EXERCicios obras vestiba

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					EXERCÍCIOS COM OBRAS PARA VESTIBULAR/UNIR

01.(FUVEST) Sobre o narrador de A hora da estrela, de Clarice Lispector, pode-se afirmar que:
(A) é do tipo observador, pois revela não ter conhecimento sobre o que se passa no universo sentimental e psíquico da personagem (Macabéa). (B) é onisciente, pois assume o papel de criador de uma vida, sobre a qual detém todas as informações; o poder da onisciência é, para ele, fonte de satisfação, pois Rodrigo S. percebe que os fatos dependem de seu arbítrio. (C) é do tipo observador, pois limita-se a descrever superficialmente as emoções de Macabéa, o que fica evidente nas ocorrências enigmáticas do termo “explosão“, apresentado sempre entre parênteses. (D) constitui-se como um personagem, pois narra em primeira pessoa; não há, entretanto, referências à sua história pessoal, visto que seu objetivo é falar sobre um personagem de ficção (Macabéa). (E) é um dos personagens do livro; entretanto, ao apresentar-se não só como narrador, mas também como criador da história, problematiza a essência da literatura de ficção, que reside na recriação arbitrária do real.

2. (FUVEST) Identifique a afirmação correta sobre A hora da estrela, de Clarice Lispector: (A) A força da temática social, centrada na miséria brasileira, afasta do livro as preocupações com a linguagem, freqüentes em outros escritores da mesma geração. (B) Se o discurso do narrador critica principalmente a própria literatura, as falas de Macabéa exprimem sobretudo as críticas da personagem às injustiças sociais. (C) O narrador retarda bastante o início da narração da história de Macabéa, vinculando esse adiamento a um autoquestionamento radical. (D) Os sofrimentos da migrante nordestina são realçados, no livro, pelo contraste entre suas desventuras na cidade grande e suas lembranças de uma infância pobre, mas vivida no aconchego familiar. (E) O estilo do livro é caracterizado, principalmente, pela oposição de duas variedades lingüísticas: linguagem culta, literária, em contraste com um grande número de expressões regionais nordestinas. COMENTÁRIO: O romance A Hora da Estrela tem início com uma série de autoquestionamentos radicais, tanto de caráter pessoal, quanto metalingüístico, feitos pelo narrador Rodrigo S. M. A história de Macabéa começa a se insinuar paulatinamente, até se tornar dominante na narrativa, que, porém, não abandona aqueles questionamentos críticos.

3. (FUVEST) Devo registrar aqui uma alegria. é que a moça num aflitivo domingo sem farofa teve urna inesperada felicidade que era inexplicável: no cais do porto viu um arco-íris. Experimentando o leve êxtase, ambicionou logo outro: queria ver, como uma vez em Maceió, espocarem mudos fogos de artifício. Ela quis mais porque é mesmo uma verdade que quando se dá a mão, essa gentinha quer todo o resto, o zé-povinho sonha com fome de tudo. E quer mas sem direito algum, pois não é? (Clarice Lispector, A hora da estrela) Considerando-se no contexto da obra o trecho sublinhado, é correto afirmar que, nele, o narrador: (A) assume momentaneamente as convicções elitistas que, no entanto, procura ocultar no restante da narrativa. (B) reproduz, em estilo indireto livre, os pensamentos da própria Macabéa diante dos fogos de artifício. (C) hesita quanto ao modo correto de interpretar a reação de Macabéa frente ao espetáculo. (D) adota uma atitude panfletária, criticando diretamente as injustiças sociais e cobrando sua superação. (E) retoma uma frase feita, que expressa preconceito antipopular, desenvolvendo-a na direçao da ironia.

4. (FUVEST) Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe: — E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear? — Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de idéia. — E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? — Macabéa. — Maca — o quê? — Bea, foi ela obrigada a completar. — Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.

Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome ue nin uém tem mas arece ue deu certo — arou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor — pois como o senhor vê eu vinguei... pois é... — Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande divida de honra. Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado: — Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor? Da segunda vez em que se encontraram caia uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo. (Clarice Lispector, A hora da estrela) Neste excerto, as falas de Olímpico e Macabéa: (A) aproximam-se do cômico, mas, no âmbito do livro, evidenciam a oposição cultural entre a mulher nordestina e o homem do sul do País. (B) demonstram a incapacidade de expressão verbal das personagem, reflexo da privação econômica de que são vitimas. (C) beiram às vezes o absurdo, mas, no contexto da obra, adquirem um sentido de humor e sátira social. (D) registram, com sentimentalismo, o eterno conflito que opõe os princípios antagônicos do Bem e do Mal. (E) suprimem, por seu caráter ridículo, a percepção do desamparo social e existencial das personagens. 5. (FUVEST) “A ação desta história terá como resultado minha transfiguração em outrem (…)”. Neste excerto de A hora da estrela, o narrador expressa uma de suas tendências mais marcantes, que ele irá reiterar ao longo de todo o livro. Entre os trechos abaixo, o único que NãO expressa tendência correspondente é: (A) “Vejo a nordestina se olhando ao espelho e (…) no espelho aparece o meu rosto cansado e barbudo. Tanto nós nos intertrocamos”. (B) “é paixão minha ser o outro. No caso a outra”. (C) “Enquanto isso, Macabéa no chão parecia se tornar cada vez mais uma Macabéa, como se chegasse a si mesma”. (D) “Queiram os deuses que eu nunca descreva o lázaro porque senão eu me cobriria de lepra”. (E) “Eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti”. COMENTÁRIO: A alternativa C é a que não expressa identificação entre o narrador, Rodrigo S. M., e a protagonista Macabéa. Reiteradas vezes, a comunhão entre o narrador e a personagem é expressada. Na hora da morte de Macabéa, porém, entre o criador e a criatura realiza-se uma cisão. Macabéa torna-se, por instantes, a "estrela", pela primeira vez é o centro das atenções, desvinculando-se de Rodrigo. 6. (FUVEST) A narração hesitante e digressiva, em constante auto-exame, não se limita apenas a registrar o sentimento de culpa do narrador, mas traduz, também, uma autocrítica radical, em que ele questiona sua própria posição de classe e, com ela, a própria literatura. Esta afirmação aplica-se a: (A) Memórias de um sargento de milícias (B) Memórias póstumas de Brás Cubas (C) Morte e vida severina (D) O primo Basílio (E) A hora da estrela COMENTÁRIOS: As características apontadas no enunciado da questão, em especial o sentimento de culpa do narradorpersonagem, são marcantes em A Hora da Estrela. Isso pode ser bem exemplificado com o primeiro dos vários títulos que abrem a obra: "A culpa é minha". Além disso, a consciência da precariedade da linguagem literária, incapaz de suprimir o fosso existente entre o "eu" e o "outro", representa o núcleo do conflito metalingüístico encenado, ao longo da narrativa, por Rodrigo S. M. Não fosse pelo sentimento de culpa explicitado na questão, os demais traços estilísticos poderiam ser imputados a Memórias Póstumas de Brás Cubas.

7. (FUVEST) Considere as seguintes comparações entre Vidas secas e A hora da estrela: I. Os narradores de ambos os livros adotam um estilo sóbrio e contido, avesso a expansões emocionais, condizente com o mundo de escassez e privação que retratam. II. Em ambos os livros, a carência de linguagem e as dificuldades de expressão, presentes, por exemplo, em Fabiano e Macabéa, manifestam aspectos da opressão social. III. A personagem sinha Vitória (Vidas secas), por viver isolada em meio rural, não possui elementos de referência que a façam aspirar por bens que não possui; já Macabéa, por viver em meio urbano, possui sonhos típicos da sociedade de consumo. Está correto apenas o que se afirma em: (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. COMENTÁRIO: A única afirmação correta é a II. Realmente, Fabiano (Vidas Secas) e Macabéa (A hora da estrela) são personagens de repertório lingüístico limitado, e isso reforça a caracterização dessas personagens como seres oprimidos. A afirmativa I só é apropriada ao narrador de Vidas Secas, este sim realmente contido, de estilo "econômico", avesso a expansões emocionais. Rodrigo S. M., narrador-personagem de A hora da estrela, ao contrário, enreda-se em considerações de natureza emocional e tem estilo sinuoso, ziguezagueante. Quanto ao item III, peca ao negar que sinha Vitória tenha aspirações de consumo. O sonho dela é ter uma cama igual à de seu Tomás da bolandeira, senhor de engenho que conheceu no passado.

