Francisco de Paula de Figueiredo - Santarenaida poema eroi-comico_1016

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ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html COIMBRA. Axavase em tremendo consistorio BCom toda sua Corte o undozo Jove. Um fogo abrazador: era com ele RAs furias de Acheronte, e os vastos mares @Ao som de sua vós mudos tremia. FQuando depois de longos improperios FCom que a insana paixa dezabafára, @De sima do alto solio adamantino DQue sustenta seis Doricas colunas :De maculado marmore brilhante NCom bazes de oiro, e capiteis de prata, :Esta fala do peito amargurado Page 1 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html TSoltou com grave acento aos seus Magnates. PSempre eu, Vasalos nobres, de máo grado, HCom justa indignasa olhei bramando, JQue ouvese sobre a terra um petulante DQue ouzase de meu povo impunemente @Atacar os direitos mais antigos; DPois sendo desde muito autorizadas DAs nosas dôces aguas para entrarem Oje a termos as vędes reduzidas NDe serem so de apręso aos brutos rudes, @E a despeito de minha autoridade LCondenadas (oh dor!) das esterqueiras, @Das imundas alfujas, das cloacas 8Á baixa vergonhoza lavadura. FConterme já na poso; este atrevido LProvar do meu tridente as forsas deve. NEste atrevido he Baco: eu pois pertendo >Punir a sua audacia, guerrealo. NNa ade este invazor protervo, e altivo LZombar ja mais de mim: torsese a verga FEm quanto na he tronco: uma faisca NPasa a incendio vorás, se na se apaga. LMas vós aconselhaime, que eu na quero LQue a paixa me alucine: o fim he este PPorque oje vos xamei: dos boms conselhos FQuazi sempre sa filhos os acertos. @Bem como de um enxame susurrante DO inquieto zumbido, se ouve n'aula Apague as negras axas acendidas Do Rei, e da Salacia veneranda: NMansebo tal, e qual, nem mais nem menos JComo o pinta Camoins no canto seisto. NVai tu da minha parte ao Rei dos vinhos DLevar esta Embaixada, dis Neptuno; @Que o dezaforo vil sendo notorio JCom que da antiga pose as doces aguas HEsbulhadas tem sido por seus vinhos: LQue sendo esta irrupsa sobre dominios RDe mim das aguas Rei, que sempre hei sido DJusto mantenedor de meus direitos; HA recta observasa do jus das jentes HCom vergonha infrinjida nesta parte, @Exije que ta barbaras afrontas, LPor melhor se atalharem fims funestos, :Seja severamente castigadas. FMas que lembrado da clemencia inata PCom que as minhas asoins adornei sempre, FPerdoandolhe o mais, sómente quero, LQue enfreando do vinho a audacia suma, HDe oje em diante perturbar na venha LTranquilidades publicas; que a escolha DEm sua ma está de pás, ou guerra. NSe guerra pois quizer, logo em meu nome HEnta a ferro, e sangue lha declara. BAtento o feio Moso esteve á fala, BE cortando lijeiro as altas ondas LDa grande Niza em fim surjiu na praia. @Aqui tres vezes a torcida conxa, JQue os gigantes na guerra amedrentára @Altamente tocou: do som terrivel BFeridas as montanhas se abalárăo: @Tremera da Cidade os abitantes; JE dando agudos guinxos, para os colos FDas măis os filhos pavidos fujira. >O nobre Fundador de susto cheio JC'o a estranheza do cazo, saber manda BO que he. Eis a Palacio conduzido DPor entre a multidăo que concorria DAtonita, e turbada o Trita chega. @A Embaixada repete, e carrancudo @Pela resposta taciturno aguarda. >O nobre Fundador da alegre Niza JTurbado um pouco esteve; mas sem medo @Ao Trombeta falou desta maneira. Page 3 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html JJa mais no que o teu Rei oje me argúe HEu tenho consentido, sem que um uzo, FUm costume geral das Nasoins cultas HCom raza m'o abone: eu năo pertendo FDefraudar cada um de seus direitos. @O costume fas lei: tenha Neptuno FO mesmo a seu favor, será contente. NNem cuide ele talvęs, que seus caprixos HMe fara aterrar: na sei ser fraco. BAmease, guerreie: eu inda o mesmo LSou, o conquistador das Indias vastas. HHe verdade que a pás em muito prézo; TPorem se ha de perderse os meus direitos, JOu a guerra aceitar, a guerra aceito. >Com esta deciza partindo torna LO filho de Neptuno aos Thetios campos. DA seu Pai a repete; o Velho brama, 8E jura pela Stigie tenebroza O governo do exercito, tentando BOs vinhos atacar em toda a parte. NCom tudo porque sabe que entre os Luzos BDo inimigo poder o centro existe, Ja da negra ferruje carcomidas. NTinha teias de aranha os peitos d'aso, BEra ninhos de rato os capasetes. @Mas vendo dos aprestos a manobra BDe seus adversarios, ganha o fogo @Que pela longa pás perdido avia. DPrestes pasa depois a fazer gente; PO imperio se revolve, e os vinheos povos FÁ vós de seu Senhor ás armas vela. >Dobra-se sentinelas; os avizos @Voando se despedem; e he precizo JTer de acordo na asa os mais