(Microsoft Word - Sandra Vidal Nogueira.doc; Dirl351ia Fanfa Sarmento by xwj18813

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									      Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul.
       Universidade Federal de Santa Catarina – de 4 a 7 de maio de 2009.


               Olhares em perspectiva sobre a Educação Básica na Rede La Salle:
             reconstruindo a história do currículo na visão de mulheres educadoras

                                                                     Sandra Vidal Nogueira1 – Unilasalle
                                                                              sandrav@unilasalle.edu.br

                                                                     Dirléia Fanfa Sarmento2 – Unilasalle
                                                                                  fanfa@unilasalle.edu.br

Introdução

        Concebido com o intuito de mapear o cotidiano organizacional, o Programa de Avaliação
Institucional (PROAVI), destinado os segmentos da Educação Básica (EB) e do Ensino Superior
(ES) representa, constitui-se num importante instrumento da prática reflexiva a serviço da melhoria
e aprimoramento da Missão Educativa Lassalista.
        Iniciado no primeiro semestre de 2007, o PROAVI – EDUCAÇÃO BÁSICA, em especial,
está de acordo com as metas e políticas estabelecidas pelas diretrizes da Educação Nacional.
Baseado em princípios antropológicos, epistemológicos, ético-morais, teológico-pastorais,
administrativos e pedagógicos, que visam, em última análise, a promoção e “(...) o desenvolvimento
integral da pessoa e a transformação da sociedade através da educação humana e cristã, solidária e
participativa”3, o PROAVI – EDUCAÇÃO BÁSICA tem por objetivo geral4:


                         Constituir uma base de informações de caráter avaliativo que subsidie a
                         Mantenedora e as Escolas de Educação Básica da Província Lassalista de Porto
                         Alegre (PLPOA) , tendo em vista o alcance da excelência acadêmica, qualificação
                         pedagógica, eficiência administrativa e sustentabilidade financeira, como forma de
                         consolidar processos de acompanhamento regular, sistemático e continuo de
                         preservação, atualização e aprimoramento da Missão Educativa.


        De modo progressivo e por solicitação O PROAVI-EB atende por adesão voluntária, 19

1
 Pedagoga de formação, com Mestrado e Doutorado na Área da Educação: Supervisão Currículo, pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Docente dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação Stricto-Sensu e
Coordenadora do Setor de Avaliação Institucional do Centro Universitário La Salle (Unilasalle)-Canoas/RS.
2
  Pedagoga de Formação, com Mestrado pela Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos)-São Leopoldo/RS Doutora em
Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)-Porto Alegre/RS. Docente dos Cursos de
Graduação e Pós-Graduação Lato e Stricto-Sensu e Coordenadora do Setor de Extensão do Centro Universitário La
Salle (Unilasalle)-Canoas/RS.
3
 PROVÍNCIA LASSALISTA DE PORTO ALEGRE. Proposta Educativa Lassalista – Projeto Pedagógico. Porto
Alegre, 2004, p.13
4
 PROVÍNCIA LASSALISTA DE PORTO ALEGRE. PROAVI - Programa de Avaliação Institucional: Educação
Básica – versão 2009. Canoas, Unilasalle/PLPOA, Unilasalle, 2009, p.13
                                                                                                            1
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          Universidade Federal de Santa Catarina – de 4 a 7 de maio de 2009.

(dezenove) Escolas vinculadas à PLPOA, distribuídas no território brasileiro, de acordo com os
Quadros 1, abaixo relacionados.5


Quadro 1 – Escolas de Educação Básica da PLPOA vinculadas ao PROAVI-EB

                                 Região do Brasil                     Número      de       Comunidades
                                                             Educativas

