Documents
Resources
Learning Center
Upload
Plans & pricing Sign in
Sign Out

Aula 05 Introdução à gestão do conhecimento (PDF download)

VIEWS: 764 PAGES: 22

									5
                            Introdução à gestão
                            do conhecimento




Luiz Fernando S. Barbieri
      Ricardo Thielmann
72
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




                   Meta      Apresentar os principais conceitos sobre gestão do
                             conhecimento e suas implicações para a sociedade atual.


            Objetivos        Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

                             1. Entender o funcionamento da economia na sociedade do
                             conhecimento.

                             2. Compreender a inovação, o conhecimento e o
                             empreendedorismo como um tripé indissociável para o sucesso
                             das organizações na sociedade do conhecimento.

                             3. Compreender os conceitos gerais sobre gestão do
                             conhecimento e o seu impacto no processo de gestão da
                             pequena empresa.

        Guia de Aula         1. Introdução

                             2. A economia na sociedade do conhecimento

                             3. O tripé que permitirá a empresa sobreviver na sociedade do
                             conhecimento

                             4. Gestão do conhecimento e seu impacto na pequena empresa
                                Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                           estrutura de um negócio na visão por processos        :: PB
                                                                                                    73




                           Maxi-pão e o desafio de padronização da
                                                  qualidade do pão
                                                             O Sr. Manoel, atualmente,
                                                         é dono de uma rede de quatro
                                                         padarias. Mas quando iniciou
                                                         o   seu   empreendimento,          no
                                                         ano de 1984, ele não sabia das
                                                         dificuldades que iria enfrentar.
                                                         O Sr. Manoel iniciou sua vida
                                                         profissional como padeiro de
                                                         uma grande fábrica que produzia
pães industriais. Após 10 anos de atuação nesta empresa, a mesma fechou as portas e
demitiu todos os funcionários. Lá ele obteve todos os conhecimentos sobre o processo
de fabricação de pães quando trabalhou com um especialista. Nesta empresa, o Sr.
Manoel teve a oportunidade de fazer um curso de padeiro no SENAI de Vassouras, onde
aprimorou seus conhecimentos sobre o processo. Então, o Sr. Manoel resolveu montar
a sua própria padaria, no ano de 1984, em uma área no fundo de sua casa e começou
a produzir pães, que vendia de porta em porta, com uma bicicleta. Após um ano neste
processo e verificando que o negócio estava dando certo, o Sr. Manoel resolver alugar uma
área maior para montar uma padaria maior e mais bonita. Desenvolveu o nome “Maxi-
pão”, contratou funcionários e colocou a padaria para funcionar. Quando o Sr. Manoel
contratou os funcionários, ele mesmo realizou os treinamentos. Durante uma semana fez
um treinamento para todos os contratados sobre o processo de produção de pães. Fez um
procedimento escrito sobre a produção de pães que fixou na parede próximo à bancada de
produção de pães. O pão produzido pela padaria estava fazendo muito sucesso, pela sua
qualidade, padronização e apresentação. Com o tempo o negócio foi ficando bom e o Sr.
Manoel resolveu abrir uma segunda padaria em outro bairro da cidade. Porém, começou
a receber reclamações de seus clientes em relação ao pão vendido na nova padaria. A
principal reclamação era de que o pão não tinha o mesmo padrão daquele vendido na
outra padaria. Os clientes foram diminuindo na nova padaria e o Sr. Manoel resolveu
agir para solucionar o problema. Como principais problemas encontrados na segunda
padaria, ele identificou a forma de fazer o pão e a falta de treinamento do novo padeiro
contratado. Então o Sr. Manoel resolveu aplicar o padrão de produção que foi escrito por
ele e resolveu que o novo padeiro deveria fazer um treinamento de duas semanas na
padaria mais antiga, junto ao seu padeiro de confiança. Somente após a implementação
destes procedimentos organizacionais os problemas foram resolvidos.
74
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




                                                                                   Introdução
           Em anos recentes, com a mudança da economia mundial, as empresas têm se
        preocupada mais com o capital intelectual e a formas de garantir-lhes a propriedade
        intelectual, e a gestão do conhecimento, por sua vez, tem preocupado muitos
        pesquisadores e organizações. Isso não quer dizer que as empresas deixaram de se
        preocupar com os processos industriais, porém mais um fator passou a ser enfatizado, ou
        seja, os empreendedores continuam se preocupando com as questões relativas a como
        organizar a empresa, como estruturar a produção, e, além disso, novas preocupações
        surgiram: garantir o desenvolvimento de novos produtos, que sejam diferenciados e
        protegidos da concorrência.

                                 A economia na sociedade do conhecimento
                          “As atividades que ocupam o lugar central das organizações não são mais
                          aquelas que visam produzir ou distribuir objetos, mas aquelas que produzem
                          e distribuem informação e conhecimento”.
                          Peter Drucker, Post-Capitalist Society



                  “Ações da Nova Economia batem recorde”
                                                                     (Jornal Nacional, fev/00)

                “Palm top”: tem mais memória que toda a capacidade de
              memória existente em 1961!