famozos @Insignes Generais em cada Reino. DDaqui, bom Santareno, de teus dias FComesou a estreitarse a larga teia. JEste o principio foi, estas as cauzas >Da tua nunca asás xorada perda. @Avia em Portugal um Xefe experto Page 4 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html Diziase Joze, mas poucas vezes, HQue o brado de seu nome mais notorio HDa terra lhe provinha aonde os lasos JDe Himineu ternamente o tinha prezo. @Contase que saindo n'outro tempo :Este novo Quixote aventureiro BPelo mundo a ganhar glorioza fama HNo serviso do Rei dos bravos vinhos, Capás era da carga mais enorme. DEra as suas faces dois prezuntos, DSeu garbo majestozo, o paso grave. PTinha o traje mais simples, mais modesto FDas modestas matronas do seu tempo. @De baeta um jiba de longas abas Nas ricas enxurradas do diluvio (Se asenta ser axado in illo tempore . BNamorouse o Vara, namorouse ela. :Unirase c'o vinculo sagrado, Enta do incomparavel Santareno FNa surtida taverna entre a balburda >Da fumoza vinhasa ardia o fogo. &Mais meia canadinha de uma parte HCaído o beiso, e os carregados olhos DA custo abrindo, c'uma vos fanhoza @Pedia um dos da corja amotinada. DD'outra parte fazendo uma carranca :Sobre tres azeitonas apostava HOutro que tal que xuparia um frasco. NQual aos murros andava; qual seis copos HTendo ja feito em cacos, com nos'ama DAteimava furiozo em na pagarlhos. LDaqui aos encontroins ums vinha vindo Cosávase, e na sordida poltrona Aflito (stare loco nesciebat : DEla está feito, la melhor compunha @O seu recado. Finalmente o tempo Page 6 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html Subito se arregasa o Santareno, >E rogando o onráse, á cabeseira @Da bem provida meza, instanciozo BPara um pouco comer fes asentalo. >Ja no vidro dos pratos retinia FResaltadas da carne as trinxadelas. <(Podiase na gula encarnisados NVer os gordos Consortes dando aos buxos HTasalhos de prezunto tremendisimos!) BMastigando apresados resmungava, Entregue a Ino o pequenino Baco LTendo as Nimfas em torno, e juntamente FAs Hiadas, e as Horas. Logo n'outro DJa crescido plantava o bom bacelo, Com tudo ao natural se devizava FGolpeando ele mesmo as pernas suas. :Aqui o filho de Echion Tebano 6Pela sua familia enfurecida :Se via cruelmente espedasado. :Ali de Meduline o parricidio, FMais abaixo Penthęo ás Furias dado. Que me fazem doer bem a cabęsa. DPorem vaite vestindo, anda deprésa FSe queres almosar, que ja he tempo. DTais réplicas, e tréplicas pasadas BEm fim a muito custo pos se fora, >E na larga cadeira escarranxado @Asim dezalojando, á Mulher dise. DOra sabes mui bem, Consorte amada, BO onrado avizo que tivemos ontem. :O noso Imperador axase aflito FC'o a guerra declarada por Neptuno. LEu sou um de seus xefes; e a minh'alma HAspira a coizas grandes. Desta sorte @Na dansa estou metido: vou agora Page 8 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html FAs ordems expedir que sa precizas, BFazer gente com forsa: paciencia! DNós para trabalhar nascemos todos. LDáme cá qualquer coiza; um lombo bonda NBasta dois pains, duas canadas basta. PFes-se bem como um Padre, e muito fresco DSaiu a averiguar os seus negocios. CANTO III. D Neste tempo no imperio de Neptuno DJa com todo o calor fervia a obra. DOs fortes Generais debaixo d'armas JJa tinha toda a jente, e á Luzitania LOs vastos esquadroins marxando vinha. 6Aqui de remotisimos Paízes, JDe diversas Nasoins, diversas linguas FVinha mandando Capitains diversos, DAqui vinha Varoins destes pixozos HA quem tudo lhe fede, e que somente, BPor cauza das corrutas baforadas, PC'o vinho em odio eterno andára sempre, JAqui de mal Francęs, e de almorreimas @Um sem numero vinha de axacados: @Na faltando dos cálidos a turba JA quem fizera sempre o vinho empôlas. NEra em tres batalhoins formada a Tropa, Regendo a tremendisima caterva. JTalhando as curvas ondas na vanguarda DIa nadando cem Tritoins desformes FFazendo rebombar os buzios grandes. 6E o Padre Oceano comandante Girava dando as ordems amontado Os motivos da asa esmiunsarte: DTa somente a dizerte sou mandado, NQue para dar principio á grande empreza BPara esta Capital do imperio Luzo @Das Tropas Oceano á testa marxa. LDeves pois vir falarlhe; que eu asento LQue tem primeiro aqui seu bico d'obra. Indignado meu Pai, dise Oceano, LPela iniqua extorsăo de seus direitos, >Que dos vinhos o Rei dezaforado LDas jentes com escândalo lhe ha feito, >Intenta guerrealo. Ele em pesoa DViria á expedisa, se de seus anos DO pezo desta glória o na priváse. NPor tanto eu me incumbi das suas vezes: @E como de sua Corte na asembleia @Para isto convocada se asentase, HQue o comęso em teu Reino ser devia, @Visto que o General dos inimigos :Em Coimbra rezide; pareseume, LPor