Documents
Resources
Learning Center
Upload
Plans & pricing Sign in
Sign Out

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - DOC

VIEWS: 29 PAGES: 15

									                          UMA VIAGEM NO TEMPO
           - O TEATRO DE FLORIANÓPOLIS NOS ANOS DE 1930 E 1931 -1

                                   Ana Júlia Guiz, Denise Krieger, Fabiano Lodi, Kamila
                                   Debortoli, Lívia Sudare e Tama Ribeiro,2 e Vera Collaço
                                   (orientadora)3


         Com este artigo procuramos narrar à trajetória teatral em Florianópolis, nos anos de
1930 e 1931, tendo como principal fonte de pesquisa, e construção do texto, os jornais A
República e O Estado, de Florianópolis, localizados na Biblioteca Pública do Estado de
Santa Catarina. Nosso período de pesquisa está datado de 01 de janeiro de 1930 a 30 de
abril de 1931. Em nossa escrita nos apoiamos também em livros, sites, artigos e teses que
auxiliaram na compreensão e ordenamento histórico do material pesquisado.
         Os jornais pesquisados estão dispostos da seguinte maneira: são vários tomos4, que
reúnem quatro meses de cada jornal. Por exemplo: há um tomo com os jornais A República
de 01 de janeiro de 1930 até 30 de abril de 1930, e o tomo seguinte inicia com o jornal de
01 de maio de 1930 até 31 de agosto de 1930. Aproveitando essa disposição dos materiais,
dividimos a equipe de forma a uniformizar o trabalho, melhor distribuindo-o, bem como
oferecendo uma função compatível com as possibilidades pessoais de cada pesquisador.
         Desta forma, desenvolvemos o texto de forma cronológica, assim como os
encontramos nos tomos, para que as informações fiquem claramente dispostas dentro do
seu respectivo período histórico. A nós, cabe aqui, não apenas os reproduzir simplesmente,
como também opinar e refletir sobre os acontecimentos. Observamos que nas citações dos
jornais locais reproduzimos a ortografia da época, esta opção visa reforçar a viagem no
tempo.


1
  Artigo elaborado para a disciplina de Evolução do Teatro e da Dança IV, curricular e obrigatória, ministrada
pela Professora Dra. Vera Collaço, no 1º semestre de 2006.
2
  Acadêmicos, da 4ª fase, de Educação Artística: Habilitação em Artes Cênicas, do Centro de Artes, da
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.
3
  Estimular a pesquisa e, principalmente, estimular a escrita sobre a história do teatro em Santa Catarina foi o
elemento desencadeador da construção deste texto. A escrita não se aprofunda em questões analíticas, e nem
parte de uma hipótese a ser comprovada, é muito mais uma narrativa de fatos e acontecimentos em sua
seqüência temporal, num local especifico – Florianópolis. Mas é o primeiro, e talvez o mais precioso passo,
no intuito de despertar nos estudantes de teatro, o desejo de contribuir para a historiografia do teatro
catarinense, e, consequentemente, o teatro brasileiro.
4
  Alguns períodos foram pesquisados em micro-filme, pois ou os jornais já não mais existiam ou estavam em
situação que não permitia pesquisa direta no material.


                                                                                                              1
        Procuramos evidenciar nosso processo de trabalho para que a sua leitura seja ainda
mais agradável e explicite nosso aprendizado em pesquisa histórica. Queremos nos
aproximar de você, leitor deste texto, e convidá-lo a viajar conosco a uma época, passear
por um período da história do teatro em Florianópolis, os anos de 1930 e 1931. Seja bem
vindo e boa viagem!


1 - O TEATRO EM FLORIANÓPOLIS: 1930
1.1 MESES DE JANEIRO A ABRIL DE 1930.

        Antes de iniciarmos o relato dos fatos culturais, sobretudo teatrais, encontrados nos
jornais da época, não há como escaparmos do momento histórico que o Brasil viveu no
início do ano de 1930. Este período antecedeu as eleições para Presidente da República,
quando concorrem os candidatos Júlio Prestes e Getúlio Vargas. Os jornais locais A
República e O Estado expunham com clareza sua posição partidária: pró-Júlio Prestes, ou
seja, anti-Getúlio.5 E a maior parte dos espaços do jornal A República foi dedicada a este
momento político, fazendo exaltações ao candidato Republicano, Júlio Prestes, ou atacando
o candidato gaúcho da Aliança Liberal, Getúlio Vargas.


                            Realizou-se hontem nesta cidade um grande comicio político promovido
                            pelo comitê pró Julio Prestes-Vital Soares [...]. Foram aclamadissimos,
                            os nomes dos eminentes brasileiros presidentes Washington Luis e Julio
                            Prestes [...]. O comicio foi assistido por cerca de 3.000 pessoas,
                            percorrendo a banda de musica as ruas da cidade no meio do grande
                            entusiasmo popular. 6

        Se os dois jornais locais dedicavam amplo espaço à problemática política do
momento, o mesmo não se dava em relação às atividades artísticas. Observamos que os
mesmos destinavam pouco espaço às artes, e destas, era o cinema que ainda conseguia
conquistar mais divulgação na imprensa de Florianópolis. A imprensa reservava espaço à



5
  Getúlio Vargas tinha o apoio dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais. O atrito entre a
elite dirigente do país se deu quando o então Presidente Washington Luís rompeu com a política café-com-
leite, indicando um candidato paulista, ao invés de um mineiro, à sucessão presidencial. Informações obtidas
no site www.suapesquisa.com/republica .
6
  A República, Florianópolis, 04 de janeiro de 1930. Esta notícia é referente a um comício acontecido na
cidade de Tubarão, no dia 03 de janeiro de 1930.