                                 Rio Grande do Sul                    14

                                 Santa Catarina                       02

                                 Amazonas                             01

                                 Distrito Federal                     02



           Em termos metodológicos, o PROAVI-EB utiliza como marco teórico para construção dos
procedimentos adotados três conjuntos de conceitos, contendo cada um deles, dimensões,
descritores e níveis estabelecidos com base no Documento produzido pela Assembléia da Missão
Educativa Lassalista (AMEL) - 20066, a saber: a) domínios avaliativos; b) focos de análise; c)
questões específicas e escalas de satisfação.
           Domínios avaliativos dizem respeito às dimensões que integram o processo avaliativo. São
elas: a) a Missão Educativa Lassalista; b) o trabalho pedagógico-pastoral; c) a infra-estrutura e os
Serviços. Focos de Análise constituem um conjunto de descritores com representação das
informações relevantes a serem utilizadas em avaliações de larga escala que abrangem o universo
de sistemas de ensino, quais sejam: a) Rede La Salle; b) formação de Irmãos e Colaboradores (as)
Lassalistas; c) serviço educativo a pobres; d) identidade cristã da escola Lassalista. Questões
Específicas e Escala de Satisfação são aspectos pontuais e níveis de freqüência para análise e
interpretação de dados e apresentação de resultados.
           A base de dados para análise do processo avaliativo é construída a partir do Sphinx-Brasil,
software destinado ao processo de pesquisa e análise de dados acadêmicos e gerenciais. Esse
processo nos possibilita ter agilidade no processamento dos dados, feito totalmente no modo on
line. São convidados (as) a participarem do processo avaliativo nas escolas Lassalistas: a) alunos
(as) a partir da 1ª Ano do Ensino Fundamental; b) Irmãos que atuam nas escolas; c) Colaboradores
(as) Lassalistas – professores (as) e funcionários (as); d) Famílias de todos (as) os (as) alunos (as)
da escola. Os Quadros 2e 3 indicado logo a seguir, mostram indicativos sobre a adesão ao

5
    Para maiores informações sobre o assunto, consultar o endereço: www.delasalle.com.br
6
    Realizada em Veranópolis/RS, entre os dias 16 e 19 de outubro de 2007.
                                                                                                         2
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PROAVI-EB, por segmentos, nos anos de 2007 e 2008.


Quadro 2 – PROAVI-EB: respondentes por segmento em 2007
    SEGMENTOS                            RESPONDENTES – 2007

                                         PREVISTO                REALIZADO            PERCENTUAL


    ALUNOS(AS)                           9.307                   6.627                71,20%

    FAMILIARES                           9.657                   1.883                19,50%

    PROFESSORES(AS)                      743                     482                  64,87%

    FUNCIONÁRIOS(AS)                     607                     334                  55,02%

    TOTAL                                20.314                  9.317                45,86%

        Fonte: PLPOA. Relatório sintetizado do PROAVI-EB: 2007 e 2008.7
Quadro 3 – PROAVI-EB: respondentes por segmento em 2008
    SEGMENTOS                            RESPONDENTES - 2008

                                         PREVISTO                REALIZADO            PERCENTUAL


    ALUNOS(AS)                           9.060                   7.293                82,3%

    FAMILIARES                           4.403                   1.970                44,7%

    PROFESSORES(AS)                      779                     514                  65,9%

    FUNCIONÁRIOS(AS)                     648                     373                  57,5%

    TOTAL                                14.890                  10.150               68,2%

        Fonte: PLPOA. Relatório sintetizado do PROAVI-EB: 2007 e 2008.8
        As informações produzidas pelo Programa são de caráter global e específico. Permitem às
escolas, na perspectiva do trabalho em rede, por meio de suas Equipes Diretivas, Irmãos e
Colaboradores (as) Lassalistas: a) conhecer melhor seus processos; b) identificar suas potencialidades;
c) apontar suas fragilidades; d) enfrentar os desafios inerentes à gestão das escolas Lassalistas; e)
planejar a melhoria e os avanços dos processos e práticas institucionais9.
        As informações produzidas pelo Programa serão de caráter global e específico. Permitirão às
escolas, na perspectiva do trabalho em rede, por meio de suas Equipes Diretivas, Irmãos e
Colaboradores (as) Lassalistas: a) conhecer melhor seus processos; b) identificar suas potencialidades;
7
   UNILASALLE. Relatório sintetizado do PROAVI-EB: 2007 e 2008. Canoas: Setor de Avaliação Institucional,
2008, p.6.
8
  Idem, p.7.
9
  PROVÍNCIA LASSALISTA DE PORTO ALEGRE. Plano de Governo (2006-2009). Porto Alegre, 2006.
                                                                                                       3
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c) apontar suas fragilidades; d) enfrentar os desafios inerentes à gestão das Escolas Lassalistas; e)
planejar a melhoria e os avanços dos processos e práticas institucionais.