levarmos as coizas com mais ordem, DQue nesta Capital sem perder tempo 8A primeira faxina se fizese: HDepois, de meu poder com todo o pezo 8Em Coimbra caísemos. Aprouve Page 10 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html NAo Tejo este discurso; e enta tratára FDe mais ponderasa quantos negocios DPara aquele respeito mais tendia, @Sa xamados os Cabos a conselho, 8E com acordo unânime se adía BA seguinte manhan para o combate. JHe contra um grande Cabo que se devem JTomar as armas: na he Jan Fernandes, >Nem Manel das Atacas o inimigo: @He contra o fasanhozo Talaveiras 5 BTortulho enorme de invejada fama, JDo vinho na milicia experto, e vasto. DTanto que alvoreseu, logo no campo @As trombetas orrísonas bramára; @Cujo som de mistura c'o alarido, Corajozo se avansa: róxa altiva LQue as vagas sem pavor mujindo escuta. @Marxando va as filas a compaso, HE d'uma, e d'outra parte embravecido FO gradivo Mavorte asende os peitos. LAs caixas da final, travase a guerra; BDe poeira uma nuve os ares turba; FLevantase um clamor mais tezamente; RRedobrase as pancadas, corre o sangue... NNada ha mais lamentavel que uma guerra! BFoi renhida a peleja: longas oras FPendeu a deciza n'ambas as partes. HFinalmente na sei que infausto cazo LPôs dos vinhos o exercito em dezordem, NQue na pôde aguentar sobre seus brasos BDos aquozos dragoins o carregume. HPerdem todos a côr, as armas larga. D(Entradas de lea, saídas d'asno!) LCae aqui, cae ali, ums sobre os outros NVa indo aos trambolhoins. O Talaveiras >Reunilos intenta, mas de balde. HHe de balde bradar: diques na sofre >Torrente por pavor precipitada. DNo campo ficou so inteiro e forte. BO golpe universal caíu sobre ele. @Das setas, e das lansas acravado DParecia um pinhal o grande escudo. HNimguem ouzou xegarlhe, que da terra @Na fizese vermelha a superfice. JE que mais fęs d'Olimpias o esforsado JFilho, o devastador do mundo invicto, JJunto ao tronco, dos seus destituido, FQuando o muro saltou dos Oxidracas? Page 11 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html FMas a Morte d'Erois sempre avarenta 8Metida n'uma bala fulminante HAs pernas lhe atravesa, e despedasa. @Acurva a grosa máquina tremendo, @E em terra baqueando he maxucada @Do violento tropel dos inimigos. C'o este lanse vitoria o Tejo brada: DVitoria, respondeu a xusma ovante, @Vitoria pelas aguas, viva, viva. 1– Periclimeno: Neto de Neptuno, de quem recebeu o poder de se metamorfozear. 22 Achelóo: filho de Oceano. Namorouse de Dejanira amante de Hercules. Hercules combateu com ele metamorfozeado em toiro, arrancoulhe um corno, e venseu-o. 3r O Velho, &c. Neręo, filho de Oceano, e pai das Nereides. 4P Protęo: vej. Virg. Georg. I. 4. v. 429. 5ö Um dos Taverneiros de grande conta que Lisboa teve. Na dilatada teia de seus louvores sa estes meus versos um romendinho. CANTO IIII. D Foise em folias a seguinte noite. HMas asim que a lus alma avermelhando FNo orizonte as globozas nuvemzinhas FComesou a doirar o cume aos montes, 8A vensedora jente enfurecida LRespirando outra ves carnajem, sangue, >Vai de rota batida, e compasada BAo som dos belicozos instrumentos NDemandar do Mondego as marjems frescas. @A seu salvo xegando se alojárăo. HFas-se conselho, e por comum acórda PPara a um tempo levar ao Porto, e Aveiro DO terror, e a vitoria Neręo parte. HEm quanto isto asim pasa, ja Coimbra DBem como um formigueiro fervelhava BAtonita bradando. Eis muito conxo HCorrendo á présa contra seu costume, BVem um cambaio tutelar das aguas, Cá-cá fora me'amigo, cu na rua; DÁ de ir aqui tu-udo c'o a maleita. :E ve-ve-ve veremos, e veremos JQuem-quem leva a melhor: xę-xegá'gora DUm nunca visto inzercito de jente; JSa co-como mosquitos: se tem barbas, VS'hé-s'hé-s'hé-s'hé capás ponhase em campo. HQual grande Ferrabrás no xa deitado @Desprezando do garrulo Oliveiros BO louco dezafio, o Eroi prestante BDo Rino desprezou o stultiloquio. LNa se altera; em seu rubido semblante JNa poim o Mędo as cores da fraqueza. HLijeiro, quanto sofre a corpulencia, @Á trapeira alta sobe onde vijia; HE axando ser serta a guerra em caza, Page 12 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html HMas perdidas, dis ele, sa: ja'gora LOu venser, ou morrer. Xamase ás armas, BE toda a jente sua acode prestes. @Acodem d'Alemtejo, e Estremadura DBizarros Campioins: da Vidigueira, DVila de Frades, Borba, de Vilalva, :Setubal, e Palmela. De Lisboa @Axa-se os Carcavélicos mansebos HDe furibundo senho. Esta do Algarve FMil Soldados d'embarque destemidos, LMil de sima do Doiro, e das Bairradas; HE sa mais de dés mil Coimbricenses. JToda esta Soldadesca, he bem verdade, HCavaleiros na sa d'aureas esporas: PSa rotos, bandalhoins, babozos, porcos; BMas