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Curso Direitos Humanos a quem interessa by oft14212

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									        Curso Direitos Humanos: a quem interessa?
                             Diversidade Étnica
                                       Relato
                                     18/09/09
                                        UCB

        Conforme combinado, o presente encontro teve seu início dando continuidade a
apresentação dos trabalhos feito nos grupos menores, realizado no dia 11/09/09. A partir
daí, vários foram os pontos levantados para debates, tais como: Somos sujeitos sociais?
Nossa participação é ativa ou passiva diante a sociedade?
        Podemos dizer que somos sujeitos sociais, uma vez que, vivemos em sociedade
e a partir do momento em que assumimos deveres e responsabilidades em prol do bem
coletivo. Ou seja, o sujeito não é visto apenas como mero participante, mas sim, aquele
que age a favor de sua comunidade.
        Outro ponto levantado está relacionado a questão da democracia. Vivemos num
país democrático? Alguns levantaram que há democracia em nosso país, porém o
sistema direciona as pessoas conforme seus interesses e necessidades. A grande maioria,
entretanto, acredita que não vivemos em um país democrático, considerando que ainda
temos muitos pontos a amadurecer para chegarmos a plena democracia.
        Acredito que esse seja um grande desafio para todos nós, futuros profissionais,
independentemente da área de formação, visto ser nosso dever, nossa responsabilidade,
repassar os direitos e deveres para a sociedade, uma vez que, muitos não têm pleno
conhecimento ou não reconhecem os seus direitos, além de adotar uma atuação que
respeite e leve em consideração o sujeito como um ser de direitos humanos.
        Esse é um tema que podemos dizer que não se sai do debate com idéias prontas,
concluídas, e acredito também não ser esse o objetivo do debate. Porém, para que
pudéssemos dar continuidade ao ciclo de debates e pudéssemos trabalhar a temática
proposta para o dia, propôs-se que as pessoas interessadas enviassem para o e-mail da
Cátedra, pontos que foram discutidos e os que não foram, mas que considerassem
importantes, podendo fazer uma relação dos debates com sua área de formação, etc.
Tudo com intuito de abrir mais uma espaço para que o participante possa se expressar.
        Para enriquecer o debate, após o intervalo, tivemos um convidado especial para
tratar sobre a questão da diversidade Étnica. Carlos Alberto - Professor Msc. do curso
de Serviço Social e Coordenador do Núcleo de Estudos Sobre a Temática Racial,
NEAFRO UCB.
        O Núcleo de Estudos e Pesquisa Sobre a Temática Racial - UCB nasceu da
necessidade de alunos e docentes da entidade e outras pessoas interessadas e integradas
no grupo em discutirem o espaço do negro e negra no interior da instituição acadêmica e
na sociedade em geral. (para saber mais sobre o NEAFRO, www.neafroucb.com.br)
        O professor Carlos Alberto, iniciou o debate, com pontos chaves para se tratar os
direitos humanos e a diversidade Étnica, que são ver os direitos humanos como um
novo paradigma que vai além da caridade e generosidade.
                                  “A transformação social é percebida como processo
                                  histórico, em que a objetividade e subjetividade se
                                  prendem dialeticamente e a conscientização não é
                                  apenas conhecimento ou reconhecimento, mas opção,
                                  decisão e compromisso”.

