APRENDIZAGEM COOPERATIVA ENQUANTO ESTRATÉGIA PARA INCLUSÃO DE
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APRENDIZAGEM COOPERATIVA ENQUANTO ESTRATÉGIA PARA INCLUSÃO
DE TODOS OS ALUNOS
Área Temática: Educação Inclusiva, Educação e Direitos Humanos
Coordenador: Professor Dr. Paulo Ricardo Ross
Equipe executora: Prof. Dr. Paulo Ricardo Ross, Gláucia Harumi Maruo e Scheilla
Cristina da Silva (acadêmicas do curso de Enfermagem/ licenciatura).
Instituições envolvidas: Setor de Educação da UFPR, DTFE, Secretaria Municipal
da Educação de Fazenda Rio Grande.
Resumo
Este projeto tem como objetivo demonstrar e reconhecer os problemas que os
professores enfrentam para a inclusão dos alunos com necessidades especiais,
através da observação dos mesmos em sala de aula. Para em seguida desenvolver
uma intervenção pedagógica utilizando a aprendizagem cooperativa.
Palavra-chave: Inclusão, aprendizagem cooperativa, adaptações curriculares.
Público-alvo: Profissionais da área de educação. Professores e alunos.
Data de início: maio de 2004.
Metodologia
No presente estudo, antes de sair para campo, as alunas bolsistas fizeram
uma revisão literária sobre o assunto, planejando e realizando estratégias de
intervenção e formação de professores na escola. O projeto está realizando a
observação de alunos com necessidades especiais em sala de aula visando
conhecer a realidade que este aluno está inserido, atualmente nas classes
regulares. Em seguida, fizeram-se entrevistas com os professores e alunos. Tem-se
por objetivo investigar quais os sentimentos, expectativas e representações em
relação à escola, sua aprendizagem formal e informal, as interações e as
adaptações propostas para atender as suas necessidades. Após a análise dos
resultados será realizado um curso de capacitação para conhecer os princípios e
fundamentos da aprendizagem cooperativa e das adaptações curriculares, com
vistas à modificação e melhoria da qualidade das práticas pedagógicas organizadas
por esses professores. O professor tem o direito e o compromisso profissional de se
converter em mediador do conhecimento historicamente acumulado, valorizando as
diferenças humanas como vantagens para proposição de desafios, na resolução de
problemas e nas interações possíveis entre os alunos.
Pessoas com necessidades especiais existem desde o início da humanidade.
As formas como a sociedade às trata é que vem se diferenciando com o passar dos
tempos. Num primeiro momento, eram excluídas do convívio. Eram abandonadas ou
intencionalmente eliminadas, pois não respondiam as exigências econômicas da
época. Não se prestavam ao escravismo, nem à formação para guerreiros. Na Idade
Média, eram tratadas como demônios ou pessoas com “poderes sobrenaturais”, ou
seja, sua dimensão humana, sua capacidade de aprender, de conviver socialmente
eram negadas. Na era da institucionalização, inaugurada no Século XVI, foram
segregadas e submetidas a trabalhos forçados. Mas, somente no Século XIX, com
as experiências de Itard e Seguin, passa-se a investigar a possibilidade, as
metodologias, enfim, surge a crença na educação de pessoas com deficiência
mental. Atualmente, a sociedade está conscientizando-se de que as pessoas com
deficiência devem ocupar seus espaços de cidadãos exercendo seus direitos, como
a educação, trabalho, lazer, ou seja, ter oportunidade de viver dignamente. A isso
chamamos de inclusão, a adaptação da sociedade aos indivíduos que estão à
margem da mesma. Porém, o mais comum hoje é a integração, isto é, o grupo
procura adaptar as pessoas com necessidades especiais à sociedade. O social deve
atuar complementando o biológico, pois a prática social não é determinada por
relações de consangüinidade, pode-se afirmar que são as leis da
complementaridade que determinam as relações entre os seres humanos. O ideal
da inclusão seria as atividades de aprendizagem cooperativa onde cada aluno
participa do ensino do outro, pois aquilo que sei fazer só adquire valor na relação
com o outro, quer para complementar habilidades suas, quer para transformar
conexões equivocadas ou distorcidas sobre algo.
