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Parecer sobre a liberao comerci

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					        Parecer sobre a liberação comercial do milho MON89034



       O milho MON89034 produz as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2
derivadas do Bacillus thuringiensis, os quais são ativas contra lepidopteros-
praga importantes nesta cultura. A proteína Cry1A.105 é uma proteína com
peso molecular de 133KDa. É uma proteína quimérica, que consiste dos
domínios I e II das proteínas Cry1Ab ou Cry 1Ac, do domínio III da proteína
Cry1F e do domínio C-terminal da proteína Cry1Ac. A proteína Cry2Ab2
produzida no milho MON89034 é também derivada do B. thuringiensis e
compartilha de 99,8% da identidade com a proteína selvagem Cry2Ab2,
diferindo apenas em um único aminoácido. O milho MON89034 fornece
controle eficaz contra a lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda, durante
toda a safra, e proteção significativa contra a Helicoverpa zea (lagarta da
espiga) e um elevado grau de controle de espécies de Ostrinia, de Diatraea,
broca asiática e broca européia do milho. No Brasil os insetos alvo são a
lagarta do cartucho, lagarta da espiga e a broca do colmo.

      O milho MON89034 foi produzido através de metodologia de
transformação mediada por Agrobacterium com o plasmídeo PV-ZMIR245,
que é um vetor binário contendo dois T-DNAs. O primeiro T-DNA designado
como T-DNA I, contém os cassetes de expressão dos genes cry1A.105 e
cry2Ab2. O segundo T-DNA, designado T-DNA II, contém o cassete de
expressão do gene nptII (neomicina fosfotransferase II). O gene nptII foi usado
como marcador de células transformadas e eliminado por melhoramento
clássico, não estando presente no MON89034. O promotor e35S, que regula
a expressão do gene cry1A.105 foi modificado de forma que a seqüência da
borda direita presente no plasmídeo PV-ZMIR245 foi substituída pela
seqüência da borda esquerda no milho MON89034. Sequencias estruturais
do plasmídeo ou do gene nptII não foram detectados. Análises de PCR e da
seqüência de DNA forneceram a seqüência completa do DNA do inserto e
confirmaram a organização dos elementos genéticos dentro do inserto. A
estabilidade do DNA integrado foi demonstrada por Southern blot com
resultados reproduzidos nas sete gerações testadas no histórico do
melhoramento.

       A quantificação da expressão das proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 foi
realizada em tecidos do milho MON89034 produzidos em vários ensaios de
campo no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos. A expressão das
proteínas foi quantificada em tecidos do milho MON89034 gerados em 3
locais no Brasil. Os níveis da proteína Cry2Ab2 nas amostras de tecidos do
milho controle convencional ficaram abaixo do limite de detecção do ensaio
para cada tipo de tecido.
      Os estudos de toxicidade oral aguda com camundongos demonstraram
que as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 não são tóxicas em caso de exposição
aguda e não causam efeitos adversos mesmo nas altas doses testadas, que
foram de 2.072 e 2.198mg/Kg de peso corporal, respectivamente. A
avaliação de segurança para uso na dieta baseada nos dados de toxicidade
oral aguda e no padrão de consumo de milho estabeleceu que as margens de
exposição (MOE) para a população americana em geral foram de > 199.000 e
981.000 para as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2, respectivamente. As
margens de exposição são de > 79.400 e 390.000 para as proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2, respectivamente, para crianças entre 3 e 5 anos. Do
mesmo modo que o potencial alergênico da experessão de produtos pelas
ORFs codificando para proteínas nas regiões flanqueadoras dos insertos foi
considerada, e nenhuma semelhança com alergênicos foi encontrada.

      A avaliação de composição dos grãos e forragem de vários locais de
campo das principais regiões produtoras de milho, é equivalente em termos
nutricionais e de composição, e tão seguro e nutritivo quanto a sua
contraparte convencional. As análises de composição avaliaram 77
componentes, incluindo proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, cinzas,
umidade, aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas, antinutrientes, metabólitos
secundários e mineirais. Apesar de três componentes apresentarem
diferenças estatísticas, estas são consideradas pequenas em função do
intervalo de variabilidade natural, sendo que estes intervalos ficaram dentro
dos intervalos das 15 referências comerciais utilizadas nos experimentos e
dentro dos intervalos encontrados no banco de dados de composição do ILSI
(International Life Science Institute).

