renascimento ou classicismo 3 soniamar - PowerPoint
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O RENASCIMENTO OU CLASSICISMO • O movimento renascentista teve origem na Itália, século XIV. O desenvolvimento do comércio e das cidades fez nascer um espírito de otimismo, de confiança no homem (antropocentrismo) e no futuro, que se contrapõe ao teocentrismo e à cultura clerical da idade média. • Renascimento é o movimento cultural que, em sua grande diversidade de manifestações, conflitantes, às vezes, concretiza historicamente essa nova mentalidade, é a assimilação da cultura greco-latina, promovida pelos humanistas. • O classicismo surgiu durante o renascimento na Itália, estendendo-se depois aos demais países da Europa. O século XVI é considerado o período áureo da arte e particularmente da literatura do reinado de D. Manuel temos a produção de Luis de Camões, expressão máxima do renascimento. A FILOSOFIA NA RENASCENÇA Dentre os filósofos da renascença, destacam-se 2 nomes: Maquiavel (1469-1527), filósofo eminentemente político, que escreveu: “ todos os escritores que trataram de política concordam em dizer que quem quiser fundar um Estado e proporcionar-lhe leis deve supor de antemão os homens malvados e sempre pronto a mostrar sua malvadeza todas as vezes que tiverem oportunidade”. E Erasmo de Roterdã que, apesar de não ser um filósofo no sentido clássico da palavra, foi um pensador cujas idéias marcaram época. O RENASCIMENTO EM PORTUGAL • Inicia-se em 1527, quando Francisco de Sá de Miranda, retornando de uma viagem na Itália, empreende a divulgação do classicismo – o dolce stilo nuovo. A data convencional para o término do movimento é o ano de 1580 quando Portugal passa ao domínio espanhol. • O dolce stilo nuovo – com concepção da arte como imitação do mundo e da vida, Sá Miranda e seus discípulos introduziram em Portugal as novas formas literárias criadas ou revitalizadas pelos renascentistas italianos. Entre elas o soneto e também na métrica (5 e 7 sílabas) para a medida novo (10 sílabas) . • O movimento histórico vivido pela Dinastia de Avis (centralização do poder, as grandes navegações, o comércio) é propício aos novos ventos que sopram da Itália. No final do século XV (1487) é introduzida a imprensa em Portugal, o que possibilita a divulgação de obras de autores humanistas italianos como Dante Alighieri, Francisco Petrarca e Giovanni Boccaccio. PRINCIPAIS FORMAS POÉTICAS RENASCENTISTAS a) Formas Fixas Soneto: 2 quartetos e 2 tercetos Sextina: seis sextilhas e um terceto final Oitavas: estrofes de 8 versos com rimas ABABABCC b) Formas Livres Écloga: tema pastoril e campestre (dialogada) Elegia: poema em tom triste, fúnebre de caráter solene. Ode: cunho festivo e triunfal. MEDIDA NOVA: VERSOS DECASSÍLABOS Os versos decassílabos clássicos podem ser: • Heróico: com acento obrigatório (cesura) na 6ª e 10ª sílabas. 6 10 Eu/ can/ta/rei/ de /a/mor/tão/do/ce/men/te • Sábico: com cesuras na 4ª, 8ª e 10ª 4 tam/bém, se/nho/ras, do / des/pre/zo ho/nes/to 8 10 CARACTERISTICAS DO CLASSICISMO • Retomada da mitologia pagã e da perfeição estética marcada pela pureza das formas. Acreditamos que os antigos gregos e romanos eram detentores dos ideais de beleza. Dessa forma Platão, Homero, Virgílio servem de modelo. • Nas formas poéticas utilizaram o soneto, a ode, a elegia, a écloga e a epopéia, esta última seguindo os modelos de Homero(Ilíada e Odisséias) e Virgílio (Eneida). • Quanto a métrica, versos decassílabos. • Temas: reflexão moral, filosofia, política além de um lirismo amoroso. • Além dessas o equilíbrio, a impessoalidade, o universalismo, o racionalismo e os valores idéias. CARACTERÍSTICAS DO CLASSICISMO O ideal de perfeição e equilíbrio estético do classicismo renascentista em nenhum momento se impôs de modo absoluto. No âmbito das artes, características medievais sobreviveram durante todo o período. Em sua última fase – o MANEIRISMO – o renascimento já antecipa características do Barroco. O homem renascentista procurou entender a harmonia do universo; suas noções de beleza, bem e verdade estavam associadas ao equilíbrio entre a razão e a emoção. Os poetas também recorriam as entidades mitológicas para pedir inspiração, simbolizar emoções, exemplificar comportamentos. Pastores, deuses, ninfas comparecem a literatura renascentista de forma natural, convivendo com as tradições cristas, herdadas da época medieval. A ARTE LITERÁRIA DO RENASCIMENTO • Sá de Miranda: introduziu a chamada “medida nova” renascentista: versos decassílabos, soneto, oitava