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CRISTO BRAHMA OXALÁ JEOVAH ... E OUTROS

ALÁ KRISHNA ELOHIM

CONFÚCIO BUDA J. SMITH M. OKADA C. RUSSEL H. BLAVATSKY M. TANIGUCHI S. M. MOON ...E OUTROS

DEUS, AS RELIGIÕES E O UNIVERSO
Laurindo Toretta

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Homenagens:

A Nilda Barile Toretta, minha primeira esposa, por ter conseguido, através da leitura, um profundo conhecimento de literatura universal. Também à minha filha, Marise, e aos meus netos, Audrey e Daniel. A Irene Maria Grigoletto, minha companheira de quase quarenta anos, pelo estímulo que sempre me deu na preparação dêste Livro, e por sua colaboração. Também aos meus filhos, Laerte, Renato e Marcelo, e aos meus netos, Murilo, Lucas e Caique.

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Prefácio
Sempre me preocupou o fato de o homem viver neste mundo sem conhecer a estrutura do próprio mundo. Levado mais pelas religiões do que pela escolaridade, êle apenas repete que o mundo foi criado por um Deus, a quem deve sempre venerar como Pai. Em geral, o homem não faz pesquisas para assegurar-se de que tais afirmações, recebidas mais através de sua família, realmente representem a verdade. Por isso, foi necessário analisar todas as religiões, de forma imparcial, mas também toda a filosofia, em busca das conclusões dos mais eminentes pensadores sôbre êsses temas. Assim, na condição de um simples estudioso, confrontei estudos e cheguei à minha própria conclusão. O Livro revelará, com fundamento em seus três capítulos, a verdade incontestável sôbre Deus, As Religiões, o Universo e o próprio Homem. A linguagem é simples, mas a conclusão com certeza há de ser surpreendente, porque a análise levou também em conta premissas raramente mencionadas pelas igrejas, por colidirem, em seus efeitos, com certas “verdades” largamente difundidas, o que prejudicaria certos interêsses.

O Autor

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DEUS, AS RELIGIÕES E O UNIVERSO
INDICE
I INTRODUÇÃO GERAL....................................................................... 7

TITULO I AS RELIGIÕES
II III HISTÓRICO DAS RELIGIÕES ........................................................... RELIGIÕES DOS BÁRBAROS Os Celtas / Os Vickings / Os Assírios e Babilônios) ............................. RELIGIÕES PRIMITIVAS Egito antigo / Persia (Irã-Iraque) / Japão antigo................................... Grécia antiga / Roma antiga . ................................................................ RELIGIÕES NA CHINA Confucionismo / Taoismo........................................................................ RELIGIÕES NA ÍNDIA Os Vedas / Hinduismo / Budismo .......................................................... RELIGIÕES MONOTEISTAS Judaismo / Cristianismo / Islamismo ...................................................... O CATOLICISMO CRISTÃO Apostólico Romano / Carismático / Brasileiro....................................... Ortodoxo Oriental) ................................................................................... O PROTESTANTISMO CRISTÃO Luteranismo / Anglicanismo / Presbiterianismo / Batista ................... Metodista / Adventistas / Assembléia de Deus / Congregação Cristã... Universal do Reino de Deus / Internacional da Graça ......................... Exército da Salvação / Rrenascer / Evangelho Quadrangular.............. Sara Nossa Terra / Outras seitas ...................................................../.... ESPIRITISMO CRISTÃO (Kardecismo)............................................... Candomblé / Umbanda / Quimbanda / Macumba................................... RELIGIÕES NÃO CRISTÃS OU MISTAS Perfect Liberty /Bahaismo / Mormonismo................................................ Testemunhas de Jeová / Seicho-No-Iê / Moonismo .................................. Hare krishna / Messiânica / Legião da Boa Vontade ............................... 9

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IV

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V

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VI

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VII

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VIII

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IX

37 39 42 44 45 47 49

X

XI

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XII

O ESOTERISMO (ORG.NÃO RELIGIOSAS) Maçonaria / Rosacrucionismo / Teosofia.................................................. Xamanismo (Wicca) / Nova Era / Grande Fraternidade Branca ......... Reiki / Feng/Chui / Falum Gong / Outras...............................................

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XIII AS RELIGIÕES NO MUNDO ATUAL .................................................. XIV AS RELIGIÕES E AS CIÊNCIAS ...........................................................

TÍTULO II OS PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
XV HISTÓRICO DA FILOSOFIA Formação dos grupos sociais ................................................................... Primórdios da filosofia (oriental) ............................................................ Filosofia grega (ocidental) .......................................................................... XVI FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS Tales / Anaximandro / Amnaxímenes / Pitágoras................................... Heráclito / Xenófanes / Parmenides ......................................................... Anaxágoras / Empédocles / Demócrito .................................................. Os sofistas (Protágoras).............................................................................. XVII PERÍODO SOCRÁTICO Sócrates / Platão / Aristóteles ................................................................ XVIII HELENISMO Ceticismo / Epicurismo / Estóicismo (Zenão) ........................................ O direito romano / Patrística ................................................................... Plotino (Neo-platonismo) / Santo Agostinho............................................ XIX IDADE MÉDIA Escolástica / Sto.Tomaz de Aquino ........................................................ XX IDADE MODERNA Renascimento (Humanismo)....................................................................... Nicolau de Cuza / Giordano Bruno .......................................................... Galileu Galilei / Nicolau Copérnico ................................................,........ A Reforma (Lutero / Calvino)................................................................... A Contra-Reforma (Inácio de Loyola)...................................................... Empirismo (Francis Bacon / Thomas Hobbes)....................................... Locke / Hume ......................................................................................... Racionalismo (Período barroco / Descartes / Pascal).............................. Panteismo (Espinoza)................................................................................. Iluminismo (Isaac Newton / Condillac / Vico e outros).......................... 77 77 78

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89 89 91

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94 95 95 96 97 97 98 99 101 102

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. XXI IDADE CONTEMPORÂNEA (Kant)............................................. Idealismo (Hegel / Schopenhauer)................................................... Positivismo (A.Comte / Adam Smith / Stuart Mill / Spencer)....... Feuerbach / Karl Marx .................................................................... 104 105 107 107 111 111 112 114

XXII FILOSOFIA DO SÉCULO XX (Bergsom)............... ..................... Existencialismo (Kirkegaard / Nietzche / Sartre)............................ Filosofia racional (Naturalismo – Darwin / Psicanálise – Freud)... Filosofia da Religião ..........................................................................

TITULO III O UNIVERSO, DEUS E OS FENÔMENOS METAFÍSICOS
XXIII INTRODUÇÃO ........................................................................ XXIV EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO RELIGIOSO.................. XXV EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO FILOSÓFICO............... 116 118 124 129 132 136 140 144 145 148 152 153 156 156 160 170 174 176

XXVI A NATUREZA........................................................................... XXVII A ENERGIA CÓSMICA ......................................................... XXVIII A ESSÊNCIA VITAL................................................................ XXIX A MENTE HUMANA (A felicidade / Características).......... A Personalidade / As Necessidades humanas........................ O Sub-consciente / As Emoções ..............................................

XXX A RACIONALIDADE HUMANA (A Imaginação/O Raciocínio) XXXI AS MARAVILHAS DO MUNDO............................................ XXXII PENSAMENTOS RELIGIOSOS E FILOSÓFICOS............. XXXIII A EXISTÊNCIA DE DEUS )Oração ecumênica) .................. A fé religiosa / Utilidade indireta das religiões .................... Deus existe? Transcendência / Imanência (Panteismo).......... XXXIV XXXV OS FENÔMENOS METAFÍSICOS (A intuição)................... CÓDIGO DE CONDUTA DO SÊR HUMANO...................... POSTFACIO / BIBLIOGRAFIA / 4ª PÁG.DA CAPA ........

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DEUS, AS RELIGIÕES E O UNIVERSO
CAPÍTULO I INTRODUÇÃO GERAL
Para compreender bem o tema central dêste Livro, será necessária, antes, uma profunda reflexão sôbre as questões defendidas pelas muitas escolas religiosas e filosóficas. Todas elas apresentaram sòmente meias-verdades sôbre o assunto. Por isso, afastemo-nos do simples relato, como posição empírica dos fatos, e analisemos cada uma das manifestações dos pensadores e suas ligações com alguma base lógica dos conhecimentos adquiridos. Só assim, a partir de dados seguros, o homem terá condição de perceber os muitos êrros contidos nas informações recebidas. O assunto é polêmico. Êste estudo, porém, sendo imparcial, com certeza levará no seu bojo argumentos e provas que não serão deturpados por esta ou aquela maneira de pensar. E não se submeterá, jamais, a qualquer uma das correntes, religiosas ou filosóficas. Mais difícil do que penetrar nos temas será mudar a opinião dos leitores sôbre muitos dos dogmas já arraigados em suas mentes. É imprescindível, por isso, que sejam destacados, na fase inicial, os princípios fundamentais de cada doutrina religiosa até agora tidos como sagrados e, por isso mesmo, imutáveis. Antes, ainda, expliquemos a noção geral de Filosofia, a ser comparada na sequência, para melhor entendimento de alguns daqueles temas: “É o estudo genérico da origem e natureza de todas as coisas à nossa volta, a busca dos princípios gerais da existência, da conduta e do destino do ser humano, e, também, o conjunto das doutrinas expostas pelos homens mais sábios que já viveram”. No decorrer dos séculos, todos os grandes pensadores da humanidade, ao criarem os seus conceitos de filosofia, quase sempre partiram de certos dogmas religiosos. Ou de afirmações, então incontestáveis, como “a existência de Deus” e “a criação, por Êle, dêste nosso Mundo”. Se pensamos, se existimos, se fazemos parte do Todo, é também porque Deus assim o quis. Por isso, não é fácil explicar as coisas do Universo, senão partindo dêsse ponto. Falarmos de Deus e do que Êle tenha feito, implica, desde logo, em seguirmos os ensinamentos de uma das religiões. A filosofia, no entanto, é mais pura, mais independente e absolutamente não relacionada a qualquer poder sobrenatural. Raciocinemos: Será que é coerente acreditarmos empìricamente na existência de Deus, na Sua criação do Universo e no Seu atendimento aos nossos pedidos ou orações? Por que nós, como sêres racionais, não questionamos desde logo êsse ponto de partida? Faça Você, leitor, um exame de consciência. Sendo Você um cristão, um muçulmano ou um budista, procure pensar, com firmeza mas sem sofismas, se teria a coragem de ser contrário aos conceitos criados e difundidos por sua religião. Conseguiria afirmar que tudo está errado? Se isto lhe for difícil é porque Você tem na religião, conscientemente, uma espécie de proteção inatacável desde quando lhe transmitiram a idéia de que deveria acreditar em Cristo, em Alá, ou

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Buda, como deuses criadores e salvadores da humanidade. O tempo passou, aquele ensinamento na sua infância se tornou rotineiro e Você nunca parou para pensar na hipótese de uma verdade diferente, ou ao menos para conhecer o motivo dessa necessidade de ter fé. Pelo que Você aprendeu, jamais seria possível, por exemplo, negar a existência de Deus. Você já pensou algum dia em buscar alguma lógica na informação de que Êle esteja alí acima, e que nos protege? A verdade é que quase todos os homens da Terra se submetem a uma religião, aquela que seus pais lhe ensinaram. E, a partir daí, acreditam nela durante a vida inteira, até com medo de contestá-la. Para chegarmos à meta pretendida com esta publicação, que é apresentar uma tese filosófica descompromissada com a existência de Deus, como doutrina pura, é preciso demonstrar e mesmo confrontar as várias correntes de pensamentos. Filósofos, religiosos e políticos sempre estiveram entrelaçados e sempre se digladiaram quanto às idéias. Enquanto a Religião tentava explicar a figura de Deus, suas recompensas e seus castigos, a Filosofia buscava introduzir na mente humana, com fundamentos, a certeza de que Deus ou não existe, ou, se existir, é diferente daquele que sempre se imaginou. Mas a Filosofia não possui o marketing das Religiões. Por isso, no Título II, estaremos mostrando em detalhes cada uma das correntes filosóficas, contendo as explicações de cada mestre sôbre a existência do Homem, do Universo e de Deus. Sabe-se, por outro lado, que as religiões foram criadas pelos seus profetas, desde os tempos da Arca de Noé, através do Velho e do Novo Testamento, para que fizessem parte intrínsica da vida humana. Nas eras mais remotas, principalmente entre as tribos de alguns continentes, se acreditou até que a divindade era o Sol, o Trovão, o Boi, e muitos outros símbolos da natureza. E só depois disso começaram a surgir os deuses, com formas visuais diversas e, mais tarde, alguns com a forma de figura humana. Por volta do século V antes de Cristo surgiu o Judaismo, tendo Moisés como seu maior profeta. E sòmente cêrca de cinco séculos depois de Cristo, com Maomé, teve início o Islamismo. Só por êsse fato já constatamos as épocas diferentes de criação de três das religiões mais atuantes na época atual, com cêrca de 1.000 anos entre a primeira e a última. Mas muitas e muitas outras já foram criadas, ou derivadas (como o Protestantismo por ocasião da Revolução Francesa). E outras ainda haverão de surgir, quem sabe até com novos deuses. No primeiro capítulo serão expostas as diferenças mais sutís entre essas tradicionais religiões do mundo, quanto ao Deus de cada uma, os diferentes aspectos de interpretação, as crenças com suas peculiaridades, os benefícios e os riscos que cada uma pode causar aos seus seguidores etc. Depois disso nos será possível, então, fazer críticas justificadas e, a final, apresentar a conclusão final.

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TÍTULO I AS RELIGIÕES
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CAPÍTULO II HISTÓRICO DAS RELIGIÕES
Nosso mundo existe, segundo os paleontólogos, desde há mais de quinhentos milhões de anos. Ninguém teria condições de registrar quantas civilizações já viveram e desapareceram da face da Terra. Sabe-se apenas que no globo terrestre já conviveram sêres vivos de grandes tamanhos, como os Dinossauros, e convivem ainda sêres minúsculos como os fungos e as bactérias, que sempre existiram. Além disso, em toda a história da humanidade diferentes culturas sempre apresentaram alguma concepção de um mundo sobrenatural, povoado por personagens místicas, como deuses, demônios, feiticeiros, anjos e espíritos. Mas boa parte delas também negou a existência de algum deus ou criador do mundo. O que é Religião? Nada mais do que o conjunto de ensinamentos, ao homem, pelo homem, de doutrinas ou relações teóricas e práticas estabelecidas em razão da necessidade de se entender o significado da natureza, centrada na figura de um ente supremo inatingível pela razão humana. Essas doutrinas compreendem uma boa quantidade de dogmas, com a intenção de mostrar ao homem que ele deve submeter-se, por meio de ritos e orações, e cultuar e respeitar a um poder supremo, quase sempre tido como divindade. O homem, dentre os sentimentos que possui, é portador do medo. E como lhe é impossível ser totalmente feliz, êle sempre imaginou meios de em algum lugar encontrar alento para os seus males, como as doenças, as traições, os infortúnios, a fome, o abandono etc. Vem desse fato a origem, o nascimento das religiões, com a finalidade maior de busca de um remédio ou de um lenitivo para os sofrimentos humanos. Dentro dêsse quadro, se os homens nascem inteligentes e se todas as inteligências são diferentes entre si, aqueles mais sábios ou mais sagazes foram imaginando formas de congregar os demais para passar-lhes a orientação que teria vindo de “um Sêr superior”. Êsses ouvintes, por sua vez, foram passando a outros e às gerações posteriores os “conhecimentos” recebidos, com o mesmo mandamento de que fossem seguidos à risca. Assim, de algumas para outras civilizações, foram sendo criadas e transmitidas muitas religiões, desde as culturas mais primitivas, cada uma delas com formas de expressão e conteudos específicos. Com o tempo, organizaram-se normas próprias de comportamento, contidos em dogmas, ou seja, em normas “incontestáveis”, como, por exemplo: manter o celibato para os padres (Católicos), voltar o corpo para Meca e abaixar-se quase beijando o chão (Muçulmanos), manter a cabeça coberta durante as solenidades (Israelitas), raspar os cabelos (Hare Krishna) etc.

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Aspectos comuns a todas elas, entretanto, é a preocupação com o que há de mais fundamental nos homens: a origem da sua existência, a reprodução das espécies, as angústias da vida, o mistério da morte. Como resposta à fraqueza de seus adeptos, as religiões foram ensinando que, por termos sido criados por Deus assim como somos, até o nosso sofrimento é coisa divina. E justificam: Se não soubermos o que é ruim, como poderemos saber o que seja bom? Com os sofismas, então, impõem uma serie de obrigações aos fieis, como: confessar os pecados e assistir às missas (Católicos), abrir o corpo e receber um espírito (Espiritismo), respeitar a Rainha como Chefe da Igreja na Grã-Bretanha, em lugar do Papa (Anglicanismo), não trabalhar aos sábados (Adventistas), não fazer doações de sangue (Testemunhas de Jeová) etc. Algumas formas religiosas ligaram-se de tal modo à cultura peculiar de alguns povos que suas doutrinas se circunscreveram à historia do próprio povo, como no Judaismo. Outras acompanharam a expansão comercial e militar das civilizações onde surgiram e acabaram se acomodando às novas situações e costumes, modificando dogmas anteriores e criando outros em razão da política. Em nome das religiões já se deflagraram muitas guerras, de proporções as mais variadas, sendo, talvez, a maior delas, a denominada Inquisição ou Santas Cruzadas, que, ao tempo da Idade Média, matavam em nome de Deus. Também é incrível que haja, nestes nossos tempos, alguns govêrnos muçulmanos que mandam fuzilar, em perseguição, os “traidores” do regime imposto e, portanto, da religião imposta. E não nos esqueçamos de que ainda hoje existem violentas guerras entre as religiões, como na Irlanda (Católicos x Protestantes), no Oriente Médio (Judeus x Palestinos), e em Paises do antigo Socialismo Soviético (Rússia x Chechênia). As religiões surgiram com culto a muitos deuses. Sòmente a partir do século VI antes de Cristo é que foram passando a monoteistas. É impossível saber ao certo quantas religiões existem hoje, em todos os paises do mundo. E outras ainda haverão de fundar-se, por ser muito fácil qualquer líder convencer ao povo, na grande maioria de pessoas mais humildes, para que se tornem seguidores. A razão é sempre a mesma: a avidez desses desafortunados em receber alívio para seus males físicos ou morais, tanto mais que as pregações em geral costumam vir acompanhadas de promessas de cura ou de solução ! Por que existem, afinal, tantas religiões no mundo? Por que só parte delas afirma ser o Papa o único representante de Deus na terra? E os Padres, ou Rabinos, ou Xeiques, ou Pastores, estarão certos ao pregarem a Bíblia, a Torá ou a Lei das XII Tábuas como sendo “a palavra de Deus”? Então, por que existe uma infinidade de religiões, cada uma delas afirmando ser verdadeira apenas a sua doutrina e a sua igreja, ou os seus ensinamentos e o seu Deus? Ora, se não existem duas verdades sôbre o mesmo assunto, e se não há provas cabais de que qualquer delas professe a verdade, como poderemos saber se existe uma religião certa? Qual seria ela? Façamos aqui, agora, um pequeno relato daquelas que hoje são as mais conhecidas: Não-Cristãs (Budismo, Judaismo e Islamismo); Cristãs (Catolicismo, Protestantismo e Espiritismo); Não-Cristãs ou Mistas (Mormonismo, Messiânica, Testemunhas de Jeová, Legião da Boa Vontade, Seicho-No-Iê e Hare Krishna). Existem, ainda, outras comunidades aqui chamadas Esotéricas (Maçonaria, Rosacruzes, Wicca ou Xamanismo, Falun Gong, Grande Fraternidade Branca, Reiki etc.).

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Tudo isso sem nos esquecermos daquelas mais antigas, como o Confucionismo e o Taoismo na China, o Xintoismo no Japão, o Hinduismo e o Jainismo na India; e tantas outras que ao longo dos séculos foram disseminadas pela face da Terra. Lembremo-nos, por fim, das milhares de outras igrejas criadas por “qualquer um” em pequenas salas espalhadas por todos os bairros, nas mais das vezes de orientação evangélica e com os mais variados nomes (Quadrangular, Remanescente, Renascer, Universal, Adventistas etc.). Boa parte delas se promovem por estações de rádio ou de televisão. Por isso, nunca teremos condição de saber qual é a melhor, ou a mais perfeita, ou a verdadeira. É forçoso concluirmos que todas elas deixam a desejar. Se analisarmos com profundidade, notaremos que tanto a instituição das religiões como a preparação de cada doutrina não passou de obra exclusiva do homem, que já existia como ser humano desde antes de Moisés, ou Cristo, ou Buda, ou Maomé, e antes mesmo do Novo e do Velho Testamento.

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CAPÍTULO III RELIGIÕES DOS BÁRBAROS:
Antes das religiões tidas como primitivas, já existiram outras, as dos homens chamados bárbaros, até cêrca do século XII a.C.: Os Celtas, os Vikings e os Babilônios.

OS CELTAS:
Caminhando de sul para norte, por volta do século XX a.C., difundiram-se através do Egito e dominaram a zona hoje abrangida pela Grã-Bretanha, com centro na Irlanda. Reuniam ecléticamente várias crenças tribais, cada uma com suas divindades. Com o seu desaparecimento mais tarde, suas tradições acabaram por se mesclar com o Cristianismo, deixando neste algumas práticas e datas diferentes daquelas que haviam sido antes anunciadas. A cruz céltica, por exemplo, tinha muita decoração, mas sem qualquer figura humana.

OS VIKINGS:
Eram da região nórdica, ou Escandinávia, no norte da Europa. Vinham da Idade do Bronze e viveram nos séculos XVI a V a.C. Seus deuses eram Odin, dos guerreiros, Thor, do Trovão, Frey, do crescimento e das colheitas etc., a quem recorriam nos momentos de perigo. Acreditavam existirem nove mundos, sendo um deles o dos humanos. Davam muito valor à honra, às guerras e aos guerreiros mortos em combate. Acreditavam na vida após a morte.

OS ASSIRIOS E BABILÔNIOS:
Fixaram-se na Mesopotâmia, onde os cultos se destinavam a deuses locais, geralmente animais. O monarca não era filho de Deus, mas controlava o poder religioso. Eram arbitrários e senhores dos destinos dos seus súditos, podendo decretar-lhes até a morte. Fizeram surgir alí o Código Hamurabi, cujo texto separou a religião do Estado, no século XVIII a.C., dando aos templos maior força para os seus exorcismos e magias. A morte passou a ser “decisão dos deuses”. Para os assírios e babilônios, que também acreditavam nos demônios e no exorcismo, as estátuas representavam as divindades. Por isso, preparavam-lhes grandes festas com comidas e bebidas. Nelas, até mesmo os reis-sacerdotes oravam, procurando mostrar serem grandes conhecedores dos poderes sobrenaturais. Mas é óbvio que êsses seus conhecimentos nunca passaram de adivinhações. Também da Babilônia vieram-nos os estudos dos horóscopos, da Astronomia e da Astrologia, esta supondo a influência dos astros sôbre o destino dos homens, conforme os seus nascimentos. Os planetas eram também tido como deuses. Por volta do século X a. C. já se previam eclipses. Pela astrologia foram dados nomes aos planetas, à lua e ao sol, tirando-se daí um certo determinismo, já que tudo, à época, girava em volta da terra.

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CAPÍTULO IV RELIGIÕES PRIMITIVAS:
A importância do culto aos antepassados levou filósofos e historiadores a considerar as religiões primitivas como origem das demais. As sepulturas paleolíticas corroboram essa opinião, pois comprovam já ter havido, naquele período, a crença numa vida depois da morte e no poder de influência dos antepassados sôbre a vida cotidiana do clã familiar. Êstes praticavam ritos em homenagem a seus defuntos, pelo temor a represálias ou por considerá-los divinizados. As religiões se implantavam nas tribos nativas, hoje quase desaparecidas. Mas o conjunto de cerimônias prestadas aos deuses atravessa os séculos, existindo algumas delas ainda hoje, em regiões bem pobres da África, na Amazônia, em parte da India e da Indonésia, e ainda na zona indígena da América do Norte, do México, da Nova Zelândia e da Austrália, algumas naturalmente modificadas pelas influências das chamadas grandes religiões modernas. Existiram, nesse período, por exemplo, o fetichismo (veneração de objetos com poderes sobrenaturais ou possuidos por um espírito) e o totemismo (sistema de crenças que estabelecia relação entre um grupo de indivíduos e um animal). Todas elas sempre deram ênfase aos seres espirituais, para explicarem a natureza e a existência dos homens através de curandeiros (que faziam o bem) e feiticeiros (que faziam o mal). Acreditavam em monstros, que residiam em submundos e nos ancestrais em plano mais elevado. Os homens se contactavam com eles, para obtenção de favores ou para rechaçar as suas iras. Na Africa, sempre houve fortes crenças da possessão espiritual (mais em mulheres), causando-lhes sofrimento, doenças ou loucuras. Daí se originou o exorcismo. Na Asia setentrional, com o Xamanismo, os homens buscavam os espíritos do bem com fortes rituais, podendo até não retornarem se fossem vencidos pelos espíritos maus. Nesses ritos, eram sacrificados muitos animais, que “se transformavam em outros”, mas tudo como pretexto para justificar as coisas não explicadas pela ciência. Porém, se vencessem, poderiam curar, fazer massagens e mágicas, dar remédios com ervas, predizer o futuro, controlar disputas, combater sinistros e atacar o inimigo. Os mitos sempre foram muito cultuados, porque expressavam o caminho da vida e do mundo, e eram formas de explicar todas as coisas à nossa volta, como, por exemplo, porque havia homens e mulheres e outros machos e fêmeas na natureza para a reprodução das espécies.

EGITO ANTIGO:
Após a pré-história, dentre os séculos XXII a III a.C., acreditavam em bons e maus espíritos, em forma de homens ou animais. Mais tarde os deuses passaram a ter forma humana ou híbrida, com metade animal. Porém, acima de tudo, sempre tiveram o Sol e “as coisas do Céu” como a fonte de toda a existência. Seus deuses eram Rá ou Rê (sol), Nut (céu), Horus (luz), Osiris (imortalidade), Isis, Amenófis, Amon, Ennead e outros. Considerados imortais, acabaram sendo mumificados. Pelo século XV a.C., os faraós, conhecendo astronomia e geometria, se autodenominaram divinos. Seus empreendimentos agrícolas eram dádivas. Êles mantinham a “continuidade cósmica”, controlavam as enchentes e a canalização do Rio Nilo. Criaram templos,

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pirâmides, obeliscos e ritos. Cada novo faraó mudava a dinastia e o culto. Faziam-se cerimônias, sem forma litúrgica, para a felicidade, a sobrevivência após a morte, a fertilidade etc.

PÉRSIA (ATUAL IRÃ-IRAQUE):
Zaratustra, também conhecido como Zoroastro, no século XI a.C., criou a sua doutrina e foi seguido por muitos. Tinha caráter dualista entre o bem e o mal, entre anjos e demônios. Também criou as Eras da humanidade, que teriam relação com os signos do Zodíaco. Seus deuses eram dois: Ahura Mazda (o bom, criador da vida e da bondade) e Angra Mainyu (perverso e destrutivo). Eles escolhiam o destino dos homens, conforme suas ações na Terra. A religião perdeu o seu vigor, por não ter acontecido nada na época marcada para o Juizo Final.

JAPÃO ANTIGO:
O Xintoismo é religião de origem tìpicamente japonesa. Mas xintó, têrmo sino-japonês, significa caminho para os deuses (Tó vem do Tao chinês). Consiste na adoração da natureza, desde quase vinte séculos a.C., continuando através de seus Imperadores. Surgiu como adoração primitiva da natureza, sob fôrças invisíveis, passando depois à adoração de muitos deuses e se fundindo com a moral, a filosofia e a autoridade política. Só em 1945 deixou de ser religião oficial do Estado, quando também o Imperador deixou de ser considerado divino e sagrado. Mas continuou a ser crença nacional, com divisões e criação de muitas seitas, paralelas, alinhadas sob duas correntes: o xintoismo nacional e o religioso. Não tem fundador e modificou-se muito no tempo, pelas influências recebidas. O Xintoismo frisa mais a Fé do que a crença. Os xintoistas nutrem forte sentimento de nacionalismo, lealdade e patriotismo. Valorizam as práticas corporais, festas, peregrinações e rituais. Fazem ofertas às almas, vendem muitos talismãs e dão grande valor ao rito fúnebre. Sua doutrina afirma que a Fé dá poder aos ritos, imortalidade à alma, eficácia à oração e às comunicações entre êste mundo e o outro. A sua adoração aos ancestrais fortificou-se com a influência do Confucionismo (século. V a.C). Kami é o caminho ou o poder sagrado presente no cosmo. O kami, ente apenas imaginado, protege do perigo, cura corpos e mentes, traz sorte, abre caminhos, remove infortúnios. Ser grato às bênçãos do kami, fazer assistência, viver em harmonia com a vontade do imperador, e buscar a paz e prosperidade do país são suas metas. A soberania do imperador provém da adoração a Amaterasu, a Deusa do Sol, a grande antepassada, tida como fundadora do Estado, na condição de avó de quem implantou a dinastia japonesa. Há outras deusas para os rios, as cidades, as fontes etc. e, também, divindades maléficas. O Xintoismo hoje é tido mais como tradição do que religião. Descreve a criação do cosmos a partir do caos, na forma de um ovo que se partiu. A verdade original deixou traços diferentes no mundo, por isso qualquer deus está sempre disponível em qualquer religião, pois pertencem a todos.

GRÉCIA ANTIGA:
A religião grega durou desde a pré-história até o século V d.C. Os gregos sempre acreditaram em muitos deuses, com formas e atributos humanos. Era o politeismo

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antropomórfico. Pelo século VIII a.C., na vida política, a Grécia se caracterizava pelas chamadas cidades-Estados, dentre as quais Atenas, Esparta, Maraton e Creta, independentes entre si. Mas falavam a mesma língua. Na religião, sofreram influência dos indo-europeus invasores, e também dos escritos de Hesíodo e de Homero. A natureza, para êles, era então uma entidade viva, povoada por Sátiros (sêres com tronco de homem, dois chifres e patas de bode); Ninfas (donzelas que enchiam os campos de graça e juventude), Centauros (metade homem, metade cavalo), Górgonas (monstros com cabelos de serpentes), Sereias (mulheres-peixes que, com vozes melodiosas, atraiam os marinheiros para o fundo do mar) e Quimeras (misto de cabra e leão, que soltava fogo pelas ventas). A natureza oferecia presságios, pelos quais se podia conhecer a vontade dos deuses, através das pitonisas, que, em transe, a transmitia nos oráculos. A Mitologia veio da crença mais antiga de que o céu e a terra haviam sido o começo do mundo, povoado por Titãs (Crono, Oceano, Prometeu est.), todos de fôrça descomunal. Crono, senhor do universo, teria gerado Zeus, por quem acabou sendo destronado. Zeus, com seus irmãos e filhos, estabeleceram-se no Olimpo e, por isso, foram chamados de deuses olímpicos. Zeus (senhor do céu e do trovão) era o maior de todos, mas havia outros como Apolo (da paz, da juventude e da música); Atena (da sabedoria, das cidades e das artes); Afrodite (do amor e da beleza); Dioniso (do vinho e do prazer) etc. Muitas histórias, denominadas mitos, criaram-se em tôrno dêsses deuses, dentre elas a Guerra de Troia, o Minotauro e outros. E também os jogos olímpicos, em homenagem à deusa Atena. Mas continuaram a acreditar também em feitiçarias, maldições e fantasmas. E só a influência dos filósofos, dentre os séculos V a III a. C., que desenvolveram idéias mais apuradas da divindade, fez com que se declinassem os cultos aos deuses mitológicos.

ROMA ANTIGA:
Faziam-se cultos, rituais, festas e sacrifícios para manter a boa vontade dos deuses. Adaptou-se tudo da Grécia, inclusive a Mitologia, com mudança dos nomes dos deuses. Zeus passou a ser Júpiter. Venus passou a Afrodite. Fauno passou a ser chamado de Pã e Dioniso de Baco, além de outros. E foram acrescentados outros deuses persas, como Mitra (luz e verdade). Aqui, porém, a religião foi se fundindo com a política, os govêrnos e os negócios. A ligação entre o humano e o divino passou a ser feita pelos senadores. No Império de Augusto (27 a.C - 14 d.C) acabou surgindo o Cristianismo, para contestar tudo o que existia quanto às crenças do povo. Por fim, o Imperador Constantino, de formação católica, tornou o Cristianismo a religião oficial do Estado, ajudando na conversão de hereges e na fundação de igrejas e de Constantinopla, cidade que veio depois a se chamar Bisâncio e, mais tarde ainda, denominou-se Istambul.

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CAPÍTULO V RELIGIÕES NA CHINA
Seu povo não era muito religioso. Sua crença não se destinava a divindades, mas à natureza, cujas leis por todos deviam ser cumpridas. As plantas eram boas se servissem de alimento ao homem. O homem era bom se se comportava como racional. Se qualquer deles não cumpria o devido, a natureza se rebelava e êle sofria. Existia o bem e o mal no mundo e dentro do ser humano. Havia muitas divindades celestes, sendo a do deus do Céu a mais importante. Na terra, o imperador era o seu representante. Por isso, sua autoridade era tida como divina, a nobreza era protegida, mas devia comportar-se bem para não cair em desgraça. O homem tinha duas almas, uma das quais ficava com seu corpo e a outra ascendia ao Céu para gôzo perpétuo. Havia muita harmonia entre suas três primitivas religiões: o Confucionismo, o Taoismo e o Budismo, êste surgido na Índia. Por qualquer uma delas se chegaria ao mesmo fim, pois, para elas, o ser humano é naturalmente bom e pode salvar-se se houver esfôrço para não se contaminar com taras hereditárias ou os males do ambiente que o rodeia.

CONFUCIONISMO:
Com o desaparecimento do sistema feudal chinês, o Confucionismo surgiu e dominou por quase vinte séculos. Era um misto de religião, filosofia e política, que visou sobretudo a estrutura politico-social. Era necessário reeducar o homem, os povos e os governos. Confúcio (551/479 a.C.) buscou solucionar a minada autoridade, a legitimidade do poder e a desordem social. Ao imperador pregou que sua autoridade era de origem divina, sendo êle também santo e sacerdote, enquanto aos governados impôs lealdade para com o Céu e o imperador. Criou os 05 livros sagrados da China: das Mutações (comportamentos) , dos Ritos (para equilíbrio da monarquia e do civismo), da História, da Poesia, e dos Anais da Primavera e Outono (princípios do sistema imperial). Deus, para êle, era um princípio cósmico imaterial. O universo era formado de dois princípios eternos, infinitos, inseparáveis mas distintos. “Li” é o princípio psíquico, do movimento, comparável ao “élan vitale” de Berson. “Chi” é o princípio material, que está sempre em contacto com o primeiro. Ambos agem (através do fogo, da água, da madeira, do metal e do solo) de dois modos: “yin”, feminino, negativo, escuro e frio; e “yan”, masculino, positivo, associado à luz e à atividade. Ambos se completam e se equilibram. E daí conclue a origem da natureza e dos seres vivos. O universo tem o poder de criar, é belo, útil e capaz. Essas qualidades aparecem no homem como virtudes constantes: amor, justiça, veneração e sabedoria. Assim, o homem é bom porque possui êsses dons divinos. O “Li” torna os homens essencialmente iguais, ou irmãos. As diferenças derivam dos graus do “Chi”. O soberano deve ser benevolente, os súditos leais, o marido justo, a mulher obediente, o pai bondoso, o filho respeitoso, o primogênito indulgente, o caçula submisso, os amigos leais. Os

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ritos e a música controlam, harmonizam e corrigem a direção social. A família é a unidade básica, que deve venerar aos antepassados. Era racionalista, mas com idéias místicas. Não havia igrejas ou credos. O Confucionismo foi religião do Estado até 1912, para adoração a Shangti, o Céu, ou Senhor do Alto. O culto consistia na adoração do céu e da terra e na veneração a Confúcio e aos antepassados. Confúcio seguia a moral (procurar o bem no gesto e nas intenções e não no resultado) e não enfatizava a Deus e à revelação. O Ceu é a fonte do potencial mas não se comunica com o homem. Os ancestrais tornavam-se divindades. Se os govêrnos também ganharem aprovação do Ceu pelo que fizerem, conservarão o mandato celestial, pois a ordem cósmica, natural e humana seria mantida em seu favor. Foi religião oficial da China, antes do Cristinismo. É sua regra moral básica: “O que não queres que façam a ti, não faça aos outros”. E seus cinco princípios: 1-relação de justiça entre príncipes e súditos; 2-relação de mútuo amor entre pais e filhos; 3-conjunto de deveres entre o homem e mulher; 4-normas de comportamento entre anciãos e jovens; 5-relação de lealdade entre os amigos. Apesar de ter sido grande sábio, hoje, na China, por causa do comunismo, sua leitura e veneração pode ser castigada pelo Estado.

TAOISMO:
Seu fundador foi Lao-Tsé (sec.VI a.C), que teria deixado alguns textos. Êle pregou o naturalismo, deplorou a paixão, as cerimônias, as guerras e os impostos. Tao é, ao mesmo tempo, filosofia e religião. É a energia básica do cosmos, a origem do céu e da terra, de onde tudo surge. É universal e eterno, mas não transcendente. Dá vida, forma e alimento aos objetos. É imparcial, é a justiça. O mundo é uma consequência do Tao, que busca unir a essência pessoal a uma conduta que esteja de acôrdo com as leis da natureza. Seu caminho para a salvação é diferente do de Confúcio. Assemelha-se mais ao Hinduismo. Enquanto no Confucionismo tudo é observação, razão, discussão, no Taoismo há êxtase místico. A sabedoria é inata, vem do conhecimento do Tao. Não pode ser alcançada por estudos ou esfôrço. Todas as sensações humanas devem fundir-se para união com Tao. A religiosidade chinesa ancestral tinha uma idéia de universo, onde havia um deus único, do qual os homens dependiam. Um deus que punia os maus e recompensava os bons. Os estados feudais eram regidos por essa estrutura monoteista. Oprimida pelos tiranos, a população apelou para as fôrças de outros deuses, com sacrifícios até de animais. Aí surgiu o Taoismo. O que as religiões pregavam eram vícios que afastavam o homem da verdade. As respostas passaram a ser buscadas, então, não nas divindades, mas no Tao. Pela visão dos filósofos, o ser humano só se libertaria das opressões sociais e políticas da constante transformação do mundo, se mantivesse a harmonia com as energias do Tao. Sua filosofia é permeada de uma sabedoria simples: a realização espiritual e social, que permite uma ligação com as fôrças do Tao.

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Se o homem é parte do Tao e, por consequência, do funcionamento das leis da natureza. As fôrças do Ceu e da Terra para o mal. Formam naturalmente o caminho, o fluxo de energia desejo de deuses. Seguindo-o corretamente, a pessoa teria uma realização espiritual.

Todo, deve compreender o são estáticas, para o bem ou do Tao, sem a influência ou vida de bem-aventurança e

Como filosofia, buscava a harmonia em tudo e a paz no mundo conturbado da China. Os principios yin/yang produziam não só todos os fenômenos da Terra, mas também as atividades do homem. Tao era a conjugação dêsses dois princípios, a fonte e a ordem de tudo, o céu, a terra, a noite, a natureza e o homem, como realidade suprema e imortalidade. É estático, inerte, mas tudo dele se irradia. Preocupa-se com a pessoa em si mesma, como ela é, e não com o seu futuro. Proliferou entre os semi-alfabetizados. Como religião, estudou o poder sôbre a natureza e os homens e os meios de êstes se sublimarem, pelos rituais de meditação, liturgia, cura e exorcismos, e, assim, identificarem-se com Tao. Era importante ser imortal mas era também preciso, além de se libertar a alma, fazer exercícios e controlar as energias físicas. Deviamos nos afastar dos artificios e obedecer aos impulsos naturais. A passividade, a tolerância, a abnegação e a paciência eram importantes para a simplicidade da natureza humana. A religião não teve doutrina, mas grande número de seitas. É do Taoismo que deriva o I-Ching, ou Livro das Mutações, escrito pelo imperador FoHi, que utiliza símbolos gráficos simples, que se completam com traços em combinação de linhas contínuas e seccionadas. O traço contínuo representa o yang, ou polo positivo e fôrça expansiva da manifestação. Por sua vez, o traço interrompido representa o yin, ou polo negativo e fôrça retrátil da manifestação. Os dois dominam todas as classificações da ciência chinesa e constituem os elementos do primeiro dualismo. Mais modernamente o Tao sofreu influência do budismo, que avançou muito mais no misticismo. A imortalidade dependia mais do caráter do individuo, pelo karma, do que das ofertas.

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CAPÍTULO VI RELIGIÕES NA ÍNDIA:
Alén de religiões menos expressivas, como o Jainismo (Deus não criou o Universo, mas está dentro dele) e o Sikhismo (seus Dez Gurus trazem a manifestação de Deus), desenvolveram-se na India, após os Vedas, duas grandes religiões: o Hinduismo e o Budismo.

OS VEDAS:
Nos séculos XV a X a.C., a crença em algo divino seguia por tradição oral, tendo sido mais tarde registradas em sânscrito. Vedas seria o conjunto de escrituras sagradas, de origem não-humana e caráter de perpetuidade. Teriam origem no som como qualidade cósmica, sendo a vibração sonora a criadora da revelação aos mortais. O mundo teria tido origem nas lutas entre deuses e titãs, como fôrças antagônicas. Daí surgiu o dualismo nos fenômenos e a multiplicação natural, o nascimento e a morte. Deus cria o homem e o destrói. Nos Vedas tudo se refere ao Princípio Supremo ou Divino, que pode ser considerado sob um aspecto pessoal (Ishiwara) ou impessoal (Brahma). Brahma estaria além de todas as concepções, mas se manifesta através de energias e de inúmeros deuses. Abrangiam mágicas, sacrifícios, ritos e hinos. De quatro corpos de textos, o Rig-Veda é o mais importante, Contém muitos hinos, além das Brahmanas, a Ioga (paz mental, dominio da respiração, ligeireza do corpo) e parte dos Upanishads, que exprimiam toda a sabedoria dos Vedas e, mais tarde, dos hindús. É o que se conhece dos mais antigos padrões de moral na Índia e que não mais existem. Porém, é importante ressaltar que, derivadas dos Vedas e dos Brâmanes, outras religiões foram aparecendo, todas de cunho politeista, como o Sikhismo, o Jainismo e o Hinduismo, as quais serão comentadas em capítulo autônomo, porque ou não se extinguiram ou ainda restam resquícios de suas doutrinas.

HINDUISMO:
O Hinduismo, como religião das mais antigas, não teve um fundador ou profeta peculiar, mas grande número de figuras inexpressivas. Também com raizes no Vedismo e no Bramanismo, surgiu de uma espécie de racismo entre os invasores (arianos) e os não arianos. É, no entanto, ainda hoje, a terceira religião do mundo em adeptos (cêrca de um milhão), a principal religião da India e seus estados independentes, ao lado do Sikhismo, do Jainismo e de outras grandes religiões que ali também se instalaram, como o Islamismo e o Catolicismo. Expandiu-se para o Paquistão, o Ceilão e a Birmânia. Seus escritos sagrados são: Rig-Veda (1.200 a.C.), Brahmanas (ritos), Upanishads (orações), Bhagavad Gita (canção do senhor) e Ramayaba (épico). Nunca teve muitos dogmas, nem boa hierarquia. É como um estado de espírito, sem grande veneração. Construiram templos para culto a suas divindades. A chave de seu crescimento é sòmente o Dharma, ou seja, a lei da vida, tido mais como mero costume religioso,

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embora a religião em si seja mais social. A educação do povo nunca foi indispensável, por isso é enorme o número de ignorantes. Consideram a alma humana como manifestação do universo. Creem no karma, pelo qual se realiza a transmigração da alma, ou seja, a reencarnação. Para adquirirem méritos junto às divindades e alcançarem o Moksha, a libertação do ciclo do renascimento, seguem 3 caminhos: o do conhecimento, o da ação com sacrificios e o do amor. Sua aspiração suprema é conseguirem livrar-se do karma e se fundirem com a divindade, Brahma, o Absoluto, e não mais reencarnarem. Para isso, deverão só fazer o bem. Não o conseguindo, a alma ficará sujeita a novas reencarnações e, no além, escolherá a família ou as situações que melhor lhe dê condições de aprender o que lhe falta. Vincular-se-á ao corpo no momento da concepção. Êsse ciclo de vida se repete indefinidamente, até sua evolução espiritual retirá-la do ciclo de nascimentos e mortes e reintegrá-la ao Criador. A yoga é também um método de concentração, pelo qual se alcança a perfeição espiritual. No inicio formaram-se castas: as dos sacerdotes (representados pela cabeça e ligados a Brahma, que devem rezar); as dos guerreiros (representados pelos braços, que devem defender os grupos e não podem ser covardes); as dos comerciantes, agricultores, artesãos e pastores (representados pelos membros inferiores, que devem trabalhar de sol a sol, sem preguiça). Havia também os “párias” que não tinham casta nenhuma. Os filhos sempre pertenciam à casta onde nasciam. E a ninguém era dado o direito de se rebelar com pretensões a castas superiores. Pela reencarnação, pode-se alcançar casta superior, conforme os méritos alcançados em vida, ou, se não agiu bem, pode descer a casta inferior. Fazem ritos diferentes para cada ato (levantar-se, banhar-se, começar um trabalho, comer etc.). E suas cerimônias misturam cultos com prazer (nascimento, infância, adolescência, fertilidade, mudança das estações, enterro etc.). O culto envolve imagens, orações e diagramas do universo. Sua tese é a generosidade e o amor compassivo para todos. Fazem peregrinações, principalmente aos Rios Ganges e Himalaia. A purificação se faz com o mergulho num rio (sendo obrigatória a peregrinação ao Ganges a cada 12 anos), onde muitos morrem pisoteados em busca da satisfação de seus anseios. Apresentam seus deuses não como figura humana mas como esculturas, com muitos braços ou em fotos individuais, ou dentro de grandes mapas, muitas vezes geométricos, com corpos e cabeças às vezes deformados ou compostos com partes de animais, às vezes nus ou com vestes, ou ligadas a pedestais ou outros objetos. É sua trindade máxima: Brahma (causa primeira, principio de tudo), Vishnu (o preservador) e Shiva (o destruidor). Creem nos anjos (guardiões da trindade) e nos demônios (hostís aos deuses e aos rituais). Há também muitos deuses menores, como Ganesh, filho de Shiva e protetor dos escritores, Surya (do sol), Agni (do fogo), Inddra (da guerra) etc.

BUDISMO:
Apesar de muitos dos seus ensinamentos existirem desde cêrca de 2.000 anos a.C., com grande influência universal, o budismo é tido como surgido na India, com Siddharta Gautama, o Buda (que significa Iluminado), no séc. VI a.C. Filho de rei, nasceu de bêrço. O pai confinou-o no palácio e o educou para governar. Mas êle conheceu o sofrimento, como a velhice, a doença e a morte nas pessoas, e, após casado, abandonou a mulher e um filho para renunciar a todo conforto e viver como mendigo. Depois, em completa austeridade e meditação, atingiu a própria

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iluminação e passou a ensinar ao próximo. Pela meditação, alcançou sòzinho a libertação dos males e, assim, o nirvana (estado de perfeita felicidade). Grande orador, ganhou discípulos e anunciou-lhes que, se viver é sofrer, devemos renunciar ao mundo e buscar a vida verdadeira no eterno, espiritual (não divino). Não proclamou a vontade de Deus, nem alegava qualquer revelação divina, ou misericórdia. Falava por si sôbre a vida humana, desprezava os filósofos, as disputas sôbre deuses e as relações do homem com o que fosse divino. Só admitia certas suposições metafísicas, como o samsara (ciclo das reencarnações), através do karma, a lei moral que as governa, até atingir o nirvana, isto é, a purgação de todos os desejos e fim daquele ciclo. Não queria saber sôbre a origem, evolução e destino do universo. A transmigração tem inicio na eternidade e somos ignorantes. Para libertar o homem do ciclo de existências individuais, e alcançar o nirvana (estado de paz), criou 04 verdades nobres: 1) A vida humana é de sofrimento. O nascimento, a velhice, a doença e a morte são dolorosos. 2) A causa do sofrimento é o desejo de prazeres, pelos sentidos, ou de uma vida futura sem sofrimento. 3) O homem pode libertar-se. 4) Para conseguir isso, só agir corretamente: na compreensão, no pensamento, no falar, na ação, no êxtase etc. Mas não falava nada sôbre depois da morte. Seus ensinamentos: O homem não é bom nem mau, podendo aperfeiçoar-se na terra, com a meditação, para um desses dois lados. Felicidade não existe, só a libertação da dor, que conduz ao nada. Não admite o suicidio, que leva a nova reencarnação, com sofrimento (exceto se ele já atingiu o nirvana). Sua moral se caracterizava por: não roubar, ser casto, não mentir, não beber álcool, proteger os filhos, honrar os pais, seguir as tradições da família, instruir os alunos, amar as esposas e estas serem fieis aos maridos e diligentes nos afazeres caseiros. Os amigos devem ser benevolentes e os patrões devem alimentar, vestir e dar divertimentos aos empregados, sendo por êstes louvados. Os leigos deveriam se afeiçoar aos monges e, êstes, livrá-los do mal. Os homens se casam, mas só há monges do sexo masculino. Pela meditação, ritual, canto e ensinamento, os monges obtinham para seus adeptos méritos para vidas futuras. Os budistas fazem peregrinações a locais sagrados. Não admitem um Deus todo-poderoso e criador do mundo. Acreditam numa lei eterna, que rege o universo, sem inicio e sem fim. A morte é mera transição de fatos aparentes. O cosmos não é permanente nem criado. Também os deuses não são permanentes nem eternos e também ficam sujeitos ao renascimento e busca da iluminação. Não seguem um texto como a Biblia mas há muitos manuscritos avulsos. Condena o sacrifício do Hinduismo, porque o homem tem de trabalhar para sua própria salvação, sem ajuda da divindade. O objetivo não é ser absorvido por um Deus, mas alcançar o nirvana, que pode ser conseguido neste mundo e no superior. O diabo, Mara, luta para que o homem não consiga êsse bem, que o livrará do samsara. A magia não faz parte do budismo, mas algumas seitas a incluiram. O budismo espalhou-se pela China (sécs. I/II d.C), Tibete (sec. III d.C.), Nepal, Japão (sec.VI d.C.) , Coreia (sec. IV d.C.), Sri Lanka (sec.III d.C.) e Ceilão. Hoje está em quase toda a Tailândia. Mas na India, onde surgiu, nunca houve muitos adeptos frente ao Islamismo. Ghandi e Nehru foram fieis. No Japão, no sec. VII d.C., substituiu em parte o Xintoismo, com ênfase maior na sub-seita do zen-budismo, mais auto-disciplinador, que abrange hoje um têrço da população.

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Seu principal texto sagrado é o Cânon Páli. Seu maior templo sagrado encontra-se em Katmandu, no Nepal. Usam vestes cor de laranja, marron ou preta. Seu chefe é o Dalai-Lama, hoje o 14º na geração, como sendo o Buda reencarnado. É chamado de Sua Santidade. O 14º Dalai Lama vive no norte da Índia, ao pé do Himalaia, e é também chamado de Kundum pelos tibetanos. Tem a tarefa ardua de manter as esperanças de liberdade do povo do Tibete, ocupado pela China desde há 50 anos. Apesar das constantes denúncias internacionais e comprovadas de violação de seus direitos humanos, como perseguição política e religiosa, torturas, assassinatos e esterilização de mulheres, o próprio govêrno dos Estados Unidos ainda considera o Tibete como território chinês (Rev. Sexto Sentido nº 4/25). Depois de Buda, criou-se o Dharma (doutrina e prática dos ensinamentos de Buda), que também significa a verdade absoluta acima do pensamento humano, como também a própria comunidade budista. O Zen-Budismo é uma extensão do Budismo. Chegou ao Brasil no início do Século XX, pelos imigrantes japoneses, e abrange hoje cêrca de 1% de nossa população. A população japonesa de hoje, no Japão, é quase toda budista e grande parcela dela segue a linha zen, que significa “estado de meditação profunda”. Pelos praticantes é considerado uma religião, e não filosofia, porque têm ritos, crenças e fé. O zen é uma disciplina de aconselhamento para que os fieis descubram quais são os seus problemas e encontrem por si mesmos as respostas. O zen adotou a intuição contemplativa como principal disciplina, sem deixar a invocação do nome de Buda. A meta é a busca da iluminação. Para o zen, o espírito do homem, em sua perfeição original, percebe e sente a realidade diretamente, sem necessidade de palavras para explicá-la. As palavras e o discurso são inimigos do zen, pois recobrem o conhecimento intuitivo, objetivo, instantâneo e auto-revelador. Só compreende o zen quem o pratica. A libertação espiritual nos faz compreender a nós mesmos, revelando o nosso semblante primitivo que tínhamos antes mesmo de nascermos. A formação inicial para o zen tem lugar num mosteiro, dotado de sala para meditação. Os monges do zen podem se casar; se quiserem, não têm preconceitos, nem mesmo com o homossexualismo; é a favor da vida, mas, analisado o karma, pode concordar com o aborto; o casamento não é indissolúvel e os votos são escritos pelos próprios noivos; não tem preconceitos contra os portadores de aids e acreditam que a cura virá (Rev. Sexto Sentido nº 8/06).

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CAPÍTULO VII RELIGIÕES MONOTEISTAS:
JUDAISMO:
No seculo XVIII a.C, entre os rios Tigre e Eufrates, nas terras conhecidas como Suméria e Arcádia (mais tarde impérios de Assíria e Babilônia), falavam-se 04 linguas: arcádio, hebraico, aramaico e árabe. Cada povo tinha os seus deuses. Os que falavam hebraico (hebreus) partiram para Canaã, que mais tarde se subdividiu em Israel e Palestina. Grande fome depois os levou para o Egito. Ali, cada tribo ou cidades-estados tinham também suas divindades específicas. Mas os primeiros judeus se tornaram escravos. Depois, com Moisés e a ajuda de Deus, êles lutaram contra os faraós e se libertaram da escravidão, voltando então para Canaã, onde derrotaram os Cananeus. Três grandes reis judeus, considerados Messias (ungidos), Saul, Davi e Salomão, deram apogeu político, cultural e militar a seu povo. Êles estavam divididos entre o norte (Israel) e o sul (Judá), em 722 a.C. Porém, ambas as facções, de novo, acabaram devastadas pelos assirios, no norte, e pelos babilônicos, no sul. Seria tudo castigo de Deus pelo não cumprimento de seus mandamentos? A verdade é que, até a anunciação de Cristo, o povo judeu teve dominação estrangeira. Foram, então, para a Babilônia, e, depois, outra vez retornaram com a ajuda de Deus, cuja benevolência abrangia todos os povos e todas as terras (afirma Jeremias). Daí a crença, por volta do século V a. C., de constituirem êles, os judeus, “o povo escolhido”, para fazer cumprir as leis divinas, a partir de uma terra prometida que, segundo êles, seria a antiga Jerusalém. Dentre todos os povos só um poderia ter sido escolhido. Por isso, a escolha não foi um acaso e recaiu sôbre o judeu. Derrotados pelo cristianismo, em 66 d.C e 135 d.C., os judeus tornaram a se espalhar de novo, agora pelo mundo (diáspora), durante muitos séculos, em exilio. Nunca se conformaram e, por isso, o movimento sionista sempre buscou o retorno do povo judeu, para restaurar Israel como seu estado. Na religião, várias formas de judaismo foram criadas, como a ortodoxa, a conservadora, a reformista e a liberal. A terra havia sido prometida a Abrahão, que, após o dilúvio, fizera um pacto com Noé, pelo qual todos, seguindo os mandamentos de Deus, deveriam partir em busca da Terra Prometida (Gênesis). Seria Jerusalém, onde chegaria o Povo Escolhido e surgiriam os patriarcas Moisés, Isaac, Jacó e Salomão, além de Davi (o primeiro Messias), para manter sempre a aliança com Deus. A chamada “velha aliança” entre Deus e Abrahão consolidara-se com a entrega a Moisés da Lei das XII Tábuas, contendo os Dez Mandamentos, no Monte Sinai. Naquela peregrinação, fôra revelado o nome de Deus (Iahweh, que significa: “o que é”), uno, sem limites, indivísível, e que deverá ser sempre omitido por ser sagrado demais, exceto nas orações. Revestese de justiça, amor, verdade e misericórdia. Dai a origem, também, da palavra Jehovah, ou Jeová, significando “o Senhor”.

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Torá é o seu livro sagrado, com duas partes: a primeira é escrita (Talmude) e a segunda é a oral (Pentateuco), também recebida por Moisés, no monte Sinai, em suplemento à parte escrita. A segunda parte, que passou de geração a geração, só acabou sendo escrita séculos mais tarde e sempre foi interpretativa da primeira parte. Os judeus não reconhecem a Jesus como Messias, nem o Novo Testamento. Deus é mais resultado de uma intuição do que da razão. A Sinagoga é a sua igreja. Seus dirigentes ou são rabinos (sòmente homens, que interpretam as leis e os costumes judaicos) ou sacerdotes (que têm ligação direta com Deus). Êstes não são nomeados pelo homem, mas por seus antepassados, desde o primeiro deles após a missão recebida de Deus, na Torá, a partir de Abraão. Criaram concepção elevada e única de Deus, do homem e do universo. São contra esculturas e imagens das coisas sagradas. O Judaismo não possui dogmas. São seus artigos de fé: crer na existência, unidade, imaterialidade, eternidade, imutabilidade e omniciência de Deus; adorar só a Êle; crer na profecia em Moisés como o maior dos profetas, na Torá, nas recompensas e nos castigos dêste e do outro mundo, na vinda do Messias e na ressurreição dos mortos. Guardam o sábado como dia santificado. A lei judaica em tese admite a poligamia masculina, mas jamais a feminina. A tendência é caminhar para a monogamia. Hoje são muito poucos os que têm mais de uma esposa em Israel. Os judeus não separam a lei da religião, só nascem de mãe judia, ou podem ser convertidos. Pai judeu não tem filho judeu. Seus rígidos costumes são: a circuncisão dos meninos (corte do prepúcio) no oitavo dia de vida, a impureza menstrual das mulheres, a quase-obrigação do casamento, a concessão do divórcio só pelo marido, a obrigação do irmão do marido-falecido de casar-se com a mesma mulher, sua cunhada (se o irmão não teve filhos com ela), as cerimônias com os mortos, luto etc. Algumas delas, com excessões. Quanto à circuncisão praticada pelo judeu, é oportuno salientar que, com isso, êles estão ainda hoje interferindo na integridade do corpo humano. Daqui a milhares de anos, os homens continuarão a nascer cada um com o seu prepúcio, por mais que os judeus teimem em retirá-lo. Não buscam entender que, se o ser humano já nasce com uma forma física padrão, ela será sempre mantida, por mais que o homem tente mudá-la. Tudo no corpo humano tem a sua utilidade. O prepúcio, por exemplo, não só protege a glande do penis, como também é necessário, com o seu vai-vem, à execução do próprio ato sexual. O Judaismo não existiria sem o povo judeu, pela tradição das regras e cerimônias ligadas à sua história. Seu aspecto é universal e abrange a humanidade, enquanto sua disciplina religiosa só se aplica a seus adeptos. Não utilizam missionários para divulgação da doutrina. Só os seus princípios morais e religiosos é que atraem para uma comunhão mais íntima com Deus. Os rabinos se casam normalmente, com cerimônia típica. Os judeus formam um povo, e estão em todos os paises do mundo. Após a Revolução Francesa, onde buscaram afirmação com a igualdade e fraternidade anunciadas, houve reformas na religião judaica, pois se eliminou grande parte do hebraico nos cultos, promoveu-se a igualdade das mulheres na religião, eliminaram-se as vestimentas hebraicas, modificaram-se hábitos alimentares etc. A reforma protestante criticou a inspiração divina das Escrituras judaicas e a expectativa judia de um dia voltarem todos para Jerusalém. Se os judeus não aceitaram a

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reforma, muitos cristãos não aceitaram a igualdade cívica e social do judeu, cujo trabalho e competição passou a ser temida. Surgiu o anti-semitismo por oposição á religião judaica. Havia algo de nocivo no sangue judeu, que corrompia as culturas e a sociedade. Depois surgiu o nazismo, cuja politica era de exterminio dos judeus em todo o mundo, o que parecia acabar com o espirito de fraternidade da Revolução Francesa. A tentativa de retorno para a Palestina encontrou os exércitos árabes, com o islamismo, criando novas guerras. Os judeus comparam o holocausto (extermínio dos judeus na Europa) com o sofrimento e a escravidão no Egito. Em 1948 os judeus derrotaram os árabes mas só em 1967 libertaram Jerusalém. Essa volta ao Templo significa o começo da Redenção, com a volta do Messias. A maioria dos judeus está na região da Palestina e Israel.

CRISTIANISMO:
Ao tempo da cultura greco-romana, as línguas da India e da mitologia grega eram parecidas. Falava-se muito nas lutas entre o bem e o mal. A filosofia especulava o mundo, enquanto, nas religiões, Deus era indefinido ou se adoravam muitos deuses. Só com a vida reclusa se obteria a redenção da alma. A Palestina era dominada pelos romanos e a religião oficial do povo judeu pautava-se apenas pelo Antigo Testamento. As mensagens de Cristo, de amor e fraternidade vieram se contrapor ao formalismo religioso dos fariseus e doutores da Torá. Desenvolveu-se junto às camadas mais pobres, em aramaico, lingua popular, por parábolas. Os semitas (hebreus, árabes e etíopes) vieram da Arábia e se espalharam. O Antigo Testamento e o Corão eram muito semelhantes quanto à lingua, enquanto o Novo Testamento viria a ser escrito em grego, com influência do latim. Os profetas, dentre os quais Isaias, anunciavam que surgiria um novo Deus, da Paz, para restaurar o reino de Davi e consolar o povo. O “Messias”, pensava-se, viria para a redenção do pecado e da culpa, e seria político e militar, para pôr fim ao sofrimento dos judeus, sob os romanos. Foi nesse ambiente de civilização romana, cultura grega e religião hebraica que nasceu Jesus, alinhando-se às profecias e sendo aclamado como “O Salvador”. Não era comandante político nem militar. Ao contrário, de sandália e túnica, não demonstrava qualquer pompa. Foi aprendiz de carpinteiro e, muito influente, dizia a seus seguidores que era o filho de Deus. “Eu e meu Pai somos um”. Sua vida, morte e ressurreição deu inicio à crença de que êle era realmente “o filho de Deus“, o prometido Messias. E toda a doutrina então criada em tôrno de sua existência entre os judeus denominou-o como Cristo (de Khristós, o Ungido), e foi registrada no Novo Testamento, juntamente com os Evangelhos e as Epístolas. Até os séculos passaram a ser contados a partir de seu nascimento. Mas o Cristianismo começou, de fato, com a sua ressurreição No solo judeu não se falava em imortalidade ou transmigração da alma, conceitos greco-romanos. Com a ressurreição, a alma passou a ser imortal, não por ser inata e sim por obra de Deus. Jesus falou em Juizo Final, para distinguir e julgar os que foram bons (caridosos) ou maus, para a vida eterna ou para o castigo. Daí surgiram os mandamentos: amar a Deus (1º) e ao próximo (2º). A ressurreição deu inicio à redenção pela fé em Cristo. A “nova aliança” entre Deus e os homens, diretamente, não exigia que, para ser cristão, o homem devesse, antes, ser judeu. Criaram-se os dogmas para diferenciar o cristianismo das outras religiões.

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Por que foi Cristo condenado? Dizem os Evangelhos que a motivação foi religiosa e a responsabilidade exclusiva coube aos judeus. Mas a morte na cruz era punição romana, enquanto os judeus se valiam do apedrejamento. Além disso, a inscrição INRI (rei dos judeus), colocada na cruz por Pilatos, mostra o teor politico-subversivo da condenação. Como o seu poder incluia a cura e o perdão dos pecados, surgiram os processos de acusação contra Êle. Sua mensagem de radical redenção dos homens contrariou interêsses e poderes. Pelo povo, Jesus era considerado homem e Deus de forma plena. Pregou o Evangelho do Reino de Deus, onde enfatizou o amor aos semelhantes, a compaixão pelos fracos e o perdão para todos os pecados. Bemaventurados seriam os pobres de espírito e os que tinham fome e sêde de justiça, pois “deles será o reino do céu”. “Não era indigno conversar com prostitutas, corruptos e inimigos políticos, bastando que pedissem perdão, porque Deus era misericórdia”. E como ninguém podia obter por si a graça de Deus, deveria ser suplicado o perdão nas orações. Sua doutrina, toda ela centrada no amor, tem aspectos interessantes: repudia o falso moralismo; a virtude e a religiosidade devem ser expontâneas; ninguém é puro o suficiente para julgar o próximo; condena a ganância; as mentes se conquistam não pelas armas, mas pela grandeza da alma, porisso “pague com amor o rancor e o ódio de teu irmão”. Mas o amor que prega é aquele de verdadeira comunhão com Deus, sem paixão ou altruismo. É aquele que não requer causa nem escolhe objeto, é sublime e emana daquele devotado a Deus. Como Sócrates, pagou com a vida, apesar de ter sido, para o cristianismo, o único homem justo que viveu, carregando com êle toda a culpa dos homens. Ao tremor da terra quando de seu desenlace, os centuriões não puderam deixar de exclamar: “Na verdade, êste homem era Filho de Deus”. Apesar de a religião se ter tornado cada vez mais poderosa, não se abalaram alguns estudiosos. Rodney Stark, da Universidade de Washington, afirmou que “podemos mandar câmaras fotografar os anéis de Saturno e as luas de Júpiter, mas elas nunca vão revelar a verdadeira face de Deus nem enviar uma imagem do paraiso”. Outro grupo de pesquisadores americanos disse, também, que: “o trabalho dos quatro Evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, não tem valor como prova material da existência de Cristo, escritos entre quarenta e cem anos após a sua morte. Por isso, a cada ano se provará que muito pouco da narração do Novo Testamento é confiável” (Veja - 15/12/99, pág. 168). O Cristianismo, depois de considerada como “seita judaica dissidente”, tornou-se a religião oficial do Império Romano (313 d.C) e, hoje, com mais de dois milhões de adeptos, é a religião mais disseminada pelo mundo. Abrange todos os continentes, com ênfase maior nas Américas, em parte da Europa e na área abrangida pela ex-república soviética. Ha poucos cristãos na África e na China. Paulo de Tarso, o Santo, transformou o Cristianismo numa religião universal. Três a quatro séculos depois, todo o mundo greco-romano estava cristianizado, sendo que hoje êle predomina em cêrca de 1/8 da raça humana. Depois, em 1054 d.C., o cristianismo ocidental, com sede em Roma, se separa do oriental ou ortodoxo, com sede em Constantinopla, donde a disseminação para a Rússia e a Grécia, sem reconhecimento do Papa como autoridade máxima.