           As intensas mudanças ocorridas com a virada do milênio fizeram com que a economia
        se transformasse. Novos produtos, novos mercados e novas formas de organização
        foram geradas, abrindo lugar para novos procedimentos e afastando aqueles até então
        dominantes. O uso das tecnologias de informação passou a ser fundamental para a gestão
        pública, privada e individual. Pode-se dizer, que os impactos econômicos e sociais da nova
        ordem mundial em conformação são considerados até mais importantes que aqueles
        gerados pela Revolução Industrial. Lastres e Ferraz (1997, p.33) referem-se a essa nova
        ordem mundial como Era, Sociedade ou Economia da Informação e do Conhecimento,
        resultante de uma “revolução informacional”. O arcabouço conceitual que caracteriza
        o que se convencionou chamar paradigma tecno-econômico das tecnologias da
        informação é resultado dos esforços que objetivam explicar as diferentes dinâmicas e
        padrões de geração, uso e difusão de tecnologias e outras inovações associadas. Ainda
        segundo os autores Lastres e Ferraz 1997, p.32):
                                     Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                                estrutura de um negócio na visão por processos          75
                                                                                                     :: PB




                   A mudança de paradigma inaugura uma nova era econômica, envolvendo
                   a criação de setores e atividades; novas formas de gerar e transmitir
                   conhecimentos e inovações; produzir e comercializar bens e serviços; definir
                   e implementar estratégias e políticas; organizar e operar empresas e outras
                   instituições públicas e privadas. Dentre outras exigências associadas,
                   destacam-se ainda novas capacitações institucionais e profissionais,
                   assim como mecanismos para mensurar regular e promover as atividades
                   econômicas.


        Paradigma tecno-econômico das tecnologias da informação


        A   s tecnologias de informação e comunicação são um novo paradigma tecnológico
            baseado em um conjunto de interligações de inovações em computação eletrônica,
        engenharia de software, sistemas de controle, circuitos integradoS e telecomunicações,
        que trouxeram a possibilidade de redução considerável nos custos de armazenamento,
        processamento, comunicação e disseminação das informações. As tecnologias de
        informação e comunicação afetam todos os setores da economia em maior ou menor
        grau. Afetam os setores tradicionais da economia como o setor têxtil e os setores mais
        dinâmicos e inovadores, como os setores de eletroeletrônica, química fina e biotecnologia.
        Os fatores chaves deste novo paradigma tecno-econômico que se configura são a
        microeletrônica, a tecnologia digital e as tecnologias da informação, pois são nestes
        setores que acontecem as principais inovações técnicas. O desenvolvimento destes três
        setores possibilitou a alavancagem de outros setores como equipamentos de informática
        e telecomunicações, robótica, serviços de informação e tele-serviços, softwares. Além
        disso, pode-se verificar que os investimentos em infra-estrutura neste novo paradigma
        tecno-econômico acontecem em info-vias, redes, sistemas e softwares dedicados.



   Segundo Dertouzos (apud Lastres e Ferraz 1997, p.46): “Em termos ideais, a Revolução
da Informação repetirá os êxitos da Revolução Industrial. Só que, desta vez parte do
trabalho do cérebro, e não dos músculos, será transferido para as máquinas”. Se a
Revolução Industrial transfere a força humana para as máquinas, aponta-se agora para
o início de outro processo de transferência: o de experiências e capacitações até então
exclusivas aos seres humanos, como aquelas incorporadas, por exemplo, em softwares.

   Apesar do desconhecimento dos modelos de gestão de alta performance e das
aplicações parciais, parece inevitável que cedo ou tarde a maioria das empresas brasileiras
discuta com seriedade e adote tais modelos. Isso porque os ventos da concorrência estão
a demonstrar a extrema fragilidade das mesmas. Conforme Passos (1999, p.69):
76
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




                          Para que se adotem modelos de gestão de alta performance no Brasil é
                          necessária uma verdadeira revolução tanto nas formas como estão hoje
                          estabelecidas as relações entre capital e trabalho, como nas profundas
                          alterações sobre o tipo de bases de informações requeridas para viabilizar
                          essa nova forma de gestão.
           A Tabela 5.1, abaixo, sintetiza algumas características da sociedade do conhecimento.

                      Tabela 5.1 - Cinco características essenciais da sociedade do conhecimento




                      Fonte: Centro de Referência em Inteligência Empresarial CRIE – COPPE/UFRJ

                                     O tripé para a sobrevivência na sociedade
                                                             do conhecimento
           Freqüentemente, as micros e pequenas empresas não têm consciência dos possíveis
        ganhos de competitividade trazidos pelas novas oportunidades de negócio associadas
        ao novo paradigma que surge a partir da sociedade do conhecimento. Elas somente
        adotam estas tecnologias quando percebem claramente as oportunidades de negócios
        ligadas à inovação ou, então, porque estão sob pressão de clientes e fornecedores. Isso
        ocorre devido às especificidades do processo de aprendizado tecnológico das pequenas
        e médias empresas, onde a busca e seleção de informações é afetada por limitações de
        tempo e de recursos humanos.

