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					DOM CASMURRO a obra
“ Eu gosto de catar o mínimo e o escondido.Onde ninguém mete o nariz entra o meu com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto.”
(Machado de Assis)

(1839-1908)

Machado de Assis
• Dom Casmurro é um romance do escritor brasileiro Machado de Assis. Foi publicado em 1899, e é um dos livros da literatura brasileira mais traduzidos para outros idiomas. • É uma obra do Realismo brasileiro. • Helen Caldwell, crítica estadunidense, autora de três livros sobre Machado, considera Dom Casmurro o Otelo brasileiro.

• MACHADO DE ASSIS • Machado foi um autor acima de seu tempo; escreveu em todos os gêneros (crônica, contos, poemas, teatro, romances); • * Considerado “gênio da raça” • * Um polígrafo inclassificável • * Antenas de vanguarda (característica a frente de seu tempo como as digressões, metalinguagem e intertextualidades ). • * Grande poeta. • * Razoável cronista. • * Razoável teatrólogo. • * É na prosa que se realiza ( contos e romances).

• MACHADO DE ASSIS (1839 – 1908)

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Na 1ª fase – ROMÂNTICA – destacam –se: • * A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia, Ressurreição.
• • Na 2ª fase – REALISTA – as obras: * Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Memorial de Aires.

Dom Casmurro
• Narrado em primeira pessoa, Dom Casmurro foi publicado em 1900, embora a data da edição seja de 1899. Essa obra continua a trajetória de renovação iniciada com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881. O emprego de capítulos curtos, da já conhecida ironia, do pessimismo amargo e de técnicas narrativas renovadoras, como as digressões, metalinguagem e intertextualidades, mantêm-se também nesse romance.

Um narrador pouco confiável
• Muitos estudiosos da obra de Machado advertem para a necessidade de o leitor de Dom Casmurro manter-se independente das sugestões e insinuações do narrador.Não podemos confiar na narrativa de um homem certo de ter sido traído pela esposa,nem mesmo saber se houve um envolvimento amoroso entre Capitu e Escobar.Porque é apenas Bento Santiago,amargurado e só,que decide o que deve ou não ser relatado ao leitor. • A grande questão do livro deixa de ser se Capitu cometeu ou não adultério.O que importa é perceber como Machado de Assis foi capaz de retratar,de modo extraordinário o comportamento de um homem transtornado pelo ciúmes. Machado foi o mais fino

analista da alma humana, mergulhando densamente na psicologia de suas personagens para decifrar-lhes os enigmas da alma, seus sofrimentos, pensamentos e retirando desse mundo íntimo um retrato humano e social até hoje insuperável .

Estilo de Época
 Dom Casmurro se enquadra na 2ª fase machadiana, na qual sobressaem traços do estilo realista. Assim, as personagens realistas apresentam mais defeitos do que qualidades, destacando-se as temáticas do adultério, dos interesses econômicos, da ambição desmedida, da dissimulação e da vaidade etc.  Geralmente os romances realistas fundamentam-se num caso de adultério, como se pode ver também nas obras de Eça de Queirós e Aluísio Azevedo entre outros. Em Dom Casmurro é exatamente a suspeita de adultério que sustenta o enredo do romance. Tudo se constrói em torno desse possível adultério de Capitu, entretanto, não há preocupação excessiva em contar a história, preocupação maior é com a análise dissecante e profunda em que o escritor procura desnudar a personagem e revelar a sua entranhas, por isso o autor retroage a infância tentando buscar a origem do problema focalizado

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 A narrativa é lenta, pausada. O próprio Machado reconhece isso, ao declarar em uma passagem de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” que vale também para Dom Casmurro: “... o livro anda devagar; tu (conversa com o leitor) armas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...”  Embora adote a 1ª pessoa como técnica narrativa, o narrador de Dom Casmurro se coloca à distância: no extremo da vida (velhice), o protagonista masculino reconstitui o seu passado, assumindo um ângulo de visão marcada pela objetividade. Embora seja personagem da história e participe dela, o narrador coloca-se fora e ausente enquanto narra e constitui os fatos (flash-back).