Não é sendo caridosos e generosos que resolveremos alguma coisa, mas sim, sendo
honestos e radicais para que o trabalho vá para frente.
        Para se tratar de tal tema, fez-se necessário definir alguns conceitos necessários,
tais como:
● Preconceito – conjunto de crenças e valores aprendidos, que levam um indivíduo a
nutrir opiniões a favor ou contra os membros de determinados grupos, antes de uma
efetiva experiência com estes.
● Racismo - é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande
importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às
outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre
características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou
manifestações culturais, são superiores a outros.
        Após a definição dos conceitos acima citados, o professor Carlos Alberto foi
fazendo todo um resgate histórico a respeito da diversidade. Iniciou-se então fazendo
uma análise da nossa Constituição (1988), mas precisamente, a partir de 1498 – período
em que foi assinado o tratado de Tordesilhas cujo principal objetivo dos monarcas
(portugueses e espanhóis) era descobrir o ouro, e para isso os exploradores europeus
foram enviados para a América. Para isso utilizaram-se do sistema de escravidão, do
sistema de aldeamento, e também do extermínio de muitos índios.
        Surgiram então algumas leis, como por exemplo, a Lei do Ventre Livre, que
consistia na liberdade aos filhos de escravos nascidos após a data da promulgação desta
lei, não obstante, os filhos de escravos seriam mantidos sob a tutela dos senhores
escravistas até a idade de 21 anos. Com esta lei surgiram os primeiros menores
abandonados do Brasil.
        Outra lei importante foi a Lei dos Sexagenários, que concedia liberdade aos
escravos com idade acima de 65 anos, e somente através de uma indenização ao
proprietário. Cabe dizer que essa lei foi a forma encontrada pelos opressores, de jogar
na rua os doentes e impossibilitados de continuar gerando riquezas para os senhores de
fazendas.
E não podemos deixar de mencionar a Lei Áurea, que dava fim a qualquer exploração à
mão-de-obra escrava no Brasil, todavia, comprende-se que a liberdade dada aos negros
anteriormente escravizados é relativa: embora não mais escravizados, nenhuma
estrutura que garantisse a ascensão social ou a cidadania dos negros foi oferecida.
        Diante do exposto, percebe-se que vários são os elementos que permeiam nossa
sociedade até os dias de hoje e que permitem a negação da parcela significativa da
sociedade que é composta por negros.
        Antigamente, a questão era o que queremos? E a resposta era, queremos
democracia. Atualmente a questão é como queremos essa democracia? E a resposta é
através da igualdade. Como somos contraditórios não é mesmo, dizemos que queremos
e lutamos por igualdade, porém, negamos a participação objetiva dos negros nesse
processo mundial.
        Outro ponto curioso e que desperta para a reflexão, é o racismo brasileiro é o
mais sofisticado e eficaz do mundo. Como é que inventamos isso? Por que esse
tratamento diferenciado, disfarçado, velado, dissimulado tem tanta força?
       Entendo que esse tema nos faz refletir também, sobre como é que estamos
lidando com a nossa formação acadêmica? Onde é que queremos chegar? Estamos nos
formando para sermos além de profissionais, cidadãos que anseiam por fazer a diferença
em nossa sociedade?
       Gostaria de concluir utilizando algumas falas do professor Carlos e que acho que
resume bem a proposta do debate, principalmente quando falamos sobre Direitos
Humanos. “Idéias são veiculadas e definem uma cultura”. “É preciso admitir o racismo
para poder mudar”. “O racismo não combina com democracia”. Sendo assim, acredito
que só mudando o foco, só quando mudarmos o olhar, teremos conquistas e ai sim,
estaremos lutando por uma sociedade mais igualitária.
Contribuições Enviadas:

● Agnes Balduino:



                  Debate : Direitos Humanos e Diversidade Étnica
                                      18/09/09
                                       UCB

                                     Motivação:
Flores, Elio Chaves*. “Nós e Eles: etnia, etnicidade, etnocentrismo”. Texto produzido
para o curso de “CAPACITAÇÃO EM EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS”
(para Docentes da Educação Básica/Ensino Médio e Lideranças Comunitárias,
Fev./Mar,2008). (PPGH/UFPB)*

                      Exposição do Professor Carlos Alberto**
Professor Msc. do curso de Serviço Social e Coordenador do Núcleo de estudos sobre a
                         temática racial, NEAFRO UCB**.

-“O negro enquanto sujeito social qual seria a sua fala no contexto da democracia
social?”(estudante) – “Se o indivíduo, como sujeito social se percebe dentro da
sociedade como agente, olha a conquista como objetiva e não como
benevolência”(Professor Carlos Alberto).

-“O estado (burocrático) não está preparado para as mudanças sociais?”(estudante) –

“O estado está preparado, mas não quer agir” (cria as secretaria especiais, mas limita
orçamentos) (Professor Carlos Alberto).

“Movimentos sociais são muito importantes (para a voz das minorias, para os negros),
porque tudo o que conquistaram foi por sua luta” (estudante).

Racismo institucional “é o fracasso coletivo de uma organização em prever um serviço
profissional e adequado às pessoas para as pessoas por causa de sua cor, cultura ou
origem étnica”. “O racismo institucional determina a inércia das instituições” (Professor
Carlos Alberto).

“Uma pessoa branca falando sobre (a iniqüidade do) racismo para tradicionais, chama
mais atenção, aquebranta o coração e se faz ouvir” (estudante).

“Idéias são veiculadas e definem uma cultura”. “É preciso admitir o racismo para poder
mudar”. “O racismo não combina com democracia” (Professor Carlos Alberto)

								
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