qualquer deles um Eroi xapado @De inaudito valor, corajem suma, JCapás de se avansar ao mesmo Alcides. Nas pezadas carretas rexinantes @Temivel ali vai das bocas negras DA ignívoma tormenta: até na falta JQuem leve junto a si seu ca de fila. BEnta sobre um jumento de atafona >Ricamente ajaezado, o Santareno HAs odreas pernas escarranxa a custo. FVeste de bode um tresdobrado coiro; >Poim um elmo de vides enlasadas @Na caveira d'um tigre tremebundo XQue lhe a grande carranca asombra, e adorna, DE empunhando na dextra uma tarasca E os raivozos imigos avistara, NFas alto o Santareno, expede as ordems, FAs fileiras divide, o campo asenta. DDepois entre um salseiro procelozo >De perdigotos que da boca xove, DDa sua jente á testa asim troveja: BLembrar-vos, generozos Camaradas, FO que ides a fazer, fôra esqueserme NAté de quem vós fois: eu sei que o brio BA cada um de vós outros alentados DNa ponta do naris brilhando salta. LOu morrer, ou venser: a cauza he nosa. PAs Aguas de bazofia em va na se enxa, DCustelhes caro se venser quizerem. DCorajem, meus amigos, oje a gloria JQ'ate'qui se ganhou na vá perder-se. >Nos animos calou vinhi-potentes JDe tal sorte a raza destas palavras, HQue cada um deles se reputa um raio, DE ja para envestir as trélas roem. HAgora, ó Muzas, na falteis ao Vate, DAsopraime no peito o extinto fogo, LQue he precizo cantar melhor que nunca DO combate maior que os evos vira. Os cavernozos montes retumbando LEnxem tudo de orror. Dos grandes eixos As mortíferas xusas enristadas, DGemidos arrancando aos mizeraveis, 8Um inferno fazia. Alastrado TDe sangue viu-se em breve, e corpos mortos HDa orroroza batalha o sitio extenso. 8 BRocio, que em raza de vizinhansa DO nome erdado tems de Santa Clara, DSe gloria ganhas oje em ser teatro DDe ta sanguinolenta brava guerra, >O nome mudarás, e dos vindoiros Page 14 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html DVirás a ser xamado o campo Marcio. DDe forsa neste dia altos prodijios FA gente Bacanal fes mais que nunca. NQual, semelhante ao gato entre podengos HQue o lombo em arco tendo enxorisado JFas provar velosmente em pulos destro DAos audazes fucinhos circumstantes LDas curvas fisgas os lembrados golpes, @Para um, e outro lado dezenvolto DMurros, e pontapés fervendo atira: ZQual d'um talho c'o a espada aos dentes xega: NQual d'uma vęs c'o a xusa quatro enfia. @Mas ja um Foca enorme e gueludo, FDe dente anavalhado, unha rompente, BCujo coiro entezado e verde-negro BSe ria das mais fortes cutiladas, DUm vinheo Capita tragando estava, NQuando o intrepido Andrade irozo acode. 9 6Aqui ainda viu do mizeravel BEngolir os restantes calcanhares. NDa vingansa o furor lhe sobe aos olhos, PAvansa ao monstro, e sobre o craneo rijo 6Da inimiga cabesa vensedora BCom um buxo roliso (arma cazeira) TMil golpes fulminando, o quebra, e esmaga. VTremeu convulso o monstro; e o bruto sprito JAos ares se soltou envolto em sangue. FAcodem muitos Focas, o Eroi cerca. >Os aquozos Soldados trepidantes NDe fila cem membrudos cains lhe asula; RE, quais sobre a bigorna os malhos batem, JAs dentadas sobre ele a miudo fervem. NAndrade volta a um tempo a todas partes FO braso vingador: destróe, derruba, Cambaleando em meio do congréso LFes com rizo estalar os circumstantes, DAbrindo francamente de seus doutos @Jocozos anexims o aureo tezoiro. RFoi quando o Doutor Rito, sobre os ombros 13 LTendo ums calsoins de riso por capelo, Ex cáthedra. asentado, sobre pontos BDe guerra longas oras disertando, LEscarrou discrisoins, mijou conselhos. BSobre os bicos dos pés alevantado FAqui foi que o taca, gárrulo Xaves 14 DLodozo ganso que a Castalia turba, HBatendo as sujas palmas na asembleia DAs Muzas invocou, e esta perlenga, NNo modo que lhe he proprio, d'improvizo DRecitou com torrente entuziasmado: >Nobilisimos Xefes respeitaveis, FA quem, na sem raza, Lieu potente Ainda te conservem: muitos anos Page 17 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html >Ainda, ainda sejas no teu mando HFranco dispensador destes obzequios. DAsim clamava o Vate, quando atende Que estava 0vox clamantis in deserto , JPorque em sono os ouvintes sepultados BResonando a barraca atormentava. >Por tanto pauza fes; uma canéca HPresto escorropixou; e c'os Anginhos RParesendolhe estar, fes sucia aos outros. BMas nas tendas a jente estropeada FJa cuidava em curarse, e refazerse, TQuando um grande alarido ao lonje se ouve. FAlegrase os vencidos, novas forsas DNos animos cobrando, porque pensa HSer xegado o soccorro que esperava. DAsim era: Neręo galhardo, e ovante DSeguido de invenciveis combatentes HTrazia de refresco o Doiro, e Vouga, FCapitains, que a derrota fomentára RDos dois vinheos Erois de seus destritos. NDadas