Elementos da narrativa
• Ação: a promessa de D. Glória de tornar o filho padre e o amor entre Bentinho e Capitu. • Espaço:uma pluralidade geográfica – cidade do Rio de janeiro,mais especificamente na rua de Matacavalos,numa casa assobradada referente à adolescência de Bentinho.Depois de casado na rua da Glória.Mais tarde no Engenho Novo(reprodução da casa da infância);Europa onde Capitu foi viver e Jerusalém onde Ezequiel morreu. • Tempo: Psicológico(memórias de um cinquentão),embora a narração tenha sido feita cronologicamente(infância/adolescência/fase adulta) • Personagens: Capitu,Bentinho,D.Glória,José Dias,Escobar.Pe.Cabral,prima Justina,Ezequiel • Foco Narrativo: Narrador-personagem

DOM CASMURRO (Machado de Assis) • TÍTULO:  Deve-se ao temperamento Casmurro de Bentinho, que, recolhido à solidão de sua casa conta à própria vida.

Enredo
Apaixonado por Capitu, mas destinado ao seminário por promessa de sua mãe, Bentinho, no seminário conhece Escobar, seu melhor amigo. Decidido a abandonar o seminário casa-se com Capitu, seu amor de infância, descrita como dissimulada e esquiva. Certas atitudes da esposa levam-nos a desconfiar que ela o traía com Escobar. Com a morte deste e a tristeza de Capitu, aumenta-lhe a suspeita, acrescida do fato de descobrir em seu filho traços fisionômicos do amigo morto. O casal separa-se. Para o leitor fica a eterna dúvida se Bentinho fora traído ou se tudo não passou de imaginação sua.

Organização/Estrutura
 Narrado em 1ª pessoa pelo protagonista masculino que dá nome ao romance.  O romance é construído a partir de um flash-back, por um cinquentão solitário e casmurro “a procura do tempo perdido”, o qual procura as duas pontas da vida – a infância e velhice. Perpassa, pois o romance, uma atmosfera memorialista, mas não tem nada a ver com o Machado de Assis.  Contém títulos precisos que refletem seu conteúdo em capítulos curtos.  A narrativa é lenta até o capítulo XCVII (97), quando o narrador sai do seminário “com mais de 17 anos”, focaliza-se em câmera lenta a infância e a adolescência, dada a necessidade do narrador traçar um perfil dos protagonistas (Bentinho e Capitu), revelando desde as entranhas o caráter e as tendências de cada um.

 Quanto ao local em que decorre a ação, tratase do Rio de Janeiro – época do império – há inúmeras referências a lugares, ruas, bairros, praças, teatros, salões de baile que evocam essa cidade imperial. Mas há referências a São Paulo, onde Bentinho estudou Direito e também à Europa onde morre Capitu, e mesmo aos lugares sagrados onde morre Ezequiel (Jerusalém).  O tempo, cronologicamente falando, decorre durante o 2º império, contudo o tempo que domina no livro não é o cronológico, é o psicológico que se passa dentro das personagens, dentro da própria vida.

 “Debruçado sobre a reconstrução do longínquo início de outrora, o solitário e magoado Dom Casmurro vai reconstituindo o “tempo perdido” de sua existência, filtrando os fatos sob sua ótica de cinquentão amargurado, revivendo a vida subjacente, que faz nas suas entranhas”. (Prof. Delson Gonçalves).

PERSONAGENS
a) Capitu

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Capitu é um desafio a crítica com seu enigma, sutilmente criado por Machado de Assis. Capitu traiu ou não Bentinho? A pergunta continua sem resposta, pois a versão que temos para julgá-la é nos dada por um narrador suspeito – um marido envenenado pelo ciúme e de imaginação bastante fértil como revelam muitos personagens do livro. Por outro lado, Capitu, com seus “olhos de ressaca” e de “cigana obliqua e dissimulada”, contribui ainda mais para fortalecer a dúvida; ela sabe sair-se bem de situações difíceis – ela sabe dissimular, como no episódio do penteado e da inscrição do muro. Inteligente, prática, personalidade forte e marcante acaba se tornando a dona do romance. No final acusada pelo marido enciumado, revela-se nobre a altiva ao não responder as acusações. O seu silêncio confere-lhe a grandeza e contribui mais ainda para acentuar a dúvida que paira sobre seu adultério.

