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ALCOA BRASIL1 by tyh64566

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									                                   CNM/CUT - CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS METALÚRGICOS DA
                                   CUT


                                   DIEESE - DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E
                                   ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS – SUBSEÇÃO CNM/CUT




ALCOA BRASIL 1


q ALCOA NO MUNDO
Resultados financeiros:

§
§   Primeiro trimestre de 2004: lucro de US$ 355 milhões (crescimento de 135%)

§
§   Segundo trimestre de 2004: lucro de US$ 404 milhões (crescimento de 87% frente a
igual período de 2003)

§
§   Terceiro trimestre 2004: lucro de US$ 283 milhões (crescimento de 1,1%)

§
§   Quarto trimestre de 2004: lucro de US$ 268 milhões (queda de 8% frente a igual
período de 2003)

§
§   Primeiro trimestre 2005: lucro de US$ milhões 260 milhões (queda de 26,8%)

§
§   Segundo trimestre 2005: lucro de US$ 460 milhões (crescimento de 13,9%)



       A Alcoa foi fundada em 1888 e emprega cerca de 131 mil trabalhadores em todo
mundo (2005) distribuídos em 300 unidades operacionais e escritórios comerciais, em 43
países. Em 2004, seu faturamento mundial somou US$ 23,4 bilhões.

       A Alcoa produz alumina, alumínio primário, extrudados, chapas e folhas, pó de
alumínio, produtos químicos industriais e tampas plásticas.

       O ano de 2005 tem sido marcado por um conjunto de medidas implementadas em
nível mundial sob o nome de “reestruturação da empresa”, mas que na verdade, tem
como objetivo reduzir custos através da redução do quadro funcional em cerca 5%. No

1 Documento elaborado em setembro de 2005. Os dados apresentados nesse estudo foram obtidos através de
jornais de circulação no Brasil, site nacional e mundial da Alcoa e de informações colhidas com dirigentes
sindicais.

                                                                                                        1
total, apenas no primeiro semestre serão eliminados 8.300 postos de trabalho e com essa
medida, economizará US$ 195 milhões anualmente. Essas medidas afetarão 121
unidades na América do Norte, Europa, América Latina e Austrália.

       As principais medidas são:

Divisão de produtos automotivos – eliminação de 3.500 postos de trabalho:

§
§   Fechamento da unidade de Hawesville (Kentucky, EUA);

§
§   Reestruturação da divisão de rodas automotivas fundidas, eliminando 800 postos de
trabalho em diversos países;

§
§   Eliminação de 2.500 postos de trabalho de fiação elétrica para automóvel da AFL.



Divisão de extrusão – eliminação de 1.000 postos de trabalho:

§
§   Otimização das operações aumentando a produtividade;

§
§   Alienação de ativos em várias fábricas de extrusão nos EUA e Europa.



Divisão de embalagens e bens de consumo – eliminação de 1.500 postos de
trabalho:

§
§   Demissão de trabalhadores;

§
§   Alienação de ativos, principalmente nos EUA.



Outros:

§
§   Fechamento da fundição de alumínio Hamburger Aluminium-Werk GmbH, em
Hamburgo, na Alemanha devido aos altos custos de energia elétrica;

§
§   Venda de 46,5% das ações que possuía da Elkem ASA por US$ 869 milhões;

§
§   Avaliação da unidade de fundição de alumínio Eastalco, em Frederick, Maryland,
EUA, que deve ser desativada até o final de 2005 por causa dos altos custos de energia
elétrica;

§
§   Eliminação de 250 postos de trabalho do grupo de produtos primários;

§
§   Eliminação de 80 postos de trabalho dos negócios globais de transformação;

§
§   Eliminação de 160 postos de trabalho em funções corporativas;

§
§   Avaliar a necessidade de cortar 2000 empregos em 2006.


                                                                                       2
          Além do projeto de “reestruturação” da empresa, ela prevê novos investimentos em
regiões que somam possibilidade de crescimento do mercado consumidor e baixo custo
de produção (mão-de-obra e energia elétrica). Os países alvo para investimento seriam
Brasil, Rússia, Índia e China.

