O papel da mídia capixaba na construção do imaginário by sparkunder15

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									   O papel da mídia capixaba na construção do imaginário social do progresso no Espírito Santo deste
                                           início de século
                                                     Ana Claudia Silva Mielki (ECA-USP, bolsa FAPESP)
                                                                                anamielki@yahoo.com.br

A presente pesquisa investiga dois jornais impressos capixabas, a saber, A Gazeta e A Tribuna e tem por
objetivo geral entender como tais jornais, a partir do discurso por eles veiculado, operam na construção do
imaginário social do progresso no Espírito Santo.
A partir do aporte teórico-metodológico da análise do discurso, a pesquisa busca encontrar nos textos os
indícios que levam a uma formação discursiva, e, por conseguinte, a uma formação ideológica em que o
progresso emerge como categoria fundante. Tais indícios, que tecem a trama do imaginário do progresso é o
discurso, entendido como materialidade lingüística, lugar em que se articulam sujeito, língua e história.
A premissa inicial é a de que o progresso, ainda que não apareça nos jornais como um enunciado concreto,
constitui-se enquanto “idéia” e funda-se como “vontade de ser”, ganhando assim aderência social. Logo, se por
um lado, o progresso aparece como discurso forjado por determinados grupos, por outro, encontra aderência
nessa “vontade de ser”, constituindo-se enquanto imaginário coletivamente apropriado.
O imaginário social seria, por seu turno, essa espécie de “imagem” que a sociedade cria de si. Uma forma de
um grupo, uma comunidade, uma sociedade se enxergar; a base na qual cada sociedade elabora a imagem de si
mesma e do universo em que vive. Enquanto uma imagem atua, portanto, como uma espécie de representação
da realidade. É o espelho no qual se estrutura essa sociedade. Mas esse espelho, no entanto, não “funciona” com
uma imagem refletida e sim com uma representação dessa realidade.
A pesquisa conta com uma articulação teórica com o campo da história e também das ciências sociais, em
especial, a sociologia das práticas sociais, sendo o conceito de habitus jornalístico um dos aportes teóricos da
pesquisa. Articular a discussão acerca do habitus jornalístico, discutir como o jornalismo cria, a partir de sua
prática e seu modo de operação, um lugar para si mesmo – lugar de quem fala –, é também um dos objetivos
desta pesquisa. Para isso queremos entender como o jornalismo, ao mesmo tempo em que opera discursos
outros, opera o discurso sobre si mesmo, construindo-se como lugar de legitimidade.
Para as análises, foi realizada uma seleção aleatória das edições do jornal, chegando a um total de 100 edições
(50 de cada jornal) distribuídas entre os anos de 2002 e 2006. O período foi escolhido por ser tratar de momento
ímpar em relação ao discurso do progresso no estado do Espírito Santo, em parte, pelas mudanças que ocorriam
no cenário local, em parte, pelas mudanças que ocorriam no cenário nacional. As matérias ou colunas fazem
parte dos cadernos de Economia de ambos os jornais.

								
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