• b) Dom Casmurro

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Bentinho revela-se uma criança/adolescente marcado pela timidez, sem muita iniciativa e dependente da mãe, mas tinha uma imaginação fértil (capítulo XXIX – o imperador). Levado para o seminário (promessa da mãe D. Glória), trava amizade com Escobar. Com ajuda de José Dias abandona a carreira sacerdotal e ingressa na Faculdade de Direito, em São Paulo.
Formando-se aos 21 anos – Dr. Bento F. Santiago, bem posto na vida, casado e feliz com Capitu, rico (mais de herança do que de trabalho). Surge o filho (Ezequiel) e começam os problemas. É a vez da fase casmurra, marcada pela solidão, pela mágoa e pela amargura.

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• c) D. Glória
• Mãe de Bentinho, assume cedo as rédeas de casa com a morte do marido que deixou-lhe bem amparada. É religiosa, apegada às tradições e ao passado como revela o próprio narrador: “Minha mãe exprimia bem a fidelidade aos velhos hábitos, velhas maneiras, velhas idéias, velhas modas. Tinha o seu museu de relíquias...” – Uma santa, santíssima como diria o José Dias. Morando com D. Glória destacam-se Tio Cosme – viúvo como ela – e Prima Justina, igualmente viúva. Além desses três, o Padre Cabral, amigo de Tio Cosme, com quem ia jogar à noite.

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d) José Dias

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Agregado da família, gostava muito de Bentinho, bajulador e de idéias chochas, realçava-as com superlativos e usava-os com freqüência ao longo da narrativa, inclusive na hora de morrer quando se refere ao dia como “lindíssimo”.

e) Escobar

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amigo de Bentinho, seminarista, "era um rapaz esbelto, olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos,... como tudo". Escobar foi colega de seminário de Bentinho e, como este, não tinha vocação para o sacerdócio. Melhor amigo de Bentinho. Gostava de matemática e do comércio. Quando saiu do seminário, conseguiu dinheiro emprestado de D. Glória para começar seu próprio negócio. Casou com Sancha, melhor amiga de Capitu. Morreu afogado depois de enfrentar a ressaca do mar.

f) Ezequiel • É o filho de Dom Casmurro e Capitu, pejorativamente chamado pelos pais de “filho do homem”. Gostava de imitar os outros e imitava muito bem Escobar. Vítima da suspeita do pai, acaba sendo afastado, assim como a mãe, para a Suíça, tendo morrido em Jerusalém como arqueólogo.

ASPECTOS TEMÁTICOS MARCANTES
• Aspectos temáticos podem ser detectados na obra de Machado de Assis, um estudioso da alma humana, que procura analisar a fundo e de forma dissecante suas personagens. Ao longo de Dom Casmurro muitas idéias vêm apresentadas.

1) O autor dedica praticamente metade do romance à infância com o fim de mostrar o embrião do caráter das personalidades principais e concluir que a Capitu menina estava dentro da adulta “como a fruta dentro da casca”. 2) Ao apresentar o perfil de Capitu, MA revela traços da psicologia feminina: a arte de dissimular e a capacidade que a mulher tem para sair de situações embaraçosos. A capacidade de dissimulação de Capitu contribui para deixar no leitor de Dom Casmurro a dúvida que paira no final do romance.

3) Apesar do “amor” de Capitu e Bentinho, Dom Casmurro é um romance de velhos e solitários – D. Glória, Tio Cosme, Pe. Cabral, José Dias, Prima Justina além do próprio casmurro – o narrador. A velhice no livro é perpassada de uma visão amarga e melancólica (como é próprio de M.A), dominada por mágoa e ressentimentos. Machado insinua que a existência humana sempre desemboca na casmurrice e na solidão. 4) Tudo se desfaz com o crepúsculo da existência humana: a graça, a beleza, as flores de antanho; pela vida vazia vão ficando as lágrimas, a cinza, o nada. Vista de uma perspectiva pessimista (freqüente em Machado), a velhice é perpassada de amargura, solidão e sensação de vazio.

• 5) É impressionante em Dom Casmurro a ação devastadora do tempo sobre coisas e pessoas. Todos são devorados pela ação voraz e demolidora do tempo e quem fica vivo, é atormentado pela mágoa, ressentimentos e, sobretudo pela solidão da casmurrice e desencanto como Dom Casmurro.
• 6) Como é próprio da literatura realista, um dos propósitos do livro é desmascarar o ser humano, revelando a precariedade e a hipocrisia das relações sociais. Dom Casmurro resultaria de uma tentativa do pseudo-autor de recompor o passado, como percebemos em suas palavras: “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”. O que leva Bento Santiago a essa busca do tempo perdido é, indiscutivelmente, “a necessidade de expurgar o sentimento doloroso da dúvida em torno da traição ”.

