Manuel Murguia (1833-1923) - MDL 2003
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Apdo.27, Tui
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(1833-1923)
-Historia de Galicia III
Murguía
-Discurso del señor académico presidente
de Tui, 1891
Manuel
-Discurso de Manuel Murguía nos Jogos Frorais
Textos tirados de:
MANUEL MURGUÍA
1 Manuel Murguía, o historiador, o homem que 2 sincera na composição popular [...]. Pois; olhai
avançou do "provincialismo" para o "regionalis- os romances portugueses e notareis que são
mo", é um referente inquestionável para a cons- como os nossos. [...] Vêm dumas mesmas fontes
trução ideológica do nacionalismo galego. nacionais, e são tão iguais na fala como nos senti-
mentos que expressam. Às vezes até se comple-
i i
Poderíamos pensar, a pror, que um historiador tam."
como ele (que com traços românticos e essencialis-
tas procura nos seus estudos as raízes do povo Para ele, igualmente que nos romances galegos,
galego numa suposta origem celta) procuraria tam- nos romances portugueses, na memória colectiva
bém uma origem ou, no mínimo, um presente indi- do povo português está guardada a "alma" do povo
vidualizador para a língua galega que desse validez galego, e está guardada na sua própria língua, pois
à sua afirmação: "língua diferente, diferente Murguía assume a identidade linguística galego-por-
nacionalidade". tuguesa como algo óbvio, como se pode ver na sua
resposta a "A D. Juan Valera":
Mas as leituras e a cultura do primeiro presidente
da Academia Galega não lhe vão permitir ficar por "Começa o Sr. Valera por assegurar uma verdade,
aí; não se vai reduzir o de Arteixo, embora não seja [...] que o Português e o galego são uma mesma
linguista, a uma visão tão simples e redutora da coisa. Descoberta notável! Por cá estamos fartos de
questão. o saber [...]."
No seu trabalho de historiador, os romances re- Esta unidade não é para ele uma característica
presentam para ele um objecto de estudo de grande do passado mas uma realidade viva no presente:
valor, por manifestar-se neles a fixação da memória
colectiva dum povo: "Uma e outra língua são totalmente a mesma nas
suas origens, no seu desenvolvimento, nas suas
"[...] a alma do nosso povo, late, forte e pura, e condições."
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E recorre à Gramática de las lenguas románi- "[...] o nosso idioma [...] tem uma literatura
cas de Diez para se justificar: representada pelos nomes gloriosos de Camões e
Vieira, de Garret e de Herculano [...]."
"[...] (a língua portuguesa) tem por território
Portugal e além disso a Galiza: o português e o Portugal é para Murguía a garantia de super-
galego são uma mesma língua." vivência do galego, que fica dentro das suas fron-
teiras nacionais protegido do imperialismo linguísti-
Estabelecer esta identidade permitir-lhe-á dizer co do castelhano pelo qual na Galiza se vê ameaça-
que o português não é outra coisa que o galego do:
literário e que do outro lado do Minho a nossa língua
goza duma normalidade de usos do seu nascimento "[...] nunca, nunca, nunca, pagaremos aos nos-
até à época contemporânea: sos irmãos portugueses [...] que fizeram do nosso
galego um idioma nacional. Mais afortunado que o
"Lembra-se-nos que o galego é o português, diz- provençal, encerrado na sua comarca, não mor-
se
- que no século XVI o galego se estacionou, e rerá."
esquecem que no português da décimo sexta cen-
túria, se escreveram Os Lusíadas. Com que ficamos Mas, além da conservação do galego no interior
então?" das fronteiras portuguesas, apresenta-nos Murguia
no seu discurso um outro factor de grande
Continuando no desenvolvimento desta ideia, importância que contribui para a supervivência da
são muitas as referências que Murguia fez à lite- nossa língua, a lusofonia, a expansão intercontinen-
ratura portuguesa para esclarecer que é nos seus tal da língua portuguesa, que converte o galego
escritores consagrados onde se encontra o modelo numa valiosa ferramenta de comunicação interna-
literário para a nossa língua: cional:
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"[...] a língua que falou este povo durante mais "O galego encontra-se hoje, para dita sua, nas
de dez séculos, que é a que falam e entendem cerca condições dum idioma em formação (eu acho que,
de três milhões de galegos, dezoito milhões de habi- umas mais do que outras, todas as línguas se
tantes de Portugal e dos seus domínios, doze do encontram no mesmo caso), pois, em definitiva, são
Brasil." por essência aquelas que não foram ainda fixadas
pela cultura literária. Por fortuna o português chegou
"No outro lado do oceano onde alguns se com- já a este ponto e pode servir-nos para contrastar as
prazem, erradamente, em minha opinião, em pôr o formas usadas novamente pelos que já as usaram
berço das nações do porvir, ouvir-se-á sempre a lín- num princípio."
gua que falamos, que vamos esquecendo e que de
novo terá a vida que merece, se é que temos a
consciência dos deveres que por própria vontade
nos impusemos. Na Ásia, na África, na mesma O seu primeiro presidente reserva-lhe esta impor-
Oceania falar-se-á ao lado das outras que conhece tante empresa à Academia Galega, instituição hoje
o mundo europeu e dominador. Deus que nos cas- tão afastada dos objectivos para os quais foi criada:
tigou tanto, deu-nos esta glória." "Não pode perecer um idioma que tem uma lite-
Mas estando na origem desta expansão, Murguia ratura gloriosa, e nomes que são orgulho da
vê ainda o galego, condicionado pelos factos históri- inteligência humana [em referência à literatura por-
cos, como uma língua em formação que deve cami- tuguesa]. Por isso, e para recolher em Galiza o seu
nhar na direcção marcada pelo português, longe do verdadeiro léxico, dar a conhecer a sua gramática e
influxo do castelhano: afirmar a sua existência, fundou-se esta Academia."
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