Síntese do Novo Testamento

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Síntese do Novo Testamento Powered By Docstoc
					ESCALE – Escola para Capacitação de Liderança Evangélica Belo Horizonte-MG

SÍNTESE DO NOVO TESTAMENTO

Nelson Salviano

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
I) INTRODUÇÃO: NT: SIGNIFICADO E CONTEÚDO A) O Nome B) O Conteúdo 1- Caráter literário 2- Autores 3- Períodos C) Canonização do NT 1- Origem dos escritos do NT 2- Testemunhos informais 3- Cânones mais antigos 4- Concílios II) O MUNDO DO NOVO TESTAMENTO A) O Mundo Romano: Contexto Histórico 1) O Mundo Religioso: - Panteão Greco-Romano - Culto do Imperador - Religiões Mistério - Filosofias B) O Mundo Grego C) O Mundo Judaico III) DOCUMENTOS DA IGREJA PRIMITIVA - Período de Expansão - 33 a 60 A) ESTABELECIMENTO DA IGREJA: DOCUMENTO: ATOS 1) Fundação da Igreja - 1:1 a 8:1-3 2) Transição da Igreja - 8 a 12 B) Primeira Viagem Missionária: At 13 e 14 (47-49 d.C.) – Primeira Missão à Ásia: a) Sede de Missões: Antioquia da Síria b) Locais Visitados: Chipre, Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe c) Igrejas: Icônio, Listra e Derbe C) Concílio de Jerusalém: At 15 (49 d.C.) 1) Literatura Protesto: a) Epístola aos Gálatas b) Epístola a Tiago IV) PROBLEMAS DA IGREJA PRIMITIVA (60-100 d.C.) A) Epístolas Pastorais a) I Timóteo b) Tito c) II Timóteo B) Igreja Sofredora a) I Pedro C) Rompimento com o Judaísmo a) Hebreus D) O Perigo das Heresias a) II Pedro b) Judas c) I, II e III João E) A Igreja Expectante a) Apocalipse E) Missão à Macedônia a) Filipos b) Tessalônica c) Beréia F) Missão à Acaia a) Atenas b) Corinto c) Visita a Éfeso G) Terceira Viagem Missionária: At 18:23 a 21:1-26 (51-56 d.C.) – Terceira Missão à Ásia: a) Éfeso b) Missão Projetada: Roma (At 19:21) c) Visita à Macedônia e à Grécia H) Prisão de Paulo: At 21:27 a 28:1-31 (5660 d.C.) – Epístolas: a) Filemon b) Efésios c) Colossenses d) Filipenses D) Segunda Viagem Missionária: At 15:36 a 18:1-22 (49 a 51 d.C.) – Segunda Missão à Ásia: (impedimento – Atos 16:6-8)

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PROPOSTA DA DISCIPLINA: SÍNTESE DO NOVO TESTAMENTO
I) PROBLEMÁTICA

O estudo do NT requer por parte do estudante um conhecimento histórico, político, social e religioso do contexto abrangente aos acontecimentos dos fatos do primeiro século.

II) OBJETIVOS

A) Geral: Despertar no aluno o interesse pelo estudo do NT reconhecendo a importância do estudo integrado desta disciplina às demais correlatas que abordam fatos e acontecimentos históricos ocorridos no 1º século.

B) Específico: O conteúdo desenvolvido no decorrer do curso levará o aluno a: 1) Por em ordem os conhecimentos adquiridos em outras disciplinas ao contexto histórico, político e religioso do NT;

2) Desenvolver um estudo específico do NT, no que diz respeito ao Nome, Conteúdo, Caráter Literário, Autoria e Canonização;

3) Reconhecer o livro de Atos como um documento histórico que conta a história da Igreja Primitiva e a expansão do cristianismo no decurso do 1º século;

4) Analisar à luz da história bíblica em Atos dos Apóstolos: - A história do Cristianismo; - Os líderes responsáveis na divulgação e expansão do cristianismo; - As viagens empreendidas e os continentes alcançados; - As Igrejas fundadas e as cartas escritas.

5) Estudar sinteticamente as cartas de: - Coríntios, Gálatas e Tiago por representarem problemas visíveis a Igreja do NT; - As demais cartas ver-se-á algumas noções mediante a exigência do estudo vigente. I) INTRODUÇÃO
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1- O NOVO TESTAMENTO: SIGNIFICADO A) NOME: A designação de NOVO TESTAMENTO dada à segunda parte da Bíblia vem do latim Novum Testamentum que vem a ser uma tradução do Grego H KAINH IAOHKH (Hê Kainê Diathêke, aportuguesando). Esta expressão grega era usada geralmente para designar “uma última vontade, ou testamento”. Significava uma disposição feita pôr uma parte que a outra parte podia aceitar ou rejeitar mas nunca alterar. Uma vez que o melhor exemplo de tal escritura é um legado, usa-se o latim testamentum que dá em português Testamento. O tradutor grego do AT usa diathêke em Êxodo 24:8 para traduzir a palavra hebraica que significa pacto, aliança. Lucas usa tal expressão (22:20) onde é posto em contraste com o novo pacto(diathêke) que Jesus fêz com os Seus discípulos na última ceia. O termo pacto significa um ajuste, estipulação ou contrato, que liga ambas as partes num acôrdo. Implica mais do que uma promessa, pois uma promessa obriga somente a pessoa que a fêz enquanto que um pacto obriga igualmente ambas as partes que nele entram. O Novo Testamento é portanto, o livro onde está registrado o estabelecimento e o caráter das novas negociações de Deus com os homens por meio de Cristo. B) CONTEÚDO Consiste na revelação deste novo pacto por meio das palavras escritas de Jesus e dos seus seguidores. Compreende 27(vinte e sete) obras distintas, de 9(nove) autores diferentes. Estes documentos foram escritos num espaço de pouco mais de meio século, provavelmente nos princípios de 45 d.C.até cerca do ano 100 d.C. As alusões históricas que nele ocorrem, dizem respeito a todo o 1º século e o seu fundo de pensamento cultural recua até ao século quarto ou quinto a.C. O conteúdo do Novo Testamento pode classificar-se de três maneiras: pelo caráter literário, pelos autores e por períodos. CARÁTER LITERÁRIO: HISTÓRICO: Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos. Todos narram uma história. Os quatro primeiros esboçam de diferentes pontos de vista, a vida e a obra de Jesus. O livro de Atos continua a história dos seguidores de Jesus depois de terminada a Sua vida terrena, dando especial relêvo à carreira do missionário Paulo. É a continuação do 3º evangelho. DOUTRINÁRIOS: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, Hebreus, Tiago, I e II Pedro, Judas e I João. A maior parte deles foi escrita na forma de carta às igrejas, com o propósito de as instruir nos princípios fundamentais da fé cristã e na prática da moral cristã. Foram escritas como resultado de problemas surgidos que precisavam ser tratados e esclarecidos. PESSOAL: I e II Timóteo, Tito, Filemon e II e III João. Estes foram escritos como cartas pessoais a particulares, não a grupos, com a intenção de serem usadas como conselho e instrução privados. Mas por causa dos seus receptores estarem ligados à chefia das igrejas, estes livros adquiriam um significado mais amplo do que o de epístolas privadas e passavam a ser considerados documentos públicos.

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PROFÉTICO: Apocalipse. É chamado profético por causa do seu estilo altamente simbólico, que envolve visões e revelações sobrenaturais, também é classificado como literatura apocalíptica. 2) AUTORES: Todos os seus autores eram judeus, exceto Lucas. Mateus, Pedro e João, faziam parte do grupo dos apóstolos. Marcos, Judas e Tiago, tinham trabalhado na igreja primitiva, ou estado em contato com o grupo apostólico, ainda antes da morte de Jesus. Lucas e Paulo, ainda que não fossem testemunhas oculares da vida de Cristo, eram bem conhecidos dos que o foram e podiam conferir com estes os seus escritos, caso fosse necessário. Escritor de Hebreus? 3) PERÍODOS: O PRIMEIRO PERÍODO é o COMEÇO: que corresponde à vida de Cristo desde 06 a.C. até 29 d.C. Este período é descrito pelos quatro evangelhos que narram, com diferentes graus de amplitude, os fatos significativos da carreira de Jesus, e que se referem exporadicamente a outros acontecimentos históricos. O SEGUNDO PERÍODO, o da EXPANSÃO: de 29 d.C. a 60 d.C., mostra o desenvolvimento da obra missionária. Durante este tempo o evangelho progrediu desde Jerusalém até Roma, e sem dúvida para muitas outras localidades não mencionadas pelo autor de Atos. A maior partes das cartas Paulinas foram escritas neste período. O TERCEIRO PERÍODO, o da CONSOLIDAÇÃO: de 60 d.C. a 100 d.C. Pouco se nos diz da história da Igreja nesta época. Dele não há uma narração consecutiva como a que nos dá Atos sobre o período anterior, e a pequena história que pode ser reconstituída tem que ser composta a partir das alusões indiretas dadas por vários escritos. Ao princípio deste período pertencem as epístolas pastorais de Paulo e os escritos de Pedro. Hebreus, Judas, os escritos joaninos e Apocalipse, Lucas, Atos e Mateus foram publicados entre 60 d.C. e 70 d.C. Um exame desta literatura mostrará que no último terço do primeiro século à igreja se tornou uma instituição reconhecida. C) CANONIZAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO A palavra “cânon” deriva do grego Kanon, que significa “cana”, portanto uma vara ou barra, que, por serem utilizadas em medições, passaram a significar “padrão”. Em literatura significa uma lista de obras que podiam ser corretamente atribuídas a determinado autor. Ex: O cânon de Platão refere-se à lista de tratados que podem ser atribuídos a Platão como genuinamente de sua autoria. Os cânones literários são importantes, porque só as obras genuínas de um autor podem revelar o seu pensamento. Depois da morte de Jesus, num período de 100 anos, os vinte e sete livros do NT foram escritos e coligidos vagarosamente em um só volume. Esta coleção fixa de textos, tornou-se reconhecida como autorizada para a fé da Igreja. O uso prático determinou quais livros seriam inclusos na coleção, muito antes do seu reconhecimento oficial de 397 a.D. A morte daqueles que foram testemunhas oculares de Jesus tornaram a preservação dos livros tanto mais importantes. Ao findar o 1º século, as cartas e os livros associados aos nomes dos apóstolos eram altamente prestigiados. E as circunstâncias exigiam que se tivesse uma literatura autorizada. PERÍODO DE TRANSMISSÃO ORAL E RELUTÂNCIA DA IGREJA PRIMITIVA EM ESCREVER SEUS ENSINOS:
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A ênfase primitiva dos apóstolos era pregar o evangelho e não registrá-lo (At 2:14; 6:4). FONTES UTILIZADAS PARA PROVAR AOS JUDEUS QUE JESUS ERA O MESSIAS: 1º) Seu testemunho de experiências pessoais, e o que eles tinham visto Jesus fazer; 2º) As Escrituras do VT que prediziam o sofrimento e a morte do Servo escolhido de Deus ( ivro mais citado: Isaías). A IGREJA PRIMITIVA MOSTROU RELUTÂNCIA EM ESCREVER SEUS ENSINOS POR VÁRIAS RAZÕES: 1º) Os cristãos primitivos esperavam um retorno breve de Cristo, portanto usavam o seu tempo na proclamação do evangelho; 2º) Preferiam falar pessoalmente, a escrever (II Jo 12; III Jo 13,14); 3º) Os discípulos de Jesus foram escolhidos entre um grupo não literário da sociedade; 4º) Os rabinos preservavam seus ensinos oralmente e Jesus nada escreveu. Parece razoável concluir que o ensino oral era o método principal de comunicar os ensinos cristãos durante o período de 30 anos depois da morte e ressurreição de Cristo; pois os materiais de escrita eram muito dispendiosos e o método de escrever à mão, um tanto vagaroso. ORIGEM DOS ESCRITOS DO NOVO TESTAMENTO: Dois eventos enfatizaram a necessidade de narrativas escritas: 1º) A morte dos apóstolos ameaçavam destruir a fonte dos ensinos autênticos; 2º) A difusão do Evangelho aos gentios que não tinham um conhecimento do VT, exigia ensino escrito e autorizado. Com a morte dos apóstolos a Igreja ficou sem uma voz autorizada. Começaram, então, a surgir os grupos heréticos e a única maneira indiscutível de resolver as questões seria mediante documentos que estivessem acima de mudanças. A Igreja que se desenvolvia e se expandia precisava de uma liderança em questão de fé e de prática. Deus resolveu a problemática por meio do Espírito Santo. O Espírito da verdade que guiou os apóstolos e a Igreja em desenvolver e canonizar a Palavra inspirada e autorizada(Jo14:26). A valiosa literatura dos cristãos primitivos que expressavam sua fé e dedicação era preservada pelas congregações em todo o Império Romano. Eventualmente essas literaturas ficaram associadas uma com as outras por causa de fatores tais como: origem ou assunto comum. Pouco a pouco cada congregação organizava a sua coleção de livros que consideravam inspirados, colocando-os junto às Escrituras do AT. É bem claro que muitas cópias das epístolas e dos Evangelhos circularam logo entre as Igrejas, visto que serviam para doutrinar e serem lidas por eles (Cl 4:16; I Ts 5:27; II Ts 2:15; II Pe 1:15 e 3:1,2). TESTEMUNHO INTERNO: Há indicações no NT de que ainda nos dias dos apóstolos e sob a supervisão deles, começaram a serem feitas seleções dos seus escritos para as Igrejas, os quais eram postos ao
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lado do AT como inspirada Palavra de Deus. Paulo reivindicou para sua doutrina a inspiração divina (I Co 2:7-8, 12-13; 14:37; I Ts 2:13; Gl 1:11-12; I Co 15:3,4; I Ts 2:9). O mesmo fez João quanto ao Apocalipse 1:2. Pedro equipara as epístolas de Paulo às demais Escrituras (II Pe 3:15,16). Até que ponto os apóstolos percebiam que seus escritos se tornariam parte da Palavra de Deus escrita nos séculos futuros não sabemos. Eles escreveram para atender à necessidades imediatas, mal sabendo qual seria o último destino delas. Deus superintendeu a tudo e a Seu próprio modo escolheu os escritos que seriam preservados. TESTEMUNHO EXTERNO: Conforme se observou acima, a decisão final deste problema do cânon não podia ser tomada arbitràriamente por uma só pessoa ou por um só grupo local. A distinção entre livros canônicos e não canônicos foi produto de uma consciência espiritual em desenvolvimento. A Igreja não determinou o cânon; reconheceu o cânon. O testemunho externo quanto à existência de um cânon do NT é simultâneamente informal e formal. O testemunho informal consiste no uso corrente dos livros do NT pelos pais da Igreja Primitiva. As suas citações atestam tanto a existência como a autoridade desses livros, pois era impossível citar livros que não existissem. O testemunho formal é encontrado em listas ou cânones compilados propositadamente como padrão de autoridade, ou nas atas dos concílios que se ocuparam do problema. OS TESTEMUNHOS INFORMAIS: Livro: Ele andou entre nós - Pág. 87 a 98 - Autor: Josh McDowell e Bill Wilson 1) I EPÍSTOLA DE CLEMENTE: (Morto cerca de 102 a.D). O documento mais antigo contendo citações de qualquer dos livros do NT. Obra considerada canônica autêntica por alguns cristãos. Foi escrita de Roma à Igreja de Corinto em 95 d.C. Registra o martírio de Paulo e Pedro. Faz citações de: Hebreus, I Coríntios, Mateus, Marcos, Lucas, Atos, I Pedro, Hebreus e Tito 2) Inácio de Antioquia da Síria (Morto cerca de 117 d.C): Foi bispo da Igreja em Antioquia antes de ser preso e condenado à morte. Ele foi atirado aos leões no Coliseu em Roma para divertir o povo. Conhecia todas as epístolas de Paulo; Faz citações de Mateus, João e Atos, Tiago e I Pedro. 3) Policarpo de Esmirna (150 d.C): Familiarizado com epístolas paulinas, Mateus, I Pedro, I João, Atos; 4) A Didaché: Cita Mateus, Lucas e muitos livros do NT; 5) Epístola de Barnabé (130 d.C): Cita Mateus; 6) Pastor de Hermas (140 d.C): Cita Tiago; 7) Justino Mártir (100 a 165 d.C): Um grego sírio que fôra filósofo, refere-se a Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos e muitas das epístolas paulinas. Afirma ele que as “memórias dos apóstolos” chamadas Evangelhos eram lidas todos os domingos na adoração da Igreja juntamente com o AT. Seu aluno Taciano, compôs a primeira harmonia dos Evangelhos, que foi uma obrapadrão para a Igreja durante muitos anos;
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8) Ireneu (170 d.C): Citou os 4 Evangelhos e Paulo mais de duzentos vezes; 9) Tertuliano de Cartago (200 d.C): Citou todos os livros do NT; 10) Orígenes (185-250 d.C): Contemporâneo de Tertuliano, estava familiarizado não só com a Igreja da sua própria cidade, mas viajara muito a Roma, Antioquia, Cesaréia e Jerusalém. Citava todos os livros do NT e incluía Barnabé, O Pastor e Hermas, a Didaché e o Evangelho aos Hebreus; 11) Eusébio de Cesaréia (265-340 d.C): Seguiu as pisadas de Orígenes. Colocou na categoria de livros aceitos os Evangelhos, as epístolas de Paulo, Hebreus, I Pedro, Atos, I João e Apocalipse; rejeitou os Atos de Paulo, o Apocalipse de Pedro, o Pastor de Hermas. CÂNONES MAIS ANTIGOS: 1) O primeiro cânon conhecido foi o de Márcion (o herético), cerca de 150 d.C. Márcion nasceu em Sinope, no Ponto. Opunha radicalmente o Deus de amor e de graça. Era tão hostil aos judeus que repudiou todo AT e procurou estabelecer um cânon isento de influências judaicas. Escolheu só o Evangelho de Lucas, se bem que rejeitasse os dois primeiros capítulos contendo o relato do nascimento virginal, e servia-se de dez epístolas de Paulo, excluindo as pastorais e Hebreus. O cânon de Márcion provocou uma reação violenta na Igreja. Ireneu atacau-o, e Tertuliano escreveu cinco livros contra os seus erros. 2) O segundo cânon conhecido foi o Cânon Muratoriano (de cerca de 170 d.C). Foi descoberto pelo bibliotecário Muratori (1750) na Biblioteca Ambrosiana de Milão. Conservado em latim, ele reconhece como canônicos nossos 4 Evangelhos, 13 epístolas paulinas (inclusive Hebreus) e os Atos dos Apóstolos e dois Apocalipses: o de João e o de Pedro; Judas e II e III João. (Não tinha: I e II Pedro, Tiago, I João).

CONCÍLIOS: (O Cristianismo através dos Séculos - Pág. 173) 1) Concílio de Laodicéia (363 d.C): Não era uma assembléia plenária de todas as igrejas, mas representava principalmete a região da Frígia. O 59º artigo deste concílio decretava que nos atos de culto só se deveriam ler livros canônicos do NT; 2) Terceiro Concílio de Cartago (397 d.C): Emitiu um decreto semelhante ao Sínodo de Laodicéia, e apresentou uma lista de escritos idêntica à dos 27 livros do atual NT; 3) Concílio de Hippo (419 d.C): Repetiu a mesma decisão e a mesma lista do Concílio de Cartago.