           As micros e pequenas empresas, porém, têm vantagem para gerar e adotar inovações
        devido à sua maior flexibilidade e capacidade de adaptação à mudanças no mercado.
        Normalmente, elas têm atividades diversificadas e estruturas flexíveis que as favorecem.
        As micros e pequenas empresas podem operar em nichos de mercado que apresentam
        alta taxa de inovação. As empresas têm condições de crédito menos favorável que as
                                Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                           estrutura de um negócio na visão por processos      77
                                                                                            :: PB




grandes empresas e, portanto, são mais sensíveis aos ciclos econômicos. As pequenas
empresas têm dificuldades em acessar informações tecnológicas, e, portanto, podem ser
menos propensas à inovação.

   A partir destas constatações, pode-se concluir que apesar de as micros e pequenas
empresas terem dificuldades para se ajustarem a este novo paradigma tecno-econômico
que surge com o advento da sociedade do conhecimento, três palavras chaves serão
importantes para que elas consigam sobreviver: inovação, empreendedorismo e
conhecimento.

   Com relação à inovação elas empresas deverão considerar que se trata de um processo
permanente que lhes permitirá desenvolver novos produtos/serviços, melhorar seus
processos produtivos e, como conseqüência, alcançar novos mercados e clientes. Além
disso, ela deverá considerar também os passos para inovar e conhecer as dificuldades que
podem surgem nesse processo.

   Com relação ao termo empreendedorismo, Degen (1989, p.9) declara que:

                 O economista Joseph A. Schumpeter descreveu a contribuição dos
                 empreendedores, na formação da riqueza do país, como o processo de
                 destruição criativa. Este processo que, de acordo com Schumpeter, é o
                 impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista
                 gera constantemente novos produtos, novos métodos de produção e novos
                 mercados; revoluciona sempre a estrutura econômica, destrói sem cessar a
                 antiga e, continuamente, cria uma nova.
   Assim, pode-se dizer que os empreendedores inovam, pois criam novos produtos e
serviços, bem como novos usos para produtos e serviços já existentes. É no processo de
tornar determinado produto ou serviço superior, que se opera a denominada destruição
criativa, propiciando que alguns produtos ou serviços que no passado tinham grande
utilidade e gozavam de bom conceito, hoje já não apresentem mais tais qualidades.

   Um exemplo disso, dentre muitos, é a máquina de escrever. Insubstituível, em um
passado recente, ela pode, na contemporaneidade, ser considerada uma peça de museu
diante do computador e suas possibilidades.

   Conhecimento é constituído pela tecnologia, pelas políticas, pelos procedimentos,
pelas bases de dados e documentos, bem como pelo conjunto de experiências e
habilidades da força de trabalho, sendo gerado como resultado da análise das informações
coletadas pela organização em seu ambiente interno e externo.
78
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




           Existem dois tipos de conhecimentos: o tácito ou personificado e o codificado. O
        primeiro reúne conhecimentos que são inscritos nas mentes e corpos dos indivíduos, ou
        em instrumentos e máquinas. Exemplo: andar de bicicleta, fazer crochê, cozinhar.




                                             Conhecimento tácito




                                           Conhecimento codificado

           O conhecimento codificado ou explícito é amplamente definido como um sistema
        convencional de sinais, rigorosamente estruturados, e símbolos, que são comuns ao
        emissor e ao receptor, e que funcionam como um veículo para a comunicação. Os códigos
        disponíveis são numerosos e variam na sua forma.

           Em uma organização co-existem os dois tipos de conhecimentos, porém no tácito
        reside o grande problema. Esforços têm sido feitos para que ele seja “capturado” e assim
        convertido em conhecimento codificado. Vários exemplos podem ser citados, dentre eles,
        os processos de certificação nas Normas de Qualidade, que buscam padronizar as tarefas
        através de procedimentos escritos.
                        Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                   estrutura de um negócio na visão por processos      79
                                                                                    :: PB




   ATIVIDADE


Relacione as colunas e justifique a sua resposta.
(1) Conhecimento tácito
(2) Conhecimento codificado
(3) Sociedade industrial
(4) Sociedade do Conhecimento

                  ( ) Para se produzir está lata, gastou-se menos
                  energia e menos matéria prima. Esta lata é 80%
                  mais fina e mais resistente.




                                                          ( ) Livros




                                        ( ) Empresa desenvolvedora de software
80
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




                                                            ( ) Indústria siderúrgica




                                                            ( ) Andar de bicicleta




                                                             A gestão do conhecimento




                              Gestão do conhecimento é somente a ponta do iceberg.

           A gestão do conhecimento, segundo HANSEN et al. (1999, p. 106), não é algo novo,
        mas a sua prática sim. A economia da metade do século XIX entrou na idade industrial e
        as empresas necessitavam de variados graus de informações sobre o seu setor e a melhor
        forma de comercializar seus produtos.
                                Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                           estrutura de um negócio na visão por processos      81
                                                                                            :: PB




   A gestão do conhecimento tem prendido a atenção de muitas empresas, pois é
visto como o caminho mais promissor para o sucesso das organizações. Isso se deve
por dois fatores.

   O primeiro, a necessidade de as empresas se apropriarem do conhecimento tácito,
disponível nas habilidades e melhores práticas da força de trabalho.

