A CATEQUESE DO TEMPO PASCAL

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							                       A CATEQUESE DO TEMPO PASCAL

Queridos Irmãos e Irmãs,

Iniciamos as Celebrações da Páscoa na noite de Sábado Santo, com a Vigília Pascal,
passando solenemente pelo Domingo de Páscoa e a “oitava” , abrindo um tempo litúrgico
correspondente a 50 dias, até a festa de Pentecostes, que chamamos Tempo Pascal. Um
tempo cronologicamente grande que nos oferece um caminho aberto de experimentação
do Mistério da Ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor.
Neste Tempo, como se fosse um grande e único Domingo, o da Páscoa, a Igreja segue
pontuando os aspectos do anúncio querigmático que perpassam os textos do Novo
Testamento para comunicar este evento salvífico-libertador: Cristo venceu a morte, vive e
reina no meio de nós!
Através da liturgia crescemos na compreensão e no significado desta Ressurreição para
nossa vida de fé, e sobretudo, nos desdobramentos práticos para a nossa ação
evangelizadora. Ou seja, a partir da escuta atenta dos textos pascais, partindo do túmulo
vazio e das manifestações do Ressuscitado, em suas aparições, como também
perseguindo seus passos até sua solene subida aos céus e o envio do Paráclito, forlacemos
em nós a dinâmica do Reino, enquanto discernimos, através de sinais, o impacto deste
evento em nossa compreensão racional.
Trata-se de uma catequese que nos oriente e conduza para a verdade de nossa fé. Esta fé
na ressurreição que nos é apresentada pelos relatos evangélicos a partir de três maneiras
fundamentais, ou seja, mediante confissões ou fórmulas de fé, mediante testemunhas que
afirmam essa realidade e mediante os relatos sobre o Ressuscitado. Entretanto, o
fundamento da nossa fé na Ressurreição é fundamentada nas aparições. Estas,
constituem, pois, a revelação de Deus às testemunhas. Deus revela que aquele Jesus,
morto, está agora plenamente vivo. Ou seja, a fé pascal encontra sua origem nas
aparições, isto é, na revelação de Deus. Este comunica às testemunhas que Jesus de
Nazaré está vivo, plenamente vivo. É fácil, assim, perceber que as aparições constituem
uma experiência de fé. Entretanto, não é a fé que cria o Ressuscitado. Ao contrário, a
revelação de Deus a respeito do Ressuscitado é que constitui a origem e o fundamento da
fé. Neste sentido teológico, aparições nada têm a ver com “visões” ou “sonhos”.
Esta nossa catequese, deve portanto, partir do principio de que este acontecimento
chamado Ressurreição não é uma volta atrás, um retorno à situação anterior à morte, na
Ressurreição, Jesus não é restituído a esta nossa vida atual, submetida ao tempo e ao
espaço. Não se trata da revivificação de um cadáver. Na Ressurreição, superando a morte
real do homem, Deus cria uma nova vida, original e incompreensível, a partir de nossa
experiência atual, uma vida nova não sujeita às leis do nosso viver. Assim, da vida nova
do Ressuscitado só é possível falar mediante imagens e analogias. Pode-se afirmar que,
na Ressurreição, Jesus penetra numa “nova dimensão”. De fato, os Evangelhos não
descrevem a Ressurreição. O que sabemos dela é fruto da revelação de Deus manifestada
no Ressuscitado.
Com isso, segue o convite, para que nos domingos seguintes, passo a passo, caminhemos,
não mais como os discípulos de Emaús, que abatidos e sem esperanças lamentavam ainda
a morte do Senhor. Mas como eles, perpassando o caminho, através das Escrituras e da
Eucaristia possamos fazer um encontro com Jesus Cristo vivo, e vivo plenamente.

Pe. Frei Carlos Roberto de Oliveira Charles, OFMConv. - Pároco

						
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