GRÁFICO DOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO LIVRO 1)Gálatas 2) I Tessalonicens es 3) II AUTOR Paulo Paulo DATA LOCAL DE ESCRITA 49 - 55 d.C. Éfeso/Macedônia ? 50 - 51 d.C. Corinto

Paulo

50 - 51 d.C. Corinto
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Tessalonicens es 4) I Coríntios 5) II Coríntios 6) Romanos 7) Tiago 8) Marcos 9) Filemon 10) Colossenses 11) Efésios 12) Lucas 13) Atos 14) Filipenses 15) I Timóteo 16) Tito 17) II Timóteo 18) I Pedro 19) II Pedro 20) Mateus 21) Hebreus

Paulo Paulo Paulo Tiago João Marcos Paulo Paulo Paulo Lucas Lucas Paulo Paulo Paulo Paulo Pedro Pedro Mateus

56 d.C. 57 d.C. 58 d.C. 45 - 50 d.C. 50 - 60 d.C. 61 d.C. 61 d.C. 61 d.C. 60 d.C. 61 d.C. 61 d.C. 63 d.C. 65 d.C. 66 d.C. 63 d.C. 66 d.C. 60 - 70 64 - 68 70 - 80 85 - 90 90 d.C. 90 d.C. 90 d.C. 90 d.C.

Éfeso Macedônia Corinto Jerusalém Roma Roma (Prisão) Roma (Prisão) Roma (Prisão) Cesaréia Cesaréia Roma (Prisão) Macedônia Nicópolis/Maced ônia? Roma Roma Roma Antioquia da Síria Desconhecido/R oma? Desconhecido Éfeso Éfeso Éfeso Éfeso Patmos

d.C. Desconh ecido d.C. 22) Judas Judas d.C. 23) João João d.C. 24) I João João 25) II João João 26) III João João 27) Apocalipse João

PASSOS PARA INCLUSÃO DOS LIVROS CANÔNICOS DO NT: Quatro princípios ajudaram a determinar que livros deveriam ser aceitos como canônicos: 1º) Apostolicidade: Livro escrito por um apóstolo, ou por um autor que tivesse tido um estreito relacionamento com um apóstolo; Ex: Marcos, não era apóstolo, mas seu ministério está associado com Pedro. Ter sido escrito numa data dentro do período apostólico; 2º) Conteúdo: Estabilidade e consistência doutrinária; 3º) Universalidade: Livro usado freqüentemente na Igreja Primitiva e pelos cristãos do 1º século; 4º) Inspiração: Os livros escolhidos deram evidências de serem divinamente inspirados e autorizados. O Espírito Santo guiou a Igreja para discernir entre a literatura genuína e a espúria (II Tm 3:16; II Pe 1:20-21).

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Ainda que haja diversificação de assuntos, a inspiração desses documentos pode ser apoiada pelo seu conteúdo intrínseco: 1º) Todos eles tem como tema central a Pessoa e Obra de Jesus Cristo; 2º) Pelo seu efeito moral demonstrado pelo seu poder dentro da Igreja Cristã. Onde quer que a mensagem do NT fosse proclamada e recebida a Igreja expandia-se e operava uma limpeza moral na vida de quem saía do paganismo. LIVROS DISPUTADOS É evidente que nem todos os atuais livros do NT eram conhecidos ou aceitos por todas as Igrejas do oriente e do ocidente durante os primeiros séculos da era cristã. Alguns livros antes de serem finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos. São eles: as epístolas de II Pedro, II e III João, Judas, Tiago, Hebreus e Apocalipse: a) II Pedro: Grande diferença no vocábulo e estilo da primeira epístola de Pedro; b) II e III João, Filemon: Eram breves e de natureza pessoal, trás pequena contribuição doutrinária; c) Judas: Falta de relação apostólica; d) Tiago: Incerteza quanto a identidade de Tiago; e) Hebreus: Incerteza quanto à autoria apostólica; f) Apocalipse: Diferença entre o Apocalipse e o 4º Evangelho. LIVROS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO: 1) Itinerário de Paulo 2) Itinerário de Pedro 3) Itinerário de João 4) Itinerário de Tomé 5) Didaché 6) I e II Epístola de São Clemente 7) Epístola de Inácio 8) Epístola de Policarpo 9) A Epístola de Hermas 10) Evangelho segundo Tomé 11) História de Tiago 12) O Apocalipse de Pedro 13) Itinerário e Ensino dos Apóstolos 14) Cartas de Barnabé 15) Atos de Paulo 16) O Apocalipse de Paulo 17) Didascália de Clemente 18) Didascália de Inácio 19) Didascália de Policarpo 20) Evangelho segundo Barnabé 21) Evangelho segundo Mateus 22) Evangelho aos Hebreus

II - O MUNDO DO NOVO TESTAMENTO: Histórico, Político e Religioso A) O Mundo Político: O Império Romano “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho...” (Gl 4:4).

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A expressão “plenitude do tempo”, não significa o período de cumprimento de todas as demais eras. Mas, antes, o fato que o Pai enviou seu Filho no “momento exato”, no “tempo certo”. A difusão do Evangelho seria inimaginável se Jesus tivesse nascido meio século antes. No tempo em que o NT foi escrito, todo o mundo civilizado, exceto o pouco conhecido reino do remoto Oriente, estava debaixo do domínio de uma única potência - Roma. ROMA: Fundada em 753 a.C. foi primeiramente uma comunidade que compreendia a união de pequenas aldeias vizinhas e governada por um rei. Nos começos do século quinto a.C. alcançou um grau sólido de organização política sob governo de forma republicana. Dois séculos de guerras com a cidade rival de Cartago, na África do Norte, chegaram ao fim com a vitória romana (146 a.C.). As conquistas feitas na extremidade oriental da bacia do mediterrâneo, sob o comando de Pompeu, como também na Gália por Júlio César, expandiram o domínio romano. No NT seu líder maior é chamado tanto “rei” (I Pe 2:17) como “César” (Lc 2:1; At 25:8). PAX ROMANA: Roma passou de um período de expansão territorial para um período de paz, conhecido como PAX ROMANA. Este período compreendido em 30 a.C. até cerca de 180 d.C., quando Roma floresceu numa época de grandeza imperial. Neste período, o Império Romano trouxe paz, prosperidade e bom governo e grande aumento ao comércio. A armada imperial acabou com os piratas do Mediterrâneo que punham em perigo a navegação entre Roma e as províncias da Ásia Menor e a costa africana. As estradas romanas foram contruídas antes de tudo como rotas militares para as províncias. Permitiam o transporte de cereais para Roma, e de vinho e azeite de oliveira para as províncias. Augusto canalizava a riqueza das províncias para Roma através de impostos. Ele transformou Roma, uma cidade de tijolos, numa cidade de mármore. A província da Judéia interrompeu essa tranqüilidade mediante grandes revoltas que os romanos esmagaram nos anos de 70 e 135 d.C. Contudo a unidade prevalecente e a estabilidade política do mundo civilizado sob a hegemonia de Roma facilitaram a propagação do cristianismo no seu aparecimento. Augusto (sobrinho de Júlio César), e imperador de Roma estabeleceu um sistema provincial de governo cujo desígnio era impedir que os procônsules administrassem territórios estrangeiros visando ao seu enriquecimento pessoal. AS PROVÍNCIAS ROMANAS MENCIONADAS NO NT SÃO: Espanha, Rm 15:24; Gália, II Tm 4:10; Ilíria, Rm 15:19; Macedônia, At 16:9; Acaia, Rm 15:26; Ásia, At 20:4; Ponto, I Pe 1:1; Bitínia, At 16:7; Galácia, Gl 1:2; Capadócia, I Pe 1:1; Síria, Gl 1:21; Judéia, Gl 1:22; Chipre, At 13:4; Panfília, At 13:13; Lícia, At 27:5. Algumas delas são mencionadas mais de uma vez. A sociedade romana dividiu o mundo em duas grandes classes: Os estrangeiros e os cidadãos. Nas colônias os homens eram chamados de cidadãos. A idéia geral envolvida em uma “colônia” é que para os seus habitantes Roma transferia a sua cidadania e os seus direitos. Algumas colônias foram formadas mediante a expulsão de todos os seus habitantes. Em seguida eram enviados cidadãos romanos para que ocupassem essas terras. Mais freqüentemente, entretanto, a ocupação tinha lugar sem a expulsão de seus habitantes anteriores. Na qualidade de colônia, as cidades desfrutavam de três direitos:
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1) Ter governo próprio; 2) Ter isenção dos impostos imperiais; 3) Ter direitos iguais aos dos cidadãos romanos. IMPERADORES ROMANOS DO PRIMEIRO SÉCULO DATA 30 a.C. a 14 d.C. 14 - 37 d.C. 37 - 41 d.C. 41 - 54 d.C. 54 - 68 d.C. NOMES Augusto Tibério Calígula Cláudio Nero ACONTECIMENTOS Nascimento de Cristo (Lc 2:1) Ministério e morte de Jesus (Lc 3:1) Fome e expulsão dos judeus de Roma (At 11:28 e 18:2) Julgamento de Paulo (At 25: 10-12 e 27:24) Perseguição em Roma (II Tm 4: 16-17)

68 d.C. 69 d.C. 69 d.C. 69 - 79 d.C. 79 - 81 d.C. 81 - 96 d.C. 96 -98 d.C. 98 - 117 d.C.

Galba Otão Vitélio Vespasiano Tito Domiciano Nerva Trajano

Destruíção de Jerusalém Perseguição ?

A DINASTIA DE HERODES: Outro destaque dentro do mundo político Tempo do nascimento de Jesus (Mt HERODES O GRANDE- Reinou de 37 a 2:1,16,19; Lc 1:5). Ele trucidou os 4 a.C. Teve 10 esposas e muitos filhos meninos de Belém. Seu reinado foi sanguinário e tirano. Arquelau - filho de Herodes o Grande. Mt 2:22 -Seu reindao foi de confusão e Reinou de 4 a 6 a.D na Judéia, Samaria de sangue. Seu direito como sucesor de e Iduméia. Herodes foi desafiado pelos parentes, principalmente Antipas Filipe I - Filho de Herodes. casou com Lc 3:1 - Nomeado tetrarca da Ituréia e Herodias, filha do seu irmão Aristóbolo, Traconites, região ao norte do Mar da do seu casamento com Herodias nasceu Galiléia, a leste do Jordão. Governou de Salomé. 4 a 34 d.C. Herodes Antipas - Filho de Herodes. É Jesus refere-se a ele como “raposa”(Lc mais conhecido como o tetrarca. Reinou 13:32). Decapitou a João Batista (Mt sobre a Galiléia e Peréia de 4 a 39 AD. 14:1-10). Mencionado em Lc 23:7-12 no julgamento de Jesus. Seu reinado teve sucesso, era diplomata e conservador. Era astucioso e tinha índole vingativa. Herodes Agripa I - Era amigo íntimo de Atos 12:11-19 - Encarcerou a Pedro e Calígula. Governou em toda a Palestina Tiago e executou ao apóstolo Tiago. de 37 a 44 AD. Residia em Jerusalém e adorava regularmente no Templo, vivia de acordo com a lei judaica e perseguia o cristianismo. Morreu comido de vermes
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Herodes Agripa II - Reinou de 50 a 100 d.C. Deixou 3 filhas e 1 filho.

(Atos 12:20-23). De todos os Herodes, este foi o melhor. Ouviu Paulo em sua defesa (At 25:13-27 e 26: 1-32).

NOTA: A dinastia herodiana começou com Antípatro. Os Herodes eram uma linhagem edomita de reis que, sob o governo romano, dominaram a Judéia pouco antes da aparição de Cristo. Eram os tradicionais descendentes de Esaú. (Sl 137: 7-9)

OS SACERDOTES DO TEMPO DE JESUS: Durante o exílio Babilônico o funcionamento do sacerdócio como uma classe foi temporariamente suspenso devido a destruição do Templo. Os sacerdotes, no entanto, não desapareceram; quando os cativos voltaram em 536 a.C. um grande grupo de sacerdotes e levitas vieram entre eles (Esdras 2:36-54). Quando o Templo foi reedificado, reassumiram eles as suas funções e, com poucas interrupções, o culto continuou até a destruição final de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. A adoração no Templo de Jerusalém, com seu sistema de sacrifício, cessou aí. Fora este levante dos judeus, houve o segundo no ano 135 d.C., porém os romanos o abafaram, reconstruíram Jerusalém como uma cidade romana e baniram os judeus, proibindoos de entrar na cidade. Dessa forma, pois, deixou de existir o Estado Judaico, até que foi reavivado, em 1948. Durante todo este longo período (até a destruição de Jerusalém), o sacerdócio desempenhou o papel de governo central no judaísmo. O sacerdócio era hereditário e vitalício. Exercia a suprema autoridade na Nação sob o dominador que estava na posse do país na ocasião. O sacerdote era, provavelmente, independente durante tanto tempo quanto ele não interferia nas questões do tributo ou questões de política externa. Desde a morte de Herodes, o grande até a queda de Jerusalém, o sacerdócio foi o principal poder político da Judéia. O sumo sacerdote atuava como conselheiro do governador romano e não poucas vezes a sua pressão política levou o governador a mudar o seu programa político. Devido a sua influência sobre a população, o sumo-sacerdote era capaz de moldar a opinião pública (Mc 15: 10-11). Dois nomes se destacam na história do NT: Anás e Caifás (Mt 26: 1-4, 57). Anás não exercia a função como sumo sacerdote quando Jesus foi preso, mas como era pessoa de grande influência, ainda conservava o seu título (Lc 3:2; At 4:6). Caifás, seu genro, que era o pontífice, tendo sido nomeado procurador romano por Valério no ano 18 d.C. A ORDEM DOS JULGAMENTOS DE JESUS (Mateus 26: 57): 1º) A audiência perante Anás (Jo 18: 12-14, 19-23); 2º) O julgamento perante Caifás e o Sinédrio (Mt 26: 57-68; 27:1); 3º) A primeira aparição perante Pilatos (Mt 27: 2, 11-14; Lc 23: 1-5); 4º) Uma audiência com Herodes (Lc 23: 6-12); 5º) Um segundo julgamento perante Pilatos (Mt 27: 15-26; Lc 23: 13-25).
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B) O MUNDO RELIGIOSO O cristianismo não começou a sua implantação num vácuo religioso, em que encontrasse os homens em branco, à espera de alguma coisa em que acreditar. Pelo contrário, a nova fé em Cristo teve de lutar, para abrir o seu caminho, contra crenças religiosas enraizadas que vigoravam havia séculos, e contra as novas que estavam em vigor. São elas: 1. O PANTEÃO GRECO-ROMANO A primitiva religião de Roma nos primeiros tempos da república era o animismo. Com o crescimento do estado militar e os conseqüentes contatos com a civilização grega sobreveio uma fusão de divindades sob a influência dominante do panteão grego: Júpiter, deus do céu (Roma), foi identificado com o deus grego Zeus (At 14:11-15). Vênus, deusa do amor (Roma), foi identificada com Afrodite; Diana (At 19: 24-35), foi identificada com Ártemis, e assim sucessivamente. O culto do panteão grego tinha, no entanto, começado a declinar nos tempos de Cristo. Isto devido às seguintes causas: a) Imoralidade dessas divindades; b) O escárnio dos filósofos; c) O culto meio político causando assim divisão na adoração. DEUSES DA MITOLOGIA GRECO-ROMANA (Nomes em parênteses são em grego) 1) Júpiter (Zeus) (At 14: 11-15) 2) Juno (Hera) 3) Minerva (Athena) Chefe ou senhor de todos os deuses Esposa de Zeus. Protetora das mulheres e do casamento Filha de Zeus. Deusa da sabedoria, ciências e artes. Venerada em Atenas no famoso Partenon. Deusa do fogo Deus da poesia e do sol. Filho de Zeus. Jovem forte e belo Deusa da caça Deusa da agricultura Deus da eloquência Deus da guerra Deusa do amor e da beleza da mulher; e dos prazeres Deus do vinho Deus do mundo dos mortos Deus das águas ou do mar Deus do amor Deusa das flores Deus da medicina Deus dos rebanhos Deus dos ventos Deus da zombaria Deus do passado e do futuro Deus das viagens marítimas Deus da morte

4) Vesta (Hestia) 5) Apolo (Febo) 6) Diana (Ártemis) (At 19: 2435) 7) Ceres (Demeter) 8) Mercúrio (Hermes) (At 14: 1115) 9) Marte (Ares) 10) Vênus (Afrodite) 11) Baco (Dionísio) 12) Plutão (Hades) 13) Netuno (Possêidon) 14) Cupido (Eros) 15) Flora (Cloris) 16) Esculápio (Asclépios) 17) Pã 18) Éolo 19) Momo 20) Jano 21) Glauco 22) Morte (Tánatos)

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NOTA: Além dos deuses principais havia uma grande quantidade de deuses menores. Os bosques estariam habitados pelas ninfas, graciosas divindades, e pelos sátiros. (Sátiros = semideus, que segundo os pagãos, tinha pés e pernas de bode e habitavam na floresta (II Cron 11:15). 2. O CULTO DO IMPERADOR Posto que persistisse o culto das divindades locais, a progressiva consciência cosmopolitana do império pregava o caminho para um novo tipo de religião: o culto do estado. O culto do imperador não foi estabelecido arbitrariamente. Desenvolveu-se gradualmente da crescente atribuição de honras sobre-humanas ao imperador e do desejo de centralizar nele a obediência do povo. A adoração do estado romano e do imperador reinante começou com César Augusto. Não pode haver dúvida, no entanto, de que o culto do imperador tinha um grande valor para o estado, visto que unificava o patriotismo e o culto e tornava o sustento do estado um dever religioso. 3) AS RELIGIÕES DE MISTÉRIO Nem a religião do estado nem o culto do imperador se mostravam inteiramente satisfatórios. Não apresentavam qualquer consolação ou força pessoal para tempos de apertos e aflição. A humanidade procurava uma fé mais pessoal que a levasse a um contato imediato com a divindade. As religiões de mistérios satisfaziam esse desejo, bem como o desejo de imortalidade pessoal e de igualdade social. Mantinha uma fraternidade em que escravo e senhor, rico e pobre, se encontravam no mesmo pé. Essas religiões também apresentavam uma saída à emoção em mistério religioso. As religiões de mistério era o ocultismo daquele tempo. No reinado de Tibério atingiu-se o auge e mania de horóscopos. E a magia popularizou-se através dos séculos que se sucederam, como mostram os papiros. O interesse dos judeus pela magia é revelado no NT em Atos 8:9-24; 13:6-11; 19: 13-19 e I Co 10:20,21. Se não tivesse havido no Cristianismo poder real contra as influências demoníacas do paganismo o nome de Jesus nunca teria sido usado. A astrologia era também popular no Império Romano durante o primeiro século. Tinha-se originado na Babilônia. No tempo de Cristo a astrologia gozava de considerável atenção, não somente das classes mais baixas, mas também da aristocracia, porém nunca penetrou no Cristianismo, porque os cristãos a repeliam inteiramente. 4) AS FILOSOFIAS Quando a religião degenera em ritualismo ôco ou em superstição ignorante, os homens que pensam podem deixá-la, porque sentem que ela não pode oferecer-lhes satisfação real. Não podem, contudo, ignorar a necessidade de encontrarem alguma resposta racional aos problemas que o mundo lhes impõe. A filosofia vem a ser uma tentativa de correlação de todo o conhecimento que existe a respeito do universo, numa forma sistemática e para integrar com ele a experiência humana.