                                                                                                          2
divulgação de filmes, na coluna diária intitulada Cine Variedades7 - que era organizada pela
Empreza Cinematográphica e Theatral A. Mattos Azeredo e exibia filmes produzidos por
empresas americanas, tais como Fox Film, Warner Bross e Columbia; títulos famosos
como Rin-tin-tin e Corcunda de Notre Dame foram exibidos neste período. Neste ano, o
“Cine Royal, depois arrendado [...] para a empresa do Cine Odeon, de propriedade de Willy
Kersten e Admar Gonzaga” (SCHMITZ, p.48, 2005) assumiu a exibição de filmes no
Teatro Álvaro de Carvalho (TAC).
        Quanto às atividades teatrais, objeto de nossa pesquisa, nós pudemos observar que
algumas peças chegavam à cidade, porém não tinham grande cobertura pela imprensa local.
As peças eram apresentadas também no TAC, por companhias profissionais e,
principalmente, por grupos amadores de Florianópolis. “A partir de 1930, desencadeia-se o
predomínio de grupos teatrais amadores, que tanto encenavam autores locais, [...]
preferencialmente comédias de costumes e dramas, como dramaturgos nacionais ou
portugueses, em sua maioria” (COLLAÇO, p. 183, 2004).
        A imprensa dava destaque para divulgação artística interligada com os
acontecimentos políticos da época,

                           Cine Variedades - Hoje, ás 7 horas em sessão publica, será exihbida a
                           esplendida pelicula da Botelho Film intitulada A Era da Renascença
                           Nacional comemorando a maior obra administrativa realizada em São
                           Paulo pelo candidato da maioria do Brasil á presidencia da Republica dr.
                           Julio Prestes.8


        No dia seguinte a esta publicação, 01 de março de 1930, aconteceu às eleições para
Presidente da República. E, novamente, os dois jornais deram toda ênfase ao fato. Durante
os dias de apuração, os dois jornais publicaram notas anunciando a vitória de Prestes no
Estado, antecedendo assim o resultado final oficial, onde Prestes foi eleito.

                           A victoria do Partido Republicano Catharinense - Resultado conhecido
                           das eleições em Santa Catharina ate as 22 horas de ontem: Para
                           Presidente Julio Prestes 34.600 / Getúlio Vargas 7.002 [...].9

7
  O Cine Variedades era mantido pelo empresário Antonio Mattos Azeredo - nome esse que encabeçava as
publicações de cinema nos dois jornais. Ele planejava a construção de um luxuoso espaço para exibição de
filmes e peças teatrais em Florianópolis, como veremos mais adiante.
8
  A República, Florianópolis, 28 de fevereiro de 1930.
9
  A República, Florianópolis, 06 de março de 1930.


                                                                                                      3
        Com o fim do período eleitoral, os dois jornais começaram a dar mais ênfase para as
notícias culturais e encontramos mais publicações sobre o teatro do período, como por
exemplo: as apresentações do Grupo Recreio Dramático no Theatro Municipal de São José
e no Teatro Álvaro de Carvalho com os espetáculos O Cacete, Adão II e Moços com moças,
velhos com velhas10, a temporada de Therezinha e Minuto, que foi um grande sucesso de
público, e as comuns publicações de filmes em cartaz.
                 O jornal O Estado dava mais destaque ao que ocorria nas grandes cidades
brasileiras, como São Paulo ou Rio de Janeiro, ou reproduzia as atividades culturais que
aconteciam na Europa.

                            No dia 31 de janeiro foi levada em première, com grande sucesso, no
                            theatro Valle, de Roma, pela companhia Emma Grammatica,
                            <<Marietta>> de Guitry com acompanhamento de Strauss.
                            Entre as pessoas de destaque que assistiram ao espectaculo contavam-se
                            o primeiro ministro Mussolini e a condessa Neity.11


        Não obstante este pouco espaço, ainda assim quando se falava em artes, tanto na
esfera nacional ou internacional, uma outra cidade maior que Florianópolis aparecia como
referência, como que para dar um “status” de qualidade ao produto artístico. A seguinte
transcrição de uma nota do jornal nos traz essa idéia:

                            No dia 3 de maio proximo vindouro será realizado no Theatro Guarany,
                            em Curitiba, um grande concerto symphonico, promovido pela
                            <<illustração Paranaense>> e em beneficio dos artistas paranaenses que
                            estão estudando na Europa. A orchestra será composta de 60 figuras e
                            será regida pelo maestro Suriani.12


        No mês de abril de 1930 o jornal O Estado cria uma coluna chamada Diversões, um
pequeno espaço que reunia eventos culturais e artísticos, fazendo com que estes ganhassem
mais destaque na imprensa local. Com esta coluna as notícias relacionadas aos artistas e às
artes européias ficaram em evidência ainda maior. De poesia à música, o que acontecia na
Europa tinha mais destaque do que um acontecimento artístico nacional ou municipal.