8. (PUC-SP) A obra A hora da estrela, de Clarice Lispector marca-se pela depuração da arte de escrever e dialoga com todo o universo ficcional da autora. Despontam nela as perplexidades da narrativa moderna. Indique a alternativa que NãO condiz com esse romance entendido como um todo: (A) A história são as fracas aventuras de uma moça alagoana, “numa cidade toda feita contra ela”, o Rio de Janeiro. (B) Macabéa, personagem do romance, tem a coragem e o heroísmo dos fortes e se torna, na vida, a grande estrela com que sempre sonhou. (C) A estrela que dá título à obra é a estrela de cinema e só aparece mesmo na hora da morte. (D) A narrativa constrói-se da alternância entre as reflexões do narrador que parece narrar a si mesmo e os fatos apresentados que dão o retrato da protagonista. (E) O espaço da ação é o social-urbano, mas restrito à “Rua do Acre para morar” e à “Rua do Lavradio para trabalhar”.

9. (PUC-SP) A respeito de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, indique a alternativa que NÃO confirma as possibilidades narrativas do romance: (A) Livro com muitos títulos que se resumem à história de uma inocência pisada, de uma miséria anônima. (B) História do narrador Rodrigo M. S., que se faz personagem, narrando-se a si mesmo e competindo com a protagonista. (C) História da própria narração, que conta a si mesma, problematizando a difícil tarefa de narrar. (D) História de Macabéa, moça anônima e que não fazia falta a ninguém. (E) História de Olímpico de Jesus, paraibano e metalúrgico, vivendo o mesmo drama de Macabéa e identificando-se com ela.

10. (PUC-SP) Assinale a alternativa que não está de acordo com a personagem Macabéa, do romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector: (A) Nordestina pobre, anônima e semi-analfabeta, era impotente para a vida e não fazia falta a ninguém. (B) Tinha a “felicidade pura dos idiotas” e “vivia num atordoado limbo entre céu e inferno”. (C) Personagem-título do romance, embora feita de matéria rala, tornou-se, na vida, a grande

estrela com que sempre sonhou. (D) Ingênua, acreditou no que a cartomante lhe disse, mas acabou sendo atropelada e morta por um Mercedes amarelo. (E) Viveu um conto de fadas às avessas, delineando um contraponto bíblico sem, contudo, apresentar a coragem e o heroísmo dos fortes.

11. (FUVEST) "Será que eu enriqueceria este relato se usasse alguns difíceis termos técnicos? Mas aíque está: esta história não tem nenhuma técnica, nem de estilo, ela é ao deus-dará. Eu que também não mancharia por nada deste mundo com palavras brilhantes e falsas uma vida parcacomo a da datilógrafa." (Clarice Lispector, A Hora da Estrela) Em A Hora da Estrela, o narrador questiona-se quanto ao modo e, até, à possibilidade de narrar a história. De acordo com o trecho acima, isso deriva do fato de ser ele um narrador: (A) Iniciante, que não domina as técnicas necessárias ao relato literário. (B) Pós-moderno, para quem as preocupações de estilo são ultrapassadas. (C) Impessoal, que aspira a um grau de objetividade máxima no relato. (D) Objetividade, que se preocupa apenas com a precisão técnica do relato. (E) Auto-crítico que percebe a inadequação de um estilo sofisticado para narrar a vida popular.