   O segundo, o rápido desenvolvimento tecnológico, provocado principalmente pelo
advento das tecnologias de informações e comunicações (TICs). Tais tecnologias estão
transformando os modelos existentes de gestão dos negócios e os mercados nos quais as
empresas atuam.


        Tecnologias de informação e comunicação


        T  ecnologias de informação e comunicação são vistas como um novo sistema
           tecnológico emergente, como uma nova revolução industrial.


   Uma das mudanças geradas pelas TICs, principalmente a internet, é a possibilidade
de modificar a maneira pela qual bens e serviços são produzidos, oferecendo uma gama
de intermodalidades e complementariedades dos modelos de gestão dos negócios. As
grandes empresas têm usado as mesmas tecnologias e ferramentas para eventualmente
deslocarem parte do comércio tradicional para o comércio eletrônico, com o objetivo de
buscar nichos de mercados simultaneamente aos mercados tradicionais. Exemplos não
faltam: Americanas.com, Ponto Frio.com, Magazine Luiza.com, dentre outras. Caso o Sr.
Manoel, dono da padaria Maxi-pão, queira iniciar as vendas de seus produtos via internet,
poderá fazê-lo sem grandes dificuldades. Outro exemplo a ser citado é o desenvolvimento
de um sistema de informação que permite a informatização dos processo de vendas dos
produtos da padaria.

   As TICs provocam também mudanças nas habilidades requeridas pelos profissionais,
como maior capacidade de adaptação a novas formas de trabalho e a exigência de
maior flexibilização de suas funções. Um bom exemplo destas novas habilidades pode
ser verificado através da profissão de datilógrafo que perdeu espaço para o digitador. O
profissional datilógrafo tinha habilidade em uma máquina de escrever. O digitador tem
habilidades em um computador.

   Outro fenômeno importante que está sendo evidenciado é o aumento gradual das
necessidades que as empresas têm de informações, que dependem da natureza da
atividade, da estrutura do setor e da estrutura organizacional definida pela empresa. Um
bom exemplo, é a situação na qual a empresa irá montar o seu planejamento estratégico e
82
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




        necessita analisar o ambiente externo. Para uma empresa que atua em ambiente complexo
        e dinâmico, o volume de informações é muito grande e aquelas que são necessárias são
        muito variadas.

           As empresas buscam, em sua grande maioria, a maximização dos lucros e, por
        conseqüência, a maximização do valor da empresa para os sócios. Elas desenvolvem seus
        planejamentos e projetam ações que fundamentaram e que serão a forma de alcançar os
        objetivos traçados.

           Novas formas de organização do trabalho surgem como, por exemplo, os times de
        projeto, unidades semi-autonômas, etc. Mas onde as empresas adquirem informações
        para alimentar seus projetos, desenvolvimento de novos produtos e processos? E como
        é o processo de criação e transferência dos conhecimentos gerados dentro da estrutura
        organizacional?

           O’DELL e GRAYSON (1998) têm uma resposta para estas perguntas. Para eles, a
        empresa deve estabelecer uma infra-estrutura para o conhecimento, que formará uma
        série de redes que são capazes de sondar, no ambiente interno e externo, as informações
        necessárias para agregar valor à organização. Essas redes podem ser montadas com
        fornecedores, informações de clientes e visita a concorrentes. Uma boa conversa com os
        fornecedores para saber informações dos concorrentes pode gerar informações sobre
        o ambiente externo e interno. As informações de clientes podem ser obtidas através de
        perguntas simples acerca da qualidade do atendimento, do produto/serviço.

           Quando uma empresa desenvolve uma nova forma de atendimento ao cliente, tal
        procedimento pode ser considerado um novo conhecimento gerado. Se isso for bom para
        a empresa, todos devem conhecer a nova forma de atendimento e adotá-la. É importante
        que a empresa conheça como se dá esse processo.

           Apresentamos, na Figura 5.1, um modelo para a construção de procedimentos
        pelos quais as organizações podem absorver, processar e gerenciar o conhecimento de
        forma consistente, com a maximização do valor das empresas. Figura 5.1 – Modelo para
        Gerenciamento do Conhecimento
                                    Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                               estrutura de um negócio na visão por processos               83
                                                                                                         :: PB




Fonte: MALONE, David. Knowledge management: a model for organizational learning. International Journal
                       of Accounting Information Systems, no. 37, Febrary, 2002.

   Os conhecimentos dominados formam um conjunto de conhecimentos disponíveis
que o empreendedor pode ou não adquirir. Para o caso da padaria Maxi-pão, vários
conhecimentos estão disponíveis como:

1) conhecimento sobre as receitas para produção de pães, bolos, tortas, biscoitos;

2) conhecimento sobre os tipos de fornos disponíveis no mercado e como cada uma das
  tecnologias destes fornos podem influenciar no processo de produção;

3) conhecimento sobre quais os melhores locais para montar o negócio.

   Um bom sistema de gestão do conhecimento deverá ser capaz de selecionar quais os
conhecimentos dominados existem disponíveis e como são adquiridos.

