Your Federal Quarterly Tax Payments are due April 15th Get Help Now >>

Modernismo by keara

VIEWS: 2,111 PAGES: 11

									                                    Modernismo
1- Antecedentes

1912- Oswald de Andrade viaja para Europa e trava contato com o Futurismo de Marinette,
divulgando depois no Brasil aquele movimento inovador.
1913- Lasar Segall efetua, em São Paulo sua primeira exposição de pintura.
1914- Primeira exposição de Anita Malfatti.
1915- Ronald de Carvalho participa da fundação da Revista “Orfeu” início do Modernismo
português.
1917- São publicadas várias obras com tímidas tentativas de renovação: Há uma gota de
sangue em cada Poema- Mário de Andrade/ Juca Mulato - Menotti del Picchia/ Moises–
Menotti del Picchia/ A cinza das Horas – Manuel Bandeira/ Nós – Guilherme de Almeida
1917- Anita Malfatti faz em São Paulo, outra exposição de pintura, recebendo violenta critica
de Monteiro Lobato”Paranóia ou Mistificação?”, artigo publicado no Jornal “O estado de São
Paulo”
1920 – Victor Brecheret, elogiado escultor do “Monumento às Bandeiras” -Ibirapuera –
junta-se ao grupo de intelectuais jovens de São Paulo.

2- A Semana de Arte Moderna
Influências: Futurismo/ Dadaísmo/ Surrealismo e Cubismo
Idealizador: Di Cavalcante
Principal Patrocinador: Paulo Prado
Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922
 Programação: 13 de fevereiro – festival de pintura de escultura
               15 de fevereiro – festival de literatura e poesia
               17 de fevereiro – festival de música
Em cada sessão houve palestras, declamações e musicais, além da exposição de artes
plásticas.
Graça Aranha( o único da velha geração entre os moços e pertencente à Academia Brasileiras
de Letras) abre a primeira noite com a conferência “A emoção estética na arte moderna”
 A segunda noite ( a mais importante) contou co a palestra de Menotti del Picchia e
apresentação de prosa e poesia moderna em meio a ruidoso comportamento do público,
escandalizado sobretudo quando Ronald de Carvalho declamou “Os Sapos”, poema de
Manuel Bandeira ridicularizando o Parnasianismo.

3- Participantes da Semana

Na literatura: Graça Aranha/ Oswald de Andrade/Mário de Andrade/ Menotti del Picchia/
Ronald de Carvalho/ Guilherme de Almeida/ Plínio Salgado/ Sérgio Milliet/ Renato Almeida/
Agenor Barbosa e outros
Nas Artes Plástica: Di Cavalcanti/ Anita Malfatti/ Tarsila do Amaral/ Victor Brecheret/ John
Graz e outros
Na Música: Heitor Villa-Lobos/ Guiomar Novais/ Ernani Braga e outros

4- Consequências da Semana de Arte Moderna

Grupos que surgiram com orientações diversas, numa ânsia de novidade e renovação
Pau-Brasil – 1924 – Oswald de Andrade/ Tarsila do Amaral e Paulo Prado
Verdamarelismo – 1924 – Menotti de Picchia/ Cassiano Ricardo/ Plínio Salgado e outros
Regionalismo – 1926 – Gilberto Freire e outros(Recife)
Anta – 1926 – Cassiano Ricardo e outros
Antropofagia – 1928 – Oswald de Andrade/ Tarsila do Amaral/Raul Bopp/ Alcântara
Machado e outros
Revistas
- Klaxon – (SP) - a principal com nove números de 1922 a1923
- Estética – (RJ) – lançada por Prudente de Morais (neto), e Sérgio Buarque de Holanda, com
três números de 1924 a 1925
- Festa – (RJ) – hesitante entre as novas liberdades formais e a tradição simbolista, com Tarso
da Silveira e, depois, também Cecília Meirelles e Murilo Mendes, constituindo o grupo
espiritualista.
- Terra Roxa e outras Terras – (SP)
- Revista da Antropofagia – (SP)
- Movimento - (RJ) - o grupo dinamista de Graça Aranha
- Revista – (BH) – Carlos Drummond de Andrade e outros (1925)
- Verde – Cataguazes - (MG)
- Madrugada – (RS)
- Arco e Fecha – (BA)
As fases do Modernismo
1ª fase – 1922 a 1930 – conhecida como fase de destruição
Características
- luta contra o tradicionalismo
- total liberdade de forma
- nacionalismo
- valorização poética do cotidiano
- espírito polêmico e destruidor
- busca de originalidade
- xenofobia
- irreverência iconoclasta
- temas mais próximos da nossa realidade
- verso livre
- pesquisa folclórica
- poema-piada
- conscientização dos problemas brasileiros
- primado da poesia sobre a prosa