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A autoridade maior, no Catolicismo Romano ou ocidental, é o Papa, com poder infalível e arbitrário até os dias de hoje. Houve algumas modificações na sua estrutura desde o início. No Concilio Vaticano II chegou-se a pensar até num órgão colegiado para comando do Catolicismo romano mundial, composto de representantes eleitos pelas conferências episcopais dos continentes e de patriarcas da Igreja Oriental. Seria uma forma de democratização, mas não vingou. Apesar de ser fundamental a reforma em questões como a sua infalibilidade, a ordenação de mulheres, o fim do celibato e a designação indiscriminada de bispos sem prévia consulta às bases dos fieis, pouquíssimas alterações sofreu a Igreja nestes últimos tempos. Houve, também, papas dissolutos e gananciosos (como Alexandre VI, no início do século XVI), que tiveram amantes, elegiam filhos bispos e vendiam promessas de salvação eterna. Hoje, o Papa pode até renunciar, por dispositivo do próprio João Paulo II, que, de um modo geral, admite também outras reformas. Até já se diz, nos corredores do Vaticano, que o futuro Papa terá, dentre outras, uma difícil tarefa: buscar o diálogo com o Islamismo, o Judaismo e os Evangélicos norte-americanos.

ISLAMISMO:
O nome deriva de Islam (submissão). É a segunda maior religião do mundo, havendo quem afirme que hoje já supera o Catolicismo romano (Veja - 02/06/99). Domina mais na Ásia, com grande crescimento demográfico. Quando surgiu o Islamismo, no ano 622 d. C, os árabes ainda eram politeistas. Hoje se pode dizer que essa religião é a que mais se integra com as atividades do homem, amoldadas à sua doutrina. Pelos povos de cultura ocidental são identificados como fanáticos, capazes de fazerem qualquer loucura em nome da fé. A Religião nasceu marcadamente étnica, identificada com os árabes. Maomé, seu profeta, é o fundador do Islamismo. Êle foi monogâmico, numa cultura em que, além da sua companheira, podia ter mais vinte concubinas. Se não houvesse Cadija, única mãe de seus seis filhos, Maomé jamais seria o lider que se tornou. Após a morte dela, porém, casou-se de novo e veio a ter, ao mesmo tempo, três mulheres, uma das quais com 09 anos de idade. Meca, na Arábia Saudita, abarcava poderosa aristocracia comercial. Mas o mundo árabe, à sua volta, constituia-se de tribos independentes, sem religião própria. Seguiam doutrinas antigas do Egito e da Pérsia, numa grande confusão espiritual, com cêrca de 360 deuses. Maomé percebeu, à vista disso, que poderia tentar criar alí uma postura nova, monoteista, com inspiração no Judaismo e no Cristianismo. Com a ajuda da mulher, inteligente e poderosa, fez surgir Alá, o Criador, atraindo a ira dos aristocratas. Sua dramática fuga de Meca, a hégira, em 622 d.C., para a atual Medina, tornou-se a data inicial da nova religião e o ano zero do calendário muçulmano. E após conquistar os corações e a mente do povo, ofereceu resistência e, no ano 625, deflagrou a guerra contra Meca, com vitória dos muçulmanos. Assumindo o poder, derrotou depois os impérios vizinhos, bizantino e persa. Por fim, o movimento se estendeu da Líbia, no Mediterrâneo, até o Irã, na Ásia. A Revelação teria vindo a êle pelo Anjo Gabriel. Alá lhe teria dito que êle seria o último dos Profetas... e depois dele, de fato, não surgiu nenhum outro. Maomé foi um dos homens mais convincentes que êste mundo conheceu. Arrebatou multidões. Diz-se que êle nunca mentiu e que conseguiu acabar com toda a corrupção, vícios, crueldades e idolatria, então existentes em seu país, e que, apesar da grande ofensiva contra êle e a seus seguidores pelas facções bélicas

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dominantes na Arábia, não só saiu ileso, por obra de sua fé, como também conseguiu aglutiná-las em um só povo. Anunciou então o castigo divino contra o paganismo e a idolatria. Para êles, Alá é criador do mundo, uno, infinito, transcendente e indefinível. Tudo vem dEle e a Êle retorna após a nossa morte, conforme as ações praticadas. Corão (ou Alcorão) é a lei suprema, contendo em árabe o texto da revelação divina. E a Sunna é o conjunto de textos das leis emitidas pelos profetas. Moisés e Jesús já haviam revelado a mesma verdade, então corrompida pelas divulgações. Por isso, o Corão foi escrito com excertos dos livros católicos e judeus e incluiu temas novos, mas nunca poderá ser traduzido para outra lingua. Por essa revelação, toda a humanidade é um só povo, apesar dos vários govêrnos, línguas e costumes independentes. Nele se afirmam os cinco pilares, ou obrigações básicas do povo: l) Só há um Deus, Alá (é o mesmo Deus dos Católicos e Judeus, sendo Maomé o seu mensageiro); 2) Orar cinco vezes ao dia voltado para o santuário sagrado de Meca; 3) pagar em dinheiro obras de caridade (zakat); 4) no Ramadã, fazer jejum diário, por trinta dias, com abstenção de comidas, bebidas e sexo à luz do dia; 5) peregrinar a Meca, ao menos uma vez na vida. Sua igreja é a Mesquita, onde também se curvam em oração, especialmente às 6ªs feiras. Só ali o nome de Alá pode ser pronunciado. A fé se exterioriza em forma de prece. Também acreditam no demônio e no inferno como estação de cura para a salvação, na ressurreição e no dia do Juizo Final, quando só os bons terão bem-aventurança. As orações de Maomé eram feitas de manhã, na hora do almoço, após o trabalho, ao pôr do sol e ao se deitar. A oração, quando pública, tem o dom de nivelar as camadas sociais. Reis e mendigos, poderosos e humildes, brancos e negros ficam lado a lado. O Estado, para Maomé, era democrático, mas apoiado no temor de Deus. Não pode haver preconceito de raça, côr ou idioma. O respeito mútuo trouxe a igualdade entre os homens, com direitos e deveres iguais. Mais do que a oração, Maomé protegeu aos pobres (que antes nem tinham direito a heranças). Tratava com ternura os animais, mendigos, órfãos e prisioneiros. Era a favor da riqueza, desde que não obtida por meios ilícitos, mas nunca se deveria amar a riqueza como se ama a Deus. Estabeleceu a cobrança de percentagens obrigatórias da riqueza em favor de instituições de caridade. Na Arábia Saudita, bêrço do Islamismo, quem roubava tinha a mão cortada e quem matava injustamente era executado em praça pública (pena de talião). Êsse radicalismo, no entanto, hoje é pouco praticado. Na herança, o direito da mulher, antes escrava, passou a ser igual ao do homem, pois, se Deus escolheu os sexos, deveria haver igualdade. Assim, gradativamente, a mulher passou a angariar bens com o seu próprio trabalho, a dirigir automóveis e a dar o próprio consentimento para casar-se. Os paises muçulmanos cada vez mais vão reconhecendo êsses direitos da mulher. O Islamismo não tem clero, nem comando centralizado, nem casta sacerdotal. Dá mais valor à vontade divina do que ao direito dos homens à liberdade. Combate a arrogância, a inveja, o ciúme, a falsidade, as bebidas alcoólicas (inclusive o vinho), a carne de porco e os jogos de azar. Admite a poligamia masculina, não como devassa de costumes, mas como um meio para refrear os apetites inatos. Só conhece os milagres do Alcorão. Não aceita a trindade católica, mas só o

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Espírito Santo como fôrça de Deus, e vê Cristo apenas como um profeta. Não consideram como pagãos os judeus e os cristãos. Acreditam em destino, mas as desgraças são frutos humanos. Suas guerras são santas e os muçulmanos guerreiros ganham o céu. Os bem-aventurados que forem aos céus encontrarão rios de leite, de vinho e mel, e multidões de virgens. É humilhante não conseguir os frutos pelo receio de sacudir as ávores (pensamento muçulmano). O homem é a criatura mais nobre de Deus. Êle não deve considerar ídolos, imagens e esculturas das coisas sagradas, como se fossem divindades, pois com isso se submete a êles, sendo superior. Foi criado para dominar as forças da natureza e não para se curvar a elas. Toda a criança nasce com a verdadeira religião, a muçulmana, e seus pais é que fazem dela um judeu ou um cristão. Com o passar dos tempos, o Islamismo foi sofrendo variações. Na Idade Média os adeptos detinham conhecimentos preciosos de astronomia, arquitetura, matemática e filosofia. Em meados do século XIX, após sofrer influências do Ocidente, procedeu-se ao “renascimento islâmico”, com a restauração do uso de véu para as mulheres e de outros preceitos. Hoje se divide entre Sunitas, que não acreditam numa deificação do homem e são mais liberais, e Xiitas, que acreditam na corporificação de Deus, são contra a liberdade de fé e não admitem qualquer alteração nos textos originais. Dentre êles, os considerados fundamentalistas são os mais radicais. Na revolução iraniana de 1979, por êles liderada, o Islã tornou-se sinônimo de terrorismo e fanatismo. Êsse radicalismo foi diminuindo. No ano 2000 as eleições para o Parlamento levaram ao Poder cêrca de 70% dos muçulmanos moderados, contra a política do Govêrno, considerada muito rígida desde que Khomeini voltara do exílio, reassumindo-o. No Afeganistão, onde os Talebans em 1996 tomaram Cabul, a capital do País, as mulheres perderam todos os seus direitos, dentre os quais o atendimento médico público. Ficaram proibidas de trabalhar, de estudar, de dirigir e de sairem às ruas sòzinhas, sob pena de fôrca e apedrejamento. Passaram a viver inteiramente cobertas pela “burka” e, quando doentes, não podiam ser atendidas por homens. E há pouquíssimas mulheres médicas. Seus sapatos deviam ser silenciosos. Não podiam trabalhar, sair de casa desacompanhadas, assistir à televisão, ouvir música, dançar ou jogar cartas, nem serem fotografadas, verem cinema ou videocassetes, mesmo dentro de suas casas. Não usavam batons nem biquinis. Há uma entidade não governamental (Rawa) de defesa da mulher, que, no entanto, pouco pôde fazer por elas. Os homens não podiam raspar a barba. Não eram permitidos brinquedos como soltar pipas, jogos de xadrez, bonecas e bichos de pelúcia. Nem bebidas alcoólicas. Grande parte dessas restrições rígidas não existem em outros paises muçulmanos (Rev. Cláudia, março/2000 - págs. 16/20). Essa situação do Afganistão, porém, a partir da “Guerra contra o terrorismo comandado por Osama Bin Laden”, liderada pelos Estados Unidos desde o ataque de 11/09/2001 às duas torres do World Trade Center, em Nova York, vem sendo modificada, para adaptação do Islamismo às condições normais da Religião, sem aqueles radicalismos. Em Bangladesh, onde a mulher até tem participado da administração pública, são gritantes as diferenças com as mais pobres que, tidas como mercadoria e em face da impunidade por parte do Govêrno, têm sofrido

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queimaduras com ácido no rosto, por recusarem casamentos arranjados, além de investidas sexuais (Veja, 08/12/99, pág. 60). O Islamismo expandiu-se pelo Irã, Turquia, Espanha, Paquistão, Afeganistão, Sudão, Tailândia, Malásia, Indonésia, India e norte da África. Alcançou ainda muitos povos não-árabes, como os negros e os russos. Embora pacífico com as outras religiões, os muçulmanos guerrearam por séculos com os cristãos na península ibérica. No século XX foram muito atacados pelas revoluções comunistas, turcas e chinesas. Atualmente, principalmente no Irã, no Afeganistão, no Paquistão, na Argélia, no Egito e em alguns paises ex-soviéticos, continuam a existir muitas divegências entre o Islamismo e os govêrnos locais. Em linhas gerais, nas duas últimas décadas do século XX, cresceu a preocupação dos povos com o fanatismo dos fundamentalistas e as ameaças de subversão do mundo com bombas de terroristas. A revolução no Irã, como um dos maiores produtores de petróleo, mostrou-nos, porém, uma nova geração a buscar um sentido mais humano ao regime medieval dos aiatolás. Querem a supremacia da lei sôbre o direito canônico e restauração de direitos triviais como namorar, usar gravata ou saia curta. Não é rápida a mudança, pois a vontade popular nas urnas ainda não prevalece sôbre a opinião dos sábios nas mesquitas. Para êstes, o estado islâmico não se coaduna com a democracia e a única lei legítima é a de Alá. Por isso, o Irã ainda se constitui no único País do mundo absolutamente teocrático, dirigido apenas pelas regras do Corão e pelo autoritarismo do refinado clero muçulmano. A posição da mulher, aí, não é radical como no Afeganistão: apesar da obrigação de esconderem os cabelos com lenços pretos, elas estão no govêrno, nas universidades e na imprensa. Seu testemunho na Justiça vale metade do de um homem. Não é privada do desejo sexual (como ainda acontece no Egito), mas pode ser repudiada pelo marido, sem poder contestar ou pedir perdão (Veja, 1º/03/2000 - págs. 44/51).

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CAPÍTULO VIII O CATOLICISMO CRISTÃO
CATOLICISMO APOSTÓLICO ROMANO:
A Igreja Católica Apostólica Romana, subordinada ao Papa, só recebeu essa denominação no Concilio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, em oposição às protestantes constituidas a partir da Reforma. O têrmo Catolicismo tem sentido de Universalidade e já fôra usado mesmo antes da era cristã por Aristóteles e Zenão. Na Igreja aparece por volta do ano 105 d.C. Jesus Cristo era Deus e era homem, mas desencorajava a quem o chamasse de sobrehumano (Messias). A presença de Deus nele, porém, não sufocou sua natureza humana. A quem quisesse segui-lo pedia que levasse Deus no coração. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Todo o poder no céu e na terra me foi confiado”. Por isso, a comunhão dos adeptos com Deus, por meio dele, continuaria a existir depois da morte, até o fim do mundo. Arrebatou multidões. Após nomear doze apóstolos para pregar em seu nome, disse-lhes: “Ide e ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo”. Quem perdoava e curava era o Pai. Como ensinamento, disse que, para alcançar a vida eterna, era necessário desapegar-se dos bens. Os católicos, crentes na ressurreição, acreditaram também numa fôrça divina que lhes tenha transmitido compreensão natural da verdade objetiva, como revelação de Deus, bem como no fato de que a morte os conduziria à vida eterna. Sintetizou-se a bíblia judaica (Antigo Testamento para os cristãos) em amor a Deus e ao próximo. Os católicos passaram a ter grande devoção também ao Sagrado Coração de Jesus (símbolo do seu amor ao Pai e ao próximo), a Maria, mãe de Jesus, e aos Santos, êstes considerados como guardiões de tudo o que fosse sagrado. Na Igreja Católica Romana os santos dependem de canonização. As preces podem ser a êles dirigidas. Os fieis aderiram, pela oração, aos votos de pobreza, castidade e obediência. As igrejas foram fundadas por vontade e ordem de Deus. Elas já desenvolveram arte, música e arquitetura e têm a missão sublime de realizar os sete sacramentos: batismo, crisma, confissão, eucaristia, matrimônio, ordenação e extrema-unção, cumprindo, assim, a comunicação dos homens com a fonte de toda a verdade e bondade divinas. É o lugar principal da profissão da fé católica, onde se admite o recebimento direto do corpo e do sangue de Deus. Por isso, é santificada. Divide-se em dioceses, paróquias e missões. Santo Agostinho afirmou que sòmente na Igreja Católica é recebido o Espírito Santo, para sermos participantes da natureza divina. O Catolicismo tornou-se a religião oficial do Império de Roma, sob Constantino e Teodósio, donde a origem do cognome Romano. No século II criou-se a hierarquia, desde o Papa (lider espiritual), descendo pelos cardeais, bispos, padres, monges e freiras. Pedro foi o primeiro Papa. O Espírito Santo desceu às igrejas. Após Pentecostes, começou a evangelização e se admitiu então a orientação do Espírito Santo. Criaram-se os apóstolos, sem um lider. O Concílio de Constantinopla lhe deu o nome de católica. O Concilio Vaticano, realizado em 1869, decretou a infalibilidade papal na moral e na fé. Mas muitos cristãos não concordaram e seguiram à parte, tendo sido perseguidos.

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O católico tem quatro evangelhos: de Mateus, Lucas, Marcos e João, todos do século I d.C. Os três primeiros usam o mesmo material para contar a história de Jesus e de seus ensinamentos. O último reflete-o mais como sendo a palavra de Deus. Mateus, de formação judaica, não é tido como autor do evangelho. Lucas, um médico, amigo de São Paulo, dirige-se às necessidades dos não-judeus. Marcos, discípulo de Jesus e companheiro de Pedro, é rude e talvez seja o mais antigo dos quatro. João foi muitas vezes considerado como discípulo dileto. Parábolas eram histórias terrenas, com significados celestiais. Dois sacramentos foram ordenados por Jesus: o batismo (aceitação do fiel pela igreja, recebendo graça e poder para agir com Cristo) e a eucaristia, ou comunhão (recebimento do pão e vinho da última ceia) para confirmar a promessa de que Jesus está nos próprios cristãos. A confissão é auricular. Jesus foi crucificado porque combateu a idéia de que os judeus eram o povo escolhido e, por isso, especial. Também discordou do fato de que Moises é quem recebera as leis de Deus, a ser cumprida até a volta do Messias. Falar com a autoridade divina e ensinar que a aliança com Deus era só uma questão de fé, chocavam-se. Não submeter-se ao Sumo Sacerdote era punido com a morte, pois era ameaça ao Estado. Há Ordens e Congregações de monges e freiras, em vida monástica, que renunciaram aos prazeres da vida comum e buscam imitar a Deus na pobreza, na obediência e nas orações, ou vivendo em clausura ou servindo aos pobres e doentes, como missionários.

CATÓLICISMO APOSTÓLICO ROMANO CARISMÁTICO:
Últimamente houve algumas tentativas de reativação do Catolicismo frente ao crescimento das seitas protestantes, mas fracassaram as chamadas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e também a chamada Teologia da Libertação. Porém, acabou sendo inaugurado recentemente em São Paulo, com algum sucesso, pelo Padre Marcelo Rossi, o chamado Movimento Católico Carismático, que consiste na apresentação das Missas fora daquele ritmo tedioso e comum, mesclado-as com músicas quentes (com saltos e levantamento de braços), as quais, por isso mesmo, movimentam os jovens e outros participantes, antes acostumados a acompanharem quase estáticos as palavras dos sacerdotes e as cerimônias. Com o sucesso da nova modalidade de clamar a Deus, CDs foram lançados, no Brasil e, mais recentemente, em Portugal, com vendagem extraordinária. Além disso, sabe êle, o padre Rossi, utilizar-se de todos os recursos modernos para divulgar as suas idéias. É oportuno considerar que, nestes últimos tempos, a mídia publicitária, com vistas à dilatação do consumo e apoiada em grandes verbas, vem se desenvolvendo muito pelos meios de comunicação. Vistos como meta principal dentro dêsse esquema, os mais jovens, que sentem naturalmente grande atração pela semi-nudez feminina, pelos carnavais e pelos ídolos e músicas de arroubo em cima de um palco, acabaram representando o modelo adequado à modificação preconizada como necessária à divulgação da finalidade das igrejas. Assim, foi sendo trocada a liturgia pela dança aeróbica e, mesmo no interior das igrejas, a calmaria das pregações em púlpitos pela histeria pública. Na esfera católica, a CNBB tem alertado para a manipulação

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comercial dos “padres cantores”, mais dançarinos que teólogos. Não acreditamos, porém, que 0essa forma exterior de captar novos adeptos venha contrariar os princípios religiosos, já que ela apenas acompanha a modernidade, principalmente quando precisa encarar de frente a guerra com os seus irmãos evangélicos, não menos marketizados com seus cultos em estádios, frequentados por muitos torcedores... da fé. O crescimento da Renovação Carismática deve-se, também, em grande parte, a um fortalecimento da tendência moderada e conservadora da Igreja, que prioriza o lado espiritual, ao contrário da corrente progressista, que dá mais atenção às questões sociais e políticas. Êsses mega-espetáculos realmente atraem as multidões, seja pelo anacronismo dos dogmas sob orientações anteriores, seja pela necessidade de a grande massa menos favorecida buscar o reencontro do seu caminho na religiosidade, como tábua de salvação.

CATÓLICISMO APOSTÓLICO BRASILEIRO
Foi fundada em 1945 por D. Carlos Duarte Costa, que se autodenominou Bispo de Maura. Por discordar pública e formalmente dos dogmas da Igreja Romana, foi excomungado pelo Santo Ofício por insubmissão, em 06 de junho de 1945. Em 18 de agosto do mesmo ano fez êle um manifesto à Nação e anunciou a fundação da nova igreja. Sua doutrina admite o divórcio, dentro do Evangelho; abole o celibato eclesiástico e rejeita a confissão auricular. Muitos padres foram ordenados. Possui hoje cêrca de 40 bispos, 300 padres e dois milhões de fieis em 22 dioceses, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e sul de Mato Grosso, com núcleos também em m Lajes (SC), no ABC paulista e Brasilia, além de algumas unidades também na Venezuela, na Guatemala e no Panamá. Após a morte de seu fundador, houve cisões internas, ficando a igreja subdividida com nomes variados, como: Nacional, Trinitária, Ecumênica, Episcopal.

CATOLICISMO ORTODOXO ORIENTAL:
A Igreja ortodoxa é católica. Nasceu em Constantinopla, por volta do sec. XI, sem jurisdição universal, quando os patriarcas de Constantinopla e de Roma não superaram suas diferenças. Desvinculando-se da autoridade do Papa, expandiu-se para a Rússia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Checoslovákia, Chipre, Albânia e Polônia. Tem as mesmas crenças, mas difere na prática do cristianismo. Considera-se a legítima herdeira do apóstolado de Cristo, seguindo, porém, aos seus grandes Patriarcas. Sofreu também influência da cultura grega e do Império Bizantino. Fazem o batismo e a crisma em conjunto. Reverenciam aos santos, mas com menor formalidade. Sem voto de castidade, os padres são casados, só não podendo casar-se após a ordenação. Em geral os patriarcas usam barba, seguindo a Biblia. Os bispos devem ser celibatários, escolhidos entre os monges. Alegam que a infalibilidade do Papa e o apostolado não provêm de direito divino, mas da eclesiástica. Sua teologia não define doutrina própria ou dogmas da Igreja. Esta é o organismo vivo do corpo de Deus, o Cristo encarnado (Deus-homem). Êste está imanente no homem, como uma

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ponte entre o céu e a terra. Crêm no Evangelho, no Pentecostes (Espírito Santo) e na reencarnação de Cristo. E também em muitos santos. A Biblia e os Testamentos não valem fora da Igreja, pois só é espiritual e mística, sem jurisdição. Sua mensagem básica é a vitória do homem sobre a morte. No ofício eucarístico consagram-se as hostias e renova-se o mistério da encarnação. Os sacramentos fazem a conexão de Cristo com o mundo. São sete: batismo, crisma, penitência, comunhão, ordens santas, casamento e extrema-unção. E ainda abençoam a água, o pão, o prédio da igreja, o cemitério, os ícones e as cruzes. Nos cultos, não há crucifixos, entalhes e esculturas com cenas da Biblia. A criação da humanidade provém da sabedoria divina e da natureza de Deus. É contra a tradição monástica de isolamento, por falta de liberdade.

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CAPÍTULO IX O PROTESTANTISMO CRISTÃO:
No fim da Idade Média, a Igreja Católica se encontrava em triste situação moral, que abrangia todas as suas hierarquias. Buscar honras, diversão e dinheiro era aspiração comum entre os sacerdotes, bispos, cardeais e papas. No século XVI era forte a corrente do Catolicismo insuflada nos govêrnos. O papa Leão X, por exemplo, concedeu a um príncipe da Alemanha pregar indulgências para arrecadar fundos destinados à construção da Basílica de São Pedro em Roma. Havia ainda outros protestos contra a Igreja, como o luxo do Vaticano e das igrejas, a administração central do Papa, o celibato dos padres, as imagens, o purgatório, os sacramentos e as pregações sem a Biblia. Foi então que surgiu o Protestantismo, com Lutero e Calvino, promovendo a chamada Reforma, em 1517 d.C. Mantendo a transcendência de Deus, ela determinou que a devoção coletiva à Igreja passasse a ser de cada um para com Deus. Aboliu o celibato. Eliminou as imagens e o purgatório. Negou o pão e o vinho no altar. E substituiu o latim pelo alemão nas Escrituras. Com o advento da tipografia, em 1450, surgiram os primeiros livros, inclusive a Biblia. Lutero se dedicou mais à salvação da alma e pela igreja livre do estado, enquanto Calvino se prendeu mais à doutrina de Deus, dando origem às seitas presbiteriana, anglicana, batista e metodista. Na Suiça, Zwinglio, mais radical que Lutero, liderou a reforma com apoio das autoridades. Depois deles, Inácio de Loyolla, dentro da católica, elaborou a chamada ContraReforma para evitar a divisão, fundando a Companhia de Jesus, em 1534. Desenvolveram-se dois movimentos: o clássico e o radical. O movimento clássico (igrejas luterana, reformada e anglicana), mesmo conservando o sentimento católico, revoltou-se com certos aspectos do cristianismo como os ornamentos dos padres e dos púlpitos, quando deveriam ter apenas uma simples toga preta. Perfilaram-se contra a autoridade papal, de jurisdição plena sôbre toda a cristandade. A onipotência de Deus era redentora. E a alma devia ligar-se diretamente a Deus. O movimento radical, por sua vez, veio a designar as várias seitas protestantes, para a direita ou para a esquerda. Criou dois tipos: o evangélico e o humanista. Do evangélico veio a igreja reunida, de moral severa, para quem igreja seria apenas associação. O humanista preocupou-se com a relação do homem e da igreja com a sociedade, adaptação do cristianismo à razão e à cultura. Abandonando a revelação, buscavam mais o valor filosófico. Igreja é instituição sociológica. Foi mais materialista e caiu em declinio. Pontos fundamentais do Protestantismo:: 1) A biblia e as escrituras do Antigo e Novo Testamento, mais que a tradição e a igreja, são autoridades nos assuntos de fé e prática cristã (contra a católica, papado e concilios). A biblia foi traduzida diretamente do grego ou hebraico, e não do latim, para as diversas linguas do ocidente. Era maior que a igreja. Deus falou e a verdade redentora existe. A chave para a compreensão da Biblia é o Evangelho. 2) Cristo é soberano e a igreja é agente da sua vontade. A salvação se obtém pela fé, não pela nossa bondade mas pela

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bondade de Cristo. É preciso reconhecer o que Deus fez e identificar-se com êle. Cristo é soberano da igreja e do mundo. E contra o Estado, se necessário. O evangelismo continuou em evolução, rumo à nova era. A empolgação permanente do catolicismo e suas igrejas e a necessidade de uma teologia própria, mais sistemática, ecumênica e adaptada às culturas e a luta contra o racionalismo tornaram-se pontos fundamentais. A natureza da verdade cristã, por Pascal e Kirkegaard e a crítica do homem e da natureza por Dostoiewski e Nietzche desafiaram o realismo da Biblia. A palavra de Deus tinha que ser mais obedecida. A grande meta dos evangélicos era que se criasse no mundo um concilio ecumênico global, para abranger a todos os cristãos, à luz da Biblia universal, e não como no Concilio de Trento (1545), que, apesar das esperanças, teve cunho só católico e não cristão. Com efeito, levantada a questão pelo protestantismo, tratou da divisão do papado e estabeleceu linhas gerais para os católicos, na liturgia, além de discutir a natureza da autoridade na relação entre fé, obras dos fieis e sua salvação. Tanto os protestantes como os católicos chegaram a ser perseguidos e mortos por suas pregações, geralmente em fogueira, eis que cada Região ou Estado deveria adotar a fé de seu governante. Quanto à Biblia, não aceitaram outros escritos além dela, aconselhando o seu uso a todos e buscando interpretá-la com sabedoria. O Protestantismo, enquanto se desenvolvia, foi criando adeptos com idéias às vezes divergentes em parte daquelas básicas que recebia. Por causa disso, acabaram sendo criadas muitas seitas, de cunho evangélico, as quais serão melhor definidas em capítulo separado. Há três correntes dentro do Protestantismo: 1) Evangélicos (Luteranismo, Calvinismo, Anglicanismo, Presbiteriana, Batista, Metodista e Adventista do Sétimo Dia); 2) Evangélicos Pentecostais (Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, O Brasil para Cristo, Deus é Amor); Evangélicos Neo-Pentecostais (Universal do Reino de Deus (1978), Internacional da Graça de Deus (1980), Exército da Salvação, Renascer em Cristo (1986), do Evangelho Quadrangular, Sara Nossa Terra e outras). As Igrejas Pentecostais, originadas do protestantismo, apresentam poucas diferenças entre si, quanto aos dogmas. Inspiram-se em São Malaquias, profeta menor anterior a Cristo, que teria criado o dízimo. Ser evangélico é crer sòmente na Biblia, que contém o Evangelho, mas não no Papa e nem nos Santos Católicos. E ser pentecostal significava acreditar no Espírito Santo. Estas, devido ao apoio espiritual que presta à população mais humilde, últimamente têm crescido muito mais, no conjunto, do que a Católica Romana. No Terceiro Mundo existem cêrca de 100 milhões de adeptos, e, no Brasil, 25 milhões de pentecostalistas. Entre seus pastores e bispos encontramos vários membros que nem sequer possuem curso primário completo. São todas genuinamente populares. As Igrejas Neo-pentecostais começaram a surgir a partir de 1960, com utilização intensa dos meios de comunicação. A primeira delas foi a chamada “Nova Vida”, originada nos Estados Unidos da América, mas pouco difundida do Brasil.

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LUTERANISMO :
Aceita o Velho e o Novo Testamento, como palavra infalível e revelada por Deus, além do Livro da Concórdia, de 1580, com confissões universais e luteranas, e mais 06 documentos elaborados no século XVI por teólogos luteranos. As confissões luteranas englobam os seguintes Credos Ecumênicos: 1 - Credo Apostólico - (revisão do Romano, no século VIII). Por êle, Deus Pai é o Criador, Deus Filho é o Redentor, e Deus Espírito Santo é o Doador da vida. 2 - Credo Niceno - É mais detalhado na doutrina de Deus Triuno e sua obra, na divindade de Cristo, e se constitui na principal confissão de Fé. Vem do Concilio de Constantinopla, em 381 d.C., homologado pelo Concílio da Calcedônia. É aceito por luteranos, anglicanos e católicos. 3 - Catecismo Maior - Escrito em forma contínua. Expõe os Dez Mandamentos, composto por Lutero, para uso de pastores, professores e pais na educação cristã. 4 - Catecismo Menor - Ensina por perguntas e respostas. Contém os Dez Mandamentos, o Credo Apostólico, o Pai Nosso, o Sacramento do Batismo, o Ofício das Chaves e a Confissão, e o Sacramento do altar (Santa Ceia). 5 - Confissão de Augsburgo - Com 28 artigos, representa a declaração dos luteranos, ao rei Carlos V, em 1530, após reunião para encerrar a disputa entre católicos romanos e luteranos, na Alemanha. Reafirma Cristo como único salvador dos homens. 6 - Fórmula de Concórdia - Exposição correta das Sagradas Escrituras. No Brasil, a primeira igreja foi fundada em Joinvile - SC, em 1945. A partir daí criaram-se outras, em Curitiba - PR e Recife - PE. Adotam 05 pilares: 1 - Adoração = ao único Deus, verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo. 2 - Comunhão = do povo de Deus, para cristãos e não cristãos. 3 - Educação = dos membros na doutrina da Fé, pelas Escrituras. 4 - Serviço = prática da Fé em Deus e no amor ao próximo. 5 - Testemunho = ordem deixada por Cristo aos seus fieis. Resumo de seus ensinamentos: A Biblia é a palavra de Deus. Seu autor é o Espírito Santo, elaborada por 44 escritores. Interpreta-se por si mesmo. O Novo Testamento é o cumprimento do Antigo. Cristo deve ser adorado, sem idolatria. O homem é criação de Deus e se perdeu no pecado. Nasce com o pecado original. Pecado é transgressão à palavra de Deus. É rebelião e quem comete terá de prestar contas. No Evangelho há salvação. Deve arrepender-se. Jesus Cristo é divino e humano. Conversão é correção, mudança da vida, renascimento espiritual. Opera-se pela palavra de Deus e os Sacramentos. Fé é a confiança do arrependido no perdão de Cristo. É ato não da vontade humana, mas da graça divina. Ministério pastoral é oficio ordenado por Deus. O batismo foi ordenado por Jesus. Transmitem fé e perdão dos pecados. Deus voltará para julgar a todos, vivos e mortos, que irão para o Ceu ou para o Iinferno. O Luteranismo encontra-se disseminado na Alemanha e na Finlândia.

ANGLICANISMO :
Vem desde 1534, com a difusão do Cristianismo a todos, sob o poder do Espírito Santo. Os anglo-saxões se converteram e, com a chegada de Santo Agostinho, reconheceram o Papa como Chefe supremo. Porém, após 1000 anos, com a Reforma Protestante, rechaçou a autoridade papal mas manteve a fé católica, o apostolado, os sacramentos do Batismo, da Eucaristia, do Matrimônio, da Extrema-Unção dos enfêrmos e da Penitência. Resulta, pois, de uma fusão de

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Catolicismo com o Protestantismo (contra os abusos do alto clero). No Brasil, estabeleceu-se em caráter permanente em 1890, em Porto Alegre, por membros do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Mas seu crescimento aqui sempre foi lento. Condena a politica que oprime a liberdade e toda sua fé se centraliza em Cristo ressucitado. Prega a justiça e a paz entre as classes, raças e nações. É ecumênica, pois busca a união de todas as igrejas, cristãs ou não. Deus é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Além da Biblia seguem a tradição da Igreja reunida no Livro de Oração Comum, com leis antigas e modernas. Mantém o Conselho Consultivo Anglicano e a Conferência dos Primazes. O arcebispo de Canterbury representa esta união de interêsses, sem poder administrativo além de sua província. O Bispo (supervisor) é o pastor principal, que preside a eucaristia, ordena homens e mulheres ao ministério e celebra atos litúrgicos. Os presbíteros (anciãos) são os lideres pastorais das congregações locais, assistidos pelos diáconos. Êstes fazem também o trabalho missionário junto a pobres e enfermos. Desde há pouco tempo, passou a admitir ordenação também de mulheres, sacerdotizas, sendo que a primeira ordenada ao sacerdócio ocorreu em 1994. Não há voto de castidade e os padres podem casar-se. Observam o ano cristão. No culto, dirigem as leituras da Biblia, dos Salmos e do Livro de Oração Comum, com a manifestação da Palavra do Ministro. Depois celebram a Santa Eucaristia. Toda a celebração é acompanhada de cânticos e hinos, com música de órgãos ou outros instrumentos modernos.

PRESBITERIANISMO:
Fundada por Calvino, na Suiça, partiu do luteranismo e desenvolveu a doutrina da predestinação. Deus estabeleceu que todos nascem com destino certo em tudo no mundo. Alguns deles serão destinados à salvação eterna dos demais. E outros à condenação eterna. Jesus só morreu por êsses eleitos. É muito combatida pelas outras seitas, porque Jesus dissera: “Ao que vem a mim, eu não deixarei fora”. Ramo do calvinismo, o presbiterianismo chegou ao Brasil em 1859. Hoje comporta subdivisões internas com os nomes de Conservadoras e Independentes. Sua organização se compõe de um Conselho de Ministros, que a dirige. Seus cultos são de muita música de alegre louvor e muito estudo da Biblia. Crêem no Espírito Santo. Combatem todo tipo de pecado e se integram nas lutas dos homens e suas comunidades.

BATISTA:
Dissidente do Anglicanismo, originou-se numa pequena comunidade da Inglaterra em 1604, por discípulos do pastor John Smith, que não se conformava com a organização (episcopado) e a liturgia dos anglicanos. Sofreu pressões e ameaças e teve que se asilar na Holanda, com sua comunidade. Em 1612, alguns deles retornaram e abriram a primeira igreja. Difundiu-se para a India e para os EUA, onde surgiram sub-seitas como: Discípulos de Cristo, Batistas do 7º Dia e outros. Quase 200 anos depois, William Carey intensificou o movimento missionário entre os cristãos reformados. Em 1810 não logrou êxito uma Conferência inter-igrejas. E só em 1910 veio a ter lugar, em Edimburgo, a Conferência Missionária Mundial, considerada o início do movimento ecumênico batista até hoje.

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Hoje se resumem em duas correntes norte-americanas: Batistas do Norte (mais liberais e inclinados a obras sociais) e Batistas do Sul (mais rígidos em suas crenças e costumes). No Brasil, teve inicio em 1881, em Salvador - BA. Também de cunho evangélico, utiliza igrejas fixas (hoje com quase 1.000 no Estado de São Paulo) e missionários com intensas campanhas na sua tarefa de ampliar a pregação. Tem seminários, com cursos de teologia, dá assistência espiritual a orfanatos e encarcerados. Possuem colégios de médio e grande porte. Sua administração é popular, pois qualquer um pode ser eleito ou eleger os demais pelo voto. Os cultos se centralizam em pregações, orações e hinos. Em Washington-EEUU se localiza a sede mundial da Aliança Batista e, no Brasil, sua entidade máxima é a Convenção Batista Brasileira. Com o grande desenvolvimento a partir de 1980, agrega hoje cêrca de 1.000.000 de membros em todo o Brasil. Sua doutrina se resume no seguinte: 1) Adoração a Deus; 2) Ardorosa crença em seus milagres; 3) Muita divulgação da Biblia, como livro inspirado, embora sujeito a muitas interpretações; 4) A virgindade de Maria é aceita por uns e não por outros; 5) A Ceia do Senhor, celebrada no primeiro domingo de cada mês, é só para recordar a morte de Cristo; 6) Mas o pão e o vinho continuam a ser pão e vinho, sem a presença real de Cristo; 7) A Igreja é invisível, formada por todos os que aceitaram a Cristo como Senhor e Salvador; 8) Cobram dízimo.

METODISTA:
Fundada por J. Wesley, pastor anglicano inglês, em 1729. De vida exemplar e organizada, julgou que teria perdão direto de Deus e, por isso, foi proibido de pregar por sua igreja. Formou grupos de discípulos e passou a pregar em portas de fábricas, o que contribuiu para evitar uma guerra na Inglaterra. Um pastor anglicano visitava-o a cada ano, para orientações evangélicas. Mais tarde, rompeu com os anglicanos e passou a ordenar seus próprios ministros, sem ter sido sacerdote, porque, segundo êle, presbítero e bispo na Biblia significam a mesma coisa. Com o crescimento da seita, houve muitas divisões internas, cada uma delas dando ênfase menor ou maior a temas religiosos, como o uso da Biblia, a fôrça do Espírito Santo, a hierarquia, os sacramentos, o trabalho social etc. Aceitam semelharem-se aos anglicanos mas são eternos anti-calvinistas. Seus adeptos parecem ser menos dedicados à doutrina generalizada do evangelismo do que na vida pessoal de cada um de seus membros. É dotada de pastores e bispos, fazem ação missionária e seguem normas de um Concílio próprio. No campo da ajuda ao próximo, dedicam-se ao aprimoramento do ensino, instituiram e são mantenedores de Institutos e Faculdades Metodistas, com vários cursos superiores etc. Acreditam em Deus como criador do mundo e dotado de fôrças trancendentais sôbre os homens, que foram feitos à sua semelhança, por meio dos quais Êle opera, com muito amor. Deus ama a todos e por isso, devemos esperar, nÊle, pela salvação de nossas culpas, por misericórdia e justiça que emanam de seu amor infinito. Jesus Cristo é seu filho, eterno e divino Verbo feito carne entre nós, onde, revelando a natureza do Pai, atuou com infinita sabedoria e viveu sem pecado. Seu sacrifício na cruz e sua ressurreição fizeram nossa redenção e garantia de vida eterna. Embora invisível, Êle continua a

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viver entre nós e na sua compreensão está a esperança da humanidade no presente e no futuro. Crêm também no Espírito Santo, sempre presente em nossas almas e corações. A Biblia é o registro sagrado da revelação de Deus e o relato de como proceder para alcançarmos a perfeição em Cristo. Traz as regras de fé e conduta. Resistiu a tentativas de sua destruição e continua, hoje, mais crível e indispensável do que nunca, por suas verdades. O homem, à semelhança de Deus, há de ser digno e probo na conduta. Se tem pecados, pode levantar-se por meio da graça e em busca do bem. Por isso, deve ter fé e cumprir penitências pelos pecados. A graça não será pelo nosso esfôrço, mas pelo amor de Cristo, que morreu por nós. Sua doutrina se resume nas afirmações de que: 1) A salvação é para todos. Cada um de nós a sente por si mesmo, como “nascido de novo”; 2) Ela se dá só pela crença em Jesus Cristo e no perdão pelos pecados; 3) Na segunda vinda de Cristo, todos os santos o acompanharão, para reinar na terra durante 1.000 anos. Então os judeus, como povo, aceitarão a Cristo e haverá paz mundial; 4) Admitem o Batismo como início da vida cristã; 5) Admitem a Ceia do Senhor, como centro do culto e do alimento espiritual; 6) Ainda que o casamento não seja um sacramento, não deve ser fomentado o divórcio; 7) O metodismo é a favor do ecumenismo. A razão pode nos levar a Cristo, mas a segurança maior está no arrependimento e na fé. Assim, devemos crer no Espírito Santo e no Evangelho, seguindo a tradição cristã, através dos cultos na igreja, que é universal e representa a comunidade dos crentes. A vida terrena é breve, devendo ser centralizada no amor, na segurança e na perfeição cristã. A morte passa a ser eterna. De natural passa ao mundo espiritual, onde haverá união direta com Deus.

ADVENTISTAS DO 7º DIA:
O Adventismo, também chamado Sabatismo, nasceu nos EUA, em 1831, fundado por William Miller, que se desvinculara da Igreja Batista. Baseado numa interpretação da Biblia, acredita na iminência de uma segunda vinda de Cristo à Terra. Previu data para êsse acontecimento e errou. Imaginou outra e morreu antes, sem que também ela se concretizasse. Sua meta principal era a crença nesse retorno, para um reino de 1.000 anos, antes do Juizo Final. No Brasil, o primeiro grupo de adeptos formou-se em Brusque (SC) em 1879. Em 1895 viria a ser criada a Missão Brasileira da Igreja Adventista. A partir de 1863, a seita sofreu grande evolução, com a sra. White, que revitalizou as crenças e designou o resultado como “remanescente”. Ela teve visões e publicou muitos livros, que os sabatistas consideraram quase iguais à Biblia, sendo o mais importante deles “O conflito dos séculos”. São tidos como inspirados por Deus, sem êrros e infalíveis. Para ela, os Dez Mandamentos, da Biblia, são a Lei de Deus, obrigatória para sempre. Crêm nas Escrituras Sagradas (Velho e Novo Testamento) e na Trindade Divina. Deus está além da compreensão humana, mas é conhecido por meio de sua auto-revelação. É o criador de tudo, justo e santo, devendo ser adorado. Acreditam na ressurreição de Cristo, seu filho, que também voltará para o Juizo Final, ou Apocalipse (por isso são adventistas). Já houve anterior rebeldia e devastação, de que se originou o dilúvio. Os justos falecidos virão com êle, para se juntarem aos justos da terra, serem glorificados e seguirem para

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o Céu, enquanto os ímpios morrerão. Êstes voltarão só 1.000 anos mais tarde (ressurreição dos ímpios). Só a partir daí não haverá mais pecado e o mundo será livre e feliz. Crêm também na Ceia do Senhor e no Batismo, por imersão na água, como um símbolo da união com Cristo e do perdão de nossos pecados. O Espírito Santo inspirou as Escrituras. Negam o inferno e as suas penas. Os mortos dormem entre a morte e a ressurreição. Os pecados e os pecadores serão exterminados. A expiação se fará por Jesus e Satanás, juntos. Proibem muitas coisas do Velho Testamento. Condenam o fumo, o álcool e medicamentos prejudiciais, como as drogas. Dão muita importância à saude e seguem uma alimentação vegetariana orientada. A observância do sábado é da Lei de Deus, pela qual se conhece o verdadeiro cristão. Deus ordenou a guarda do sábado em memória à libertação do povo de Israel do Egito. Está no 4º Mandamento. O domingo é de origem pagã, instituido como descanso por Constantino, imperador romano. A lavagem dos pés é obrigatória pelo Novo Testamento. Só a alma dos bons é imortal. Os maus serão destruidos no Juizo Final. Há um santuário no Ceu, onde Deus torna accessível seu sacrifício em nosso favor. O culto se reduz a sermões e cantos. As igrejas são assembléias locais e reunem: pastor, anciãos, tesoureiro e mestre da Escola Sabatista. Os ministros são eleitos pelos adeptos e devem obedecer a autoridade central da Conferência Geral. Esta constitue o poder maior e reune as Conferências locais. A seita é rígida na exigência de dizimos, que investem em propaganda por missionários treinados, imprensa, rádios, escolas, hospitais e visitas domiciliares. Seus periódicos são dois: Vida e Saude e Atalaia. A Casa Publicadora Brasileira, em Tatui - SP também é dos Adventistas, como o Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro. Possuem, ainda, um amplo serviço de assistência social, orfanatos, creches, lares para idosos, escolas de recuperação de alcoólatras e fumantes. Administram, ainda, uma rede de escolas de primeiro e segundo graus e de ensino superior. O mais tradicional é o Instituto Adventista de Ensino, na Estrada de Itapecerica da Serra - SP.

Hoje, a Igreja Adventista do 7º Dia tem cêrca de 11 milhões de adeptos, no mundo todo.

ASSEMBLÉIA DE DEUS:
É uma das igrejas pentecostais. Apesar de em 1911 já existirem no Brasil outras religiões evangélicas, os suecos Berg e Vingren são tidos como precursores da Igreja em nosso meio, tendo sido a primeira fundada por êles em Belém do Pará. Pregaram Jesus Cristo como único Salvador e a atualidade do Batismo no Espírito Santo. Alcançou depois outros centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte Porto Alegre. Pregam a ortodoxia doutrinária, tendo a Biblia como a única regra de fé. Tem considerável poder político, mas age sacerdotalmente. Protesta contra as iniquidades sociais, mas não descura de suas responsabilidades como organização. Suas crenças: 1) Em um só Deus, em três pessoas; 2) Na Biblia como única regra infalível para normatizar a vida e o caráter cristão; 3) No nascimento virginal de Jesus; 4) Na sua morte expiatória; 5) Em sua ressurreição corporal e ascenção aos céus; 6) Na pecaminosidade do homem; 7) No seu arrependimento e na fé em Cristo para restaurá-lo; 8) No perdão dos

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pecados; 9) No batismo por imersão do corpo inteiro nas águas;10) Na necessidade e possibilidade de termos de viver em santidade; 11) Nos dons espirituais do espírito santo; 12) Na segunda vinda de Cristo em duas fases: a) invisivel ao mundo para arrebatar a sua igreja, e b) visível e corporal, com a igreja santificada, para reinar por mil anos; 13) No comparecimento de todos os cristãos no apocalipse, para recompensa ou castigo pelo que fizeram na terra, de bem ou mal. CONGREGAÇÃO CRISTÃ: Nesta Igreja, fundada em 1910, com doutrina semelhante à da Metodista, só os seus membros são considerados irmãos entre si e só Deus sabe quem será salvo. Não pregam em público. Não oram de joelhos. Não têm pastores. As mulheres ficam sempre em segundo plano. Embora muito fanáticos, não evangelizam.

UNIVERSAL DO REINO DE DEUS:
Uma das mais radicais, com grande marketing atual, é a Igreja Universal do Reino de Deus, constituida no Brasil por Edir Macedo. Para superar-se frente às religiões de cunho afrobrasileiro, invocam até o demônio para depois expulsá-lo. Sua maior arma contra os incrédulos, tentando convencê-los a serem participantes, é a invocação da Biblia e dos benefícios de Jesus Cristo. Abre mão de muitas regras do pentecostalismo, mas não deixam de acreditar no Espírito Santo, como espírito de Deus. E falam também da Santa Ceia. Suas manifestações de fé refletem sempre um suposto poder dos pastores, que nas pregações prometem até curas, como intermediários entre as situações difíceis dos adeptos e o poder de Deus. Os sofrimentos dos fiéis, aliás, são sempre bem especificados, como: miséria, fome, desemprêgo, doenças, separações em família, dívidas financeiras, vícios, problemas morais, e, enfim, tudo o que haja de ruim em suas vidas. Divulgam muito os seus dogmas, principalmente em televisão, onde, bem falantes, fazem argumentações prolixas sôbre trechos da Biblia, sempre em suas mãos, e, depois, orações de improviso a Deus, clamando em nome de todos os presentes e ouvintes. Às vezes usam um copo com água, que, tomada pelos crentes, traria a bênção de Deus a todos os males. Às vezes até se ajoelham, de cabeça baixa e olhos fechados. E, nos cultos das igrejas, por se tratar de locais mais particularizados, mostram-se ainda mais ardorosos em suas orações a Deus, com verdadeiros exorcismos. Dão constantemente todos os enderêços de suas igrejas (uma infinidade), nas quais os visitantes acabam sendo informados que devem mantê-las com pesados dízimos. Além disso, mostram sempre, no rádio e na televisão, testemunhos “ardentes” de pessoas que “foram curadas” de problemas físicos, morais ou sociais. A Igreja pretende ser ecumênica, para união de todos os cristãos, mas tem divergências também com outras Igrejas, como a luterana, a metodista, a anglicana e a presbiteriana, mais integradas com a católica. Dizem-se ardentemente a favor da Biblia e contra a idolatria. Jesus, o único mediador entre Deus e os homens, expulsa os demônios, que causam todos aqueles males, e, após os pedidos, cura os enfermos e garante a todos vida eterna. Hoje, sob a influência maior de Edir Macedo, que se auto-denominou “bispo”, a Igreja conseguiu crescer ràpidamente e montar um esquema grande de pastores e prédios alugados em locais diversos, e até promoveu alguns deles como novos bispos, com grau por certo inferior ao seu. Expandiu, assim, os seus interêsses pessoais e constituiu, ao seu redor, com os dízimos escorchantes, um patrimônio extraordinário, em condições de lhe permitir, em pouco tempo,

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adquirir muitos dos prédios. Sempre ambicioso, partiu então , com verbas a rodo, para divulgar a Igreja em muitos outros paises (Há cêrca de 11.000 igrejas em todos os continentes). Assim, segundo a Revista “Veja” de 03/11/99, págs. 38 a 47, sua arrecadação devia ter ultrapassado a dois bilhões de reais em 1999, tornando-se uma das 100 maiores emprêsas do País. A organização, aliás, já é proprietária de 80 emprêsas, nacionais e internacionais, dentre as quais uma financeira, uma construtora, uma gráfica e várias estações de rádio e de televisão (Record e Rede Mulher, no Brasil). Nos EE.UU (Rev.Veja - 06.09.2000), com o slogan “Pare de sofrer”, a seita se espalha com a velocidade de um incêndio. Já são 40 as igrejas existentes, 26 delas na Califórnia, sem contar os pequenos núcleos. O “New York Post” critica a Igreja por “vender a salvação”. Descreve os cultos como “dramas teatrais durante os quais os fiéis acreditam estarem tomados por demônios, que só pastores da Universal Church of the Kingdom of God podem exorcisar”. Aquela Revista relata, ainda, que José de Oliveira, aprumado e boa-pinta, brada em portunhol os ensinamentos de Edir Macedo, em Manhattan, para assegurar que qualquer doença desaparece se os fieis lavarem as mãos em certa água do Rio Jordão. Além disso, para se livrarem de dificuldades econômicas, devem êles rasgar as roupas trazidas para o culto. Por fim, passa o chapeu para a arrecadação da Igreja (doações de fiéis não são contrárias à Lei americana). Há outras igrejas no Bronx, Brooklin, Queens e Long Island. Há queixas contra a Universal na Promotoria do Texas, pois seu lider é muito rico, recorre a ameaças veladas para obter doações e não há registro de emprêgo de dinheiro em obras de caridade. Como religião, ela não faz parte da Assembléia Eclesiástica dos Estados Unidos, nem é afiliada à Associação Nacional dos Evangélicos do País, instituições que congregam as igrejas reconhecidamente sérias. A seita, ora formando comunidades em paises da África, importa grandes líderes e formam pastores em cada local, após três meses de treinamento. São pessoas de baixos recursos e pouca escolaridade. Curso de teologia, nem pensar. Passam a ganhar 2.400 dólares mais 5% sôbre a arrecadação da “sua” igreja. Ascensão e prestígio dependem do lucro que conseguem obter nas suas missões.

INTERNACIONAL DA GRAÇA DE DEUS:
Considerada como Neo-Pentecostal, foi fundada em 1980 pelo pastor evangélico Romildo Ribeiro Soares, mais conhecido por R. R. Soares, casado há décadas com a irmã do “bispo” Edir Macedo, da Universal, da qual a Igreja da Graça, com sede no Rio de Janeiro, é dissidente. O maior mérito de Soares é divulgar o evangelismo por rádios e TVs. Tem quase 100 horas semanais em Canais abertos (Gazeta, RedeTV, filiais do SBT etc.). Tem cêrca de 700 templos no Brasil, Uruguai e Portugal (Revista Veja, 13/09/2000). Mais discreto e com menos estardalhaço do que Macedo, seus cultos são parecidos com o da Universal: começam com uma pregação, vindo depois os testemunhos das pessoas que teriam recebido uma bênção. Também prometem curas para todas as doenças e fazem exorcismos. Por fim, os pedidos de dinheiro, sendo sugerida uma contribuição de R$30,00. Boletos bancários também são distribuidos aos fiéis. Tal arrecadação seria destinada ao pagamento dos programas de televisão. Mas Soares já possui uma gráfica, uma gravadora e uma editora de livros (todas de cunho evangélico).

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Diz também que exorcisa o diabo, que seria causa de toda anormalidade no ser humano (o homossexualismo, por exemplo, não é doença nem safadeza, mas um espírito maligno incorporado). A cura é pela fé na palavra de Deus. Mas, apesar de sua fé inabalável na proteção divina, não divulga quais os carros que possue para uso próprio, de sua mulher ou seus filhos, com medo de assaltos.

EXÉRCITO DA SALVAÇÃO:
Nasceu em Londres, Inglaterra, em 1865. Seu fundador é o pastor metodista, William Booth, juntamente com sua esposa, Catherine. Pretendendo ajudar aos mais necessitados, sairam êles às ruas e distribuiram comida, davam banhos, liam e explicavam a palavra de Deus. Utilizaram tendas de lona, portas de bares, cinemas, teatros e qualquer lugar que lhes pudesse ser liberado para as pregações. Assim, outras pessoas foram se juntando ao movimento, em busca de escaparem de seus vícios ou de outras dificuldades em suas vidas. A forma de organização, desde o inicio, era a estrutura militar das fôrças britânicas. Cada novo membro queria transformar-se num “soldado de Jesus”, para lutar contra o pecado e a degradação. Surgiram os uniformes, a bandeira e os títulos. Depois, formaram até bandas de música marcial na Inglaterra. No Brasil, chegou oficialmente em 1922, no Rio de Janeiro. Hoje está entre nós em 38 cidades, com 43 igrejas, atendendo à sociedade através de centros sociais comunitários, lares para crianças, anciãos e mães solteiras, creches, residências para estudantes, pré-escolas, clínicas médicas e dentárias, centros comunitários até para crianças de rua, seminário teológico e sede campestre para acampamentos. Publicam periòdicamente a Revista The Wae City - Brado de Guerra.

RENASCER EM CRISTO:
A Fundação Renascer constituiu-se em S. Paulo em 1990. É instituição mais filantrópica do que religiosa, com atividades culturais, artísticas e assistenciais. Seu grande objetivo é revalorizar o ser humano, diminuindo-lhes o sofrimento imediato, mediante um trabalho assistencial e beneficente. Faz doação de bens duráveis, alimentos, agasalhos, palavras e atos. Sem fins lucrativos, conta com voluntários treinados e capazes de fazê-los voltar ao equilíbrio emocional, reintegrando-os à sociedade. Seu plano de ação parece ser bem definido: Dão assistência médica, psicológica e odontológica. assistem aos carentes e crianças nas favelas. Distribuem cestas básicas, leite, roupas e sopas. Têm cursos profissionalizantes. Mantêm SOS da Vida 24 horas por dia, com mensagens de cura e libertação aos depressivos, viciados e solitários. Atendem aos desafortunados, viciados em drogas ou prostituição. Arrecadam verbas com shows, ginkanas, pedágios e sorteios. E também agasalhos para serem doados. Assistem aos encarcerados e aos homens e mulheres da terceira idade. Além disso, mantém abrigos e núcleos assistenciais, com todo tipo de atendimento e cursos (alfabetização de adultos, corte e costura, cabeleireiro, encadernação, fabricação de fraldas etc.). Seu “Expresso da Solidariedade” é um conjunto de ônibus que giram pelo Grande São Paulo, levando comida, roupa e assistência em geral.

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Nessa atividade global fazem também alguma divulgação da Biblia, do Evangelho e de Jesus Cristo como Deus. Pretende ser ecumênica, com a finalidade de unir aos cristãos. Mas é rejeitada por outras seitas evangélicas, como a Luterana, a Metodista, a Anglicana, a Episcopal e a Presbiteriana, cuja tendência é maior na busca da aproximação com a igreja católica romana.

EVANGELHO QUADRANGULAR:
É também chamada de Cruzada Nacional de Evangelização e foi fundada pela batista canadense, Aimée Semple McPherson, que, com o dom da oratória, pregou a sua mensagem e alastrou a doutrina pelos EE.UU. e outros 60 paises. Em 1822, numa grande tenda em Oakland, Califórnia, manifestou-se o espírito santo de Deus com muito poder. A tenda acomodava 8.000 pessoas e estava superlotada. Muitos tinham vindo de longe, famintos pela palavra de Deus. Aimée, falando sôbre a visão do profeta Ezequiel, teve uma intuição e disse aos fiéis: “Quatro animais representam quatro títulos de Jesus: O homem é o salvador, o leão é o batizador, o vitelo é o médico, e a águia é o Rei que voltará. Êste é um momento de alta inspiração. É o Evangelho Quadrangular”. Ela veio ao Brasil em 1951 e atraiu muiitas pessoas pela sua linguagem simples. As pregações começaram em S.João da Boa Vista-SP e mais tarde estabeleceu-se a crença em São Paulo. Hoje, os membros da Igreja em todo o mundo passam de três milhões, que frequentam mais de 26.000 igrejas em mais de 100 paises. Até o fim de 1999, quase 38.000 ministros e obreiros realizando obras assistenciais, dando auxílio econômico e ajudando pessoas a obterem emprêgo, além do trabalho evangélico.

SARA NOSSA TERRA:
Muitos ainda nem ouviram falar a respeito desta seita. No entanto, criada em Brasilia em 1992, como Comunidade Evangélica Neopentecostal, ela vem se desenvolvendo muito ràpidamente, dobrando o seu rebanho a cada dois anos e chegando, hoje, a possuir cêrca de 100.000 fieis e de 300 templos no Brasil, incluidos alguns em Portugal, Paraguai, Bolívia e Estados Unidos. A razão do fenômeno é simples: Sua Igreja reune figuras distintas da classe média, como a artista Monique Evans, o jogador de futebol Marcelinho Carioca, o deputado federal Paulo Otávio, o artista Dedé Santana e as cantoras Gretchen e Baby do Brasil (Rev. Veja - 04/10/2000), enquanto as outras se ligam mais ao povo humilde. Afirma seu bispo Robson Lemos Rodovalho, fundador e ex-catedrático de física, que a melhor maneira de transformar o País é evangelizando as classes privilegiadas. Pela sua doutrina, as mulheres não precisam renunciar à mini-saia, ao topless na praia, às pôses de nudez e às tendências de homossexualismo. Tudo se conjuga com a presença do Espirito Santo. Aos sábados, há celebrações com música tecno ou rock. Os dízimos, naturalmente, são também de bom tamanho, a ponto de já ter permitido a construção de um templo mundial, em Brasília, no valor de 4 milhões de reais. Já possui um canal numa TV por assinatura, uma revista e um jornal. Já estuda também a compra de uma estação de radio e de uma emissora de TV. Enquanto o grosso do crescimento de outras igrejas evangélicas seja atribuido ao alento que procuram dar às camadas mais marginalizadas, como mendigos, prostitutas, drogados e travestís, a Sara Nossa Terra faz o caminho inverso. Como êles também demandam por

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espiritualidade, é por adaptação de seu discurso a êles que ela apresenta o desempenho notável na sua expansão. O nome veio de uma passagem bíblica em que Jesus Cristo teria dito que retornaria para “sarar a terra”. Grande parte de seus pastores têm curso superior. Ou são médicos, ou psicólogos, ou assistentes sociais. Para êles, as pessoas, menos ou mais próximas, sempre giram ao redor de Deus.

OUTRAS SEITAS:
Há ainda uma infinidade de outras seitas protestantes, extremistas ou não, menos ou mais fanáticas, não detalhadas neste livro: Calvinista (1536), Congregacionalista (1550), da Ciência Cristã (1866), o Brasil para Cristo (1955 - pentecostal), Nova Era (1960 - neopentecostal), Deus é Amor (1962 - pentecostal), de Restauração, Meninos de Deus (1968), Gospel, da Bênção, Bíblicas, Evangélica Armênia; Atletas de Cristo, Cristã de São Paulo; Cristã Reformada do Brasil; Episcopal do Brasil (anglicana), Positivista do Brasil, Metodista Weslwyana, Cristrocêntrica etc.

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CAPÍTULO X ESPIRITISMO CRISTÃO:
KARDECISMO
É o conjunto de princípios e normas, que se dizem revelados por Espíritos Superiores. A Federação Espírita do Brasil divulga o kardecismo, como sendo a doutrina cuja fonte vem dos cinco livros escritos por Allan Kardec, uma verdadeira codificação desses princípios. Também é conhecida como “mesa branca”. Aqui, quando falarmos de Doutruina Espírita ou Espiritismo, estaremos particularizando o kardecismo, de maior elite, sendo as outras seitas, afro-brasileiras, tratadas em separado. A doutrina nasceu na França, mas se desenvolveu muito no Brasil, onde Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco são os seus maiores representantes. De acôrdo com a Federação Espírita Brasileira, há cêrca de 8.000.000 de adeptos e 30.000.000 de simpatizantes. Não faz estardalhaço como o das Igrejas Evangélicas. O Espiritismo crê na sobrevivência da alma e sua reencarnação e na comunicação do homem com as entidades desencarnadas, ou seja, as pessoas que já morreram. Acreditam que os espíritos dos mortos voltam à terra e se reencarnam em novos sêres humanos, no nascimento. A finalidade disso, para os adeptos, é pagar pelos êrros cometidos em encarnações anteriores, num processo contínuo, até zerar tudo, atingindo-se um estado de plena perfeição moral, com ensinamentos do Evangelho. Por isso, devemos sempre fazer o bem, ajudar em obras assistenciais e fazer caridades. Embora professe fenômenos fantásticos, como a possibilidade de viajar para outros mundos e falar com mortos, quem procura o kardecismo em busca de emoções arrepiantes, sai decepcionado. As sessões espíritas em geral começam com uma palestra sôbre um tema evangélico, evolui para uma discussão amigável e termina com um “passe”. O passe é uma transmissão de energia que, crêem os adeptos, ajuda a resolver problemas físicos, psicológicos e espirituais. Mas há também sessões de “cura espiritual”, ou desobsessão, feitas em salas fechadas. Admitem até cirurgias feitas por médicos já mortos, através do “medium”. Tais curas seriam por mera transmissão de energia, havendo até aqueles que “cortam” o corpo para abolirem o mal do paciente. Neste campo, jornais já estamparam muitos charlatanismos. Kardec definiu o Espiritismo como uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. Ainda, segundo êle, não só faz com que o homem saiba de onde vem, para onde vai e porque está na terra, como também consola pela fé e esperança. Toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos e deve ser estudado e praticado nos aspectos científico, filosófico, religioso, ético, educacional e social. São seus princípios fundamentais: 1 - Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. É eterno,imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

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2 - O Universo é criação de Deus. Abrange todos os sêres, racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais. 3 - Conhecemos dois mundos: o espiritual, primitivo e eterno, onde ficam os espíritos desencarnados, e o corporal, secundário e habitado pelos homens que constituem os espíritos encarnados. 4 - Mas há outros mundos habitados no Universo, com sêres em diferentes graus de evolução, menos ou mais evoluidos que os homens. 5 - Todas as leis da natureza (físicas ou morais) são divinas, por terem sido criadas por Deus. 6 - O homem é um espírito encarnado em um corpo material. O perispírito é o corpo semimaterial que une um ao outro. 7 - Os espíritos: a) preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação; b) rencarnam tantas vezes quantas necessárias ao seu próprio aprimoramento, as quais se interligam pela lei do carma; c) têm inteligência, constituem o mundo dos espíritos e são eternos (preexistem e sobrevivem a tudo). De simples e ignorantes, êles evoluem até a perfeição, de grande felicidade. d) pertencem a diferentes classes: Os Puros (os mais perfeitos, também chamados de anjos), os Bons (nos quais há o desejo do bem, mas também o ódio, a inveja, o ciume, o orgulho), e os Imperfeitos (caracterizados pela ignorância ou desejo do mal). 8 - Jesus é guia e modelo para a humanidade. Sua doutrina é expressão pura da lei de Deus. Sua moral (Evangelho) é o roteiro para a evolução dos homens. 9 - O homem é livre em suas ações (livre-arbitrio), mas responde pelo que fizer. Seu procedimento, conforme a lei de Deus, será analisado para gozos ou penas. 10 - A prece, resultado de sentimento inato, é ato de adoração a Deus. Quando contém sinceridade, fervor e confiança, fortifica o homem contra o mal, com a assistência de bons espíritos, e o torna melhor. A prática espírita é gratuita, realizada com simplicidade e não tem ritos, sacerdotes, altares, imagens, velas, sacramentos, procissões, paramentos, álcool, incenso, fumo, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides ou cristais. Não impõe seus princípios e submete seu ensino ao crivo da razão de cada um. Acreditam piamente na reencarnação. No mundo espiritual, os espíritos são livres, até que se reencarnem em um corpo da espécie humana e racional, na terra, como seu envoltório. A hierarquia espírita tem diferentes graus. Por isso, a encarnação é feita como missão ou como expiação. Nossas penas aqui na terra refletem as características de cada um de nossos espíritos incorporados, em busca da perfeição moral. Após nossa morte, retornam à liberdade e ficam errantes até nova reencarnação. Seu caminho para a perfeição é sempre progressivo. Não há encarnação em animais.