12. (UFV) Leia o trecho abaixo: "Bem, é verdade que também eu não tenho piedade do meu personagem principal, a nordestina: é um relato que desejo frio. (...) Não se trata apenas da narrativa, é antes de tudo vida primária que respira, respira, respira. (...) Como a nordestina, ha milhares de moçasespalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam." (Clarice Lispector) Em uma das alternativas abaixo, há um aspecto do livro de Clarice Lispector, A Hora da Estrela, presente no fragmento acima, que o aproxima do chamado "romance de 30", realizado por escritores como Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz: (A) A preocupação excessiva com o próprio ato de narrar. (B) O intimismo da narrativa, que ignora os problemas sociais de seus personagens. (C) A construção de personagens que têm sua condição humana degradada por culpa do meio e da opressão. (D) A necessidade de provar que as ações humanas resultam do meio, da raça e do momento. (E) A busca de traços peculiares da Região Nordeste.

13. (FEI-SP) Trata-se do último livro publicado por Clarice Lispector, em vida, em 1977. A personagem protagonista é Macabéa, que acumula em seu corpo franzino todas as formas de repressão cultural, o que a deixa alheada de si e da sociedade. As afirmações acima referem-se à obra: (A) A hora da estrela (B) Perto do coração selvagem (C) A maçã no escuro (D) A paixão segundo G. H. (E) Laços de família

14. (ACAFE) No livro A hora da estrela, ocorre a quebra das convenções da arte de narrar: o narrador estabelece com o leitor um jogo. Assim, é VERDADEIRO o que se afir-ma em: (A) O narrador faz uma narrativa aberta para o leitor, procurando fazer com que o leitor se identifique com os personagens. (B) Existe um narrador que dificulta a localização de sua voz, misturando-a com a das outras personagens. (C) A escritura do texto é extremamente rebuscada e, portanto, difícil de estabelecer qualquer relação do texto com o narrador. (D) O narrador, a todo momento, chama a atenção do leitor, alertando-o de que se trata de uma

obra de ficção e, conseqüentemente, dificultando uma identificação do leitor com os personagens. (E) Não é possível identificarmos a presença do narrador. 15. (ACAFE) Sobre o texto "Tentarei tirar ouro de carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras.", extraído do livro A hora da estrela, pode-se afirmar que: (A) o narrador-escritor vai transformar situações cotidianas em uma história de vida, de fatos e acontecimentos, e o "livro é feito sem palavras" pelo fato de ser um retrato da vida. (B) a história de Macabéa (protagonista do livro) é um conto de fadas, em que ela encontra o seu príncipe e vivem felizes para sempre. (C) o narrador explica a relação de poder que um homem mantém sobre a mulher. (D) é uma crítica ao "canibalismo" deste mundo cão, no caso, a anulação do ser humano pela cidade grande. (E) se trata de um jogo de palavras em que o autor busca explicar a história de vida de um trabalhador sem qualificação, vivendo numa grande metrópole.

16. (ACAFE) Sobre o romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, é FALSO afirmar que: (A) ao ser atropelada e morta por um caminhão Mercedes Bens, a protagonista tem, enfim, um grande momento, à maneira de uma estrela de cinema, no centro da cena cinematográfica. (B) narra a história de Macabéa, uma alagoana simples que se muda para o Rio de Janeiro, onde passa a morar numa pensão. (C) distante de seu meio, alheia ao mundo da cultura e sem compreender claramente os valores que regem uma cidade grande e competitiva como o Rio de Janeiro, Macabéa não consegue definir sua própria identidade. (D) opondo-se a um curso sentimental, retórico, ornamental da poética nacional, a autora construiu uma poesia antilírica, anticonfessional, presa ao real e dirigida ao intelecto. (E) Olímpio, namorado de Macabéa e também nordestino, ao contrário dela, deseja ascender na vida a qualquer preço.