Principais autores
Mário de Andrade / Oswald de Andrade / Manuel Bandeira / Raul Bopp / Menotti del Picchia
/ Guilherme de Almeida / Cassiano Ricardo / Alcântara Machado

Principais obras
- Paulicéia Desvairada – Mário de Andrade
- Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
- A escrava que não era Isaura – Teoria poética do Modernismo – Mário de Andrade
- Macunaíma – Mário de Andrade
- Martim Cererê – Cassiano Ricardo
- Cobra Norato – Raul Bopp
- Brás, Bexiga e Barra Funda – Alcântara Machado
2ª fase – 1930 a 1945 – conhecida como fase de construção

Características
- desenvolvimento do romance
- ficção regionalista (sobretudo a nordestina)
- visão crítica das relações sociais
- desenvolve-se a análise psicológica
- amplia-se a temática da poesia, com preocupação também religiosa e filosófica
- ao lado do verso livre, reaparece o verso tradicional, assim como o soneto e outras formas fixas
Principais autores e obras

Na prosa:

Graciliano Ramos (1892/1953)
Romances: Caetés(1933) / São Bernardo(1934) / Angústia(1936) / Vidas Secas(1938) /
escreveu ainda parte do romance Brandão entre o mar e o amor, em parceira com Rachel de
Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Anibal Machado
Conto: Insônia(1947)
Memórias: Infância(1945) / Memórias do cárcere(1953) / Viagem(1954) / Linhas
Tortas(1962)
Crônicas: Viventes das Alagoas(1962) /
Literatura infanto-juvenil: A terra dos meninos pelados(1937) / Histórias de Alexandre(1944)
/ Histórias incompletas (1946)

José Lins do Rego (1901/1957)
O próprio autor classificou seus romances em três ciclos:

a- ciclo da cana-de-açucar – Menino do engenho(1932) / Doidinho(1933) / Bangüê(1934) /
Usina(1936) / Fogo Morto(1943)
b- ciclo do cangaço – misticismo e seca: Pedra Branca(1938) / Cangaceiros(1953)
c- obras independentes: O moleque Ricardo(1934) / Riacho doce(1939) / Água mãe(1941) e
Eurídice((1947) – os únicos romances que não têm o nordeste no cenário.

Érico Veríssimo(1905/1975)

Romance urbano – Clarissa / Olhai os lírios do campo / O resto é silêncio / Caminhos
cruzados

Romance histórico – nessa categoria está a obra-prima de Érico Veríssimo: a trilogia O
tempo e o Vento, que saiu entre os anos de 1949 e 1961, em três romances: I- O
continente(1949) / II- O retrato(1951) / III- O arquipélago(1961) – formação social,
econômica e política do Rio Grande do Sul, no período compreendido entre 1745 e 1945.
Fatos importantes da nossa história aparecem no romance tais como: a Coluna Prestes, a
Revolução de 32,o Levante comunista de 1935... Tudo isso como eixo narrativo a disputa pelo
poder entre as famílias Amaral e Terra Cambará. Dessa trilogia, destacam-se como
personagens Ana Terra e Rodrigo Cambará. È uma obra épica, a saga do Rio Grande do Sul.