7) Em Dom Casmurro pode se ver um perfil da sociedade de época (e certamente de hoje), como afirmou o ensaísta John Gledson. 8) Mais um ponto que se destaca em Dom Casmurro é a religião, a começar pelo próprio nome do narrador (Bento, Bentinho- São Bento e Capitu que “está bem próximo de capeta”, conforme observou Prof. Antonio Dimas da USP. É o único romance de Machado onde a religião católica aparece com tanta importância. O catolicismo com suas aves-marias, seus padres-nossos, com seus santos, seminaristas, etc. Cita a bíblia, às vezes São Pedro no seu momento mais anti-feminista – em que as mulheres devem estar sujeitas aos seus maridos – para reforçar seu ponto de vista, mostrando como a religião funciona na vida intima das pessoas.

• 9). Distante de um “final feliz” dos romances românticos, em que o casamento é uma verdadeira comunhão de amor, em Dom Casmurro, o casamento é uma mera comunhão de bens que “dura 15 meses e onze contos de réis” como disse o cético Brás Cubas.

AMBIGUIDADES
• AMBIGÜIDADES Dom Casmurro é uma prosa simples, concisa, mas a exploração poética da linguagem o transforma numa constante fonte de sugestões. Além disso, a própria estrutura do romance é propositalmente montada a fim de criar ambigüidades. • Um exemplo dessas ambigüidades é a relação entre a morte de Escobar e os olhos de Capitu: Escobar morreu afogado num dia de ressaca; em outras palavras, deixou-se “tragar” pelos olhos de Capitu. E são as lágrimas que esses olhos deixam rolar no velório de Escobar que dão ao Bentinho a primeira certeza de que a mulher o traíra.

• Outra ambigüidade é a semelhança física entre Escobar e Ezequiel. Para Bentinho, essa semelhança é uma prova de adultério da esposa – para nós, leitores, é uma fonte de dúvidas: não será a mente atormentada do narrador que reforça? Não será coincidência? Afinal, no próprio texto se comenta a semelhança de Capitu com a mãe de sua amiga Sancha: “Na vida há dessas semelhanças assim esquisitas”, explica o pai da amiga.

• Tentando compreender as pessoas com quem conviveu, Bentinho muitas vezes se dedica a expor pequenos gestos e atitudes, que avaliados, permitem-nos perceber como pequenos impulsos inconscientes dos seres humanos vêm à tona. • Esse trabalho com minúcias é o chamado microrrealismo psicológico – a construção de facetas de personalidades pela exposição de pormenores de comportamento. • Essa característica de escavação psicológica não é exclusivamente de Dom Casmurro: pode ser encontrada em praticamente toda a obra de maturidade de Machado, verdadeiro devassador de intimidades, um investigador da alma humana. • Para ele o essencial reside no detalhe, o que exige uma leitura atenta, minuciosa, que não se deixe levar pela aparente casualidade com que ele coloca os fatos.

A metalinguagem
• Em Dom Casmurro, Machado de Assis enquanto narra, discute o ato e o modo de narrar. Ele põe em prática a metalinguagem, em que a própria narrativa trata de se auto-explicar. Logo no início, a metalinguagem ganha corpo, quando o personagem-narrador explica o título do livro e os motivos que o impulsionaram a escrevêlo: Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto. E mais adiante: Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão. Durante toda a narrativa de Dom Casmurro, a metalinguagem tem um papel fundamental, dando um tom muitas vezes jocoso, ou criando cumplicidade com o leitor, que ao invés de apenas ler passivamente, participa do próprio ato de narrar, ao servir de confidente do escritor, transcendendo o próprio texto

Alguns exemplos metalinguagem
• Ao narrar as tentações vividas na juventude dirige-se a uma possível leitora ’’Tudo isso é obscuro, dona leitora, mas a culpa é do vosso sexo, que perturba assim a adolescência de um pobre seminarista’’. • Ao dar uma explicação, dialoga com o leitor dizendo: ’’Não sei se me explico bem. Suponde uma concepção grande executada por meios pequenos.’’ • Depois de longa narração preliminar, chega ao ponto em que vai narrar o casamento e diz: ’’Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos."

