Em Word - Grupo Gay da Bahia - GGB

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					         III. VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DOS
        HOMOSSEXUAIS NO BRASIL: 2001 (120 casos)
         Como temos realizado nos últimos anos, coletamos sistematicamente ao longo de
todo o ano de 2001 , na mídia (jornais, revistas, internet) e através de denúncias
registradas juntos ao Grupo Gay da Bahia e demais grupos homossexuais do Brasil,
informações relativas ao preconceito e discriminação anti-homossexual. Acidentalmente,
devido a um vírus (homofóbico!), perdemos os três primeiros meses de arquivamento, de
tal sorte que esta seção ficou gravemente comprometida quanto ao seu conteúdo, tanto
que no ano anterior arrolamos 261 casos de violação dos direitos humanos de
homossexuais no Brasil, caindo, devido à referida perda, para 120 no ano seguinte.
Diminuição, insistimos, devida a falha de documentação e não à redução da intolerância
homofóbica.
         Estes 120 casos de violação de direitos humanos representam ínfima amostra da
realidade, pois raro deve ser o gay, travesti e lésbica que não tenha sido objeto, ao menos
uma vez por ano, de algum tipo de preconceito ou discriminação. Especialmente os
homossexuais de menor poder aquisitivo ou de aparência mais andrógina. De acordo com
o Disque Cidadania Homossexual (DCD), de Brasília, em 2001, foram registrados 253
denúncias de homofobia, sendo 100 agressões verbais, 145 agressões físicas e 8
homicídios - tendo gays, lésbicas e transgêneros como vítimas. Número, obviamente,
reduzidíssimos e que servem apenas de amostra sobre a realidade da homofobia, pois
embora se tratando de um serviço gratuito, acionado através do número 0800-61-1024,
destacam-se numericamente sobretudo as denúncias do próprio Distrito Federal, tanto que
apesar de ter população dez vezes menor a São Paulo, registrou número superior de
denuncias de agressões físicas, numa relação de 25/20, respectivamente. O mesmo
quanto à sub-notificação de assassinatos: segundo nossos dados, já devidamente
relativisados, posto serem igualmente muito inferiores à realidade, documentamos 132
homicídios, enquanto ao DCD foram comunicados tão somente 8 crimes, sendo,
respectivamente, um na Bahia, Alagoas e Mato Grosso do Sul; dois no Rio de Janeiro e
três em Brasília. Novamente, o Distrito Federal ocupa o primeiro lugar em homicídios de
gays, pelo fato deste serviço de utilidade pública situar-se na capital federal. O número de
crimes homofóbicos aí registrados em 2001 segundo fontes do GGB foram onze, dos quais
dois somente tivemos conhecimento através do Disque Cidadania Homossexual – a quem,
em nome de seu coordenador, Caio Varela, registramos nossa gratidão pelo acessos à
essas estatísticas.
         Lastimavelmente, o Disque Defesa Homossexual, do Rio de Janeiro, após vigoroso
trabalho realizado entre 1999-2000, passa atualmente por dificuldades,                   não
disponibilizando-nos as informações necessárias sobre o registro de violência homofóbica
relativa a 2001. Já que nos dezoito primeiros meses de sua existência registrou 500
denúncias de homofobia somente relativos Rio de Janeiro, podemos inferir a partir de tais
números, a gravidade das violações dos direitos humanos dos homossexuais pelo Brasil a
fora.
Queremos mais uma vez insistir sobre a importância de você leitor/a, enviar para o GGB,
informações sobre tudo o que viu, ouviu o leu referente à discriminação anti-homossexual.
A documentação e divulgação destas violações são fundamentais para detectarmos quais
as áreas e grupos mais vulneráveis, a fim de cobrarmos do poder público ações afirmativas
que erradiquem esta peste social. E advertirmos lésbicas, transexuais, travestis e gays para
que enfrentem com dignidade, coragem e determinação, qualquer manifestação de
preconceito e discriminação anti-homossexual contra si ou contra o próximo.
Para facilitar a sistematização e localização das ocorrência homofóbicas relativas a 2001,
agrupamo-las nas categorias abaixo relacionadas, seguindo a ordem norte/sul:

1. Agressões e torturas
2. Ameaças e golpes
3. Discriminação em órgãos e por autoridades governamentais
4. Discriminação econômica,contra a livre movimentação, privacidade e trabalho
5. Discriminação familiar, escolar, científica e religiosa
6. Difamação e discriminação na mídia
7. Insulto e preconceito anti-homossexual
8. Lesbofobia: violência anti-lésbica
9. Travestifobia

1. Agressões e Torturas: 33 casos

SEDE DE GRUPO GAY É ALVO DE INCÊNDIO CRIMINOSO, EM MANAUS
No dia 6 de janeiro de 2001, em Manaus (AM), o prédio onde ficava a Associação
Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis do Amazonas (AAGLT), localizada na Rua
Lima Bacuri, 221, Centro, foi incendiado causando perda total dos seus bens e arquivos. O
presidente da AAGLT, Francisco Adamor Lima Guedes, declarou ao delegado Dr. Mário
César Medeiros Nunes, titular da Delegacia Especializada da Ordem Política e Social
(DEOPS), que, no dia do incêndio, ele tinha se dirigido à associação para providenciar a
mudança da sede, mas como não conseguira um carro que transportasse a mudança,
ficou acertado que esta se realizaria na segunda-feira seguinte. Ao sair do prédio, Francisco
Adamor foi abordado por uma pessoa chamada Sidney, conhecida por “Gretchen”, que
encontrava-se alcoolizado e alegava que queria dormir nas dependências da AAGLT, o
que lhes foi negado. Mais tarde por volta das 15:00hs, o presidente foi avisado de que a
sede estava pegando fogo. Informaram-lhe que Sidney havia retornado ao local e que ficara
na porta do prédio, sendo visto sair do local na hora do incêndio. O fogo se espalhou pelas
dependências da Associação ocasionando perda total dos materiais e equipamentos. O
Laudo Pericial do Instituto de Criminalística do Amazonas, constatou que o incêndio fora
sabidamente criminoso, suspeitando o envolvimento de “Gretchen” no ocorrido. A polícia
ainda segue as investigações na busca de provas contra o suspeito. [Fonte: Arquivo GGB,
Ofício Nº 020-2001-GS-SSP, Secretaria de Estado de Segurança Pública, Governo do
Estado do Amazonas, 24-1-2001]

GAYS DENUNCIAM QUADRILHA EM MANAUS
A Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis denunciou a existência de um
grupo de extermínio de homossexuais em Manaus, agindo mais precisamente no bairro
Amazonino Mendes. Depois de espancadas e roubadas, as vítimas passaram a receber
ameaças de morte. Cinco homossexuais, que procuraram a Associação em busca de
proteção, solicitaram a notificação das ocorrências ao secretário de Segurança, Klinger
Costa. Ricardo Batista Guedes, 27 anos, foi vítima de espancamento, tendo sido agredido
com golpes de pau, garrafadas e perfurações na barriga com uma chave de fenda; segundo
ele, o líder dos agressores chama-se Claudemilson. Também sofreram violência Irlan
Passos da Costa, Ricardo Gomes e Alisson Silva, todos três com 22 anos [Fonte: Diário do
Amazonas-AM, 13-07-2001].

TRAVESTI BALEADO EM PONTO DE PROSTITUIÇÃO, EM BRASÍLIA, DF
Antônio Valdomiro de Moraes Souza, travesti, conhecido como “Carla Facão”, foi
esfaqueado e baleado por outros três travestis que disputavam um ponto de prostituição de
Brasília conhecido como “Buraco do Conic”, Setor de Diversões Sul (SDS). A confusão
começou por volta de 2h20, quando o grupo de travestis, formado por Leônidas Almeida
Fernandes, conhecido como “Pamela”; do namorado dela, Samuel dos Santos, o “Isak”; e
de Flávio do Amaral, de codinome Flávia Piovani, chegaram armados ao Conic. Eles deram
um tiro na boca e duas punhaladas nas costas de “Carla Facão”, o tiro atingiu a boca e
atravessou o ombro da travesti, que não corre mais risco de vida, por ter sido socorrida a
tempo. Depois disso, os agressores fugiram e, com uma arma de fogo em punho, se
envolveram em nova confusão, quando ameaçaram o porteiro do Hotel Presidente,
arrombaram a porta do quarto e retiraram os pertences da vítima, para, em seguida, fugirem
de táxi. O Centro de Operação da Polícia Civil (Cepol) foi informada sob as ações do grupo
e conseguiu capturar os três. Eles foram autuados em flagrante pelo delegado Mozart
Baldez, por crime de tentativa de homicídio e recolhidos ao xadrez da Coordenação de
Polícia Especializada, ficando a disposição da justiça. Velho conhecido da polícia, Antônio
Valdomiro é figura folclórica entre os travestis e policiais. Ganhou apelido de “Carla Facão”
porque costuma cobrar as dívidas armada com um facão. Com mão de ferro, ela comanda
a prostituição de travestis no Núcleo Bandeirantes e em Taguatinga, além de aplicar
silicone nos seios e nádegas das travestis, chegando até a cobrar R$2 mil por aplicação.
[Fonte: Jornal de Brasília, DF, 28-7-2001]

GAY É ESPANCADO EM TERESINA, PI
Isane Martins Moreira, travesti, moreno claro, olhos e cabelos pretos, foi brutalmente
espancado nas proximidades de sua casa localizada na Vila Bandeirantes. [Fonte: Arquivo
GGB, Denúncia feita pelo Grupo Homossexual Babilônia, ano 08, Nº 22, 2001, PI]

HOMOSSEXUAL É PRESO E ESPANCADO POR POLICIAIS EM TERESINA
O gay Francisco, 22, moreno claro, tomou um táxi e pediu que o motorista o levasse até sua
casa. No decorrer da viagem, o motorista do táxi percebeu que Francisco era homossexual
e que ele tinha problemas mentais. Ao descobrir que o passageiro só tinha R$2 na carteira,
parou o carro, expulsou o gay do táxi e chamou a polícia. Quando a polícia chegou e
percebeu que se tratava de um homossexual, espancaram Francisco e o levaram preso.
[Fonte: Arquivo GGB, Denúncia feita pelo Grupo Homossexual Babilônia, ano 08, Nº 22,
2001, Teresina, PI]

ESTUDANTE HOMOSSEXUAL AGREDIDO NO COLÉGIO, PI
No Colégio Francisco Prado, no dia 7/5/2001, Alison, um jovem gay piauiense de 16 anos,
foi insultado por ser homossexual e espancado por duas garotas, Jaqueline e Márcia,
levando socos e pontapés, sem que ninguém o defendesse da agressão [Fonte: Arquivo
GGB, Denúncia do Grupo Homossexual Babilônia, 17-7-2001]

GAROTO DE PROGRAMA TENTA MATAR PROFESSOR UNIVERSITÁRIO DO PIAUÍ
No dia 3/4/2001, o michê Marcos Antônio Oliveira, 20 anos, foi preso por tentativa de
assassinato. A vítima, um professor universitário da UFPI chamado Manoel, foi espancado,
chegando a se internado em um hospital. O caso aconteceu na Praça da Bandeira, no
centro de Teresina. Segundo a polícia, o garoto de programa roubou R$560,00 da vítima,
além de alguns pertences. Ele teria dito que tentou matar o professor, porque o mesmo não
lhe pagou os R$ 20,00 cobrados pelo programa. [Fonte: Arquivo GGB, Denúncia do Grupo
Homossexual Babilônia, 17-7-2001]

HOMOSSEXUAL É ESPANCADO SUSPEITO DE TRANSMITIR AIDS, PARAÍBA
O homossexual Jair dos Santos, 29 anos, foi espancado, por populares, com socos, paus e
pontapés. Os agressores suspeitavam que ele estaria contaminando pessoas com HIV,
utilizando uma seringa com sangue. Conhecido também como Ana Raio, a vítima – que
estava na casa de um amigo na Favela Boa Esperança (às margens da BR-230) – foi salva
por um policial. Jair negou as acusações contra ele e disse não ser soropositivo. Boatos
desse tipo resultaram na agressão de uma outra pessoa na Paraíba. O mecânico Ivanildo
Teixeira dos Santos, 29 anos, também foi espancado por várias pessoas pelo mesmo
motivo. Na ocasião, ele passava pela rua Presidente Félix Antônio em João Pessoa, a
caminho da casa de um cliente [Fonte: Correio da Paraíba - PB, 8-10-2001].

DOIS GAYS SUPOSTAMENTE ACUSADOS DE ASSÉDIO SEXUAL SÃO
VIOLENTADOS NA CADEIA E EXIBIDOS NA IMPRENSA EM NATAL, RN
Os jardineiros José Luciano de Souza Praça, 25, e Luiz Antônio de Lima, 25, conhecido
como “Bilú”, foram acusados de seqüestrar e abusar sexualmente do menor V.S.S., 9 anos.
Presos em uma cela, os 10 detentos em atitude de retaliação, obrigaram os acusados a se
vestirem e se pintarem de mulher, com a cumplicidade da autoridade policial, que permitiu a
divulgação na imprensa de Natal da foto dos dois homossexuais vestidos ridicularmente de
mulher. Após isso, Luciano e Bilú foram violentados sexualmente. Há dúvidas se as
confissões foram obtidas através de tortura. O GGB enviou representação de protesto e
pedido de inquérito às autoridades de Natal e à imprensa local, sem resposta. [Fonte: O
Grande Natal, RN, 15-7-2001]

CABELEIREIRO SOFRE AGRESSÃO DE FALSOS GAROTOS DE PROGRAMA, PE
Os cabeleireiros C.R.S., 33 e J.E.L.N., 31, conheceram o operário Clemilton José Rocha e
Silva, 27, e o servente de pedreiro Giovani Oliveira da Conceição, 23, num bar da cidade.
Os quatro se dirigiram ao apartamento dos cabeleireiros para fazer um programa. Lá
chegando os falsos michês anunciaram um assalto, amarraram e amordaçaram J. e um
outro cabeleireiro que dormia no local. Giovani portava um revólver calibre 32 e Clemilton,
uma faca. Quando Giovani apertou o gatilho contra a cabeça de C., a arma falhou e
aproveitando-se do imprevisto, a vítima entrou em luta corporal com Giovani, conseguiu
desarmá-lo e atirou nos ladrões. Mesmo baleados Clemilton e Giovani tentaram fugir, no
carro das vítimas, mas logo foram presos por policiais militares que foram chamados ao
local. [Fonte: Diário de Pernambuco, PE, 9-7-2001]

ASSASSINO DE QUATRO HOMOSSEXUAIS PRESO EM ALAGOAS
José Gonzaga da Paz Santana – assassino confesso de quatro gays, uma mulher e uma
criança de apenas cinco anos – foi preso pela polícia alagoana, sendo transferido, no dia
30-06-2001, para a jurisdição onde os crimes foram cometidos, a Paraíba. Os assassinatos
aconteceram em duas cidades do interior, Rio Tinto e Serraria. Segundo seu depoimento, o
acusado já havia conseguido fugir da cadeia pública de Rio Tinto e do principal presídio de
João Pessoa. A polícia paraibana vai investigar a possível participação de José Santana em
outros assassinatos e em estupros, cujos autores não foram definidos [Fonte: Tribuna de
Alagoas-AL, 29-06-2001].

HOMOSSEXUAL É AGREDIDO EM FRENTE DA SUA CASA EM SALVADOR
Admilson Pereira dos Santos, 35, professor e universitário, foi agredido em frente de sua
casa, localizada no Bairro da Ribeira, Rua Juracy Magalhães, 98 Itapagipe, por dois
rapazes, Hugo e Rodolfo, sendo que um deles é menor de idade. O motivo da agressão foi
a raiva que estes dois rapazes manifestavam pelo fato de ser homossexual, insultando-o
freqüentemente com expressões chulas. Após os espancamentos a vítima teve de
enfaixar o peito, ficou com a visão comprometida e a vértebra bastante atingida. Ele acabou
sendo internado no Hospital Português, já que desmaiou em conseqüência da violência das
agressões sofridas na cabeça. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 29-6-2001]

GAY É ESPANCADO POR PARENTES DE SEU COMPANHEIRO, SALVADOR
Residente no Bairro Periperi, subúrbio de Salvador, o cabeleireiro Paulo Sérgio Miraldo dos
Santos morou, durante um ano, na casa de seu companheiro Diogo Lima França, 17, tendo
a mãe deste aceitado o relacionamento dos dois. Por motivo de incompatibilidade,
romperam a relação, o que levou os irmãos e um tio de Diogo a agredirem Paulo com
socos, ferindo-lhe um olho, que ficou cheio de sangue. No outro dia, Paulo voltou para
mostrar a Diogo o que seus parentes tinham feito, ao que este replicou: “Era para ficar
cego” e depois deu risada. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 10-7-2001]
GAY É AGREDIDO EM LOJA DE FEIRA DE SANTANA, BA
Josef Ades Ferreira de Santana, 26, presidente do Grupo de Ação e Integração
Homossexual “GAIH”, residente na Rua dos Expedicionários, nº 353, Stella Maris, Feira de
Santana, compareceu a 1ª Coordenadoria de Polícia, para prestar queixa contra Nadson,
funcionário da Loja Lupalina, porque o mesmo lhe ameaçou, afirmando na presença de
outros funcionários e de diversas testemunhas, que se Josef ficasse na loja, seria agredido
e só não o faria naquele momento, porque poderia perder seu emprego. Vale ressaltar que
outros sócios do GAIH, já haviam denunciado que sofreram discriminação por parte dos
funcionários da referida loja masculina que dizem não suportar homossexual dentro do
estabelecimento. [Fonte: Arquivo GGB, Registro de Queixa, 1ª Coordenadoria de Polícia de
Feira de Santana, 24-1-2001]

MILITAR GAY É JOGADO NO RIO APÓS MANTER RELAÇÕES COM LADRÃO
AMANTE, BA
Um soldado gay de nome não divulgado vinha mantendo relações sexuais constantemente
com um ladrão que estava preso na unidade policial na qual ele trabalhava. Na última vez
em que estiveram juntos, o soldado não pôde se encontrar com seu amante no módulo,
pois havia outro policial de plantão. Assim, ele resolveu sair com o preso para dar uma
volta. Ambos se dirigiram para um lugar deserto por onde passava um rio e após ter tirado
a roupa e mantido relação com o preso, este jogou o soldado dentro do rio e, como não
sabia nadar, o militar começou a gritar por socorro. Neste momento o ladrão se apoderou
da arma, uma pistola calibre 38, deixando somente no local a farda do policial para que ele
vestisse após conseguir se salvar. Chegando na delegacia o soldado revelou que o Módulo
da PM tinha sido assaltado por bandidos, mas o delegado suspeitou da versão e as
investigações comprovaram que realmente o PM vinha se relacionando sexualmente com o
acusado. [Fonte: Tribuna da Bahia, 12-3-2001]

HOMOSSEXUAL É AGREDIDO EM ÔNIBUS DE SALVADOR
Valdir da Silva Junior, 29 anos, vendedor, passava pelo corredor de um ônibus da empresa
São Cristovão (Vale do Matatu, Salvador), levando, no colo, seu cachorro. Uma mulher
desconhecida ficou incomodada com o fato do animal ter cheirado o seu braço e começou a
fazer agressões verbais a Valdir. Ele foi chamado de “viadinho”, sendo humilhado diante de
todos os passageiros do ônibus. Diante desta atitude da agressora, a vítima respondeu aos
insultos, defendendo-se. Houve ainda ameaças de agressão física da agressora, que
alegou que seu marido, assim que chegasse de viagem, iria bater na vítima [Fonte: Arquivo
do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 13-11-2001].

HOMOSSEXUAL É AGREDIDO PELO VIZINHO EM SALVADOR
Daniel Andrade Sales, 27, cabeleireiro, negro, homossexual sofreu agressão verbal pelo
seu vizinho, Lázaro dos Santos Borges, 46, negro morador do Bairro 7 de Abril, chamando
a vitima de: “viado tem que morrer, eu vou acabar com as bichas deste bairro”. A vitima
sempre estava fugindo de Lázaro, um certo dia o próprio filho de Lázaro avisou para Daniel
que o pai estava com uma faca. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 1-6-2001].