17. (PUC-CAMP) Maquiavel (...) admitia que a posição dos subalternos é estratégica para a análise de quem está por cima. Relacionando-se a frase acima com o romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, verifica-se que a afirmação de Maquiavel (A) se confirma, pois Rodrigo faz excelente análise das classes privilegiadas. (B) se confirma, pois Macabéa faz análise crítica do poder de seus superiores. (C) não se confirma, pois Rodrigo tem reduzida consciência de sua classe social. (D) não se confirma, pois Macabéa não tira proveito crítico de sua posição. (E) não se confirma, pois Olímpico não se interessa por quem tem algum poder. 18. (PUC-RS) ___________, a personagem de Clarice Lispector em A hora da estrela, é uma nordestina, pobre, feia, sem vida interior, incapaz de manter a relação com o namorado. Sua “hora da estrela” só acontece quando sai feliz e distraída da cartomante e ____________. No romance, os problemas existenciais estão relacionados às ____________ da moça. As lacunas podem ser correta e respectivamente preenchidas por: A) Gabriela – é assassinada e desaparece – crenças religiosas. B) Macabéa – é atropelada e morre – condições sócioculturais. C) Aurora – encontra Fernando e casa – debilidades físicas. D) Capitu – é atropelada mas salva-se – dificuldades financeiras. E) Diadorim – volta ao sertão e vive só – necessidades econômicas.

19. 01. (FUVEST) Em A Hora da Estrela, o narrador apresenta a seguinte reflexão: " Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes". Com base nela, explique:

a) Por que o romance tem o título A hora da estrela? b) Por que é irônica a relação entre o título e a história de Macabéa? RESPOSTAS ESPERADAS: a) A hora da estrela alude, metaforicamente, à morte, ao instante de fulguração rápida, mas reveladora de todo um sentido de existência. É a epifania à maneira de Clarice Lispector, dentro da ótica existencialista da busca do sentido da experiência humana. b) A ironia, trágica no caso, dá-se pela discrepância entre a breve aspiração de glória de Macabéa, insuflada pela cartomante (a miragem da estrela hollywoodiana), a sua condição social (migrante nordestina marginalizada no Rio de Janeiro) e seu destino: atropelada por um carro de luxo, na porta do Copacabana Palace. A hora da estrela, banal e reveladora, é o instante maior de Macabéa, anônima, estatelada na rua, mas objeto da atenção fugaz de transeuntes anônimos.

20. (FUVEST) Leia este trecho de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, no qual Macabéa, depois de receber o aviso que seria despedida do emprego, olha-se no espelho: Depois de receber o aviso foi ao banheiro para ficar sozinha porque estava toda atordoada. Olhou maquinalmente ao espelho que encimava a pia imunda e rachada, cheia de cabelos, o que tanto combinava com sua vida. Pareceu-lhe o espelho baço e escurecido não refletia imagem alguma. Sumira por acaso sua existência física? Logo depois passou a ilusão e enxergou a cara toda deformada pelo espelho ordinário: o nariz tornado enorme como o de um palhaço de nariz de papelão. Olhou-se e levemente pensou: tão jovem e já com ferrugem. a) Neste trecho, o fato de parecer, a Macabéa, não se ver refletida no espelho liga-se imediatamente ao aviso de que seria despedida. Projetando essa ausência de reflexo no contexto mais geral da obra, como você interpreta? b) Também no contexto da obra, explique por que o narrador diz que Macabéa pensou "levemente"? RESPOSTAS ESPERADAS: a) O fato de Macabéa não se ver refletida no espelho remete ao fato de ser a nordestina uma " Maria Ninguém" que sequer é nomeada em boa parte da obra. A datilógrafa é um ser "invisível ", que não é percebido pela maioria da sociedade. A sua potencial demissão apenas reforça o seu caráter de pessoa dispensável, descartável pelo sistema, "enferrujada". b) A alienação de Macabéa a impede de considerar qualquer questão em toda a sua amplitude. Pensa "levemente", ou superficialmente, sem se aprofundar nas razões dos fenômenos que a circundam ou que a afetam. 21. (UP) Observe o trecho abaixo, sobre A hora da estrela, de Clarice Lispector: Macabéa é então um produto do seu narrador. Aliás, toda personagem, é, de fato, o produto de um narrador que conta a história, seja este narrador quem for. Mas neste romance há uma situação especial: Macabéa nasce mesmo do narrador que faz parte da história enquanto personagem. Ele é autor do romance em que nos conta como ele "cria" Macabéa. Ele é o criador e Macabéa é sua criatura. Macabéa existe como projeção dele, como parte dele e existe em função dele. Ou seja: Macabéa existe na sua relação com o narrador, o personagem Rodrigo S. M. É ele quem nos conta a história de como ele, escritor, inventa Macabéa, explicando, a todo momento, como este trabalho, difícil, de lidar com as palavras e escrever um romance, acontece. (R. Spouza, in Macabéa: uma personae) a) Que passagem do texto pode comprovar as afirmações acima? b) Como é chamado o artifício literário explícito nas linhas finais do texto? RESPOSTAS ESPERADAS: a) A passagem em que Macabéa, ao se olhar no espelho, vê a imagem imediata de Rodrigo S. M. b) Metalinguagem

