JESUS CRISTO, O HOMEM NOVO

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JESUS CRISTO, O HOMEM NOVO Powered By Docstoc
					             JESUS CRISTO, O HOMEM NOVO
      Algumas questões sobre a existência cristã em S. Paulo
Introdução
. O que tem Paulo ainda a dizer às nossas actuais inquietações existenciais:
Como conciliar liberdade pessoal e vida comunitária? Liberdade e norma/lei?
Diferença e projecto comunitário? Que significado tem o nosso ser corpo, a
nossa condição sexual e afectiva? Método: uma leitura existencial dos textos.
. Uma leitura antropológica fundada em Jesus Cristo: «Na realidade, o mistério
do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente.
Adão, o primeiro homem, era efectivamente figura do futuro (cf. Rm 5,14), isto
é, de Cristo Senhor. Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai
e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação
sublime» (GS 22).


1. O encontro pessoal com Cristo:
   A experiência de ser homem novo


    .Act 9,1-9: «Embora estivesse de olhos abertos não via nada»; «entra na
cidade e te dirão o que deves fazer»;
    .«Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta» (2 Cor
12,9);
   .«Quando, porém, Aquele que me separou desde o seio materno e me
chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu Filho, para que eu o
evangelizasse entre os gentios…» (Gl 1,15-16);
    .«Se alguém está em Cristo é uma nova criatura» (2 Cor 5,16); «Para mim
viver é Cristo» (Fl 1,21)


2. Cristo, o Homem Novo - Do velho ao novo Adão


     .Cristo é o Adão escatológico, o homem plenamente realizado na obediência
filial a Deus: 1 Cor 15-49; 1 Cor 15,21-22; Rm 5,12-17;
    .«Ele é a imagem do Deus invisível» (Col 1,15): Somos criados à imagem do
Filho para nos realizarmos como filhos no Filho encarnado;
    .Chamado a reproduzir a imagem do Filho (Rm 8,29); «Vós vos desvestistes
do homem velho com as suas práticas e vos revestistes do homem novo, que se
vai renovando para o conhecimento segundo a imagem do seu Criador» (Col
3,16);
  .Da vida «em Adão», à «vida em Cristo»: crescimento e tensão existenciais; a
ambiguidade da vida; a abertura escatológica ao futuro: só Cristo nos completa.


3. Libertos para a liberdade
    .A aventura (conversão) existencial de Paulo: do legalismo judaico para a
liberdade dos filhos de Deus: «É para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gal
5,1);
   .A justificação pela fé, a radical experiência da liberdade; a libertação do
jugo da lei e das obras: «Vós fostes chamados à liberdade irmãos. Entretanto,
que a liberdade não sirva de pretexto para a carne, mas, pela caridade, colocai-
vos ao serviço uns dos outros» (Gal 5,13-15);
    .«Todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus – e são
justificados gratuitamente por sua graça, em virtude da redenção realizada em
Cristo» (Rm 3,23-24);
    .«Portanto, não existe mais condenação para aqueles que estão em Cristo
Jesus. A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da
morte» (Rm 8,1-2).


4. A vida nova em Cristo:

   Uma comunidade integrativa das diferenças
    .O desafio de integrar as diferenças na vida eclesial; superar formas de
discriminação, de exclusão. Profecia da comunidade cristã e inevitáveis
tensões… «Todos vós, que fostes baptizados em Cristo, vos revestistes de
Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem
mulher; pois todos vós sois um só em Cristo» (Gal 3,27-28);
   .«Com efeito, o corpo é um só e, não obstante, tem muitos membros, mas
todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo» (1
Cor 12,12-13);
    .Do perigo do individualismo ao existir-para e existir-com. Profecia de
actualidade; superar afirmações identitárias radicais e acolher e integrar as
diferenças (pessoais e eclesiais);
. Desafios de novas linguagens antropológicas; superação de uma linguagem que
ligitima relações de domínio, de discriminação, de exclusão. Uma antropologia
cristã inclusivista: «descolonizar a mente».




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5. O corpo como dom
   Corporeidade, relação, afectividade….
   .Reler Paulo a partir da valorização contemporânea do corpo. Corpo em
Paulo significa a pessoa em relação, ser-para. A corporeidade tem uma dimensão
comunitária (corpo de Cristo) e esponsal. O ser corpo é o modo encarnado e
humano de viver a espiritualidade.
    .«Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?» (1 Cor 6,12);
«Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que está em vós e
que recebeste de Deus?... e que, portanto, não pertenceis a vós mesmos?» (1 Cor
6,19-20).
   .Dimensão eucarística e esponsal do corpo e da afectividade: «Isto é o meu
corpo que é para vós» (1 Cor 11,24).
Conclusão
       «Se alguém está em Cristo é uma nova criatura» (2 Cor 5,17); «Revesti-
vos do Homem Novo» (Col 3,10).


Sugestões bibliográficas:
C. MESTERS, Paulo Apóstolo, Ed. Paulinas, Lisboa 2008.
J. MURPHY-O’OCONOR, A Antropologia pastoral de Paulo. Tornar-se
humanos juntos, Ed. Paulus, S. Paulo 1994.
V. SILVA, Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. Teologia
Paulina, Ed. Paulinas, Lisboa 2008.


Lisboa, 16 de Maio, 2008
Doutor António Manuel A. Martins




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