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Visuais Exposição:
SEXTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2008 O ESTADO DE S.PAULO
Arco quer Brasil mais perto de Madri
País é uma das maiores atrações da feira, aberta ontem com presença dos reis espanhóis e do ministro da Cultura Gilberto Gil
FOTOS DE GUSTAVO CUEVAS/EFE
Camila Molina
MADRI
Ainauguração oficial da 27ªArco – Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri – ocorreu ontem na capital espanhola com a presença do rei Juan Carlos I e da rainha Sofia, que caminharam com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, peloespaçoondeestáa mostra oficial do Brasil, país homenageado dessa edição do evento – os reispararamespecialmentepara ver as obras dos artistas José Resende, Milton Marques, Mariana Manhães, Efrain Almeida e Adrianne Galinari. Jáanteontem,comodecostume, a primeira abertura da grandefeira, que ocupa doisnovos pavilhões do Parque Ferial de Madri, foi feita para a imprensa nacionale internacional e para convidados. Amanhã, a Arcopoderáser vistapelopúblico, fechando na segunda-feira. Ao todo, como conta a atual diretora da Arco, Lourdes Fernández, foram gastos € 8 milhões (pouco mais de R$ 22 milhões)para a realização d esta edição da feira, que conta com a participação de 295 galerias – para se ter uma idéia, a última Bienal do Mercosul, realizada em Porto Alegre, teve orçamento de R$ 12 milhões e a próxima 28ª Bienal de São Paulo, que ocorrerá este ano, será feita com montante em torno de R$ 9 e 10 milhões. Neste ano, o Brasil é o país convidado do evento e, dessa maneira, o Ministério da Cultura brasileiro investiu R$ 2,6 milhões numa programação que tem como ponto principal a participação especial na Arco. “As feiras existem para aproximar a criação do mercado”, disse o ministro Gilberto
NA FEIRA – Passeio por obra de Hye-Rim Lee e os reis da Espanha na companhia dos ministros da cultura da Espanha (Molina) e do Brasil (Gil)
Gil anteontem, em Madri, complementando que é papel do MinC “fazer as mediações” entre a cultura e o eixo econômico – essa era uma resposta à pergunta de por que o ministério ter investido dinheiro em uma feira comercial. O Brasil apresenta no pavilhão 14 uma mostra com obras de 108 artistas de 32 galerias, que tem curadoria de Paulo Sergio Duarte e Moacir dos Anjos e é totalmente bancada pelo ministério. Convidados pelo MinC para selecionar o que o Brasil apresentaria nessa edição da feira, os curadores optaram por fazer uma “contracuradoria”, como diz Moacir: eles não selecionaram as obras, mas os artistas que eles acham fundamentais para se fazer uma vitrine da produção contemporânea brasileira. Os trabalhos foram escolhi-
dos, principalmente, pelas próprias galerias e artistas. “Não se trata de uma mostra autoral, mas de uma exposição para uma feira”, diz Duarte. Segundo os curadores, os critérios foram: mostrar o maior número possível de criadores; que todos eles fossem vivos e estivessem em atividade; não se concentrar na produção do eixo Rio-SP; e equilibrar a diversidade da arte brasileira. “Fizemos um recorte, um pequeno segmento de arte contemporânea brasileira possível de ser comercializada aqui”, afirmou Duarte. “Não há a pretensão de se falar de uma arte brasileira, ao contrário, fala-se de uma diversidade que foge dos estereótipos relacionados ao mercado brasileiro. Não temos aqui apenas obras de Vik Muniz, Cildo Meireles e Adriana
Varejão, artistas já estabelecidos no mercado, mas muitos outros artistas que ainda sem inserção no circuito”, completa Moacir. Segundo os curadores, alguns dos artistas não tinham nem galeria quando foram selecionados – a lista foi
“AS FEIRAS EXISTEM PARA APROXIMAR A CRIAÇÃO DO MERCADO”, DISSE GIL
fechada em meados do ano passado – e tiveram de ser incorporados a galerias. Nessa apresentação tão diversa da arte brasileira não estão as obras que cada vez mais chamam a atenção de coleções internacionais. “As instituições espanholas se interes-
sam muito pela arte concreta e neoconcreta brasileira. Veja ainda o caso da Tate de Londres que adquiriu obras de (Hélio) Oiticica”, afirmou Lourdes, completando que ainda muitos bons artistas brasileiros contemporâneos (ela cita, por exemplo, os irmãos Thiago e Matheus Rocha Pitta) são desconhecidos no mercado e agora há essa oportunidade para se dar mais visibilidade para eles. A necessidade de fortalecimento do eixo cultura e mercado é a tônica das atividades brasileiras agora na Espanha. Paulo Sergio Duarte afirmou que se não fosse “essa sinergia positiva” entre a Arco e o Brasil, não seria possível desencadear uma programação paralela de arte brasileira em Madri como ocorre no momento. “É a primeira vez que um artista
brasileiro (José Damasceno) faz intervenções próprias em um espaço cultural como o Museu Reina Sofia”, afirmou o curador sobre a exposição Coordenadas e Aparições, formada por nove obras inteligentes e sutis, feitas pelo artista carioca para dialogarem com diferentes lugares do grande museu. Há ainda mostras de brasileiros no centro La Casa Encendida, Matadero, Canal Isabel II e Sala Alcalà, por exemplo. Mas, enfim, a toada é firmar laços cada vez mais fortes com a Espanha, que vem se tornando um importante parceiro financeiro do Brasil no âmbito cultural. Anteontem, no Reina Sofia, Gil também lançou com o ministro da cultura espanhol, César Antonio Molina, a agenda do Ano Ibero-Americano de Museus, que contará com 900 eventos pelos 22 países que fazem parte do programa. E para além do mês de fevereiro, outra ação será a realização, em 2009, não de um chamado Ano da Espanha no Brasil, como foi anunciado (exageradamente) pelo MinC, mas um festival com duração menor da arte espanhola em território brasileiro. Entre os eventos estão incluídas, no âmbito dos museus (esse é um braço forte das atividades do MinC, com investimento em 2007 de R$ 160 milhões), mostras com obras das importantes instituições espanholas, o Museu do Prado e Reina Sofia, em São Paulo, Rio, Brasília e um quarta cidade, segundo o diretor do Departamento de Museus do Iphan, José do Nascimento Junior. ●
A repórter viajou a convite do Ministério da Cultura