Romance político – São obras que se atêm à política nacional – Incidente em Antares (1971)
– ou internacional - /O senhor embaixador(1965), que trata de uma revolução numa república
fictícia da América Central. / O prisioneiro(1967) tem como cenário o Sudeste asiático
Jorge Amado(1912/)

Romance da Bahia (denominação do próprio escritor) – tendo Salvador com cenário – O país
do Carnaval/ Suor/ Capitães da areia
Romances ligados ao ciclo do cacau – agora o cenário e outro: as fazendas de cacau do Sul
da Bahia, conflitos sociais decorrentes da oposição entre trabalhador rural e o exportador de
cacau – Cacau / São Jorge dos Ilhéus / Terras do sem-fim
Crônicas de costumes – Mar morto / Gabriela cravo e canela / A morte e a morte de Quincas
Berro d’Água / Teresa Batista cansada de guerra / Tieta do agreste / Dona Flor e seus dois
maridos

Rachel de Queiroz (1910/)
Nasceu em 17 de novembro de 1910. Estreou em livro no ano de 1930 publicando o romance
O Quinze, militou no partido comunista brasileiro, em 1937, foi presa por suas ideias
esquerdistas. De 1940 em diante dedicou-se à crônica jornalística e teatro.Em 1977 tornou-se
a primeira mulher a pertencer à Academia de artes.
Sua obra é marcada pelo caráter fortemente regionalista dos romances modernistas: o Ceará,
sua gente, sua terra, as secas são notas constantes em seus romances. Escritos numa
linguagem fluente e de diálogos fáceis, que resulta em uma narrativa dinâmica. Suas
principais obras são: O quinze / João Miguel/ Caminhos de Pedra/ As três Maria.

José Américo de Almeida
A obra que inaugurou a tendência regionalista foi A bagaceira publicada em 1928

Na poesia

Carlos Drummond de Andrade(1902-1987)/ Vinícius de Moraes(1913-1980)/ Jorge de
Lima(1895-1953)/ Cecília Meirelles(1904-1964)/ Murilo Mendes(1901-1975)/ Augusto
Frederico Schmidt e outros da primeira fase.
              Nova Poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada,
E na primeira esquina passa um caminhão,
Salpica-lhe o paletó de uma nódoa de lama:
É a vida
O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero. (...)

1- Assunto: Modernismo - reconhecer em textos literários as características do Modernismo
Todas as características modernistas citadas foram corretamente exemplificadas, EXCETO:
    a) Valorização da cultura popular, do regional, do folclórico.

              Quando ontem adormeci
              Na noite de São João
              Havia alegria e rumor
              Estrondos de bombas luzes de Bengala
              Vozes cantigas e risos
              Ao pé da fogueira acesas.
              (Manuel Bandeira)
   b) Ausência de limites entre o poético e o não-poético, irreverência, humor.

                Não, meu coração não é maior que o mundo.
                É muito menor.
                Nele não cabem nem as minhas dores.
                Por isso gosto tanto de me contar.
                Por isso me dispo,
                por isso me grito,
                por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
                preciso de todos.
                (Carlos Drummond de Andrade)

   c) Coloquialismo lingüístico, interesse pelo homem comum.

O capoeira

             - Qué apanhá sordado?
             - O quê?
             - Qué apanhá?
             Pernas e cabeças na calçada.
              (Oswald de Andrade)

   d) Exploração do espaço em branco

                Abaixo a carestia
                Chega de comer angu
                stia e solidão.
                (Marcelo Dolabela)

2- Assunto: Correntes modernistas de 1ª. Fase. - conceituar a tendência modernista intitulada
Antropofagia)


O trecho abaixo pertence a William Roberto Cereja / Thereza Cochar Magalhães e foi adaptado para
esta prova.