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Para atingir este objetivo, foram criados vários sistemas de Filosofias: Platonismo, Gnosticismo, Neoplatonismo, Epicurismo, Estoicismo (II Co 10: 4-5; Cl 2:8). Tais sistemas filosóficos não deram resultado. Só o cristianismo venceu e permaneceu “Ontem, hoje e eternamente”. a) PLATONISMO: Recebeu o seu nome de Platão, o grande filósofo ateniense que viveu no 4º século antes de Cristo. Era amigo e discípulo de Sócrates. Herdou de seu mestre uma mentalidade inquiridora e o hábito de pensar por meio de conceitos abstratos. O mundo, pensava ele, é constituído por um número infinito de coisas particulares, cada uma das quais é uma cópia mais ou menos imperfeita duma idéia real. O Platonismo era demasiado abstrato para obter a atenção e atingir o pensamento do homem comum. Não é mencionado no NT. b) GNOSTICISMO: Heresia que floresceu durante o segundo século na Síria, Egito, Ásia Menor, etc. Termo que deriva do grego gnosis (=conhecimento) e, de fato, foi um sistema que prometia a salvação pelo conhecimento. Para os gnósticos, Deus é demasiado grande e demasiado santo para ter criado o mundo material com toda a sua baixeza e corrupção. Não se sabe, ao certo, quando teve origem, mas não resta dúvida de que existiu no tempo dos apóstolos. Paulo escreve sobre a ciência(gnosis) que produz soberba e jactância e a I Epístola de João foi escrita, conforme supõem vários exegetas, para combater o gnosticismo. Nessa Epístola João combate dois aspectos do gnosticismo: a negação da divindade e humanidade de Cristo. A base filosófica do gnosticismo é o problema e a origem do pecado. Os gnósticos filosofavam: O mundo é cheio de imperfeições: logo o Supremo Ser não pode ter sido o seu criador. O gnosticismo foi poderosamente influenciado pelo budismo e zoroastrismo. Havia nele um dualismo fatalista, eterno conflito entre o espírito e a matéria. Sustentavam que Deus é um espírito absoluto e causa todo o bem, enquanto a matéria é completamente malígna. A matéria era assim uniformizada com o mal. Todo aquele que desejasse obter a salvação, só a poderia alcançar pela renúncia ao mundo material e pela busca do mundo invisível. O corpo é matéria e é mau e deveria ser mantido sob estrito domínio. Os apetites corporais deviam ser refreados e os seus impulsos deviam ser desprezados e suprimidos. c) NEOPLATONISMO: Os princípios de Platão foram seguidos por Plotino de Licópolis, Egito (204-269 d.C) que ensinou filosofia em Roma durante vinte e cinco anos. No Neoplatonismo o espírito era considerado inevitavelmente bom e o corpo inerentemente mau. A salvação estava em eliminar completamente todos os seus desejos corporais à medida que a pessoa se retirava da vida que depende de sensações e avançava na vida do espírito, o que seria finalmente realizado por completo na morte. d) EPICURISMO: Epícuro (341-270 a.C.), filho de um ateniense; estudou em Atenas e fundou a sua escola filosófica por volta de 306 a.C. O mundo, ensina ele, começou com uma chuva de átomos; alguns deles, por mero acaso, movimentando-se um pouco obliquamente, colidiram uns com os outros. Estas colisões produziram outras colisões, até que, por fim, esse movimento continuado deu origem ao presente universo. A cosmologia do Epicurismo é semelhante à da moderna evolução materialista. O Epicurismo era essencialmente antireligioso. Se o mundo teve a sua origem na matéria e por acaso, então não era necessária a existência de um poder criador. É o acaso que domina, então não há lugar para uma Mente com um fim em vista, uma Mente diretiva. Era o Epicurismo muito popular, porque não engolfava em grandes raciocínios abstratos - apresentava o prazer como o principal objetivo da vida, e a felicidade era o sumo bem da vida. Não aceitava a idéia de pecado, ou de responsabilidade num juízo final. Não reconhecia a existência de imortalidade, pois um corpo composto somente de átomos não sobrevive à vida presente. Não admira que os atenienses se rissem do discurso de Paulo no Areópago, quando ele pregou “Jesus e a ressurreição”(At 17: 18-32).

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e) ESTOICISMO: O seu fundador foi Zenão (340-265 a.C), natural de Chipre. Zenão não admitia um Deus pessoal, mas sustentava que o universo é governado por uma Razão Absoluta, com vontade divina nela imanente e enchendo-a plenamente. O desenvolvimento ou processo do mundo é assim governado, não pelo acaso, mas por um propósito progressivo. Para o estóico não era possível nenhuma relação pessoal com Deus. Deus não tinha interesse pessoal nos problemas dos homens, pois Ele não era pessoal. Enfatiza o racional, desprezando o lado emocional. Eram panteístas.

O MUNDO GREGO Parece evidente a impossibilidade extrema de compreender as circunstâncias em que teve origem a vida do NT, se não discernirmos com clareza a presença e a força da cultura grega. Os gregos davam ao seu país o nome de Helas e se chamavam helenos. A mais influente das cidades-estados gregas foi Atenas. As realizações culturais gregas atingiram sua culminância em Atenas no quinto século antes de Cristo. O estilo de vida grego foi levado pelos exércitos de Alexandre Magno a terras tão distantes quanto à Índia. Os gregos tinham caráter forte e visão esperançosa do futuro. A língua grega foi uma das contingências da antigüidade que mais êxito alcançaram. A base desta língua comum, ou koinê, foi o dialeto ático, a antiga língua literária dos gregos. O Koinê era plantado pelos exércitos de Alexandre em todos os lugares onde quer que estendiam suas conquistas. Dentro de poucas gerações, todo o mundo mediterrâneo oriental passou a usar o grego como meio principal de comunicação. Ao principiar sua marcha rumo ao oeste, esta língua universal aguardava a sua hora como veículo oportuno da mensagem cristã. O grego Koinê é, sem dúvida alguma, a língua mais rica e a mais acuradamente expressiva que a história humana já conheceu.

TÁTICAS GREGAS O domínio da Grécia sobre o mundo antigo e a propagação da língua grega por toda a região do Mediterrâneo são dois dos mais surpreendentes fatos históricos. Qual o segredo do sucesso militar grego? Os antigos gregos eram criados para ser soldados. Em Esparta, os filhos pertenciam ao estado. Os meninos defeituosos eram jogados fora, nas colinas, para aí morrer; os fortes eram instruídos pelo estado, e a maior parte da educação era física. Os meninos aprendiam a correr, lutar, suportar a dor sem recuar, viver de rações reduzidas, obedecer às ordens - e a governar. Também aprendiam matemática, filosofia, música e o amor à leitura. Em Olímpia, de quatro em quatro anos celebravam-se festas e os jogos mais importantes de toda a Grécia, em homenagem a Zeus, o pai dos deuses. As olimpíadas atraíam competidores de todo o mundo helênico; as provas duravam sete dias e aos vencedores cabia uma coroa de ramos de oliveira, símbolo da vitória. Em suas cidades, no entanto, recebiam as mais estrondosas homenagens e importantes somas em dinheiro. (I Cor 9:24-27).

O PENSAMENTO GREGO NOMES 1) Sócrates (470-399 a.C.). Nada escreveu “Só sei que nada sei” e “Conhece-te a ti mesmo” 2) Platão (Aluno de Sócrates) ÁREAS Filosofia baseada na moral. Foi condenado a beber cicuta em 339 a.C. Escreveu as filosofias de Sócrates
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3) Aristóteles (Nasceu em Estagira) em 384 a.C. Era aluno de Platão. 4) Hipócrates e Empédocles 5) Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes 6) Heródoto, Tucídides, Xenofonte 7) Demóstenes, Péricles 8) Arquimedes, Euclides 9) Zenão, Epícuro, Pirro, Anaximandro, Anaxímenes, Pitágoras, Heráclito, Diógenes, Sêneca 10) Hagesandro, Fídias

Fundou uma escola, o Liceu, foi um gênio e o maior talento do mundo antigo Pai da Medicina e Ciências Peças de Teatro Pai da História, historiadores Oratória Ciências Filosofias

Esculturas (Farol de Alexandria, Colossos de Rodes) 11) Tales de Mileto, Pitágoras Matemática 12) Polignoto, Apeles, Zêuxis, Farnásio, Pinturas Apolodoro 13) Homero Música e Poesia

PAULO: O CONTEXTO DE SUA VIDA JUDAICA Perspectivas históricas e bíblicas, quanto à vida do apóstolo Paulo antes de sua conversão a Cristo. Mesmo que não exista um amplo registro bíblico quanto a vida de Paulo antes de tornar-se um cristão, todos somos sabedores de expressivos detalhes que nos são oferecidos, tanto pelo próprio apóstolo nos seus escritos, como também pelos estudiosos neotestamentários que se tornaram seus biógrafos. I) SUA ORIGEM a) “Eu judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia... circuncidado ao oitavo dia, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus”(At 21:39; Fl 3:5-8); b) Não há registro bíblico quanto a data de seu nascimento, contudo, num sermão atribuído a João Crisóstomo, há uma inferência que Paulo possa ter nascido por volta do ano 2 a.C., o que o coloca como contemporâneo de Jesus com idades muito próximas; c) Como hebreu de hebreus, Paulo recebeu um nome judaico por ocasião da sua circuncisão no oitavo dia de vida. O nome que lhe foi atribuído foi Saulo, provavelmente, uma homenagem ao mais famoso benjamita da história de Israel, o rei Saul (I Sm 9); d) A qualificação de propriedade exigida dos cidadãos de Tarso, dá-nos a possibilidade de que a família de Paulo era modestamente rica, o que nos ajuda a compreender a sua cidadania, segundo suas próprias palavras “eu tenho o direito por nascimento”(At 22:25-28). Mesmo sendo um judeu benjamita, o pai de Saulo era cidadão romano, e, por isso, acrescentou-lhe um nome latino: Paulus; II) O AMBIENTE EM QUE VIVIA a) “...Tarso, cidade não insignificante da Cilícia” (At 21:39; 22:3). Cidade da Ásia Menor, onde Saulo nasceu. Paulo deixa transparecer o seu orgulho pela cidade onde nascera. Evidências históricas informam-nos que Tarso era uma das grandes cidades do Império Romano;
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b) A cidade de Tarso estava situada entre as montanhas e o mar, localizada como a principal cidade da planície da Cilícia, uma área de grande fertilidade; c) Nos tempos do NT, Tarso era um grande porto e centro comercial próspero. Situa-se à margem do rio Cidno, a cerca de 32 km do mar. Nos tempos antigos, o rio era navegável, mas há tempo que se encheu de lodo. As características geográficas da cidade, mostram a grande beleza que o apóstolo Paulo pode ter desfrutado na sua infância, naquela região de gargantas e penhascos, onde especialmente no inverno, se podia observar um panorama magnífico da neve suave sobre os picos montanhosos; d) Cidade movimentada pelas atividades comerciais, como portão de passagem das caravanas para toda a Cilícia; Tarso era também uma fusão de civilizações em paz sob o governo romano: cilicianos nativos, hititas, assírios, persas e macedônios; e) Um outro fato importante sobre a cidade de Tarso, são as famosas “tendas negras de Tarso”, fabricados com o tecido dos longos pelos de bodes pretos que, ainda hoje, vivem nas encostas das montanhas do Tauro. Daí, inferir-se que o pai de Paulo tenha sido um mestre na arte de fabricar tendas; f) Era um centro famoso de cultura, que deu origem a muitos estudiosos de renome e suas escolas de filosofia estóica gozavam de grande fama. III) FORMAÇÃO CULTURAL a) A formação de Saulo antes de sua conversão a Cristo revela uma firmeza de caráter muito forte, uma séria convicção naquilo que realizava com grande autoridade e uma segurança naquilo que sabia fazer; b) Tarso era uma das três grandes cidades do Império Romano que contavam com uma universidade. Afirma-se que Tarso superava em eminência intelectual, as outras rivais que ficavam em Atenas, na Grécia, e em Alexandria, no Egito; c) Conforme a tradição judaica, anexo a sinagoga havia uma pequena escola para o ensino dos filhos. O ensino era basicamente firmado no texto hebraico da sagrada lei, a história judaica, a poesia dos salmos e a literatura profética. Provavelmente, aos treze anos, Paulo já dominava todo o conteúdo deste ensino, e estava pronto para uma escola superior; d) Mesmo que seus pais, por causa do rígido princípio de vida farisaica em que viviam, tenham tentado afastá-lo da influência cultural daquela cidade, o que era muito forte devido o grande potencial da universidade de Tarso, Paulo era filho de um mundo helênico-oriental; e) Acredita-se que a expressiva atmosfera escolar que envolvia a cidade de Tarso, tenha, de algum modo, influenciado grandemente a mente ávida daquele jovem que, alguns anos mais tarde, se tornaria um dos principais homens da história do cristianismo durante o primeiro século. IV) FORMAÇÃO RELIGIOSA a) “Fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados”(At 22:3). Percebe-se, deste modo, como a formação religiosa do jovem Saulo foi levada muito a sério;

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b) Nas palavras de Fl 3:4-6, Paulo declara que foi educado escrupulosamente segundo as melhores tradições dos fariseus. Fica-nos claro que o seu pai, como fariseu rigoroso, procurou cumprir para com o filho todas as exigências cerimoniais da lei com esmerado cuidado; c) Por volta do ano 14 d.C., em sua adolescência, Saulo tenha sido enviado para Jerusalém, cidade que representava o grande expoente do judaísmo, onde estudou com Gamaliel, onde poderia ter morado com sua irmã (At 23:16); d) O fato de ter ido estudar em Jerusalém com o rabino Gamaliel, leva-nos a compreender que a família de Saulo exercia grande influência dentro da religião judaica; e) Gamaliel, neto do grande mestre do judaísmo Hillel, era um notável rabino dentre os sete doutores da lei aos quais era concedido o título de “Rabôni”. Era também conhecido como “a formosura da lei”, e seguia a escola de Hillel, uma corrente do pensamento judaico com uma visão mais ampla e mais liberal do que a de Shammai. O interesse na literatura grega e o incentivo aos judeus para que se relacionassem com os estrangeiros, fazia a diferença entre Gamaliel e Shammai; f) Durante, aproximadamente seis anos Saulo esteve em Jerusalém aprendendo aos pés de Gamaliel, de quem aprendeu a sinceridade e a honestidade de julgamento, a disposição para estudar e usar obras de autores gentios, bem como o estilo de pergunta-e-resposta (diatribe) para utilizar nos debates; V) SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO a) Após ser preparado por Gamaliel, Saulo teve que voltar para a sua casa em Tarso. É provável que ele tenha deixado Jerusalém por volta dos seus vinte anos, isto porque se tivesse permanecido naquela cidade, certamente teria cruzado com Jesus Cristo e discutido cm Ele como fizeram os outros fariseus; b) Retornando para a sua terra natal, Saulo teve que aprender uma profissão, porque um Rabi, como pretendia ser, não recebia pagamento, mas sustentava-se a si mesmo. Assim, seguindo os ensinamentos do seu pai, tornou-se um profissional na arte de fazer tendas (At 18:3); c) Academicamente falando, se percebe que Saulo fêz um grande progresso, chegando mesmo a ultrapassar seus colegas de escola tanto em realização acadêmica como em zelo. Por isso, ele mesmo se identifica como “zeloso para com Deus”(At 22:3) e “extremamente zeloso das tradições”(Gl 1:14); d) “Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, contra estes dava o meu voto quando os matavam”(At 26:10). Esta, e outras afirmações do apóstolo Paulo mostram-nos que ele conseguira alcançar a ambiciosa posição de pertencer ao sinédrio, posição esta que ele conseguiu com êxito, especialmente pela formação religiosa recebida de Gamaliel. e) Com as palavras “sou judeu” e “hebreu de hebreus”, Paulo nos mostra o quanto ele tinha aprendido, mesmo como cristão, a não desprezar as suas origens; f) Os direitos que adquirimos por nascimento tornam-se de extrema importância para nós, e devemos reivindicá-los quando isso for necessário; g) O judaísmo na sua tradição religiosa teve em Saulo de Tarso um dos seus líderes mais influentes, e que levou a sério o seu papel como um fariseu.
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VI) A CONVERSÃO DE SAULO a) Tal foi a expressividade deste acontecimento para o cristianismo, que o evangelista Lucas, escritor dos Atos dos Apóstolos, chega a fazer o registro do mesmo em três relatos (Cap. 9, 22 e 26); b) O primeiro momento em que Saulo aparece na narrativa do NT é registrado por Lucas com as seguintes palavras: “As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo... e Saulo consentia na sua morte”(At 7:58; 8:1-3); c) Saulo entra em cena na história bíblica justamente no momento do julgamento e morte de Estevão, o diácono da Igreja em Jerusalém (At 7: 58); d) Saulo estava em Jerusalém, apesar das informações históricas nos mostrarem que ele não viveu ali durante o ministério terreno de Jesus Cristo. É provável que tenha sido convocado, ou mesmo se voluntariado, para reprimir o movimento dos discípulos “do Caminho”. É possível que Saulo tenha vindo de Tarso para Jerusalém logo após a morte e ressurreição de Jesus, especialmente, após o acontecimento da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes; e) É inquestionável o fato de que Saulo exercia uma grande posição dentro do judaísmo, e é percebível seu ódio pelos seguidores do Caminho (At 8:3; 9:1-2; 22: 4-6; 26:11); f) Damasco: dista 190 km de Jerusalém, uma caminhada cerca de seis dias; g) “Quase ao meio dia”- detalhe quanto ao momento em que a luz brilhou (At 22: 6); h) “Em língua hebraica”- novo detalhe; i) “Dura coisa é recalcitrares...”- Jesus está alertando-o de que não vale a pena resistir (At 26: 14);

VII) O CHAMAMENTO DIVINO PARA A MISSÃO a) “Que farei, Senhor?” - a pergunta de Saulo ficara sem resposta porque o Senhor da visão na estrada de Damasco apenas lhe ordenara: “Levanta-te e entra na cidade, e alí te dirão o que convém fazer”. Saulo é levado pelos amigos, pois estava cego, para a cidade de Damasco onde fica hospedado na casa de Judas, à rua Direita; b) Saulo ficou alí três dias, não comeu nem bebeu e ficou orando (At 9:11). Aqueles momentos de espera, foram, com muita certeza, horas de grande intimidade espiritual com Jesus; pedidos de perdão e momentos de uma profunda intercessão; c) O instrumento do chamamento: Ananias, certamente um influente judeu cristão dentro da comunidade em Damasco, foi encarregado de falar com Saulo na casa de Judas; pouco se fala sobre este homem, contudo o que dele se descreve dá para percebermos a sua especial comunhão com Deus, ao ponto de não surpreender-se com a visão que teve do Senhor (At 9:10-16); d) É importante considerar o papel de Ananias dentro deste belo quadro que nos é descrito, porque além de ser utilizado por Deus para restaurar a visão a Saulo e para batizá-lo, e também de proferir as expressivas palavras de comissionamento, certamente Ananias foi o responsável pela introdução de Saulo diante do grupo de cristãos em Damasco (At 9: 19);
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f) Saulo iniciou um trabalho ativo de testemunho a respeito de Jesus, nas sinagogas (At 9: 2022); g) At 9: 23-25: Os judeus da sinagoga de Damasco planejaram tirar a vida de Saulo. A perseguição inicia-se e, deste modo, ele tem que fugir; h) Ele chega em Jerusalém e foi perseguido (At 9:26); i) Fugiu para Cesaréia e de lá foi para Tarso (At 9: 30), onde gastou muito tempo preparandose através de estudos. VIII) SERVIÇO SOB UMA LIDERANÇA EXPERIMENTADA a) At 11: 22-26 - Barnabé foi enviado para Antioquia e de lá ele vai até Tarso à procura de Saulo e o leva para Antioquia; b) Deus estava chamando este homem, escolhido para uma futura liderança na Sua Igreja, para trabalhar debaixo de autoridade humana durante algum tempo, antes de lhe oferecer um ministério independente.

