Daviz Simango quando o trabalho é política by onx77558

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									Daviz Simango: quando o trabalho é política

A FIGURA DO ANO do SAVANA é um dos políticos mais anti-convencionais do país. Há mesmo quem
duvide que ele gosta de ser tratado como político, preferindo como lema que a sua política é o trabalho,
um pouco na linha do que habitualmente gostam de ser os engenheiros, como é o caso de Daviz
Simango.

    Há quase três anos à frente da mais problemática cidade moçambicana, Daviz não gosta de aparecer
em comícios e evita ao máximo as proclamações políticas. Mas gosta do que está a fazer pela sua cidade
da Beira. De ter posto a funcionar minimamente o sistema de drenagem e diminuir a praga do chamado
fecalismo a céu aberto. Num país em que a intolerância foi lei, Daviz é pela conciliação e o diálogo, numa
cidade muito complicada e com muitos desmandos cometidos. No tempo colonial e nas sucessivas
administrações da FRELIMO depois da independência. Estas são algumas características de Daviz
Simango que pesaram na balança para o elegermos FIGURA DO ANO.
    Apesar de gostar de aparentar recorte tecnocrático, sendo filho de quem é, não foge aos vaticínios de
altos voos nas políticas nacionais do país. Quando se fala em mudança na RENAMO, muitos pensam em
Daviz Simango. Para alterar o estilo autocrático da actual liderança, para imprimir modernidade, ele que é
filho da tradição – de Machanga e da própria luta de libertação.
    Quando em Moçambique se traça a meta de 2014 como o tempo da viragem, Daviz Simango, se
conseguir continuar a agarrar gestão camarária como trampolim político, será também ele um sério
candidato à mais alta magistratura do país, quando se vaticinam há muito estratégias eleitorais que
passam inevitavelmente por candidaturas credíveis com origem no Centro e Norte do país.
    Simango, apesar dos detractores da figura do pai, no actual partido no poder, é uma figura capaz de
reunir consensos que ultrapassem as meras fronteiras do partidarismo político moderno e pode ir buscar
votos a zonas que os ortodoxos se recusam a aceitar actualmente.
    Os estrategas do curto-prazo, mesmo nas hostes do partido e da coligação que lhe permitiram a
ascensão na Beira, olham também com desconfiança a crescente popularidade de Daviz. Pelo futuro,
mas também pela sombra que faz ao líder nos tempos que correm, ele que, apesar das armadilhas que
lhe monta a FRELIMO a toda a hora, detém formalmente as chaves da segunda cidade de Moçambique e
a porta natural para o mar do Zimbabwe.
    Quem segue atentamente as pisadas de Simango é a Igreja Católica, apesar da separação entre os
poderes seculares e a espiritualidade. Jaime Gonçalves, provavelmente o mais poderoso bispo
moçambicano, gosta de Simango e sobretudo da forma como o jovem engenheiro conduz a edilidade da
Beira.
    Se a oposição souber jogar no tempo certo, há um líder na forja para os lados do Chiveve.

FRELIMO está a chorar na Beira
— Daviz Simango, edil do município
                                 Por Adelino Timóteo, na Beira

O presidente do Conselho Municipal da Beira, Daviz Simango, engenheiro civil de
profissão, é um dos filhos do antigo líder histórico da Frente de Libertação de
Moçambique (FRELIMO), Uria Simango, estando na edilidade na qualidade de membro da
RENAMO-UE, a principal força da oposição em Moçambique, que tem ao seu comando
cinco autarquias do país.

   Funcionário da construtora CETA e há 34 meses à frente do município da Beira onde tem levado a
cabo uma governação de sucesso, para ele, “a FRELIMO está a chorar”.
   Segundo Daviz, “passavam a vida a cantar que aquele miúdo reaccionário não saberia governar.
Diziam isso em público, mas estamos a mostrar o contrário.
   Eles terão que aceitar a nossa governação.”
Simango teve os seus progenitores mortos pelo então
regime marxista-leninista da FRELIMO que governa Moçambique desde 1975, acusados de serem
“reaccionários”, não se sabendo onde estão sepultados os seus corpos.
   Simango, com a dor que lhe vai na alma, pergunta: “Onde está o padre Guenjere, Simango e outros
que fundaram a FRELIMO? As causas da luta de André Matsangaice ainda não
chegaram ao fim. Ele foi
herói dos moçambicanos, porque lutou para libertar a todos nós”.
   Com as suas origens em Machanga, ele interpreta as frequentes visitas de altos dirigentes da
FRELIMO à Machanga como uma tentativa de “apagar a história de Machanga” por ter sido lá onde se
registaram as maiores revoltas contra o domínio colonial e o da FRELIMO em Moçambique.
   Aquando do lançamento da primeira pedra do monumento a Samora Machel, tido como um dos
principais títeres do pai, Simango insurgiu-se contra a colocação da estátua à sua revelia no Vaz, na
Munhava.
   Foi a primeira vez que a RENAMO-UE fez uso do poder que detém na Beira, quer no executivo, quer
na Assembleia Municipal e obrigou o Poder Central a acatar uma decisão do Poder Local.
   Os seus detractores consideraram recalcamento, mas ele argumentou que uma figura da dimensão de
Machel não merecia um monumento em zona pantanosa.
Demonstrando cultura de Estado, em 2004,
recebeu o Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, no Aeroporto da Beira, tendo, no que foi
classificado de inédito, colocado cartazes e slogans de evocação ao mesmo.
   Hoje procede da mesma forma quando Guebuza vem a Beira.
   Mas dá a impressão que estava mais à vontade com Chissano. Com a ascensão de Armando
Guebuza, fazendo coro com a RENAMO, ele tem contestado os caminhos a que o novo governante leva
o país, a ponto de considerar que este se tem esforçado para implantar a “ditadura” no país, um clima
político que preocupa vários organismos internacionais, a quem solicitara semana finda apoio, dado que o
Governo central pretende dividir a urbe em duas zonas, ficando para ele a de cimento e os subúrbios para
uma figura que se diz que tomará posse em Janeiro.
   Mas não foi só o monumento que o colocou em fricção com o Governo. Daviz Simango também se
manifestou perplexo por o mesmo executivo ter marginalizado a Beira relativamente à construção de
estádios ou complexos desportivos que poderiam acolher um dos grupos do CAN/2010