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O que faz a comunicação dos espíritos com os homens é a mediunidade. Todos nascemos médiuns, mas essa faculdade em algumas pessoas é bem desenvolvida e deve ser aproveitada, dentro da doutrina espírita e da moral cristã. O espiritismo respeita a todas as religiões, que tentam buscar a transformação do homem para uma vida melhor. Valoriza a prática do bem. Recomenda a liberdade de pensamento e o amor ao próximo. Trabalha pela confraternização entre todos os povos, independentemente de raça, cor, nacionalidade, crença e nivel cultural ou social. Não discrimina nem mesmo os que afirmam não acreditar em Deus. Não faz proselitismo. Não admite dogmas contrários à lógica, ao bom senso e à razão. Por isso, crê no homem como feito à semelhança de Deus (não física mas espiritual), e não no Deus criado pelo homem, com imperfeições. Deus é espírito ativo e não podemos admitir bajuladores ou o inferno ao seu lado. Se não conservamos os alimentos para sobrevivência, o ar puro, e o rio limpo, ou se fumamos, se preferimos vida violenta ou vivemos de mau humor, porque culpar a Deus ou a Satanás pelas poluições ou pelo nosso sofrimento? Nós é que criamos os males, não Deus. O castigo é nosso, por nós mesmos. Além de Kardec, Chico Xavier e Divaldo, impulsionadores do Espiritismo, são ainda bem conhecidos como médiuns brasileiros Bezerra de Menezes e Emanuel. Muitas obras foram psicografadas. E há outros médiuns que se notabilizaram, fazendo “curas espirituais”, invocando, por exemplo, o Dr. Fritz, um médico alemão. Além do kardecismo, existem outras seitas, em geral de menor cultura, como Umbanda, Candomblé, Macumba, Quimbanda, Quiromancia, Astrologia, Vodu etc. Todas pregam a possibilidade de comunicação dos espíritos com os encarnados e a sua reencarnação, definindo a terra como planeta de expiação. No Brasil, há muitas personalidades que seguem a doutrina (Veja, 26/07/2000), como: o general Alberto Cardoso e o cardiologista Carlos Cesar de Albuquerque, ex-assessores de Fernando Henrique Cardoso; o novelista Benedito Ruy Barbosa; o jogador de basquete, Tande; a bailarina Sheila Carvalho etc. Para Leibniz, filósofo, Espiritualismo tem quase o memo sentido. É a existência do espírito como fenômeno e realidade sobrenatural e livre, superior e anterior à matéria, em forma de consciência universal. É pensamento puro e vontade absoluta. É um espiritismo mais panteista, pois admite também a existência de demônios.

CANDOMBLÉ
Religião afro-brasileira, teve início nas práticas religiosas das tribos, na África, muito antes do período da escravidão. Eram ritos de preservação cultural dos grupos étnicos, promovendo muita música e dança. No Brasil, aportou em diferentes áreas, predominantemente na Bahia, associados à vinda de escravos negros trazidos da Nigéria, Benin e Togo. Expandiram-se também por vários estados, adotando diferentes formas e rituais. Depois teve contacto com indígenas e com o kardecismo trazido da França, dando origem à Umbanda, que se desenvolveu em paralelo, enquanto o Candomblé continuou a manter-se como religião só dos negros, mais misteriosa e mais forte que aquela por suas tradições originais. Sua missão em princípio era fazer o bem, mas também costumava fazer o mal. Por isso, também se relaciona a Satanás.

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Os adeptos do Candomblé, mais negros do que brancos, fazem ocultismo e usam ervas, pós e terra em seus cultos. Respeitam os Orixás, mas fazem sacrificios, às vezes sangrentos, com ofertas de bebidas, para afastar os Exus. Invocam almas de pretos-velhos. Também tomam bebidas para fechar o corpo e indicam certos banhos para afastar maus olhados. Seu pai de santo, chefe do terreiro, em geral chamado de “painho”, associa o seu nome a um dos Orixás, como Pedro de Ogun, Ricardo de Oxossi etc. Conseguem aglutinar bom número de seguidores nas sessões, mas se afirma que há sempre um poder maligno rondando-os. Fazer sua cabeça significa vender a alma ao Orixá, para não mais poderem sair da seita. Também comerciam bugigangas. Preserva muito as origens africanas e evita o sincretismo religioso.

UMBANDA:
O movimento umbandista, ainda uma mistura com candomblé, teve inicio em meados do século XIX, na África, onde os escravos cantavam e dançavam, buscando, com os pretosvelhos (Orixás), alento espiritual aos que estavam no cativeiro. No Brasil, porém, surgiu por volta de 1920, em Niteroi - RJ, quando se tornou autônomo, com novas regras, características e agrupamentos associativos. Em 1939, foi fundada a Federação Espírita de Umbanda do Brasil. O têrmo Umbanda veio do sânscrito e significa: ligação com Deus. Tendendo mais para o sincretismo, a Umbanda, para a formação de seus rituais e incorporação de orixás, sofreu influências do Espiritismo kardecista, do Catolicismo e de outras religiões orientais, como o budismo. Orixás são os espíritos bons de pessoas que já sofreram na terra. Em sua maioria são pretos-velhos, ex-escravos, caboclos indígenas e alguns outros, aqui considerados como Sêres Superiores, representando a natureza e agindo nos homens com a prática do bem. Os Guias, que estão abaixo de Deus e acima dos homens, são espíritos de luz que descem à terra para ajudar encarnados e desencarnados, podendo ser adultos, crianças, boiadeiros etc. Os espíritos ou são bons, de luz, ou obsessores e maléficos, sem luz. Seus principais Orixás, que correspondem aos santos católicos, são: Oxalá (Jesus Cristo ou N.S.Bonfim), o primeiro e o maior de todos, independente, criador do mundo e com supremacia sôbre todos os demais; Oxum (N.Sra. da Conceição), a mãe da paz, união, beleza e elegância; Yemanjá (N.Sra. da Glória ou N.Sra.dos Navegantes), a majestade dos mares; Iansã (Santa Bárbara), a mãe forte, determinada, combativa; Ogum (São Jorge), guerreiro, comandante e poderoso; Xangô (São Pedro), viril, habilidoso e justiceiro, que convive com as lideranças, políticos e govêrnos; Oxossi (São Sebastião), aventureiro, caçador e curandeiro. E outros como: Obá (Sta.Catarina), guerreira; Ibeji (S.Cosme ou S.Damião), da bondade e da inocência; Obaluiê (S.Lázaro ou S.Roque), do calor e do sol; e Oxumarê (S.Bartolomeu), do movimento e da ação. A Umbanda é, pois, um misto de kardecismo, catolicismo e budismo, agrega elementos de bases africanas. Cultua os Orixás, que se incorporam nos médiuns evoluidos. Recebeu também influência do oriente, quanto à reencarnação e o kharma (recompensa ou castigo pelas coisas feitas), dos indígenas, e também do Catolicismo, como a caridade e o auxilio ao próximo. Aos Orixás se fazem oferendas, banhos com incensos e perfumes. Alguns centros fazem “linha

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branca”, com o dirigente e os médiuns ao seu redor. Às vezes essas mesas têm perfumes e flores e, raramente, velas. Com cânticos, recebem pessoas recem-falecidas, mas não os Orixás. Os Exús são os espíritos maus, que representam adultério, prostituição, morte, pederastia, maldades. Mas também fazem algum bem. Frequentam encruzilhadas, cemitérios etc. Quando vem, o Exu é doutrinado e afastado, às vezes com oferendas. Há mediuns que incorporam demônios. No terreiro, geralmente às segundas e sextas-feiras, o pai ou mãe de santo gira ao som de palmas e atabaques, em geral com a roupa branca. Incorporados, os médiuns fazem caridades aos presentes, dão “passes” e “descarregos”. Os médiuns se desenvolvem para chegarem a pai de santo e, assim, se tornarem instrumentos dos Guias e Orixás. Os umbandistas crêem que a lei divina apenas garante a evolução dos espíritos, mas que só êles próprios podem escolher o caminho para alcançá-la. A reencarnação é o ato natural do ciclo da vida. Este traz evolução do espírito, através das reencarnações, cujo processo é objeto do kharma, às vezes incorporado num Guia, para redimir êrros passados e cumprir boas ações no futuro.

QUIMBANDA:
É semelhante mas rival da Umbanda. Preocupa-se mais com fazer o mal, a pedidos. Predominam o sangue do sacrifício de animais e as côres preta e vermelha em lugar do branco e o azul. Para êles, Deus é bom, mas o Diabo não é mau, pois também faz algum bem. Os Exus são protetores das prostitutas, viciados, ladrões etc. Consome-se muito a cachaça (marafo).

MACUMBA
É uma forma mais liberal e profana das práticas anteriores. Com poucas normas, formas e doutrinas. Há de tudo em seu terreiro. Muito comum na periferia de São Paulo e baixada fluminense. Seguem muito seus dirigentes (babalaôs). Fazem descarga com defumação. Usam atabaques e cantos. Na abertura, Oxalá (Jesus) deve dar licença para a sessão. Marcam ponto para chamar orixas, caboclos, exus. Promovem danças, passes, consultas e brincadeiras. Os guias exigem oferendas. Farofa, pipoca e cachaça são comuns.

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CAPÍTULO XI RELIGIÕES NÃO CRISTÃS OU MISTAS:
PERFECT LIBERTY:
Sua doutrina se constitui de 21 preceitos, recebidos por iluminação, como no budismo. Para êles, o homem é parte da divindade (panteismo terreno). O homem deve auto-expressar o seu Eu verdadeiro, como manifestação de Deus (não definido). Só assim êle pode ser feliz e conseguir a liberdade. Para entrarem em sintonia com as leis divinas, fazem preces, juras sagradas e promessas. Valorizam o trabalho e pedem contribuição. Também usam mágicas e superstições, como no Taoismo, havendo até um pacto para quem entra não mais sair. Buscam o benefício primeiro a si e depois para os outros. Para conseguirem a paz universal visam mais as coisas da vida: riqueza, paz, saude e felicidade, do que a alma, o céu, o inferno, o julgamento e a ressurreição. Recomendam que não sejamos preguiçosos, não tenhamos cobiça, não magoemos o próximo, façamos doação e demos graças a Deus e a Oshieoyá-Samá. Fazem lavagens cerebrais para ensinarem ao homem que o sofrimento não existe.

BAHAISMO:
Fundado na Palestina, no início do século XIX, onde surgiu um novo Messias, de nome Mirza Ali Mohamed , cognominado “o Bab”, que anunciou modificações no Corão, sendo, por isso, o seu grupo perseguido pelo clero islâmico como um perigo para a sua fé e para o Estado. O Bab sofreu influências de sunitas e xiitas. Chegou a ser considerado o sucessor de Moisés, Cristo e Maomé. Mas acabou sendo condenado e executado em 1850, com 30 anos de idade. Pressentindo isso, êle transferiu seu título de Bab a um de seus discípulos, Mirza Husaun Ali, filho de nobre, que recusou cargo na côrte persa para lutar pelos oprimidos. Cognominado Bahá’u’lláh (Glória de Deus), era um exilado, que também foi encarcerado, desterrado para Bagdá, onde, mesmo na prisão, revelou seus ensinamentos da Fé Baha’í e anunciou sua condição messiânica, pela qual seu êrro era “desejar o bem do mundo e a felicidade das nações, que as guerras desaparecessem e reinasse a paz”. O novo Bab escreveu, entre outros, “O livro da certeza”, onde explanou as escrituras do judaismo, do catolicismo e do islamismo. Morreu com 75 anos, em 1892, mas deixou seu filho, Abbas Effendi, como continuador. Êste, que acompanhou todas as perseguições sofridas pelo pai, levou a mensagem para o Egito, França, Inglterra e EE.UU. Durante a primeira guerra (1914/18), alimentou o povo da Palestina, preservou os cereais da destruição pelos turcos e abasteceu o exército que conquistou a Terra Santa. Discursou em sociedades, clubes e igrejas, não admitindo distinção de religião, raça, côr, nação ou classe. Morreu em 1921. A seita continuou, dizendo-se aglutinadora de todas as religiões, culturas e linguas. O Centro Mundial Baha’í tem sua sede na Terra Santa, Palestina, e é composto de 09 membros, eleitos a cada 05 anos. Sua administração tem 03 níveis: local, nacional e internacional. Há mais de 70.000 Centros Baha’ís no mundo, procedentes de todas as religiões. Seu livro sagrado se

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chama: Qitáb’Aqdás e seus principais templos estão na Rússia e nos EE.UU. No Brasil estão em Goiânia, Brasília, Anápolis, Rio Verde, Recife e Belo Horizonte. Não aceitam contribuições dos não bahaistas nem do Govêrno. Continua a ser perseguida no Irã, ex-Persia. Formam uma só família, uma só humanidade, sem sacerdotes, rituais e cerimoniais. Acreditam em um só Deus, indefinido, que ama a todos e é o mesmo em todas as religiões. As disputas religiosas são motivadas pelo apego ás aparências nos rituais externos. Mas todos ainda se unirão. O ódio entre elas é como o fogo que devora o mundo. Os profetas só ensinaram paz e amor. Todos deveriam se amar mùtuamente, com harmonia e união entre todos. Os bahaistas sonham com a busca livre da verdade. Sonham com uma paz e um idioma internacionais, e crêm constituirem-se na religião universal, com a convergência dos credos, ainda que quando ocorrer a nova vinda de Cristo, considerado um profeta (como Moisés e Maomé) e que outras religiões proclamam. Aí haverá leis universais, para todos, fraternidade e igualdade social, abolição da riqueza e pobreza (cada um deve receber de acôrdo com sua capacidade e necessidade), religião e ciência em acôrdo uma com a outra. Assemelha-se com a teosofia (todas as religiões são uma só). Defendem a igualdade dos sexos, quanto a direitos, incentivam a educação de todos, admitem a existência da alma imortal, ou espírito, no homem, que só vive uma vez e não se reencarna. Pode evoluir depois (semelhante ao purgatório). Adotam um regime místico de números, com ênfase no número 19. Não reconhecem a Jesus Cristo, nem o Espírito Santo, como

parte de uma trindade. O nascimento de Cristo valeu para a sua época, mas êle não concluiu sua obra, que continuou com Bahá‘u’lláh.

MORMONISMO:
Mais comumente chamada de Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. No inicio do século XIX, Joseph Smith, seu fundador, aos 10 anos de idade teve uma visão de Cristo, que o instruiu a não se associar a nenhuma igreja existente, todas falsas. Em 1827, aparecera-lhe um mensageiro (Moroni), que lhe indicou um lugar onde se encontrava o Livro de Mórmon, escrito 1.500 anos antes, em placas de ouro, com hieroglifos egipcios e conservado pelo poder de Deus. Só poderia ser “entendido” mediante o uso de certas pedras preciosas como lentes. Feito isso e “traduzido”, um anjo levou o livro original. Na verdade, tal Livro continha trechos adulterados do Antigo Testamento e de livros das igrejas e não passa de um manuscrito que caiu nas mãos de um ex-pastor batista, com acréscimo de algumas idéias modernas. Diz que a Biblia é insuficiente e altera alguns de seus trechos. O Livro narra que, com a humanidade dispersa na Babilônia, parte do povo chegou às Américas, onde os índios, desde 600 anos antes de Cristo, eram judeus. O próprio Jesus, após ressucitado, veio à América para formar novo mundo, com outros doze apóstolos. Mas essa igreja desapareceu 400 anos depois de Cristo. Onze dos seguidores de Smith firmaram uma declaração para confirmar que tinham visto o livro original, porém, mais tarde, três deles retiraram seus testemunhos e abandonaram a seita.

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Smith, em 1830, fundou a primeira e, depois, várias outras igrejas, tendo sido um de seus mandamentos a poligamia, que, após muita revolta nos adeptos, foi abolida em 1890, e a proibição de negros ao sacerdócio (abolida só em 1978). Parece que chegou a ter 50 esposas. Preso, foi arrancado do cárcere e assassinado pela turba enfurecida, em 1844. A seita, no entanto, tendo-o como profeta e mártir, sobreviveu com B. Young, que reuniu todos em Utah e organizou todo o Mormonismo, morrendo em 1877, quando deixou 27 viuvas e 56 filhos. A seita sofreu divisões internas e uma das facções condenou a poligamia. No Brasil, os primeiros missionários chegaram em 1928, mas sua instalação oficial se deu só em 1935. A partir de 1960 começou a ter bom desenvolvimento, ao ponto de hoje, 600.000 adeptos se encontrarem no Brasil, dentre os cêrca de 10.000.000 no mundo. Os mórmons são chamadas de SUD, e são êles os Santos dos Últimos Dias. Usam a “Biblia”, tida como incompleta, o “Livro de Mórmon” e dois outros livros próprios, “Doutrina e Convênios”, com 136 revelações, incluida a poligamia, e onde diz que há vários deuses, e “Pérolas de Grande Valor”, com doutrinas fora da Biblia. Também são aceitas como escrituras, por terem grande valor as palavras de seus profetas vivos. Politeista, a seita acredita que existem vários deuses no universo, cada um deles cuidando de um dos planetas. O Deus da terra é Elohim, chamado de Pai Celestial, que antes foi humano, teve esposa e, exaltando-se, ganhou seu planeta e gerou filhos espirituais com suas esposas. Jesus Cristo, o primeiro de seus filhos (por isso chamado de primogênito), teve o nome de Jeová. É o irmão mais velho de Lúcifer e feito de carne e ossos. É também nosso irmão. Foi gerado da relação do Pai Elohim com Maria, único filho dela (por isso unigênito), e escolhido para criar muitas coisas. Qualquer um de nós pode também vir a ser Deus. O Espírito Santo, com forma de homem, é diferente do Pai e do Filho. Sem carne e ossos, não é omnipresente. Mas os três não formam uma trindade, pois são distintos, constituindo um triteismo. Os deuses se revestem de corpos em vários planetas. O Deus dos Mórmons tem a forma humana, com espírito eterno, e, depois de ter vivido aqui, foi aperfeiçoado. Êle só quer o bem e que venhamos a ser como Ele. Nota-se que Smith, no inicio monoteista, passou depois a ser triteista e, no fim, a politeista. A seita é hoje muito rica, possuindo fazendas, área, templos próprios, escolas em vários graus, muitas estações de rádio e ao menos uma de TV, jornais, gráficas, lojas etc. Afirma que Cristo voltará à terra, hospedando-se diretamente no condado de Jackson, EE.UU., onde há grande reserva de terras para a sua recepção. Nós existiamos antes, no mundo espiritual, mas sem compartilhar da divindade dos deuses. Viemos então à terra, em corpos mortais, para, vencendo o pecado, conseguirmos ser como Deus, como única forma de conseguirmos a nossa salvação. Só os mórmons fieis poderão atingir êsse grau de glória. Com a morte, o espírito volta ao mundo espiritual. Dali, os justos vão para o paraiso e os ímpios sofrerão tormentos. Depois serão designados para um dêstes quatro reinos: 1 - Celestial – os justos, tornando-se deuses e vivendo com o Pai; 2- Terrestre - os imperfeitos, voltando para aprenderem o evangelho mórmon. Serão visitados só pelo Filho e ficarão solteiros, sem família.

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3 - Teleste – os ímpios, para sofrerem no inferno, conforme seus pecados, até nova “ressurreição”. Só serão visitados pelo Espírito Santo. 4 - Trevas Exteriores - os ex-mórmons, que viverão com Satanás e seus demônios, com tormentos e misérias eternas. Consideram-se a única igreja verdadeira, a restauração do cristianismo primitivo, que se desviou dos ensinamentos e foi restaurada por Smith, em 1830. Só os mórmons podem entrar nas igrejas. Em seus rituais, marido, mulher e filhos são “selados”. Assim, ao ressucitarem, voltarão a ficar reunidos e felizes. Os dízimos são recolhidos nas reuniões de domingo. Fazem batismo dos novos integrantes e também pelos mortos não-mórmons, para garantir-lhes a salvação. Nas cerimônias de “investiduras”, nos templos, os iniciados recebem uma roupa íntima branca, com alguns símbolos, que se obrigam a usar por toda a vida. Condenam bebidas fortes, especialmente as alcoólicas. Na ceia do senhor substituem o vinho por água. Chá, café ou outra bebida que vicie não devem ser consumidos. Entre homens e mulheres não há igualdade. Casado com Emma Smith, Joseph tinha mais onze esposas, embora a poligamia fôsse proibida no Livro dos Mórmons. Aos doze anos, os meninos já podem ser membros e aos dezenove podem ser eleitos. As mulheres não podem fazer parte do sacerdócio e seus filhos impúberes têm mais condição de aconselhar a mãe do que esta em relação a êles. Seus missionários são jovens, visitam de casa em casa e trabalham das 6,30 hrs. às 22,30 hrs., o homem servindo por 24 meses e as mulheres por 18 meses, fazendo 10 horas por dia de proselitismo (visitação), cada um às suas custas, e com quase nenhum contacto com suas famílias. Os missionários se multiplicam no trabalho árduo e agressivo. São bem treinados a convencer, inclusive ressaltando a união da família para a eternidade. Sua doutrina se resume ao seguinte: / Adoração a Deus / Ser submisso aos governantes e às leis / Jejuar por 24 horas uma vez por mês / Maria não era virgem / Jesus foi polígamo, sendo suas esposas, Maria e Marta, irmãs de Lázaro, e Madalena / Os espíritos foram gerados sexualmente por deuses com suas esposas / Cristo na terra não criou nada, só coordenou o processo / As almas evoluem após a morte / Só a igreja mórmon é a verdadeira e a pior de todas é a Católica / Cobrar 10% de toda a renda para a igreja como obrigação absoluta / A poligamia masculina é direito divino e a mulher deve ser submissa / Os negros são filhos do diabo e amaldiçodos por Deus, pois vêm de Caim, que por seus pecados ficou negro / Os indios e os mestiços são como são pelo pecado / O batismo é desnecessário, mas pode ser feito (só em adultos), por imersão e pelos mortos / Cristo não está na hóstia nem no vinho consagrados. A hierarquia da seita se compõe de presidente, missionários, sacerdotes, bispos, anciões, mestres e diáconos. Com grande organização eclesiástica e a administração dos dízimos, desenvolveu muito o fanatismo mórmon e, com isso, suas propriedades aumentaram extraordinàriamente. Hoje, no mundo, há quase cinco milhões de adeptos. Mas surgiram também Igrejas dissidentes, com nomes incomuns, como: Igreja Reorganizada, Igreja dos Strangistas, do Lote do Templo, Bitchertonista e Cutlerista, em geral ligando cada seita aos nomes de seus seguidores em particular.

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TESTEMUNHAS DE JEOVÁ : Adventista e filho de pai presbiteriano, Charles Russel fundou a seita em 1872, na Pennsylvania, EUA. Em casa, era tirano com a mulher. Como mensageiro, teria a função de preparar a volta de Cristo, em 1914, quando começaria um milênio de felicidade. Acabariam as igrejas, especialmente a Católica, os governos, os bancos e as escolas. Fundou a revista “Atalaia” em 1884, ganhou muito dinheiro, montou grande imprensa e adquiriu propriedades. Naquele ano programado, porém, o que ocorreu foi o inicio da Primeira Guerra Mundial. Para explicar a frustração, disse êle que Cristo veio sorrateiramente, lutou com Satanás e o expulsou para outro lugar, onde êle continuaria a fazer o mal.
Russel morreu em 1916, e foi sucedido por Rutheford. Êste, a partir de 1922, fez grande campanha contra a Igreja Católica, considerada por êle como a grande inimiga da sociedade, a mãe das abominações na terra, a pior de todas, fundada pelo diabo. Seus sacerdotes são demônios. E as autoridades civís são também diabólicas, porisso não devemos defender a pátria com armas, nem saudar a bandeira. Em 1925 voltariam Abraão, Isac e Jacó, para gozarem de plena felicidade no mundo novo, que teria início. Não aconteceu nada. Rutheford morreu em 1942, sucedido por Natán Knorr, que fundou a escola bíblica e preparou missionários. Hoje são os fieis comandados por um presidente, sete servidores regionais, cento e cinquenta servos de distrito e os servos de campanha. Sua doutrina nega a divindade, a ressurreição e a salvação por Cristo, bem como as doutrinas do Cristianismo (não há Trindade e o Espirito Santo não é Deus, mas apenas sua fôrça); Maria não é mãe de Cristo e não continuou virgem, tendo mais filhos, nem é imaculada, nem subiu ao Céu; é contra o batismo; é proibido ter imagens; não celebram o Natal ou outras festas; a alma (sangue) morre com o corpo; não existe inferno; o fim do mundo está próximo; é proibido comer carne de animais impuros e sangue; não há sacramentos; ter imagens e renderlhes cultos é idolatria, condenável; o casamento se dissolve com o adultério; Cristo não está presente na hóstia. Jehová é o nome de Deus. Não se consideram pecadores e não precisam de salvação. Têm Biblia particular, adaptada aos seus interêsses. Fazem proselitismo, de dois em dois, para introduzir livros, prestar assistência, convidar aos Salões do Reino, que não são templos. Têm Emissora, Editora e Instituto Biblico. Publicam as revistas Despertai, fundada em 1946, e Sentinela. A Biblia deve ser estudada e sempre em conjunto com outras publicações. Os livros são quase sempre em vinil e vendidos baratos. Quem não vender é rebaixado à condição de mau servo. Espirito santo é um fluido que emana de Jeová Deus, para executar a sua vontade. São contra a transfusão de sangue, pois o sangue é a alma, que não pode passar para outro. A alma dos mortos não vão a parte alguma, pois não existem. O inferno, para eles, é este mundo, ou a morte. Não se consideram pecadores e não precisam de salvação. Fazem quatro reuniões semanais: Duas dedicadas ao estudo da Atalaia, outra às técnicas de propaganda e outra ao serviço religioso. Seu crescimento deriva do fanatismo de sua

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gente, falar e nunca escutar, considerar a todos (diga-se: os mais ignorantes, treinados) como responsáveis pela extensão da doutrina (de casa em casa) e difusão das ideias por livros e revistas. A Biblia só é palavra de Deus se traduzida pelos adeptos da seita.

SEICHO-NO-IÊ:
Seicho-No-Iê significa, no grau máximo, casa, abrigo, plenitude da vida, abundância, sabedoria. Constitui-se de uma mistura de xintoismo, budismo e cristianismo. Pretendem ser o agrupamento das religiões. Todos somos filhos de Deus, que é imanente. Seu Deus absoluto, Amenominakamushi, é que se manifesta em Cristo (com a cruz), em Buda (com a lua) e no Xintoismo (com raios de sol). Êsses emblemas são os símbolos do universo. Massaru Taniguchi nasceu pobre e, sob educação severa, maldizia a vida. Mas leu muito e, embora pessimista, procurou una explicação lógica do mundo e do homem. Influenciouse pelas teorias de Bergson e de Adler. Como as ciências psíquicas o atraiam, fundou a Teologia do Movimento Seicho-No-Iê, no Japão, como Associação Cultural. Em 1922 lançou a revista “Seicho-No-Iê” e, a seguir, o livro “Crítica a Deus”, onde Judas, traidor de Cristo, é tido como heroi. Em 1930 transformou a Associação em seita e a registrou, com o intuito de salvar o homem. Na 2ª Grande Guerra, infuenciou os operários das indústrias da Mandchúria. A seguir, escreveu nova obra em 40 volumes: “A verdade da Vida”, que se tornou o livro básico da doutrina. Visitou muitos paises da Europa e do Ocidente. Desde 1952 está no Brasil, em vários estados, onde, além das Igrejas, fazem seminários, palestras e conferências. Divulgam um calendário com mensagens diárias e distribuem gratuitamente a revista “Acendedor”. Sua doutrina se resume no seguinte: Através da auto-sugestão, não existem doenças, males, dores, pecados, depressões econômicas, pois tudo isso são produtos da mente. Dizem também que o pecado não existe. As curas milagrosas são seu principal ensinamento, no sentido de dirigir a mente para essa consciência. A matéria não tem existência real, mas só o espírito, que tem karma e a domina e controla. Todos, sem excessão, somos filhos de Deus (mesmo os ladrões e assassinos). Todos temos amor, vida, alegria, sabedoria e harmonia infinitas. A alma é imortal. Deus é panteista, pois está em cada um de nós. A consciência do pecado encobre a natureza divina do homem. Por isso, é preciso removê-lo de nossa mente para podermos visualizar a nossa imagem verdadeira e então sermos felizes. Não se interessam por Cristo ou pela Biblia, mas só pelos escritos de Taniguchi. Crêem no karma dos espíritos, mas dizem que o céu é aqui, o que é estoico. Fazem preces para tudo. Na morte, a alma deixa o corpo material porque chegou ao seu limite de uso. A mente tem grande poder de imaginar coisas positivas e negativas. Há contribuições, mediante assinatura de próprio punho em livro, para a “arca sagrada” no Japão, donde as vibrações de luz. Fazem grande campanha do Acendedor, sua revista, como as testemunhas de Jeová. A seita mantém também um movimento de jovens, de nome Seinenkai, composto quase sempre de filhos dos adeptos. Êles e se reunem, cantam e são bem unidos entre si.

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MOONISMO:
Criado em 1945, nos EUA, pelo Rev. Moon, coreano, através da Igreja da Unificação. Hoje êle se encontra instalado em Mato Grosso do Sul - BR, embora a Coréia seja a “terra prometida”, para a centralização do reino de Deus na terra. É dono de bilhões de dólares na Coreia, Estados Unidos, Uruguai e Japão. Diz-se a Igreja da Unificação, pois o Cristianismo estava inacabado. Seu livro “Os princípios divinos” seria uma complementação da Biblia. Casou-se cinco vezes e teve 13 filhos (amar e multiplicar-se é um dom santo). Em 1960, ao casarse pela quinta vez, com uma moça de 18 anos, considerou-a a Nova Eva, a mãe do Universo. Julga-se o cabeça de uma família ideal e seu sonho maior será construir uma nação ideal. Seus filhos são sem pecado e os adeptos são membros da Igreja. Prega a paz universal do homem, das famílias e das nações. Quer acabar com o comunismo ainda reinante, pelo qual age Satanás. O universo é a parte exterior de Deus. Jesus o selecionou, quando orava. Êle, portanto, é o continuador de Cristo. Considera-se mas não quer ser chamado de Novo Messias pelos adeptos. Recuperar o mundo de satanás, com orações criadas (lavagem cerebral). Seus adeptos prometem dar a vida nessa luta. Maria, mãe de Jesus, não era virgem e seu pai era Zacarias. Tanto Cristo, quanto Buda e Maomé são um pouco reverenciados, como profetas sem distinção, a quem só pedem fôrças e não a solução de seus problemas. Não pregam para doentes, mas para neófitos. Moon usa um dualismo, dizendo que Deus é Pai e Mãe, homem e mulher, luz e sombra, “yin e yan”, espírito e carne. Enfim, tem aspectos masculinos e femininos. Temos de orar para que a palavra, o coração e a personalidade divina unifique a todos com a divindade. O homem pode aperfeiçoar-se individualmente e ser a própria essência divina. Mas essa unificação global entre unidade, paz e harmonia, além de difícil, não é só religiosa, mas filosófica e ideológica. Jesus morreu cedo, solteiro e fracassou na missão de redimir os homens na cruz. Só realizou a salvação espiritual mas não a física da humanidade. O cristianismo o converteu em Deus só após sua crucificação, preparada por Satanás. A Igreja da Unificação não faz batismos, nem eucaristia, nem outro sacramento. Faz casamentos, de preferência coletivos, mas não como sacramento. São importantes, porque fazem os homens felizes, em plena forma para chegar a Deus. Casam-se pessoas mesmo desconhecidas entre si, até falando liguas diferentes, quando quiserem. Na Coreia, recentemente, Moon casou 40.000 jovens, de 131 nacionalidades. O que vale é as novas famílias que se formam. O Parlamento Europeu considera a seita perigosa e destrutiva, pelas lavagens cerebrais.

HARE KRISHNA:
O Movimento é mundial e se chama “Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna“, fundado em Nova York em 1966, por Bhaktivedanta, indiano. Parece ter-se originado de Vishnu, o deus bom, mas secundário do Hinduismo. E, mais remotamente, dos Vedas, cujo principal livro é o Bhagavad-Gita, uma escritura sagrada que, além de abranger em sânscrito todos os campos do conhecimento humano, registra a conversa transcedental de Krishna (que na terra viveu há cinco mil anos atrás) com seu primeiro devoto, Arjuna.

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Religião ainda não muito difundida, que visa esclarecer e espalhar o puro amor de seu Deus (Krishna), reencarnado de Brahma, vivendo num planeta privilegiado, onde não existem mortes. É supremo e belo, criador de tudo, e deve ser adorado, enquanto nós, irmãos emanados dessa divindade, somos impuros. Nossa alma é eterna e imortal e, para alcançarmos a Krishna, devemos nos pautar por sua doutrina. A doutrina fornece orientações práticas de como se levar uma vida feliz e espiritualmente progressiva. Possuem centros culturais e escolas no mundo todo, que podem ser visitados pelos interessados. É comum ver alguns de seus integrantes vendendo em praças públicas incenso e literatura. Hare significa energia e Mantra é o canto, em oração, para se receber essa energia. Os adeptos fazem renúncia absoluta a toda tradição ocidental. Seu líderes também são chamados de gurus. Karma é o ciclo continuo de renascimentos. Há separação de sexos em suas comunidades e nenhuma intimidade entre homem e mulher. A disciplina nos templos é de um certo terror, com intensidade segundo cada dirigente. Para participar da seita, deve-se fazer uma iniciação obrigatória de 06 meses no templo, onde se faz inclusive lavagem cerebral do novo membro. Jesus Cristo seria simples filho de Krishna, mas não Deus, nem eterno, nem da mesma natureza que o Pai e o Espírito Santo. É um profeta como Buda, que ensinou como chegar ao Supremo. O homem já foi um espírito perfeito associado a Krishna, e veio a êste mundo provisório (onde tudo é ilusório, ignorância, miseria e doença) para purificar-se com a vida espiritual, eivada com disciplina, devoção e meditação. Assim se alcança a vida eterna e bemaventurada. Não há salvação para os que praticam o mal, pois são demoníacos e voltam à terra para novas purificações. Os devotos da seita ficam livres. Os seres vivos estão sujeitos à lei do karma, ao sofrimento e ao trabalho. O espírito do devoto, ao morrer, vai associar-se ao Senhor, que é anti-matéria. Sua meta maior é voltar ao Supremo, após a purgação na terra, onde nosso corpo é doente. Sua crença é finita, enquanto a de Krishna é infinita. Os adeptos afirmam ser a consciência um reflexo da alma existente em nós. Assim como o Sol, sòzinho, ilumina todo êste universo, a alma, como entidade viva em nosso corpo, ilumina-o através da consciência. Por isso, sabemos que, num dia nublado, o sol continua no céu, embora invisível. Sem a alma, nosso corpo, que ama, teme, fala e respira, seria matéria morta. Para a alma, não há nascimento ou morte. Ela acompanha o reencarnado, da infância à velhice. Depois, reencarna em outro, como se trocasse de roupa. Para quem nasce, a morte é certa. Para que morre, o nascimento é certo. Se morrer como ignorante, sua alma pode renascer como animal, ou como planta, ou como inseto. Tudo depende do bem ou mal aqui praticado. Suas vestimentas são estranhas (sábanas, de cor laranja), com a cabeça raspada. Abandonam suas familias e vivem em comunidade com seus mestres, seguindo o ascetismo hindu. Trabalham em granjas. São os que não alcançaram a espiritualidade. Num segundo estágio, podem se casar, para ajuda espiritual à mulher, que é de uma reencarnação inferior à sua, e só têm obrigações, não direitos. As relações sexuais são reguladas e só existem para procriação. Quando casados, ambos vestem túnica branca e, durante o dia, trabalham independentes. Num terceiro estágio, abandonando a mulher, consagram-se à prática da yoga. Vestem rosa e progridem no aprendizado da consciência divina. Num quarto estágio há renúncia de tudo no mundo, para formação de principiantes e supervisão dos templos e seus adeptos, com roupas rosa desbotado. Dormem seis horas e se levantam às 3,30 hrs. da manhã, para leitura de textos

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sagrados. Fazem várias cerimônias, desjejum às 8,30 hrs. e almoço às 12,30 hrs. Se saem a passeios nas ruas, voltam às 6,00 hrs. para os serviços religiosos da noite. Usam um rosário de 108 contas. São suas práticas e ensinamentos: Cantar, por dia, um mínimo de 1.728 vezes: “Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna, Krishna, Hare, Hare, Hare Rama, Hare Rama, Rama, Rama, Hare, Hare”. Não podem jogar (passatempos ou esportes). É luxo conversar sôbre outro assunto que não seja o religioso. Não se intoxicam (álcool, fumo, café, chá, drogas). Remédios só podem ser usados se absolutamente necessários e sem narcóticos. Não praticam sexo ilícito (fora do casamento). Não comem carne, peixes e ovos, mas sòmente comida preparada, mais frutas e leite (lacto-vegetarianismo). A luxúria, o ódio e a cobiça levam ao inferno.

MESSIÂNICA:
Foi fundada em 1935, no Japão por Mokiti Okada e introduzida no Brasil em 1955. Já pensava êle numa Nova Era, como um período de harmonia entre os homens. Teria tido uma revelação, pela qual Deus lhe deu a missão de construir o Paraiso Terrestre, sem doenças, pobrezas e conflitos. Seria difícil mas era preciso dar o primeiro passo. A Igreja mantém até hoje seu caráter ecumênico, sem distinção de raça, credo, sexo, profissão, nacionalidade e condição social. Afastados há três mil anos da Lei da Natureza, que é a Lei do Universo, os homens se tornaram egoistas e ambiciosos, desequilibrando o planeta. Foram propostas três questões básicas: a Agricultura Natural, o Belo e o Johrei. A agricultura natural visa a harmonia perfeita do homem com a natureza. Isso implica na nãoutilização de agrotóxicos e produtos químicos que prejudicam a saude e agridem o solo. O Belo é um conceito ligado ao Bem e à Verdade e não à forma em si. Um artista consciente de seu trabalho influencia a própria sociedade e colabora no combate à degradação do ambiente e da qualidade de vida do ser humano. O Johrei (confundido com o Reiki e o Seiki) é a transmissão, pela imposição das mãos, da energia cósmica e divina e não da ordem magnética existente no próprio corpo humano. Elimina os males e ocorre de forma gradativa, recuperando a saude (Rev. Sexto Sentido nºs 11/24 e 12/28). Seu comando é sucessório de pai para filhos. Sua filosofia se baseia na Lei do Universo, ou da Natureza, como sendo a vontade de Deus, hoje em desarmonia por culpa dos homens. Pretendem combater o materialismo e a ambição do mundo, mudando, assim, o rumo da humanidade. O desrespeito às leis naturais se vê na agricultura, na medicina, na saude, na educação, na arte, no meio ambiente, na política e em todos os campos da atividade humana. Corresponde à Vontade Divina que o homem leve uma vida harmoniosa e agradável. Se assim não é, o próprio homem deu origem às dores e tristezas, porque foi se distanciando e desrespeitando as leis imutáveis da natureza, por materialismo e egoismo. Com êsse objetivo, a Messiânica cultiva a reeducação do homem, o altruismo (porque é dando que se recebe) e o espiritualismo, que também está nos animais e nos vegetais. Visando a transformação do homem, dão grande valor à divulgação da beleza e da agricultura natural. Neste campo, ensinam o cultivo do ikebana. Tudo deve ser feito sem violências ou proibições, porque é proibido proibir. Não exigem mudanças de costumes ou vicios. A Fundação Mokiti Okada está construindo o Solo Sagrado, na Represa de Guarapiranga - São Paulo, e apresenta, a cada dois anos, o Salão Brasileiro de Artes.

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Ainda quanto à agricultura natural e a prática do ikebana, o Movimento Mundial Mokiti Okada se destaca dentre os demais movimentos por seus projetos até tidos como arrojados. Ikebana é uma arte, pela qual se entende e se faz arranjos, de modo que as flores se tornem harmoniosas e tenham sua beleza realçada. É preciso, porém, conhecer a essência das plantas, com o fim precípuo de, modificando apenas a sua forma com sentido estético, mantê-las sempre vivas e belas, em permanente harmonia com a natureza. A agricultura natural, por sua vez, sem agrotóxicos ou produtos químicos, vem sendo desenvolvida desde os anos 30 do século XX, quando pouco se falava de ecologia. A finalidade é alcançar e controlar uma alimentação mais saudável. É obvio que os agrotóxicos e adubos à base de produtos químicos (lançados à terra para aumentar artificialmente o tamanho dos vegetais ou a velocidade de sua colheita) acabam se integrando nos próprios produtos, com prejuizos à saude animal. Por isso, após uma série de pesquisas científicas, ensina as técnicas das lavouras não-agressivas ao solo, que tem fôrças naturais suficientes para produzir tudo o que dele necessitamos, com abundância e altíssimos valores nutritivos. A natural energia vital do solo é, pois, fundamental para a qualidade dos legumes, cereais, frutas e verduras. Para enriquecê-la, basta alimentá-la com folhas caidas, ervas, capim e palhas secas e humus (decomposição de matéria vegetal). Além disso, minhocas, bactérias e fungos fazem parte de um solo bem tratado, aumentando a sua fôrça produtiva (Revista Johrei nº 01/28). Seu Deus é Meishu-Sama (que significa senhor da luz), e seria o próprio Mokiti Okada. Nunca se referem a Jesus Cristo e desconhecem o Espírito Santo. Também adoram os ancestrais, como no Confucionismo. Todo sofrimento fisico, mental ou espiritual deve ser purificado. É a libertação dos pecados. A purificação se faz pelo Johrei, transmissão da luz divina pela mão do mestre. A luz divina também está num saquinho carregado ao pescoço, por cordão de ouro ou barbante. Recebem ofertas voluntárias. É interessante ressaltar que os messiânicos afirmam que a nossa felicidade está em se fazer a felicidade de alguém. Para êles, o homem deve seguir o exemplo da natureza, tornando-se útil a Deus e a seu semelhante, respeitando os sentimentos que existem em todos. Sua autorealização está no altruismo do amor ao próximo.

LEGIÃO DA BOA VONTADE:
Dizem tratar-se de uma Instituição Cultural, Beneficente e Humanitária, nunca autodenominada especìficamente como Religião, mas como entidade ecumênica. Não obstante, é a única, no Capítulo, que pode ser chamada de cristã, porque tudo o que fazem se relaciona com a pessoa de Jesus, a maior figura do cristianismo. Sua doutrina, embora restrita a Êle no campo religioso, realmente se destaca mais como entidade de benemerência. Daí ser ela considerada como religião mista. Um de seus lemas é “reeducar os povos pela formação do cidadão ecumênico, a partir do Espírito”. Fazem campanhas de fraternidade, sem fins lucrativos, principalmente em favor dos mais humildes (contra os tóxicos, o racismo, a pena de morte, a violência) e buscam o desenvolvimento da cultura. Seus Centros Comunitários proporcionam algum atendimento médico, assistência de emergência e alfabetização. Suas Rondas da Caridade ampara os que vivem nas ruas. Tem sucursais em Portugal, nos Estados Unidos, na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e na Bolívia.

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CAPÍTULO XII: O ESOTERISMO (ORGANIZAÇÕES NÃO RELIGIOSAS)
A realidade da história pode ser considerada sob dois aspectos: um diz respeito à opinião geral, que mais tarde se torna a história escrita, registrada; o outro, ao contrário, envolve acontecimentos que jamais se tornam públicos. É o mundo do comportamento das sociedades e lojas secretas, que misturam capital, política, economia e religião. Na verdade, é exatamente nesse nível, oculto e esotérico, que se mudaram muitos governos e muitas guerras foram tramadas. Desde 1830 o pan-germanismo já se acentuava dentro da sociedade alemã, com grande destaque no reinado de Guilherme II. Daí derivaram a Liga Geral Alemã, a Liga Pangermanista, a Ordem dos Germanos (cujo emblema era a suástica), a Sociedade Thule, A Grande Loja da Franco-Maçonaria, a Ordem Rosa-Cruz, a Ordem Hermética da Aurora Dourada e a Sociedade dos Herdeiros dos Templários (Rev. Sexto Sentido, nº 11/34). Esoterismo é tudo o que seja oculto ou misterioso, ou do conhecimento apenas das pessoas mais sábias ou selecionadas no meio dos profanos. Seus conhecimentos se comunicam sòmente àqueles que demonstrem ser dignos de possuí-los. Para ingressar em uma das muitas ciências esotéricas, é necessária uma iniciação. Até as religiões, de certa forma, podem ser chamadas de esotéricas, se possuirem essa característica de temas velados ou reservados. Sua meta é conectar o ser humano com o todo do universo. Acreditava-se, antes, que o silêncio dos mistérios, grandes e pequenos, imbuia de sabedoria aos antigos iniciados. As primeiras das organizações a seguir mencionadas, mais conhecidas e atuantes no mundo atual, são classificadas como impróprias porque seus seguidores, mesmo acreditando num Deus indefinido ou aceitando indistintamente qualquer um dos deuses ligados às várias religiões, não têm por finalidade estimular diretamente seus adeptos à prática da religião. Funcionam como entidades secretas, com estatutos e normas próprias, mantendo poderes extraordinários em paralelo com a vida pública e com aparentes finalidades filantrópicas. Inserem-se também neste capítulo algumas Entidades, quiçá pouco conhecidas, ou porque são muito antigas de origem, ou porque foram criadas por líderes que acreditaram ter descoberto uma explicação sôbre os fenômenos do mundo, e, por isso, arrebataram multidões, ainda que sem entrarem no campo religioso. Parte delas se desenvolveu em direção a algum conhecimento científico, de onde retirou fragmentos para explicar o seu intuito, organizando estudos profundos sôbre as grandes incógnitas, como a origem do universo, a existência da natureza e a vida de todos os sêres. Outras, no entanto, menos científicas, se colocaram como intermediárias entre o ser humano e o mundo superior, através de práticas de busca por formas diversas, como pelos ritmos, danças, bebidas e perfumes.

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MAÇONARIA:
É sociedade parcialmente secreta, com o objetivo de desenvolver fraternidade e filantropia. Luta pelos valores éticos, morais, esotéricos e místicos desde antes do Cristianismo. Hoje está muito subdividida. Externamente é cerimonial, doutrina e símbolos. Internamente cultuam-se práticas mentais e espirituais. Não fazem um culto própriamente religioso, mas exigem a crença em um Deus, de qualquer religião, e na imortalidade da alma. Deus, indefinido, é o Grande Arquiteto do Universo e o seu culto consiste nas boas obras. Pretendem de seus membros moral superior à comum. Afirmam que o Cristianismo se apossou de pensamentos dos grandes filósofos antigos, da era pagã, como os pré-socráticos, Sócrates, Platão e Aristóteles. E que o homem é o ponto máximo da criação de Deus, por seu livre-arbítrio, que seria uma mistura entre o raciocínio e a intuição. A Igreja Católica, segundo êles, é contra o livre-arbítrio, para que o homem se entregue de corpo e alma ao sacerdote, a fim de aprender, com êste, como deve comportar-se segundo a “vontade de Deus”. A maçonaria busca preservar os conhecimentos puros, fora da religião. Portanto, ser maçom e ser cristão são coisas distintas. Só se pode entrar na Maçonaria por indicação de quem já seja membro. Embora constituida só de homens, há algumas lojas que admitem membros casados. Suas reuniões são fechadas. Seus ritos são divididos em graus, cada um correspondendo a uma moral. Para cada grau há um juramento. Em algumas cidades há monumentos em praças públicas, como em Itaperuna, no Rio de Janeiro. Costumam fazer orações e cerimonias fúnebres na loja, na residência e no cemitério. Seus padrões de moral e justiça tornam o homem digno da Loja Celestial. São de origem pagã, não aceita a Trindade e aceita qualquer nome para Deus, como Jeová, Buda, Krishna, Zumbi, Cristo.

ROSACRUCIANISMO:
Há várias facções que se dizem verdadeiras. Por exemplo: a Amorc (antiga e mística “Ordem Rosae Crucis”) e a Sociedade dos Rosa-Cruzes. Origina-se dos faraós egipcios. De pesquisas a pedras preciosas, pretenderam descobrir os segredos da ciência e foi se tornando organização secreta. Foram perseguidos pelos maçons, de quem herdou alguns costumes. Hoje têm cerca de 100 templos no mundo e publicações nos EE.UU. Pregam a fraternidade universal e o conhecimento intuitivo das leis da natureza e dos cinco sentidos. Dizem conhecer a consciência cósmica e o misticismo com experiências “miraculosas“. É filosofia, metafísica e religião. Fazem grande propaganda impressa. O espírito de Cristo, ou de Buda, era um raio do espírito cósmico e teve várias encarnações. Francis Bacon, parece, era um deles. O homem passa por períodos de renascimento, até chegar a Deus, quando adquirirá mente criadora, podendo até se tornar Deus.

TEOSOFIA:
A teosofia não é uma religião. A tradução literal de seu nome significa “conhecimento de Deus”, ou seja: Theos (Deus) e Sofia (sabedoria). Seria, em última análise, o conhecimento de Deus e seus atributos, segundo as conclusões deduzidas das verdades reveladas. Na prática, a doutrina visa apenas a união do homem com uma divindade panteista, pela elevação progressiva do espírito. Despreza a fé religiosa e os princípios da razão, apoiando-se nas revelações do iluminismo.

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Sonham com a união de todas as religiões numa só. Surgiu com Amonio Saccas, no oriente. Difundiu-a Helena Petrovna Blavatsky, que escreveu, dentre outras, sua famosa obra: “A doutrina secreta”, em fins do seculo XVIII. Continuou-a Anne Wood Bessant. Sociedade de sabedoria divina, visa melhorar as relações entre os individuos e as nações. Cada um deve achar a verdade espontâneamente, mediante o estudo da religião, da filosofia e das ciências. Deve-se investigar leis desconhecidas da natureza e os poderes latentes dos homens. Alega ser ecumênica, com fraternidade universal, e afirma ser o homem parte da divindade. A reencarnação junta de novo a alma do homem a Deus. A Biblia tem partes de Deus (inspiração) e partes do homem. Deus é impessoal e se conhece por intuição. Constitui-se de uma trindade: força, sabedoria e atividade, manifestados através de um ente feminino: a matéria. A sabedoria se apresenta com duas naturezas: a razão e o amor. O corpo natural se divide em: fisico, astral e mental. Quando o homem dorme, seu espirito vai provisóriamente para o astral e, depois, retorna. A raça humana sofreu vários estágios no curso da história, em cada um dos quais prestou contribuições especiais à humanidade. No estágio atual a contribuição maior é promover o homem intelectual e, no próximo, o homem espiritual. No primeiro estágio, dominou Buda, na India; no segundo, Hermes, no Egito; no terceiro, Zoroastro, na Pérsia; no quarto, Orfeu, na Grécia; e no quinto, Jesus, na Palestina, vigorando até hoje. Todos êles foram Cristo, isto é, o upremo Mestre do Mundo. Cristo e Jesus são pessoas distintas. Estamos na iminência do surgimento do próximo Cristo, formando o sexto estágio. Será muito poderoso e reunirá todas as religiões numa só. Os homens mais capazes, mental e espiritualmente, recebem sabedoria sem esfõrço. Quando o homem morre, sua alma descansa até desejar de novo voltar à terra para nova reencarnação. Obterá assim mais experiência, cumprindo a lei do carma, para salvação definitiva. No Brasil, os teosofistas estão divididos em dois grupos: a Sociedade Teosófica do Brasil, fundada em 1919 e filiada à Sociedade Teosófica Mundial, e a Sociedade Teosófica Brasileira, criada em 1921 e com sede em São Lourenço-MG.

XAMANISMO – WICCA:
Nas civilizações primitivas, os xamãs eram considerados feiticeiros, com grandes privilégios em suas tribos. Faziam rituais de purificação, exorcismo e comunicação com os espíritos, mediante uma alteração no seu estado de consciência. Essa comunicação não se fazia como no espiritismo, porque não havia incorporação de entidades do outro mundo (anjos ou animais). Ingerindo poções de vegetais, dentre as quais o cogumelo com psilocibina e a “ayahuasca”, êle se transportava, como um fenômeno paranormal, até o centro de dimensões diferentes onde aquelas entidades buscam o nosso contacto. Dizem que o transe xamânico costuma levar os praticantes a locais maravilhosos. Por isso, sem serem magos ou curandeiros, alcançam clarividência e são capazes de curas milagrosas. Os primeiros xamãs tiveram base na Sibéria, mas há boa parte deles ainda hoje na Nova Guiné e no México (Rev.Sexto Sentido nº 05/36). Do Xamanismo, muito mais antigo, derivou a Wicca, proveniente dos antigos celtas, que nos deram o Halloween (festa das bruxas em homenagem aos mortos). Vem ganhando

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adeptos em todo o mundo por crer na religação do homem com o princípio divino encontrado em todas as dimensões, visíveis e invisíveis. Enquanto as religiões em geral pregam um mundo ideal, fora do alcance do ser humano comum, a Wicca considera que a divindade está presente em tudo, o tempo todo. Por isso, todos os lugares e momentos são bons para reverenciá-la, sem a necessidade de se reencarnar. Mas há outras religiões xamânicas, como a indígena e a africana. É um agrupamento que não tem dogmas e a tudo permite, desde que não se prejudique ninguém, nem a natureza, sob pena de receber o mal em triplo. Na Wicca também não são realizados sacrifícios de animais e os seus rituais não lidam exclusivamente com feitiços. Para êles, nossos corpos são naturalmente sãos e os males do mundo, na ordem física, mental ou espiritual, é que os tornam doentes. Por isso, seus contactos podem ser de cura, de reverência, de agradecimentos ou de esclarecimentos. Às vezes também se usam mandingas, patuás e benzeduras, como bruxaria disfarçada. Nos Estados Unidos existem sub-seitas variadas: uma só de 13 mulheres, outra cujos membros praticam os rituais sem qualquer roupa (como que a exporem a alma limpa), outras que só se apresentam ao ar livre etc. Nas práticas ritualisticas, são utilizados instrumentos como o cálice (representando a água), o bastão (representando o fogo), o punhal (representando o ar) e a estrela de cinco pontas (representando a terra). Empregam também velas, incensos, vestes (principalmente a negra) e outros apetrechos. Também realizam casamentos, batizados etc., através de seus sacerdotes (Rev. Sexto Sentido nº 11/20).

NOVA ERA:
De há poucos anos, vem sendo formada, a partir dos Estados Unidos da América, uma corrente nova de pensamento que não se considera uma religião. Baseia-se em teorias matemáticamente bem elaboradas por cientistas anteriores à nossa civilização e aquí desenvolvidas pelos Maias, uma tribo estabelecida no México, América Central, por volta do século VIII d.C. Com efeito, espalhadas pelas florestas da província de Yucatán, bem como nas terras montanhosas da atual Guatemala, existem cidades antigas, com praças planejadas e templos extraordinários. Também fazem parte dessa herança histórica elevadas pirâmides ricamente adornadas com pedras esculpidas e contendo inscrições hieroglíficas. Ali, entre as ruinas mais antigas, ergue-se também um espantoso conjunto de figuras esculpidas, aparentemente humanas, com cabeça de animal. E, curioso, tudo isto que se calcula ter sido construido durante cêrca de 500 anos, na verdade estão a três milênios do auge das construções das pirâmides do Egito, na África. Pretendem os adeptos do movimento relacionar toda a cultura do Povo Maia a um contrôle central localizado na nossa Galáxia, de onde, mediante cálculos rigorosamente matemáticos e geométricos aplicados em mapas concêntricos, irradia-se uma Energia poderosíssima que move todas as coisas do universo. Essa energia, invisível, dá origem às frequências de todas as ondas (inclusive as sonoras), às marés dos oceanos, à velocidade das vibrações (altas e baixas para rádios, celulares etc.). A galáxia seria um imenso organismo ordenado, com funções de radioemissão e eletromagnetismo que transcende os limites da imaginação humana. Toda a matemática dos Maias não parte do sistema decimal mundialmente conhecido, mas de um outro sistema numérico antigo que toma por base uma série de codificações a partir dos números 13, 20 e 28. Até os períodos de tempo são divididos, tudo a partir de circulos

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concêntricos, inclusive a duração do ano em nosso planeta, como sendo 13 x 28 = 364 dias, o que corresponde, segundo êles, aos ciclos da Lua... e à menstruação feminina. Quanto à divisão do tempo, estabelecem êles 13 “bactuns”, com início em 3113 a.C e término em 2.012 d.C., cada um com seu ciclo, abrangendo as seguintes ocorrências: 1) (3113/2718) - A Terra entra no feixe de radiação galáctica. Disseminam-se os “transmissores” entre os povos do planeta. Consolida-se o Alto e o Baixo Egito. A civilização é de sumérios e arcádicos. 2) (2718/2324) Constroi-se a Grande Pirâmide no Egito. Os povos sumérios e arcádicos se dispersam. Desenvolve-se o bronze. Têm início as civilizações da India, da China, da Mesoamérica (Olmecas) e dos Andes (Chavin). 3) (2324/1930) - Surgem as leis escritas, a metalurgia. Dominam os impérios na Babilônia e na China. 4) (1930/1536) É criado um Império no Egito, para conter as hordas dos invasores hititas e árias. 5) 1536/1141) Surge a Dinastia Shamg, na China, e a doutrina do yin/yang.É tempo dos primórdios dos vedas, na India. E dos akenaton, no Egito. Consolidam-se os hititas na Mesopotâmia. 6) (1141/747) Organizam-se os impérios assirio e babilônico. Aparecem as primeiras armas de ferro e máquinas de guerra. Ascensão dos gregos. Dinastia Chou, na China. Surgimento do I Ching. 7) (747/353) Os maias galácticos povoam a mesoamérica. Império persa. Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles, na Grecia. Mahavira e Buda, na India. Lao Tsé, Confúcio e Chang Tsé, na China. 8) (353 a.C/41 d.C) Civilização helênica, Alexandre o Grande, Império Romano, celtas na Europa, Grande Muralha na China. Expansão do budismo. Jesus Cristo. 9) (41/435) Pirâmides na mesoamérica. Expansão dos Andes. Ilha de Páscoa. Queda do Império Romano e ascensão do cristianismo e, na China e sudeste asiático, do budismo. 10) 435/830) Florescimento da cultura maia. Maomé e ascensão do Islã. Divisão do cristianismo (Roma e Bizâncio). Ascensão do hinduismo, na China. Expansão do Budismo para a Coreia, o Tibete e o Japão. 11) (830/1224) Colapso dos maias e ascensão dos Toltecas. Civilizações Chan Cham e Chimu, nos Andes. Expansão do Islã e confronto com o cristianismo. Cruzadas. Ascensão do Tibet. Imprensa. Pólvora. Khmer no sudeste asiático.

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12) (1224/1618) Mais expansão do Islã. Ascensão dos turcos e mongóis. Isolamento do Japão. Apogeu do cristianismo. Ascensão da Rússia ortodoxa. Reforma do Cristianismo. A Europa conquista os impérios Inca e Azteca. 13) (1618/2012) Materialismo científico. Revolução industrial. Revolucões democráticas. Colonialismo na África, Sulamérica e Asia. Industrialização do Japão. Karl Marx e o comunismo. 1ª e 2ª guerras mundiais. Bomba atômica e era nuclear. Ascensão do México e India. Regeneração global. Informação e tecnologia do cristal. Sincronização galáctica. A Nova Era fundamenta-se primordialmente nos estudos da filosofia do povo maia, cujos mistérios e calendário circular foram profundamente interpretados por José Arguelles em seu livro “O Fator Maia”. Em resumo, o livro é um convite para que a humanidade ascenda a uma dimensão mais ampla de sua própria consciência e comece a agir em sincronismo com o centro da nossa galáxia, de onde procede toda a energia que inspira a vida na terra.

GRANDE FRATERNIDADE BRANCA:
Define-se como uma grande unidade de consciências luminosas e inteligentes, formada por um conjunto de outras unidades menores e energéticas. Há uma hierarquia profunda dessas unidades, todas elas com tarefas e missões próprias de desenvolver princípios na humanidade. São todas unidas pela Luz do Amor Universal em frequências cósmicas divinas, e em forma piramidal. Os mais evoluidos se aproximam do topo, mas todos dentro de um sistema de consciências luminosas. Não há líderes e todos prezam a liberdade e a fraternidade, não aceitando a influência de mestres, anjos ou extra-terrestres. Ninguém se desvia do verdadeiro caminho da Luz. A salvação está dentro de cada homem, que busca sublimar-se para alcançar o estado de Consciência Cósmica, como conquistas individuais. Ela respeita ao livre-arbítrio dos govêrnos e procura orientá-los para a observação da justiça, das igualdades e das liberdades individuais e coletivas. A Grande Comunidade, através do Amor Universal e da luz ou inteligência dos seus membros, liga-se também a outras comunidades, de outros planetas e galáxias. Da mesma forma, na Terra existem espíritos originários de diversas escolas planetárias, ou seja, de outros planetas e constelações. No universo reina sòmente a ordem, a disciplina, a harmonia e o equilíbrio. Jamais o caos que o ser humano imagina. Teria existido, no centro da América do Sul, o Templo de Ibez, como primeiro posto avançado da fraternidade de Shambala, a cidade oriental sagrada onde, há 18,5 milhões de anos, viveram homens sábios e perfeitos, originários de Venus, e que ainda é a morada terrena de sêres poderosos que alí se reunem a cada sete anos. Referências a êsse templo foram mais tarde encontradas nas instituições dos maias, que adoravam o sol como fonte da vida. Foram êles, os ibezianos, que ensinaram o significado da psique, do ego, da alma e da unidade humana, para que o homem fosse o que realmente é: um deus com a natureza inferior (física, astral e mental) controlada pela alma (Rev. Sexto Sentido nº05/32). Também conhecido como Suddha Dharma Mandalam, anciãos dos paises Atlântida, Lemúria e Um, sábios dotados de grandes capacidades e poderes mentais, teriam formado, por muito tempo, treze escolas de educação para o povo, das quais a última permanece até hoje aos pés do Himalaia, no norte da India. Seus membos, há doze mil anos, trabalham silenciosamente

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pelo bem-estar e progresso de toda a humanidade. É sociedade oculta. Em 1915 foram feitas algumas publicações na India para mostrar as diversas categorias de iniciação a discípulos interessados. A cabeça principal de sua hierarquia é o Divino Senhor da Terra, Sri Bhagavan Narayama, o Deus Pai, que sempre se apresenta com a aparência de 16 anos. Divulga-se que o último Avatar, com a idade de um ano e nove meses, após receber a primeira iniciação, fez grande discurso na presença dos Mestres, onde dividiu a humanidadade em três partes: 1) homens bestas, que vivem como animais, roubam e matam; 2) humanos, que creem em algo superior e desenvolvem fraternidade; e 3) divinos, que, com pureza física e mental, projetam o homem para o futuro. A Fraternidade tem hoje representantes no Brasil, Chile, Argentina e Espanha. Em São Paulo destacam-se o Gnana Dhata Dr. José Ruguê Ribeiro Júnior e Margareth Gonçalves Schulz, ora presidente instrutora do Ashram Sarva Mandalam, com ramificações em Brasilia, Juiz de Fora e Uberlândia-MG. (Rev. Alma do Oriente, Sexto Sentido Especial nº 3, pags. 10/16).

REIKI (ENERGIA):
O Reiki é uma técnica de cura milenar pela imposição das mãos. É uma palavra japonesa que significa: “Energia da Vida Universal”. Já foi mencionada em sânscrito, há mais de 2.500 anos, e redescoberta no Japão há mais de cem anos pelo Dr. Misao Usui. Estabelece o equilíbrio natural dos organismos, alcança um profundo estado de relaxamento e harmoniza a mente com o corpo e o espírito. Tem sido usado, ainda, na complementação de tratamentos médicos convencionais ou alternativos. O espaço que nos envolve, do Universo, vive impregnado de energia infinita e inesgotável. Essa energia-luz é que nos mantém vivos. Só os mestres Reiki podem recebê-la e, como um canal, transmití-la a quem dela necessitar, seja humano, animal, planta, bebida ou comida, em qualquer hora ou lugar. Nem é necessário conhecer anatomia ou fisiologia. Pode também ser aplicada em si próprio. Os cristãos a chamam de Luz e os chineses de Chi. É cósmica e divina. A energia Reiki provém, portanto, de uma ordem mais elevada e menos densa que as emoções e a mente do corpo. A energia que temos em nós só necessita de ser ativada pela energia universal através do Reiki. Por isso, não há barreiras na aplicação, nem tecidos, nem madeira, cimento ou metal. É tratamento sem medicamento e sem sangue sôbre todos os sistemas orgânicos. As toxinas desaparecem, as glândulas ganham mais vigor, os nervos se acalmam e o sono se torna natural e compensador. Pela orientação dos mestres reikianos, nós possuimos sete “chakras” em nosso corpo. São como que sete entradas, por onde fluirá a energia universal que é canalizada para o nosso corpo através dos mestres. Êles absorvem energias físicas e sutís e se ligam a todos os órgãos internos. São êstes: l) Muladhara ou básico - Na parte inferior da coluna vertebral, cuida da energia vital, do aparelho reprodutor e dos membros inferiores, relacionando-se ao alfato e ao elemento terra;

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2) Svadhisthana ou umbilical - Na região hipogástrica, abaixo da região do baço, relaciona-se com a procriação, ao sistema imunológico, ao sentido do paladar e ao elemento água; 3) Manipura ou solar - Na boca do estômago, liga-se às atividades intelectuais. ao senso prático, ao elemento fogo e ao sentido da visão; 4) Anahata ou cardíaco - Na região do coração, relaciona-se aos estados emocionais (apreço às artes, beleza), ao autoconhecimento, ao elemento ar e ao sentido do tato, produzindo o equilíbrio psíquico e físico; 5) Vishuda ou laríngeo - Na região da carótida, liga-se à glândula tireoide, às comunicações internas e externas, ao elemento som e ao sentido da audição; 6) Ajna ou frontal - Entre as sobrancelhas, é como um terceiro olho, onde reside a consciência. Desenvolve a clarividência, os dons paranormais e o sentido da intuição, unindo a todos os elementos; 7) Sahasrara ou coronário - No topo do crânio, tem a abertura para conectar-se à Fonte Suprema. Desenvolvido pelos grandes mestres espirituais. Dissolve a ilusão do individualismo e se integra ao Deus infinito. Quando o homem se ilumina, êle refulge em todas as côres do espectro. Existem três graus de aprendizado. No primeiro, após uma cerimônia sacra de preparação energética no corpo do iniciante, êste já pode aplicá-lo, pois suas mãos passarão a irradiar vibrações sôbre as partes doentes. A técnica é simples, fácil e objetiva, com desobstrução, limpeza e ampliação dos chakras. No segundo grau, haverá aperfeiçoamento do conhecimento espiritual do reikiano. Êle passa a trabalhar as emoções e a mente. Aprende a desbloquear energias negativas. Habilita-se a fazer aplicações à distância. Recebe os primeiros simbolos e o mantra, como instrumentos de trabalho. Passa a ser mestre de si mesmo. Receberá de volta o bem que praticou. No terceiro grau, o reikiano passa a mestre e poderá, então, atuar sôbre o carma das pessoas, nas suas relações inclusive com a família. Disseminará o Reiki para novos alunos. Sentirá grande transformação e evolução em todos os níveis.