IX) AS LIÇÕES PRINCIPAIS DE PREPARO a) Durante os dias e anos formativos, sob a instrução do Espírito Santo, Paulo foi armazenando fatos e argumentos que deviam mantê-lo em boa forma nos anos vindouros de controvérsia e oposição; b) Paulo precisou rever toda a realidade do AT à luz da nova revelação que recebera do Senhor, bem como aprendeu que precisava abandonar o intolerável peso do legalismo farisaico e abraçar a doutrina da livre mas custosa graça; c) Não se entra numa tarefa grandiosa como pregar o Evangelho a todas as nações sem que tenha um preparo adequado; d) Todo preparo exige tempo e, em qualquer lugar onde estiver, deve-se aprender com as experiências vividas; e) É importante a comunhão com os irmãos, mas não esquecer que a perseguição pode vir a acontecer; f) Na hora da luta é bom contar com uma mão amiga para ajudar a caminhar; g) Ter a orientação de líderes experimentados só fortalece o preparo missionário; h) A grande realidade do valor deste preparo que Deus estabeleceu para a vida de Saulo de Tarso, é o resultado de toda a obra missionária que vimos ser realizada no NT através deste vaso escolhido e preparado pelo Senhor. OBS: Quanto aos 3 anos na Arábia - Atos 9:23 (Ver na Bíblia Anotada)

O EVANGELHO DE MATEUS
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Por que há quatro evangelhos? Isto pode ser explicado facilmente, pelo fato de ter havido, nos tempos apostólicos, quatro classes representativas do povo: os judeus, os romanos, os gregos e esse corpo tomado de todas três classes: a Igreja. Assim como são quatro os cantos da Terra em que vivemos: Norte, Sul, Leste, Oeste. I. TEMA O tema central deste Evangelho é Jesus, o Rei Messias (Mt 27:37). Mateus, escrevendo aos judeus e conhecendo as suas grandes esperanças, apresenta Jesus como o único que cumpre as Escrituras do AT com relação ao Messias. Por meio de numerosas citações do AT ele mostra o que o Messias deve ser. A repetição freqüente das palavras "reino" e "reino dos céus" revelam outro tema importante do Evangelho de Mateus. II. AUTOR Atribui-se a autoria deste Evangelho a Mateus Levi, um coletor de impostos do governo romano, e que foi chamado pelo Senhor para ser Seu discípulo e apóstolo (Mt 9:9; Mc 2:1314; Lc 5:27-28). III. DESTINATÁRIOS Evidentemente que o livro foi escrito para toda a humanidade em geral, mas para os judeus em particular. E a intenção de ser dirigido aos judeus, vê-se pelos seguintes fatos: 1. O grande número de citações do AT - cerca de sessenta. Porque alguém que prega aos judeus deve provar a sua doutrina pelas Escrituras; 2. As primeiras palavras do livro é a genealogia de Jesus Cristo. E somente a um povo que dava imensa importância a isso, poderia ser destinado tal Evangelho; 3. A ausência geral de explicações dos costumes judaicos, demonstra que o evangelista escreveu a um povo familiarizado com os mesmos. IV. ESBOÇO PROPOSTO POR MYER PEARLMAN 1. Genealogia e Nascimento(2). A fuga(3). O batismo(4). A tentação(5-7). O sermão da montanha(8-9). Milagres(10). Os doze enviados(11-12). Discursos(13). Parábolas do Reino(1415). Alimentando a multidão(16). A confissão de Pedro(17). A transfiguração(18-20). Discursos(21). A entrada triunfal(22). As conspirações dos inimigos(23). Os ais contra escribas e fariseus(24-25). O sermão profético(26). O Getsêmani, a traição de Judas e a negação de Pedro(27). A crucificação(28). A ressurreição.

O EVANGELHO DE MARCOS

I. QUEM ERA MARCOS? A mãe de Marcos, Maria, nascida aparentemente numa família rica, era uma figura importante na igreja de Jerusalém(At 12:12). Pedro o chama de filho (1 Pe 5:13), sugerindo que ele tenha conduzido Marcos ao Senhor, e estava com ele quando este escreveu sua primeira epístola. Marcos viajou para Antioquia com Paulo e seu primo Barnabé, acompanhando-os na primeira viagem missionária (At 12:25; 13:5 - João era o seu nome hebreu, Marcos, o latino). Marcos
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demonstrou ser útil a Paulo e o ajudou durante o tempo em que esteve em prisão domiciliar em Roma (Cl 4:10; Fl 24); apesar de sua deserção (At 15:38-40). Marcos provavelmente aprendeu com Pedro sobre a vida de Cristo. Portanto, a tradição é bem segura e unânime em atribuir o segundo Evangelho a Marcos, como intérprete de Pedro, escrevendo o que este lhe contou das palavras e dos feitos de Jesus. Durante a segunda prisão de Paulo em Roma, ele pediu a visita de Marcos (II Tm 4:11), mostrando assim que um fracasso nem sempre impede a utilidade da pessoa para sempre. II. PARA QUEM MARCOS ESCREVEU SEU EVANGELHO? Marcos escreveu para os gentios, possivelmente para os romanos, e temos então explicações de costumes judaicos para pessoas que não os entendiam (7:3). Temos também explicações de palavras judaicas (3:17; 5:41; 7:11,34). Notamos também o uso de palavras latinas como "legião" e "centurião". Para o gentio a genealogia de Jesus não teria interesse e portanto, Marcos começa logo com o relato do ministério de Jesus. O romano se interessava mais pela ação a que ensino, e é interessante notar que a metade do livro de Marcos é narrativa e metade ensinos e discursos, enquanto que nos demais Evangelhos, os ensinos de Cristo ocupam uma proporção bem maior: em Mateus três quartos do todo; em Lucas, dois terços; em João, cinco sextos do total. Portanto, trata-se de um livro de ação, a palavra imediatamente aparece mais de 40 vezes. III. QUANDO O EVANGELHO FOI ESCRITO? É geralmente aceito que este evangelho foi o primeiro a ser escrito, provavelmente entre 50-60 d.C. IV. QUAL É O TEMA DO EVANGELHO? Cristo - o Servo (Marcos 10:45). No entanto, devemos lembrar que enquanto Cristo como Servo é a ênfase de Marcos, o evangelista nunca se esqueceu de que Jesus é o Filho de Deus, conforme mencionado no primeiro versículo do livro.

O EVANGELHO DE LUCAS

I. QUEM ERA LUCAS? O mesmo autor de Atos dos apóstolos. Um médico, sendo também aparentemente o único gentio a escrever qualquer parte do NT. Segundo Eusébio, era natural de Antioquia. Seu curso médico deve ter sido feito em Alexandria, Atenas ou Tarso. Ele é o "médico amado" de Cl 4:14; o companheiro fiel de II Tm 4:11; e o cooperador de Filemon 24. Lucas escreve como historiador, cuidando em dar os dados históricos com certa ordem e riqueza de detalhes (Lucas 1:1-4). II. A QUEM FOI DIRIGIDO O EVANGELHO DE LUCAS? A Teófilo (1:3), pessoa de certa importância, aparentemente não era cristão, quando o Evangelho fora escrito. Em vista de Teófilo ser gentio, o evangelho é dirigido a todos os gentios. III. QUANDO O LIVRO FOI ESCRITO?
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É bem provável que a data seja cerca de 60 d.C. IV. QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO EVANGELHO DE LUCAS? Como um historiador, era de se esperar que Lucas nos contasse certos detalhes (541 versículos exclusivos) que envolveram o nascimento de Jesus, dando inclusive alguns fatos acerca de Maria. Só Lucas registra a anunciação a Zacarias e Maria; os cânticos de Maria e Zacarias; o nascimento de João Batista; a visita dos pastores quando Cristo nasceu; a circuncisão e apresentação no templo; e detalhes da infância de Jesus. Lucas é um Evangelho que fala muito sobre oração (3:21; 5:16; 6:12; 9:18; 10:21; 11:1; 22:3946; 23:34,46). Também dá mais destaque às mulheres que os outros Evangelhos (7:11-13; 8:1-3; 10:38-42; 21:1-4; 23:27-31). Outras peculiaridades são: 1. Cinco milagres: (1) A pesca maravilhosa - 5:4-11; (2) a ressurreição do filho da viúva 7:11-17; (3) a mulher com espírito de enfermidade - 13:11-17; (4) o homem hidrópico - 14:1-6; (5) os dez leprosos - 17:11-19. 2. Onze parábolas: (1) os dois devedores - 7:41-43; (2) o bom samaritano - 10:25-37; (3) o amigo inoportuno - 11:5-8; (4) a figueira estéril - 13:6-9; (5) o rico insensato - 12:16-21; (6) a dracma perdida - 15:8-10; (7) o filho pródigo - 15:11-32; (8) o mordomo infiel - 16:1-13; (9) o homem rico e Lázaro - 16:19-31; (10) o juiz iníquo - 18:1-8; (11) o fariseu e o publicano - 18:914. 3. Algumas outras passagens: (1) o suor de sangue - 22:44; (2) o ladrão arrependido - 23:4043; (3) os discípulos em Emaús - 24:13-31.

O EVANGELHO DE JOÃO I. QUEM ERA JOÃO? O irmão mais jovem de Tiago, da família de Zebedeu. Fazia parte, juntamente com Pedro e Tiago, do círculo íntimo dos doze discípulos de Cristo. É claro que o autor era judeu. Os debates entre Jesus e os líderes religiosos em Jerusalém sobre as questões mais delicadas da interpretação que os judeus faziam da lei, não eram fáceis de entender ou registrar naquele tempo por um autor que não fosse um judeu. O evangelista também foi uma testemunha ocular dos fatos que registrou (cf. Jo 13:23; 19:26;34-35; 20:2; 21:24). Em três importantes ocasiões do ministério terreno de Jesus, João é mencionado em companhia de seu irmão Tiago e de Pedro: na ressurreição da filha de Jairo (Mc 5:37), na hora da transfiguração (Mc 9:2), e no jardim do Getsêmani (Mc 14:33). Foi Bispo em Éfeso. É também o autor de três Epístolas e do Apocalipse. II. QUAL O PROPÓSITO E A DATA DO EVANGELHO DE JOÃO? O objetivo do quarto Evangelho está claramente expresso em João 20:31. A data é cerca de 85-90 d.C. III. COMO JOÃO APRESENTA A PLENA DIVINDADE DE CRISTO? 1. Pelos títulos de Jesus: (1) Verbo - 1:1; (2) Messias - 1:41; (3) Salvador do mundo - 4:42; (4) Senhor e Deus - 20:28.
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2. Pelas afirmações do próprio Jesus: "Eu sou" - 6:35; 8:12; 10:7,9; 10:11; 11:25; 14:6; 15:1. Em João 10:30, onde a palavra "um" no gênero neutro indica que Jesus e Deus são um só em Sua natureza. 3. Pelos sinais: 2:1-11; 3:1-2; etc.

IV. OUTROS TEMAS IMPORTANTES: Há palavras que João usa com frequência, e elas podem nos ajudar a encontrar os temas principais ou a teologia do quarto Evangelho: fé, amor, vida eterna, verdade, vida, testemunho, luz, nascer de novo, trevas, conhecimento, mundo, julgamento, glória, o Espírito Santo, o Filho de Deus, o Verbo. V. ALGUMAS CURIOSIDADES DO EVANGELHO DE JOÃO: 1. João foi o último apóstolo, sobrevivendo aos demais; 2. O vocabulário de João é talvez o mais simples do NT, mas os seus pensamentos estão entre os mais profundos! 3. João 3:16 é o versículo mais citado e pregado no mundo; 4. Há mais sobre o Espírito Santo neste livro do que em todos os outros Evangelhos juntos.

ATOS

I. QUEM ESCREVEU ATOS? O mesmo Lucas que escreveu o terceiro Evangelho (At 1:1). Ele viajou com Paulo em muitos trechos das viagens missionárias registradas neste livro, sendo portanto, uma testemunha ocular de muitos dos eventos. Você pode saber quando Lucas estava com Paulo, porque ele diz "nós", nestes textos: 16:10-17; 20:5-21:18; 27:1-28:16. Lucas escreveu este livro em cerca de 63 d.C.

II. QUAL É O PROPÓSITO DESTE LIVRO? Atos 1:8 é conhecido como o versículo chave do livro. Sendo assim, podemos então afirmar que o livro de Atos é o relato do cumprimento desse versículo, e dos resultados do mesmo. Muitos têm sugerido que o melhor título para o livro seria "Atos do Espírito Santo". Mencionado cerca de cinquenta vezes, o Espírito Santo é quem capacita, dirige, lidera, fala, orienta, aprova e reprova os apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Na verdade, apenas dois personagens ocupam as principais páginas do livro de Atos: Pedro e Paulo. O primeiro ocupa os quase dez capítulos do livro, e o segundo apóstolo, o restante dessa obra literária. Apesar de abranger um período comparativamente breve da história (30-63 d.C.), trata-se de um período de suma importância na história cristã e na história geral. Pois diz respeito à fundação da Igreja do Senhor Jesus Cristo, o "novo homem" que Paulo menciona em Efésios 2:15, ou como disse John Stott, a "nova sociedade". Robert Lee divide Atos em três partes:
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1. Capítulos 1-7: O Evangelho em Jerusalém; 2. Capítulos 8-9 - O Evangelho na Judéia e Samaria; 3. Capítulos 10-28 - O Evangelho aos confins da Terra.

III. O VALOR DO LIVRO DE ATOS Muitos consideram o livro de Atos como simplesmente o livro de transição entre os Evangelhos e as epístolas. Afirmam que dele não se pode retirar qualquer doutrina ou dogma para a vida da Igreja cristã. Stott vê pelo menos dois grandes valores do livro: (1) "é importante por causa dos seus registros históricos; (2) é importante devido à inspiração contemporânea que nos traz" (John STOTT, A Mensagem de Atos, ABU, pp. 9-10). Evidentemente que não podemos padronizar as experiências, mas uma promessa ou profecia sempre se cumpre em algum tempo-espaço, e a este acontecimento dá-se o nome de "história".

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS EPÍSTOLAS DE PAULO I. A REDAÇÃO DE CARTAS NO MUNDO GRECO-ROMANO No mundo Greco-Romano, as cartas particulares contavam, em média, com quase noventa palavras. Missivas literárias, como aquelas compostas pelo orador e estadista romano Cícero, ou aquelas de Sêneca - filósofo, orçavam, em média pelas duzentas palavras. Visto que a usual folha de papiro media cerca de 34 cm x 28 cm. Podendo acomodar entre cento e cinquenta a duzentas e cinquenta palavras, dependendo do tamanho da escrita, a maioria das cartas antigas não ocupava mais que uma página de papiro. Todavia, as dimensões médias das epístolas de Paulo se elevavam a cerca de 1300 palavras, variando desde 335 palavras em Filemon até 7.101 palavras em Romanos. É óbvio, portanto, que as epístolas de Paulo são várias vezes maiores do que as cartas médias da antiguidade, pelo que também, em certo sentido, Paulo foi o inventor de uma nova forma literária, a epístola, uma novidade por ser carta tão prolongada, devido à sua natureza teológica, e, usualmente, na natureza comunitária dos endereçados. De outro ângulo, todavia, as epístolas de Paulo são cartas verdadeiras, porquanto possuem endereçados genuínos e específicos, no que divergem das antigas epístolas literárias, que eram escritas para o público em geral, a despeito de seus endereçados artificiais. No caso de documentos longos, como as epístolas de Paulo, as folhas soltas de papiro eram coladas beirada com beirada a fim de formarem um rolo. Visto que a granulação áspera do papiro fazia o ato de escrita tornar-se tedioso, era costumeiro ditar as cartas a um escriba profissional, chamado amanuense, que usava uma espécie de estenografia (escrita abreviada, na qual se empregam sinais que permitem escrever com a mesma rapidez com que se fala) durante o ditado rápido. A dureza do estilo literário de Paulo - o que se verifica, por exemplo em inúmeras setenças incompletas - sugere que às vezes, Paulo ditava por demais rapidamente para que desse a devida atenção à correta estrutura das sentenças, e também que seu amanuense sentia dificuldades em acompanhá-lo. Interrupções súbitas do pensamento sugerem, semelhantemente, suspensão temporária do ditado, talvez até o dia seguinte, ou mesmo por períodos mais curtos ou mais longos. Algumas vezes, um autor simplesmente deixava instruções orais, uma observação qualquer ou anotações que deveriam ser seguidas pelo seu amanuense. Sob tais circunstâncias, o próprio amanuense burilava o fraseado exato, fator esse que pode explicar algumas diferenças no estilo entre epístolas atribuídas a um só autor. Finalmente, o autor editava a carta. Sabemos com certeza que Paulo empregava os serviços de amanuense pelo fato que seu amanuense se identificou uma vez
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por nome (Tércio - Rm 16:22). Além disso, as declarações paulinas frequentes de que ele escrevia a saudação final com o próprio punho subentendem que as porções maiores das suas epístolas eram escritas mediante o emprego de um amanuense (cf. 1 Co 16:21; Gl 6:11; Cl 4:18; 2 Ts 3:17 e Fl 19). As cartas antigas tinham início com uma saudação, a qual incluía o nome de quem as enviava e o nome do endereçado, e, usualmente, expressões referentes à boa saúde e ao bom êxito do endereçado, e a certeza de que quem as enviava orava por aquele a quem se dirigia. Seguia-se o corpo principal da carta, e, finalmente, a despedida, e, ocasionalmente, assinatura. Por muitas vezes a despedida incluía saudações enviadas por outras pessoas, juntamente com o autor, além de votos de prosperidade finais. Por temer que documentos estivessem sendo ou pudessem ser forjados em seu nome, Paulo adotou a prática de escrever de próprio punho as linhas de despedida e também a sua assinatura, a fim de garantir a autenticidade. Usualmente as cartas não eram datadas. A inexistência de um serviço postal público tornava mister enviar as cartas por meio de viajantes. Paulo encerrou diversas de suas epístolas com uma seção que contém instruções de natureza ética. Tais instruções aparecem espalhadas por outras de suas epístolas, ou nas epístolas de outros escritores neotestamentários. Os eruditos têm percebido notáveis semelhanças com os códigos éticos dos judeus e dos estóicos daquele mesmo período histórico. Entretanto, os escritores do NT vinculavam a conduta cristã ao dinamismo da fé cristã, ao invés de publicarem algum exaltado mas inerme (sem armas ou sem defesa) conjunto de preceitos, que não têm o poder de efetivar o seu próprio cumprimento. O fato que as exortações constantes nas epístolas são muito parecidas entre si, sugere que os seus autores se estribavam em um tesouro comum de tradições exortatórias e doutrinárias, de posse da Igreja cristã, originalmente designado para a catequese de candidatos recém-convertidos ao batismo. Por outra parte, Paulo simplesmente pode ter desenvolvido as suas próprias instruções éticas para novos convertidos, tendo influenciado a escritores posteriores, como Pedro, o qual pelo menos lera algumas das epístolas paulinas (cf. 2 Pd 3:15-16). Uma coisa é indubitável, os autores das epístolas alicerçavam-se pesadamente sobre os ensinamentos éticos de Jesus, os quais com frequência se refletem na fraseologia e nos conceitos emitidos nas epístolas. A ordem de apresentação das epístolas paulinas, em nosso atual NT, depende das dimensões, a começar pela mais longa (Romanos) e terminando pela mais curta (Filemon) - excetuando-se apenas as epístolas pastorais, que interrompem esse arranjo imediatamente antes da epístola a Filemon. Segundo o Dr. F.F. Bruce, uma tese de John Knox (1514-1572) nos informa de que o principal fautor (que favorece, determina, auxilia, promove, fomenta) na obra de compilação do "Corpo Paulino" foi Onésimo, ex-escravo de Filemon e agora (c. 100 d.C.) bispo de Éfeso.