as salvas d'uma, e d'outra parte, >Enta ele contou como em Aveiro BAntonio do Ministro, Cabo astuto, 15 >Soldado veterano, omem temivel, JForte se lhe opuzera em campo aberto: BOs manhozos ardis que escogitára, NOs xoques que tivera, e seus encontros, FDo noso Vouga, que prezente estava, >Os inclitos servisos referindo. HDepois pasa a contar quanto no Porto Asentase em tentar novo combate HJeral, e decizivo. As transas loiras FNo vermelho orizonte ao vento dadas LMal que a Aurora amostrou madrugadora; JMal que os frajeis fugazes pasarinhos 8Com a lus matutina comesara JNos verdes salgueirais a espenujarse, LUm xirlando, outro em módulos gorjeios BEnxendo de alegria a selva amena, DTudo se perturbou. Ergue do abismo >A terrifica fronte angui-comada Page 18 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html FOutra ves a maldita a negra Guerra. DSalpicadas de sangue as azas bate, LE os longos arraiais tres vezes cérca. DAs buzinas, e os pifanos se toca, LArrusa-se os tambores, treme a terra, FE os marinhos pendoins dezenrolados JVa no imperio dos ventos tremulando. FApresta-se os Soldados vensedores, BE se va encontrar c'os inimigos, @Ums ainda arrotando a ovos xócos HVa enxendo as boxexas, e asoprando; HOutros se queixa que a xixelo velho LMuito a boca lhes sabe: em cuja arenga FEntretidos em fim o imigo arrósta. BEstá'li Santareno altivo, e guapo JSopezando na dextra a espada injente; :Qual atacada mina que promete Enta comesa com fragor medonho FDa parte dos Neptunios combatentes. HFoi uma das descargas mais funestas. DMuitos dos mais valentes bebedores @Do saborozo xá das tortas parras HO derradeiro A Deus aos copos dera. JEncarnisa-se a jente, ferve a guerra, LReina a Desolasa, a Morte, as Furias. A um toiro igualára a Natureza. VEis que ao lonje do Padre entre as falanjes Uma lansa fatal de largo ferro; @E brandindo-a valente, rexinando HDespedida a fes ir rompendo os ares. @O golpe resaltou do rijo escudo, DE a ástea espedasada em terra cae. DO Padre embravecido o imigo busca; @O imigo c'um montante se defende :Briozo pelejando: mas o Padre DPor tempo enta poupar, de romania NCerrou com ele, e o esmagou nos brasos. @Do mesmo vensedor ultimos golpes Ante seus forsozisimos revézes, DQue folgo respirase, em pé ficava. Acomete Achelóo em manhas ábil, PFáslhe cara o Eroi; quebrase as lansas, FE dos brutos c'o a furia abalroados DPinxa das selas pelas ancas fóra. BPostos a pé aqui he que sa elas: JArranca das espadas, talha, corta, BEstoqueia, desmalha: nasce fogo DDos asos petiscado; ora se curva, NOra em bicos de pés raivozos se erguem. FOs golpes se amiuda, gira destras HAs talhantes catanas: um sobre outro HVantajem na conhese um'ora inteira. BTransforma-se Achelóo d'improvizo FN'um draga feio de farpada lingua: @Espanta-se o Eroi, mas destemido JSobre as azas um córte lhe aprezenta, JQue o fas baquear em terra. Novamente :Em majestozo toiro convertido BImpetuozo avansa: enta por terra DC'o a forsa do boléo o Eroi caindo PAos cornos se lhe agarra, e novo Alcides >O faria em pedasos desta feita, LSe em mosca transformado, n'um momento JLhe na foje futil, cobarde, e fraco. @Entretanto a carnajem sanguinoza E d'ambos os exercitos provava BOs nobres Capitains dezasombrados HDe valor na comum, na vulgar fama. Page 20 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html De brutos ta indomitos a sanha LNas filas sustentar. Entra a dezordem, BE toca a retirar. Ja de Anfitrite BAos palacios Reais se encaminhava @O férvido Titán palido, e triste HA darlhe a infausta nova da derrota, LQue em sua gente a seu máo grado vira. NCaindo as sombras vem dos altos montes, DE d'uma, e d'outra banda sepultura RSe entra a dar aos cadáveres que alastra FO campo da batalha, e da aos olhos LO orrorozo matís que a Guerra estende. 12X Caetano. O mencionado no Canto antesedente. 13ú Doutor Rito. Um dos papeloins mais celebres que o ocio nutre. Ainda que nunca lhe lembrou seguir os estudos, andou nos primeiros tempos de batina; foi Doutorado por seus mesmos Pais, e na sua propria caza, servindolhe ums calsoins de riso azul da insignia de capelo. Palra sempre de autoridade; he sorumbatico de natureza, e quazi sempre anda com tericia. A sua caza he de orates. 14 Xaves. Bebado da 2.Ş espece: he de um notavel dezembaraso, de uma verbozidade pasmoza, e de uma mania de fazer trovas insofrivel. 15„ Antonio do Ministro. Foi em Aveiro um dos Taverneiros principais. 16 Matrona. Uma ejusdem furfuria^ bem conhecida no Porto pela alcunha de Rainha. 