SIMBOLISMO by cdscely

VIEWS: 4,657 PAGES: 32

More Info
									Simbolismo
Clemilda Souza Colégio Nossa Senhora Auxiliadora 2008

O Bulevar dos Capuchinhos, Monet, 1873

Oscar-Claude Monet (Paris, 14/11/1840 – 1926) foi o mais célebre entre os pintores impressionistas.

Impression: Soleil Levant, 1872, Paris Louis Leroy disse: "Impressão, Nascer do Sol” – "eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha."

Vicent Van Gogh, Campo de Trigo com corvos, 1890

A uma passante

Charles Baudelaire

A rua em derredor era um ruído incomum, Longa, magra, de luto e na dor majestosa, Uma mulher passou e com a mão faustosa Erguendo, balançando o festão e o debrum; Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata. Eu bebia perdido em minha crispação No seu olhar, céu que germina o furacão, A doçura que embala e o frenesi que mata. Um relâmpago e após a noite! – Aérea beldade, E cujo olhar me fez renascer de repente, Só te verei, um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente! Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais, Tu que eu teria amado – e o sabias demais!
Fonte: Baudelaire, C. 2006. As flores do mal. SP, Martin Claret. Poema originalmente publicado em 1861.

Panorama Histórico
Europa - Final do século XIX e inicio do século XX - crises politicas, sociais e econômicas na Europa. - Aumento das rivalidades entre monarquistas e republicanos. - Reivindicação das classe trabalhadoras por melhores salários e melhores condições de trabalho. - O progresso já não mais atende às necessidades das massas populares.

Fatos históricos

1886

1888

1891

1889

O Simbolismo
É originário da França e se iniciou com a publicação de As Flores do Mal, de Baudelaire, em 1857. Nome inicial: Decadentismo.

Simbolismo brasileiro Ínicio:1893 -Obras MISSAL E BROQUÉIS, de Cruz e Sousa Fim: 1902 - Publicação da obra OS SERTÕES, de Euclides da Cunha

 Os simbolistas buscavam integrar a poesia

na vida cósmica, usando uma linguagem indireta e figurada. Cabe ainda ressaltar que a diferença entre o Simbolismo e o Parnasianismo não está primeiramente na forma, já que ambos empregam certos formalismos (uso do soneto, da métrica tradicional, das rimas ricas e raras e de vocabulário rico), mas no conteúdo e na visão de mundo do artista.

Características das Poesias
           

- subjetividade - religiosidade - busca da essência humana : a alma - ambigüidade, conotação, sentido figurado - poesia hermética, de difícil entendimento - busca da musicalidade - exploração da sonoridade das palavras - "É preciso sentir, e não raciocinar" - Sinestesias: cruzamento entre impressões sensoriais - Aliterações: repetição de fonemas - temática: sonho, mistério, morte - a poesia atinge o leitor por inteiro: todos os sentidos são aguçados

O que são valorizados na poesia?
 As sensações  As impressões  Os conhecimentos intuitivos

Simbolistas foram chamados de Nefelibatas

CARACTERÍSTICAS
1)


SUBJETIVISMO
Os simbolistas descem até os limites do subconsciente e mesmo do inconsciente. Este fato explica o caráter ilógico ou o clima de delírio de grande parte de sues poemas, como no fragmento de Cruz e Sousa:

Cristais diluídos de clarões álacres, Desejos, vibrações, ânsias, alentos, Fulvas vitórias, triunfamentos acres, Os mais estranhos estremecimentos.

 2) O EFEITO DE SUGESTÃO

Diz Mallarmé:
Os parnasianos tomam os objetos em sua integridade e mostram-nos. Por isso carecem de mistério. Descrever um objeto é suprimir três quartas partes do prazer de um poema, que é feito da felicidade de adivinhar-se pouco a pouco. Sugerir, eis o sonho. E o uso perfeito deste mistério é o que constitui o símbolo: evocar o objeto para expressar um estado de alma através de uma série de decifrações.

3) MUSICALIDADE A música é obrigatória, como nesta espécie de receita poética de Cruz e Sousa: Derrama luz e cânticos e poemas No verso e torna-o musical e doce Como se o coração, nessas supremas Estrofes, puro e diluído fosse.

4) IRRACIONALISMO E MISTÉRIO Só os "alquimistas do verbo" podem enxergar além da obviedade do cotidiano e deparar-se com a essência misteriosa da vida. Cruz e Sousa chega a implorar pelo mistério: Infinitos, espíritos dispersos, Inefável, edênicos*, aéreos, Fecundai o Mistério destes versos Com a chama ideal de todos os mistérios.

*Inefável - indescritível, o que não pode ser expresso. *Edênicos: que procedem do Éden, do paraíso

O Simbolismo no Brasil é um movimento que ocorre à margem do sistema cultural dominante. Seu próprio desdobramento aponta para províncias de escassa ressonância: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os simbolistas transplantam uma cultura que pouco tem a ver com a realidade local. Daí resulta uma poesia freqüentemente distanciada tanto do espaço social quanto do jeito íntimo de ser brasileiro.

Cisne Negro" Cruz e Sousa que, em 1893 Cisne Negro

Broquéis (verso)

Missal (prosa).

Cruz e Sousa
 Apresenta diversidade e riqueza em sua poética.  Aspectos noturnos do Simbolismo, herdado do

Romantismo: culto da noite, o pessimismo, a morte, etc.  Preocupação formal; o gosto pelo soneto; o verbalismo requintado; a força das imagens.  Inclinação para uma poesia meditativa e filosófica que o aproxima de Antero de Quental.  Poesia metafísica e dor de existir.