II. PAULO - O AUTOR INSPIRADO 1. O Ambiente de Paulo - Atos 22:1-3; Gálatas 1:10-14; Filipenses 3:4-6.

2. A Vocação de Paulo - 1 Tm 2:7; 2 Tm 1:11.
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2.1 - Pregador do Evangelho 2.2 - Apóstolo do Evangelho 2.3 - Mestre do Evangelho 3. Os Adversários que Paulo enfrentou: 3.1 - Os legalistas judeus - At 21:27-28; 3.2 - O império romano - At 25:12; 3.3 - Os falsos irmãos - 2 Tm 4:9-18; 3.4 - Sofrimentos e perigos - 2 Co 11:16-29; 3.5 - As heresias (gnosticismo, judaizantes, idólatras, etc); 3.6 - O intelectualismo Grego-Romano - At 17:32-34; Cl 2:8.

EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS I. O CRISTIANISMO EM ROMA Conforme At 2:10 a multidão de peregrinos presentes em Jerusalém para a festa de Pentecoste do ano 30 d.C., e que ouviu Pedro pregar o Evangelho, incluía "visitantes procedentes de Roma, tanto judeus como prosélitos". Não temos informações sobre se alguns deles estavam entre os três mil que creram na mensagem de Pedro e foram batizados. Talvez seja significativo que aqueles visitantes são o único grupo europeu a receber menção expressa entre os peregrinos. Parece que Áquila e Priscila já eram cristãos antes de encontrarem Paulo. Provavelmente eram membros do grupo original de crentes residentes em Roma. Não sabemos onde ou quando eles ouviram o Evangelho pela primeira vez. Paulo jamais dá a idéia de que eram seus filhos na fé. Mas podemos estar certos de que o grupo original de crentes da cidade de Roma consistia inteiramente de judeus cristãos. Três anos após escrever esta carta, Paulo afinal concretizou sua esperança de visitar Roma. E o fez de um modo que não esperava ao escrevê-la. Acusado perante as autoridades romanas da Judéia de ter feito grave ofensa à santidade do templo, começou a responder um processo que se arrastou até Roma (At 25:12). Não há plena certeza de que Paulo tenha chegado a cumprir o seu plano de visitar a Espanha e de pregar o Evangelho ali. O que é mais provável é que, não muitos anos mais tarde, tendo sido sentenciado à morte em Roma, como líder dos cristãos, foi levado para fora da cidade, pela estrada que vai ao porto marítimo de Ostia, e ali decapitado, no local até hoje assinalado Igreja de San Paolo Fuori le Mura (São Paulo fora dos muros). II. DATA E TEMA DA EPÍSTOLA Escrita em cerca de 58 d.C., durante a última visita de Paulo a Corinto, Romanos é conhecido como "o livro mestre do Novo Testamento" (Lutero). Grandes pregadores e professores escreveram sobre ele - Martyn Lloyd-Jones, F.F. Bruce, Lutero, Barth e muitos outros. Este esboço escrito pela Dra. Henrietta C. Mears, nos ajudará a encontrar o tema: 1. O que somos por natureza - 1:1-3:20 2. Como tornar-se cristão - 3:21-5:21 3. Como viver a vida cristã - 6-8 4. Israel e Deus - 9-11
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5. Como servir a Deus - 12-16 Algumas palavras chaves da epístola também nos auxiliarão no tema: Lei, Justiça, Justificação, Carne, Espírito e Fé. III. TEMAS TEOLÓGICOS EM ROMANOS 1. Justificação pela fé - 5:1. "Justificação pela fé significa que a salvação depende, não dos sacramentos, nem do que faça ou não faça qualquer sacerdote ou presbítero, mas da simples resposta dada pelo coração crente à Palavra de Deus em Jesus Cristo" (F.F. Bruce, Romanos, p. 36). 2. Carne. Em Romanos, "carne" significa mais do que o "material básico da vida humana". 2.1 - Usa-se "carne" no sentido comum de carne corporal (2:28); 2.2 - Usa-se "carne" para designar descendência ou relação humana natural (1:3; 4:1; 9:15; 11:14); 2.3 - Usa-se "carne" no sentido de humanidade (3:20); 2.4 - Usa-se "carne" variadamente no sentido de natureza humana: 2.4.1 - Natureza humana fraca (6:19; 8:3; cf. Mt 26:41); 2.4.2 - A natureza humana de Cristo (8:3); 2.4.3 - A "velha natureza" no cristão (6:6; 7:18,25); 2.4.4 - Natureza humana "não-regenerada" (8:8-9). 3. Espírito. No AT o termo "carne" é colocado antagonicamente a "espírito". Isaías 31:3 é passagem clássica: "Pois os egípcios são homens e não Deus; os seus cavalos carne, e não espírito." Deus é Espírito (Jo 4:24). Não só isso, mas o Espírito de Deus pode dar energia aos homens e comunicar-lhes força física, aptidão mental, ou compreensão espiritual que doutro modo não obteriam. No homem, o espírito é seu alento, sua disposição, sua vitalidade (Bruce, 41). Da mesma forma, nos escritos paulinos "carne" e "espírito" são termos opostos. Ficamos em dificuldade por termos de escolher entre o "E" maiúsculo e o "e" minúsculo cada vez que escrevemos a palavra. Paulo não tinha este problema quando pronunciava a palavra grega pneuma ao ditar esta epístola, nem Tércio ao redigí-la. Portanto, em Romanos podemos distinguir os seguintes usos principais do termo "espírito": 3.1 - A parte "espiritual" da constituição humana (1:9; 8:16; 12:11); 3.2 - O Espírito de Deus ou Espírito Santo (1:4; 5:5; 8:11; 9:1; 14:17; 15:13,16,19); É no capítulo 8 que a natureza e as implicações da morada e da operação do Espírito Santo no cristão são expostas com maior clareza: (1) O Espírito comunica vida (8:4-6,10); (2) O Espírito dá liberdade (8:2); (3) O Espírito supre as vidas dos "filhos de Deus" (8:14-15); (4) O Espírito intercede pelo povo de Deus (8:26); (5) O Espírito é o instrumento de santificação agindo na vida dos cristãos (8:13); (6) O Espírito é o penhor do futuro (8:15,23). 4. A LEI. O termo "lei" (nomos) ocorre mais de 70 vezes nesta epístola, e nem sempre com o mesmo sentido. Na maioria das vezes, significa a lei de Deus numa forma ou noutra, mas há alguns lugares onde o sentido é diferente. Eis os seus principais significados, em ordem ascendente de frequência.
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4.1 - O Pentateuco. Quando se nos diz que a justiça de Deus mediante a fé é "testemunhada pela lei e pelos profetas" (3:21), "a lei" significa os primeiros cinco livros do AT, como "os profetas" é uma designação compreensiva dos livros restantes. Este é um uso comun no Novo Testamento. 4.2 - O Antigo Testamento em sua totalidade. Em 3:19 Paulo diz: "sabemos que tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz." "Tudo o que a lei diz" refere-se a uma corrente de citações bíblicas feitas nos versículos anteriores (10-18); mas dessas citações, cinco são dos Salmos e uma de Isaías. Se é a "lei" que diz essas coisas, "a lei" só pode significar uma coisa: a Bíblia hebraica - o nosso Antigo Testamento. 4.3 - Um princípcio (3:27; 7:21,23,25; 8:2). 4.4 - A lei de Deus. Para um homem com a herança e o treinamento de Paulo, era a coisa mais natural igualar a lei de Deus à lei de Moisés. Portanto, a lei, qualquer que seja a forma em que apareça, é lei de Deus - "santa, justa e boa" (7:12). Se, como Paulo insiste, ela não foi dada para servir de meio para a justificação dos homens, por que foi dada? A esta interrogação a Epístola aos Romanos oferece diversas respostas, que podem ser ordenadas sob quatro títulos principais: (1) A lei foi dada para ser uma revelação de Deus e de Sua vontade. A distinção entre o certo e o errado não é simples questão de convenção social. Está arraigada no ser e no caráter de Deus, e gravada na constituição do ser humano, criado como foi à imagem de Deus. A lei é lei de Deus e, como o próprio Deus, é "verdadeira e totalmente justa" (Sl 19:9; Rm 7:12,16,22). (2) A lei foi dada para o bem-estar e a preservação da raça humana. Esta finalidade particular é principalmente atendida pelo governo civil que, como se vê claramente em 13:1-7) é um ministério ordenado por Deus para amparar e estimular a prática do bem, e reprimir e castigar a prática do mal. Como disse o rabi Hanina: "Orai pelo bem-estar do governo, visto que, se não fosse o temor que inspira, os homens se devorariam vivos, uns aos outros." (3) A lei foi dada para por o pecado às claras, e para levar os homens ao arrependimento e à confiança na graça de Deus. Embora em teoria o homem que guardar a lei viverá por ela (10:5), na prática ninguém é justificado pelas obras da lei, por causa do fracasso universal em guardá-la perfeitamente (3:20,23). A tendência inata do homem, de ir contra a vontade de Deus, manifesta-se em atos concretos de desobediência quando a vontade divina é revelada na forma de mandamentos específicos (5:13), de modo que "pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" (3:20; 7:7). (4) A lei foi dada para prover orientação para a vida do cristão. Quando os homens são justificados pela fé, o certo continua certo, o errado continua errado, e a vontade continua a ter o governo de suas vidas. A lei de Cristo não é mais capaz de justificar o pecador a que a lei de Moisés. A obra de Cristo, sim. Lembremo-nos que Cristo não veio para revogar, mas para cumprir a lei (Mt 5:17). Ele deixou um "novo mandamento" (que Paulo compreendeu perfeitamente - 13:8-10), e não "sem mandamento", como alguns pensam. Portanto, o padrão para a vida do cristão é a "lei" interpretada pelo Senhor Jesus Cristo (1 Co 9:21).

I CORÍNTIOS I. COMO ERA A CIDADE DE CORINTO?

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Uma cidade importante, com uma população de cerca de meio milhão de pessoas. Corinto se achava localizada num lugar ideal ao sul da Grécia, entre dois portos marítimos. Ela tirava bons lucros do comércio que passava por esses portos. Muitos comerciantes e marinheiros visitavam Corinto e cometiam atos pecaminosos ali, que não teriam coragem de cometer em suas terras, tornando-a uma das cidades mais imorais da época. De fato, "comportar-se como um habitante de Corinto" era o mesmo que "ser devasso". A cidade de Corinto se gabava de possuir um teatro que comportava cerca de 20 mil pessoas. A cada dois anos se realizaram ali jogos como os de Olímpia. O templo de Afrodite era servido por mil prostitutas que participavam da adoração. Embora exteriormente a cidade fosse bela, havia muita corrupção oculta. II. COMO ERA A IGREJA DE CORINTO? Fundada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária (At 18:1-8). "O apóstolo então, com cerca de cinquenta anos, em trajes de operário, entrou na movimentada metrópole e percorreu suas ruas em busca de uma oficina em que pudesse ganhar a vida. Não havia cartazes anunciando a chegada de um evangelista mundialmente famoso. Este artesão chegou ali e começou a fazer tendas. Naquela época, essa era uma indústria importante. Paulo associou-se a Áquila e Priscila, dois prósperos fabricantes de tendas. Ele sempre pode prover o seu próprio sustento, ganhando o bastante para levar avante a sua obra missionária" (cf. 9:13-15) - (Henrieta C. MEARS, Estudo Panorâmico da Bíblia, p. 399). Haja vista o fato de que muitos convertidos na igreja de Corinto tinham saído de ambientes imorais, a Igreja sofreu inúmeros problemas (6:9-11). Enquanto Paulo se achava em Éfeso, a Igreja de Corinto enviou três homens a ele com uma carta pedindo conselhos sobre alguns assuntos. Eles também transmitiram oralmente alguns outros problemas da igreja (1:11; 7:1; 16:17). Paulo escreveu esta carta em resposta ao relatório e às perguntas feitas. Os capítulos 1-6 tratam do relatório oral dos homens. Os capítulos 7-16, das perguntas feitas por carta.

III. ALGUNS ASSUNTOS EXPOSTOS NA EPÍSTOLA Sabedoria humana e sabedoria divina (1:18-25; 2:6-16; 3:18-23); o crente carnal (3:1-9); incesto (5); demandas judiciais (6:1-11); a imoralidade sexual (6:12-20); casamento, celibato e divórcio (7); comida sacrificada a ídolos (8); liberdade e direitos de Paulo (9); o uso do véu e a ceia do Senhor (11); acerca dos dons espirituais (12); o amor - o caminho mais excelente (13); dom de línguas (14); ressurreição (15). o uso do véu em 1 coríntios 11 1º - "Na Grécia do primeiro século, as roupas dos homens e das mulheres eram, à primeira vista, muito parecidas, exceto pela "cobertura da cabeça" (aqui chamada de kalumma, ou "véu"). A propósito, isto não equivale ao véu árabe, mas a uma cobertura apenas para o cabelo. A roupa diária normal de todas as mulheres gregas incluía esse kalumma. As únicas mulheres que não usavam tal peça eram as hetairai, as amantes de "alta categoria" dos coríntios influentes. Os escravos tinham suas cabeças rapadas e fazia-se o mesmo com as mulheres adúlteras, como castigo. Já se sugeriu amplamente que as prostitutas sagradas do templo local de Afrodite não usavam véus. Não havia uma "roupa especial" para se assistir às reuniões de comunhão da igreja para adoração: os homens vinham sem nenhuma cobertura na cabeça; as mulheres usavam um véu, como era comum no dia-a-dia. Ao que parece, na "excitação" do culto, certas mulheres sentiam-se tentadas a retirar seus véus, deixando os cabelos (que sempre eram longos)
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caírem soltos. Bruce acredita que Paulo sabia que as profetisas pagãs do mundo grecoromano exerciam seu ofício com as cabeças descobertas e desgrenhadas. Esse comportamento naturalmente causava uma séria distração para os homens durante o culto, além de representar uma negação da submissão no Senhor que as mulheres casadas deviam aos maridos. No culto judaico realizado no templo, as mulheres ficavam separadas dos homens, fora da vista deles, ocultas por uma cortina; os homens sempre oravam com as cabeças cobertas" (David Prior, A Mensagem de 1 Coríntios, ABU Editora, pp. 192-193).

2º - "À primeira vista, I Co 11:1-16 aparentemente tratam de saber se as mulheres devem, na igreja, usar ou não um véu. Mas lendo mais cuidadosamente, descobrimos que tratam da relação entre mulher e homem, ordenada por Deus... Na época de Paulo, as mulheres usavam véu como símbolo de sujeição ao homem. O Evangelho tinha dado à mulher uma liberdade que nunca antes tinha possuído, abolindo a distinção dos sexos, quanto à salvação e ao estado de graça (Gl 3:28). Parece que por causa dessa liberdade as mulheres de Corinto reclamavam igualdade de condições com os homens, em todos os sentidos e, como uma declaração clara desse direito, vieram a profetizar e orar sem o véu. Ao fazer isto, violaram a ordem divina que é a seguinte: Deus é a cabeça de Cristo; Cristo, do homem; e o homem da mulher (11:3)" - (Myer Pearlman, Através da Bíblia, Ed. Vida, p. 272).

3º - "As mulheres deveriam trazer sua cabeça coberta, ou usar um véu nas reuniões da igreja, e os homens deveriam ter a cabeça descoberta. As razões de Paulo eram baseadas na hierarquia da criação (11:3), na ordem da criação (vv.7-9), e na presença de anjos nas reuniões da igreja (11:10). Nenhuma destas razões estava baseada em costumes sociais da época... A frase por causa dos anjos tem a ver com o fato de que a insubordinação de uma mulher sem véu ofenderia os anjos que observavam a conduta dos crentes em suas reuniões como igreja (I Pe 1:12). O cabelo lhe é dado em lugar de mantilha. Ou melhor, uma coberta. O que Paulo enfatiza aqui é que assim como o cabelo representa a coberta apropriada no reino natural, assim o véu é a coberta apropriada no reino espiritual" (A Bíblia Anotada, p. 1446).

4º - "Usar ou não o véu depende do que significa para a época ou sociedade atual" (Bíblia Vida Nova, p. 206).

5º - "Nas terras orientais o véu é o poder, a honra e a dignidade da mulher. Com o véu na cabeça, ela pode ir a qualquer lugar com segurança e profundo respeito. Ela não é vista; é sinal de péssimos modos ficar observando na rua uma mulher velada. Ela está só. As demais pessoas à sua volta lhe são inexistentes, como ela o é para elas. Ela é suprema na multidão... Mas, sem o véu, a mulher é algo nulo, que qualquer um pode insultar... A autoridade e a dignidade de uma mulher se esvaem juntamente com o véu que tudo cobre, quando ela se descarta dele" (Ramsay apud Leon Morris, 1 Coríntios, Introdução e Comentário, Vida Nova, pp. 123-124).

II CORÍNTIOS

I. AS CIRCUNSTÂNCIAS DA EPÍSTOLA Depois de escrever I Co Paulo ficou em Éfeso por algum tempo até que o grande distúrbio popular acerca da deusa Diana tornou essencial a sua saída dali (At 19:22-41; 20:1).
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Possivelmente, antes de sair de Éfeso, Paulo fez uma rápida viagem a Corinto durante a qual foi pessoalmente injuriado (2:5-11; 7:12) que o levou a escrever a sua segunda epístola aos Coríntios. Paulo estava um tanto preocupado quanto à maneira como a Igreja de Corinto receberia sua primeira carta. Querendo saber como teriam recebido suas repreensões, ele mandou Tito a Corinto para verificar o resultado da epístola. Durante a sua terceira viagem missionária, em Filipos, Tito o informou de que a maioria da Igreja havia recebido a carta com bom espírito. Mas alguns duvidaram dos seus motivos, e chegaram mesmo a negar o seu apostolado, dizendo que ele não tinha as credenciais necessárias a um apóstolo. Talvez pensassem assim porque ele não pertencera ao grupo original dos doze. Nessas circunstâncias, Paulo escreveu sua segunda epístola, não só para expressar sua alegria pelas notícias animadoras sobre como sua primeira epístola fora recebida, mas também para defender o seu apostolado.