HOMOSSEXUAIS SÃO AGREDIDOS POR SEGURANÇA EM SALVADOR
Robson dos Santos, cabeleireiro, e Jairo Góes dos Santos, auxiliar administrativo, foram
agredidos verbalmente por um segurança do Posto Shell Itaguair (Salvador - BA). O motivo
da agressão foi a orientação sexual das vítimas. O fato ocorreu em janeiro de 2001, ocasião
em que o agressor se expressou da seguinte forma: “não quero viado no meu plantão; se
procurar viadagem, vai ver”. [Fonte: Boletim de Ocorrência de Discriminação, Arquivo do
GGB, 31-01-2001].

HOMOSSEXUAL SOFRE AGRESSÕES DE VIZINHOS EM SALVADOR
Por causa de sua homossexualidade, Jeferson dos Santos, residente na rua Osvaldo Cruz,
Salvador - BA, foi agredido fisicamente com golpes de garrafas por um vizinho chamado
Tairone Gonçalves dos Santos, sofrendo lesões no rosto, na cabeça e nas costas. O
agredido registrou ocorrência na 2a CP [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 16-05-2001].

HOMOSSEXUAL É AGREDIDO E EXPULSO DE BAIRRO EM SALVADOR
Edimilson Borba, psicopedagogo, foi agredido com copos e garrafas em frente a sua
residência situada na rua 2 de Julho, 259, Centro (Camaçari-BA). Um dos seus vizinhos,
Joniel Danilo fez ameaças de matá-lo, caso ele continuasse residindo no bairro [Fonte:
Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 8-03-2001].

HOMOSSEXUAL DE RUA É AGREDIDO POR DESCONHECIDO EM SALVADOR
Edivaldo Conceição dos Santos, cabeleireiro, que atualmente dorme na rua, teve seu nariz
fraturado por um transeunte apelidado de “Bocão”. O agressor, que sequer conhecia a
vítima, expressou sua homofobia, dizendo que “viado não tem moral e é para se foder”.
Além disso, ele ameaçou Edivaldo de morte. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim            de
Ocorrência de Discriminação, 2-04-2001].

COSTUREIRO AGREDIDO POR AMANTE DE VIZINHA EM SALVADOR
O costureiro Jomar Cardoso Porto, 45 anos, foi agredido verbalmente (“viado tem mais é
que se foder”, “viado descarado”) e fisicamente por Petrônio Ferreira, amante de sua
vizinha, Maria Santos, moradora do Edif. Oxumaré e síndica do Edif. Avenida. O fato
ocorreu no dia 5-10-2001, tendo sido realizado exame de corpo delito. A queixa foi
registrada como agressão que causou lesões corporais com sangramento nasal,
escoriações no braço e no tórax, além de dores dorsais resultantes de murros do agressor.
O fato foi, inclusive, noticiado no jornal A Tarde do dia 7-10. [Fonte: Arquivo do GGB,
Boletim de Ocorrência de Discriminação, 8-10-2001].

HOMOSSEXUAIS AGREDIDOS E ROUBADOS EM ÔNIBUS EM BH
Um ato público pelo fim da violência contra homossexuais foi realizado pela Associação de
Lésbicas de Minas Gerais (Além). Esta iniciativa se deu após a agressão de dois gays
dentro de um ônibus da linha 5513 (Juliana-Etelvina Carneiro). Geraldo Custódio dos
Santos, 20, e Ronaldo Marques, 19, voltavam de uma festa de Reveillon, quando foram
humilhados e agredidos a tapas e socos por um grupo de oito rapazes. Além do
espancamento, os agressores levaram os tênis das vítimas e tentaram ainda arrancar as
calças de um deles. A denúncia foi levada ao Movimento Tortura Nunca Mais, à comissão
de Direitos Humanos da Barragem Santa Lúcia e à Promotoria de Defesa dos Direitos
Humanos. A coordenadora do Além, Soraya Andréa Menezes, disse ainda que iria entrar
com uma ação na justiça contra a empresa de ônibus, porque o cobrador e o motorista não
deram socorro às vítimas. [Fonte: O Tempo, MG, 12-1-2001]

ATENTADOS CONTRA O MOVIMENTO GAY DE MINAS (I)
Mensagem do Presidente do Grupo Gay de Minas: “O MGM, nessa madrugada foi vítima de
mais um atentado. Já não dá mais para considerar o que vem ocorrendo como ação de
vândalos e molecagem de rapazes simplesmente. Nos dois últimos meses, foram 12
ocorrências, todas registradas no nosso livro. Nessa madrugada foi atirado um pedaço de
pau contra a nossa sede que quebrou nossa janela. A Polícia registrou a ocorrência e
acionamos a imprensa, pois as agressões estão cada dia mais violentas. Vejam só:
1) Num dos primeiros domingos de julho, enquanto estávamos assistindo o jogo do
Flamengo contra o São Paulo, por volta das 16h30, uma pedra foi atirada pela janela e
acertou a Fernanda Müller, travesti associada;
2) Por volta do dia 14/8/2001, ao chegarmos para o trabalho, ovos tinham sido
arremessados na nossa fachada. Lavamos.
3) As pessoas passam e xingam com freqüência. No dia 1º de setembro, decidimos iniciar
um caderno de registros, onde todas as ocorrências ficassem registradas.
4) Um bando de calouros da Escola de Engenharia da UFJF, enquanto passavam pelo trote
e desfilavam em grupo, pintados e sujos pela cidade, ao passarem na porta da nossa sede
entoam, em coro: “Veados! Veados!” Os associados presentes vão até o passeio em tom
desafiador. Os calouros se calam e passam.
5) Ainda em agosto, por volta do meio dia, um grupo de estudantes passa pela calçada e
grita: “Veados! Boiolas!” A turma que trabalhava no MGM sai na calçada. Os rapazes
apertam o passo. Um pouco mais à frente voltam-se e gritam novamente. Um dos rapazes
desce as calças e balança o membro desafiadoramente.
6) Uns garotos passam e gritam: “Veados!” Marcos Trajano corre e consegue alcançar as
crianças. Passa um pito e ameaça contar aos seus pais se fizessem novamente.
7) Dia 1º de setembro, 18h00. Um carro passa e os passageiros, rapazes. gritam:
“Boiolas!”;
8) No mesmo dia 1º de setembro, 21h30. Novamente um carro passa e rapazes gritam: “Xô,
Capeta!”
9) Dia 06 de setembro, às 16h00, um carro passa e rapazes gritam “Veado!”. Ed anota a
placa do carro: KMN 3221;
10) No mesmo dia 06 de setembro, 18h30, um carro passa e rapazes gritam “Bando de
Perobas!”
11) No dia 07/09, às 20h15, um carro passa lentamente e um rapaz grita: “Ô Boiolas!”;
12) Na madrugada do dia 12/09 ovos são arremessados contra as paredes da sede,
provavelmente na tentativa de acertar os vidros. O que mais nos impressionou: depois da
primeira chuva de agosto, quando a nossa rampa de acesso de portadores de
necessidades especiais, que fica na frente da casa, secava, um símbolo nazista apareceu
gravado no cimento. Provavelmente foi feito durante a construção, já que a rampa não
existia, e foi consertado pelos pedreiros. A imagem surge toda vez que a rampa está úmida.
Estamos preocupados com tanta agressão. Estamos pedindo proteção à PM e à Polícia
Civil. Temos associados que estão parando de vir. Precisamos entender que não podemos
deixar de vir ao MGM e que essas ameaças não podem nos afugentar. Temos exemplos
concretos na história do movimento gay que demonstram que a união pode significar muito
na garantia dos nossos direitos. Stonewall, é um deles.O MGM hoje, em reunião
extraordinária da diretoria, decidiu tornar público os dados que temos coletados. Oswaldo
Braga, MGM”

ATENTADOS E VIOLÊNCIA ANTI-HOMOSSEXUAL EM JUIZ DE FORA (II)
Em mensagem divulgada na internet, o Movimento Gay de Minas denuncia:
Lamentavelmente, Juiz de Fora tem sido palco de violência contra os homossexuais de
forma ainda mais acentuada. Infelizmente, os resultados têm sido drásticos.
1) Em 2001, a sede do Movimento Gay de Minas, em Juiz de Fora, foi alvo de dezenas de
atos de vandalismo, sem que a Segurança Pública garantisse a integridade física do imóvel;
2) Na madrugada de 20 de dezembro, após uma noite inteira de trabalho no MGM Club,
Oswaldo Braga e Marcos Trajano foram atacados por um grupo de rapazes que bebiam no
bar que fica no térreo do prédio, ao lado do nosso. O caso acabou na Delegacia e na Rede
Globo local. Registramos a queixa, procedemos exames de corpo delito - várias
escoriações e luxações espalhadas pelo corpo e um olho roxo.
3) Desde o início do mês de dezembro encontra-se desaparecido Jamil Felipe Andraus,
conhecido gay de Juiz de Fora. Seu carro foi encontrado num bairro distante, intacto, bem
como seu apartamento e sua conta bancária. A família recusa-se a colaborar nas
informações. Hoje, consultei os cemitérios da cidade e nada. Estamos tentando outras
fontes.
4) Finalmente, no dia 30 de dezembro, foi assassinado Paulo Roberto Larcher,
homossexual de 53 anos. “Crimes violentos marcam o feriado prolongado na região. A
delegada de Crimes contra a Pessoa, Marlucy Pacheco Mendes Costa, instaurou inquérito,
ontem, para apurar o crime que matou dentro de casa o técnico em contabilidade Paulo
Roberto Lacher, de 53 anos. Ele foi assassinado com um tiro na cabeça, na madrugada do
último dia 30, dentro da própria casa, no bairro Santa helena. O principal suspeito é o
vigilante Renato Sudá de Andrade, 31 anos, que foi preso em flagrante. De acordo com as
primeiras informações, os dois teriam consumido bebida alcoólica na noite anterior ao crime
e, durante a bebedeira, Paulo Roberto teria se insinuado com propostas homossexuais
para o vigilante, que ficou muito nervoso com a situação. Durante o depoimento, Renato
contou que foi para o quarto dormir e, como estava bêbado, entrou em sono profundo,
deixando seu revólver, um Taurus calibre 38, na cabeceira de sua cama. Ao acordar viu
Paulo Roberto no seu quarto com o revólver na mão. Assustado, o vigilante tentou
desarmá-lo e a arma acabou disparando acidentalmente, matando Paulo Roberto, que não
teve tempo de reagir. Antes do disparo da arma, os dois entraram em luta corporal, na
tentativa de tomar a arma da vítima, mas não foi possível. Renato morava num dos quartos
da casa de Paulo Roberto e pagava aluguel, depois de ter separado de sua mulher. Apesar
de história contada por ele não ter convencido a polícia, o caso continua sendo investigado
pela Delegacia de crimes contra a Pessoa, e Renato Sudá continua preso no CERESP, à
disposição da Justiça. Se condenado, ele pode pegar de 6 a 30 anos de prisão.” Diário
Regional, Juiz de Fora, 3 de dezembro de 2002. [Fonte: Arquivo do GGB, correspondência
enviada por Oswaldo Braga, MGM, 12-2001]

GAY É AGREDIDO POR POLICIAIS AO SAIR DE BAR EM SÃO PAULO
Djalma C.R., 31 anos, residente em São Paulo, afirma ter sofrido no começo de 2001
diversas agressões por parte de policiais militares quando saía de um clube gay na cidade
de São Paulo. Disse ter sido colocado dentro de uma viatura e logo depois os policias
pararam o carro e começaram dar-lhes tapas no rosto. “Puxaram o meu cabelo, me deram
chutes, cuspiram no meu rosto e o mais terrível, começaram a falar que iam me matar.
Colocaram o revólver na minha cabeça e fizeram roleta russa duas vezes, graças a Deus a
bala não saiu. Depois, os policiais falaram que eu tive sorte, mas começaram dar soco e me
xingaram de verme, merda e tudo mais. Pegaram alguns documentos meus e o meu
dinheiro. Por um milagre me deixaram no mesmo local e foram embora. Mais o inferno não
acabou, dois dias mais tarde telefonaram para minha casa fazendo ameaças. Tive que ir
morar na casa de um amigo e sair do meu emprego. A partir deste dia, minha vida virou um
inferno, tenho medo da polícia. A vítima afirma ainda estar mantendo contato com alguns
grupos do Canadá e o IGLHRC para conseguir asilo, por conta das perseguições que vem
sofrendo por causa da sua orientação sexual. [Fonte: Arquivo GGB, denúncia enviada pela
vítima, 9-12-2001]

DUPLA DE SKINHEADS CONDENADA A 21 ANOS DE PRISÃO, EM SP
Os skinheads Juliano Filipini Sabino e Nilson Pereira da Silva, foram condenados a 21 anos
de prisão por terem sido considerados culpados de participação no assassinato do
adestrador de cães Edson Neris da Silva, morto por espancamento na madrugada do dia 6
de fevereiro de 2000 na Praça da República em São Paulo. Pela primeira vez a justiça
condenou duas pessoas a mais de 20 anos, depois de ter ficado provado que elas
praticaram crime por causa da intolerância contra a orientação sexual da vítima. Tendo de
cumprir pelo menos 14 anos de prisão em regime fechado, a condenação dos skinheads
representa um grande avanço na luta pela impunidade de agressores homofóbicos. [Fonte:
Jornal da Tarde, SP, 15-2-2001]

TRÊS HOMENS TENTAM ASSASSINAR TRAVESTIS, EM SP
O empresário e bacharel em Direito Anderson Ventura Roland, 27, o técnico em eletrônica
Mário Sérgio Tossini, 29, e o mecânico de aeronaves Thiago Viricchione, 18, foram presos
pelo GARRA, nas imediações da Av. Lineu de Paula Machado, nº 1200, em Cidade jardim,
Zona Sul de São Paulo, depois de tentar matar travestis que se recusaram a fazer
programas com eles. Por volta das 4hs da manhã, Anderson, Mário e Thiago, chegaram ao
local, que fica atrás do Jóquei Clube, em um corsa vermelho. Abordaram o travesti e
maquiador Remarque de Queiroz Costa Filho, 31, Cláudia, e como este se recusou em
atendê-los, os três começaram a atirar enquanto a travesti corria. Na seqüência eles
encontraram o também maquiador e travesti Gilson Rodrigues da Silva, 24, Paula, que
também não atendeu os seus chamados e foi ferida na perna com estilhaços dos projéteis.
Não satisfeitos continuaram a rodar com o carro atrás de mais outros travestis. Neste
momento, uma travesti de nome Samira, avisou à polícia o que estava havendo e a viatura
saiu atrás dos agressores. Durante a perseguição, os rapazes trocaram tiros com a polícia,
atingiram a lanterna da viatura, mas acabaram cercados e presos. Com eles, foram
encontrados uma Pistola Taurus 380, registrada em nome de Anderson que apresentou o
porte da arma, além de 30 cartuchos de munição. [Fonte: Diário Popular, Agora, Jornal da
Tarde, O Estado de São Paulo 15-4-2001]

MICHÊS SEQÜESTRAM GAY E SÃO PRESOS EM SÃO PAULO
Sérgio Daniel Favaro, 27, “Jeferson” e Danilo Bruno Pessoa, 20, foram presos por policiais
da 91ª DP na região da Ceagesp, Zona Oeste de São Paulo. Os policiais desconfiaram do
carro parado na Av. Manuel Bandeira e ao se aproximarem para fazer uma revista no
porta-malas, descobriram o estudante L.F.L.V., 22, dono do veículo. Os criminosos
afirmaram que se prostituem no Trianon e o estudante L. teria passado com seu carro entre
a Alameda Santos e Jaú, tradicional ponto de prostituição masculina, para arranjar um
programa. Neste momento Cristiano, outro assaltante, teria se aproximado do carro,
exibindo uma arma e anunciando o assalto. Ele, Favaro e Pessoa seguiram para a Zona
Oeste, enquanto isso Cristiano, o líder teria descido do veículo com o cartão de crédito e a
senha da vítima, para efetuar saques. Os três foram presos e autuados por formação de
quadrilha, seqüestro e roubo consumado. [Fonte: Jornal da Tarde, SP, 13-4-2001]

GAY É TORTURADO POR PRESOS NUMA DELEGACIA EM SÃO PAULO
Marcos Puga, cabeleireiro e maquiador, 45, paulistano, residente no bairro do Bosque da
Saúde, em São Paulo, teve a casa onde mora invadida de madrugada por policiais. Eles
chegaram e reviraram tudo no sobrado modesto onde ele vive com a mãe adotiva,
Concheta Puga , de 96 anos, e um tio de 65. O cabeleireiro foi levado preso para a
carceragem da delegacia de Vila Clementino, na Zona Sul da cidade, sob a alegação de
que os policiais encontraram três cigarros de maconha na sua casa. Por volta das 3h30 do
dia seguinte, explodiu uma rebelião no local e Marcos ouviu a pergunta fatídica: ”Cadê
aquele gay?” Amarrado pelo pescoço e pelos pulsos, atingido por socos e pontapés, Puga
perdeu cinco dentes, teve o nariz fraturado, o maxilar trincado, o lóbulo de sua orelha
esquerda quase foi decepado, levou duas facadas nas costas, uma na perna direita e outra
em uma das nádegas, foi banhado em álcool e ardeu em chamas. Ao fim da rebelião e da
seção de tortura, o cabeleireiro foi largado em uma sala vazia. “Não me deram nem uma
aspirina”, conta. Permaneceu lá mais de seis horas, quando uma sobrinha, a advogada
Roseli Pastore, o localizou e pagou uma fiança de R$20. Puga acredita que o Estado ficou
lhe devendo mais que proteção. Entre o momento em que a polícia invadiu sua casa e de
seu retorno para lá, foram 24 horas de abusos contra as leis, sob patronagem do estado. O
flagrante da maconha pode ter sido forjado. Além disso, o delegado de plantão, Fábio
Alcântara, não estipulou fiança, apesar do crime, porte de drogas, ser afiançável. Este foi
um dos casos de tortura, abuso de autoridade e homofobia mais flagrantes e revoltantes até
agora documentados no Brasil. [Fonte: Revista Época, Nº 170, 20-8-2001, Revista Veja, Nº
1714, O Globo, RJ, 15-8-2001]

HOMOSSEXUAL É DEIXADO NU EM VIA PÚBLICA DE FLORIANÓPOLIS
O homossexual Genildo da Silva, 49 anos, teve as roupas e tênis arrancados por dois
homens, ficando despido em plena via pública na capital de Santa Catarina. Os agressores
haviam convidado Genildo a entrar em seu carro, mas ele recusou. Após denúncia de uma
testemunha, todos os envolvidos, inclusive a vítima, foram levados à 1º DP da cidade
[Fonte: O Estado-SC, 21-09-2001].

2. Ameaças e Golpes: 9 casos
ASSALTANTES ARMADOS TENTAM INVADIR BAR GLS, RECIFE
Quatro assaltantes armados tentaram invadir, no dia 8-9-2001, um bar GLS de Recife,
localizado na rua Oliveira Lima (bairro da Boa Vista). Os seguranças do estabelecimento –
com a ajuda de colegas de outros bares – conseguiram evitar o procedimento dos
marginais, que acabaram fugindo. Eles aparentavam ter entre 20 e 30 anos, sendo um
deles negro [Fonte: Arquivo do GGB, denúncia enviada por .M.S. 10-09-2001].
HOMOSSEXUAL É VÍTIMA DE AMEAÇA DE MORTE EM SALVADOR
Genivaldo Arcanjo dos Santos, empresário, foi ameaçado de morte e agredido fisicamente
por seu companheiro José Carlos Santana. O agressor ainda furtou objetos da residência
da vítima, que, em razão disso, registrou ocorrência na 12 a CP [Fonte: Arquivo do GGB,
Boletim de Ocorrência de Discriminação, 4-03-2001].

HOMOSSEXUAL É FURTADO E AMEAÇADO DE MORTE EM SALVADOR
Nilzelito Carmo dos Santos, peixeiro, morador do bairro de Lobato (Salvador-BA), teve seu
aparelho de som furtado quando saiu para trabalhar. Ao descobrir que o autor do citado
delito era Josenilton Santos Rangel, a vítima registrou ocorrência na Delegacia de Furtos e
Roubos. Nilzelito foi ameaçado de morte pelo autor do crime, além de ter sido agredido
verbalmente pelo mesmo por ser homossexual . [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de
Ocorrência de Discriminação, 23-01-2001].