22 .Leia este trecho de A hora da estrela, de Clarice Lispector, no qual Macabéa, depois de receber o aviso de que seria despedida do emprego, olha-se ao espelho: “Depois de receber o aviso foi ao banheiro para ficar sozinha porque estava toda atordoada. Olhou-se maquinalmente ao espelho que encimava a pia imunda e rachada, cheia de cabelos, o que tanto combinava com sua vida. Pareceu-lhe que o espelho baço e escurecido não refletia imagem alguma. Sumira por acaso a sua existência física? Logo depois passou a ilusão e enxergou a cara toda deformada pelo espelho ordinário, o nariz tornado enorme como o de um palhaço de nariz de papelão. Olhou-se e levemente pensou: tão jovem e já com ferrugem.” a) Neste trecho, o fato de parecer, a Macabéa, não se ver refletida no espelho liga-se imediatamente ao aviso de que seria despedida. Projetando essa ausência de reflexo no contexto mais geral da obra, como você a interpreta? b) Também no contexto da obra, explique por que o narrador diz que Macabéa pensou “levemente”.

Resolução a) A ausência da reflexão de Macabéa no espelho simboliza a insignificância existencial e
social dessa personagem alheia a tudo e a si mesma. É um ser de “existência rala”, metaforizada nas expressões: “capim”, “feto jogado no lixo”, “café frio”. b) Macabéa, moça que representa a “inocência pisada” e a “miséria anônima”, não tem consciência da sua condição. Ela não reflete sobre a precariedade da sua vida, relacionada, no fragmento, à “pia imunda e rachada”. Daí a expressão “levemente pensou”, indicando a fragilidade da sua constatação. 9

Mario de andrade
Primeiro de Maio: 35 era carregador de malas na Estação da Luz. No dia 1º de maio resolveu não trabalhar. Perambulou o dia todo e acabou carregando malas. 01 - Tendo em vista o conto “Primeiro de Maio”, extraído da obra Contos novos, de Mário de Andrade, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). (01) Em termos de contexto político-social, existe uma relação plausível, no conto, entre o espaço policiado na cidade de São Paulo e o espaço policiado no país, na época do Estado Novo. (02) Apesar do emprego de alguns termos coloquiais, o texto não se personifica na linguagem do 35, enfatizando apenas o discurso erudito e as construções estilísticas da língua padrão. (04) Embora o 35 estivesse disposto a comemorar o dia do trabalho, acaba comemorando o reencontro com sua primeira namorada no Parque D. Pedro II. (08) No texto, há várias alusões à cidade de São Paulo, através dos espaços percorridos ou lembrados pelo protagonista: Estação da Luz, Anhangabaú, Jardim da Luz, Brás, Parque D. Pedro II e Largo da Sé. (16) As relações capitalistas, ironicamente, permeiam o texto, dissolvendo a identidade dos sujeitos e substituindo-a por siglas numeradas, típicas da ordem burocrátic a. (32) A cena final, marcando o encontro entre o 35 e o 22, pode ser lida como uma verdadeira celebração, verificada na solidariedade do trabalho. (64) A formação de uma aguda consciência social, a participação do 35 nas lutas de sua classe oprimida e seu espírito de liderança caracterizam-no como um verdadeiro anarquista

02- Nos contos “Vestida de preto” e “Frederico Paciência”, do livro Contos novos, de Mário de Andrade, os narradores-protagonistas ensaiam formas diversas de afetividade. Com base na leitura dos textos, responda: a) Que tipo de sentimento prevalece em cada conto? b) Dado o distanciamento temporal dos acontecimentos vivenciados pelos narradores, que avaliação das experiências amorosas eles apresentam em cada conto? Resposta esperada: a) amor entre homem mulher/ amor heterossexual. amor entre homem e homem/amor homossexual (homoerotismo). b) “Vestida de preto”: a experiência amorosa da infância se transforma em: sensações eróticas OU idealização amorosa OU amadurecimento “Frederico Paciência”: a experiência amorosa da adolescência se transforma em: esquecimento. OU afastamento OU conformismo OU recalque.

