II Simpósio Mineiro de Buiatria II Minas Gerais Buiatrics Symposium 06 a 08 de outubro de 2005 October 6th

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II Simpósio Mineiro de Buiatria II Minas Gerais Buiatrics Symposium 06 a 08 de outubro de 2005 October 6th Powered By Docstoc
					II Simpósio Mineiro de Buiatria                                       II Minas Gerais Buiatrics Symposium
06 a 08 de outubro de 2005                                                        October 6th to 8th, 2005
                                   Belo Horizonte, Minas Gerais – Brasil



 ABORDAGEM CIRÚRGICA DO SISTEMA DIGESTIVO EM
                RUMINANTES
Prof. Valentim A. Gheller
Escola de Veterinária da UFMG


INTRODUÇÃO

Abordar todas as afecções passíveis de resolução cirúrgica no sistema digestivo de
ruminantes seria uma tarefa árdua e difícil de alcançar êxito, devido à diversidade de
patologias encontradas. Neste resumo serão abordadas as afecções cirúrgicas mais
freqüentes, como as que acometem os pré-estômagos e o abomaso dos bovinos.


ABORDAGEM CLÍNICO-CIRÚRGICA

Distúrbios digestivos são relevantes na espécie pela importância da digestão nos pré-
estômagos ao fornecer ao ruminante energia, equilíbrio de aminoácidos essenciais e a maior
parte de suas necessidades vitamínicas. Clinicamente a disfunção dos pré-estômagos pode
apresentar sinais clínicos como inapetência, redução de motilidade rumenal, distensão
abdominal, alteração no aspecto das fezes, caracterizando de uma forma genérica uma
indigestão.

Clinicamente deve-se classificar e identificar as indigestões para estabelecimento da melhor
terapêutica para cada caso. As indigestões primárias, originárias de distúrbios
retículorrumenais motores de maior incidência são: reticuloperitonite traumática,
timpanismo espumoso, retículorumenite, indigestão vagal, obstrução do cárdia e obstrução
retículo omasal . Indigestões primárias devido a distúrbios fermentativos ocorrem por
inatividade da microbiota rumenal, acidose láctica, acidose e alcalose rumenal.

Pode-se, em conseqüência de outras enfermidades sistêmicas ocorrer uma deficiente
motilidade reticulorrumenal, refluxo abomasal e inatividade da microbiota rumenal.

Em casos onde a abordagem clínica não seja conclusiva as suspeitas devem buscar
subsídios em procedimentos cirúrgicos, com a laparorumentomia exploratória.

Laparotomia pelo flanco esquerdo e rumenotomia

Manter o animal em estação, em tronco de contenção, preservando a anatomia topográfica.
O flanco esquerdo deve ser preparado para um procedimento asséptico, e um procedimento
para anestesia local deve ser efetuado. A incisão de pele deve ser de aproximadamente 25 a
30 centímetros, paralela a última costela e distal aos processos tranversos por seis a oito

This manuscript is reproduced in the IVIS website with the permission of Associação de Buiatria de Minas
Gerais (ABMG).
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centímetros. Os músculos devem ser divulsionados de maneira romba, acompanhando o
sentido das fibras. Após a incisão do peritônio, devem-se avaliar as características do
líquido peritoneal presente, o aspecto do peritônio parietal e visceral visualizável e as
estruturas passíveis de palpação devem ser examinadas.




Se os achados não forem conclusivos e houver a necessidade da exploração das estruturas
internas dos pré-estômagos, alguns procedimentos cirúrgicos devem ser tomados para
evitar contaminação na cavidade peritoneal pela ingesta rumenal.

    1-   Sutura temporária seromuscular do rúmen aos músculos incisados.
    2-   Sutura temporária seromuscular do rúmen à pele.
    3-   Exteriorização e manutenção do rúmen por quatro pontos de sustentação.
    4-   Uso do aparelho de Weingart.




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Exploração interna dos pré-estômagos

Após a incisão do saco dorsal do rúmen, procede-se ao exame da ingesta, do aspecto da
mucosa rumenal, palpa-se detalhadamente o retículo, o cárdia e o óstio retículo-omasal.
Durante esta exploração, várias alterações podem ser detectadas como corpos estranhos no
rúmen, objetos metálicos perfurando a mucosa do retículo, abscessos perireticulares,
flacidez excessiva do óstio retículo-omasal.




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A rumenotomia pode auxiliar e tratar várias afecções como a Indigestão vagal, que é uma
síndrome freqüente em bovinos, causada pela disfunção do nervo vago devido a traumas
provocados por reticulite traumática, leucose e tuberculose.

As indigestões são classificadas em três tipos:

Tipo I – Distensão rumenal com hipomotilidade ou atonia rumenal
Tipo II – Distensão rumenal com hipermotilidade
Tipo III – Estenose funcional pilórica




DESLOCAMENTOS DE ABOMASO (DA)

É freqüente a observação desta afecção no período inicial da lactação, em vacas de alta
produção. Muitos fatores predispõem ao deslocamento abomasal, como parto, afecções
concomitantes como metrites e mastites, redução de motilidade no sistema digestivo e
acúmulo de gases.


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O abomaso pode deslocar para a esquerda (DAE), ou para a direita (DAD), sendo que pode
ocorrer vólvulo abomasal quando o deslocamento ocorre para o lado direito.

O tratamento cirúrgico do DA pode ser por quatro técnicas:

1 - Omentopexia pelo flanco direito
2 - Abomasopexia pelo flanco esquerdo
3 - Abomasopexia paramediana ventral direita
4 – Abomasopexia percutânea


DILATAÇÃO E TORÇÃO DO CECO

Ocorre associada à hipomotilidade, íleo adinâmico e transtornos nos marcapassos
localizados próximos ao íleo e ceco. Com freqüência, a afecção está associada a mastites ou
metrites. Pode ser tratada clinicamente ou cirurgicamente em casos mais graves.


VÓLVULO DA RAIZ DO MESENTÉRIO

A rotação do intestino delgado sobre seu próprio eixo causa um quadro clínico
caracterizado com dor abdominal intensa e distúrbios hidroeletrolíticos graves, indicando
uma laparotomia exploratória emergencial.




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