10
   Textos de autoria do catarinense Horácio Nunes. A República, Florianópolis, 20 de março de 1930.
11
   O Estado, Florianópolis, 07 de fevereiro de 1930.
12
   O Estado, Florianópolis, 15 de abril de 1930.


                                                                                                      4
Notas como “[...] A morte de Magakoviski13 - A literatura russa acaba de perder um dos
seus nomes mais gloriosos. O suicídio ocorrido hontem em Moscou, de Wladimir
Magakoviski, veio cavar, nas letras da Republica dos Soviets, um claro impreenchível [...]”
14
     , eram comuns.
          As artes cênicas divulgadas pelo O Estado resumiam-se, basicamente, a revistas15
com grande repercussão ou algum histórico em sua trajetória.

                            Bloco dos XX - A nossa platéa vai ter a opportunidade de assistir no dia 3
                            de maio entrante a um esplendido espectaculo levado á scena pelo corpo
                            scenico do Bloco dos XX, da cidade de Itajahy. A peça escolhida é uma
                            bem concatenada revista em 1 prologo, 2 actos, 5 quadros e 28 numeros
                            de musica intitulada Das duas... uma, letra de A. Z. de Noronha e G.
                            Torres e musica do maestro João Graxa. A revista está caprichosamente
                            montada e ensaiada com todo o rigor, razão por que mereceu a sua
                            representação os mais calorosos applausos na cidade de Itajahy.16



1.2 MESES DE MAIO A AGOSTO DE 1930.

          A partir de maio, no jornal A República nós encontramos mais reportagens
relacionadas a teatro e variedades. A maioria dessas reportagens eram anúncios de filmes e
concertos, sendo que neste período o jornal publicou poucas apresentações de peças teatrais
inéditas em Florianópolis. Muitas vezes, eram reprises de peças que já haviam passado por
aqui, como as do Ventríloquo Vidondo.

                            Acha-se nesta Capital e deu-nos hontem o prazer da sua visita o
                            festejado ventríloquo Luis Vidondo recém chegado de Coritiba. Esse
                            artista fará sabbado a sua estréia no Theatro Álvaro de Carvalho.17




13
   O jornal O Estado publicou o nome exatamente da maneira como foi transcrito. Porém, oficialmente, a
transliteração do nome do poeta do alfabeto Cirílico Russo para o Português é equivalente, na pronúncia, a
Maiakovski.
14
   O Estado, Florianópolis, 23 de abril de 1930.
15
   O gênero Revista se caracteriza pelo “espetáculo ligeiro, misto de prosa e verso, música e dança, faz por
meios de inúmeros quadros, uma resenha, passando em Revista fatos sempre inspirados na atualidade,
utilizando jocosas caricaturas, com o objetivo de fornecer ao público uma alegre diversão” (VENEZIANO, p.
28, 1996). “Gênero híbrido de entretenimento musical que mistura canções, danças [...], às vezes sob uma
tênue ligação satírica” (VASCONCELOS, p. 168, 1987).
16
   O Estado, Florianópolis, 25 de abril de 1930.
17
   A República, Florianópolis, 23 de maio de 1930.


                                                                                                          5
        Meses depois, o Ventríloquo voltou para Florianópolis, onde realizou um festival no
TAC.
                             O aplaudido ventríloquo senhor Vidondo realiza hoje no teatro Álvaro de
                             Carvalho o seu festival em que tomarão parte os seus bonecos falantes.
                             A soreé é dedicada aos srs jornalistas Tito Carvalho, Altino Flores, Othon
                             d’eça José Boiteus, Clementino Britto, aos professores senhora Beatriz de
                             Souza Britto [...]
                             O sr Vidondo veio convidar-nos para seu festival, que promete revertir-se
                             de todo realce.18


        O que chamou nossa atenção entre algumas notícias foi que, em alguns casos,
depois do anúncio do espetáculo, dois ou três dias depois, o jornal publicava uma espécie
de “critica” referente ao espetáculo apresentado.19 Foi publicada, em 01 de julho de 1930,
uma “crítica” do espetáculo Lês Vandy onde o interlocutor falava sobre a grandiosidade do
cenário, da ótima qualidade dos atores - que também cantavam e dançavam, além do
luxuoso figurino. Engana-se, entretanto, quem acredita que os comentários eram apenas
elogios.

                             É verdade que às vezes nos aparecem certos canastrões com ares de
                             importância que quando muito me seriam tolerados em algum circo de
                             cavalinhos e nunca nos palcos do nosso teatro. Mas o conjunto dos
                             Vandy e Ungar Peerly são aqui e perante platéias mais cultas do nosso
                             país e do estrangeiro, artistas dignos de apreço e aplauso.20

        Houve também anúncios da construção de um teatro moderno em Florianópolis,
destinado à apresentações de filmes sonoros, até então uma novidade na região. Tal
empreendimento seria iniciado pelo Senhor Antonio Mattos Azeredo, que mantinha o Cine
Variedades no TAC, como já pudemos ver.