FENG SHUI (ENERGIA):
Dizem os chineses que o homem, para ter saude e prosperidade, deve viver em integração com as energias da natureza. E a melhor forma de alcançar êsse estado é observar as leis do Feng Shui - a arte da harmonia, que remonta há mais de 6.000 anos. Existe no mundo uma energia vital, denominada “ch’i”, que circula em todos os ambientes, em cada coisa, desde uma simples pedra até o ser humano. Se encontra obstáculos, corrompe-se, formando “sha”, uma fôrça negativa, com efeitos nocivos. Dai o desenvolvimento do Feng Shui. Com o passar do tempo, o Feng Shui foi sofrendo influências de várias estruturas políticas, sociais e religiosas, até deturpando, por vezes, a sua linha de orientar no sentido de se viver em harmonia com o céu e a terra. Uma das escolas criou o “ba-gua”, um octógono ligado aos pontos cardeais. Cada um de seus lados tem uma côr e representa um aspecto a ser observado na solução dos problemas. São êles: família, filhos, riqueza, amigos, sucesso, trabalho,

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relacionamentos e conhecimento. Os cinco elementos da natureza, para êles, são: metal, água, terra, fogo e madeira, os quais, aliados a cinco animais (tigre, dragão, tartaruga, fênix e serpente), formam um conjunto de fôrças a serem analisadas pelo Feng Shui, com a aplicação do ba-gua. O local onde moramos deve ser aconchegante e seguro e, principalmente, trazer prosperidade e felicidade. Por isso, no ambiente é feita a aplicação do ba-gua, que vai determinar a colocação exata dos móveis em relação, por exemplo, às portas de entrada, com vistas a uma perfeita corrente das energias. O conhecimento dos cinco elementos em conjugação com o ba-gua vai determinar até a decoração do ambiente, quanto aos materiais, às tendências e até à harmonia das cores. Através de quadros e diagramas derivados dessa conjugação, nota-se que até a distribuição dos cômodos de uma casa acaba sendo realmente harmônica em relação a todas as necessidades de rotina, facilitando a vida de seus moradores (Rev. Sexto Sentido nº 6/24).

FALUN GONG:
Liderada pelo chinês Li Hongzhi, surgiu na China em 1992, após a maior manifestação popular desde o famoso e trágico protesto dos estudantes, pela democracia, na Praça Celestial, em 1989. Nesse ano, no centro de Pequim, 15.000 seguidores fizeram um protesto silencioso, em posição de lotus e meditação, exigindo o direito de publicação de seus textos e de reconhecimento da seita pelo govêrno. Após a prisão de grande parte de seus membros, foi êle obrigado a abandonar seu país, vindo para os EUA em 1995. Nestes poucos anos, já atingiu, no planeta, cêrca de cem milhões de adeptos (Rev. Sexto Sentido nº06/04). Afirma Li ter sido enviado pelo Sêr Supremo para combater os males da ciência e salvar um mundo às portas do “caos final”. Seus ataques vão contra os gays, o rock, a televisão e as drogas que, segundo êle, são sinais do fim dos tempos. Mais que isso, o lider espiritual diz que o declínio da sociedade é tamanho que os humanos estão reencarnando como demônios. Seus discípulos, sempre aumentando, acreditam que Mestre Li consegue, telepàticamente, implantar um “falun” - algo como uma miniatura do universo em seus abdomens, - que giraria constantemente absorvendo e libertando energia. Com isso, a pessoa poderia desenvolver poderes sobrenaturais, como levitação, ou mesmo enxergar através de objetos solidos.

OUTRAS:
Consideradas as diferenças entre as muitas organizações, instituições, entidades, agrupamentos ou seitas já criadas no mundo, anotemos, ao final dêste Capítulo, ligeiras referências em relação a outras que não foram enquadradas anteriormente em capítulos específicos: Alquimia (oriunda do Egito antigo, com vistas à relação do homem com os metais), Anjos (considerados pelas três mais comuns religiões do planeta, não alcançados por nossos sentidos), Astrologia (o maior misticismo, com horóscopos, pelos quais se adivinha o destino dos seres humanos, como se tivessem relação com o caminho dos astros, das estrelas e dos planetas), Cabala (retorno a Deus no sentido inverso da criação), Magia / Bruxaria / Misticismo (seitas de ocultismo), Numerologia (ligação do valor dos números com a personalidade de cada um, sorte, futuro, desde as Cabalas gregas e hebraica), Quiromancia (predição do futuro através das palmas das mãos), Radiestesia (adivinhação pela movimentação de um pêndulo), Santo Daime (relacionmento do ser humano com as ervas), Terapia Floral (poder das essencias florais na cura de doenças), Tarô, búzios, runas, baralho cigano (puro misticismo), Cromoterapia (as côres como elementos de cura).

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Assim, é infinito e, portanto, impossível que alguém consiga elaborar uma discriminação completa de todas as seitas ou instituições já criadas com o passar dos tempos. Tudo já foi ligado à vida do homem: a música, os cristais, os exercícios físicos (yoga, tai-chichuan, shiatsu etc.). E, pasmem, existe até uma delas com o nome de urinoterapia!

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CAPÍTULO XIII AS RELIGIÕES NO MUNDO ATUAL
Após o relato do surgimento e da evolução de cada uma das religiões, não poderíamos deixar de ressaltar o que vem ocorrendo no mundo atual. Foram tantas as divergências de princípios apontadas entre elas que, no processo de globalização, o que vemos hoje é um amontoado de guerras em grande parte de nosso planeta. É doloroso registrar, neste final de milênio, os violentos conflitos ocorridos entre as populações de Kosovo e de Timor Leste, além de outros de cunho mais religioso, principalmente envolvendo os muçulmanos. São os seguintes: 1) Irlanda do Norte (Católicos x Protestantes) 2) Tibete (Ateus x Budistas) 3) Afeganistão x Iran (Fundamentalistas x Muçulmanos moderados) 4) Chipre (Muçulmanos x Ortodoxos) 5) Argélia (Fundamentalistas x Muçulmanos moderados) 6) Bálcans (Ortodoxos x Católicos x Muçulmanos) 7) Israel x Palestina / Líbano (Judeus x Muçulmanos) 8) Sudão (Muçulmanos x Cristãos) 9) Caxemira (Hinduistas da Índia x Muçulmanos do Paquistão) 10) Tchetchênia (Ortodoxos russos x Muçulmanos) 11) Afeganistão x EUA (Fundamentalistas terroristas) Aliás, o fim do confronto ideológico entre liberalismo e comunismo, por volta de 1990, criou uma crise de identidades políticas que fez ressurgir as identidades religiosas e étnicas no mundo globalizado, com fôrças ainda mais poderosas sôbre os indivíduos, necessitados de respostas a suas angústias, dentre os quais o medo e a morte. O Cristianismo ainda é a maior religião, com quase dois bilhões de adeptos. Vem seguida o Islamismo, hoje menos ligado ao Oriente Medio, com pouco mais de um bilhão. E, em terceiro lugar o Hinduismo. No Ocidente, baseados no esoterismo e em superstições, ùltimamente tem sido criada grande quantidade de religiões novas, como subdivisões daquelas mais tradicionais, em busca do sentido da vida ou da humanidade, mas com um pouco menos de fanatismo. Assim, enquanto se difundiam o fundamentalismo islâmico na Arábia Saudita, no Afeganistão, no Irã e na Argelia e o Extremismo hindú na India, movimentos carismáticos católicos e protestantes avançaram pelo

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Ocidente (além do pentecostalismo nos Estados Unidos), sem, no entanto, impedirem o crescimento das violências, como a corrupção pública, a injustiça, as desigualdades sociais e as imoralidades, em parte por incompetência dos govêrnos.

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CAPÍTULO XIV AS RELIGIÕES E AS CIÊNCIAS
No início do século XX, começaram a se realizar pesquisas entre cientistas, principalmente físicos e biológos, a fim de se revelar a existência de Deus e a imortalidade do homem. Não se especificou nas perguntas se o interêsse nas respostas era desta ou daquela religião monoteista. Estas representaram cêrca de 50% em cada uma das perguntas. No fim do século se questionou, nos Estados Unidos, separadamente, as mesmas perguntas, com cêrca de 1.800 membros da Academia Nacional de Ciências. O resultado foi bem diferente, pois apenas 10% deles responderam afirmativamente, quanto à crença numa vida após a morte biológica ou num Deus em comunicação intelectual e afetiva com o homem, denunciando, com isso, serem ateus ou agnósticos. Isso confirma aquilo que em todos os tempos sempre disse o homem mais culto: “Quanto maior a cultura, menor a Fé dos homens”. No entanto, sabe-se que a grande maioria leiga acredita em Deus, em qualquer parte do mundo. Surgiram já grandes debates em torno do assunto. O presidente de uma Associação de Antropólogos declarou que muitos cientistas são ateus ou agnosticos, porque acreditam que o mundo natural que estudam é tudo o que existe e, sendo humanos, a ciência lhes dá apoio contra a religião, vista como oposta à liberdade individual e, portanto, como inimiga da verdade. Os biólogos modernos já afirmaram, também, que, no nível do DNA (código genético), ao qual já chegaram, é possível entender a vida em toda a sua complexidade e, portanto, Deus não seria mais necessário para explicá-la. Segundo êles, não é possivel acreditar-se em coisas sobrenaturais. Por outro lado, é tão retrógrada a resistência dos que acreditam que Deus criou os animais e o homem, que já criou o condão de afastar os biólogos da religião. Por fim, acrescentaram: Como podemos dizer que Deus existe com toda a maldade e crueldade que existe no mundo? É a controvérsia da teoria da evolução de Darwin que tem alimentado a discussão sôbre a existência ou não de Deus. Também Newton estabelecera ideias fundamentais, como fôrça e inércia e sôbre o movimento dos corpos, além da sua “Lei da Gravidade”, que marcou o fim da ideia de que havia áreas do conhecimento vetadas aos seres humanos, por pertencerem à esfera do divino. Os físicos e matemáticos, por sua vez, percebem uma tal ordem e beleza em seus trabalhos que só uma divindade poderia criar. Se a natureza é perfeita, sòmente um Sêr sumamente inteligente deve tê-la feito assim. Para Ernest Mayr, ateu e grande biólogo da Universidade de Harvard, a maioria dos cientistas combina sempre dois argumentos: a existência de Deus e o sentimento, mas acaba concluindo ser impossível acreditar em Deus. Se existe um universo físico, não se pode deixar de conceber um universo espiritual. Mas a ciência não pode responder à questão da origem e do destino ou finalidade do universo. Pode explicar até os comportamentos humanos em têrmos de processos bioquímicos do cérebro,

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mas não pode determinar o que seja comportamento ético. Mais recentemente, disse Einstein que o mundo seria mais um “vasto pensamento do que uma grande máquina”. Para êle, Einstein, todas as ações e todas as imaginações humanas têm em vista satisfazerem as necessidades dos homens e trazer lenitivo às suas dores. Experimentar e desejar constituem os impulsos primários do sêr, antes mesmo de se considerar a majestosa criação do mundo. O que os leva, então, a crer ou a pensar em religião? No primitivo, era o temor e a necessidade de ver mitigado o medo das feras, das doenças, da morte e da fome. Se as relações causais são limitadas, o espírito humano tende a inventar sêres mais ou menos à sua imagem, transferindo para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de suas vidas. Segundo a imaginação humana, êsse Deus-Providencia tem conceito moral e social, ama e favorece a tribo, a humanidade e a vida, consola na adversidade e protege os mortos. No arsenal da teologia clássica existem três chamadas grandes provas da existência de Deus: 1) a cosmológica, ativada pela idéia do “big-bang”, no sentido de que, se o mundo não existiu sempre, é preciso que êle tenha sido criado e, portanto, deve ter existido um criador de fora do mundo, isto é, um Deus todo-poderoso; 2) a fisicoteológica, que considera o mundo como uma ordem maravilhosa, uma organização perfeita, tão bem calculada que bastaria modificar o menor parâmetro em sua origem para que nada tivesse ocorrido, como a vida e a consciência humana; 3) a ontológica, ou da idéia de um sêr infinito, que possui todas as qualidades e, se a existência é uma realidade, necessàriamente Êle existirá. Se a existência de Deus, admitamos por hipótese, nos fosse demonstrada em devida forma, com um rigor e precisão perfeitamente científicos, ninguém teria paradoxalmente nenhuma razão para acreditar, ou ter fé, porque “saberiamos” Deus, como sabemos ter existido Napoleão ou Santo Tomás de Aquino. A religiosidade ante o cósmos, cujos dados o budismo organizou e Schopenauer nos ensina a decifrar em maravilhosos textos, pode ser considerada como religião cósmica e superior, que não tem dogmas nem teologia, nem Deus concebido à imagem do homem. Porisso, muitas vezes foram tidos como ateistas homens sábios como Demócrito e Spinoza. A interpretação histórica considera ciência e religião como adversários irreconciliáveis. Aquele que se convenceu de que a lei causal rege todo o acontecimento não pode encarar a idéia de um sêr a intervir no processo cósmico nem encontrar lugar para um Deus-angústia. O comportamento moral do homem se fundamenta eficazmente nos compromissos sociais e não implica uma base religiosa. Porisso as Igrejas muitas vezes combatem as ciências.

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TÍTULO II OS PENSAMENTOS FILOSÓFICOS:
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CAPÍTULO XV HISTÓRICO DA FILOSOFIA
Filosofia é matéria abstrata, difícil de ser estudada, e, no entanto, constitui-se numa das mais necessárias à nossa cultura. Só ela nos pode revelar, no tempo e no espaço, como se formaram as idéias e os conhecimentos do homem sôbre os fenômenos da natureza. Pesquisar a sua história é, pois, fundamental para quem se propôe a explicar o próprio homem, a origem da natureza e a existência de Deus. Parece que as religiões resolvem os grandes problemas humanos. Mas em cada homem, e especialmente no homem culto, consciente de si mesmo, é imprescindível o uso de sua racionalidade. Antes de simplesmente engrossarmos as fileiras em prol de uma crença, deveríamos buscar segurança quanto aos temas relativos à existência de Deus, à revelação divina e à essência da alma humana. Não deveríamos apenas aceitar com indiferença as mensagens transmitidas pelas Igrejas, mas pesquisar mais a fundo para comprovação da sua doutrina. As religiões se esquivam desses detalhes. Aí percebemos, então, que a filosofia nos pode mostrar, em paralelo, as mais variadas análises dos grandes pensadores sôbre aqueles temas, em todos os tempos. É, pois, na filosofia que buscaremos os subsidios a orientar seguramente o nosso raciocínio até a conclusão de nossa meta. Mundo é uma expressão que pode ser enfocada por várias formas. No sentido mais palpável, mais comum e mais imediato, é o conjunto de tudo aquilo que conseguimos enxergar: o espaço, os seres vivos, os objetos, a terra e os astros. Pode ser entendido, também, como o conjunto dos seres humanos e, num sentido ainda mais amplo, o universo. Por isso, tanto o conceito de universo como o conceito de mundo serão aqui usados indistintamente, como sendo sinônimos um do outro. De onde veio o universo? De que se compõe? Quem o criou? Raciocinando, numa relação de causa e efeito, vamos concluir que tudo o que existe veio de alguma coisa anterior, e esta de uma outra coisa mais anterior ainda. Deve ter havido um princípio universal de tudo. Qual seria êsse princípio? Ou, então, será que a primeira coisa teria surgido do nada? Essa idéia é tão absurda quanto aquela que afirma que o mundo sempre existiu, sem ter tido um começo. Pelo menos, nenhuma dessas duas hipóteses cabe dentro do raciocínio humano. O Gênese, primeiro livro do Velho Testamento, diz que Deus criou o mundo do nada. Fez a luz, as trevas, o sol, a lua, as estrêlas, a água e, finalmente, o homem. Mas não diz se êle também fez o Gênese e o Velho Testamento. Pretendemos, com êste Livro, chegar a uma conclusão lógica em relação a essa e outras incógnitas. Para trilhar o caminho, porém, entendamos por ora a evolução do pensamento filosófico através dos tempos, considerando, de permeio, os pontos de vista das religiões.

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FORMAÇÃO DOS GRUPOS SOCIAIS:
O homem, por sua natureza, já nasce gregário, pois não pode viver sem fazer parte de um grupo. É uma questão, antes de tudo, de segurança. Não seria possível, a cada um, fazer tudo por sua própria conta. Por isso, a sociedade se torna, para o homem, uma necessidade. Nos tempos mais antigos da civilização, surgiram os primeiros agrupamentos, tendo à frente os seus líderes. Êstes, dadas as divergências de opiniões, ditaram as primeiras regras de comportamento e limitaram a liberdade de cada participante no ponto em que passava a interferir na liberdade de seu companheiro. Com o aumento da população e a evolução dos costumes, surgiram novos grupos, cada um deles evidenciando as normas reguladoras da própria convivência, definidas como leis internas. Tais normas eram impostas, apesar de não escritas, e chegavam a punir, até com a morte, àqueles membros que não cooperassem na preservação do próprio grupo, já então mais importante que o homem isolado. Mais tarde, essas normas passaram a ser escritas e coordenadas, dando origem ao Estado organizado, sempre com vistas ao bem-estar dos seus membros dentro do bem comum. A autoridade daqueles primeiros grupos passava de geração a geração e os filósofos, gradativamente, foram pesquisando se ela resultava de um fato natural da vida em comum ou se tinha origem diferente, como, por exemplo, se seus líderes eram os “representantes”, na terra, de alguma fôrça superior. Esses poderes vinham do próprio povo ou de quem? Os membros dos grupos, seja pelo temor do que lhes era desconhecido, seja pelo respeito que devotavam a seus chefes, acreditavam que êles portavam, sim, alguma parcela de um poder supremo, herdada de seus próprios antepassados. Por isso, sabiam que não podiam ser desobedecidos os seus mandamentos. E foi dentro dessa dúvida quanto à origem do poder que o grande profeta Moisés, séculos depois, viria a afirmar ter recebido na Lei das XII Tábuas o poder de Jeová, deus dos hebreus.

PRIMÓRDIOS DA FILOSOFIA (ORIENTAL):
O mundo antigo constituia-se de vários povos, de origens desconhecidas, principalmente nas áreas das atuais Asia e Europa. Entre êles, as guerras eram constantes. No século XII a.C., os sóricos invadiram os reinos micênicos, de base agrária e patriarcal, dentre os quais os jônios. Êstes emigraram para as ilhas e costas da Ásia Menor, onde fundaram as cidades de Mileto e Éfeso, que viriam a ser pràticamente o bêrço dos primeiros pensadores, a substituir valores arcaicos por novas mentalidades e cultura. Civilizações orientais já se diziam portadoras de sabedoria, que viriam a ser herdadas pelos gregos, considerados os pais da filosofia, mais tarde tida como ocidental para diferenciá-la dos pensamentos até então desenvolvidos pelos orientais, desde a Mesopotâmia, os quais não distinguiam a filosofia dos mitos e religiões. Foram seus precursores: Zoroastro (na Persia, hoje Irã), Os Vedas (na India), o Hinduismo, o Bramanismo, o Confucionismo, o Jainismo, o Taoismo e o Budismo. Platão e Heródoto, no século IV a.C., mesmo pretendendo o início alí da cultura de seu povo, reconheceram que assimilaram alguns elementos da civilização bárbara oriental quanto à arte e a religião, esta então apenas envolvendo idéias místicas. Tudo faz crer que a filosofia, portanto, tenha se originado entre os persas e antigos egípcios. Só muito mais tarde os gregos racionalizaram e deram grandes passos à cultura, com a convergência de fatores geográficos e políticos.

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Ptah-Hotep, do Egito, considerado o primeiro filósofo do mundo, já dissera que o homem devia amar a uma só mulher, gerar um filho, só dizer o que é bom e, para governar, aprender a obedecer. Na China antiga, a filosofia era irônica. Lao-Tsé pregava a negação da própria filosofia, da sabedoria e dos conselheiros dos govêrnos, que faziam de tudo para lançar o país na desordem. O povo, para êle, tinha que ser simples e ignorante e só seria feliz se ingerisse alimento inferior, se usasse roupas grosseiras e se morasse em casas rústicas. O mais sábio dos homens seria aquele que reconhecesse a loucura do seu próprio saber. Mo-Ti, por êle influenciado afirmou, também, que a ambição de uns poucos é a responsável pela desgraça de muitos. Pelo egoismo, o forte oprime o fraco, o rico esbulha o pobre, o nobre tiraniza o plebeu e o velhaco suplanta o ingênuo. Disse êle, ainda, que, se um homem rouba um porco, vai para a cadeia, enquanto que, se rouba um País, sobe a um trono. Seu seguidor, na era moderna, foi Bernard Shaw, e, no Brasil, sob certo aspecto, Janio Quadros. Na Índia, por volta do ano 1000 a.C., a filosofia foi sempre misteriosa. Sua característica era o basear-se no sofrimento e na morte, além do culto aos antepassados. Não explicaram o mundo e a vida, que faziam parte do Absoluto e, êste, deveria dar sossêgo ao espírito humano. A religião védica, a mais antiga, com muitos deuses (Varuna, Indra, Soma etc.), não cultua a divindade em si, mas o sacrifício, com valor mágico. Daí derivou o Bramanismo, mais pessimista e asceta, que criou o ioga e respeitou as castas indianas (sacerdotes, guerreiros, lavradores e artesãos, além dos párias). Criou o sâmsara e o karma (metempsicose), a exigir a libertação do homem em relação ao mundo empírico. Seu velho livro hindú, Upanishads, só pregava o valor da alma, pois o corpo nada mais era do que um amontoado de ossos, carne, pele, sangue e lágrimas, além de mal cheiroso. Essa doutrina veio a ser seguida pelo americano Ralph Waldo Emerson. Na Grécia antiga, Hegesias chegara à conclusão de que a vida não passava de um engano e que o melhor para os homens seria morrer. Pregou o ideal da morte. Quanto a êle mesmo, viveu até os 80 anos. Quando lhe perguntavam porque êle não dava o exemplo, suicidando-se, tinha uma resposta lógica: Sou a única pessoa na Grécia que pode induzir os jovens ao suicídio. Se eu morrer, não haverá ninguém que me tome o lugar. Viver é pois meu dever penoso, a fim de poder ensinar aos outros o prazer delicioso da morte.

FILOSOFIA GREGA (OCIDENTAL):
A Grécia se constituia de pequenas comunidades, da Jônia ao sul da Itália. Sofreu muitas invasões de outros povos, em busca de terras para plantio. Sua vida cultural era relativamente homogênea, tanto em organização política, quanto em crenças religiosas, resultante também dos costumes e tradições trazidos e implantados pelos micênios, pelos dórios e outros, com aquelas invasões. Essa época, que veio a ser chamada “idade das trevas”, vai até o século VIII a.C. Foi quando se criou a “polis”, para centralizar e coordenar todas as atividades gregas, com a invenção da moeda, dissolução das tribos, as transações comerciais em praça pública (ágora), as leis escritas, a divulgação da religião (até então um saber secreto de reis e sacerdotes). Passou a se levar em conta mais as palavras dos grandes oradores, do que as condições sociais e econômicas. Começam a desaparecer as fantasias dos mitos orientais e, apesar do surgimento da metodologia grega pela mesma época, valoriza-se mais a racionalidade dos homens. Hesíodo, poeta, por volta do século VII a.C., quando apascentava suas ovelhas, recebeu delas um “belo canto”, cujo conteudo seria o relato da origem do mundo e dos deuses. Em seu

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livro “Teogonia” teorizou, então, que, do Caos, abismo sem fundo, teria surgido Gaia (a Terra) e Eros (amor, fonte de toda a vida). E, a seguir, a sombra, a luz, o céu, as montanhas e o mar. Os deuses, com formas e atitudes humanas, se instalaram no Olimpo. Mais tarde, Aristóteles viria a afirmar que “o homem fez os deuses à sua semelhança e lhes deu seus costumes”. Um pouco antes, por volta do século VIII a.C., Homero escrevera a Ilíada e a Odisséia, cantando, em poemas, as guerras de Tebas e de Troia. Essas epopéias homéricas são a primeira expressão documentada, não de uma visão mitológica, mas da intervenção, benéfica ou maléfica, de deuses na psicologia de seus heróis. Com efeito, nessas obras, poderes superiores marcaram presença na luta entre gregos e troianos (Ilíada) e nas aventuras de Ulysses (Odisséia). Mesmo representando fôrças da natureza, os deuses homéricos revestiram-se de formas humanas e luminosas, antromorfismo êsse que afastava os terrores de fôrças obscuras. Não há definições seguras quanto à criação da mitologia grega, atribuida a Hesíodo e a Homero. O fato é que os muitos deuses se instalaram no Olimpo, sõbre os quais viriam a surgir muitas lendas, inclusive de guerras entre êles, com vitória final de Zeus, o mais forte e mais justo, que se tornou, então, o senhor do universo. Aqueles deuses, representando fenômenos da natureza ou sentimentos humanos, teriam criado o mundo, enquanto o rei , na terra, cria a ordem social e, ainda, regula o ciclo da natureza. A “polis”, porém, fez desaparecer o “rei divino”, e transferiu ao próprio homem o encargo de solucionar os problemas do mundo. Homero também participou da crença primitiva de que os homens tinham dupla existência, como corpo e como alma (psyché). Com a morte, aquele se decompõe e a alma passa a se integrar no cortejo de sêres que povoam como sombra vagante o reino de Hades (inferno), mas sem consciência própria ou faculdade espiritual, e sem voltar para interferir na vida do homem. Por isso, não há que se lhe render culto ou buscar favores. A Grécia foi, certamente, o maior palco de interpretações quanto a existência dos grupos, suas autoridades, suas origens e seus fins. Demócrito ensinou que o Estado só prosperaria se o indivíduo se sujeitasse á coletividade como um todo, respeitasse as leis e a autoridade, com sacrifícios em favor do Estado. Surgiu a democracia, como equilibrio entre as aristocracias e as classes mais pobres. As leis se tornaram impessoais, resultado de decisões tomadas por todos os cidadãos em assembléia, (que não incluia mulheres, crianças, estrangeiros e escravos). Mais tarde, Atenas viria a se tornar o centro da cultura grega, fazendo surgir o pensamento independente de contestar a cega lealdade ao Estado. Não que se devesse omitir o Govêrno, mas reivindicando-se uma vida mais livre. Concentravam-se os estudiosos mais no homem do que no grupo. Mas houve divergências. Muitos criaram formas novas de contornar as leis com hábeis argumentos, enquanto outros alegaram que as leis contrariavam a natureza, colocando barreiras na atividade do homem. Evidentemente, tal ponto de vista trazia o cheiro da Anarquia, pelo incentivo à rebelião, de que só poderia resultar uma sociedade sem Govêrno. Alguns mais moderados, os Sofistas, já não pretendiam chegar a êste outro extremo. Como conciliar, então, a existência de uma sociedade sem contrôle, necessária, com a submissão expontânea de cada membro? Seria o problema insolúvel?

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CAPÍTULO XVI FILOSÓFICOS PRÉ-SOCRÁTICOS
Por volta do século VII a.C., criou-se a moeda, que passou a competir com as trocas, facilitando o comércio e a navegação. A expansão das técnicas modificou a concepção de origem divina ou mística do homem, com visão mais racional da realidade. Assim, após Hesíodo e a explosão das epopeias homéricas, surgiram os primeiros pensamentos racionais, que, sem perder de todo o cunho mítico, aproveitou a experiência quotidiana e deu os primeiros passos às concepções filosóficas da cultura ocidental, com a escola de Mileto (que concentrou os estudos na explicação da natureza, “physis “). A cosmologia se mesclou à física e as qualidades sensíveis, como “frio”, “quente”, “leve” e “pesado”, passaram a ser entendidas como realidades em si ou como opostos universais. Os primeiros pensadores, de que se tem notícia, abrangeram a chamada “filosofia da natureza”, pois todas as coisas tiveram uma origem. Um Deus, qualquer que fosse a sua figura, seria o criador do universo. Porém, se Deus é a causa primeira, como Êle surgiu? Tentaram até mesmo encontrar alguma “substância básica” para explicarem os fenômenos naturais. O cosmos era imaginado a partir dêsse mundo conhecido. No século VI a.C., os tiranos, agindo contra a antiga aristocracia, que se supunha descendente de deuses, favoreceram a expansão de outros cultos populares. Evoluiu então o culto do Deus Dioniso, pelo qual se acreditava na imortalidade da alma e na metempsicose (transmigração da alma por vários corpos, para purificação). A alma aspiraria retornar às estrelas, mas só Dioniso poderia libertá-las do ciclo de reencarnações. Veremos, a seguir, os filósofos que mais se destacaram no período, cada um deles procurando mostrar a evolução do pensamento até o aparecimento de Sócrates.

TALES (625/547 A.C.)
Da escola jônica de Mileto. Foi um do sete sábios da Grécia. Considerava a água a fonte originária de todas as coisas. Congelada, tornava-se gêlo solidificado, dando origem à terra. E, quando aquecida, transformava-se em vapor e ar para retornar como chuva. Daí teriam nascido as diversas formas de vida, animal e vegetal. Mas não disse de onde viriam o calor e o frio, para movimentar a água. Procurou fugir dos deuses de Homero. A terra, para êle, seria como um disco.

ANAXIMANDRO (6L0/545 A.C.)
Também da escola jônica de Mileto. O mundo (finito) veio do infinito, como massa viva, com movimento, e voltará para a mesma origem, de certa forma modificado. O princípio único era eterno, mas abstrato, indeterminado. Em constante movimento, gerou a água e o fogo, o calor e o frio. A terra seria uma coluna cilíndrica. Mas suas ideias não se associavam a Deuses.

ANAXÍMENES (585/545 A.C.)
O terceiro da escola jônica de Mileto. Divergiu de Tales e de Anaximandro. O ar ou sopro de ar seria a substância básica, que comanda o mundo, não tão abstrata, nem tão palpável como a água. Tudo vem do ar em movimento. A vida é o ar que respiramos e o fogo é o ar rarefeito. A água é o ar condensado. E a terra é a água condensada.

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PITÁGORAS - (581/507 A.C.)
Não relacionado diretamente com a Escola de Mileto, foi grande matemático. Fundou seita religiosa e secreta, com base na transmigração da alma e na necessidade de purificação do homem para salvá-lo das sucessivas reencarnações. Percebeu que havia uma identidade divina em todos os sêres, em harmonia e voltada para o bem. O homem, para identificar-se com o divino, deve eliminar seus conflitos, libertando a sua alma com trabalho individual baseado na estrutura numérica de tudo, pois tudo é número. O som, por exemplo, depende da extensão das cordas sonoras. Por isso, elevou a matemática como ciência pura, dentro da religião. Em tudo há bipolaridade (masculino e feminino, impar e par, direita e esquerda, repouso e movimento, finito e infinito, unidade e multiplicidade, reto e curvo, bem e mal, luz e escuridão). A harmonia entre êsses opostos é a ordem do mundo, nos aspectos biológico, ético, cosmológico ou político. O homem será salvo quando em sintonia com essa ordem. Seus pensamentos fecundaram boa parte da filosofia posterior. Foi mais matemático que religioso.

HERÁCLITO (540/480 A.C.)
De Éfeso, foi um tanto autônomo quanto aos seus pensamentos. Devemos confiar só nos sentidos e nas transformações da natureza. Acreditava no fogo, que está sempre se transformando. Os opostos do mundo são uma coisa só, com duas faces. Só conhecemos a saude, se ficarmos doente. Se não houvesse guerra, não saberíamos o que é paz. O bem e o mal são necessários ao todo. Todas as coisas se opõe entre si, e daí resulta a unidade do mundo, mas também a sua transformação. A coisa única é Deus, isto é, o elemento divino, que abrange tudo: guerra e paz, fome e satisfação, inverno e verão. Seria uma razão universal. Mas cada um se orienta por sua própria razão. O mundo não foi feito por um Deus ou por um homem. Tudo apenas flui e se modifica. Se existem homens livres e escravos, há conflito, mas cada parte é apenas um dos polos da mesma tensão. E a tensão, sem os dois polos, nem existiria. Há um fluxo universal permanente, sem retorno. Nunca se volta ao mesmo rio, porque há sempre novas águas a correr. O mundo é um fogo eternamente vivo. O homem seria, então, como uma luz que se acendeu, que vive ignorante da lei universal que rege tudo, e vai se apagar voltando ao nada.

XENÓFANES (560/478 A.C.)
Dentre os chamados Eleatas (de Eléia), criticou os mitos, o politeismo e o antropomorfismo, porque as pessoas criaram os deuses à sua imagem e semelhança. Pela primeira vez se admitiu, então, que os mitos seriam fruto da imaginação do homem. Se um leão tivesse mãos e soubesse pintar, por certo pintaria seus Deuses em forma de leões. Os deuses dos etíopes seriam pretos e de nariz chato. Para êle, os deuses eram imóveis, em lugar determinado e não faziam nenhum esforço. Tinham formas e pensamentos superiores aos dos mortais. O mundo seria a totalidade da natureza viva, partindo de uma só substância divina, eterna e imutável.

PARMÊNIDES (515/450 A.C).
Também de Eléia. Aceita o ser uno de Xenófanes, mas sem atributos divinos e religiosos. Tudo sempre existiu e é imutável. Nada pode surgir do nada. E as coisas existentes também não se transformam em nada. É impossível. Confiava na razão humana e deveríamos afastar a “ilusão” dos sentidos. Nada pode mudar. O universo é imutável e o que vemos é mera ilusão. Dá início à lógica, do conhecimento pela razão e não pelos sentidos.

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ANAXÁGORAS (500/428 A.C.)
Para êle, a natureza se compunha de partículas invisíveis a olho nu. Pela infinita divisibilidade das coisas, em cada uma delas havia uma porção de muitas outras. São milhões de sementes ou germens, que se agregam e se separam pelo movimento do Espírito, como ação mecânica, que produz um movimento de rotação dos corpos celestes, de onde se origina o universo, com sêres inanimados e animados. Dentre êstes, os animais e o homem, êste mais sábio em graus de inteligência. Só que a inteligência não depende do espírito em si, mas da estrutura do corpo de cada um.

EMPÉDOCLES (490/430 A.C.)
Afirmando a unidade do sêr, negou a legitimidade racional da multiplicidade e do movimento. Em busca da verdade, circunscreveu os conhecimentos à capacidade do sêr humano. Sua razão deveria ser aplicada aos conhecimentos pelos sentidos. O universo vem de quatro raizes, todas igualmente importantes e imutáveis: água, ar, terra e fogo, que, em partículas pequenas, se agregam de formas e em proporções diferentes, para fazerem surgir as coisas do mundo. Até o nascimento e a morte representam mistura e dissociação dos componentes. As raizes são estáticas. O movimento, na natureza, é contínuo. O amor e o ódio seriam os motores dêsse fenômeno, atraindo e afastando as fôrças e mantendo, assim, o equilíbrio do universo. Tudo vem, a partir daí, por combinação, e depois voltam.

DEMÓCRITO (460/370 A.C.)
Sendo materialista, não acreditava em nenhuma força ou inteligência a intervir nos processos naturais. Partindo de formulações anteriores de Leucipo, ensinou que não há transformação na natureza. Existe o não-ser, por oposição ao movimento (que os sentidos mostram). Seria um vazio, onde os átomos, minúsculas pedrinhas ou partículas corpóreas, se movem por si mesmos, sem formas, indivisíveis, sólidos, eternos, sem direção e em número infinito. Só muito mais tarde surgiu a divisão deles em protons, neutrons e eletrons. O mundo teria, então, dois princípios: o incorpóreo (vazio) e o corpóreo (átomos). O movimento dos átomos provocaria colisões e agrupamentos, de onde o surgimento das coisas e do universo. O ato de conhecer (humano) é que distingue o doce do amargo ou o quente do frio. E daí tirou até algumas deduções sôbre a ética na conduta humana. A natureza tem leis naturais. Até a consciência e a alma são feita de átomos. Com a morte a alma se agrega a outras em várias direções. Em vida está ligada ao cérebro. Tudo fluia, como disse Heráclito, menos os átomos. _________ O chamado período sistemático surge a partir do século IV a.C., quando os estudos, ao invés da natureza, passaram a colocar o homem no centro da filosofia. Êstes eram cultos, bemfalantes e itinerantes, que buscavam ensinar aos cidadãos. Para êles, ninguém conseguiria encontrar respostas definitivas para os mistérios da natureza e do universo. Com essa concepção, apareceram os primeiros Sofistas.

OS SOFISTAS:
Protágoras (490/420 a.C.), seu maior representante, disse que o homem é a medida de todas as coisas. É livre, determina seu próprio destino e molda o mundo. Falar dos deuses era

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assunto obscuro. Ele era agnóstico, não afirmava a existência de Deus. Natural é o que era criado pela sociedade, pelos homens, por suas convenções. O pudor e a vergonha também são frutos da sociedade. Não há normas absolutas para o certo e o errado.

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CAPÍTULO XVII PERÍODO SOCRÁTICO
SÓCRATES (470/399 A.C.):
Era feio, gordo, baixo, de olhos arregalados e nariz arrebitado. Nunca escreveu nada. Só pensava e tudo o que dele se sabe foi por intermédio de Platão. Como Cristo, foi referido por Lucas e Mateus. Ele não ensinava. Dialogava e aprendia sempre. De memória fantástica, fazia perguntas e sempre levava seu interlocutor a ver os próprios pontos fracos e reconhecer a verdade “no mestre”. Seu conhecimento, assim, vinha de dentro de si próprio. Quando uma pessoa “toma juizo”, ela simplesmente revela o que já guardava. Assim, mostrando não saber nada, Sócrates forçava as pessoas a usarem a razão. Se estivesse numa praça, falando a muitos, alguns se sentiam até ridicularizados. Com isso, afetou até o poder dos governantes. Protestava contra a condenação à morte e recusava-se a denunciar seus inimigos políticos. Por isso, o fato de “corromper” a juventude e não reconhecer a existência dos deuses, custou-lhe a vida. Se concordasse em sair de Atenas, ou pedir clemência, ficaria livre, mas não seria Sócrates. A consciência e a verdade eram mais importantes que sua própria vida. Isto, como aconteceria com Jesus, lhe garantiu a fidelidade às suas idéias, mesmo após a sua morte. Para êle, o cosmos ou universo simplesmente surgiu, pelos fenômenos celestes. Como os sofistas, dava ao homem maior importância que às coisas da natureza. Sócrates fez os homens refletirem sobre o bem e o mal, sobre a vida e os costumes. Divergia dos sofistas (que cobravam e nem sempre tinham idéia profunda dos assuntos que tratavam), porque não se julgava sábio e nunca cobrava por seus ensinamentos. Autodenominava-se um “filósofo”, amante da sabedoria. A única coisa que sabia era que não sabia nada (sôbre a vida e o mundo). E, por isso, buscava aprender sempre. Há duas formas de se ver as grandes questões: ou enganar a nós mesmos e ao mundo como se soubéssemos tudo, ou reconhecer que não sabemos e desistir de convencer. Sócrates buscava, para si, conhecer sempre mais, e isto só seria possível através da razão humana. Para êle, distinguir entre o certo e o errado está na razão, não nas convenções da sociedade. Não são felizes os que roubam, porque êles sabem que fazer isso não é o certo. Existe um sentimento natural de pudor? Claro que não. A sociedade é que convenciona sobre o que pode e não pode ser feito. Por exemplo: proibe desnudar-se na frente dos outros. Sócrates surgiu perguntando a todos o que era o Estado e a soberania. Depois buscou a resposta no conhecimento verdadeiro por parte dos cidadãos. Sua idéia era, longe de todo o tipo de falsidades, recomendar que o comportamento humano se pautasse conforme as verdades. De manto sôbre o corpo, a cabeça descoberta e os pés descalços, vagava pelas ruas de Atenas para analisar o povo e sempre aprender com êles. Desejava ver a justiça social no mundo todo, enquanto morria de fome a sua família. Denunciou com coragem a hipocrisia dos políticos. Era ouvido com admiração, pela forma comovente com que transmitia seus ensinamentos. Acabou sendo condenado à morte, mas não pediu misericórdia. Estava calmo, enquanto à sua volta todos choravam pelo grande mestre. Na verdade, não chegou êle a criar uma doutrina política.

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PLATÃO (428/347.A.C.)
Discípulo de Sócrates, tentou criar um modelo novo de Govêrno, a que deu o nome de República. E já pregou, naquele tempo, o amor livre, a restrição da natalidade, a igualdade dos sexos, a proibição do álcool, a abolição da propriedade particular e o casamento destinado ao aperfeiçoamento das gerações futuras. Toda a autoridade tinha a missão principal de instituir a justiça entre os homens. Na sua República, não haveria casamentos individuais, nem famílias. As mulheres seriam comuns a todos os homens e as crianças, ao nascerem, iriam para o Infantário do Estado. Pais e filhos não se conheceriam, para que pudesse existir fraternidade universal e igual para todos, como irmãos. A liberdade de cada um seria limitada apenas para que uns não molestassem aos outros. As crianças, até 20 anos, teriam a mesma educação, principalmente com muita ginástica e música. Rapazes e moças trabalhariam e brincariam juntos, até mesmo despidos (na ginástica), sem o senso da vergonha. Após os 20 anos, mediante seleção, os menos capazes formariam a classe inferior dos escravos, grangeiros, lavradores e homens de negócios (êstes, sendo honestos, não poderiam prosperar). Os que restassem, estudariam por mais 10 anos e aprenderiam aritmética, geometria e astronomia. No exame final, se aprovados, constituiriam a classe média, isto é, os soldados, que seriam os guardas do Estado, só para fins defensivos. Os aprovados começariam, então, o estudo da filosofia (homens e mulheres) e seriam exercitados para dirigirem o Estado. Aos 50 anos, envolvendo prática nos últimos 15 anos, seriam filósofosreis. E complementava: A humanidade será feliz um dia, quando os filósofos forem reis, ou quando os reis forem filósofos. O filósofo, segundo êle, compreenderia a idéia perfeita de Deus, o divino segrêdo da vida, de que o mundo material seria uma cópia imperfeita. Essa seria a classe mais alta, que, sendo sábia, só aplicaria o que fosse justo. Para êle, tudo seria de todos: a propriedade, os alojamentos, as refeições, como primeira forma de Comunismo. Era um insulto falar-se na existência de um Deus Olímpico, como na Ilíada de Homero. A religião deveria ser compatível com a razão humana. O criminoso devia ser reprimido, jamais punido, por ser digno de piedade em decorrência da sua ignorância. Se fosse um louco, devia ser curado e educado, pois a educação eliminaria grande parte das doenças. Os incuráveis, por sua vez, deviam ser, misericòrdiamente, mortos. As leis seriam poucas e de fácil interpretação. Com maior cultura do povo, a política seria reduzida ao mínimo. O Govêrno asseguraria felicidade, saude e lazer. Ser bom seria igual a ser feliz. As leis só seriam aplicadas contra os que não fossem bons, pois êstes prejudicariam o todo. O que é eterno e imutável na natureza o é também na moral e na sociedade. Tentou descobrir o que é eternamente verdadeiro, eternamente belo e eternamente bom. Tudo sempre existiu. Tudo “flui”, sim, mas como reflexos de modelos eternos. As idéias não foram criadas. Na natureza, não há nenhum elemento que não se desintegre. Todos os seus elementos contém uma “forma”, imutável e eterna. Todos os cavalos são iguais, pois existe uma idéia de “cavalo” em nossas mentes. As ideias de um escultor no mármore (exclusivas dele) nada têm a ver com a matéria em si e independe dela. Tudo flui, envelhece e morre. Só a “forma” não muda. Todas as coisas da natureza, conhecidas pelos nossos sentidos, sofrem influências das idéias humanas. Platão centrou-se nas ideias perfeitas.

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Os sofistas, que acreditavam em algumas particulas imutáveis, não explicaram como elas se juntavam para formar uma mesma espécie, p.ex., o cavalo. Se, com peças de montar, fizermos um cavalo e o desfizermos depois, a montagem de um “outro” cavalo com as mesmas peças já vai seguir uma imagem-padrão: a do primeiro. Assim, 10 pãezinhos, que não são absolutamente iguais entre si, têm algo em comum, que os identifica como pãezinhos. Não são bolos nem são pudins. A essas “formas” das coisas que vemos, Platão deu o nome de idéias. Das imagenspadrão, ou idéias, é que surgiu a sua “Teoria das idéias”. Tudo o que vemos ao nosso redor são bolhas de sabão, pois se desintegrará. Tanto um sêr vivo como um bloco de mármore um dia desaparecerá. Nunca poderemos conhecer verdadeiramente qualquer coisa, pois ela se transforma, sempre. No mundo dos sentidos, portanto, nossas opiniões são sempre incertas. O conhecimento seguro é aquele que vem da razão. Os sentidos não são iguais para todos nós, mas a razão, sim. Todos divergimos quanto à côr mais bonita, mas nunca ao respondermos o resultado de 3 x 6. A razão é eterna e universal. A matemática é imutável e o conhecimento não depende de dados provindos dos sentidos. A idéia (imagem de um cavalo ou de que os graus de um triângulo somam 180º) é um conhecimento seguro e, portanto, verdadeiro. Para Platão, o homem é o centro de tudo: princípios, conceitos e ideias. As ideias se imprimem na matéria, mas o homem é o único que pode compreendê-las, inclusive no estudo da natureza, sua origem etc. Sua alma vem da razão divina, que lhe penetrou no corpo. Por isso, pode conhecer a coisas reais do universo. Elevando-se acima da própria matéria, êle habita o reino do espírito, onde conhece as idéias, que são reais. O mundo dos sentidos é impreciso, imperfeito, enquanto o das idéias, com base na razão, é imutável. Se possuimos os sentidos e, também, uma alma imortal, podemos dizer que esta é verdadeiramente a morada das idéias, enquanto os sentidos não podem conhecer o mundo. A alma já existia, no mundo das idéias, antes de vir para o nosso corpo. Aí ela se funde com os sentidos, conhece a imperfeição e, por isso, vai desejar retornar à sua morada. A êsse desejo Platão dá o nome de Eros, amor. Nesse meio-tempo elas se refletem nos sentidos. Daí, todos os fenômenos da natureza são meros reflexos das ideias, das formas eternas. A maioria das pessoas se satisfazem com esses reflexos, essas sombras, vendo-os como se fossem naturais e acreditando neles, como se verdadeiros fossem. Na “alegoria da caverna”, de Platão, homens de dentro de uma caverna, nunca tendo visto sequer a luz do sol, olham para uma parede e, sem poder virar os rostos, vêm sombras de outros homens. O que acontece? Vão pensar que isso é a única coisa que existe. Se um deles se libertar e ver realmente os homens que projetaram aquelas sombras, por certo vai ter forte impacto na visão. Porém, vai achar muito mais bonitos os contornos definidos, as côres. E vai querer saber de onde êles vieram. Depois conhecerá a natureza e a liberdade. Se voltar, para explicar aos outros prisioneiros o que viu, vai ser considerado mentiroso, pois, para eles, não há outra realidade além daquela da caverna. Daí se conclui que há dois mundos: as formas da natureza e o mundo das idéias. Platão imaginava, também, um Estado-modêlo, utópico, a ser dirigidio por filósofos. Comparava-o ao corpo humano, em 3 partes: cabeça, onde ficam as idéias, que aspiram à sabedoria; o peito, onde ficaria a vontade, cuja virtude é a coragem; e o baixo-ventre, onde se aloja o prazer, a ser controlado. Assim, na escola, as crianças têm de aprender a controlar seus desejos, depois desenvolver a coragem e, por fim, buscar a sabedoria. O todo seria harmônico. Por sua vez, o Estado se constituiria de governantes, sentinelas ou soldados e, por fim, de

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trabalhadores (comerciantes, artesãos e camponeses). Isso tem origem na casta hindú, que, antes dele, dividiu o estado em sacerdotes, guerreiros e trabalhadores. Platão foi criticado por ser de teoria totalitária. As mulheres tinham capacidade igual à dos homens. Precisavam receber formação igual e deixar de lado as crianças e os serviços de casa. Os governantes não teriam família nem propriedades. A educação das crianças deveria ser obrigação do Estado. Após a divulgação dessas suas idéias, foi muito criticado e, então, voltou atrás e reintroduziu a família e a propriedade, com alguma restrição às mulheres. Mas nunca restringiu a formação delas.

ARISTÓTELES (384/322 A.C.):
Discípulo de Platão, abrangeu maior lustro de conhecimentos. Afirmou que o homem é sociável a partir da família, depois na comunidade e, por fim, na cidade-Estado. O Estado deveria visar a justiça como fim máximo. Mas, como todos não são iguais, deveria o Estado conferir direitos diferentes aos desiguais, seja pela capacidade pessoal, seja pela sua origem. Os escravos e seus descendentes, por exemplo, não poderiam ser tratados da mesma forma que os homens livres e os descendentes dêstes. Para êle, as ideias e a matéria viviam juntas. Nenhuma era transcendente em relação à outra e só o pensamento as pode separar. O mundo não era ilusão, mas algo verdadeiro. Tudo tem matéria e forma, mas só a matéria se modifica, enquanto que a forma se mantém imutável. Universo é o conjunto das coisas, com formas diferentes. No inicio só havia formas, sem matéria, donde a origem do mundo. Fundou a Biologia. Organizou a Psicologia. Foi mestre de Moral. Ensinou como amar e como odiar racionalmente. Foi professor de Política. Ensinou como governar com justiça. Deu origem à retórica e escrevia com arte. Quanto ao Govêrno, prega a Constituição, como necessária para acabar com a tirania de um só, de poucos ou de muitos. Seu tipo de Govêrno não era comunista, como o de Platão. A posse comum das propriedades, das mulheres e das crianças resultaria em lutas e crimes. Destruiria o interêsse de todos porque o que é de todos a ninguém pertence. O homem faz parte do ambiente em que vive, mas também deve ser estudado como indivíduo. Imagina, lembra, tem desejos, dores, prazeres. Participa do que é divino no universo. Provém da natureza, mas também da divindade, por isso, pode se aproximar dela. Ele sobrepuja a matéria em direção à divindade. Mas a propriedade particular devia ser empregada no uso público, para o bem de todos. A distinção entre as classes não poderia ser rígida. Era um tanto monárquico e um tanto aristocrático e achava que o Estado era a comunidade perfeita, por ser capaz de realizar os seus fins sem precisar do auxílio de outras sociedades menores, como as tribos, onde não há especialização. Interessou-se pelas mudanças na natureza. Platão estudou os sentidos. Êle saiu para compreender a natureza, os bichos, os peixes, as flores. Buscou usar a razão e os sentidos. Deixou muitos apontamentos incompletos. Criou linguagem técnica para as ciências em geral e as ordenou, estudando cada uma. Criou a Lógica como ciência. Antes, para Platão, as idéias perfeitas são mais reais que os fenômenos da natureza. A idéia de um cavalo, eterna a imutável vinha antes dele. Porém, a idéia de cavalo é um conceito dos homens e para os homens. Só poderia existir após a experiência, o conhecimento da substância da espécie, obtido pelos sentidos. Se, para Platão, o que percebemos no mundo são reflexos das idéias e da alma humana, para Aristóteles, as idéias são reflexo dos objetos da

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natureza e as “formas” estavam dentro das próprias coisas. Nada há na consciência que não tenha sido experimentado antes. Todas as idéias e pensamentos nos vêm dos sentidos. Mas também temos razão, inata, como nossa principal característica, para ordenar as coisas e fazer conceitos sôbre elas, enquanto não existem idéias inatas. É pela razão que ordenamos as coisas obtidas pelos sentidos e formamos as ideias. Todas as coisas têm uma forma e podem vir a ter outra. Um pedaço de mármore pode vir a dar idéia de um cavalo, após esculpido. As possibilidades de transformação são inerentes ou não. Um ovo de galinha nunca gerará um ganso. Tinha notável visão das relações de causa e efeito na natureza. Estudou as várias causas em cadeia, como a água da chuva subir, condensarse e depois cair, para justificar, a final, a necessidade da chuva para as plantas. Aristóteles chama a espécie (cavalo) de forma e as suas particularidades (côr, tamanho de cada um) de substância. Pela razão, ordenamos as coisas, pois as distinguimos em vivas e mortas, sêres, plantas etc. Há grupos e subgrupos na natureza e escalas de posição, de grandeza, de derivações etc. Os reinos são animal, vegetal e mineral. Se todos somos mortais e eu estou vivo, então eu sou mortal. Na natureza, as coisas são inanimadas ou vivas (plantas, animais e o homem), estas capazes de modificar aquelas. Só o homem raciocina. E pensar é centelha da razão divina. Deus está acima do homem, no cume dessa pirâmide. É o primeiro impulsor. Não se movimenta, mas é a causa de todos os movimentos na terra, nos astros etc. Felicidade é ter vida de prazeres, ser responsável e ser pesquisador. Em conjunto. Devem ser meio-corajosos, nem covardes nem muito audaciosos. É o meio-têrmo de ouro. Nem ávaros, nem extravagantes. Pregava a monarquia, sem tirania e sem proveito próprio. Aceitava também a aristocracia, mas com algum proveito próprio. Democracia também é boa forma, mas com o risco de domínio pela plebe. Para êle, a mulher era um homem incompleto. A mulher era passiva, que tinha forma, enquanto o homem era ativo e dava a semente. Afirmou que o filho só herdava as caracteristicas do pai. Mas os efeitos disso foram danosos, principalmente na idade média, quando a própria igreja chegou a herdar uma visão da mulher sem fundamento na Biblia. Consciência é algo inato, é a capacidade das pessoas de reagirem ao certo e ao errado, variando de uma pessoa para outra. Se os sofistas disseram que o meio ambiente determina o que é certo ou errado, e se Sócrates dizia que a consciência é igual em todos, ambos tinham razão. Se a consciência pesar por se andar nu, pesa também para a coisas injustas que fizermos. A razão e a consciência precisam ser exercitadas, senão enfraquecem.

CAPÍTULO XVIII HELENISMO:
No fim do século IV a.C. o grande imperador Alexandre Magno, da Macedônia, conquistou a Grécia, que, menos de um século depois, passou ao domínio de Roma. Seu ideal da cultura, porém, sobreviveu até mesmo sôbre os romanos, vindo a ser chamada de cultura helênica. Os povos adotaram a língua, a arte e o pensamento grego. No entanto, o governo passou a despótico, como o eram os persas e os egípcios. Assim, durante cêrca de 300 anos reinou o Helenismo. Só pelo ano 50 a.C., Roma passou a impor a cultura romana, abrangendo, em parte, a cultura grega. Os deuses romanos, egípcios, babilônicos, persas, gregos e sírios se confundiram, ficando miscigenadas, à época, as línguas, a religião, a filosofia e a ciências. Os tradicionais

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deuses do Olimpo foram sendo desacreditados. Todos os súditos passaram a ser considerados cidadãos. E a cultura se torna cosmopolita. Os três grandes filósofos da natureza tornaram-se fonte de inspiração para as novas teorias. O império foi se subdividindo entre Atenas e Alexandria. Definiu-se então, em Atenas, uma espécie de filosofia de vida, o estudo de regras pessoais de comportamento para o homem viver bem. E surgiram, então, as correntes do ceticismo, do epicurismo e do estoicismo, dentre outras de menor expressão.

CETICISMO - PIRRO (360/272 A.C.)
Ser cético significa “duvidar do conhecimento”. Pirro afirmou que o homem era incapaz de saber o que é o universo ou de que modo surgiu, pois o homem não pode conhecer a natureza das coisas, que são inaccessíveis. Delas só pode apreender as aparências mutáveis. Abandonou todas as tentativas anteriores de solucionar o problema.

EPICURISMO - EPICURO (341/270 A.C.)
Partidário da teoria atomista de Demócrito, doutrinava que o prazer era o valor supremo e final do homem. Deveriamos buscar o prazer em tudo para a satisfação do espírito, na saude e no intelecto, num corpo e numa alma sãos, e não em Deus. Nem seria preciso ter o desejo de encontrar a fonte dessa felicidade. Queria o afastamento da dor. Se os médicos se ocupam da saude do corpo, os filósofos devem cuidar dos sofrimentos da alma. Dizia que é fácil alcançar o bem, suportar o mal, não temer os deuses nem a morte, porque, depois dela, não existiremos. Os átomos do corpo humano se desintegram e o homem nada sente. Na imagem do mundo e do homem, os deuses e a morte não são ameaçadores. Não temer a ambos é só ausência de sensações. O homem deve ser sempre livre e senhor de si para alcançar seus objetivos. Não lhe interessava a política nem a sociedade, só a reclusão. No misticismo, nosso “eu” seria como que parte de um universo, uma alma cósmica.

ESTOICISMO - ZENÃO (334-262 A.C.
A sabedoria e a felicidade vêm da virtude e do esfôrço físico de manter-se firme, inabalável, austero. Todos têm parte de uma razão universal. Daí, o direito natural (válido também para os escravos), do qual as leis do homem são imitações imperfeitas. Marco Aurélio, Cícero e Sêneca, partidários da teoria, apagaram as diferenças entre indivíduo e universo e entre espírito e matéria, fazendo surgir o humanismo. A doença e a morte fazem parte das leis da natureza. Há um destino e nada surge por acaso. Ninguém deve inflamar-se com seus sentimentos, de tristeza ou felicidade. Deve-se viver a vida como ela é, insensível aos males físicos, com obediência às leis do próprio universo.

O DIREITO ROMANO:
Nos séculos III/II a.C., todo o mundo já se encontrava sob o domínio romano. Pelo Mar Mediterrâneo (“mare nostrum”), as riquezas chegavam a Roma, próspera e luxuosa. Mas também os imigrantes hebreus, egípcios, gregos e sírios, com suas culturas. Os romanos foram passando da agricultura e o pastoreio para a manufatura e o comércio. Consolidaram-se as suas instituições políticas, como o Senado, nomeados seus membros pelo rei. A plebe, conquistando direitos políticos, deu origem à criação da República. Mas a necessidade de um governo forte e descentralizado, em face das ameaças dos vizinhos, mudou o regime para Império.

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Êste, organizando as guerras de conquista, alcançou, nos séculos I e II d.C., quase toda a Europa ocidental, o norte da África e a Ásia menor. Julio Cesar, investido pelo Senado, foi Imperador e comandante do Exército, depois ditador vitalício. Morreu assassinado. Não é porque as coisas são difíceis que nós não ousamos. É porque não ousamos que as coisas se tornam difíceis (Sêneca – 65.d.C.). Ainda na República, fôra elaborado um pensamento eclético para toda a filosofia, vista mais no aspecto moral. Daí surgiram as grandes leis romanas, propostas pelo Senado e pela Assembléia da Plebe, e, consequentemente, o Direito. Cícero destacou-se como grande político e orador, criando as Catilinárias, uma denúncia de conspiração, e outras obras ecléticas, de 0filosofia e de religião. Achava impossível o conhecimento da verdade absoluta. Para êle, só existia um Deus, mas admitia que, para o povo, era mais conveniente a existência de muitos deuses. O direito deixou de vir ao sabor das circunstâncias políticas e passou a ter caráter impessoal e técnico e a formar um todo coerente e sistemático, sem conflitos entre as suas partes. Surgiram novas leis e a jurisprudência, que normatizou a sua aplicação. Grandes jurisconsultos davam audiências públicas a quem a êles recorresse. No Império, a função legislativa passou ao Imperador, dentre êles Justiniano, que, através de comissões de especialistas, organizou o “Corpus Juris Civilis”, que até hoje constitui a base da legislação civil de quase todos os paises.

PATRÍSTICA:
O advento do Cristianismo divide a história do pensamento em duas partes distintas. Cristo não se revelou como fundador de uma escola, como Platão e Aristóteles, mas como Deus em forma humana. Se não era o Cristinismo uma filosofia, as novas propostas a influenciaram muito pelas novas explicações da essência e natureza de Deus, suas relações com o mundo, a origem e o destino do homem. A tal ponto que todas as teorias da época, ou futuras, passaram a ser consideradas em comparação com a nova revelação. Assim, teve origem a chamada Patrística, uma filosofia que colocou a teologia acima de tudo no campo especulativo, para assim analisar aqueles fenômenos sob o novo enfoque. Aristóteles hesitava quanto à vida futura e a imortalidade da alma. Por isso, a doutrina da moral platônica era a que mais se harmonizava com os preceitos do Evangelho. Com isso, eliminou-se o dualismo irredutível entre Deus e a matéria, então substituido pela tese da criação do mundo por um Deus transcendente e protetor permanente da humanidade.

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PLOTINO (204/2700
O Império Romano, em declínio, subdividia-se em Ocidente e Oriente. Nessa época, Plotino procurou fundir a filosofia grega com as crenças religiosas, formando o que se chamou de neo-platonismo. Mas não concordou com a idéia de dois mundos: o sensível e o das idéias, já que só havia um princípio, a que denominou “Uno”, para tudo o que existe. Antes, o infinito seria imperfeito e o divino a perfeição. Não foi extremamente moralizador nem cético, para duvidar de tudo. Para êle, o Uno é imóvel, infinito, indeterminável, inacessível ao nosso intelecto, fora do tempo e absolutamente transcendente. Envolve a Inteligência, pela qual se pode conhecer as coisas, e a Alma, que dá vida aos sêres. Seria um Deus puro, de onde um espirito se irradiava, mas sem jamais esgotar a fonte. O espírito, ou alma, estaria entre Deus e o mundo. A matéria é a substância. A alma é a forma. A seguir, começa a surgir, na filosofia, o grande debate entre a fé a razão, a partir principalmente do nascimento de Cristo. Suas mensagens de amor ao próximo, prática da bondade e o desprezo aos bens mundanos mexeu muito com a filosofia dominante. Como conciliar a Fé com a Razão?

SANTO AGOSTINHO (354/430):
No ano 313, pelo Imperador Constantino, o Cristianismo recebe liberdade de culto, mesmo estando sòlidamente organizado sob a autoridade dos padres, dos bispos e do Papa. Criou-se a ortodoxia, opinião correta da doutrina cristã, fundada no raciocínio dos santos padres. Dentre êles, Santo Agostinho foi o que levou mais longe a conciliação entre a fé e a razão, elaborando a filosofia cristã. Embora tendo vivido antes do início da Idade Média, é considerado um marco divisório e um dos fundadores da filosofia medieval. No inicio de sua vida, não era cristão e até seguiu a corrente do Maniqueismo (que entendia o mundo como criado com dois princípios, o bem e o mal). Teve uma companheira, moça simples e de cultura inferior, a quem foi devotado, e, com ela, teve um filho, mas não se casou. Até sua mãe o considerou herege. Nasceu e viveu no norte da África, então sob grande influência romana.. Aos 32 anos, pesquisando a origem do mal, sob influência dos estóicos e do neoplatonismo, disse que a existência humana tem natureza divina e converteu-se ao celibato e ao cristianismo. Aos 41 anos tornou-se bispo, na África. Praticava a virtude pelo exercício da meditação (ascetismo) e dizia que a graça de Deus, necessária ao homem, não vem só do nosso esfôrço. É um dom. Tinha grande cultura e foi professor de retórica. Sabia muito bem o latim, mas nunca aprendeu o grego. Estudou toda a filosofia helênica. Com grande brilho verbal, afirmou que Deus criou a matéria do nada, e, depois, tudo o que existe no universo, enquanto que para os gregos o mundo sempre existiu. Deus existe desde antes do próprio tempo. Por isso, criou também o tempo e o espaço. Tudo veio do espírito de Deus. Por isso, as ideias e formas eram divinas. Em matéria religiosa, deu limites à razão. Se tivermos fé no Cristianismo, Deus iluminará nossa alma para dar-nos um saber além do natural, que nos faria conhecer as verdades. “Se amarmos ao nosso próximo, todas as verdades do mundo se nos tornam evidentes”. As ideias em Deus (Platão) eram eternas. O “mal” seria a ausência de Deus. Se Deus só criou o bem, o mal não existe e, se existir no pensamento, não tem autonomia. O homem é físico e se corroe, enquanto que o espírito é capaz de reconhecer a Deus. Para êle, Deus teria escolhido alguns, para salvá-los da condenação eterna. Ninguém deve criticar a Deus. Retomou a

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crença no destino. Deus, como o Uno de Plotino é transcendente e divinamente perfeito. Está acima da razão, com a Trindade: o Pai é a essência, o Filho é a palavra e o Espírito Santo é o amor, que tudo cria. O homem, imagem e semelhança de Deus, reproduz a Trindade com: sua existência (Pai), o conhecimento (Filho) e a vontade (Espírito Santo). A ordem do universo também é análoga, com coisas inanimadas, sêres vivos e sêres inteligentes, êstes com corpo, alma e espírito. O esfôrço pessoal do homem, com seu livre-arbítrio, não pode por si buscar a salvação. Há o pecado, que só Deus perdoa com a sua graça. A caridade pode ser um meio de salvação, mas tudo de Deus depende. Toda a humanidade, sob govêrnos humanos, tende para o pecado. Por isso, de tempos em tempos, Deus a castiga, como fez com o dilúvio. E fala na Cidade de Deus, a partir do Juizo Final, redimida dos pecados. Para Platão as idéias e formas existem desde antes da matéria. Para Aristóteles, as ideias e formas estavam na própria matéria, sendo porém distintas delas. Para os filósofos cristãos, elas estão no espírito de Deus, que molda a matéria. Santo Agostinho representou o segundo período da Patrística. No terceiro, que vai de 430 a 800 d.C., pouco se desenvolveu a cultura intelectual, em parte pelas invasões dos bárbaros. Um dos poucos pensadores do período foi João Damasceno, que tentou sistematizar a teologia no oriente.

CAPÍTULO XIX IDADE MÉDIA:
Havia decorrido cêrca de 1.000 anos desde os primeiros filósofos, quando, após outras invasões bárbaras, São Jerônimo (347/420 d.C), no ano 410, assim anunciou a invasão e a pilhagem de Roma pelos visigodos: “A voz fica-me na garganta e os soluços interrompem-me. Foi conquistada a cidade que conquistou o universo”. Já era definitiva a divisão do Império em Ocidente e Oriente, ocorrida em 395. E a Idade Média, que se iniciaria em 476 d.C., com a queda do último imperador romano do ocidente, também se estenderia por mais 1.000 anos, até 1453, quando Constantinopla (depois Bizâncio e hoje Istambul, na Turquia), viria a cair sob o domínio turco, e o ocidente a se tornar um mosaico de pequenos reinos, com predominância do Cristianismo.

