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LGUA_ LINGUAGEM E VARIAO LING

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               ORGANIZADORES:

           ALICE YOKO HORIKAWA
                DIANA NAVAS
         MARCIA DE MATTOS SANCHES
          SERGIO LOURENÇO SIMÕES




            MATERIAL DE APOIO DE
               Língua portuguesa I
     (USO EXCLUSIVO DO CURSO DE DIREITO)




            São Paulo, 2010- 1º semestre
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CURSO: Direito
DISCIPLINA: LP 1

1. ÊNFASE DA DISCIPLINA: aspectos gramaticais

2. OBJETIVOS DA DISCIPLINA:
O curso se propõe a: 1. oferecer uma introdução à linguagem formal do Direito; 2. aperfeiçoar o
domínio sintático das estruturas frasais; 3. desenvolver o domínio dos processos semânticos de
coordenação e de subordinação.

3. DATAS IMPORTANTES:
     1ª avaliação – data limite: 24/04/2010
     2ª avaliação – data limite: 26/06/2010

4.CRONOGRAMA DAS AULAS (aulas às segundas-feiras)
FEVEREIRO
22- Apresentação da disciplina
     Língua, linguagem (interação – locutor e interlocutor) e variação linguística (adequação linguística).
Modalidades escrita e falada: atividades de retextualização (produção de texto)
    Áreas de estudo da gramática
    Aspectos da ortoepia
    Análise de textos da área jurídica (enfoque: a importância de se dominarem a gramática e a estrutura
textual)

MARÇO
01- Análise e reescrita das produções dos alunos
    Aspectos da ortografia
    Reforma ortográfica

08- Distinção entre morfologia e sintaxe
    Classe de palavras: substantivos, artigos, adjetivos e numeral – ênfase na concordância

15- Classes de palavras: pronomes e preposições – ênfase em usos, regência e aspectos coesivos
    Distinção entre a (artigo), a (pronome) e a (preposição)

22- Crase
    Colocação pronominal

29- Verbos: modos e aspectos
    Verbos irregulares

ABRIL

05- Classes de palavras: conjunções (aspectos coesivos) e advérbios (distinção entre advérbio e
adjetivo). Atividades de remontagem de textos: aspectos coesivos

12- Exercícios de revisão. Análise de textos: atividades de revisão gramatical
    Produção de texto.
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19- AVALIAÇÃO 1

26- CORREÇÃO DA A1
   Gramática de uso

MAIO
03- Frase, oração, período, texto
   Estrutura da oração: sujeito e predicado
   Tipos de predicado

17- Análise de textos: enfoque na estrutura das orações (sujeito e predicado)
    Produção de texto

24- Análise e reescrita das produções
    Predicado: complemento verbal e adjunto adverbial; Complemento nominal

31- Período composto: coordenação e subordinação
    Orações subordinadas substantivas e adjetivas; uso do pronome relativo.

JUNHO
07- Orações coordenadas. Atividades com orações coordenadas. Produção de textos: Aspectos coesivos
(uso de conectivos)

14- Análise de textos dos alunos e análises de textos:: aspectos coesivos (uso de conectivos)

21- AVALIAÇÃO 2

28- CORREÇÃO DA A2



5. BIBLIOGRAFIA DE APOIO:
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fonteira, 2009.
BECHARA, Evanildo. Lições de português pela análise sintática. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.
CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3a ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. São Paulo: Ática, 1987
________________ Dicionário prático de regência nominal. São Paulo: Ática, 1987
SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 11ª ed., São Paulo: Ática, 1992
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                     LÍNGUA, LINGUAGEM E VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA

LÍNGUA: conjunto de convenções necessárias adotadas por uma comunidade lingüística para se
comunicar. Ela está depositada como produto social na mente de cada falante de uma comunidade, que
não pode nem criá-la, nem modificá-la.

FALA: realização, por parte do indivíduo, das possibilidades que lhe são oferecidas pela língua. É,
portanto, um ato individual e momentâneo em que interferem muitos fatores extralingüísticos e no qual
se fazem sentir a vontade e a liberdade individuais.

LINGUAGEM: formas de comunicação criadas pelo homem, em virtude de sua necessidade de
interação com o outro para solidificar e transformar a cultura. A linguagem verbal é uma dessas formas
– e provavelmente a mais utilizada -, mas há outras, como por exemplo a imagem, o som, as cores, as
expressões corporais, os sinais.

DISCURSO: toda produção verbal inserida em determinado contexto interativo. Para depreender seu
sentido, é fundamental que o ouvinte/leitor associe o texto produzido com a situação interlocutiva em
que ele está inserido.

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
        Em princípio, quando há uma referência à norma culta ou à língua padrão associa-se,
inevitavelmente, a linguagem verbal, tanto na modalidade escrita quanto na falada, à rigidez dos
compêndios gramaticais. No entanto, sabe-se que os falantes de uma determinada língua já possuem
uma estrutura gramatical internalizada, isto é, são capazes de conhecer o funcionamento da língua
materna. Assim, nem sempre a gramática está relacionada à norma padrão, pois aquela é um conjunto de
regras que organiza as línguas humanas. Por isso, pode-se afirmar que tanto as crianças, em suas
primeiras manifestações orais, quanto os indivíduos não-letrados são capazes de se comunicarem como
falantes de sua própria língua.
        Não obstante a tudo isso, sabe-se que a norma culta, a língua padrão ou o prescritivismo são
expressões que designam o ‗bem falar‘ e o ‗bem escrever‘. Historicamente, isso quer dizer que o
domínio dessa modalidade de linguagem sempre pertenceu a um grupo seletivo da sociedade, cuja
produção verbal está atrelada à língua do poder político, econômico e social. Daí dizer que a língua
padrão é um processo social coercitivo, isto é, impõe as formas linguísticas adequadas de uma
determinada classe social (a elite) àqueles que não a dominam. Esses, por sua vez, sentem-se subjugados
à condição de incapazes, incompetentes e alijados do mundo dos letrados. Por isso, pode-se afirmar que
a língua padrão é mais uma, das muitas variações linguísticas que permeiam a sociedade.
        Na língua portuguesa, percebe-se claramente o surgimento de variações linguísticas devido às
mais variadas causas: a de grupos sociais em que o falante pertence (variação sóciocultural), a de lugar
em que ele nasceu ou vive (variação geográfica), a da época (variação histórica). Essa diferença pode
manifestar-se tanto pelo vocabulário utilizado quanto pela pronúncia ou organização da frase.
        Isso posto, não se pode atribuir a nenhuma região do país, a competência linguística sob o ponto
de vista do prescritivismo, ou seja, não se deve afirmar que em determinada região usa-se ‗melhor‘ a
língua portuguesa que em outras localidades. Há, sim, situações comunicativas que dependerão do maior
ou menor grau de escolaridade do falante, que recebem ou receberam diversas influências linguísticas,
sociais e econômicas. Essas diferenças constituem as variações linguísticas.
        Entre as variedades da língua, há uma que tem maior prestígio: a variedade padrão conhecida
também como língua padrão e norma culta. Essa variedade é utilizada nos livros, jornais, textos
científicos e didáticos e é ensinada na escola. As outras variedades lingüísticas são chamadas de
variedades não-padrão.
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        Tal imposição da normatividade é um fato histórico que iniciou-se no Brasil no período da
colonização. Aqui, antes da invasão dos portugueses, falava-se o tupi-guarani e outras línguas indígenas
advindas dessa mesma raiz. Com a chegada de Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril de 1500, período
pertencente ao reinado de D.Manuel de Portugal e, mais tarde, com a chegada de outros povos
estrangeiros, o português do Brasil sofreu diversas influências. Inicialmente, o país era povoado por
índios e a colonização só ocorreu por volta de 1532, período em que surgiram as capitanias hereditárias.
Época em que os portugueses começam a importar um grande número de escravos provenientes da
África. Assim, o português europeu, o índio e o negro, durante o período colonial, tornam-se as três
bases da população brasileira e, mais tarde, recebe influência de espanhóis, italianos, franceses e,
modernamente, americanos. Obviamente que a influência dos colonizadores portugueses foi muito mais
evidente. Estes impuseram as ideologias imperantes na Europa e passaram a negar as crenças e a forma
de se comunicar dos índios.
        Resumidamente, os colonos portugueses utilizavam o português europeu, mas sofreram, também,
as influências das línguas nativas que se acentuaram com o decorrer do tempo. Durante, a colonização,
os jesuítas criaram a ‗língua geral‘, que é um tupi simplificado, que também serviu muito para uma
melhor comunicação entre os bandeirantes e os povos indígenas. Por volta de 1757, com a chegada do
Marquês de Pombal proibiu-se o uso da língua geral. Obrigou-se que a língua oficial no Brasil seria o
português de Portugal. Foi um período de forte influência da Corte, o que culminou com a expulsão dos
jesuítas, os principais defensores daquela língua.
        Apesar dos esforços de se impor a língua portuguesa de Portugal, verificou-se que o português no
Brasil sofreu as mais variadas influências de outras origens, o que o particularizou. Pode-se afirmar que
hoje na língua do Brasil há uma diversidade geográfica. Distinguem-se um Norte e um Sul. No entanto,
a realidade é que as diferenças ―dialetais‖ são muito mais socioculturais que geográficas. As diferenças
mais perceptíveis, na maneira de falar, são maiores entre os falantes com escolaridade e os com
nenhuma ou pouca instrução (os ditos analfabetos).
        Não obstante a imposição dos europeus, há o predomínio de certas particularidades que
individualizam o português do Brasil que pode ser verificado no quadro abaixo:

A tabela abaixo ilustra outras diferenças lexicais:

                                Brasil                                 Portugal
            abridor de garrafas ou saca-rolhas           saca-rolhas
            abridor de latas                             abre-latas
            água-viva ou medusa                          alforreca ou medusa
            alho-poró                                    alho-porro
            aquarela                                     aguarela
            arquivo (de computador)                      ficheiro
            aterrissagem                                 aterragem
            banheiro                                     casa-de-banho ou quarto-de-banho
            brócolis                                     brócolos
            caminhão ou camião (linguagem oral)          camião
            calcinha                                     cuecas femininas
            carona                                       boleia
            carro conversível                            carro descapotável
            carteira de identidade ou Registro Geral/RG bilhete de identidade/BI
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           carteira/carta de motorista                    carta de condução
           chaveiro                                       porta-chaves ou chaveiro
           concreto                                       betão
           diretor (de cinema)                            realizador
           esparadrapo, bandeide (band-aid)               penso, penso-rápido
           estúpido                                       parvo
           fila de pessoas                                fila ou bicha
           fones de ouvido                                auscultadores, auriculares, fones
           gol                                            golo
           grampeador                                     agrafador
           legal                                          fixe
           maiô                                           fato-de-banho
           mamadeira                                      biberão
           metrô                                          metro, metropolitano
           nadadeiras, pé-de-pato                         barbatanas
           ônibus                                         autocarro
           perua, van                                     carrinha
           salva-vidas ou guarda-vidas                    salva-vidas ou nadador-salvador
           secretária eletrônica                          atendedor de chamadas
           sunga ou calção de banho                       calções de banho, calção de banho
           (telefone) celular                             telemóvel
           terno                                          fato
           trem                                           comboio
           torcida                                        claque
           isopor                                         esferovite
           pebolim (ou totó)                              matraquilhos
           água sanitária                                 lixívia
           descarga                                       autoclismo
           privada sanitária, vaso sanitário ou privada   retrete ou sanita

        Linguistas não defendem a denominação língua portuguesa brasileira, mas sim, português do
Brasil, pois — mesmo que este receba muitas influências de outras regiões do mundo, da fala de grupos
(tribos) ou da linguagem seletiva da mídia — isso não poderá desfigurar o idioma.

       Pode-se afirmar que sempre ocorre uma evolução da língua, a qual se adapta aos novos tempos e
acompanha as mudanças da sociedade. Segundo o linguista Luís Antônio Marcushi, da Universidade
Federal de Pernambuco: "Além das modificações no campo do vocabulário, uma mudança tão profunda
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teria que incorporar novos fonemas e novas formas sintáticas, o que não acontece‖. Geralmente, só
serão dicionarizados termos ou expressões sedimentadas e veiculadas pela maior parte da população.
São termos que foram transpostos para o português, por meio de um mecanismo pertencente ao sistema
fonológico do português no Brasil. Observe alguns exemplos abaixo.

Estrangeirismos

        Afirmar que o estrangeirismo prejudica a língua portuguesa é uma assertiva ingênua demais, pois
não há uma língua pura. As palavras estrangeiras sempre influenciaram o idioma, como as emprestadas
do francês no século passado – abajur, garagem, toalete entre outras regiões. Atualmente, devido ao
poderio econômico dos EUA, é o inglês que cresce vertiginosamente, principalmente, nas áreas de
informática, de negócios e do comércio. Acredita-se que tal fenômeno ocorra devido à rapidez nas
transformações tecnológicas provenientes de países americanos. A partir deste século, a língua, por ser
considerada um fenômeno cultural dinâmico, não pode ser excluída dessa evolução.

        Obviamente que os excessos no uso do estrangeirismo podem caracterizar ―pedantismo‖, pois
sempre que houver um vocábulo do português do Brasil, deveria ser substituído. Não que seja
improcedente colocar restrições aos empréstimos da língua, quando estes obedecem às normas
gramaticais do português. Interessante observar que alguns termos estrangeiros são aportuguesados e,
geralmente, transformam-se em verbos com terminação ―-ar‖: delet para deletar; scanner para
―escanear‖, plug para ―plugar‖. No entanto, algumas transposições diretas, como "delivery", ―drive
thrue", são dificilmente traduzíveis para o português. De que maneira poderíamos transpor para o
português o sentido do termo ―delivery‖, por exemplo? Mais algumas reflexões:

        Se houve a transposição dos termos em inglês iniciados por ―Sh‖ para ―x‖ em Shampoo para
         Xampu; Sheriff para Xerife, por que os falantes brasileiros resistem em aceitar o
         aportuguesamento de ―Shopping‖, que já está dicionarizado, para /Xóping/ ?

        Alguns manuais de redação de jornais advertem para o uso excessivo de termos estrangeiros. Na
redação do jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, as palavras estrangeiras não são condenadas por
princípio, mas algumas regras buscam orientar seu uso. Assim, se é difícil encontrar termo equivalente a
"fast-food", o melhor seria usá-lo na íntegra. Já a palavra "performance" pode muito bem ser substituída
por "desempenho", exemplifica o jornalista Eduardo Martins, autor do Manual de Redação e Estilo de O
Estado.

       Alguns linguístas têm criticado o posicionamento tradicional de Portugal e da França, que evitam
ao máximo o uso de estrangeirismos, pois acreditam que a transposição de alguns termos estrangeiros
para a língua materna soa de maneira estranha: "Disco mole e disco duro‖, formas instituídas em
Portugal para a linguagem de informática. Segundo os estudiosos, melhor seria a preservação dos termos
originais em inglês: hard disk e floppy disk. Há também os menos esquisitos como: rato de mesa
(mouse), sítio (site), aperte (click) etc. Na França, o exagerado controle sobre a língua pode dificultar
legalmente a administração de palavras estrangeiras, apesar de quase impossível a presença de termos
estrangeiros. Segundo Dino Pretti, um estudioso francês confundiu a platéia, em uma palestra, quando
pronunciou (birron) em vez de Byron (Bàiron), nome do poeta no inglês original.

       Nesta dinâmica tanto o uso exagerado de termos estrangeiros quanto o de gírias, jargões pode
determinar uma linguagem de proteção ou de prestígio. Abaixo haverá alguns exemplos de gírias que
indicam um código que atende a interesses de determinados grupos sociais: skatistas, presidiários, que
os identificam e os diferem da sociedade em geral. Os jargões, pertencentes a grupos como economistas,
advogados, médicos entre outros, servem para facilitar a comunicação dos indivíduos pertencentes a
cada uma dessas profissões, mas quando não acessibilizada ao público leigo pode caracterizar
pedantismo ou ter por objetivo provocar no interlocutor a incompreensão de contratos, de acordos etc.
Tudo isso pode determinar o uso do poder sobre o outro, entre outras intencionalidades.
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TERMOS E GÍRIAS UTILIZADOS POR DETENTOS:
Abanar: sinais criados pelas presas para se comunicar com os detentos da penitenciária masculina
Ajudazinha : propina, suborno
alcaguetar : Dedurar, passar informação ou acusar alguém
Agá: Simular, dar cobertura
Arregaçar: o mesmo que ―botar pra quebrar‖, espancar, se dar bem. Ex. : Vamos arregaçar a fita.
Avião: indivíduo que repassa drogas, pratica a venda de drogas, ou apenas transporta para
alguém. Ex.: fazer um avião, aviãozinho, etc. (Ver também mula)
Bagulho: Maconha, também são assim chamadas as mercadorias resultantes de furtos e roubos
Barca: viatura policial que realiza escoltas, significa apenas as viaturas maiores, tipo Blaser ou
F-1000 - ROTAM
Barulho ou fazer um barulho: revelar-se, promover gritarias
Berro: revólver
Bicuda : Estoque / faca
Boi : Buraco dentro do coletivo, destinado à satisfação das necessidades fisiológicas
Boiola : Homossexual
Bomba: aparelho celular habilitado e utilizado pelos presos no interior de presídios ou
Cabrito: veículo adulterado, roubado ou furtado; detento homossexual ou que é obrigado a ter
relações sexuais com outros presos etc.
Caído : mal vestido
Cair: o mesmo que ser preso. Ex.: o ―China‖ caiu (o ―China‖ foi preso)
Canelar : correr, fugir
Cano: Arma , revólver
Caôca : dar atenção, prestar atenção. O mesmo que ―dar idéia‖.
Da atividade: Mesmo que olheiro
Dar mala: dispensar.
Dar mio / milho : Matar / ficar em lugar visado e ir preso
Dar um boi : liberar, soltar, perdoar alguém. Ex.: Vou dar um boi pro cara.
Dormir no braço : Manter relações homossexuais
Enquadrar : Tirar satisfação, acuar, ameaçar [Policial – emprego diverso: o assaltante está
enquadrado (incurso) no artigo 157]
Escrachado: fato que todos já tem conhecimento ou pessoa cuja atividade todos já sabem.
Escravo : Agente penitenciário / carcereiro
Estar Branco: Não tem ninguém na área / está tudo sob controle
Faculdade: penitenciária (geralmente designa as penitenciárias de SP)
Farinha : cocaína
Feinha: Esposa
Gado: Mulher ou pessoa tola / ladrão rápido
Gambé : Polícia militar
Gancho: telefone, termo usado genericamente, designando aparelho telefônico ou celular
Ganso : Pessoa ruim, que fica olhando, encarando o outro
Grampo: Algemas
Interditar: Não permitir que a ex-companheira se relacione com outro bandido
Irmão: Designa ―parceiro‖ da mesma facção criminosa
Ir para o piano: Ser torturado , interrogado
Jega: cama.
Joaninha: Carro de polícia tipo fusca
Lampiana : Faca
Laranja : Aquele que assume a culpa no lugar do outro
Latrô : Pessoa que mata para roubar
Malocar : Esconder , camuflar
Mamãozinho : droga
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Microondas: Forma de homicídio em que são utilizados pneus ou similar , para circundar um corpo e
após o que este vem a ser queimado.
Moita: qualidade de quem não aparece, não se expõe, ―fica na miúda‖, fica na moita
Narizinho : Cocaína / ato de cheirar cocaína
Na tora : na marra, à força, de qualquer jeito, na frente de todos, na cara-de-pau
Noia : usuário ou dependente de drogas, fissura. Noiado significa doidão, drogado, alucinado.
Pode também significar qualquer tipo de droga que se tem à mão.
Oitão: revolver cal. 38
Olheiros: O mesmo que vigias, exercem um papel importante dentro da favela, são os primeiros a
anunciar, por meio de morteiros, fogos ou rádio transmissor, a chegada de grupos rivais,
Passar o cerol : matar
Passarinho: informante, preso que entrega o outro e cuja identidade ninguém conhece. Ex.: tem
passarinho no pavilhão; cuidado com o passarinho
Pé de chinelo : É o preso caído, sem respaldo financeiro
Pé de chinelo : É o preso caído, sem respaldo financeiro
Pé de Porco : Agente penitenciário / guarda da cadeia
Perdigão : Preso que trabalha como guarda


GÍRIAS DE MOTOQUEIROS
Arregar: Dar uma boa gorjeta. (Informante cearence.)
Assassina: Apelido da moto de 125cc, uma vez que ela é utilizada diariamente no trabalho dos motobóis
 e com ela eles sofrem acidentes.
Balança: Elemento principal da suspensão traseira da motocicleta.
Balão apagado: Diz-se do estado do motobói que cai de moto e desmaia.
Bananada: Motorista que dirige mal no trânsito e atrapalha o motobói. ―Ele é um bananada.‖
Barbeiro: Diz-se daquele que dirige mal.
Batalha: Trabalho.
Baú: Receptáculo colocado na parte posterior da moto para transporte de objetos.
Beijar o chão: Cair da moto.
Beterraba: ―Ficar como beterraba.‖ Diz-se do motociclista que caiu da moto e se ralou muito.
Beth*: Mulher feia. Em alusão à novela ―Beth, a feia.‖
Bicheira: Moto velha.
Bicicleta: Motocicletas abaixo de 125cc utilizadas pelos motobóis.
Blay blade*: Moto velha.
Bom: (Boa) Quando o motobói reconhece o endereço de alguém que dá gorjeta. ―Essa é a boa.‖ ―Esse é
 o bom.‖
Bombar: Quando o motobói recebeu muitas gorjetas. ―O dia bombou de gorjetas.‖
Bonde: Dar um bonde. Quando um motobói enguiça na pista e um outro empurra sua moto usando a
 pedaleira traseira.
Brigadão: V. Cinco dedos.
Bundão: Diz-se do indivíduo que tem medo ao andar na garupa do moto-táxi.
Cabra: Diz-se de uma moto que foi montada em cima de um chassis roubado de outra moto.
Cabrita: V. Cabritar 2.
Cabritar: 1. Montar uma moto roubada. 2. Quando um motobói dispõe de poucos recursos e monta uma
 motocicleta com partes de motos de fabricantes, modelos e anos diferentes. Em geral isso é feito pelos
 que estão começando na profissão.
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Cachorro louco: Motociclista que é rápido e audaz no trânsito.
Caidinha: Moto velha.
Caixinha: Quando o motobói vê uma moto 500cc suspira e diz: ―Estou juntando a caixinha...‖ (Para
 comprar uma moto daquele porte.)
Calo: Expressão típica da mecânica. Quando uma engrenagem adquire uma deformidade e ela é sentida
 pelo piloto. Em geral ocorre na caixa de direção.
Canelas: Par de hastes dianteiras que fixam a roda dianteira.
Canguinha*: Diz-se do indivíduo que não dá gorjeta.
Careca: Quando o motobói recebe o endereço da entrega e já reconhece que não vai receber gorjeta.
 Zona Norte: ―Essa entrega vai ser careca.‖ ―Vou ganhar uma careca.‖ Zona Oeste: ―Aquela entrega foi
 um careca.‖ ―Aquela entrega foi o maior careca.‖ ―Isso é o maior careca.‖
Carenagem: A estrutura de plástica que cobre partes da motocicleta, como o motor, fiação etc.
Carniça*: Moto velha.
Casca de ovo: V. Coquinho. Var. Casquinha de ovo.
Cenoura*: Novato em motocicleta.
Cheio de pernas*: Novato em motocicleta.
Churrasqueira: Acessório colocado na parte posterior da moto que serve para transporte de objetos
 através de Rede ou Strep, ou para sustentar o Baú.
Cinco dedos*: Quando o morador não dá gorjeta, se limitando a dizer: ―Muito obrigado.‖ e acena com a
 mão. V. Careca.
Cinco estrelas*: Quando o cliente dá gorjeta.
Coiote: Cano coiote. Tipo de escapamento. Remove-se o escapamento original da moto e coloca-se este,
 que emite um som semelhante a um uivo.
Comprar terreno: Cair da moto.
Coquinho: Tipo de capacete para hipismo, não aprovado para uso em motocicletas, mas muito comum
 entre os motobóis.
Coroa: Uma das partes da relação (V.). Disco dentado que fica fixado à roda traseira da motocicleta e
 que age em sincronia com o pinhão (V.) através da corrente.
Corredor: Espaço entre os carros em horário de grande fluxo de veículos, no qual os motobóis se
 deslocam.
Creme de lixo: Chorume que cai do caminhão de lixo e é extremamente perigoso para o motobói.
Cru na pista: Novato.
Danone*: 1. Motobói novo na profissão. 2. Motobói que costuma cair.
Descanso: Diz-se do suporte em que a moto é apoiada quando deixada em repouso.
Do ano: Novato.
Dragão: Mulher feia.
Emoção: Quando o moto-táxi pega o passageiro pergunta a ele se quer a viagem com ou sem emoção,
 ou seja, cometendo ou não imprudências no trânsito.
Extensor: Corda elástica com um gancho em cada ponta; termo absorvido da linguagem dos surfistas.
 V. Strep.
Ferramenta: Moto nova. Var. Ferramenta nova.
Filé: Moto boa.
Fita: Amigo. Outro motociclista. ―Fala fita.‖ (Nota: Também é gíria policial.)
FM: Motorista que dirige mal, por isso Faz Merdinha.
011