rima. • Antônio Ferreira: autor de muitos sonetos, notabilizou-se pela tragédia A CASTRO (baseado no caso amoroso entre Inês de Castro e D. Pedro I), escrito, em versos à moda grega. • Bernadim Ribeiro: além de poeta, autor da novela Menina e Moça em que analisa a alma humana dominada pelo amor. • Camões: mais importante poeta do Classicismo português. LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524 (?) – 1580) • Considerado o maior poeta lírico português; • Sua poesia lírica é marcada pela dualidade / ora textos tradicionais, ora textos enquadrados no estilo novo do renascimento. • O amor: um dos temas mais ricos da lírica camoniana. Ele canta um amor terreno, carnal, erótico (é o culto a Vênus, que aparece em várias poesias líricas); • O desconcerto do mundo: tema que mais perturbou o poeta português, poemas sobre injustiças, recompensa aos maus e castigo aos bons; sobre a ambição e a inútil tentativa de guardar bens que acabam no nada, enfim sobre o conflito violento entre o ser e o dever ser. CAMÕES LÍRICO “Para tão longo amor tão curta a vida” • Legou-nos uma poesia lírica de primeira grandeza. Considerado um dos maiores poetas líricos da literatura universal. • No gênero lírico escreveu: redondilhas maior e menor; canções (gênero de difícil definição), elegias (tom triste), odes (poemas feitos para declamação), oitavas (8 versos em cada estrofe), éclogas (tom pastoril) e sonetos. • A parte mais representativa da poesia lírica camoniana são os seus sonetos – todos decassílabos – em que apresenta um verdadeiro ideário do amor. CAMÕES LÍRICO AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER Amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; SETE ANOS DE PASTOR JACÓ SERVIA Sete anos de pastor Jacó servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, E a ela só por prêmio pretendia. Os dias, na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Lhe fora assim negada a sua pastora, Como se a não tivera merecida, Começa de servir outros sete anos, Dizendo: - Mais servira, se não fora Para tão longo amor tão curta a vida! Camões ora tenta definir o amor por meio do uso de antíteses para marcar o aspecto contraditório desse sentimento; ou utiliza um tema bíblico para elevar a natureza do amor. CAMÕES ÉPICO Os LUSÍADAS são uma das principais obras literárias do renascimento europeu. Não deixa de ser irônico que o poema destinado a imortalizar os grandes feitos do povo português e a celebrar o período de maior glória da nação tenha sido publicado em 1572, apenas 8 anos antes de Portugal perder sua independência, passando ao domínio espanhol. Camões segue modelos clássicos de Homero (Ilíada e Odisséia) e, sobretudo de Virgílio (Eneida), mas como epopéia renascentista seu poema reflete perfeitamente os ideais, a mentalidade e as contradições do Séc. XVI. CAMÕES – CARACTERÍSTICAS FORMAIS OS LUSÍADAS • Métrica: Versos decassílabos heróicos – 8.816 versos • Estrofação: estrofes de oitavos rima (8 versos) 1.102 estrofes • Rima: Seguem sempre o esquema ABA BAB CC • Cantor: Dez cantos de extensão, regular. CAMÕES – CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS OS LUSÍADAS Assunto: a história de Portugal e os grandes feitos de seu povo. Núcleo da narração: a viagem empreendida em 1497 por Vasco da Gama às Índias. Herói: Os Lusíadas celebram um herói coletivo. Vasco da Gama é o símbolo e o porta-voz do verdadeiro herói do poema – o povo português. CAMÕES – CARACTERÍSTICA DA ESTRUTURA OS LUSÍADAS I – Introdução (estrofes 1 a 18 do Canto 1) a) PROPOSIÇÃO – O poete anuncia o assunto do seu canto épico: os grandes feitos dos heróis portugueses. (estrofes 1 a 3) b) INVOCAÇÃO – Os poetas clássicos invocavam as musas pedindo inspiração. Camões pede inspiração as tágides ( ninfas do tejo) – estrofes 4 e 5. c) DEDICATÓRIA: O poema é dedicado a D. Sebastião – rei de Portugal. (estrofes 6 a 18) CAMÕES – CARACTERÍSTICA DA ESTRUURA OS LUSÍADAS II – NARRAÇÃO: (estrofe 19 do canto 1 a estrofe 144 do canto 10), ou seja da (estrofe 19 a 1045) A partir da estrofe 19, Vasco da Gama narra todos os problemas e bons momentos pelos quais passaram para chegar às Índias. CAMÕES – CARACTERÍSTICA DA ESTRUTURA OS LUSÍADAS III – EPÍLOGO (estrofes 145 a 146 do canto 10) Contém o fecho dramático a respeito da cobiça e o episódio da Ilha dos Amores. (estrofes 1046 a 1102). Aqui, Camões abandona o tom heróico do poema, passando a lamentar a situação a que chegara a Portugal após o período mais grandioso de sua história. CAMÕES – ENREDO – OS LUSÍADAS Enredo Canto I – Inicia-se a