       Os resultados contidos no relatório mostram que o milho MON89034
não possui potencial para se tornar uma planta daninha, não apresenta
efeitos adversos à saúde humana e animal e nem impacto ambiental
adverso. A caracterização molecular do DNA inserido mostrou que a inserção
de uma única cópia funcional dos cassetes de expressão dos genes de Bt em
um único locus no genoma do milho que o milho MON89034 não possui
maior potencial para se tornar uma planta invasora se comparada ao milho
convencional. Neste caso os parâmetros avaliados foram: 5 parâmetros de
germinação de sementes, duas características de pólen, 14 características de
crescimento e desenvolvimento da planta e mais de 70 observações para
cada interação planta-inseto, planta-doença, e respostas da planta a fatores
de estresse abiótico.

      Estudos bioquímicos comparativos indicaram que as proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2 têm diferenças importantes no seu modo de ação,
especificamente no modo de como se ligam a receptores do intestino médio
dos insetos lepidópteros. A probabilidade de resistência cruzadas entre essas
duas proteínas é baixa. Estudos in vitro e in planta com as proteínas de Bt e
demonstraram que ambas são muito ativas contra as pragas primárias de
milho (broca européia do milho, broca asiática do milho, broca do colmo,
lagarta do cartucho e lagarta da espiga). Os dados apresentados no relatório
mostram.

      Organismos alvo e não alvo:

     A avaliação ambiental do milho MON 89034 e das proteínas Cry1A.105
e Cry2Ab2 indica que essas duas proteínas não representam risco adicional
de efeitos adversos para organismos não-alvo e espécies ameaçadas. A
avaliação levou em consideração o modo-de-ação das proteínas Cry, o
espectro de atividade das proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2, os níveis de
expressão das duas proteínas no milho MON 89034, o destino ambiental das
proteínas, a ausência de interações entre as duas proteínas e os testes de
alimentação de organismos não-alvo representativos com as duas proteínas.
Os organismos não-alvo testados incluíram mamífero (camundongo), aves
(aves jovens e codornas), inseto aquático (Daphnia magna), decompositores
de solo (colêmbolos e minhocas) e insetos benéficos (abelhas, percevejos
predadores, joaninhas e vespa parasitóide). As margens de exposição (MOE)
para os insetos não-alvo expostos às proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 são
maiores ou iguais a 14. Os resultados obtidos mostram que é improvável que
o milho MON 89034 cause efeitos adversos sobre esses organismos nas
condições de uso.

     A abundância de insetos-alvo e não-alvo foi avaliada em um
levantamento da entomofauna na safra 2007/2008 em quatro Estações
Experimentais localizadas em áreas representativas para a cultura do milho.
Foram utilizadas armadilhas adesivas dispostas na altura do dossel das
plantas de milho e armadilhas de solo colocadas junto ao colmo das plantas,
na superfície do solo. As quatro repetições dos tratamentos (milho MON
89034, milho controle e referências comerciais) foram avaliadas em quatro
diferentes tempos de coleta, e os resultados encontrados demonstram que as
espécies ou famílias de insetos coletados e identificados em 235
comparações não apresentaram uma tendência de comportamento, sem
observação de aumento ou diminuição da visitação de insetos entre parcelas
com o milho MON 89034, com o milho controle ou com as referências
comerciais. Os insetos encontrados representam espécies e/ou famílias
normalmente encontradas frequentemente na cultura do milho nas
diferentes áreas onde o experimento foi conduzido. A visitação similar
observada nas parcelas de milho MON 89034, milho controle e referências
comerciais indicam que a introdução da característica de resistência a
lepidópteros-praga não interfere na visitação da cultura do milho no Brasil
pelos insetos avaliados.
      Resultados de pesquisa demonstram que as proteínas Cry1A.105 e
Cry2Ab2 se ligam a alguns componentes únicos da borda em escova da
membrana do intestino médio dos insetos-alvo do milho MON 89034, e
também compartilham de locais de ligação em comum. Pela avaliação de um
limitado número de albuminas de soro bovino glicosiladas, mostrou-se que
galactosamina é reconhecida apenas pela proteína Cry1A.105, enquanto a
proteína Cry2Ab2 demonstrou uma alta afinidade para N-acetilglucosamina
e galactosamina. Essas diferenças são vantajosas para o manejo de
resistência de insetos no milho MON 89034, pois resultam na baixa
probabilidade de resistência cruzada entre as duas proteínas nos insetos-
alvo.