ESCOLÁSTICA (SÉCULOS IX A XV):
Toda a Idade Média foi obscura. Não passou de um intervalo entre o explendor do mundo greco-romano e o seu posterior renascimento. Foi um período de guerras incessantes, cruzadas religiosas, grandes epidemias como a peste negra e profundo sentimento de medo. Teve, no entanto, progressos culturais. A fé estava acima de tudo. Ninguém duvidava do Juizo Final ou da vida após a morte. As peregrinações se tornaram frequentes, principalmente a Jerusalém, Belém e Nazaré, de domínio árabe (até a invasão dos turcos, em 1071), à Basílica de São Pedro, em Roma, e à Igreja de Compostela, na Espanha, local dos despojos de São Tiago. A Igreja, cujos dogmas eram inquestionáveis, buscou seus monges para organizar o trabalho rural e ensinar a religião e o latim. Essas cópias, traduções e comentários dos textos antigos é que vão formar um pensamento novo: a Escolástica, que ganha corpo nas universidades. É a filosofia cristã, com alguma base em Aristóteles. A pedido do rei Carlos Magno, na França, o monge britânico Alcuino (730-804), fundou o Império Carolíngio, cuja missão era organizar o sistema educacional do Império.

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Implantaram-se muitas escolas e unificou-se o ensino, à maneira romana. Tudo, porém, dentro dos esquemas da teologia, então considerada a ciência das ciências. Seguiu-se, aliás, o pensamento de Santo Agostinho, já baseado em Platão. O universo, além da matéria, contém alguma coisa eterna e imutável, que seria sua causa primeira. As ideias e formas de Platão passaram a ser emanação divina. Deus é muito puro e está muito acima da matéria. Matéria é o princípio do mal. Por isso o homem tem de redimir-se. Ao integrar-se no corpo, a alma perde a graça divina. O universo é uma arena, onde o homem deve conquistar a salvação eterna. Ele é a obra prima de Deus, mas tem o poder também de se destruir e se afastar com o pecado. Precisa, pois, voltar ao bom caminho. Mas não se pode esquecer que, no início da Idade Média, também os povos árabes criaram o Islã, que significa “submissão à vontade divina”, uma religião com identidade cultural e política. Em torno da fé unificaram-se as tribos e os clãs árabes, levando no seu âmago o “jihad”, guerra santa. Os muçulmanos até aceitaram conviver com outras religiões, com exceção do culto a ídolos. Traduziram para o árabe obras de filosofia, matemática e medicina e desenvolveram a álgebra, os algarismos arábicos e a trigonometria. Para êles, a cultura do muçulmano o aproximaria da sabedoria divina. Traduziram Aristóteles, Plotino e textos neoplatônicos, para identificá-los com Alá. Mas os católicos romanos também fizeram guerra santa, nos séculos XI a XIII. O Papa Urbano II (1081/1118), para unificar a cristandade, já que havia infieis muçulmanos e uma facção católica ortodoxa criada em Bizâncio, encorajou as Cruzadas, com as bênçãos da Igreja e com privilégios espirituais e materiais. Houve dez expedições à Terra Santa, para tirá-la do domínio turco. Muitas foram derrotadas e algumas tiveram relativo sucesso, com a fundação de cidades (Antióquia, Trípoli e outras), a intensificação do comércio e a a reconquista de Jerusalém, Belém e Nazaré, mas novamente perdidas depois.

SANTO TOMAZ DE AQUINO (1225/1274):
Foi o maior representante da Escolástica. Até então, a religião se baseava no “creio para compreeender”. A partir da Escolástica, a religião ficou mais desvinculada da filosofia. Os religiosos, dentre êles Santo Tomaz, buscando supremacia, pretenderam influir nas universidades para tentar impor que a filosofia se submetesse à Fé. Se as duas se entrechocam nas argumentações, só a razão se equivoca. Foi por isso canonizado. Teólogo e professor, cristianizou Aristóteles. Sondou com a razão o que se lia na Biblia. E concluiu que poderiamos chegar às “verdades” também pela razão. Tentou provar a existência de Deus com base em Aristóteles. Definí-lo como perfeito não implica na sua existência, porque a definição é sòmente uma idéia. Deus é uma única causa não causada, imaterial e absolutamente imóvel, de onde se originaram todos os movimentos, que, por sua vez, sujeitaram-se a todas as relações posteriores de causa e efeito. Deus, de máxima perfeição, seria o padrão para se medir os graus de perfeição de todas as coisas no mundo. No mundo, ainda, cada sêr cumpre uma finalidade, dentro de certa ordem (os vivos se reproduzirem, por exemplo). Assim, a razão demonstra a existência de Deus, gerando a Fé e o conhecimento da verdade. Não há, pois, contradição entre razão e fé. Daí, acreditou num grau crescente que ia das plantas aos animais, dêstes ao homem, dêste aos anjos e dêstes a Deus. Para êle, a alma era vegetativa nas plantas, sensitiva nos animais e racional e imortal nos homens. Os anjos eram eternos, também criados por Deus. Adotou também a visão aristotélica da mulher, que seria um homem inacabado, feita a partir da sua

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costela (Biblia). Sua alma, porém, tinha o mesmo valor da alma masculina. Na Idade Média só os homens dominaram a Igreja. Deus criou o universo do nada, inclusive o homem. Este é espírito (centelha divina) e matéria (corpo). Como matéria, herda o pecado de Adão e deve redimir-se dele. O homem, como sêr, é impelido para cima em direção à divindade, mas, como matéria, é atirado para baixo, onde a vida, na terra, seria só peregrinações e sofrimentos. Por isso, outros filósofos se rebelaram contra o dominio da igreja. Seus textos comentam a Biblia, os escritos de santos padres e Aristóteles. Escreveu também um manual de teologia, visando a conversão dos muçulmanos. Seu intuito, em todos êles, foi o bom uso da razão, para não prejudicar a Fé. As idéias ou formas são universais. A árvore, por exemplo, não se identifica por sua côr, casca, folhas ou altura. (isto só difere de uma árvore para outra). A natureza é a união dos universais com a matéria. O intelecto recebe as imagens das formas não universais e, portanto, imperfeitas. Depois, raciocina sôbre elas com a sua própria individualidade e forma as suas conclusões. No apogeu da Escolástica, as discussões são acaloradas, mas já se prenuncia o fim da Idade Média. Os conflitos entre o papado e o imperador enfraquece o Império. Com êste quase destruido, as monarquias, como a França e a Inglaterra, se constituem em Estados nacionais centralizados. Chegou até a haver dois papas, em Roma e em Avignon, na França, que acabaram reunificados em 1418. Surgiu então o Renascimento, que vigorara a partir da queda de Constantinopla, em 1453.

CAPÍTULO XX IDADE MODERNA
Aproximadamente durante a mesma época, conviveram cinco correntes entre si distintas: o Renascimento (ou Renascença), A Reforma, o Empirismo, o Racionalismo e o Iluminismo, cada uma delas com seus mestres, como se verá a seguir.

1. RENASCIMENTO (HUMANISMO):
O homem, buscando libertar-se dos grilhões da igreja, reviu os valores da antiguidade clássica e proclamou sua fôrça para controlar o mundo. Sendo inteligente, faria renascer o espirito humano. A filosofia e a ciência se desvincularam da religião. Não poderiamos chegar a Deus, pois êle seria incompreensível para o nosso pensamento. O homem deveria não entender mas só sujeitar-se às suas vontades. Renascimento é apogeu de cultura ao fim do séc. XIV. Na Idade Média tudo se via por um prisma divino. Por isso, o homem precisava ser reeducado para se tornar humano. Continuou a transformação da economia monetária, substituindo o escambo, iniciada antes do fim da Idade Média, que já criara comércio intenso. Para viver, comprava-se tudo com dinheiro. Assim, surgiram os burgueses, comerciantes independentes, com grandes patrimônios, e os cidadãos foram se libertando dos senhores feudais e do poder da Igreja. O homem passou a ser o centro de tudo (virada antropocêntrica). Deixa de ser pecador, como visto antes, quando tudo partia de Deus, como causa primeira. Surge então o Humanismo, para valorização do homem, já que, no período medieval, ele se colocou mais a serviço de Deus. Reestudaram-se os aspectos da vida, das ciências e das artes. O artista deixou de ser mero artesão e passou a idealizar suas obras. Surgiram os nús na pintura, depois de mil anos de pudor

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e vergonha. O homem já podia desenvolver-se livremente. Na educação, as universidades formais e rígidas com a teologia cederam terreno aos colégios especializados, com ênfase na matemática e na literatura. Também as teorias de Aristóteles foram sendo substituidas pelas de Platão. Reconstruiu-se Roma, que já vinha declinando na Idade Média. Levaram-se 200 anos para a reconstrução da Igreja e da Praça de São Pedro. Deus, mesmo sem perda da Fé, foi ficando em segundo plano, e passou a ser encarado como omnipresente na própria natureza, o que deu origem ao Panteismo. Conquistou-se a América. O Renascimento, claro, guardou sinais do pensamento medieval, inclusive o misticismo oriental e judaico. Foram importantes os inventos criados no período: o relógio, a bússola, a pólvora e a impressão gráfica. Ao fortalecimento das monarquias correspondeu o enfraquecimento da nobreza e da Igreja. A observação e a experiência também se desenvolveram, ao lado da razão, que reinava absoluta. É o método empírico. O homem deixou de ser parte da natureza e passou a explorá-la. NICOLAU DE CUZA (1401/1464) - Até afirmou que o homem deve reconhecer os limites da sua capacidade de conhecimento, ou de sua “douta” ignorância, como dissera Santo Agostinho. Perceber a sua fraqueza seria sabedoria do homem, no sentido socrático de nada saber sôbre Deus. Porém, mesmo sabendo ser impossível, deve o homem fazer conjecturas, pois Deus, como o Uno de Plotino, envolve todo o universo, que, sem começo nem fim, é uma “espécie” de infinito. GIORDANO BRUNO (1548/1600) - Por seguir Copérnico e duvidar da Santíssima Trindade, acabou sendo queimado vivo pela Inquisição. Falou mal da hierarquia católica, defendeu a existência de vários mundos e a idéia de uma alma universal, em contraste com a idéia cristã de uma alma individual. Sendo anti-cristão, afirmou ainda que Deus não é transcendente mas apenas um mago. Assim, os crocodilos e as cebolas jamais foram adorados por si mesmos, mas pelos deuses e divindades que neles existem. Deus era, para êle, o princípio vital que anima o mundo e os sêres. O movimento da terra é que asseguraria a manutenção e renovação constante da vida. GALILEU GALILEI (1564/1642) - Com a matemática e a balança, começou a medir tudo e deu início ao método científico, os primeiros passos na tecnologia e nas invenções. Descobriu: a Via Lactea que se compunha de estrelas, a superfície da Lua que era montanhosa, os anéis de Saturno, as fases de Venus, as manchas solares e o telescópio. Brecht, numa peça teatral sôbre a sua vida, mostrou no palco, mais tarde, que Galilei teria convidado os doutores da côrte de Florença a observar o céu pelo telescópio e os quatro satélites de Júpiter que êle também havia descoberto. Todos, porém, se recusaram a fazê-lo, duvidando do telescópio, que não poderia mostrar o que não existe. E foi proibido de falar de seus “inventos”. Só voltou a ter liberdade com a eleição do Papa Urbano VIII, seu amigo pessoal. Mas acabou sendo condenado pela Inquisição à prisão domiciliar, intimado inclusive a renegar às suas idéias. Alí morreu, deixando, porém, os fundamentos da teoria moderna. NICOLAU COPÉRNICO (1473/1543) - A Terra ainda era tida como o centro do universo, em volta da qual girava o sol, a lua e as estrelas, mas tudo abaixo de Deus. Houve, porém, uma revolução na astronomia, do ponto de vista político e religioso, quando Copérnico afirmou e provou a teoria heliocêntrica em lugar da geocentrismo de Ptolomeu: o sol, e não a terra, é que estava no centro das esferas celestes, girando também em torno de seu próprio eixo.

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2. A REFORMA:
A Igreja, na Idade Média, foi a instituição mais poderosa do mundo. Com suas ostentações de riqueza, discussões teológicas e alguns exemplos de vida indignos, foi se afastando do povo. Já não tinha mais contrôle sôbre os reis. Seus fieis pregavam a desobediência. Cresciam os movimentos dissidentes e, pelo fim do século XV, questionou-se a autoridade do Papa, como ponto máximo da hierarquia e até mesmo como único representante de Deus na Terra. A Biblia só estava disponível em latim e o povo necessitava de mais participação, com pouco acesso a ela. Wyclif (1320/1384), teólogo na Inglaterra e engajado no movimento, recebe apoio da Coroa por suas críticas ao papado. Henrique VIII, divorciado e excomungado em 1534, a fim de casar-se com Ana Bolena, proclamou-se chefe de uma nova Igreja, a Anglicana, que pouco alterou os dogmas e rituais católicos. Houve repressão, mas não acabou a rebeldia. O padre John Huss, na Boêmia, também adepto, foi excomungado, condenado e queimado vivo. Joana d’Arc, heroina da “guerra dos cem anos”, também sofreu a mesma pena, considerada como feiticeira. Mas o sentimento de emancipação animou os seguidores, revoltados contra o Papa e o Imperador, que os fizera adotar a seita como religião oficial. Assim, propagando o retorno à mensagem simples do Evangelho, a crítica à luxuria da Igreja, o fim da hierarquia e uma maior participação dos leigos, surgiu a Reforma, com Lutero. LUTERO (1483/1546):- A filosofia e a ciência se separaram da teologia. Criou-se nova devoção, não com a igreja, mas de cada um com Deus. A Biblia foi traduzida também do aramaico e do grego. Lutero, ordenado padre e devoto ds teorias de Santo Agostinho, escreveu 95 teses e as afixou à porta de uma Igreja alemã. Expondo suas principais críticas, como a venda de indulgências para livrar os fieis das penas do purgatório e os crimes e vícios do clero (escândalos, fornicações, jogos e bebidas), estabeleceu as novas regras para o Cristianismo: abolição do celibato clerical, livre interpretação da Bíblia, eliminação das imagens, negação do pão e vinho como corpo e sangue de Cristo e substituição do latim pela lingua alemã. Dizendo que não pode haver intermediários entre o homem e Deus, rompeu com a igreja e sua hierarquia. Conseguiu muitos adeptos, mesmo porque as cúpulas religiosas ou de grandes proprietários se contrapunham aos camponeses ainda submetidos aos laços medievais. Além disso, a Alemanha era um conjunto de Estados e cidades que buscavam autonomia. Contra os meios de salvação pelos membros do clero (indulgências) e não por Deus, formulou a doutrina da justificação pela Fé. A liberdade do cristão está na espera da graça divina e não nas boas obras que praticar. Recentemente, no fim do século XX, esta tese foi discutida com o Papa João Paulo II, da Igreja Católica, que a ela se rendeu, concordando. CALVINO (1509/64) - A seguir, ao lado da doutrina luterana, elaborou a da predestinação, pela qual todo homem, desde o início do mundo, já tem um caminho a seguir. Nem a influência da Igreja, nem os teólogos ou a própria Palavra de Deus interfere no seu destino. Aliás, a palavra de Deus só uns poucos podem compreender. Deus é transcendente e inatingível por nossa razão ou sentimento e por isso são inúteis as instituições religiosas. Condenou a Eucaristia. Genebra, na Suiça, tornou-se mais um centro de protestantismo. No entanto, Calvino, tendo conservado alguns dos dogmas religiosos, organizou ali sua própria igreja reformada, com autoridade religiosa e política, não como um centro de salvação, mas para a glorificação de Deus, que não se restringe aos monges mas a todos os homens, predestinadamente eleitos ou condenados.

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Assim, enquanto Lutero buscava a total separação entre Estado e Igreja, Calvino pretendeu controlar o poder civil por preceitos de conduta rígida de moral e religião, proibindo, por exemplo, a dança, o teatro e os jogos de azar. Daí viria, segundo êle, a glorificação de Deus. Essa glorificação devia ser permanente, sistemática e metódica de cada homem, como seu instrumento, pelas boas ações que praticasse e pelo seu trabalho (não como salvação). A disseminação de suas prédicas pela Europa fez também surgir, na Escócia, o Presbiterianismo. A CONTRA-REFORMA - Inácio de Loyola, por oposição ao Evangelismo, deu início à ContraReforma. Fundou a Companhia de Jesus, como carta básica da Igreja ao Protestantismo. Devíamos obedecer a Igreja Católica com a mente e o coração, sem julgamentos próprios. Por outro lado, aceitando a crítica de pouca informação aos fieis, estimula todo o clero a melhor formação e pregação da mensagem de Cristo. Daí partiram Francisco Xavier para o Oriente e o Japão, Manoel de Nóbrega e José de Anchieta para o Brasil e outros jesuitas para domínios espanhois na América do Sul, com o fim de catequizar os índios. Outros movimentos participam também da revitalização católica. E o Papa convocou, então, o Concilio de Trento em 1545, cuja finalidade era a unificação do catolicismo. Ali se reafirmaram os dogmas atacados, a crença no purgatório, a proibição da casamento de padres, a devoção aos santos e as relíquias e a autoridade do Papa. Também divulgou as obras condenadas pela Igreja, bem como centralizou as atividades da Inquisição, que atingiriam também os protestantes. Fixaram-se as residências dos padres junto às suas comunidades, criaram-se seminários em cada diocese e publicaram-se vários catecismos. Contra as teorias do servo-arbítrio, de Lutero, e de predestinação, de Calvino, se ressaltou o livre-arbítrio do homem para a prática do bem, o que lhe daria salvação. _____________ Outros religiosos, filósofos ou políticos, se fizeram presentes nessa época, mas com pouca ou nenhuma tentativa de modificar as teorias existentes. Assim, Leonardo Da Vinci, eclético que, na pintura, podia representar o divino; Paracelso, que classificou as plantas e fez experiências terapêuticas; Michelângelo, que retratou o Juizo Final na Capela Sistina; Maquiavel, que condenou até a justiça e a moral na perpetuação do rei; Thomas Morus, que criou a utopia de uma sociedade ideal, onde não houvesse injustiças nem perseguições, especialmente as religiosas; Campanella, Montaigne, Machiavelli e Erasmo de Rotherdam. Êste último, com erudição, defendeu o Cristianismo dos primeiros tempos e atacou a Igreja, do Papa aos últimos padres, como contrários aos Evangelhos, parecendo sentir influência do movimento da Reforma, de Martin Lutero, que, nessa sua época, recrudescia em toda a sua volta.

3. EMPIRISMO:
FRANCIS BACON - (1561/1626):- Como Galilei, reforçou a idéia de que tudo deve ser visto sem idéias pré-concebidas, muitas vezes errôneas. É preciso classificar as coisas. Os próprios sentidos podem nos enganar. Buscando um método seguro, criticou o aristotelismo e propôs o método experimental, com avaliação dos casos em que o fenômeno não ocorreria. Dêsse exame detalhado se chegaria ao conhecimento verdadeiro. Seria a indução. Não lançou uma teoria sôbre o universo, mas os fundamentos da teoria moderna. Separou religião da Filosofia, pois aquela não se prova pelo raciocinio. O homem, no mundo, pensa e age objetivamente. Todas as superstições são iguais. sejam de astrologia, de sonhos, presságios, males sofridos como castigo etc. As pessoas sempre conduzem as questões de acôrdo com a sua vontade, depois recorrem à experiência e, torcendo esta conforme os seus desejos, não confia nos resultados. A inteligência não é puramente uma luz, pois encerra em si contribuições da vontade e dos sentimentos. Na verdade, o homem crê mais fàcilmente naquilo que já acreditava ser a

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verdade. É preciso, por isso, para uma conclusão segura, retermos os novos aspectos apreendidos (sôbre a natureza, por exemplo), mas excluidos da satisfação pessoal de cada um de nós. Aí, a imaginação pode se tornar a maior inimiga da inteligência. THOMAS HOBBES - (1588/1679) – Foi empirista e materialista. Vivendo ao tempo da revolução inglesa, em que Cromwell decapitou o rei Carlos I e fundou a República (Commonwelth), disse que “os homens não são irmãos, mas inimigos que se matam”. Só uma alternativa pode instituir a paz: o poder procurado não em Deus, mas na natureza, mesmo tendo sido esta por ele criada. Nela, tudo é mecânico. Os objetos afetam nossos sentidos, daí vão aos nervos, ao cérebro e ao coração. A sensação que temos, então, é só aparência ou ilusão. A sensação obtida, obscurecida por outras, acaba se transformando em imaginação ou memória. Materialista, disse, com base em Demócrito, que todos os corpos têm movimento, desde a sua criação por Deus. Os animais e homens são particulas materiais, inclusive sua alma e sua consciência. Newton já dissera que, na terra e no espaço, as mesmas leis da gravidade e dos movimentos dos corpos são válidas para todo o universo e transformam a natureza com precisão matemática. Para ambos, Hobbes e Newton, não há contradição entre essa mecânica e a crença em Deus. Não há livre-arbitrio, pois até nossos pensamentos e sonhos são mecânicos. Diz a lenda entre o astronauta e o médico: Já estive no espaço e nunca vi Deus nem os anjos. Resposta: “Também já operei vários cérebros e nunca vi um pensamento”. E Leibniz complementou: “Tudo o que é feito de matéria pode ser decomposto em partículas menores. A alma é una, nunca podendo ser cortada em pedaços”. LOCKE (1632/1704):- Na Inglaterra, foi empírico e sensualista, para quem só os sentidos nos levam ao conhecimento humano. Conhecemos as nossas ideias através de nossas sensações. A experiência é a única fonte das idéias. Repetiu Aristóteles mas admirou e criticou Descartes. Não nascemos com idéias inatas, como disse Platão. Deus, natureza, substância, não vivenciados, são fantasia. Nossos pensamentos são reflexos do que sentimos. Nossa mente é vazia e as experiências é que vão preenchê-la. As coisas chegam simples e são trabalhadas na nossa mente. Cheiro, cor etc. já são impressões secundárias, que não integram o conceito, por exemplo, de uma maçã. Separou também o conhecimento intuitivo do demonstrativo. É intuitivo ao dizer que a razão humana naturalmente sabe que um Deus existe. Nada a ver com a fé. Defendeu a liberdade de opinião, o contrôle dos excessos de liberdade (para não afetar a dos outros, por exemplo) e a igualdade entre os sexos. O estado da natureza, em que a liberdade de cada um não tem limites, é estado de guerra. Por isso, para haver paz, estabeleceu o poder de comando para êsse controle e, adversário do Absolutismo, foi o primeiro a propagar a divisão dos poderes. A tripartição veio de Montesquieu. Locke exaltou que a separação entre Legislativo e Executivo evitava a tirania, como, à época, a de Luiz XIV, com “l état cést moi”. HUME - (1711/1776): - Foi um tanto cético. O homem possui percepção imediata da realidade exterior. As mais vivas são impressões e as mais fracas são idéias ou pensamentos (cópias das impressões). Idéias abstratas (como as de substância) são cópias pálidas. Do conjunto saem as noções reais ou falsas de tudo. Uma idéia se liga a outra e dessa associação vem o conhecimento. Pégaso foi a nossa mente que construiu, juntando um par de asas a um cavalo. Ai ela só juntou dois fatos verdadeiros e surgiu algo diferente, que não existe. Não criou. Quem nunca viu o ouro, não sabe o que é. Mas, depois que o viu, vai ligá-lo à cor amarela. A menção a um ferimento se liga à ideia de dor. Causa e efeito são eventos distintos, portanto, a experiência é que faz a associação.

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Cada um de nós é diferente do que era ontem. Alguns descem daí à alma, que seria imutável. Ele rejeitou ter de provar a imortalidade da alma ou a existência de Deus, pois seria impossível provar a fé religiosa com a razão. Não era cristão, nem ateu, mas agnóstico, pois não sabe se Deus existe, e não podemos provar. Os homens têm necessidade de acreditar em fenômenos sobrenaturais. Recusou-se a acreditar em milagres porque nunca viu um. Como também não experimentou qualquer fato de que êles não acontecem. Milagre seria a ruptura das leis da natureza. Foi cético. Só existem ideias individuais, cujas ligações com o que quer que seja desconhecemos. Existem leis naturais imutáveis, que não podemos experimentar. E tiramos conclusões erradas. Se eu vejo muitos bois pretos, não significa que todos sejam pretos. O raio não é a causa do trovão. Nem sempre as relações são de causa e efeito, como parecem ser. Se um gato preto passa e você quebra o braço com o susto, não há causa e efeito. As vezes você toma um remédio e se cura... mas não foi por causa dele. Temos certeza de que o sol nascerá amanhã porque até hoje êle sempre nasceu. Isso é apenas repetição de experiências. Se nossa razão distingue o certo do errado, ela não determina o que fazemos ou dizemos. Nossos sentimentos, sim. Ajudar um necessitado não é racional, nem irracional. Temos sentimento do bem-estar ou mal-estar dos outros. Nosso comportamento, quanto às leis, por exemplo, não é ditado pela nossa razão, mas por nossos sentimentos.

4. RACIONALISMO:
PERÍODO BARROCO:- Os conflitos religiosos implantados e a Guerra dos Trinta Anos (1618/1648), entre católicos e protestantes, iriam modificar a Europa. Os países vão se tornando independentes. Enquanto a Holanda se agiganta no mar, a França vai substituindo os nobres pelos burgueses no poder, dando início a nova aristocracia, de onde nasceria o Absolutismo de Luiz XIV, o Rei-Sol. A Suiça e a Suécia, protestantes, também se tornam independentes. A burguesia inglesa começa a criar a indústria moderna. É o período Barroco, que inaugura a Idade Moderna, também marcada como de “grande racionalismo”. Porém, sem o Império e a Igreja única, caberia à razão reunificar o mundo. A matemática se reaviva. Não se busca mais a semelhança e a simpatia para a união do mundo. E a razão, independente, passa a criar métodos para se encontrar segurança nos conhecimentos. Surgiu o teatro moderno, em que, geralmente, se mostrava a vida opulenta e o seu declínio, com Shakespeare, entre o Renascimento e o Barroco. A vida é um teatro e nós somos protagonistas. Nos textos se lembra Platão: um mundo terreno, dos sentidos, e outro espiritual, das ideias. Modos de pensar sempre contraditórios. Na filosofia, surgiu o idealismo (espiritual) e o materialismo. Na Alemanha, um aglomerado de Estados, ao contrário da França, não havia divergências entre a razão e a política. O protestantismo conciliou a realidade interior com o mundo exterior. O rei dera grande cobertura à vida cultural. Não vivia, pois, um estado de guerra. Só que ainda predominava o latim ou o francês, em lugar do próprio alemão. Desenvolveu-se a matemática e aperfeiçoaram-se os estudos sôbre a beleza, em geral, e a arte e a estética em particular. A razão e a revelação divina, a final, não eram incompatíveis entre si, como dissera Lutero. DESCARTES (1596/1650):- Conscientizou-se de sua ignorância, como Sócrates. Só confiava na razão, como Platão e Santo Agostinho, afastando o conhecimento pelos sentidos. Combatia o conhecimento herdado da Idade Média. Percorreu toda a Europa, buscando encontrar um conhecimento preciso dentro de si mesmo. O que aprendemos não seriam ilusões dentro de um

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mundo eterno? Descobriu então que os costumes mudam de povo para povo. Criou o método científico. Se nossos conhecimentos eram seguros e as relações entre o corpo e a alma serviriam de partida, êle não se conformava em “não saber nada”. Se a ciência natural já desenvolvera uma descrição materialista e confiável dos processos da natureza, porque não haver um método também seguro para a filosofia? Fundou a nova Filosofia e um sistema filosófico. O Humanismo e o Renascimento rompeu com o mundo feudal e criou novo método de investigação apoiado na razão e na experimentação científica. Questionou-se o Império mas também a Igreja Católica como organizadora da vida social e política. Até Deus pode querer nos enganar. Usou a razão contra as revelações divinas. Seu ceticismo é apenas dúvida metódica. Tudo tinha que ser científico. Valorizou a intuição. Tudo é mecânico, com movimento, sem auxilio de formas ou idéias. A matéria dividese em partículas e se apresenta em diferentes formas. Criou o dualismo: corpo e espírito. Até então, a alma era um espírito vital. Se havia uma divisão entre corpo e alma, nem Platão explicou a influência desta sôbre aquele. Partindo da matemática, mais confiável que os sentidos, disse que tudo e até os pensamentos devem ser decompostos, para os estudarmos a começar dos aspectos mais simples. Partindo da dúvida geral, tudo devia ser analisado, decomposto, depois sintetizado e comprovado (quatro regras). É o método. Após a análise e decomposição, só a intuição garante a certeza. Assim, buscou o conhecimento verdadeiro só pela razão. Sua única coisa certa era a de que duvidava de tudo. Se duvidava, pensava. Se pensava, era um sêr pensante. Daí, “cogito, ergo sum”. Isso é mais real do que o mundo físico percebido pelos sentidos. Então, procurando a verdade absoluta, duvidou dos nossos sentidos, dos livros, da visão ótica e dos sonhos, que nos parecem reais mas não o são. Essa certeza intuitiva não poderia ir além do ser pensante, pois somos imperfeitos. Então, deve haver um ser perfeito, que seria a essência divina. Quis dizer com isso que só temos ideia de um ser perfeito. E êste não seria perfeito se não existisse. Como a idéia de Deus é inata, não é preciso raciocinar para conhecê-lo, disse, seguindo a idéia platônica da perfeição de Deus. E só depois da idéia de Deus, deduz a Sua existência, como contida nÊle próprio por ser perfeito. Explica Deus como Ser Infinito, portanto, a partir do homem, que é finito e que não pode ser causa da propria imperfeição (senão seria Deus). Raciocinando sôbre a idéia de Deus, chegamos à Sua essência, que nos dá a Sua existência e, esta, nos mostra a Sua perfeição. Daí se prova a existência do mundo, sendo Deus a fonte criadora e fundamento de toda a verdade. Deus, para êle, seria uma substância infinita, eterna, imutável, independente, onisciente e onipotente, pelo qual tudo foi criado. A certeza do mundo vem da certeza de Deus e, êste, da certeza do homem. Foi metafísico e não físico. A fé seria exceção das regras de evidência. Foi intuitivo como Sto. Agostinho (ou vemos com intuição ou deduzimos com certeza), mas separou muito mais a razão da fé, esta derivada e quase não definida. Por ser cristão, apesar de sua filosofia, não atacou o Estado, a Igreja e seus dogmas. E a fé seria a base antropológica da religião. A morte (ou parte dela) era eterna e persistente em Deus, como substância infinita da natureza. E a alma pessoal se dissolve com o corpo. Por isso, nada há a temer ou esperar após a morte. A superstição, a ignorância e o preconceito estão na origem das religiões organizadas,

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manipuladas pelos seus líderes. Os homens não são líderes nem podem fazer nada para si próprios, que contribua para sua salvação ou bem-estar. Existem duas substâncias distintas e independentes da realidade: o pensamento (alma) e a matéria (o corpo, como máquina). A alma é consciência pura e não ocupa espaço. Então, onde ficam, no homem, a emoção, a fantasia e a vontade, senão na mesma consciência? PASCAL: (1623/1662):- Também matemático, cientista e religioso. Como cristão, criticou o racionalismo cartesiano porque, ao lado da razão (que sabe por conclusões), coloca o sentimento (“o coração”, o instinto), que vem antes dela e é movido pela intuição imediata. Quem sente, não quer raciocinar, e quem só raciocina não se interessa pela emoção. Descartes achou que Deus foi avalista da concepção do mundo e depois não precisou mais dele. Para Pascal, como em Santo Agostinho, a salvação depende só da graça divina, concedida apenas aos eleitos. Na era medieval, o homem tinha lugar certo. Agora, apesar de sua razão, imaginação e sentimentos, êle ficou confuso com as novas descobertas. Não mais percebe os vestigios do Criador. Mas, como pensa, êle é tudo em relação ao nada (de onde saiu), e nada em relação ao infinito (que o envolve). Intermediário entre os dois extremos, é incapaz de compreendê-los. Por isso é inseguro. Sermos algo além do nada priva-nos de conhecer o nada e os primeiros princípios. E êsse pouco que somos impede-nos a visão do infinito. Diz que o homem é infeliz se ficar sòzinho, sem paixões, distrações e atividades. Esse abandono lhe traz tédio, por tudo o que passa a pensar sôbre si mesmo, de onde veio e para onde vai. Desse estado, porém, o homem pode tirar a sua grandeza. Por que querer demonstrar a existência de Deus? Temos que admitir a nossa limitação porque Deus é incompreensível. Por isso, não faz metafísica nem teologia. É assim que êle restitui a fôrça da fé: crer para compreender. O homem só reconhece a Deus pelo coração, que O sente. O conhecimento de Deus sem o da própria miséria faz o orgulho. O conhecimento da própria miséria sem o de Deus faz o desespero. Êle não mergulha nas provas da existência de Deus, para êle metafísicas. Não podemos provar, mas na probabilidade sempre avaliamos os riscos de ganhar ou perder. Pois, apostemos na sua existência. Ou ganhamos tudo, ou não perdemos nada. E isso é racional. Muita coisa se faz na incerteza: viagens, batalhas, vermos o dia de amanhã. Na religião, devemos fazer o mesmo. Ao inverso de Descartes, da certeza de Deus vem a certeza do homem. E, no meio, situa Cristo. PANTEISMO - ESPINOZA (1632/1677):- Era judeu na Holanda. Foi perseguido e até escapou de assassinato, por criticar o cristianismo e o judaismo. Contestava a Bíblia como inspirada por Deus. Ela estabelece regras de conduta, mas não é verdadeira. Se Deus tivesse mesmo se revelado a Moisés, os dez mandamentos conteriam a verdade eterna e não a lei para um só povo. Os evangelhos se contradizem. Há dogmas rigidos e rituais vazios. Defendeu a liberdade de opinião, jamais curvou-se às pressões religiosas e até combateu a religião, como ateu ou herege. Considerou-nos partículas de um grande universo eterno e infinito, como o tempo. Para êle, panteista, Deus não criou, mas é o próprio mundo, enquanto um Deus transcedental estaria separado do mundo, com substância distinta, o que é impossível. Deus é causa de si mesmo, não existindo efeito porque não houve dois momentos com início e fim do processo de sua criação. Deus existe em si e por si, sem causa anterior. É uma única substância, composta de infinitos atributos, os quais constituem a sua própria essência (não o Deus da religião). É a causa primeira, imanente (que produz efeito em si mesmo). Deus não criou o mundo. Acreditar nisso seria projetar as carências humanas na esfera divina. Deus é o próprio mundo, ou a natureza. É a

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única causa livre, de que tudo depende. A idéia de um Deus externo e transcendente, a quem o homem deve obediência, já é servidão. Seguiu as conclusões lógicas de Descartes, e afirmou que as leis da natureza governam o homem. Êste deve libertar-se das emoções para ser feliz. Transformou as ideias de Descartes, de duas substâncias, em uma só, que seria Deus ou a natureza. Não há corpo sem espírito nem espírito sem corpo. Aí êle se afasta das concepções judaicas e cristãs. Natureza é tudo, inclusive o espírito. Deus, assim, se manifesta como pensamento ou como algo no espaço. Uma flor, por exemplo, é apenas manifestação de Deus. Deus é a causa interna de tudo o que acontece. Sua ética, como a dos estóicos, é determinista. Se nós fazemos o que queremos, também não fugimos às leis da natureza, como o bebê mamar instintivamente, aprender a andar, ter raiva, medo do escuro etc. O meio ambiente, a política podem obstruir a nossa liberdade. Só Deus age com liberdade plena. Por isso, o homem nunca terá livre-arbitrio, pois não determinamos tudo o que acontece, nem escolhemos nossos pensamentos. As paixões e ambições nos impedem de chegarmos à felicidade verdadeira. O homem, para êle, contém corpo e alma, dois atributos de Deus. Assim, a alma humana é parte da inteligência divina. E todas as idéias, quando se referirem a Deus, serão verdadeiras. Critica o seu livre-arbítrio, ou vontade livre, porque não é livre e está sempre sujeito às paixões, positivas ou negativas. Deus, portanto, para êle, é a causa primeira e eficiente de tudo, uma única substância, um ente infinito composto de atributos ou essências. É o mundo, a natureza. O homem é corpo e alma, dois modos finitos de dois atributos de Deus: a extensão e o pensamento. Não tem livre-arbítrio, pois só Deus é causa-livre. É escravo das paixões (amor, ódio, esperança, temor etc.).

5. ILUMINISMO:
O século XVIII foi chamado “O século das Luzes”. Na Inglaterra, na França, na Itália e na Alemanha proliferam idéias novas, para combate às trevas, tanto na filosofia como na religião. A peste assolava a Europa. Seguindo Descartes, os filósofos achavam que o homem deveria ser cético às verdades então difundidas e questioná-las. Voltaram-se contra o autoritarismo da Igreja, do rei e dos aristocratas, antes mesmo da Revolução de 1789. O Iluminismo foi movimento de um século: entre a revolução inglesa (1688) e a francesa (1789). Com êle, pretendeu-se iluminar com a razão o obscurantismo da tradição. Suprimindo a história, busca remontar às origens da humanidade. Locke já dissera que a crença em Deus era só parte da consciência humana. Isso foi o nucleo do Iluminismo, baseado na razão, com Voltaire e Rousseau. Tentou-se criar um alicerce para a moral, a ética e a religião, em sintonia com a razão, dádiva da natureza. Se o povo vivia incerto e supersticioso, precisava ser esclarecido. Seria irracional imaginar um mundo sem Deus. Mas a crença na imortalidade da alma era racional. Para os iluministas, como Descartes, a alma se liga mais à razão do que à fé. Foi libertado, então, o cristianismo dos dogmas e proclamada a simplicidade dos ensinamentos de Cristo. Lutou-se pelos direitos naturais dos cidadãos, pela liberdade dos pensamentos em todas as áreas e contra a escravidão.

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Surgiu a Declaração universal dos direitos humanos e os primeiros movimentos da mulher quanto aos seus direitos na sociedade. E também o deismo, doutrina pela qual Deus criou o mundo, mas nunca se revelou a êle. É um ser superior que só se revela através da natureza, mas não de forma sobrenatural. Deus já fora, para Aristóteles, a causa primeira e impulsora. ISAAC NEWTON (1643/1727) – Todos os objetos ou fenômenos físicos do universo têm relações com os outros, em outras regiões. É um sistema cósmico. Estabeleceu idéias fundamentais, como fôrça e inércia e o movimento dos corpos. Descreveu em definitivo o sistema solar e os planetas. A força do sol os mantinha em órbitas. Criou a lei da atração universal, que cresce com o tamanho do objeto atraido e diminui com a distância, válida entre todos os corpos celestes. A lua não cai na terra, pelas duas forças: gravidade da terra e rotação, que a faria distanciar-se com a velocidade. Esta é que atrai a maré. Uma pedra atirada ao alto, cai no mesmo ponto, ao descer. A pedra tem a mesma velocidade da terra. Se V. rola uma bola pelo chão e pára de repente, soltando-a, ela continua a rolar, pela mesma razão. Outras forças, como a gravidade, a faz parar depois, freiando a velocidade. São duas forças impulsionando. Ora, se a física não explica a origem do movimento no universo (em virtude do qual os astros não se chocam), deve haver um Deus que os tenha criado. Quanto à origem, destino e finalidade do universo, a ciência explica até os comportamentos humanos, mas como processos bioquímicos do cérebro. CONDILLAC (1715/1780): - Talvez o maior iluminista francês. Desenvolveu o empirismo de Locke. Estudou o homem a partir de uma estátua, sem sensações. O acréscimo de cada uma delas formaria a sua memória. E daí, a lembrança vivaz formaria a sua imaginação. Depois explica a distinção entre presente e passado, bem como a consciência, o juizo, a reflexão, a comparação entre as sensações, o sentimento e a vontade do homem. Com isso, o espírito adquire consciência do mundo físico. VICO (1668/1744) E OUTROS: - Vico colocou lado a lado a história e a filosofia. E dividiu sua Nova Ciência em três idades: 1) A dos deuses, em que o homem, pelo temor às fôrças da natureza (ou divindades), refugiam-se em abrigos, criam famílias e regras de convivência com base em ritos religiosos, com linguagem de gestos e sinais. 2) A dos heróis, em que as famílias se unem, formam a aristocracia, dominam o restante da população e fundam cidades com linguagem simbólica repleta de imagens (Homero). 3) A dos homens, onde impera a razão, fazendo surgir a república popular ou a monarquia, com linguagem baseada em convenções, mas onde os vicios os degeneram. Outros nomes tamém se destacaram, dentro do “Iluminismo francês”. Foram pouco ou anti-religiosos, mas sempre defenderam a liberdade de pensamento. Dentre êles, Voltaire (1694/1778), sarcástico contra a religião e o fanatismo; Rousseau (1712/1778), que escreveu “O Contrato Social”; Diderot (1713/1784), para quem a religião é antinatural, antiracional e fonte do mal; Montesquieu (1689/1755), que fundou o govêrno tripartite da República. Com êles, o homem passa a fazer parte da natureza, com a possibilidade de modificar o seu curso. É fruto do meio, senhor do seu destino, isto é, sem causa sobrenatural e que pode ser transformado pela educação.

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CAPÍTULO XXI IDADE CONTEMPORÂNEA:
Finalmente, após a Revolução Francesa, tivemos, então, a época de Kant, alemão, considerado o maior dos racionalistas.

KANT (1724/1804) :
Analisando, Kant criticou a própria razão do homem. E não poupou a metafísica, por sua concepção sôbre Deus, a alma e o mundo. Não devemos ser nem dogmáticos, nem céticos, que vêem a crença baseada no hábito. Achava que tinham razão tanto os racionalistas (Descartes e Spinoza) como os empiristas (Locke, Hume, Berkeley). Então, o mundo é como o percebemos ou como raciocinamos? Um óculos ray-ban nos mostra o mundo como se fosse todo esverdeado. Os fenômenos estão no tempo e no espaço como “formas de sensibilidade”. Essas formas existem em nossa consciência antes da percepção pelos sentidos. Se estamos num lugar ou noutro, vemos as coisas de forma diferente, mas sempre no tempo e no espaço. Esses atributos, pois, são da condição humana e não do mundo físico. As impressões se adaptam às nossas formas, como a água num jarro. Para êle, até a “lei da causalidade”, que para Hume era a força do hábito na natureza, é elemento da razão. A razão considera que tudo o que acontece tem relação de causa e efeito. É lei eterna e absoluta. Dá toda primazia à razão humana, como essência do que é real, natural ou histórico. Nega fundamentos à fé religiosa. As idéias só vêm da razão, mediante princípios evidentes e irrecusáveis. Por isso, só se deve acreditar no que a razão conhece, ou nos seus efeitos. Para êle, o conhecimento se constitui de juizos, analíticos e sintéticos. Os analíticos definem o sujeito como o predicado contido nele (o triângulo tem três ângulos). São verdadeiros e universais, a priori. São sintéticos quando o predicado não se contém no sujeito (o calor dilata os corpos). Baseiam-se na percepção sensível. Espaço e tempo são intuições. Independem da experiência sensível, condição (transcedental) de possibilidade de conhecimento das coisas ou de uso de nossas percepções. Na metafísica, a razão busca três conhecimentos: a) a alma (síntese das vivências subjetivas), b) o universo (síntese das vivências objetivas), e c) Deus (síntese final e suprema). Nenhum dêsses objetos pode ser conhecido pela razão pura. Por isso, a metafísica quer conhecer o incognoscível e nem é ciência. É impossível falar de realidades metafísicas como Deus e alma. “Deus existe” é expressão sintética, que acrescenta o predicado da existência de Deus perfeitíssimo. Se não sabemos o conteudo de Deus, Êle está além de nossa experiência, nosso limite. Por isso, a razão não pode demonstrar a sua existência.

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Mas Kant não é agnóstico nem ateu. Se êle respeita os limites da razão, sua teoria não destroi a sua fé. A necessidade do homem cria a idéia de Deus, não pela ciência, mas pela consciência moral. Se Deus não é, Êle deve ser. É a sua “razão prática”. Os predicados morais originam-se da vontade do homem. É moral o que se faz por respeito ao dever, condicionalmente (alimente-se para viver) ou não (não mate seu semelhante). A vontade íntima não age com moral. Ou é autônoma (que nos dá a liberdade) ou segue a razão. Como na moral existem “o que eu sou” e “o que eu queria ser”, é necessário que, além dêste mundo, exista um outro, metafísico, onde o que é seja idêntico ao que deve ser. Essa síntese seria Deus, a possibilidade de moral e felicidade. Assim, a alma, para Kant, seria imortal. E a lei moral conduz à religião, tornando divinos seus mandamentos. Crítica: Se o homem pode existir sem Deus, por que não pode ser feliz sem Êle? Nem em seu livro “A religião dentro dos limites da razão”, Kant mencionou o nome de Cristo. Aí diz que Deus é a razão moral prática, um sêr que não está fora de nós. A religião identifica-se com moral ou consciência, mas sem o conceito de Deus. É o símbolo da luta entre o bem e o mal, como atos livres do homem. Cristo seria apenas o ideal personificado do bem. Os homens devem ter boa conduta moral mas é ilusão ser agradável a êle, como crer em milagres, acreditar em salvação ou provocar sua influência sobrenatural. Os pastores, com as leis estatutárias, sacrificam a liberdade da religião natural. Deus também não precisa de orações (nossos desejos). Só podemos saber como o mundo é “para cada um de nós”. Não podemos saber a realidade do mundo “em si mesmo”. Todavia, dizemos com certeza, como as coisas são percebidas pela nossa razão. Para Hume, não podemos nem sentir nem provar as leis da natureza. Para Kant, sim, pois elas são leis do conhecimento humano (que também amadurece e se aperfeiçoa). Tudo é evento no tempo e no espaço, e sujeito à imutável lei de causa e efeito. Jamais o homem poderia chegar ao conhecimento seguro sôbre: se o homem tem uma alma imortal; se Deus existe; se a natureza se compõe de partículas indivisíveis; se o universo é infinito ou não. Tudo em razão dos limites do homem. Nunca poderemos saber se o mundo é infinito, porque não estamos além dele, para analisarmos no todo, mas dentro dele, como ínfima parte. O mundo pode ter tido um começo no tempo, como pode não ter tido começo algum. Se dissermos que êle começou em algum momento, êle teria vindo do nada. Tudo se realiza segundo as leis da natureza e não há um ser absolutamente necessário que faz o mundo existir. A razão pode, com liberdade, constituir um mundo de idéias, inclusive de um Deus como a causa de tudo. Mas não podemos conhecê-lo pela experiência.

1. IDEALISMO:
A seguir, vem a época dos metafísicos, também chamados de Idealistas, que vai até o chamado Liberalismo econômico, a encerrar a Era Contemporânea. Merecerão destaque apenas Hegel (mais lógico) e Schopenhauer (mais pessimista). HEGEL (1770/1831):- A Revolução Francesa , necessária para os ideais de liberdade, acabou se tornando um terror, com Napoleão Bonaparte. Sua filosofia se resume na compreensão do presente pelo sentido dos acontecimentos históricos. A soma de todas as manifestações humanas seria a “razão do mundo”. Para êle, a

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verdade inatingível de Kant era subjetiva e não estaria acima ou alem da razão. Todo conhecimento é humano. Se o homem faz parte da história, tudo se modifica com as gerações. Não há verdades eternas e a razão está “no tempo”. A própria filosofia se atem à história. Um rio não é mais rio na nascente ou na sua foz. As pedras e quedas também existem na história do pensamento, que é sempre dinâmico. Êle muda para cada filósofo. Defender a escravidão, conforme o tempo, era certo ou errado. Há poucos séculos, queimar florestas não era insensato, pois se destinavam à criação de campos de cultivo. A verdade é, pois, o processo dinâmico da razão. Não se pode dizer que Platão ou Kant estavam errados ou certos em suas conclusões, pois esta é uma forma não-histórica de se analisar. A partir da idéia de Deus ou deuses se constitui a religião. Não há provas racionais de sua existência. Cristo, sábio, era o ideal da virtude, como Sócrates a ensinar a moral. Era o apoio na moral que o homem não conseguia por si. Por isso, devia-se aceitar suas verdades, ainda que contra a razão. O homem devia praticar o bem expontâneamente. Deus é uno, universal, substância ou espírito absoluto. E religião é a doutrina da consciência subjetiva, produto do espírito divino, não da invenção humana. O homem, por sentimento e intuição, sabe imediatamente que Deus existe. Faz boa distinção entre o finito e o infinito. Mas não pode sair do finito. E o infinito é transcendente e inacessível, mas também imanente. Deus estaria nos dois campos. Se existe finito, claro que há infinito. A religião cristã une o divino ao humano, na encarnação de Deus a Jesus Cristo. E daí justifica a Trindade. A razão também é progressiva, vai aumentando como volume dágua do rio. Aumenta sempre em direção a algum objetivo. Novos pensamentos vão se agrupando e, da síntese, surgem novas conclusões. Quando são entre si contraditórios, só suas essências passam para a frente. O racionalismo de Descartes seria a tese. O empirismo de Hume, a antítese. Kant deu razão a ambos e criou a síntese. A dialética de Hegel cria leis para a evolução da razão. Tudo é e não é. Toda realidade tem opostos e contradições, se transforma, tem interpretações diversas. Êle via o homem não de forma individualista, mas sempre como parte de um todo. Todos dependem de todos. A razão do homem é subjetiva (consciência de si mesmo), objetiva (consciência da família, da sociedade, do Estado) e absoluta (a arte, a religião e a filosofia). Na filosofia, o espírito do mundo se encontra a si mesmo, como num espelho. Religião, para êle, é o contato íntimo com a divindade, experiência pessoal de comunicação com o transcendente. O Judaismo vai nessa direção, pois cultua um Deus sem imagens. E o protestantismo, sem caráter ritualístico, faz dessa comunicação a possibilidade real do amor a Deus. SCHOPENHAUER (1788/1860):- Se o idealismo pós-kantiano se tornou irracional e pessimista, o de Hegel foi racional e otimista. Toda a realidade é una e única, por isso contém também o mal. Então, devemos admitir que ela é irracional, de onde deriva não o panteismo, mas o ateismo. Daí seu pessimismo. O mundo é um fenômeno, uma representação de nós, que o conhecemos. Todo o mundo material sensível, com formas de tempo, espaço e causa, conhecemos pelos sentidos e pelo intelecto como fenômeno. Mas temos outra forma de conhecimento: a intuição, que se reduz à nossa vontade irracional. Não podemos conhecer a essência do mundo. Só o intelecto pode saber da existência do absoluto, que, no entanto, não se integra jamais na reflexão sistemática e nunca poderá ser explicado. O homem é dotado de razão e de vontade (de viver, de ser, de mudar o mundo). A razão não controla a vontade.

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2. POSITIVISMO:
Na segunda metade do século XVIII, os sistemas econômicos passaram por grandes transformações. Como reação contra o Idealismo, surgiu o Positivismo, movimento mais técnico e menos filosófico, que ressalta a necessidade da experiência imediata, empírica e sensível, sem muito uso de uma razão unificadora. Contra os idealistas, mais abstratos, levou mais em conta a história e as ciências. Sua moral é mais hedonista. Desliga-se da metafísica transcendente. A concepção de espírito se reduz a mero fenômeno da natureza. Diferencia-se do empirismo puro, porque estuda a evolução causal das coisas humanas e naturais. Assim, surgiu a Revolução Industrial na Inglaterra, ampliou-se o setor têxtil, a siderurgia. E se construiu-se a ferrovia, com a máquina a vapor. Neste período não se entra muito nos três grandes temas dêste livro: o Universo, Deus e o Homem, pois todos os estudos se centralizam e caminham em busca do aprimoramento dos sistemas econômicos. O Positivismo teve correntes fortes na França, na Inglaterra e na Alemanha. O alemão abrangeu várias tendências. Reagiu contra Hegel e seguiu as críticas de Kant. É tido também como movimento materialista, particularmente no desenvolvimento da esquerda hegeliana, mais representada por Feuerbach, ateista e comunista. A direita hegeliana, por sua vez, mais tradicional e cristã, não trouxe elementos novos a merecer destaques. Seus maiores reprsentantes foram: A, COMTE (1798/1857): Para quem a filosofia deveria apenas coordenar asa ciências, sem pesquisar a essência dos conhecimentos. Sob influência de Hegel, falou em “culto à humanidade”, e não à divindade. Foi mais cientista que metafísico. Pretendeu canalizar tudo só para as coisas úteis, como, por exemplo: aproveitsar o ar para acender o fogo e não para insuflar a gripe. ADAM SMITH – Organizou o trabalho em setores para ampliar a produção. Criou a “lei da oferta e procura”. E estudou a relação capital-trabalho. STUART MILL (1806/187) – Considerado o maior positivista inglês, deu valor à experiência, mas sem valor uiniversal. Para êle, também empírico, a metafísica era apenas o conjunto de fenômenos ligados à sensação de cada um. SPENCER (1829/1903): - A filosofia só coordena as ciências. De expereiências múltiplas deve-se concluiur para coisas unas e determinadas. Na “luta pela vida” o indivíduo se seleciona, até mesmo para o campo espiritual. Agnóstico, admite uma realidade absoluta como um mistério além de nosso conhecimento.

FEUERBACH (1804/1872):
Talvez por ter sido um dos mais fortes ateus na cadeia de filósofos, Feuerbach tem sido pouco relacionado entre os pensadores da sua época. Entretanto, é importante para o estudo da filosofia no que tange à existência de Deus, tema central dêste livro. Por isso, não pode ser desprezada a sua maneira radical de pregar corajosamente a sua doutrina, que se choca violentamente com as teorias então reinantes. Sendo ateu, isto é, negando que Deus existisse, condenou desde logo que se cultuasse a qualquer deles. Com fortes raizes no século XIX, interpretou a religião antropològicamente, como causa da alienação das ideologias humanas, que precisam se desprender das influências religiosa e metafísica.

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No seu materialismo só existe o homem e a natureza. Só nossos sentidos nos dão o conhecimento das coisas em redor, que são reais. A natureza é originária e nosso pensamento é derivado. Criticou as religiões (principalmente o cristianismo). Elas têm origem na consciência (diferença entre o homem e o animal). O homem reflete sôbre a sua própria essência e espécie. Como sêr, é partícula do infinito. E a religião seria o conjunto de normas a regulá-lo diante dêsse infinito. E se êsse infinito for Deus, há uma bipolaridade, que empobrece o homem. Êle reduz a essência e os predicados de Deus aos do próprio homem. O objeto sensorial (natureza) está fora do homem, enquanto Deus como objeto religioso, estaria nele mesmo, no seu íntimo. Também critica, nas religiões, a resignação ao sofrimento, miséria e injustiça atuais, contra a promessa de felicidade no outro mundo. “Quem crê numa vida celestial eterna, fantasiosa, a vida de agora, real, já perdeu seu valor”. Argumenta que o ateismo é necessário, porque os oprimidos devem libertar-se daqueles males. Não existe Deus nem o metafísico da fé. O infinito está no homem e não, como Hegel, no absoluto, pois o homem é corpo consciente e não só pensamento. Só os sentidos, e não as idéias, nos dão o real conhecimento das coisas. Feuerbach sacrificou a religião à filosofia, invertendo a corrente então dominante. O homem, e não Deus, é o ponto de partida de sua filosofia. É o começo, o objeto e o fim da religião. Por isso, projeta em Deus seus próprios atributos e poderes. O infinito é a consciência de sua própria grandeza. Daí, porém, conclui que a essência divina é a do homem, mas abstraida das suas particularidades, como ser finito, imperfeito, corpóreo, temporário, real. Assim, êle destrona Deus e diviniza o homem. Mais ainda, afirma que qualquer Deus é apenas imaginação humana. Apesar disso, teólogos e igrejas muitas vezes O defendem contra os homens ou contra a nossa realidade. Como, às vezes, usa-O para seus próprios interêsses. No entanto, contra a existência ou a divindade de Deus, Êle, se foi o pai da violenta negação, não foi o único, porque outros, até mais renomados, o seguiram, como veremos.

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KARL MARX (1818/1883):
Marx era ateu e seguidor da esquerda e do idealismo , mais abstrato que o de Engels, seu amigo que também caminhava no mesmo sentido. Mas também seguiu Feuerbach, de quem aproveitou as ideias mais materialistas sôbre o homem. Daí, relacionou o homem ao meio, à vida social e ao trabalho. A burguesia explorava o proletariado que tinha necessidades materiais. Estas deviam ser atendidas, e não Deus. O ideal então seria o comunismo, para acabar com a luta de classes. Para êle, o ateismo é tão evidente, que até dispensa investigação da religião como tema sempre polêmico. Se Deus é uma projeção do homem (Feuerbach), já se trata de alienação. Os meios de produção geram a falsa consciência da religião, que não oferece nenhuma libertação real. O homem não precisa de consolo ou calmante para suas desgraças, destruindo seu senso de revolta. Pela alienação religiosa o homem se perde, projetando sua essência num mundo transcendente e ilusório. Se “a religião é o ópio do povo”, mesmo para os exploradores burgueses ela é consolo inútil. Lutou contra a religião, por ser reflexo espiritual da miséria real do homem. Mas só acabar com ela não resolveria nada. Era preciso mudar a estrutura atual das relações de trabalho, com a eliminação da propriedade privada dos meios de produção. E a religião acabará por sí mesma. Ninguem sentirá a sua falta. Lenin e Stalin, mais tarde, ainda viriam a perseguila direta e violentamente. Escreveu sôbre o materialismo da antiguidade (Demócrito e Epicuro). Partindo de Hegel, disse que, ao invés de interpretar o mundo, deveríamos modificá-lo. Foi filósofo, historiador, sociólogo e economista. Para êle, as condições materiais da vida é que determinavam o pensamento ou os pressupostos espirituais, e não o oposto, como Hegel afirmara. As forças econômicas é que determinariam, numa sociedade, até o curso da história. As instituições políticas, as leis, a religião, a moral, a filosofia e a ciência são superestruturas das relações materiais, econômicas e sociais, que são a base da sociedade. Há três camadas na base social: recursos naturais (vegetação, matéria prima etc.), fôrças de produção (trabalho humano, máquinas etc.) e a posse e divisão do trabalho. Daí surgem as relações políticas e ideológicas. Visava sempre o produto e não o que é natural. Se antes os dominantes determinavam o certo e o errado, com êle surgem as lutas de classes para definir a quem pertenceriam os meios de produção. O conflito entre as classes sempre existiu (livres x escravos, feudais x vassalos, nobres x plebeus, capitalistas x proletariado, os que não possuiam os meios de produção). Surge a revolução comunista para modificar isso. O homem, ao alterar a natureza, altera-se também com ela. O conhecimento se relaciona ao trabalho. No capitalismo, o trabalhador presta serviços a outro, e seu trabalho não lhe pertence. Perde a dignidade humana. É como um trabalho escravo. O trabalho era até de 14 horas, e mal pago, e às vezes em bens, nem sempre proveitosos. O ambiente era péssimo, sem higiene, gelado. Daí o “Manifesto Comunista”, junto com Engels, em 1848, onde pregaram a revolução da ordem social, para que o capitalismo não explorasse o pobre, com a mais-valia, isto é o lucro líquido, que pertenceria ao trabalhador. Até êle já previu que eventual aumento ou modernização das indústrias seria prejudicial e criaria desemprêgo. E imaginou, também, que a rebelião dos trabalhadores viria ainda a formar a ditadura do proletariado e, depois, o comunismo, como sociedade sem classes, na qual os meios de produção pertenceriam ao povo. Cada um trabalharia conforme sua capacidade e receberia conforme suas necessidades. Houve grandes transformações na vida social e a condição do trabalhador melhorou, nesse socialismo, em duas frentes: a democracia social e o leninismo, mais radical. Os efeitos foram bons e maus.

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Mas Marx pretendeu terminar com a exploração do homem pelo homem, pela revolução e não por organização em sindicatos. O Cristianismo de sua época (religião) não era inimigo da liberdade. Ele vinculou a igreja só aos poderosos. Seu ateismo vinha da esquerda hegeliana e não da sua revolta para com a miséria social. Era mestre na critica destrutiva mas mediocre na construtiva. Nada falou sobre o sentido da vida ou o que vem após a morte, não satisfazendo a pessoa individual. Em face de seu radicalismo, ser socialista passou a significar quase uma religião, pelos dogmas e promessas.

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CAPÍTULO XXII FILOSOFIA DO SÉCULO XX
Não teve grandes correntes filosóficas. Foram mantidas as reações ao Idealismo e, também, ao Positivismo. Na religião subsistem as teses de transcendência e imanência de Deus, ao lado de um pessimismo maior em relação a velhas teorias e com alguma ênfase no Existencialismo. Surgiu depois a Filosofia racional, com destaque de Freud, e a Filosofia da Religião. Várias outras correntes foram retomadas neste século: O neotomismo (São Tomaz de Aquino), a filosofia analítica ou empirismo lógico (Hume e Aristóteles), o neomarxismo e o neodarwinismo. O materialismo busca os pré-socráticos. O pensamento sofre uma mudança radical, mas não forma correntes de expressão marcantes, no aguardo de nova era. BERGSON (1859/1940): -Foi original em muitas de suas idéias. Se conhecemos os objetos pelos conceitos, juizos, silogismos, análise e síntese, indução e dedução, temos também o conhecimento intrínsico, concreto e absoluto. O conhecimento por conceitos admite contrastes, enquanto que o conhecimento intuitivo nos mostra a realidade por dentro, como um super-intelecto, mas de forma simples. As teorias científicas. Mas só o conhecimento intuitivo nos traz o conhecimento concreto e metafísico.

1 - EXISTENCIALISMO:
Surge como reação ao Idealismo absoluto, mas mantendo a imanência e o pessimismo. KIRKEGAARD (1813/1885): - Falou em buscar a verdade “de cada um” em lugar da verdade universal. Ressaltou a existência humana, como Buda. Tudo o que ocorria no homem (individualismo) se contrapunha à síntese da verdade universal de Hegel, para quem o indivíduo era parte de uma harmonia racional que anulava a própria individualidade de cada um, como característica fundamental. O homem é finito e faz parte de uma realidade infinita. Essa sua finitude é que o coloca diante dos fatos, inclusive aquele que a lógica não explica: a Fé. Oo homem deve raciocinar sózinho se Deus existe. Se quero entender Deus é porque não creio. Se não posso entendê-lo, preciso crer. Provar a existência de Deus pela razão é perder a nossa fé. Devemos simplesmente acreditar, ainda que racionalmente nos pareça absurdo, numa ”verdade”, à qual São Paulo já chamou de “loucura”. NIETZSCHE (1844/1900):- Foi ateista, nihilista e existencialista. Reagiu a Hegel e ao historicismo alemão. Tentou revalorizar tudo, inclusive a moral cristã. Para êle, o cristianismo e a filosofia voltaram para o céu (idéias). Sairam do mundo real, da terra. Pretendeu a educação superior da humanidade. O homem se emancipa se recusar a Deus, que está morto. O homem é o animal mais forte porque é mais astuto, e o mais doente porque se desviou de seus instintos. Nenhuma religião conteve um dogma ou parábola verdadeiros. Nasceram da inquietação e da necessidade. O cristianismo é incrível debilitamento da vontade, manifesta a sua decadência apoiando-se no ressentimento dos humildes, eleva a ignorância à categoria de virtude, declara pecado a dúvida, defende tudo quanto é fraco ou pálido e corrompe o valor superior da intelectualidade.

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No seu livro “Anticristo” diz: A piedade é doentia, o unico cristão morreu na cruz com o seu evangelho. Se ensinou que o reino de Deus está no coração dos homens, traiu essa intuição ao colocar o nosso reino no além. A razão e o psíquico estão a serviço da vida biológica. No livro Zaratustra, criou a metáfora do espírito que se transformou em camelo (tú deves), que se transformou no leão (eu quero), que se transformou na criança (eu sou). Essa liberdade traz a aurora de nova humanidade, alicerçada na grandeza do homem. É o nihilismo absoluto da existência humana. O Nihilismo acabou com a metafísica, a religião e a moral. É a lógica da decadência. Ele foi inimigo da igualdade social, combateu a idéia de Deus e da religião, mas acabou criando, de certa forma, seus substitutos, quando falou em super-homem e “eterno retorno”. Não atacou diretamente a Jesus de Nazaré, mas o colocou contra o cristianismo, criado por Paulo. Negou a certeza da fé e da razão, o que é absurdo. Pelo Nhilismo, tudo é vazio, nada. Tudo o que é, poderia não ser. Mas Nietzsche afirmou que toda a verdade vem da vida. Esta seria, então, a verdade última, o absoluto de sua filosofia. SARTRE (1901: - Foi ateu. Fez uma crítica radical e negativa do mundo humano. Sua maior obra “O ser e o nada” leva a teoria de Heidegger às últimas consequências, ou seja, a insignificância da experiência e ao absurdo da existência. A angústia daquele se transforma em náusea da natureza cuja beleza é ilusória. Nós e o próprio mundo somos absurdos e só um Deus poderia dar sentido a tudo isso, mas Deus não existe. Aceitando então a vida como alguma coisa sem lógica, êle derruba todos os valores sociais, morais e religiosos, às vezes com um cinismo desconcertante. Assim, como todos os modos de vida se equivalem, cada qual deve viver como quiser. Chamou a isso de humanismo, que não corresponde ao sentido clássico do têrmo, no qual se almeja a realização plena e harmônica da natureza humana com a razão. Nem com o sentido cristão, pelo qual a natureza humana está em Deus. Nem com o sentido moderno da palavra, que celebra no mundo a divindade do homem. O humanismo de Sartre é heróico e trágico do homem sòzinho diante do nada, vivendo dores, angústias e desespêros.