                             O sr. dr. Antonio Mattos Azeredo conhecido diretor de Empresas
                             Theatrais no vizinho estado do Paraná, pretende construir nessa capital
                             um moderno theatro. Nesse sentido, o sr dr Azeredo trocou idéias com o
                             secretário da Fazenda Arthur Costa, expondo em linhas gerais o projeto.21




18
   A Republica, Florianópolis, 16 de junho de1930.
19
   Fato recorrente nos jornais A República e O Estado, a partir de janeiro de 1931.
20
   A República, Florianópolis, 01 de julho de 1930.
21
   A República, Florianópolis, 29 de junho de 1930.


                                                                                                     6
          Observamos que a pouca divulgação, nos dois jornais, de atividades teatrais no
período aqui pesquisado, reflete a escassa produção teatral do período em Florianópolis,
seja por parte dos amadores locais ou das poucas companhias profissionais que chegavam à
cidade.
          Em O Estado, no período concomitante ao acima citado, maio a agosto de 1930, às
apresentações teatrais também não tiveram grande destaque, ficando expressa sua
característica de publicar sempre fatos internacionais com relevância maior do que os
nacionais e municipais. Optamos por não selecionar nenhum fato, ou transcrever notícias,
para que a leitura não se torne demasiado redundante.


1.3 MESES DE SETEMBRO A DEZEMBRO DE 1930.


          Nestes meses o jornal A República apresentou muitas notícias sobre a situação da
Argentina22, assim como a grandiosa parada militar comemorando a Independência do
Brasil e a posse do Presidente Getúlio Vargas.23 O Estado esteve atento também à posse de
Getúlio, publicando expressivas notícias a este respeito.
          Neste período a empresa cinematográfica A. Matos Azevedo repassava os filmes da
Metrogoldwin, Fox Film, First Nacional, Warner Bross e Programa Matarazzo para todo o
estado de Santa Catarina. A República ainda destacou esta empresa por ter mandado

22
   A Argentina era, após o fim da Guerra do Paraguai (1870-1914), uma grande potência latino-americana.
Seu PIB girava em torno de 7% ao ano; a renda per capita dos argentinos era de 3,8% - quatro vezes maior
que a renda dos brasileiros e o dobro da renda dos americanos. Era a capital mais rica da América do Sul, uma
espécie de Capital européia da América. O país tinha tudo para se tornar uma hegemonia no continente
americano, mas começou a perder, a partir de 1930, o impulso econômico, sofrendo um processo social de
fragmentação política cada vez mais profunda e radical. No mês de setembro deste ano o país sofreu o golpe
militar que derrubou o presidente Juan Hipólito Irigoyen, dando lugar ao General Jose Evaristo Uriburu.
(BEIRED: 2001; FIORI: 2006) É exatamente este período de transição que o jornal A República retratou com
bastante ênfase neste período.
23
   “Foi a vitória do candidato governista Júlio Prestes nas eleições de março de 1930, derrotando a
candidatura de Getúlio Vargas, que era apoiada pela Aliança Liberal, que deu início a uma nova rearticulação
de forças de oposição que culminou na Revolução de 1930. Os revolucionários de 30 tinham como objetivo
comum impedir a posse de Júlio Prestes e derrubar o governo de Washington Luís, mas entre eles havia
posições distintas quanto ao que isso representava e quais seriam as conseqüências futuras”.
(http://ruditap.vilabol.uol.com.br/ev/revolucaode1930.htm: 2006). Após a vitória de Júlio Prestes nas urnas,
os descontentes políticos da Aliança Liberal, liderados por Getúlio, alegaram fraudes eleitorais e lideravam
um movimento para impedir a posse de Júlio Prestes. Em 26 de julho, o candidato a vice na chapa de Vargas,
João Pessoa, foi assassinado e o crime atribuído ao momento político. Em 03 de outubro ações militares
evoluíram em diversos Estados e fizeram com que Washington Luis renunciasse um mês depois - o que
desencadeou na Revolução de 1930, pondo fim à República Velha e iniciando a Era Vargas, em 03 de
novembro. (OLIVEIRA: 2006; http://ruditap.vilabol.uol.com.br/ev/revolucaode1930.htm: 2006)


                                                                                                           7
confeccionar no Rio de Janeiro o filme A Parada da Beleza, que exibia todas as fases do
concurso de beleza mundial, destacando Yolanda Pereira, que foi Miss Rio Grade do Sul,
Miss Brasil e Miss universo.24 No mês de setembro de 1930 encontramos divulgações sobre
apresentações musicais, entre elas, um festival realizado por artistas líricos no Teatro
Álvaro de Carvalho, que contou com a apresentação da ópera O Guarani. Duos líricos
também estiveram presentes nos palcos deste teatro, além do grande violinista brasileiro
Luiz Bueno que executou trechos de óperas e músicas sertanejas na Capital. Outro festival
divulgado pelo jornal, só que esse no mês de outubro, foi o Festival Martinelli, preparado
por membros do Clube Náutico.
        A República divulgou uma única apresentação teatral no mês de setembro: Mr.
Haldar (O Hercules), O Homem da Cabeça de Ferro, realizado no início do referido mês,
no TAC. O jornal também divulgou a estréia da Troup Tic-Tac em setembro, que ocorreu
com o espetáculo Viúva das Camélias, comédia em um ato além de outro variado, apenas
em outubro. O jornal se referiu a Troup Tic-Tac como “excellente e applaudida Troupe de
comedias, sainetes e variedades” e a seus espetáculos como “rigorosamente enscenados”
(sic), “modernos, de graça discreta, que vem obtendo o maior agrado e sucesso em todos os
Theatros em que se tem apresentado”25 e “espectaculos puramente familiares, lindos e
graciosos”26 além de destacar a atriz Emma Gil entre os integrantes do elenco. A Troup Tic-
Tac trouxe ainda no seu repertório o espetáculo Amor Sem Ciúmes, sainete27 em um ato
seguido de outro variado.
        No final do mês de outubro o espaço dedicado à divulgação de filmes e peças foi
menor. Os filmes eram constantemente reprisados e observamos uma pausa nas
apresentações teatrais. Uma outra companhia apareceu em cartaz em Florianópolis somente