   Estes conhecimentos dominados existem internamente e externamente à organização.
Um bom exemplo de um conhecimento dominado para a padaria Maxi-Pão é o
conhecimento do processo de fazer pão. Se você quer montar uma padaria e não domina
este conhecimento deverá buscá-lo, através de um curso de padeiro ou contratando um
padeiro com experiência para conduzir este processo.

   Outro modo de pensar em conhecimentos dominados é aquele conhecimento que
reside em todos os lugares da organização. Isso quer dizer que a organização tem disponível
uma série de conhecimentos que podem ou não ser usados pelo empreendedor.
84
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




           Fica então a pergunta: Como a organização faz para absorver estes conhecimentos em
        seus processos chaves e como podem ser absorvidos à medida que o empreendimento
        cresce e seus processos de gestão tornam-se mais estruturados?

           Um bom exemplo pode ser observado no caso da Pet Shop que foi abordado na Aula 2.
        Retornando ao exemplo e considerando que um dos processos chaves para aquele negócio
        será o processo de atendimento, pergunta-se como este empreendimento deverá obter
        e absorver informações sobre este processo. Primeiramente, a empreendedora poderá
        utilizar-se de visitas a outros Pet Shop´s para conhecer o processo de atendimento, ou ainda,
        buscar conhecimentos acerca das formas de atendimento em outros empreendimentos
        que sejam referência neste quesito, como por exemplo, Mc´Donalds.

           As redes de conhecimentos são os principais veículos pelas quais o conhecimento
        pode ser comunicado. Estas redes se formam pela necessidade contínua de os
        empreendedores ou as empresas buscarem conhecimentos semelhantes. Associações
        de classe, SEBRAE, Universidades, incubadoras são locais que facilitam a formação destas
        redes de conhecimentos.

           Outro exemplo significativo de uma rede de conhecimento é a Internet. Essas
        redes de conhecimentos são complexas e extensas e buscam organizar e comunicar
        o conhecimento. A Internet surge como uma ferramenta que permitiu a extensão dos
        setores industriais, estendendo os benefícios da Electronic Data Interchange - EDI para
        todo o universo de empresas (fornecedores, compradoras, intermediários, grandes,
        médios e pequenos). Ela possibilitou a abertura do mercado eletrônico para negócios
        menores e lhes permitiu entrar em mercados internacionais. Outro fator que contribuiu
        para o sucesso da Internet foi a padronização das redes, o que facilitou a disseminação da
        utilização da Internet para um mercado mundial. Com a Internet, o comércio eletrônico foi
        viabilizado de forma mais rápida, tornando-se mais barato e eficiente.

                EDI - (Eletronic Data Interchange)


               É   uma forma de transferência eletrônica de dados entre empresas muito utilizada para
                   efetivação de transações de negócios. Encomendas, faturas, aprovações de crédito
               e notificações de envio são exemplos de transações nesse sistema. Atualmente, o EDI,
               contrariamente ao que muitos acreditam, não implica comunicação em tempo real.
               Ele é um sistema de envio e recebimento de documentos eletrônicos padronizados
               entre parceiros de negócios. Estes documentos (pedidos de compra; programações de
               entrega; avisos de embarque; nota fiscal; solicitações de cotação; boleto bancário; etc.)
               são gerados a partir de dados das transações comerciais e enviados eletronicamente
               aos parceiros. Esses documentos são rapidamente enviados aos seus destinatários pelos
               sistemas de EDI, reduzindo os tempos e os custos envolvidos nos processos comerciais e
               logísticos entre empresas.
                                    Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                               estrutura de um negócio na visão por processos      85
                                                                                                :: PB




   As grandes empresas mantêm, também, um canal muito conhecido de conhecimento
que é a intranet. A intranet pode ser vista como um banco de dados que pode ser mantido
para facilitar a troca de informações, quando houver a assimetria de necessidades e
expectativas. Em outras palavras, um empregado pode depositar informações na intranet
para que outros possam usar esta informação em setor da empresa. Talvez o pequeno
empreendimento não tenha capacidade técnica e financeira para montar uma intranet,
porém um pequeno encarte pode funcionar como uma forma de comunicação interna e
compartilhamento dos conhecimentos gerados.

   É certo que outras formas de redes de conhecimentos existem, dentre elas podemos
citar: Relatórios Informativos (memorandos), publicações profissionais, bibliotecas.

   Na figura 5.1, três linhas (uma reta e duas curvas) surgem do topo da figura, enquanto
fluem abaixo e à esquerda. O centro destas duas linhas representa o alinhamento
estratégico da organização. Toda a identificação, absorção e transferência de
conhecimento deverá seguir os objetivos estratégicos da organização. Na busca de novos
conhecimentos, fazem-se necessárias avaliações com relação a atividades particulares,
que se forem necessárias serão transferidas de cima para o centro. Como todo o processo
de tomada de decisão eqüivale a um custo para a organização, o gerente deverá, a partir
de diferentes domínios de conhecimento, escolher aquele que produzirá potencialmente
um valor estratégico para a organização.

         Alinhamento estratégico


        A   linhamento estratégico é definido como a consistência entre planos, processos,
            ações, informações e decisões para apoiar as estratégias, objetivos e metas
        globais da organização. O alinhamento eficaz requer o entendimento das estratégias
        e metas e a utilização de indicadores e informações complementares para possibilitar
        o planejamento, monitoramento, análise e melhoria nos setores de trabalho, principais
        processos e na organização como um todo.