Fortaceler: Dar uma gorjeta.
Fracote: V. Bundão.
Fumar: V. Viciada.
Garfo traseiro: V. Balança.
Garfo*: Parte anterior da moto na qual a roda da frente se fixa. V. Canela.
Gorda: Diz-se da gorjeta que é boa.
Imundície*: Moto velha.
Jubiraga: Moto em más condições.
Jumento de igreja*: Diz-se do motobói que demora muito a sair para fazer entrega.
Junto: ―Estamos juntos.‖ Quando um motociclista tem um problema, o outro diz: ―‗Tamo junto. ‘‖
Kamikaze: 1. Motobói audaz. 2. Termo usado pelos motobóis para se referirem a maus motoristas.
Lacraia: 1. Moto velha. 2. Mulher feia. Após uma entrega, o motobói retorna e diz que entregou a
 encomenda na casa de uma L.
Lata velha: Moto velha.
Lerdo: Motorista que dirige mal e atrapalha a entrega do motobói.
Luta: Trabalho.
Mamada: Diz-se da mulher que, ao pedir uma entrega, também escolhe o entregador que a fará.
Mão: 1. Colar a mão. O acelerador da moto fica no punho direito e é acionado em um movimento de
 retração e soltura. A expressão assemelha-se à do automóvel ―pé na tábua‖. 2. Mão de porco. Aquele
 que não dá gorjeta. 3. Mão de vaca. Aquele que não dá gorjeta.
Máquina: Moto de alta cilindrada. Var. Maquinão.
Mata-cachorro: Estrutura de aço que serve de proteção para o motor e a carenagem (V.) da moto ou
 escapamento. Neste último caso, quando colocado em sua parte posterior. Termo dicionarizado:
 ―apelido depreciativo dado ao soldado de polícia‖. Certamente uma metonímia em função do
 equipamento que a moto usa.
Mendiga: Diz-se da entrega na qual já se sabe que não se vai receber gorjeta. ―Essa entrega é mendiga.‖
Mendigo: Diz-se do indivíduo que não dá gorjeta.
Mesa: Parte anterior da motocicleta em que o guidão e as canelas (V.) se fixam.
Mongolar: Quando o motociclista cai no chão.
Morceguinho: Tipo de guidão móvel que é ajustável através de parafusos. Perigoso em caso de colisão.
Motão: Moto de alta cilindrada. Var. Motão.
Motinha: Moto muito usada ou de baixa cilindrada. Geralmente motocicleta para quem está começando
 na profissão.
Muquirana: Diz-se do morador que não dá gorjeta.
Nada: Diz-se da entrega da qual já se sabe que não vai receber gorjeta. ―Não vai sair nada.‖
Neurótico: Diz-se do motociclista que dirige bem.
Orelha: Peça que fixa o farol à mesa (v.) da motocicleta.
Pão-duro: Aquele que não dá gorjeta.
Pé: Dar um pé. V. bonde.
Pedaleira: Local onde o piloto ou o passageiro colocam o pé.
Pegar: O que pega para um pega para todo mundo. (Expressão que denota o sentimento de coletividade
 dos motobóis.)
012

Peito de aço: Nas motos off road, peça que tem como objetivo proteger o motor. Semelhante aos
 veículos de quatro rodas.
Péla saco: Diz-se de quem não dá boa gorjeta.
Pé-pé: Dar um P. V. Reboque.
Perebinha: Moto velha.
Perereca: Moto velha.
Pescoço: Local do quadro (V.) em que a mesa (V.) se encaixa para permitir a dirigibilidade da moto.
Pezinho: V. bonde.
Pião: V. pinhão.
Piloto: Diz-se daquele que dirige bem no trânsito.
Pinhão: Pequeno disco dentado que fica fixo em um eixo que sai diretamente do motor. A rotação deste
 disco é transmitida à roda traseira da moto através da corrente e deste modo o veículo move-se.
 Comumente chamado de pião (V.).
Prego: 1. Diz-se do indivíduo que é incipiente. No caso dos motobóis, aquele que costuma cair muito ou
 danificar muito a motocicleta. 2. Diz-se do motobói que, ainda novo na profissão, já quer fazer
 exibicionismo.
Quadro: A estrutura sobre a qual a moto é montada. Comparando com um automóvel seria o chassi.
Quicar: Ligar a moto. Do inglês kick: chutar.
Quique: Equipamento utilizado para ligar a moto com um golpe da perna do piloto.
Rabeta: Parte posterior da carenagem da motocicleta. Empréstimo da linguagem dos surfistas.
Ralar a goiaba: Cair da moto.
Ratão: Passageiro que não tem medo de andar na garupa dos moto-táxis.
Ratona*: Moto velha.
Rebocar: Empurrar a moto de um outro motociclista através da pedaleira traseira. V. Bonde.
Rede: Rede elástica com seis ganchos para transporte de objetos presos no tanque, banco ou na
 churrasqueira da motocicleta.
Relação: Dá-se este nome ao conjunto coroa, corrente e pinhão. Este conjunto é a transmissão da
 motocicleta.
Robô: 1. Moto de alta potência. (Zona Norte); 2. Moto nova (Zona Oeste).
Robozão: Moto nova.
Roda presa: Diz-se do motorista que anda devagar e atrapalha o motobói.
Ruim de jogo: Quem não dá gorjeta.
Ruim de roda: Diz-se daquele que dirige mal.
Sangue bom: Diz-se de quem dá boa gorjeta.
Sanhaço: 1. Moto ruim. 2. Lugar perigoso onde se vai fazer uma entrega.
Sarapão*: Motociclista que pilota mal.
Sinistro: Expressão que se aplica para muitas coisas. ―Hoje o dia foi sinistro.‖ O motobói não recebeu
 gorjetas.
Siri com câimbra: Motocicleta velha.
Strep: V. Strep.
Touro louco*: Diz-se do motobói que dirige mal.
Trampo: Traballho.
Trepada: Moto roubada. V. Cabra.
013

Tribufu: Forma dicionarizada: pessoa feia. V. Trubufu.
Trubufu: Diz-se da mulher que é feia. Assimilação.
Vaca: Cair da moto. Empréstimo da linguagem dos surfistas. ―O motociclista tomou/levou uma vaca.‖
Viciada: Quando o motor da motocicleta está com algum problema e começa a soltar muita fumaça, os
 motobóis dizem que a moto do colega está ―viciada‖, em alusão a fumar muito.
Vida “loca”: Expressão usada pelos motobóis para se referirem a seu estilo de vida.
Virar asfalto: Cair da moto.
Viúva Negra: Um modelo de moto que não tinha redução da rotação do motor (fator muito importante
 para esses veículos) e um péssimo sistema de freios e que, por isso, fazia com que o piloto não
 conseguisse pará-la, acidentando-se.
Yamaha: ―Pega tudo ‗iamarra‘ e joga no lixo.‖ Os motobóis não gostam das motos desta marca por
 diversos fatores.
Zerada: Moto nova.

Veja como a variação linguística interfere na interação discursiva:
TEXTO 1

Assalto em vários estilos
Assaltante Nordestino
Ei, bichim...Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula nem se cague e nem faça munganga...
Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra
fora! Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia ...

Assaltante Mineiro
Ô sô, prestenção ... Isso é um assarto, uai … Levanta os braço e fica quetin quesse trem na minha
mão tá cheio de bala... Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje. Vai andando, uai ! Tá
esperando o que, uai !!

Assaltante Gaúcho
O gurí, ficas atento .... Báh, isso é um assalto … Levantas os braços e te aquieta, tchê ! Não tentes nada
e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê. Passa as pilas prá cá ! E te manda a la cria, senão
o quarenta e quatro fala.

Assaltante Carioca
Seguiiiinnte, bicho ... Tu te f… Isso é um assalto .. Passa a grana e levanta os braços rapá ... Não fica de
bobeira que eu atiro bem pra c… Vai andando e se olhar pra trás vira presunto ..

Assaltante Baiano
Ô meu rei ... ( longa pausa ) Isso é um assalto .... ( longa pausa ) Levanta os braços, mas não se avexe
não .. ( longa pausa ) Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado ... Vai passando a
grana, bem devagarinho .. ( longa pausa ) Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar
muito pesado ... Não esquenta, meu irmãozinho, ( longa pausa ) Vou deixar teus documentos na
encruzilhada ..

Assaltante Paulista
Ôrra, meu ... Isso é um assalto, meu ... Alevanta os braços, meu .. Passa a grana logo, meu … Mais
rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pa comprar o ingresso do jogo do Curintia,
meu ... Pô, se manda, meu ...

Assaltante de Brasília
Querido povo brasileiro, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no final do mês,
014

aumentaremos as seguintes tarifas: Energia, água, esgoto, gás, passagem de ônibus, IPTU, IPVA,
lincenciamento de veículos, seguro obrigatório, gasolina, álcool, imposto de renda, IPI, ICMS, PIS,
COFINS ...




Dialetos regionais

Mato Grosso do Sul

Palavras indígenas e vocábulos em guarani (língua oficial do Paraguai) são empregadas amplamente nas
regiões de fronteira. Alguns exemplos:

mitacunhã porã – moça bonita

galheta – bolacha

canha – pinga (em Bela Vista)

Em Campo Grande e outros municípios do Mato Grosso do Sul, os regionalismos mais freqüentes foram
introduzidos por colonos gaúchos:

trompar – trombar

bolita – bola de gude

mate – chimarrão quente

tereré – chimarrão gelado

pandorga – pipa

vote! – interjeição de repulsa ou espanto (cruzes!)

guaiaca (tupi) – cinto de couro, dotado de bolsas externas, usado pelo boiadeiro

guaipesca (tupi) – cachorro vira-latas

Norte e Nordeste

O uso das vogais abertas, no português falado na Bahia, revela traços conservadores da época do
Descobrimento do Brasil, dizem os lingüistas.

baba (BA) – futebol amador, bate-bola, pelada

xexéu (BA) – homem afeminado

macaxeira – mandioca
015

jerimum – abóbora

laranja-cravo – mexerica, tangerina

baitolo – homossexual masculino

Rio Grande do Sul

gaudério – sinônimo de gaúcho; termo mais amplamente usado no interior

"te abanquetas" – expressão usada para convidar a pessoa a sentar-se

bergamota – mexerica, tangerina

redomão – potro que ainda não foi domado

atucanado – cheio de tarefas, atarefado

amargo – chimarrão

rapariga – termo ainda empregado pelos velhos para designar moça

piá – bebê, ou jovens até 14 anos

chinoca – na zona rural, moça promíscua

guampudo – indivíduo "corno"

mas que tal? – forma de cumprimento em cidades fronteiriças como Uruguaiana, por exemplo

bagaceiro – de mau gosto, "brega"

Pernambuco

fiteiro – qualquer banca de rua. O termo relaciona-se, originalmente, ao vendedor de fitas que circulava
pela cidade

então, pronto... – expressão de acordo ou confirmação

é o bicho – expressão de emprego recente, refere-se a algo muito bom ou interessante

fruta – homem afeminado, em Pernambuco

Sergipe

mercadinho – supermercado, hipermercado. "Mercado" refere-se apenas ao Mercado Municipal e,
embora os grandes estabelecimentos sejam hoje relativamente bem maiores, eles continuam com o nome
no diminutivo.

banca – aulas de reforço particulares ("dá-se banca", "colocar os filhos na banca", "professora de
banca")

Maria clara – é a cachaça ("dormir com a Maria Clara", uma alternativa para os solteiros)
016

cabrunco – vocabulário pesado e grosseiro. O mesmo que o substantivo "peste", nas acepções seguintes:
(1) coisa de causar espanto; (2) pessoa ruim.

marchante – galicismo encontrado no Aurélio como "comerciante de carnes, açougueiro" para o Norte e
o Nordeste. Mais recentemente, o significado foi ampliado para pequeno comerciante, de qualquer
gênero. A imprensa local usa correntemente.

ximango, xibunga, ximbunga – homem afeminado, o mesmo que "bicha" no Rio. Ximbunga pode ser
também qualquer coisa de péssima qualidade.

peba (som de é) – Em SE e AL, adjetivo depreciativo, que se aplica a qualquer coisa de péssima
qualidade inferior. Entretanto, a popular Praia do Peba é muito bonita... O nome neste caso veio do rio
que ali desemboca.

Tulha – no interior de Sergipe, monte (de terra, lixo, entulho etc.)

dar uma camada de pau – dar uma grande surra

pegar ou tomar galha – ser traído

Palavras de origem tupi

socar – sok

carpir – kopira, copyr (cortar o mato)

cutucar – kutug (espetar)

mingau – mingaú (aquilo que empapa)

coroca (ex.: "velha coroca") – kuruk (resmungar)

tiquinho – tykyra (gota)

peteca – petek (bater com a mão aberta)

chorar as pitangas – pitãg (vermelho); eqüivale a: "chorar lágrimas de sangue".

nhenhenhém – nheeng (falar sem parar)

estar jururu – aruru (tristonho)

http://webventureuol.uol.com.br/destinoaventura/conteudo/noticias/index/id/27537 - #
CARACTERÍSTICAS MARCANTES DO DIALETO CAIPIRA:
Morfologicamente
Artigos
     Definido: u, a, uz, us, az, as
     Indefinido: um, uma, unz, uns, umaz, umas
No dialeto caipira, é o artigo que determina o número, permanecendo o substantivo inalterado.
Os artigos no plural variam de acordo com a fonética, porém, ainda sem regra estabelecida. Ex: az muié
(as mulheres), uz ómi (os homens), as coisa (as coisas), us prímu (os primos) etc.
017


Verbos
Conjugação
    No dialeto caipira, o verbo não é flexionado como acontece na norma culta -- onde se obedece à
      concordância numérica -- mas fica sempre no singular.
Exemplo: Verbo SER = SÊ : eu sô, (o)cê é, ele é, nóis é, cêis é, êis é
    O mesmo se dá com o verbo IR = I (e, praticamente, com todos os verbos mais usados).
Exemplo: eu vô, (o)cê vai, ele vai, nói(s) vai, cêis vai, êis vai

Infinitivo
     No dialeto caipira, os verbos no infinitivo perdem o 'r':
Exemplo: Brincar: Brincá; Olhar: Olhá; Comer: Comê; Chorar: Chorá; etc.

Gerúndio
    No caipirismo, o gerundio perde o 'd'.
Exemplo: Falando: Falano; Correndo: Correno; Tomando: Tomano; Regulando: Regulano, etc.

LH
      
      No dialeto caipira, o 'LH' no meio de palavras é substituído por 'i'.
Exemplo: Falhou: Faio; Mulher: Muié; Alho: Aio; Velho: Véio; Trilho: Triio; Olhei: Oiei; etc.

'EIRO(A)'
     No dialeto, a terminação 'eiro(a)' perde o 'i':
Exemplo: Dinheiro: Dinhero; Padeiro: Padero; Bicheiro: Bichero; Cadeira: Cadera, etc.
http://webventureuol.uol.com.br/destinoaventura/destinos/index/eujafui
Alguns termos regionais de Roraima e da cultura amazônica
        Na região de Roraima, a influência indígena é clara nas palavras, nas expressões e na rotina da
capital Boa Vista e das cidades interioranas. Confira a seguir uma lista com alguns termos usados pela
população local.
Cutião - Indivíduo que abandonou a vida em sociedade na cidade grande e foi morar sozinho, isolado de
tudo e de todos. A expressão tem origem no roedor Cutia, um mamífero de hábitos solitários.
Preá - Termo contrário ao Cutião, refere-se ao indivíduo que tem muitos filhos. A origem está no roedor
sul-americano que se reproduz com facilidade e pode ter várias ninhadas num mesmo ano.
Jacamin - Refere-se ao individuo que cria o filho de outras pessoas. A origem está na ave típica da
região amazônica, que costuma pousar no ninho alheio para cuidar dos filhotes.
Bacural - Designa os vigias noturnos que cuidam das canoas na beira do rio. O termo é originário de
uma ave de hábitos noturnos, típica da região e ameaçada de extinção.
Rupelo - Indivíduo que não tem nada na vida. O termo é considerado uma ofensa, já que se refere a uma
pessoa do mais baixo escalão.
Vara de Espichar couro - Pessoa alta, comprida. A expressão tem origem numa vara utilizada por
fazendeiros para medir o couro do boi que seria esticado.
Amojada - Termo utilizado para dizer que uma mulher está grávida, ou para designar uma moça de
seios fartos. A palavra costumava ser usada para dizer que as vacas da fazenda estavam prenhas.
Rebenque - Chicote de couro usado pelos cavaleiros. Pode também ser feito de rabo de tatu ou pênis de
boi.
Baxero - Pano para forrar o cavalo antes de se colocar a cela.
Pindaíba - Pescar com vara.
Canaimé - Lenda indígena dos Macuxis, que dá conta de um ser meio homem meio tamanduá, que
aterroriza as pessoas que causam mal à natureza. É um personagem equivalente ao Saci Pererê em outras
regiões do Brasil.
Makunaima - Mal que vive no monte.
Canaima - Expressão indígena que diz: cuidado com o que vem do céu. Também é o nome de um
Parque Nacional na Venezuela.
018

Caxiri - Bebida indígena fermentada a base de mandioca, uma espécie de cerveja.
Curare - Veneno extraído de uma planta e usado pelos índios na ponta das flechas durante os combates.

Vocabulário Mineiro
MINERIN = Típico habitante das Minas Gerais.
I = E (Ex: minino, ispecial, eu i ela, vistido).
UAI = O correspondente ao UÉ dos paulista. Ex: Uai é uai, uai!
ÉMEZZZ? = Minerin querendo confirmação.
ÓIQUI = Minerin tentando chamar a atenção para alguma coisa.
TXII = O irmão do pai ou da mãe (mulher do txii é a txxiiiiaa).
INTORNÁ = Quando não cabe na vasilha. Derramar no paulistanês.
PÃO DE QUEJO =Alimento fundamental na mesa mineira, disputa com o TUTU a preferência dos
minerin.
TUTU = Mistura de farinha de mandioca com feijão triturado e uns temperim lá da horta.
TREM = Palavra que nada tem a ver com transporte, e que quer dizer qualquer coisa que o minerin
quiser. Ex. Já lavô us trem? Eu comi uns trem. Vamo lá tomar uns trem?
MA QUI BELEEEZZZ = Expressão que exprime aprovação, quando gostou de alguma coisa.
NNN = Gerúndio do minerês. Ex. Brincannno, corrennno, innno, vinnno.
BELZONT = Capital de Minas Gerais.
TRIANGO MINER-RO = Triângulo Mineiro.
BERABA e BERLANDIA = Cidades famosas do Triangulo Mineiro.
PÓ PÔ PÓ? = A mineira perguntando ao marido se pode por o pó (ao fazer café).
PÓ PÔ POQUIN = Resposta afirmativa do marido.
JIGIFORA = Cidade mineira próxima ao Estado do Rio de Janeiro, o que confunde a cabeça do minerin
que não sabe se é minerin ou carioca. [Juiz de Fora]
ESTAÇÃO = Onde desembarcam os minerin com suas malas cheias de queijo.
COFÓFÔ EU VÔ = Conforme for, eu vou.
OIÓ TÓ = Olha aí, ó, toma...
VARGE = Aquele legume verde rico em fibras.
MAGRILIM = Indivíduo muito magro.
DEUSDE = desde (Ex: Eu sou magrilim deusde que eu era muleque!).
NIGUCIM = qualquer coisa que o minerin acha pequeno.
NUÉMERMO? = minerim procurando concordância com suas idéias.
NUM...NÃO = advérbios de negação usados na mesma frase - Ex: Num vô não. Num quero não. Num
gosto não.
ESPIA = nome da popular revista VEJA quando chega na distante e pequena cidade do minerin.
KINEM = advérbio de comparação, igual - Ex: Ela saiu bunita kinem a mãe.
ARREDA = verbo na forma imperativa, semelhante a sair, deslocar-se. - Ex: Arreda pra lá, sô!
IMMM = forma diminutiva Ex. Piquininimm, Lugarzimm, bolimm, vistidimm, sapatimm, etc.

JARGÕES PROFISSIONAIS

ECONOMISTAS
CDB - Certificado de Depósito Bancário. É um título de renda fixa emitido por instituições financeiras.

CDI - Certificado de Depósito Interbancário. São títulos que os bancos emitem diariamente, com a
função de mantar a fluidez do sistema, ou seja, os bancos que têm dinheiro em excesso emprestam para
aqueles que estão precisando.

Tesouro Direto - é um programa de venda de títulos públicos a pessoas físicas via Internet. Comprando
esses papéis, o governo passa a ser seu devedor e se compromete a pagar o empréstimo mais os juros
decorrentes dele na chamada data de vencimendo ou resgate do título.
019


Especulação - tentar comprar e vender ativos para ganhar com as variações de preços.

Homebroker - sistema via Internet por meio do qual o investidor opera na Bolsa de Valores sem a
necessidade de intermediação de uma corretora em cada operação.

Liquidez - Facilidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro ou outro meio de troca.

Pregão - Sessão durante a qual se negociam ações.

Ordens Stop - São ordens que ficam em stand by, aguardando o preço de disparo, para serem enviadas
para a bolsa. Portanto, sua ordem só entrará no caderno de ofertas quando ela atingir o preço de disparo.

Ordens Stop Loss - São ordens de venda que só são enviadas para a bolsa ao seu preço de venda (seu
limite de perdas) quando atingir um preço de disparo pré-especificado e maior que o preço de venda.
Este tipo de ordem é utilizado para limitar as perdas.

JURIDIQUÊS

          Alvazir de piso: o juiz de primeira instância
          Aresto doméstico: alguma jurisprudência do tribunal local
          Autarquia ancilar: Instituto Nacional de Previdência Social (INSS)
          Caderno indiciário: inquérito policial
          Cártula chéquica: folha de cheque
          Consorte virago: esposa
          Digesto obreiro: Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
          Ergástulo público: cadeia
          Exordial increpatória: denúncia (peça inicial do processo criminal)
          Repositório adjetivo: Código de Processo, seja Civil ou Penal

Certas expressões rebuscadas, comuns nos processos, poderiam ser facilmente substituídas por outras,
muito mais claras e objetivas.

sinônimos obscuros

          Pretório Excelso, Excelso Sodalício ou Egrégio Pretório Supremo = Supremo Tribunal
           Federal
          Peça exordial, peça vestibular ou peça preambular = petição inicial
          Vistor ou expert = perito
          Bill of mandamus ou remédio heróico = mandado de segurança
          Cônjuge sobrevivente ou consorte supérstite = viúvo
          Estatuto de Reproches Penais ou Caderno Repressor = Código Penal
          Diploma do anonimato = Lei das Sociedades Anônimas

DIFERENÇAS ENTRE A FALA E A ESCRITA
                                     MODALIDADES ESCRITA E FALADA
                         FALA                                                 ESCRITA
         Interação face a face (identidade temporal –      Interação a distância (não identidade espaço-
          possibilidade de usar elementos do contexto)       temporal – sem possibilidades de utilizar
                                                             elementos do contexto)
         Supressões                                        Sem supressões
020

      Pausa                                                        Sem pausa [Só por meio da pontuação]
      Interrupções                                                 Sem interrupções
      Repetições                                                   Sem repetições
      Expletivos/fáticos (bom..., aí..., né...,                    Sem expletivos
       então...)
      Linguagem informal                                           Linguagem formal
      Parênteses e retomadas                                       Sem parênteses e retomadas
      Possibilidade de reformulação (não é bem                     A reformulação pode ser promovida apenas pelo
       assim... isto é..., minto..., deixe-me                        autor
       esclarecer...), que pode ser promovida tanto
       pelo falante como pelo interlocutor
      Planejamento simultâneo ou quase                             Planejamento anterior à produção
       simultâneo à produção
      Criação coletiva: administrada passo a passo                 Criação individual


      Impossibilidade de apagamento                                Possibilidade de revisão

      Acesso imediato às reações do interlocutor                   Sem possibilidade de acesso imediato

      O falante pode processar o texto,                            O escritor pode processar o texto a partir das
       redirecionando-o a partir das reações do                      possíveis reações do leitor
       interlocutor



ALGUNS TEXTOS INTENCIONAIS E ALGUNS TROPEÇOS NA RELAÇÃO
FALA / ESCRITA:

         Texto 1
        A leitura de um trecho do poema de Antonino Sales, "Malinculia", mostra as interferências da
fala na escrita e como elas não anulam a expressividade poética de suas imagens.

Malinculia, Patrão, É um suspiro maguado Qui nace no coração! É o grito safucado Duma sodade
iscundida Qui nos fala do passado Sem se torná cunhicida! É aquilo qui se sente Sem se pudê ispricá!
Qui fala dentro da gente Mas qui não diz onde istá! (...)
(BAGNO, Marcos. "A Língua de Eulália: Uma Novela Sociolingüística)




     Texto 2
Trecho retirado de uma página do ORKUT

JUJU BONEQUINHA DE PORESSELANA
Relacionamento: solteira
Aniversário: 1 de março
Idade: 22 anos
Idiomas que falo: português
Quem sou eu: çou uma peçoa muito felis de beim com a vida e quero faser novas
amisades qer me conheser melhor? Me adisione
021


TEXTO 3
"Português é fácil de aprender porque é uma língua que se escreve exatamente como se fala."

Pois é. U purtuguêis é muinto fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti
cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi
algumas palavras. Im purtuguêis não. É só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida?
Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muinto diferenti. Qui bom qui a
minha língua é u purtuguêis. Quem soubé falá sabi iscrevê.

O comentário é do humorista Jô Soares, para a revista Veja. Ele brinca com a diferença entre o
português falado e escrito. Na verdade, em todas as línguas, as pessoas falam de um jeito e escrevem de
outro. A fala e a escrita são duas modalidades diferentes da língua e é com esse fato que o Jô brincou.

QUADRO EXPLICATIVO SOBRE AS DIFERENÇAS ENTRE AS GRAMÁTICAS

               Gramática normativa =               Gramática descritiva     Gramática
               conjunto de regras que devem ser    =                        internalizada =
               seguidas                            conjunto de regras que   conjunto de regras que
                                                   são seguidas             o falante domina

               obrigação:                          busca pelas              é a língua em
                                                   regularidades da         situações de uso pelo
Regra          assemelha-se à lei jurídica: ―é o   língua:                  falante:
               que deve ser‖                                                são os
                                                   assemelha-se à lei da    conhecimentos/usos
                                                   natureza: ―é o que é‖    lingüísticos dos
                                                                            falantes, com regras
                                                                            implícitas (sem que se
                                                                            tenha consciência
                                                                            delas, muitas vezes)
            --expressão das pessoas cultas         regularidades
            -regras baseadas apenas na             -não existem línguas
            modalidade escrita                     uniformes;
   Língua
            -critério literário;                   -o critério não é
            -norma culta ou variante padrão        apenas literário
            ou dialeto padrão
    Erro/   o que foge da boa linguagem,           -há variáveis entre
inadequação segundo a norma culta. Tudo o          padrões de uso
            que não está prevista na               -só é erro o que não
            gramática é considerado como           faz parte sistemática
            erro.                                  de nenhuma variante
                                                   da língua. Há
                                                   inadequações.