17 Serralheiro. Irma do Gigante Dramuziando, filhos do Entuziasmo, e da Fantazia. CANTO V. CANTO VI. B Geme o Padre Oceano inconsolavel FNo fundo de seu peito, e mais aguda @Comesa a renovarse a dôr antiga. @O malogrado fim de seus dezenhos LHe um dardo punjente, que as entranhas NLhe pica, e despedasa; e quem na soube HDos purpureos Erois ceder ás forsas, @Em fim cede á mortal melancolia. LTanto póde a paixa n'uma alma grande! @Fexase triste no tentorio Regio; @Nimguem ouza falarlhe; solitario FSó quer por companhia o pensamento. :Pasadas oito oras em silencio JManda entrar os seus Cabos: pensativo BSobre a meza encostado o cotovelo FNa ma esquerda descansava o rosto, BGotejandolhe em lagrimas banhadas DAs venerandas cans da longa barba. 8Amados filhos (vagarozamente FTendo erguido o semblante macilento FAsim lhes dis) Amados filhos, nunca DTa fera atasalhou meu peito forte @A tirana Paixa! Nunca minh'alma DTanto vi afracar!... Fatal derrota Page 21 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html @Foi esta que no livro do Destino DLavrada estava em caratéres negros DPela férrea ma da atrós Desgrasa! FNosas forsas (as forsas invenciveis JQue tem amedrentado o mundo inteiro!) Que vestida de peles de rapoza, HE empunhando na dextra um rico cetro HDomina sobre os omems; manda, impera JOs indomitos tigres, quais cordeiros. Page 22 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html BEm quanto pois bulindo dezenvolta De Baco um General meu inimigo, >Xamado por alcunha o Santareno, DDo esforso ou da fortuna socorrido >Tem triumfado das aguas. Oceano @Ja derrotada a flor de sua jente HSuspira inconsolavel. Mas dos livros >Do tremendo Destino irrevogavel NEu sei que o Santareno ao ferro ao fogo FNa tem de dar a vida nas batalhas; JPois uma pouca d'agua em ora infausta XBebida, ha de arrancarlhe ao corpo o sprito. Na lonje da Cidade, brevemente JFarsehá uma funsa que ele na perde. :Aqui pela canseira do caminho 8Moído xegará, suado, e laso. NForsozo he pedir vinho, isto na falha. ZTu pois, que és marralheira, ásde mui prestes @Em sua mesma Môsa transformarte; >E eu tornado em agua facilmente HNa vazilha entrarei que tu lhe deves >Lampeira ministrar. Ele sedento PNem se he vinho, ou se he agua reparando >A enfuza vazará no grande buxo. HDeste modo a meu salvo os intestinos <Ávido devorando o darei morto, FE terei concluido a grande empreza. BVamos pois sem demora vem comigo. Mas como do Deleite o Santareno :Estava no país, ordena Próteo @Que a Astucia dali sacar o fasa, DE á Cidade o conduza aonde a trama BPara o pobre cair armar pertende. DEntre os longos Estados da Mentira @Infame Imperatris da maior parte FDa terráquea mole, junto ás fraldas >D'uma verde colina alcantilada, JSobre um campo espasozo, plano, ameno JA que rega d'um rio as mansas aguas, 8A galante Cidade encantadora BDo vaidozo Deleite está plantada, Page 23 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html @A pálida Doensa, os Desprazeres, FOs Remorsos crueis, a orrivel Morte @O cume senhoreia do alto monte. NMas o Engano traidor, c'um tolde espęso LTudo isto ávido encobre á gran Cidade. LNela tudo he prazer, tudo he descanso. 8O povo abitador ao ocio dado PSó cuida em divertirse: o Baile, o Jogo, JOs Cantos, a Luxuria, os Boms-bocados :Aqui abíta ledos: pelas ruas BAmplas Satisfasoins anda jirando JMinistros de seu Rei: seu Rei parese, NC'o as fraudolentas côres que a Mentira BArteira sobre modo o tem pintado, HUm rapás mui lousa de afavel jesto. HAqui de toda a parte os povos correm FDe seus serios deveres deslembrados NA pedir a este Rei, quais seus dezejos, PTais as Satisfasoins, que outorga facil. Dos remorsos se val acuzadores; Formados em torcidos papelotes, Era esta sagacisima, adestrada, NMestra no ultimo ponto em Chiromancias. >Olhou, examinou, tomou medidas, FMas viu mil cruzes na polpuda palma DDo magnanimo Eroi, mil entrelinhas LCortando inteiras linhas, mil figuras, JMil indicios em fim de agoiro aziago, FDe caza em todos toma pose o susto: Page 25 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html :Parese cada cara uma laranja. :Porem o Santareno que prezume @Ser em materias tais dezabuzado, NQue nunca em Bruxas creu, ou Lobizomes, PDeita estas coizas para trás das costas. RTrata de divertirse, e em mais na pensa. HAi de quem da memoria o adagio varre DQuem inimigos tem dormir na deve! >Xegada estava enta uma romajem >Dia de Pentecoste, onde Coimbra BEm pezo aos Olivais sair costuma. FHe esta uma funsa das mais luzidas Veemse ali jocozisimas Comedias FNo amplo teatro do arraial vistozo. LVeemse as Trajedias de orrorozo aspéto DA sena ensanguentarem. D'uma parte FEsgrimese com ansia a espada preta, JD'outra em jogo de páo soa a lambada. >Aqui n'umas mezinhas enfeitadas RMosas de arromba, que os tafuis arrasta, LVendem d'envolta c'o as xulises torpes @Sédiso doce de mil castas feito. Anda teus inimigos de alcateia DA