Vigília Pascal by hcw25539

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									                                    VIGÍLIA PASCAL

                                  Simbologia e ritualidade


Noite de festa e recordação

A Vigília Pascal constitui o âmago de todo o Ano Litúrgico. A celebração litúrgica é marcada
pela ritualidade e simbologia. É a uma noite de memória dos eventos passados no nosso hoje.
É a noite da recordação onde atualizamos o mistério da passagem da morte para a vida, na
Páscoa do Cordeiro. Noite em que celebramos a Páscoa de Jesus Cristo e a Páscoa dos
cristãos. É a grande festa dos cristãos, a “mãe de todas as Vigílias”. É a noite em que
renovamos nossas esperanças de participar da vida de Deus.

Na Vigília Pascal somos iluminados pela luz do Ressuscitado. Vivemos o presente com suas
raízes no passado e com o olhar voltado para o futuro. Por isso mesmo, podemos dizer que é a
noite da vitória da morte e do pecado em Cristo Ressuscitado, nossa luz, vida e vitória.

Nessa noite da festa pascal participamos da festa batismal daqueles que percorreram a
preparação para os sacramentos de iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. A
Igreja dá a luz aos novos filhos e filhas pela fé e pelo Batismo, após a penitência quaresmal,
renovando a aliança de Deus na vida das pessoas. Os cristãos batizados renovam sua fé no
Ressuscitado, fonte de vida e esperança.

Na Vigília Pascal celebramos a vida renovada em Cristo ressuscitado, em Comunidade. A
liturgia da Vigília Pascal é rica em ritos e símbolos. Na abertura da celebração recordamos a
luz que é o próprio Cristo, luz do mundo. Ele dissipa as trevas e ilumina os presentes. A
atitude da assembléia congregada, normalmente fora do templo, é de gratidão, alegria pela luz
que brilha para todos.


Noite da luz

Fora da igreja, no clarão da lua cheia acendemos a fogueira, abençoamos o novo fogo,
acendemos o Círio pascal e as velas do povo, com as palavras: “A luz de Cristo que ressuscita
resplandecente, dissipe as trevas de nosso coração e de nossa mente”.

A luz é um dos símbolos que saboreamos na noite da Vigília Pascal. A assembléia reunida é
convidada a seguir a “Luz de Cristo” apresentando sua fé, “dando graças a Deus”. A procissão
com o incensório e Círio é acompanhada pelo canto: “Eis a luz de Cristo”. Com todas as
luzes da igreja acesa, incensa-se o Círio e o livro da Proclamação da Páscoa. Da estante faz-
se a proclamação pascal.

É sempre oportuno lembrar que o simbolismo da luz dispensa explicações nesta Vigília. É a
comunicação do mistério celebrado na “noite iluminada que afugenta os pecados, lava as
culpas, devolve a alegria aos tristes...”

É a Igreja, esposa alegre, indo ao encontro de seu esposo Jesus Cristo, depois da longa
Quaresma, louvando ao Senhor que nos comunicou a vida nova em Cristo, princípio e fim de
tudo, aquele que abrange o tempo e a eternidade.
É bom recordar que partir dessa noite o Círio iluminara todas as celebrações da comunidade,
inclusive a liturgia das horas ou no ofício divino das comunidades, ao longo de cinquenta
dias, até a tarde de Pentecostes.


Noite de escuta da Palavra de Deus

A liturgia da Palavra torna presente a Palavra criadora de Deus, na criação , na formação de
um novo povo, no Cristo ressuscitado, na Igreja hoje, renovando a aliança de Deus com a
humanidade.

As sete leituras do Antigo Testamento, cada uma delas seguida por um salmo responsorial ou
um cântico bíblico e oração, revelam Deus presente na vida e caminhada do seu povo. Após
leitura do profeta Ezequiel, quando há celebração do Batismo, canta-se o Glória a Deus nas
alturas e segue-se a Oração Coleta. Após a leitura da Carta do apóstolo Paulo (Rm 6,3-11),
canta-se o Aleluia, a proclamação do Evangelho e a homilia.