                                              ATIVIDADES
Atividade 1. Observe o texto abaixo. É a resposta de uma jovem ao repórter que lhe fez a seguinte
pergunta: o que é, para você, ser feliz? Reescreva-a,, utilizando a variante padrão.
        ―Sei lá o que te dizer sobre esse negócio de ser feliz, mas acho que, pra todo mundo encontrar a
felicidade, a gente tem que dizer um ‗não‘ bem grande pras coisas ruins que acontecem pra gente na
vida.‖
022


Atividade 2. Reescreva o texto oral abaixo, considerando a variante padrão:

F 1- o português então não é uma língua difícil?
F 2 - ... olha se você parte do princípio... que a língua portuguesa não é só regras gramaticais... não se
você se apaixona pela língua que você... já domina que você já fala ao chegar na escola se o teu
professor CATIva você a ler obras de literatura... obras da/dos meios de comunicação... se você tem
acesso a revistas... éh:: a livros didáticos... a::: livros de literatura o mais formal... o e/o difícil é porque a
escola transforma como eu já isse as aulas de língua portuguesa em aNÁlises gramaticais...


Atividade 3. Leia os textos a seguir e analise os objetivos, de cada autor, em relação ao tipo de público
alvo esperado. Escreva um breve comentário se a utilização da gíria cumpre o seu papel comunicativo
em cada um dos textos abaixo. Justifique a sua resposta.

TEXTO I
Jaws: adrenalina pura
       Uma lua cheia maravilhosa e a boia prevendo ondas enormes tocaram a minha alma na noite do
dia 9 de novembro. Fui dormir tranquilo, sabendo que o dia seguinte encheria de alegria todos os
corações dos bigriders presentes em Maui. [...]
       Aquele visual que sonhamos durante todo o ano se realizava diante de nossos olhos. Altas
bombas entrando e Burle e Eraldo, que haviam saído alguns minutos antes de nós, já desciam ladeira
abaixo. Ambos droparam ondas enormes, com destaque para uma de Burle, que ficou na boca de um
tubo e quase se descontrolou devido à velocidade. Ele acertou o ―timing‖ no último segundo antes do lip
achatar sua cabeça.
       Apesar de as ondas estarem gigantes e perfeitas, a infuência do swell de west tornou a situação
uma corrida pela vida. Não tinha rabo, pois eram dois picos defInidos: o do outside e o do inside. [...]
       Quando comecei a descer não tinha certeza de onde estava e me coloquei um pouco para o rabo,
pois esse swell com tendência de west manda um bowl traiçoeiro que já tinha aniquilado alguns durante
a session. Depois da curva vi uma parede imensa e inconscientemente tive a vontade de mandar uma
rasgada. Foi demais a sensação, mas logo no começo da descida a prancha atingiu uma velocidade
absurda. Um pequeno bump quase me descolou da parede. Eu ainda consegui controlá-la, porém a
espuma que vinha atrás me aniquilou. [...]
       Resultado final: vivo, com mais um caldaço e minha prancha mágica nas pedras. [...]
         [MANCUSI, Sylvio. Fluir, São Paulo, mar.2004.Disponível em
http://www.moderna.com.br/didaticos/em/portugues/port_contexto/usos/Unid1_cap1_linguagem.pdf, pesquisado em
14.fev.2010.

Vocabulário:
        ―big riders‖ são surfstas que andam pelo mundo em busca das ondas gigantes.
        Maui – cidade do Havaí, pegar algumas
        ―Bombas‖ são as próprias ondas;
       ―dropar‖ significa pegar a onda,
       ―descendo‖ por sua superfície, do ponto mais alto para o mais baixo.

TEXTO II

N° Edição: 1778 | 29.Out - 10:00 | Atualizado em 25.Nov.09 - 10:58
023

A turma da boquinha
Ministros criam constrangimento para Lula e secretário de Segurança perde o
emprego
Luiz Cláudio Cunha

O PT e seus aliados caíram de cabeça no miolo da picanha: o partido tirou a boca do trombone da
oposição, onde cresceu e apareceu, para se acomodar na boquinha do poder, onde deitou e agora cria
fama. Numa única semana, dois ministros e um secretário nacional constrangeram o presidente Lula
com um deslize que fazia a festa dos petistas na oposição: a confusão entre o dinheiro público e o
privado. Na quarta-feira 22, depois de um mês de indecisão, a ministra da Ação Social, Benedita da
Silva, fez o que todo mundo esperava: devolveu os R$ 4.816 de diárias que recebeu para uma viagem de
oração com evangélicos em Buenos Aires.

O pecado não teria se revelado se não tivesse sido publicado no Diário Oficial da União. Às pressas,
Benedita arranjou uma audiência com sua equivalente argentina, a ministra Alicia Kirchner. De volta a
Brasília, pediu desculpas a Lula e foi perdoada. O Ministério Público e a oposição aumentaram o tom
das críticas. Benedita bateu pé, disse que não fez nada errado, mas acabou admitindo depositar o valor
em juízo, depois que foi repreendida pela Comissão de Ética do Planalto. Seu papelão acabou
atrapalhando o domingo do presidente: sentado para ouvir Paulinho da Viola em Brasília, Lula teve que
ouvir o coro popular de ―devolve, devolve‖ que saudou a chegada de Benedita ao show. No dia seguinte,
no Planalto, Lula deu o troco: deixou Benedita na primeira fila de autoridades, como um ministro
qualquer, no lançamento do Bolsa-Família, que tem tudo a ver com a Ação Social. Cansada, Benedita
capitulou – e, no mesmo dia, mandou um cheque pessoal para pagar a conta da oração.

Nem reza salvou, naquele dia, o emprego do secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo
Soares. Na véspera, o jornal O Globo revelou que ele fez um contrato de consultoria de R$ 24 mil com
Bárbara Soares, sua ex-mulher. Na antevéspera, o jornal contara que, ressabiado pelo efeito Benedita,
ele tinha cancelado outro contrato, de R$ 40 mil, desta vez com a atual mulher, Miriam Guindani, que
chegou a receber R$ 1.856 em diárias, embora nem fosse servidora
do Ministério. O secretário pediu demissão denunciando ―tramas sórdidas‖ para sua derrubada.

Escaldado, o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, deputado do PC do B, disparou antes de ser atingido
pela imprensa. Anunciou, na quarta-feira 22, que devolveria metade dos R$ 10.872 que revelou ter
recebido do governo para ficar 11 dias na República Dominicana, em agosto, durante os Jogos Pan-
Americanos. O ministro lembrou que o hotel onde se hospedou foi pago pelo Comitê Olímpico
Brasileiro (COB), uma entidade privada. Para um partido acostumado a cobrar explicações de
autoridades sobre o mau uso do dinheiro público, a semana deixou o PT vermelho de vergonha. E o
presidente chamuscado no seu prestígio: a pesquisa Sensus, patrocinada pela Confederação Nacional
dos Transportes, mostrou a maior queda na avaliação de Lula desde
sua posse. A aprovação ao desempenho pessoal do presidente era de 76% em agosto e caiu para 70% em
outubro. Neste caso, o PT preferiu fazer boca-de-siri.

TEXTO III

LINCOLN SÓ QUERIA A IGUALDADE DOS HOMENS [1º artigo de uma série]

COLUNA: NAVALHA NA CARNE – ÚLTIMA HORA, SP, 2/5/1969

Meus cupinchas, são muitos os pererecos que servem pra provar que nos tempos que correm, o homem
não é parceiro do homem. Mas o que mais me atucana a cuca é a presepada que o canal 5 [Tevê Globo]
está armando. Eles vão montar A Cabana do Pai Tomás em forma de novela. E o Tomás, que é um
personagem negro, vai ser vivido por um ator branco. Vão tingir o panaca de preto. Vão deixar uma
024

curriola de bons atores crioulos fazendo papel de esparro. E o branco tingido se badalando de estrelo. O
Sérgio Cardoso é o cara que vai se prestar ao triste papel de se pintar de preto pra fazer o Tomás. E vai,
na mesma novela, fazer mais dois outros papéis. O de Lincoln e um outro branco. Vai dar seu show. Vai
satisfazer sua vaidade. Enquanto Samuel, Dalmo Ferreira, Benê Silva (formado pela Escola de Arte
Dramática), Milton Gonçalves, Antônio Pitanga, Carlão Caxambu e tantos outros atores negros, de valor
provado, ficam pegando as rebarbas das quebradas da vida.

Meus cupinchas, A Cabana do Pai Tomás é um romance contra a nojenta escravidão. E vai servir, na
bolação dos majuras do canal 5, pra amesquinhar patrícios nossos. Lincoln foi um grande homem que
foi assassinado covardemente. Foi a medalha que lhe deram por querer a igualdade dos homens. Lincoln
vai ser representado por um ator que não tem nada a dizer sobre o humanismo.

Meus cupinchas, me vem na memória o Rubens Campos, um bom crioulo com um talento raro, que
morreu com vontade de comer. Sem trabalho. Aguentou os seus últimos tempos mastigando o amargo e
nojento pão da caridade. Enquanto num palco de São Paulo um branco tingido de preto faturava palmas,
flores, dinheiro, vivendo Otelo.

Meus cupinchas, não cabe uma besteira dessa no Brasil. Nós aprendemos isso com nossos pais, com
nossos mestres: ―Todos os homens são iguais.‖ Que interessa a verdade dos livros, os conselhos sábios,
se no dia-a-dia é tudo uma caca?

Meus cupinchas, os atores negros certamente vão engolir essa jogada cavernosa. Alguns atores brancos
também. São os que estão matando cachorro a grito. Sem emprego, sem nada. Mas vão entrar nessa
catraia furada, com a bronca pega. Se ardendo de raiva. Calando a revolta por gama aos filhos. Por gama
à profissão que escolheram. Mas que, que manjo bem os meus chapas negros, sei como estão
machucados. E não aguento mais. Boto a boca no trombone pra berrar por meus irmãos negros. Chegou
a hora de serem libertados da escravidão. Dar chance igual a todos. Não podemos permitir que no Brasil
que a gente ama se faça uma afronta à dignidade humana. Existem terras onde é comum pintar branco de
negro pra entrar no palco. Mas esse ridículo exemplo a gente não pode aceitar. Vamos protestar com
energia. Essa pornografia não pode ir ao vídeo. Essa imoralidade não pode invadir os lares.

Meus cupinchas, os atores negros sabem como seria ridículo eles se pintarem de branco, no Brasil, para
viverem o papel de Lincoln, que eles tanto amam. Eles só querem fazer o Tomás. Mostrar que têm
talento. E isso não é racismo. É um direito do homem de cor.
www.pliniomarcos.com/jornais-revistas.htm, pesquisado em 14 fev 2010


TEXTO IV

Ei, amizade!

(Vídeo exibido na Casa de Detenção, em São Paulo, realizado pela agência Adag e pela Tv Cultura)

Aqui é Plínio Marcos, bandido também. Atenção, malandragem! Eu não vou pedir nada, só vou dar um
alô. Te liga aí!

Aids é uma praga que rói até os mais fortes. E rói devagarinho, deixa o corpo sem defesa contra a
doença. Quem pega essa praga está ralado de verde e amarelo, do primeiro ao quinto, sem vaselina. Não
tem doutor que dê jeito. Nem reza brava. Nem choro, nem vela. Nem ‗ai Jesus‘. Pegou Aids, foi pro
brejo...Agora, sento o aroma da perpétua: Aids passa pelo esperma e pelo sangue. Entendeu? Pelo
esperma e pelo sangue. Eu Não estou te dando este alô pra te assombrar. Então, se toca! Não é porque tu
tá na tranca que virou anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cara ruim. Mas é preciso que cada
um se cuide. Ninguém pode valer pra ninguém esse negócio de Aids.
025

Então, já viu, transar, só de acordo com o parceiro e de camisinha. Tu aí que é metido a esculachar os
outros, metido a ganhar o companheiro na força bruta, na congesta: pára com isso, senão tu vai acabar
empesteado. Aids não toma conhecimento de macheza, pega pra lá e pega pra cá. Pega em homem, pega
em bicha, pega em mulher, pega em roçadeira. Pra essa peste não tem bom: quem bobeia fica premiado.
E fica um tempão sem saber...Daí, o mais malandro, no dia de visita, recebe mamão com açúcar da
família e manda pra casa o Aids. E não é isso que tu quer, né, vago mestre? Então, te cuida! Sexo, só
com camisinha. Quem descobre que pegou a doença se sente no prejuízo e quer ir à forra, passando pros
outros. Sexo, só com camisinha. Não tem escolha, transar, só com camisinha.

Quanto a tu, mais chegado ao pico...Estou sabendo que ninguém corta o vício só por ordem da chefia.
Mas escuta bem, vago mestre, a seringa é o canal pro Aids. No desespero, tu não se toca, não vê, não
quer nem saber. Ás vezes, a seringa vem até com um pingo de sangue e tu mete ela direto em ti. Às
vezes ela parece que vem limpona e vem com a praga. E tu, na afobação, mete ela direto na veia. Aí, tu
dança. Tu, que se diz mais tu, mas não pode agüentar a tranca sem pico, te cuida. A farinha que tu cheira
e a erva que tu barrufa enfraquecem o corpo e deixa tu chué da cabeça e dos peitos, e aí tu fica moleza
pro Aids. Mas o pico é canal direto pra essa praga que está aí.

Então, malandro, se cobre! Quem gosta de tu é tu mesmo.
A saúde é como liberdade. A gente só da valor pra ela quando ela já era.

/www.pliniomarcos.com/teatro_obracompleta.htm, pesquisado em 14 fev 2010

Atividade 4. Leia o artigo abaixo:
Hermetismo jurídico
Tecnicidade da linguagem pode afastar sociedade da Justiça (por Vivianne Rodrigues de Melo)

       Estudos atuais da linguística, da filosofia da linguagem e de diversos ramos do Direito apontam
a existência de uma linguagem jurídica dotada de características que a investem de juridicidade,
diferenciando-a de outras linguagens técnicas.
       O Direito nos é dado a conhecer por meio de palavras, manifestadas em todos os sentidos: nas
leis, nos atos judiciais e em outras formas diversas que não dispensam a ferramenta da linguagem para
o conhecimento da matéria jurídica.
       Resta evidente, pois, que o Direito é ciência dotada de linguagem técnica e específica, com
espaço de sentido e espaço estrutural autônomos (gramática e dicionário jurídicos próprios).
       Seguramente observa-se que tantas outras ciências possuem vocabulário próprio, tais como a
medicina, a informática e a economia, não diferentemente do Direito. Entretanto, o tecnicismo deste
último tem sido alvo de antigas preocupações, no que diz respeito à própria razão de existir do Direito,
em função da garantira do bem-estar da coletividade: o Direito possui um léxico e um campo
semântico peculiares e a cientifização descontrolada da linguagem jurídica pode ser fator de
distanciamento, inclusive ideológico, daqueles que do Direito precisam se servir.
       Miguel Reale, em antiga e prudente preocupação com a introdução dos iniciantes na linguagem
do Direito, já estabelecia recomendações propedêuticas ao estudo do Direito, pois, ―às vezes,
expressões correntes, de uso comum do povo, adquirem, no mundo jurídico, um sentido técnico
especial‖.
       O hermetismo da linguagem jurídica é sintomático pois o Direito, por ser uma ciência, é
investido de um método próprio que requer a configuração de um vocabulário técnico, não facilmente
apreendido pelo homem comum.
       Em acertada crítica, o linguista Adalberto J. Kaspary estabelece abordagem categórica a respeito
da questão do hermetismo da linguagem jurídica:
                          “O desenvolvimento da técnica jurídica fez com que surgissem termos não-
                          usuais para os leigos. A linguagem jurídica, no entanto, não é mais hermética
                          para o leigo que qualquer outra linguagem científica ou técnica. Aí estão,
                          apenas para exemplificar, a medicina, a matemática e a informática com seus
026

                       termos tão peculiares e tão esotéricos quanto os do Direito. Ocorre que o
                       desenvolvimento da ciência jurídica se cristalizou em instrumentos e
                       instituições cujo uso reiterado e cuja precisão exigiam termos próprios:
                       servidão, novação, sub-rogação, enfiteuse, fideicomisso, retrovenda, evicção,
                       distrato, curatela, concussão, litispendência, aqüestros (esta a forma oficial),
                       etc. são termos sintéticos que traduzem um amplo conteúdo jurídico, de
                       emprego forçado para um entendimento rápido e uniforme. O que se critica, e
                       com razão, é o rebuscamento gratuito, oco, balofo, expediente muitas vezes
                       providencial para disfarçar a pobreza das idéias e a inconsistência dos
                       argumentos. O Direito deve sempre ser expresso num idioma bem-feito;
                       conceitualmente preciso, formalmente elegante, discreto e funcional. A arte do
                       jurista é declarar cristalinamente o Direito”. (grifo nosso)

        Tem-se observado que a linguagem jurídica recorrentemente praticada com excessivo
preciosismo, arcaísmo, latinismo e polissemia contribui para o afastamento da própria sociedade em
relação ao Direito, sendo que do fundamento ontológico deste ramo do conhecimento, infere-se que a
linguagem jurídica deveria apresentar-se mais diáfana aos olhos dos cidadãos, como verdadeiro
instrumento a serviço da sociedade e de busca pela excelência da prestação jurisdicional. Relevante é a
ressalva de que o acesso ao conhecimento do Direito constitui uma das modalidades de acesso à
Justiça, na lição clássica de Cappelletti.
        A propalada indissociabiliade entre linguagem e Direito nos indica que os aplicadores do Direito
devem investir em uma melhor comunicação jurídica e primar pela depuração da linguagem jurídica e
pelo controle do rigor técnico formal excessivo, por vezes frutos de egoística afeição ao vernáculo,
todavia tão prejudicial aos jurisdicionados e à sociedade de forma geral, que quedam alijados de
conhecimentos sequer rudimentares do Direito.
        Observa-se, muitas vezes, sentenças cujo teor não é possível que as partes conheçam sem a
interferência de seu advogado, porque a leitura da peça é de total incompreensão, haja vista o abuso de
termos jurídicos obsoletos, em manifesta exacerbação estilística. Assim sendo, a liberdade das partes
litigarem em sede de Juizado Especial sem constituir advogado, respeitando o limite legal do valor da
causa, pode restar frustrada no campo da efetividade, diante do alheamento dos cidadãos em relação às
especificidades da linguagem jurídica.
        Variegadas e insurgentes são as possíveis soluções práticas para a maior afinidade da população
com informações basilares sobre cidadania e direito, dentre as quais a realização de cursos de
capacitação promovidos pelos tribunais e pelos diversos órgãos públicos, no sentido de qualificar os
integrantes de seus quadros a destinarem tratamento condigno aos cidadãos. Por exemplo, em prol de
melhor atendimento sobre os direitos e informação nos Juizados Especiais, Procons, etc., todos quantos
atestadores do primado da ética e da igualdade material nas atribuições do serviço público.
        Também de premente importância é o exercício do direito social da educação, com a confecção
de cartilhas a serem elaboradas pelos tribunais e órgãos públicos, inclusive em parcerias com a
pesquisa e a extensão das universidades, e depois distribuídas à população, juntamente com a
realização de campanhas com o apoio da mídia, bem como, a implantação obrigatória de disciplina de
noções elementares de cidadania e direito nos currículos escolares, para fomentar a educação cidadã.
Trata-se, ao que se depreende, de modestos exemplos de iniciativas simples a serem tomadas para a
inclusão dos cidadãos ao conhecimento do Direito a partir da integração com a linguagem jurídica.
        Os aplicadores do Direito, em seu múnus, enfim, devem dignificar a humanização das leis,
tornando-as socialmente mais úteis e apreensíveis, ao conhecimento primário da população como um
todo.
        A educação se apresenta como direito social da cidadania ou direito público subjetivo que,
incorporado nas cartas políticas atuais, revela o caminhar dos direitos humanos para a necessidade
natural de evolução do ser humano e de sua integração à instrução e ao conhecimento, devendo o
Estado equiparar-se com políticas públicas adequadas para a institucionalização e desenvolvimento da
educação como forma de inclusão às vicissitudes do Direito por meio da linguagem jurídica, mitigando
o seu hermetismo sem fronteiras.
027

       Nalini, na esteira de tantos outros juristas, manifesta oportunamente sobre o dever ético do juiz
na divulgação do Direito e na facilitação do discurso jurídico veiculado na linguagem jurídica:
―Além dessa divulgação operacional, as entidades promoveriam a divulgação institucional,
propiciadora de informações sobre o funcionamento do Judiciário no Brasil. Não se pode nutrir afeição
por aquilo que não se conhece. Isso explica os índices de comprometimento afetivo demonstrado pela
população brasileira a seu Judiciário, em qualquer pesquisa realizada nesta década (...) a assessoria de
mídia, anexa a cada organismo, deve desempenhar sua parte e fazer a aproximação entre mediática e
Justiça, decodificando o hermetismo da linguagem e o distanciamento que o Judiciário só nutrir em
relação aos mass media‖.
       Em tempo, mais producente seria se os juristas se aliassem ao poeta Manuel Bandeira (in
Azevedo, 1996: 86)2, cuja maturidade e inspiração compreendeu a importância social de se evitar o
hermetismo no fazer versos: com maior simplicidade e clareza das palavras deverá ser o fazer justiça,
para a segurança dos cidadãos e sua real participação no modus vivendi do Estado Democrático de
Direito.
       Ante o exposto, sem a pretensão de exaurir o rico tema posto em discussão, forçoso concluir que
o hermetismo da linguagem jurídica justifica-se pela tecnicismo desta, sendo necessário um
engajamento dos aplicadores do Direito para em diversas e criativas medidas tornar mais acessível a
linguagem jurídica ao conhecimento da sociedade, tendo em vista o conhecimento do Direito como
acesso à Justiça e direito fundamental dos cidadãos.

À luz das reflexões sobre a linguagem jurídica elaboradas por Vivianne Rodrigues de Melo,
analise os textos jurídicos que seguem:

1.
       V. Exª., data máxima vênia, não adentrou às entranhas meritórias doutrinárias e jurisprudenciais
acopladas na inicial, que caracterizam, hialinamente, o dano sofrido.

2.
        Com espia no referido precedente, plenamente afincado, de modo consuetudinário, por
entendimento turmário iterativo e remansoso, e com amplo supedâneo na Carta Política, que não
preceitua garantia ao contencioso nem absoluta nem ilimitada, padecendo ao revés dos temperamentos
constritores limados pela dicção do legislador infraconstitucional, resulta de meridiana clareza, tornando
despicienda maior peroração, que o apelo a este Pretório se compadece do imperioso prequestionamento
da matéria abojada na insurgência, tal entendido como expressamente abordada no Acórdão guerreado,
sem o que estéril se mostrará a irresignação, inviablizada ab ovo por carecer de pressuposto essencial ao
desabrochar da operação cognitiva.

3.
Ré SUZANE LOUISE VON RICHTHOFEN :
        Pelo homicídio praticado contra Manfred Albert Von Richthofen, atento aos elementos
norteadores do artigo 59 do Código Penal, considerando a culpabilidade, intensidade do dolo, clamor
público e conseqüências do crime, incidindo três qualificadoras, uma funcionará para fixação da pena
base, enquanto as outras duas servirão como agravantes para o cálculo da pena definitiva (RT 624/290).
Assim, fixo a pena base em dezesseis (16) anos de reclusão, a qual aumento de quatro (04) anos,
totalizando vinte (20) anos de reclusão. Reconhecida a presença de circunstâncias atenuantes, que no
caso deve ser considerada a menoridade à época dos fatos, reduzo a pena de seis (06) meses, resultando
em dezenove (19) anos e seis (06) meses de reclusão.
        Pelo crime no tocante à vítima Marísia Von Richthofen, atento aos elementos norteadores do
artigo 59 do Código Penal, considerando a culpabilidade, intensidade do dolo, clamor público e
conseqüências do crime, incidindo três qualificadoras, uma funcionará para fixação da pena base,
enquanto as outras duas servirão como agravantes para o cálculo da pena definitiva (RT 624/290).
Assim, fixo a pena base em dezesseis (16) anos de reclusão, a qual aumento de quatro (04) anos,
totalizando vinte (20) anos de reclusão. Reconhecida a presença de circunstâncias atenuantes, que no
028

caso deve ser considerada a menoridade à época dos fatos, reduzo a pena de seis (06) meses, resultando
em dezenove (19) anos e seis (06) meses de reclusão.
       Pelo crime de fraude processual, artigo 347, parágrafo único do C.Penal, fixo a pena em seis (06)
meses de detenção e dez dias multa, fixados estes no valor mínimo legal de 1/30 do salário mínimo
vigente no pais à época dos fatos, devidamente corrigido até o efetivo pagamento.
       No caso há evidente concurso material, nos termos do artigo 69 do Código Penal.
       Com efeito, a ré participou de dois crimes de homicídio, mediante ações dirigidas contra vítimas
diferentes, no caso seus próprios pais. Além desses, também, praticou o crime de fraude processual.
       Assim, as penas somam-se, ficando a ré SUZANE LOUISE VON RICHTHOFEN, condenada à
pena de trinta e nove (39) anos de reclusão e seis (06) meses de detenção, bem como, ao pagamento de
dez dias-multa no valor já estabelecido, por infração ao artigo 121, §2º, inciso I, III e IV (por duas
vezes) e, artigo 347, parágrafo único, c.c. artigo 69, todos do C.Penal.
       Torno as penas definitivas à míngua de outras circunstâncias.
       Por serem crimes hediondos os homicídios qualificados, a ré cumprirá a pena de reclusão, em
regime integralmente fechado e, a de detenção em regime semi-aberto, primeiro a de reclusão e
finalmente a de detenção.
       Estando presa preventivamente e, considerando a evidente periculosidade da ré, não poderá
recorrer da presente sentença em liberdade, devendo ser expedido mandado de prisão contra a ré
SUZANE LOUISE VON RICHTHOFEN.
       Após o trânsito em julgado, lancem-se os nomes dos réus no rol dos culpados.
       Sentença publicada em plenário, dou as partes por intimadas. Registre-se e comunique-se.
Sala das deliberações do Primeiro Tribunal do Júri, plenário 8, às 02:00 horas, do dia 22 de julho de
2006.
ALBERTO ANDERSON FILHO
Juiz Presidente


ÁREAS DE ESTUDO DA GRAMÁTICA: Aspectos da ortoepia
Ortoépia ou Ortoepia: derivação do grego orthós que significa reto, direito, mais epós que significa
palavra. É a parte da gramática que se preocupa com a correta articulação e pronúncia dos grupos
fônicos. Quando não se respeita a correta pronúncia de determinada palavra, o indivíduo pode ser
tachado de ignorante ou, por ter utilizado a linguagem vulgar ao articular uma palavra, de tê-lo feito
devido à ―lei do menor esforço‖.