II. ESBOÇO DE II CORÍNTIOS 1. PAULO DESFAZ A ANIMOSIDADE - 1:3-7:16 1.1 Defende suas ações - 1:3-2:17 1.2 Descreve seu ministério - 3:1-6:10 1.3 Desenvolve seu apelo - 6:11-7:16 2. PAULO INSPIRA A MORDOMIA LIBERAL - 8:1-9:15 2.1 Exemplo dos macedônios - 8:1-7 2.2 Exemplo de Cristo - 8:8-15 2.3 Exemplo da semeadura e colheita - 8:16-9:15 3. PAULO CONFIRMA A SUA AUTORIDADE - 10:1-13:10 3.1 Recebeu poder de Deus - 10:1-8 3.2 Pregou o Evangelho de Cristo - 11:1-33 3.3 Recebeu revelação do céu - 12:1-13 3.4 Pregou com real interesse - 12:14-13:10

GÁLATAS I. As Circunstâncias da Epístola No decorrer dos cerca de trinta anos que se passaram entre sua conversão perto de Damasco e a sua prisão em Roma, o apóstolo Paulo viajou muito pelo Império como embaixador de Jesus Cristo. Em suas três famosas viagens missionárias ele pregou o Evangelho e plantou Igrejas nas províncias da Galácia, Ásia, Macedônia (norte da Grécia) e Acaia (sul da Grécia). Além disso, suas visitas eram seguidas de cartas, com as quais ele ajudava a supervisionar as Igrejas que fundara. Uma dessas cartas, que muitos crêem ser a primeira escrita por ele (cerca de 48 ou 49 d.C.) é a epístola aos Gálatas. Ela foi dirigida "às Igrejas da Galácia" (1:2). E é uma referência à parte sul da província, e particularmente às quatro cidades da Pisídia: Antioquia, Icônio, Listra e
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Derbe, que Paulo evangelizou durante a sua primeira viagem missionária, narrada nos capítulos 13 e 14 de Atos. Desde sua visita àquelas cidades da Galácia, as Igrejas que ele havia estabelecido vinham sendo perturbadas por falsos mestres. Esses homens desencadeavam um poderoso ataque contra a autoridade do Evangelho de Paulo. Eles contestavam o Evangelho da justificação pela graça somente por meio da fé, insistindo que para se obter a salvação era necessário algo mais do que a fé em Cristo. Era preciso circuncidar-se, diziam, e guardar a lei de Moisés (cf. Atos 15:1,5). Esses mestres judaizantes haviam aparecido entre os gálatas afirmando que a lei judaica estava vinculada aos cristãos, admitindo que Jesus era o Messias, mas dizendo que a salvação deveria ser obtida pelas obras da lei. E a fim de atingirem o seu objetivo e afastarem os gálatas de sua crença, eles estavam tentando enfraquecer a confianca que os gálatas tinham em Paulo, talvez com perguntas do tipo: "quem é esse tal de Paulo, afinal de contas?" "O nome dele não se acha entre os doze? Ele não é apóstolo, e se não o é, o seu ensino não tem autoridade." II. Como Paulo refuta os judaizantes? Primeiro, ele confirma e defende sua autoridade apostólica (capítulos 1-2); Segundo, ele explica e ilustra cuidadosamente que a justificação é pela fé somente (capítulos 3-4); Terceiro, Paulo mostra que a liberdade em Cristo não nos isenta da santificação na vida cristã (cap.5-6).

EFÉSIOS I. A Cidade de Éfeso "Era a capital da Ásia pro-consular, estando cerca de 1600 metros da costa marítima. Era o grande centro religioso, comercial e político da Ásia. Era notável por causa de duas grandes construções que existiam ali. Primeira, o grande teatro que tinha a capacidade para comportar 50.000 pessoas sentadas e, segunda, o templo de Diana, que era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Ele tinha 102 metros de comprimento por 49 metros de profundidade, era feito de mármore brilhante, apoiado em uma fileira de colunas de 17 metros de altura e esteve 220 anos em construção. Isso o tornou o centro de influência do culto a Diana, sobre o qual podemos ler em Atos 19:23-41. A estátua com muitos seios simbolizava a fertilidade da natureza" (J.B. Tidwell, Visão Panorâmica da Bíblia, Vida Nova, p. 190). II. O Trabalho de Paulo em Éfeso 2.1 Ele a visitou no retorno da segunda viagem missionária e deixou-lhes Áquila e Priscila (At 18:18-21). 2.2 Na sua terceira viagem missionária ele passou cerca de três anos lá (Atos 19:1-20). 2.3 Durante essa segunda visita ele teve suficiente influência para reprimir o culto a Diana a tal ponto que os adoradores da deusa se levantaram contra ele, tornando necessária a sua partida para a Macedônia (At 20:1).

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2.4 Na volta da terceira viagem missionária ele parou em Mileto, 48 km para a frente, e mandou buscar os presbíteros de Éfeso a quem dirigiu suas palavras de despedida (At 20:1638).

III. A Epístola aos Efésios "Tem sido dito que essa carta contém a mais profunda verdade revelada aos homens, e, talvez, a Igreja de Éfeso estivesse melhor preparada do que as outras para ser a receptora de tal verdade, uma vez que a longa permanência de Paulo ali poderia ter-lhe dado um melhor preparo para ouví-la e entendê-la. O conteúdo da epístola transcende a qualquer questão pessoal ou local, ou seja, o que está escrito em Efésios, é de aplicação para qualquer crente ou Igreja cristã" (Tidwell, 191).

IV. A Mensagem de Efésios (John Stott) 4.1 A Nova Vida que Deus nos deu em Cristo Jesus (1:3-2:10); 4.2 A Nova Sociedade que Deus criou mediante Cristo Jesus (2:11-3:21); 4.3 Os Novos Padrões que Deus espera da Nova Sociedade (4:1-5:21); 4.4 Os Novos Relacionamentos: conjugal, pais e filhos, senhores e servos, principados e potestades (5:22-6:24).

FILIPENSES

I. A ligação de Paulo com a Igreja de Filipos Esta epístola foi escrita para a primeira Igreja fundada na Europa. Paulo foi para lá em resposta a uma visão e ao apelo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos (Atos 16:9). Primeiro ele pregou numa reunião de oração de mulheres onde Lídia foi convertida. Ela o hospedou enquanto ele esteve na cidade. Depois de algum tempo ali, iniciou-se uma grande oposição a ele e, juntamente com Silas, foi açoitado e levado a prisão. Porém, através das orações eles foram libertados por um terremoto que também resultou na conversão do carcereiro (Atos 16:19-34). II. O caráter da epístola A palavra alegria ou regozijo aparece frequentemente nesta epístola. Paulo parece estar rindo alto nesta carta, de tanta alegria. Suas palavras brotam de um coração leve e alegre. É uma carta informal sem um plano lógico ou argumentos doutrinários. É uma expressão espontânea de amor e gratidão. Epadrodito havia trazido a ajuda deles até Paulo e estava para retornar de Roma para Filipos. Surgira então, uma grande oportunidade para enviar-lhes uma carta de agradecimento (Fp 4:18). Paulo menciona o nome do Salvador cerca de 40 vezes nesta carta. Nela estão registradas algumas das coisas mais maravilhosas e profundas a respeito de Cristo (e.g., Fp 2:5-11).

III. Um esboço de Filipenses
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CRISTO NA EXPERIÊNCIA CRISTÃ 1. Onde Ele está: Cap. 1 - Dentro de nós Cap. 2 - Atras de nós Cap. 3 - Diante de nós Cap. 4 - Por cima de nós 2. O que Ele é: Cap. 1 - Nossa vida Cap. 2 - Nosso padrão Cap. 3 - Nosso alvo Cap. 4 - Nossa força e suficiência 3. Seu sentimento em nós: Cap. 1 - O sentimento de união Cap. 2 - O sentimento de humildade Cap. 3 - O sentimento de zelo Cap. 4 - O sentimento de contentamento

COLOSSENSES I. As circunstâncias de Colossenses

Dr. Merril C. Tenney escreveu: "A heresia de Colossos que deu origem a esta epístola foi um acontecimento local cujo gênese se encontrava na localização peculiar da cidade. Colossos ficava situada na rota comercial do oriente, ao longo da qual eram transportados para Roma tanto as religiões como os produtos orientais. Os colossenses eram gentios frígios (1:27), e os seus antecedentes religiosos caracterizavam-se pela sua natureza altamente emotiva e mística. Procuravam alcançar a plenitude de Deus, e, quando surgiram entre eles ensinadores com uma filosofia que permitia um conhecimento místico da Deidade, sentiram-se arrebatados pelas novas idéias. Entre os seus princípios encontravam-se a humilhação voluntária, provavelmente mediante práticas ascéticas (2:18,20-21), a adoração de anjos, que podem ter sido considerados intermediários entre Deus e o homem (2:18), a abstinência de certas comidas e bebidas, e a observância de dias de festa e cerimônias (2:16). É muito provável que, nestes ensinamentos, houvesse também um elemento de legalismo judaico, resultante de contatos com a população judaica da Ásia Menor. As referências de Paulo ao cerimonialismo (2:11) e ao fato de cerimônias e festas serem uma sombra das coisas futuras (2:17) soam mais como judaísmo do que como paganismo. A resposta a esta heresia residia, não em argumentação prolongada, mas sim numa apresentação positiva da pessoa de Cristo. Paulo sublinhou que todas as filosofias, poderes espirituais, observâncias e restrições cerimoniais eram secundárias em relação à preeminência de Cristo" (O Novo Testamento - Sua Origem e Análise, p. 336-337). Dr. Robert H. Gundry afirmou: "A epístola aos Colossenses gira em torno da chamada "heresia colossense". Podemos inferir certas características daquela falsa doutrina com base no contra-ataque de Paulo. De fato, provavelmente Paulo toma por empréstimo palavras e expressões utilizadas pelos falsos mestres, como "conhecimento" e "plenitude", fazendo-as
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voltar-se contra a heresia, ao preenchê-las com um conteúdo ortodoxo. Essa heresia detratava a pessoa de Cristo, razão pela qual o apóstolo frisa a proeminência de Cristo (1:15-19); dava ênfase à filosofia humana, isto é, especulações vazias, à parte da revelação divina (2:8); continha elementos próprios do judaísmo, como a circuncisão (2:11 e 3:11), as tradições rabínicas (2:8), regulamentos sobre alimentos e a observância do sábado e de festividades religiosas (2:16); incluía a adoração aos anjos, como intermediários, a fim de que o Deus altíssimo (puro Espírito) fosse conservado incontaminado do contato com o universo físico (2:18) - característica tipicamente pagã, pois apesar de terem os judeus desenvolvido uma hierarquia angelical, eles não os adoravam e nem consideravam má a natureza física do universo; e alardeavam um ar exclusivista de segredo e superioridade, contra o que Paulo ressaltou a natureza toda-inclusa e pública do evangelho (1:20,23,28; 3:11). A heresia colossense, por conseguinte, era mescla do legalismo judaico, das especulações filosóficas dos gregos e do misticismo oriental. É possível que a localização de Colossos, na importante via comercial que ligava o Oriente ao Ocidente, tenha contribuído para o caráter misto da doutrina espúria em pauta. A maior parte de seus característicos aparece no posterior gnosticismo plenamente desenvolvido, bem como nas religiões misteriosas gregas e orientais. A heresia de Colossos representou a tentativa de invasão do cristianismo por parte de um judaísmo gnóstico sincretista, ao qual faltava o motivo redentor de um posterior gnosticismo, calcado sobre conceitos anti-judaicos" (Panorama do Novo Testamento, p. 342-343).

II. Esboço de Colossenses

1:1-2: Paulo saúda os cristãos Colossenses 1:3-8: Paulo dá graças pelos Colossenses 1:9-14: Paulo intercede pelos Colossenses 1:15-20: Cristo é Cabeça de toda criação 1:21-23: Cristo é o reconciliador de todas as coisas 1:24-29: Cristo em vós é o verdadeiro mistério 2:1-5: Cristo é fonte de toda sabedoria 2:6-8: Admoestação contra falso ensino 2:9-15: Instrução no verdadeiro ensino 2:16-19: Admoestação contra falsas obrigações 2:20-3:4: A nova posição dos crentes 3:5-17: O novo andar dos crentes 3:18-4:1: Os novos relacionamentos do crente 4:2-6: O novo serviço do crente 4:7-18: Os cooperadores de Paulo e seus assuntos pessoais III. Principais pontos em um gnosticismo totalmente desenvolvido: 3.1 Uma declaração que o conhecimento especial é superior à fé; 3.2 A separação essencial de matéria e espírito, matéria sendo má e espírito sendo bom; 3.3 Uma doutrina da criação que separa a deidade suprema do ato de produzir um mundo material; 3.4 A negação da humanidade física de Cristo; 3.5 A negação da personalidade de Deus e da livre vontade do homem; 3.6 Exigência de estrito asceticismo por um lado e por outro a indulgência licenciosa da carne; 3.7 Uma tendência de combinar cristianismo com sistemas atuais; e 3.8 Uma forte aversão às Escrituras do Antigo Testamento. (cf. ISBE - International Standard Bible Encyclopedia, vol. II, p. 1241-1242).
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IV. A Preeminência de Cristo em Colossenses 1. Nele há redenção (1:14); 2. Ele é a imagem de Deus (1:15); 3. Nele, através Dele, e para Ele todas as coisas foram criadas (1:16); 4. Ele é antes de todas as coisas (1:17); 5. Ele é a Cabeça da Igreja, o princípio, e o primogênito (1:18); 6. Nele habita a plenitude de Deus (1:19; 2:9); 7. Através Dele há reconciliação (1:20); 8. Ele é o mistério de Deus (2:2); 9. Nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (2:3); 10. Nele o crente se torna completo (1:10); 11. Ele é o Cabeça de todo principado e potestade (1:10); 12. Ele é o modelo para todos os relacionamentos humanos (3:12-4:1).

I TESSALONICENSES Tessalônica - Era a capital de uma das quatro divisões da Macedônia, e tornou-se a mais importante delas. Recebeu seu nome da irmã de Alexandre Magno, sendo uma cidade livre de grande importância comercial. A Igreja em Tessalônica - Foi fundada na segunda viagem missionária de Paulo, quando Paulo e Silas foram libertados do cárcere de Filipos e dirigiram-se a Tessalônica. Atos 17:2-4 nos conta que Paulo só pregou três sábados na sinagoga, e os vs.5-10 mostram como a oposição dos judeus foi tal que Paulo e Silas tiveram que fugir de noite para a Beréia. A mesma oposição obrigou a Paulo a fugir de Beréia à Atenas de onde mandou Timóteo para saber como iam aqueles novos crentes em Tessalônica (3:1,2,5). Foi o relatório deste, que impeliu Paulo a escrever a sua carta (3:6-8). Data – Provavelmente no início de 53 quando Timóteo o alcançou em Corinto. Esta é então a primeira carta de Paulo que temos. Tema - A Segunda Vinda de Cristo. Versículo Chave - 1:10 A Carta - Compreendemos logo a necessidade da carta quando lembramos do curto prazo que Paulo teve para instruir esta nova igreja que “nasceu no fogo” (1:6;2:2). Os Tessalonicenses não duvidavam do fato da segunda vinda de Cristo, porém estavam tristes e perturbados por falta de conhecimento quanto aos diferentes aspectos desta vinda, especialmente em relação aos que do seu número já tinha morrido. S. Paulo portanto, precisou frisar: a. Os mortos em Cristo participarão da glória da segunda vinda, pois ressuscitarão quando Cristo aparecer (4:16). b. Os crentes vivos naquela ocasião serão também arrebatados (4:17). c. Paulo enfatiza que a santidade de vida é inseparável desta esperança pela volta do Senhor (4:1-12; 5:1-11). A finalidade da carta está resumida em 3:13.

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ESBOÇO Cap. 1 – A Conversão e a Segunda Vinda.....Uma Esperança Inspiradora (v.10) Saudação e ações de graças pela conversão e comportamento deles. Cap. 2 – O Serviço para Cristo e a Segunda Vinda.....Uma Esperança Animadora (v.19,20) Temos aqui um sumário da natureza do serviço de Paulo. Cap. 3-4:12 – A Santificação e a Segunda Vinda.....Uma Esperança Purificadora (3:13) Exortação para uma vida santa, para amor fraternal e uma vida sossegada. Cap. 4 13-5 – O Procedimento e a Segunda Vinda.....Uma Esperança Despertadora (5:6) A necessidade de vigilância e sobriedade para estarmos prontos.

II TESSALONICENSES Data - Provavelmente escrita só um ou dois meses depois da primeira epístola em 53. Tema - A Segunda Vinda de Cristo. Versículo Chave - 1:7 e 8 Ocasião da Carta - O propósito de Paulo em escrever esta segunda carta tão logo depois de I Tess., foi para corrigir certas idéias quanto a segunda vinda de Cristo que surgiram pela má interpretação da primeira carta como também em resultado de uma outra carta e mensagem verbal falsamente atribuídas a Paulo (2:2). “Na primeira carta, Paulo ensinou que a vinda do Senhor seria de repente, porém, na segunda ele advertiu que „repentinamente‟ não quer dizer „imediatamente‟”. (lee). Também o apóstolo queria animar os que estavam sofrendo perseguição, pelo aviso de que a Vinda de Cristo traria justiça: galardão para eles e castigo para os inimigos de Deus. (1:6-7). A Carta - Pensando que o Senhor voltaria a qualquer momento, crentes em Tessalônica tinham abandonado o seu serviço e agora viviam do esforço dos outros, e assim traziam vergonha para o evangelho (3:11). Portanto Paulo dá as suas instruções: 1. Cada um deve trabalhar honestamente pelo seu pão, seguindo seu exemplo (3:8,12). 2. Deveriam afastar-se de qualquer irmão que desobedecesse este ensino (3:14). S. Paulo dá os sinais que precederão a Vinda de Cristo - Apostasia geral, o “homem do pecado”(2:3,10) e mostra que o “Dia do Senhor” está ainda no futura e como os crentes devem se portar para estar prontos para o grande dia.

I TIMÓTEO Data - 66 - 67 (Entre as duas prisões). Tema - A conduta da Igreja. Versículo Chave - 3:15. Timóteo foi provavelmente convertido na ocasião da primeira viagem missionária de Paulo quando visitou Listra (ATOS 1:4). Tinha sido instruído desde sua infância por sua mãe e avó que eram judias (II Tim. 1:5; 3:14-15). Mais tarde, na sua segunda visita, o jovem foi escolhido para ser o ajudante e companheiro de viagem do apóstolo (Atos 16:1-3). Ele era o “filho amado
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e fiel no Senhor” (I Cor. 4:17) e as cartas de Paulo mostram o grande amor que ele tinha para com este “verdadeiro filho na fé”(I Tim. 1;2). A finalidade da carta - O propósito da carta é dado em 3:15. Paulo escreve para orcintar e ajudar a Timóteo na primeira responsabilidade pastoral deste, na Igreja de Éfeso. S. Paulo avisa-o do perigo de erros e falsos ensinos e o anima a continuar na verdade e a viver uma vida santa. São estes os dois pensamentos que formam a base desta carta. Na abundância de conselhos sobre os princípios a seguir na organização das Igrejas, dois fatos se distinguem: - i. A Igreja Local, “a casa de Deus”, é o lugar central e é de muita importância na vida do crente (I Tim. 3:15). É o pivô do qual se irradiam as responsabilidades e as capacidades daqueles que formam parte dela. - ii. O Pastor tem importante papel, e Paulo fala da pesada responsabilidade pela escolha dos anciões e pelas reuniões. ESBOÇO Cap. 1:1-2 – Introdução. Cap. 3-20 – O ensino da Igreja - Exortação à fidelidade apesar de falsos mestres. O ministério do próprio Paulo apoia esta exortação. Cap. 2:1-15 – O Culto da Igreja - i. A Oração (1-4); ii. A Mensagem (5-7); A Conduta (8-15). Cap. 3:1-15 – Os Oficiais da Igreja - As qualificações para o ministério cristão: O Pastor ideal (1-7); ii. O Diácono (8-13); Conselhos Cap. 4:1-5:25 – O Governo da Igreja - Advertências sobre falsos mestres e conselhos para a vida pessoal de Timóteo (Cap. 4). Como pastor deveria regularizar a disciplina da Igreja (5:1-25). Cap. 6:1-19 – As Relações da Igreja - Servos.....contentai-vos! - Pastores.....sede irrepreensíveis! - Ricos.....sede generosos! Cap. 6:20-21 – Conclusão.