HOMOSSEXUAL É AMEAÇADO DE MORTE POR VIZINHO EM SALVADOR
Residente em Lauro de Freitas, Paulo Eduardo Alves Dias, dançarino, foi ameaçado de
morte e insultado por ser homossexual, além de agredido fisicamente, por seu vizinho
conhecido como Júnior. Em razão disso, vítima registrou, em 25-01-01, ocorrência na 12a
CP de Itapuã (Salvador-BA) [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 26-01-2001].

COMUNIDADE GLS PEDE MAIOR PROTEÇÃO À PM, EM MG
Representantes da comunidade de gays, lésbicas e simpatizantes, de Minas Gerais
reuniram-se com o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, Coronel Severo Augusto da
Silva Neto, para pedir maior segurança para os homossexuais. A reunião contou com a
presença do vereador Leonardo Matos do PV, autor do projeto que originou a lei municipal
contra a discriminação dos homossexuais. As ocorrências de violência contra
homossexuais são cada vez mais comuns na cidade, tanto por parte da sociedade, quanto
por parte da própria polícia. Um dos principais pontos de pauta da reunião foram as
denúncias recebidas através do Disque Denuncia Homossexual (DDH), envolvendo gays e
policiais que estariam abordando casais em banheiros e shoppings e exigindo dinheiro
deles sob pena de serem expostos ao constrangimento público. A presidente da
Associação de Travestis de Belo Horizonte ASTRAV, Porcina D‟Alessandro, afirma que
“com freqüência acontecem agressões gratuitas, sem nenhuma causa além do preconceito
daqueles que se dizem heterossexuais”. O Coronel Severo não quis falar com a imprensa
sobre a reunião. De acordo com o assessor de Comunicação da PM, Major Rogério
Andrade, a reunião serviu para definir diretrizes para que os homossexuais ”tenham
atendimento que merecem da polícia, como qualquer cidadão”. [Fonte: Hoje em Dia, O
Tempo, MG, 17-3-2001]

PROCURADOR É VÍTIMA DO GOLPE “BOA NOITE CINDERELA”, RJ
X.A.F.S.F.,56, procurador aposentado do Tribunal de Contas do Amazonas, foi vítima do
golpe “Boa Noite Cinderela”, na boate gay La Cueva, em Copacabana, Zona Sul do Rio. O
acusado Luís Abreu, 44, foi preso em flagrante pela polícia ao tentar levar eletrodomésticos
do apartamento do procurador, depois de ter colocado tranqüilizantes na bebida da vítima e
levá-lo para casa, onde este ficou desmaiado na cama. O golpista estava em liberdade
condicional e será indiciado por roubo.[Fonte: O Estado de São Paulo, 4-3-2001]

EMPRESÁRIO GAY É EXTORQUIDO PELA MÁFIA DA PROSTITUIÇÃO, RJ
Um empresário gay foi flagrado com um adolescente numa quitinete no Rio. O empresário
foi agredido e ameaçado de morte e para não ser preso por aliciamento de menores teve
que pagar uma propina de R$10 mil. Ainda assustado com o golpe e consciente de que
estava praticando um crime, ele se recusou a dar entrevista sobre o caso. De fato o
empresário foi vítima de uma máfia que envolve policiais, sargentos e delegados da PM
carioca que vem agindo nas zonas de prostituição da cidade. O golpe da extorsão policial é
aplicado em conluio com menores que se prostituem e avisam aos policiais os lugares onde
ocorrem os programas para serem feitos os flagrantes e a extorsão dos clientes. Este
esquema que envolve menores, travestis, policiais e michês, está sendo investigados pelo
GAP. [Fonte: O Globo, RJ, 22-4-2001]

QUADRILHA APLICA GOLPE BOA NOITE CINDERELA NO RIO DE JANEIRO
Policiais da 15ª DP (bairro da Gávea, Rio de Janeiro) conseguiram desbaratar uma
quadrilha que aplicava o golpe Boa Noite Cinderela em homossexuais. Uma vítima, que
preferiu não se identificar, foi sedada (com um pó na bebida) e conduzida a seu
apartamento por quatro homens, que roubaram roupas e cartões de crédito. O rapaz havia
conhecido os marginais na boate Le Boy dois meses antes, mas o roubo aconteceu
somente um mês depois, quando eles se reencontraram em um bar. De posse do número
do telefone celular de um dos marginais, a delegada Sania Burlandi Cardoso marcou
encontro com dois integrantes da quadrilha, Marcelo Rodrigues Lana, 29 anos, e Márcio
Rodrigues Santana, 28 anos. Eles foram presos em flagrante, no dia 1-11-01, por
receptação, já que estavam com um carro roubado, formação de quadrilha e roubo. No dia
seguinte, a polícia prendeu mais um criminoso, Murilo Moraes Nogueira, 19 anos. O quarto
participante está sendo procurado [Fonte: Jornal do Brasil-RJ, 3-11-2001].

SKINHEADS AMEAÇAM HOMOSSEXUAIS NO RIO
Segundo o jornal O Dia, crescem no Rio de Janeiro grupos de Skinheads, que seguindo a
ideologia Neonazista, proliferam o terror contra as minorias. Dentre os alvos preferidos de
agressões incluem-se os judeus, homossexuais, negros e nordestinos. Atualmente, São
Gonçalo, Niterói, Rio de Janeiro e Nova Iguaçu são os principais redutos. O Estado do Rio
reúne grupos auto-intitulados Nacional-socialistas e Skinheads, enquanto em São Paulo,
encontram-se também os White Powers. Estes últimos são considerados os mais radicais.
Pregam que homossexuais, judeus, negros e nordestinos são inferiores e defendem sua
expulsão para o bem do progresso, mesmo que, para isso, a morte seja apontada como a
“única saída”. Através da Internet, ambas as facções divulgam seus ideais. O ódio e o
desprezo pelas minorias viajam pela rede, conquistando simpatizantes. Enquanto nas ruas
do Rio os alvos mais fáceis são os homossexuais e os negros, pelo computador os disparos
são feitos contra os judeus. As páginas convocam “irmãos de sangue para que façam parte
da luta pela criação de uma nova nação branca superior”. Esses grupos encontram na
doutrina nazista os ingredientes suficientes para fortalecer e justificar o ódio que difundem.
Com isso alimentam o deus deles: Hitler”, define a professora da UFRJ e autora do livro
Anti-Semitismo - Novas Facetas de uma Velha Questão, Diane Kuperman. De acordo com
a pesquisadora, os neonazistas somariam hoje 0,004% da população brasileira, o que
representa 6.600 pessoas. “Esse número pode parecer pequeno, mas é preocupante
porque não pára de crescer. Em 20 anos, eles significarão uma ameaça à democracia”,
alerta. O total não inclui os simpatizantes, que seguem a doutrina, mas temem vincular sua
imagem à do movimento, associada publicamente a Hitler.
Eles somam três mil seguidores em todo o País, sendo um terço apenas em São Paulo,
berço do movimento. Cabeças raspadas, camisas brancas, corpo tatuado com desenhos
de caveiras, teias de aranha e suásticas, calças surradas, suspensórios e coturnos nos pés,
os Carecas do Subúrbio fazem parte do movimento skinhead. Com idade entre 18 e 25
anos, estudam em universidades durante o dia e, à noite, trabalham como seguranças em
boates e bares badalados dos bairros Vila Madalena e Lapa, áreas nobres da capital
paulista. Aos carecas, são creditados ataques a homossexuais e nordestinos. “Nada é de
graça. Não atacamos por atacar. Uma vez eu espanquei duas bichas. Eu estava no metrô e
fui cantado. Não tinha motivo para eu ficar quieto”, afirma Fabiano Mendes, 25 anos,
professor de Educação Física. “Quando um cara escolhe ser homossexual e vai para a rua,
fica sujeito a tudo, até a levar uma surra”, engrossa o coro o estudante de História Márcio
Coelho, 23. “Teve um outro homossexual que nos provocou. Um colega arrancou sua
orelha com um machado”, afirmou Márcio. A Baixada Fluminense transformou-se em
território proibido para os homossexuais. A denúncia é do fundador do Grupo 28 de Junho e
integrante do Água Viva (movimentos que reúnem homossexuais), o garçom Eugênio
Ibiapino, 39 anos, uma das vítimas dos neonazistas. Em janeiro último ele foi espancado
por três homens no bairro de Cabuçu, onde morava, em Nova Iguaçu. São Gonçalo, Nova
Iguaçu, São João de Meriti e Niterói são considerados os lugares mais perigosos, onde a
atuação dos neonazistas tem se intensificado. No Rio, os ataques acontecem na Lapa, em
Copacabana e no Aterro do Flamengo. A Rodovia Presidente Dutra, uma das ligações entre
a Baixada e a capital, também figura entre os locais violentos. O Grupo 28 de Junho foi o
responsável pela denúncia que levou a Polícia Federal a descobrir a torcida organizada do
Flamengo Nazistas da Baixada. “À época, acendemos o pavio de uma bomba”, afirma
Eugênio. A interdição da sede aconteceu em agosto, no Centro de Nova Iguaçu. [Fonte:
Arquivo GGB, gaylawyers@yahoogrupos.com.br, enviado por Newton Hercos 29-12-2001]


3. Discriminação em Órgãos e                                    por      Autoridades
Governamentais e Policiais: 25 casos
ASSOCIAÇÃO DE HOMOSSEXUAIS E TRAVESTIS DE CAMPO GRANDE , MT, DENUNCIA
VIOLÊNCIA POLICIAL
A Associação dos Homossexuais e Travestis de Campo Grande, MT, denunciou, na
Governadoria, a violência praticada pela polícia contra gays, lésbicas, travestis e
bissexuais. Maurício Scaf, da Delegacia Especializada de Ordem Política e Social, foi citado
como o principal agressor de homossexuais. A representante da Associação, a travesti Cris
Stephanny defendeu um melhor tratamento das minorias sexuais pelas autoridades. “Para
nos tirar das ruas, o Estado precisa adotar políticas públicas que ofereçam oportunidades
de trabalho e ações afirmativas”, completou Stephanny, referindo-se a um dos setores mais
discriminados: os profissionais do sexo. Após receber a denúncia, o secretário de Governo,
Ben Hur Ferreira, determinou o encaminhamento do dossiê sobre violências praticadas
contra homossexuais em Mato Grosso do Sul para a Secretaria de Justiça e Segurança
Pública. O secretário afirmou também que o Mato Grosso do Sul enviou uma delegação de
30 representantes das comunidades negra, indígena e homossexual para Conferência
Nacional contra o Racismo e a Intolerância. Segundo ele, o governo tem uma “agenda
voltada aos segmentos discriminados e alvos do preconceito” [Fonte: O Globo,1-07-2001].

CABO TRANSEXUAL É AFASTADO DAS FORÇAS ARMADAS, DF
O cabo reformado da Aeronáutica José Carlos da Silva, Maria Luiza, afirma estar vivendo
uma situação de miséria e um drama que teve inicio no dia 10 de julho de 2000. Ela que
sonha em fazer uma cirurgia de mudança de sexo e é assistida pela Promotoria de Justiça
de Defesa dos Usuários de Saúde (Pró-Vida) do Ministério Público do Distrito Federal, foi
afastada do emprego depois de 22 anos de serviço às Forças Armadas, onde foi até
condecorada por bons serviços prestados à base Aérea. O cabo foi considerado incapaz
para a carreira militar, e recebeu um documento assinado por cinco Oficiais médicos da
Junta Superior do Comando da Aeronáutica, contendo o diagnóstico de transexualismo. O
parecer ainda pontuava: “Incapaz definitivamente para o serviço militar. Não é inválido. Não
está impossibilitado total e permanentemente para qualquer trabalho. Pode prover os meios
de subsistência. Pode exercer atividades civis. Não necessita de hospitalização
permanente. Não é alienação mental.” Carlos atesta não está recebendo o salário completo
de cabo reformado e agora é obrigado a deixar o apartamento funcional onde mora. Sem ter
como se manter e a quem recorrer, Carlos está deprimido e se diz injustiçado pela
Aeronáutica. Protagonista do primeiro caso de transexualismo militar do país, o ex-cabo
José Carlos da Silva recorreu à Justiça para garantir seus direitos de aposentadoria na
Aeronáutica. Tendo adotado atualmente o nome de Maria Luiza, ela disse não ter sido
contemplada – durante o processo de sua reforma da corporação – com uma promoção ao
posto de 3º sargento, a que teria direito. Com isso, os rendimentos de Maria Luiza foram
reduzidos à metade. A Comissão de Direitos Humanos da seccional da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) e a Associação de Praças das Forças Armadas (Asprafa)
prometeram apoiar sua luta. Maria Luiza vê também sofrendo discriminação no fato de não
ter sido aproveitada em atividades civis da própria Aeronáutica, apesar do parecer de seu
caso indicar que ela não estaria impossibilitada de exercer tais atividades [Fonte: . Jornal
de Brasília, DF, 19-7-2001; Jornal de Brasília-DF, 26-11-2001].

HOMOSSEXUAIS SÃO EXCLUÍDOS DA POLÍTICA DE COTAS, DF
No dia 19-12-2001, o governo anunciou a criação de cotas iguais de 20% para negros e
mulheres e de 5% para portadores de deficiência em cargos de confiança no Ministério da
Justiça, em empresas terceirizadas e entidades conveniadas. O presidente do Grupo Gay
da Bahia, Luiz Mott, defendeu a criação de cotas para os homossexuais. “Entre as minorias,
somos as mais discriminadas”, afirmou Mott, que também integra o Conselho Nacional de
Combate à Discriminação do Ministério da Justiça. A proposta da cota para gays serviria
para aumentar a auto-estima dos cidadãos homossexuais. Na opinião de Luiz Mott, “as
pessoas não assumem, porque são discriminadas”. O secretário de Direitos Humanos,
Paulo Sérgio Pinheiro, prometeu encaminhar a idéia ao Conselho de Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana. “Temos que tratar com naturalidade essa questão, com a mesma
serenidade que tratamos de outras minorias”, concluiu o secretário [Fonte: Jornal do
Brasil-RJ, 19-12-2001].

CORONEL DA PM ESPANCA TRAVESTI EM MOTEL, DF
O tenente-coronel da reserva da Polícia Militar do DF, Jadir Costa, 53, foi autuado na 1ª DP
de Valparaíso (GO), por porte ilegal de arma, após ter acertado um programa com duas
travestis, Brisa (Anísio Ribeiro dos Santos), 21 e Taína (Antônio da Silva), 19. O coronel
passava pela BR-060, quando viu Brisa na beira da pista e acertou um programa por R$20
dentro do seu carro. Após a transa, Jadir Costa decidiu pagar apenas R$10, mas sugeriu
em troca que Brisa convidasse outra amiga para continuarem o programa em um motel.
Depois de transar com as travestis, Jadir disse que não iria pagar o combinado porque
Tainá e Brisa não tiveram uma ereção. “Que culpa tenho se não consegui me excitar
quando vi o senhor pelado?”, indagou Tainá. Com medo, elas se esconderam em uma sala
até que o coronel se acalmasse do seu ataque de fúria. Em seguida, com a chegada da
polícia, Jadir Costa alegou que os travestis tinham lhe roubado R$100 e que, por isso, ele
não tinha dinheiro para pagar o motel. [Fonte: Jornal de Brasília, DF, 25-7-2001]

POLICIAIS MILITARES DE BRASÍLIA AMEAÇAM HOMOSSEXUAIS, DF
No dia 20-12-2001, o pernambucano Robson Silva e um amigo foram abordados, em uma
estação de metrô de Brasília, por três policiais militares, cabo Evandio, soldado Sidênio e
soldado Salvo, que argumentavam ter havido desrespeito à polícia por terem sido
“olhados”. Os policiais disseram que, em Brasília, quem olha para polícia é “marginal” ou
“malandro” e que ninguém naquela cidade acha policial “bonitinho”. Robson e o amigo
foram revistados de forma agressiva, sendo tratados aos gritos e pontapés unicamente por
serem homossexuais. As vítimas apresentaram queixa na Ouvidoria da Polícia Militar-DF
(061-327.7391), cujo número de ocorrência foi 1962- 1.dez.2001 [Fonte: Arquivo do GGB,
Boletim de Ocorrência de Discriminação, 2-01-2002].

PROJETO DE VEREADOR É CRITICADO E CHAMADO DE IMORAL, OLINDA
Wilson Rodrigues da Luz, morador do bairro Jardim Atlântico em Olinda, PE, enviou uma
nota ao Jornal do Commercio, lamentando o fato de que um vereador do PT, tenha
apresentado um projeto na Câmara de Recife, para ser criado o Dia Municipal do Orgulho e
da Consciência Homossexual. Segundo Wilson o projeto de caráter imoral jamais poderia
ser aprovado, já que o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, prevê punição para
qualquer discriminação atentatória aos direitos e liberdades fundamentais; e termina
dizendo que “Consciência Homossexual é pura imoralidade. Orgulho de Quê?” [Fonte:
Jornal do Commercio, 11-3-2001]
EVANGÉLICOS CONDENAM                 PROJETO CONRA DISCRIMINACAO DE
HOMOSSEXUAIS EM POÇOS DE CALDAS, MG
Em Poços de Caldas, a votação, na Câmara Municipal, de um projeto contra discriminação
anti-homossexual mobilizou dezenas de evangélicos. A oposição e a pressão dos religiosos
foram tão fortes e agressivos, que a vereadora Ana Guerra (PT), viu-se forçada pela sua
retirada de votação, deixando para apresentá-lo em outra oportunidade. O projeto
determinava penalidade a estabelecimentos que discriminem pessoas em virtude de sua
orientação sexual, lei que já vigora em dezenas de cidades e capitais.
Além da manifestação evangélica, o projeto da vereadora petista havia recebido pareceres
contraditórios da Comissão de Justiça, Legislação e Redação Final. Em um deles, a
relatora, vereadora Raulina Adissi (PSDB) afirmava que “a matéria é de legítimo interesse
da comunidade e não apresenta falhas que possam macular sua validade”; em outro
documento, a mesma comissão dizia ser pelo arquivamento da proposta, já que, no seu
entendimento, o homossexual ofendido deveria procurar os órgãos policiais e judiciais
cabíveis a fim de se averiguar a ocorrência. Finalmente, um terceiro parecer da Comissão
de Justiça, em conjunto com a Comissão de Assistência, Ação Social e Direitos Humanos
(cujo presidente é o vereador Pastor Paulo – PFL) foi também contrário ao projeto. No
discurso de defesa de sua proposta, a vereadora questionou a afirmação que a
homossexualidade é uma abominação, lembrando que “nem tudo que está escrito no
Antigo Testamento deve ser levado a ferro e fogo” [Fonte: Folha Popular, 28/6/2001; Jornal
da Mantiqueira, 28/6/2001].

PREFEITO PROIBE HOMOSSEXUAL NO DESFILE DA INDEPENDÊNCIA, BA
Em Santo Amaro, recôncavo baiano, homossexuais foram proibidos, pelo prefeito
Genebaldo Correia, de participar, junto com as bandas marciais, do desfile de 7 de
setembro. A arbitrariedade do prefeito causou revolta em muitos moradores, que se
sentiram, no entanto, impotentes diante da situação. O GGB divulgou esta denúncia na
imprensa nacional, causando grande constrangimento no prefeito homofóbico, um ex-anão
do orçamento. O desfile de gays nas bandas marciais santamarenses acontecia há anos.
[Fonte: Arquivo do GGB, Internet, angela_carneiro@bol.com.br, 7-9-2001].

POLICIAS EXTORQUEM HOMOSSEXUAL EM ITAPOÃ, SALVADOR
Três policiais civis que estavam no carro Bege Placa VAL-0202 fazendo ronda em Itapoã,
abordaram Djalma J. dos Santos, 26, cabeleireiro, branco, homossexual e sua amiga,
obrigando-o a sacar a quantia de R$ 50,00, roubando-lhe o relógio e uma pulseira de ouro.
Os policiais ameaçaram-no de morte se dessem queixa. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim
de Ocorrência de Discriminação, 11-6-2001].