narração com a armada de Vasco da Gama já a caminho de Moçambique. Ocorre,no Olimpo, o Concílio dos deuses, que julgarão o destino das naus portuguesas: Baco é contra a viagem; Vênus e Marte são a favor. Marte propõe que Mercúrio guie os portugueses. Baco instrui o rei de Moçambique contra os navegantes, mas Vasco da Gama prossegue até Mombaça (o Quênia). Canto II – Baco continua as suas manobras, instigando os mouros contra os lusitanos. Vênus intercede junto a júpiter, que prevê glória aos portugueses. Mercúrio, em sonho, aconselha Vasco da Gama a ir para Melinde. Lá, o navegante começa a contar ao rei a história de Portugal. Canto III – Fazem parte do relato ao monarca de Melinde o episódio de Egas Moniz, o da batalha do Salado e o de Inês de Castro. Canto IV – Prossegue a história de Portugal, estando em foco as ascensão do Mestre de Avis e o episódio do Velho do Restelo: um ancião que aparece na praia do Restelo, advertindo os portugueses sobre os perigos provocados pela vaidade e desejo de fama. Canto V – Vasco da Gama prossegue narrando ao rei de Melinde sobre como navegou perigosamente pela costa africana. Em foco, o Fogo de Santelmo, a tromba marítima (tempestade) e o episódio do Gigante Adamastor, figura mística que personifica o Cabo das Tormentas, mais tarde chamado de Cabo da Boa Esperança. Canto VI – A frota deixa Melinde com um guia que a conduz ás Índias. Baco pede ajuda a Netuno, deus do mar, contra os portugueses. Éolo (deus dos ventos) desencadeia uma tempestade, mas Vênus intervém e manda as ninfas seduzirem os ventos. A esquadra chega a Calicute (Índia). Canto VII – Descrição da Índia. Desembarque e entrevista com o Samorim (rei hindu). O catual (regedor) visita a frota e pede a Paulo da Gama que explique o significado das bandeiras. Canto VIII – Explicação detalhada de Paulo da Gama sobre os grandes vultos de Portugal. Baco, em sonho, instrui um sacerdote muçulmano contra os portugueses. Vasco da Gama é preso e trocado por mercadorias. Canto IX – Os catuais tentam retardar a volta da frota, mas a armada parte. Vênus resolve compensar os lusitanos e ordena ao Cupido e à Fama que preparem a ilha dos amores para recebê-los. As ninfas lá se instalam e Tétis, deusa dos oceanos recepciona os portugueses. Canto X – Banquete no palácio de Tetis, que apresenta a Vasco da Gama a “Máquina do Mundo” – a descrição do Universo e da Terra. OS LUSÍADAS – PRINCIPAIS EPISÓDIOS INÊS DE CASTRO Nesse episódio (canto III), conta a história de Inês de Castro, amante de D. Pedro I (rei português – Séc. XIV), assassinada em 1355. Vasco conta ao rei de Melinde uma das mais esplêndidas passagens dessa epopéia, o amor trágico de ambos. O VELHO DO RESTELO Na praia do Restelo (saída da esquadra) uma multidão de mães e esposas surge para se despedirem dos nautas que vão partir a procura do caminho para as Índias. Suas vezes protestam contra os perigos. Dentre esses protestos um se destaca: a de um velho maltrapilho de aspecto impressionante, que faz um discurso contra as aventuras marítimas, predizendo resultados desastrosas e a decadência da pátria (canto IV). OS LUSIADAS – PRINCIPAIS EPISÓDIOS O GIGANTE ADAMASTOR Quando a esquadra chega ao Cabo da Boa Esperança, extremo sul da África, o céu escurece num anúncio de tempestade. Surge então um ser “De disforme e grandíssima estatura / o rosto carregado a barba esquálida / os olhos encovados, e a postura / Medonha e má e a cor terrena e pálida / cheios de terra e crespos os cabelos / A boca negra, os dentes amarelos”, era o Gigante Adamastor, que na obra simboliza os perigos do Mar. Episódio de grande força lírica e impregnado de sentidos simbólicos. O gigante Adamastor, que segundo o mito, foi transformado em rochedo como castigo por seu amor pela ninja Tétis, é identificado com o Cabo das Tormentas no sul da África. (canto V) CONCLUINDO Os séculos XV e XVI foram pródigos em realizações. O desenvolvimento científico caminhava a passos largos, os avanços tecnológico chegavam à náutica e possibilitaram a expansão marítima que iria redimensionar as nações de mundo vigentes até então. Em 1492, a América estava descoberta, em 1498, o caminho para as Índias e, em 1500 Cabral chegou ao Brasil. A Itália foi o primeiro país a assimilar as mudanças que só seriam disseminadas cerca de cem anos depois pelo restante dos países europeus. Por isso dizemos que a Itália foi o berço do Renascimento, tendo Florença como grande pólo de emanação dessa estética revolucionária. JBC / 2007 SSS
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