Discussão do Estudo
Este trabalho está sendo realizado numa Escola Inclusiva em um município
da região metropolitana de Curitiba, onde estão sendo observadas aulas de alunos
com necessidades especiais, com deficiências múltiplas, visuais, motora, mental e
hiperatividade. Observa-se que apesar da boa vontade dos funcionários e do corpo
docente da escola ainda não conseguiram pôr em prática a inclusão propriamente
dita. Alguns professores relataram a falta de preparo para lidar com esses alunos,
sendo isso confirmado durante a observação de suas aulas. Outros problemas
apontados foram à falta de profissionais especializados na área de fonoaudiologia e
psicologia para fornecer o diagnóstico e acompanhamento.
Como fazer então para lidar com as diferenças dentro das classes?
Por que em uma sociedade tão diversificada como a brasileira, ainda nos
sentimos inseguros perante o diferente?
Hoje em dia, o maior obstáculo ao progresso da inclusão nas escolas não é o
dinheiro ou a inexistência de legislação, e sim as atitudes negativas por parte de
muitos pais, professores, líderes comunitários e políticos. Currículos padronizados
são desnecessários nas escolas atuais, por que mesmo que ela não contenha
alunos com deficiência, estudos já comprovaram que os indivíduos têm diferentes
formas de aprendizagem, aí surgem as adaptações curriculares, que são flexíveis
para que atendam realmente a todos os educandos. A formação do indivíduo como
cidadão se faz na escola, por isso, oportuniza a criança o convívio com pessoas de
diferentes raças, religiões, classes socioeconômicas, culturas e diferentes
capacidades para aprender.
Estaremos formando uma sociedade menos preconceituosa, mais humana e
justa, sabendo reconhecer no outro a sua real capacidade e valor. Segundo Robert
Barth, professor de Harvard (1990, p.514-515) “... as diferenças representam
grandes oportunidades de aprendizado. As diferenças oferecem um recurso grátis,
abundante e renovável... o que é importante nas pessoas – e nas escolas – é o que
é diferente, não o que é igual”. Neste sentido a aprendizagem cooperativa vem para
demonstrar que podemos ensinar uns aos outros, reconhecendo em nossos alunos
suas habilidades e dificuldades, e ensinando-os a compartilhar suas aptidões com
os demais, ajudando até mesmo ao professor em suas dificuldades na mediação de
conhecimentos entre os alunos.
No livro Inclusão - um guia para educadores de Susan e William Stainback, há
uma citação de Johnson & Johnson, 1987 a, que diz:”... o papel do professor que
estrutura grupos cooperativos desloca-se do papel de um transmissor de
informações para o de mediador da aprendizagem. As cinco principais tarefas do
professor no arranjo cooperativo entre aluno e professor são: 1) especificar
claramente os objetivos da lição, 2) Tomar decisões sobre colocar os alunos em
grupos de ensino para garantir a heterogeneidade, 3) Explicar claramente que
atividades de ensino são esperadas dos alunos e como a interdependência positiva
deve ser demonstrada, 4) Controlar a eficácia das interações cooperativas e intervir
para proporcionar assistência a tarefa (p.ex: responder perguntas ou ensinar
habilidades relacionadas a elas) ou melhorar as habilidades interpessoais e de
grupos dos alunos e, 5) Avaliar as realizações do aluno e a eficiência do grupo”.
Com este trabalho esperamos intervir de maneira adequada amenizando as dúvidas
e proporcionando aos docentes mais alternativas metodológicas para facilitar a
adaptação dos educandos com necessidades especiais melhorando assim o
conhecimento formal dos mesmos, além da socialização que é indispensável para
todos os indivíduos.
Referências
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. A integração de pessoas com deficiência:
contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon: Editora SENAC,
1997.
SASSAKI, R.K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro:
WVA, 1997.
STAINBACK, S. B. As Raízes do Movimento de Inclusão. Revista Pátio, ano V; n.º
20; fev/ abril – 2002, p.15-16.
STAINBACK, S.; STAINBACK, W. Inclusão: um manual para educadores. Porto
Alegre: Artmed, 2000.
1. Paulo Ricardo Ross, professor do setor de Educação da Universidade Federal
do Paraná, Departamento de Planejamento de Administração Escolar. Rua General
Carneiro, 460, Centro – Curitiba-PR.
2. Glaucia Harumi Maruo, acadêmica do curso de Enfermagem-licenciatura da
Universidade Federal do Paraná.
3. Scheilla Cristina da Silva, acadêmica do curso de Enfermagem-licenciatura da
Universidade Federal do Paraná. E-mail: inclusaoufpr@pop.com.br
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