A todo momento, o poeta apela para a linguagem metafórica:
"O demônio sangrento da luxúria..." "Punhais de frígidos sarcasmos..." "Ó negra Monja triste, ó grande soberana." (A lua) "As luas virgens dos teus seios brancos..." "O chicote elétrico do vento..." A musicalidade se dá através de aliterações. Sejam em v: Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões, vozes veladas vagam nos velhos vórtices* velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas*...
*Sinestesias: correspondência entre as diversas sensações, sons, olhares e cheiros. *Aliterações: repetição de fonemas no início, meio ou fim das palavras. *Vórtices: redemoinho, turbilhão. *Vulcanizadas: ardentes, exaltadas.

A rigor, os seus assuntos são limitados:
 A obsessão pela cor branca

Fragmento do poema do livro, Antífona: Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas! Ó formas alvas, fluidas, cristalinas, Incensos dos turíbulos* das aras*
 O erotismo e sua sublimação  O sofrimento da condição negra  A espiritualização

A obsessão pelo branco ganha uma dimensão filosófica, que poderia ser representada da seguinte maneira:

Mundo platônico > Mundo das Idéias e Formas Puras > Mundo alvo e nevoento
Este é o mundo ao que o poeta aspira: uma libertação, uma comunhão. Platonismo: vem da filosofia de Platão, que afirma ser o nosso mundo uma cópia inferior de um mundo ideal.

Erotismo e sublimação*
A mulheres surgem na obra de Cruz e Sousa como um símbolo de sensualidade.

Carnais, sejam carnais tantos desejos, Carnais, sejam carnais tantos anseios, Palpitações e frêmitos* e enleios*, Das harpas da emoção tantos arpejos*...

O sofrimento da condição negra
Os miseráveis, os rotos São as flores dos esgotos São espectros implacáveis Os rotos, os miseráveis São prantos negros de furnas Caladas, mudas, soturnas (...) Faróis à noite apagados Por ventos desesperados(...) Bandeiras rotas, sem nome, Das barricadas da fome. Bandeiras estraçalhadas Das sangrentas barricadas.

CAVADOR DO INFINITO
Cruz e Sousa

Com a lâmpada do Sonho desce aflito e sobe aos mundos mais imponderáveis, vai abafando as queixas implacáveis, da alma o profundo e soluçado grito. Ânsias, Desejos, tudo a fogo escrito sente, em redor, nos astros infefáveis. Cava nas fundas eras insondáveis o cavador do trágico Infinito. E quanto mais pelo Infinito cava mais o Infinito se transforma em lava e o cavador se perde nas distâncias... Alto levanta a lâmpada do Sonho e com seu vulto pálido e tristonho cava os abismos das eternas ânsias!
Vocabulário imponderável: que não se pode avaliar; indefinível; implacável: que não se pode abrandar; inexorável; inefável: que não se pode exprimir por palavras, indizível; insondável: cujo fundo não se pode atingir, inexplicável.

Manuel Bandeira sintetizou bem a poderosa poética de Cruz e Sousa: Dos sofrimentos físicos e morais de sua vida, do seu penoso esforço de ascensão na escala social, do seu sonho místico de uma arte que seria uma 'eucarística espiritualização', do fundo indômito de seu ser de 'emparedado' dentro da raça desprezada, ele tirou os acentos patéticos que lhe garantem a perpetuidade de sua obra na literatura brasileira. Não há gritos mais dilacerantes, suspiros mais profundos do que os seus.

Alphonsus de Guimaraens
 Exploração do tema da morte.  Literatura gótica próxima aos escritores românticos.  Atmosfera mística e litúrgica.  Poesia uniforme e equilibrada.  Ambiente místico da cidade de Mariana e as chama

sentimental vivido na adolescência.  Influências Árcades e Renascentistas sem cair no formalismo parnasiano.

ALPHONSUS DE GUIMARAENS (1870-1921)
Sua poesia gira em torno de pouco assuntos:
 a morte da amada

Hão de chorar por ela os cinamomos Murchando as flores ao tombar do dia Dos laranjais hão de cair os pomos Lembrando-se daquela que os colhia.
 a religiosidade litúrgica

Doce consolação dos infelizes Primeiro e último amparo de quem chora, Oh! Dá-me alívio, dá-me cicatrizes Para estas chagas que te mostro agora.

"Minhas idéias abstratas, De tanto as tocar, tornaram-se concretas: São rosas familiares Que o tempo traz ao alcance da mão, Rosas que assistem à inauguração de eras novas No meu pensamento, No meu pensamento do undo em mim e nos outros: De eras novas, mas ainda assim Que o tempo conheceu, conhece e conhecerá. Rosas! Rosas! Quem me dera que houvesse Rosas abstratas para mim."
(Murilo Mendes, Poesias)

Simbolismo Subjetivismo

Parnasianismo Objetivismo

Linguagem vaga, fluida, que busca Linguagem precisa, objetiva, sugerir em vez de nomear culta Abundância de metáforas Busca do equilíbrio formal

Cultivo de soneto e de outras Preferência pelo soneto formas de composição poética
Antimaterialismo, antiracionalismo Misticismo, religiosidade Pessimismo, dor de existir Materialismo, racionalismo Paganismo greco-latino Contenção dos sentimentos

Interesse pelas zonas Racionalismo profundas da mente humana e pela loucura Interesse pelo noturno, pelo Interesse por temas mistério e pela morte universais: a natureza, o amor, objetos de arte, a poesia Retomada de elementos da tradição romântica Retomada de elementos da tradição clássica


								
To top