Simbolismo 7 by soniamar

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									O SIMBOLISMO A Linguagem Da Música

Insatisfeito com a onda de cientificismo e materialismo a que esteve submetida a sociedade industrial Européia na segunda metade do século XIX, os simbolistas representam a reação da intuição contra a lógica, do subjetivismo contra o materialismo, da sugestão sensorial contra a explicação racional.

SIMBOLISMO

Tanto no Brasil como em Portugal, o simbolismo iniciou-se na última década do Séc. XIX e avançou pelo início do século

XX, paralelamente a tendência pré-modernistas. O misticismo, o sonho, a
fé, a religião são valores retomados numa tentativa de encontrar novos caminhos. Por valorizar o mundo interior e a espiritualidade, a arte do simbolismo é subjetivista, muito semelhante à dos românticos do início do

Séc. XIX. Os simbolistas vão além, atingindo as camadas do inconsciente
e do subconsciente. Buscava-se uma arte absoluta por meio de uma linguagem universal.

SIMBOLISMO EM PORTUGAL

Iniciou-se com a publicação da obra OARISTOS, de Eugênio de
Castro, em 1890; O simbolismo português surge no final do Séc. XIX, num momento

em que a crise espiritual e o decadentismo de certos meios filosóficos e
artísticos europeus coincidem com o sentimento de pessimismo e frustração do povo português, relacionado com algumas causas históricas; A obra “Oaristos” causou escândalo nos meios artísticos portugueses e abriu um caminho novo á produção poética local; Camilo Pessanha é o poeta considerado a expressão do movimento simbolista apesar de Eugênio de Castro ser o introdutor.

AUTORES DO SIMBOLISMO EM PORTUGAL

Eugênio de Castro – Busca intensa de musicalidade (uso de rimas

novas, métricas, aliterações, vocabulário musical)
Antonio Nobre – Poeta crepuscular, ou seja, voltado para as horas intimas, crepusculares, registrando paisagens, tentando uma aproximação com o povo. Tinha uma visão nostálgica, neo-romântica, com profunda referência à Almeida Garret. Camilo Pessanha – Maior poeta simbolista português e o mais autêntico, foi um grande inovador, seu trabalho influenciou modernistas

posteriores. Sua poesia apresenta uma visão pessimista do mundo, que
enxerga sob a ótica da ilusão e da dor – A dor cósmica.

SIMBOLISMO NO BRASIL

O simbolismo flagra um Brasil em pleno movimento de transformação. O período pós-abolição, a proclamação da República, os movimentos migratórios, os primeiros indícios de industrialização vão modificando a face do país. Teve início no Brasil em 1893, com a publicação de dois livros de

CRUZ E SOUSA: Missal (prosa poética, editado em FEV/1893) e
Broquéis (poema, editado em AGO/1893). Além de Cruz e Sousa, destacam-se no sembolismo brasileiro Alphonsus de Guimaraens e Pedro Kelkerry.

CRUA E SOUSA (1861 / 1898)

Seus versos freqüentemente remetem a imagens litúrgicas e espiritualistas, eles revelam não a Fé em Deus, mas uma necessidade d”Eu, que muitas vezes se consome até chegar num materialismo seco e desiludido dum místico abortado. Seus temas são: o amo erótico, a loucura, a própria poesia, a inadaptação ao mundo, o emparedamento, a solidão e a morte.

Sofreu influências de Baudelaire e de Mallarmé.
Foi considerado pela crítica européia como uma das maiores vozes do simbolismo mundial.

CRUZ E SOUSA (1861 / 1898)
“O ser que é ser e que jamais vacila Nas guerras imortais entra sem susto Leva consigo este brasão augusto Do grande amor, da grande fé tranqüila”
• Os simbolistas são espiritualistas, transcendentais místicos, ligados tanto ao cristianismo quanto a outras formas de religião. Cruz e Sousa escreveu poemas que expressam uma concepção particular do Catolicismo. “ Para as estrelas de cristais gelados As ânsias e os desejos vão subindo, Galgando azuis e siderais noivados De nuvens brancas a amplidão vestindo.” • Desejo de transcendência e integração cósmica: em oposição aos limites do mundo físico e material, os simbolistas apreciam situações de viagem interior ou cósmica, integração com os astros e transcendências do mundo real.

ALPHONSUS GUIMARAENS (1870 / 1921)
• Foi um poeta pouco conhecido em seu tempo, mas a história soube redimi-lo e reconhecer nele uma das grandes vozes da língua portuguesa. • Marcado pela morte de sua noiva (aos 18 anos), jamais conseguiu esquecer, embora tenha casado e tido catorze filho. A morte na adolescência despertou nele um sentimento religioso que acompanharia toda sua poesia. • Fez versos musicais, decassílabos ou alexandrinos, assim como em redondilhas maiores;

• Seus temas são: o amor, a religiosidade, o escapismo, a natureza e a morte, que trespassa toda sua obra;
• No lirismo amoroso, primou pela idealização da mulher, freqüentemente associada á virgem Maria, bem como pela obsessão por virgens mortas, herança provável pelo desgosto que sofreu com a morte da noiva. • O misticismo católico também se apresenta como instrumento de evasão, de fuga da realidade, assim como o desejo de morte como libertação da carne, do desejo perturbador, da angústia de ser um inadaptado ao mundo.

ALPHONSUS DE GUIMARÃES
“Quando Ismália enlouquece, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar.” • Interesse pelas zonas profunda da mente (inconsciente e

subconsciente), e pela loucura, embora as idéias de Freud - fundador da psicanálise – só viessem a público no início do Séc. XX, os simbolistas já manifestavam interesse em explorar as zonas da mente sobre as quais se conhecia muito pouco, como o sonho e a loucura.

CARACTERÍSTICAS SIMBOLISTAS
• Misticismo.

• Exploração das camadas mais profundas do “eu”. • Espiritualidade.

• Predomínio da descrição sobre a sugestão.
• Inovação no uso de maiúsculas (palavras de Vr. Absoluto) • Musicalidade: aliteração, assonância, reiteração. • Hermetismo (de compreensão difícil) • Uso de símbolos. • Imagens noturnas. • Sinestesia (os cinco sentidos).

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM SIMBOLISTA • Subjetivismo;
• Linguagem vaga, que busca sugerir em vez de nortear; • Abundância de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias e sinestesias; • Cultivo do soneto e de outras formas de composição poética; • Anti-materialismo, anti-racionalismo; • misticismo, religiosidade; • Pessimismo, dor de existir; • Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte; • Retomada de elementos românticos.

CONCLUINDO
A concepção da realidade e da arte adotada pelos simbolistas suscita reações entre setores positivistas da sociedade. Chamados de MALDITOS ou DECADENTES, os simbolistas ignoravam a opinião pública, desprezavam o prestígio social e literário, fechando-se numa quase religião da palavra e suas capacidades expressivas. O simbolismo – com as propostas de inovação, oposição e pesquisa apresentadas pela geração de Verlaine, Rimbaud e Mallarmé – Não sobrevive muito. O mundo presencia a euforia capitalista, o avanço científico e tecnológico. A burguesia vive a BELLE E”POQUE, um período de prosperidade, de acumulação e de prazeres materiais que só terminaria com a eclosão da 1º guerra mundial, em 1914. Nesse contexto o Simbolismo desaparece, mas deixa ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada que abrirão campo para as correntes artísticas do Séc. XX principalmente o expressionismo e o surrealismo, também preocupados com as zonas inexploradas da mente humana, como o inconsciente e loucura.


								
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