Professor bibliotecario

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Professor bibliotecario
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7/18/2010
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Professor bibliotecário: em defesa da ausência da componente lectiva



Por mim, aliás, tenho uma perspectiva um pouco diversa da dominante em

Portugal, a saber: acho que as bibliotecas escolares precisam, para serem de

qualidade e servirem efectivamente para melhor ensino e aprendizagem nas

escolas, de ser geridas por pessoal especializado. Defendo, pessoalmente, que

tanto podem ser bibliotecários escolares (em certos países assim é, mas

estão rapidamente a adquirir competências como professores) como podem

ser professores bibliotecários (associando a competências de docência as

competências profissionais efectivas de gestão de informação e de bibliotecas,

mas isso é outra conversa).







O ponto do Ramiro é: podem ter uma turma ou têm de ter uma turma? Por mim

podem, mas não têm de... prefiro soluções abertas, flexíveis, salvaguardados

os mínimos porque as pessoas concretas são muito diferentes, e os contextos

também. Sou pragmática, não me cabem teses académicas. O meu campo é o

da acção... e por isso a teoria me é tão necessária! Não acredito em receitas

como também não acredito em simplismos (uma biblioteca NÂO é uma sala

com livros, é muito mais que isso - embora também seja isso). No entanto, é

sintomático os países em que as bibliotecas escolares são mais efectivas

tenham pessoal especializado e dedicado a estas funções. E quando não têm,

por exemplo por não haver dinheiro, sentem-lhe a falta e lamentam-se por isso

ou procuram resolver isso.







Um outro problema associado é o da visão do percurso profissional de cada

professor, sobretudo dos que vão assumindo cargos na escola, e da

importância de ter sempre uma turma senão "perde o pé" e olvida para todo o

sempre o que é ensinar e aprender na sala de aula. Essa coisa da relação dos

alunos com o professor na sala de aula e fora dela levava-nos longe também,

mas é outra história.







Se assumirmos como positivo o exercício de cargos de gestão por docentes

"de sala de aula" nas escolas, princípio com que também concordo, mais tarde

ou mais cedo certos cargos vão apresentar incompatibilidade com o horário

regular completo de docente - director de escola, coordenador de

estabelecimento, coordenador de mega-agrupamentos...







Na fase de expansão e consolidação da RBE em que nos encontramos,

reconhecida de forma geral como um sinal positivo nas escolas portuguesas, e

na gestão de recursos públicos e culturais (por parceira local com as

bibliotecas municipais), precisamos de dedicação dos professores

bibliotecários; ter turma não só exclui os colegas de ciclos com monodocência

(o que para mim é não apenas discriminação, mas sobretudo rematado

disparate, pois as competências de cada um dependem do seu percurso

profissional e de formação, e não do "ciclo de origem", como confirmamos

diariamente com tantos colegas) como na prática dificulta a efectiva

coordenação dos serviços de biblioteca por parte daquele que na lei a devia

coordenar.



A formação contínua, por outro lado, é muito exigente no domínio das

bibliotecas escolares actuais, orientada para a função, e atendendo à veloz

transformação dos recursos tecnológicos, de gestão e de conhecimento no

domínio do seu papel educativo em articulação não apenas com esta ou aquela

disciplina (e correspondentes práticas, em sala de aula, desses professores)

mas de toda a escola/agrupamento, incluindo as actividades lectivas e o

curriculum "oculto" que se revela na autonomia dos jovens que procuram a

biblioteca por si próprios, e com quem é preciso estabelecer relações positivas,

directamente, tal como o é preciso fazer através de e com os professores de

cada turma e área curricular.







Por outro lado, dar aulas, "ter turma(s)", é fisicamente exigente, o que significa

que quem opta pela solução de horário uma turma + biblioteca objectivamente

tem de fazer muito mais ginástica para acudir às responsabilidades que lhe são

pedidas, como são a quem não tem turma.







Actualmente, a portaria do professor bibliotecário alarga uma solução que já foi

testada durante dois anos com grupos pequenos de coordenadores, e a prática

tem revelado muitos dados, sobre os quais temos de pensar, como o factor

turma, mas também o factor formação, visão da biblioteca, expectativas da

gestão e da escola face à biblioteca e à leitura - e que aí trabalha, por vezes

encarado como "gente folgada sem nada para fazer que interesse".

Pensamento simples que de resto assalta muito “boas” almas, relativamente a

outros colegas, como os professores do ensino especial, os que assumem

cargos com redução horária, usufruem de anos sabáticos para estudar, etc







O que revela algo da cultura pedagógica real dominante, quantas vezes

legitimadora de práticas bem bem recuadas... e ineficazes, o que é pior.







Não quero com isto dizer que na gestão das bibliotecas seja tudo um mar de

rosas, uma chuva tépida de perfeições iluminadas... Longe disso. Estou porém

convicta que para se fazer o trabalho que os nossos alunos e alunas merecem,

até para gerir BEM equipas e projectos quando as/os há, é preciso dedicação e

empenho que absorvem horário inteiro, e "a turma" pesa... e dispersa. Também

aqui há possíveis perversidades: encarar toda a escola à imagem e

semelhança da “minha” turma, mesmo que ela não seja uma amostra

significativa em pot-pourri.. No entanto, acho que cada profissional consciente

poderá optar perante as situações concretas, pesando os prós e os contras, e o

tempo de que precisa para cumprir o que entende necessário.



Maria José Vitorino



Professora Bibliotecária







Em Portugal não há nas escolas públicas responsáveis por bibliotecas que não

tenham sido professores. Neste ponto concordo com a tendência internacional

que reforça o critério da formação destes profissionais em ensino, mas também

aponta para um mínimo de 5 anos de experiência de ensino directo full time.

No caso dos bibliotecários escolares (school librarians) há tendências similares.

Em todos os casos, como sabemos, além de formação académica, ganha-se

sempre quando há estágios acompanhados (no ensino, como nas bibliotecas, e

em ambos os casos entre nós há falhas).







Um professor recém-formado para a docência em monodocência ou como

professor de uma disciplina pode entrar no mercado de trabalho com cerca de

24 anos - é razoável esperar que até aos 64 (?) passe por diferentes modos de

ser professor, e vá aprendendo e memorizando saberes sobre a escola e as

aulas, desempenhando diferentes paéis e funções na escola. A escola muda,

as salas de aula também... e os "learning environments" pululam. Não defendo

deslumbramentos tecnológicos, acho que o bom professor se testa no contacto

directo com os alunos, mas também não me parece correcto ignorar que as

verdadeiras bibliotecas escolares de qualidade, espaços de liberdade e

conhecimento, requerem que o professor bibliotecário esteja sempre em

contacto com os alunos. E com os professores, de um modo diferente, que a

muitos de nós fez descobrir quase uma outra escola, invisível dentro de cada

conselho de turma, de cada conselho de docentes.



Ninguém faz bibliotecas sozinho, e a importância de ter turma, ou não,

individualmente, está por ser estudada no xadrez dos ingredientes da boa

biblioteca.


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I am a teacher, blogger and writer. I edit 4 blogs: www.profblog.org www.ramiromarques.com www.basedadosramiro.com www.buzzluso.com My main interests are: education and digital tech. I have been writing and blogging on socia (More...)

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