INFLUÊNCIA DO AMBIENTE HIPÓXICO SOBRE A PRODUÇÃO DE MASSA by gmx42408

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									    INFLUÊNCIA DO AMBIENTE HIPÓXICO SOBRE O CRESCIMENTO DE SOJA
           NODULADA EM DIFERENTES ESTÁDIOS FENOLÓGICOS

BADINELLI, Pablo Gerzson1; AMARANTE, Luciano do2; COLARES Denise dos
                     Santos2, BERNARDI, Eduardo3

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 PPG Fisiologia Vegetal/UFPel, Deptº de Bioquímica– Instituto de Química/UFPel, PPG Agronomia/
             UFPel, Campus Universitário – CEP 96010-900. pgbagro@yahoo.com.br


                                     1. INTRODUÇÃO

       O Rio Grande do Sul apresenta uma vasta área de solos denominados solos
de várzea, os quais apresentam como principais características relevo
predominantemente plano, com freqüência associado a um perfil superficial pouco
profundo e, a porção sub-superficial, praticamente impermeável, tornando deficiente
a drenagem natural (Pinto et al., 1999). Deste modo esses solos tornam-se
saturados na zona radicular ou mantêm uma lâmina de água por um período
prolongado de tempo, submetendo as raízes ao estado de hipoxia, resultando na
injúria permanente ou morte daquelas plantas adaptadas a condições de melhor
drenagem (Embrapa, 1988). Algumas plantas podem sofrer modificações
morfológicas e anatômicas que facilitam as trocas gasosas, buscando minimizar, ou
evitar a deficiência de O2 no sistema radicular (Perata & Alpi, 1992).
      Dentro do sistema de produção, destaca-se a adaptação de genótipos para as
condições específicas dos solos de várzea, o que é limitado pela difícil adaptação de
culturas que possibilitem retorno econômico nestas condições, uma vez que a
maioria das espécies produtoras de grãos são mesófitas (Pires et al., 2002).
Entretanto, tem sido demonstrada a existência de características de adaptação ao
excesso de água no solo em cultivares de soja. Estudos em dois anos agrícolas,
concluíram que as cultivares desta oleaginosa indicadas para semeadura no Rio
Grande do Sul apresentam variabilidade genética para tolerância às condições de
excesso de água no solo. Genótipos de soja que apresentaram mecanismos de
adaptação a condições de hipoxia geradas pela inundação, desenvolveram
rachaduras no caule na região submersa, algumas horas após a inundação.
Posteriormente, houve hipertrofia e formação de uma região esponjosa na base do
caule (aerênquima), e também o surgimento de raízes adventícias (Thomas et al.,
2000).
      O presente trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da hipoxia sobre a
produção de massa seca de raízes, caules e folhas, em duas cultivares de soja
submetidas à hipoxia do sistema radicular em diferentes estádios de
desenvolvimento.

                                 2. MATERIAL E MÉTODOS

       Plantas de soja [Glycine max (L.) Merril] das cultivares FT-Abyara e BR-4,
inoculadas com Bradyrhizobium elkanii estirpe SEMIA 587, foram cultivadas em casa
de vegetação, em vasos de polietileno de três litros contendo vermiculita como
substrato, e nutridas com solução nutritiva de Hoagland & Arnon, sem N, na
proporção de 250 mL/vaso administrada duas vezes por semana. A semeadura dos
genótipos foi realizada em épocas distintas, de forma a se obter plantas em três
estádios de desenvolvimento diferentes simultaneamente, V3, V7 e R2, para
aplicação do tratamento de inundação do sistema radicular. Esse foi obtido
impedindo-se a drenagem natural dos vasos por meio do encaixe do vaso contendo
as plantas em um outro, de mesmo volume e sem furos, e aplicando-se solução
nutritiva três vezes diluída de forma a se manter uma lâmina de água com cerca de
1 cm de altura sobre a superfície do substrato. As plantas permaneceram inundadas
por 16 dias, quando procedeu-se a coleta e separação do material vegetal em
raízes, caules e folhas. Após, foi realizado a desidratação dos tecidos em estufa de
ventilação forçada a 65ºC até atingir peso constante. A pesagem dos tecidos secos
foi realizada em balança analítica. O delineamento experimental foi inteiramente
casualizado, em esquema fatorial 2x2x3 (genótipos: regimes hídricos: estádios), com
três repetições. A unidade experimental foi representada por um vaso contendo três
plantas cada.