     Estudos foram conduzidos para avaliar o espectro das atividades
inseticidas das proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 com uma variedade de
insetos de importância agronômica de três taxa principais. As espécies de
insetos testadas incluíram: 1) quatro representantes de lepidópteros:
lagarta-da-espiga, lagarta-do-cartucho, lagarta-rosca e broca européia do
milho; 2) dois representantes de coleópteros: bicudo (Anthonomus grandis
grandis) e broca de raiz (Diabrotica undecimpunctata howardi); e 3) dois
representantes de hemípteros: percevejo do algodoeiro (Lygus hesperus) e
pulgão verde (Myzus persicae). Os insetos foram expostos durante 5 a 7 dias
a diferentes de concentrações das proteínas Cry1A.105 ou Cry2Ab2 até 80
ou 100 µg/mL proteína na dieta de insetos usando procedimentos de
bioensaio com incorporação na dieta ou por meio do tratamento superficial
da dieta artificial. Os resultados mostraram que as proteínas Cry1A.105 e
Cry2Ab2 tiveram atividade contra os quatro representantes dos insetos
lepidópteros, mas não houve indicação de que essas duas proteínas tenham
atividade contra as espécies de coleópteros e hemípteros avaliadas. Esses
resultados confirmam que, dentro do uso agrícola esperado, essas proteínas
têm como alvo apenas lepidópteros-praga. Os insetos lepidópteros-alvo do
milho MON 89034 são: espécies de Spodoptera (como a lagarta-do-cartucho
S. frugiperda); Helicoverpa zea (lagarta-da-espiga); espécies de Diatraea
(como a broca-do-colmo); espécies de Ostrinia (como a broca européia do
milho e broca asiática do milho); Noctuídeos (algumas lagartas-do-solo,
lagartas que atacam o cartucho e a espiga do milho).

     A avaliação de risco das proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 para
organismos não-alvo é um processo de múltiplas fases que leva em
consideração a identificação e a caracterização do perigo, a avaliação da
exposição e a caracterização do risco. A identificação e a caracterização do
perigo inclui o teste do espectro de atividade inseticida das proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2, a avaliação da eficácia do milho MON 89034 contra
as pragas-alvo de milho, e o potencial para interação entre as proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2. O espectro de atividade inseticida das proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2 é típico das classes de proteínas Cry1 e Cry2 de
Bacillus thuringiensis. A avaliação da exposição da análise de risco de
organismos não-alvo deve passar por três etapas: 1- a quantificação dos
níveis de expressão das proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 em tecidos de milho
MON 89034; 2- um cálculo conservativo das margens de exposição baseadas
na quantidade máxima de tecido de milho a que os organismos não-alvo
possam ser expostos; e 3- a avaliação do destino ambiental das proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2 no solo. Os valores de expressão de vários tipos de
tecidos foram usados para calcular as doses usadas nos testes de toxicidade
para organismos não-alvo. A dosagem nos testes com organismos não-alvo
foi baseada na máxima concentração ambiental estimada (MEEC) das
proteínas Cry1A.105 e/ou Cry2Ab2 presentes nos tecidos que podem ser
ingeridos pelo organismo não-alvo modelo. A margem de exposição (MOE)
utilizada foi pelo menos 10-vezes maior que a MEEC usada nos testes. Os
níveis máximos de expressão para as proteínas Cry1A.105 (8,8 μg/g peso na
base úmida) e Cry2Ab2 (0,47 μg/g peso na base úmida) em pólen foram
usados para determinar as doses para abelhas, joaninhas, vespa parasitóide
e percevejos predadores, para os quais o pólen representa a principal rota de
exposição. Essa avaliação incluiu a toxicidade contra mamíferos
(camundongo), aves (aves jovens e codornas), inseto aquático (Daphnia
magna), decompositores de solo (colêmbolos e minhoca) e insetos benéficos
(abelha [Apis mellifera]; percevejos predadores [Orius insidiosus], joaninha
[Coleomegilla maculata]; e vespa parasitóide [Ichneumon promissorius]). Do
mesmo modo que outras proteínas Cry, os resultados mostraram que as
proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 não têm potencial para produzir efeitos
adversos sobre espécies terrestres representativas de invertebrados benéficos
nos níveis de exposição no campo.