Assim como os índios primitivos devoravam seu inimigo, acreditando que assim assimilavam suas
qualidades, os artistas propõem a “devoração simbólica” da cultura estrangeira, aproveitando dela
suas inovações artísticas, porém sem perder nossa identidade cultural. Trata-se de um
aprofundamento da idéia da “digestão cultural”, proposta pelo movimento denominado
____________________________.

Complete CORRETAMENTE a lacuna acima.

a) Verde-Amarelismo
b) Desvairismo
c) Antropofagia
d) Universalismo
e) Tropicalismo

3- Assunto: Modernismo - identificar em texto literário características modernistas
A questão abaixo se refere ao texto Poema tirado de uma notícia de jornal, de Manuel Bandeira.
       João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barraco sem
número

                Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
                Bebeu
                Cantou
                Dançou
                Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
É INCORRETO afirmar que no texto existe:
a) rompimento com a sintaxe tradicional.
b) narração de seqüência de acontecimentos.
c) emprego de versos livres e brancos.
d) ataque à postura estática parnasiana.

4- Assunto: Modernismo / Movimentos de Vanguarda Européia - Reconhecer característica de
movimentos de vanguarda européia

A estrofe abaixo pertence ao poema “Canto de regresso à pátria”, do modernista Oswald de Andrade.

                                Não permita Deus que eu morra
                                Sem que eu volte pra São Paulo
                                Sem que veja a Rua 15
                                E o progresso de São Paulo.

A respeito do que foi exposto, é INCORRETO afirmar que o texto
    a) sugere uma ideologia futurista, no último verso.
    b) há identificação explícita de qual é a terra de origem do eu-lírico.
    c) a voz poética suplica a Deus a possibilidade de retornar à terra natal.
    d) os versos de Oswald parodiam “Não permita Deus que eu morra
                                                 Sem que eu volte para lá
                                                 Sem que desfrute os primores
                                                 Que não encontro por cá.”

5- Assunto: Metalinguagem reconhecer função da metalinguagem em textos

(FUVEST – SP)

Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra.
Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as idéias que deixarem, mais
ainda um par de lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro.
Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor,
por uma lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trebelhos(1).

(1) trebelhos: peças do jogo de xadrez.

A intervenção direta do narrador no texto cumpre a função de:

a) despertar a atenção do leitor para a estrutura da obra, convidando-o a participar da organização
   da narrativa.
b) sintetizar a seqüência dos episódios, para explicar a trama da narração.
c) distanciar o leitor da articulação da história, evitando identificação emocional com as
   personagens.
d) levar o leitor a refletir sobre as narrativas tradicionais, cuja seqüência lógico-temporal é complexa.

6- Assunto: Características do discurso literário - conceituar Literatura

Considere as seguintes afirmações:
I – Como fazem parte da cultura, as obras literárias, de certa forma, carregam em si o imaginário
social, com suas crenças, valores, visões de mundo.
II – A literatura, por classificar-se como arte, é mais valorizada quanto maior for a semelhança com o
mundo retratado e quanto mais neutra for a linguagem utilizada para retratá-la.
III – Por não terem compromisso com a verdade documental, os textos são especialmente abertos a
diferentes possibilidades de leitura.
IV – No discurso literário, a linguagem funciona de forma semelhante às linhas e cores na pintura ou
aos sons na música.
V – O tema é importante critério de distinção entre o texto literário e o não-literário, uma vez que há
conteúdos excluídos da literatura e outros que são avessos a seu domínio.
Estão CORRETAS as afirmativas:

a) I, II, IV                            c) III, IV.                        e) II, V
b) I, III, IV.                          d) I, II, III, IV, V


7- Assunto: Contexto sócio-cultural do Modernismo europeu - enumerar as características sócio-
culturais do início do século XX

Considere as seguintes afirmativas:
I – As inovações tecnológicas encantam e, ao mesmo tempo, amedrontam o homem do século XX.
II – Uma nova concepção de arte e do fazer literário era inevitável em um mundo de reformas sociais
                      a
e sob o impacto da 1 . Guerra Mundial.
III – As idéias psicanalíticas de Freud, a física de Einstein, a filosofia socialista de Marx e Engels,
confirmam a teoria de que a humanidade deveria caminhar rumo ao racional, objetivo, lógico.