24
   O concurso de Miss Universo foi realizado pela primeira vez no Brasil em agosto de 1930, ainda com o
nome de Concurso Internacional de Beleza, tendo como favorita a Miss Portugal, porém vencido pela
brasileira da cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, Yolanda Pereira Souto. O evento foi realizado na varanda
do     hotel     Copacabana      Palace.     (http://www2.uol.com.br/JC/_2001/0609/br0609_5.htm:       2006;
http://www.hospedevip.com.br/hotsite_cop_palace/historia.html: 2006).
25
   A República, Florianópolis, 14 de outubro de 1930.
26
   A República, Florianópolis, 09 de outubro de 1930.
27
   Sainete “é [...] uma peça curta cômica ou burlesca em um ato [...]; serve de intermédio ao curso dos
entreatos das grandes peças. [...] aprecia a música e a dança e não tem nenhuma pretensão intelectual [...]”.
(PAVIS, p. 349, 2005). “Tipo de peça encontrada na Espanha do século XVII, consistindo numa cena cômica
curta destinada a ser representada no entreato de peças sérias longas. [...] gênero bastante próximo do
entremez, diferenciando-se pelo uso de música e pela crítica social que, embora muito superficial, mostrava-
se sempre presente” (VASCONCELOS, p. 172, 1987).


                                                                                                           8
em dezembro. Era a Companhia Popular, que começou a ser citada no jornal dias antes da
estréia, que ocorreu em 19 de dezembro de 1930 com o espetáculo Surpresas do Cinema,
peça em três atos. O jornal se referiu a esta Companhia como dona de um “repertorio
moderno”, “guarda-roupas luxuosos” e “scenarios optimos” (sic)28, sob direção artística de
Sylvio Lage. O Estado também anunciou a chegada deste espetáculo com uma grande nota:

                            Companhia Popular - Está sendo grandemente esperada a estréa da
                            Companhia Popular, de sainetes, revista e comedias, que, contratada pela
                            empresa Azeredo, dará alguns espectaculos nesta Capital, em seu
                            Theatro, á praça Getulio Vargas. A peça escolhida para noite de sua
                            estréa é o brilhante sainete em 3 actos << Surpresas do cinema>> de
                            adaptação da talentosa e intelligente estrella brasileira, senhora Ada Egas.
                            As suas scenas são montadas com fino esmero e preparadas para
                            surpresas do publico do Variedades. Os Papeis estão distribuídos aos
                            seguintes artistas: Electra Igayará, primeira actriz da Companhia, Syivlo
                            Lage conhecido actor dos palcos do Rio e S. Paulo, Iracy Benvenuto,
                            Mario Guaraldo, Luiz Benvenuto, Ada Egas e Humberto Miranda.
                            Estamos certos que a Companhia vae obter ruidoso successo em nossa
                            Capital não só por ser um conjunto esplendido de optimos artistas, como
                            tambem porque põe em seu vasto repertorio peças próprias para nosso
                            meio. Amanhã, ás 8 ½ em ponto teremos a estréa e a seguir novos
                            espectaculos.29

        A Companhia contava com um repertório diversificado que incluía sainetes,
comédias, burletas30, dramas e variedades, apresentando cada dia uma peça diferente.31
        Nota-se que no segundo semestre do ano de 1930, Florianópolis não teve seus
palcos tão disputados e ambos jornais refletiram este fato, diminuindo o espaço dedicado a
este tipo de divulgação cultural. No ano seguinte, esta situação mudou e nos impressionou
com o bombardeio de companhias teatrais que se apresentaram na ilha.


28
   A República, Florianópolis, 19 de dezembro de 1930.
29
   O Estado, Florianópolis, 18 de dezembro de 1930.
30
   “No século XIX, na França, a fim de burlar o monopólio de exibição de obras dramáticas, os teatros não
licenciados faziam intercalar em qualquer peça um mínimo de cinco canções, o que fazia dessa peça,
automaticamente, uma burleta [...] No século XX, o termo passou a designar uma pequena farsa entremeada
de números musicais” (VASCONCELOS, p. 33, 1987).
31
   Os espetáculos da Companhia que foram publicados nos dois jornais, entre os meses de outubro a
dezembro, foram: O Secretário de Sua Excelência, sainete em três atos e mais um ato variado de canções e
contos, apresentado por todo elenco. Após esta apresentação o jornal deu destaque ao ator Silvio Lage, devido
sua atuação como Pantaleão; O Primeiro Marido do Mundo, sainete em três atos e mais um variado. O jornal
informou que foram realizadas mais de quinhentas apresentações deste espetáculo no Rio de Janeiro e São
Paulo; Viagem de Núpcias ou Alegria do Lar, peça em três atos; Pae de Minha Esposa, sainete em três atos;
Caprichos do Amor e Ato de Revista; Cala a Boca Etelvina, comédia em três atos, original de Armando
Gonzaga e finalizando a temporada Foot Ball em Família, comédia em três atos.