        Desenhadas a partir de um modelo dinâmico de gestão dos processos e práticas educativas,
no qual as diferentes dimensões do saber/fazer humanos devem ser continuamente trabalhadas nas
práticas escolares e não escolares para uma inserção bem-sucedida em um mundo em constante
transformação, a finalidade precípua dessas experiências é a melhoria dos indicadores de
desempenho educacional.

        Observa-se, contudo, a partir da possibilidade de re-visitar concepções hegemônicas e ao
mesmo tempo re-criar métodos e procedimentos de avaliação educacional interna e externa às
instituições, programas e cursos, que o foco não está direcionado exclusivamente para a apreensão
dos saberes escolares, mas amplia-se, de modo a incorporar no domínio de conhecimentos
científicos básicos, o exame da capacidade dos (as) estudantes de analisar, raciocinar e refletir
ativamente sobre seus conhecimentos e experiências, com ênfase para habilidades e competências
necessárias à vida moderna.

        A Nação anseia por superar privilégios e desigualdades e a economia demanda recursos
humanos mais qualificados. Essa é uma oportunidade histórica para as redes de ensino, sejam elas
públicas ou privadas para mobilizar recursos, inventividade e compromisso na criação de novas
formas de organização institucional, curricular e pedagógica, com a participação efetiva dos vários
sujeitos envolvidos em processos de avaliação educacional. A criação do Programa de Avaliação
Institucional (PROAVI) insere-se dentro deste propósito. Outrossim, procura dar continuidade não
somente o pioneirismo, mas também a posição de vanguarda dos Lassalistas na constituição da
história e da geografia da educação, em terras brasileiras.

        Concebido especificamente com o intuito de mapear o cotidiano organizacional representa,
em nosso entendimento, um poderoso instrumento da prática reflexiva a serviço da melhoria e
aprimoramento da gestão dos processos e práticas educativas, possibilitando realizar uma
significativa cartografia da identidade institucional vislumbrada em toda a complexidade de sua
Missão Educativa. Para o contexto de elaboração deste Artigo10 fizemos um recorte temático-
conceitual selecionando duas perguntas abertas respondidas por mulheres, nos segmentos alunas,
familiares, funcionárias e docentes. que constam da pesquisa de opinião, modulada no formulário
on line. São elas: 1) Cite três coisas importantes que você tem aprendido na Escola Lassalista? 2)
O que você pode fazer para melhorar a sua Escola?

10
  Parte Integrante da Pesquisa Coordenada pela Profa.Dra.Sandra Vidal Nogueira e intitulada,“Revisitando processos
curriculares na Rede La Salle: os sentidos do Programa de Avaliação Institucional (PROAVI)”.
                                                                                                                4
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A perspectiva holística da realidade é um aprendizado importante na Escola Lassalista


