Pré-sal entusiasma fornecedores da cadeia produtiva do petróleo

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							05.10.2009




Pré-sal entusiasma fornecedores da cadeia produtiva do petróleo


Por Vanessa Britto
Brasília - A exploração de petróleo na camada do pré-sal é o grande tema do momento para
centenas de micro e pequenos negócios. Em 11 Estados, 2,3 mil empresas foram qualificadas como
fornecedoras do setor de petróleo e gás (P&G) pelo convênio Sebrae/Petrobras, entre 2004 e 2008.
Um total de 352 empresas-âncora (compradoras de grande porte do setor P&G) e 2,9 mil
fornecedoras de pequeno porte participaram de 33 rodadas de negócios, realizadas pelo mesmo
convênio nos anos de 2005, 2006 e 2007, que totalizaram R$ 1,5 bilhão.

Empresas como a Armtec, de Fortaleza (CE), especializada no desenvolvimento e produção de
equipamentos e sistemas de robótica, estão projetando novos produtos e serviços ou adequando os
existentes às profundidades da camada do pré-sal. “Já estávamos projetando tecnologia para
atender demanda da Petrobras de guindastes para exploração em plataformas marítimas para 2012
e 2013, antes do anúncio do pré-sal. Há mais de 20 anos o Brasil não produz esse tipo de
guindaste”, afirma Roberto Macedo, diretor da Armtec.

Atualmente um guindaste off shore para 27 toneladas, utilizado nas plataformas marítimas, custa
entre R$ 7 milhões e R$ 15 milhões, informa o empresário. “Imagino que até a exploração do pré-
sal ser iniciada, serão necessários uns 200 guindastes. Nossa expectativa é relativa, no entanto,
pois dependeremos se vamos poder enquadrar nossos produtos às demandas que o pré-sal vai
requerer”, complementa Roberto.

O diretor da Armtec sugere às micro e pequenas empresas que entrem nas Redes Petro apoiadas
pelo Sebrae/Petrobras em seus Estados para aproveitar as oportunidades e se qualificar para ter
acesso aos negócios da cadeia produtiva de P&G. “É mais fácil conseguir se tornar fornecedor por
meio das empresas contratadas diretamente pela Petrobras, que são responsáveis por projetos,
engenharia e contratações”, sugere o empresário. Ele observa ainda que outras grandes empresas
exploradoras de petróleo e gás também são geradoras de ótimas oportunidades para as pequenas
empresas fornecedoras de produtos e serviços.

“Nossa expectativa é muito boa. Aprovamos a atitude do presidente Lula de fazer o marco
regulatório do pré-sal para proteger a indústria nacional. Pretendemos atuar no monitoramento
em águas profundas”, diz Wilsa Atella, diretora da Ambidados, uma pequena empresa que analisa
variáveis do mar, criada por pesquisadores egressos do Programa de Engenharia Oceânica da
Coope/UFRJ em 2006 e instalada, desde o final de 2007, na Incubadora de Empresas de Base
Tecnológica da Coope/UFRJ.

“Estamos desenvolvendo uma bóia que transmite via satélite dados que poderão ser fornecidos às
empresas exploradoras de petróleo. Com a camada do pré-sal, o potencial de negócios aumenta
muito”, diz a pesquisadora e empresária. Os contatos já estão começando a ser feitos, segundo
ela, para que em médio prazo a Ambidados receba o bônus do novo mercado que desponta.
“Temos concorrência forte no plano internacional”, resume. O pré-sal vai movimentar bastante a
indústria de todos os portes, segundo Wilsa.

Sebrae e o setor P&G
O primeiro projeto em nível nacional do Sebrae, voltado à inserção das micro e pequenas empresas
(MPE) como fornecedoras do setor de P&G, foi iniciado no Estado do Rio de Janeiro, em 2000.
Nessa época, ocorria a flexibilização da exploração do petróleo e empresas estrangeiras
começavam a desembarcar no País.

Em junho de 2000, Sebrae Nacional e Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo)
firmaram convênio visando capacitar MPE para inclusão nos cadastros de fornecedores do setor.
Assim começou o processo de construção do projeto-piloto do Sebrae para a cadeia produtiva P&G,
implementado em 12 unidades da Federação.

Em outubro de 2004, o esforço para inserir micro e pequenas empresas na cadeia produtiva P&G
ganhou um grande aliado. Nessa data foi assinado o convênio entre Sebrae e Petrobras com o
objetivo de capacitar e qualificar empresas de pequeno porte para integrar os cadastros locais e
nacional de fornecedores de bens e serviços da companhia.

Além de qualificar 2.207 empresas, 11 diagnósticos locais da cadeia produtiva P&G foram
realizados pelo convênio nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia,
Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Redes Petro foram
criadas e são apoiadas pelo Sebrae e Petrobras em Estados brasileiros.

“As Redes Petro facilitam o relacionamento com a Petrobras”, justifica Eliane Borges,
coordenadora nacional da carteira de projetos P&G do Sebrae Nacional. “É preciso criar
governança local para o desenvolvimento da cadeia P&G em cada Estado”, acrescenta.

A segunda edição do convênio Sebrae/Petrobras, no valor de R$ 32 milhões (cada parceiro é
responsável por metade desses recursos), foi assinado em 20 de junho de 2008. Nessa etapa o
fomento e a ampliação do número de Redes Petro passaram a ser outro objetivo importante da
parceria. Serão 24 projetos em 15 Estados.

O Comitê Nacional do Convênio Petrobras/Sebrae já aprovou 14 projetos em dez estados:
Amazonas, Ceará Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais,
Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Os 14 projetos aprovados totalizam R$ 27,8 milhões, sendo R$ 18, 3 milhões oriundos do convênio
Petrobras/Sebrae, ou seja, 34% do valor dos projetos foram alavancados com contrapartida de
terceiros. “Estamos conseguindo superar o percentual mínimo de 20% de contrapartida das
empresas e instituições”, informa a coordenadora nacional da carteira de projetos P&G do Sebrae
Nacional.

Fonte: Agência Sebrae
Link: http://www.agenciasebrae.com.br/noticia.kmf?noticia=8979232&canal=200
Imagem: http://outrapolitica.files.wordpress.com/2009/09/plataforma_construindo.jpg

						
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