2. FILOSOFIA RACIONAL:
Influenciaram-na os Papas Leão XIII e Pio IX. O valor do pensamento se transfere da filosofia para a história e as ciências. A ciência moderna, muito venerada por Kant, veio a ser muito atacada pelos cientistas contemporâneos, ao esboçarem novas concepções. Criticou-se até o conceito abstrato de Newton para o espaço e o tempo, agora substituido pela relatividade de Einstein. NATURALISMO - DARWIN (1809/1882): - Foi contemporâneo de Marx e Freud. O naturalismo tem como realidade a natureza e os fenômenos. O homem é parte da natureza e deve estudar a partir dela e não de especulações racionais. As palavras-chave são: natureza, meio-ambiente, história, evolução e crescimento. Para Freud as ações dos homens vêm dos impulsos ou instintos animais. Darwin mostrou que o homem é produto de uma evolução biológoca. Procurou libertarse da concepção cristã de criação do homem e dos animais. Cursou teologia mas se interessou mais por aves e insetos. Viajou o mundo e escreveu o seu livro: “A origem das espécies”. Todas as plantas e animais descendem de formas mais primitivas. Para a Igreja, cada sêr havia sido criado como é, como para Platão e Aristóteles, para quem todas as espécies são imutáveis. Descobriu fosseis e esqueletos de animais. Os geólogos dizem que a terra sofreu várias catástrofes, como o diluvio de Noé, com destruição das vidas e nova criação, mais evoluida. E a

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terra tem bilhões de anos. Nas ilhas Galápagos, descobriu diferenças nos bicos das mesmas aves, conforme o meio-ambiente em que viviam, comendo comidas diferentes, às quais cada um se adaptou. Buscou um principio universal para a evolução de tudo. O homem tem modificado os animais e as plantas, com enxertos, domesticação, seleção dos mais fortes ou mais úteis, restrição ao crescimento da população etc. E a própria natureza também faz seleção natural das espécies, como as brigas entre os animais etc. Descobriu a seleção natural da luta pela vida. Os indios são mais escuros do que os nórdicos, com mais proteção solar. As variações entre os individuos da mesma espécie são a matéria prima da evolução e a luta pela sobrevivência é a força responsável pela seleção dos mais fortes, ou que mais se adaptem ao meio. A Igreja reagiu, pois Deus teria feito os sêres como êles são. Mas Darwin afirmou, ainda, que, pela semelhança entre homens e macacos, ambos tiveram ancestrais comuns. O homem teria sido produzido pelas variações casuais, pouco explicadas. Ele pouco entendia de hereditariedade. Na reprodução das células, as duas novas metades podem sofrer alterações, às vezes insignificantes e às vezes importantes, nocivas ou benéficas, para que o homem tenha menos ou mais condições de luta pela sobrevivência. O meio-ambiente também interfere no desenvolvimento do indivíduo, por adaptações às suas necessidades. Essas adaptações são de lei natural. O combate, p.ex., às ervas daninhas ou às bactérias ou doenças humanas, pode levar à criação de anti-corpos, que modificam o sêr, pelas resistências que criam. E a continuidade pode levar a conclusões perigosas. Por trás de cada planta ou animal existem milhões de anos. Os mais fracos ficaram pelo caminho. Assim, os passáros se separaram dos répteis, êstes dos anfíbios etc. É provavel até que a planta tenha se originado, em princípio, de alguma célula, que também gerou animais. A primeira célula viva pode ter surgido de matéria inorgânica. Plantas e animais possuem metabolismo e se reproduzem de forma autônoma. Tudo é governado pelo ácido desoxirribonucleico, hoje chamado DNA, ou molécula de onde vêm os cromossomos. Imaginou teorias da formação da vida, em bilhões de anos, pelas radiações solares sôbre a matéria inorgânica etc. PSICANÁLISE - FREUD (1856/1939): Era neurologista. Estudou a mente, a psique humana, o inconsciente. Fundador da piscanálise, afirmou que Deus é uma ilusão infantil. Não acreditava na imortalidade e pretendeu substituir a religião pela ciência, por se tratar de neurose. Admirou Darwin, evulocionista e Schopenhauer, pessimista. O homem precisa de felicidade, deseja-a e faz fantasias. Seria bom se houvesse um Deus criador do mundo, uma providência benevolente, uma ordem moral no universo e uma vida posterior. Por que a humanidade crê em algo que não existe? Sua terapia tem o objetivo de libertar o homem de suas doenças psíquicas, com origem nas experiências da primeira infância. Se os homens só procurassem realizar seus desejos, se anulariam uns aos outros. E como a natureza é ameaçadora e “mãe”, eles se organizam e se defendem, para auto conservação. É a perpetuação do infantilismo, pois o homem precisa da proteção de “pai”, a quem teme, mas que também o protege, alimentando-o. Busca-o na natureza. O homem é ser instintivo, inconscientemente. Dominar seus próprios conflitos (por exemplo: impulsos sexuais do subconsciente x probições e censuras conscientes) é tarefa constante. Quando não consegue, surgem as neuroses, os sonhos, as distrações, doenças mentais, criação de atos espirituais (arte, religião, metafisica,).

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Freud criou o ego, o supergo e o id. O Ego é a consciência em contacto com a realidade que organiza a defesa, com base na experiência, opera a censura e representa a razão, a sabedoria, a percepção e a memória. O Id, inconsciente e hereditário, se constitui dos impulsos da libido, controla os instintos e se orienta para o prazer. E o Supergo, não hereditário, seria a moral e o conjunto de proibições, conscientes ou não. É consequência das regras impostas por pais ou educadores. Com a psicanálise criou terapia para repressões da infância, através de análise dos sonhos e regressões, para esclarecer o inconsciente. Neurose é a fuga do adulto ao mundo infantil. Religião é só questão psicologica. É continuação das antigas magias e desembocará na ciência. É fuga da dura realidade da vida, por medo ou desejo de consolo. Cria deuses poderosos de temor e consolação, para banir os males e oferecer um ideal de vida. Freud, porém, deu origem à religião nos complexos da infância, na busca permanente de pai oculto, como protetor. Substitui a fé em Deus pela fé na psicanálise, que não é convicção universal. Se podemos reprimir a sexualidade, não devemos reprimir a esperança e o sentido da vida. Ele não analisou outros caminhos para ideia de Deus. E o homem não é só psíquico. A psicanálise pode curar sentimento de culpa, mas não a própria culpa. O homem conflita com o seu meio. Descobriu o universo dos impulsos que regem nossa vida. Não só a razão governa nossas ações. Há impulsos irracionais que determinam pensamentos, sonhos e ações. Trazem instintos e necessidades que se enraizam. O sexual é um deles. Podem vir disfarçados, para governar nossas ações mesmo sem nossa consciência. Muitos distúrbios psíquicos vêm de conflitos na infância. Por isso, buscou remexer na mente, para trazer êsses fatos à tona, bons ou maus, esquecidos. “Id” é o desejo, o sentido de prazer existente em nós. Os bebês não o controlam. São desinibidos com tudo e choram para reclamar. Os adultos vão aprendendo a controlá-los, através de seu ego. O homem pode querer algo que o meio não aceita e, então, procura reprimí-lo para continuar adaptado ao meio. Os pais e o meio repreendem os filhos, com o seu padrão de moral ou costume. E a criança, quando adulta, leva consigo essas censuras, que constituirão seu superego. Eles alertam o homem, a todo instante, como “não fazer isso”, porque, por exemplo, é feio. É um sentimento de culpa e, em grande parte, se relaciona com o sexo, que, no entanto, é coisa natural. Prazer x culpa. Neurose é êsse conflito, quando muito intenso. Por exemplo: A moça, que amava o cunhado, com a morte do marido, desejou-o. Porém, isso era hediondo e ela reprimiu o desejo, jogando-o para o subconsciente. Mais tarde, histérica, já não lembrava mais do fato. Ao lembrá-lo, com ajuda médica, curou-se. A consciência é parte da psique. Abaixo dela fica o subconsciente (ou inconsciente). Assim, tudo o que queremos esquecer (desagradável, repulsivo), jogamos para o porão de nosso subconsciente, e nos livramos disso. Só que êles continuam lá, latentes. A transferência também pode ser inconsciente. Mas, quando há desejo forte, essa luta de “esconder” é estressante, porque o próprio pensamento reprimido reage contra e vai pressionar de dentro para fora do subconsciente. Êste, pois, de certa forma, também guia nossas ações e sentimentos (Eu não tinha a intenção de fazer isso). Às vezes, aplicamos, sem querer, palavras de um pensamento reprimido... e acabamos pedindo desculpas. A essas incursões do subconsciente, no consciente, Freud chamou de “racionalizar”. Também, às vezes, projetamos nos outros o que reprimimos em nós mesmos. Nossa vida está cheia de ações inconscientes. Por isso, para evitar traumas, é bom manter-se quase aberto o caminho de expansão do sub-consciente. A cura: deitado, falar tudo o que vier à cabeça, sem ordem, mesmo irrelevantes ou penosas. As associações do paciente trazem indícios de seus traumas e das resistências. Nos

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sonhos, nosso inconsciente tenta se comunicar com o consciente. Os sonhos mostram desejos. No adulto, porém, dada a repressão (mais fraca que quando acordado), êles se disfarçam, sendo necessário interpretá-los. Os mais profundos são os de época mais remota, como da infância. Se no sonho a moça dá ao rapaz dois balões de ar, isto pode significar que êle a quer, com seus dois seios. O embaraço causado pelo desejo, faz com que êle não o admita quando acordado. É o disfarce do desejo. Freud influenciou muito na pintura do inicio do sec. XX (surrealismo). Para êle, todos somos artistas. Às vezes, quando escrevemos ou desenhamos, parece que aquilo não veio de nós. É a inspiração, ou seja, algo que conseguiu escapar do subconsciente, onde estava latente, de forma expontânea. Aí, o “medium”, no espiritismo, diz que “a mão é de um espírito”. Criatividade seria inter-ação entre razão e imaginação. Quando inspirados, com muitas idéias, se não censurarmos, entra a razão para fazer seleção entre essas idéias. E a inspiração se mescla com a razão e os sentimentos. Daí a arte. Nós só podemos ser mediuns de nosso próprio inconsciente (Freud). Falar pelo morto, psicografar ou falar outra língua é realce do inconsciente, que teve algo no passado. É bom ver essas coincidências com ceticismo. Uma associação de céticos, na Inglaterra, ofereceu bom dinheiro a quem provasse algo de sobrenatural. Ninguém provou. Pode ser que ainda não conheçamos todas as leis da natureza. Em seu livro: “O futuro de uma ilusão”, publicado em 1927, Freud afirmou que considerava as doutrinas religiosas como “delírios da massa desamparada”.

3. FILOSOFIA DA RELIGIÃO:
O pensamento moderno não busca especìficamente a solução de problemas como a vida, a existência de Deus, a imortalidade da alma, a origem da natureza e do homem. Busca-a apenas no espírito humano como realidade contingente. A religião, e sobretudo o cristianismo, não substitui a filosofia, porque seus dogmas são mais intuitivos que racionais. A relação do homem com Deus, é colocada abaixo da razão humana, que se constituirá, no Título III dêste Livro, como um dos meios fundamentais para se alcançar a sabedoria a respeito daqueles mistérios. Se a inteligência é característica exclusiva do sêr humano, só ela pode analisar, coordenar tais conhecimentos e, por fim, demonstrar aqui, em conclusão, a verdade simples que está dentro do mundo.

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TÍTULO III O UNIVERSO, DEUS E OS FENÔMENOS METAFÍSICOS
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CAPÍTULO XXIII INTRODUÇÃO
A história de cada uma das Religiões e a evolução dos Pensamentos Filosóficos, assuntos tratados nos títulos I e II dêste Livro, formam todo o lastro onde se inserem questões fundamentais, que precisam ser bem compreendidas. Elas representam, ainda neste início de novo milênio, as grandes dúvidas da humanidade, como a origem e a abrangência do universo, a vida e os poderes do sêr humano, a imortalidade da alma e a existência ou não de Deus. Entremos, pois, no âmago de cada uma dessas altas indagações para desenvolver, neste processo, alguns pontos de vista que vão esclarecer, de forma até simples, o que parece impossível à inteligência humana. O leitor interessado perceberá que todas as coisas do mundo se combinam, se completam naturalmente e se explicam a partir da razão de ser de cada uma delas. E vai notar, ainda, que grande parte dos analistas partiu de falsas premissas para chegar a conclusões muitas vezes eivadas de fraudes e mistificações, por isso mesmo não muito satisfatórias. Depois, impuseram-nas ao homem, que muito pouco as contestou. Mais difícil, talvez, seja a transferência destas conclusões à mente dos leitores, acostumados aos velhos ensinamentos. Todos acham que até aceitariam uma diretriz nova em sua forma de pensar, mas boa parte deles se surpreende, já no primeiro impacto, com a afirmação, por exemplo, de que Deus não existe. O dogma de Sua existência pode ser forte, a ponto de inibir desde logo qualquer proposição que venha a negá-lo, ainda que com razoabilidade. Pois é uma questão de só acompanhar o novo raciocínio antes mesmo de suas mentes oferecerem resistência, por estarem imbuidas da “insofismável” presença de Deus no mundo. Muitos não vão se interessar nem mesmo pela leitura desta parte final do Livro, por considerá-la herege, e fecharão os seus olhos à realidade. Seriam como a avestruz que, escondendo a cabeça na areia, pensa que escondeu todo o seu corpo. Por quê essa proposição é verdadeira? Simplesmente porque é um êrro se pré-julgar pesquisas só porque elas batem de frente com o que já se aprendeu na convivência com os pais, com as escolas e com a comunidade. A final, as conclusões dêste estudo não são meras ilusões, porque seguem um encadeamento lógico a partir de fatos concretos ou premissas. É fundamental, por isso, a leitura desapaixonada do que vai aqui exposto. Só assim o leitor sentirá liberdade mental, sem temor de qualquer castigo vindo “de cima”. E aprender nunca fez mal a ninguém. É certo que nos armamos de coragem para insurgir contra muitas das teses de grandes pensadores, religiosos ou filósofos, ora enraizadas nas mentes humanas como sendo a única verdade. Porém, fatos muito simples, distorcidos pela doutrina, ao serem agora trazidos à tona sob ângulos diferentes, por certo acabarão sendo entendidos até mesmo pelos homens menos letrados, desde que queiram e consigam colocar a razão na frente do coração.

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A distribuição ordenada dos assuntos, nos próximos capítulos, partindo dos mais simples aos mais complexos, já tomará por base aqueles grandes temas ligados à existência ou não de Deus, à origem do universo e à missão do homem no mundo em que vivemos.

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CAPÍTULO XXIV EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO RELIGIOSO
Nos tempos mais remotos, o homem, sentindo-se indefeso diante dos fenômenos da natureza, como as tempestades, os relâmpagos e os trovões, preocupava-se com a existência de deuses naturais, tanto pelo medo de vir a sofrer do Céu algum castigo, como pela necessidade de sentir-se protegido contra os males do dia-a-dia. Além disso, considerado o tamanho gigantesco do universo, também criou grande quantidade de outros deuses terrenos: dos rios, dos ventos, do céu, da terra etc. Dentre êstes, sempre um, o considerado mais forte, é o que predominava como chefe. O homem não era, então, suficientemente evoluido para analisar com mais profundidade os fenômenos do mundo em si, do qual êle mesmo fazia parte. Os homens, levando em conta a própria fraqueza, achavam que dependiam de um espírito para viver, e por isso acreditavam muito na proteção pelas almas de seus ancestrais. Êstes, após a morte, evitariam o sofrimento dos entes queridos que continuaram sobrevivos. Sem uma medicina avançada, viviam todos à mercê de curandeiros, que combatiam com ervas e magias todos os males terrenos, invocando êsses antepassados. Havia ainda feiticeiras, monstros, fantasmas, diabos e até deuses perversos. Daí a participação nos cultos, onde se orava e se faziam promessas e oferendas aos deuses bons, ou se buscava defesa contra os deuses maus. Também se criaram deuses terrenos, como alguns animais, os quais deveriam ser por todos adorados. No mundo sempre conviveram a bondade e a maldade humanas. Por isso, alguns reis ou imperadores dêsses tempos, julgando que sua autoridade vinha de um poder superior, até se denominavam divinos e exigiam ser adorados para a distribuição de benefícios. Confúcio, um misto de religioso e filósofo, além de ratificar essa teoria, já havia imaginado o mundo como cósmico e abrangente, de onde tudo se originava: o céu, a natureza visível e os homens, todos iguais e bons. Para êle, também, todos os ancestrais, com a morte, tornavam-se novas divindades. A Mesopotamia englobava o Egito e a Babilônia. No Egito, após a pré-história, os governantes mantinham a “continuidade cósmica”, controlavam as enchentes e a canalização do Rio Nilo e, como filhos do Sol, associavam-se aos deuses (Rá, Nut, Horus, Osiris) e mediavam o povo junto a êles. Daí os templos, pirâmides, obeliscos e o surgimento dos ritos. Cada novo faraó mudava a dinastia e o culto. Na Babilonia, os próprios planetas eram tidos como deuses. Lao-Tsé (sec. VI a.C.) fundara o Taoismo. Para êle, Tao era o nome que deu para toda a energia do cosmos, eterna mas natural e terrena, sem a influência de deuses. Éra estática, mas dela se irradiava uma corrente universal que criava e dirigia tudo, até mesmo a atividade do homem. O importante seria a identificação mística do homem com Tao, pelos exercícios físicos, pelos rituais e pela imortalidade da sua alma. Vem dessa época o I-Ching e os princípios de Yin e Yang, que teriam produzido o céu, a terra e o homem. Êstes deveriam evitar a loucura do saber, ser ignorantes, comer alimentos inferiores e usar casas rústicas e roupas grosseiras. O Xintoismo baseou-se no Tao. Mandava adorar muitos deuses (como Amaterasu, a deusa do sol) e a própria natureza, originada do caos, do nada. E, mesmo após a II Guerra, no século XX, quando se desligou do Estado japonês, o Xintoismo continuou como religião mística,

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de muita fé e patriotismo, embora subdividida em várias seitas nacionais. Seus adeptos tinham por hábito realizar muitas festas em homenagem aos seus ancestrais, considerados imortais. O Xamanismo foi doutrina religiosa, cujos membros desenvolveram conhecimentos profundos de medicina, a partir da razão e respeitando as “fôrças invisíveis” e sagradas da natureza. Deram grande valor às ervas, dentre as quais a ”ayahuasca”, de grande efeito sôbre o cérebro humano (Revista Sexto Sentido – Ed. 26 – pág.32). O Hinduismo afirmava ser a alma manifestação do próprio universo, que se ligava a Deus após a morte ou se reencarnava. Não havia igrejas, mas templos para as divindades, sem qualquer hierarquia. Brahma, sua divindade maior, era o princípio de tudo. Acreditavam num ciclo de sucessivas reencarnações, com o nome de “samsâra”, de onde teriam surgido as várias castas hindús. O “karma”, por sua vez, era a denominação das práticas que visavam à libertação dos homens daquele ciclo e ao aprimoramento dos caminhos para se reintegrarem a uma das muitas divindades. As mais importantes delas eram Vishnu, a deusa boa, e Shiva, a deusa má, ambas não aparecendo com figura humana normal. As divindades do Hinduismo ou tinham muitos braços, ou se apresentavam nuas, ou eram compostas com partes de animais, como Ganesh, filho de Shiva, um dos mais respeitados, que tinha o nariz em forma de tromba de elefante. Também acreditavam nos anjos e nos demônios. Na Grécia antiga, as necessidades do homem foram consideradas tão importantes, que chegaram a ser controladas, cada uma, por um Deus próprio (sátiros, ninfas, centauros e sereias), elencados todos êles sob uma doutrina hoje conhecida como Mitologia, mais tarde adaptada também pelos antigos romanos. Assim, o maior dos deuses, Zeus, teve seu nome mudado para Júpiter, da mesma forma que todos os outros onze ganharam novos nomes romanos. Ainda por volta de 500 anos a.C, com o avanço das culturas dos povos, mesmo sem abandonar as crenças politeistas, começou a desenvolver-se a filosofia grega, muito rudimentar e ainda relacionada com as fôrças divinas. Com ela, a reeducação dos homens, dos povos e dos govêrnos passaram a adquirir maior sentido. O Budismo surgiu com Buda, na India. Êle pregava que só através da meditação era possível buscar a iluminação, o espírito eterno, mas não divino. Fez do homem seu próprio salvador, sem qualquer ajuda de um deus. Nunca falou em revelação divina, nem em vontade de um certo Deus. Admitia o ciclo das reencarnações (samsâra), mas a sua meta maior era atingir o fim dos desejos do homem e, com isso, alcançar o “nirvana”, em vida ou após a morte. Para êle, o homem deveria ter sentimento contínuo de amor e piedade e ser desprovido de desejos. Só assim seria puro e mereceria compartilhar da eternidade. Também acreditava na existência do diabo, a agir permanentemente contra a luta do homem em busca do bem. Buda foi seguido por Ghandi e Nehru. Vieram depois as religiões monoteistas. Os pensadores passaram a acreditar então que o mundo todo e, dentro dele, toda a humanidade, se regia por um só Deus, o seu criador. É a ideia primeira do Judaismo, com origem no século V anterior ao Cristianismo. E sòmente seis séc. d.C. veio a ter início o Islamismo, a terceira religião monoteista que, como as outras duas, acabou se tornando, em adeptos, uma das maiores do Planeta. Os judeus, cuja igreja é a Sinagoga, apoiando-se em parte nas teorias do Velho Testamento, falavam num Deus indivisível. Nunca o definiram, por considerá-lo muito sagrado. Divulgaram sua doutrina, não através de missionários, mas sòmente de pais para filhos, pois consideravam a fé como sendo hereditária. Deus, como ente abstrato, só devia ser entendido pela

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intuição e jamais pela razão humana. Ele daria, sim, recompensas e castigos, conforme o comportamento dos seus fieis na terra, até o Juizo Final. Seu grande profeta foi Moisés. Os cristãos são adeptos de Jesus Cristo, que nasceu entre os judeus e teria trazido o condão de ser, ao mesmo tempo, filho de Deus, o próprio Deus encarnado no homem e o Espírito Santo, formando a decantada Trindade dos Católicos. Teria vindo para ser o Salvador da humanidade, então carregada de muitos vícios, males e pecados originais. Mesmo sendo simples, não era político, nem militar. Viveu 33 anos, foi perseguido e morreu na cruz, para depois ressuscitar. Dêsse fato, tido como inédito, nasceu o Cristianismo, passando a alma, a partir daí, a ser imortal após a morte do corpo. Com a revelação de Cristo, seus adeptos passaram a crer também nos anjos e no Juizo Final, a afastar o demônio e a idolatrar Maria, sua Mãe, e os Santos apóstolos, inclusive através de imagens. O Papa foi criado como principal embaixador de Deus na terra. Para êles, todos os homens já nascem com o “pecado original” e devem ser salvos. Aqui cabe uma pergunta: Por que Deus-Pai, transcendente e incognoscível, é representado na pessoa de Cristo, um homem nascido judeu e branco? Êsse Deus, imaginado como um espírito supremo, não poderia ter sexo nem côr. E porque Deus-Filho não é representado por um negro ou amarelo, ou por uma mulher? Da Igreja Católica Romana, ainda, derivaram a Igreja Ortodoxa Oriental (Grécia, Rússia, Romenia, Iugoslávia) e a Igreja Anglicana (Grã-Bretanha), onde houve uma dissidência do catolicismo com a política de Henrique VIII. Êste, como Chefe Supremo, rompeu com o papado e modificou certos dogmas, dentre os quais a admissão do casamento para os padres. Já o Islamismo, meio milênio após o início do Cristianismo, baseado em afirmações de Maomé, criou o seu próprio Deus, transcendente, uno e criador do mundo, mas também sem definí-lo como figura humana ou outra, dando-lhe o nome de Alá. Para êles, tudo depende de Alá e da sua permissão e vontade, no tempo e no espaço. Êle precisa de orações. Maomé, na Arabia Saudita, teria recebido diretamente de Deus a verdade divina. Seus fieis são os muçulmanos e sua Igreja é a Mesquita. Acreditam no demônio, no inferno e no Juizo Final. Não têm clero. Admitem a poligamia masculina, mas jamais a feminina. Suas guerras são santas quando em defesa da religião. O homem é criatura nobre, que não pode submeter-se a estátuas ou ídolos menores como se fossem divinos, pois deve dominar a natureza e nunca se curvar a ela. Dezesseis séculos depois do Catolicismo, ressaltando que deviam ser condenadas a pompa eclesiástica, a comercialização de indulgências, a centralização da religião em Roma e a santificação das imagens, é que surgiu o Protestantismo, uma nova religião cristã, com Lutero e Calvino, que deram valor maior à mera divulgação direta da Biblia como palavra de Deus. Passou a ser conhecida também como Religião Evangélica e foram fundadas muitas igrejas. Dessa crença, mais tarde, veio a despontar uma infinidade de seitas derivadas, como já vimos no capítulo IX, ligadas ao luteranismo ou ao calvinismo, todas mantendo sempre a Jesus Cristo como Deus único. As demais religiões, chamadas não cristãs ou mistas são o resultado de fusão ou incorporação de várias seitas, quase todas acreditando na imortalidade da alma humana e convergindo para alcançarem a seu Deus após a morte do ser humano. Algumas instituições aglutinadoras são chamadas de esotéricas porque dão importância primordial a outros fins, ainda que de cunho filosófico, jamais deixando, porém, de também reverenciarem a algum Deus. Outras, ainda, determinando-se ecumênicas, pensam até em reunir todas as religiões do mundo numa única. O Espiritismo também não é exclusivamente uma religião, pois toda a sua doutrina, embora ligada mais ao mundo cristão, visa principalmente o estudo dos espíritos, adotando na

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prática as mais variadas formas de convencimento para demonstrar a imortalidade da alma e a sua eventual reencarnação nos futuros nascimentos dos homens. Pouco comentam sôbre a vida dos animais e plantas. Alguns dos santos católicos são também venerados, com maior ênfase nas sub-seitas e com nomes diferentes dos santos católicos (Iansã x Santa Bárbara etc.), de origem africana ou indígena. Estas seitas estão no Capítulo X. Afirmam os Espíritas que todos nós vivemos guiados pelos espíritos. Não explicam se alma e espírito são a mesma coisa e afirmam que a fé é um estado da alma, não nascido na nossa mente. No Espiritismo, em tese, os espíritos são individualizados, dão orientações do que deve ou não ser feito pelos adeptos, e voltam para se reencarnarem em embriões, agindo como antes, quando já estiveram encarnados em outros corpos. Essa reencarnação seria, então, uma espécie necessária de aprimoramento da alma humana, evoluindo de geração a geração (samsâra). Para eles, não existe Céu nem Inferno. Deus seria apenas “uma Inteligência Cósmica imanente e causa primária de todas as coisas”. Deus, portanto, já foi o Sol para os indígenas e para os antigos egípcios, monstros disformes para os Hindús e figuras exóticas criadas pela mitologia greco-romana. É o Orixá para os umbandistas, Jesus Cristo para os católicos e protestantes, Alá para os muçulmanos, e o Sêr indefinido e sagrado para muitas outras religiões. Nas Monarquias da Idade Média, muitos chefes de Estado também procuraram justificar seus poderes como sendo “de origem divina”. No século XIV, o próprio Santo Tomás de Aquino, revivescendo idéias aristotélicas e estóicas, pregou a confraternização de todos os homens, sob a inspiração de Jesus Cristo, de quem emanaria o poder dos Reis. Só com a volta do individualismo, já então na idade Moderna, é que desapareceu essa ideia de divindade no Chefe de Estado. A desvinculação da religião deveria mesmo ocorrer, mas também não pela forma pretendida por Maquiavel, ou seja, criando a figura de um Rei tirano, que tudo fizesse com o uso da fôrça. Notamos, ainda, que, enquanto no Judaismo, no Cristianismo e no Islamismo a busca para um encontro com Deus é pessoal e direta (transcendência), em outras religiões Deus está dentro dêste mundo, em todas as coisas (panteismo ou imanência), sendo o homem parte dêsse conceito. Hoje, as Igrejas são independentes do Govêrno e se regem por atos próprios, com suas diretrizes, suas filosofias, seus métodos autônomos de ensino e seus marketings de convencimento de fiéis. Todas as religiões possuem extensos sítios sagrados, que podem relacionar-se a mitos, eventos históricos ou personalidades importantes. Para o Judaismo, locais históricos estão ligados intrìnsicamente à identidade nacional e religiosa. Já o Budismo, o Cristianismo e o Islamismo, por não se ligarem muito à terra, espalharam-se para além das suas fronteiras de origem. O Hinduismo e o Budismo ainda predominam no Oriente, exceto no Paquistão e Bangladesh, onde há mais muçulmanos. A tradição da familia sempre passou de pais para filhos. E os homens no mundo, súditos religiosos, continuam a temer pelos castigos de Deus. Por isso, todas as religiões buscam, no fundo, estabelecer regras para o comportamento humano. Confúcio já dissera: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam”. E Jesus: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei vós a êles”. Maomé profetizou: “Nenhum de vós sois um crente, até devotar ao próximo o amor que devotais a vós mesmos”. Notamos, assim, que em todas as religiões é sempre exaltado êsse “amor ao próximo”. No entanto, ao mesmo tempo, são elas envolvidas em graves conflitos mundiais, sob a alegação de que os homens são guiados pela ignorância, pelo mal ou pelo pecado. Ainda hoje Jerusalém é um centro religioso para católicos, judeus e muçulmanos. Aí há

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sinagogas (judaicas), igrejas (católicas) e mesquitas (muçulmanas). E ainda aí se matam por falta de acôrdo quanto à cidade eterna. Nas religiões, como em qualquer govêrno, há sempre um lado bom, de beleza, de bondade e de sabedoria, e um outro lado de autoritarismo que, por vezes, usa os poderes da Fé até mesmo para causar certos males a terceiros, como influências negativas sôbre a individualidade de alguns fieis, a justificação de guerras santas, a cobrança de dízimos, as promessas de castigos para o não cumprimento de certos deveres religiosos, a submissão das mulheres, a maldade à distância etc. No fundo, porém, cada uma das religiões demonstra a inteligência e o dinamismo dos homens que as criaram, em qualquer parte do mundo, sempre tentando encontrar a verdade sôbre aquelas questões fundamentais. Descontados, portanto, alguns dêsses desvios, o mundo é belo, quando visto pela ótica da cultura de grandes filósofos ou religiosos. Para grande parte das religiões, Deus, encarado como portador de vontades, criou êste mundo e fez dele a sua peteca para brincar, dando-nos e tirando-nos a vida, mudando a alma de um corpo para outro e interferindo quando e como desejar. Para outras religiões panteistas, êle é o próprio mundo, isto é, o conjunto de todas as coisas que vemos e tocamos. Nos tempos mais modernos, com poucas exceções, devemos não mais redimir a alma da transmigração de um corpo para outro, mas do pecado e da culpa. Marca-se a vida religiosa mais pela oração, pelo sermão e pela leitura dos textos sagrados do que pela meditação e mergulho em si mesmo. A identidade de cada religião, hoje, se constroi com as críticas às demais. Aos seus fieis importa mais o que as outras não fazem, do que o que faz a sua própria religião. Os católicos não aceitam a “Teoria da Libertação”, que mistura religião com política; não acreditam em mortos que retornam e se reencarnam (como os budistas e espíritas); não negam a infalibilidade do Papa e a virgindade de Maria (como os protestantes). Por sua vez, os evangélicos não fumam, não bebem, não se põe de joelhos diante de imagens e não consideram o celibato como virtude. Em resumo, para fins de comparação entre as milhares de tendências religiosas existentes, enumeremos alguns dos seus principais temas:

Crença em muitos deuses: Religiões bárbaras e primitivas e todas as do Egito Antigo, da
Grécia antiga e da Pérsia, o Xintoismo e o Hinduismo.

Crença em um Deus, indefinido: Sikhismo, Jainismo, Bahaismo, Moonismo, Seicho-no-iê,
Perfect Liberty e Maçonaria.

Crença em um Deus, com nome definido: CRISTO para os Católicos, os Evangélicos, os
Espíritas e a Legião da Boa Vontade. JEOVÁ para os Judeus e as Testemunhas de Jeová. ALÁ para os Muçulmanos. BRAHMA para os Hinduistas. KRISHNA para os Harekrishnas.

Devoção a Fundadores ou Profetas (quase-deuses): BUDA para os Budistas;
MASSAHARU TANIGUSHI para os adeptos da Seicho-no-iê; MEISHU-SAMA Messiânicos. Mormonismo, Teosofia. para os

Universo como Deus (Imanência): Confucionismo, Taoismo, Xintoismo, Messiânica, Contra a salvação: Seicho-no-iê (não há pecado) e Testemunhas de Jeová (não precisam). Contra a imortalidade da alma e a reencarnação: Perfect Liberty e Testemunhas de
Jeová (a alma não existe).

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A favor do ecumenismo: Bahaismo, Seicho-no-iê, Moonismo, Legião da Boa Vontade,
Luteranismo, Anglicanismo, Metodismo, Renascer, Teosofia. Os mestres espirituais, de todas as religiões, procuram sempre transmitir-nos uma imagem de paz, no mundo sempre em conflitos, e de coerência, numa sociedade que não prima pela ética. Jesus ou Buda sempre sinalizaram que a felicidade é uma lagoa paradisíaca escondida dentro de uma floresta, à qual se tem acesso por trilhas inóspitas. Para êles, a felicidade se situa no mais íntimo de nós, nos bens infinitos, na experiência incondicional do amor. Enquanto que o neo-liberalismo apregoa que a felicidade reside nos bens finitos, na posse e na acumulação de riquezas, como resultado da soma de prazeres. O valor de cada mestre espiritual emana da vida interior de cada um deles. Por isso, preferem uma hora de meditação a três de aplausos. Por aí se nota que o egoismo é uma tendência natural do homem, sendo o individualismo uma cultura. Poderiamos, ou deveriamos, nós homens, tentar unificar as religiões para um trabalho conjunto de dar nova esperança ao mundo, com menos pobreza e menos sofrimento? Serão inconciliáveis os temas, como: a concepção do universo e da natureza humana, os objetivos da vida, da existência de um Deus ou de um poder superior, dos caminhos para a melhoria da vida? Para finalizar o capítulo, uma pergunta simples: Porque os animais, seres vivos como nós, não pensam e, por isso, não têm religião e não se preocupam com os problemas do mundo? Naturalmente é porque só o homem raciocina. Então, por que não nos esforçarmos para fazer bom uso dêsse poder humano, direcionado sòmente para o bem? Se o fizermos, com certeza nossa vida será melhor!

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CAPÍTULO XXV EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO FILOSÓFICO
Vem dos Vedas a mais antiga concepção de Deus, que, no entanto, nem era cultuado. Só se levava em conta o sacrifício humano. Surge o Bramanismo e, dentro dele, o samsâra e o karma (ou metempsicose), que formarão a base para religiões posteriores. É também escrito nessa época o Upanishads, que só falava da alma, jamais do corpo. Hesiodo, no sec.VII a. C., afirmou que o universo surgiu do caos, um abismo sem fundo, o que não explicava nada. Depois Homero criou a Mitologia, com deuses guerreiros, em forma humana. Num período posterior, em Mileto, ainda na fase pré-socrática, os estudos foram considerados de cunho naturalista. Tales, Anaximandro, Empédocles e Anaxímenes conceberam a formação do mundo como se tivesse se originado do ar, da terra, da água e do fogo, mas sem associá-lo a Deus. Anaxágoras decompôs a natureza, então composta, segundo ele, de partículas invisíveis e buscou alí o início de todo o universo. A seguir, Xenófanes veio a dizer que o homem estava criando os deuses à sua semelhança e que os mitos eram frutos da sua imaginação. A cosmologia, então, se mesclou à física e a natureza. A própria alma seria o ar, fino e rarefeito, que se desintegraria ou se transmigraria com a morte. Essas teorias, porém, não passaram da mera imaginação dêsses filósofos e pareciam não se apoiar em alguma comprovação. Revelou, no entanto, um caráter de curiosidade. Vendoa por um prisma moderno, será fácil concluir que o fogo, a água, o ar e a terra são elementos não pròpriamente formadores do universo, mas absolutamente imprescindiveis à sua manutenção. O ar, que acende o fogo com seu exigênio, é extremamente necessário a todos os sêres vivos. O fogo, ou o calor do sol, dá vida ou destrói com rigor as coisas da natureza, a terra e a água dão essência vital às sementes que, por sua vez, germinam e dão vida aos vegetais. A água é componente essencial de todos os sêres vivos. Os sofistas, dentre os quais Protágoras, já então colocando o homem no lugar da natureza, afirmaram que Deus ou não existia, ou era totalmente indefinido, já que, para criar o mundo, teria que ter existido antes. Sôbre os deuses, sou incapaz de dizer se eles existem ou não. ( Protágoras – Sec.V a.C.) Sócrates, grande orador, convencia a todos. Só sabia que não sabia nada. Apesar de erudito e de palavra fácil, teve a coragem de admitir a sua própria ignorância, para não enganar a si mesmo ou aos homens. Buscava aprender sempre, usando a razão. Acompanhou o pensamento dos sofistas e concluiu ser impossível conhecermos a origem da vida e do mundo, como fenômenos, ou a existência de um Deus. Platão foi o primeiro comunista que o mundo conheceu. Criou a República, onde pregou o amor livre, as mulheres comuns a todos os homens e um Govêrno tutor de todas as propriedades, incluindo aí todas as crianças, a serem mantidas num Infantário Público. O Estado seria dividido em classes distintas: escravos, soldados, governantes e filósofos. Só êstes últimos teriam o poder de compreender Deus e o segrêdo da vida. Foi, porém, indeciso quanto à existência de um Deus criador. Distinguiu a alma do mundo da alma do homem. Aquela, pré-

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existente e imortal, agiria de forma determinada dentro do seu “mundo das idéias”, enquanto que esta seria apenas parte destacada daquela. Por isso, a ela retornaria com a morte do corpo. Aristóteles criou a lógica como ciência. Não buscou a origem do universo, cujas coisas, inanimadas ou vivas, constituiriam nada mais que um mero aglomerado de formas e de matéria. Apenas analisou as mudanças da natureza, criando muitas ciências e disciplinas para estudo. Atribuiu grande valor à razão do homem, para ordenar e controlar todos os conhecimentos, reagindo ao que fosse certo ou errado. A razão humana seria, para êle, uma centelha da razão de Deus, tido então como imutável e primeiro impulsor dos movimentos da natureza, da qual o próprio homem fazia parte. A alma humana estaria em toda a natureza, pois em tudo há sinal de vida. Hesitou em afirmar categòricamente que ela seria imortal, mas admitiu a tese como verdade por considerar que ela fazia parte de Deus e a Êle voltaria após a morte. Os Epicuristas - Baseados em Demócrito, a alma humana seria composta de átomos. Uma parte dela era racional e se centralizava no peito, para contrôle de todas as ações do homem. Sendo material, ela não poderia ser imortal. Com a morte, se desintegraria e os seus átomos se espalhariam por todo o universo, de que fazia parte como alma cósmica. O homem deveria buscar o prazer em tudo, não em Deus. Os Estóicos, dentre os quais Zenão, acreditavam que as leis da natureza determinavam o nosso destino. A alma, para êles, seria como uma chama derivada de uma fôrça divina, capaz por si de captar tudo ao seu redor e, assim, constituir a base de nosso conhecimento: percepção, juizo, sensações, tendências. Seus precursores não eram firmes quanto à sua imortalidade. O Cristianismo - Surgiu com êle um problema difícil: a criação da Santíssima Trindade. Tornou-se necessário, para justificação da nova doutrina, a fusão da idéia de Cristo, como Deus, com um Deus superior e criador do mundo e, ainda, com um Espírito que seria santo por emanação de Deus. No início da Idade Média tornou-se muito forte o poder da Igreja. Exaltou-se muito a fé e alguns santos foram profundos em seus estudos, como Santo Agostinho (séc. IV). Para ele, Deus criou o mundo do nada, estando compreendidos nele o tempo e o espaço. Criou também o homem à sua imagem e semelhança, em corpo, alma e espírito. Quanto à alma, dizia que cada indivíduo tem a sua própria, não emanada de algo maior mas criada diretamente por Deus e por Êle colocada no corpo de cada um. Ela nascia independente mas só seria percebida quando já em comunhão com o corpo, para viver eternamente e se tornar imortal, levando as marcas da sua existência terrena. Por isso, no além, ela seria bem-aventurada ou amargurada. Só quase mil anos depois terminou a Idade Média. Os dogmas das igrejas se tornaram inquestionáveis, com fundamento em Platão e Aristóteles. Houve muitas guerras, cruzadas e epidemias. Seu maior destaque foi Santo Tomás de Aquino, no sec. XIII, a afirmar que Deus seria a única causa não causada, imaterial e imóvel. É o prenúncio do Racionalismo. Para Santo Tomás, como o maior filósofo da Escolástica, tudo derivava de Deus. Até o homem tinha natureza divina e, por isso, passou a ser entendido como o centro de tudo. Se Deus, criador, era incompreensível, deveriamos simplesmente aceitar e nos sujeitar às suas vontades, sem discutí-las. No seu tempo, o poder do Estado se desvinculou da religião e, assim, os homens foram se libertando dos feudos e também do peso dos pecados. A filosofia e a ciência também se tornaram autônomas em relação à religião. Esta se prendeu mais à razão. Humanismo. O homem deixou de ser servo de Deus e criou grandes obras na pintura, nas artes e nas ciências. Passou a pregar mais matemática e literatura do que teologia. Deus ficou

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em segundo plano. Ainda durante a Idade Média, surgiram as grandes invenções e grandes cientistas. O homem passou a servir mais a si próprio do que a Deus. A alma humana era um princípio independente, imaterial, espiritual e vital, criado por Deus, que se agregava ao corpo com o nascimento e sempre seria imortal. Havia outras almas (as dos animais), mas só a do homem era sensitiva e racional, isto é, dotada de inteligência e vontade. Os católicos ortodoxos seguiram essa teoria. Empirismo – Foi preconizado por F. Bacon, que estudou o método experimental dos fenômenos, a partir da indução. Ele dividiu a alma humana em duas partes: A divina, que era racional e religiosa, mas intocável, e a material, invisível e livre para estudos científicos. Esta parte é que englobaria a razão, a imaginação, o conhecimento, a memória, os apetites e as vontades do homem. Liebniz sentenciou que toda a matéria pode ser decomposta em partículas, mas jamais a alma. Locke falou em dois conhecimentos: intuitivo (a razão sabe que Deus existe) e o demonstrativo (nossa mente é vazia, onde os conhecimentos chegam simples e ali são trabalhados). Sendo empírico, só acreditava nos sentidos e dizia que a imortalidade da alma é apenas racional, não ligada à Fé. A crença em Deus é algo da consciência de cada um. Para Berkeley, não podemos ter ideia de um homem abstrato, sem atributos, e nem do movimento, sem os corpos. Para Hume, nem Deus nem a natureza se prova pela razão. O homem tem percepção imediata das coisas e sôbre elas formula idéias, verdadeiras ou falsas. Uma ideia se liga a outra e surge o pensamento. Valorizou os sentimentos humanos. O certo e o errado é questão só de sentimento. Não acreditando, recusou-se a provar a imortalidade da alma e a existência de Deus, pois a fé religiosa também não se pode provar. Achava que o espírito do homem é uma mistura de opostos: calor e frio, luz e sombra, amor e ódio, dor e prazer. Por isso, os homens tinham necessidade de crer em algo sobrenatural. Admite Deus por acreditar nos fenômenos naturais. Era agnóstico. Iluminismo - As teorias surgiram contra a Igreja, o rei e os aristocratas. Um mundo sem Deus seria irracional. Um deus o criou mas só se revelou através da natureza, que não é sobrenatural. Valorizou a liberdade dos pensamentos e considerou a imortalidade da alma como racional, não ligada à fé. Fez surgir o Deismo. Newton pesquisou profundamente a lei da gravidade e os movimentos no universo. Falou em sistema cósmico, descreveu o sistema solar e os planetas. Voltaire e Diderot foram sarcásticos, contra o fanatismo. E a religião era antinatural e antiracional. Racionalismo - Afastou todo o conhecimento pelos sentidos e valorizou só a razão. Descartes falou dos sonhos, que sempre nos parecem reais, mas não o são. Criou o “cogito, ergo sum” e daí concluiu que somos imperfeitos e que, em consequência, deveria existir algo perfeito, como causa infinita, eterna e imutável, que seria Deus, ou Substância Absoluta. Seria como uma essência, perfeita, metafísica, infinita e criadora. Enquanto nosso corpo, como matéria, pode ser decomposto, na natureza, nossa alma envolve o pensamento, a consciência pura, o querer, o sentir e a própria razão. Mas jamais se desintegra, por ser imortal. A Fé, porém, é mera intuição, sem racionalidade. Depois dele, Pascal colocou o sentimento e o instinto (intuição imediata) ao lado da razão. Ou se sente ou se raciocina. Por pensar, o homem é tudo em relação ao nada (de onde veio) e nada em relação ao infinito (que o envolve). Não pode entender os dois extremos. Espinoza também é racionalista. Apesar de judeu, criticou o judaismo e o cristianismo. Se os evangelhos se contradizem, disse êle, a Biblia não vem de Deus. A opinião deve sempre ser livre. O homem faz parte de um grande emaranhado, uma grande substância, que é o universo, dentro do qual está a natureza, o espírito e o corpo do homem. Deus é tudo isso e não há como

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separá-lo. Por isso, foi chamado de “o pai do Panteismo”. A natureza tem leis próprias, imutáveis e automáticas. O desabrochar de uma flor, por exemplo, é pura manifestação de Deus. O homem, por sua vez, não tem contrôle de grande parte dos órgãos de seu corpo, que funcionam independentemente da vontade ou são instintos naturais, como o equilíbrio ou o ato de mamar. Em consequência, o homem não tem livre arbítrio, pois não determina tudo, não escolhe seus pensamentos e não tem liberdade plena. Todas as idéias do mundo são pensamentos de Deus. A alma, não sujeita às leis da ciência e do mundo material, é imortal apenas como manifestação de Deus. Não há servidão humana em relação a algo transcendente. Somos escravos de nossos sentimentos. Paixões, ambições, esperança, medo, tudo isso impede a felicidade verdadeira. Kant foi, talvez, o maior dos Racionalistas. Mas não deixou de dar razão também aos empiristas. Para ele, os fenômenos estão no tempo e no espaço. Mas também em nossas consciências desde antes dos sentidos, como atributo da condição humana e não do mundo físico. O conhecimento se constitui de juizos, analíticos e sintéticos. A metafísica busca conhecer a alma, Deus e o universo. Se tudo é incognoscível, tudo deixa de ser ciência. A existência de Deus está além de nosso limite. No mundo metafísico, “o que é” pode ser igual ao “que deve ser”. Podemos até admitir, então, que Deus seja o ideal personificado do bem. Mas não podemos comprová-lo, nem por experiência. Enfim, se tudo tem causa e efeito, como lei eterna e absoluta, Deus é impossível de ser provado pela razão. As leis da natureza (ao contrário de Hume) podem ser provadas, pois são do conhecimento humano. Não temos como definí-las nem podemos saber a origem do universo. Também não podemos saber se a alma é imortal, se Deus existe, se a natureza é de particulas indivisiveis, se o universo é infinito ou não. O certo e o errado são conclusões inatas da razão, que é livre e opera até os nossos limites de conhecimento. De dentro do mundo, não temos como afirmar se êle teve ou não um começo. Porém, o homem precisa supor que Deus existe e que a alma seja imortal. E é porisso que, entre a experiência e a razão, surge a fé dos religiosos. Se Descartes dissera que deve haver um Deus por termos idéia de um ser perfeito, e se para Aristóteles e Santo Tomaz Deus existiria como causa impulsora, Kant rejeitava a ambos, dizendo que tanto é provável como improvável a existência de Deus. Idealismo – Também se sobressaiu na Idade Moderna mais com Hegel e Schopenhauer. Para Hegel, não há prova racional de Deus e a religião é a consciência subjetiva dele. Há o mundo finito e o infinito, mas não conseguimos sair do finito. Como somos dotados de intuição, nos é dado ter um contacto íntimo e direto com uma divindade transcendental, que a religião busca unir à parte humana. Criou a síntese, também concordando com o racionalismo e com o empirismo. Schopenhauer foi pessimista e afirmou que toda a realidade, contendo o bem e o mal, é irracional e gera o Ateismo. Conhecemos o mundo pela razão, pelos sentidos e também pela intuição, que se reduz à nossa vontade. Esta a razão não controla. Não temos condição de conhecer e explicar a essência do universo. Positivismo - A partir da segunda metade do século XVIII, surgiram a ferrovia, a lei da oferta e da procura e as relações de capital e trabalho. Pouco se falou sôbre Deus, o homem e o universo. Mas o Positivismo surgiu só na segunda metade do século seguinte. Com mais técnica e menos filosofia, o espírito passou a ser fenômeno da natureza, sem prejuizo do estudo das causas das coisas naturais e humanas. A. Comte, julgando impossível conhecer a essência dos conhecimentos, classificou e coordenou as ciências. Cultuou mais a humanidade do que a divindade e canalizou tudo só para o que fosse útil. Feuerbach foi o mais forte ateu dos filósofos. Negou a existência de Deus e condenou o culto. Admitiu a natureza, como originária, e o homem, com o seu pensamento. Criticou a

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miséria, o sofrimento e a injustiça terrena contra as promessas de vida feliz após a morte. Para ele, a vida devia ser valorizada aqui, onde os sentidos (e não as idéias) nos dão o conhecimento real. Projetar em Deus nossos próprios atributos era alienação. Divina seria a essência do próprio homem, mas abstraida dos conceitos de finito, perfeito, corpóreo, temporário e real. Marx, por sua vez, afirmou que a filosofia, a religião e a ciência são superestruturas, criadas pelo homem para contrôle das relações materiais, econômicas e sociais, que formam a base da sociedade. Mas a religião faz a alienação do homem e não passa de consôlo inútil a refletir a miséria do mundo. O homem, com o seu trabalho, pode e deve modificar a natureza. Para Nietsche, a religião nasceu da inquietação e da necessidade. Apoia-se no ressentimento dos humildes e eleva a ignorância à categoria de virtude. Darwin - Fugindo da concepção cristã de que Deus teria feito os sêres vivos como êles são, afirmou que os homens, vindo de formas mais primitivas, evoluem biògicamente com base em princípios universais. Suas ações vêm dos impulsos ou dos instintos. Todas as espécies de sêres vivos não são imutáveis, como afirmaram Platão e Aristóteles, pois sofrem alterações nas células e no meio-ambiente onde vivem. Ampliando seu trabalho, imaginou até a formação da vida em bilhões de anos pela radiação do sol sobre a matéria inorgânica. Freud – Fundador da psicanálise, estudou a mente e o inconsciente, também chamado de subconsciente. Somos governados, disse êle, pela razão e pelos impulsos irracionais. Êstes, quando vêm do passado, firmam raizes e ficam no subconsciente. Podemos controlar nosso “id” e nossos desejos com a evolução da mente. A criança cresce e se amolda às censuras do pai. O homem precisa dominar seus conflitos e, quando difícil, tem neuroses, sonhos, distrações, doenças mentais... e religião. A religião é a busca permanente de um pai, oculto e protetor. Enquanto o médium, no espiritismo, diz que alguma ocorrência foi obra de um espírito, Freud o rebate ao afirmar que só podemos ser médiuns de nosso próprio inconsciente. A regressão é possível desde que em relação à própria vida do paciente, em sua infância, não existindo terapia de sua vida no ventre materno ou de vidas de outrem, no passado. Para êle, Deus é ilusão infantil e religião é uma neurose. Em 1869, Thomas H. Huxley criou a sua doutrina, chamada de agnosticismo. É filosofia naturalista, destinada a ensinar que não podemos saber se Deus existe ou não. Para êle, a mente finita não pode alcançar o infinito e, por isso, considera o absoluto inaccessível ao conhecimento humano, recusando toda e qualquer solução aos problemas metafísicos. Para os agnósticos, não existe justiça divina e só é verdadeiro o que tem existência lógica satisfatória. É a impossibilidade de se conhecer a natureza divina das coisas. O ateismo, ao lado dessa teoria, seria um absurdo, porque ninguém pode provar que Deus não existe. Mas o teismo também é absurdo, porque ninguém prova que Deus existe. E não podemos crer sem provas evidentes. No século XX, a Filosofia teve poucos pensadores. Conviveram as teses de transcendência e de imanência. Bergson disse que há dois métodos para conhecermos os objetos: o que vem dos conceitos (com aplicação dos juizos, análises, sínteses, indução e dedução) e o que vem por intuição imediata (métodos chamados intrínsicos e metafísicos).

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CAPÍTULO XXVI A NATUREZA
A natureza é o conjunto de todas as coisas físicas à nossa volta, tudo o que percebemos pelos nossos cinco sentidos ou deduzimos através da nossa inteligência. Compõe-se de três reinos, absolutamente naturais: animal, vegetal e mineral. Em parte da natureza o homem pode (e deve) interferir, modificando-a. Por isso, êle derruba montanhas, busca minerais e constroi cidades. Não foram ainda modificados: os mares, parte das montanhas e do solo, a vegetação virgem, os rios etc. Por sua vez, as estradas, as cidades, as pontes e os alimentos colhidos constituem a parte da natureza já modificada pelo homem a partir das coisas originárias. O homem, usando as suas faculdades racionais, até controla a população das espécies animais e vegetais, com o congelamento de sêmen, a utilização de preservativos ou a aplicação de medicamentos. Auxilia, ainda, na manutenção ou desenvolvimento da própria natureza, quando organiza reflorestamentos ou plantações de café, de laranja ou de flores. Ordena e administra, assim, a multiplicação da própria força vital da natureza. Canaliza, mas sem interferir, por impossível, no processo de reprodução dos sêrers vivos. Pela Encíclica do Papa João Paulo II, “Laborem exercens”, o homem, com o seu trabalho, cuida dos animais, domina a terra e tira dela, ou do mar, seu alimento e seu vestuário. Cultivando-a, produz. Depois, a indústria vai conjugar as riquezas da terra com o próprio trabalho humano, físico ou intelectual. Aqueles quatro elementos da natureza, que por si não teriam vidas próprias, são, no entanto, absolutamente necessários à manutenção de todas as vidas. Sem o ar, a água, o fogo e a terra não haveria sequer uma só vida no universo. A água aflora nas montanhas, formando fontes, cachoeiras, riachos e grandes rios. Os minerais existem por si no sub-solo, de onde também explodem vulcões e terremotos. O ar envolve todo o nosso planeta, sem depender da vontade humana. Por isso, pode ser entendida a natureza, também, como sendo o próprio Planeta, composto de terra e água. A estrutura da terra abrange o solo e as camadas mais profundas, como os mantos superior e inferior. O solo, por sua vez, compõe-se de terra, areia e pedras. A fôrça da gravidade da Terra atrai tudo para a sua superfície, e alí se desenvolvem os animais e as plantas. Dentro da natureza existe uma escala vital: primeiro os homens, por sua racionalidade, depois os animais e os insetos e, por fim, as plantas. Embora cada uma dessas espécies se reproduza por si própria, essa ordem é muito importante. Por sua ascendência, o homem busca alimentos para a manutenção da própria sobrevivência, cuida de fatores secundários tidos como objetos de trabalho e busca seu próprio confôrto. Domina os outros sêres vivos. Mas todos, inclusive êle, quando morrem, voltam à natureza e passam a alimentá-la com os seus corpos em decomposição. É sem dúvida um retorno, que corresponde a uma parte do texto da Biblia cristã, onde se disse: “tú és pó e em pó te tornarás”. Os sêres vivos pertencem ao Reino Animal, tanto os vertebrados (como o homem, os demais mamíferos, as aves, os répteis, os anfíbios e os peixes), como os invertebrados (os insetos, os moluscos, as minhocas e outros). Os vertebrados se alimentam sempre de vegetais ou de outros animais, fazem digestão, respiram oxigênio e possuem circulação de sangue por todo o

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organismo. Têm sempre dois sexos, diferentes entre si, cuja polaridade se atrai e dá origem à reprodução de cada espécie. A fecundação em geral é interna, mas nos peixes é externa e, nos anfíbios, pode ser interna ou externa. Os filhotes dos mamíferos, ao nascerem, alimentam-se primordialmente do leite da mãe. Os invertebrados não possuem vértebras, ou seja, as colunas de ossos para sustentação do corpo. Mas além das plantas e dos sêres vertebrados e invertebrados, ainda existem na natureza outros sêres ainda mais inferiores, como os fungos, as bactérias e os virus. Todos os sêres vivos se constituiram não por transformação, mas por nascimentos rotativos e inexplicáveis. Todas as espécies animais da natureza não se misturam, o que é possível, entretanto, acontecer nas sub-espécies. O ser humano, por exemplo, engloba todas as raças na face da terra. Tanto o branco, como o negro e o amarelo são sêres humanos, que se multiplicam. Pode o branco ter relações com uma negra, ou índia, ou asiática, que gerará filhos mestiços, com características de ambas as raças. Nunca, porém, conseguirá o homem reproduzir-se com outros animais, digamos, com quadrúpede ou macaca. Da mesma forma, dentro da natureza, cada espécie de animal mantém a sua unidade a partir do ato de reprodução. Se assim não fosse, aliás, imagine-se o que haveria de monstros habitando nosso planeta! Só a imaginação humana, concebendo-os como ficção, poderia mesmo criar aberrações, tais como Pégaso (cavalo com asas), Sereia (metade mulher e metade peixe) e Centauro (metade homem e metade cavalo), além de deuses, por exemplo, como alguns do hinduismo, dentre os quais Ganesh, cujo nariz é a tromba de um elefante. Na terra, um de seus ambientes, as plantas germinam. Após receber água e sementes oriundas da planta-mãe, surge alí uma nova planta da mesma espécie, com vida, e esta, durante o seu ciclo, produzirá sempre os mesmos frutos, porque a seiva de especificação já vem contida na semente, seja do pepino, da hortaliça, do jacarandá ou da seringueira. Relembremos, aqui, o espetacular fenômeno da fotossíntese das plantas, pela qual a clorofila de cada uma delas transforma a energia luminosa do sol em energia química. Essa energia, por sua vez, combina a água recebida pelo caule com o gás carbônico absorvido da atmosfera através das folhas, para produzir acúcar e oxigênio e, com isso, manter a regular continuidade da vida vegetal em todo o planeta. É o processo inverso da atividade orgânica dos animais, que ingerem oxigênio para queimá-lo e expelí-lo como gás carbônico, com reserva da energia resultante do processo para manutenção de suas vidas. Ainda quanto aos vegetais, vimos que as flores se constituem em órgãos de reprodução. Enquanto as corolas se formam de folhas com intenso e variado colorido, chamadas pétalas, do seu interior vão surgindo os pistilos, órgãos femininos ligados a um ovário, e os estames, órgãos masculinos com a missão de espalhar, quando maduros, os grãos de pólen produzidos numa bolsa. A polinização, ou seja, o transporte do pólen geralmente ocorre de uma flor para outra, através do vento ou de outros agentes como a água da chuva, os insetos e os pássaros. Ocorre então a fecundação, que transformará os óvulos em sementes fecundadas (feijoeiro, algodoeiro), ou as flores em frutos que gerarão novas sementes (laranjeira, tomateiro, macieira). As flores ou são hermafroditas ou uniassexuadas, como as dos pés de abóbora ou de milho, que possuem um só dos dois gametas. Essas são as formas mais comuns da reprodução vegetal, embora haja ainda grande variedade de formas diferentes dessa regra geral.

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A natureza é a base de toda a ação do homem, cujo raciocínio, por se constituir na primordial diferença em relação aos outros sêres vivos, é um fenômeno que lhe dá a capacidade exclusiva de entender toda a variedade e beleza da natureza. E, daí, pode deduzir que existam outros mundos, incomensuráveis e talvez até mais evoluidos do que êste, com outras espécies, completamente diferentes das que aqui conhece. Dizem os cientistas que existem mais de cem bilhões de galáxias! Porém, somos tão pequeninos que nos espantamos com a grandeza dêste nosso universo, apenas uma dessas galáxias ! Mas, voltando à Terra e aos sêres vivos, não há como se comprovar que a morte dêstes só envolve o corpo e não a sua Essência Vital, que muitos chamam de alma. Para os espíritas, a alma sobrevive, ligada a um processo de aprimoramento sempre crescente. Mas ninguém nunca retornou da morte para nos provar alguma verdade nessa afirmação. E imaginar não traz conclusão alguma. São maravilhosas as informações da biologia e da arqueologia em relação a sêres que viveram na natureza há muitos séculos, como os dinossauros. Está provado que outras civilizações já viveram antes de nós, como os chamados homens primitivos. Êstes, há milhões de anos, constituiram grandes culturas, como se pode deduzir, por exemplo, da arquitetura extraordinária das pirâmides no Egito, das cidades de Machu-Pichu no Peru, dos monumentos dos Aztecas e dos Maias no México, das estátuas da Ilha de Páscoa no Chile, e de tantas outras maravilhas antigas. São obras de civilizações extintas, muitas das quais, apesar de toda a evolução da engenharia e arquitetura modernas, o homem ainda não alcançou a condição de reproduzir em nossa era. Importante ainda é lembrarmo-nos, também, das conformações do lado oeste da África, que se encaixa perfeitamente no lado leste da América do Sul. As terras do Planeta podem ter sido um bloco só, no seu início, há milhões de anos atrás. A natureza, como a conhecemos, se reproduz e se desenvolve a partir da Essência Vital contida nos sêres vivos que a compõem, mas também necessita da Energia Cósmica, independente dela, como fator para sua manutenção. Sua finalidade primitiva é servir de alimento aos sêres enquanto subsistir a vitalidade dêstes. Se o homem não pode interferir na geração da Essência Vital, pode, de certa forma, interagir ou direcionar grande parte da Energia Cósmica. E tudo isso é absolutamente natural, sem qualquer vínculo com alguma forma de criação por deuses ou quem quer que seja. Religiosos e filósofos, estudando o assunto, já formularam milhões de hipóteses, mas nunca puderam prová-las. Apenas fantasiaram e não raciocinaram. Também é falsa a teoria da famosa “big bang”, a explosão inicial que teria dado origem ao universo, como sendo êle uma das partículas. Êsse ato, produto da imaginação de algum sonhador, nem a ciência teria como confirmar. Voltamos à mesma questão acima formulada: se existiu tal explosão, do que se compunham os materiais explodidos? Qualquer que seja a resposta, êles já estariam em algum lugar, que seria o universo.

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CAPÍTULO XXVII A ENERGIA CÓSMICA
Todos os sêres vivos são frutos dos fenômenos naturais de reprodução. Após o nascimento, a vida de cada membro, animal ou vegetal, torna-se independente e subsiste durante o tempo médio de cada espécie, até a morte. Mas precisa ser mantida, dentre outros fatores, pela energia que vem dos nutrientes calóricos dos alimentos, da água, do ar e da terra. É a energia KI a que se refere o sistema esotérico REIKI e que também se equilibra, segundo os chineses, com florais, acupuntura, homeopatia, cromoterapia, cristais, yoga, tai-chi-chuan e massagens. As plantas, com Essência Vital, se desenvolvem e se tornarão o alimento básico de todas as espécies animais. Êstes, com seus instintos, muitas vezes até se digladiam nas buscas para atenderem às suas necessidades. Entre os não-racionais, a fome faz surgir a “lei do mais forte”: uns devorando outros, além de dependerem todos dos vegetais na natureza. Ao lado dêsses fenômenos e também dentro da natureza, encontra-se a Energia Cósmica, necessária à manutenção da vida na terra. Independentemente da idéia de Deus, representa ela o conjunto de todas as fôrças do universo, em diferentes níveis de condensação ou frequências. É a energia chamada de REI pelos chineses. Enquanto a Essência Vital mantém internamente o funcionamento da vida individual das espécies, a Energia Cósmica interfere em toda a natureza para dar condições externas de sobrevivência a tudo. Essa Energia Cósmica faz parte do espaço infinito do universo, onde o nosso planeta, do sistema solar, é semelhante a uma partícula de pó, ao lado de outros planetas que também giram dentro de outros sistemas, formando tudo uma infinidade de cento e trinta bilhões de galáxias. Se a Terra nesse Todo é de classificação modesta, de igual modo terão de ser os seus habitantes, modestos na inteligência. Há quem fale numa Grande Inteligência Universal, que, se não criou, ao menos mantém as vidas no universo, onde os fatos cósmicos ocorrem sempre com precisão matemática, como os movimentos de rotação e translação da Terra, as fases da Lua, os movimentos do Sol e da própria galáxia. Há um permanente equilíbrio no macro e no microcosmo. Na remota antiguidade, os egípcios já falavam em continuidade cósmica. Homero, oito séculos a.C., já havia criado deuses mitológicos para representar, cada um, as fôrças da natureza. O Budismo, em suas pregações, desde o século IV a.C., ensinou também que havia uma lei eterna regendo o universo, sem começo e sem fim. Mas foi Lao-Tsé que acabou afirmando ser absolutamente natural a energia básica do cosmos, sem qualquer influência de deuses, dando-lhe o nome de Tao e criando o Taoismo. Para êle, tal energia geraria tudo, apesar de ser imanente, mística e estática. Confúcio, pela mesma época, também admitia um princípio cósmico universal, como sendo Deus. A religião egípcia e o Xintoismo tiveram como deuses o Sol, o Céu e outros componentes do Universo, que reprentavam as partes físicas da natureza. Os Esotéricos, como os Rosacruzes, afirmam que Cristo e Buda seriam raios do espírito cósmico. As religiões e entidades esotéricas falam ainda de auras, de visões de santos ou projeções astrais. Algumas até se colocam, na condição de “canalizadoras”, através dos homens, de “correntes que os beneficiam”, como as Bênçãos dos católicos, os Passes dos espíritas, e o Johrei dos messiânicos. Mais recentemente, divulgaram até que as fôrças do cosmos podem ser “captadas” por sêres humanos e “transferidas” a outros sêres vivos, a título de cura (Reiki), ou aos ambientes, a título de

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decoração (Feng Shui). Essa afirmação, porém, não tem nenhum sentido lógico. No âmago da fôrça cósmica jamais poderá o homem penetrar. Poderá, quando muito, direcioná-la fìsicamente em benefício dos sêres vivos, como na canalização de rios para geração de energia elétrica.. A escola de Mileto já havia crido tôda uma filosofia sôbre a natureza em si, mesclando a física com a cosmologia. Seus membros, como Tales e Heráclito, tentaram explicá-la como em movimento pela ação da água e do fogo. E Empédocles acrescentou a êstes também os elementos terra e ar, todos como sendo originários do universo. Depois dos sofistas e de Sócrates, Platão veio a afirmar que o homem conhece a natureza pelos sentidos e pode nela interferir. Até então, a natureza em si era imanente, ao nosso redor, mas muito pouco relacionada com as energias cósmicas, embora às vezes até chamada de Deus. Durante toda a Idade Média, a Fé religiosa foi tida como inabalável e os dogmas religiosos se mantiveram inquestionáveis, fundindo-se até com os Govêrnos. Depois disso, no campo das ciências, grandes pensadores como Galileu, Liebiniz e Newton estudaram as energias, a inércia e o movimento dos corpos dentro da natureza. O Rosacrucionismo também pregou o conhecimento intuitivo das leis da natureza, dos cinco sentidos e da consciência cósmica. Mais recentemente e até hoje a Igreja Messiânica, com o johrei, e os adeptos do Reiki, com a imposição das mãos, pretendem transmitir aos seus semelhantes uma parcela dessa energia do cosmos. Referem-se a ela, ainda, as entidades esotéricas “Nova Era” e “Grande Fraternidade Branca”. Recordemos aqui que aqueles quatro princípios de Empédocles têm, sim, razão de ser. Se bem analisarmos, quase toda a Energia Cósmica deriva ou se relaciona com a terra, o ar, o fogo e a água, como elementos de manutenção permanente da vida no Planeta. Dentre as várias formas de Energia Cósmica, a mais importante é a Energia luminosa ou de radiação, provinda do Sol, sem a qual o frio seria intenso e nenhuma outra subsistiria. E há ainda uma enorme quantidade de energias derivadas, (química, térmica, hidráulica, mecânica, elétrica, eletrônica, magnética, nuclear e outras). Elas aquecem, põem em movimento, deixam tudo mais brilhante e auxiliam numa série de atividades. Para que qualquer coisa aconteça, sempre se estará transferindo algum tipo de energia. Quando o atleta chuta uma bola, êle usa a energia química de seus músculos (derivada dos alimentos) para mover a perna e dar à bola energia de movimento, chamada cinética. Equipamentos canalizam a radiação do sol, ou a energia química armazenada para transformála em energia térmica. A energia química do combustível de um foguete, por exemplo, transforma-se em energia de movimento, necessária para que êle decole. A energia potencial da água se transforma em hidráulica e, por fim, em elétrica. A energia mecânica, sob a forma de trabalho, é obtida pelos motores elétricos, usando combustíveis. A energia nuclear resulta das reações entre núcleos, como átomos de urânio ou plutônio, para liberação de calor e geração da energia mecânica e, daí, a elétrica. E há ainda as Energias fósseis, que se formam com combustíveis sólidos (hulhas, linhito), líquidos (petróleo) e gasosos (gás natural). Mencionemos aqui alguns exemplos de Energia Cósmica relacionados com aqueles quatro elementos: AO FOGO: Atrito nas pedras, armas criadas pelo homem civilizado, maçaricos e raios-laser (cortam metais duríssimos), luz e calor do sol. Esta última pode destruir o mundo. À ÁGUA: Máquinas a vapor, turbinas hidroelétricas (que geram a eletricidade), trovões, raios e tempestades oriundos do ciclo da água (vapor que sobe dos mares, lagos e rios, se condensam e

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se transformam em nuvens). Ambiente dos peixes e animais marinhos, é também indispensável aos sêres vivos, da terra ou do ar, em seu estado natural. À TERRA: Em duas partes: A intrínsica, pela qual ela faz germinar as sementes dos vegetais. E a extrínsica, ou seja, sua fôrça de gravidade (terremotos e vulcões) e seus minerais “in natura”, como fontes dos combustíveis (petróleo, hélio, urânio, fósforo, chumbo etc.). Ambiente dos animais, é indispensável aos vegetais. AO AR: Vôo dos pássaros, ventos (hélices do avião, moinhos), vibrações alta e baixa (propagação das ondas de som e imagem). Ambiente das aves, é indispensável aos sêres vivos, por seu oxigênio. Energia, “a priori”, seria a movimentação dos átomos, compostos de prótons (carga positiva), neutrons (carga neutra) e elétrons (carga negativa). Os átomos funcionam indistintamente como partículas ou como ondas, o que mostra diferentes formas de energia na natureza. Em 1990, Planck criou uma nova expressão: o universo “quântico”. Para essa teoria, a Energia nada mais é, como a matéria, do que um pacote de partículas indivisíveis. Cada pacote (quantum) contém a sua própria frequência e comprimento de onda. Um quantum de luz violeta possui frequência duas vezes maior e, portanto, contém duas vezes mais energia do que um quantum de luz vermelha. E o de luz ultravioleta seria maior que o de luz violeta. Energia e frequência são a mesma coisa, só que medidas em unidades diferentes. Se Faraday, pouco antes, já havia mostrado a relação entre luz, eletricidade e magnetismo, de onde se concluiram os comprimentos de onda, com a teoria quântica se aprofundaram os cálculos para medida de calor ou de maior ou menor luminosidade (fótons). Na ciência moderna, o resultado da soma de tudo é o nada, em relação às conclusões que estão além da limitação do nosso intelecto. Frank Wiley até elaborou estudos matemáticos para provar que o zero é igual ao infinito. Para êle, as partículas da matéria e as energias se compensam ou se anulam com os seus opostos. E dessa teoria ainda tira a conclusão de que todas as coisas do universo vieram do nada. Ninguém conhece os contornos do limite entre o ser e o não-ser. Depois de Planck, já no início do século XX, Einstein não só confirmou a teoria quântica, como explicou que também a luz, como energia, pode ser uma onda ou um conjunto de partículas. Por sua Teoria da Relatividade, todo o universo se constitui de energia, mas em diferentes níveis de condensação. As leis que regem a matéria seriam diferentes das que regem a energia. Daí o estudo do magnetismo, que emana dos átomos, pelo qual os polos opostos se atraem (imã). Mas nem Einstein deu a definição de luz, afirmando que só podemos descrever como ela se comporta em diferentes situações, como onda ou como partícula, em relação à matéria. Daí o estudo, por exemplo, da dispersão de radiação por materiais radiativos, que se converte em energia, como ocorreu com as bombas atômicas lançadas na 2ª guerra mundial. E se descobriu que o processo de fusão nuclear ocorre continuamente nas estrêlas e nos astros. No sol, a cada segundo, 4,7 milhões de toneladas de sua massa se transforma em energia por êsse processo, a qual se irradia em todas as direções do espaço. Chega à Terra menos de uma bilionésima parte dela, mas o suficiente em luz e calor para as nossas necessidades.