                                      MENINA DE OLHOS BONITOS

   Sendo a Beira uma “menina de olhos bonitos” disputada pela FRELIMO e RENAMO, por duas vezes
Simango e o governador provincial entraram em rota de colisão sobre matérias relacionadas com as
áreas de jurisdição de cada governante.
   Nos princípios do ano passado, o edil da Beira chegou a lançar um veemente protesto contra a
movimentação de Alberto Vaquina pelas artérias da cidade da Beira, naquilo que o próprio designou de
governação aberta, sem que
tivesse o devido aval da parte do presidente do Município.
   O governador fez “marcha atrás”, ao que se diz, depois de ter recebido “aconselhamento ao mais alto
nível”.

Obras
   Com mais de 80% do trabalho realizado, o sonho de energia eléctrica em Nhangau está prestes a
concretizar-se.
   A EDM conta ter tudo operacional até ao final do ano. Esta é uma verdadeira parceria entre o Município
e a EDM, pois foi o diálogo e a compreensão entre estas duas instituições que tornou possível fazer
chegar energia a Nhangau.
   As obras de pavimentação da Av. Kruss Gomes estão a decorrer num bom ritmo, estando em fase de
conclusão os primeiros 600 metros de pavimento. Os trabalhos da mesma, que atravessa o populoso
bairro da Munhava, são de grande importância para os moradores, e tem o término previsto para Janeiro
de 2007.
   Simango está a desenvolver um projecto de reordenamento do Bairro da Munhava. “A nossa intenção
é de gradualmente passar o bairro para o formal”.
Numa primeira fase, o projecto consistirá na
transferência de segmento determinado de residentes para a Chota. Nesta acção, o Município conta com
o apoio do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Foi lançado o concurso público para a
selecção de uma empresa de consultoria que se vai encarregar pelo estudo geofísico das áreas de
implantação.
   A edilidade está a desenvolver parcerias nas obras de construção de um Centro de Artes e Ofícios, nos
arredores da cidade, em Inhamizua. A iniciativa é da organização “Young Africa”. Dado que a Beira era
uma das cidades mais propensas à cólera e malária, um programa seu tem contido os referidos surtos há
pelo menos dois anos, coordenando-se as acções com as direcções de saúde, acção social, saneamento
e higiene e educação, e incorporando o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, a Direcção de
Obras Públicas e a Direcção Provincial de Água.
   Um dos “calcanhares de Aquiles” da cidade é a protecção costeira, pois a erosão destrói o mangal e
parte da urbe. Assim estão em curso obras de recuperação dos esporões de protecção costeira. Numa
primeira fase, a reabilitação abrangerá a área entre o Fatimar e o Clube Náutico.
   A execução da obra está a cargo da empresa CMC de Ravena. Com a compra por parte do Município
de uma escavadora, iniciou-se a limpeza das valas de drenagem a céu aberto, particularmente na zona
de Muchatazina.
   Paralelamente a esta acção, estão em curso actividades de limpeza de valas secundárias da zona. A
abertura da principal vala de drenagem que parte da zona da Munhava até ao desaguadouro das
Palmeiras é, sem dúvida, um dos grandes feitos da sua governação. Entra no mesmo leque a aquisição
de novos camiões para a recolha de lixo, escavadoras, e a construção de esporões de
protecção
costeira.
   Daviz Simango construiu uma ponte sobre o Chiveve, a que foi dado o nome de Zin Gombe, o primeiro
régulo da Beira. Com a inauguração desta ponte, criam-se mais alternativas de travessia para os
munícipes em direcção ao centro da cidade e vice-versa. Também outras pontecas foram construídas nas
zonas suburbanas e no Estoril.
   O Município da Beira deu início ao programa de aterros em zonas seleccionadas da cidade, para criar
condições de atrair novos investimentos na urbe.
   O primeiro local que se encontra a ser aterrado é o triângulo situado na Ponta-Gea, defronte à
Pastelaria Sobolos. Para o efeito, o município está a utilizar a areia que se acumula na zona do
desaguadouro entre as Palmeiras 1 e 2.
   Simango concluiu com sucesso as obras de reposição do muro de protecção costeira na Ponta-Gea,
próximo ao Restaurante Miramar, restabelecendo-se assim a circulação dos veículos. Este troço da
cidade da Beira era já considerado um “elefante branco” dos diversos executivos municipais, dispondo
agora de bancos para o público.
   Um dos desafios a que o edil se tem entregue é a recolha de lixo na cidade da Beira, cujo resultado
conferiu já à urbe o título de a mais limpa do País.
   O seu principal desafio para os próximos tempos é o combate à criminalidade que “temos na Beira”,
mas isso exige outras capacidades e competências, uma vez que as acções passam igualmente pela
Polícia e pelo Ministério do Interior.
SAVANA – 29.12.2006

								
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