ver se te devora? Tu na queres JInda acabar de crer? Eu bem te avizo. HSe queres merendar, merenda em caza, >Deixa lá ir quem vai á romaria. HBem viste a Franxinota o que te dise 2Quando lendo te esteve a buena dicha . JAi, temos conversado, a Deus Senhora; As Aguas nunca me fizera papo: JNa temo de nimguem, só de Deus temo. DCom efeito apromtouse uma merenda, RQue para outro qualquer fôra um banquete. :Era uma perna de vitela tenra 8Com Anjelico molho temperada TSegundo os boms preseitos que arte ensina; P(Ele a tinha aprendido com boms Mestres) LDe prezunto era um grande pratarrazio, JDe porco quatro pés, seis orelheiras, FUma lebre, um leita, sete coelhos, @Ou láparos talvęs; afóra o lombo HQue estivera ate'li de vinho d'alhos NIa sinco ou seis pains de imensa mole; 8Coroando por fim a obra toda JXeia de vinho a pel'd'um bode d'ampla FDesmedida grandeza: odre admiravel, JQual nunca em seus opíparos banquetes @Teve de Bromio o orelhudo Socio. HMas vem a cada porco um S. Martinho. NEm fim he tempo, os duros Fados insta, >E Lachesis da roca por momentos >Vai tirar ao Eroi o ultimo fio. DDa partida se trata: a carga opíma FDa profuza merenda em dois alforjes TUm burro fas vergar: na ma c'o as contas, HE c'o a borraxa á cinta, o Santareno DA maguada Espoza prende, e abrasa; FE entre doces coloquios até a noite 8Seguro se despede. Mizerando NQue ignora que esta noite ao prazo dada JHe por ordem dos Ceos a noite eterna! HEnta tres vezes que dirije os pasos JDa porta ao lumiar, tres vezes dentro HSe torna perturbado, inquieto, mudo. BPreságo o corasa dentro no peito @Agitado lhe bate: mil lembransas >De monta o ataca: anda, pára, DNem sabe a deciza que tomar deva. RMas se o que tem de ser, tem muita forsa, @Com eroico valor tanto imbecilho JRompendo finalmente a estrada avansa. XPascitur in vivis livor: post fata quiescit, Page 27 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html PCum sůus ex merito quemque tuetur honos. ,Ovid. Am. l. I. E. 15. ”End of the Project Gutenberg EBook of Santarenaida: poema eroi-comico, by @Francisco de Paula de Figueiredo –*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SANTARENAIDA: POEMA EROI-COMICO *** €***** This file should be named 21283-h.htm or 21283-h.zip ***** „This and all associated files of various formats will be found in: ^ http://www.gutenberg.org/2/1/2/8/21283/ tProduced by Pedro Saborano. Para comentários ŕ transcriçăo hvisite http://pt-scriba.blogspot.com/ (This book was lproduced from scanned images of public domain material >from the Google Print project.) €Updated editions will replace the previous one--the old editions will be renamed. „Creating the works from public domain print editions means that no one owns a United States copyright in these works, so the Foundation „(and you!) can copy and distribute it in the United States without „permission and without paying copyright royalties. Special rules, set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to ‚copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to €protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project ~Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you Ścharge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you †do not charge anything for copies of this eBook, complying with the „rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose ~such as creation of derivative works, reports, performances and Śresearch. They may be modified and printed and given away--you may do „practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is nsubject to the trademark license, especially commercial redistribution. 6*** START: FULL LICENSE *** DTHE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE nPLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK ‚To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free distribution of electronic works, by using or distributing this work ‚(or any other work associated in any way with the phrase "Project ŽGutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project vGutenberg-tm License (available with this file or online at Os concertados pasos endireita. BOra grasas a Deus! Pois inda'gora @He que tu la de vir oras axaste? F(Lhe dis ele agastado) Morto á sede >Ha mais de duas oras aqui posto RSem xegar inda o vinho! Irra c'o a festa! HPor onde tems andado? Q'he do burro? FComo quem d'um perigo ilezo escapa, BQue fica longo tempo, em dezabafo FDo aflito corasa que á présa bate, BCansado respirando, e da garganta BA fala desprender livre na pode; JAsim depois de um pouco estar ant'ele FDescansando arquejante, e fadigada, FD'est'arte entre ipotéticos enfados BZangada a Mosa apócrifa responde: PAh Senhor! que me dis? Sabe os trabalhos