A ortoepia está relacionada à perfeita emissão das vogais, à correta articulação das consoantes e à
ligação dos vocábulos dentro de contextos. No entanto, muitas palavras sofrem ao longo do tempo
algumas modificações e quando passam a fazer parte da linguagem de uma comunidade são
dicionarizadas. Verifique alguns exemplos:

      O pronome de tratamento você é uma redução de vossa mercê que, muitas vezes, se ouve ocê,
       caso seja aceita pela maioria pode passar a fazer parte do vocabulário da língua portuguesa.
     A palavra bom na variante regional do interior, como o roceiro, pode ser falada „bão‟; quem
       sabe ainda faça parte da linguagem oficial, assim como non passou a ser „não‘, tornando-se
       arcaica a forma antiga.
     Obligação, do latim obligatio, não é mais correta, pois transformou-se em obrigação.
Tal fenômeno pode ocorrer em dois momentos:
     erros ortográficos:acontecem quando se escreve a palavra de forma errada.
     erros ortoépicos : acontecem quando se escreve e se pronuncia de maneira incorreta.


Erros cometidos contra a ortoépia são chamados de cacoepia. Alguns exemplos:
029

   a- pronunciar erradamente vogais quanto ao timbre:

Pronuncia-se com timbre fechado (ê, ô): omelete, alcova, crosta, etc e não com timbre aberto (é,
ó):omelete, alcova,crosta...

   b- omitir fonemas: cantar/ canta, trabalhar/trabalha, amor/amo, abóbora/abóbra,prostrar/ prostar,
reivindicar/revindicar...

   c- acréscimo de fonemas: pneu/peneu, freada/ freiada,bandeja/ bandeija...

   d- substituição de fonemas: cutia/cotia, cabeçalho/ cabeçário, bueiro/ boeiro

   e- troca de posição de um ou mais fonemas: caderneta/ cardeneta, bicarbonato/ bicabornato,
muçulmano/ mulçumano

    f- nasalização de vogais: sobrancelha/ sombrancelha, mendigo/ mendingo, bugiganga/ bungiganga
ou buginganga

      g- pronunciar a crase: A aula iria acabar às cinco horas./ A aula iria acabar àas cinco horas

Prosódia

A prosódia está relacionada com a correta acentuação das palavras tomando como padrão a língua
considerada culta.

Abaixo estão relacionados alguns exemplos de vocábulos que freqüentemente geram dúvidas quanto à
prosódia:

1) oxítonas:
cateter ou catéter , Cister, condor, hangar, mister, Nobel, novel, recém, refém, ruim, sutil, ureter. ruim

2) paroxítonas:
avaro, avito, barbárie, caracteres, cartomancia,ciclope, ibero, erudito, ibero, pudico

gratuito, ônix, poliglota, pudico, rubrica, tulipa, austero, recorde, intuito, fortuito, gratuito

3) proparoxítonas:
aeródromo, alcoólatra, álibi, âmago, antídoto, elétrodo, lêvedo, protótipo, quadrúmano, vermífugo,
zéfiro, ínterim.


Há algumas palavras cujo acento prosódico é incerto, oscilante, mesmo na língua culta. Exemplos:

acrobata e acróbata ; crisantemo e crisântemo; Oceânia e Oceania; reptil e réptil; xerox e xérox e
outras.

Outras assumem significados diferentes, de acordo a acentuação:

  Exemplo: valido/ válido; máquina/maquina; trêmula/tremula; Vivido /Vívido


Mudanças no som do X
exegese (zê) / inexorável (zé) / praxe (che)/ sintaxe (ce) / praxis(csi) / tóxico (csi)/ inexorável (zô)
030

proxeneta (cse)/ uxoricida (cso)


EQUÍVOCOS MAIS COMUNS:
. beneficência (e nunca beneficiência)
. exacerbar (e nunca exarcebar)
. fratricídio (e nunca fraticídio)
. fetiche (e nunca feitiche)
. losango (e nunca losângulo)
. geminado (e nunca germinado)
. meteorologia (e nunca metereologia)
. muçulmano (e nunca mulçumano)
. plebiscito (e nunca plesbicito)
. reivindicar (e nunca reinvindicar)
. sobrancelha (e nunca sombrancelha)

  Cacoépia: são os erros contra a ortoépia, que indicam a alteração da grafia devido a erros de
pronúncia. Eles permanecem devido à aceitação popular e forçam as mudanças ortográficas. A escrita
ajuda a conter esse fenômeno, contudo não o impede. A linguagem oral predomina e comanda a dita
modernidade da língua.
 Modernamente ouvimos: miupia/ miopia; cartulina/ cartolina; tiatro/teatro, cumpanheiro/
companheiro; cúbiça/ cobiça; culégio/colégio; pudêr/ poder; etc. {mas não são aceitas pela norma
culta)

Nasalização de vogais: consiste em tornar vogais não-nasaladas em nasais: mendigando /
mendingando; bugiganga / bungiganga ou buginganga.

Troca de posição de um ou mais fonemas: há uma intercalação ou deslocamento de fonemas
dentro da própria palavra: muçulmano / mulçumano; cadarço / cardaço; lagartixa / largatixa etc.

Substituição de fonemas: coloquialmente, ocorre com a troca indevida de fonemas
por outros muito parecidos, como: bueiro / boeiro, cabeçalho / cabeçário etc.

Acréscimo de fonemas: é a inserção de fonema no vocábulo. Geralmente ocorre
em consoantes mudas, como
 pneu (peneu); advogado (adevogado) etc. Ocorre em demais
situações também, como: cabeleireiro (cabeileireiro), bandeja (bandeija) etc.


ATIVIDADES

Fonologia – parte da gramática que se dedica ao estudo dos sons da língua – ou fonemas (unidade
sonora que produz diferenças de significado – nato/mato/mito/moto/modo/) – e sua organização em
sílabas. Divide-se em ortoepia/ortoépia – estudo da articulação e pronúncia dos vocábulos -;
ortografia – estudo das formas de representação escrita das palavras; e prosódia – estudo da acentuação
das palavras.

Atividade 1
Coloque um x na pronúncia correta:
( ) aborígine ( ) aborígene                             ( ) acróbata ( ) acrobata
( ) advogado ( ) adevogado                              algoz - ( ) ‗algôz‘ ( ) ‗algóz‘
( ) antiontem ( ) anteontem ( ) antes de ontem          ( ) asterisco ( ) asterístico
( ) aterrissagem ( ) aterrizagem                        ( ) austero ( ) áustero
031

( ) autópsia ( ) autopsia                         ( ) misantropo ( ) misântropo (que tem aversão
( ) necrópsia ( ) necropsia                       aos homens e à sociedade)
( ) avaro ( ) ávaro (mesquinho)                   ( ) monólito ( ) monolito
( ) azálea ( ) azaléia (azaleia)                  ( ) Nóbel ( ) Nobel
( ) ázimo ( ) azimo                                optar ( ) eu ‗ópto‘ ( ) eu ‗opito‘
( ) aziago ( ) azíago                             ( ) prazeroso ( ) prazeiroso
( ) bandeija ( ) bandeja                          ( ) projétil ( ) projetil
( ) beneficente ( ) beneficiente                  ( ) púdico ( ) pudico
( ) bueiro ( ) boeiro                             ( ) récorde ( ) recorde
( ) boêmia ( ) boemia                             ( ) reivindicar ( ) reinvindicar
( ) cabeçário ( ) cabeçalho                       ( ) reincidência ( ) reicindência
( ) bons caracteres ( ) bons caráteres            ( ) réptil ( ) reptil
( ) cateter ( ) catéter                           ( ) retrógrado ( ) retrógado
( ) cérebro ( ) célebro                           ( ) rubrica ( ) rúbrica
( ) clitóris ( ) clítoris                         ruim ( ) ruim ( ) ru-im
( ) condor ( ) côndor                             subsídio – ( ) ‗subzídio‘ ( ) ‗subcídio‘
( ) míster ( ) mister (fundamental)               ( ) surripiar ( ) surrupiar
( ) uréter ( ) ureter                             ( ) terraplenagem ( ) terraplanagem
( ) carangueijo ( ) caranguejo                    ( ) transístor ( ) transistor
( ) cincoenta ( ) cinquenta                       ( ) xérox ( ) xerox
( ) cuspir ( ) guspir                             ( ) acórdão ( ) acordão
( ) um chicletes ( ) um chiclete                   ( ) ambrósia ( ) ambrosia
( ) um chope ( ) um chops                         ( ) mozarela ( ) muzarela ( ) mussarela
( ) um clipe ( ) um clips                         ( ) translado ( ) traslado
( ) um drope ( ) um drops                         subsistir – ( )‗subcistir‘ ( ) ‗subzistir‘
( ) ‗extingüir‘ ( ) extinguir                     obséquio ( ) ‗obcéquio‘ ( ) ‗obzéquio‘
( ) ‗adqüirir‘ ( ) adquirir                       insultar ( ) distratar ( ) destratar
( ) ‗liqüidação‘ ( ) liquidação
( ) ‗eqüino‘ ( ) equino
( ) degladiar ( ) digladiar (lutar)
( ) disenteria ( ) desinteria
( ) ‗distingüir‘ ( ) distinguir
( ) impecilho ( ) empecilho
( ) encapuzado ( ) encapusado
( ) entertido ( ) entretido
( ) entitulado ( ) intitulado
( ) estrupo ( ) estupro
( ) filântropo ( ) filantropo (humanitário)
( ) fratricídio ( ) fraticídio
( ) frustrar ( ) fustrar
( ) gratuíto ( ) gratuito
( ) fortuíto ( ) fortuito
( ) ibero ( ) íbero
( ) iogurte ( ) iorgute
( ) ímprobo ( ) improbo
( ) ínterim ( ) interim
inexorável – ( ) ‗inecsorável‘ ( ) ‗inezorável‘
exordial – ( ) ‗ezordial‘ ( ) ‗ecsordial‘
( ) látex ( ) latex
( ) lêvedo ( ) levedo
( ) meteorologia ( ) meterologia
( ) meretíssimo ( ) meritíssimo
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Atividade 2
 Complete a lacuna com a palavra apropriada:
1. O advogado foi _____________________ (taxado/tachado) de incompetente, embora tenha
observado o ________________________ (comprimento/cumprimento) da lei.
2. Na __________________ (seção/sessão/cessão) de reconciliação, uma dúvida ______________
(emergiu/imergiu).
3. O ____________________ (mandato/mandado) do deputado foi ________________
(cassado/caçado), pois ele __________________ (infringiu/infligiu) as normas da Casa.
4. Apesar de ter requerido um gasto ___________________ (vultuoso/vultoso), o
__________________ (pleito/preito) ao Presidente foi um fiasco.
5. O ____________________ (incipiente/insipiente) advogado pecou por falta de
________________ (descrição/discrição) ao denunciar o ato de             ___________________
(descriminação/discriminação) do juiz.
6. O gerente do hotel ___________________ (retificou/ratificou) a necessidade de se pagar
adiantado a ____________________ (estada/estadia). Avisou ao hóspede que os prazos de
pagamento não são _____________________ (dilatados/delatados)


ASPECTOS DA ORTOGRAFIA: Reforma ortográfica


Reforma Ortográfica - Mudanças
http://www.cultura.gov.br/site/2008/11/09/novo-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa-um-
conversor-para-facilitar-o-trabalho/
A partir de janeiro de 2009 entra em vigor o novo acordo ortográfico, as mudanças no idioma
visam universalizar a língua portuguesa. Facilitando o intercâmbio cultural entre os países
lusófonos entre outras coisas. No Brasil 0,5% das palavras sofrerão modificações, em Portugal e
nos restantes países lusófonos, as mudanças afetarão cerca de 2.600 palavras, ou seja, 1,6% do
vocabulário total.

Observem as principais mudanças:

Alfabeto
• Nova Regra: O alfabeto agora é formado por 26 letras
• Regra Antiga: O ‗k‘, ‗w‘ e ‗y‘ não eram consideradas letras do nosso alfabeto.
• Como Será: Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras
e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano.

Trema
• Nova Regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes
próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano.

• Regra Antiga: agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência,
eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça
• Como Será: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência,
eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.

Acentuação

          O uso deste material destina-se exclusivamente ao curso de Direito da UNINOVE_Universidade Nove de Julho.
                                                                1
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• Nova Regra: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas.

• Regra Antiga: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia,
paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico.

• Como será: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia,
jiboia, apoio, heroico, paranoico.

Observações:
• nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói,
anéis, papéis.
• o acento no ditongo aberto ‗eu‘ continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.

• Nova Regra: O hiato ‗oo‘ não é mais acentuado
• Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo
• Como será: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo

• Nova Regra: O hiato ‗ee‘ não é mais acentuado
• Regra Antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem
• Como será: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem

• Nova Regra: Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas
• Regra Antiga: pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo),
péra (substantivo), pólo (substantivo)
• Como será: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera
(substantivo), polo (substantivo)

Observação:
• o acento diferencial ainda permanece no verbo ‗poder‘ (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do
Indicativo - ‗pôde‘) e no verbo ‗pôr‘ para diferenciar da preposição ‗por‘

• Nova Regra: Não se acentua mais a letra ‗u‘ nas formas verbais rizotônicas, quando precedido
de ‗g‘ ou ‗q‘ e antes de ‗e‘ ou ‗i‘ (gue, que, gui, qui)
• Regra Antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe
• Como será: argui, apazigue, averigue, enxague, enxaguemos, oblique

• Nova Regra: Não se acentua mais ‗i‘ e ‗u‘ tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
• Regra Antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme
• Como será: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume

Hífen
• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos)
terminados em vogal + palavras iniciadas por ‗r‘ ou ‘s‘, sendo que essas devem ser dobradas
• Regra Antiga: ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico,
arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha,
extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético,
supra-renal, supra-sensível
• Como será: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico,
arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco,
infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível

          O uso deste material destina-se exclusivamente ao curso de Direito da UNINOVE_Universidade Nove de Julho.
                                                                2
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Observação:
• em prefixos terminados por ‗r‘, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma
letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação,
super-racional, super-realista, super-resistente etc.

• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos)
terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal.
• Regra Antiga: auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-
instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-
estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido,
semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado.

• Como será: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução,
contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular,
intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido,
semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.

Observações:
• esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano,
socioeconômico etc.
• esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por ‗h‘: anti-herói, anti-higiênico,
extra-humano, semi-herbáceo etc.

• Nova Regra: Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso
prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
• Regra Antiga: antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo,
arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico.
• Como será: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo,
arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico.

Observações:
• esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com
vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal =
com hífen.
• uma exceção é o prefixo ‗co‘. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal ‗o‘, NÃO se
utiliza hífen.

• Nova Regra: Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de
composição.
• Regra Antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque,
pára-vento.
• Como será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento

Observação:
• o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui
unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam
espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-
chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi
etc.


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O uso do hífen permanece
• Em palavras formadas por prefixos ‗ex‘, ‗vice‘, ‘soto‘: ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
• Em palavras formadas por prefixos ‗circum‘ e ‗pan‘ + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-
americano, circum-navegação
• Em palavras formadas com prefixos ‗pré‘, ‗pró‘ e ‗pós‘ + palavras que tem significado próprio:
pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
• Em palavras formadas pelas palavras ‗além‘, ‗aquém‘, ‗recém‘, ‘sem‘: além-mar, além-fronteiras,
aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto

Não existe mais hífen
• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais,
prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de
jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.
• Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-
dará, à queima-roupa.

Consoantes não pronunciadas
Fora do Brasil foram eliminadas as consoantes não pronunciadas:
• ação, didático, ótimo, batismo em vez de acção, didáctico, óptimo, baptismo

Grafia Dupla
De forma a contemplar as diferenças fonéticas existentes, aceitam-se duplas grafias em algumas
palavras:
Publicado por José Murilo




DISTINÇÃO ENTRE MORFOLOGIA E SINTAXE

         A palavra morfologia origina-se do grego Morphê=figura + logias=estudo e significa o
estudo da forma (em seu sentido literal) ou estudo da figura, como salienta Napoleão Mendes
Almeida.

Por que é importante classificar?
Classificar significa dividir em classes. As classes reúnem um conjunto de elementos que tem uma
ou mais propriedades em comum. A importância de se classificar termos ou palavras é que facilita
a organização das palavras na língua portuguesa. A classificação reúne palavras de natureza e
características idênticas. As classes se dividem em dez, mas definem-se a partir de três critérios:
semântiCo, morfológico e sintático.
I – MÓRFICO: Classificar palavras segundo esse critério significa levar-se em conta
características formais dos vocábulos. Algumas propriedades formais que ocorrem em
determinadas classes indicam pertinência de uma determinada classe.
O verbo, por exemplo, é a única classe em que o tempo se apresenta por meio de desinências
próprias: amo (presente); amei (passado); amarei (futuro). Outro exemplo, pode ser o adjetivo
que é a única classe de palavras que admite o sufixo –íssimo em suas formas masculina e
feminina. Exemplo: calmo – calmíssima(o).
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Morfologia – parte da gramática que se dedica ao estudo da palavra, considerando-se sua
estrutura, formação, classificação e flexões. Quanto à estrutura e formação, a palavra é constituída
por elementos indecomponíveis. Por exemplo em subescolarizado, temos o sufixo sub (que indica
noção de inferioridade); o radical escol, do qual se originam outras palavras, como escolarização,
escolar, escolaridade; os sufixos ar – que marca pertinência - e ado – que indica condição, caráter
de. No que se refere à classificação, as palavras podem ser substantivo, adjetivo, artigo, verbo,
pronome, preposição, conjunção, advérbio, numeral e interjeição. Quanto à flexão, algumas
palavras podem variar segundo o gênero – masculino/feminino -, o número – singular e plural – e
o grau – aumentativo/diminutivo para substantivos; comparativo/superlativo para adjetivos.


II - SEMÂNTICO: É tudo o que se refere ao significado, ao sentido das palavras no texto.

II – SINTÁTICO: É tudo o que se refere à combinação das palavras na frase. Há aquelas que se
combinam entre si, assim como há as que não se combinam. Por exemplo: Ao se afirmar que um
artigo sempre se refere a um substantivo e nunca virá depois deste, utiliza-se um critério sintático
de classificação

        As gramáticas, por uma questão didática, separam a morfologia da sintaxe e da semântica,
enquanto a primeira estuda a formação, a estrutura e a flexão das palavras, além de descrever tudo
o que se refere às categorias gramaticais, as quais serão sucintamente apresentadas mais adiante; a
segunda, analisa aspectos mais complexos: concordância, regência, uso e colocação de pronomes.
Já a terceira (semântica) preocupa-se com os sentidos que a palavra ou os termos suscitam no
leitor. De acordo com a NGB, a morfologia trata das palavras quanto à sua estrutura e formação,
suas flexões e sua classificação. Aqui preocupar-nos-emos em apresentar as classes de palavras,
com ênfase, nos substantivos (gênero e número), pronomes oblíquos, demonstrativos e colocação
pronominal, adjetivo (concordância nominal – sintaxe) e advérbio, além de apresentar distinção
do “a” como artigo, pronome e preposição.

Classes de palavras

       Na língua portuguesa, essas classes são dez: seis variáveis, e quatro invariáveis. Isto é,
são palavras que não vão para o plural, nem para o feminino.



        São variáveis os artigos, adjetivos, numerais, pronomes, substantivos e verbos. Já
invariáveis são os advérbios, as conjunções, as interjeições e as preposições. (Observe as tabelas a
seguir):




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     a) VARIÁVEIS

                   Classes gramaticais                                                  Função ou sentido
                                                                           Palavra que designa seres, atos ou conceitos;
                       1) Substantivo
                                                                          nome: Amor, guerra, homem, casa, Pedro etc
                                                                               Palavra que expressa ação, estado ou
                                                                          fenômeno. É a classe gramatical mais rica em
                                                                             variação de formas, podendo mudar para
                                                                          exprimir modo, tempo, pessoa, número e voz.
                           2) Verbo
                                                                             No dicionário, são encontrados no modo
                                                                           infinitivo, que é, por assim dizer, o nome do
                                                                         verbo. Exemplos: dançar, estar, nevar, amar,
                                                                                          ser, amanhecer.
                                                                        Palavra que se relaciona com o substantivo para
                         3) Adjetivo                                     lhe atribuir uma qualidade. Exemplos: mulher
                                                                         linda, livro divertido, árvore alta, olhos azuis.
                                                                            Palavra que se coloca antes do substantivo,
                         4) Artigo
                                                                             determinando-o e indicando seu gênero e
                      Artigo definido
                                                                        número (artigo definido: a, as, o, os) ou (artigo
                     Artigo indefinido
                                                                                 indefinido: um, uma, uns, umas).
                                                                              Palavra que substitui o nome ou que o
                                                                          acompanha tornar claro o seu significado. Os
                         5) Pronome
                                                                        pronomes se dividem nas seis grandes classes a
                                                                                               seguir:



b) INVARIÁVEIS

                   Classes gramaticais                                                 Função ou sentido
                                                                          Palavra que modifica o verbo, o adjetivo ou
                                                                        outro advérbio, expressando uma circunstância.
                                                                                            Exemplos:
                           Advérbio                                      Lugar/ tempo: Acolá, ali: lá,naquele lugar.
                                                                          Expressa negação Não, nunca, jamais etc.
                                                                                   Conclusão: Assim, logo, etc.
                                                                                 Iminência: Imediatamente, etc
                                                                           Termo que subordina uma palavra a outra.
                                                                                            Exemplos:
                          Preposição                                       Casa de Maria é bela./ O livro está sobre a
                                                                           mesa./ /A casa está entre as árvores. Marta
                                                                                       mora em São Paulo.
                                                                        Termo que liga duas palavras, dois membros de
                                                                            uma oração ou duas orações. Exemplos:
                                                                          Estudou e passou. (exprime idéia de adição-
                                                                        aditiva). João foi trabalhar, mas estava doente.
                          Conjunção                                         (relaciona pensamentos em contraste ou
                                                                         oposição). Ana passeata havia muitas pessoas,
                                                                              quando a polícia chegou. (conjunção
                                                                          temporal)./ Se Maria for ao cinema, eu não
                                                                            irei. (conjunção que exprime condição).

          O uso deste material destina-se exclusivamente ao curso de Direito da UNINOVE_Universidade Nove de Julho.
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Atividades (SUBSTANTIVO/ADJETIVO E NUMERAL)

Atividade 1. Leia o texto “Circuito Fechado” e responda a algumas questões
Circuito Fechado
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma,
creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água
quente, toalha. Creme para cabelo; pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias,
sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio,
maços de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule,
talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira,
cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula,
pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo.
Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas,
vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete,
cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta,
projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel.
Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa,
guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água.
Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone
interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro,
fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal,
cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó,
gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos,
guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor,
poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama,
espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
(Ricardo Ramos)

a) ―Circuito Fechado‖ pode ser considerado um texto ou meras palavras soltas? Justifique.
b) A predominância e a sequência de substantivos permitem ao leitor compreender o enredo do
texto? Qual é a temática apresentada neste texto?
c) Qual a intenção do autor ao escrever um texto rompendo com a linearidade textual?
d) Pode-se ―construir imagens‖ da personagem e dos ambientes apresentados na crônica? Reflita a
partir das indagações abaixo:
    - Qual é o trecho que indica os hábitos rotineiros da personagem ao acordar?
    - Qual é o trecho que informa se a personagem pertence ao sexo masculino ou feminino?
    - Quais os substantivos que indicam o nível social da personagem? A qual classe social ela
pertence?
      - Quais os indicadores de que a personagem foi para o trabalho?
      - Há indícios de que a personagem é fumante? Percebe-se que é um fumante contumaz ou
esporádico?
e) O texto ―Circuito Fechado‖ é uma crônica, pois trata-se de uma breve narrativa humorada que
leva o autor a refletir sobre a vida. Assim, utilizando basicamente substantivos Ricardo Ramos
produz um texto que termina onde começou. A partir dessa assertiva, relacione o título do texto
com essa estrutura textual.
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Atividade 2 (SUBSTANTIVO/ADJETIVO E NUMERAL)
Estabeleça a concordância adequada:
   a. A empresa oferece _____________________ localização e atendimento. (perfeito)
   b. A empresa oferece localização e atendimento. (perfeito)
   c. Julgamos __________________________ a atitude e as palavras do advogado de Suzane.
       (desonesto)
   d. Admiro a _________________ italiana e a francesa. (cultura)
   e. Admiro ___________________ italiana e francesa. (cultura)
   f. Convocamos os alunos do primeiro e do segundo______________________. (semestre)
   g. Comprei         camisas       ________________________        (azul-marinho), calças
       _________________ (verde-escuro), blusas _________________________ (amarelo-
       canário) para o orfanato que abriga crianças ___________________________ (surdo-
       mudo).
   h. As pacientes _______________________________ (franco-americano) sofreram
       intervenções ___________________________ (médico-cirúrgico), mas não conseguiram
       se recuperar.
   i. Vestidos__________________ (vermelho-carmim) foram os mais vendidos no bazar
       beneficente.
   j. São condições ______________________________ (histórico-social) que nos impedem de
       assinar esses contratos ____________________________ (político-econômico).
   k. Pretendo comprar _____________________________ (quinhentos) gramas de arroz.
   l. __________ (dois) milhares de crianças foram vacinadas.
   m. Cerca de _____________(dois) milhões de pessoas compareceram às urnas.
   n. _____________ - dissseram as advogadas. (obrigado)
   o. O médico me disse que ________ (meu/minha) apêndice não está bem. Só me falta ter
       ____________(uma/um) apendicite. Já não chega ________ (o/a) diabete.
   p. Senti ______________ (muito/muita) dó das _____________________(parentes/parentas)
       da vítima.
   q. .Poderemos comemorar nossa vitória com ______________ (um bom/uma boa)
       champanhe.
   r. (O/A)_______ eclipse ocorrerá daqui a pouco.
   s. Sirva-me ___________ (um/uma) guaraná enquanto lavo ___________ (esse/essa) alface.
   t. (O/A)______ dinamite está na mão _______ (do/da) sentinela.
   u. (O/A) ________cal que estava no porão desapareceu.
   v. A idade tende a diminuir ________ (o/a) libido.
   w. Essa situação já está se transformando _______ (no/na) maior bacanal.
   x. Apresse-se! ______ (o/a) lotação não espera.
   y. Foram encontrados ____________ (duzentos/duzentas) gramas de maconha em sua
       mochila.
   z. A ré parecia ___________ (meia/meio) atordoada com as declarações do marido.