   Estas decisões podem entrar na organização sob a forma de melhores decisões, criação
de idéias inovadoras ou criativas, melhoria dos processos empresariais, etc.

   As áreas dentro das linhas curvas representam as estratégicas emergentes da
organização. Qualquer decisão a favor da adoção de um conhecimento nesta área
deverá levar em consideração, se a aplicação de recursos trará um retorno positivo para a
organização, proporcionalmente maior que o recurso investido.
86
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




                 Estratégias emergentes


                S  ão estratégias que não foram definidas no processo formal de planejamento
                   estratégico, porém surgem a partir da implementação das ações previstas neste
                processo. Estas estratégias surgem por que algum fator ambiental foi modificado no
                decorrer da implementação das ações.


           Um componente crítico para a maioria das organizações é a conversão de conhecimento
        em valor. O principal desafio para a gestão do conhecimento é a identificação dos domínios
        de conhecimentos que possuem valor potencial para a empresa e os converter em valor
        atual. Como no caso de abertura o Sr. Manoel consegui transformar conhecimento em
        valor, quando enviou o seu novo padeiro para o treinamento com o padeiro mais antigo
        que detinha toda a tecnologia para produção do melhor pão da cidade.


                    Valor



               É   o grau de benefício obtido como resultado da utilização e das experiências vividas
                   com um produto. É a percepção do cliente e das demais partes interessadas sobre
               o grau de atendimento de suas necessidades, considerando-se as características e
               atributos do produto, seu preço, a facilidade de aquisição, de manutenção e de uso,
               ao longo de todo seu ciclo de vida. As organizações buscam criar e entregar valor para
               todas as partes interessadas. Isto requer um balanceamento do valor na percepção dos
               clientes, dos acionistas, da força de trabalho e da sociedade.


           Daí surge os sistemas de informações. A função principal dos sistemas de informações
        é apoiar nas decisões relacionadas aos processos centrais de uma empresa. A área
        de interesse neste momento é o texto explicativo que está localizado no canto direito
        superior da Figura 5.1 (Ponto Central, Estabilidade e Processos Críticos que afetam a
        missão). O conhecimento incorporado nos sistemas de informações deve ser explícito e
        devem ter um valor determinável para a empresa.

           Os times de projetos são unidades semi-autônomas e tem como objetivo principal o
        desenvolvimento de novos produtos ou novos processos. Enquanto estes novos produtos/
        processos não fazem parte dos processos centrais da organização, os times de projetos
        são os gerenciadores dos mesmos. Estes times são formados por representantes de vários
        setores da organização e tem uma direção e um propósito final. Para que as organizações
        possam identificar oportunidades de novos negócios é necessário que sejam feitos saltos
        em outros domínios de conhecimento e a utilização dos times de projetos são uma boa
        saída para que a empresa não perca o foco nos processos centrais.
                                  Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                             estrutura de um negócio na visão por processos          87
                                                                                                  :: PB




   O processo de aprendizagem organizacional é um fenômeno que é motivado por uma
série de fatores, Garvin (1998, p. 64) menciona alguns:

                   O aprendizado pode ser impulsionado pela curiosidade (Existe um modo
                   melhor de fazer isso?), pela circunstância (Eu estava visitando a fábrica
                   de um cliente e adivinhe o que a aprendi?!) ou pela experiência diária (Eu
                   tentei fazer uma modificação no meu discurso de vendas, e funcionou!).
                   O aprendizado também pode ser impulsionado por uma crise (Estamos
                   perdendo participação no mercado e dinheiro. Precisamos nos tornar uma
                   empresa centrada no cliente, de maneira eficiente e rápida). (Grifo nosso)
   Como resultado esse aprendizado gera um novo conhecimento dentro da empresa
através da interação entre o conhecimento tácito e explícito. Sobre esse processo de
interação na criação do conhecimento Nonaka & Takeushi (2000) apontam quatro formas
de conversão do conhecimento: socialização, combinação, internalização e externalização.

   A socialização é o compartilhamento de conhecimentos tácitos entre membros de
uma mesma organização possibilitando a geração de conhecimento tácito a partir de
conhecimentos tácitos.

   A combinação de conhecimentos acontece quando se consegue converter o
conhecimento codificado gerado por um membro da organização em conhecimento
codificado da organização.

   A internalização é o processo de conversão do conhecimento codificado em tácito,
estando intimamente relacionado ao aprendizado pela prática. Para que o conhecimento
codificado se torne tácito, é necessária a verbalização e diagramação do conhecimento
sob a forma de documentos, manuais, práticas ou histórias reais. Esta documentação
ajuda as pessoas a internalizarem as experiências dos outros, aumentando assim seu
conhecimento tácito. O processo de internalização gera um tipo de conhecimento
chamado “conhecimento operacional”. Este ocorre por meio de:

•	 leitura/visualização	 e	 estudo	 individual	 de	 documentos	 de	 diferentes	 formatos/tipos	
  (textos, imagens etc.);

•	 prática	individual;

•	 reinterpretar/reexperimentar,	individualmente,	vivências	e	práticas.