LQ'ese burro nos deu? Olhe a empreitada NMelhor na pôde ser. Mais de oito vezes LTem caído c'o a carga: eu e o Fernando DTemo-nos visto Gregos: os alforjes @Vem todos lameados; as casoilas, BE frejideiras todas se quebrára: :(Cada palavra destas piamente @Creio que era no Eroi uma facada NSegundo as cores mil que ao rosto dava) BOs molhos se vertera; finalmente LCaminhando adiante eu vim mais prestes HSomente por pensar que esta tardansa BLhe daria cuidado. E na pequeno, L(Torna ele) esa está boa! Esta somente BA mim he que susede... Paciencia: FQue lhe avemos fazer? Eide matarme? BNa; matese o Diabo. Vai depresa, NQue eu tenho muita sede, e estou suado, @Buscar meia canada n'uma enfuza, RQue eu na poso esperar que o odre xegue. @E traze do melhor, anda deprésa. NA Astucia mais na quis ouvir; e dentro O fatidico Vate que a aguardava HNo aprazado lugar buscando encontra, BMutuos parabems ambos se presta, HE sem que dois minutos se esperdisem HEm agua o ávido Velho se transforma, >E na enfuza se mete. Corre, voa Lá o condús em si levando fitos DOs tristes olhos da pasmada jente, DA funsăo se desfás, tudo se abala; FE o jeral sentimento nos semblantes BDos calados Romeiros vem pintado. DTal se tira lisa destes exemplos! FA caza a tumba xega: o povo a porta JRodeia em turbilhoins: toda a familia FFrenética rebenta em pranto amargo. :Da caza que resoa sem maneira DFere as aureas estrelas o alarido. >Ja mais aparesęra em nosos dias FDe dezordems ta funebre um teatro! JMas na Espoza infeliz que alma ferida HJa tinha desde muito, enta se acaba DDe cravar o punhal sangui-sedento. FA fala se lhe toma, as cores perde, FSuspira, desfalese, em fim desmaia. @So a linda Sobrinha, linda mesmo JComo Deus a criou, largando as redeas @Da violenta paixa que sofreava, >Insana fere as boxexudas faces, RFórma gritos d'espanto, e as mas fexando @Uma n'outra, indizivel xoradeira LFas nestes termos pouco mais ou menos. Bem diziamos nós que na saíse! >Que negra romaria nos foi esta! VE que áde ser de mim?... Oh Ceos, eu morro. HAi de mim! Ja (quem tanto me queria) Page 37 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html PNa me ouve aqui xorar mesmo ao pe dele! LJa na fala, morreu... Forte desgrasa, DSenhor, forte desgrasa! Quem diria JQue n'um pouco de vinho fose a morte? RMas ah! que a mim do sonho inda me lembra LQue ele os tempos atrás de noite teve! O amortalhado corpo apenas pôde @Só ver, e abrasar, porque fexada >Quis dar á sua magua o dezafogo DQue a todos nos ensina a Natureza. HNa ouve ca nem gato a quem deixase HDe custar quatro lagrimas tal perda. BTodos, bom Santareno, te xorára: Ditoza Pás, dos Ceos abitadora, >Serena filha da Ventura eterna, HQue os mizeros umanos tanto alegras; FSe fora mais privado o teu imperio, FSe a execranda Discordia na ouzára LEntrar com ma armada os teus limites, HLansar neles o orror, destronizarte; @Ainda o meu Eroi de glorias xeio >Alegrára vivendo os nosos dias. FMas na susede asim: est'alma nobre 8Foi do sosego seu dezaposada HNo melhor de seus anos: os trabalhos HMais as consumisoins, que de rezerva FDispostos a atacalo andava juntos, HFizera nele o tiro; e o bem-fazejo, :O braso liberal que no regaso HDa esfaimada Pobreza amplos tezoiros DFranquear costumava viu-se a ponto BDe pegar da espada. Mas que forsa HNa era a de seu braso? Que grandeza DA de seu corasa robusto, e forte? HAh! e que Átropos cega, e sem acordo NCondene ao mesmo golpe o poltra baixo, LE o magnanimo Eroi, que a Patria onra! DAmigos deste Amigo, se inda o zelo DVos aquese as asoins, eia xoremos, BNa sejamos ingratos, indolentes: BO luto se conhesa, banhe as faces Page 38 ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html DUm saudozo pranto. Quem mais facil DSatisfęs algum dia, que este Amigo @As nosas precizoins? Quando caía LDas nuvems gęlo aspérrimo que o sangue FNas veias encalhava, quando a negra @Mortal Melancolia o peito inerme >Cruel nos abafava, elle benigno DNa nos dava o remedio, apenas via FJunto á porta asomar nosos garotos? JA quem mais beneficios, mais louvores >Poderemos dever, telhas abaixo? PAi de mim, que na poso, ó grande Amigo, Arrepele os cabelos sibilantes, RQue a fronte negra esquálida lhe arreia; FRaivoza a lingua morda, dę bramidos HMaiores que trovoins a magra Inveja; DTu cantado serás: teu nome egregio @Na letárgica veia entre cardumes >De populares deslembrados nomes HNaufragio na fará: em pás descansa, DSeja-te leve a terra que te cobre, HDe teus osos a pás nimguem perturbe. BDeixese ao Tempo revolver a roda: HTems sempre de ser celebre no mundo, PSem que a fama de Heitor te fasa sombra, BSem á dita de Achiles ter inveja. FIM. Page 39

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