(COLOCAÇÃO PRONOMINAL)
       Denomina-se colocação pronominal o conjunto de regras referentes à colocação dos
pronomes pessoais, oblíquos e átonos que funcionam como complementos: me, te, se, o, lhe, a,
nos, vos, se, os, as, lhes.
Próclise – pronome antes do verbo (Eu a observo há dias)
Ênclise – pronome depois do verbo (Observo-a há dias)
Mesóclise – pronome no interior do verbo (Observá-la-ei sempre)



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Próclise
1. Expressões atrativas de :
       - pronome relativos, indefinidos e interrogativos:
       As criaturas que me serviram durante anos eram bichos.
       Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
       Quem lhe ensinou esses modos?
       Quem os ouvia não os amou.
       Que lhes importa a recompensa?

          - Conjunção subordinativa:
          Correu porque se desesperou.
          Embora se ausentasse por longos períodos, jamais abandonou a administração da casa.

          - palavras que indicam negação:
          Não nos atreveremos a tocar no assunto.
          Jamais se afastará de nós.

          - Advérbios (se não houver pausa):
          Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova
          Depois, retirou-se do tribunal calmamente. (pausa depois do advérbio)

          - orações exclamativas:
          Como o admiramos
          Vá para o diabo que o carregue!

      - em + gerúndio:
      Em se falando em concurso, inscrevi-me em um.
2. A mesóclise ocorre com:
      - futuro de presente do indicativo:
      Lembar-me-ei de alguns belos dias em Amsterdam.

          - futuro do pretérito do indicativo:
          Far-me-ia um grande favor se desaparecesse.

3. Com verbo auxiliar + particípio - o pronome pode vir antes ou depois do auxiliar, mas nunca
   depois do particípio:
   Tenho-me levantado cedo.

4. Com verbo auxiliar + infinitivo ou gerúndio – o pronome pode vir antes ou depois do auxiliar
   ou depois do verbo principal:
   O advogado foi-se descontraindo.
   O advogado se foi descontraindo.
   O advogado foi descontraindo-se.
   * Com fator de próclise (com infinitivo): A testemunha não quis se comprometer. / A
   testemunha não quis comprometer-se.
    * com fator de próclise (com gerúndio): Não o estavam criticando.

5. Não se inicia oração com pronome:
   Nos esperou ansiosamente – Esperou-nos ansiosamente.

Indique a correção ou a incorreção na colocação pronominal:
   a. Me apraz conhecer tão ilustre colega.
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     b. Nenhum colega alertou-o sobre a falta da testemunha.

     c. Peço-lhe que apresente-me todas as provas

     d. Nunca disse-lhe que seria inocentado.

     e. As defesas vão-se tornando monótonas.

     f. Advogados e juiz não iam entendendo-se.

     g. Quando o vir, penitenciarei-me diante dele.

     h. O olhar do réu parecia implorar-lhe muito mais.

     i. Depois o porei a par de todo o caso para que prepare-se.

     j. Brevemente colocar-lhe-ei o contrato nas mãos.

     k. Não tenho respeitado-te como mereces.

     l. Nada impedi-lo-á de executar seu plano.

     m. Calar-se-á, se toda a situação lhe for desfavorável.

     n. Jamais acusei-o de corrupção, embora tivesse dado-me bastantes motivos.

     o. Nos declarou que iria recorrer à justiça.

     p. Quem revelou-lhe os dados da testemunha?

     q. Vou atender-lhe, mas adianto-lhe que não me dobrarei aos seus argumentos.

Atividade 3 (PRONOMES)
3.1 Retire as redundâncias:

     a. Fiz a promessa de defendê-lo; fiz a promessa e não me arrependo.
     ___________________________________________________________________________.
     b. Os traidores não primavam pela discrição; viram os traidores aos beijos no shopping.
     ____________________________________________________________________________.
     c. Embora as crianças comam as guloseimas avidamente, a mãe repõe as guloseimas todos os
     dias.
     ____________________________________________________________________________.
     d. A verdade é dura, mas você deve dizer a verdade.
     ____________________________________________________________________________.
     e. As informações são muitas; o delegado retém as informações.
     ____________________________________________________________________________.
     f. Os idosos chegaram primeiro; devo atender aos idosos antes.
     ____________________________________________________________________________.
     g. Os funcionários não foram avisados da paralisação; vou informar aos funcionários.
     ____________________________________________________________________________.


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     h. O filme é de excelente qualidade; você deveria assistir ao filme.
     ____________________________________________________________________________.
     i. Embora ele quisesse muito participar da confraternização, não convidaram ele.
     ____________________________________________________________________________.
     j. A universidade é de grande porte. Os seus alunos são requeridos pelo mercado de trabalho.
     ____________________________________________________________________________.
     k Muitos advogados concorreram à vaga. Eles não preenchiam os requisitos necessários.
     ___________________________________________________________________________.
     l. Tudo ocorreu na sala de audiência. Lá, o ambiente tornou-se insustentável.
     ___________________________________________________________________________.
     m. Frequentei muitos ambientes. Suas características nem sempre me agradavam.
     ___________________________________________________________________________
     n. O Núcleo de Prática Jurídica foi palco de manifestações. O coordenador do Núcleo não se
     dignou a presidir os trabalhos.
     ____________________________________________________________________________
     o. São advogados. Duvidamos de sua capacidade.
     ____________________________________________________________________________.

     3.2. Corrija as incorreções no uso dos pronomes:
     a. O advogado deverá seguir com nós.
     ____________________________________________________________________________.
     b. Quando me deram a trágica notícia, saí fora de si.
     ____________________________________________________________________________.
     c. Não quero aborrecer-lhe, mas o chefe disse que não quer falar consigo.
     ____________________________________________________________________________.

    d. Tomo a liberdade de levar ao conhecimento de Vossa Excelência que os abaixo-assinados
    que lhes foram encaminhados defendem causa justa e ficam a depender tão somente de vossa
    decisão para que sejam atendidos.
    ____________________________________________________________________________
    ____________________________________________________________________________.
e. Não queremos desrespeitar as ordens de Vossa Excelência, mas ele deve admitir que são
arriscadas.
_______________________________________________________________________________.
f. Comunicamo-lhes que o fórum ficará fechado por tempo indeterminado.
_______________________________________________________________________________.
g. Como amigo, dediquei-lhe palavras e gestos que pudessem confortar-lhe .
_______________________________________________________________________________.
h. Mandaram alguns documentos para mim arquivar.
_______________________________________________________________________________.
i. Para mim falar de ética é fácil; difícil é para ele.
_______________________________________________________________________________.
i. Se você não se importar, gostaria de te enviar a mensagem por e.mail.
_______________________________________________________________________________.
j. O advogado decidiu sair do tribunal. Este procedimento é bastante condenável.
_______________________________________________________________________________.
k. Os depoimentos da mãe e do filho não foram esclarecedores, pois esse desconhecia o nome do
réu e aquela não estava presente no apartamento no dia do crime.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
l. Elas mesmo decidiram dar-lhe esse aviso: que deviam fugir enquanto era tempo.
_______________________________________________________________________________.
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m. Nada poderá haver entre eu e ele.
_____________________________________________________________________________.

3.3. Na adaptação que se fez do artigo de opinião escrito por Ruy Castro, retire as repetições
e substitua-as por pronomes adequados: (2,0)

RIO DE JANEIRO - Zeu de Tal, um dos sete condenados pela morte do repórter Tim Lopes em
2002, beneficiou-se em julho último da "progressão da pena". A progressão da pena
__________________ vigora entre nós. É um dispositivo pelo qual, tendo cumprido 1/6 do tempo,
o detento pode sair para passear, visitar a velha ou cometer novos crimes, desde que volte para
dormir atrás das grades. Zeu, compreensivelmente, preferiu não voltar.
        Fora da prisão, o beneficiado pela "progressão da pena" tem uma agitada vida social.
Alguns de seus compromissos são com os que contribuíram para a polícia prender Zeu de Tal
________________ cinco anos antes. Essas pessoas costumam ser gente pobre das "comunidades"
por onde o bandido circulava. O dito Zeu não deve estar chegando para as vinditas.
        Tim Lopes foi morto no Complexo do Alemão pela quadrilha do traficante Elias Maluco
por causa de uma reportagem de TV. Eles torturaram Tim Lopes____________________,
amputaram os membros de Tim Lopes ________________________________a frio e, terminado
o serviço, levaram Tim Lopes ________________________ ao "micro-ondas" –queimaram Tim
Lopes em pneus- para desaparecer com o corpo. Zeu participou fornecendo aos da quadrilha do
traficante Elias Maluco _______________________________________ a gasolina. Pegou 23
anos de cadeia.
        Mas, no Brasil, mesmo que o sujeito seja condenado a 300 anos, a sentença cai para um
máximo de 30. Elias Maluco, por exemplo, pegou 28. Como já cumpriu mais de 1/6 disso, também
está passando da hora de gozar dos privilégios da "progressão da pena". Donde se conclui que, no
Brasil, a cana máxima para sequestrar, torturar, esquartejar, carbonizar e sumir com o corpo é de
cinco anos.
        Parece que uma nova lei restringiu a "progressão da pena" ao cumprimento de 2/5 da
sentença para os primários e 3/5 para os reincidentes. Mas não está sendo aplicada em respeito aos
"direitos adquiridos" dos presos. É bom saber que, não demora, teremos Elias Maluco circulando
de novo na praça.

3.4. Os termos grifados no texto abaixo referem-se a termos anteriormente mencionados.
Identifique essas referências:
        ―Concebiam os romanos como sagradas e merecedoras de grande respeito às instituições
que ___________________________ venciam as contingências do tempo e as exigências
mutáveis do cotidiano. Aproximando-se dos dois séculos de vida consagrada ao Direito, a Justiça
brasileira constitui um patrimônio que poucas instituições, sobretudo em país jovem e de
conturbada vida política, podem ostentar com a mesma continuada eficiência e galhardia. Portanto,
em sua ________________________ já longa caminhada pela senda do Direito, procura a Justiça
brasileira assegurar o prestígio da lei, conferindo-lhe ____________________________ a mais
alta penetração na inteligência da realidade social. Na análise mais profunda do comportamento
humano, procura fixar as suas diretrizes dentro de uma sensibilidade jurídica que realça em todos
os problemas judiciários a mais segura equanimidade.
        Proclamada a República, em 1891, elevou-se o Judiciário à altura do poder político do
Estado, outorgando-lhe _____________________________ a função do controle constitucional
dos demais Poderes. Naquilo em que se ferisse a Constituição, ao Judiciário caberia declará-lo, e a
ele lhe foi ela, a Constituição, confiada, para que a ____________________________ fizesse
respeitar e guardar.



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Estudo dos PRONOMES RELATIVOS

                INVARIÁVEIS              VARIÁVEIS
                que         o qual, os quais, a qual, as quais
                quem        cujo, cujos, cuja, cujas
                quando      quanto, quantos, quantas
                como
                onde

Os pronomes relativos são assim denominados porque se referem a um termo anterior.

Observações:
  a) Os pronomes relativos que, quem e onde podem ser amplamente usados por o qual, a
      qual, os quais, as quais:

     O gerente financeiro atua na maior unidade do centro empresarial que apresentou altíssimos
     índices de crescimento.

     Neste caso há duas possibilidades:
     1. O gerente financeiro atua na maior unidade do centro empresarial, a qual apresentou
        altíssimos índices de crescimento. (a qual se refere à maior unidade do centro
        empresarial).

     2. O gerente financeiro atua na maior unidade empresarial, o qual apresentou altíssimos
        índices de crescimento. (o qual se refere ao centro empresarial). Aqui há uma
        ambiguidade, uma vez que, poder-se-ia entender que quem apresentou altíssimos índices de
        crescimento foi o gerente.

     Outros exemplos: que, a qual, o qual, as quais, os quais, onde

     a) Ele é um grande advogado. Confio muito no advogado.
     Ele é um grande advogado em que confio muito.
     Ele é um grande advogado em quem confio muito. (O pronome relativo quem se refere
     sempre à pessoa).
     Ele é um grande advogado no qual confio muito.

     b) Woody Allen é um ótimo diretor. Gosto muito de Woody Allen..
     Woody Allen é um ótimo diretor do qual gosto muito.
     Woody Allen é um ótimo diretor de que gosto muito

     c) A acupuntura é uma técnica milenar chinesa. Necessito muito da acupuntura.
      A acupuntura é uma técnica milenar chinesa da qual necessito muito.
     A acupuntura é uma técnica milenar chinesa de que necessito muito.

     d) Lerei nas férias o livro A nova face do império, de Tariq Ali. O livro é muito polêmico.
     Lerei nas férias o livro A nova face do império, de Tariq Ali que é muito polêmico.
     Lerei nas férias o livro A nova face do império, de Tariq Ali o qual é muito polêmico.

     Observação: Nem sempre é viável o uso do pronome relativo que em determinadas situações
     comunicativas:

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     A notícia segundo que ele havia morrido é falsa. (INADEQUADA)
     A notícia segundo a qual ele havia morrido é falsa. (ADEQUADA)
     (FERREIRA, Mauro – Aprender e Praticar Gramática, São Paulo:FTD, 1992, p.124).

     e) São Paulo é uma cidade onde muitos sonham em se estabelecer para fugir da fome e da
     miséria.
         São Paulo é uma cidade em que muitos sonham em se estabelecer para fugir da fome e da
         miséria.
         São Paulo é uma cidade em quem muitos sonham em se estabelecer para fugir da fome e
         da miséria. (INADEQUADO, pois se o pronome relativo se refere ao termo precedente,
         São Paulo não se trata de pessoa).

CUJO/CUJOS/CUJA/CUJOS
  Os pronomes relativos cujo, cujos, cuja, cujas pertencem a um tempo relativo ou possessivo,
  isto é, são usados entre dois substantivos e estabelecem entre eles uma relação de posse.

     a) O filme Ponto final é engraçado. Gosto muito do diretor do filme.
        O filme Ponto final de cujo diretor gosto muito é engraçado.

     b) Miguel Reale Jr é um excelente jurista. O discurso dele foi brilhante na semana passada..
        Miguel Reale Jr cujo discurso foi brilhante, na semana passada, é um excelente jurista.

     c) O advogado defendeu a minha causa. Confio nos argumentos do advogado.
        O advogado em cujos argumentos confio defendeu a minha causa.

     d) A filha acidentou-se no trânsito. A mãe dela trabalha em um hospital.
        A filha cuja mãe trabalha em um hospital acidentou-se no trânsito.

3.5. Utilize os elementos de conexão adequados para completar os períodos abaixo:
a. O dia ......................................................nos conhecemos está gravado em minha memória.
b. O exame ..............................................me submeti foi muito difícil.
c. A cidade.................................passei era aconchegante.
d. O Programa de pesquisa .........................faço parte permite-me aprofundar o conhecimento em
Direito Penal.
e. O próximo processo, ..........................pretendo dedicar-me com mais determinação e eficiência,
será um marco na minha vida.
f. A processualista .................. confio me ajudou muito na solução do caso.
g. O coração é a lente ................podemos ver a vida com alegria.
h. O juiz ________ eu conversava é presidente do TSE.

3.6. Leia trechos da entrevista do médico Guido Palomba (psiquiatra forense), o qual afirma serem
os laudos mal feitos, os responsáveis pelo retorno de assassinos perigosos e irrecuperáveis às ruas.
(Isto é/1920 – ago.2006, p.10)

ISTO É – Por que acredita que o Champinha é um encefalopata?
Palomba – Ele reúne pelo menos três dos quatro padrões. Há distúrbio de conduta, pois apresenta
criminalidade precoce. Já tinha (sic) homicídios e vivia assaltando. Existe retardo mental.
Champinha não faz conta de multiplicar que(1) qualquer criança faria. (…) O ataque ao encéfalo
ocorre por um problema de desenvolvimento que(2), ao mesmo tempo, resulta em
deformações.(…)
(…) Segundo o laudo, Champinha é fruto do meio em que(3) vive.
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     a. Observe os pronomes que estão numerados e indique quais são os termos ou expressões
     antecedentes correspondentes a eles.

     (1) _________________________________________________________________________
     (2) _________________________________________________________________________
     (3) _________________________________________________________________________


Atividade 4 (PREPOSIÇÕES) –
4.1. Selecione uma das locuções prepositivas abaixo que mais se adéque aos sentidos
empregados em cada uma das frases:
           Abaixo de              acima de             acerca de
           A fim de               além de              apesar de
           Antes de               depois de            ao invés de
           Diante de              em fase de           em vez de
           Graças a                junto a             junto com
           Junto de               defronte de           através de
           De encontro            a em frente de       em frente a
           Sob pena de            a respeito de        ao encontro de

     a. A Temperatura é um parâmetro físico descritivo de um sistema que vulgarmente se associa
     às noções de frio e calor, bem como às transferências de energia térmica. Quando se afirma que
     a temperatura está ____________________________ de zero, temos frio intenso, mas quando
     está ________________________33º graus, o calor é intenso.

     b. Uma das caracterísitcas básicas para uma escrita adequada é o uso da concisão
     ____________ de se evitar a prolixidade.

     c. Mandado de segurança ajuizado em razão de excessiva mora do juiz de primeiro grau em
     proferir sentença (aproximadamente dois anos), a despeito da ausência de complexidade da
     matéria e de existência de anterior pedido de correição parcial. O Tribunal de Justiça de
     Alagoas deferiu o pedido de liminar, determinando fosse proferida sentença em 48 horas,
     _____________de multa de mil reais por dia de atraso.

     d. Tal questão vai _______________________ interesses da empresa, pois não se observaram
     o código de ética do regimento interno.

     e. O jovem dirigiu bêbado e foi ___________________ à árvore.

     f. A Lei 11.340/06 vai ____________________ interesses das mulheres que lutam contra a
     violência doméstica.


4.2. (PREPOSIÇÕES). A preposição também estabelece relações. Indique nos parênteses a
letra que corresponde adequadamente a cada uma das frases abaixo:

                a) A músíca ―Detalhes‖ de Roberto Carlos é muito bonita.
                b) Todos irão ficar em casa, pois chove muito.
                c) O advogado viajará em duas horas.
                d) Depois daquela briga, ela chegou aos prantos.
                e) O advogado viajará com a sua família para os EUA.
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                f)   Se não houver ajuda para os haitianos, muitos irão morrer de fome.
                g)   O professor ministrou aulas sobre Direito Natural.
                h)   O advogado escreveu uma excelente petição a fim de [para] ganhar a causa.
                i)   A quadrilha roubou o banco com armas pesadas.
                j)   O namorado comprou para a namorada um belo um anel de ouro.

              1. Matéria ( ); 2. Lugar ( ); 3. Fim ou finalidade ( ); 4. Instrumento ( );
              5. Assunto ( ); 6. Tempo ( ); 7. Companhia ( ); 8. Causa ( ); 9. Autoria (                              )e
              10. Modo ( )


4.3. Leia atentamente cada uma das frases dos pares seguintes e explique a diferença de sentido
existente em cada caso:

   a) Tive de lutar contra o pai e contra o filho.
      Tive de lutar contra o pai e o filho.
_______________________________________________________________________________

     b) É uma medida favorável aos músicos e aos compositores.
        É uma medida favorável aos músicos e compositores.

_______________________________________________________________________________

Atividade 5. DISTINÇÃO ENTRE “a” ARTIGO, PRONOME E PREPOSIÇÃO

O ―a‖ pode funcionar como preposição, pronome pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los?

                                Precede a um substantivo e o classifica quanto
                                ao gênero (feminino) e ao número (singular ―a‖
                                ou plural ―as‖), além de servir para determinar
                                o ser. No caso de artigo plural , jamais haverá
―A‖ FUNCIONANDO COMO ARTIGO     crase. Exemplos: A advogada escreveu uma
(pode ser variável)             petição. (As advogadas escreveram…)/ De que
                                maneira poder-se-á fazer com que a estudante
                                se interesse pela disciplina?
                                Serve para ligar dois termos e estabelece uma
                                relação de subordinação entre eles. Exemplos:
―A‖ FUNCIONANDO COMO PREPOSIÇÃO Cheguei a casa. / Terei de me dirigir a outra
(É INVARIÁVEL)                  cidade./ Daqui a pouco chegaremos a São
                                Paulo. / Ele sairá de casa daqui a cinco
                                minutos./ A invenção da imprensa remonta a
                                séculos./ A trinta dias da compra vence a fatura.
―A‖ FUNCIONANDO COMO PRONOME    Substitui ou acompanha um substantivo.
PESSOAL (É VARIÁVEL, POIS       Exemplos: Eu amo a Maria intensamente. Eu a
DEPENDERÁ DA PESSOA A QUE SE    amo intensamente. /
REFERE)                         Convidei a Joana para dançar. Convidei-a para
                                dançar./ Escrevi a petição com apuro
                                gramatical. Escrevi-a com apuro gramatical.

         Jamais confunda “a” nas funções acima com o “há” como forma verbal, que facilmente
          substitui, neste caso, o verbo fazer. Exemplos:
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         Não viajo há muito tempo.
         Jonas chegou a sua terra natal há poucos dias.
         Há dois anos não a vejo.
         Há muito tempo deixei de fumar. (NUNCA: HÁ MUITO TEMPO ATRÁS…)
         De há muito tenho insistido em estudar Direito.
         O eclipse a que me referi ocorreu há uns dez anos.
         Há uns trinta anos a moda das pantalonas era bem aceita.
     

Atividade 5 - Assinale a única alternativa que corresponde ao que se pede:
5.1.―Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa‖.
    a) pronome pessoal oblíquo, preposição, artigo.
    b) Artigo, preposição, pronome pessoal.
    c) Artigo, pronome demonstrativo, pronome pessoal oblíquo.
    d) Artigo, preposição, pronome demonstrativo.
    e) Preposição, pronome demonstrativo, pronome pessoal oblíquo.


5.2. ―_____dois meses que não vejo Paulo. Soube que ele esteve ___ beira de uma crise nervosa
____ menos de cinco dias da prova‖.

     a)   Há, à, a
     b)   Há, a, a
     c)   Há, à, à
     d)   A, a, à
     e)   A, à, a

5.3. ―De todas as garotas da classe, Paula foi a que mais me impressionou. Gostaria de ter ido a
sua festa com ela. Eu a convidei, mas ela não aceitou.‖
    As palavras destacadas são, respectivamente:

     a)   pronome oblíquo, artigo, preposição.
     b)   Pronome demonstrativo, preposição, pronome oblíquo.
     c)   Pronome oblíquo, preposição, pronome oblíquo.
     d)   Pronome demonstrativo, preposição, artigo.
     e)   Preposição, artigo, pronome demonstrativo.


(ADJETIVO)
POR QUE O ESTUDO DO ADJETIVO É IMPORTANTE PARA O DIREITO
Uma das características mais evidentes é que o adjetivo está presente na qualificação descritiva
valorativa. Saber usar o adjetivo desenvolve a capacidade de compreender as intencionalidades
de quem descreve o objeto e apreender a avaliação que o observador faz daquilo que observa.

           Efeito de objetividade (descrição precisa das qualidades existentes em um objeto):

          A casa é térrea, murada, plana, azul e ajardinada.

           Efeito de subjetividade

          A casa é horrível, esburacada, escura e horripilante.
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TRANSFERÊNCIA DOS SUBSTANTIVOS EM ADJETIVOS
  A) acréscimo de sufixos ao substantivo

metal + ico = metálico
polo + ar = polar
terra + estre = terrestre


     B) por meio de prefixos

in + moral = imoral

a + normal = anormal

    C) por meio de uma preposição seguida de um substantivo (LOCUÇÃO ADJETIVA):
Janela metálica = Janela de metal.
Substância amorfa = substância sem forma.
Líquido inodoro = líquido sem cheiro
Algumas locuções adjetivas: Porta de aço/ de madeira, de fórmica.
Um caso amoroso = um caso de amor
Peixe marinho = peixe do mar
Estrada férrea = estrada de ferro

Outras locuções adjetivas igual na locução, mas diferente na forma:
Plúmbeo = de chumbo
Ocular = de olho
Pluvial = de chuva
Insípido = sem sabor
Senil = de velho
Setentrional = do norte
Meridional = do sul
Digital = do dedo
Legal = da lei
Gástrico = do estômago
Ebúrnea = de marfim

POSIÇÃO DO ADJETIVO

O adjetivo qualificador, regra geral, pode ser usado anteposto ou posposto ao substantivo. Ex.:
cumprimento ofensivo, ingênuo garoto, etc. No entanto, semanticamente, poderá haver diferença
de sentido.