TRAVESTI DETIDA ILEGALMENTE EM DELEGACIA DE ITAPOÃ, SALVADOR
No dia 10-08-2001, Leandro dos Santos Rocha, 19 anos, travesti “Brenda”, foi acusada de
ter furtado R$600,00 de um de seus clientes de Patamares. Denunciada à polícia, Brenda
foi detida e levada à 12ª Delegacia em Itapuã , Salvador. Ela afirmou ter pego apenas R$
100,00 do cliente, quantia que foi devolvida no momento de sua prisão. Até o dia
15-08-2001, no entanto, a acusada estava detida ilegalmente na delegacia. [Fonte: Arquivo
do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 15-08-2001].

VIGILANTE SE DIZ DISCRIMINADO DEVIDO A SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL EM
MADRE DE DEUS, BAHIA
José Cleber Santos, 27 anos, é, desde 1995, vigilante concursado da Câmara Municipal de
Madre de Deus (BA). Em 1997, ele foi exonerado, junto com alguns colegas, por um decreto
do Presidente da Câmara. Depois de dada entrada em um processo, José foi reintegrado
no final do mesmo ano. No entanto, ele passou a receber menos após a reintegração, o
que, na sua opinião, motivado pelo preconceito a sua orientação sexual. [Fonte: Arquivo do
GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 8-09-2001].

MILITANTE GAY É DISCRIMINADO POR SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO EM
ITAPARICA, BA
Edson Santos Tosta, conhecido por “Tosta Passarinho”, militante do movimento Negro, e
voluntário do Centro Baiano Anti-Aids, foi convidado a comparecer no gabinete do Prefeito
da Ilha de Itaparica, Raimundo Sacramento, para prestar esclarecimentos sob à acusação
de distribuir panfletos e cartazes de caráter imoral e atentar contra a “moral e a decência”
em uma unidade escolar na qual prestava serviços voluntários para efetivação da matrícula
de alunos. Edson alega que, possuindo experiência em ações educativas junto ao público
homossexual, ele afixou cartazes no pátio da escola e distribuiu panfletos e cartilhas do
Ministério da Saúde pertinentes à prevenção de DST-AIDS, junto a comunidade local. Por
causa desta iniciativa o Prefeito e a Secretária de Educação do Município, Linda Coutinho,
não reconheceram sua condição de militante e por isso submeteram-no à tratamento
preconceituoso e homofóbico, dispensando-lhe um tratamento áspero e deselegante ao
afastá-lo de suas atividades na escola. [Fonte: Arquivo GGB, Denúncia encaminhada ao
Centro Baiano Anti-AIDS, 6-4-2001]

JUSTIÇA MANDA PRENDER TRAVESTI EM VIRGINÓPOLIS, MG
A travesti Jean Marques de Oliveira, “ Cláudia Braum”, 33, foi presa sob a acusação de
perturbar a ordem pública. De acordo com o promotor de justiça da cidade de Virginópolis,
no Vale do Rio Doce, Adriano Botelho Estrela, o acusado anda fazendo denúncia com
fontes inverídicas por meio de folhetos e que isso vem atrapalhando as investigações de
Ministério Público. Disse: “sabidamente é pessoa de índole agressiva, que possui o hábito
de afrontar verbalmente as pessoas, até mesmo as autoridades constituídas do município e
comarca, sem que para tanto tenha qualquer motivo plausível. Mesmo porque, o acusado é
pessoa desocupada, que tem desvio de personalidade, com freqüência envolve-se em
confusões e até mesmo em práticas delituosas, possuindo, inclusive, antecedentes
criminais. Ademais a vítima não procuraria o auxílio da polícia se não houvesse motivo
plausível para tal. “ A travesti já tinha sido condenada a dois anos e oito meses de reclusão
por atentado violento ao pudor contra menores, além de duas contravenções penais. O
advogado da travesti apresenta outra versão dos fatos. Ele declarou que Cláudia Braum foi
presa em função de um suposto crime de ameaça imputado ao seu cliente, que teria
ameaçado a prefeita da cidade Maria Aparecida Moraes Ribeiro e a funcionária da
prefeitura Lenira Ferreira de Lima Figueiredo. A travesti considera que está sendo vítima de
perseguição homofóbica e que foi presa injustamente pelo suposto crime de atentado ao
pudor. Ao sair da prisão, em 1999, no qual ficou reclusa um ano e sete meses, a travesti
assumiu um cargo na prefeitura no mandato anterior ao de Maria Aparecida, mas logo saiu
do cargo por descobrir corrupções, desvio de recursos em obras públicas e licitações
ilegais. Indignada disse que não ficou calada e resolveu publicar um boletim semanal,
motivo que teria levado a justiça a decretar novamente sua prisão. [Fonte: O Tempo, MG,
5-6-2001]

JUSTIÇA REPETE ESTEREÓTIPOS NEGATIVOS DA HOMOSSEXUALIDADE, RJ
Dois pesquisadores do Rio de Janeiro estão realizando uma pesquisa sobre a forma como
são tratados pela Justiça os crimes de homicídio nos quais as vítimas são homossexuais.
Os resultados preliminares indicam a existência de um comportamento dúbio entre as
autoridades do Judiciário. De um lado, elas não se mostram tolerantes com os assassinos
dos homossexuais, punindo-os com as penas previstas na lei. Por outro lado, advogados,
promotores e juízes freqüentemente recorrem a surrados clichês sobre homossexualidade
para falar das vítimas, apontando-as como pessoas degeneradas, anômalas, moralmente
fracas, doentes, pervertidas. Deixam a impressão de que as vítimas contribuíram para a
sua morte. Os autores do estudo são Sérgio Carrara, da Universidade Estadual do Rio de
Janeiro (UERJ), e Adriana Vianna, da Federal do Rio (UFRJ). Com recursos da Fundação
Ford do Brasil, os dois estão montando uma espécie de banco de dados com boletins de
ocorrência envolvendo crimes contra homossexuais. O trabalho foi apresentado no 25.º
Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências
Sociais (Anpocs), que ocorreu em Caxambu, Minas Gerais. Pela leitura de processos, os
pesquisadores perceberam que a tendência de culpar as vítimas aparece de maneira mais
forte no discurso dos advogados dos réus. Em um caso, o advogado disse que o
“inveterado homossexual” foi o “único culpado e responsável por sua morte prematura”. Na
argumentação de juízes e promotores a homossexualidade aparece de forma freqüente
como doença ou perversão. Mas isso não é usado para inocentar os acusados. Um
magistrado diz em sua sentença que o réu explorava financeiramente a “fraqueza” do
“sodomita”. [Fonte: O Estado de São Paulo, 12-10-2001]

PRECONCEITO E HOMOFOBIA EM ESCOLA DE SAMBA NO RIO
A Escola de Samba Grande Rio, do carnavalesco Joãosinho trinta, usou uma ala de drags,
travestis e transformistas para representar a “Decadência da Idade Média” no desfile do
carnaval deste ano. [Fonte: Jornal Grito, março de 2001]

MILITANTE GAY É BARRADO NA SEDE DA SSP NO RIO
Um dos coordenadores do Disque Defesa Homossexual, Jorge Suzarth, conhecido como
“Hanna Suzarth”, por ocasião de uma reunião na Secretaria de Segurança Pública no Rio,
foi impedido de entrar no prédio, gerando protesto de outros grupos, como o Arco-Íris
dirigido por Cláudio Nascimento e o Grupo 28 de Junho, liderado por Eugênio Ibiapino.
[Fonte: Jornal Grito, março de 2001]

PREFEITO DO PT AUTORIZA FOLHETO DE PADRE QUE QUER                                  CURAR
HOMOSSEXUALIDADE, SP
Os funcionários públicos municipais de Jacareí receberam, junto com o holerite, um folheto
afirmando que o homossexualismo é um desvio de comportamento, e pode ser tratado. O
próprio folheto indica o terapeuta, o padre parapsicólogo Giovanni Rinaldi e dá o preço da
consulta. O prefeito de Jacareí Marco Aurélio de Souza do PT, disse ter autorizado a
distribuição e irá responder no Ministério Público se houve ou não improbidade
administrativa e se houve lesão ao principio da impessoalidade – quando há favorecimento
a determinada pessoa no exercício do cargo público. O GGB protestou e o padre foi
afastado da diocese, além de ter a imprensa dado grande cobertura ao fato. [Fonte: Diário
Popular, SP, 10-5-2001, Vale Paraibano (S. José do Campos, SP), 26-5-2001]

SARGENTO DA PM É ACUSADO DE AMEAÇAR E EXTORQUIR TRAVESTIS, NO RIO
Descrito como um negro alto, cerca de 30 anos e usando bigodinho, o sargento Luiz, da
Polícia Militar, já é conhecido dos travestis que fazem ponto na Lapa, por extorquir até
R$120,00 por semana e obrigar os travestis a ter relações sexuais com ele a força. A PM
ainda não identificou o Sargento, mas já sabe que ele seria ligado a uma travesti conhecida
como Áurea, que morreu de AIDS há cerca de um mês. Uma travesti de 16 anos que
trabalhava no local, está ameaçada de morte pelo PM e hoje vive em um abrigo municipal,
conta que “ele não entendia que nem sempre dá pra faturar. Só me deixava trabalhar se
pagasse a ele R$120 por semana.” Também um delegado conhecido por “Cidinho”, é
acusado de extorquir os travestis, obrigá-los a fazer sexo com ele. Ambos andam armados
e ameaçam quem quer que tente reagir às suas investidas. [O Globo, RJ, 22-4-2001]

POLICIAIS LEVAM GAYS, TRAVESTIS E DRAGS PARA A DELEGACIA EM SP
A polícia que faz a ronda no largo do Arouche, em São Paulo, prendeu num camburão
diversas drag-queens, travestis e transformistas que circulavam pelo local, levando-os
para a delegacia. Chegando lá, todos tiveram que se despir em uma sala e passar por uma
“revista interna”. Dizendo que o local tinha que ser “desinfetado”, um policial jogou gás de
pimenta na sala e trancou a porta. Depois de passarem por humilhações e agressões todos
foram liberados às 6h da manhã [Fonte: Folha de São Paulo, 19-1-2001]

CÂMARA MUNICIPAL DE AMERICANA REJEITA PROJETO DE UNIÃO GAY, SP
A Câmara Municipal de Americana, SP, em 14-5-2001, aprovou, por 14 votos a favor e 4
votos contra, uma moção para rejeitar o Projeto da Parceria Civil Registrada entre pessoas
do mesmo sexo, moção esta proposta pelo vereador Luciano Corrêa, do PSDB. A moção,
de caráter extremamente conservador e homofóbico, preconiza que “este projeto que está
tramitando na Câmara dos Deputados, agride a consciência nacional, num momento onde
o povo brasileiro cobra decisões mais importantes de seus políticos, decisões e ações que
venham de encontro aos interesses e necessidades maiores da população.” Alega ainda
sobre a inconstitucionalidade deste projeto pois a união civil entre pessoas do mesmo sexo
iria de encontro com os valores e a moral da família brasileira. [Fonte:
gaylawyers@yahoogrupos.com.br, 14-05-2001]

POLICIAL CIVIL ASSALTA TRAVESTI EM BARUERI, SP
Ricardo Rodrigues Silva, travesti de 26 anos, teve a bolsa roubada por Gilberto Corrêa
Loureno, policial civil de 28 anos, e pelo instalador Eduardo Pereira Santos, 26 anos. A
vítima foi abordada quando estava na Avenida Afonso de Sampaio e Sousa, no Parque do
Carmo (zona leste de São Paulo). Houve uma discussão entre os envolvidos e um tiro foi
disparado, sem que, no entanto, houvesse feridos [Fonte: Agora-SP, 25-09-2001].

REGULAMENTO DE CARNAVAL PROÍBE PRESENÇA DE TRANSFORMISTAS NOS
DESFILES EM CURITIBA, PR
O novo regulamento do carnaval de Curitiba proíbe a presença de transformistas na ala das
baianas ou comissão de frente das escolas sob penalidade de anulação do quesito onde for
constatada a irregularidade. Dourival Siqueira Tanan, Presidente da Comissão Executiva
do carnaval justifica que o item foi incluído a pedido de algumas escolas de samba que não
queriam descaracterizar as alas mais tradicionais do desfile e contesta a tese de
preconceito. Por seu turno, Saul Dávila, presidente das Ligas das Escolas de Samba, diz
que esta questão não quer discriminar ninguém, mas garantir que a tradição seja mantida. “
As alas das baianas e da comissão de frente são as mais tradicionais e não devem ser
descaracterizadas com a presença de transformistas,” explica. Entretanto Tony Reis,
presidente do grupo Dignidade, que trabalha com o público gay, alega que a proibição é
totalmente equivocada e preconceituosa, já que a Constituição Federal no artigo quinto
assegura que todos são iguais perante a lei. “E a constituição também diz que nenhum
regulamento ou legislação, seja ela municipal ou estadual, pode sobrepor o que a
Constituição estabelece“ argumenta. [Fonte: Jornal do Estado, PR, 20-7-2001]
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA É CONTRA UNIÃO CIVIL DE
HOMOSSEXUAIS
A Assembléia Legislativa de Santa Catarina aprovou requerimento proposto pelo deputado
evangélico Adelor Vieira (PMDB), a ser enviado a Aécio Neves, presidente da Câmara de
Deputados, onde solicitava a reprovação do projeto que legaliza a união entre
homossexuais. Segundo o autor do requerimento, a união entre pessoas do mesmo sexo
“fere os padrões morais da nossa sociedade”. Para ele, a “solução” para a
homossexualidade é o “arrependimento e o abandono completo dessas práticas”. A reação
contra a aprovação do requerimento veio da bancada petista da Assembléia, que qualificou
a moção de “discriminatória e homofóbica”, e do movimento gay. Luiz Mott, presidente do
Grupo Gay da Bahia (GGB), considerou “lamentável que tal proposta tenha vindo de um
evangélico, religião que também sofre preconceitos no Brasil” [Fonte: A Notícia-SC,
4-08-2001].

JUIZ MAIS JOVEM DO BRASIL DESAPROVA UNIÃO CIVIL ENTRE GAYS
O Juiz Marcos Augusto Barbosa dos Reis, o “Juiz mais jovem do Brasil”, em reportagem na
Revista Trip, deste mês, nº 95, da Página 64 a 67, dá claras demonstrações de
discriminação, intolerância e preconceito quando faz um comentário infeliz e leviano sobre
a questão da União Civil entre gays: ”O Brasil não está preparado para a união civil. É
desnecessária, e contraria as bases culturais e religiosas do país. Mas há muitos
casos em que eles conseguem divisão de bens, por exemplo”. [Fonte: Arquivo GGB,
Denúncia enviada por Marcelo Estrella, 17-11-2001]

4.  Discriminação    Econômica,    contra    a                                    Livre
Movimentação, Privacidade e Trabalho: 16 casos
CASAIS GAYS IMPEDIDOS DE DANÇAR QUADRILHA EM BELÉM, PA
Homossexuais de Belém estão revoltados com um item do regimento do Concurso Oficial
de quadrilhas juninas, que proíbe que casais gays dancem juntos nas quadrilhas. Foi
apresentado um recurso pedindo a exclusão do item discriminatório, que foi aprovado
porque 60 representantes votaram contra e 26 que defendiam a participação de casais
homossexuais. [Fonte: Diário do Pará, PA, 29-5-2001]

HOMOSSEXUAIS IMPEDIDOS DE ENTRAR EM REUNIÃO DE MOVIMENTOS
POPULARES EM PONTA GROSSA, MT
Na reunião da CMP do dia 11 de maio, que aconteceu na sala do edifício Itapoã, onde
inclusive ocorrem reuniões do Grupo Renascer - entidade de defesa dos direitos dos
homossexuais, que atua em Ponta Grossa – o porteiro do edifício proibiu a entrada de duas
pessoas, primeiro do Sr. Otair Luiz dos Santos – Presidente do Renascer, e depois do
jornalista Ulisses Nassinhan, alegando ter recebido ordens da Imobiliária Dourada, para
não deixar homossexuais entrar, por motivos de algazarras e desrespeito, mesmo a
reunião já ter sido iniciada e onde diversas pessoas já se faziam presentes, tendo entrado
no prédio sem qualquer empecilho ou problema. Diante da proibição, as pessoas que
participavam da reunião desceram ao saguão do prédio para resolver a situação. Mediante
a insistência da proibição, a advogada do Grupo Renascer, Flávia Eliza Hollenben foi
chamada ao local e contactou o delegado de polícia, Dr. Wilson Ribeiro, que imediatamente
se dirigiu ao local. Lá chegando este ouviu do porteiro a mesma argumentação: de que
homossexuais não poderiam entrar no prédio. O delgado esclareceu que tal atitude se
configura inequivocamente em crime de discriminação e obteve a expressa permissão do
condômino responsável pela sala onde ocorria a reunião, liberando a entrada dos
participantes. No dia seguinte, as vítimas do fato foram a delegacia prestar depoimento e
registrar Boletim de Ocorrência. [Fonte: Arquivo GGB, Denúncia do Grupo Renascer em
Oficio nº 001-01, Diário da Manhã, 14-5-2001, PR]

HOMOSSEXUAL E SOROPOSITIVO É DISCRIMINADO EM HOSPITAL DE MT
O jovem José Fernando de Miranda, 28 anos, acusa funcionários da Policlínica do CPA I,
em Cuiabá, de discriminá-lo por ser homossexual e soropositivo. Ele é paciente da
instituição Casa Mãe Joana. A direção da Policlínica, por sua vez, nega o fato e afirma que
a decisão de que o paciente não fosse medicado na unidade partiu da enfermeira da Casa
Mãe Joana. Fernando disse que chegou na dita Casa passando mal, com infecção nas
nádegas devido a aplicação de silicone industrial. Na segunda-feira, o estado de saúde dele
piorou. Então foi levado até a Policlínica pela enfermeira da instituição. Ao chegar na
unidade médica, o rapaz foi atendido pelo médico identificado como Jaime, que receitou os
medicamentos e o encaminhou para a internação. Quando a enfermeira, identificada como
Simone, se preparava para alojar o gay, ela foi chamada à direção da Policlínica. Ao
retornar, Simone disse para o jovem e para a enfermeira que o acompanhava que ele não
poderia ficar internado ali, que eram ordens da direção. “Ela foi seca e grossa. Deu a
entender que era por eu ser soropositivo. Ela me entregou os remédios e me mandou
embora. Eu me senti, como sempre me sinto, discriminado. E o pior é que não se pode fazer
nada. Não adianta gritar, reclamar, porque eles podem até fazer alguma coisa contra a
gente, pois têm mais poder”, salientou José. De acordo com o administrador da Casa Mãe
Joana, Pedro Ribeiro, não é a primeira vez que um paciente da instituição é discriminado
em uma unidade de saúde. “Isso já aconteceu até mesmo no pronto-socorro de Cuiabá”,
afirmou. A gerente administrativa da Policlínica, identificada apenas como Maize, pois não
quis revelar seu sobrenome, afirmou que o acontecido não foi um ato de discriminação e
sim uma opção da própria enfermeira da Casa Mãe Joana. Fonte: Arquivo GGB,
21-11-2001]

TRANSFORMISTA IMPEDIDA DE ENTRAR EM HOTEL, RN
Benedito Roseno da Silva Júnior, transformista, que trabalha em festas e eventos foi alvo
de discriminação no saguão do Hotel São Paulo, em Natal. O transformista por volta das
23hs, estava já devidamente caracterizado, apenas aguardando a chegada do segurança e
do motorista que o levaria até o evento, quando ao dirigir-se ao saguão do Hotel, foi
discriminado e solicitado que se retirasse imediatamente do local, sob pena de ser expulso
à força caso se negasse a obedecer. Após o fato Benedito Roseno foi tomado de uma crise
nervosa, deixando imediatamente as dependências do Hotel. A vítima prestou queixa na
Delegacia do Cidadão, conforme Boletim de Ocorrência n.10229-00, apresentando uma
testemunha que compareceu no dia seguinte ao hotel e presenciou uma discussão entre o
transformista e o recepcionista, na qual este teria afirmado que: “o Sr, Benedito Roseno não
poderia se hospedar porque o hotel não aceitava hospedagem de travestis e transformistas
e que ele deveria colocar a cabeça no lugar de que isso nunca seria aceito pela sociedade.”
O Hotel São Paulo foi condenado por discriminação e danos morais por não dispensar ao
transformista tratamento igual àquele oferecido aos outros hospedes, devendo assim pagar
indenização de R$ 5.000 (cinco mil reais ). [Fonte: Arquivo GGB, Sentença emitida pelo
Poder Judiciário, RN, Juizado Especial Cível da Comarca de Natal, 15-2-2001]
TRAVESTIS E MORADORES EM CONFLITO, NATAL, RN
Uma das Avenidas mais utilizadas por turistas e natalenses, a Engenheiro Roberto Freire,
Zona Sul de Natal, é cenário de uma dupla agressão. De um lado os moradores de bairros
como Ponta Negra, Cidade Jardim e Capim Macio reclamam da agressão moral que
adultos e crianças ficam expostos, pelos atos obscenos e poucas roupas usadas pelas
travestis. Exatamente no oposto, estão as travestis. Elas se mostram indignadas com as
agressões físicas de que são vítimas. São ovos, lixo e pedras atiradas contra, essas
“trabalhadoras da noite”. A travesti Rebeca, 18 anos, veio de João Pessoas, PB, e trabalha
fazendo ponto em Natal. Ela afirma que já foi vítima de inúmeras agressões, “Eles (jovens)
passaram e jogaram ovos em mim”, afirma. Também denuncia os maus tratos recebidos
por policiais, que se mostram omissos quanto às agressões sofridas. Vivian, 20, lembra que
uma amiga foi agredida por um cliente e ao chegar na delegacia para prestar queixa, o
agente informou que seria obrigado a esperar pelo delegado de plantão. A demora foi tanta
que a travesti desistiu de fazer o Boletim de Ocorrência. Contudo os moradores da área se
defendem dizendo que as travestis são um atentado à moral, por estarem sempre usando
poucas roupas e com a maior parte do corpo exposto, isso segundo alguns, cria
constrangimento para a educação de seus filhos e a dignidade de suas famílias. [Fonte:
Tribuna do Norte, RN, 22-7-2001]

SERVENTE É DEMITIDO POR SER HOMOSSEXUAL, SALVADOR
Delbo Alves dos Santos, 40, servente, foi demitido do emprego por ser homossexual. O
encarregado do Condomínio Mansão Artur Moreira Lima, localizado na Av. 7 de Setembro,
321-322, Corredor da Vitória, onde a vitima trabalhava, logo que ficou sabendo da
orientação sexual do seu empregado, em seguida o despediu [Fonte: Arquivo do GGB,
Boletim de Ocorrência de Discriminação, 13-6-2001].