          A avaliação é de que esses países estão apresentando crescimento, que será
dominado por produtos destinados à infra-estrutura, bens de consumo, transporte,
energia, comunicações e principalmente, commodities. Outra avaliação é de que cerca
de 1 bilhão de pessoas começarão a viver em centros urbanos até 2015, o que significa
um novo modo de vida, e um novo mercado consumidor. Além desses fatores, a empresa
prevê que o crescimento do comércio internacional passará dos atuais 25% do PIB
mundial para 40%, o que impõem a necessidade de ampliar participação nos mercados
locais.



q ALCOA NO BRASIL
          A empresa está presente no país desde 1965 no Brasil, é responsável por 20% da
produção nacional de alumínio. Os principais indicadores são:

§
§   Produção: 2003: 275,5 mil ton

                  2004: 292,7 mil ton

                  1º semestre 2005: 146,9 mil ton (crescimento de 1,7%)

§
§   Faturamento em 2004: US$ 1 bilhão (4,3% do faturamento mundial)

§
§   Emprego em 2005: 6 mil trabalhadores



          Em 2004 a Alcoa iniciou um grande programa de investimento no Brasil. Foram
anunciados na época US$ 1,4 bilhão até 2007. Com os investimentos na unidade da
Alumar (São Luiz, MA), que custará US$ 138 milhões, a empresa pretende ampliar a
produção de alumina de 1,3 para 3,3 milhões de toneladas e de alumínio de 380 mil para
420 mil de toneladas ao ano, visando suprir, principalmente, o mercado externo. Estima-
se que serão gerados 50 empregos diretos e 150 indiretos. Essa obra teve inicio em 2004
e já começa a surtir efeitos no volume produzido no segundo semestre de 2005.

          Com esse investimento na Alumar, a participação da Alcoa na empresa que era de
35,1% (outros 10% da Alcan, 36% da BHP Billinton, 18,9% da Abalco), passa para 60,5%
e a Alumar se tornará a segunda maior do setor na América Latina.




                                                                                        3
      No mês de setembro de 2005, a empresa anunciou um novo plano de investimento
de US$ 1,6 bilhão. Esse valor será investido na abertura de uma mina de bauxita, no
Pará, em Juriti, que custará US$ 400 milhões; expansão da refinaria de alumínio da
Alumar (US$ 1,1 bilhão) e modernização da unidade de Poços de Caldas (US$ 100
milhões). Segundo a direção da empresa, esses investimentos irão gerar 6,5 mil
empregos.

      No Brasil e na América do Sul a empresa pretende aumentar suas vendas no setor
automotivo, no mercado de rodas forjadas de alumínio em 50% até 2007. Ou seja, elevar
sua participação no mercado que hoje é de 4% para 15%. Como ainda é um mercado
reduzido no Brasil e na América do Sul, a empresa pretende também investir na
divulgação desse produto e na criação de mercado consumidor, para tanto, tem
estabelecido acordos comerciais com empresas de distribuição e treinamento de
vendedores para o produto.

      Outra área que a empresa está investindo é a divisão de distribuição de perfis de
alumínio. A partir de parcerias regionais, criou uma rede de lojas – a Alumínio & Cia –
com 40 unidades espalhadas pelo Brasil. O objetivo é atender as vendas no varejo de
perfis para esquadrias de janelas e portas produzidas pela Alcoa.



§
§   Unidades Alcoa

            Empresa/Localidade                                Produtos
Alcoa Alumínio - Itapissuma, PE              Produtos de alumínio (extrudados)
Alcoa Alumínio - Poços de Calda, MG          Alumínio primário
Alcoa Alumínio – Santo André, SP             Produtos de alumínio (extrudados)
Consórcio Alumar – São Luiz, MA              Alumina, alumínio primário
Alcoa Alumínio - Sorocaba, SP                Produtos de alumínio (extrudados)
Alcoa alumínio - Tubarão, SC                 Produtos de alumínio (extrudados)
São Paulo, SP                                Escritório central
Alcoa CSI Brasil – Alphaville, SP            Tampas e sistemas de fechamento
Alcoa CSI Brasil – Itapissuma, PE            Tampas e sistemas de fechamento
Alcoa Consumer Products – Barueri, SP        Embalagens e produtos para consumo
Alcoa Consumer Products – São Paulo, SP      Embalagens e produtos para consumo
AFL do Brasil - Itajubá, MG                  Produtos automotivos




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q PRINCIPAIS QUESTÕES SINDICAIS
Quadro da representação sindical na Alcoa/Brasil

         Empresa/Localidade                       Categoria            Central                   STIM
                                                                       Sindical
Alcoa Alumínio - Itapissuma, PE                 Metalúrgicos              CUT             Pernambuco
Alcoa Alumínio - Poços de Calda, MG             Metalúrgicos        Força Sindical          Poços de
                                                                                             calda
Alcoa Alumínio – Santo André, SP                Metalúrgicos              CUT                    ABC
Consórcio Alumar – São Luiz, MA                 Metalúrgi cos             CUT               São Luiz
Alcoa Alumínio - Sorocaba, SP                   Metalúrgicos              CUT               Sorocaba
Alcoa alumínio - Tubarão, SC                    Metalúrgicos        Força Sindical          Tubarão
São Paulo, SP (Escritório)                      Comerciários        Força Sindical         São Paulo
Alcoa CSI Brasil – Alphaville, SP               Metalúrgicos        Força Sindical           Osasco
Alcoa CSI Brasil – Itapissuma, PE               Metalúrgicos              CUT             Pernambuco
Alcoa Consumer Products – Barueri, SP           Metalúrgicos        Força Sindical           Osasco
Alcoa Consumer Products – São Paulo,            Metalúrgicos        Força Sindical         São Paulo
SP
AFL do Brasil - Itajubá, MG                     Metalúrgicos           Conlutas              Itajubá