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O homem não pode interferir diretamente na Energia Cósmica originária, como captála e canalizá-la para dentro de si, com fins de retransmití-la (objeto do Reiki). Pode, sim, interagir e controlar parte delas (acender e apagar o fogo, desviar a água, comprimir e expandir o ar). Se não pode apagar a luz do sol, nem impedir a gravitação, pode, no entanto, equipar-se para a utilização de muitas energias (construir automóveis e aviões, montar usinas nucleares), conduzi-las (fazer grandes extensões de rede elétrica) e até anular o efeito de algumas delas (apagar o fogo), em conformidade com seus interêsses. Assim, organiza e amplia lavouras de cereais, faz reflorestamentos, acasala animais para cria, apura raças, enxerta árvores, limita o crescimento da família etc. Pode ainda auxiliar a natureza no seu mister, por exemplo, adubando a terra. A Energia Cósmica é dinâmica. É um extraordinário agrupamento de movimentos, que agem por si mesmos ou se interligam na ação. Ninguém a contesta, conhecida que é por nossos sentidos ou por nossa inteligência. Mas que também, como a energia Vital, é inexplicável por seus fenômenos de manutenção da vida. Vejamos ainda , por curiosidade, algumas interligações: a) O sol (fogo), através do espaço (ar), traz luz e calor ao mundo. É indispensável às plantas (fotossíntese) e aos sêres humanos. Faz evaporar o mar, os rios e os lagos para a formação de nuvens, que também criam energias (raios, trovões) e caem na terra, para, entre outros fins, despertar a dormência das sementes, que geram as plantas, que alimentam aos sêres. b) O ar sustenta a respiração dos sêres, para transformação (queima) de agentes químicos (oxigênio em carbono nos animais e o inverso nos vegetais). Seu oxigênio mantém o fogo. c) O fogo, concentrado no interior da Terra, explode em vulcões, aponta o norte das bússolas e cria a fôrça gravitacional do Planeta, atraindo tudo para a sua superfície, com a pressão calórica acumulada no seu interior. Mas não se sabe porque essa fôrça tem o mesmo impacto sôbre as coisas que se encontram no primeiro ou no centésimo andar de um prédio, apesar de todas as lajes separando o último do primeiro.. d) Os agentes químicos, quando mais leves que o ar, superam a gravidade e movem balões, com auxílio da fôrça eólica. É óbvio que todo êste assunto é bastante complexo e merece análises mais profundas pelos interessados no tema. Por ora, o importante é apenas chamar a atenção dos leitores sôbre a Energia Cósmica, mantenedora do funcionamento de tudo o que existe no mundo. Enfim, a Energia Cósmica cria todos os ambientes para tornar possível a sobrevivência da Essência Vital dos sêres vivos. Por ela, tomamos contacto, entre outros fatos, com a infinitude do céu, as côres da natureza e a pureza da água das fontes.

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CAPÍTULO XXVIII A ESSÊNCIA VITAL
Se nada sabemos da vida, como podemos explicar a morte? (Confúcio) Em paralelo com a Energia Cósmica do Universo, há ainda um ciclo permanente e autônomo de criação e propagação das coisas naturais, como a reprodução, o nascimento e a evolução física de todos os sêres vivos. É a Essência Vital, a partir da qual se formam e se desenvolvem os homens, surge a brotação das sementes, o desabrochar das flores, a formação dos frutos, a multiplicação dos peixes e o primeiro sorriso de um bebê. O momento exato do início da vida, em todas as espécies de sêres vivos, é o da concepção. Duas partes se fundem numa só e a vida começa com a primeira célula, no homem, nos outros animais e nas plantas. No reino animal, o sêr se origina do prévio acasalamento entre dois gametas, um positivo e outro negativo: o espermatozoide com o óvulo, o semem da ave-macho ou do peixemacho com o ovo virgem ou as ovas espalhadas no mar ou no rio. Há raras exceções, como os hermafroditas (que possuem os dois sexos numa só espécie). Mesmo assim, cada um dêstes animais se contata com outro da mesma espécie fazendo cópulas cruzadas e simultâneas, como é o caso dos escargots. Quanto ao sêr humano, como é possível, antes do acasalamento, um só dos gametas ter vida para transmití-la? O homem, numa ejaculação, expele cêrca de quinhentos milhões de espermatozóides vivos! E a biologia explica que a vida de cada espermatozóide humano, que não fecundar um óvulo, ainda viverá por algumas horas! O gameta masculino não brota do nada. Tem que ser parte de alguma coisa anterior. Sua existência deriva de partículas infinitesimais das essências de vida do casal gerador. Essa partícula masculina já traz, na sua composição, os 23 cromossomos masculinos (um dos quais com a partícula Y ou X para a definição do sexo do embrião), além de uma fagulha de vida incompleta, que só se ativará após contacto com uma das partículas femininas, o óvulo, também já contendo outros 23 cromossomos. Essa fusão, absolutamente natural e totalmente inexplicável pela razão humana, é que dá origem a uma vida nova, como se fossem duas meias-vidas que se integraram. Antes dessa fusão, o espermatozoide, por si, não tem fôrça vital que lhe dê autonomia, podendo até ser congelado para conservação da centelha latente, até encontrar, mais tarde, um óvulo da sua espécie, para, com êle, gerar nova vida. É o maior mistério da essência vital, que o homem nunca explicará. A simples penetração do espermatozóide no interior do óvulo gera uma reação química, com impacto daquelas energias latentes em cada gameta. Daí o início do embrião, com sexo definido e fôrça vital autônoma e independente do par gerador, do qual, no entanto, sempre herdará algumas características, a serem definidas com o seu crescimento. No reino vegetal, toda semente tem essência de vida latente. Fecundada, germina na terra, devendo esta estar fôfa, para circulação de ar e absorção de água. Tais elementos se integram para despertar a dormência das moléculas de vitalidade da semente, criando a raiz e proporcionando à planta uma fôrça que a faz germinar e crescer à procura da luz do sol,

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também indispensável. É o seu processo de multiplicação. Nos vegetais com flores, a reprodução ocorre com a junção do pólen, masculino, ao pistilo, feminino. Mal comparando, a Energia Vital é como a eletricidade, de que resulta a fôrça, o calor e a luz. O início da vida seria como que ligarem-se os dois polos da corrente elétrica, enquanto que a morte seria o desligamento da corrente. Entre êsses dois pontos, um desenlace súbito seria como “o interruptor ou o estouro de uma lâmpada”. Existe vida enquanto “a corrente” subsistir, provinda sempre de dois polos. Essa fusão de partículas infinitesimais de duas essências anteriores (pai e mãe) é o único processo natural existente no mundo para a geração de uma vida nova. Foi assim em toda a eternidade, desde a origem do mundo. O homem jamais poderá modificá-lo ou nele interferir, por se encontrar limitado, com o seu raciocínio, ao conhecimento meramente empírico do fenômeno. Lembremo-nos de que Platão já falou em “alma do mundo” e a distinguiu da que seria a “alma do homem”. No seu “mundo das idéias”, a alma do mundo seria eterna e agiria permanentemente de forma determinada no mundo, enquanto que a alma do homem seria parte dela e, por isso, a ela retornaria após a morte. Admitiu, assim, a existência do ciclo vital. E Kant já dissera: “A essência se opõe à sua aparência e, por isso, permanece desconhecida, sendo que nós só percebemos os seus fenômenos”. Essência de vida, também chamada de “luz divina” pelos messiânicos, é o que constitui a natureza íntima de um sêr. É o que há de fundamental. É a fôrça concentrada, como o extrato de um perfume, o impulso autônomo da vida, a fôrça vital, o princípio ativo. É indefinível. Como centelha de vida, ou alma, ou espírito (REI para os chineses), não pode ser explicada. É, enfim, o âmago da vida animal ou vegetal, a partir da primeira célula gerada. Desde o nascimento com vida, corpo e alma não mais se separam até à morte, passando a viver em três dimensões como matéria composta de átomos, que geram calor, eletricidade e magnetismo. Torna-se coisa una, que identifica um indivíduo completo e perfeito, apesar de minúsculo. E corpo e alma ficam tão integrados que qualquer ferimento em um deles, a qualquer tempo, sempre atingirá o outro. A Essência Vital é permanente e, como fôrça propulsora, vai “empurrar” o novo sêr até o fim do seu percurso, no tempo. Eu nasci assim, eu cresci assim, vou morrer assim. Gabriela (música com Gal Costa) A Essência Vital, nascida do primeiro impulso e permanecendo como um “motocontínuo”, faz com que, a seguir, se desenvolvam todos os órgãos do corpo (cérebro, coração, rins, pulmões e os demais), cada um deles com função específica, variando em gráu de importância dentro do organismo. Todos são essenciais, embora alguns não sejam vitais ao funcionamento global. Assim, podem manter-se com deficiência, por exemplo, um dos rins ou um dos braços, sem prejuizo da vitalidade global do corpo, que se adaptará à falta. Todos os sêres vivos, após o nascimento, sofrem uma curva ascendente e, depois, descendente, até o seu fim. O organismo humano passa por quatro fases: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A infância se estende até a puberdade, como se fosse o alicerce de um edifício. Nela se moldam a educação, a disciplina e a moral do sêr humano, para a formação da sua personalidade. Na adolescência, que vai aproximadamnte até os 25 anos, se formam os ideais, o caráter, as vocações, e se constituem as famílias, como células da sociedade. Na maturidade, desenvolve-se a mentalidade, o sentido de conquista e de segurança, podendo o

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homem, com atividade constante, alcançar o seu sucesso e o seu apogeu . A velhice começa com o desgaste das funções vitais, proveniente da fadiga pelo trabalho molecular. A Essência Vital não é fisica, como a natureza, mas impalpável, abstrata, incognoscível. Sempre existiu e sempre existirá. Nossa razão sabe que ela está aí, em todas as coisas vivas, mas jamais poderá alcançá-la. Se a definirmos, repita-se, estaremos sòmente criando uma fantasia. Aristóteles formulara a hipótese de a vida ter surgido de matéria inorgânica, em contacto com um princípio ativo. Mais de vinte séculos depois, Pasteur fez experiências para demonstrar que não existe no ar ou nos alimentos (mantenedores da Energia Vital) qualquer princípio ativo capaz de gerar vida expontâneamente. E abriu caminho para a Biogênese, segundo a qual a vida (vegetal ou animal) se origina, sempre, de um par de sêres vivos préexistentes, sendo da fusão deles descendentes modificados. A Essência Vital é diferente em cada sêr vivo. Ela se manterá independente das energias dos pares geradores, como “motor” permanente da vida de cada espécie. Será identificada como fôrça genérica mas particularizada em cada animal ou vegetal. Seu campo de atuação é sòmente o corpo a que deu início e por isso não se expande para o universo. Viverá até a morte, de duração variável. Nesse período, como energia, ficará mesclada com a Energia Cósmica. É inexorável o processo de envelhecimento do sêr humano, a partir do seu nascimento. O corpo atinge a sua capacidade máxima aos 25 anos de idade e daí já começa a declinar. Aos 35 anos começa a perder massa óssea e, nas mulheres, inicia-se a queda hormonal. O metabolismo fica mais lento. A partir dos 40 anos queimam-se menos 120 calorias por dia e o contrôle de pêso fica mais difícil. As mulheres aumentam em 35% o índice de gordura no corpo e os homens 25%. Depois dos 65 anos, a capacidade respiratória diminui até 40% e a massa muscular 25% (Megapesquisa do Brigham and Women’s Hospital, conf. Rev. Veja nº 27/2001, pág.94). O homem, por sua formação física, não pode ser mais decomposto nem melhor compreendido. Sua qualidade da vida, no sentido orgânico, é matéria de Medicina, de Biologia, de Acupuntura, de Nutricionismo, de Fitoterapia e de outras ciências. A Essência Vital, porém, tem ligação direta com a Energia Cósmica, sem a qual não sobreviveria na Terra. As religiões sacramentam o fenômeno humano, dando-lhe o caráter de divino ou sagrado. E fazem derivar, daí, a necessidade de orações ou promessas, oferendas ou sacrifícios, como tendo sido “um ato de Deus”. Mas a Essência Vital, existindo por si mesma, não vem com o primeiro choro de uma criança ou com os primeiros chutes na barriga da mãe, e sim com aquele primeiro impacto da fecundação animal, sem depender da vontade humana. Faz parte de um ciclo permanente e universal. Com relação à vida, nem devemos invocar um mundo superior. Se as religiões procuram sempre nos infundir uma identidade, uma forma e uma “palavra” de deusesdirigentes, cumpre-nos simplesmente nos conter dentro dêste mundo, sem tentativas de ultrapassar nossos limites intelectuais e sem imaginarmos comandos vindo “de cima”. Nenhum Deus “quis” que nascêssemos, nem que sejamos como somos. A Essência Vital desaparece com a morte. Para os espíritas, que não se conformam em terem de voltar ao “nada”, ela sobrevive ao sêr humano e passa a fazer parte de um mundo superior. Dizem, ainda, que a alma continua a ser autônoma, não se incorpora a alguma massa gigantesca e fica alí vagando, para retornarem através de outros sêres humanos dêste mundo, chamados de “médiuns”, ou se encarnarem definitivamente no corpo de um bebê recémnascido. No primeiro caso, ao receber o médium a reencarnação, será que o seu próprio espírito se desliga, provisòriamente, sem riscos para o seu corpo? Neste caso, onde fica êle a esperar para reintegrar-se enquanto o corpo fica “tomado” pelo espírito alienígena? Ou continuaria o seu espírito no mesmo lugar, em dualidade com o outro reencarnado, sem qualquer choque? Na

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segunda hipótese, de encarnação definitiva, como se justificariam as características do pai e da mãe, que toda criança traz ao nascer? Não deveriam essas características ser do espírito que se incorporou? Para qualquer das hipóteses, haveria de ser tão grande a quantidade de espíritos errantes a vagar por aí desde o inicio do universo, que não haveria matemática capaz de definíla. Realmente, se o espírito transmigrasse dêste mundo para o além, ainda que só falemos do sêr humano, o número infinito de almas “na fila” para incorporar, há bilhões de anos, estariam formando um conjunto gigantesco de espíritos ambulantes, que nem caberia dentro do próprio mundo! Se admitíssemos a encarnação do espírito humano na primeira célula do embrião, estaríamos ainda quebrando o ciclo natural da vida, que existe como Energia Vital desde o infinito começo do universo e se renova a cada junção de novos espermatozóides com novos óvulos femininos. Com certeza, espíritos que já viveram vidas anteriores não fazem parte dêsse ciclo. A nova vida, sim, fruto apenas da bipolaridade masculina e feminina, torna-se autônoma e não se desvinculará do corpo até a morte, cumprindo a sua parte dentro do mesmo ciclo vital. Os espíritas se restringem ao homem, racional. Dificilmente se manifestam sôbre a alma dos animais ou das plantas. Todos os processos de geração da Essência Vital são iguais entre si quanto ao magnetismo da origem, a bipolaridade e o impacto entre as duas metades. Os vegetais só diferem na forma do contacto. Ou as sementes, a frio, germinam quando envoltas em terra úmida, ou suas flores, fecundadas com o polen trazido pelo vento ou pelos insetos, dão origem aos frutos, que gerarão novas sementes. Além disso, porque teríamos nós que “pagar” por males que teríamos praticado em gerações anteriores, reencarnando, como castigo, em estágios inferiores? E se houvesse um Deus avaliador das penitências, porque teria Êle feito os homens menos ou mais pecadores, para, depois, condená-los? Essas desigualdades não seriam uma injustiça? É óbvio que toda essa crença é fruto da fantasia das religiões, lançada por seus pregadores desde os tempos mais remotos, a partir do medo do desconhecido. O não-desaparecimento dos espíritos é o tema central do espiritismo, com necessidade de cantos, cultos e oferendas. Contra êsses “ensinamentos”, porém, entendemos que, com a morte, o espírito também desaparece, como “um vapor” através do ar que nos envolve. Não se pode explicar tal fenômeno.

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CAPÍTULO XXIX A MENTE HUMANA
Recordemo-nos de que Aristóteles foi um dos primeiros filósofos de cunho racionalista. Embora referindo-se à razão humana como uma centelha da razão de Deus, atribuiu a ela um valor extraordinário, por ordenar e controlar todos os conhecimentos. Seria, para ele, a própria alma do homem, a agir dentro da natureza. “O homem é um ponto de interrogação entre um mundo infinitamente grande e um mundo infinitamente pequeno” (Pensamento filosófico) O universo é êsse mundo eterno no tempo e infinitamente grande no espaço, enquanto que o mundo infinitamente pequeno é o da proliferação de milhões de virus, bactérias e outros sêres minúsculos, constantemente a atacar a vida dos animais e vegetais.. O homem, por sua vez, colocado entre os dois extremos, constitui-se, sem dúvida, na máquina mais perfeita de que se tem conhecimento. Êle, com sua inteligência, manipula parte da Energia Cósmica. Já nasce inteligente, o que o difere dos outros animais. Mas a inteligência se aperfeiçoa com a sua evolução e pode ser usada para o bem e para o mal. Paralelamente, os animais irracionais desenvolvem outros órgãos específicos muito mais do que o homem. O cão, por exemplo, tem faro e audição capazes de captar, à distância, sons de altíssimas frequências. E o morcêgo, por sua vez, se movimenta apenas através de seu próprio radar. A vida, para os racionais, é relativamente curta. Toda a evolução humana, física, intelectual ou moral, termina com a morte. Não existem dois homens iguais no mundo, considerada a individualidade de cada um (altura, côr, saude, formas de pensar, de imaginar, de reter e trabalhar informações), mas todos chegam ao mesmo fim, difìcilmente atingindo um século de vida.

A felicidade:
Durante a vida, ninguém consegue ser extremamente feliz. Não importa a condição social, econômica ou religiosa de cada um. Todos curtem momentos bons e rosários de lágrimas. Êstes fatos se compensam? É curioso, mas, se é difícil alguém buscar a morte expontâneamente, talvez seja porque, no fundo, viver é bom ! Qual seria, então, o sentido e a finalidade da vida? Por que lutamos, trabalhamos, buscamos diversão, dormimos para descansar... e continuamos tudo no dia seguinte? Se nem sempre vencemos as lutas do dia-a-dia, por que continuamos sempre em busca de novos desafios e novas batalhas, sem esmorecimento? Claro que, antes de tudo, é por causa do senso de preservação da espécie. Mas, além disso, somos movidos também pela esperança. Todos acreditamos em que o dia de amanhã será melhor do que o dia de hoje. Um pensador até já afirmou que: “O belo dia de hoje é o amanhã de ontem, quando eu me preocupava com os dias futuros”. Essa luta constante tem, no fundo, as mesmas características do instinto. O homem tem o condão de rir e de chorar enquanto vive. Mas, certo de que não pode usufruir só de prazer, tem

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também o desejo de desafiar a todos os seus problemas. Pois é êsse desafio o “motor permanente” da sua esperança. São infinitas as causas do sofrimento na vida humana. Ou elas estão no próprio homem ou nas pessoas a êle relacionadas (terceiros, amigos, familiares). Combatendo-as, anulam-se os seus efeitos. Algumas dessas causas até são resolvidas fàcilmente, enquanto outras são mais difíceis ou impossíveis de se evitar. O homem sabe disso. Se os problemas forem de terceiros, êle se sentirá bem se fizer alguma coisa em seu favor, tanto mais em se tratando de pessoa querida. Só que a ajuda em si ou a obrigação de ajudar ainda não é a meta maior. Pense nisto: Para tudo o que o homem fizer parecendo não buscar benefício pessoal, sempre haverá um grande bem-estar íntimo, que não tem preço. “Para ser feliz, o homem precisa construir a felicidade alheia” (Pensamento Messiânico). Poucos percebem essa inversão na prioridade das metas e nem pensam que estão suprindo o “óleo do seu próprio motor”. Por isso, “fazer o bem sem olhar a quem” não é um adágio que signifique exclusivamente “amor ao próximo”. Será sempre um meio, e não um fim. Pensemos, ainda, nestas outras hipóteses: Quando alguém dá um prato de comida a um pedinte, estará pensando realmente na fome dêste? Ou será que isso ocorreu só depois de êle já ter matado a própria fome? Se êle estivesse com fome e tivesse um só prato de comida, dividiria com um desconhecido? E no famoso caso dos dois náufragos com uma só tábua de salvação? Será que um deles deixaria pacìficamente que só o outro sobrevivesse, por caridade? Claro que não ! O “ego” vem sempre antes de qualquer ato de benemerência, sem dúvida. O homem nunca está plenamente satisfeito. Ele pensa constantemente na sua própria satisfação pessoal, ou bom-humor, ou alto-astral, ou euforia, ou paz. Assim, com êsse estado de espírito, adquire a “garra” necessária para alcançar as suas metas. Não basta apenas aguardar para que as coisas aconteçam. A felicidade não cai do céu. Sempre, em qualquer circunstância, você é o dono da sua vida. Você comanda o seu destino. Por isso, não culpe os outros pela sua infelicidade (Seicho Taniguchi - Seicho-No-Iê). Todo sêr humano se auto-considera “o melhor do mundo”. Quando pratica um ato de benemerência, não é o seu coração que age, como diria o poeta. É o seu raciocínio, movido pelo orgulho de manter-se na posição onde se encontra. É a necessidade de coroar a própria vaidade, por vezes nem lhe importando conhecer o beneficiário da sua ajuda. Seu interêsse pessoal sempre falará mais alto e se moverá em direção ao dia de amanhã pelo seu instinto de preservação. Aliás, o homem já nasce com necessidades. Durante a vida inteira, enfrentará obrigações morais, legais e de costumes, cumprindo-lhe coordenar esforços para supri-las. Tais necessidades às vezes o obrigam a alcançar metas intermediárias antes das metas finais. Conseguir ultrapassar cada uma delas é alcançar a felicidade por etapas. Isso acontece, por exemplo, na execução de um trabalho. Quantas vezes o homem exerce uma atividade que não lhe dá prazer algum? No entanto, executa-o, por ser essa a única forma de conseguir os meios que atendem à sua necessidade primeira de alimentação. A felicidade plena, porém, êle nunca alcançará. Ela é como o horizonte, que se afasta à medida que o homem caminha em sua direção. Após atingir cada meta intermediária, sente-se bem mas continua a sonhar com novas metas. Enfim, é a luta diária a canalização das

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esperanças, o “motor” da própria vida. O homem, para não morrer de fome, busca os meios de se alimentar. Também é de sua índole não morrer de inanição, com poucas excessões.

Características:
Neste ponto, para entendermos um pouco mais da mente humana, falemos das características que a compõem e que definem o comportamento do homem na condição de agente da integração das Energias Cósmicas, em benefício da humanidade. O órgão a que comumente chamamos de cérebro humano, na verdade é o encéfalo. Contido na caixa craniana como parte do sistema nervoso central, o encéfalo se divide em cérebro, cerebelo e bulbo raquidiano. O cerebelo, localizado na parte póstero-inferior da base do crâneo, controla as funções motoras. O bulbo raquidiano coordena toda a sensibilidade das vísceras além da coluna vertebral. E o cérebro, por sua vez, ìntimamente ligado ao sistema nervoso central, é a sede da inteligência, do juizo e da imaginação. Com nervuras, fissuras e circunvoluções, êle se constitui de uma massa cinzenta (neurônios) e uma branca (fibras), que totalizam cêrca de 100 bilhões de células e pesa quase um quilo e meio. O cérebro divide-se em duas partes (direita e esquerda) interligadas, é recoberto pelas meninges e totalmente irrigado pelo sangue. Cientistas modernos consideram o cérebro, por suas funções distintas, em Límbico, Reptiliano e Pensante. O Límbico, também chamado de Inteligência Emocional, seria o conjunto de certas estruturas nervosas, como o hipotálamo, coordenador das funções endócrinas (glândulas), metabólicas e de sobrevivência do organismo. Êsse sistema do cérebro desempenha importante papel na memória, sente e provoca todas as emoções humanas (amor, ódio, prazer, ciume, saudade etc.) e ainda controla o comportamento alimentar, sexual e social do homem. Imagine como seria a vida sem a música, sem pinturas, sem poesia, sem os prazeres de dançar, de alimentar-se, de torcer por um clube, de namorar, de ter atração sexual ou de conversar ! Quem nunca se arrependeu de alguma coisa feita ou não feita antes? Errar é humano. É caindo que se aprende a andar ! O sistema límbico sabe o que é prazeroso ou agradável, mas não sabe o que traz consequências boas ou ruins para nós. É o responsável, portanto, pela nossa felicidade ou infelicidade (Veja, mais à frente, o sub-título: As emoções). A função Pensante do cérebro (também chamada de córtex cerebral) é a que toma decisões, que analisa os fatos para nos dar conhecimento do que seja bom ou mau. Utiliza uma camada de dois milímetros de espessura, revestindo toda a superfície dos dois hemisférios. É a massa cinzenta. Cada parte controla os movimentos de cada dedo, do joelho ou do lábio. Todo o seu mapa já foi desenhado, por Penfield. Na parte sensitiva são interpretados os conhecimentos vindos dos cinco sentidos humanos e toda a sensibilidade do corpo. Mas ainda não há definição sôbre ¾ partes do cérebro, que se acredita estar relacionado com o “pensamento”. Pensamento, tècnicamente, é uma reação química, própria dos neurônios e de suas sinapses (ligações). É mais definido como “o conjunto de processos pelos quais o homem estabelece relações com a realidade material e elabora conceitos”. Pelo cérebro, temos consciência de que existimos e de que vivemos de acôrdo com nossa vontade. As atividades das funções Reptilianas são expontâneas. Ninguém pensa para respirar, sentir seu coração batendo ou para perceber a fome, a sêde, o frio e o apetite sexual. Êsses fenômenos são automáticos e instintivos, garantindo a perpetuação da espécie e o equilíbrio da natureza. Controla-se pela nutrição, pela atividade sexual e pelo repouso (daí seu nome). É estranho, mas há indivíduos assim, como o lagarto: De cérebro simples, não se preocupam com o progresso, o trabalho, o estudo e o futuro.

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Nossos pensamentos e sentimentos, não obstante, estão além da terceira dimensão do cérebro, como matéria. São fenômenos de alta frequência energética, que jamais poderão ser explicados pelas leis que regem a matéria. Mente, genèricamente, é o conjunto das faculdades intelectuais: entendimento, inteligência, idéia, imaginação, emoções, intuição. Em psicologia, é a totalidade dos processos psíquicos, conscientes e inconscientes, regidos pelo cérebro e pelo sistema nervoso central, os quais dirigem o comportamento da consciência humana. A consciência é elaborada no cérebro e se manifesta através do pensamento, do raciocínio, da percepção, da vontade, da memória ou da imaginação. É a função mental que dá às pessoas a sensação de serem únicas no mundo. O homem, desde cedo, sempre sabe o que quer. Busca alcançar os seus objetivos, quaisquer que sejam, com menos ou mais impetuosidade. Portanto, o homem faz o bem ou faz o mal porque tem determinação, livre arbítrio. Daí ser bom ou mau por sua própria índole. Não há como modificar isto. Aliás, ser bom ou ser mau é consideração muito relativa, porque muitas vezes o que é ruim para uns é um bem para outros, e vice-versa. A mente é todo o mecanismo que existe dentro do cérebro e o faz funcionar psìquicamente, como máquina perfeita. Tem enorme capacidade de expansão e adaptação. Por isso, sendo bem trabalhada, desenvolve mais ligações entre os neurônios (sinapses). A mente humana se subdivide em: Consciente, pelo qual o homem raciocina e tem a noção exata das coisas, e Sub-consciente (ou inconsciente), que age como repositório, sem o nosso contrôle. O Consciente se subdivide em Raciocínio (pelo qual o pensamento faz o encadeamento dos juizos com vistas a uma conclusão) e Intelecto (que é a faculdade de percepção e compreensão das coisas de modo distinto). Inteligência é a capacidade do intelecto, medida em graus, variando de pessoa para pessoa. Mas é usual ser ela usada também como sinônima de raciocínio. A mente humana funciona a vida inteira e abrange uma considerável gama de conhecimentos, a saber: 1) os inatos, que vem de nós mesmos, como a dor, a fome, a sêde, as necessidades orgânicas, os hábitos adquiridos etc. São percebidos diretamente, sem passar pela memória. 2) os adquiridos, que os nossos cinco sentidos nos trazem do mundo externo. Vão para a memória, que vai fixá-los com maior ou menor intensidade, conforme o interêsse ou a emoção por êles causada. A mente amadurece com o tempo. Na sua evolução a partir dos primeiros dias de vida, ela aprende a aprender tudo. Só não se pode saber como. Um bebê nasce com ela, claro, já trazendo algum conhecimento inato. Mas só vai desenvolvê-la com o seu crescimento físico. Cada vez mais êle vai trabalhar todos os fenômenos a seu alcance, inatos ou adquiridos, ordenando-os e interligando-os para conclusões posteriores. Desde cedo o bebê já tem condições de formular pensamentos, embora de forma menos intensa. E também de criar ilusões e hipóteses com a sua imaginação. A mente é autônoma e livre para pensar o que quiser, quando quiser. Jamais recebe influências de algum mundo superior, por mais que alguns religiosos teimem em colocar na cabeça dos homens que êles também vivem num mundo espiritual, onde dependeriam de Deus. Preferimos, por enquanto, nos ater ao fato simples de que somos apenas pequena parte do mundo material (natureza), onde agimos com a fôrça psicológica gerada por um motor: a nossa Essência Vital, que transmite energia permanente a tudo enquanto a vida durar. São características da mente humana: a Personalidade, o Raciocínio e a Imaginação (sub-títulos autônomos), a Emoção, a Intuição (v. fenômenos, no final) e o Sub-consciente. Mas o cérebro engloba ainda a Memória e a Coordenação Motora. A Memória é só repositório (arquivo) de todos os conhecimentos, ligada ao Consciente e ao Sub-consciente. A Coordenação Motora é a parte do cérebro que controla a movimentação dos músculos. Não depende da razão.

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Basta a mente querer e ordenar que andemos, por exemplo, para que o façamos automàticamente. Sonhos são meras manifestações do que já está no Sub-consciente. Inspiração é a liberação, pelo sub-consciente, de matéria já arquivada, para fornecer à razão meios de formular raciocínios. É de intuito criativo, mas não vem quando se quer e aparece muito nos sonhos, durante a noite.

A Personalidade:
É o conjunto das particularidades de cada indivíduo, de fatores que provam a sua identificação dentro do universo de sêres humanos. Sendo o homem o único sêr racional, é a personalidade de cada um que o torna diferente dos outros homens. A personalidade se forma por meio de: a) A hereditariedade (inarredável); b) A escolaridade (aprendizado cultural provindo da própria vida, dos pais ou das escolas); c) O ambiente (meio em que êle vive). É extraordinàriamente convincente a evidência de que a evolução dos sêres vivos é real e não obedece a nenhum princípio divino, a não ser o de adaptação ao meio-ambiente (José Goldemberg - Reitor da USP). Pela hereditariedade, o homem traz, na sua Essência Vital, algumas das características dos cromossomos paterno e materno. Pela escolaridade, uma boa orientação de pais ou mestres, no ensino que constituirá a sua cultura, vai trazer benefícios de aprimoramento da sua personalidade natural. E, quanto ao ambiente, se êle crescer em companhia de bandidos, com certeza aprenderá e se motivará para seguir o mau exemplo, podendo, assim, vir a ser um novo elemento rejeitado pela sociedade.

As necessidades humanas:
São muitas as necessidades físicas que o homem deve atender durante toda a sua vida. Já ao nascer, a primeira delas é a fome, sendo o leite da mãe o seu melhor suprimento, por já chegar imaculado, isto é, isento de qualquer agente externo que o possa infectar. É oportuno mostrar aqui o magnífico trabalho elaborado por Abraham Harold Maslow, falecido em 1970. Êle determinou as necessidades básicas e as dispôs numa hierarquia de importância e prioridade: 1) as fisiológicas (fome, sêde, abrigo, sono); 2) as de segurança (sobrevivência física); 3) as de relacionamento (aceitação pelo meio); 4) as de estima e status (relevância, domínio, reputação, prestígio); 5) as de auto-realização (desejo de conhecer, compreender, sistematizar, organizar e construir um sistema de valores). As primeiras, fisiológicas, dominam o comportamento da pessoa até serem satisfeitas. Em seguida, as segundas se tornam preponderantes e, assim, na mesma ordem, chegaremos as últimas. Claro que a necessidade mais básica a qualquer sêr humano é a alimentação. Os mecanismos geradores das sensações de fome e sêde são sinalizações críticas do organismo quando privado de alimentos sólidos ou líquidos. Enquanto não satisfeita essa necessidade, o sêr humano simplesmente não se dispõe a priorizar mais nenhuma outra ação. Não raciocina de forma coerente e objetiva, com bloqueio das iniciativas para as outras necessidades. Por ciclos biològicamente pré-determinados, nosso organismo reclama por uma parada técnica, até mesmo

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para processar e transformar os alimentos ingeridos, melhor oxigenar as células, ou fazer fluir para o sangue novos suprimentos de proteinas, vitaminas, cálcio, amido etc. Daí a necessidade do repouso e do sono, percebidos pela sensação de cansaço. A necessidade de abrigo é a defesa contra ataques de animais ferozes, de outras violências, ou exposição ao sol, vendavais, raios, furacões e outras intempéries. Daí a evolução das primeiras casas de pedra, cavernas e tendas para as construções do mundo moderno. Como sêr racional, o homem tem plena consciência da sua necessidade de sobrevivência. É muito diferente a colocação de uma arma carregada na boca de uma serpente ou na cabeça de um outro homem. Enquanto a primeira se volta com a picada fatal, o segundo sentiria, no mínimo, medo e pavor, pois teria consciência da morte. Assim ocorre diante da guerra, das rixas, dos instrumentos perfurantes, de abismos, acidentes, vícios, doenças e fadigas. Portanto, a necessidade de segurança é fundamental, a menos que se esteja com fome, sede ou sono. E explica Maslow, na sequência, que o homem precisa relacionar-se com os demais membros da sociedade, como seus parentes, vizinhos, companheiros de trabalho, de clube ou de escola, para, depois, buscar o status de Domínio, reputação, prestígio ou notoriedade. A necessidade da auto-realização do sêr humano, portanto, decorre da busca pessoal de cada um pela ampliação do seu próprio conhecimento, considerada a sua capacidade de plena compreensão do mundo em que vive, para, finalmente, estabelecer as suas metas e realizá-las com sucesso. Mas isso só será possível se êle não estiver faminto, sedento, insone, ao relento, inseguro e desprezado.

O Sub-consciente:
O Sub-consciente do homem, também chamado de inconsciente, se constitui de um extraordinário repositório de informações. Não tem noção de tempo (regressão). Localizado junto ao tálamo, êle não interpreta os fatos como o consciente e pode também ser provocado pela emoção. Recebe imagens, pensamentos e sons, que vão permanecer sempre latentes. Além de comunicar-se com a parte consciente do cérebro, o Sub-consciente de algumas pessoas possui a aptidão especial de comunicar-se também com os subconscientes dos outros homens, e até mesmo com a vontade de certos animais. Impossível? Pois é o que deu origem à telepatia, à hipnose, à regressão e à psicanálise de Freud, como ciências. Êsse conjunto de relações do Sub-consciente com o próprio passado, com terceiros ou com fatos novos, é que muitas vezes justifica cientìficamente certos fenômenos que fogem ao Consciente. Pois a memória consciente é falha, enquanto que a subconsciente, quando provocada, pode aflorar ao nosso consciente a qualquer instante, ainda que lá registrada há décadas. A hipnose ou telepatia explicam melhor êsses fenômenos, valendo aos interessados pesquisarem para obterem conhecimentos mais específicos sôbre o tema. Essa realidade do subconsciente há até quem a considere como sendo nosso sexto sentido. Não é a todo instante que o artista, de qualquer área, tem inspiração. Um escritor, pintor ou compositor não pode utilizar o seu dom quando quiser. É preciso sentir o momento oportuno para trabalhar. Aí então, inspirado, sua arte fluirá de modo franco e fácil. Ela provém do subconsciente e não adianta o consciente pretender que seja “agora”. Há quem formule seus pensamentos, por exemplo, de madrugada, após cinco a seis horas de bom sono. Nesses momentos, sua mente consciente se encontra receptiva às sugestões vindas do Sub-consciente. Ocorreu com vários Autores, como R. L. Stevenson, autor de “O médico e o monstro”.

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Há outros casos, ainda, que têm relações mais diretas com o Sub-Consciente, como: uma pessoa com dupla personalidade; as crianças consideradas “gênios” porque fazem cálculos às vezes mais rápidos que uma máquina de somar; pintores que, sem os membros superiores, criam sua arte com os pés; pessoas que fazem coisas incríveis enquanto sonâmbulas, como falar lingua desconhecida de um antepassado etc. O próprio filósofo Sigmund Freud afirmou que as escolhas amorosas não são feitas ao acaso, mas a partir de aspectos inconscientes. Isso explicaria o porquê de a mente humana não ter poder de contrôle sôbre as emoções. Pode ser que um aspecto do sub-consciente “encontre” um paralelo ou uma complementação de que necessite numa outra pessoa... e por isso a atrai, até mesmo para amizade entre pessoas do mesmo sexo. Suponhamos, agora, que estamos dormindo... e sonhando. Todos nós já tivemos muitos sonhos (bons) e pesadelos (ruins). No sonho, o nosso Sub-consciente, pesquisando nos repositórios na memória, faz ligações entre alguns dos fatos ali registrados e cria uma estória, fazendo-nos acreditar que estamos vivendo, então, uma realidade. Na maior parte das vezes, um pequenino fato ocorrido durante o dia vai ser transformado, durante o sonho, num relato fantasioso, quase sempre assustador. Então, ainda dormindo, vivemos essa ficção e não temos idéia de que se trata de um mundo irreal, e muito menos pensamos na existência de outro mundo, que seria êste dos acordados e conscientes. Sòmente após acordarmos, utilizando então o consciente, é que vamos perceber que a estória vivida no sonho não passou de uma ilusão. E então, cabe a pergunta: Será que êste nosso mundo, verdadeiro, seguindo a mesma relação de causa e efeito, não passa também de um sonho irreal diante de um outro mundo maior, que seria, êle sim, verdadeiro? Isto é apenas suposição, imaginação, porque não temos como obter uma resposta precisa. No entanto, a hipótese nos deixa muito para pensar. É possível que existam, sim, outras mentes superiores às nossas, até convivendo conosco no mesmo universo! Mas não poderemos jamais conhecê-las.

As Emoções:
A Mente humana cria hábitos, vontades, manifestações e repressões, e ainda sente as Emoções, que independem do Raciocínio e da Imaginação e nem sempre são controláveis. Já disse Mark Twain que o homem é o “único animal que se ruboriza”. Muitas vezes elas surgem como perturbação passageira, provocada por boa ou má notícia ou por uma sensação de perigo. Outras vezes é de ordem moral ou afetiva, que acaba gerando impulsos independentemente da razão, como acontece numa paixão entre sexos opostos, ou num sentimento duradouro de ódio ou de vingança. As emoções fazem parte do mecanismo neurológico de uma decisão do intelecto. Além disso, certas emoções podem até nos trair. Justamente por serem independentes, muitas vezes levam o raciocínio a simplesmente deixar de agir, como se “esquecesse” as próprias faculdades. Por exemplo: O homem, ou a mulher, percebe muitas vezes, conscientemente, que o objeto da sua paixão não tem afinidades com o seu próprio temperamento ou modo de pensar. E chega a admitir até um certo risco numa aproximação maior entre ambos. No entanto, “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. A própria ansiedade poderá bloquear a razão, não importando a condição social do amado, a sua escolaridade, a sua vida pessoal, os seus problemas de família ou a sua religião. Porque deveria a mente pretender que essa atração fosse refreada? Ainda que a sociedade a repudie e alguns religiosos a considere como “coisa do diabo”, o fato é meramente natural, que pode acontecer a qualquer momento, sem que se saiba porque. A existência do diabo, sim, não passa de consideração estúpida da mente daqueles que não querem ver um palmo à frente de seu nariz.

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O que seria essa emoção chamada de amor? Pois é simplesmente um sentimento, que não tem forma nem medidas. Aparece quando nem esperamos e, muitas vezes, quando nem queremos. Pode sair da toca por causa de um pequeno detalhe na “outra metade”, como a beleza física, a inteligência, o vigor ou outros atributos. E não é racional, pois faz a atração dos corpos masculino e feminino por instinto, como partes de um motor autônomo de reprodução da espécie. Por isso a razão humana não o controla. Enfim, no mundo, tudo o que se refere a sentimentos se baseia na bipolaridade: corpo x alma; amor x ódio; bondade x maldade; alegria x tristeza; sucesso x derrota, sabedoria x ignorância. Ora, se considerarmos que Deus nos tenha criado, por que então Êle não nos deu apenas o lado bom, como a sabedoria, a alegria e o sucesso? Por que temos de conviver a todo instante com problemas? Por que existem grandes disputas, terrorismo ou guerras, em lugar de um amor fraternal entre todos os homens? E por que não há govêrnos e juizes super-humanos para garantirem, com justiça, a tão sonhada paz universal? Em bilhões de anos de existência do mundo, a vida dos homens não passa da média de 50/80 anos. Êles nascem, vivem com alegrias e tristezas, e morrem depois, sem possibilidade de qualquer volta. Fazemos parte de um ciclo desconhecido. Então, assim limitados no tempo, porque não procurarmos usufruir aqui, tanto quanto possível, de tudo o que aqui existe de bom? Se tivermos “nova vida” depois, como nova etapa de uma realidade muito maior, quem sabe viremos a ter um novo raciocínio e novas emoções! Por enquanto, só podemos torcer para que aquela etapa seja melhor do que esta.

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CAPITULO XXX A RACIONALIDADE HUMANA
A Imaginação:
Antes de entrar no estudo do Raciocínio, falemos da imaginação humana. Sua função é criar fantasias em torno das realidades. Quando analisamos alguma coisa concreta e buscamos as razões lógicas de sua existência, estamos raciocinando. Partindo, porém, da mesma coisa, podemos criar em nossa mente apenas a idéia de que ela tenha se originado desta ou daquela forma. Estaremos então imaginando. A imaginação ”inventa” fatos ou fenômenos “em cima” de fatos atuais ou anteriores aos que se esteja analisando. E que podem, até, nem ter ocorrido. Meras hipóteses não apresentam nenhuma relação de causa e efeito. Criar ficções é muito mais fácil do que raciocinar, porque não há compromisso com a verdade. No fundo, o homem tem preguiça de raciocinar. Há até um adágio popular americano que afirma o seguinte: De toda a coletividade humana, 96% não pensa, enquanto 3% pensa que pensa e apenas 1% pensa. No âmbito das religiões, a maioria dos membros da igreja não se preocupa com as informações recebidas do seu pastor ou sacerdote. Simplesmente acredita nelas como se fossem verdades absolutas e incontestáveis. Às vezes alguns poucos até acabam pesquisando as fontes mais a fundo, porém, por interêsse pessoal e não pelo resultado da pesquisa, ou para “montar uma nova igreja”. Na condições em que se encontram hoje as igrejas, principalmente as protestantes, isso é até muito fácil... e rentável. Toda imaginação quanto a Deus, no entanto, vai sempre esbarrar no fato simples de que não há como se conhecer o intrínseco do universo e, por consequência, não se pode explicá-lo. E muito menos “quem o tenha criado”. Nossa mente não tem como chegar a qualquer fato ou fenômeno anterior à existência do mundo, ou superior à sua grandeza. Nem a teoria do átomo de Demócrito e de Lavoisier nos leva a conhecê-lo. Somos sêres racionais, mas infinitamente insignificantes para falar com lógica, de dentro do universo, sôbre sua criação, sua origem e seu destino.

O Raciocínio:
Os animais irracionais, impulsionados por sua Essência Vital durante toda a vida, agem sòmente pelo seu instinto, principalmente quando têm de procurar alimentos para a sobrevivência e a preservação da espécie. É assim que defendem seus filhotes com a própria vida ou atacam quando estão com fome. Não pensam e, por isso, não têm metas a alcançar e nem capacidade para se aprimorarem. Falta-lhes toda e qualquer noção de perigo. Já conhecemos a origem do homem, a partir da Essência Vital. E sabemos que êle, do nada, passou a ser uma das peças físicas do universo. Como realidade, o homem não passa de uma massa de órgãos, de nervos e de músculos, que, no entanto, também imagina, raciocina, tem memória, vontades, emoções e intuição. Como único sêr racional, tem condições de entender as coisas que o rodeiam. Pode analisar as relações de causa e efeito, buscar as premissas e chegar sempre a uma conclusão. Não pode alterar as leis da natureza, como escolher o sexo de embriões ou mudar os gens de uma semente, mas pode e deve agir livremente de acôrdo com a sua consciência. Enfim, pode

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organizar o próprio trabalho, em paralelo com a Essência Vital ou em integração com parte das Energias Cósmicas, independentemente do ciclo natural de cada uma delas. O Raciocínio tem a capacidade de criar a partir de fatos da memória ou dos fenômenos empíricos trazidos pelos sentidos. Não comporta dupla interpretação. Se nada acontece por acaso, se existe um efeito, terá havido fatalmente uma premissa. É a lógica de tudo. Então, o que é lógica? É a ciência do próprio raciocínio. Ou o conjunto das leis e regras relativas à dedução, à análise dos fatos e objetos conhecidos pelos cinco sentidos ou já armazenados na memória. Vejamos o silogismo: Se todos os sêres vivos são mortais e se todos os homens são sêres vivos, a conclusão é a de que todos os homens são mortais. Diante do cosmos, o homem vive em estado natural, com suas limitações. Parecem ser mais inteligentes aqueles que conseguem alcançar maiores metas, ou por serem dotados de mais conhecimentos específicos ou por serem mais rápidos em suas conclusões. No entanto, se todos somos diferentes, os que parecem menos dotados também apresentam outras aptidões em setores diferentes. Assim, quando um homem apresenta tendências para ser médico, por certo não seria um bom engenheiro. E um bom calculista jamais terá facilidade com redação. Ninguém é perfeito em mais de uma profissão ou atividade. O cérebro humano se desenvolve muito mais quando exercitado, como acontece com qualquer músculo do corpo humano. O fator inteligência é genérico e genético, tornando as pessoas menos ou mais inteligentes, da mesma forma como são mais altas ou mais baixas na estatura. E é mais inteligente aquele que possuir maior número de conexões ou combinações entre as suas células nervosas (sinapses dos neurônios). Sòmente o “homo sapiens” dentre trinta milhões de espécies vivas, desenvolve inteligência superior. Nem em relação às cinquenta bilhões de espécies que já desapareceram da face da terra houve quem tivesse atingido o estado cerebral atual do homem (Rev. Veja, ed. 1731, pág.133). Krishna, Cristo, Buda, Elohim e Maomé, por exemplo, só foram mais sábios porque tiveram mais QI do que a média da inteligência humana. Dentro de suas comunidades, cada um deles se destacou e foi chamado de profeta, por ter feito algum bem à humanidade, ainda que “sob a inspiração ou vontade de um Sêr Superior”. Krishna, por exemplo, 3000 anos a.C., foi quem falou pela primeira vez numa Inteligência Universal. Por isso, além do grau de inteligência que trouxemos “de bêrço” através dos cromossomos de nossos genitores, ou adquirimos através dos meios de comunicação, como o cinema, a TV e o computador, é importante estimularmos o nosso cérebro com tarefas diversas e permanente escolaridade (leituras, aprendizado de outras línguas, cálculos financeiros etc.). Assim, com maior agilidade e desempenho, o cérebro devolverá maior benefício a todo o nosso organismo e, por extensão, à comunidade. Os homens não são iguais entre si, nem fìsicamente, nem quanto ao intelecto e à memória de cada um, dada a quantidade fantástica das funções e a interatividade de cada órgão. Nem os gêmeos univitelinos são iguais entre si. Impossível medir-se o grau de criatividade ou das emoções do sêr humano. A inteligência é também dinâmica. Sempre evolui, desde o primeiro chôro na vida. Depois adquire conhecimentos e, com o raciocínio, cria matérias novas por fusão com outras antes apreendidas. E ainda cria fantasias. Por isso, o primeiro homem, desde a criação do mundo, agiu como sendo o mais forte, ou “o senhor de todas as coisas”. Construiu abrigos, buscou alimentos, trabalhou, produziu descendentes e trocou experiências.

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No início da evolução, o homem podia tudo, tanto para o bem como para o mal. Percebendo, então, que, organizado em grupos, êle poderia mais do que se agisse isolado, organizou Govêrnos para impor e manter certas regras de convivência. Quanto aos Govêrnos, sua principal missão era agir com autoridade para limitar os direitos individuais de cada um em benefício da vida em comum e, assim, evitar que os homens se matassem entre si. Ou que males coletivos se sobrepusessem ao bem comum. Estimulou cada cidadão a respeitar a liberdade dos demais e a merecer, com isso, o mesmo respeito. Todos os atos e leis dos Govêrnos, portanto, buscando sempre um senso de justiça, contribuiram, e muito, para a manutenção da convivência pacífica através dos tempos. A capacidade de raciocinar nunca foi sem-limites. O pensamento humano move o mundo mas não ultrapassa aquele limite com algum mundo Superior. E, dentro dêste “nosso” universo, sentiu a necessidade de “supor” a existência de um Deus, Criador, fazendo com que surgissem, assim, as primeiras religiões. Além disso, fez o mundo evoluir, tornando-o moderno e civilizado. Se assim não fosse, o mundo continuaria, como na estória da “Arca de Noé”, a ser a mesma unidade primitiva, com os primeiros animais e plantas a se reproduzirem, mas sem aprimoramento ou organização. Seria apenas um amontoado de coisas. Daqui “de baixo”, então, concluimos: Há duas formas de questionarmos a origem do mundo: ou êle teve um início, para passar a existir, ou sempre existiu, sem início concebível. Se teve início, de alguma forma foi criado, por algo maior que êle e muito além da nosssa inteligência. Se sempre existiu, como coisa infinita, não temos como desvendar o mistério, já que nada existe sem ter tido um começo. Assim, sem conclusão alguma, melhor é nos conformarmos, desde logo, com a nossa ignorância. Dizem os religiosos em geral que, quando morremos, seguimos fatalmente para êsse mundo superior, onde nossa alma terá essência nova e distinta desta. Para êles, a nossa morte representa um dente da engrenagem maior, isto é, de um espírito global. Informação mais segura, porém, é a de que temos aqui uma vida natural, com duração em curva ascendente e depois descendente, até o nosso fim. Claro que a fôrça da vitalidade vai se alterando e diminui com a idade até a morte, natural ou imprevista. Há muita verdade nas palavras singelas ditas por um filósofo de botequim: “A lista telefônica é uma pequena prova do quanto somos insignificantes em relação à comunidade”. Por isso, o valor individual de cada sêr humano se pode também medir pela sabedoria de todo o seu povo. Sem pensarmos em Juizo Final, é possível, na evolução do próprio universo, que ainda viremos a ser substituidos por um povo diferente, como antes já aconteceu. Aí, nossa história, nossas artes, nossas obras de beleza talvez venham a ser tidas pelos novos habitantes como prova da nossa inteligência e cultura. Além disso, considerando a mística como justificativa para os grandes mistérios universais, é oportuno lembrar que sempre existiram homens espertos, com intuito de “atender” a certas carências da população. Dizendo-se “intermediários das fôrças divinas”, insinuaram-se como magos ou gurús capazes de obter, junto a Deus, a cura de doenças ou a solução de muitos problemas. Criaram as mais diversas formas de impressionar aos menos afortunados, como o tarô, as runas, a ufologia, a astrologia, e tantas outros jogos ou “ciências” sem base científica. Onde fica, então, a inteligência dêstes que “acreditam” na panacéia? Por que há pessoas assim que desprezam o maravilhoso conjunto de ramificações nervosas que as fazem pensar? Por outro lado, veja-se a perfeição dos cientistas, por exemplo, no cálculo até dos minutos em que ocorrerá um eclipse do sol ou da lua... e isso desde antes do Cristianismo ! Realmente, tudo é possível à inteligência humana, nos limites fisicos entre a grandeza das

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galáxias e a pequenez das divisões dos átomos. Por isso, é lamentável que nem todos os homens tomem iniciativas, em seu próprio benefício. Já disse Herbert Von Karajan, maestro alemão: “Quem decide pode errar. Quem não decide, já errou”. Tem o homem a capacidade inata de criar e construir coisas fantásticas, como já fez com o rádio, o telefone, a televisão, a informática e as viagens interplanetárias, tudo a partir dos elementos da natureza. A eletrônica, aliás, está cada vez mais avançada. Vejam-se os andróides ou robôs, que já fazem quase todo o trabalho humano: apanham no ar qualquer coisa, como uma bola de tênis atirada a esmo. Parece que têm olhos e “enxergam” a bola, com base na luz. No supermercado, o uso do código de barras mostra-nos que o dispositivo eletrônico “lê” os preços e os transmite para o monitor mais ràpidamente do que os leriam os nossos olhos. Nos Estados Unidos, um computador programado com avançados cálculos matemáticos jogou e ganhou o jogo de xadrez contra Kasparov, considerado então o maior campeão mundial e, por isso, imbatível nas disputas com outros enxadristas. Dada a sua evolução, até parece que o computador já interfere no raciocínio humano. Na verdade, êle não tem e nunca terá sentimentos, nem faz auto-programação, atributos exclusivos da inteligência humana. Ultrapassarão nosso cérebro? Jamais. Se o fizessem, chegariam a um mundo mais inteligível antes do próprio homem que o criou. É sabido que os computadores apenas fazem o processamento do que lhes tenha sido programado... pelo homem. Não quer dizer, porém, que a Informática chegou ao fim. Imaginemos o que ainda pode acontecer neste mundo dentro de alguns anos ou décadas, movido pelos raciocínios humanos ! Se a mente evolui com o passar dos tempos, do nascimento à morte de cada sêr humano, isso não significa que somos mais inteligentes do que os homens dos séculos passados. Apenas fazemos parte, agora, de uma inteligência coletiva mais desenvolvida a partir de fatos derivados de outros mais primitivos. Nós vemos todos os dias, por exemplo, que o telefone, a televisão e o computador vão sendo cada vez mais aprimorados. Não tem fim a evolução da própria inteligência! Analisemos, então, o conteudo da nossa própria mente. Abrange ela conhecimentos que provéem dos sentidos ou do raciocínio: a água que bebemos, a comida, o vestuário, o automóvel, o avião, as naves interplanetárias, a música, o perfume das flores e a maciez de uma alcôva. Tudo isso, tocando-os ou não, temos certeza de que existe, da mesma forma que o sol, as estrêlas e o satélite natural. Não vemos o ar, os gases, os micro-organismos ou um Pais distante. No entanto, não contestamos a existência deles porque raciocinamos. O raciocínio, enfim, é um meio de poderosa defesa contra o fanatismo, contra o convencionalismo mundano, contra a paixão sentimental ou partidária, contra a crença mística, contra a cegueira da fé e contra a dependência do espírito.

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CAPÍTULO XXXI AS MARAVILHAS DO MUNDO
Com ligeiras referências aos últimos Capítulos, ressaltemos que o universo se compõe de uma quantidade infinita de astros, estrêlas, planetas, enfim, mais de cem bilhões de galáxias. Nosso planeta, a Terra, é apenas uma parte insignificante da galáxia denominada “sistema solar”. Sua distância do Sol, uma estrêla de quinta grandeza, é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros. Não obstante, dali recebe energia e calor suficientes para manter a vida de seus habitantes animais e seus vegetais. Sua idade é de 4,6 bilhões de anos. A evolução do homem atual, no entanto, só é conhecida a partir de cêrca de 30 séculos ou pouco mais. Houve civilizações anteriores, já extintas, que, no entanto, deixaram entre nós rastros de sua existência. Provàvelmente, considerado o gigantismo dos dinossauros, é possível que os sêres racionais daquelas épocas, na Terra, fossem até muito diferentes do homem de hoje. Por isso, só podemos inferir as relações da sabedoria dêsse povo pela grandeza do universo. E dentro do período conhecido. Toda a pré-conclusão dêste Livro circunscreve-se, pois, ao nosso Planeta, onde o homem reinou e age como uma de suas formiguinhas operárias. Onde precisa lutar para não morrer de fome. Onde raciocina e vai modificando a natureza, em busca permanente de um conforto maior para si próprio e seus semelhantes, enquanto viver. Onde deve, a final, sentir-se livre e independente, sem prejudicar ao seu próximo. O que nem sempre acontece. A natureza é o conjunto das coisas palpáveis, é todo o mundo físico inserido no Planeta. É a base onde se encontram toda a fauna e a flora, enfim, todos os sêres em movimento. Já vimos que êsse movimento, por sua vez, é absolutamente natural e proveniente de duas energias autônomas, que se complementam: a Energia Cósmica (sub-dividida em muitas fôrças, a partir da luz do Sol e da gravitação da Terra) e a Essência Vital (sub-dividida em várias espécies animais e vegetais). O homem, por sua racionalidade, é o único sêr vivo em condições de agir conscientemente sôbre todas as coisas da natureza e do universo. Êle armazena os conhecimentos na memória, trabalha sôbre êles formando novos juizos, e está sempre em busca de maior confôrto para si próprio, para seus próximos e para a própria comunidade. A final, coordena tudo, no mundo terreno. Por isso, na mesma ordem, a Energia Cósmica, que mantém os relacionamentos externos das coisas da natureza e dá condições de sobrevivência a todos os sêres vivos, passa a ser aqui considerada como a Primeira Maravilha do mundo. A Essência Vital, aquele princípio ativo, universal e indefinível, que dá o primeiro impulso e mantém permanentemente a vida de cada animal ou vegetal na face da Terra, passa a ser aqui chamada como A Segunda Maravilha do mundo. E a Racionalidade do homem, que o torna distinto e superior em relação aos outros animais e o faz inteligente para agir sôbre as coisas da natureza, passa a ser aqui denominada como A Terceira Maravilha do mundo.

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CAPÍTULO XXXII PENSAMENTOS RELIGIOSOS E FILOSÓFICOS:
Vivemos a civilização do conhecimento, mas não da sabedoria. A sabedoria é o conhecimento temperado pelo juizo. (Arnold Toynbee - Historiador inglês) Só a verdade pode libertar a humanidade das garras da ignorância. (Jesus Cristo) Eu sou o homem mais ambicioso do mundo. Pretendo me tornar um Nada. (Ghandi) A salvação do mundo não está nas mãos dos caridosos. Está nas mãos dos talentosos. (Roberto Campos - Diplomata brasileiro) O melhor modo de viver em paz é nutrir o amor-próprio dos outros com pedaços do nosso. (Machado de Assis - Escritor brasileiro) Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir. (Sêneca - filósofo romano) Quando me perguntam: O que é Deus? Eu não sei. Mas, se não me perguntam, eu sei. (Santo Agostinho) Sôbre Deus, sabemos mais o que Êle não é, do que o que Êle é. (Santo Tomás de Aquino - Teólogo italiano) Olha, meu senhor, onde está Deus eu não sei, não senhor. Mas será que o senhor poderia me dizer onde é que Deus não está? (Um caboclo) Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima. (Louis Pasteur. Deus não pode ser definido. Deus pode ser sentido na medida em que a mente é direcionada para dentro. (Yogananda – Zen-Budismo) Deus não é intelecto, mas a causa do intelecto; Deus não é o sopro, mas a origem do sopro; Deus não é luz, mas a causa da luz. (Trimegisto) Herege não é aquele que arde na fogueira, e sim aquele que a acende. (William Shakespeare - Escritor inglês.

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Dê ao homem um peixe e você o alimentará por um dia. Dê-lhe uma religião e êle morrerá de fome enquanto estiver rezando por um peixe. (Desconhecido) Religião é uma bobagem. Nunca vi a mais simples prova científica das idéias religiosas de céu e inferno, de vida futura para os indivíduos ou de um Deus pessoal. (Thomas Edison - Inventor americano. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ópio do povo que torna o sofrimento suportável. O primeiro requisito para a felicidade da pessoa é a abolição da religião. (Karl Marx - Filósofo alemão) Todas as religiões foram feitas por homens. É excelente materia para manter a calma da humanidade. (Napoleão Bonaparte - Político francês) A Ciência sem a Religião é manca. E a Religião sem a Ciência é cega. (Albert Einstein) Muito fez o Cristianismo pelo amor, tornando-o um pecado. (Anatole France Escritor francês) Cristandade é a mais ridícula, a mais absurda e sangrenta religião que já infectou o mundo. (Voltaire - Filósofo francês) Cristo foi o único anarquista que teve êxito. (André Malroux - Escritor francês) Fanático é quem não pode mudar de idéia e não quer mudar de assunto. (Winston Churchill - Político inglês) Nem todos os burros são fanáticos. Mas todos os fanáticos são burros. (Jules Bastide Político Francês) Se as preces do homem são uma doença da vontade, então seus credos são uma doença do intelecto. (Harold Bloom - Crítico literário americano) Não há Absoluto, nem Razão, nem Deus, nem Espírito agindo no mundo, onde nada se mantém além do instinto brutal. (Arthur Schopenhauer - Filósofo alemão) Se a Biblia prova que Deus existe, uma revista em quadrinhos provaria a existência de Superman. (Desconhecido)

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Quando eu percebi que Deus não existe? - Bem, eu estava rezando e, de repente, percebi que estava falando para mim mesmo. (Peter O. Toole - Artista americano) Quero ir para o Inferno, não para o Céu. No inferno, gozarei da companhia de papas, reis e príncipes. No Céu, só terei por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos. (Niccolo Machiavelli - Filósofo italiano)

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CAPÍTULO XXXIII A EXISTÊNCIA DE DEUS
Oração ecumênica (matinal):
Todos os dias, o canal 05 (TV Globo), por volta das 5,30 hrs. das manhãs (após o filme do dia e desenhos infantís), tem transmitido lindas mensagens nas palavras de proeminentes representantes do mundo religioso atual, na seguinte ordem: católico romano (domingo), budista (2ª feira), judeu (3ª feira), católico ortodoxo (4ª feira), espírita (5ª feira), muçulmano (6ª feira) e evangélico presbiteriano (sábado). Cada um dêles apresenta, dia a dia, os conceitos, dogmas e ensinamentos das doutrinas das suas Igrejas. Porém, começam todos com esta mesma Oração Ecumênica: “Bom dia, telespectador. É com muita fé que desejamos a você, e devemos desejar uns aos outros, com toda a sinceridade, um bom dia. No interior de cada um de nós existe uma centelha divina, uma luz que provém de um Sêr Superior, que é o criador e protetor de todos nós. É a êsse Sêr Superior que oramos agora: Tú, que nos criaste, inspira-nos a agir com dignidade e decência, ensina-nos a amar e a respeitar o próximo como a nós mesmos, leva-nos a apreciar nosso semelhante não pela côr da pele, nem pela religião que professa, nem pela posição que ocupa na escala social, e sim pelas suas qualidades como ser humano, e acima de tudo pela nossa filiação divina. Mostra-nos que, por mais diferentes que pareçamos uns dos outros, somos todos iguais em tua presença. Ajuda-nos a confiar em ti, em todas as horas, quer estejamos sãos ou enfermos, quer esteja nossa vida difícil ou plena de realizações. Acima de tudo, faze com que encaremos o dia de hoje não como um fardo, mas sim como uma dádiva. Amigos, no raiar de um novo dia, há sempre uma mensagem de esperança. Digamos então com toda a fé e convicção: Bom dia.” Apesar das tendências ferrenhas de quase toda a humanidade em favor desta ou daquela religião, cada uma delas foi tratada no capítulo I com toda a imparcialidade. Comentouse o essencial de cada uma das doutrinas. E esbarramos, por vezes, em comentários muito apaixonados, sob a ótica da visão pessoal de alguns dos pensadores. Sabemos, por exemplo, que quem fala contra o Budismo ou a Seicho-No-Iê invariàvelmente vai criticá-los com os olhos de um católico ou de um evangélico. Quem se pronuncia contra o Islamismo ou o Hinduismo difìcilmente conseguirá fazê-lo sem demonstrar, por exemplo, que é católico ou judeu. Por isso, sem nenhuma paixão, encaramos ali o ponto de vista das religiões pelos aspectos exclusivos de cada uma delas, sem interferência de opiniões divergentes dos adeptos das demais.

