Português Literatura Brasileira Naturalismo/Realismo
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Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis
Machado de Assis
Nasceu em 1839 no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. Foi tipógrafo e revisor. Em 1858 ingressou no Correio Mercantil e em seguida no Diário do Rio de Janeiro. Passou a ser funcionário público a parti de 1875. Fundou, com outros escritores em 1897, a Academia Brasileira de Letras, da qual foi presidente até sua morte em 1908. Cultivou todos os gêneros literários, compondo extensa e fecunda obra, da qual fazem parte os romances:
Ressurreição (1872), A mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908).
Obra
Publicado em 1881, a obra marca o início do naturalismo/realismo no Brasil juntamente com O Mulato de Aluísio de Azevedo, além de marca o período mais seguro e maduro de Machado de Assis.
Enredo
A vida de Brás Cubas e marcada por privilégios e caprichos proporcionados pelos pais desde sua infância. Prudêncio escravo da família Cubas, servia mais como um brinquedo em que o jovem Brás Cubas praticava montaria e maus-tratos. Na escola fazia par na traquinagens com Quincas Borba, que mais tarde aparece defendendo o humanitismo. Em sua juventude, o protagonista sofre por se apaixonar por Marcela uma cortesã a quem Brás resume em uma célebre frase:
“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Marcela é prostituta de luxo mais a obra não deixa explicitas tais características, desmascarada apenas pela ironia e eufemismo utilizados por Machado para que o leitor tire sua próprias conclusões. Brás Cubas gasta recursos da família com festas, presentes e regalias por estar apaixonado por Marcela. Seu pai acha melhor mandar o filho pra Europa para estudar e garantir o título de bacharel em Coimbra. Brás Cubas segue não por vontade própria para a universidade. Com o diploma em mãos e pelo fato de sua mãe estar perto da morte Brás Cubas volta ao Brasil. O protagonista tem um segundo e mais duradouro amor, apaixona-se
por Virgília, aconselhado pelo pai, que via no casamento um futuro político. No entanto, ela casa-se com Lobo Neves, que supera o protagonista não só pelo fato da noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava. Brás Cubas mantém relacionamento com Virgília, mais não chega a ocupar o lugar de marido, o que leva Brás Cubas a uma vida sem muito sentido. Sem o amor de sua vida Brás Cubas tenta se ocupar com a filosofia de Quincas Borba, mais não preenchendo o vazio dentro de si. A morte de Brás Cubas é retratada nos primeiros capítulos e o livro termina com um capítulo só de negativas.
Elementos da Narrativa
Ação: O livro relata a experiência de Brás Cubas,
um filho abastado da elite brasileira do século XIX. Começa pela sua morte, relatando a cena do enterro, dos delírios antes da morte, até retornar a infância, quando a narrativa segue de forma mais ou menos linear.
Espaço: A história começa no Rio de Janeiro,
relata a viajem de Brás Cubas para Europa, com objetivo de estudar e garantir o título de bacharel em Coimbra. Com o diploma na mão Brás Cubas retorna ao Brasil.
Personagens: A maioria dos personagens são representantes da elite brasileira do século XIX. No entanto, a pessoas de menos expressão social, pertencentes à classe média ou a escravidão.
Brás Cubas (Protagonista) – filho abastado da família Cubas, sendo ele o narrador; conta sua memórias escritas após a morte. Virgília – é o grande amor de Brás Cubas, indicada pelo pai de Cubas como acesso a vida política.
Lobo Neves (antagonista) - casa-se com Virgília,
mas acaba sofrendo adultério da esposa com Brás Cubas. Nhã Loló (Secund.) – última candidata a casar-se com Brás Cubas, mas morre com 19 anos de febre amarela. Quincas Borba (Secund.) – amigo de infância de Brás Cubas, filósofo, teórico do humanitismo, doutrina que Brás Cubas adere, Quincas Borba morre demente. Dona Plácida (Secund.) – representante da classe média, que tem uma vida de muito trabalho de sofrimento.
Marcela (Secund.) - Amor da adolescência de Brás Cubas. Eugênia (Secund.) - Era filha de um casal que Brás Cubas havia flagrado, quando criança, namorando atrás da moita, Brás Cubas se interresa pela mossa, mas não leva o romance adiante, porque a mossa era coxa. Prudêncio (Secund.) - escravo da família Cubas, que depois ganha carta de alforria.
Tempo: A obra segue em dois tempos; Um é o tempo psicológico, em que o protagonista se auto-intitula um difunto-autor, assim pode relatar sua vida de maneira arbitrária, manipulando os fatos como deseja, sem seguir uma ordem precisamente linear. O outro é o tempo cronológico, em que os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica relatando a infância, adolescência, sua viajem para Coimbra, volta ao Brasil e morte.
Foco Narrativo
. Narrador personagem:
É feita na primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se denomina um defunto-autor, um morto que resolveu escrever sua memórias. Assim temos toda a história contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre, contando as memórias dá forma que lhe convém.
Características da obra
Descrições e adjetivação tentando captar o real com ele é. Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades. Rompe com a linearidade narrativa. Narrativa lenta e descritiva. Personagens trabalhados pscologicamente. Amor carnal Preocupação moral
Crítica
Para alguns leitores a obra pode parecer meio sem sentido nos primeiros capítulos, mas esses primeiros capítulos são um dos grandes diferenciais entre essa e outras obras. A interação do autor com o leitor, em alguns momentos proporciona um espaço que deixa o leitor àvontade de maneira à parecer que o leitor é um confidente, um amigo intimo do autor, digno de ouvir esclarecimentos e até desculpas. Nesta e em outras obras Joaquim Maria Machado de Assis, faz jus ao titulo de maior escritor da literatura brasileira, impressionado pelo caráter critico e antecipação de questões ainda atuais.