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					Resumo: Livro de Sonetos - Vinícius de Moraes (1913 – 1980 RJ) – Modernismo 2ª Fase Obras: Poesia: O Caminho para a Distância, Ariana, a Mulher, Novos Poemas, Livro de Sonetos. A evolução literária de Vinícius compreende três fases distintas pela técnica e pela temática: 1. Religiosidade, amor e desejo - O poeta expressa, com intensa angústia, a constante oposição entre matéria e espírito, do qual resulta a sensação de pecado. A Mulher que passa: “... Meu Deus, eu quero a mulher que passa/Seu dorso frio é um campo de lírios/Tem sete cores nos seus cabelos/Sete esperanças na boca fresca! ...” 2. O Cotidiano - O poeta passa a escrever poemas intimistas, pessoais, voltados para o amor físico, carregado muitas vezes por um sensualismo erótico, o que viria acentuar uma contradição entre o prazer da carne e a formação religiosa. Um Passarinho: Para que vieste/Na minha janela/Meter o nariz?/Se foi por um verso/Não sou mais poeta/Ando tão feliz!/Se é para uma prosa/Não sou Anchieta/Nem venho de Assis/Deixa-te de histórias/Some-te daqui! 3. O Engajamento político - Ainda em Poemas, sonetos e baladas estão os textos de conotação sociopolítica. “O Operário em Construção” e o conhecidíssimo poema: “A Rosa de Hiroshima”. Resumos de alguns Sonetos: Soneto de Separação De repente do riso fez-se o pranto/Silencioso e branco como a bruma/E das bocas unidas fez-se a espuma/E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento/Que dos olhos desfez a última chama/E da paixão fez-se o pressentimento/E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente/Fez-se de triste o que se fez amante/E de sozinho o que se fez contente /Fez-se do amigo próximo o distante/Fez-se da vida uma aventura errante/De repente, não mais que de repente. Análise. Para enfatizar o conflito do eu-lírico, o poeta utilizou uma figura de estilo que aparece com evidência em todo o texto – a antítese. A única forma verbal que aparece no texto é: fez-se /desfez.

Exemplo de aliteração no poema: branco/bruma/bocas pranto/espuma/espanto/espalmadas.

Soneto da Fidelidade De tudo, ao meu amor serei atento/Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto/Que mesmo em face do maior encanto/Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento/E em seu louvor hei de espalhar meu canto/E rir meu riso e derramar meu pranto/Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure/Quem sabe a morte, angústia de quem vive/Quem sabe a solidão, fim de quem ama/Eu possa me dizer do amor (que tive):/Que não seja imortal, posto que e chama/Mas que seja /infinito enquanto dure. Análise: O eu-lírico jura fidelidade à pessoa amada, seja nos momentos de dor, seja nos momentos de alegria.O que significa para o eu-lírico, a morte e a solidão? Significam “angústia de quem vive”e “fim de quem ama”, ou seja, desilusão, frustração. O conceito de fidelidade para o eu-lírico é: sinônimo de entrega total, mesmo numa relação provisória.

De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e darramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contetentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, pôsto que e chama Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto da Lua Vinicius de Moraes Por que tens, por que tens olhos escuros E mãos languidas, loucas, e sem fim Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim Impúro, como o bem que está nos puros ? Que paixão fez-te os lábios tão maduros Num rosto como o teu criança assim Quem te criou tão boa para o ruím E tão fatal para os meus versos duros? Fugáz, com que direito tens-me pressa A alma, que por ti soluça nua E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tão pouco a mulher que anda na rua Vagabunda, patética e indefesa Ó minha branca e pequenina lua !

Soneto a Quatro Mãos Vinicius de Moraes / Paulo Mendes Campos Tudo de amor que existe em mim foi dado Tudo que fala em mim de amor foi dito Do nada em mim o amor fez o infinito Que por muito tornou-me escravizado. Tão prodígo de amor fiquei coitado Tão facil para amar fiquei proscrito Cada voto que fiz ergueu-se em grito Contra o meu próprio dar demasiado. Tenho dado de amor mais que coubesse Nesse meu pobre coração humano Desse eterno amor meu antes não desse. Pois se por tanto dar me fiz engano Melhor fora que desse e recebesse Para viver da vida o amor sem dano.

Soneto da Separação Vinicius de Moraes

Soneto do Maior Amor Vinicius de Moraes Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada E que só fica em paz se lhe resiste O amado coração, e que se agrada Mais da eterna aventura em que persiste Que de uma vida mal aventurada. Louco amor meu que quando toca, fere E quando fere vibra, mas prefere Ferir a fenecer - e vive a esmo Fiel à sua lei de cada instante Desassombrado, doido, delirante Numa paixão de tudo e de si mesmo

Soneto do Orfeu Vinicius de Moraes São demais os perigos dessa vida Para quem tem paixão, principalmente Quando uma lua surge de repente E se deixa no céu, como esquecida E se ao luar, que atua desvairado Vem unir-se uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher Uma mulher que é feita de música Luar e sentimento, e que a vida Não quer, de tão perfeita Uma mulher que é como a própria lua: Tão linda que só espalha sofrimento, Tão cheia de pudor que vive nua.


				
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posted:4/5/2009
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