A Fé religiosa:

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O título já é redundante, porque não há religião sem Fé e porque o seu conceito é um pouco diferente do conceito de crença comum. Fé seria a crença comum, mas especialmente dirigida a tudo o que se relacione com Deus, com a Igreja, com as coisas tidas como sagradas. A redundância, no entanto, é útil, não só para bem distinguí-la da crença pagã, como também para justificar aquela vinculação. Religiosos de todos os tempos já afirmaram que a Fé é um fenômeno congênito e distinto da razão humana. Há quem acredite seja ela apenas o resultado de um impacto direto com as coisas sagradas, assim consideradas por intuição e independentemente da capacidade de raciocinar. Seria apenas como um estado de alma. Recentemente, o próprio Papa João Paulo II, em sua encíclica “Fides et Ratio”, afirmou que ambas, a razão e a fé, devem coexistir e conviver. Para êle, a Fé, desprovida de razão, se arrisca a deixar de ser uma proposição universal, descambando para a superstição e o misticismo. Enquanto que a Razão, por sua vez, tem que ter mistério. As Igrejas tudo fazem para estimular cada vez mais a Fé de seus adeptos, com a orientação circundante de que tudo é sagrado quando se pensa ou se fala em Deus. Daí, qualquer um dos atos religiosos do homem, como beijar uma imagem ou praticar orações de joelhos, deve ser considerado sempre como um modo de agir em conformidade com aquele mandamento. Dizem que o homem precisa acreditar para sentir que cumpre a sua missão de amar a Deus, aos santos e às coisas sagradas. Levados por essa crença imposta, porém, os homens nem se apercebem que o ato de ter fé é apenas demonstração de sua insignificância diante da imensidão das coisas consideradas divinas. A Fé, na verdade, não passa de um mero produto da nossa mente, a partir dos conhecimentos trazidos pelos sentidos ou desenvolvidos pelo intelecto. Por isso, entender a Fé só pelo ponto de vista da religião é simplesmente desconsiderar a nossa própria capacidade dinâmica de pensar, atributo do sêr humano. Racionalmente, devemos acreditar, sim, naquilo que sentimos, nas percepções oriundas da razão ou dos sentidos. Por exemplo: estamos vendo ali um avião ou um pássaro, êste é o rosto de uma criança, aquela maçã é deliciosa, tal perfume é de jasmim, êsse é um trecho da ópera Carmen (ou de uma canção com Roberto Carlos). Trata-se de conhecimentos pelos sentidos de realidades incontestáveis. Sei, ainda, com certeza, que aquele menino existe porque decorreu de uma anterior junção de dois gametas, um masculino e outro feminino. Ou que aquela flor é produto de um cruzamento vegetal. Ou que o homem construiu êste edifício. Ou que dois mais dois são quatro. Aqui o conhecimento provém da lógica das coisas, do raciocínio que nos levou a concluir a partir de fatos anteriores como premissas. A fé religiosa, no entanto, não tem base onde apoiar-se e deriva só da condição de terem sido considerados transcedentais ou sagrados certos dogmas da religião. Se dissermos: Eu acredito que Deus existe porque Êle criou o mundo, ou em Santo Antonio, que me vai arranjar um bom casamento, ou em N. S. Aparecida porque ela me protege, ou em Santo Expedito, de quem recebi aquela graça, dá para se notar fácilmente que a fé de cada religioso não se vincula a qualquer relação de causa e efeito. Se a fé remove montanhas, nunca vimos montanha alguma removida só pela fôrça da fé. Nem é verdadeiro o fato de ter-se aberto o mar para a passagem de Moisés e sua comitiva, como uma das estórias bíblicas. Já tomamos conhecimento de muitas ocorrências que se explicam como sendo fenômenos sobrenaturais por não terem sido previstas ou aguardadas pelo ser humano. São fenômenos hoje muito estudados pela parapsicologia. O que não podemos é considerá-los como diretamente derivados do poder de Deus ou do Espírito Santo, ou em decorrência de pedidos, orações ou preces. Da mesma forma que nas mágicas, onde tudo tem

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aparência de realidade, mas nunca passa de bem elaborados truques. E ninguém diz que o mágico é santo. A Fé é muitas vezes a ostentação do homem, que é muito preguiçoso para pesquisar (Michael C. Knowles – Beneditino inglês). Por causa da preguiça de raciocinar é que surgem todas as religiões. Elas imaginam a existência de um Deus, criam místicas e teorias (às vezes até com má-fé) para levarem a massa humana a seguir as suas doutrinas e a acreditar nÊle, respeitando-O e adorando-O cegamente como a um “Pai Nosso”, sob pena de advirem, após a morte de cada descrente, severas punições. Ocorre que a grande maioria dos seres humanos, por não terem êstes nascido líderes, esquiva-se de pensar mais profundamente nas verdadeiras razões de ser de cada coisa. E apenas seguem o pregador. Por outro lado, os poucos que nasceram líderes, e se lançaram neste campo, dedicam-se a reunir o povo subserviente de uma congregação para transmitir-lhe o que ouviram de dirigentes anteriores ou que imaginaram como “sua” interpretação. E fácil aglomerar o povo menos esperto nessas reuniões. Quanto menor for a cultura ou a escolaridade dos membros de um grupo, maior será a sua frequência às Igrejas, aos cultos ou aos terreiros. Ficam esses adeptos tão entretidos com as palavras bonitas dos pregadores, quase sempre citando as Escrituras Sagradas, que passam sem maior dificuldade até a contribuir com dinheiro (dízimos) em favor dessas Igrejas ou seitas, “certos” de terem de mantêlas, muitas vezes até com sacrifício pessoal. Só a mente humana poderia imaginar um Deus assim, criador, dotado de vontades, para fazer o mundo a seu exclusivo critério. Como se pode acreditar num Deus que tenha criado os homens, com grandes diferenças entre todos êles? Por que não devemos simplesmente crer nessa premissa? É porque a nossa vida está ligada àquele ciclo gigantesco da Essência Vital, onde é irrelevante que se tenha fé, ou não, em questões sobrenaturais. Ora, se ter fé é um dom, a existir por si, autônoma e independente da razão, por que ela não está no íntimo de todos, indistintamente? Não estando, êsse Deus foi injusto, fazendo-nos diferentes uns dos outros. Ou então é natural que usemos a nossa própria inteligência, até mesmo para comentar essa questão da Fé religiosa.

Utilidade indireta das religiões:
Não obstante essa fria realidade de que a Fé não tem sentido lógico, muitos dos atos praticados pelas Igrejas levam no seu bojo algum efeito prático. O seu próprio lider, às vezes, mesmo não tendo boa escolaridade (na maioria dos casos), pode ter facilidade de argumentação, êsse dom inato de falar em público. Então, até acreditando no que lhe disseram os seus instrutores, prega em condições de convencer. Alguns o fazem até “com amor”, certos de que é justo o que apenas ouviram, ou leram, e o transmitem diretamente aos seus ouvintes sem qualquer preocupação com a verdade da informação. Além dessa corrente contínua de membro a membro, as Igrejas, no fundo, acabam fazendo algum bem ao povo, não no sentido espiritual, como preconizam, mas por vias indiretas, aproveitando a boa-fé dos crentes. Pedem, “em nome de Deus”, que êles não cometam esta ou aquela maldade, êste ou aquele crime. Se a finalidade da sua religião seja encaminhar os homens e mulheres “para o Céu”, ou fazer com que êles e elas fiquem “com Deus no coração”, os missionários geralmente levam a êsses fiéis um pouco de esperança em dias melhores. Êstes, por medo de uma repressão divina, se tornam bons, ou menos maus, com mitigação do seu eventual

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senso de agressividade ou violência. Tais dirigentes são hábeis em infiltrar nas mentes das massas o senso de que Deus castigará os que não orarem ou não se pautarem pela moral da Igreja. Se não é verdade, os crentes acreditarão nisso, por sua cultura pouco desenvolvida. E, sem perguntar por quê, apenas aceitam, como sendo sua própria, a Fé que assim lhes esteja sendo imposta. No fundo, se os meios não são corretos, os fins os justificam. Por seu turno, os membros das famílias dos frequentadores têm por hábito passar aos seus filhos, quando ainda pequenos, a obrigação de os acompanharem nos ritos ou práticas das Igrejas, seja para reforçarem os dogmas ou preceitos da “sua religião”, seja para neles despertar algum desejo oculto, quem sabe, de virem a se entregar ainda mais como futuros “pastores de almas”. As religiões em geral, enquanto apenas transmitindo orientações e evangelhos, sem promessas de cura ou de benefícios extra-terrenos, não fazem mal nenhum. É necessário, porém, ficar de olhos sempre abertos, quando os pregadores, de maior ou menor grau na escala de comando, tentam dirigir seus fiéis para idéias de vingança, ou quando os conclama para caminhos perigosos, destinados no fundo a só arregimentar novos membros. Pior, ainda, quando êles exigem sacrifícios ou cobram ofertas em dinheiro de quem nem ganha o suficiente para se manter com suas famílias. É importante ainda ressaltar que grande parte dessas pessoas menos cultas quase nunca se interessam em confirmar o fundamento lógico das “orientações” dos seus pastores, e apenas deixam-se levar por êles sob a simples argumentação de que “Deus quer que assim seja”. E é tão grande a disseminação pelo mundo de que essas “verdades” vieram do próprio Deus, que êsses participantes dos cultos, com raras excessões, não pensam sequer em conhecer o grau de sabedoria do missionário. Em geral, recebem como verdadeiro tudo o que lhes venha dos púlpitos ou das entrevistas. Não tem o missionário nenhuma segurança de que transmite uma informação precisa. É óbvio que se trata de um contínuo “ouvir dizer” passado à frente... e nada mais. Se as religiões simplesmente não existissem, êste mundo não seria, na sua essência, diferente do que êle já é. Os homens não estariam mais doentes, nem mais pobres. Assim, sendo a influência da religião, na mente dos homens, apenas psicológica, o único bem que ela pode realmente trazer é o conforto moral, pelo que chamam de Fé, de que com ela o homem “se sente melhor” ou “não vai cometer alguns dos males do mundo”. Com isso, a religião acaba sendo um freio aos instintos perversos do ser humano, evitando até, às vezes, que êles venham a aflorar! Que bom seria se existisse uma religião única, para consolo das civilizações, mas que envolvesse, na sua doutrina, a paz interior dos budistas, a organização dos católicos romanos, a fé dos muçulmanos (mas sem radicalismos), as parábolas dos judeus em favor do bem, e o marketing dos evangélicos ou dos padres cantores! Se isso fosse possível, o povo com certeza seria menos violento e haveria mais respeito ao próximo. O mundo teria mais paz e seria menos conturbado. Os pobres seriam menos miseráveis com a caridade sincera dos mais favorecidos, mulheres e homens teriam mais amor em seus corações e todos se sentiriam verdadeiramente bem atrás de um sorriso ou de uma gentileza. Surgiria, então, a consciência geral de que a beleza do mundo não está sòmente no verdor dos campos ou no ruido de uma cachoeira mas também no seu próprio sentimento de fraternidade. Uma comunhão entre os adeptos das várias religiões, no entanto, é muito difícil, não obstante algumas tentativas no final do século XX. Lembremo-nos de que recentemente a Igreja Católica Romana se compôs com a Evangélica Luterana no sentido de admitir que a salvação eterna não depende das obras do homem mas apenas da graça divina. E depois, em nome da Igreja, pediu perdão público pelo holocausto dos judeus imposto pelas Cruzadas no fim da Idade

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Média. No ano 2000, a Campanha da Fraternidade, visando a dignidade e a paz do homem, teve pela primeira vez um sentido ecumênico e foi divulgada também pelas Igrejas Anglicana, Metodista, Luterana, Cristã Reformada, Presbiteriana Unida e Ortodoxa, componentes do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), fundado em 1982. Não seria difícil que os homens de negócio se irmanassem e se organizassem com o intuito de promoverem, em caráter permanente, com absoluta lisura e sem nenhum interêsse pessoal, meios de arrecadação de bens imprescindíveis à melhoria de paupérrimas condições de vida em nossas cidades, com ou sem o retôrno de algum tipo de trabalho simples. Tais bens, ainda que “encostados” por não servirem mais ao capricho ou utilidade de quem os tem, são nada para o patrimônio dêstes e, no entanto, de grande valia para aqueles que, não sendo preguiçosos, muitas vezes não podem adquirí-los para manutenção de sua saude ou até da sua sobrevivência. Os membros da Igreja Universal do Reino de Deus, ao lado do mal causado com uma rigorosa arrecadação de dízimos de seus fieis, criaram também, em paralelo, uma Associação que, de certa forma, tem trabalhado naquele sentido, mas de forma ainda pouco satisfatória. O intuito aqui proposto é no sentido de que uma entidade assim beneficente não se restrinja a bens determinados e cumpra as suas metas em grande profundidade, de forma bem organizada e quotidiana, com a participação ecumênica de todas as Igrejas, Religiões ou Seitas, sem distinção. Se fôsse possível, como êste mundo seria melhor !

Deus existe?
O homem, com seu livre-arbítrio, é livre para pensar. Mas tem de considerar a liberdade de opinião dos seus semelhantes. As crianças crescem e acabam recebendo, principalmente dos seus pais, a mesma orientação religiosa que êles já professavam: evangélica, católica, muçulmana ou judaica. É quase impossível uma familia muçulmana, por exemplo, admitir que seu filho venha a crescer sob a orientação de uma Igreja Católica. Pense em Você mesmo, leitor, e analise qual foi a sua formação, enquanto você crescia. Teve liberdade de escolha? Ficou sabendo das diferenças entre as várias religiões para optar sòzinho por uma delas? Em quase cem por cento dos casos a resposta é negativa. Por isso, os filhos, sem o saber enquanto pequenos, acabam sempre seguindo a orientação de seus pais. Com todo o respeito à opinião dos religiosos e filósofos, e até discordando às vezes de algumas das suas proposições, reconheçamos que nenhum de nós tem o direito de impor nosso Deus a quem quer que seja. “O homem, por não conseguir entender a origem do universo, imaginou um Deus como seu criador” (Pensamento filosófico)”. O tema a ser agora dsesenvolvido vai mostrar a verdade racional, sem fundamento em premissas falsas. Isto é, não se vincula a nenhuma das religiões expostas neste livro, como também não se constitui em nova religião. As pessoas religiosas, que seguem a orientação de uma Igreja ou Seita, possìvelmente devam fazer agora um pequeno esforço mental. Melhor que leiam os arremates seguintes com a mente aberta e o coração vazio, desprendidos da própria crença. Devem manter-se conscientemente desarmadas, já que seus espíritos, prevenidos, podem não aceitar as novas ponderações só porque elas confrontam com certos dogmas e princípios. É muito forte a

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influência da religião na mente dos homens. Porém, se cada leitor analisar a exposição apenas com ansiedade natural, por certo terá mais condições até de criticá-la. A explicação do texto vem numa sequência natural de fatos já relatados em títulos e capítulos anteriores. É como os alpinistas, que estão sempre com um dos pés fincado na sua base de apoio. Se não se basear nas questões fundamentais levantadas pelos grandes pensadores, o leitor não compreenderá bem o relacionamento entre as várias filosofias, das quais se deduzirá a conclusão final. É importante, por isso, a leitura de todo o Livro desde o seu início. A curiosidade é sua, claro, mas é oportuno lembrar aqui, por metáfora, que a picanha é sempre mais saborosa quando comemos também as suas gordurinhas. Antes de entrarmos no estudo das ponderações a respeito de um Deus Transcendente ou Imanente, é importante que ressaltemos a definição de Deus. Se ninguém falasse em Deus, se ninguém o tivesse imaginado como criador do mundo, se ninguém tivesse relacionado todas as atitudes humanas com a coordenação e a vontade de um Deus, nosso mundo não seria diferente agora, nem pior nem melhor do que teria sido... sem Deus. E isto porque todo êsse universo segue rigorosamente, desde o início, às suas próprias leis de causa e efeito. É um encadeamento de fatos derivados uns dos outros, quer alguém queira, quer não. Seu ciclo de Essência Vital e sua Energia Cósmica são naturais e eternos. Não dependem de nenhum Deus. Se ninguém nunca entendeu a origem do Universo, também nunca poderá afirmar, com lógica, se, como e quando êle terá fim. Deus, para os religiosos, e mesmo para os filósofos, seria o Poder Supremo, maior do que tudo o que possamos abranger em nossa mente como universo. Seria apenas uma Energia, sem forma definida, ou uma Entidade corpórea semelhante a nós, ou, enfim, Algo ao qual o homem deveria sempre ficar submisso. Mas isto é apenas concepção da mente, sem qualquer comprovação científica. O homem pode pensar (e acreditar) naquilo que quiser. Porém, crer num Deus da forma como as Religiões determinam é atitude que lhe traz algumas consequências. Porque devemos “amar a Deus”, por exemplo, se o amor é um sentimento que depende só de nossas emoções e nem a mente pode controlar? O amor não deve ser imposto pela Igreja, como não podem ser exigidos para cumprimento, pelo homem, dos Mandamentos da Igreja Católica ou da Lei das Doze Tábuas dos muçulmanos. Uma das maravilhas do mundo, a Mente Humana, tem de ter liberdade, sempre.

Transcendência:
Quanto à existência de Deus, a Filosofia tem respostas a partir de premissas, enquanto que a Religião cria a imagem de um Deus, definido ou não, com toda uma estrutura e doutrina para recomendar fervorosamente aos seus adeptos que o ame, ou o tema. O adepto, porém, ao aceitar pacìficamente tal imposição, perde um pouco da sua própria personalidade. Os grupos afins se reuniram e foram levados a adorar um certo deus. Assim, cada povo criou a imagem mental de um deus quase sempre à semelhança de seus adeptos. Depois, êsses adeptos, invertendo a realidade do fato, disseram que êles é que são a imagem daquele deus criado por êles mesmos. Aos ocidentais Deus está bem caracterizado no “Credo”. Cada raça tem um deus na sua côr. No Velho Testamento há várias referências ao deus da época, de temperamento vingativo. É o reflexo do sentimento do próprio povo.

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No politeismo, pregam que existem vários deuses a adorar e, no monoteismo, que Deus é sòmente aquele que a Religião determina: ou Cristo, para os Católicos, Protestantes e Espíritas, ou Alá, para os Muçulmanos, ou Jeová, para os Judeus e as “Testemunhas”, ou Krishna, para os filiados à seita Hare Krishna, ou Elohim, para os Mórmons, ou Meishu-Sama, para os adeptos da Messiânica e, talvez, o Dalai-Lama para os Budistas. Para cada religioso só é certa a sua religião, com desprezo de todas as demais. Porque não somos todos iguais, seguindo uma só doutrina ou o mesmo conjunto de dogmas, se viemos do mesmo Criador? Se Deus criou o universo a partir do nada, que é a negação de tudo, como pode Êle mesmo ter existido antes da criação? (Pensamento sofista) Como podemos afirmar que Deus criou a Vida, o Homem e o Universo, se, pela Lógica, não temos como saber nem mesmo quem Êle é, que forma tem, onde está, ou se tem vida como nós e sentimentos para ser bom ou mau? E mesmo admitindo-se um Deus indefinido, onde estava Êle quando criou o universo? É possível, na sua mente, conceber algum lugar que estivesse fora do universo, antes da sua criação? O universo não é a abrangência de tudo? Qual seria a diferença entre a Religião e a Filosofia? É primordial conhecer essa diferença, principalmente porque os ensinamentos religiosos, tradicionalmente aceitos pela humanidade, apesar de tidos como inatacáveis pelos cristãos, judeus, muçulmanos ou adeptos de outra seita, não são verdades racionais! Êles se enraizaram na história, provenientes de algumas idéias de profetas medievais ou pensadores que, ao discursarem em público, aglutinaram multidões com os seus dons de oratória! A grande diferença é que a Religião considera “sagrado” tudo o que se referir a santos, igrejas ou cerimônias, exigindo de seus fieis que a acompanhe na orientação. A Religião sempre foi um aparato destinado a incentivar a adoração, por medo do castigo, do inferno ou de males futuros. A Filosofia, por sua vez, considera as suas conclusões como produto de un encadeamento lógico entre fatos palpáveis ou baseados no raciocínio humano, sem qualquer vinculação ou dependência de deuses transcedentais. A pior de todas as consequências para o ser humano é ter medo do castigo. Contorna a sua própria razão e fica submisso às palavras do pastor, do patriarca, do gurú ou do sacerdote. Acredita nas informações como se verdadeiras elas fossem, só porque dizem, aqueles pregadores, que as palavras vieram ou foram pronunciadas por Deus ou por um seu “representante”. Se o adepto então for ignorante ou com pouca cultura geral, mais ainda se insere nele o medo de Deus e mais ainda sentirá ele o efeito dessas mentiras, que nunca levarão a qualquer benefício pessoal. Nenhum Deus aparecerá jamais para suprir as deficiências dos homens ou a perda de tempo com as suas venerações.. Deus, seja êle Cristo, Buda, Confúcio ou Maomé, não é entidade que promove castigos, estabelece perdões, distribui graças e lavra condenações ou absolvições, de acôrdo com plano engenhoso e minucioso. As idéias de céu, inferno, pai celestial, anjos, arcanjos, querubins e santos são fantasias que contribuem para a formação, no homem, de um complexo de inferioridade. Sua faculdade de raciocínio fica cerceada, mesmo sendo êle intelectual. O sentimento de que Deus está acima do mundo (transcendência) envolve a quase totalidade de nossa civilização. Êsse Deus teria criado o mundo, com suas leis, e os homens, a obedecê-las ou infringí-las, como seus súditos. Administrando tudo, Deus perdoaria os fiéis ou os castigaria. E os homens, em oração, pedem ou fazem promessas por graças que acreditam sejam

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recebidas de Deus. E isso porque não conseguem dissociar as ideias de adorar das idéias de pedir. Nem pensam no fato de que falar dos seus problemas a Deus e pedir uma solução não passa de uma incongruência, já que Deus, com sua grandeza e perfeição, seria o primeiro (talvez o único) a saber daqueles problemas... e a resolvê-los, se quisesse. Não adianta pedir a Deus para acabar com as guerras, a fome e os preconceitos, porque êle nos deu os meios para que nós mesmos façamos isso. (H. Sobel – rabino) Se as religiões fossem revelar as verdades a seus adeptos, no tocante à fantasia dos perdões, da salvação, da mansão celeste, do paraiso eterno, de deus, do divino pai e outras invencionices, nenhuma delas se manteria de pé. Desapareceriam as fontes de renda representadas pela indústria dos santos de pau e de barro, das relíquias, dos “dízimos do Senhor”, das esmolas para os “pobres”, das rezas e de muitas outras práticas. Lembremo-nos de que o motivo fundamental das organizações religiosas é o dinheiro. É fácil, cômodo e rendoso o trabalho de sacerdócio. Êsse Deus não existe e não passa de mera fantasia. Muitos leitores entenderão esta afirmação como heresia. Daí a recomendação no início dêste Capítulo. Não vão se lembrar, prêsos ao que aprenderam, de que êsse Deus foi criado pelo homem, e, a partir de Cristo, à sua imagem e semelhança. Para os religiosos, é Sagrada ou Divina a própria concepção de Deus e as Escrituras como a Biblia, a Torá e o Alcorão. Na verdade, o Alcorão, a Biblia e a Torá não passam de um conjunto de normas escritas, que dizem terem vindo de Deus, quando foram elaboradas, coordenadas e retificadas sòmente e incontestàvelmente pela inteligência humana, através dos tempos. Serem sagrados significa: puros, perfeitos e intocáveis. Porém, naqueles livros sagrados das religiões monoteistas, há profanações, êrros, absurdos e até afirmações torpes. Vários textos originais da Biblia, por exemplo, já foram alterados para favorecer sistemas religiosos com funções rendosas, a propiciar fundos suficientes para sustentar com sobras a legião sacerdotal, sua mantenedora. Só a palavra “perdão”, nela introduzida, já produziu, e ainda produz, uma renda de valor incalculável. Outra consequência é passarem os crentes a conviver, a todo instante, com atos que contrariam a natureza, tolhendo a liberdade natural de cada um deles. Assim, é grande contra-senso que se eduquem monges ou frades em vida monástica, sem contacto com a humanidade, que se determine a indissolubilidade do casamento, que se exija o celibato e a castidade de padres e freiras, que se façam sacrifícios de animais ou do próprio corpo humano (como a circunscisão de meninos judeus e de meninas em alguns paises pobres na África), além de muitas outras práticas. Também não têm qualquer sentido as grandes mentiras dos séculos que vemos, ouvimos e lemos a todo instante, como: a concepção de Maria, mãe de Jesus, sem contacto masculino e a sua virgindade mesmo após o nascimento dÊle, a transformação de água em vinho para a comunhão com Deus, a existência do purgatório, a confissão auricular e a infalibilidade do Papa (práticas católicas), a flexão dos joelhos e da cabeça em direção a Meca e a obrigação de se fazer cinco orações por dia (hábito muçulmano obrigatório), a consideração egoista de ser o único povo escolhido (pensamento judeu), a proibição de trabalho aos sábados (prática sabatista e muçulmana), a obrigação de ler a Bíblia e a “cura ou descarrego” durante alguns cultos (orientação evangélica). Além dos dísticos ou banners afixados em toda parte, com expressões

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absurdas, como: Deus criou o mundo; palavra de Deus; Deus é fiel; pecado original; salvação dos pecados; juizo final; curas e milagres; orações ou pedidos a Deus ou aos Santos; ser abençoado ou atendido por Êles (todas as religiões). Além da aceitação de sacramentos e da fé imposta para se ver as coisas naturais e simples como sendo religiosas, é comum, dentre os fiéis, principalmente os evangélicos, surgirem aqueles que, por interêsse e sem mesmo um curso sério de teologia, venham a criar novos templos para pregarem as mais variadas seitas, com nomes os mais diversos e com a finalidade de recolherem dízimos e não pagarem qualquer imposto (as igrejas têm imunidades constitucionais). Há até quem crie outros deuses! Para todas as Religiões, aquele que não crê na existência de um Deus é chamado de Ateu. Há os que dizem ser necessário que se tenha um Deus “no coração”, seja êle Cristo, Jeová, Alá, Brahma ou Krishna, ou mesmo um Deus indefinido. Mas nenhum deles se interessa em explicar, por exemplo, por que os homens nascem com diferentes características entre si e, também, por quê há tantas seitas ou religiões agrupando parcelas diferentes da humanidade. E por que existem vários deuses, ou deuses diferentes em cada grupo de religiões? Deus verdadeiro é Jesus Cristo? Afirme isso para um Muçulmano ou Testemunha de Jeová! Ou Alá é o verdadeiro? Ou Krishna, ou Elohim, ou Oxalá? Diga isso para os Evangélicos! E, depois, pense: Se não podem coexistir duas verdades, qualquer uma dessas afirmações é falsa, embora nenhum religioso admita mudar o Deus em quem “deposita a sua Fé”. Grandes filósofos já tentaram definir tanto a existência como a Transcendência ou Imanência de Deus. Admitir a Transcendência (ou o Sobrenatural regendo de fora dêste mundo), seria apenas imaginar um Deus com personalidade, capacidade e interêsse de agir sôbre nós, mesmo estando além da nossa possível compreensão. A vida real que conhecemos é a que provém de uma alma (Essência Vital), que torna nosso corpo ativo. É inconcebível a existência de um Deus vivo, com alma superior à nossa e “comando controlador” de cima para baixo. Por uma percepção simples e comum, eu não acredito em Deus, em nenhum. (Charles Chaplin - Produtor inglês) Podemos imaginar, criar fantasias, fazer hipóteses metafísicas, mas nem cientificamente poderemos provar a existência de um deus, santos, anjos, fantasmas ou demônios acima de nós. Kant já dissera que nenhuma experimentação é possível por definição. Nem mesmo se o mundo fosse contingente, ou perfeito, se provaria em sentido estrito a existência de um Deus-transcendente. Mostraria apenas que, se dentro dele há muitas coisas que não entendemos, delas nada pode ser verdadeiramente deduzido. Aliás, admitamos por hipótese, se a existência de um Deus transcendente pudesse ser-nos bem demonstrada, com precisão e rigor científico, paradoxalmente ninguém teria razão para acreditar ou duvidar, pois “saberiam” Deus, como “sabemos” o sol, as estrêlas e o ar que respiramos. Não temos, pois, a mínima condição de afirmar, seguramente, que Deus Sobrenatural existe. Mesmo partindo de uma premissa falsa relativa à sua existência, não temos como concluir alguma verdade sôbre a sua forma, seus atributos, interêsses e capacidade para controlar tudo “aqui em baixo”. Lembremo-nos de que essa concepção teve início com as primeiras religiões, quando, para justificar o medo do desconhecido, se fantasiava que os ancestrais “voltavam” após a morte, não raro como deuses, para interferirem sôbre as vidas dos

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seus descendentes. A vida, porém, sempre fluiu naturalmente através de seus ciclos, desde o quase-nada e até os últimos dias de cada sêr vivo. Hoje, por não poder entender o inexplicável, é até comum o sêr humano dizer: “Isso é coisa de Deus”. Pois essa é simplesmente a forma exterior de êle tentar justificar a sua ignorância, por desinterêsse ou receio da Verdade. Os dogmas das Igrejas estão tão enraizados dentro das mentes humanas que a ninguém é fácil admitir que esteja errado tudo o que lhe disseram ! É convincente a teoria de Darwin quanto à não-existência de Deus: “Se é real a evolução dos sêres vivos desde a mais remota antiguidade, ela não obedece a nenhum princípio divino, a não ser o de adaptação ao meio-ambiente”. Mas Darwin também se equivocou, porque o homem jamais descendeu do macaco. São espécies diferentes, como o porco e o javali, o búfalo e o boi, o cação e o robalo, o cavalo e o jumento! E o macaco até hoje sobrevive, em espécies e tamanhos diferentes, e todos sem nenhuma inteligência. Ainda aqui vale lembrar o que disse Feuerbach, filósofo alemão: “Deus é apenas a personificação da essência humana, a manifestação do interior do homem. Assim, a Biblia deverá ser corrigida, pois não é Deus que criou o homem, mas o homem que criou a Deus, à sua imagem e semelhança” (A essência do Cristianismo, pág. 158). Já afirmaram também outros filósofos e religiosos que o mundo deve ter sido criado. Por que era então necessário, depois dele, imaginarse um Deus como tendo sido o seu “criador”? E por que deveria êsse Deus ser respeitado e venerado através de orações e pedidos de benefícios a nós, à nossa gente, ou à própria humanidade? O homem é certamente um louco varrido: não pode fazer um verme e, entretanto, faz deuses às dúzias (Montaigne - Escritor francês) Na concepção universalizada, como poderíamos afirmar que Êle quer ou que vai atender a nossos pedidos? Não há nenhum bem que provenha de um Deus transcendente, como promessa de vida eterna, nem nunca haverá qualquer castigo ou Juizo Final. É balela pensar-se em bênçãos, passes, johreis, pecados, comunhão, adoração, temeridade ou ajuda espiritual. É perda de tempo fazer orações e frequentar igrejas ! A concepção religiosa de que Deus seja Jeovah ou Alá ou Krishna (sem forma determinada); ou Cristo ou Oxalá (com forma humana); ou Zeus ou Odin ou Osiris, ou Vishnu ou Brahma (com formas não humanas); ou Rá ou Thor (como fenômenos da natureza) levou fatalmente os homens a venerá-los e a se submeteram a Êles, seguindo as ordens emanadas das entidades religiosas que os criaram. Quando menos, por elas se deixaram levar, sendo difícil, depois disso, que êles entendam racionalmente aquelas teorias científicas. Nesta obra contesta-se veementemente a existência de um Deus Transcendente, pelo simples fato de não haver nenhuma relação de causa e efeito entre essa mística e as necessidades das vidas terrenas. Os sêres humanos e toda a natureza existem por si mesmos. É racional entendermos que haja, no tempo ou no espaço, sem depender de nossas orações ou pedidos, alguma ordem ou comando que mantenha permanentemente: 1) o ciclo de reprodução de todos os sêres vivos e a sua continuidade até pelo menos a morte de cada um deles; 2) o impulso contínuo de toda a Energia Cósmica do mundo; 3) a fôrça da racionalidade, os sentimentos humanos, a beleza, o sabor e o perfume de tudo o que há na natureza, ao nosso redor. Quedamonos maravilhados.

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Mais ainda, cumpre-nos lembrar que vivemos num plano secundário dentro dêsse incomensurável universo. Somos parte dele e não devemos ficar em submissão ou dependência. Nada nos obriga, nem a própria natureza, que é passiva. Assim, se existir ou ocorrer algum fenômeno (físico ou metafísico), tido como oriundo de alguma instância de além do mundo, também não influirá êle sôbre a vontade do homem, especìficamente. Tais fenômenos provàvelmente decorram da Energia Cósmica. Relacioná-las com os pedidos eventualmente feitos a Deus, em oração ou com promessas, não passará, quando muito, de meras coincidências. Se assim não fosse, alguém poderia até ganhar na loteria, bastando pedir a Deus e ter fé. Enfim, não há, nem nunca houve, um Deus Transcendente. Por isso, não podemos ser obrigados a adorá-lo. O medo do homem pelo desconhecimento do Cósmos, sua criação e seu destino, é que o coloca subjugado a um Pai ou Sêr Sobrenatural e poderoso que, se não for venerado, poderá castigá-lo. Tudo o que aí está, à sua volta, porém, não passa de coisas e fenômenos, cujo funcionamento não depende de ninguém, nem de pedidos ou pagamento de promessas. Sempre foi assim e o será indefinidamente. E orar é mera perda de tempo. Sòmente essa idéia errônea de um Deus acima de nós pode trazer aos que se dizem religiosos aquele sentido de respeito, veneração ou cumprimento de obrigações sagradas. Mas tudo isso é absolutamente desnecessário, porque não traz nenhum efeito como comsequência.

Imanência:
Existe, ainda, uma outra forma de se encarar a existência de Deus. Não o Deus tradicional, em forma de figura humana, nem o Deus indefinido pregado pelo Islamismo. Tratase de um Deus imanente, a compartilhar conosco, ao nosso lado, de toda a natureza. Como disse Espinoza: “Deus é o próprio universo, eterno, infinito e panteista, que existe por si, sem causa”. Não poderia ser mostrado ou retratado, por não ter figura. Na natureza, o homem não pode, nem há necessidade de se fazer algo para que as coisas naturais aconteçam. Pode usar o seu livre-arbítrio e, se quiser, plantar uma árvore. Ela se reproduzirá automàticamente pelas leis da natureza, ainda que êle venha a desistir, depois, da sua primeira intenção. E a planta só não seguirá o seu curso de vida se o homem impedir, por qualquer forma, a sua germinação ou o seu desenvolvimento. Sabemos que aquele Deus transcendente, tido como criador do mundo reinou até o fim da Idade Média. Depois, no Racionalismo, firmou-se a idéia de um Deus não-transcendente, convivendo ao lado do homem, ou confundindo-se com a própria natureza (Espinosa, Hume, G. Bruno, Pomponazzi, Fichte, Hegel). Outros filósofos, não aceitando essa transposição, ainda admitiram uma transcendência indefinida quando afirmaram que “deve ter havido um Deus anterior ao universo” (Descartes, Kant, Malebranche, Newton, Spencer). Mas só mesmo Kant, N. Cuza e Pascal preferiram ressaltar a nossa total incapacidade de conhecer algum mundo superior a êste. Enquanto o Humanismo dava mais valor ao homem do que a Deus, o Empirismo pretendeu impor-nos que sòmente os cinco sentidos traziam o conhecimento da verdade (Locke, F.Bacon, Hobbes). Porém, dentre os filósofos, Feuerbach foi o que mais se destacou nesse assunto. Foi o mais forte dos ateus. Negou violentamente a existência de Deus. Só admitiu a natureza e o pensamento humano. Êste criou as Religiões e desenvolveu o estudo das relações com Deus e com o infinito. Criticou a miséria e o sofrimento humanos contra a promessa de vida feliz após a morte. Se acreditarmos nisso, dizia êle, nossa vida perderá o seu valor, enquanto existir. A projeção do homem em Deus é pura alienação.

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Já no século XX, Nietszche veio a dizer que a religião, tendo nascido da inquietação e da necessidade, debilitou a vontade humana. Segundo êle, apoiando-se a Religião no ressentimento dos humildes, elevou a ignorância à categoria de virtude e colocou o centro de gravidade da vida no “mais além”, no nada. Por fim, Freud, o grande neurologista, complementou dizendo que Religião era uma neurose e Deus uma ilusão infantil. Para Freud, o homem, a fim de dominar os seus temores e conflitos, buscava proteção num Pai e, por extensão, na Religião. Criou o Ego (sua racionalidade), o Id (seus desejos e impulsos) e o Superego (o conjunto das regras inibidoras). Os biológos do fim do século XX, no Projeto Genoma, disseram que talvez se possa ainda entender a vida, mas que, para isso, Deus não seria necessário. O Deus-Imanente seria até mais lógico e mais científico do que o Transcendente. Partindo do nosso intelecto, pensemos a partir de uma causa primeira. Entendamos o mundo através das relações de causa e efeito. Não sejamos contra as informações, desde que verdadeiras. Para os que se filiam à idéia da Imanência ou Panteismo de Deus, Êle se confunde com a natureza. Não revelam, porém, como tudo se administra, nem como e onde funciona todo o “exército” de seus auxiliares, os Santos, dentro da mesma Organização. Trata-se de nova fantasia, em cima de fenômenos absolutamente naturais, que existem por si mesmos. Portanto, também não existe nenhum Deus-Imanente. Se Deus tivesse criado ricos e miseráveis, bons e maus, doentes e sadios, feios e formosos, a civilização teria razões para acreditar num grande desacerto da administração divina ! Se o mundo já é uma “fabrica de pecados” e o homem não consegue deixar de nele se envolver, por que deve permanecer, enquanto vivo, sob o risco de ainda vir a ser castigado, após a morte? Se Deus existisse e fosse bom, todos os homens seriam bons. Não haveria guerras, massacres e atentados terroristas em nosso mundo. Isto que aí está não faz parte de um comando gigantesco que o homem jamais entenderá e aos quais deva ficar submisso, como se fosse títere. Também não deve haver, em nossa mente, uma crença no sentido de que sentimos Deus “no coração”, como um dom independente do cérebro. É balela. Temos livre-arbítrio e raciocinamos. E só pelo intelecto poderemos concluir com respostas livres sôbre quaisquer interferências externas... ou “vindas do além”. Se não existe, Deus não pode ser bom nem mau. Podemos dizer, com certeza, que a bondade ou maldade provém dos próprios homens, através da sua racionalidade. Se já houve, com a evolução do mundo, desenvolvimentos extraordinários em relação ao passado, operados pela inteligência humana, não nos esqueçamos de que também sempre existiram outras tiranias, dominações injustas, sofrimentos e misérias. Houve até uma doutrina, chamada de Maniqueismo e baseada na coexistência do bem (luz) e do mal (trevas) como princípios opostos, que pretendeu tornar-se uma religião universal. Fomentou as Cruzadas cristãs contra os povos islâmicos e, mais tarde, o extermínio dos judeus pelas tropas de Hitler. Realmente, o que importa é reconhecer que, no mundo em que vive, só o homem pode fazer o bem ou o mal, conforme determinar a sua própria consciência. Esta doutrina é semelhante ao Agnosticismo de Huxley. Porém, ser agnóstico significa antes admitir a existência do gnóstico (doutrina das coisas sagradas), para, depois, dizer-se contra ela, e, então, criar uma teoria negativista. É um contra-senso, sôbre base aleatória. Devemos, sim, partir de uma premissa segura e autêntica e daí tirar nossas conclusões. A doutrina dêste Livro se fundamenta nas coisas naturais, absolutamente não-sagradas, que simplesmente existem e são do nosso pleno conhecimento. Pouco importa quem as tenha criado, qual a sua origem, mesmo porque isto não justificaria qualquer outra forma de pensamento.

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Lembremo-nos de que Aristóteles já havia dito, no seu tempo, que a terra era plana e o centro do universo. Copérnico e Galileu, mais de mil anos mais tarde, o desmentiram com telescópios, para afirmarem a teoria heliocêntrica, pela qual a terra era redonda, sendo o sol o centro da galáxia. Mesmo confirmada a nova teoria, os aristotélicos de então não se conformavam em aceitá-la. Eis aí um fato simples, para justificar que os conhecimentos adquiridos pelos sentidos ou pelo raciocínio devem sempre prevalecer sôbre as emoções. Esta filosofia também envolve a Lógica, isto é, a ciência que estuda o raciocínio em si mesmo, abstraindo-se a matéria à qual êle se refere. Abrange o conjunto das leis e regras relativas à dedução. Representa, ainda, o sistema científico de demonstração das premissas e das suas conclusões. Exemplo de lógica formal: Se todos os sêres humanos são racionais; se todos os pensadores são seres humanos; então todos os pensadores são racionais. O raciocínio vale por si mesmo e não pelos sujeitos do texto. No período clássico, Liebiniz, Bolzano, De Morgan e G. Frege pretenderam uma lógica independente da filosofia, mas, na verdade, faz parte dela como um dos seus mais importantes componentes intrínsecos. Quanto ao seu enquadramento, a doutrina aqui contida é, ainda, racionalista, como em Platão e Descartes, por se utilizar da razão humana, mas sem deixar de ser empirista, conforme os conceitos de Locke e Hume, pois dá tôda ênfase aos nossos cinco sentidos, transmissores permanentes dos contactos diretos do cérebro com as coisas do mundo. Por fim, é ainda naturalista, porque tira suas conclusões a partir dos fenômenos puros e naturais (muito embora o naturalismo como ciência ùltimamente venha estudando mais os temas ligados à ecologia). Natural é tudo o que pertence à natureza ou seja por ela produzido sem o trabalho ou a intervenção do homem. Tudo o que se encontre no estado primitivo, como as montanhas, os riachos, as matas e toda a bio-diversidade, constituida por milhões de animais, plantas, insetos e micro-organismos. Pela Teologia, seria natural o que corresponde às fôrças do homem sem a ajuda da graça divina, e não seria natural a outra parte da natureza que já sofreu modificação pelo trabalho humano, como os edifícios, as pontes e as estradas. Nosso espírito deve satisfazer-se com o simples reconhecimento da existência natural da Essência Vital e da Energia Cósmica, permanentes como ciclos. Da mesma forma, deve admirar a Racionalidade humana, que nos coloca acima dos demais sêres vivos na Terra e nos transmite um poder extraordinário, para manipular o mundo. São as Três Maravilhas já referidas no penúltimo Capítulo. A maior ilusão do mundo, no entanto, não é a crença em Deus (mais imposta do que sentida). Mas a subserviência do homem, em virtude dessa crença, a todas as coisas tidas como “sagradas”, como os livros religiosos, a santidade do Papa, os mandamentos, as missas, procissões e cultos nas igrejas ou nos terreiros, a transformação da água em vinho e do pão em sangue e corpo de Deus, as adorações de santos ou anjos, a circuncisão do menino judeu, as idéias belicosas ou suicidas de muçulmanos radicais, a obrigação de orar e de visitar as igrejas, enfim, todas as práticas que, apesar de cumpridas, não trazem qualquer benefício concreto ao adepto. Não há necessidade e chega a ser contra-senso o homem assim submeter-se. Deve, sim, manter-se honrado e com caráter, não pensar em mal ao próximo e não vacilar diante de seus deveres. Pode até dar exemplos de conduta moral. Tudo isso o fará muito feliz e cultivará o seu convívio com a humanidade. Há um poema de Barsanulfo, espírita, onde êle diz, no início: “Ó Deus! Reconheço-o na poesia da Criação, na criança que sorri, no ancião que tropeça, no mendigo que implora, na mão que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui, no apóstolo que evangeliza...” É muito poético,

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porém, na verdade, êle se refere a Deus como estando presente em todas as coisas ou fatos da natureza. É panteismo. Pela concepção que temos, Deus não existe, nem mesmo como forma imanente ou panteista. Nem aquelas três maravilhas do mundo não necessitam que as chamemos de Deus. Independem da vontade humana e são eternas, sem um começo concebível e sem um fim previsível. Nem dentro da natureza não existe nenhuma figura central a que se deva chamar de Deus (ou deuses), a comandar, sòzinho ou com equipe de Santos ou Anjos da Guarda, toda uma organização de contrôle do universo. Notem bem: Não se contesta a existência de uma desconhecida máquina propulsora que, diante de nossos olhos, faz com que as três maravilhas do mundo (a essência vital, a energia cósmica e a racionalidade humana) funcionem de forma integrada. Só não temos como explicar a estrutura e o funcionamento dessa máquina, como ela se compõe no seu gigantismo e como é dirigida. Tudo isso está muito além da nossa capacidade humana de entender. Ela nos assombra, nos deixa estupefatos, considerada a nossa pequenez. Mas nem por isso se vincula a algum Deus, que deva ser temido, como responsável pelo que ocorra no mundo... e queríamos que não ocorresse. Se alguém quiser, para si próprio, até pode chamar de Deus a toda essa estrutura de contrôle do universo, e terá toda a liberdade do mundo. Estará usando seu livre-arbítrio. Porém, é bom que não se esqueça nunca de duas considerações muito importantes: l) A palavra “Deus” está intimamente ligada ao temor e à veneração, como se fosse Êle um Pai Nosso e, nós, seus “filhos” submissos, com a obrigação permanente de orar, esperar por milagres, frequentar missas ou cultos, pagar dízimos etc., quando nada disso é necessário para se ter uma vida digna, dentro dos princípios morais, criados e gerenciados só pelo homem. 2) O universo, com mais de cem bilhões de galáxias (só conhecemos, e pouco, a do Sistema Solar), sempre funcionou independentemente do homem e assim vai continuar a ser em toda a eternidade. A perda de tempo, de dinheiro e de tranquilidade vale mesmo a pena? Ressaltemos, por fim, que nunca nos moveu o intuito de combater ou criticar qualquer Instituição, Seita ou Igreja. Sómente expusemos aqui o nosso pensamento livre sôbre fatos ou fenômenos que entendemos relevantes. Êste livro não fará mal nenhum a ninguém. Valerá talvez para despertar diferentes considerações em quem pretenda estudar o assunto de forma mais aprofundada ou quiçá filosófica. Nem pedimos aos leitores que deixem de seguir a sua religião atual, qualquer que ela seja, mesmo porque cada um deles, no fundo, deve sentir algum prazer em seguir os seus dogmas (hedonismo). A final, a felicidade é o bem maior de cada um de nós na Terra. Só não devem assim proceder, a nosso ver, aqueles que reconheçam que tais atitudes não levam a nada. Não tem sentido cumprir os “deveres” apenas por “obrigação”. A liberdade, enfim, pode ser usufruida conforme os ditames da mente de cada um. Esperamos ter conseguido derrubar alguns tabús, que têm levado a humanidade a agir de forma incompatível com a sua vontade e a sua liberdade. Demonstramos que não há nenhum Deus, com ou sem forma, a dirigir tudo a partir de um mundo superior a êste que conhecemos, ou de dentro do próprio mundo. O que nos parece, aliás, um “ovo de Colombo”, pela simplicidade da proposição.

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CAPÍTULO XXXIV OS FENÓMENOS METAFÍSICOS
“The most beautiful experience we can have is the mysterious. It is the fundamental emotion which stands at the cradle of true art and true science. A knowledge of the existence of something we cannot penetrate, our perceptions of the profoundest reason and the most radiant beauty, which only in their most primitive forms are accessible to our minds -it is the knowledge and this emotion that constitute true religiosity; in this sense, and in this alone, I am a deeply religious man”. (Albert Einstein)

As experiências que parecem transcender as leis da natureza constituem o objeto dos estudos da Parapsicologia, como ramo da Psicologia. Essa ciência revela uma capacidade de se conhecer algo sem o uso dos sentidos. Estuda ainda os próprios fenômenos considerados sobrenaturais, que são passíveis de interpretações espíritas, místicas ou ocultistas, e da ação do homem sôbre o meio sem a utilização de outra fôrça conhecida. Não é cura alternativa, nem desenvolvimento da paranormalidade. Não realiza feitos insólitos, como fazer previsões, ler pensamentos ou mover objetos. Mas nem a Psicologia explica cientìficamente os contactos de uma pessoa com o mundo circundante. Portanto, os fenômenos mentais (vidência, telepatia, regressão) e os dependentes de outras energias (deslocamentos, deformações e levitações de objetos) ainda dependem de comprovação, mesmo porque existem pessoas com maior ou menor clarividência que interferem nessas análises. Foram interessantes os estudos científicos do Dr. Ian Stevenson. Pesquisando crianças do mundo todo, êle conseguiu obter delas informações naturais sôbre lembranças de vidas passadas, vividas por elas mesmas. Buscou comprovações de forma impressionante, mas só descobriu que nada é possível além da investigação (como a de um crime). Não conseguiu provar com mecanismos que a reencarnação seria possível, nem encontrou evidências de fôrças pelas quais a alma, se existir, se transfere de um para outro corpo (Rev. 6º Sentido – nº 23 – pág. 30). Segundo êle, além de ser impossível testar as informações expontâneas das crianças em laboratório, haveria sempre o risco de tudo parecer fantasia. À medida que cresce e se desenvolve o raciocínio do homem, êle começa a perceber que vive dentro de um mundo muito complexo. Passa, então, a refletir sôbre as seguintes questões fundamentais: Quem sou eu? Se o mundo não existisse, eu não teria nascido? A final, se estou aqui, pensando, é porque eu não sou nenhuma ilusão. No entanto, quando eu desaparecer, o mundo vai continuar e eu deixarei de pensar para voltar a não-ser-nada. Ora, se tudo no mundo apenas se transforma, mantendo o seu equilíbrio, como é possível que eu venha a não ser nada? Se meu corpo volta ao pó, como a minha alma desaparece? Ela é feita também de átomos? Jamais obteremos respostas precisas a essas leis do universo. Então voltamos a concluir pela nossa insignificância, apesar da nossa inteligência. É por isso que a maioria dos homens se apoia na hipótese, sem sentido lógico mas frenèticamente divulgada, de que Deus seria, em última instância, também o Criador da sua espécie. Dentro da magnitude dessas questões, há muitos fenômenos metafísicos, todos êles resistindo a qualquer comprovação científica. São também incompreensíveis porque não se

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enquadram nos conceitos adquiridos dos ensinamentos acadêmicos ou das experiências cotidianas. É por isso que, com base no senso comum, existe a tendência natural de os considerarmos como coisa forjada pela mente dos anormais. Nosso padrão de senso comum é imutável como expressão da verdade. Vem desde o início do século XVII, quando Newton interrelacionou a coletânea de dados, físicos e metafísicos, até então dispersa, e colocou a lei de causa e efeito no lugar das teorias dos antepassados e da mística da Idade Média. Mais recentemente, a física quântica ainda acrescentou que a realidade deve ser constituida também dos elementos estranhos à lógica humana. Para a física quântica, tudo é possível, desde as coincidências mais banais até os fenômenos mais estranhos, como a levitação e certas magias. Porém, o fenômeno físico será sempre incompleto diante dessa realidade metafísica. Há muitos estudos científicos na parapsicologia, de fatos considerados eletromagnéticos ou paranormais, como o poltergeist e outros. Parece que ainda não estão comprovadas a clarividência, a telepatia e as percepções extra-sensoriais. Tais fenômenos estão fora da racionalidade humana, pois o homem não pode concebê-los como fatos racionais, já que não se vinculam a quaisquer causas aparentes ou premissas. Por oportuno, não nos esqueçamos de que há, também, nesse campo, muito charlatanismo e exploração da credibilidade pública. “Os milagres são as leis da natureza, que não compreendemos” (Santo Agostinho) A Revista Veja, edição de 29/12/2001, à pag. 130, publicou que o milagre, para os cientistas, é algum acontecimento cuja ocorrência não se explica pelos mecanismos de funcionamento das leis naturais. Seria algo fora do objeto da Ciência, pelo que devem ser tratados no campo da Metafísica. Cientistas recentemente fizeram um trabalho junto aos religiosos do Vaticano para tentarem provar a autenticidade do Santo Sudário, o manto de linho que teria sido usado para cobrir o corpo de Jesus depois da sua crucificação. Ainda não houve publicação do resultado. Nesse mesmo trabalho, ou em paralelo com ele, Stephen Gould, pesquisador americano, teria informado que houve avanços, mas que a ciência ainda não respondeu a alguns dos enigmas básicos, como a origem da vida e do universo. Fenômenos energéticos comuns têm sido vistos pelo sêr humano como superstições, milagres, charlatanismo. Tudo o que o homem não consegue racionalmente entender tem sido muitas vezes atribuido a uma “vontade de Deus”. Assim, com a fuga, descartaria qualquer explicação. Isso, porém, não justifica a sua ignorância. Se se admitir que não possuimos o 6º sentido, o de percepções extra-sensoriais ou paranormais, é melhor admitirmos que não temos capacidade para entender e, por isso, não temos como explicar. Na verdade, apenas uns poucos têm mais desenvolvida uma certa capacidade de intuição.

A intuição:
O que seria, então, a intuição? É um “fluido” da memória, que desperta quando a pessoa “percebe” que sabe alguma coisa do que esteja ocorrendo, ou venha a ocorrer. É mais uma característica inexplicável da Mente Humana, por estar desconectada das relações de causa e efeito. É o conhecimento claro, direto e imediato de algo, sem o auxílio do raciocínio. É a certeza abrupta de um fato, a denunciação de um perigo, de uma cura ou de uma realidade diversa do que seja racional. Não depende nem mesmo da vontade humana. É muito grande a relação de Fenômenos Metafísicos. Eis alguns exemplos: 1) “ver” um acidente antes de êle acontecer; presenciar curas “espírituais” em locais diferentes, com pessoa

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diversa, mas atingindo ao próprio paciente; ter a “visão” de uma pessoa desconhecida, num sonho, e ela aparecer depois na vida real; acompanhar curas por médiuns totalmente inaptos ao exercício da medicina; certos “milagres” registrados pela Igreja Católica etc.; 2) fogo que surge do nada; pedras que caem dos telhados das casas e água borrifada sobre as pessoas em determinados locais; 3) sem qualquer agente impulsionador, objetos que se movimentam ou desaparecem de onde se encontravam ; 4) pessoas mortas cuja figura retorna às casas onde morreram etc.; 5) emoções violentas que perturbam até as funções dos aparelhos digestivo e respiratório, com riscos até para o funcionamento do coração; 6) a hipnose como exteriorização da sensibilidade ou transmissão do pensamento num estado artificial provocado por sugestão do hipnotizador; 7) sentimento de angústia diante de um fato desconhecido que, no entanto, realmente está ocorrendo como perigo iminente em relação a pessoas queridas. Às vezes também nós pensamos: “Já ouvi isso antes”, ou “Já vi aquilo em algum lugar”. Ou, ainda: “Como é que eu sabia disso?”. Se conscientemente estamos certos de que não tomamos qualquer conhecimento anterior de algum fato ou objeto, por que podem êles nos parecer familiares? Reflitamos aqui, agora, sobre um fato isolado: Certa moça, de nome Vera, muito competente na sua profissão, certa vez perdeu um emprêgo já certo só porque apresentou, no exame médico, problemas de vitiligo na sua pele. Assim discriminada, desesperou-se por causa de sua difícil situação financeira e decidiu cometer suicídio. Quando se preparava para atirar-se sob as rodas de um caminhão, notou ela que havia no chão, quase a seus pés, um pequeno cartão, como êsses de apresentação. Num dos lados estava escrito: “ANIME-SE ! Ainda há esperança ! E, no outro lado, mais quatro frases: Você é dotado de grande capacidade / Não se deixe vencer pelas dificuldades / Se Deus é por nós, quem será contra nós? / Procure descobrir o mundo maravilhoso que há dentro de você.” O efeito dêsse cartão sôbre a sua mente, nem é preciso descrever. Hoje a moça comanda, de uma cidade de Minas Gerais, um belíssimo programa do Governo do Estado. Para ela, o que ocorreu foi um “ato de Deus ou de seu anjo da guarda” no momento em que ela mais precisou. E, é claro, ninguém vai demovê-la jamais da idéia de que isso possa ter sido apenas una coincidência. Sabemos perfeitamente que a preparação e distribuição de cartões com essas frases de efeito é trabalho de muitas Igrejas Evangélicas, no bom sentido. Mas essa estória, como tantas outras parecidas, que no fundo ninguém explica, sempre nos deixam impressionados e, às vezes, até com lágrimas nos olhos, pela emoção que nos causa. Lembremonos, no entanto, de que as emoções não têem o condão de provar algum contacto com qualquer entidade do “mundo superior”. O espiritismo costuma creditar muitos dêsses fenômenos ao que chama de “perispírito”, entendido como um invólucro semimaterial, uma “aura” existente entre o espírito e o corpo do indivíduo. Nosso raciocínio não tem como entender êsses fatos, pois também êles se integram naquela estrutura de contrôle de todo o universo, que nenhum sêr humano alcançará entender, por mais sábio que seja. As pessoas religiosas sempre buscam relacionar tais ocorrências à existência de um Deus transcendente, ”criador e dono do mundo”, que, por Si ou por seus Santos ou Anjos, estaria interferindo na mente humana. Seria como que o efeito a justificar a causa. No entanto, não é verdadeira a conclusão, porque é falsa a premissa. Aqueles fenômenos são metafísicos e fazem parte do incomensurável esquema de propulsão do mundo, colocado muito acima do padrão de compreensão racional. Esta, por sua vez, é só física e faz parte do nosso organismo. Ora, se nenhum Poder Divino, como referido no Capítulo anterior, está ligado ao mesmo grande esquema, é perda de tempo qualquer esfôrço nosso no sentido de tentar entender

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os mesmos fenômenos. Só nos resta mesmo voltar a reconhecer a nossa impossibilidade.... e não explicar nada! Nem será necessário invocar a Deus, quanto mais aguardar que Êle nos atenda !

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CAPÍTULO XXXV CÓDIGO DE CONDUTA DO SÊR HUMANO
Foram expostos os pontos fundamentais da tese principal do Livro. Foi definida “a maior ilusão dos séculos” como os dogmas e ensinamentos por parte dos grandes mitos religiosos aos quais os homens têm se submetido através do tempo. Torna-se importante, agora, estudarmos o relacionamento entre os próprios sêres humanos e, a partir daí, formularmos uma série de normas de conduta, para que êles possam viver melhor. Essas normas representam um resumo de princípios morais e de lições de grandes filósofos, que, sem prejudicar a tese central, por certo nortearão o melhor caminho para o homem alcançar ou aprimorar a própria felicidade.

1 - Reserve um pouco do seu calor humano ou do seu conhecimento para dar a quem deles necessitar. Há muita gente com famílias ou negócios destruidos, vítimas de solidão, miséria, fome, doenças ou desemprêgo. Sua ajuda, tornando-os menos infelizes, pode não lhe custar nada mas também a Você fará um bem extraordinário. Você sentirá muita satisfação pessoal e, assim, será mais feliz. 2 - Como atividade social, estimule aos menos prósperos que Você para que também transfiram a outros parte do próprio calor humano. Há pessoas ainda mais carentes do que êles, e o calor humano, que não tem preço, a tudo compensará, trazendo retôrno. 3 - Busque entender e captar os ensinamentos daqueles que forem mais sábios. Êles já aprenderam o que Você ainda precisa saber. 4 - Respeite a todas as correntes de pensamento, sem pretender modificá-las. Crie as suas próprias opiniões, com firmeza e liberdade, mas não as imponha a ninguém. Você será admirado. 5- Procure ensinar, em caso de revolta, como não é difícil alcançar a paz e a fraternidade universal, para que ninguém prejudique a outrem. Você estará contribuindo para um mundo melhor. 6 - Trabalhe com perseverança e fôrça de vontade, seja Você empregado ou autônomo. Tome iniciativas. Elogie o bom trabalho dos seus companheiros. A ociosidade e a preguiça são sempre grandes inimigas do progresso pessoal. 7 - Jamais faça caridade com dinheiro (há raríssimas exceções) e sempre se excuse de fazer algum bem a vadios. Pode ser perigoso “dar o peixe em lugar da vara para pescar”.

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8 - Perdoe sempre, sem nutrir vinganças. O perdão é a boa contra-mão de atos como calúnias, injúrias, desavenças ou invejas. “O perdão ! Quem não percebe / o bem que dele virá? / Redime quem o recebe / e enobrece quem o dá”. 9- Ignore e, quando necessário, denuncie os perigosos, para que sejam punidos ou julgados. Qualquer um pode ser vítima deles e a sociedade se sentirá mais segura. 10 - Respeite sempre às Leis e aos Govêrnos constituidos. Normas de conduta são uma necessidade, para limite das liberdades individuais.
Lembremo-nos, para finalizar, mais uma vez, de que grande parte da nossa felicidade dependerá de nossos próprios atos em favor dos mais humildes (de espírito ou de condição social). “Quando nascemos, todos riem e a gente chora, pela missão que teremos de cumprir. Quando morremos, todos choram e a gente ri, pelo amor que recebemos durante a missão cumprida” O Autor ================================================================

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POSTFÁCIO:
O Autor não pretende mudar o mundo. Sentir-se-ia recompensado apenas com o reconhecimento a êste seu trabalho, não muito erudito, de busca incessante da verdade. Crê ter alcançado o seu intento, apesar das dificuldades encontradas no confronto com as idéias de homens vinculados, por interêsse, a informações antes recebidas, ou delas dependentes por conformismo. Seu caminho para chegar ao fim foi não usar de sofismas, medo ou fantasia, mas transmitir pesquisas profundas, sob a lógica dos mestres e com a fôrça total do seu pensamento. Pensa que colaborou com o esfôrço de muitos na tentativa de chegar mais perto da verdade sôbre o que já se sabia a respeito do universo e do próprio homem. Mas tem conhecimento, também, de que o pouco que conseguiu ainda pode estar muito distante do seu sonho de alcançar a verdade inteira. Sabe, ainda, que outros tentarão evoluir ainda mais os estudos a partir da tese contida neste Livro, embora também não alcancem o topo, porque a Terra jamais se confundirá com “o mundo de lá” e os homens jamais passarão a ser deuses. É razoável que estejamos vivendo na Terra apenas uma etapa a mais, no tempo e no espaço, da evolução de algum processo maior do que o ciclo da vida de cada um de nós. Porém, limitados pela aura superior do nosso raciocínio, ainda podemos avançar nas pesquisas mas, repita-se, sem alcançarmos a condição de esclarecê-lo no seu todo. Tudo o que foi exposto no título III dêste livro reflete sòmente a opinião do Autor. Se o seu texto não for bem entendido agora, seguramente o será dentro de alguns anos, ou décadas do novo milênio, como pequeno avanço em relação à síntese de anteriores “descobertas”. E, quem sabe, o Autor poderá então, por ter fixado o marco inicial de uma nova Era, vir a ser considerado como “precursor do novo pensamento”. Será o orgulho de seus filhos e netos. Após lançadas as suas idéias, talvez êle ainda venha a criar uma espécie de “templo” para explicar com mais detalhes as minúcias da sua teoria, não como religião (pois não haverá culto a Deus, joelhos dobrados, oferendas, orações, pedidos de ajuda etc.), mas como sabedoria filosófica, onde não haja ilusões ou afirmações de vínculos com qualquer outro mundo além dêste. Se não o fizer, quem sabe alguns de seus seguidores o faça, com respeito a esta fonte que os tenha iluminado. Nesse templo, a meta principal será o ensino de como “alcançarmos um pouco mais de felicidade, colocando o nosso próximo mais próximo de nós”. Nunca é tarde demais para nos recordarmos de um conceito de Rui Barbosa, o grande pensador, filósofo e político brasileiro: “Não concordo com uma só palavra do que me diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.

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NA 4ª PÁGINA DA CAPA: Desde pequenino, eu sempre tive muito interêsse em aprender de tudo o que não sabia e a fazer evoluir, sempre, o que já sabia. Conhecer, para mim, não era apenas deixar gravados na memória os fatos vindos pelos sentidos humanos, mas também trabalhar com êles e com os meus próprios pensamentos. Sempre atraido por desenvolver o raciocínio sôbre essas coisas memorizadas, busquei encadeá-las entre si e confrontei-as para daí tirar minhas conclusões. Foi assim que, independentemente do lugar em que me encontrasse, as primeiras idéias foram surgindo, desordenadamente. Habituei-me a anotá-las, pois elas surgiam de repente e às vezes com intensidade. Depois, coordenei-as sob tópicos ou títulos, dando-lhes uniformidade. O mais interessante é que, nesse trabalho de “colocar ordem na casa”, eu fui percebendo que as idéias se encaixavam perfeitamente. Passei a “ver”, então, um sentido lógico nos assuntos, a partir de premissas maiores e até os fatos mais simples, naturalmente dentro do meu ponto de vista. Foi o caminho para que êste Livro viesse a lume. Os pensamentos religiosos e filosóficos, contidos na primeira e segunda partes dêle, são resumos ou relatos fiéis da história, de grandes obras, de outras publicações, de cursos didáticos etc. A sua terceira parte, porém, embora ìntimamente ligada às partes anteriores, como premissas, representa as minhas conclusões pessoais sôbre aquilo a que considerei como “a maior ilusão dos séculos”. O AUTOR ================================================================


				
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