           A perspectiva holística da realidade é representada pelas Respondestes a partir da idéia de
uma consciência transdiciplinar de ser uma pessoa inteira, numa dimensão de cidadania plena.
Presente em todos os setores do conhecimento e também nos discursos proferidos pelas Mulheres
das Comunidades Educativas Lassalitas, ela diz respeito ao conjunto de saberes particulares,
visando o entendimento acerca dos mecanismos de funcionamentos humano e físico e espiritual.
Nesse sentido, a compreensão do real, sob a ótica holística, somente alcança uma definição, ainda
que provisória, a partir da análise das interrelações com outros elementos, e não pelo método
cartesiano, que "analisa o mundo em partes e organiza essas partes de acordo com leis causais"11
           Na Física as análises sobre o assunto são evidenciadas, sobretudo, pelos estudos do físico
Fritjof Capra. Segundo Capra, "a física moderna transcendeu a visão cartesiana mecanicista do
mundo e está nos conduzindo para uma concepção holística e intrinsecamente dinâmica do
universo"12. Há de se ressaltar, porém, que essa perspectiva ainda não é compartilhada
consensualmente na economia interna da ciência contemporânea. As relações sobre as quais
assentam-se a nossa perspectiva econômica, não obstante, têm corroborado essa visão holística de
ciência.
           A escola, concebida como sendo um espaço privilegiado de produção e apropriação de
saberes e conhecimentos é reconhecida nas Comunidades Educativas, por meio da voz das
Mulheres, tendo um sentido mais amplo, para além de simples aquisição de conteúdos, numa visão
disciplinar.
           Evidencia-se, portanto, a premissa de que não é suficiente discutir as formas ao acesso à
educação, à escola e ao conhecimento ou mesmo acumular dados e informações. É imprescindível
dominar o seu acesso, desenvolvendo habilidades e capacidades de processar e selecionar os
conteúdos que, de fato, sejam relevantes, dentro e fora dos limites geográficos das instituições.
           Para isso, tornar-se necessário romper com a visão simplista que dominou e de certo modo
ainda prevalece no contexto educacional nas últimas décadas, restringindo a noção de currículo, à
opção por uma determinada carga horária, ou mesmo à criação de disciplinas nas grades
curriculares dos cursos. Nesse sentido, os aprendizados de liberdade, independência e autonomia
ganham cor e forma, nos dizeres sobre o que se espera como finalidade última do trabalho

11
     CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. Trad. Álvaro Cabral. 22 ed., São Paulo, Cultrix, 1999, p.80.
12
     Idem, p.91.

                                                                                                        5
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educativo e pedagógico.
       Ao mesmo tempo em que é reiterada a relevância e atualidade das preocupações com a
abordagem de temáticas que versam sobre as estruturas de gestão da escola, traduzida no
planejamento, execução e avaliação institucional, aparecem também, preocupações em
compreender com mais profundidade como se processam as relações de ensino e aprendizagem e
sua multiplicidade de aspectos interdependentes.
       O que interessa para as Mulheres dessas Comunidades é entender melhor a significação e a
abrangência dos currículos propostos na contemporaneidade e promover indagações acerca de quais
são os interesses priorizados e quem são os sujeitos incluídos e excluídos dos projetos e ações
curriculares vigentes. Além disso, reconstruir referências na dinâmica da gestão da escola, com seus
rituais, rotinas e processos em perspectivas emancipatórias e transdisciplinares.
       Se por um lado, contudo, as opções curriculares respondem a perguntas sobre o que, como,
por que e para que ensinar e aprender, por outro, abrangem práticas sociais e históricas, de natureza
diversa (política, econômica, etc.), que por sua vez, produzem um certo modos operanti de idealizar
e implementar a gestão educativa, expressos em concepções e objetivos, atitudes e habilidade,
opções e decisões administrativas e pedagógicas.
       Nos plano religioso são enfatizas vivências de trabalho traduzidas sob a forma de atividades
cooperativas, em prol do reconhecimento, validade e igualdade das variadas crenças, com base
numa postura cristã e essencialmente ecumênica. No plano social podemos destacar os
reconhecimentos da igualdade entre as etnias e gêneros. Em ambos os planos, que num certo modo
se entrecruzam nos olhares Lassalistas priorizados neste Artigo, surgem expressões de desejo
explícito pela promoção cada vez maior de atributos que possam aliar trabalho e fé, tais como:
respeito e solidariedade, vida em comunhão e práticas de perdão e compartilhamento, além do
exercício da amorosidade.
       Ao se priorizar o debate acerca dos processos de seleção, estruturação, circulação e
legitimação do conhecimento e de ferramentas atualizadas de gestão da escola em sentido lato, bem
como análises em relação aos mecanismos de controle e reprodução, discriminação e exclusão, as
preocupações apresentadas estão voltadas para a urgência de se conhecer os indicadores qualitativos
e quantitativos das várias dimensões das políticas, processos e práticas escolares.
        O princípio aqui defendido é de que toda prática educativa está vinculada aos contextos
social, político e cultural nos quais a escolarização se constitui enquanto materialidade concreta.
Desse ponto de vista, não se pode esquecer que as mudanças de foco coincidem quase sempre, com