COZINHEIRO DISCRIMINADO POR NUTRICIONISTA EM SALVADOR
Erenildo Almeida Souza, 30 anos, funcionário da empresa Sodexho, prestadora de serviço
para a Coca Cola, foi discriminado por Rosália, gerente nutricionista. Na frente de outros
empregados, a nutricionista chamou Erenildo de “viado”. A vítima, que mora em Candeias,
se recusou a assinar sua carta de demissão, não tendo recebido seus vales-transporte,
nem os três meses de salário atrasado [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 31-10-2001].

HOMOSSEXUAL É DISCRIMINADO NA CAIXA ECONÔMICA EM SALVADOR
Genival Nascimento Chaves, garçom, foi abrir uma conta corrente na CEF do Shopping
Baixa dos Sapateiros (Salvador-BA), sendo discriminado, sendo alvo de comentários
humilhantes em razão de sua orientação sexual, por funcionário responsável pelos serviços
gerais do referido banco. Genival relatou o ocorrido ao subgerente da instituição financeira,
que não tomou as devidas providências. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 6-02-2001].

OPERADOR DE MÁQUINAS DEMITIDO EM RAZÃO DE ORIENTAÇÃO SEXUAL EM
SALVADOR
João Almeida de Souza, ex-operador de máquina do Hospital Santa Isabel (Salvador-BA),
foi despedido em maio de 2000, sem justa causa. Após o ocorrido, descobriu o verdadeiro
motivo de sua demissão: “era homossexual assumido”, conforme apurou junto aos colegas
de trabalho. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 6-04-2001].
GAY DISCRIMINADO PELO SÍNDICO RECEBE CARTAS COM AMEAÇAS, MG
Associação Lésbica de Minas recebeu uma denúncia de um rapaz, que estava sendo
discriminado pelo Sindico de seu prédio por ser homossexual. Ele entregou as cópias das
correspondências enviadas por este sindico onde se refere a ele como “Rapaz de conduta
duvidosa”. E como se não bastasse tal ofensa, descobriu onde o rapaz trabalhava e enviou
correspondência para a direção da firma para prejudicá-lo. [Fonte: Arquivo GGB, denúncia
enviada por Associação Lésbica de Minas, 27-11-2001]

HOTEL DISCRIMINA CASAL GAY EM NITERÓI, RJ
Em um ato de protesto, cerca de 30 militantes do movimento gay interditaram
simbolicamente o Niterói Plaza Hotel. A manifestação foi contra a discriminação que um
advogado teria sofrido ao ser impedido de se hospedar no hotel com um companheiro. A
gritaria ecoou nos ouvidos do secretário Estadual de Direitos Humanos e Sistema
Penitenciário, João Luiz Pinaud, que compareceu ao protesto e prometeu apurar o caso. O
ato simbólico seguiu o lema paz e amor: sem agressão e com direito a beijo na boca entre
dois militantes. O advogado Luiz Carlos Ferreira de Souza, que se diz vítima do preconceito
dos funcionários do hotel, saiu satisfeito. „‟Registrei a queixa, mas vi que não haveria
punição. É preciso chamar a atenção‟‟, reclamou. Segundo o advogado, no último dia 6-11,
ele e um amigo tentavam se hospedar no Niterói Plaza, quando foram informados de que só
havia vaga em quartos com cama de casal. Aceitaram a oferta, mas o recepcionista teria
dito que era preciso pagar a diária de dois apartamentos porque „‟a norma do hotel não
permitia que dois homens ficassem em um quarto de casal‟‟. O gerente do Niterói Plaza,
José Borges, desmente. „‟Não existe essa norma‟‟, diz. Mas afirma que é praxe cobrar pelo
número de hóspedes e não pelo tipo de cama. Se confirmada a denúncia, o hotel pode ser
multado em até 10 mil UFIRs (cerca de R$ 11 mil), ter o funcionamento suspenso por 30
dias ou ser interditado. [Fontes: Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, 21-11-2001]

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA VETA PERSONAGEM TRANSEXUAL EM NOVELA DA
GLOBO, RJ
Gay pode. Transexual não. A presença da personagem “Ramona”, uma suposta
transexual, vivida pela atriz Cláudia Raia na novela das sete, “As Filhas da Mãe” causou um
impasse entre a Globo e o Ministério da Justiça. A novela com estréia prevista para
setembro, foi liberada apenas para as 20hs, por conter a seguinte impropriedade:
“desvirtuamento dos valores éticos, segundo o Diário Oficial da União. Devido a restrição,
executivos da Globo irão à Brasília, como afirma Luiz Erlange, Diretor da Central Globo de
Comunicação, pois a decisão está a cargo da secretaria nacional de Justiça, Elizabeth
Sussekind que estava viajando e ainda não havia deliberado sobre a novela. A Atriz
Cláudia Raia criticou a classificação da novela e a justificativa de que ela poderia promover
o “desvirtuamento dos valores éticos”. “O que é ético? A erotização infantil, as meninas que
vão a bailes funk sem calcinha, a dançarina da garrafa às quatro da tarde no domingo, as
bundas em profusão? Isso é uma hipocrisia, “ disse. [Fonte: Folha de São Paulo, SP,
3-6-2001]

MORADORES TENTAM IMPEDIR FEIRA GLS EM SP
Representantes dos moradores da Avenida Vieira de Carvalho, no centro de São Paulo,
querem impedir a realização de uma feira GLS, organizada pela Associação da Parada do
Orgulho Gay. O Presidente da Ação Local Vieira de Carvalho, Pedro Gomes, avisa: “ Vou
tentar conversar. Se eles insistirem em fazer isso aqui, vamos apelar para a justiça.” A feira
é uma oportunidade para a livre manifestação da orientação sexual e lá terão barracas nas
quais serão vendidas comidas, roupas, livros e outros artigos “alternativos”. A fundadora da
Organização Comunitária Vieira de Carvalho, Rosa Vieira, pretende entregar aos
vereadores e aos deputados estaduais duas cartas, pedindo o cancelamento da feira, que
faz parte da programação paulistana da Semana do Orgulho Gay. Nos papéis, ela escreve:
“Como nos comportar perante nossos filhos diante desta aberração em plena via pública...
já que gostam, criem o Bichódromo, o Veadódromo, façam o Shopping Gay”. Rosa ameaça
que vai pedir ajuda até as forças armadas. Entretanto o pedido de liminar para o
cancelamento da feira foi negado e Rosa Vieira poderá ser processada por discriminação e
manifestação de homofobia. [Fonte: Jornal da Tarde, SP, 13-6-2001]

EMPRESA TERÁ MULTA DE R$50 MIL POR DISCRIMINAÇÃO, EM SP
A empresa Enplan Engenharia e Construtora, terá que pagar R$50 mil ao pedreiro Daniel
dos Santos, por racismo. Segundo o processo, o mestre de obras Normélio Dante Pazzini
insinuou que Daniel era homossexual e disse que ele poderia ser facilmente substituído
porque era negro. A empresa informa que vai recorrer da decisão judicial porque não se
considera culpada pelo incidente entre seus dois empregados e que jamais defendeu atos
discriminatórios. A discussão ocorreu quando a Enplan prestava serviços para a Embraer
em São José dos Campos. [Fonte: O Estado de São Paulo, SP, 11-8-2001]

GAYS RECLAMAM DE DISCRIMINAÇÃO EM SC
O casal Leomar Roberto Aver, 25 anos, agente de saúde e Adilson Fortunato, 27, professor,
configuram um típico casal de classe média catarinense: freqüentam bares, boates,
cinemas e nunca se constrangeram em andar de mãos dadas e trocarem carinhos
publicamente. Já cansados de ouvir adjetivos preconceituosos e de verem amigos sendo
despejados por serem gays, resolveram fundar o Grupo Gay de Blumenau fazendo a
Diferença, que dirigi ações afirmativas na defesa dos direitos humanos, prevenção das
DST‟s- HIV-Aids, para o público homossexual de Blumenau. Um dia eles estavam em uma
conhecida danceteria da cidade e entre uma dança e outra, trocavam alguns beijos e
carícias. Foram abordados por um segurança da casa noturna que resolveu levar ambos
para um escritório, onde pediu mais discrição nos carinhos. “Evoquei nossos direitos, disse
que iria a uma delegacia denunciar e ele deixou-nos em paz”, relembra Leomar. [Fonte: A
Notícia, SC, 12-8-2001]

TOM CAVALCANTI EXIGE CACHÊ PARA DAR ENTREVISTA A REVISTA GAY
O comediante Tom Cavalcanti exigiu, da revista G Magazine, pagamento em troca de uma
entrevista. Para outras publicações, o criador do personagem Pitbicha não cobra cachê
[Fonte: Jornal do Brasil-RJ, 20-09-2001].

5. Discriminação Religiosa, Familiar, Escolar e Científica:
25 casos
PADRE OFENDE HOMOSSEXUAIS E CONDENA UNIÃO CIVIL
Em carta para a coluna Opinião do Leitor do Jornal de Brasília, o padre Luiz Carlos Lodi da
Cruz desfia seu rosário de preconceitos ao caracterizar dois projetos de lei como perigosos
e contrários à família brasileira. No seu texto, o padre opõe-se ao projeto de parceria civil
entre pessoas do mesmo sexo da ex-deputada Marta Suplicy (PT) e à proposta de Emenda
Constitucional do deputado Marcos Rolim, também do PT, que pretende proibir
expressamente os preconceitos e a discriminação por motivo de orientação sexual. Este
sacerdote liderou, em anos passados, manifestação de católicos carismáticos no
Congresso Nacional quando da votação do Projeto de Parceria Civil. [Fonte: Jornal de
Brasília, DF, 26-9-2001]

LOBBY DE CRENTES E BISPOS CONTRA UNIÃO GAY, DF
O Conselho Nacional de Pastores do Brasil (CNPB) fará Campanha nacional contra a
reeleição dos deputados que votarem a favor do projeto de lei que institui a união civil entre
pessoas do mesmo sexo. A ofensiva dos evangélicos, que contará com o apoio da bancada
de deputados e senadores da bancada evangélica no Congresso, foi anunciada pelo
secretário do CNPB, pastor Lourenço Vieira. O Deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE),
católico carismático, dedicou-se a arregimentar apoio contra o projeto que está em
tramitação há seis anos e já foi aprovado por uma comissão especial da Câmara, devendo
ir a plenário nesta data. O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Cláudio Hummes,
também não aceita a proposta da união civil e o Arcebispo de Botucatu (SP), Dom Aloysio
Penna, afirmou em carta que: “Por maior que seja a misericórdia com que a Igreja trata os
homossexuais, ela não pode deixar de pregar que os atos de homossexualidade são
intrinsecamente desordenados.” [Fonte: Diário do Povo (Campinas), Diário Popular,
9-5-2001, SP]

BISPOS PEDEM A DEPUTADOS QUE NÃO APROVEM CASAMENTO GAY, DF
A igreja católica decidiu intensificar a campanha contra a aprovação do projeto de lei de
parceria civil entre homossexuais. O projeto que garante direito de herança e previdência a
casais do mesmo sexo, foi incluído na pauta de votação da Câmara dos Deputados pelo
presidente da casa Aécio Neves (PSDB, MG). Em reação à votação, a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou a todos os 513 deputados uma carta em que
fala do “perigo” de uniões “antinaturais”. A carta é assinada pelo secretário geral da CNBB,
D. Raymundo Damasceno Assis, e pelo bispo responsável pelo setor Família e Vida da
entidade, D. Aloysio José Leal Penna. [Fonte: Jornal da Tarde, SP, 10-6-2001]

JOVEM GAY É EXPULSO DE CASA EM CARUARU, PE
Internado, durante o mês de janeiro de 2001, na Clínica Psiquiátrica de Caruaru, um jovem
chamado Luciano, 22 anos, vem sofrendo com a repressão e a discriminação dos seus
próprios pais. Acolhido inicialmente pelos seus genitores com a condição de deixar de fazer
sexo com homens, Luciano acabou entrando para uma igreja evangélica. Sofrendo
discriminação por parte dos crentes, teve de abandonar a igreja, ele foi expulso de casa e
passou a perambular pelas ruas. No dia 7-09-2001, em um quartinho no bairro Santa Maria
Gorete, ele tentou o suicídio, sendo socorrido pelas colegas travestis [Arquivo GGB,
denúncia enviada por M.S., 10-09-2001].

HOMOSSEXUAL É DISCRIMINADO POR PADRASTO EM SALVADOR
Josenilson de Santana Santos, cabeleireiro e morador do IAPI (Salvador-BA), foi ameaçado
de morte com facão por parte de seu padrasto, Raimundo Mamede dos Anjos, que não
tolera sua homossexualidade. Além disso, ele teve sua entrada em casa proibida. Em
razão disso, a vítima registrou ocorrência na 2a CP desta capital [Fonte: Arquivo do GGB,
Boletim de Ocorrência de Discriminação, 9-03-2001].

HOMOSSEXUAL É DISCRIMINADO POR PARENTES EM SALVADOR
Em razão de sua orientação sexual, João Almeida de Souza, operador de máquinas e
morador do Alto do Cabrito (Salvador-BA), foi discriminado pelo sogro de sua irmã,
chamado Antônio. Rosilda do Carmo Santana, filha de Antônio, também agrediu a vítima,
estando bêbada nessa ocasião. Os agressores utilizaram as expressões “viado tem que
morrer” e “viado baixo astral” [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de
Discriminação, 5-03-2001].

HOMOSSEXUAL É IMPEDIDO DE HERDAR TERRENO EM SALVADOR.
Valmir Mendes Sousa, 37, cozinheiro, vem sofrendo todo tipo de constrangimento e
discriminação por parte de seus irmãos pelo fato de ser homossexual. Ao falecer sua mãe
em 1996, deixando um terreno e uma casa no bairro de Pernambués, Valmir quer construir
sua casa no dito terreno, no que é impedido por seus irmãos, em razão dele ser
homossexual. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação,
12-7-2001].
FAMILIARES DE HOMOSSEXUAL QUEREM IMPEDIR SEU ACESSO À HERANÇA EM
SALVADOR
Antônio Jorge do Rosário, 38 anos, vendedor, morava com a mãe, na Boca do Rio
(Salvador-BA), até que a residência foi reformada. Depois disso, em 1993, seu irmão
Dionésio do Rosário, 50 anos, o expulsou de casa por não aceitar sua homossexualidade.
Durante algum tempo, a vítima viveu na residência de conhecidos. Com o falecimento de
sua mãe, no dia 28-07-2001, Antônio vem sendo coagido pelos seus familiares: o irmão, a
irmã Maria Angélica Corrêa e a sobrinha Ana Luiza Rosário Oliveira. Eles não querem que a
vítima receba a parte da herança que lhe cabe. Na época da denúncia, Antônio estava
morando, precariamente, no local onde funcionava o bar de sua irmã, mas continuava
sendo humilhado, porque, segundo ela, ele estaria “morando de favor”. [Fonte: Arquivo do
GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 3-12-2001].

DIRETOR DE ESCOLA PROIBE CAMISA 100% GAY EM SALVADOR
Morador da Baixa do Bonfim (Salvador), Fábio Conceição Lago, 25 anos, foi discriminado
por Ivo Rangel, diretor do Ginásio Estadual Paulo Américo de Oliveira, escola onde estuda
a vítima. Na parte de trás da camisa da farda escolar do estudante, ele desenhou os
dizeres: “100% Gay”, parodiando a mensagem muito corrente na Bahia, “100% Negro”. .
Faltando apenas trinta dias para o fim do ano letivo, o diretor exige que o aluno compre uma
camisa nova, gasto para o qual Fábio disse não ter dinheiro. O diretor impôs essa condição
para que o estudante possa entrar na escola . O GGB conseguiu a suspensão da proibição.
[Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 19-10-2001].