Nem sempre, porém, a ordem do adjetivo é livre. Há casos em que a colocação posposta é de rigor
e casos em que a anteposição é obrigatória. Ex.: Ordem livre: mulher bonita, bonita mulher./
Ordem fixa (posposta): recurso obrigatório, camisa amarela./ Adjetivo anteposto : pleno meio-dia,
máximo empenho.

* A colocação do adjetivo pode alterar o sentido conforme seu lugar em relação ao substantivo:

Homem pobre – homem sem recursos, sem dinheiro. (efeito de objetividade)
Pobre homem – homem infeliz, desgraçado. (Efeito de subjetividade)

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Homem rico se opõe a homem pobre, mas não necessariamente a pobre homem.

Médico falso = médico mentiroso, fingido.
falso médico = médico ilegítimo, que não é o que parece.

Livro simples = livro compreensível, descomplicado, sem mistério
simples livro = mero, ordinário, banal

Concordância

Um adjetivo pode referir-se a dois ou mais substantivos coordenados. Nesse caso, a concordância
comum é a de gênero:

Ex.: Soluções e regras práticas. / Estatuto e princípios rígidos / garotas e garotos negros.

Se o adjetivo vier anteposto, é mais comum a concordância com o substantivo mais próximo,
embora seja possível a concordância com o conjunto dos substantivos:

Ex.: Clara a determinação e a avaliação dos diretores. / Correta a decisão e o interesse da direção. /
Justos a ação e o empenho do presidente.


Atividade 6: O uso de adjetivo em textos jurídicos, em artigos de opinião e em textos expositivos,
basicamente, apóiam-se na objetividade, mas o autor pode, por meio de escolhas lexicais, destruir
a imagem do objeto analisado, pode retratar detalhes minuciosos de ambientes, além de enaltecer
ou denegrir a personalidade de pessoas entre outras intencionalidades.

Sublinhe as palavras que caracterizam cada um dos envolvidos e analise os textos abaixo, no
sentido de identificar a imagem construída, pelos jornalistas, a respeito dos protagonistas dos
relatos.

Texto 1

São Paulo, sexta-feira, 04 de abril de 2008
Bancado pelo pai, Nardoni queria ser policial
CINTHIA RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
        Alexandre Alves Nardoni, 29, formou-se em direito em 2006 e ainda não tem registro na
OAB, onde é definido como estagiário. Por cinco anos foi um aluno mediano e assíduo em um
curso noturno das Faculdades Integradas de Guarulhos. Dizia a colegas que queria ser delegado da
Polícia Federal.
        Antes de iniciar o curso superior, era dono de uma franquia da 775 na avenida Guilherme
Cotching, na Vila Maria, zona norte. Gostava de carros e motos, usava roupas de surfista e
corrente prateada no pescoço.
        Para alguns dos antigos vizinhos, era um playboy simpático; para outros, um briguento. Na
época em que namorava a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, fez inimigos na Vila
Gustavo, perto da casa dela. Em uma das brigas, teria sido alvo de tiros que atingiram o seu
Vectra. Depois disso, teria passado a andar armado.
        Os donos de lojas de veículos que ele freqüentava estranharam quando souberam que o
atual carro de Nardoni era um Ford Ka. Ele gostava de esportivos. Apenas em uma loja comprou
uma moto CBR, um Mitsubishi Eclipse e uma Saveiro.
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        Quando fechou a 775, deixou dívidas na Vila Maria. Um rapaz que havia deixado uma
prancha de surfe em consignação nunca foi pago. Em uma das revendedoras de carro, o pai dele,
Antonio Nardoni, apareceu meses depois para acertar pendências. O pai, advogado, também
pagava a pensão de Isabella, de R$ 250, e foi quem comprou dois apartamentos de cerca de R$ 250
mil no edifício onde a menina morreu, na Vila Mazei. O outro imóvel é da irmã de Alexandre.
Segundo moradores da rua onde Antonio vive em um sobrado protegido por cerca elétrica, a
família é reservada, mas quando Alexandre os visitava com a menina, os avós a recebiam no
portão, com festa.
        Já na casa da mãe de Isabella Nardoni não costumava entrar. Em dias de visita, aguardava
no carro enquanto sua atual mulher, Anna Carolina Jatobá, 24, pegava a menina.
Segundo vizinhos, a atual mulher tinha ciúmes da xará. Esse seria um dos motivos pelos quais o
casal era conhecido por brigas no apartamento onde moravam até o ano passado, também na Vila
Mazei.
        Sobre a menina, todos dizem que era esperta, ativa, inteligente. "Ela deixava desenhos e
falava até palavras em inglês", conta Kassy Navarro, 21, vendedora da loja infantil que fica ao lado
da loja de um dos avós da menina, fechada por luto.


Texto 2
A morte inaceitável de Isabella
Na história da menina que queria ser bailarina, a mãe se desentendia com o ex-marido por
causa da pensão, ele dependia da ajuda financeira do pai e a madrasta tem um passado de
agressões na própria família
        Extrovertida, alegre e graciosa, Isabella Oliveira Nardoni, de cinco anos, era o centro das
atenções nas reuniões de família. Carinhosa, vivia pedindo colo e distribuindo beijos. Seus
programas preferidos nos fins de semana eram viajar para a praia e brincar no parquinho. Vaidosa,
adorava vestidos, bolsinhas cor-de-rosa e era vidrada na bonexca hello Kitty. ‗Sou superchique‘,
dizia aos adultos. Ela estava empolgada com um peixinho que havia ganhado de uma prima, que
batizou de Biel, mas sua paixão, mesmo, era o balé. Isabella ensaiava os primeiros passos na
escola e dizia a todos que queria ser bailarina quando crescesse. O sonho, tão comum a meninas
desta idade, nunca se realizará. Ele foi brutalmente interrompido na noite do sábado, 29, quando
Isabella foi encontrada caída de bruços no jardim do prédio, onde morava seu pai, Alexandre
Nardoni, na zona norte de São Paulo. Minutos depois, ela faleceu. (Revista IstoÉ, (09/04/2008).



UM ESTUDO SOBRE CRASE
O que é crase? Alguns autores não a consideram como matéria da acentuação, pois trata-se de
uma fusão entre a preposição “a” e o artigo “a”. Assim, o sinal de crase surge em termos
sintáticos que apresentam preposição. Os termos sintáticos que acompanham preposição são:
objeto indireto, complemento nominal e adjunto adverbial. No caso de sinal de crase, só será
válido se antecederem a palavras femininas e definidas ou masculinas quando precedidas pelo
pronome demonstrativo “aquele‖. Há casos, também, de sinal de crase em palavras masculinas,
quando estas indicarem “à moda de”, “à maneira de”.

1) Exemplos de sinal de crase em expressões adverbiais:

      Os colegas foram à praia, às pressas, às oito horas.
       (Na seqüência, tem-se os adjuntos adverbiais de lugar, de modo e de tempo)

      Os homens fugiram às carreiras da prisão.
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          (Adjunto adverbial de modo)

2) Exemplos de sinal de crase em expressão adverbial feminina que indica instrumento (É
OPCIONAL):
     Ele comprou um barco à vela. Ele comprou um barco a vela.
     Esta escultura foi feita à faca. Esta escultura foi feita a faca.
     Pegou o touro à unha. Pegou o touro a unha.

3) Exemplos de sinal de crase, quando há objeto indireto:

      Assisti à peça teatral Fausto, de Sheakspeare.
       A crase não ocorre em: A médica assistiu a paciente no parto.

      Aspiro à gerência. (aspirar ao cargo de)
       A crase não ocorre em: Aspiro a rosa. (sentir o perfume da rosa)

      Viso àquele emprego. (ter por objetivo o cargo)
       A crase não ocorre em: Viso aquele cheque. (dar um visto, assinar).

4) Exemplos de sinal de crase em expressões que indicam “distância”, “terra” e “casa”:

a) Quando se tem um termo determinante, a crase se faz necessária:

      Cheguei à casa de meus tios.
      Vi as mulheres à distância de cinco metros.
      Os exploradores desceram à terra de belezas infinitas.
     

b) Quando não há um determinante que acompanhe as referidas palavras, isenta-se o uso do sinal
de crase:

      Cheguei a casa.
      Os exploradores desceram a terra, após longos anos de viagem pelos mares.

5) Exemplos de sinal de crase, quando há indicação de localização:

a) Não se usa crase antes de lugares que sugerem o uso da preposição “de”

           Aludiram a Roma. (Vim de Roma. Neste caso, o verbo também exige a preposição
            “a” – Quem alude, alude a, então: preposição ―a‖ do verbo + o artigo feminino ―a‖ de
            ―a Roma‖, geram uma fusão “à”.
           Fui a Salvador. (Vim de Salvador)
           Irei a Portugal. (Vim de Portugal)

b) Usa-se crase antes de lugares que sugerem a preposição “da”:

      Aludiram à Roma de César. (Neste caso, devido à palavra Roma estar acompanhada por
       um determinante: de César, subentende-se cidade)
      Fui à Bahia. (Vim da Bahia)
      Irei à França. (Vim da França)


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Observação: Uma dica para identificar se há crase ou não: Se houver “de”, crase para quê? Se
houver “da”, crase há. Verifique os outros exemplos:

      Aquele restaurante abre de segunda a sábado, das 10h às 22h30.

6. Crase e verbos
Há alguns verbos que admitem à ou às, pois compreendem verbos preposicionados ou não são
craseados, porque funcionam como objeto direto ou sujeito da oração.

Abandonou à própria sorte os filhos pequenos, aventurando-se em outros lugares.
Abandonou a própria sorte quando resolveu fugir da bela vida que levava.

Vai à luta com todos nós, pois é muito valente.
Vai a luta ser desigual? Todos nos perguntamos.

Fica à escolha do freguês pechinchar ou pagar mais caro.
Fica a escolha da mercadoria restrita ao freguês.

Favor acrescentar à lista de convidados os nomes de meus primos mais novos.
Favor acrescentar a lista de materiais escolares como despesas da casa.

Solicito anexar à petição os comprovantes de compra e venda do carro que foi furtado.
Solicito anexar a petição aos autos do processo.

Sugeriu à CBN a inclusão de programas mais culturais.
Sugeriu a CBN que houvesse a inclusão de programas mais culturais.
Exercícios com crase.

Preencha as lacunas com à(s) e ao(s):

Foi fechado o acesso ___ ponte/ ____ túnel.
Foi instigado a dar parecer favorável ____ cobrança/ _____ pagamento das alíquotas.

7. Quando o uso da crase é proibido.

     a) Antes de nome masculino:
     Andar a cavalo
     Pintura a óleo.
     Entregou tudo a João.
     Ela andou a pé.

     Exceção: Quando se subentende uma expressão do gênero feminino ou a palavra feminina está
     oculta:
     Exemplos:
     Ela escreve à Machado de Assis. (à maneira de)
     Ele deseja escrever poemas à Menotti Del Picchia. (à moda de/ à maneira de)

     b) Não se usa crase antes de pronomes demonstrativos: “este, esse, aquele”, mesmo
        quando estiver no feminino, pois não se usa artigo antes deles.
        Ofereceram tudo o que podiam a essa pessoa.
        Deve-se obedecer a essa autoridade.
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     Exceção: Quando os pronomes demonstrativos: aquele(s), aquela(s) estiverem pospostos a um
     verbo preposicionado, ocorre a crase, porque o verbo vem acompanhado de uma preposição +
     pronome demonstrativo:

     Exemplos: Refiro-me àquele fato sempre que a encontro. (Quem se refere, se refere a algo +
     aquele = àquele)
                Ofereço àqueles que me procuram muita dedicação. (Quem oferece, oferece para
     alguém alguma coisa).

     c) não se usa crase antes dos pronomes indefinidos: uma, alguma, nenhuma,tanta, certa,
     tamanha, qualquer, tal (tanto no singular quanto no plural).
      Exemplos:
     Eles resistiram a alguma pressão.
     Não acudiu a nenhum paciente.
     Não falou a qualquer pessoa.

     d) em repetição de palavras:
     Eles estavam frente a frente.
     As amigas andavam pelas ruas lado a lado.

     e) Antes de pronomes de tratamento:
     Escrevo a Vossa Senhora.
     Disse a você.

     Exceção:
     Mandei entregar uma carta à dona Maria. (à senhora/ senhorita)

     f) Antes de numerais que não precedam substantivos determinados:
     Assisti às três sessões. (só houve três)
     Assisti a três sessões. (das várias que houve. Além disso, ―a‖ antes de plural, não há crase).

   Exceção:
   A expressão ―uma‖ pode ser numeral e artigo. Quando se refere a tempo: Todos sairão à uma
hora ou às duas horas?

7. atividades sobre crase
7.1 Indique crase onde houver necessidade:
    a) Comunique nossos preços as empresas interessadas.
    b) Comunique nossos preços a empresas interessadas.
    c) Não nego sua contribuição a cultura brasileira.
    d) O advogado expõe sua defesa a (moda de) Rui Barbosa.
    e) Envie dinheiro a estas instituições beneficentes.
    f) Enviaram felicitações as vencedoras.
    g) Mandarei flores a nossa mais nova contratada.
    h) Recomendarei cautela a Márcia, nossa nova advogada.
    i) A partir de agora, tudo será comprado a prazo.
    j) Temos algo a considerar quanto a possibilidade de nos engajarmos nessa luta: a dificuldade
       de nos encontrarmos.
    k) Direi a vocês o que sei.
    l) Transmita a cada um dos presentes as instruções necessárias a continuidade da sessão.
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     m) Não vou a festas, não assisto a novelas e não aspiro a grandes posses.
     n) Não vou as festas, não assisto as novelas e não aspiro as grandes posses.
     o) Esta camisa é idêntica a que ganhei ontem.
     p) Disse a candidata da direita que estava aprovada; a da esquerda disse que terá nova
        oportunidade no próximo concurso.
     q) A mulher a que fiz referência não esteve presente a reunião.
     r) Várias advogadas as quais me dirigi colocaram-se contrárias a decisão do juiz.
     s) Prefiro isto aquilo.

7.2 Continue:
a)     Quanto a esta pendência, trata-se de um caso a parte.
b)     Entre as perguntas, a de mais difícil resposta se refere a exata medida a ser usada.
c)     A revista comentou que a relutância do Brasil em se submeter a vontade do FMI era
compreensível.
d)     A sala esvaziou-se a ponto de se interromper a assembléia.
e)     A solidariedade a pretensão de acesso a tecnologia nuclear está expressa na declaração da
imprensa.
f)     A entidade irá dedicar-se exclusivamente a prestações financeiras.
g)     Cheguei a casa de Lúcia as três horas.
h)     A poesia da música Monte Castelo é semelhante a de Camões.
i)     Refiro-me a todas as secretárias da seção, não só as que faltaram.
j)     Irei a Portugal e a França nas próximas férias.
    l) Vendeu a mercadoria a vista e saiu da loja a francesa.
m)     A fábrica só deverá voltar a funcionar daqui a trinta dias.

 7.3 Faça o mesmo com o texto abaixo:
        ―A vocação para as funções públicas é compatível com indivíduos inclinados a servir o
próximo, principalmente no caso daqueles que perseguem cargos eletivos com a promessa de
dedicar-se a melhoria da vida dos outros. Essas pessoas demonstrariam antecipadamente a
disposição de cumprir o prometido e de jamais cuidar do enriquecimento próprio em detrimento do
bem público.
     O poder de coerção do Estado deve ser exercido por indivíduos de elevadas qualidades morais
e éticas. Eles certamente estariam dispostos a satisfazer uma exigência de transparência quanto a
acumulação de bens materiais durante o desempenho de suas funções públicas (...)‖


Atividade 8 (CONJUNÇÃO)
8.1 Una as orações num só período, estabelecendo entre elas relações adequadas:
    a. Este é um país rico. / A maior parte de seu povo é muito pobre.
_______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
    b. Você se preparou muito. / Será bem sucedido.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

   c. É um velho político corrupto. Não se deve reelegê-lo.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
   d. Fique descansado. Eu tomarei as providências necessárias.
_______________________________________________________________________________


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e. Você pode apresentar suas propostas esta noite. Pode ficar remoendo-as sozinho por muitas
noites.__________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
f. Choveu. Decidi adiar a partida.
_______________________________________________________________________________
g. A indignação foi tanta. A indignação produziu seguidas manifestações de rua.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

8.2. Preencha as lacunas com o conectivo adequado e pontue:
a. Apresentou várias propostas para solucionar o problema de caixa_________ não conseguiu
anuência dos presentes _________ julgaram suas argumentações inconsistentes.
b. ___________ tivesse apresentado várias propostas para solucionar o problema de caixa não
conseguiu anuência dos presentes _________julgaram suas argumentações inconsistentes.
c. O juiz analisou o caso com atenção _________ ao verificar que os argumentos da defesa eram
―fracos‖ suspendeu a sessão.
d. Não foram publicados os proclamas_________ não podem ainda se casar.
e. Estava muito preocupado com o desfecho do embate _________ aceitou mediar a discussão.
f. Não há razão para que te sintas constrangido _________ aceitaste participar do movimento.
g. Não voltaremos a esta casa_____________ não precisam preocupar-se conosco.
h. O juiz permitirá nossa entrada _____________ insistamos.
i. O juiz não permitirá nossa entrada _____________ insistamos.
j. O juiz não permitirá nossa entrada _____________ acredito que seja melhor não insistir.
k. _________ nada mais temos a tratar, é melhor encerrar o assunto.
l._________ não me dirigiu a palavra acredito que não queira minha sugestão sobre o assunto.
m. _________ o espetáculo atrasava, mais ansiosos os espectadores ficavam.
n. Concretizarás todos os projetos _________ agires com determinação.

Atividade 9 (ADVÉRBIO)
Os advérbios são invariáveis, mas os de modo podem ser confundidos com adjetivos, que são
variáveis. Faça a concordância adequada nas frases que seguem:
a) Esses produtos estão muito _____________ (caro/caros)
b) O riso e a alegria custam _______________ (caro/caros)
c) Dei-lhe o troco, portanto estou ____________ com ele. (quite/quites)
d) — Muito ____________, disseram elas, nós_________ nos servimos
(obrigado/obrigada/obrigados/obrigadas; mesmo/mesma/mesmos/mesmas).
e) Mantivemo-nos _______________ para que nada de mal lhe acontecesse. (alerta/alertas).
f) Seguem _______________ os documentos de que lhe falei. (anexo/anexos)
g) Envio-lhe ___________________ os textos prometidos. (em anexo/ em anexos).
h) Seguem ___________________ as petições solicitadas. (incluso/inclusos/inclusa/inclusas)
i) Eles foram _________________ incisivos na declaração. (bastante/bastantes)
j) Houve ________________ manifestações contra a liminar impetrada pelo marido de Terri
Schiavo. (bastante/bastantes).
k) Venham____________, senão perderemos o espetáculo. (rápido/ rápidos).
l) Andem _________________, pois estamos atrasados. (ligeiro/ligeiros).
m) Eles foram ______________            ________________ nas orientações. (bastante/bastantes;
claro/claros);
n) Falem _________________, pois ainda não entendemos aonde vocês querem chegar.
(claro/claros).

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o) Quando se trata de voto nulo, devemos pensar e investigar para votarmos ______________
(certo/certos)
p) As defesas precisam ser ___________________ (melhor/mais bem) elaboradas.
q) As testemunhas parecem ___________________(melhor/melhores).
r) Foi sem dúvida uma de suas ____________________ defesas.
s) Finalmente estamos ___________. (só/sós)
t) Os fatos falam por si _____________. (só/sós)
u) As vítimas __________ (só/sós) pensam nas ameaças.
v) Seu _______-humor foi a razão de seu isolamento (mal/mau)
w) O ____________-entendido resultou em violência (mal/mau)


Atividade 10 (VERBO)
                                       VERBO: MODOS E CONCORDÂNCIA

Considerando que: 1. são três os modos verbais – indicativo, subjuntivo e imperativo –; 2. o
modo indicativo relaciona-se com eventos cuja ocorrência se tem como certo; 3. o modo
subjuntivo assinala conteúdos tomados como incertos, duvidosos, hipotéticos; 4. o modo
imperativo é utilizado para exprimir desejo, ordem, apelo; indique os modos dos verbos
assinalados no texto abaixo:


São Paulo, segunda-feira, 21 de julho de 2008
Mônica Bergamo

PONTO FINAL
Convocado para depor em juízo na primeira semana de agosto, o professor universitário Hugo
Chicaroni é considerado, tanto pela defesa quanto pela acusação, peça chave para que o processo
contra Daniel Dantas, por corrupção, prossiga. Se ele confirmar diante do juiz que veio do
banqueiro a ordem -e o dinheiro -para corromper um delegado, o processo continua. Se voltar
atrás, acaba.

MURALHA
Ao contrário até de Daniel Dantas, que dividiu a cela com o ex-prefeito Celso Pitta, Chicaroni está
sozinho nas dependências da polícia -e bem longe de Humberto Braz, que foi com ele ao
restaurante para oferecer propina ao policial. A idéia é dificultar um possível entendimento entre
eles.

CALENDÁRIO
E a CPI dos Grampos agendou o depoimento do juiz Fausto Martin de Sanctis para o dia 7 de
agosto. Justo a data que ele determinou para o depoimento de Dantas sobre a corrupção do
delegado.

PROPOSTA INDECENTE
E Dantas preferiu ficar calado também no "depoimento" ao repórter Rafael Cortez, do programa
"CQC", da Band. "O senhor se arrependeu de ter oferecido US$ 1 milhão [ao delegado]?",
perguntou Cortez na frente da PF. Sem resposta, ele mesmo concluiu. "Deve ter se arrependido, né,
porque foi muito pouco.Talvez se tivesse oferecido US$ 5 milhões poderia ter dado certo." O
programa vai ao ar hoje.

10.2. Considerando que os verbos apresentam formas nominais – infinitivo, gerúndio e
particípio -, assim denominados porque podem assumir comportamento de nomes
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(substantivos, adjetivos e advérbios), verifique nas orações abaixo qual a forma nominal
utilizada:
a. O calar-se em momentos de conflito é demonstração de covardia.

b. O promotor teve papel destacado no processo dos Nardoni.

c. Chorando muito, a mãe de Isabela concedeu entrevista ao Fantástico.

d. Depoimento encerrado, a testemunha partiu para casa.

10.3 O infinitivo pode ser impessoal – sem flexão – ou pessoal – com flexão. A flexão do
infinito é uma das pautas mais complexas da gramática, pois é feita de maneira muito
variada, mas há tentativas de regulá-la. Nesse caso, costumamos referir-nos a recomendações
e não propriamente a regras. Analise os períodos abaixo, no sentido de verificar se a flexão
do infinitivo é recomendável ou não.

a. As certidões deverão acompanharem o traslado da escritura.

b. As certidões deverão, sob pena de invalidade do ato e impedimento para o registro,
acompanharem o traslado da escritura

c. "Os magistrados não podem fazerem sozinhos o trabalho de administrar a justiça"

d. "Os magistrados não podem, sozinhos, sem a participação de todos os segmentos envolvidos,
fazerem o trabalho de administrar a justiça"

e. Podem, entretanto, esses serviços serem estabelecidos...

f. ―O tabelião fica desobrigado de manter, em cartório, o original ou cópias autenticadas das
certidões mencionadas nos incisos III e IV, do art. 1°, desde que transcreva na escritura pública os
elementos necessários à sua identificação, devendo, nesse caso, as certidões acompanharem o
traslado da escritura"

g. Deixei-os saírem.

h. O magistrado repreendeu os patronos, por não procederem com urbanidade na audiência

i. Napoleão viu caírem as armas das mãos de seus soldados

j. Napoleão viu cair as armas das mãos de seus soldados.

k. O policial não conseguiu fazer os réus confessar.

l. O médico não conseguiu fazer as dores diminuir.

m. O policial não conseguiu fazer os réus confessarem.
o. Grande parte dos brasileiros não ganha o suficiente para sustentar os filhos. (ganham, ganha;
sustentar, sustentarem)


10.4 Complete corretamente as lacunas com o verbo colocado entre parênteses:

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a. Calei-me, não porque ele ____________________, mas porque julguei procedente sua
argumentação. (intervir)
b. É muito comum ______________ assessores com o presidente. (viajar)
c. É muito comum que ______________ assessores com o presidente. (viajar)
d. Sem se __________ com a repreensão dos adultos, as crianças continuavam correndo ladeira a
baixo. (importar)
e. Ontem à tarde, o batalhão_____________ o traficante. (deter)
f. Se você__________________ os ânimos, será recompensado. (conter)
g. Caso você __________________ os ânimos, será recompensado. (conter)
h. Ficarei calado se a linha de defesa não me _____________ . (satisfazer)
i. Se você ________________ condições para levar o réu a julgamento, o juiz não as acolherá..
(impor)
j. Se o promotor não _____________, daremos sequência ao inquérito. (opor-se)
l. Na quinta-feira, um dos promotores ___________________ , ao se ______________ os porquês
de tamanha perversidade , que se _____________ o inquérito para apurar os culpados pelo
assassinato do estudante. (sugerir, discutir, instaurar)
m. Veja como todos se ___________________ , ao analisar a situação. (entreter)
n. Espero que os juízes______________ conta de todos os processos que estão parados. (dar)
o. Estávamos nos lugares onde_____________ pessoas necessitadas. (haver)
p. Enquanto jantávamos, ele nos _______________ com suas piadas. (entreter)
q. Depois do jantar, ele nos ______________ com suas piadas. (entreter)
r. Se nos __________ ao parecer de nosso ilustre causídico, haveremos de nos arrepender. (ater)
s. Se nos __________ ao parecer de nosso ilustre causídico, não estaríamos nesta situação. (ater)
t. Se, na próxima semana, você _____________ e ________ o processo, ______________ o
motive de nossa preocupação. (vir; ver; compreender).
u. Espero que o promotor _____________ nesse processo. (intervir)
v. Se o promotor_______________ nesse processo, pedirei seu arquivamento. (intervir)
x. Como promotor________________ no processo, solicitamos seu arquivamento. (intervir)
Atividade 10.5
 Proceda a concordância:
a) Cerca de mil pessoas ______________________(participou/participaram) da manifestação.
b) Mais de um funcionário _____________________ (faltou/faltaram) ao trabalho.
c) A maioria dos diretores ____________________ (aprovou/aprovaram) a proposta.
d) A maior parte dos causídicos ___________________(deixou/deixaram) o fórum.
e) Metade dos candidatos não ________________ (apresentou/apresentaram) nenhuma proposta
    interessante.
f) Os Estados Unidos ________________________ (determina/determinam) a atividade
    econômica do mundo.
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g)    Férias ____________ bom. (é/são).
h)    Vários de nós ___________________ (propusemos/propuseram) sugestões inovadoras.
i)    25% do orçamento do país ____________________ (deve/devem) destinar-se à educação.
j)    25% ______________ (quer/querem) mudanças.
k)    1% dos eleitores _________________ (deixou/deixaram) de ir às urnas.
l)    2/3 do eleitorado _______________(absteve-se/abstiveram-se) de votar.
m)    Fomos nós que _____________ (pagamos/pagaram) a conta.
n)    Fomos nós quem ______________ (pagou/pagamos) a conta.
o)    Se você é um dos que ______________________(admira/admiram) o escritor, certamente lerá
      esse seu novo romance.
p)    Não só a seca, mas também o pouco-caso dos governantes _______________
      (castiga/castigam) o nordeste.
q)    Tanto a mãe como o filho __________________( ficou/ficaram) chocados com a notícia.
r)    O governador com o secretário ___________________(traçou/traçaram) os planos para o
      próximo semestre.
s)    Roma ou Buenos Aires ___________________(será/serão) a sede das Olimpíadas.
t)    Nem o professor nem o aluno _____________________(acertou/acertaram) a resposta.
u)    Não se _____________ (deve/devem) poupar esforços para despoluir o rio.
v)    ___________________(destruiu-se/destruíram-se) as bases de uma sociedade igualitária.
w)    __________________ (cuida-se/cuidam-se) de assuntos que não dizem respeito ao direito.
x)    __________________ (havia/haviam) graves problemas a serem enfrentados.
y)    Cinco reais_______________ (é/são) suficiente(s).
z)    ___________ (é/são) cinco para o meio-dia.