   A externalização é o processo de conversão do conhecimento tácito em conhecimento
explícito. Seja por meio da linguagem falada ou escrita, o conhecimento tácito pode
ser convertido em conhecimento explícito através de metáforas, analogias, conceitos,
hipóteses ou modelos. O processo de externalização gera um tipo de conhecimento
chamado “conhecimento conceitual”. Este envolve:
88
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




        •	 representação	 simbólica	 do	 conhecimento	 tácito	 através	 de	 modelos,	 conceitos,	
          hipóteses etc., construídos por meio de metáforas/analogias ou dedução/indução,
          fazendo uso de toda a riqueza da linguagem figurada para tentar externalizar a maior
          fração possível do conhecimento tácito;

        •	 descrição	 de	 parte	 do	 conhecimento	 tácito,	 por	 meio	 de	 planilhas,	 textos,	 imagens,	
          figuras, regras (por exemplo, nos sistemas especialistas), scripts, design history etc.;

        •	 relatos	orais	e	filmes	(gravação	de	relatos	orais	e	imagens	de	ocorrências/ações).




                       ATIVIDADE


                    A partir do caso de abertura desta lição, você deverá preencher o quadro abaixo com
                    parte do texto que responda a questão.
                                  Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                             estrutura de um negócio na visão por processos            89
                                                                                                    :: PB




                                                                               Conclusão
   Foi mostrado no decorrer desta aula que vivemos um período de transição de uma
sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento onde o conhecimento assume
um papel de suma importância como fator de produção. Foi estudado também o papel
da inovação, do conhecimento e do empreendedorismo nesta nova sociedade. Como
conseqüência deste processo um novo desafio se apresenta para as empresas, a saber:
como gerenciar os conhecimentos que são gerados pelos membros dos empreendimentos
e transformar estes conhecimentos em valor para a empresa. É um desafio enorme para
as empresas realizar este processo. Os empreendedores e organizações que buscam
trabalhar e instituir uma cultura para a geração de conhecimento deve buscar a criação
e o compartilhamento desse conhecimento e perpassar o processo de aprendizagem
através da conversão de conhecimento tácito em explícito.

   Os empreendedores e as organizações não estão alheias às mudanças que estão
ocorrendo na sociedade de um modo geral. Para enfrentar este novo desafio, elas estão
sempre inovando e adquirindo sucessivamente novos conhecimentos organizacionais para
poderem estar sempre apresentando uma postura competitiva. Para tanto, é necessário
que as organizações criem um ambiente propicio a aprendizagem organizacional, flexível
e sem estruturas hierárquicas rígidas.




              ATIVIDADE


           A Biomm é uma empresa de biotecnologia sem fábrica. O seu capital é o conhecimento
           em biotecnologia e em negócios e a experiência de mercado. Sediada em Belo
           Horizonte, a empresa desenvolve processos para a produção de proteínas terapêuticas
           recombinantes, tecnologia própria para o desenvolvimento de medicamentos como
           insulina e diversos tipos de vacinas, por exemplo. Uma das estratégias da Biomm é um
           constante intercâmbio tecnológico com empresas e universidades de todo o mundo, o
           que resulta na criação de redes de inovação. “Atuamos na cadeia produtiva que vai da
           descoberta do medicamento à farmácia”, diz Luciano Vilela, diretor de tecnologia. Seus
           clientes são países, grupos empresariais ou indústrias farmacêuticas interessados em
           implantar fábricas como, por exemplo, de hormônio para crescimento. “Os contratos
           envolvem valores que podem chegar a US$ 200 milhões, afirma Vilela, que invoca as
           regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para manter os clientes no anonimato.
           Desde 2002 a empresa passou a ser listada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
           e tem mais de 500 acionistas. Recentemente, todos foram comunicados – por meio de
90
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