TRANSEXUAL DISCRIMINADA POR IGREJA EVANGÉLICA EM PORTO SEGURO, BA
 A cantora evangélica transexual Jéssica Lacerda, participante do I Festival de Música
Gospel da Costa do Descobrimento, denuncia o preconceito e a discriminação, que
segundo ela, vem sofrendo no trabalho, na sociedade e nas relações interpessoais. “Já fui
expulsa de uma igreja sem mais nem menos, mas o que mais incomoda é o preconceito
indireto que gera obstáculos insuportáveis, pisando nos direitos fundamentais do ser
humano”, assegura ela. Jéssica Lacerda 30 anos, é natural de Santa Luzia do Norte (ES).
De acordo com ela “a legislação que proíbe racismo, discriminação e preconceito não é
respeitada, nos casos de discriminação sexual. Freqüentei uma igreja aqui, em Porto
Seguro, e um belo dia me chamaram numa sala, de forma totalmente arbitrária, com
ameaças e dizendo que eu não poderia mais freqüentar os cultos. Como fica a liberdade de
opção religiosa do indivíduo, Jesus não pregou sempre o amor, acima de tudo?” Ela
questiona: “Não tenho medo de ser transexual, mas também sou mulher, filha e serva de
Deus”. Segundo Jéssica Lacerda o preconceito indireto torna-se mais difícil de detectar,
mas provoca verdadeiros casos de exclusão social: “são piadinhas, alusões e,
principalmente, portas fechadas. Salienta que sempre trabalhou com moda, como modelo e
estilista, na Europa, São Paulo e Espírito Santo. “Agora estou escrevendo um livro e
compondo um CD, mas o preconceito se manifesta sempre, principalmente da parte de
pessoas menos esclarecidas. Na igreja da qual participo agora o pastor é ótimo e nunca me
discriminou, mas durante os cultos sempre há pessoas fazendo alusões contra o
homossexualismo, mas isto já não me atinge, me considero uma missionária”. [Fonte: A
Tarde, 13-1-2001]

PASTOR É CONTRA GUARDA DE FILHA POR PAI HOMOSSEXUAL, MG
Vem gerando polêmica uma decisão do juiz Henrique Caldeira Brant, da Vara Criminal e de
Menores de Santa Luzia (MG). Ele concedeu a guarda de uma criança ao pai, José Geraldo
Dias, homossexual assumido e companheiro de uma travesti, Jarbas Santarelli. Enquanto
Siro Darlan, juiz da 1º Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, apoiou
integralmente o colega mineiro; o pastor Gladyston Ladislau disse acreditar que a criança
ficaria melhor em uma instituição para menores ou se fosse adotada por outra família
[Fonte: O Dia-RJ, 25-10-2001]

GAY SOFRE PERSEGUIÇÃO DE VIZINHOS, EM UBERABA, MG
Newton Hercos, advogado, gay assumido, diz ter sido alvo de perseguição por parte de um
vizinho, que o ameaçava e o perseguia à noite, na rua onde ele morava. Sentindo-se
ameaçado e coagido, Newton mudou-se do bairro onde morava em Uberaba para fugir da
perseguição. [Fonte: Arquivo GGB, denúncia enviada por Newton Hercos, 21-11-2001]

PASTOR QUER RESTAURAR HOMOSSEXUAIS, RJ
Flávio, gay, escritor, advogado e pesquisador, diz ter recebido um e-mail do Ministério
Cristão de Restauração para Homossexuais, com a mensagem: “Eu coloquei o seu nome,
mais o nome das pessoas da lista da UOL para intercessão na igreja onde eu congrego, e
também em listas. Temos muito amor por vocês e gostaríamos que vocês fossem salvos,
como é o desejo do Pai que todos sejam salvos.” O gay protestou exigindo a retirada de
seu nome daquela lista. [Fonte: Arquivo GGB, Denúncia enviada pela vítima, 2-12-2001]

DEPUTADOS CRENTES E CATÓLICOS OPÕEM-SE A PROJETO QUE DÁ ISONOMIA
A CASAIS HOMOSSEXUAIS NO RIO
A bancada evangélica na Assembléia Legislativa pressionou o governador Anthony
Garotinho a vetar o projeto de lei que dá aos casais homossexuais os mesmos direitos que
os heterossexuais para fins de previdência social. Os deputados prometeram enviar cartas
ao governador apelando para que Garotinho não sancione a lei. Argumentam que o
Governador, como evangélico, não tem o direito de desrespeitar as leis divinas. O deputado
Pastor Divino (PMDB) pretende instalar um painel em Campos, cidade natal sua e do
governador, tornando público os votos dos deputados. “Vou esclarecer quem votou contra e
a favor da moral e da família. Se ele (o governador) realmente tem compromisso com Deus,
tem que vetar a lei. Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus. O deputado Laprovita
Vieira (PL) também vai tentar convencer o governador a vetar o projeto. “Ele tem a
obrigação de vetar o projeto, que bate de frente com a lei divina. O que mais importa?
Agradar o homem ou a Deus? questionou o deputado, membro da Igreja Universal. Fiel da
Assembléia de Deus, o deputado Washington Reis (PMDB) acredita que o governador
viverá um impasse na hora de decidir. A irritação com o projeto une evangélicos e católicos.
O deputado Carlos Dias (PT), que é da Igreja Católica, voltou ontem a criticar a concessão
de direitos aos gays, mas disse que a demagogia deve vencer. [Fonte: Jornal o Globo,
1-11-2001]

DEPUTADOS RELIGIOSOS OFENDEM HOMOSSEXUAIS NO RIO DE JANEIRO
Em discussão no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, sobre o projeto que
confere igualdade de direitos ao parceiro de funcionário homossexual o Pastor Mário Luiz
(PMDB) disse que: „‟A questão do homossexualismo não é uma doença física. Falo como
profissional da área médica. O homossexual está fadado a sofrer solitariamente. Não é
possível a convivência entre pessoas do mesmo sexo, por mais que se tente tapar o sol
com uma peneira. (...) Pau que nasce torto, morre torto.‟‟ O deputado Sérgio Cabral.
Rebateu: „‟O que está em jogo é o direito do servidor público, homem ou mulher, que tenha
um companheiro ou companheira. É uma questão de justiça. Não está em discussão a
família, nem os conceitos religiosos. Ninguém está estimulando a destruição da família‟‟. O
debate não parou e Carlos Dias devolveu. „‟Não adianta querermos resolver os problemas e
dar a eles uma existência permanente em função de desvios que aconteceram ao longo da
vida dessas pessoas. Não há como se reconhecer esse erro e torná-lo uma verdade‟‟,
afirmou. Carlos Dias ainda voltou à carga: „‟Este projeto vindo a ser aprovado vai atacar a
célula mais bem protegida: a família‟‟. Geraldo Moreira (PSB) interveio e comparou o
projeto à Lei do Divórcio. „‟A lei do divórcio veio como um remédio para uma situação já
existente. Quando foi promulgada, não incitou separação alguma. Se existe o
homossexual, existe pela vontade de Deus. Essa lei é o remédio para solucionar uma
situação que existe de fato‟‟, argumentou. O deputado Armando José (PSB) não gostou e
reclamou: „‟O deputado Geraldo Moreira falou que Deus criou o homossexual. Não sei que
Deus é esse.‟‟ Para o deputado José Divino (PMDB), homossexuais podem „‟ser salvos‟‟.
„‟Conheço muitas pessoas que eram homossexuais, que chegaram na igreja e foram
libertos, transformados e hoje são casados, têm esposa e filhos.‟‟[Fonte: Jornal do Brasil,
1-11-2001 ]

ASSEMBLÉIA PRESBITERIANA QUER EXPULSAR PASTOR DEFENSOR DE GAYS,
RJ
A Assembléia Magna da Igreja Presbiteriana Unida pediu a expulsão do pastor protestante
Nehemias Marien, 64 anos. Foram dois os motivos para o pedido: a celebração de uniões
homossexuais na Igreja Bethesda de Copacabana (sob responsabilidade de Marien) e a
aproximação do pastor com o pensamento espírita. Nehemias Marien é heterossexual e
denunciou a homofobia existente na Igreja Presbiteriana. Grupos de homossexuais, como o
GGB, saíram em defesa do pastor, um aliado antigo da luta contra a discriminação de gays
e lésbicas [Fonte: O Dia-RJ, 27-09-2001].

PROTESTANTES QUEREM CURAR HOMOSSEXUAL, RJ
O Psiquiatra americano Robert Spitzer reacendeu a discussão entre gays, psicólogos,
sexologistas e religiosos, depois de realizar uma pesquisa onde entrevistou 200 pessoas
que haviam procurado ajudar para mudar a orientação sexual e afirma que 66% dos
homens e 44% das mulheres conseguiram virar heterossexuais. No Brasil, João Luiz
Santolin, 35, que coordena o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses) e se diz ex-gay
afirma ser possível um homossexual virar heterossexual e que “existem muitos estudos
científicos sobre o assunto. E eu sou prova viva de que isso é verdade.” Por seu turno o
sexologista Paulo Roberto de Brito Cunha não acredita nessas transformações dizendo que
“quem é gay sempre será,” Mesmo que deixe de praticar a homossexualidade.” Ainda mais
enfática é a opinião da psicanalista Maise Resnick, que afirma: “A pessoa pode deixar de ter
relação sexual com um parceiro do mesmo sexo, mas daí a não ter desejo... Essa pesquisa
é alienante, além de muito preconceituosa. “ [Fonte: Extra, RJ, 11-5-2001]

PSICANALISTA PROTESTANTE É CONTRA ADOÇÃO HOMOSSEXUAL, RJ
Representação enviada ao Conselho de Ética do Conselho Federal de Medicina. O motivo
desta representação é solicitar a abertura de sindicância contra o Psicanalista Dr.
Gladyston Ladislau, de Cascadura, RJ, por indícios de infração do Código de Ética Médica.
Em matéria divulgada pelo jornal O Dia, de 25-10-2001, intitulada “Juiz defende guarda de
criança por pais gays”, a propósito da decisão do Juiz Henrique Caldeira Brant, da Vara
Criminal de Menores de Santa Luzia (MG), que concedeu a guarda de uma menor de dois
anos a um casal de homossexuais, entre os entrevistados manifestou-se o Dr. Gladyston
Ladislau, Psicanalista e Pastor da Igreja Congregacional de Cascadura, que declarou: “O
Juiz (Caldeira Brant) agiu errado. Condeno esta atitude como religioso e psicanalista. Essa
criança sofrerá danos irreparáveis. Ela estaria melhor se ficasse numa instituição para
menores ou fosse adotada por uma família normal.” Considerando que a infeliz declaração
do psicanalista revela preconceito e discriminação homofóbica, sem respaldo qualquer
base científica, solicito em nome do Grupo Gay da Bahia e da Secretaria de Assuntos
Acadêmicos da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, que o Conselho de
Ética do CFM se manifeste a respeito desta denúncia formal. No aguardo de notícias,
atenciosamente, Luiz Mott. [Fonte: Arquivo do GGB, Correspondência Expedida, 2001]

ESTUDANTES DE HISTÓRIA FUNDAM GRUPO INTEGRALISTA CONTRA
HOMOSSEXUAIS, EM SANTOS SP
Estudantes de História do Litoral de São Paulo fundam a Frente Pátria Unida (FPU),
movimento integralista que ataca o aborto e o homossexualismo, tendo como lema “Deus,
Pátria e Família”. Mesmo com todas as mudanças vividas pelo mundo a partir da segunda
metade do século 20, o lema entoado pelos integralistas há quase 70 anos ainda conquista
simpatizantes. O movimento nacionalista criado nos moldes do fascismo que então
dominava a Itália é a principal inspiração da Frente Pátria Unida (FPU), grupo recém-criado
em Santos, no litoral paulista, e que se propõe combater no campo ideológico o que chama
de inimigos da nação brasileira - ou seja, partidos de esquerda, neoliberais e
social-democratas. O movimento foi idealizado por jovens universitários inspirados na
leitura de Plínio Salgado, o criador da Ação Integralista Brasileira, em 1932, e de Gustavo
Barroso, um de seus mais renomados parceiros. O grupo de estudantes começou a
reunir-se há cerca de três anos para discutir a ideologia Integralista. A FPU também
condena o aborto e o homossexualismo e defende os princípios cristãos e a união da
família como elementos necessários ao desenvolvimento nacional. “Precisamos de famílias
unidas e soberanas para a construção de uma grande nação. Não acredito que teremos
uma sociedade forte formada por indivíduos homossexuais”, explica Luiz Gonçalves Alons,
o Ferreira, de 24 anos, secretário geral da FPU e estudante de História da Universidade
Católica de Santos. Apesar do discurso preconceituoso, Jorge Alberto Alves Maria,
presidente da FPU e colega de curso de Alons, afirma que o grupo não discrimina
homossexuais e apresenta um argumento pouco convincente como justificativa:
“Condenamos o homossexualismo, mas não discriminamos a pessoa. A prática contraria as
leis divinas e a própria natureza”, explica o dirigente, de 25 anos. [Fonte: Arquivo GGB,
denúncia enviada por ucasrtv@yahoo.com.br, 17-12-2001]

GAY DIZ SER DISCRIMINADO E HUMILHADO PELA FAMÍLIA, SP
Quando tinha 17 anos, João B. Junior, após uma discussão com a sua mãe, foi agredido
pelo cunhado que quebrou o seu braço direito. Ele conta que “essa discussão foi como uma
outra qualquer e ele me agrediu quando eu estava de costas e não o vi. Quando chamei a
polícia, minha mãe falou para os policiais que eu estava agredindo-a e meu cunhado estava
protegendo-a. Fiquei 7 dias no juizado de menores. Isso tudo foi porque minha mãe estava
desconfiada que eu era gay. Quando estava com 22 anos e trabalhava numa empresa
aérea, minha mãe descobriu que eu estava namorando um homem e ficou furiosa quando
eu assumi a verdade. No mesmo dia, me expulsou de casa e falou barbaridades tais como
“eu prefiro ter um filho drogado do que uma bicha. Se eu soubesse que você ia ser viado eu
queria que você tivesse nascido morto...” João afirma que “depois de algumas crises
emocionais e financeiras tive de voltar para casa. Claro que em meio a brigas e
humilhações, pois minhas irmãs estão sempre do lado dela.” Agora, com 27 anos, ele
continua morando com a família e diariamente reclama de sofrer discriminação por causa
de sua orientação sexual. Apesar de todo mês dar uma contribuição financeira para a mãe,
ele continua tendo que suportar humilhações e desentendimentos cotidianos. [Fonte:
Denúncia enviada ao GGB por João B. Junior, 3-12-2001]

BISPO DA IGREJA CATÓLICA CONDENA CASAIS GAYS EM JUNDIAÍ, SP
Dom Amaury Castanho, Bispo Diocesano de Jundiaí, em artigo publicado no jornal desta
cidade expressa mais uma vez, sua repulsa em relação às uniões civis de pessoas do
mesmo sexo, alegando que as campanhas veiculadas na mídia que pedem a extensão dos
direitos civis aos casais homossexuais “pretendem é que toda a sociedade e as nossas leis
equiparem a verdadeira família com esse deboche de família alternativa, resultante da livre
opção sexual de cada um.” Atacando de um lado o direito ao aborto e do outro rejeitando a
homossexualidade, o Bispo segue a cartilha da igreja católica que mantém a intolerância
social face a livre orientação sexual e relativo aos direitos de cada um exercer como quiser
sua sexualidade. Mais adiante ele afirma “ ser desnecessário ser católico ou cristão para se
contrapor ao homossexualismo e lesbianismo,” Para atribuir um grau de seriedade às suas
opiniões, o Bispo escamoteia o Prof. Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, dizendo
que Mott leu o que lhe convinha nas Sagradas Escrituras e por isso não encontrou registro
bíblico que condenasse a prática da homossexualidade. Com isso D. Amaury Castanho,
conclui seu artigo, citando passagens da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos, na qual
haveria trechos que condenam o homossexualismo e fala em “desonra do próprio corpo” e
da “ira de Deus” contra aqueles que persistem em manter práticas pagãs. Tudo isso
demonstra a mentalidade medieval e inquisitória do referido Bispo. [Fonte: Jornal da Região
de Jundiaí, SP, 29-6-2001]

PASTOR ATACA GAYS EM PROGRAMA DE TV, SP
No dia 17 de novembro de 2001, entre 16:00 e 17:00, o Canal 24 (CNT-SKY) , exibiu uma
das demonstrações mais chocantes de ódio contra os homossexuais. O pastor Silas
Malafaia, usando gírias e trejeitos pouco apropriados a um religioso, destilou todo o seu
preconceito e desconhecimento pela causa homossexual. Entre as inúmeras agressões
proferidas pelo pastor, disse: “Homossexual é uma aberração, Deus fez somente o macho e
a fêmea e já foi comprovado pela ciência que ninguém nasce homossexual. Eu como
psicólogo sei que é a ausência paterna que propicia esse desvio.” Disse ainda: “Nós
evangélicos, temos que nos unir contra esse desvio da natureza...Abram os olhos senhores
deputados evangélicos! “. Como se não bastasse a derrama de insultos e demonstração de
ignorância, o Pastor Malafaia vendia seus produtos pelo telefone: (21) 2598-2019 tendo
como carro-chefe o livro “Homossexualismo, aborto, depravação, disco voadores e
extraterrestres...” [Fonte: Arquivo GGB, denúncia enviada por lebbo@terra.com.br,
17-11-2001]

PROTESTANTE CONDENA HOMOSSEXUAIS NA INTERNET, SP
Joel.Parada@rpdm.com.br enviou mensagem a diversos grupos homossexuais,
divulgando as pseudo-condenações bíblicas à homossexualidade.                     “Afinal,
homossexualismo é a vontade de Deus? A resposta está na Bíblia: I Corintios 6:9-11. “Não
sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos,
nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas,” “nem os
ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores
herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes
santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do
nosso Deus.” [Fonte: Arquivo do GGB, internet, 8-10-2001]

VEREADORES CRISTÃOS DISCRIMINAM PROJETO DE UNIÃO GAY EM CHAPECÓ,
SC
Os vereadores de Chapecó, SC, Alsari Balbinot (PMDB), Amarildo de Bairros (PFL) e
Oneide de Paula (PTB), por motivos religiosos, sugeriram e votaram a favor de um
requerimento que solicita aos deputados federais a rejeição de um projeto de lei da
ex-deputada Marta Suplicy, que regulamenta a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O
presidente da Comunidade Gay de Chapecó, Nedson Lanzini, levou o caso ao Ministério
Público e entrou com ação na justiça pedindo a retratação pública dos vereadores. Para
Lanzini o pedido do vereador é um desrespeito a uma classe que busca seus direitos e que
aumenta a cada dia. Ele comenta que em Chapecó, 3,5% da população faz parte do grupo
GLS e completa: ”O requerimento é uma clara atitude de racismo, segregação sexual,
preconceito e intolerância. Ele é contra a união de homossexuais, somente porque sua
religião não permite.” O GGB manifestou-se na imprensa local contra a iniciativa
homofóbica destes vereadores pseudo-cristãos. [Fonte: A Notícia, SC, 6-9-2001]

6. Difamação e Discriminação na Mídia: 8 casos
DISQUE CIDADANIA HOMOSSEXUAL É ALVO DE TROTES E AGRESSÕES, EM
BRASÍLIA, DF
Financiado pela Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, o serviço Disque
Cidadania Homossexual, o primeiro 0800 gay do país, vem sendo alvo de constantes trotes.
Foi criado para prestar orientação a homossexuais vítimas de violência e discriminação. Os
quatro atendentes, dois gays e duas lésbicas, com idades entre 20 e 28 anos, trabalham no
projeto desde a sua implantação e recebem em média 5 trotes para cada atendimento sério.
Não há dia em que o Disque Homossexual não receba um trote vindo de uma mesma
cidade, Colônia Treze, 13 mil habitantes, interior de Sergipe, a 70KM de Aracaju. A voz bem
jovem, quase sempre a mesma, repete gracinhas do gênero: “Se colocar o piu-piu na
pepeca da menina, estupra?” As gracinhas não param por aí. Às vezes metodicamente
violento, como quando os skinheads telefonam, sotaque paulistano, para vomitar sua ira:
”Homossexual hoje, aidético amanhã” ou “Morte às aberrações”. Há também a versão
brasiliense dos jovens de extrema direita que pregam a superioridade da raça branca e não
toleram homossexuais. “Vocês tem que sumir da face da terra”. No início, o alto número de
trotes causava uma desânimo nos atendentes e um “baixo astral horroroso”. Para suportar
tudo isso, os atendentes do Disque Cidadania Homossexual reúnem-se em terapia de
grupo com o psicólogo da equipe, Alexandre Galvão, 30 anos. “A orientação que damos é
que o trote não seja respondido, que seja desligado de forma educada, para que o
atendente não entre no clima. Isso pode passar com o tempo, desmotivá-lo.” Nos seis
primeiros meses do serviço, o Disque já atendeu a 2,5 mil ligações de todo o país (sem
contar os trotes), delas 1,3 mil são pedidos de informação. [Fonte: Correio Brasiliense, DF,
21-7-2001]

LEITOR ATACA GAYS EM JORNAL DE BRASÍLIA, DF
O carioca, Fernando Egypto, manifestou mais uma vez sua opinião no jornal de Brasília
através de uma nota, onde ele condena o homossexualismo e não aceita o fato de casais
gays quererem constituir família, seja adotando um filho, seja por meio de inseminação
artificial. Ele começa já afirmando que: “Simplesmente, acho o homossexualismo uma
terrível aberração. Homem é homem e mulher é mulher. Esse negócio de
homossexualismo jamais deveria ser aceito, mostrado e permitido.” Depois ele continua
ridicularizando a situação de uma família de homossexuais: ”O que esse desaventurado
petiz dirá quando crescer? Que seu pai é uma mulher? Ou que sua mãe é um homem? Ou
as duas coisas?”, conclui. [Fonte: Jornal de Brasília, DF, 24-7-2001]