As alternativas que contêm afirmativas historicamente CORRETAS são:

a) I, II     b) II, III     c) I, III        d) I, IV          e) II, IV

Leia atentamente o fragmento do conto Preciosidade, de Clarice Lispector, antes de responder
às questões 08, 09, 10, 11 e 74

                                 PRECIOSIDADE

                 De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso,
desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos.
                 Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase
majestosa em que se movia dentro de uma meditação.
                 Acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um
bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora.
                 Quando de madrugada se levantava – passado o instante de vastidão em que se
desenrolava toda – vestia-se correndo, mentia para si mesma que não havia tempo de tomar banho e
a família adormecida jamais adivinhara quão poucos ela tomava.
                 Tinha que atravessar a longa rua deserta até alcançar a avenida, do fim da qual um
ônibus emergiria cambaleando dentro da névoa, com as luzes da noite ainda acesas no farol. (...)
Então subia, séria como uma missionária por causa dos operários no ônibus que “poderiam lhe dizer
alguma coisa”. Aqueles homens que não eram mais rapazes. Mas também de rapazes tinha medo,
medo também dos meninos. Medo que lhe “dissessem alguma coisa”, que a olhassem muito. (...) Se
a olhavam ficava rígida e dolorosa. O que a poupava é que os homens não a viam.(...)
                 Depois, com andar de soldado, atravessava – incólume – o Largo da Lapa, onde era
dia. A essa altura a batalha estava quase ganha. Escolhia no bonde um banco, se possível vazio, ou,
se tivesse sorte, sentava-se ao lado de alguma asseguradora mulher com uma trouxa de roupa no
colo, por exemplo – e era a primeira trégua.(...)
                 Era uma manhã mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca
nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de
algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam
nas portas fechadas. Caminhava sozinha... Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela
incredulidade, no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo.
Saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou.
                 “Eles vão olhar para mim, eu sei, não há mais ninguém para eles olharem e eles vão
me olhar muito!” Como recuar e depois nunca mais esquecer a vergonha de ter esperado em miséria
atrás de uma porta? Rígida, catequista, sem alterar por um segundo a lentidão com que avançava,
ela avançava. “Eles vão olhar para mim, eu sei!”
                 O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o
que queriam, quatro mãos erradas de quem não tem vocação, quatro mãos que a tocaram tão
inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos:
ficou paralisada.Foi menos de uma fração de segundo na rua tranqüila. Numa fração de segundos a
tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva
se tornou, e mais sete anos de atraso.
               Devagar reuniu os livros espalhados pelo chão. Mais adiante estava o caderno
aberto.Quando se abaixou para recolhê-lo, viu a letra redonda e graúda que até esta manhã fora sua.
Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa.
Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo...

8- Assunto: Prosa de ficção modernista - interpretar texto em prosa -
Indique na relação abaixo a palavra ou a expressão que NÃO confirma que a protagonista tenta adiar
o momento de se transformar em mulher.
a) Então subia, séria como uma missionária, por causa dos operários...
b) Mas também de rapazes tinha medo, medo também dos meninos...
c) Depois, com andar de soldado, atravessava – incólume – o Largo da Lapa...
d) Saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir.
e) Eles vão olhar para mim, eu sei, não há mais ninguém para eles olharem...

9- Assunto: Elementos da narrativa - reconhecer no texto elementos da narrativa
Os elementos da narrativa, presentes no trecho lido, foram corretamente identificados, EXCETO:
a) os seis primeiros parágrafos apresentam a jovem protagonista, a rotina dela, o temor dela pela
    vida adulta.
b) A cena do encontro da garota com os dois rapazes acontece muito rápido no plano da realidade,
    mas o tempo cronológico é diferente do das sensações experimentadas por ela naquele
    momento.
c) O narrador do texto é também personagem, ou seja, o foco narrativo é de primeira pessoa, por
    isso é possível saber o que vai no íntimo da adolescente.
d) O narrador explora repetidas vezes o cenário a céu aberto, fora de quatro paredes, como a
    querer dizer que a estudante precisava enfrentar o mundo desconhecido.

