NIETZSCHE E A MORTE D ZSCHE E A MORTE by morgossi7a1

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									                                       UNIVERSIDADE
                                       FEDERAL DE
                                       UBERLÂNDIA
                                       4ª Semana do
                                       Servidor e 5ª Semana
                                       Acadêmica
                                       2008 – UFU 30 anos




           IETZSCHE
          NIETZSCHE E A MORTE DE DEUS: UMA CRÍTICA AO
                         CRISTIANISMO.
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    Talita Carolina Romualdo Rocha

Universidade Federal de Uberlândia

Endereço: Campus Santa Mônica Avenida João Naves de Ávila, 2121

Email: ufu@ufu.br

                       enho                                       Friedrich
       Neste trabalho tenho como objetivo mostrar o pensamento de Fr
                           Deus.
Nietzsche sobre a Morte de Deus
                                                                  (1844-1900) foi
        Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do final do séc. XIX (1844
criado por sua mãe (devido à morte do pai, quando Nietzsche tinha cinco anos de
idade), pela avó e por duas tias, crescendo num ambiente feminino que o vai
marcar psicologicamente.
                           faculdade,
       Quando entrou na faculdade Nietzsche passou a se interessar pelos pré pré-
                                seus
socráticos e só mais tarde em seu livros Aurora, A Gaia Ciência, Assim falou
                                                 a,
Zaratrusta e Para a genealogia da moral que ele volta a falar de Deus e de como o
mal lhe perseguia.
      Antes de falar sobre o que Nietzsche pensava sobre este assunto é
importante ressaltar que apesar de ser o filósofo mais vinculado a essa questão,
houve filósofos antes dele a citar a “morte de Deus”, como por exemplo, Hegel
(1770 - 1831), que considerava a teologia moderna como derivação para o
formalismo iluminista, que proclama a “morte de Deus especulativa”, usando o
   ndono
abandono de Deus para tratar a religião como algo institucional e cultural.
       Após este breve comentário, voltemos a falar sobre o pensamento
nietzschiano:
       Recusando a moral cristã, Nietzsche desaprova o que afirma ser a negação
                                    segundo
da existência humana que se dá segundo ele à negação dos instintos e da
incapacidade de aceitar o fim da vida como apenas o fim de tudo, e não como o
começo de outra em um próximo plano espiritual, gerando assim uma fuga da
realidade.


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                          Filosofia.
    Acadêmico do curso de Filosofia
                                                                               1
                           “(...) Assim sendo, a humanidade não representou até o
                           momento uma evolução para “algo melhor”; o
                           progresso é uma idéia moderna, e como esta é uma
                           afirmação falsa.”
                           (O Anticristo, §4; p.17)


      Para Nietzsche, a espinha dorsal do cristianismo é o predomínio de um
julgamento do que é bom ou ruim com base no pecado, no medo de uma
condenação de Deus, e a crença Nêle é um artifício indispensável.


                    “Julgar e condenar moralmente é a forma favorita de os
                    espiritualmente limitados se vingarem daqueles que o são
                    menos, e também uma espécie de compensação por terem sido
                    descurados pela natureza [...] No fundo do coração lhes faz
                    bem que haja um critério segundo o qual mesmo os homens
                    acumulados de bens e privilégios do espírito se igualem a eles
                    – lutam pela “igualdade de todos perante Deus”, e para isso
                    precisam crer em Deus.”
                           (Além do Bem e do Mal, § 219, p. 125)


       O homem quando movido pela vontade de poder, se torna superior aos
outros, pois ele “derruba os ídolos”, e no momento que isso acontece, ele supera os
juízos de valor impostos a ele pela tradição cristã e passa a assumir o seu lugar na
história. O homem a partir daí passa a resgatar a sua natureza instintiva, fugindo
do ressentimento originário, da “má consciência”.
       Cada povo tem um Deus para si, uns o glorificam por ser bom, por lhe
darem graças, sacrificando por Ele, dando oferendas a Ele, enfim, de acordo com
Nietzsche, neste caso a religião é uma forma de agradecimento e uma solução para
suas dores e preocupações espirituais e mundanas.


                    “Tanto se precisa do Deus mau como do bom [...] quando um
                    povo entra em colapso; quando sente esvair-se para sempre a
                    fé no futuro, a sua esperança na liberdade [...] há também que
                    mudar o seu Deus. Torna-se agora sonso, medroso, humilde,
                    aconselha a ‘paz da alma’ [...] Moraliza constantemente [...]
                    faz-se o Deus de toda a gente [..] Outrora, representava um
                    povo, a força de um povo, tudo o que de agressivo e sedento
                    de poder existe na alma de um povo: agora é simplesmente o
                    Deus bom… De fato, não há para os deuses outra alternativa:
                    ou são a vontade de poder – e enquanto o forem serão deuses
                    de um povo – ou são a impotência do poder – e então tornam-
                    se forçosamente bom(...)”
                                                                                  2
                    (O Anticristo, §16, pp. 29-30).


       A partir dessas considerações sobre a moral e a religião cristã, Nietzsche
começa a fazer uso de um termo chamado niilismo, como causa da “doença do
século”, e como tema principal na “morte de Deus”.
      O niilismo é para Nietzsche:
                    “Falência de uma avaliação das coisas, que dá a impressão de
                    que nenhuma avaliação seja possível”
                     (NIETZSCHE, F. Fragmentos finais, 5 (57), p.49).