LEITOR REPUDIA GAYS EM CARTA ENVIADA A REVISTA VEJA, ES
O leitor A. R. Machado de Vila Velha, ES, enviou uma carta à Revista Veja manifestando
sua posição em relação à matéria “Meu pai é gay. Minha mãe é lésbica“, publicada em 11
de junho de 2001. Na sua carta, ele afirma: “Essas pessoas que se dizem com “orientação”
homossexual na verdade estão completamente desorientadas. Não quero ser politicamente
incorreto, mas, se essas “famílias” pudessem ser encaradas como “normais”, Deus teria
criado outros opções, como Adão e Evandro ou Ada e Eva. O problema é que não teríamos
a humanidade, descendente de Adão e Eva.” [Fonte: Revista Veja, Ed. Nº1770, 25-7-2001]

QUADRINHOS DO FOLHATEEN ESTIMULAM APEDREJAMENTO DE TRAVESTI, SP
Em 07 de maio de 2001, seção FOLHATEEN, página 12, o jornal FOLHA DE SÃO PAULO
publicou, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo, uma tirinha extremamente
homofóbica. Ressalte-se que a seção FOLHATEEN é dedicada a adolescentes, dando
inclusive orientações de todo tipo aos jovens, o que nos deixa ainda mais perplexos. A
historinha tem o roteiro de Rogério Vilela, desenho de Eduardo Ferrara e cor de Hermes. Os
personagens são um grupo de rapazes que se esforçam para demonstrar o quanto estão
excitados diante da visão das partes eróticas das mulheres que transitam diante deles,
propondo notas a cada uma das garotas que vêem. Porém, para espanto geral, aparece
algo que altera a situação, despertando o ódio dos garotos: aparece uma travesti que
também deseja receber sua nota. Os „pitboys‟ preparam sua reação com armas de fogo.
Um deles pergunta: “- E aí, a gente dá nota?” A resposta é o assassinato brutal do travesti,
comportamento idêntico ao que se verifica pelo Brasil afora. [Fonte: Theo,
http:www.estoufelizassim.hpg.com.br]

VEJA RECUSA-SE A PUBLICAR PROPAGANDA DO FESTIVAL MIXBRASIL, SP
A Veja São Paulo deu mais uma prova de preconceito homofóbico. Recusou-se a publicar
anúncio de 2-3 de página, já contratado, do Festival MIXBRASIL, que não continha
nenhuma imagem “escandalosa”, apenas texto chamando para o evento de cinema com
filmes sobre sexualidade e homoerotismo. Veja alegou que a revista não veicula
propaganda de serviços, eventos que sejam ou contenham referências GLS ou remetam a
links com conteúdo homoerótico ou pornográfico. [Fonte: Arquivo GGB, “INFOMIX”
infomix@mixbrasil.com.br, 1-11-2002]

GAROTA CRITICA DICAS PARA GAYS E LÉSBICAS, SP
Mariana Franco, 20, residente em São Paulo, escreveu uma carta para a seção Folhateen,
caderno publicado na Folha de São Paulo, destinado ao público jovem, na qual manifesta
sua opinião sobre uma matéria que abordava a primeira vez de um gay ou lésbica. Segundo
sua opinião “A matéria do Dr. Jairo sobre a primeira vez (ed. de 12-11) estava super
interessante até começarem a vir aquelas “dicas” para gays e lésbicas. Completamente
ridículo! Quem precisa saber como gays e lésbicas fazem para ter sua primeira vez? Se
querem ser assim, eles que se virem para descobrir como fazer essas anormalidades. Se
fossem pessoas normais, não precisariam desse tipo de ajuda”, argumenta a leitora.
[Fonte: Arquivo GGB, denúncia enviada por André Baum, 4-12-2001]

JORNALISTA CONSIDERA HOMOSSEXUALISMO COMO UMA POSTURA ANÔMALA,
EM SP
Em matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, com o título “O homossexualismo
em questão”, assinada pelo jornalista e escritor Gilberto de Mello Kujawski, destaca-se a
posição no mínimo controversa do autor. Ao afirmar que “Do ponto de vista religioso, o
homossexualismo é pecado dos mais graves, o “pecado nefando”. Do ponto de vista
científico, hoje um tanto superado, tratava-se de uma doença, suscetível de tratamento
adequado. Já na festiva abordagem do “politicamente correto”, a prática homossexual
representa uma “opção sexual” tão válida quanto as práticas heterossexuais. Até esse
ponto, o artigo nos dá a impressão de que o autor busca analisar os vários discursos
existentes acerca da orientação homossexual e sua prática. Entretanto em outro trecho ele
deixa claro sua posição ortodoxa, quando tenta comparar o homossexualismo ao
tabagismo ou ao alcoolismo, hábitos considerados anômalos, porém socialmente tolerável.
Sua tese é de que “A sociedade admite comportamentos atípicos, desde que estes não
assumam caráter anti-social. Por isso, além de falso, é inútil fazer passar o
homossexualismo como “normal” com a finalidade de absolvê-lo. Normal o
homossexualismo não é, o que não impede de ser socialmente tolerável, a exemplo do
tabagismo ou, até certo ponto, do alcoolismo”. Mais adiante ele aceita que “o
homossexualismo pode ter seus direitos reconhecidos”, mas esquece-se que a luta das
entidades GLS é pela garantia dos direitos dos homossexuais enquanto cidadãos que
integram a sociedade e cumprem com seus deveres como qualquer outro cidadão, não
importando sua orientação sexual específica. [Fonte: Arquivo GGB, “O Estado de São
Paulo”, enviado por Jonny, 29-11-2001]
JORNALISTA DENUNCIA: HOMOFOBIA NO BRASIL É MAIS GENERALIZADA DO
QUE PARECE, RJ
Aproveitando a realização da Conferência contra Racismo das Nações Unidas, o jornalista
Gilberto Scofield Jr. escreveu um artigo, no qual mostrou, através de exemplos, que a
homofobia é generalizada na sociedade brasileira. Ela não se restringe apenas aos casos
de violência dos pitboys. Para ele, a homofobia é “algo tão incômodo para a humanidade
como o racismo ou o anti-semitismo”. Scofield lembrou a incoerência da situação brasileira:
enquanto o país, na conferência, propõe medidas compensatórias para as minorias, aqui,
vive-se em “um mar de hipocrisia”. Entre os exemplos citados pelo jornalista, estão: a
pressão da bancada religiosa para que o projeto de união civil não entre na pauta de
votações; a não concessão, por parte das empresas, de benefícios trabalhistas a parceiros
de homossexuais, como acontece nos EUA; o fato da renda conjunta de casais de gays ou
lésbicas não ser considerada válida para pedidos de empréstimo nos bancos; a questão da
herança de bens construídos conjuntamente por parceiros homossexuais e as dificuldades
de promoção, no trabalho, para funcionários gays ou lésbicas. “Para o tema homofobia, não
se pedem compensações. Apenas leis claras e justas”, concluiu Gilberto Scofield Jr.
[Fonte: O Globo - RJ, 5-09-01]




7. Insulto e Preconceito Anti-Homossexual: 13 casos
DENUNCIADA HOMOFOBIA NO PIAUÍ
No dia 7-05-01, a vereadora Flora Izabel apresentou, à Câmara Municipal de Teresina, um
projeto de lei que visa a implantação da política de assistência ao homossexual. Caso seja
aprovado, o projeto, que atende ao pedido de representantes da comunidade homossexual,
ficará a cargo da Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social. O
projeto terá, entre suas ações, a criação do Disk-Cidadania Homossexual. “A gente sabe
que ainda existe muito desrespeito, agressões, humilhações e mais. E, até hoje, não foi
criado nada que defenda os direitos dos homossexuais, como algo semelhante a delegacia
dos direitos da mulher”, declarou a vereadora [Fonte: O Dia-PI, 8-05-011].

HOMOFOBIA EM ALAGOAS
Robson Cavalcante, assessor jurídico do Grupo Gay de Alagoas (GGA), afirmou que, no
ano de 2001, o registro de homicídios de homossexuais em Maceió teve uma redução em
comparação com os anos anteriores. Até outubro, foram registrados seis casos, contra dez
no ano passado e onze em 1999. Ele atribuiu essa diminuição de mortes ao trabalho
conjunto do GAA com a Secretaria de Defesa Social e da Justiça, que tem punido os
responsáveis pelos crimes. Cavalcante afirmou que, na maioria das vezes, os
homossexuais são assassinados de forma brutal, o que reforçaria a teoria de que o
preconceito está por trás destes homicídios. Ele lembrou também que outras formas de
violência contra homossexuais, como agressões verbais e perseguição no trabalho,
continuam tendo um índice elevado no Estado [Fonte: Gazeta de Alagoas-AL, 26-10-01].
AGRESSÃO VERBAL A MAQUIADOR DE CANDEIAS, BAHIA
Na cidade de Candeias, BA, Valmir Taveira Bruno Cunha, 39 anos, maquiador, foi
discriminado pelos seus vizinhos, Flávio, Portela e Leilson, por ser homossexual. Os
agressores usaram expressões como “viado sacana”, “bicha” e “descarado
incompreendido”. Valmir só não foi agredido, porque entrou em casa correndo. Para
intimidá-lo, Flávio fez até uso de um facão. A agressão aconteceu no dia 6-11- 2001, sendo
que a vítima registrou queixa na Delegacia de Candeias 20 a CP [Fonte: Arquivo do GGB,
Boletim de Ocorrência de Discriminação, 10-11-2001 ].

HOMOSSEXUAL É INSULTADO POR VIZINHA EM SALVADOR
O técnico de contabilidade Manuel Costa da Silva, 39 anos, afirmou que uma vizinha sua,
conhecida como Mari, costuma xingá-lo de “viadinho” ou “viado baixo”. Manuel chegou a
registrar queixa na 3a Delegacia de Polícia (Bonfim, Salvador, BA), mas acreditava que a
delegada não havia dado muita importância ao caso. As agressões de Mari foram feitas
diante de outros moradores. A vítima nunca reagiu às agressões, que partiram de uma
pessoa contra quem já foi registrada uma queixa por tentativa de lesões corporais a uma
anciã. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 17-09-2001].

VIZINHA INSULTA HOMOSSEXUAL EM SALVADOR
Elson Ribeiro Santos, 30 anos, comerciante, deu queixa na 2 a Delegacia de Polícia por
causa das agressões verbais, de sua vizinha, Jocelina Oliveira dos Santos, chamando-o de
“viado descarado”. A agressora já teve problemas com outros moradores do bairro (Caixa
D‟ Água, Salvador). No dia da audiência, 15-10-2001, o advogado de Jocelina reconheceu
a razão de Elson Ribeiro dos Santos, pedindo formalmente desculpas pelos insultos.
[Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 10-10-2001].

VEREADOR REVELA SOFRER AMEAÇAS POR TER PROJETO EM FAVOR DE GAYS
EM MG
O vereador Leonardo Matos (PV) vem recebendo sérias ameaças via celular. Assustado o
vereador procurou a Secretaria de Segurança Pública para pedir ajuda, levando as
mensagens escritas que recebeu de um telefone clonado. “No começo, as mensagens não
eram ameaçadoras, mas atentatórias. Apaguei mais de 20 mensagens ofensivas. Depois
elas ficaram mais sérias”, conta o vereador, ainda temeroso. Ao criar o projeto, que
estabelece penalidades para estabelecimentos que discriminem as pessoas pela
orientação sexual, o vereador Leonardo Matos diz que optou por uma lei mais tímida e
acanhada justamente para evitar problemas. Contudo, Soraia Menezes, coordenadora da
Associação das Lésbicas de Minas, afirma que “a lei já é um grande avanço. Um outro é
essa disposição do legislativo ao debate.” [Fonte: Hoje em dia, MG, 29-6-2001]

DEPUTADO GABEIRA DO PV É CHAMADO DE BICHONA, MG
O deputado federal e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados (CDH), Marcos Rolim (PT), solicitou à CDH a adoção de providências sobre a
manifestação do diretor da TV Educativa de Juiz de Fora (MG), Josino Aragão, durante
programa exibido pela emissora, no último dia 26 de novembro, quando se referiu ao
deputado federal Fernando Gabeira como “bichona”. Durante o programa “Mesa de
Debates” que discutia a demissão da apresentadora Sônia Francine (“a Soninha”) pela TV
Cultura - que declarou ser usuária de maconha - o diretor da TV Josino Aragão que também
é educador, dono de rádios e de um tradicional colégio da cidade disparou: “Esse Gabeira,
vamos falar o português claro, é uma bichona que saiu daqui de Juiz de Fora e aproveitou
as oportunidades à esquerda. Porque a bichona quer é aparecer mesmo” e ainda, “o meio
da TV é o meio dos maconheiros, da cocaína, dos gays”, completou. O Deputado Rolim
classificou a declaração de homofóbica, preconceituosa e discriminatória “uma
manifestação infeliz de caráter ofensivo que não desrespeita apenas um colega
parlamentar mas atinge de forma inaceitável a coletividade de gays, lésbicas e
transgêneros brasileiros e, sobretudo, o direito a livre orientação sexual dos indivíduos”,
enfatiza o parlamentar que aguarda agora providências imediatas e veementes da CCH.
[Fonte: Gabinete do Deputado Federal Marcos Rolim, Assessoria de Imprensa,
listagls@yahoogrupos.com.br, 11-12-2001]

DEPUTADO É CONTRA HOMOSSEXUAIS E MULHERES NO FUTEBOL, RJ
Além de estar envolvido em escândalos financeiros investigados pela CPI do Futebol,
correndo o risco de perder seu mandato na Câmara Federal, o Deputado Eurico Miranda do
PPB do Rio de Janeiro e também vice-presidente do Vasco da Gama, anda espalhando
ofensas e agressões nas suas aparições em jornais e entrevistas. O deputado é
considerado, até pelos seus correligionários do PPB, como truculento, inconseqüente,
fanfarrão, mal humorado, desbocado e homofóbico. Em declaração na mídia ele afirmou;
”Futebol é coisa para homem que mantém distância um do outro. Por isso sou contra
homossexual e mulher no futebol.” [Fonte: Jornal do Commercio – RJ, 9-1-2001]

JUIZ CRITICADO AO CONCEDER ENTREVISTA A REVISTA GAY, NO RIO
O juiz de menores Siro Darlan, foi alvo de inúmeras criticas depois de conceder uma
entrevista de três páginas à revista erótica G Magazine, voltada para o público gay. Nos
corredores do Tribunal de Justiça, um desembargador, que prefere não ser identificado,
classificou de ridícula a entrevista de Siro Darlan à revista. “Tudo tem limites. O juiz tem que
estar acima do bem e do mal. Isto significa que deve preservar sua imagem”, ataca o
desembargador que também não gostou da foto do juiz na revista, onde esse aparece de
roupão de banho. Darlan considerou preconceituosa às críticas que recebeu depois da
entrevista e acrescentou: “É preconceituoso pensar que um juiz não deve dar entrevista a
uma revista gay.” Darlan, que já concedeu o direito de adoção a vários homossexuais,
declarou que deve divulgar o Estatuto da Criança e do Adolescente para os gays. [Fonte: O
Globo, RJ, 6-9-2001]

LOCUTOR DE RÁDIO CONDENA TURISMO GAY, SP
O escritor e militante João Silvério Trevisan está entre os participantes da Defensoria
Homossexual de São Paulo, entidade que congrega psicólogos, advogados e assistentes
sociais, que acaba de ser formada para trabalhar em defesa da classe. A primeira ação que
está em andamento, é um processo contra a Rádio Bandeirantes por incitação à violência
por danos morais. A rádio além de criticar e debochar da Parada do Orgulho GLBT, atacou
a prefeita Marta Suplicy por defender a criação em 2002 de uma semana para atividades
da turma GLBT – o que aumentaria o turismo homossexual em São Paulo. O locutor da
Rádio disse: “Turismo de veado é bom para o Pantanal, não para São Paulo.” [Fonte: Jornal
da Tarde, SP, 22-6-2001]

JORNALISTA ATACA MANIFESTAÇÃO DE AFETO ENTRE GAYS, SP
A jornalista Myria Machado Botelho em artigo publicado no “Jornal de Piracicaba” até que
começa muito bem ao se referir à Parada Gay de SP que reuniu cerca de 200 mil
manifestantes e contou com a expressiva participação da prefeita de São Paulo Marta
Suplicy. Entretanto no decorrer do seu artigo, enfatiza: “Eles merecem respeito... desde que
se façam respeitar sem arrogância, sem os gestos e as atitudes públicas indecentes, sem
os peitos inflados de silicone, sem os beijos e carícias indecorosas, descontadas as
aberrações provenientes do pecado que se alastra pelo mundo como peste.” No entender
de Myriam, o pleno exercício da afetividade entre casais gays, é qualificada como
aberração, “pecado que se alastra pelo mundo como peste”, comparando-os ainda a
“animais no cio”. No final ressalta que, apesar de aceitar as “diferenças”, a sociedade não
deve se deixar levar “pelos efeitos desastrosos de uma aceitação indevida às distorções e
aos erros proclamados como naturais.” Mesmo sem colocações agressiva quanto aos
homossexuais, a autora suscita e argumenta contra a livre orientação sexual, tomando-a
como nociva e imprópria. [Fonte: Jornal de Piracicaba, SP, 28-6-2001]

INTOLERÂNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS E OUTRAS MINORIAS, SP
Em um artigo no Correio Paulista e em pequenas notas no Jornal da Tarde, o médico David
Neto tratou de questões relacionadas com o racismo e com a discriminação de minorias. “A
intolerância racial, a xenofobia e a discriminação racial contra judeus, negros,
homossexuais, migrantes, pessoas portadoras de necessidades especiais e outras
minorias existem, estão ao nosso lado, são perigosas, hipócritas e cruéis”, afirmou o
médico. Ele viu de maneira positiva o fato do Ministério da Justiça ter patrocinado a
conferência – com a participação de 1500 pessoas –, que serviu de preparação para o
Congresso Mundial Anti-Racismo da ONU. Para David Neto, o Ministério da Educação deve
também assumir parte do esforço contra o preconceito, inserindo como disciplina nos
currículos escolares “os fatos mais recentes no que diz respeito à dizimação dos povos, o
anti-racismo, a discriminação e a intolerância”. Citando o exemplo da condenação de uma
empresa de São Paulo, que foi obrigada a pagar indenização por racismo explícito a um
funcionário negro e homossexual, ele salientou também a necessidade de que o Legislativo
elabore legislação “altamente punitiva” para a proteção aos segmentos sociais mais
expostos. Uma legislação que “ponha na cadeia todos aqueles que agridem seu
semelhante, mesmo que não de maneira física”, concluiu. [Fonte: Correio Paulista -
Osasco-SP, 27-07-2001; Jornal da Tarde - SP, 12-08-2001, 11-09-2001].