10- Assunto: Conceito de Rito de Passagem - aplicar conceito de rito de passagem
 A personagem principal vive o rito de passagem da fase infantil para adolescência ou vida adulta e é
corajosa ao perceber que era necessário encará-lo corajosamente.
Marque a alternativa que demonstra a mocinha tem energia moral para enfrentar aquele momento
inevitável.
a) Foi andando para o imprevisível da rua.
b) Não há mais ninguém para eles olharem e eles vão me olhar muito!
c) Como recuar e depois nunca mais esquecer a vergonha de ter ficado atrás da porta?
d) Com os olhos franzidos pela incredulidade, no fim longínquo da rua, viu dois homens.

11- Assunto: Conceitos de Epifania - aplicar conceito de epifania
Assinale a opção que contém frase indicadora da transformação da jovem.
a) Foi menos de uma fração de segundo na rua tranqüila.
b) Devagar reuniu os livros espalhados pelo chão.
c) Mais adiante estava o caderno aberto.
d) Viu a letra redonda e graúda que até esta manhã fora sua.
e) Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo.

12- Assunto: Interpretação de texto - interpretar texto poético modernista
Leia, atentamente, o texto abaixo. Em seguida, responda às questões correspondentes a ele.

                               CARTA DE PERO VAZ

               A terra é mui graciosa,                               Tem macaco até demais.
               Tão fértil eu nunca vi.                               Diamantes tem à vontade,
               A gente vai passear,                                  Esmeraldas é para os trouxas.
               No chão espeta um caniço,                             Reforçai, Senhor, a arca.
               No dia seguinte nasce                                 Cruzados não faltarão.
               Bengala de castão de oiro.                            Vossa perna encanareis,
               Tem goiabas, melancias.                               Salvo o devido respeito.
               Banana que nem chuchu.                                Ficarei muito saudoso
               Quanto aos bichos, tem-nos muitos.                    Se for embora d’aqui.
               De plumagens mui vistosas.
                                            - Murilo Mendes -
A respeito do texto acima, é INCORRETA a afirmativa:

a) o eu - lírico do poema é o português, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral.
b) a linguagem é coloquial: a gente, Esmeraldas é para os trouxas.
c) o humor é possibilidade de revisão do descobrimento do Brasil.
d) a paráfrase feita é o resgate histórico da certidão de nascimento do país.

13- Assunto: Grupos modernistas/fases - analisar intenções do artista em poema lido

                                    “ Ode Triunfal”

     Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos.
     De vos ouvir demasiadamente de perto.
     E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
     De expressões de todas as minhas sensações,
     Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas.
                          ( ... )
     Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
     Ser completo como uma máquina!
     Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
                                                                    - Fernando Pessoa -

     NÃO se percebe no poema:
a)   referência aos avanços tecnológicos.
b)   respeito ao comportamento conservador.
c)   ânsia de acompanhamento ao mundo novo.
d)   exaltação ao progresso veloz da sociedade.

14- Assunto: Grupos modernistas/fases - classificar em texto lido movimento de vanguarda européia
O trecho do poema lido, de autoria do português Fernando Pessoa, possui características do
movimento de vanguarda européia denominado:
a) Surrealismo
b) Dadaísmo
c) Futurismo
d) Expressionismo


15- Assunto: Grupos modernistas/fases - classificar vocábulos e expressões em um mesmo campo
semântico

Em todas as alternativas, foram apresentadas expressões que indicam que o texto de Fernando
Pessoa possui traços futuristas, EXCETO:
a) ruídos modernos
b) arde-me a cabeça
c) excessos contemporâneos
d) automóvel último-modelo

Leia os dois textos abaixo. O primeiro é de um autor romântico; o segundo, de um poeta
modernista. Em seguida, responda às questões 16 e 17.