A intertextualidade
• No livro percebe-se o fenômeno da intertextualidade, o mais expressivo é com o romance Otelo, em que Bento se associa a Otelo(ciúme), Capitu a Desdêmona (suspeitas de traição) (consciência obscura-incurtem em Bento e Otelo, respectivamente, o ciúme em relação às suas amantes).

As fases do romance
• A ação do livro acontece em duas fases, a primeira vai da adolescência de Bentinho com a decisão de seus familiares que, por uma promessa feita por sua mãe, ele deveria tornar-se padre. O convívio com Capitu e a luta para se unir a ela, contrariando a vontade dos familiares. O casamento, o qual torna Bentinho um homem lutador que busca por seus sonhos. A segunda parte trata desde sua separação de Capitu, por causa da desconfiança sobre a paternidade do filho, até o seu fim solitário, como homem frio que esqueceu sua luta para conquistar Capitu.

As duas pontas da vida
• No desenvolvimento do romance, o narrador diz que tentou “atar as duas pontas da vida”, a juventude e a velhice, ou nascimento e morte. Essa tentativa fica evidente em algumas de suas atitudes, descritas a seguir: • Relembrar sua história enquanto jovem, e tentar reviver as lembranças após a parada para analisar sua vida e perceber que talvez estivesse errado. • O relacionamento paradoxal com Escobar, que sendo amigo era também um fantasma na vida conjugal, pois Bentinho acreditava que ele era o amante de Capitu. • Os sentimentos antagônicos em relação ao filho Ezequiel, por sua semelhança com Escobar. • A construção de uma casa idêntica à antiga casa da Rua de Matacavalos onde viveu quando criança.

A destruição completa do indivíduo
• Podemos dizer que Machado nos conta em Dom Casmurro,a história de um homem completamente perturbado por um sentimento complexo: o ciúme. • A narrativa tem início com a reconstituição de um episódio da infância de Bentinho.Passando pelo corredor da casa de Matacavalos,o menino escuta uma conversa entre José Dias e sua mãe,D.Glória.Dias alerta a mãe de Bentinho,sobre o risco da promessa que fez de o filho ordenar-se padre ser comprometida pelo envolvimento do menino com Capitu – a filha do vizinho. • Nessa altura da narrativa Bentinho e Capitu têm quinze e catorze anos,o bastante para que,na época,fossem considerados “criançolas”.José Dias insinua que é de interesse de Pádua,pai de Capitu,o envolvimento entre ambos,pois,econômica e socialmente,a família de D.Glória encontra-se em situação mais favorável.

Olhos de cigana oblíqua e dissimulada
• É de José Dias a definição de Capitu como tendo”olhos de cigana oblíqua e dissimulada”,que entrou para a história da Literatura Brasileira,como sinônimo de seu caráter afeito à traição.Todas as restrições ao envolvimento dos dois não foram suficientes e, com a ajuda de José Dias,Bentinho consegue abandonar o seminário e formar-se em Direito.

Características da obra de Machado
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Antecipação da modernidade literária: Enredo não-linear. Microcapítulos digressivos. Metalinguagem. Estilo anti-retórico. Análise psicológica / psicanalística das personagens. Humor sutil e permanente.

• Machado de Assis, entretanto, ultrapassou a própria estética realista, na qual está inserido, ao utilizar recursos narrativos que não são típicos dos demais autores de sua época, antecipando mesmo certos aspectos de modernidade. O emprego do micro-capítulo e de técnicas digressões, metalinguagem e intertextualidades, são bons exemplos dessa modernidade.

conclusão
• Dom Casmurro – uma história de amor,uma família de classe média,outra de classe alta,no Rio de Janeiro do século 19,sua ética,seus valores,seu envolvimento.Mas uma obra,onde o leitor jovem da atualidade vai identificar percursos e vicissitudes do envolvimento amoroso,adolescente e adulto marcado de artimanhas,fraturado pelo ciúmes doentio,triângulo amoroso,adultério,dúvida,ressentimento,dissimulação, erotismo. • É claro que a leitura de Machado pressupõe,em termos de perfil,um jovem leitor com uma razoável capacidade de organização coerente de pensamento. •


				
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posted:2/25/2009
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