                   publicação de fato relevante – que a Biomm está em fase final de negociação com um
                   cliente na Ásia. A chave para os negócios da Biomm é o domínio tecnológico, no caso
                   a receita e a descrição do processo de produção de proteínas por DNA recombinante.
                   Aos investidores interessados a empresa repassa a tecnologia de produção, orienta
                   na compra dos equipamentos e nas obras de construção civil, treina e qualifica os
                   funcionários, implementa métodos de controle de processos, entre outros. “Isso tudo vira
                   um projeto. A tecnologia é transferida para o cliente e para a planta. Ao final, fazemos
                   o start up da empresa. Os contratos são individuais e somos remunerados pelas licenças
                   e royalties.” A experiência da Biomm se justifica: a empresa é um spin off da Biobrás,
                   empresa biofarmacêutica instalada em Montes Claros, Minas Gerais, fundada em 1971,
                   cuja fábrica foi vendida para a dinamarquesa Novo Nordisk em 2001. A Biobrás, que
                   nasceu praticamente incubada na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas
                   Gerais, se tornou a quarta maior produtora de insulina para diabetes em todo o mundo.
                   Quando vendida, detinha 80% do mercado privado de medicamentos no Brasil, fornecia
                   para países da Europa, Ásia e América do Sul e chegou a contar com 500 funcionários. A
                   decisão da venda foi estratégica, revelou na época Guilherme Emrich, um dos fundadores
                   da Biobrás. A intenção era concentrar na Biomm, criada na mesma época da venda, o
                   desenvolvimento tecnológico, a comercialização internacional e licenciar para terceiros
                   a produção. Assim, os pesquisadores, o laboratório de pesquisas em Montes Claros, as
                   patentes e a experiência em mais de 30 anos de pesquisa em biotecnologia em negócios
                   internacionais passaram a integrar a Biomm. A estrutura de capital manteve-se
                   semelhante à da antecessora. Ao ingressar na Bolsa, a Biomm obedeceu a uma exigência
                   da legislação que obriga uma empresa resultante de um processo de cisão a abrir seu
                   capital por um período de no máximo 60 dias. Entre as patentes incorporadas pela Biomm
                   está a de um novo método para produzir insulina artificial utilizando tecnologia do DNA
                   recombinante, a partir da modificação genética da bactéria Escherichia coli, comum na
                   flora intestinal humana, para torná-la capaz de sintetizar o hormônio. O novo processo
                   permitiu fabricar insulina sem a utilização do pâncreas animal, matéria-prima de difícil
                   obtenção no mercado – somente no Brasil eram consumidas aproximadamente 2.000
                   toneladas por ano, originadas de aproximadamente 20 milhões de porcos. A patente da
                   insulina é uma das cerca de 20 que possui em países como Estados Unidos, Rússia, Índia,
                   Comunidade Européia e Brasil. A empresa também é conhecida por ter desenvolvido a
                   única vacina contra a leishmaniose do mundo. A doença provoca febre de longa duração
                   e, quando não tratada, pode matar a pessoa infectada no período de um a dois anos
                   depois do aparecimento dos sintomas.
                   Fonte: Brasilinovador, IEL, 2006.
                                  Aula 1 – A Aula 5 – Introduç]ão à gestão do conhecimento
                                             estrutura de um negócio na visão por processos         91
                                                                                                 :: PB




           Com base no caso acima identifique os seguintes itens
           1) Quais são os conhecimentos codificados desenvolvidos pela empresa Biomm?
           2) Quais são os conhecimentos tácitos desenvolvidos pela empresa Biomm?
           3) Como a empresa Biomm adquire conhecimentos para os seus processos?
           4) Quais os mecanismos que a Biomm utiliza para realizar o processo de aprendizagem
           organizacional?



                                                                                 Resumo
   A mudança de paradigma inaugura uma nova era econômica, envolvendo a criação
de setores e atividades; novas formas de gerar e transmitir conhecimentos e inovações;
produzir e comercializar bens e serviços; definir e implementar estratégias e políticas;
organizar e operar empresas e outras instituições públicas e privadas. Dentre outras
exigências associadas, destacam-se ainda novas capacitações institucionais e profissionais,
assim como mecanismos para mensurar regular e promover as atividades econômicas.
Neste novo paradigma tecno-econômico que surge com o advento da sociedade do
conhecimento três palavras chaves serão importantes para que elas consigam sobreviver:
inovação, empreendedorismo e conhecimento. Daí surge a gestão do conhecimento que
tem prendido a atenção de muitas empresas, pois é visto como o caminho mais promissor
para o sucesso das organizações. Isto se deve por dois fatores. O primeiro é a necessidade
das empresas em se apropriar do conhecimento tácito, disponível nas habilidades e
melhores práticas da força de trabalho. O segundo fator é o rápido desenvolvimento
tecnológico. Esse desenvolvimento tecnológico é provocado principalmente pelo advento
das tecnologias de informações e comunicações (TIC). Estas tecnologias da informação e
comunicação estão transformando os modelos existentes de gestão dos negócios e nos
mercados onde as empresas atuam.
92
PB ::   Gestão do Conhecimento e Inovação :: Luiz Fernando S. Barbieri / Ricardo Thielmann




            REFERÊNCIAS


                 DEGEN, R. J. O empreendedor: fundamentos da iniciativa
                   empresarial. 8. ed. São Paulo: Makron, 1989.
                 GARVIN, David et al. Aprender a aprender. IN: HSM Management,
                  São Paulo, n.9, p.58-64, Jul./Ago. 1998.
                 LASTRES, Helena M. M.. FERRAZ, João Carlos. Economia da
                   Informação, do conhecimento e do aprendizado. IN: Informação
                   e Globalização na Era do Conhecimento. LASTRES, Helena M.M..
                   ALBAGLI, Sarita. (org). Editora Campus, Rio de Janeiro: 1999, p.
                   27-57
                 MALONE, David. Knowledge management: a model for
                  organizational learning. International Journal of Accounting
                  Information Systems, no. 37, Febrary, 2002.
                 NONAKA, I. ; TAKEUSHI, H. Criação do conhecimento na empresa:
                  como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação.
                  Rio de Janeiro: Campus, 2000.
                 PASSOS, Carlos Artur Kruger. Novos Modelos de Gestão e as
                   Informações. IN: LASTRES, Helena M.M.. ALBAGLI, Sarita. (org).
                   Editora Campus, Rio de Janeiro: 1999.

								
To top