       Esse niilismo marca o momento da perda de sentido e de validade dos
valores superiores da cultura ocidental, é o fracasso de uma interpretação da
existência que sempre auxiliou o homem a suportar a dor.      Antes a cultura era
compartilhada em Deus e essa era um predicado que unia e determinava a Europa,
agora as ciências, as artes e a política não estão mais pondo Deus como centro de
tudo e nem como sentido da vida.
      O niilismo foi a constatação de que Deus está morto, pois a cada dia
percebe-se que há um aumento da ausência de Deus no pensamento e nos atos dos
homens. Podemos perceber isso com o fato do homem que antes acreditava que a
causa de tudo era divina, começou a explicar os fatos agora pela ciência, tomando
assim o lugar da teologia, chegando à conclusão de que tudo que considerávamos
verdade absoluta não passava de ilusão.
                    “A morte de Deus marca o fim do dualismo entre mundo
                    sensível e supra-sensível, e o mundo que sobrou parece falso e
                    sem valor. Ao eliminar o “mundo-verdade” a morte de Deus
                    põe fim também ao “mundo das aparências” e ao mais longo
                    erro da humanidade. Se o mundo verdadeiro não existe, tudo
                    o que se acreditou era uma mentira, a vontade do homem
                    moderno é uma vontade que quer o nada. A morte de Deus
                    cria um vazio que pode ser acentuado pelo último homem,
                    para quem não há mais valor, ou preenchido pelo super-
                    homem, produto da criação de novos valores.”
                    (NIETZSCHE, F .Genealogia da moral, III-1)
      Nietzsche ao falar sobre o niilismo, nos mostra que há dois tipos:
      O niilismo passivo (dos fracos), que demonstra a fraqueza, o declínio da
potência de espírito e do cansaço.
       E o niilismo ativo (dos fortes), que expressa um sinal de força, são aqueles
que crescem na vontade de poder, que rejeitam os antigos valores e prepara uma
nova instituição desses valores dando-lhes um novo fundamento.
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      A morte de Deus representa a decadência dos valores, e o homem ao
perceber isso, se depara com uma vida sem sentido e sem perspectivas, pois sempre
foram impostos a ele caminhos traçados de comportamento.
        Com a afirmação de que Deus está “morto”, Nietzsche passa a fazer uma
crítica ao cristianismo através do profeta Zaratrusta de seu livro Assim falava
Zaratrusta,onde ele afirma que o cristianismo morreu junto com Cristo no dia da
sua crucificação,e também prega o nascimento do “Super - Homem” que é aquele
que ocuparia o lugar de Deus.
       Com a morte de Deus, o homem se torna livre, mas antes de adquirir esta
liberdade, ele passa por três fases, Nietzsche faz uma analogia com três seres: O
Camelo, o Leão e a Criança.
       O Camelo, significa que o homem está preso ao "tu deves", em que o homem
se curva diante de Deus. "...o espírito transformado em besta de carga toma sobre si
todos estes pesados fardos; semelhante ao Camelo carregado que se apressa a ganhar
o deserto . (NIETZSCHE, F. W. - Assim Falava Zaratustra - pag 30)
       Já o Leão não consegue criar valores e não se liberta dos antigos valores e
nem consegue criar novos valores, diferente da Criança, que tem a capacidade de
criar valores novos pois, ela é inocente e se esquece do passa quando há uma
novidade, por exemplo quando se ganha um novo brinquedo ou se inventa uma
nova brincadeira.
       Nietzsche ainda cita neste livro que quando adquirimos o espírito de
Criança ele "quer agora a sua própria vontade; tendo perdido o mundo, conquista o
seu próprio mundo".

    A morte de Deus faz o homem ocupar o seu lugar e tornar-se "super-homem”.
É na morte de Deus que o homem goza da sua liberdade e se liberta da opressão
de Deus que limita o homem, tendo conhecimento de que tudo que lhe fora imposto
em seus antigos valores era somente ilusão. Agora o homem não precisa mais de
Deus, tornando-se o novo Deus.

       Portanto, a crítica em Nietzsche está em seu questionamento à Teologia e à
prática religiosa como instrumentos institucionais, mundanos, como apoios do que
aterroriza o homem, invocando o castigo divino perante o pecador, diminuindo-o,
negando a possibilidade de um homem livre dessa mácula. Da mesma forma o
asceta e o sacerdote são vistos por Nietzsche como opressores por excelência, que
em primeiro lugar negam a si, a sua condição natural, decretando uma conduta
antinatural como o caminho a Deus, e em segundo lugar, são instrumentos de
canalização do ressentimento, da intolerância e do fanatismo de seus fiéis (O
Anticristo, § 26, pp. 42-44; § 43, pp. 64-66 e § 56, p. 88).

     A morte de Deus para Nietzsche, então, era o ato de matar os dogmas, o medo
e o conformismo que antes o homem tinha, e passar a não obedecer às leis que
foram impostas a ele desde sua existência. Este ato seria como uma libertação, uma
afirmação de si mesmo, elevando-se a sua própria existência, fazendo com que essa
fé em Deus seja transferida para o super-homem, numa tentativa de superar a
alienação religiosa.

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Referências


              5
Nietzsche, F.W.,2005, “O Anticristo”, Editora Escala, São Paulo, Brasil

Nietzsche, F.W.,2005 , “Assim Falava Zaratustra”, Editora Escala, São Paulo,
Brasil.
Nietzsche, F.W.,2005, “Genealogia da moral”, Editora Escala, São Paulo, Brasil.
Nietzsche, F.W.,2005, “Fragmentos finais”, Editora Escala, São Paulo, Brasil.
Nietzsche, F.W.,2005, “Além do Bem e do Mal”, Editora Escala, São Paulo, Brasil.
Lucariny, J.G.D., “A MORTE DE DEUS E A MORTE DO HOMEM NO
PENSAMENTO DE NIETZSCHE E DE MICHEL FOUCAULT”, dissertação de
mestrado UFRJ 1998.




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