II TIMÓTEO Data - 67 - 68 Tema - Últimas instruções. Versículo Chave - 4:6-7 Circunstâncias - Esta carta é de interesse especial, sendo a última que Paulo escreveu. Os seus últimos dias foram passados em confortos materiais e sabia que agora estava próxima a sua morte (4:6), pois esta sua última prisão foi bem diferente. Paulo foi preso tão de repente que não houve tempo de vestir sua capa que ficou ali na casa de Carpo em Troade, nem de reunir seus preciosos livros e pergaminhos (4:13). Na primeira prisão, deixaram-no em uma casa alugada, com certa liberdade; agora em cárcere incomunicável. Enquanto antes tinha tido grande número de amigos ao redor, agora estava quase só (4:10-12). Na primeira prisão esperava uma breve libertação; na segunda aguardava a morte (4:6-7). O Propósito da Carta - Paulo havia comparecido à presença de Nero, porém a sua causa foi adiada (4:16-17). Esperava comparecer novamente e escreve apressando Timóteo a vir (4:9), pois naturalmente o velho apóstolo desejava ver o seu filho amado antes de morrer e pede que trouxesse também Marcos (4:11) e as coisas que deixara (4:13). Vemos nesta sua última carta a grandeza, coragem e esperança de Paulo. Mesmo em condições tão tristes, a sua maior
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preocupação era que se conservasse pura o que se propagasse fielmente a mensagem de salvação em Cristo (2:2), e escreve para reforçar a sua comissão e animá-lo no seu ministério. Morrendo só, preocupava-se em ver que os seus continuadores fizessem fielmente o serviço do Mestre. Não alterou o seu modo de pensar acerca da morte; antes se regozijava com a certeza de encontrar-se com o Senhor (4:8,18).

ESBOÇO 1:1-5 Saudações e ações de graça. I Timóteo é exortado a preservar - 1:5 - 2:14 “Não te envergonhes do testemunho do Nosso Senhor”. Por causa da: 1. Natureza da fé - 1:5-7. Fé sem figemento, proveniente do Espírito. 2. Revelação do Evangelho - 1:8-10. A grandeza da obra de Cristo. 3. O exemplo do apóstolo - 1:11-18. “Eu sei em quem tenho crido.” 4. Glória do galardão - 2:1-13. “Se sofrermos com Ele, também com Ele reinaremos”. II Timóteo preparado para pregar - 2:14 - 4:8 - “Como um obreiro que não tem do que se envergonhar”. Sendo: 1. Um trabalhador irrepreensível - 2:14-23. Aprovado por Deus. 2. Um servo apto para instruir - 2:24-26. Não em contendas mas em mansidão. 3. Um crente iluminado. 3:1-16. Perfeito e habilitado pela Palavra de Deus. 4. Um pregador bem equipado. 4:1-8. “Faze a obra de evangelista”. 4:9-22 Recomendações finais.

TITO

Data - 66 - 67. Tema - A organização da Igreja (1:5) À quem foi escrita - Tito era gentío (Gal. 2:13), converteu-se por Paulo, sendo um “Verdadeiro filho na fé” (1:4). Acompanhou Paulo em algumas das suas viagens e foi a Tito que Paulo confiou algumas das tarefas mais difíceis. Por exemplo, a de levar a carta à igreja de Corinto (II Cor. 2:13; 7:6,13). Foi ele que Paulo encarregou de levar a oferta para os pobres de Jerusalém (II Cor. 8:6,16-17) e em Tito 1:5 aprendemos que Paulo confiou à Tito a organização da igreja em Creta, cujos habitantes eram conhecidos como difíceis de lidar. Tudo então mostra o seu caráter enérgico e o seu zelo na causa de Cristo (II Cor. 7:13-15). Deveria ser mais velho do que Timóteo e parece bem mais forte, física e moralmente, pois Paulo não mostra a mesma preocupação com Tito como quanto a Timóteo. Resumo Geral - Tendo voltado a Éfeso, Paulo estava na véspera da sua viagem à Nicópolis. Achou conveniente e necessário dar outras instruções a Tito que tinha deixado em Creta para completar o trabalho que começara (1:5). Mostra-lhe que há necessidade de boa ordem na igreja, a conveniência de estabelecer presbíteros e a dificuldade de se alcançar uma boa conduta no meio dos crentes tão viciados. Contudo confia Paulo que a experiência de uma
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regeneração real venha trazer a solução para os problemas ali. Paulo dá-lhe autoridade de agir com energia naquele lugar onde o povo tinha a fama de ser grosseiro e difícil (1:12-13). Precisava de um homem forte como Tito para resolver o caso. Paulo quis também avisar Tito da sua viagem e marcar um encontro em Nicópolis onde decidira invernar (3:12). ESBOÇO Cap. 1 – Uma Igreja em Ordem.....As qualificações dos Presbíteros ou Líderes. Cap. 2 – Uma Igreja sã.....A necessidade da sã doutrina. Cap. 3 – Uma Igreja Ativa.....A necessidade das boas obras. Passagens doutrinárias importantes: - Cap. 1:1-3; 2:11-14; 3:3-7.

FILEMON Data - Acerca de 62 Circunstâncias - Escrita da prisão em Roma, esta carta pertence ao mesmo período das cartas aos Efésios, Colossenses, e os Filipenses; isto é: entre os anos 61 e 63, sendo enviada ao mesmo tempo que a carta aos Colossenses. Esta é uma carta particular, mas foi enviada não somente à Filemon, mas também a sua esposa Áfa e Arquipo e à igreja local. É possível que Arquipo fosse o dirigente da igreja e filho de Filemon. Um escarvo de Filemon (membro influente da igreja de Colossos ou de Laodicéia) cujo nome era Onésimo, fugira e escondera-se em Roma, talvez com algum dinheiro roubado de Filemom. Vindo sob a influência de Paulo, converteu-se e tornou-se um servo devotado de Paulo. Porém, legalmente era escravo de Filemom e Paulo não queria usá-lo como servo sem a permissão do seu dono. Devolvendo Onésimo, Paulo queria evitar a punição cruel ao escravo foragido que a lei romana ditava. Queria conciliar Filemon e Onésimo sem lhe negar a falta cometida. Como fazer isto? O resultado é uma carta que “é um perfeito modelo de tática e cortesia”. Temos nesta epístola um exemplo da tática e sabedoria de Paulo que escreve de tal modo que seria muito difícil Filemon recusá-lo. O fato que a carta foi conservada indica que Paulo foi atendido no seu pedido. Paulo não quis ordenar com a autoridade de apóstolo, mas prefere rogar como íntimo e querido amigo. Para assegurar o seu fim, Paulo traz o caso ao conhecimento da igreja em Col. 4:9 recomenda Onésimo à igreja de Colossos. Há uma tradição que assegura que o grande bispo de Éfeso é este mesmo Onésimo, e Ignácio na sua carta antes de ser martirizado, faz o mesmo trocadilho feito por Paulo no v.11 (pois Onésimo significa „útil‟). Os princípios enunciados nesta carta tornaram a Igreja contra a escravidão.

HEBREUS O Escritor - Desconhecido. Esta epístola é diferente das demais do NT em que não tem o nome do escritor no começo, nem é dirigida a alguém ou a uma igreja. Já foram sugeridos como escritores: Apolo, Paulo, Barnabé, Priscila e Áquila; no fim teremos que dizer com Orígenes: - “somente Deus sabe quem a escreveu”.
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Data Antes da destruição de Jerusalém (10-11). Tema A Superioridade da Nova Aliança. Em Cristo tudo é melhor. Versículo Chave - 8:6 Palavra Chave - Melhor (ou Superior) Resumo Geral - A superioridade da revelação feita em Cristo é mostrada nos primeiros versículos, porque é feita em “Um que é seu Filho” (1:2), a “Expressão exata do seu Ser” (1:3). O escritor demonstra a superioridade, a realidade e a perfeição da obra de Cristo, mostrando que Ele é melhor do que os Anjos (1:4); melhor do que Moisés (3:3); do que Josué (4:8); do que os sacerdotes da ordem de Arão (6:20; 7:26-28). Depois disto ele prova que a Nova Aliança, baseada em melhores promessas, é melhor do que o Tabernáculo (9:11) e melhor do que os sacrifícios, sendo o sacrifício único e eficaz para sempre (9:26; 10:10; 12:14). Após provar o caráter perfeito e eterno do Cristianismo, ele exorta os leitores a aproximarem-se de Deus em plena certeza de Fé, e guardarem firmes a confissão da esperança, e estimularem-se uns aos outros ao amor (10:19-25). Dá avisos solenes (10:26-31) e apelos para que andassem como o havia feito no passado (10:32-39). No Cap. 11 mostra os exemplos gloriosos dos heróis da fé e aponta Jesus como o Autor e Consumador da Fé (12:1-4). Ele explica que as provações são disciplinas de Deus, nosso Pai, e um dia produzirão fruto de justiça e santidade (12:5-29). No último capítulo temos muitos conselhos práticos sobre os diversos deveres sociais e espirituais e, finalmente, uma bênção gloriosa (13:20-21). Lição Prática - Devemos notar que o segundo tema central desta epístola é que a nossa responsabilidade é maior, comparando a revelações e o privilégios antigos com os que agora tem o crente em Jesus Cristo. O escritor frisa o perigo de rejeitar tão grande salvação e tão maravilhosas oportunidades. Na história do mundo Deus nunca ofereceu ao homem tanto como agora na Pessoa do seu Filho, e ai de quem descuidar de tão grande amor! Tudo que Jesus fez por nós, exige de nós a plena certeza da fé e uma firmeza inabalável e a responsabilidade de considerar e estimular uns aos outros (10:19-25). Os terríveis juízos do Sinai devem servir de advertência para nós, que somos advertidos não do monte Sinai, mas do próprio céu. Deus que julgava naqueles dias, julgará outra vez o mundo, em escala muito maior e mais terrível. Maiores benefícios e oportunidades nos trazer maiores responsabilidades. ESBOÇO I- A Superioridade de Jesus aos Anjos - 1:1-2:18 II- A Superioridade de Jesus a Moisés - 3:1-19 III- A Superioridade de Jesus a Josué - 4:1-13 IV- A Superioridade de Jesus como Sacerdote - 4:14-10:39 V- A Superioridade da Fé Cristã - 11:1-40 VI- A Disciplina e Seus Benefícios - 12:1-29 VII- Exortações Finais - 13:1-25 1. Quanto à vida social - 13:1-3 3. Quanto à vida espiritual - 13:7-17 2. Quanto à vida particular - 13:4-6 4. Saudações Pessoais - 13:18:25

TIAGO
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O Escritor - Tiago, mas qual deles? O NT nos fala de três Tiago: o filho de Zebedeu, o filho de Alfeu, e Tiago, o justo, o irmão do Senhor que provavelmente é o escritor desta carta. Durante o ministério de Jesus aqui na terra, seus irmãos juntamente com sua mãe no meio dos discípulos (Atos 1:14). Parece que o meio da conversão de Tiago foi quando Jesus se apresentou a ele vivo (I Cor. 15:7). Tiago logo se salientou entre os crentes de Jerusalém. Foi ele quem presidiu o 1º Concílio da Igreja em Jerusalém (Atos 15:13). Respeitado pelos judeus em geral, foi ele martirizado em 62. O seu martírio é contado por Josefo. Destino - Foi dirigida aos judeus da Dispersão (1:1), aos judeus crentes que saíram da Terra Santa por causa da perseguição. Data - A data é incerta, é tido porém como o mais antigo dos escritos do N.T. e pode ter escrito acerca do ano 45. Tema - A fé é manifestada pelas obras. Versículo Chave - 1:22 A Carta - O estilo de Tiago é claro e muito franco. Ele usa frases empolgantes e fáceis de serem lembradas. Tiago não se preocupa com doutrina. A sua ênfase é prática. A carta é também caracterizada pelas ilustrações memoráveis: como “o que duvida é semelhante à onda do mar” (1:6); a língua é comparada com o leme do navio (3:4-5); a vida é comparada com a neblina, que logo passa (4:14); etc. Já foi dito que em nenhuma outra epístola há tantas referências aos ensinos de Cristo, como estes aparecem nos Evangelhos, em espaço tão pequeno. Os conselhos dados, pela sua ênfase sobre a santidade prática, nos lembram vivamente do Sermão do monte, especialmente Mat.5:20 e 6:1, que são uma síntese do „Manifesto de Jesus‟: i. A exigência fundamental; ii. A sua finalidade; iii. A regra básica. Este uso extensivo dos ensinos de Cristo, torna a epístola de suma importância para nós. O ensino em síntese - “A fé em Deus acaba com distinções entre as classes. A prova da fé não está só na doutrina, mas na atmosfera de comunhão, o comunismo verdadeiro (como na Igreja primitiva). Elimina as guerras e pelejas entre os santos. Fé é a base da comunhão”(Campbel Morgan). ESBOÇO 1 - Introdução - 1:1 2 - Fé e as provações - 1:2-27 3 - Fé e a sociedade - 2:1-13 4 - Fé e as obras - 2:14-26 5 - Fé e a língua - 3:1-12 6 - Fé e a sabedoria - 3:13-18 7 - Fé e as contendas - 4:1-17 8 - Fé e a cobiça - 5:1-6 9 - Fé e a paciência - 5:7-12 10 - Fé e a oração - 5:13-20

I PEDRO Data - Acerca do ano de 64
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Versículo Chave - 1:3 Tema - A viva esperança (Dada pela graça de Deus em tempos difíceis). O Escritor - A evidência da própria epístola é que o seu escritor foi Pedro, o apóstolo de Jesus Cristo, evidência que foi universalmente aceita pela igreja primitiva. Lembramos que Pedro foi levado a Cristo pelo seu irmão, André. Pescador por profissão, recebeu na ocasião da sua chamada ao discipulado a promessa “serás pescador de homens” (Lucas 5:1-11). Em Atos, ele é a figura principal dos primeiros doze capítulos e é mencionado em Gal. 1 e 2 e em I Cor. 9:5. Nada se sabe com certeza da última parte da sua vida, bem que a tradição afirma ter Pedro sido martirizado em Roma acerca do ano 67. Outros acham que Pedro morreu na Babilônia. Estilo da Carta - A excelência do grego (melhor do N.T.) é razão dada pelos críticos para disputar a autoria da carta, dizendo ser bom demais para um simples pescador usar. Porém em I Pedro 5:12 aprendemos que quem fez esta parte prática foi Silvano, fiel companheiro de Pedro e Paulo (cf. 2 Tess. 1:1). Provavelmente Silvano é o mesmo Silas do qual lemos em Atos (15:22, 27, 32). O Propósito da Carta - Esta carta foi escrita em tempo de intensa perseguição (1:6-7; 3:4; 4:12; 5:9), portanto, o propósito do apóstolo em escrever foi de animar os crentes e prepará-los para enfrentar as perseguições desencadeadas sobre os cristãos depois do fogo de Roma em 64. Esta carta é um documento maravilhoso do cristianismo citando especialmente Isaías, Salmos e Provérbios. A carta não é somente inspiradora e prática, mas contém passagens evangelísticas como 1:18, 19; 2:24-25. Palavra característica de Pedro: „Precioso‟ - 1:7; 19; 2:4, 6, 7. Resumo Geral - Após as saudações (1:1,2), Pedro louva Deus pelas bênçãos da salvação (1:3-12); chama-os para uma vida de santidade, amor e crescimento espiritual (1:13 - 2:10); segue então exortações sobre a vida prática, como cidadãos, servos, esposas e maridos; sobre a fraternidade e pureza (2:11 - 4:11). Pedro mostra as consolações daqueles que sofrem por amor ao nome de Cristo (4:12 - 19); dá conselhos sobre os deveres de ministros (5:1-4); fala da humildade, submissão e vigilância (5:5-11) e termina enviando saudações e bênção.

Os Temas da Carta 1 - A Grande Salvação - Mesmo no meio do sofrimento, pode regozijar na esperança da maravilhosa herança para a qual está sendo guardada por Deus (1:3-12). 2 - A Chamada a Santidade - Como Paulo, Pedro usa a doutrina como base para a sua exortação prática.....”Portanto.....sede vós também santos.....” (1:13; 2:10). 3 - A „Pedra‟ e as pedras (2:4-8) - É interessante comparar este trecho com Mat. 16:18. Pedro ao menos não duvida quanto quem era a Pedra principal, o fundamento da Igreja. As demais pedras dependiam da Pedra angular predita em Isaías 28:16. 4 - Os deveres Cristãos (2:11 - 3:12) - Aqui temos conselhos e como se portar no estado (2:1314), na sociedade incrédula (2:12), no emprego (2:18), na família (3:1-7), e na igreja (3:8-13). 5 - Sofrimento e Glória (3:13 - 4:19) - Pedro mostra como as perseguições trazem grande galardão e glória. Porém „preciso que sejam perseguições de verdade e não o justo castigo por algum mal que o crente fez (4:15).
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6 - Humildade e Serviço (5:1) - Até os líderes da igreja devem exercer o seu ministério com toda humildade e assim receberá do Sumo Pastor seu galardão.

ESBOÇO Prefácio e Saudação 1:1-2 1 - 1ª Divisão Doutrinária - 1:3-12 – O que temos? i. v.3-5 - A herança do Santo; ii. v. 6-9 - A prova da fé; iii. v.10-12 - Sofrimento e glória de Cristo. 2 - 1ª Divisão Prática - 1:13 - 2:3 – O nosso viver: i. v.13-16 - Exortação à santidade; ii. v. 17-21 - O preço da redenção; iii. v. 22-25 - Amai-vos uns aos outros; iv. v. 2:1-3 - Deixar toda malícia. 3 - 2ª Divisão Doutrinária - 2:4-10 – O que somos (Templo)? i. v.4-5 - Uma casa espiritual; ii. v. 9-10 - Uma geração escolhida, eleita, um sacerdócio real. 4 - 2ª Divisão Prática - 2:11 - 3:17 – Nossa conduta: i. v.11-17 - Entre incrédulos; ii. v.18-25 - Imitai o Servo sofredor; iii. v. 3:1-6 - Os deveres da mulher cristã; iv. v 7 - Deveres dos maridos; v. v. 8-17 - Procedimento do crente perseguido. 5 - 3ª Divisão Doutrinária - 3:18 - 4:19 – A Cruz na experiência do Crente: i. v. 18-22 - A recompensa do sofrimento; ii. v. 4:1-11 - Sofrimento como resultado da santificação; iii. v. 4:12-19 - A glória do sofrimento. 6 - 3ª Divisão Prática - 5:1-11 – A Responsabilidade do Crente: i. v.1-4 - A responsabilidade dos anciãos; ii. v. 5-11 - Vesti-vos de humildade. CONCLUSÃO: Despedida e Bênção – 5:12-14.

