão da Sexagésima – Trata da arte de pregar; Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda – trata da invasão holandesa em 1640; Sermão do Bom Ladrão – compara os pequenos ladrões aos grandes, incluindo entre estes os

poderosos. Sermão da Quarta-feira de Cinzas – trata da distinção entre
vivos e os mortos.

OUTROS AUTORES EM PORTUGAL
Francisco Rodrigues Lobo (1580 – 1622) – destacou-se na poesia barroca embora tenha sido um conceituado prosador de seu tempo.

Sóror Mariana Alcoforados (1640 – 1723) – irmã Mariana – religiosa – é apontada como autora das ardentes Cartas Portuguesas (4), publicadas em 1669, em Paris, dirigidas a um nobre francês, mas omitia o nobre da autora e do destinatário.

BARROCO NO BRASIL
Publicação de Prosopopéia de Bento Teixeira marca o início do

Barroco no Brasil.
O Barroco flagra o Brasil no ciclo da cana-de-açúcar, no período em que ocorreram as invasões holandesas. O centro comercial do país era a Bahia, cuja sociedade era patriarcal. A escultura barroca teve no Brasil o nome de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que no Séc. XVII, elaborou uma arte de tema religioso com traços nacionais e populares, numa mescla representativa

do Barroco.

GREGÓRIO DE MATOS
BOCA DO INFERNO Criou uma vasta obra, publicada cerca de 230 anos após sua morte pela Academia de letras entre 1923 e 1933. Obra de Gregório manifesta influência de Camões e do poeta, espanhol Luis de Góngora. Popular por sua sátira é, no entanto, na lírica que encontramos o melhor de sua produção.

Sua poesia pode ser dividida em: lírica, satírica, erótica e ecomiástica (poesia feita com a finalidade de adular alguns poderosos).
Tinha extraordinário talento satírico, agudo senso crítico e de ridículo, humor violento e corrosivo, além de uma capacidade genial em manipular a palavra. Políticos, clérigos, negros e mulatos, gente do povo, o português colonizador, ninguém escapou à sua pena, o que lhe trouxe muitos inimigos.

GREGÓRIO DE MATOS
POESIA LÍRICA Sua poesia lírica divide-se em três partes: lírico-amorosa, lírico-religiosa e lírico-filosófica. Lírico-amorosa: os encantos da mulher amada, sua indiferença ou paixão, o duelo entre o desejo e o neoplatonismo estão presentes nesta poesia. Lírico-religiosa: decanta a angústia entre a culpa pelo pecado e a esperança de salvação. A postura do poeta diante de Deus nem sempre é de submissão pois as vezes se comporta como um advogado, que faz sua própria defesa diante de um juiz, baseando-se nas contradições e nas máximas bíblicas. Lírico-filosófica – o poeta faz considerações sobre a condição humana, diante da instabilidade do mundo e das incertezas que o permeiam.

BENTO TEIXEIRA (1561 – 1600)

Apesar da nacionalidade portuguesa, Bento Teixeira passou

grande parte de sua vida em nosso país, onde produziu, em
Pernambuco, a obra Prosopopéia, publicada em 1601. De escasso valor literário, Prosopopéia, apresenta 94 oitavos em versos decassílabos nos moldes camonianos.

MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA (1630 – 1711)
Foi o primeiro poeta brasileiro a ter uma obra impressa: Música do Parnaso, de 1705, livro que reuniu poemas em português, espanhol, latim e italiano e duas comédias. Se teve algum talento, foi a habilidade gongórica de versejar. Tirando essa habilidade formal, seus conteúdos

não foram notáveis.

CARACTERÍSTICAS BARROCO
Dualismo: antropocentrismo x teocentrismo matéria x espírito razão x fé inferno x céu pecado x perdão

Angústia e ânsia do absoluto x efemeridade da vida
Desequilíbrio, obscuridade, sinuosidade, hermetismo, fusionismo; Linguagem rebuscada; metáforas, antíteses, paradoxos, oxímoros, etc; Estilos: Cultista e Conceptista.

BARROCO
AS FIGURAS DE LINGUAGEM
O uso excessivo de figuras de linguagem é uma das características mais marcantes do movimento, entre elas: Metáforas: contemplavam.. Comparações subjetivas – seus dois sóis me

Antíteses: Oposição de idéias / palavras – Nasce o Sol e não dura mais que um dia. Paradoxos: Oposição de idéias que leva a um contra-senso, um absurdo – amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói e não se sente... oximoros: Conflito de idéias que leva a um contra-senso, mas formado pela oposição entre substantivos.