                                                                                                           9
2 - O TEATRO EM FLORIANÓPOLIS :1931.
2.1 MESES DE JANEIRO A ABRIL DE 1931.


          Neste período, percebemos nos jornais A República, e O Estado um incentivo um
pouco maior às artes, trazendo todos os dias uma página com notas de peças e filmes em
cartaz.
          Em A República a divulgação começava semanas antes das estréias, assim como fez
em dezembro de 1930 com a peça Surpresas do Cinema, e eram são feitas de forma a
causarem expectativa no público potencial. As peças eram sempre acompanhadas de
inúmeros elogios e o jornal tentava impressionar o leitor, citando que as companhias
teatrais eram referência em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba – fato esse que também
encontramos no jornal O Estado quando se referia aos espetáculos de fora. A República não
publicava críticas negativas às apresentações, à atuação dos artistas, ao cenário ou à
iluminação; o jornal não media esforços em elogiar, parecendo ser uma estratégia de
incentivo para as pessoas comparecerem aos espetáculos. Já em O Estado encontramos um
posicionamento mais crítico e analítico em relação às notícias culturais. Enquanto em A
República vemos exaltações às revistas e sainetes que estavam por vir, em O Estado vimos,
além disso, uma crítica à falta de crítica literária em Florianópolis – “[...] meio de limitados
horizontes mentais [...]”.32


                            Passos de Bailarina – Num roteiro de apresentações de um cruzeiro que
                            atravessa a Ásia, a maitre Ana Pavlowa apanha uma de suas bailarinas
                            beijando um homem nas cochias e por esse motivo a expulsa da
                            Companhia. A Bailarina entra na Justiça para defender-se, esse homem
                            seria seu marido. Polêmica quanto a moral e pureza das bailarinas.


          O jornal A República iniciou o ano de 1931 anunciando a vinda da Companhia
Nacional Sper para Florianópolis. A estréia aconteceu seis dias depois com o espetáculo A
Fuga da Melindrosa, sainete em três atos. Esta companhia trouxe a Florianópolis um
repertório variado de revistas e sainetes, apresentados no Teatro Álvaro de Carvalho.33 O


32
  O Estado, Florianópolis, 02 de janeiro de 1931.
33
   No período pesquisado, a Companhia Sper esteve em cartaz com as seguintes atrações: O que é Nosso
revista de um ato, quatorze quadros e dez números de músicas, Farrapo Humano sainete de um ato,
Declaração por Escrito, sainete de um ato, com assunto sertanejo, Espera Aí!, revista em um ato com quinze


                                                                                                       10
elenco era formado por quatorze atores, onde durante os espetáculos o jornal destacou de
forma simpática a atuação de Margarida Sper, Alzira Rodrigues, Benito Apollo, Anadyr
Assis e Luiza Mayer. Para os números de música a orquestra era regida pelo maestro
Walter Osfeld. De um modo geral, este jornal se referiu aos espetáculos da Companhia
Sper como luxuosos, boas montagens e ótimos cenários.

                            Revista em 02 actos e lindos trechos de música de autoria do Dr. Geisa
                            de Boscoli, escriptor carioca que autorizou a Companhia SPER a
                            representação de sua revista acima, que é um apanhado de vários quadros
                            de suas optimas peças, enscenadas nos theatros do Rio de Janeiro.34


        Mantendo a postura analítica, O Estado também enalteceu a Companhia Sper com
notas na coluna Diversões: “Ontem foi apresentado ´O que é nosso` uma série de skethes35
chamadas erroneamente de revista”, “A noite foi a revista `Um sábio da China´ de
Margarida Sper e Apollo Correa. Muitos aplausos”.36 Cabe ressaltar que no jornal O Estado
os comentários críticos eram assinados por Altino Flores, que despontava como o “crítico”
do jornal. Em A República, os comentários acerca das peças apareciam como forma de
notícia ou entre ela. Notamos, outrossim, a pluralidade de impressões que O Estado
procurou causar em seus leitores, ao transitar pelas mais variadas formas de abordagem dos
acontecimentos artísticos.
        Em 13 de fevereiro, A República divulgou a apresentação do Grupo Dramático de
Itajaí, que se realizou no dia 25 de fevereiro. A Companhia era formada por amadores e
trouxe aos palcos de Florianópolis o “Vaudeville”37 Mosquitos Por Cordas, em três atos,
números variados e rápidos, que também foi divulgada no O Estado no dia 21 de fevereiro.
        Logo após esta apresentação, em 28 de fevereiro, A República iniciou a publicidade
da Grande Companhia Dramática Alemã, com estréia marcada para 11 de março, ficando