     Organismos de solo podem ser expostos às proteínas Cry1A.105 e
Cry2Ab2 através do contato com as raízes, com os restos culturais no solo
ou com o pólen depositado no solo. A exposição de microrganismos pode
ocorrer por alimentação na biomassa viva ou morta do milho, ou pela
ingestão ou absorção das proteínas Cry após a sua liberação no solo.
Algumas características do solo como pH e conteúdo de argila podem alterar
a taxa de degradação das proteínas Cry. Estudos publicados na literatura
sugerem que as proteínas Cry podem se ligar à argila no solo e se tornar
mais resistentes a degradação por microrganismos, entretanto, o pH do solo
próximo ou acima da neutralidade aumenta substancialmente a taxa de
degradação das proteínas Cry. Em grande parte, o milho é cultivado em
solos com pH próximo do neutro, ou seja, sob condições favoráveis para
degradação das proteínas Cry. Estudos de monitoramento a campo
mostraram não haver persistência ou acúmulo das proteínas Cry nos
campos onde o milho expressando a proteína Cry1Ab, ou a proteína
Cry3Bb1, e o algodão expressando a proteína Cry1Ac foram cultivados
continuamente por vários anos. Vários estudos sobre os efeitos das
proteínas Cry em organismos que habitam o solo mostraram pouco ou
nenhum impacto dessas proteínas sobre a microflora de solo. Esses
resultados, aliados aos resultados de ausência de persistência das proteínas
Cry1A.105 e Cry2Ab2 no solo, sugerem que existe um risco desprezível para
organismos que vivem no solo advindo da sua exposição ao milho MON
89034 que expressa essas proteínas. Resultados de pesquisa sobre a
Unidade Formadora de Colônias (UFC) sugerem que a característica de
resistência a insetos no milho MON 89034 não causa modificação das
populações de bactérias, fungos e actinomicetos nos solos onde esse milho é
cultivado, em comparação com o solo cultivado com o milho controle
convencional e as referências comerciais.

    INFORMAÇÃO REFERENTE A EVENTUAL INTERAÇÃO ENTRE AS
                       PROTEÍNAS.

     As proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 foram testadas sozinhas e em
combinação contra duas espécies de lepidópteros sensíveis, a broca européia
do milho, Ostrinia nubilalis (Lepidoptera: Crambidae), e a lagarta-da-espiga,
Helicoverpa zea (Lepidoptera: Noctuidae). Os insetos foram expostos às
proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 purificadas em bioensaios com incorporação
das proteínas em dieta. As proteínas purificadas foram produzidas em E. coli
e são fisicoquímica e funcionalmente equivalentes às proteínas produzidas
no milho MON 89034. As interações entre as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2
foram avaliadas usando um modelo simples de ação similar (adição de dose).
Esse modelo foi escolhido porque as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2
possuem modo-de-ação similar (são formadoras de poros intestinais).
Diluições seriais da proteína Cry1A.105, da proteína Cry2Ab2 e de uma
mistura 1:1 peso/peso das duas proteínas foram testadas para avaliar o
controle da broca européia do milho e da lagarta-da-espiga de maneira
concorrente, determinando os valores de efeitos médios para cada proteína e
para a mistura. Os valores de efeitos médios esperados para a mistura foram
calculados com base na adição dos valores obtidos para cada proteína
individual como função das concentrações das proteínas individuais. Os
valores esperados da mistura foram então comparados com os valores
observados e seus intervalos de 95% de confiança para determinar qual
modelo (sinergístico, antagonístico ou aditivo) melhor se aplica para a
atividade inseticida da mistura.

     Essa análise demonstrou que essas proteínas têm uma atividade
inseticida aditiva e que efeitos sinergísticos ou antagonísticos não foram
observados. Os resultados desse estudo foram consistentes com os
resultados de um estudo anterior que demonstrou que não existe interação
entre as proteínas Cry1Ac e Cry2Ab2. Portanto, é apropriado que a
segurança de cada proteína para organismos não-alvo seja avaliada
independentemente nos estudos realizados.

     Pelo exposto, o milho MON89034 não possui características deletérias
para o meio ambiente, não causa dano em organismos não alvo, possui
características agronômicas similar a sua isolinha não transformada e não
causa dano a saúda humana e animal. Deste modo, sou pelo deferimento do
milho MON89034.



    Fernando Hercos Valicente

    01/10/2009

				
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