10.6 Conjugue adequadamente o verbo entre parênteses:
a. Hoje___________________ (é/são) cinco de dezembro.
b. Espero que neste recinto não__________ discussões infrutíferas. (haver)
c. Parte significativa dos juristas _______ os clássicos da literatura diariamente. (ler)
d. A multidão ________ a justificativa do prefeito. (aceitar)
e. Ontem, menos de 50 deputados ______________ à Câmara. (comparecer)
f. Não se _____________ advogados com formação precária. (aceitar)
h. Grande parte dos brasileiros não _________ o suficiente para _____________ os filhos.
(ganhar, sustentar)

10.7 Faça a correção das orações abaixo, quanto à conjugação verbal e à concordância:

     a. Foi mencionado naquela reunião todos os erros cometidos pelos gerentes das lojas.

     b. Durante a tramitação do processo judicial, cometeu-se alguns equívocos, que devemos
        corrigir.

     c. Se nós nos abstermos de falar, novas represálias ocorrerá.

     d. Se propor novas regras, os juízes terão de garantir sua manutenção.

     e. Quando o ver nos tribunais, desdirei tudo que sustentei no último depoimento.

     f. Se preverem mais alguma catástrofe, partirei.

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     g. Se refazermos nossas contas, descobriremos que não temos orçamento para tal projeto.

     h. Se os funcionários se predisporem a colaborar, iremos em frente.

     i. Se toda a sociedade intervir no processo, teremos uma grande revolução.

     j. Ele interviu em seu favor, mas não adiantou.


10.8. VERBOS E AS CHARGES
Na Charge LUKE E TANTRA de Angeli, há a presença de alguns verbos. Observe-os para
responder as questões a seguir.




                a) No primeiro quadrinho há um verbo no particípio. Identifique o infinitivo deste
                   verbo e a que conjugação ele pertence (1ª., 2ª. ou 3ª. conjugação).
                b) Ainda sobre o mesmo verbo identificado, comente sobre o significado dele no
                   contexto da charge.
                c) O personagem do primeiro quadrinho ao dizer: ‖Dane-se‖ teve qual intenção? O
                   pronome relativo ―se‖ refere-se a que termo anteriormente apresentado?
                d) Na locução verbal ―devemos furar‖(segundo quadrinho) subentende-se que o
                   falante deseja receber a dívida sob uma forte ameaça ou, somente, acusa o devedor
                   de mau pagador?
                e) No último quadrinho, há a expressão ―Sei lá, inventei agora‖: o verbo inventar está
                   em que tempo e modo verbais? O aspecto verbal foi alterado com a introdução do
                   advérbio agora?Justifique




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                                                 GRAMÁTICA DE USO


DIFICULDADES COM A LINGUAGEM ESCRITA

POR QUE, POR QUÊ, PORQUE OU PORQUÊ?


POR QUE – Utilizado no início de frases interrogativas. Com sentido de razão / motivo pelo(a)
qual.
          Por que você não foi à festa?
Gostaria de saber por que você não foi à festa.


POR QUÊ – Utilizado no final de frases interrogativas ou quando estiver isolado.
          Você não foi à festa, por quê?


PORQUE – Utilizado em respostas, na introdução de causa ou explicação.
          Não fui à festa porque estava doente.


PORQUÊ – Com valor substantivo, precedido de determinante. Pode ser substituído por
motivo.
          Quero saber o porquê de tanta gritaria.


A FIM DE ou AFIM?


A FIM DE – Com intuito
Nós procuramos a fim de estabelecermos relações comerciais.


AFIM – Com afinidade
São pessoas afins.


ONDE ou AONDE?


ONDE – Usado quando o verbo indica permanência (em que lugar).
Onde está o meu carro?
AONDE – Usado quando o verbo indica movimento (a que lugar).

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Aonde você vai agora?


HÁ CERCA DE, ACERCA DE ou CERCA DE?


HÁ CERCA DE – Indica tempo decorrido.
A peça teatral está sendo apresentada há cerca de dois anos.


ACERCA DE – a respeito de.
          Falávamos acerca de sua demissão.


CERCA DE – Indica arredondamento (perto de, coisa de, por volta de, em torno de,
aproximadamente)
          Cerca de 10 mil pessoas compareceram à manifestação.
Obs: Não usar para números exatos. Ex.: ―Cerca de 543 pessoas...‖


HAJA VISTO ou HAJA VISTA?


A expressão correta é HAJA VISTA, mesmo antes de palavras masculinas.


Vamos repetir a demonstração. Haja vista o interesse dos participantes.


TAMPOUCO ou TÃO POUCO?


TAMPOUCO – Também não.
          Não compareci a festa tampouco ao almoço.
TÃO POUCO – Muito pouco.
          Tenho tão pouco tempo disponível para essa tarefa.


A PAR ou AO PAR?


A PAR – Estar ciente de, sabedor.
          Estou a par do ocorrido.


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AO PAR – Termo usado em Operadores de Mercado Financeiro (indica paridade ou igualdade).
          O lançamento de ações foi feito ao par (com base no valor nominal).


MENAS ou MENOS?


Forma correta é : ―Há menos pessoas aqui do que lá‖.


Não esqueça que NÃO existe a forma MENAS.


MÁS, MAS ou MAIS?


MÁS – Ruins.
          Essas pessoas são muito más.


MAS – Conjunção coordenativa adversativa: entretanto, porém.
          A virtude é comunicável. Mas o vício é contagioso.


MAIS – Antônimo de menos.
          O jornal de hoje publicou mais fotos da vencedora do festival.


MAL ou MAU?


MAL – Antônimo de bem.
          A criança estava passando mal desde ontem.


MAU – Antônimo de bom.
          Houve mau uso dos equipamentos eletrônicos.


AO INVÉS DE ou EM VEZ DE?


AO INVÉS DE – Significa ao contrário de.
          Maura, ao invés de tornar-se uma advogada, resolveu se dedicar à música.


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EM VEZ DE – É o mesmo que em lugar de.
          Em vez de José, Carlos esteve presente.


A NÍVEL DE ou EM NÍVEL DE?


A forma A NÍVEL DE dita com tanta propriedade não existe, portanto deve ser eliminada ou
substituída por EM RELAÇÃO A, NO QUE DIZ RESPEITO A.


A nível de presidente, eu acredito que...(INCORRETO)
No que diz respeito ao presidente, eu acredito que...(CORRETO)


A expressão EM NÍVEL DE pode ser usada quando for possível estabelecer níveis /patamares
em relação ao que se fala.


As decisões tomadas em nível federal (estadual, municipal) poderão ser definitivas.
Obs: Em relação ao mar, aceita-se ao nível do mar ou no nível do mar.


ENQUANTO, COMO OU NA POSIÇÃO QUE?


Emprega-se a palavra ENQUANTO em frases do tipo:
Eu, enquanto responsável pelo departamento... (INCORRETO)




Prefira seguramente:
Eu, como (ou na posição de) responsável pelo departamento... (CORRETO)


A PRINCÍPIO ou EM PRINCÍPIO?


A PRINCÍPIO – Significa inicialmente, no começo, num primeiro momento.
          A princípio havia um homem e uma mulher.


EM PRINCÍPIO – Quer dizer em tese, por princípios, teoricamente.
          Em princípio, sou contra a pena de morte.
Ou use simplesmente:
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          Em tese, sou contra a pena de morte.

EM CORES


O pronunciamento do presidente foi filmado em cores ontem.
Conserta-se TV em cores.

NA RUA



          Todos moramos em algum lugar e não a algum lugar.
          Roberto residia na rua Augusta.


EM DOMICÍLIO ou A DOMICÍLIO?


          O correto é entregas em domicílio. É o mesmo que fazer entregas                                   em casa,   no
escritório.
          Fazemos entregas em domicílio.
Obs.: Só usamos a domicílio com verbos de movimento.
          Conduziram o doente a domicílio (melhor: ...ao seu domicílio).


SITO A ou SITO EM?


          Nosso escritório situa-se na Avenida Brasil.


SE NÃO ou SENÃO?


SE NÃO – Pode ser substituído por caso não.
          Devolva o relatório se não estiver de acordo.


SENÃO – Pode ser substituído por somente, apenas.
          Não vejo outra alternativa senão concordar.


SENÃO – Substantivo, significando contratempo.
          O show não teve nenhum senão.

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PORISSO ou POR ISSO?


NÃO existe a forma PORISSO.


A forma correta é POR ISSO.


É por isso que você não vai mais errar.

AO ENCONTRO DE ou DE ENCONTRO A?


AO ENCONTRO DE – Designa uma situação favorável.
           Nossas propostas vão ao encontro das atuais tendências do mercado.


DE ENCONTRO A – Dá a idéia de oposição, contrariedade, choque.
          Temos pontos de vista diferentes: minhas idéias vão de encontro às suas.



ATIVIDADES - GRAMÁTICA DE USO:
     1) Preencha os espaços vazios com por que, porque, por quê, por que, o porquê:

     a) _____________ você agiu daquela maneira?
     b) Não se sabe _____________________ tomaram tal decisão.
     c) Não é fácil saber _________________ a situação persiste em não melhorar.
     d) Você chegou atrasado, ________________?
     e) As reivindicações ________________ lutamos, não foram atendidas.
     f) As ruas __________________ passamos estão muito escuras.
     g) A situação da saúde está muito precária, ________________ não há investimentos
        governamentais.
     h) Dê-me ao menos um _________________ tudo isso aconteceu.
     i) É muito difícil descobrir o ________________ alguns estudantes não gostam de ler.
     j) Acredita-se que os grandes _____________________ da filosofia representam as respostas
        humanas.

     2) Use ―mal‖ ou ―mau‖ nas orações abaixo:
     a) Sabe-se que alguns jovens se comportam muito _______ nos dias de hoje.
     b) O mosquito da dengue provoca um ____________ imenso nas comunidades que não se
        previnem.
     c) Ele é um ________ administrador.
     d) O _________ não compensa.
     e) O ____________ tempo provocou fortes chuvas.
     f) ______________ ele chegou, todos foram embora.

     3) Use ―a‖ ou ―há‖:
     a) Dali ____ três meses, ele chegaria se não tivesse sido impedido pelos pais.
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     b) _____ muito tempo que não vejo a minha melhor amiga.
     c) Daqui _____ duas semanas realizaremos uma grande festa de aniversário.
     d) Tais fatos ocorreram _____ vinte anos naquela região.

     4) Preenchas os espaços vazios com ―apressar‖ ou ―apreçar‖
     a) O Supermercado resolveu ____________ todos os produtos, devido ao último aumento
        governamental.
     b) Todos devem se _____________ a fim de comprar os presentes do Natal.
     c) A empregada_____________ o passo.
     d) __________-os na finalização da tarefa.
     e) Os empresários ______________ os produtos.

     5) Use ―senão‖ e ―se não‖:
     a) É necessário que a economia se ajuste aos novos tempos, ___________ o país entrará em
        colapso.
     b) ______________ houver necessidade, não se deve comprar tudo o que se vê nas lojas.
     c) _____________ fizermos alguma coisa para resolver os problemas da violência, o país
        escorregará para o caos. E há quem não faça nada ___________ ficar sentado a espera de
        uma solução.


                                                               SINTAXE

A Sintaxe refere-se ao campo da gramática que se dedica ao estudo das relações que as palavras
estabelecem entre si nas orações e períodos, considerando as funções que assumem: sujeito,
predicado, complemento verbal, complemento nominal, adjunto adverbial, adjunto adnominal.


                                               FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO

FRASE: toda palavra ou conjunto de palavras que expressa sentido. As frases podem ser:
1) RUDIMENTARES:
    a) Frases exclamativas: Ui!, Ai!, Oba!, Hein!?
    b) Frases interrogativas: Hein?, Como? Quem? Quando?
    c) Frases imperativas (expressam uma ordem): Chit!, Psiu!, Xou, xou!
    d) Frases que expressam desejos: Oxalá!
    e) Frases que expressam negação: hum…hum…

2.) NOMINAIS: Apresentam-se sob a forma de uma expressão nominal que deve ser constituída
por dois núcleos nominais. Assemelha-se à relação sujeito – predicado. Os núcleos podem ser:

     a) um substantivo: frase substantivada: O crime do Padre Amaro. (O crime que foi
        cometido pelo padre Amaro. Personagem do Romance de Eça de Queiroz)./ Viagem ao
        centro da terra (A viagem que foi feita por Gulliver ao centro da terra)./

     b) Um adjetivo – frase adjetival: Bonitinha, mas ordinária. (Embora ela seja bonitinha, é
        ordinária)/ O pequeno grande homem. (Apesar de o homem ser pequeno quanto à
        estatura, é grande em suas ações).

     c) Um advérbio – frase adverbial: Perto do coração selvagem./ Cem anos de solidão (Gabriel
        Garcia Marques).
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Geralmente são frases que expressam sentidos de uma obra literária, de um filme. Dessa maneira,
podem funcionar como títulos de livros, de textos ou ainda, referirem-se a expressões de
propagandas: O espaço perfeito, o máximo conforto para o seu estilo de vida. (propaganda de
uma Incorporadora e Construtora de Imóveis). / Bom Bril – Mil e uma utilidades./ Próxima
Estação, Paraíso.

3) FRASE VERBAL: Tem como núcleo o verbo e pode ser constituída por uma ou mais orações
(período simples ou composto).

          Todos têm direito à vida digna. (Período simples).

       O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, disse ontem que as provas
existentes no inquérito do mensalão contra os 40 denunciados são suficientes para o STF (Supremo
Tribunal Federal) abrir a ação penal e anunciou que, após essa decisão dos ministros do STF,
apresentará novos documentos. (Período composto)


ORAÇÃO: frase que se organiza a partir de um verbo ou locução verbal.
    Um dia, perguntei ao juiz a razão de tanto sucesso.

PERÍODO: a frase estruturada em orações constitui o período, que pode ser simples (formado por
uma só oração) ou composto (formado por duas ou mais orações).

       A relação entre a Bolívia e o Brasil chegou ao momento mais tenso desde a posse de Evo
Morales, em janeiro de 2006 (PERÍODO SIMPLES). O mais recente ponto de discórdia foi o
decreto, assinado pelo presidente boliviano no domingo, 6, que tirou o direito da Petrobras de
comercializar os derivados de petróleo produzidos no país andino (PERÍODO COMPOSTO).


Fazem parte do período composto acima as seguintes orações:
1. O mais recente ponto de discórdia foi o decreto.
2. O decreto foi assinado pelo presidente boliviano no domingo.
2. O decreto tirou o direito da Petrobras de algo.
3. A Petrobrás comercializa os derivados de petróleo produzidos no país andino.


Atividade 1
Coloque (PS) para período simples e (PC) para período composto:
a.      Alimentos, brinquedos e artigos supérfluos vêm registrando crescimento menor no segundo
semestre do ano em relação ao primeiro, com reflexo no desempenho dos supermercados. ( ) As
vendas de carros também caíram na primeira quinzena de agosto. (         ) Levantamento com 236
indústrias mostra queda no índice de confiança dos empresários paulistas. ( )

b.      A presença no ensino superior de alunos com renda familiar mensal de até três salários
mínimos cresceu 49% de 2004 a 2006, mostram dados tabulados pelo Instituto de Estudos do
Trabalho e Sociedade. (    )
        Na população em geral, a proporção de pessoas com essa faixa de renda aumentou 8% no
mesmo período. ( )
        O ingresso de alunos pobres na universidade foi impulsionado pelo ProUni – programa
federal que desde 2005 dá bolsas de estudos – dizem especialistas. ( )
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       Outros motivos são a maior oferta de vagas e mensalidades menores. (    ) O crescimento
pode ser afetado, no médio e no longo prazo, pelo baixo desempenho do ensino médio. ( )

Atividade 2
Desmembre as orações dos períodos que seguem:
   a. O jovem brasileiro de hoje dá valor à religião, estudo, trabalho e família e pensa de forma
       muito parecida com o restante da população sobre a descriminalização da maconha, a
       redução da maioridade penal, a pena de morte e a lei do aborto.
   ____________________________________________________________________________
   ____________________________________________________________________________
   ____________________________________________________________________________
   ____________________________________________________________________________

   b. Apesar de ter opinião semelhante ao restante da população sobre temas polêmicos, a
      juventude brasileira é mais escolarizada e politizada.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

   c. Um breve olhar para o setor deixa claro que a nossa execução penal não tem servido para
      nada além de aumentar a vulnerabilidade que já acompanha a trajetória da maior parte dos
      apenados e apenadas.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

     d. As Regras Mínimas sobre Tratamento de Presos, da ONU, preveem que algemas nunca
        "deverão ser aplicadas como sanções", mas as admitem "como medida de precaução".
     ____________________________________________________________________________
     ____________________________________________________________________________


                                                       PERÍODO SIMPES

Termos essenciais da oração: sujeito e predicado
        Sendo o verbo a palavra central de uma oração, pois é em torno dele que se forma uma
idéia, o elemento que provoca o fato anunciado pelo verbo se constitui no sujeito da oração e o fato
propriamente dito constitui-se no predicado.

Atividade 1
Proceda a distinção entre o sujeito e predicado das orações que seguem:
   a. Cada ente público tem um modo de remunerar seus servidores.
   b. Algumas cidades têm papel estratégico no desenvolvimento do país.
   c. Nascerá no futuro uma nova nação.
   d. Seguem em anexo todos os documentos solicitados.
   e. Registraram-se na delegacia todas as ocorrências.
   f. Durante todo o julgamento, comentou-se sobre a decisão corajosa do advogado.
   g. Estiveram presentes no tribunal juízes e advogados.
   h. É preciso muita cautela nesse momento delicado.
   i. Faltam provas para o inquérito policial.
   j. Ainda ontem, a CPI solicitou explicações à Justiça Federal.
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     k. Procederam a prisão de Daniel Dantas de Pitta.
     l. Há passagens nebulosas neste inquérito.

Atividade 2
Identifique o sujeito de cada oração nos trechos abaixo:
a.     O STF concedeu liminar garantindo a 17 operadores de telefonia fixa e móvel o direito de
preservar os nomes de seus clientes que foram alvo de escutas telefônicas no ano passado e que
estão em segredo de justiça.
       No mês passado, a CPI dos Grampos na Câmara havia aprovado requerimento ordenando
às operadoras o envio das cópias de decisões judiciais de interceptações em 2007.

b.     Investigação do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil aponta que a maioria das
informações de históricos de contas de celular, vendidas por detetives particulares, sai das próprias
empresas telefônicas.
       Os históricos são usados, sobretudo, em casos de infidelidade e espionagem comercial.
Conclusão parcial indica que as empresas não protegem os dados com as técnicas disponíveis.

c.      Um dia após o emprego das Forças Armadas nas eleições no Rio ser autorizado pelo
Tribunal Superior Eleitorial, o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB), enviou ofício ao
TSE pedindo tropas federais ‗o mais breve possível‘ para atuar na segurança pública durante o
período eleitoral.
        Antes, o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, afirmava não ver necessidade de uso do
Exército, apesar das denúncias de que candidatos e jornalistas são impedidos de circular em
favelas devido a ameaças de traficantes.

Atividade 3
Coloque sujeitos nas lacunas:

No interior de SP, presas usam vinagre em fuga
        _______________________ usou vinagre para dominar um carcereiro e fugir anteontem à
noite da cadeia de Pradópolis (320 km de São Paulo).
        Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, _____________________ se
preparava para servir o jantar, por volta das 18h39, quando _______________________ lançaram
vinagre em seus olhos.
        _____________________, também conhecido como ácido acético, provoca irritação nos
olhos e dificulta temporariamente a visão.
        Para entregar as marmitas, _____________________ havia aberto o portão que dá aceso às
celas. Além do vinagre, _________________ jogaram um pano sobre a cabeça do carcereiro. Com
o policial desorientado, segundo a secretaria, ______________________ deixaram a cadeia pela
porta da frente.
        ___________________________ foram recapturadas logo após deixarem a cadeia, ainda
na zona urbana de Pradópolis – cidade de 15.170 habitantes. _______________________ seguia
foragida ontem à noite.
        ___________________________ tem capacidade para 24 presas, mas abrigava 62 no
momento da fuga.

Atividade 4
Retire o sujeito, quando for desnecessário.
a. Eu pretendo ser excelente advogado. Eu não serei como alguns daqueles que se vendem à elite e
deixam de se orientar pelo senso de justiça.

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 b. Se nós não incentivarmos os movimentos de preservação da natureza, nós corremos o risco de
deixar para as próximas gerações uma herança mortal.
c. Embora as cadeias tenham uma lotação limite, elas estão abarrotadas de detentos.
d. Os advogados digladiavam-se, violentamente no tribunal, por isso eles não perceberam quando
o assistente se aproximou. Ele trazia a prova que faltava.
e. Os advogados de Nardoni disseram que as provas apresentadas ainda são frágeis. Eles insistem
na inocência do casal. Eles sustentam que havia uma terceira pessoa no apartamento.
f. O teatro Cultura Artística foi destruído parcialmente por um incêndio na madrugada de domingo.
Ele apresenta risco de desabamento, segundo o perito Ivo Valentini, do núcleo de engenharia civil
do IC (Instituto de Criminalística). Ontem de manhã, ele vistoriou o prédio, no centro de São
Paulo. Esse prédio havia sido interditado pela Defesa Civil.


O PREDICADO RECEBE TRÊS CLASSIFICAÇÕES: VERBAL, NOMINAL E VERBO-
NOMINAL. SERÁ VERBAL, QUANDO A INFORMAÇÃO FUNDAMENTAL SOBRE O
SUJEITO ESTIVER INSERIDA NO VERBO. SERÁ NOMINAL, QUANDO O VERBO
NÃO CONSEGUIR DEMONSTRAR NENHUMA INFORMAÇÃO SOBRE O SUJEITO,
POIS O ESSENCIAL ESTÁ NO NOME (CARACTERÍSTICA OU ESTADO DO
SUJEITO). O PREDICADO SERÁ VERBO-NOMINAL, QUANDO AS INFORMAÇÕES
FUNDAMENTAIS ESTIVEREM NO VERBO E NO NOME.

Exemplos: O advogado mencionou o nome da testemunha. – Predicado verbal (o advogado
faz algo – mencionar)
            O advogado permaneceu tranqüilo durante toda a audiência. - Predicado
nominal (o advogado não age, manifesta uma qualidade – tranqüilo)
           O advogado mencionou, tranqüilo, o nome da testemunha. – Predicado verbo-
nominal (o advogado agiu – mencionou – e estava de determinada forma – impassível)

Atividade 5
Coloque (PV) para predicado verbal, (PN) para predicado nominal e (PVN) para predicado
verbo-nominal):
a. O juiz chegou atrasado à audiência. (      )
b. As testemunhas deixaram o tribunal exaustos. (         )
c. Consideraram a intervenção do advogado de defesa inoportuna. (          )
d. O juiz suspendeu a audiência. ( )
e. As vítimas tornaram-se agressivas. (     )
f. Caymmi foi um mestre maior das canções necessárias. (         )
g. O ditador paquitanês, Pervez Musharraf, renunciou à Presidência do país, após nove anos no
cargo. (    )
h. O PT foi multado em R$ 1,39 milhão (         ) por omitir valores arrecadados em 2002 a 2005 ( ).
i. O PT apresentou defesa (     ) e o caso está em cobrança administrativa. (      )
j. A Bovespa desceu a seu menor patamar desde setembro de 2007 (           ) e acumula desvalorização
superior a 10% (     ). Ontem, caiu 1,69% (       ) e fechou em 53.326 pontos (      ).

Atividade 6
PRODUÇÃO DE TEXTO: leia o artigo que segue e escreva um parágrafo, posicionando-se
acerca da possibilidade de se condenarem precipitadamente pessoas envolvidas em casos de
grande repercussão.