trechos de música, Mixórdia, revista em três atos e vinte e três números de música, Angú a Bahiana, revista
em dois atos, vinte e dois quadros e dezoito números de música, Curto-Circuito, revista em um prólogo e dois
atos - de dois catarinenses, O Sábio da China, revista em dois atos e números de música, A Viúva Moderna,
sainete em um ato, Foi Você, revista em um ato, Ato Variado e Marquez Por Meia Hora, sainete em um ato.
34
   A República, Florianópolis, 11 de janeiro de 1931.
35
   “Cena de caráter cômico, de curta duração, geralmente parte de um ato de variedades ou de revista musical”
(VASCONCELOS, p.178, 1987).
36
   O Estado, Florianópolis, 12 de janeiro de 1931.
37
   Vaudeville é “uma comédia de intriga, uma comédia ligeira, sem pretensão intelectual” (PAVIS, p. 427,
1999).


                                                                                                          11
quatro dias em cartaz com quatro espetáculos diferentes.38 A imprensa deu ênfase
principalmente a Fausto, por ser um clássico. As apresentações foram realizadas no Teatro
Álvaro de Carvalho. No jornal O Estado, a publicidade da Grande Companhia Dramática
Alemã começou também em 28 de fevereiro, no mesmo padrão de A República, parecendo
mais ser um anúncio pago, do que uma matéria relatando o fato de uma importante
companhia estar na cidade.
        Em 14 de março, O Estado publicou uma “crítica” do espetáculo Fausto:


                            [...] Foi uma noite em que o nosso espírito se elevou as mais altas regiões
                            da arte pura e sublime. [...] Ficamos, porém, agradavelmente
                            surpreendidos, pois os técnicos da Companhia alemã operaram milagres,
                            transformando o modesto palco do Álvaro de Carvalho em quadros
                            maravilhosos e de extraordinário realce. [...] Quanto a interpretação da
                            peça, esta foi simplesmente magistral.39


        No dia anterior, o mesmo escritor da “crítica” acima, Altino Flores, usou de nível
ligeiro de linguagem para abordar a montagem de Cala a boca, Etelvina!.40 “O mesmo
palco que a população crioula viu conspurcado pelo humorismo grosseiro, sebáceo e mal
cheiroso de Cala a boca Etelvina [...]”, “Esperamos que Florianópolis se penitencie hoje41
das barrigadas-de-riso com que atroou a platéia, na apatifada noite de Cala a boca,
Etelvina!”.42
        Durante os espetáculos da Grande Companhia Dramática Alemã, encontramos
anúncios das apresentações da Companhia Nacional Zaira Médice, com estréia marcada
para 18 de março, trazendo na bagagem um numeroso repertório, anunciado diariamente
por ambos jornais. Entre eles, destacamos A Morte Civil, quatro atos e mais um variado, A
Inimiga, obra grandiosa da literatura italiana de Dario Nicodemi, Adeus Mocidade, Alma
Forte e O Guarani, drama de José de Alencar. O jornal ainda fez questão de destacar mais


38
   Os espetáculos que a Companhia trouxe para Florianópolis para a temporada eram A Chama Consagrada,
drama de Sommerosth Maugham, Pobre Como Um Ratinho, alta comédia de Ladislaus Fodor, Fausto,
tragédia de Johann Wolfgang Von Goethe e Um Sonho Apenas, alta comédia de L. Schmidt. A República,
Florianópolis, 28 de fevereiro de 1930.
39
   O Estado, Florianópolis, 14 de março de 1931.
40
   A montagem de Cala a boca, Etelvina! foi realizada em 1931 pelo grupo teatral amador da União Operária,
sob Direção de Roberto Rilla. (COLLAÇO: 2004)
41
   O autor faz referência ao espetáculo Fausto, da Companhia Dramática Alemã, em cartaz neste dia na
cidade.
42
   O Estado, Florianópolis, 13 de março de 1931.


                                                                                                       12
de uma vez que após as apresentações desta companhia seriam disponibilizadas mais linhas
de ônibus Circular e Agronômica, para facilitar a volta para casa de quem fosse assistir às
peças.
         Fatos como este nos mostram o quanto o jornal A Republica parecia valorizar o
acesso à cultura, colocando ainda que o público estava correspondendo ao esforço da
empresa Moura e Macuco, responsável pelo patrocínio dos espetáculos na época, lotando-
os.
         Surgiram ainda, nos dois jornais, notas sobre os eventos promovidos pelo Centro
Popular, como Matinês para as crianças, onde eram apresentados dramas como A
Natividade de Jesus, Quem Conta Um Conto, em um ato, além dos filmes O Bandeirante
da Água Doce, Carlito na Fazenda e números de músicas como Eu Gosto de Você, cantada
pelo menino Sálvio Oliveira.
         Finalizando o período pesquisado, foi destaque mais uma vez o Ventríloquo
Vidondo com seus bonecos falantes, que nos pareceram fazer muito sucesso, pois foi o
artista mais evidente nas páginas dos dois jornais. O início do ano de 1931 foi laureado com
um grande número de apresentações teatrais, com variedade de espetáculos apresentados e
locais de origens. Esse pequeno período de quatro meses foi culturalmente mais
movimentado, pelo que pudemos perceber pelos jornais, do que todo o ano de 1930.