                                                                                 3.          RESULTADOS E DISCUSSÃO

      As plantas submetidas ao alagamento, sofreram inibição no incremento de
massa seca nas folhas em todos os estádios testados, sendo esse efeito menos
intenso no estádio V3 (figura 1).
        O alagamento do sistema radicular das plantas também causou uma redução
do incremento de massa seca nas raízes nos estádios V3 e R2 para os dois
genótipos. No entanto, a aplicação do tratamento hipóxico no estádio V7 para a
cultivar FT-Abyara, ao contrário da BR-4, induziu um acréscimo de massa seca na
raiz (figura 2). O incremento de massa seca de raízes das plantas submetidas ao
tratamento hipóxico possivelmente está associado à formação de raízes adventícias
a partir da base do caule, concentrando-se nos primeiros cinco cm da superfície de
inundação.
      Os dados referentes à porcentagem de massa seca de caule em relação ao
controle são apresentados na figura 3 e demonstram um incremento com o
tratamento de inundação nos três estádios, com exceção no estádio V7 para a
cultivar BR-4. Na cultivar FT-Abyara foi observado um aumento de 75% em relação
ao controle da massa seca do caule. Esse incremento de massa seca pode estar
associado à hipertrofia das lenticelas no segmento do caule submerso e devido à
formação de aerênquima, produzido a partir de células do periciclo, um tecido
esponjoso (Pires et al.,2002).
                                                                                                    V3
                                                                                                    V7                                                                                                     V3
                                          80                                                                                                                                                               V7
                                                                                                    R2
                                                                                                                                                                                                           R2
   Massa seca de folhas - % do controle




                                                                                                                                                    100
                                          60
                                                                                                               Massa seca de raiz - % do controle




                                                                                                                                                    80


                                          40                                                                                                        60



                                                                                                                                                    40
                                          20
                                                                                                                                                    20



                                          0                                                                                                          0
                                               --FT Abyara-- BR-4 --FT Abyara-- BR-4 --FT Abyara-- BR-4 --                                                 F        --      F        --      F        --
                                                                                                                                                          -- T Abyara BR-4 -- T Abyara BR-4 -- T Abyara BR-4 --
                                                                                                                                                                              Cultivares
                                                                    Cultivares


                                                                                                             Figura 2. Porcentagem de massa seca de raízes em
Figura 1. Porcentagem de massa seca de folhas em
                                                                                                             relação ao controle em duas cultivares de soja em três
relação ao controle em duas cultivares de soja em três                                                       estádios de desenvolvimento.
estádios de desenvolvimento.
                                                                                             V3
                                         180
                                                                                             V7
                                                                                             R2
                                         160
   Massa seca de caule - % do controle




                                         140

                                         120

                                         100

                                         80

                                         60

                                         40

                                         20

                                          0
                                                F        --      F        --      F        --
                                               -- T Abyara BR-4 -- T Abyara BR-4 -- T Abyara BR-4 --
                                                                  Cultivares

                                                  .
 Figura 3. Porcentagem de massa seca de caule em
relação ao controle em duas cultivares de soja em três
estádios de desenvolvimento.




                                                                                                       4. CONCLUSÕES

      As respostas adaptativas referentes ao incremento da massa seca, radicular e
de caule das cultivares FT-Abyara e BR-4 quando submetidas ao alagamento são
diferenciadas e influenciadas pelo estádio de aplicação do tratamento.


                                                                               5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – CENTRO DE
PESQUISA AGROPECUÁRIA DE TERRAS BAIXAS DE CLIMA TEMPERADO.
1988. Relatório de atividades do Centro de Pesquisa Agropecuária de Terras
Baixas de Clima Temperado. Pelotas. 33p.
HOAGLAND, D.R. & ARNON, D.I. 1938. The water culture method of growing
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PERATA, P.; ALPI, A. 1993. Plant responses to anaerobiosis. Plant Science, 93:1-
17.
PINTO, L.F.S.; PAULETTO, E.A.; GOMES, A. da S. & SOUSA, R.O. 1999.
Caracterização de solos de várzea. In: GOMES, A. da S. & PAULETTO, E.A., ed.
Manejo do solo e da água em áreas de várzea. Pelotas: Embrapa Clima
Temperado. p.12-36.
PIRES, J.L.F.; SOPRANO, E.; CASSOL, B. 2002. Adaptações morfofisiológicas da
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THOMAS, A.L.; PIRES, J.L.F.; MENEZES, V.G. Pesquisa Agropecuária Gaúcha,
Porto Alegre, v.6, n.1, p.107-112, 2000.

								
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