Liturgia da água

Na noite da Vigília Pascal a água aparece como um dos elementos mais universais e
significativos de nossa vida. É o líquido mais apreciado deste nosso planeta Terra. “Tu a
criaste para tornar a terra fecunda e para beneficiar nossos corpos com o frescor e a limpeza”
(Oração do Missal romano para a aspersão dominical).

O simbolismo da água aparece no Batismo enfatizando o aspecto positivo de fonte de vida.
Na oração de bênção da água recordamos: a criação, o dilúvio, a passagem do Mar Vermelho
e o Jordão. São passagens bíblicas que nos ajudam a compreender o sentido e significado do
sacramento do Batismo que nos purifica, renova, faz nascer de novo, incorpora ao mistério de
Cristo para que ressuscitemos para a vida.

Junto à fonte batismal rendemos graças a Deus por sua ação libertadora através da história da
salvação (Batismo). Os que são confirmados na fé (Crisma) experimentam a ação do Espírito
Santo na nova criação e na vida da Igreja.

O ritual da Semana Santa prevê três possibilidades à escolha:

1. Onde houver Batismo: apresentação dos candidatos, introdução e Ladainha de todos os
santos; oração sobre a água; renúncia, Profissão de fé e Batismo; renovação das promessas
batismais por toda a assembléia; aspersão do povo com água batismal e oração dos fiéis. Cada
sacramento de iniciação cristã é expresso por um símbolo de vida e animação pela ação do
Espírito Santo

2. Onde não houver bênção da água batismal (sem batismo): introdução e Ladainha; oração
sobre a água; renovação das promessas batismais; aspersão do povo com água e oração dos
fiéis;

3. Onde houver a bênção da água (simples): bênção da água; renovação da promessas do
batismo; aspersão com a água benta e oração dos fiéis.
Liturgia do pão e do vinho

Ponto alto da celebração da Vigília Pascal é a celebração da Eucaristia, ação de graças,
celebração da nova Páscoa de Cristo acontecendo na vida da Igreja. A vida que nasce do
Batismo e é animada pelo Espírito Santo alimenta-se na mesa do Cordeiro pascal: Jesus
Cristo.

Congregados ao redor da mesa da Eucaristia, o cristão é chamado a dar testemunho da Morte
e Ressurreição do Senhor Jesus, com o compromisso de colaborar na transformação do
mundo para que todos tenham vida, ajudando a inaugurar o novo céu e a nova terra.


Viver o mistério celebrado na Vigília Pascal

O Sábado Santo é um dia que nos convida a viver em oração e na escuta atenta de Deus. É dia
de “pausa” para deixar brotar no coração a plenitude do reconhecimento das razões da nossa
fé e da nossa esperança.

O Sábado Santo estabelece a ponte entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo da
Ressurreição. É o dia da “fé recolhida”, de alimentar a chama da fé, a exemplo de Maria,
modelo de confiança e esperança total à espera da ressurreição. Esse é um dos motivos pelo
qual o sábado é dedicado ou consagrado como “dia de Nossa Senhora”, dia que antecipa o
“dia do Senhor”.

Viver o Sábado Santo, com Maria, é crer e esperar na vitória do bem sobre o mal, ajudando o
bem florescer em meio a tantas crises e conflitos que a humanidade experimenta. É acreditar
na força da união na família que tem em Maria um referencial. Por isso, ela sempre foi e será
estrela nas dificuldades e desafios e sinal de esperança que orienta os que sofrem.


FONTES:

CELAM, Liturgia II, A celebração do Mistério Pascal, fundamentos teológicos e elementos
constitutivos, Paulus, São Paulo, 2005
-----------, Liturgia IV, A celebração do Mistério pascal, outras expressões celebrativas do
Mistério Pascal e a liturgia na vida da Igreja, Paulus, São Paulo, 2007
BERGAMINI, Augusto, Cristo, festa da Igreja, o ano litúrgico, Paulinas, São paulo, 1994
BECKHAUSER, Alberto, Viver o ano litúrgico, reflexões para os domingos e solenidades,
Vozes, Petrópolis, 2003
BUYST, Ione, Preparando a Páscoa, Paulinas, São Paulo, 2002

								
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