O silêncio dos inocentes
Carlos Eduardo Lins da Silva
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 (Jornal Folha de S.Paulo, 18/08/2008
        O ENORME poder que se atribui à mídia (mas que ela de fato não tem) de provocar
mudanças na ordem política e social, é subdimensionado onde realmente existe, na esfera da vida
privada.
        Os efeitos sobre a pessoa comum vítima da atenção jornalística podem ser devastadores,
em especial quando ela é acusada de crimes, contravenções ou malfeitorias. A súbita notoriedade
negativa abala o espírito, humilha os familiares, cria desconfianças, atrapalha negócios e
relacionamentos, pode destruir o caráter e até levar ao suicídio, como se viu na semana passada no
episódio do cientista americano suspeito de responsabilidade pelos ataques com antraz em 2001.
A presunção de inocência, uma das grandes conquistas da civilização, às vezes cai em baixa por
conta da ansiedade coletiva e catártica de exigir punição imediata a bodes expiatórios.
        E a imprensa várias vezes entra como acelerador de processos que freqüentemente resultam
em injustiças terríveis. Alfred Dreyfus, na França, e quatro anarquistas italianos em Chicago, no
final do século 19, foram injustamente condenados com grande participação de jornais que
insuflavam argumentos políticos do agrado de leitores. Há muitos exemplos recentes: o cientista
Wen Ho Lee, acusado em 1999 de espionagem nos EUA com apoio de amplas e errôneas
reportagens, os pais da garota JonBenet Ramsey, infernizados por suspeitas de a terem matado
veiculadas pelas mídia; muitos dos 218 condenados, vários à morte, que desde 1989 foram
libertados nos EUA graças a exames de DNA.
        No Brasil, são tristemente célebres os episódios da Escola Base, do ex-ministro Alcenir
Guerra, do ex-deputado Ibsen Pinheiro. Outra situação de provável injustiça pode ter ocorrido
contra moradores de uma comunidade naturista no Rio Grande do Sul, acusados de pedofilia.
Aqui, a dependência da imprensa em relação ao Ministério Público e às polícias, mais o desejo de
parte da sociedade em ver punições exemplares, tem levado a conclusões apressadas que, mesmo
quando se confirmam equivocadas, têm conseqüências de difícil reparação.
        Podemos estar diante de outro exemplo desse tipo. O médico Joaquim Ribeiro Filho, cujo
nome nem eu nem a maioria absoluta dos leitores jamais havia ouvido ou lido antes, foi preso em
30 de julho pela PF, sob a acusação de manipular a lista de transplantes de fígado no Rio e desviar
órgãos para fazer cirurgias em clínicas particulares. acusação se refere a apenas dois casos desde
2003. Num deles, o médico foi absolvido por unanimidade pelo Conselho Regional de Medicina;
no outro, o transplante foi feito por meio de ordem judicial, o que não prova que seja inocente.
        A Folha registrou o lado de Ribeiro Filho. Mas poderia ir além do pingue-pongue entre
acusação e defesa. Deveria ver como funciona a fila dos transplantes, checar custos, entrevistar
pacientes do médico, ouvir colegas, investigar as denúncias, recuperar o processo do CRM em que
ele foi absolvido e as investigações feitas no segundo caso, contar a complexa história do jogo de
poder no hospital em que trabalhava. Enfim, fazer jornalismo.


     PREDICADO: COMPLEMENTOS VERBAIS, PREDICATIVO, COMPLEMENTOS
           NOMINAIS, ADJUNTOS ADVERBIAIS, APOSTO E VOCATIVO

COMPLEMENTOS VERBAIS E VERBOS DE LIGAÇÃO: esses elementos estão associados
aos tipos de verbo existentes:
nocionais: indicam processos (ação, acontecimento, fenômeno natrial, desejo, atividade mental) –
exemplos: lutar, advogar, defender, pretender, agir, colaborar. Esses verbos podem ser:

intransitivo: quando o processo que o verbo exprime começa e termina no próprio sujeito –
exemplos: sofrer, cair, levantar, dormir, partir, viajar, desabar.
transitivo direto: quando o processo que o verbo exprime começa no sujeito e transita, de forma
direta, sem preposição, para outro alvo – exemplos: cortar, levar, encorajar, surpreender, abrir,
fechar, contemplar, punir, expulsar, criar.
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transitivo indireto: quando o processo que o verbo exprime começa no sujeito e transita, de forma
indireta, isto é, mediada por uma preposição, para outro alvo – exemplos: pensar, contribuir,
participar, insistir, duvidar, obedecer, concordar.
transitivo direto e indireto: quando o processo que o verbo exprime começa no sujeito e transita
por dois objetos – exemplos: enviar, solicitar, emprestar, informar, declarar,

não-nocionais: exprimem estado, isto é, a declaração que se faz sobre o sujeito relaciona-se a um
determinado estado; são mais conhecidos como verbos de ligação – exemplos: ser, estar,
permanecer, ficar, continuar, tornar-se, parecer)

COMPLEMENTOS NOMINAIS: não são apenas os verbos que são transitivos; há nomes que
manifestam esse mesmo fenômeno – exemplos: fiel, favorável, realização, contribuição,
necessário, temor, receio, admiração, grato, investimentos, tolerante, suspensão. Os elementos que
complementam esses nomes são chamados de complementos nominais.
             Os jurados foram favoráveis ao réu.
             Os brasileiros demonstram tolerância à corrupção.


ADJUNTO ADVERBIAL: é um termo que modifica um verbo, um adjetivo ou um advérbio,
indicando a circunstância em que se desenvolve o processo verbal. Geralmente é representado por
um advérbio ou locução adverbial.

        No Brasil, muitas crianças morrem de fome.
(circ. de lugar)                          (circ. de causa)

         O Presidente, juntamente com os ministros, recepcionaram o Primeiro-Ministro.
                      (circunstância de companhia)

      Um grupo de policiais militares agrediu covardemente várias pessoas em Diadema
na madrugada de ontem.                         (modo)                       (lugar)
(tempo)

Circunstâncias:
Afirmação: Estou realmente preocupado.
Assunto: Falaram sobre política.
Causa: Os homens morrem de fome.
Companhia: Fui ao cinema com meu amigo.
Concessão: Voltaram, apesar do perigo.
Condição: Não saiam sem meu consentimento.
Direção: Apontou para o alto.
Dúvida: Talvez ela volte para mim.
Efeito: Sua atitude redundou em prejuízos.
Exclusão: Todos partiram, menos ela.
Finalidade: Saí a passeio.
Instrumento: Cortou-se com a faca.
Intensidade: Comeu muito.
Lugar: Estive na praia.
Matéria: Vinho se faz com uva.
Meio: Passei a tentar levar o barco pelo leme.
Modo: Correu desesperadamente
Negação: Não concordamos com essa linha de defesa.
Oposição: Votou contra o próprio partido.
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Ordem: Classificou-se em segundo lugar.
Preço: Comprei tudo por dois tostões.
Tempo: Você chegou agora?


APOSTO: termo que amplia, explica, desenvolve ou resume o conteúdo de outro termo.
      A Casa do Menor, instituição ressocializadora de menores infratores, foi completamente
reformulada.
      Sepúlveda Pertence, ministro do STF, pediu aposentadoria ontem.

VOCATIVO: termo que serve para nomear um interlocutor a que se dirige a palavra.
    Senhor Presidente, solicitamos rigor nas investigações.
    Caros jurados, afirmo veementemente que meu cliente é inocente.

Atividade 1
Analise as orações abaixo:
a. Falta seriedade a muitos homens públicos.


b. Aconteceram-lhe fatos surpreeendentes durante a viagem ao nordeste.

c. O país necessita de investimento em educação pública.

d.Vários deputados apresentaram aos colegas propostas de alteração constitucional na sessão de
ontem.

     e. O Banco Central promoveu, na tarde de ontem, intervenção no mercado do dólar.

f.        O governo recusa-se, veementemente, a negociações com os estudantes.

g.        Nunca se está livre de equívocos.

h.        Mata-se impunemente neste país.

i.        Não o julgo tão competente.

j.        A testemunha parecia bastante aflita.


Atividade 2
Classifique os verbos negritados no texto abaixo, indicando seus complementos ou
predicativo, conforme for o caso:

Divórcio simplificado
          É mais do que oportuna a aprovação, por uma comissão especial da Câmara, da proposta de
emenda constitucional (PEC) que facilita a obtenção do divórcio, eliminando os prazos legais de
prévia separação exigidos pela Carta. Pela norma vigente, só podem divorciar-se casais com mais
de um ano de separação judicial ou dois de separação de fato. Se a PEC for mesmo aprovada,
estará aberto o caminho para uma legislação que estabeleça o divórcio imediato.
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          Não faz sentido que duas pessoas, ao decidirem juntas pela separação, tenham de esperar
até dois anos para contrair novas núpcias ou para dissolver uma relação jurídica que deixou de
existir de fato. Haverá ganhos financeiros, pois hoje as partes que optam pela separação judicial
precisam enfrentar dois procedimentos distintos, incorrendo duas vezes em despesas com
advogados e cartórios.
          Também a atolada Justiça brasileira seria aliviada de parte da carga de 251 mil ações de
separação e divórcio que recebe a cada ano. A promulgação, no início do ano, da lei que
simplificou os trâmites processuais da separação foi um passo no mesmo sentido. Quando ela é
consensual e não envolve guarda de filhos, pode ser feita por simples registro em cartório.
          Os prazos de separação prévia foram incluídos na lei como concessão a segmentos
conservadores que se opunham ao divórcio. Passados 30 anos da emenda Nelson Carneiro e 19 da
Carta de 88, mantê-los é um anacronismo injustificável e oneroso.


                                                   PERÍODO COMPOSTO


O período composto pode ser por coordenação ou por subordinação.

ORAÇÕES COORDENADAS
São coordenadas as orações que não desempenham nenhuma função sintática em outra.

Os índices futuros do mercado acionário americano exibiram altas de mais de 2% na noite de
ontem e indicam que a Bolsa de Nova York e a Nasdaq devem abrir em alta hoje.


O Congresso trabalhou pela aprovação da lei, mas não obteve sucesso.


ORAÇÕES SUBORDINADAS
São subordinadas as orações que desempenham função sintática de outra oração.

O governo dos Estados Unidos anunciou ontem um pacote de salvamento de até US$ 200
bilhões para as duas empresas que dominam o setor de crédito imobiliário do país.

É comum nesta fase da campanha eleitoral que os candidatos sejam consultados pelo
governo no caso de uma decisão importante.

Atividade 1
1. Elabore períodos compostos a partir dos pares de orações abaixo (toda e qualquer adaptação
verbal deve ser feita)

a) Algo é imprescindível.
       A advogada comparecerá à audiência.



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c) Algo não é certo.
   Absolvem os corruptos.

d) Sarney não apresenta provas de sua inocência.
   Sarney não assume seus delitos.

e) A vítima falava compulsivamente.
   A vítima emudecia-se.

f) Vamos iniciar a audiência.
   Estamos atrasados.

g) A defesa do casal Hernandez foi competente.
   A pena imputada foi a mínima.

h) A defesa do casal Hernandez foi competente.
  A defesa do casal Hernandez deixou máculas no currículo do advogado.

i) A funcionária mentiu em seu depoimento.
   O advogado solicitou a impugnação do depoimento da funcionária.

j) O homem criou a máquina para algo.
   A máquina facilita a vida do homem.
    A máquina não correspondeu a essa expectativa.

k) A velha senhora estava com medo de algo.
    O ladrão voltaria naquela noite.

l) O advogado convenceu a testemunha de algo.
   Nada de mal aconteceria à testemunha.

m) Falta demonstrar algo.
   A democracia é capaz de algo.
   A democracia permite algo.
As massas de marginalizados melhoram de vida.

n) O país descobriu algo.
  O país tem velhos.
   O país lembrou-se de algo.
   O país havia esquecido os velhos em depósitos absurdos, às vezes fétidos.

o) Já se afirmou algo.
   Há pilantragem nas clínicas de idosos.
   Faltou dizer o principal.
   Há descaso abjeto do Brasil por seus velhos.

p) Seria discutível algo.
   Dizem algo.
   Os maiores criminosos deste país estão no presídio.



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                                               ORAÇÕES COORDENADAS

A oração coordenada pode ser assindética – sem conjunção - e sindética – com conjunção.

Sindética
1. Aditivas: idéias que se complementam (e, nem – erro em e nem – não só como também)
    Fizemos um estudo da questão. / Propusemos algumas soluções.
    Fizemos um estudo da questão e propusemos algumas soluções.

     Não se discutiu o assunto. / Não se tomou nenhuma providência.
     Não se discutiu o assunto nem se tomou qualquer providência.

Fizemos um estudo da questão. / Chegamos a propor soluções.
Não só fizemos um estudo da questão, mas (também) chegamos a propor soluções.

2. Adversativas: idéias que se opõem (mas, porém, todavia, no entanto, entretanto, no
entanto, não obstante)
   Muito já foi prometido. / Pouco efetivamente foi feito.
   Muito já foi prometido, mas pouco efetivamente foi feito.

O Brasil é um país de grandes potenciais. / Sua má administração tem produzido apenas contrastes
sociais gritantes.
O Brasil é um país de grandes potenciais, sua má administração, porém, tem produzido apenas
contrastes sociais gritantes.

3. Alternativas: fatos que se alternam ou que se excluem mutuamente (ou, ora... ora..., já...
já..., quer... quer....)

Tome uma atitude agora. / Assuma sua incapacidade.
Tome uma atitude agora ou assuma sua incapacidade.

Ele age com polidez. / Ele trata a todos com extrema vulgaridade.
Ora age com polidez, ora trata a todos com extrema vulgaridade.

Você aceita. / Você nega. / Ela já age. / Ela domina a situação
Quer você aceite, quer você negue, ela já age como quem domina a situação.

4. Conclusivas: exprimem uma conclusão ou conseqüência lógica obtida a partir dos fatos ou
conceitos expressos na oração anterior (logo, portanto, então, assim, por isso, por
conseguinte, de modo que, em vista disso)

Saúde e educação são áreas sociais básicas. / Saúde e educação devem ser priorizadas.
Saúde e educação são áreas sociais básicas, logo devem ser priorizadas.
Trata-se de um caso comprovado de abuso de poder econômico. / Os responsáveis do caso devem
ser punidos.
Trata-se de um caso comprovado de abuso de poder econômico, seus responsáveis devem ser
punidos, portanto.

5. Explicativas (que, porque, pois)
   Não o incomodemos. / Ele precisa descansar.
Não o incomodemos, pois ele precisa descansar.
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OBS.: Não confundir explicação com causa. Uma explicação é o fato que justifica um fato
anterior,); uma causa (o que provoca um fato) é anterior à conseqüência que dela resulta.
Choveu, porque as ruas estão molhadas.
As ruas estão molhadas porque choveu.
As ruas foram alagadas porque o rio transbordou.

Pontuação
1. Separam-se por vírgula as orações coordenadas assindéticas e as orações coordenadas sindéticas
introduzidas por conjunções diferentes de e:
2. Separam-se por ponto e vírgula e por vírgula as conjunções que forem deslocadas do início da
oração sindética
Têm se apontado muitas razões para o subdesenvolvimento do país; nunca, porém, se fala em
manutenção de privilégios.
Privilégios continuam existindo; o país, portanto, prosseguirá em sua trajetória descendente.
3. O ponto-e-vírgula permite organizar blocos de orações coordenadas que estabelecem contraste:
Uns avançam os sinais vermelhos, oprimem os pedestres nas faixas de segurança, estacionam em
fila dupla e ostentam suas poses de bons cidadãos; outros nascem na miséria, crescem nas ruas,
vendem gomas de mascar nos semáforos e acabam recebendo destaque nas reportagens policiais.
e. O ponto-e-vírgula é usado em orações assindéticas com valor adversativo ou conclusivo.
Tentei demove-los daquela intenção; ninguém quis me ouvir.
A vida é frágil; deve-se levá-la com sensibilidade.

Atividade 1
Una as frases numa só oração, estabelecendo entre elas as relações adequadas.
a. Nesta terra de fartura há muitos pobres. Algo está errado.


b. A colheita baterá recordes. Muita gente passará fome.

c. Invista em si mesmo desde já. Poderá enfrentar dificuldades mais tarde.

d. A questão é séria. O candidato se recusa a discutir a questão.

f. Levantou-se da cama. Caminhou cuidadosamente no escuro. Alcançou a janela. Abriu a janela.

i. O advogado empenhou-se. Não conseguiu superar o adversário.

Atividade 2
Identifique as orações coordenadas:

     1. Ele não me agradece, nem eu lhe dou tempo.

     2. Ora lia, ora fingia ler para impressionar aos demais passageiros.

     3. Vamos comer, Açucena, que estou morrendo de fome.

     4. A igreja também era velha, porém não tinha o mesmo prestígio.

     5. Dorme cá, pois quero mostrar-lhe as minhas fazendas.

     6. Não foi isso que lhe pedi, portanto refaça o trabalho.
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     7. ‗Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa.‘

     8. O time venceu, por isso está classificado.

     9. ‗A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um
        fartum acre de sabão ordinário‘.

     10. O homem criou a máquina para facilitar sua vida, contudo ela não correspondeu a essa
         expectativa.


                        ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS SUBJETIVAS: quando a oração assume a
função de sujeito.
É importante a leitura de ‗a revolução dos bichos‘ (período simples).
É importante que você leia „a revolução dos bichos‟.
É importante ler „a revolução dos bichos‟

É preciso que se adotem providências eficazes contra a recessão.

Está provado que soluções mágicas não funcionam.

Consta que ninguém se interessou pelo cargo.

ORAÇÕES SUBORDINADAS OBJETIVAS DIRETAS: quando a oração assume a função
de objeto direto.
Todos concordam com a sua eleição (período simples).
Todos concordam com que você se eleja.

Ninguém sabe se ele aceitará a proposta.

Deixem que eu descanse.

Mandei que eles saíssem.

Ouvi que ele gritava.

ORAÇÕES SUBORDINADAS OBJETIVAS INDIRETAS: quando a oração assume a
função de objeto indireto.
Duvido de que esse prefeito dê prioridade às questões sociais.

Lembre-se de juntar todos os documentos.

Esqueça-se de que todos o condenaram.

Pensei em fazer-lhe uma surpresa.

Insistiu em fazer-nos acreditar nas suas mentiras



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ORAÇÕES SUBORDINADAS COMPLETIVAS NOMINAIS: quando a oração assume a
função de complemento nominal:
Levo a impressão de que já vou tarde.

Quero que ele faça a tradução do que há de mais importante no livro.

A vítima parece favorável a que se contrate um advogado.

A criança demonstrou receio de encontrar seu pai.


ORAÇÕES SUBORDINADAS PREDICATIVAS: quando a oração assume a função de
predicativo do sujeito.
A verdade é que ele não passava de um impostor.

Nossa felicidade será reencontrá-los.


ORAÇÕES SUBORDINADAS APOSITIVAS: quando a oração assume a função de aposto.
Só resta uma possibilidade: que você contrate um advogado.

De você espero apenas uma coisa: que o tire da cadeia.

Pontuação das subordinadas substantivas
   1. Não se separam as orações subordinadas substantivas subjetivas, objetivas diretas e
      indiretas, completivas nominais e predicativas.
   2. As orações subordinadas apositivas devem ser separadas por vírgula ou dois pontos.

Atividade 1
Analise as orações destacadas:

a. O deputado esclarece que não recebeu ligações telefônicas do ministro-chefe da casa civil.

b. Membro mais discreto do senado, ele tem a qualidade de tentar consenso em discussões
graves.

c. Não surpreende constatar que muitos brasileiros ainda imaginam ser possível resolver os
graves problemas do país com promessas demagógicas.

Atividade 2
Identifique as orações subordinadas substantivas:

     1. O grande mal era que só estudava às vésperas do concurso.

     2. Que todos permaneçam sentados é a ordem do chefe.

     3. A velha senhora estava com medo de que o ladrão voltasse naquela noite.

     4. O delegado convenceu o pobre homem de que não haveria nada.



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     5. É desolador verificar que a democracia se tornou um ente mal amado justamente no raro
        momento da história latino-americana em que ela vigora na grande maioria dos países do
        subcontinente.

     6. Falta demonstrar que a democracia é capaz de permitir que as massas de marginalizados
        melhorem de vida.

     7. Seria discutível dizer que os artistas mais expressivos não estão nas galerias de arte da
        cidade.

     8. Um ministro do chamado núcleo duro, numa conversa com jornalista da revista Época
        discorria sobre a teimosia do governo em patrocinar a criação de órgãos como o conselho
        federal do jornalismo e a agência nacional de cinema e audiovisual.

     9. O PT nacional já admite que apoiará a candidatura do senador Sarney.

     10. É recomendável que todos se precavenham desse desastre ecológico.

     11. O presidente fez a declaração de que recorrerá à justiça no caso da injúria.

     12. Informou seus ministros de que não faria mais concessões.

     13. Nosso desejo é que se realize profissionalmente.

     14. Queremos que a lei seja cumprida.


                       ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Não suporto gente mentirosa.
Não suporto gente que mente

É preciso comer alimentos saudáveis.
É preciso comer alimentos que fazem bem à saúde.

As orações subordinadas adjetivas equivalem a um adjetivo, pois especificam ou explicam um
termo anterior. Podem ser desenvolvidas, quando introduzidas por pronome relativo, ou reduzidas,
quando não são introduzidas por pronome relativo:

Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

As orações subordinadas adjetivas são classificadas em RESTRITIVAS e EXPLICATIVAS.
Aquelas que restringem o sentido do termo antecedente, individualizando-o são as chamadas
restritivas. Aquelas que ampliam dados sobre o antecedente são explicativas.

Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um homem que passava naquele momento. –
RESTRITIVA

O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente. - EXPLICATIVA
O homem, considerado racional, muitas vezes age animalescamente. EXPLICATIVA
O homem que se considera racional muitas vezes age animalescamente. RESTRITIVA
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O homem considerado racional muitas vezes age animalescamente. RESTRITIVA

O país que não trata a educação como prioridade não pode fazer parte do rol das nações
civilizadas. – RESTRITIVA
O país, que não trata a educação como prioridade, não pode fazer parte do rol das nações
civilizadas. – EXPLICATIVA.
Os homens cujos princípios não são sólidos acabam se corrompendo.
Os homens, cujos princípios não são sólidos, acabam se corrompendo.

Obs.: As orações subordinadas adjetivas vêm entre vírgulas.
 1. Junte as frases num só período:
a. O presidente Lula engavetou a reforma ministerial./ O presidente Lula recebeu um ultimato do
presidente da Câmara.
b. Os pais já não sabem o que fazer. / Os filhos dos pais insistem em desrespeitar as regras sociais.
c. Refiro-me ao jurista. Todos confiam no bom senso do jurista.
d. Recebi os processos. Retirei estas informações do processo.
e. O julgamento foi suspenso. O julgamento estava marcado para as 16 horas. O atraso dos
litigantes provocou a suspensão do julgamento.
f. Entrei na sala de audiência. O processo contra o deputado foi apreciado pelo juiz na sala de
audiência.
g. O comportamento das pessoas é muito influenciado pela televisão. Os programas de televisão
quase nunca são educativos.
h. Nós nos encontramos no fórum. No andar térreo do fórum fica a 1ª Vara de Família.
i. O futuro bacharel em Ciências Jurídicas tem merecido nosso apoio. Nós nos preocupamos com o
futuro dele.
j. Seu posicionamento é de fato polêmico. / Poucos concordam com o seu posicionamento.

k. As teses já foram discutidas e rediscutidas. / Ninguém tem dúvidas sobre as teses.

l. A causa já está superada. / Você lutou pela causa por toda sua vida.

2. Desmembre as orações dos períodos:
a. Está comprovada a participação dos policiais, cujos nomes tinham sido encontrados na agenda
do traficante.
b. Os jogadores, de quem se esperava no mínimo amor à camisa, simplesmente andaram em
campo, mas juiz e técnicos nada fizeram.
c. A Cetesb enviará fiscais às cidades do litoral, onde a poluição das praias é alarmante, por isso a
população pode ficar mais tranqüila.
d. A Eletropaulo, que é uma empresa séria, cortou a energia de cerca de 40 prédios da prefeitura de
São Paulo e disse que não a religará até o pagamento das dívidas.
e. O ministro do TCU afirmou que deve dar parecer contrário à representação do Ministério
Público Federal, feita com base em reportagens da Folha, que pede a exoneração de parentes de
deputados contratados sem concurso pela Câmara.
f. O procurador-geral da República deu ao ministro da Previdência 20 dias para se explicar sobre
empréstimos do Banco da Amazônia e do Banco do Brasil à Frangonorte, da qual ele foi sócio de
1994 a 96.
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g. Os EUA concordaram com que o Brasil, que não assinou acordo com o FMI, buscasse outras
alternativas, mas avisou que o tempo para isso será restrito.
h. Os policiais ameaçaram o homem que tentou um motim de que o colocariam em presídio de
segurança máxima.
i. A tradução de que lhe falei ficou perfeita, portanto foi prontamente aceita pelo editor com o qual
trabalho.
j. A questão é uma só: devemos obedecer às regras que nos impuseram.

3. Corrija as inadequações no uso do pronome relativo „onde‟:
a. Foram momentos felizes onde jamais esquecerei.
b. O advogado apresentou esse texto precário onde não teve condições de dedicar-se
completamente a ele.
c. O inquérito onde constam os nomes dos suspeitos não foi divulgado à imprensa.
d. A religião onde todos procuram uma resposta para a existência está perdendo poder diante do
capitalismo.
e. O prazo de entrega do trabalho já está encerrado onde não é possível receber mais nenhum.
f. Esse processo, onde foram identificados vários equívocos, será reavaliado.

4. Corrija as inadequações no uso do pronome mesmo/mesma:
a. O artigo foi publicado no jornal Folha de S.Paulo. O mesmo traz interessantes posicionamentos.
b. Instauraram o inquérito. No mesmo consta a possibilidade de assassinato.
c. Enquanto o advogado atinha-se à elaboração da defesa, o mesmo não recebeu ninguém.
d.. A população não perdoou ao crime, pois consideraram o mesmo hediondo.
e. Quando a repórter fez a matéria, durante sua estada em Vancouver, a mesma não acreditou nos
dados coletados.




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