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transformações advindas inicialmente do mundo econômico13.
        A economia contemporânea, por sua vez, busca a superação de barreiras internas existentes
nas inúmeras nações que fazem parte desse mundo globalizado. Essas barreiras representam,
sobretudo, as múltiplas tradições humanas: caso esses preconceitos – assim são denominadas essas
tradições internas – persistam, não acontecerá a plena consolidação do capitalismo, na atualidade,
em sua versão neoliberais. Portanto, a econômica globalizada necessita de homens e mulheres que
correspondam à essas exigências, ou seja, homens e mulheres cujo comportamento e atitudes não
representem nenhum perigo ou ameaça à hegemonia econômica instaurada.
        Esse é um dos elementos chaves para compreendermos por que a visão holística não
incomoda os países ricos nos cenários projetados. Ao contrário, podemos constatar que a maioria
das publicações dessa área provêem desses países, principalmente dos EEUA.
        Na sua economia interna, a perspectiva holística de ciência possui conceitos de natureza,
espaço e tempo que visam a superação da física mecanicista. O problema, contudo, é que o holismo
tem contribuído para a estabilização de um mundo globalizador e excludente: não estamos aqui a
defender a perspectiva mecanicista de mundo, mas levantando alguns problemas de ordem prática.
É bom não esquecermos: cabe a essa nova física a criação de armas altamente destrutivas, armas
essas que não sabemos, ainda, como eliminar, constituindo-se numa sucata de altíssima
periculosidade.
        Ampliando assim, o foco de análise para visões projetivas do nível macro, as Respondentes
percebem que a ação educacional, seja ela circunscrita aos domínios de responsabilidade da escola,
da sociedade ou das famílias, não se restringem apenas às questões cognitivas, relativa aos
processos de ensino-aprendizagem. O espectro do campo educacional contempla raios de ação mais
abrangentes que incidem sobre os binômios clássicos de dualidades entre corpo e alma, matéria e
espírito. Nesse sentido, os desafios sinalizados apontam para o fato de que educação/escola e,
obviamente as pessoas que nela atuam, precisam conciliar esses binômios, em suas bases de atuação
pró-ativa, aliados aos indicadores de desenvolvimento auto-sustentável e justiça social.


Revitalizar uma visão multireferencial dos processos e das práticas educativas


        Estamos diante de um cenário que oportuniza revitalizar uma visão multireferencial dos
processos e das práticas educativas. Para cumprir tal desafio é indispensável, a priori, a


13
   Cf.SACRISTÁN, J. Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Trad. Ernani F. da Fonseca Rosa. Porto
Alegre: ArtMed, 1998.