      Segundo pesquisa realizada em 2004 por revista de circulação nacional, a Alcoa
foi avaliada como uma das 150 melhores empresas pra trabalhar considerando a
preocupação com a qualidade de vida dos trabalhadores e com a comunidade, onde
investiu fortemente para que seus trabalhadores atuassem como voluntário (40% de seus
empregados desenvolvem alguma ação de trabalho voluntário em mais de 150 projetos
patrocinadas pela empresa). Mas como veremos a seguir, os problemas descritos pelos
trabalhadores não confirmam o resultado dessa pesquisa.

      Uma das principais questões discutidas atualmente em empresas com processo de
produção ininterrupto, assim como a indústria de alumínio, é a jornada de trabalho de
36 horas com revezamento.

      Na Constituição de 1988 foi aprovada a Lei que define o Turno de Revezamento
para empresas com funcionamento ininterrupto com o limite de 36 horas semanais:

           “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria
           de sua condição social:

           XIV - Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento,
           salvo negociação coletiva.” (Constituição da República Federativa do Brasil, 1988.)

      Para essa conquista, muitos trabalhadores fizeram greves, manifestações,
sofreram repressão violenta, o que resultou inclusive, na perda de companheiros.



                                                                                                        5
          Apesar da falta de regulamentação posterior e de possibilitar uma brecha para que
as empresas pressionem os trabalhadores e suas entidades a abrir mão dessa conquista,
a legislação representou um avanço significativo para os trabalhadores que obtiveram a
redução da jornada de trabalho, com um sistema de revezamento que garantiu melhores
condições de trabalho, resultando também em melhores condições de saúde.

          No final da década de 90, dado o quadro político e econômico de crise, as
empresas iniciaram uma ofensiva para retroceder e retirar esta conquista. Agora em
2005, praticamente todas as empresas com processo de produção ininterrupto possuem
longas jornadas e/ou turno fixo.

          As entidades sindicais filiadas a CNTM/Força Sindical e a CNM/CUT que possuem
empresas com processo de produção ininterrupto chegaram a seguinte proposta para
iniciar uma campanha de redução da jornada de trabalho de 36 horas:

TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO

Para o regime de turnos ininterruptos de revezamento, a carga de trabalho semanal
será de no máximo 36 horas, em média. É vedada a adoção de turno ou turma fixo
(a).

          Essa proposta representa um ganho real para os trabalhadores e, acima de tudo,
garante uma jornada de trabalho que preserva a saúde do trabalhador.

          Além dessa questão geral, outras questões como saúde, salários e direitos
sindicais são problemas que os dirigentes sindicais e trabalhadores têm enfrentado na
unidades da Alcoa no Brasil, como podemos ver abaixo:



q      Alcoa Alumínio e Alcoa CSI Brasil - Itapissuma, PE
§
§      Número de trabalhadores: 1.100 trabalhadores diretos e 500 terceirizados
§
§      Piso salarial: R$ 520,00
§
§      Principais questões:
                 as precárias condições de trabalho e salários inferiores dos trabalhadores
              terceirizados, sob os quais o Sindicato não tem representação

q      Consórcio Alumar – São Luiz, MA
§
§      Número de trabalhadores: 1.780 trabalhadores diretos e 2.400 terceirizados
§
§      Piso salarial: R$963,60
§
§      Principais questões:
                 Em sintonia com a ofensiva das empresas brasileiras em rever a jornada de
              36 horas com turno de revezamento, a empresa decidiu que a partir de
              30/09/2005 a Alumar irá operar em regime de turno fixo. O sindicato e os
              trabalhadores não aceitam o retrocesso;




                                                                                          6
            Neste ano, pela primeira vez, o sindicato conquistou o direito de negociar
         melhores condições de trabalho para os funcionários contratados pelas
         empresas terceiras.

q  Alcoa Alumínio - Sorocaba, SP
§ Número de trabalhadores: 50 trabalhadores diretos (ela fechou há um ano atrás a
§
unidade de tratamento térmico e demitiu os trabalhadores)
§ Piso salarial: R$ 594,00
§
§ Principais questões:
§
             dificuldades na campanha salarial, já que a empresa, junto com as
         entidades patronais, não quer garantir a reposição salarial da inflação de 7,8%,
         além de querer rever clausulas que historicamente estão presentes no acordo
         coletivo de trabalho




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