Hipérbole: exagero - ... Não bastam nem cem, nem mil pequenos para um só grande.
Hipérbatos: Inversão frasal – Ontem, a amar-vos me dispus. (dispusme a amar-vos ontem).

CONCLUINDO
O tema central do Barroco se encontra na antítese entre a vida e a
morte. Daí decorre o sentimento de brevidade da vida, da angústia, da passagem do tempo que tudo destrói. Diante disso o homem barroco oscila entre a renúncia e o gozo dos prazeres da vida. Quando pensa no julgamento de Deus, foge dos prazeres e procura apoio na fé. Quando a fé é insuficiente, a atração dos prazeres o envolve e cresce o desejo de desfrutar a vida.

TEXTOS BARROCOS
Goza, goza da flor da mocidade,
que o tempo trata a toda ligeireza

e imprime em toda flor sua risada.

Ó não aguardes, que a madura idade Te converta essa flor, essa beleza, em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Gregório Matos. Observe que na poesia acima o CARPE DIEM se faz presente ( foi desenvolvido no Barroco de forma angustiada, pois era uma tentativa de fundir os opostos de conciliar o que, no fundo é inconciliável: a razão e a fé, a matéria e o espírito, a vida carnal e a vida espiritual.

ESSE POVO MALDITO
(FUGINDO DA BAHIA) Por suas críticas ferinas à sociedade baiana, Gregório recebeu o apelido de “Boca do Inferno” pois escrevia em uma linguagem debochada e plena de termos de baixo calão. “Ausentei-me da Cidade Porque esse POVO maldito me pôs em guerra com todos e aqui vivo em paz comigo. Aqui os dias não me passam, porque o tempo fugitivo, pa ver minha solidão, pára em meio do caminho Graças a Deus que não vejo neste tão doce retiro hipócritas embusteiros velhacos entremetidos. não me entram nessa palhoça visitadores prolixo políticos enfadonhos cerimoniosos vadios. (...)

A DONA ANGELA
Os encantos da mulher amada, sua indiferença ou paixão estão na poesia lírico de Gregório. Observe na poesia abaixo o jogo de palavras (1º e 2º estrofe) feito com o nome da mulher – Ângela que lembra uma planta (Angélica) e lembra anjo (angelus em latim; daí vêm angélico), na 2º estrofe o eu - lírico diz ser impossível não ceder a beleza da flor assim como jà adoração do anjo. Nos 2 tercetos o eu – lírico revela perceber que a beleza da mulher a transforma num anjo tentador e não num anjo protetor (imagens contrastantes) e, não falta no soneto uma vibração sensual despertada pela beleza da mulher. “Anjo no nome, Angélica na cara Isso é ser flor e Anjo juntamente, Ser Angélica flor, e Anjo florete Em quem, senão em vós se uniformará? Quem veria uma flor, que a não cortara De verde pé, de rama florescente? E quem um Anjo virá tão luzente Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares, Fôreis o meu custódio, e minha guarda, Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo que, tão bela e tão galharda, Posto que os Anjos nunca dão pesaros, Sois Anjo que me tenta e não me guarda.

A CRISTO N.S. CRUCIFICADO,
ESTANDO O POETA NA ÚLTIMA HORA DE SUA VIDA.
Deus, que estais pendente de um madeiro Em cuja lei protesto de viver, Em cuja Santa lei hei de morrer, Animoso, constante, firme e inteiro; Neste lance, por ser o derradeiro, Pois vejo a minha vida anoitecer, É, meu Jesus, a hora de se ver A brandura de um pai, manso Cordeiro. Mui grande é o nosso amor e o meu delito; Porém, pode ter fim todo o pecar; E não o vosso amor, que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar, Que, por mais que pequei, neste conflito Espero em vosso amor de me salvar.

Na poesia lírico – religiosa de Gregório percebemos a decantação da angústia entre a culpa pelo pecado e a esperança de salvação. Na poesia acima o poeta ante a brevidade da existência, o poeta expressa arrependimento de ter ofendido a Deus (v.6), demonstra a crença no amor infinito de Cristo (v.9); que seu pecado pode ter fim (v.10) além de haver um raciocínio lógico – dedutivo que culmina com a certeza do perdão (v.14)

JBC/2007 SSS


								
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