                                                                                                           7
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reelaboração dos currículos nas diferentes áreas do conhecimento, como forma de reconhecer e
incorporar no espaço institucional olhares em perspectiva sobre a dinâmica escolar, objetivada por
uma visão multicultural dos processos14 Na realidade, toda a idéia de transpor as barreiras de certo
relativismo que perpassa a ciência contemporânea é a mesma estabelecida noutros meandros do
entorno social. Esses são, cremos, elementos imprescindíveis para uma séria reflexão sobre o nosso
modo de ver o mundo, pois podemos estar a um passo da nossa destruição, ou da nossa redenção.
Porém, as chaves desse sistema não estão em nossas mãos, mas, infelizmente, nas daqueles que
detêm o efetivo poder.
        Assim como a revolução galilaica representou a ruptura com valores de épocas passadas,
estamos hoje a atravessar esse mesmo processo de perdas. Toda superação de um paradigma
espelha profundas mudanças operadas numa concepção de mundo. A superação do paradigma
geocêntrico representou o fim de um longo período da hegemonia política feudal. E hoje, para onde
estamos a caminhar? Que estamos a viver uma crise, isso é evidente, o problema, contudo, é
estarmos no meio desse processo, e por isso não termos distância suficiente para uma análise
objetiva. O que nos resta, sob tais circunstâncias, senão conjecturar?
        Nesse sentido, no horizonte de preocupações presentes e futuras das Respondentes sobre o
que pode ser melhorado nas Escolas aparecem com alguns elementos. São eles: a) o aprimoramento
de ferramentas para desenvolver o trabalho coletivo; b) processo de formação continuada e em
serviço; c) promoção de projetos institucionais e interinstitucionais; d) qualificação de profissionais
mais competentes e criativos.
        A partir destes e de tantos outros questionamentos que emergem nos discursos, evidencia-se
a importância estratégica da avaliação institucional, focalizando a aprendizagem ou a organização,
para a construção de indicadores quantitativos e qualitativos legítimos e consistentes, que possam
assim, re-orientar as políticas educacionais nos níveis global e local e, desse modo, promover
revisões nas formas de gestão dos processos e práticas educativas. A avaliação é, pois, concebida
como sendo um ato político e como tal representa uma forma de ação e intervenção social.
Congrega diferentes sujeitos e organizações, sendo, pois, orientada por interesses, expectativas,
intencionalidades e necessidades de natureza diversa e muitas vezes distinta.

        Nos cenários vislumbrados, vale destaque em decorrência de sua centralidade, o princípio da


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 Cf. MCLAREN, Peter. Multiculturalismo revolucionário: pedagogia do dissenso para o novo milênio. Trad. Márcia
Moares e Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre, Artmed, 2000.




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      Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul.
       Universidade Federal de Santa Catarina – de 4 a 7 de maio de 2009.

flexibilidade curricular que potencializa as discussões numa perspectiva antagônica à da lógica
unidimensional, ou seja, transposição das barreiras da lógica disciplinar e combate a determinados
mitos prevalentes na Educação, tais como a universalidade dos conteúdos disciplinares, ou mesmo a
linearidade e a temporalidade na construção do conhecimento. As opções curriculares são
repensadas, desse modo, de acordo com suas possibilidades emancipatórias.
       A interdisciplinaridade, por sua vez, entendida como princípio dinâmico na organização do
saber, pressupõe a interação e o diálogo, tendo em vista o equilíbrio entre a natureza fragmentária e
a síntese simplificadora. Configurando-se como necessidade e desafio da atual materialidade
histórica, subjaz à composição do corpo docente e discente e à estrutura curricular, expressando, no
entanto, um grande problema a ser enfrentado nos plano material, histórico-cultural e
epistemológico.
       Representando, assim, uma conquista política e ética na busca pela democratização dos
critérios de seleção, organização, representação e socialização do saber institucionalizado, a
construção curricular nas escolas vai se processando sob a ótica de uma atividade constitutiva de
conhecimentos socialmente válidos, produzindo identidades e subjetividades sociais determinadas.
       Pode-se dizer que o processo de reestruturação dos currículos escolares pressupõe o resgate
das políticas de institucionalização, expansão e consolidação das instituições, em função de três
dimensões distintas: a ótica do desenvolvimento do segmento e sua projeção e a ótica regional.
Buscando fundamento nos princípios da autonomia institucional e da flexibilização, a evolução nas
formas de organização dos currículos escolares no âmbito da Educação Básica caminha na direção
do trabalho coletivo, e, se possível, de caráter interdisciplinar.
       Para finalizar as reflexões ensejadas neste Artigo, temos a convicção que o assunto tratado
aqui é um deate ainda inconcluso. Nunca, em toda a história humana, homens e mulheres estiveram
tão controlados e tão submetidos quanto atualmente. Esse nível de controle chegou a um ponto que
já é possível o preconceito genético: a escolha de empregados, de segurados e até da constituição
física e sexual do futuro filho. É, pois, urgente fortalecer nossa capacidade de superação!!




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