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Niva

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Por James Garcia

Após a abertura das importações, no início da década de 90, o Lada Niva foi o
primeiro veículo 4x4 a chegar ao brasil. O carro passou imediatamente a fazer
parte do cotidiano do off-roader brasileiro e foi um dos grandes responsáveis
pela invasão urbana de automóveis dotados de tração, pois provou que um 4x4
não precisa ser necessariamente aberto, desconfortável e apertado

Nos anos 60, um automóvel na antiga União Soviética era artigo de muito luxo.
Era um problema sério a ausência de uma frota significativa na maior república
do mundo em extensão (levando-se em conta todos os países atualmente
desmembrados). Foi necessário montar uma linha de produção automobilística
de acordo com as necessidades daquela imensa região. Foi então que –
apesar da economia fechada –, o governo russo firmou um acordo comercial
com a Fiat para o surgimento de uma montadora e, em julho de 1966, criou-se
a Auto Vaz.




Em janeiro de 1967, teve início a construção da fábrica; em abril de 1970,
começou a produção seriada dos automóveis. Lada foi o nome escolhido para
batizar comercialmente a empresa, que em russo que significa “a mulher
amada” No entanto, a inauguração de uma linha de montagem não resolveu a
questão, pois um carro na União Soviética sempre envolveu muito trabalho e
paciência. Apesar de possuir uma das maiores unidades industriais do setor
automotivo no mundo, no período inicial, um Lada demorava sete anos para
ser entregue, desde a encomenda até o recebimento do produto.
A situação melhorou depois de todas as mudanças no regime político, além da
entrada de outras montadoras na atual Rússia, como Opel, Mercedes-Benz e
Chrysler. Uma cidade para a Lada Localizada na cidade de Togliatti, a Auto
Vaz está a 1.000 quilômetros sudeste de Moscou, às margens do rio Volga. Na
verdade, o município cresceu a partir da fábrica. Falta muito pouco para a
indústria ser considerada auto-suficiente, atualmente cerca de 90% dos
componentes dos veículos são fabricados dentro do complexo: carroceria,
chassi, motor, câmbio, transmissão e suspensão, enfim, quase tudo.

O que é adquirido fora, como parafusos, amortecedores, borrachas e vidros,
são feitos por fornecedores exclusivos, ou vindos de pequenas fábricas que
pertencem ao conglomerado Auto Vaz.

Devido à origem, até 1977 todos os carros Lada eram parecidos com os Fiat,
produzidos no final da década de 60. O primeiro modelo em linha de montagem
foi o 2101, em 1970. Era um carro muito semelhante ao Fiat 124. Em 1971,
surgiu a versão station-wagon, denominado 2102. O desenho da parte frontal
do Niva lembra esses dois antigos veículos.

A montagem seguiu essa rotina até 1977, quebrando recordes de produção.
Mesmo assim, fazia falta um carro mais robusto que enfrentasse as baixas
temperaturas do norte, as estradas em condições precárias cobertas de gelo
durante boa parte do ano, e também que trafegasse com desenvoltura no
campo, devido à vasta área rural.

Assim nasceu o Niva, que traduzindo para a língua portuguesa, significa algo
como “campo de cultivo de trigo”.

É um carro que mistura a valentia do jipe com espaço interno e conforto de um
automóvel de passeio. É bastante prático para o uso cidade/campo, com tração
4x4 integral, bloqueio de diferencial central e reduzida.

A suspensão independente com molas helicoidais, é responsável pelo conforto
tanto na cidade como em estradas esburacadas de terra, características raras
nos utilitários dos anos 70.

O que há quase 30 anos era inovação para esse tipo de carro, pela
acomodação em um mercado com garantia total de compra – não havia
concorrência –, acabou por se estagnar, pois de 1977 até 1994, o Niva
manteve praticamente as mesmas características. De 1994 em diante, os
motores 1.6 a gasolina receberam ignição eletrônica. Em 1998, foi lançado o
Niva com motor 1.7, com injeção eletrônica GM, monoponto e sistema de
ignição mapeado. Essa foi a última grande “evolução” do modelo 2121 – a sigla
de fábrica do Niva.
A concorrência e o desenvolvimento tecnológico da indústria mundial (que os
russos conheceram depois da Perestroika e do Glasnost) fizeram com que o
departamento de projetos da Lada começasse a trabalhar a todo vapor. O
resultado foi o modelo 2123, um utilitário esportivo parecido com o Kia
Sportage e o Suzuki Grand Vitara. Mas o lançamento do 2123 não encerrou a
produção do pioneiro Niva. São dois segmentos de mercado diferentes. O
velho Niva vai continuar à disposição de quem gosta de “ralar”.

Mais inserido no universo dos jipes espartanos – tal qual os antigos Jeep Willys
e Ford, o JPX, o Samurai, Land Rover e Troller –, o Niva nunca teve como
ponto forte um acabamento requintado ou detalhes luxuosos, próprios de
veículos de outras classes e configurações. Ou se é um jipe, ou não se é,
certo?

Porém, o Niva foi mais além, pois transita entre dois terrenos, com simplicidade
é verdade, mas possibilita vantagens que somente veículos muito mais caros
podiam oferecer.

Exemplos? Uma suspensão macia e eficiente, cabine fechada com lugar para
cinco pessoas, e a tração full-time, que lhe garante segurança extra e ótima
dirigibilidade, nos mais diversos terrenos

A trajetória do Niva é cheia de curiosidades e excentricidades.
Apesar do modelo ter sofrido poucas modificações de fábrica, os russos o
criaram para diversos tipos e utilização. Uma empresa local, chamada Bronto,
especializou-se em adaptações no jipe “vermelho” – outra designação
carinhosa para o veículo.

Feitos sob encomenda, é possível encontrar modelos Niva blindados – para
transporte de valores –, monster truck, picape cabine dupla e simples, quatro
portas, com entre-eixos longo, buggy, entre outros.

Até hoje o modelo não sofreu grandes mudanças na carroceria, mas foi
equipado com motores diferentes. Além dos originais e mais conhecidos 1.6 a
1.7 litros à gasolina,o 4x4 também recebeu o motor diesel Peugeot XUD-9, o
mesmo que equipava o jipe JPX, além de versões convertidas para gás. Mas
isso aconteceu somente para séries especiais, exportadas para alguns países
da Europa.

O clássico Niva 2121 – que roda por aqui –, ainda é encontrado na Europa,
América Latina, América Central e Canadá. No Brasil, o carro teve ótima
aceitação, principalmente no início das importações.

A história do Niva é perpetuada pelos amantes de off-road, clubes, sites,
oficinas e lojas especializadas na marca. Não perca nas próximas edições, a
reportagem especial sobre o universo do Niva no Brasil hoje, as lojas que
trabalham com vendas, peças e que asseguram o legado desse 4x4 russo no
fora-de-estrada nacional.

Fonte: Site -http://www.4x4ecia.com.br/ed_158/pioneiros.php

				
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posted:5/7/2010
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