03 –
I - A manobra psicológica do narrador-protagonista mostra que as lembranças obsessivas perdem a força,quando o seu culto as eleva a uma respeitosa distância. II – A paisagem paulistana é percorrida pelo olhar ingênuo de quem busca reconhecimento e esbarra no oficialismo autoritário. As afirmações I e II referem-se respectivamente,aos seguintes contos de Mario de Andrade: a) Vestida de Preto e Primeiro de maio b) B) Peru de Natal e Frederico Paciência c) O Ladrão e Frederico Paciência d) O Peru de Natal e Primeiro de Maio e) Vestida de Preto e O Ladrão 04 – “A casa que papai alugara não ficava na praia exatamente,mas numa das ruas que a ela davam e onde uns operários trabalhavam diariamente no alinhamento de um dos canais que carreavam o enxurro da cidade para o mar do Golfo.”(Mário de Andrade) No período acima,o segmento:”que a ela davam e onde” pode ser substituído sem prejuízo para o sentido original do período por: a) para a cuja iam,nas quais... b) que lhes conduziam,aonde.... c) à qual cortavam,em cuja rua... d) que nela desembocavam,rua em que... e ) nela terminavam,às quais...

05. (UFF-RJ) Sobre autores de nossa literatura e aspectos de sua obra é incorreto afirmar: (A) Mário de Andrade, escritor do Modernismo, foi um pesquisador incessante das variadas manifestações da cultura brasileira e, por seu espírito crítico, exerceu influência decisiva na renovação de nossa literatura. Estudou e escreveu também sobre folclore, música

e pintura. (B) Machado de Assis, importante escritor nascido no século XIX, produziu uma obra rica em gêneros literários, destacando-se principalmente no conto e no romance, com seu poder de análise da psicologia humana. Destacam-se entre seus contos: A Missa do Galo, A Cartomante, Uns Braços. (C) José de Alencar foi um escritor do século XIX, cuja vasta obra inclui romances nas linhas regionalista, urbana, indianista e histórica, além de numerosos textos sobre as relações entre a língua e a literatura nacional. (D) Álvares de Azevedo foi um poeta romântico que se destacou sobretudo na temática indianista. Exaltou principalmente o sentimento de honra e a valentia do índio. Escreveu alguns dos poemas mais conhecidos de nossa literatura, tais como: Lira dos Vinte Anos, Macário, Marabá, O Canto do Guerreiro. (E) Guimarães Rosa, importante escritor do século XX, foi um inovador em termos de linguagem. Utilizou-se de vários processos para elaborar seu texto, tais como: criação de palavras, exploração de aspectos sonoros, adaptação estética do linguajar regionalista pleno de arcaísmos. De sua obra, que expressa uma profunda visão dos problemas humanos, podem-se citar Grande sertão: veredas, Sagarana, Primeiras Estórias.