II PEDRO O Escritor - Tem havido muita discussão quanto a autoria desta carta que demorou a ser aceita como inspirada ou canônica. isto porque há diferenças de estilo e de matéria da primeira carta; mas isto é natural quando lembramos que esta foi escrita com um propósito diferente e provavelmente por outro amanuense. Do outro lado, há muitas semelhanças em palavras e frases comuns, não só às duas epístolas mas que aparecem também em Atos (nos discursos de Pedro e em Marcos. A própria epístola diz ser de “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo”. É o mesmo autor da primeira carta (3:1) escrita às mesmas pessoas. Data - Logo antes do seu martírio (1:14). Mais ou menos 66 ou 67.
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Tema - Preservar na verdade - Como manter-se puro e leal. Versículo Chave - 3:17 Propósito da Carta - Enquanto a primeira carta foi escrita para animar e fortalecer os cristãos sob a perseguição e as provações, a segunda tinha por objetivo preveni-los contra falsos mestres e suas doutrinas corrompidas. Isto é: enquanto a primeira carta foi para consolar, a segunda foi para advertir. Resumo Geral - Na primeira carta, Pedro exorta os crentes para que sejam pacientes nos sofrimentos, mas nesta recomenda-lhes perseverança na verdade para não cair nos erros daquele tempo. Para isto deveria haver uma piedade progressiva (1:3-11). Eles encontrariam uma prova clara da verdade das Escrituras no cumprimento das profecias e no testemunho dos santos de Deus. Em termos enérgicos, Pedro os avisa contra os falsos mestres que seriam reconhecidos pelas suas vidas corruptas e pelo abuso das doutrinas da graça, tornando a liberdade em libertinismo (2:1-22, especialmente v.19), assegurando-lhes que a Segunda vinda do Senhor é tão certa como o dilúvio (3:1-13). Em seguida Pedro aconselha os cristãos a que sejam diligentes e santos (3:14-18) apelando para os ensinamentos de Paulo (v.15-16) como confirmação das suas idéias, notando que aqueles ensinos tinham sido torcidos por homens indoutos com o fim de justificarem as mais perniciosas práticas. Pedro termina a sua carta com uma exortação para a perseverança na verdade e crescimento na graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo. ESBOÇO I. Cap.I – O Conhecimento do Evangelho i. Frutificando em conhecimento (1:1-4). ii. Edificando pelo conhecimento (1:5-11). iii. Os fundamentos do conhecimento (1:12-21). II. Cap.II – Os Inimigos do Evangelho i. O Caráter dos falsos mestres (2:1-3). ii. O juízo dos falsos mestres (2:4-11). iii. A conduta dos falsos mestres (2:12-22). III. Cap.III – A Esperança do Evangelho i. A verdade da Segunda Vinda atacada (3:1-7). ii. A verdade da Segunda Vinda comprovada (3:8-10). iii. A verdade da Segunda Vinda aplicada (3:11-18). DOXOLOGIA: 3:18b

I JOÃO Escritor - O apóstolo João, filho de Zebedeu, segundo o testemunho de Policarpo e de Papias que foram discípulos de João e confirmado pelas provas internas em comparação com o Evangelho por ele escrito (cf. cap. 1 João 1:1-14). No seu próprio evangelho, João nunca cita o seu nome. Apresenta-se sempre como “o discípulo à quem Jesus amava”. João 21:7, 13:23, etc. Data - Mais ou menos em 90.
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Tema - Comunhão com o Pai. Versículo Chave - 1:3. Destino - Aos crentes da Ásia Menor. O Propósito de João em escrever - “Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creias no nome do Filho de Deus” I João 5:13. Saber é portanto a palavra cave da epístola e João mostra as três características do verdadeiro conhecimento de Deus: 1 - Santidade de vida.....5:18 cf. 1:6; 2:15; 3:6. 2 - Amor aos irmãos em Cristo.....4:7; cf. 3:14; 4:10-11. 3 - Doutrina certa.....4;3, 15. Resumo Geral - Após a introdução (1:1-5), João ensina que o caráter divino deve determinar o caráter da vida dos crentes (1:5 - 2:11); adverte-os contra as doutrinas heréticas e a influência mundana (2:12-29). Em seguida insiste sobre a necessidade de fazerem sempre o que é justo e permanecerem no amor de Deus (caps. 3 e 4). Diz que é bastante que verdadeiramente creiamos que Deus dá a Vida Eterna em Cristo, para sermos santos e felizes e para sermos perdoados e santificados (5:1-12). Na conclusão ele resume as doutrinas ensinadas (5:13-21). Assim como outros, João estava combatendo o gnosticismo que negava a pessoa de Cristo e praticava a imoralidade. Ele mostrou que o verdadeiro conhecimento e comunhão com Deus são sempre distinguidos pela santidade de vida, o amor fraternal e a fé em Jesus como Deus Encarnado. As frases “nós sabemos” e “vós sabeis”, são usadas cerca de 20 vezes. Combateu as heresias por meio de fatos verdadeiros do Evangelho, procurando edificar os crentes e converter os incrédulos. ESBOÇO I. Comunhão com Deus em Luz - 1:5 - 2:29 1 - Condições para se andar na Luz - 1:5 - 2:11. 2 - Impedimentos de andar na Luz - 2:12 - 29. II. Comunhão com Deus em Amor - 3:1 - 5:3 – A atitude do cristão 1 - Par o mal que nega o amor - 3:1 - 4:6. 2 - Para com o amor que contraria o mal - 4:7 - 5:3. III. Comunhão com Deus em Vida - 5:4-21 – A possessão e conhecimento da Vida.

II JOÃO Escritor - O Apóstolo João (O Presbítero - cf. I Ped. 5:1). Destino - “À Senhora eleita e os seus filhos” (1:1). Alguns acham que era uma Senhora cristã com o nome de “Kyria” que em grego quer dizer “senhora”. Outros supõem que representa uma Igreja.
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Data - Cerca do ano 90 D.C. de Éfeso Tema - Permanecer na Verdade e não receber os enganadores. Versículo Chave - v.9

Resumo Geral - João dirige-se à Senhora Eleita e aos seus filhos, manifestando a sua alegria por ter achado que alguns deles andavam na verdade, e advertindo-a contra os perigos de doutrinas heréticas. ESBOÇO DE II JOÃO Introdução: v. 1-3 I. O Caminho do Crente (v. 4-6) – a. Andar na verdade (v. 4); b. Andar em amor (v. 5,6). II. O Perigo do Crente (v. 7-11) – a. A Natureza desse perigo (7); b. A Relação do Crente ao Perigo (8-11). CONCLUSÃO: (v. 12,13) (Scroggie)

III JOÃO Escritor - O Apóstolo João (O Presbítero) v.1. Destino - “Ao amado GAIO” (v.1) (Rom 16:23; I Cor. 1:14). Data - Cerca do ano 90 D.C. de Éfeso. Tema - Anda humildemente na verdade e no amor. Resumo Geral - Esta é uma carta pessoal que nos mostra como era a Igreja no fim do primeiro século, com as suas virtudes e com os seus defeitos; com os seus membros humildes e hospitaleiros, e com os ambiciosos e orgulhosos querendo dominar os outros. João louva Gaio pela hospitalidade e amor que havia dispensado aos irmãos e peregrinos (v.1-8); condena Diótrefes pela sua ambição e turbulência (9-11); recomenda Demétrio pelo seu bom testemunho (12) e finda com saudações (13-15). ESBOÇO DE III JOÃO I. GAIO, O AMADO (1-8) ( a ) Próspero na alma (v. 2) ( b ) Consistente na vida (v. 3) ( c ) Fiel no testemunho (v. 5) ( d ) Amável no serviço (v. 6) II. DIÓTREFES, O AMBICIOSO (9-11) ( a ) Gostava da preeminência (v. 9) ( b ) Falava com maledicência (v. 10a) ( c ) Faltava na cooperação (v. 10b) III. DEMÉTRIO, O RECOMENDADO (v. 12) ( a ) Testemunho comum - “todos lhe dão testemunho”. ( b ) Testemunho real - “até a própria verdade”. ( c ) Testemunho de João - “nós também damos testemunho”.
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CONCLUSÃO

- (v. 13-15).

JUDAS Escritor - “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago” (1:1), era portanto irmão do Senhor (Mat. 13:35 - Mar. 6:3). O v. 17 dá a entender que não era apóstolo, mas que converteu-se depois da ressurreição como o seu irmão Tiago e dedicou-se a servir Àquele que tinha rejeitado por tanto tempo (Atos 1:14). Data - É muito incerta, mas possivelmente acerca de 67. Tema - A Luta pela Fé. Versículo Chave - v.3 Resumo Geral - A preocupação da epístola é combater a heresia nascente daqueles dias. O gnosticismo, com suas tendências imorais (v.4). Depois da saudação (v.1-2), Judas assinala o motivo em escrever (v.3) e anuncia a condenação reservada para os falsos mestres e define a apostasia no seu caráter (v.4) e características (vs. 12, 16, 19). Ele dá várias ilustrações da sua natureza e o resultado como sejam: - Israel na sua incredulidade (v.5), os anjos na sua rebelião (v.6), Sodoma e Gomorra na corrupção (v.7), Caim na sua justiça própria (v.11), Balaão na sua avareza e Coré na sua presunção (v. 11b). Mostra então qual deve ser o dever do cristão em tais circunstâncias (v. 17-23) e termina com uma rica doxologia (v. 24-25). Nota : 1 - As características dos falsos mestres: Vida dissoluta (v. 16, 19); Amor ao dinheiro (v. 11, 16); Arrogantes palavras (v. 16); Desprezo da sã doutrina (v. 11). 2 - Os crentes: São conservados por Jesus Cristo (v. 1) e por Aquele que é poderoso para guardar de tropeçar (v. 24), mas isto não lhes tira a responsabilidade de andar com cuidado, edificando-se cada vez mais na fé. (cf. também Fil. 2:12 - 13).

APOCALIPSE

Introdução: Billy Graham escreveu: "Na história da Igreja, o livro do Apocalipse tem sido o mais negligenciado, o mais mal entendido e mais mal interpretado por um número maior de pessoas, do que qualquer outro livro". William Barclay expressou: "Apocalipse é, notoriamente, o livro mais difícil e mais espantoso do Novo Testamento; entretanto, é também indubitável que acharemos que valeu a pena, e muito, lutar com ele até que nos tenha fornecido suas bênçãos e nos tenha aberto seus tesouros". Durante séculos, as misteriosas imagens do Apocalipse foram consideradas, por muitos estudiosos, enigmáticas e surrealistas demais para serem entendidas.
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Michael Wilcock afirmou: "O último livro da Bíblia desperta na maioria de seus leitores um sentimento de amor e ódio. O Apocalipse está cheio de mistérios... e como todos os mistérios, o livro tanto repele como atrai o leitor".Mas, o Apocalipse é o cumprimento da promessa do Senhor Jesus aos apóstolos em João 16:31: "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade... e vos anunciará as coisas que hão de vir". Sendo assim, o Apocalipse é a última Palavra de Deus aos homens. Se a mensagem dos profetas dava a Israel uma última oportunidade de voltar para Deus, a mensagem profética do Apocalipse, que fecha o Cânon das Escrituras, é como que a última advertência do Senhor para Sua Igreja e a humanidade em geral. Se estes não escutarem, chegará o momento em que não haverá mais esperança para eles, como no tempo em que não houve mais remédio para Israel. O Apocalipse é a História escrita antecipadamente. Isaías, Amós e Jeremias anunciaram a queda de Samaria e de Jerusalém, o cativeiro babilônico e os sofrimentos resultantes disto - e estas profecias se cumpriram ao pé da letra. Então, não podemos esperar outra coisa do livro profético do Novo Testamento. 1. O que é Apocalipse? O termo "apocalipse" é formado por dois vocábulos gregos: o verbo kalypto = cobrir, envolver, ocultar, por véu em, mais a preposição apo que aqui tem a idéia de afastamento. Assim, "apocalipse" significa "remover o véu, revelar, descobrir algo que está encoberto". No inglês o título do livro é Revelation; e as primeiras três palavras do livro são: "Revelação de Jesus Cristo..." O Apocalipse é uma profecia (Gr. profeteía = Predizer o futuro; predição). Por várias vezes o autor do livro afirmou que seu livro era uma profecia (1:3; 22:7, 10,18,19). Profeta (Gr. prophetes) é um substantivo composto, formado pelo prefixo pro, um advérbio de tempo que significa "antes", e a raiz phe = "dizer", "proclamar", que sempre tem uma conotação religiosa. Assim, o profeta é "aquele que prediz", "que conta de antemão". "O profeta expressa alguma coisa por cujo conteúdo não é responsável, visto que ele o recebeu de seu Deus" (DITNT, 760). 2. Quando foi escrito? As evidências históricas creditam o Apocalipse à última década do primeiro século, quando César Domiciano era imperador de Roma (81-96 d.C.). 3. Quem escreveu o Apocalipse? O apóstolo João, o mesmo autor humano do Evangelho e das três epístolas, é o autor do Apocalipse (1:1,4,9; 22:8). Quem era este João? Do estilo do livro podemos deduzir que ele era um cristão de origem hebraica, conhecendo de ponta a ponta o Antigo Testamento. Alguns afirmam que João tinha cerca de 80 anos quando recebeu esta Revelação do Senhor Jesus Cristo. Mas é bom lembrar que João foi o recipiente, não o autor do Apocalipse, pois a Revelação é de Jesus Cristo. 4. Onde se deu o Apocalipse? João estava na ilha chamada Patmos. Era uma entre diversas ilhas pequenas a sudeste da costa da Ásia Menor. Tinha uns 16 quilômetros por 10, uma ilha nua, vulcânica, com elevações de até 300 metros. Na literatura romana encontramos indicações de que ilhas como esta eram usadas para exilar criminosos políticos. No caso de João, parece que ele foi acusado de subversão pelo governador da Ásia por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (1:9). Vale lembrar que desde o começo a Igreja tem sido acusada de subversão política (cf. Atos 17:7).
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5. Por que João recebeu o Apocalipse? Para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer. Deus não faz as coisas sem propósito. O Apocalipse foi uma bênção para a fé dos primeiros cristãos e para as Igrejas da Ásia. É certamente verdade que a Escritura estaria incompleta sem o Apocalipse - e isto se encaixa perfeitamente com o que disse o profeta Amós: "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas" (Am 3:7). A Bíblia começa com uma revelação da eternidade passada, com a majestosa frase de Gênesis 1:1: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Nós não conheceríamos os detalhes da criação, do começo, se não fosse a revelação do Senhor a Moisés (cf. Êx 33:11; Dt 5:4; 34:10). Da mesma forma, não conheceríamos a revelação do fim se não fora o Apocalipse. E as coisas do Apocalipse DEVEM ACONTECER. Por isso que o Prof. H.E. Alexander disse que o Apocalipse é "História escrita antecipadamente". O livro também foi escrito por causa da obediência do apóstolo ao Senhor: "...ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve em livro e manda às sete Igrejas" (1:10-11).

6. A Divisão Chave do Apocalipse (1:19): 1. "As coisas que viste" - Capítulo 1 2. "As que são" - Capítulos 2 e 3 3. "As que hão de acontecer depois destas" - Capítulos 4 a 22.

7. Métodos de Interpretação do Apocalipse 7.1 Método Preterista - Os preteristas afirmam que tudo no Apocalipse se refere ao passado, e por isso tudo o que está previsto no livro já se cumpriu. Mas uma análise honesta mostrará que este ponto de vista é inadequado. 7.2 Método Histórico - Este método encara o Apocalipse como uma profecia simbólica de toda a história da Igreja até a volta de Cristo e o fim dos tempos. Obviamente uma interpretação como esta pode levar a confusão, porque não há diretrizes claras quanto a quais eventos históricos estariam sendo abordados. 7.3 Método Idealista - Os idealistas negam qualquer significado histórico ou profético do Apocalipse; pelo contrário, vêem o livro como um quadro simbólico do conflito entre o bem e o mal, entre o Reino de Deus e o império das trevas, e a vitória final de Deus, aplicável em todas as épocas. Mas novamente, uma análise sincera do livro vai mostrar que ele não trata somente disto. 7.4 Método Futurista - Este método interpreta o Apocalipse em grande parte como uma profecia de acontecimentos futuros, colocada em termos simbólicos; e descrever a consumação do propósito redentor de Deus no fim dos tempos. Concluímos que a maneira mais correta de interpretar o Apocalipse é fazer uma espécie de mescla entre o Método Histórico e o Método Futurista. Os profetas sempre enfocavam duas coisas em sua perspectiva profética: os eventos do presente e do futuro. Como disse o Prof. George Ladd: "O objetivo principal da profecia não é fazer um programa ou mapa do futuro mas deixar cair a luz da consumação escatológica sobre o presente (2 Pe 1:19)". Como disse John Stott o "Já e o Ainda Não".
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8. A Importância do Apocalipse (1:3) Há sete bem-aventuranças no livro: 1:3; 14:13; 16:15; 19:5; 20:6; 22:7,14. Aqui é pronunciada uma bem-aventurança sobre as Igrejas onde a revelação de João seria lida em voz alta. Que o significado é este indicam as palavras aqueles que ouvem. Não é uma referência à leitura e estudo particulares, mas ao culto público. A Igreja dos primeiros tempos adotou a prática judaica de ler em voz alta nas reuniões (Ex 24:7; Ne 8:2; Lc 4:16; At 13:15; 15:21; 2 Co 3:15). Paulo espera que suas cartas sejam lidas na congregação (Cl 4:16; 1 Ts 5:27). O Apocalipse não foi dado somente para transmitir informações sobre o futuro, mas para ajudar o povo de Deus no presente, que, por esta razão, deve guardar as cousas escritas nas palavras da profecia. Temos aqui uma lembrança das palavras de Jesus em Lucas 11:28: "Bemaventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam." O Apocalipse contém muitas exortações à fé, paciência, obediência, perseverança, fidelidade, adoração, oração e vigilância. E por ser uma profecia está no mesmo pé de igualdade com os profetas do Antigo Testamento. O Apocalipse abre com uma bênção (1:3) e fecha com uma bênção (22:21). Alguns acham que devemos tratar o Apocalipse como o enigma da Igreja. Mas este livro é uma REVELAÇÃO - não um mistério. É verdade que o Apocalipse é altamente simbólico, mas é difícil encontrar um símbolo no livro que não seja explicado em outro lugar na Escritura. O Apocalipse contém cerca de 300 alusões a outras partes da Bíblia. Michael Wilcock comentou: "As páginas do Apocalipse estão repletas de imagens para que a nossa imaginação, bem como as nossas mentes, possam captar os conceitos-chaves da fé cristã." * J.B. Phillips esboça cinco importantes lições que podemos aprender no Apocalipse: 1. A soberania absoluta de Deus resulta em seu propósito último de destruir todas as formas do mal; 2. Os juízos inevitáveis de Deus virão sobre o mal, especialmente sobre a adoração de falsos deuses; 3. A necessidade de perseverança paciente baseia-se no conhecimento de que Deus está no controle de toda a história; 4. A fidelidade de Deus promete segurança espiritual completa para os que são fiéis a Deus e a seu Cristo; 5. O vislumbre do culto e da adoração constantemente oferecidos a Deus e ao Cordeiro demonstra o reconhecimento último pelo homem do caráter de Deus. 9. O Prólogo do Apocalipse (1:4-8) 10. O Tema do Livro (1:7) Eles se lamentam sobre o Senhor por causa do julgamento terrível que Ele fará cair sobre eles.

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Bibliografia consultada
1) A Bíblia Anotada - Versão Almeida, Revista e Atualizada (Por Charles Caldwell Ryrie, Th.D., Ph.D.); 2) Panorama do Novo Testamento - (Robert H. Gundry) Edições Vida Nova; 3) O Novo Testamento: Sua Origem e Análise - (Merril C. Tenney) Edições Vida Nova; 4) Merece Confiança o Novo Testamento? - (F.F. Bruce) Série Clássicos Vida Nova; 5) O Mundo do Novo Testamento - (Packer, Merril C. Tenney, William Whrite Jr) Editora Vida; 6) O Mundo do Novo Testamento - (H.E. Dana) Juerp; 7) O Novo Testamento: Cânon, Língua e Texto - (B.P. Bittencourt) Juerp; 8) Os Manuscritos de Qumran e o NT - (Geruásio F. Orrú) Edições Vida Nova; 9) A Formação do NT (Oscar Cullmann) - Editora Sinodal; 10) O Cristianismo Através dos Séculos (H.H. Muirhead) - Casa Publicadora Batista; 11) Manual Bíblico (Henry H. Halley) - Edições Vida Nova; 12) O Período Interbíblico (Enéas Tognini) - Edições Louvores do Coração; 13) História Geral (Armando Souto Maior) - Companhia Editora Nacional; 14) História Geral (Ládmo Valuce) - Editora do Brasil S/A; 15) Dicionário Bíblico (John L. Mckenzie) - Edições Paulinas. 16) Introdução e Síntese do NT (Gerhard Horster) - Editora Esperança 17) Ele andou entre nós (Josh McDowell e Bill Wilson) - Editora Candeia 18) As Evidências da Ressurreição de Cristo (Josh McDowell) - Editora Candeia

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