I – Mulher, irmã, escuta-me: não ames.
   Quando a teus pés um homem terno e curvo
   Jurar amor, chorar pranto de sangue,
   Não creias não, mulher: ele te engana!
   As lágrimas são galas de mentira
   E o juramento manto da perfídia.       (Joaquim Manuel de Macedo)
II – Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
   E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
   Se ele chorar
   Se ele se ajoelhar todo
   Não acredita não Teresa
   É lágrima de cinema
   É tapeação
    Mentira
   Cai fora                                   (Manuel Bandeira)

comparar textos de diferentes momentos literários

16- Assunto: Interpretação de texto - comparar textos de diferentes momentos literários
Assinale a afirmativa INCORRETA.
a) O texto II mantém diálogo intertextual com o texto I.
b) Manuel Bandeira atualiza a linguagem do poema do século XIX.
c) O eu - lírico de ambos os textos assume papel de protetor da mulher.
d) O escritor modernista rompe com a mensagem principal de Macedo.

17- Assunto: Interpretação de texto - associar textos de diferentes estilos de época

As expressões destacadas do texto I correspondem ao sentido das enumeradas, EXCETO em:

a) Mulher = Teresa.                                   c) Chorar pranto de sangue = É lágrima de
b) Não ames = Cai fora.                                  cinema.
                                                      d) Ele te engana = É tapeação.

18- Assunto: Semana de Arte Moderna - reconhecer antecedentes da Semana de Arte Moderna
 São acontecimentos anteriores à Semana de Arte Moderna o(a):
a) Primeira Guerra Mundial.                        c) leitura do poema “Os sapos”.
b) Revolução Russa.                                d) exposição de Anita Malfatti.

19- Assunto: Semana de Arte Moderna - analisar os ideais modernistas da SAM

Todas as citações abaixo traduzem os ideais modernistas que nortearam o comportamento dos
artistas em 1922, EXCETO:
a) ...foi uma ruptura, foi um abandono de princípios e de técnicas conseqüentes, foi uma revolta
     contra o que era a inteligência nacional...
b) Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em
     conseqüência disso fazem arte pura...
c) E vivemos uns oito anos, até perto de 1930, na maior orgia intelectual que a história artística do
     país registra.
d) Ver com olhos livres pressupõe uma abertura para assumir tudo o que somos, como se fôssemos
     uma criança que estivesse vendo o país pela primeira vez.

As questões 20a 21 se referem ao poema abaixo.

                       SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto              E assim, quando mais tarde me procure
Que mesmo em face do maior encanto                    Quem sabe a morte, fim de quem vive
Dele se encante mais meu pensamento.                  Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Quero vê-lo em cada vão momento                      Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
E em seu louvor hei de espalhar meu canto            Que não seja imortal posto que é chama
E rir meu riso e derramar meu pranto                 Mas que seja infinito enquanto dure.
Ao seu pesar ou seu contentamento.
                                         (Vinícius de Morais)
20- Assunto: Modernismo brasileiro: poesia e prosa - interpretar soneto modernista

Na composição lida, o eu - lírico é:

a)   preocupado com a possibilidade de o amor não ser correspondido.
b)   cuidadoso com a pessoa amada, com quem ele se envolve.
c)   consciente de que o amor é efêmero, desaparece por dois motivos.
d)   angustiado diante da certeza de que pode ser relegado a segundo plano.
e)   desanimado por saber que o amor só é importante para os românticos.


21- Assunto: Modernismo brasileiro: poesia e prosa. - reconhecer intenções do eu - lírico em parte
do texto lido

O último terceto do poema sugere que o eu - lírico pretende amar

a)   embora o sentimento não seja correspondido.
b)   mesmo sabendo que será esquecido.
c)   apesar de a mulher amada demonstrar-lhe indiferença.
d)   ainda que o sentimento amoroso seja contraditório.

								
To top