DEFENSORIA HOMOSSEXUAL INICIA FUNCIONAMENTO EM SÃO PAULO
Começou a funcionar, no dia 29-10-01, a primeira Defensoria Homossexual do Brasil. O
Ministério da Justiça já liberou R$ 50.000,00 para seis meses de funcionamento do órgão,
que pretende dar assistência jurídica gratuita a homossexuais que sofram casos de
discriminação e preconceito. Além de combater crimes de ódio, violência física e agressão
verbal, a Defensoria irá lutar por casos de abrangência nacional em benefício de todos os
homossexuais. O órgão funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial, na
avenida Doutor Altino Arantes, 83, Vila Clementino. Há um balcão de atendimento e um
disque denúncia (11) 276-9249. O trabalho da Defensoria começou mesmo antes da
liberação de sua verba. Desde maio de 2001, estavam, nas mãos dos advogados, dez
processos, tanto por reconhecimento conjugal como por danos morais causados por
agressões verbais contra homossexuais. A Defensoria, que tem um quadro de três
advogados e cinco estagiários, está aberta a parcerias com ONGs, universidades e
profissionais das áreas de psicologia, assistência social e direito [Fonte: Folha de
S.Paulo-SP, 29-10-01].
8.Lesbofobia: Violência anti-Lésbica: 4 casos19
LÉSBICA AMEAÇADA DE MORTE POR EX-MARIDO DE SUA ATUAL COMPANHEIRA,
PARÁ
Sílvia Alves Noronha, 32, lésbica, prestadora de serviços e dona de casa, procurou à polícia
da Seccional Urbana de Icoaraci, para registrar queixa e pedir a abertura de inquérito contra
o operário Paulo Cardoso Reis, 40, depois que ele a agrediu usando um terçado,
batendo-lhe nas costas com um dos lados da lâmina, provocando-lhe uma fratura no
omoplata. Segundo Sílvia, a perseguição do operário começou, quando ele descobriu que
sua ex-mulher Conceição Maria Silva, estava vivendo maritalmente com Sílvia. Isto teria
deixado Paulo indignado e revoltado, ao saber que foi trocado por uma mulher. Ele vem
fazendo ameaças de morte e o caso está sendo investigado pelo Delegado José Maria
Alves. [Fonte: Diário do Pará, PA, 6-7-2001]

LÉSBICA É XINGADA POR PLAYBOYS EM BAR, EM GOIANIA
Mariza M. Idelfonso, 29, doméstica, lésbica, afirma que já foi alvo de inúmeras
manifestações discriminatórias. Recentemente, ela conta, “eu saí de um bar, de mão dadas
com minha mulher e fui xingada por um grupo de playboys que passavam de carro. Você
ama sua parceira, mas não pode demonstrar porque, se for lésbica, o amor vira
pouca-vergonha,” afirma. [Fonte: O Popular, GO, 29-6-2001]


 LÉSBICAS SOFREM CONSTRANGIMENTO DE VIZINHA EM SALVADOR
Simone de Oliveira Pino, administradora, e sua companheira foram agredidas verbalmente
por sua vizinha, Maria Alice Teles de Carvalho, aposentada de 78 anos. Com intuito único
de “expulsar” as companheiras do condomínio onde residem (localizado no bairro Costa
Azul, Salvador-BA), a agressora criou variadas situações constrangedoras para as vítimas,
inclusive com pendências jurídicas. A agressora não tolera a relação homossexual vivida
pelas vítimas, que, após incessantes delongas jurídicas, resolveram por seu imóvel à venda

19
    Eis a mensagem que divulguei nas principais listas gls relativamente às escasses de notícias sobre lesbofobia no Brasil:
“Colegas Lésbicas e Gays:
aos 11/2/2001 enviei a mensagem abaixo para diversas listas que participo
listagls@yahoogrupos.com.br> <aagls@yahoogrupos.com.br> <gaylawyers@yahoogrupos.com.br><ilgalac@yahoogr
upos.com.br>cluberainbow@yahoogrupos.com.br), solicitando complementação sobre
casos de lesbofobia ocorridos em 2001. EM 3/3 repeti a mensagem dizendo: A única resposta foi um pedido de retificacao
de uma lésbica do interior de sp, que pediu que retirasse sua mensagem, pois se tratava de um caso fictício e nao ocorrido
efetivamente. Menos mal!
Como nenhuma lésbica ou gay respondeu meus pedidos, ficam três hipóteses:
1] não querem cooperar
2] não coletaram informações
3] de fato, para 2001 só dispomos de 4 atos documentados de homofobia lesbofóbica e 3 assassinatos de lésbicas.
Gostaria de crer que esta ultima seria a explicação correta para explicar o mutismo d@s militantes lesbigays em relacao a
violencia anti-lesbica. Se esta for mesmo a verdadeira razão, a conclusão não pode ser outra: a violência e discriminacao
anti-lésbica é infinitamente menor do que a praticada contra os gays, pois em 2001 foram assassinadas 3 lésbicas, para um
total de 129 travestis e gays, e coletamos mais de 100 episódios de discriminacao anti-gay, para apenas 4 casos
contra lésbicas. Se alguém quiser comentar e enviar algum caso documentado de lesbofobia em 2001,agradeço.E solicito
que fiquem mais atent@s daqui em diante, arquivando e divulgando futuros casos de lesbofobia, pois no fundo acredito que
a invisibilidade lésbica, reflexo do machismo patriarcalista, reflete-se inclusive no silencio e nao divulgacao destas
discriminacoes. Ou entao, o Brasil tornou-se um PARAÍSO LÉSBICO...Cordialmente, Luiz Mott”
[Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação, 23-03-2001].

LÉSBICAS SÃO EXPULSAS DE COLÉGIO CATÓLICO EM BH
O Colégio Padre Eustáquio, um colégio particular e católico do bairro Padre Eustáquio de
Belo Horizonte, expulsou duas garotas por manterem relações afetuosas dentro do colégio.
A O.H.B.A., Organização dos Hereges Bárbaros Anarquistas Libertários de Belo Horizonte,
está programando uma grande manifestação no Colégio, quando haverá a entrega de
boletins. A idéia é fazer um carnaval junto com o movimento gay de BH e invadir o colégio.
[Fonte: listagls@yahoogrupos.com.br,10-120-2001]


9. Travestifobia: 39 casos
POLÍCIA IMPEDE FOTO DE TRAVESTI EM DOCUMENTO DE IDENTIDADE, MANAUS,
AM
Weydman Lopes Henriques, 28, finalista do concurso de Engenharia Civil da Ulbras de
Manaus e funcionário publico concursado, foi notificado no dia 29 de agosto de 2000 para
comparecer a delegacia Geral de Polícia Civil, visando trocar a foto no documento de
identidade. Motivo: na foto Weydman, travesti assumida, aparecia de cabelos compridos,
brinco e maquiagem, como uma mulher. A determinação era que ela tirasse uma nova foto
com cabelos presos, sem maquiagem ou brinco e sobrancelhas ao natural. Segundo ela,
esta foi uma das muitas discriminações sociais que teve que passar. “Na antiga Etfan, eu,
que tenho seios, tive que praticar natação por dois anos com os garotos e apenas de sunga
de banho,” conta. Contudo a determinação do treinador acabou favorecendo Weydman,
que conquistou muitos amigos e até conseguiu um parceiro com que manteve um
relacionamento de cinco anos. [Fonte: A Critica, AM, 28-6-2001]

TRAVESTI SEQÜESTRADO E AMEAÇADO DE MORTE EM MANAUS, AM
Desde os 16 anos, Micheli, 23, travesti, se prostitui nas ruas de Manaus e é constantemente
vítima de agressões e violência por parte de cliente e grupos que passam no local onde
trabalha. Ela recorda que ficou lado a lado com a morte diversas vezes. “Uma noite, entrei
no carro de um cliente e ele foi logo colocando a arma em minha cintura e dizendo para não
gritar”. Ela conta que foi levada para uma estrada que liga Manaus a Itacoatiara e de lá
empurrada para um atalho escuro. A travesti admite ter sentido pânico, mas a luta pela vida
fez com que ela tomasse o volante do carro e jogasse-o em uma ribanceira. Essa atitude
inesperada possibilitou que ela saísse correndo e se escondesse em um matagal, onde
passou a noite ouvindo tiros e os gritos do cliente enfurecido. Na manhã seguinte, Micheli
conseguiu ajuda de um caminhão que passava no local e escapou com vida. [Fonte: A
Crítica, AM, 2-9-2001]

TRAVESTI DENUNCIA ASSALTANTE EM TERESINA
A travesti Marcela, Marcelo Rodrigues da Costa, 23 anos, denunciou o assaltante e
homicida Cláudio Paes Santos, 19, por disparar tiros em via pública e tentativa de
homicídio. Tudo começou quando a travesti estava na rua fazendo “pista” e foi abordada
pelo marginal, que ofereceu R$0,50 centavos para fazer um programa com ela. Como a
travesti se recusou, o marginal começou a gritar e disparar tiros na via pública tentando
matá-la. Mesmo preso, o homicida faz ameaças e disse que quando sair da cadeia vai
assassinar o travesti. [Fonte: Arquivo GGB, Denúncia feita pelo Grupo Homossexual
Babilônia, ano 08, Nº 22, 2001, Teresina,PI]

TRAVESTI ESPANCADO NA RUA, EM RECIFE, PE
O travesti José Ricardo da Silva, 19, foi espancado à noite por um grupo de pessoas que
passava na Rua Floriano Peixoto, no bairro de São José em Recife. Segundo informações
de testemunhas, ele estava com um grupo de amigos conversando, quando o grupo se
aproximou e começou a agredir o travesti com socos e pontapés. O travesti foi levado ao
Hospital da Restauração, onde recebeu os primeiros socorros. [Fonte: Jornal do
Commercio, PE, 28-2-2001]

TRAVESTI É FORÇADO A SE VESTIR E AGIR COMO HOMEM EM SERGIPE
Elias Francisco Prudente Filho, 23, conhecido como “Paola”, acusa o Promotor de justiça da
Comarca de Cedro de São João, Rogério Ferreira da Silva, de tê-la discriminado,
humilhado publicamente e a ameaçado de prisão caso não se comportasse como homem.
O fato foi desencadeado depois que a travesti foi indiciada e acusada de pedofilia, que
segundo o promotor “Paola” teria mantido relações sexuais com um menor de treze anos.
Após a audiência, o promotor ordenou que Elias cortasse o cabelo e as unhas, usasse
roupas masculinas e passasse a comporta-se como um homem. O promotor ainda obrigou
que a travesti fizesse, contra a sua vontade, um exame de AIDS. Revoltado com esse ato
de prepotência e abuso de poder, ao qual foi submetido para não ser preso, a travesti
prestou queixa no Ministério Público de Aracaju contra o procedimento do Promotor.
[Fonte: Jornal Cinform Cidade, SE, 2 a 8-4-2001]

TRAVESTI É PRESA E AGREDIDA POR POLICIAL EM SALVADOR
Edmilson Vasconcelos, conhecido por “Roberta”, foi preso e agredido pelo tenente de
prenome Daguinaldo, policial militar locado na Companhia da Pituba (Salvador-BA). O fato
ocorreu no dia 27-01-01, por volta das 0:30 h. O motivo alegado para a prisão foi a condição
de travesti da vítima. A delegada da 7a CP reconheceu a ilegalidade da prisão da referida,
libertando-a de imediato [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação,
28-01-2001]

TRAVESTI É AGREDIDA POR CINCO RAPAZES, BA
A travesti Rebeca Martins Albuquerque Mendonça, 17 anos, dançarina e vendedora de
picolé, foi agredida por cinco rapazes, tendo sido ferida com um punhal na perna direita e
perdido sua caixa de picolé. O motivo da agressão foi a raiva dos vizinhos por saberem que
é homossexual. [Fonte: Arquivo do GGB, Boletim de Ocorrência de Discriminação,
24-01-2001].

TRAVESTI PROCESSA PREFEITA EM VIRGINÓPOLIS (MG)
A travesti Cláudia Brown, cujo nome de registro é Jean Marques de Oliveira, decidiu entrar
com uma ação na Justiça contra Maria Aparecida Morais Ribeiro, prefeita de Virginópolis
pelo PL. Ela diz estar sendo discriminada pela prefeita, tendo sido chamada, durante um ato
público, de “um lixo atirado à rua pelos adversários políticos”. A travesti é a principal
opositora política da administração e chegou a ser presa quando distribuía panfletos contra
a Maria Aparecida Ribeiro. Aliadas no passado, Cláudia Brown e Aparecida brigaram há
três anos. Hoje, a travesti acusa a prefeita de providenciar ocorrências policiais contra ela,
além de afirmar que existem processos que acusam Maria Aparecida de nepotismo,
superfaturamento de obras públicas, desvio de equipamento em um posto de saúde,
pagamento indevido ao próprio marido e abuso de poder econômico na última eleição. A
prefeita negou que tivesse feito discurso contra a travesti e disse que ela está sendo usada
pelos seus inimigos [Fonte: Estado de Minas-MG, 7-12-2001].

TRAVESTIS ENVOLVIDOS EM CONFUSÃO EM AVIÃO, RJ
Discussão e desentendimento no vôo da Alitália para o Rio de Janeiro, que trazia a bordo
40 sacerdotes e freiras que voltavam do Vaticano e oito travestis que estavam sendo
extraditadas de Roma pela polícia. A confusão começou quando uma bolsa de uma das
passageiras sumiu e os travestis foram acusados do roubo, estas acabaram se
engalfinhando com a passageira dona da bolsa. O padre Amaral que vinha a bordo
conseguiu acalmar a confusão, evitando que o avião fizesse um pouso de emergência em
Recife. [Fonte: Jornal do Commercio, 23-5-2001]

TRAVESTI DE SOROCABA BALEADO APÓS PROGRAMA, SP
A travesti identificada como K.C.R., 20 anos, foi baleada na coxa por um dos seus clientes.
O fato ocorreu na Alameda dos Antúrios, em Sorocaba, interior paulista. A vítima não deu
detalhes do ocorrido e foi socorrida no PS do Hospital Regional, permanecendo internada
[Fonte: Cruzeiro do Sul-SP, 14-12-2001].

TRAVESTI É PROIBIDA DE USAR SANITÁRIO FEMININO, LONDRINA, PR
Depois de ter utilizado o banheiro feminino no Shopping Royal Plaza, em Londrina, a
travesti Mônica Matarazzo foi repreendida por seguranças, que lhe disseram que ela não
poderia ter utilizado aquele espaço. Sentido-se discriminada, ela denunciou a situação na
10a Subdivisão Policial. No dia 21-09-01, Matarazzo foi ouvida pelo Promotor de Defesa dos
Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares. Ele explicou que a legislação não
prevê esse tipo de acontecimento, mas que o caso poderia se enquadrar no artigo 3º, inciso
4º da Constituição Federal. Este artigo garante que compete ao Estado garantir “o bem de
todos sem preconceito de origem, raça, sexo, cor e qualquer outra forma de discriminação”
[Fonte: Folha de Londrina-PR, 21-09-2001]
DENÚNCIAS REGISTRADAS NA ATA DE REUNIÕES DA                              ASSOCIAÇÃO DE
TRAVESTIS DE SALVADOR EM 2001

        Janeiro
        · 4-01-2001 - A travesti Carina relatou que, em Patamares, os travestis estão sendo
agressivamente abordados pelos policiais na pista. [Fonte: Ata de Reunião da Atras,].
        · 4-01-2001 - A travesti Jôse foi perseguida por dois motoqueiros, na orla de
Salvador, que pretendiam agredi-la. Eles desistiram quando ela correu e pulou em cima de
um carro [Fonte: Ata de Reunião da Atras,] .
        · 17-01-2001 – No bairro de Fazenda Grande, às onze e meia da noite, a travesti
Tália foi espancada, recebendo murros e socos de um rapaz [Fonte: Ata de Reunião da
Atras].
        · 7-01-2001 – Paloma relata que um policial vem ameaçando as travestis nas
últimas semanas. Insulta, manda circular, impede que permaneçam na calçada fazendo
pista. Ela o descreveu como negro, forte, com cerca de quarenta anos [Fonte: Ata de
Reunião da Atras].
        · 18-01-2001 – Ao sair do ballet, a travesti Rebeca, 17 anos, foi detida por policiais,
que a xingaram e espancaram [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
        · 18-01-2001 – Travestis que trabalham no centro da cidade relataram que o Hotel
Centro e Globo Hotel, não permitem que elas entrem para fazer programa com clientes.
[Fonte: Ata de Reunião da Atras].
        · 25-01-2001 – Um homem negro discriminou Diana, afirmando que ela, também
negra, desmerecia sua raça por ser travesti [Fonte: Ata de Reunião da Atras] .

        Fevereiro
        · 8-02-2001 – Bárbara, travesti, foi agredida por um policial (branco e baixo) na rua
do São Francisco. [Fonte: Ata de Reunião da Atras] .
        · 8-02-2001 – Um rapaz chamado Marcelo invadiu a casa da travesti Carla Faial com
o intuito de matá-la. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
        · 15-02-2001 – Três rapazes tentaram assaltar a travesti Gabriela. Ela conseguiu
fugir correndo, mas antes levou um soco. [Fonte: Ata de Reunião da Atras] .

       Março
       · 15-03-2001 – Ronela testemunhou que uma travesti foi barrada no banheiro
feminino do bar Manatee. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
       · 29-03-2001 – Cilene diz que, quando as travestis são levados para as delegacias
de polícia, prisões arbitrárias, muitas vezes os policiais tiram o dinheiro que elas carregam
na bolsa. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].

        Abril
        · 5-04-2001 – Michelle informou que Cláudia, travesti agente de saúde, quando
distribuía preservativos no Cine Tupi, num trabalho de prevenção junto a profissionais do
sexo, foi espancada por um policial e chamada de aidética [Fonte: Ata de Reunião da
Atras].
        Maio
        · 10-05-2001 – As travestis estão sendo escorraçadas na praia de Patamares, na
orla de Salvador. A travesti Ellen apanhou de um rapaz, que também esfaqueou Sheila.
Além disso, Antonieta recebeu várias pedradas de alguns meninos do bairro. [Fonte: Ata de
Reunião da Atras].
       · 17-05-2001 – A travesti Gabriela diz ter sido roubada, na Lapa, por um homem
negro. Ele ainda a agrediu com um ferro. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
       · 24-05-2001 – Um policial chamado Gelson ameaçou agredir a travesti Celine , 17
anos, dentro da viatura 3303, que fazia ronda em Patamares no dia 23-05, às 22:30. [Fonte:
Ata de Reunião da Atras].
       · 24-05-2001 – As travestis que fazem ponto em Patamares reclamaram que
marginais da Boca do Rio as agridem até mesmo com o uso de bombas e fogos juninos.
[Fonte: Ata de Reunião da Atras].
       · 31-05-2001 – Celine relatou que policiais extorquiram R$150,00 de seu cliente.
Além disso, eles queriam combinar com ela a divisão do dinheiro conseguido com outros
programas [Fonte: Ata de Reunião da Atras].

        Junho
        · 21-06-2001 – Nadja se queixou de constantes violências por parte de clientes nos
cinemas de pegação de Salvador. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
        · 28-06-2001 – Celine contou que um policial atirou em uma travesti, mas, por sorte,
a arma não disparou. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
        · 28-06-2001 – Sarita relatou que estava sendo ameaçada por um rapaz do seu
bairro, Itinga, que prometeu dar-lhe uma surra. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].

       Agosto
       · 9-08-2001 – Kel relatou alguns casos de agressão sofridos por ela. A travesti
contou que um policial lhe deu uma coronhada em plena luz do dia, às 17 horas, na Orla.
Em outra ocasião, ela foi abordada por dois homens em frente à boate Holmes, sendo
depois levada até o bairro de Periperi, onde foi assaltada [Fonte: Ata de Reunião da Atras].

       Setembro
       · 27-09-2001 – Laleska afirmou que os policiais estão extorquindo as travestis. Ela
destacou o caso de um policial negro que disse que ia matar quantas travestis encontrasse
fazendo pista, dando tiros na cabeça e depois ia jogar o cadáver no mar. [Fonte: Ata de
Reunião da Atras].
       · 28-09-2001 – Durante uma intervenção noturna de prevenção da Aids na praia de
Patamares, os coordenadores do GGB receberam denúncia de Laleska, que tinha acabado
de ser agredida por três rapazes (estatura mediana, morenos claros, entre 20 e 30 anos).
Os agressores ficaram, a princípio, intimidados pela presença dos militantes. Contudo, um
deles, que parecia ter uma arma, veio atrás de outras travestis. Todas correram assustadas
e entraram na Kombi do GGB e, dada a grande quantidade de gente no veículo, foram
deixadas na Boca do Rio, onde pegaram outra condução. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].

       Novembro
       · 7-11-2001 – No dia 3-11, a travesti Camila foi agredida por uma mulher e outra
travesti na boate Caverna. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
       · 22-11-2001 – Celine denunciou que uma travesti chamada Monalisa estava presa
na 9ª Delegacia sem os devidos cuidados após sofrer um ferimento à bala, que, por isso, já
estava com uma bicheira na perna. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].
29-11-2001 – A travesti Celine denunciou que os policiais da 12ª Delegacia quando
prendem uma travesti, estão cortando seus cabelos. Segundo Michelle, depois de cortados
os cabelos, os policiais dizem que deixaram as travestis de molho. Primeiro, durante três
meses; depois, seis meses. [Fonte: Ata de Reunião da Atras].

				
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