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS


         Não podemos negar que pesquisar a história do teatro em Florianópolis nos jornais
A República e O Estado foi enriquecedor para o nosso conhecimento e também muito
divertido. O primeiro impacto de ver uma diagramação completamente diferente da qual
estamos acostumados, com um linguajar diferente - podemos dizer até mesmo um idioma
diferente, pois o português escrito nos jornais, como se pode ler, em algumas citações
acima, ainda conservava muitas características do português europeu - chegou a ser
engraçado e por este motivo nos divertimos bastante. Os elogios aos espetáculos, à
abordagem de alguns fatos, chegavam muitas vezes nos parecer informal, as propagandas, a
previsão do tempo... Tudo foi uma grande descoberta e, paradoxalmente, novo.




                                                                                         13
        Sabemos também da responsabilidade ao escrever um texto sobre este assunto, dada
a escassez de publicações sobre teatro em Florianópolis. Reunimos esforços no material
que tivemos em mãos e fizemos o melhor que pudemos, dada a carga de disciplinas que
temos que dar conta em um semestre, sobretudo no final dele. O resultado - esperamos -
seja de agrado dos leitores e que impulsione novas pesquisas a este respeito.
        Queremos registrar agradecimentos especiais às Professoras: Dra. Tereza Franzoni,
do Departamento de Ciências Humanas do CEART - UDESC, que nos orientou a andar na
linha das normas da ABNT e Professora Ms. Marilange Nonnenmacher, doutoranda em
História Cultural, que acompanhou o processo desde as primeiras pesquisas nos jornais até
a versão final escrita deste documento, emprestando seus conhecimentos e a sua paciência
para nos ouvir falar, em seu horário de trabalho, sobre todas as nossas descobertas.
               Certamente, a finalização deste artigo fechou um importante ciclo para nós,
acadêmicos, ao passo que apenas iniciou a nossa caminhada rumo à novas pesquisas, novos
textos, novos assuntos a serem pesquisados, novas diversões, muito trabalho e criatividade.
Com este trabalho temos o desejo de estimular os acadêmicos do Centro de Artes na
pesquisa histórica, sobre o teatro catarinense, pois nos livros sobre história do teatro
encontramos, para não dizer nenhum, pouquíssimos registros de vida teatral na cidade.
Acreditamos na necessidade de mostrar que o teatro circulava pela região e que havia um
circuito cultural, que parece ser ignorado nas grandes publicações sobre a história do teatro
brasileiro.



1 - BIBLIOGRAFIA

1.1 LIVROS

PAVIS, Patrice. Dicionário de teatro. São Paulo: Perspectiva, 1999.
SCHMITZ, Paulo Clóvis. Pequena História do Teatro Álvaro de Carvalho. 2ª ed.
Florianópolis: Editora Insular, 2005.
VASCONCELLOS, Luiz Paulo. Dicionário de teatro. 3ª ed. Porto Alegre; São Paulo:
L&PM, 1987.
VENEZIANO, Neyde. Nao adianta chorar: teatro de revista brasileiro... Oba!. Campinas,
São Paulo: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1996.
VENEZIANO, Neyde. O teatro de revista no Brasil: dramaturgia e convenções.
Campinas, São Paulo: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1991.

1.2 TESES


                                                                                          14
COLLAÇO, Vera. O teatro da União Operária - Um palco em sintonia com a
modernização brasileira. Florianópolis, 2004. Tese de Doutorado em História Cultural,
UFSC, 2004.

1.3 ARTIGOS

BEIRED, José Luis Bendicho. “A grande Argentina”: um sonho nacionalista para a
construção de uma potência na América Latina. In:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882001000300003,
acesso em 26 de junho de 2006. [2001].
FIORI, José Luís. A Doença Argentina e As Galinhas Brasileiras. In:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/news_item.2006-06-21.9997709415,
acesso em 27 de junho de 2006. [2006].
OLIVEIRA, Lúcia Lippi de. Revolção de 1930. In:
http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/6365_1.asp, acesso em 26 de junho de 2006.

1.4 SITES

http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/anos20/ev_rev30_001.htm, acesso em 29 de
junho de 2006.
http://www.hospedevip.com.br/hotsite_cop_palace/historia.html, acesso em 27 de junho de
2006.
http://www2.uol.com.br/JC/_2001/0609/br0609_5.htm, acesso em 27 de junho de 2006.
http://ruditap.vilabol.uol.com.br/ev/revolucaode1930.htm, acesso em 26 de junho de 2006.
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/anos30-37/ev_ministerio_trabalho.htm, acesso
em 29 de junho de 2006.
www.suapesquisa.com/republica, acesso em 25 de junho de 2006.

1.5 JORNAIS

O ESTADO. Florianópolis: 1930, janeiro a dezembro. Publicação diária.
A REPÚBLICA. Florianópolis: 1930, janeiro a dezembro. Publicação diária.
O ESTADO. Florianópolis: 1931, janeiro a abril. Publicação diária.
A REPÚBLICA. Florianópolis: 1931, janeiro a abril. Publicação diária.




                                                                                        15

								
To top