06. (CEFET-PR) Sobre Contos Novos é CORRETO afirmar: (A) O humor, tema caro ao Mário de Andrade da primeira fase modernista, está colocado em segundo plano nesse livro, e aparece, agora, em pouquíssimas passagens dos contos, confirmando a maturidade estética do autor. (B) Os contos são introspectivos, ou seja, o narrador muitas vezes procura apreender o que se passa no inconsciente dos personagens, o que faz com que esse livro se inscreva numa tradição de narrativa que remonta ao fim do século XIX, especialmente com Machado de Assis. (C) O conto O Ladrão procura refletir sobre o cotidiano violento de moradores de um bairro da alta classe média paulista, assustados estes que estão pela constante ameaça ao seu patrimônio material. (D) A linguagem utilizada nas narrativas desse livro é profundamente hermética, dificultando o seu entendimento, principalmente por causa da falta flagrante de marcas da oralidade, tão comuns no Mário de Andrade dos livros anteriores. (E) A pontuação utilizada pelo autor é bastante tradicional, mesmo quando ele reproduz diálogos entre personagens que vivem momentos de descontração do cotidiano, expediente formal que comprova o retorno de Mário de Andrade aos moldes clássicos de narrativa utilizados desde o Romantismo no Brasil. 07 - (FUVEST-SP) Se ambos os contos a dominação social é tema de primeiro plano,cabe no entanto,fazer uma distinção: um deles,ela é direta e aparece sob a forma do capricho e do arbítrio patronais;já em outro,ela é mais moderna – torna-se indireta e anônima. A distinção realizada nessa afirmação refere-se respectivamente,aos seguintes contos de mario de Andrade(Contos Novos): a) b) c) d) e) Nelson e O Poço O Ladrão e O Poço O Ladrão e Nelson O Poço e primeiro de Maio Primeiro de Maio e O Ladrão

08 – (FUVEST-SP) – Em “O Poço” de Contos Novos,as personagens principais são de carne e osso,mas o silencioso protagonista do conto é mesmo aquele Poder que vem de muito longe,do nosso passado colonial e das relações escravistas,aqui encarnado no autoritarismo caprichoso e arbitrário que se arroga todos os direitos,que se impõe ao absolutamente fraco e submisso – e que chega a se desnortear diante da dignidade custosa de um gesto de rebeldia. a) b) Destaque do texto,estritamente uma expressão que se refira a cada uma das personagens:Albino(irmão mais novo),José (irmão mais velho),Joaquim Prestes. Além de sua forte presença material, o poço que está no centro deste conto pode ser tomado como um símbolo expressivo. Procede a afirmação acima?Justifique sua resposta. Resposta esperada: a) Joaquim Prestes: “autoritarismo caprichoso e arbitrário”; José (irmão mais velho): “ dignidade custosa” Albino (irmão mais novo):” fraco e submisso” b) O caráter do trabalho que explora o homem até a exaustão é sintetizado na imagem de uma boca:”boca do poço”,”boca traiçoeira”.O ato de esgotar a água do poço é paralelo a um esgotamento físico e psicológico dos trabalhadores.

09 - Assinale a alternativa correta em relação à obra Contos Novos, de Mario de Andrade. a. As narrativas são lentas e cadenciadas como convinham à prosa modernista. b. Os regionalismos são marcas da perspectiva de consolidação de uma linguagem culta. c. Há unidade de idéias e de consciência entre os tipos humanos focalizados. d. Há unidade de registros e de técnicas nas narrativas. e. A não-nomeação das personagens é índice da alienação humana. 10 - A obra Contos Novos tem nove contos criados num momento de grande maturidade do escritor. Ao final de cada narrativa, Mário anota o espaço de tempo utilizado no processo de criação. Esse procedimento pode ser compreendido como: a. o longo caminho da busca de evolução de um estilo próprio. b. a marca temporal pela qual o escritor não perde suas anotações. c. o registro de sua autobiografia. d. a necessidade de tornar visíveis os lugares por onde viajou. e. o procedimento normal de criação de toda obra literária.
11. Leia as afirmativas abaixo relacionadas aos escritores estudados. I- Mário de Andrade, em Contos Novos, avança em direção a um realismo mais denso e crítico em que tudo é minuciosamente acabado. II-Em A Hora da Estrela Macabéa distante de seu meio, alheia ao mundo da cultura e sem compreender claramente os valores que regem uma cidade grande e competitiva como o Rio de Janeiro, Macabéa não consegue definir sua própria identidade . III- Machado de Assis, em Quincas Borba, compõe o quadro da sociedade burguesa do Segundo Reinado com a agudeza de quem descobre o encoberto .

Assinale a alternativa correta. a. Apenas II b. Apenas I e III c. Apenas II e III d. I,II e III estão corretas. e. Apenas I e II


				
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posted:4/5/2009
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