Formados em torcidos papelotes, Era esta sagacisima, adestrada, NMestra no ultimo ponto em Chiromancias. >Olhou, examinou, tomou medidas, FMas viu mil cruzes na polpuda palma DDo magnanimo Eroi, mil entrelinhas LCortando inteiras linhas, mil figuras, JMil indicios em fim de agoiro aziago, FDe caza em todos toma pose o susto:
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ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html :Parese cada cara uma laranja. :Porem o Santareno que prezume @Ser em materias tais dezabuzado, NQue nunca em Bruxas creu, ou Lobizomes, PDeita estas coizas para trás das costas. RTrata de divertirse, e em mais na pensa. HAi de quem da memoria o adagio varre DQuem inimigos tem dormir na deve! >Xegada estava enta uma romajem >Dia de Pentecoste, onde Coimbra BEm pezo aos Olivais sair costuma. FHe esta uma funsa das mais luzidas Veemse ali jocozisimas Comedias FNo amplo teatro do arraial vistozo. LVeemse as Trajedias de orrorozo aspéto DA sena ensanguentarem. D'uma parte FEsgrimese com ansia a espada preta, JD'outra em jogo de páo soa a lambada. >Aqui n'umas mezinhas enfeitadas RMosas de arromba, que os tafuis arrasta, LVendem d'envolta c'o as xulises torpes @Sédiso doce de mil castas feito. Anda teus inimigos de alcateia DA ver se te devora? Tu na queres JInda acabar de crer? Eu bem te avizo. HSe queres merendar, merenda em caza, >Deixa lá ir quem vai á romaria. HBem viste a Franxinota o que te dise 2Quando lendo te esteve a buena dicha . JAi, temos conversado, a Deus Senhora; As Aguas nunca me fizera papo: JNa temo de nimguem, só de Deus temo. DCom efeito apromtouse uma merenda, RQue para outro qualquer fôra um banquete. :Era uma perna de vitela tenra 8Com Anjelico molho temperada TSegundo os boms preseitos que arte ensina; P(Ele a tinha aprendido com boms Mestres) LDe prezunto era um grande pratarrazio, JDe porco quatro pés, seis orelheiras, FUma lebre, um leita, sete coelhos, @Ou láparos talvęs; afóra o lombo HQue estivera ate'li de vinho d'alhos NIa sinco ou seis pains de imensa mole; 8Coroando por fim a obra toda JXeia de vinho a pel'd'um bode d'ampla FDesmedida grandeza: odre admiravel, JQual nunca em seus opíparos banquetes @Teve de Bromio o orelhudo Socio. HMas vem a cada porco um S. Martinho. NEm fim he tempo, os duros Fados insta, >E Lachesis da roca por momentos >Vai tirar ao Eroi o ultimo fio. DDa partida se trata: a carga opíma FDa profuza merenda em dois alforjes TUm burro fas vergar: na ma c'o as contas, HE c'o a borraxa á cinta, o Santareno DA maguada Espoza prende, e abrasa; FE entre doces coloquios até a noite 8Seguro se despede. Mizerando NQue ignora que esta noite ao prazo dada JHe por ordem dos Ceos a noite eterna! HEnta tres vezes que dirije os pasos JDa porta ao lumiar, tres vezes dentro HSe torna perturbado, inquieto, mudo. BPreságo o corasa dentro no peito @Agitado lhe bate: mil lembransas >De monta o ataca: anda, pára, DNem sabe a deciza que tomar deva. RMas se o que tem de ser, tem muita forsa, @Com eroico valor tanto imbecilho JRompendo finalmente a estrada avansa. XPascitur in vivis livor: post fata quiescit,
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ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html PCum sůus ex merito quemque tuetur honos. ,Ovid. Am. l. I. E. 15.
”End of the Project Gutenberg EBook of Santarenaida: poema eroi-comico, by @Francisco de Paula de Figueiredo –*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SANTARENAIDA: POEMA EROI-COMICO *** €***** This file should be named 21283-h.htm or 21283-h.zip ***** „This and all associated files of various formats will be found in: ^ http://www.gutenberg.org/2/1/2/8/21283/ tProduced by Pedro Saborano. Para comentários ŕ transcriçăo hvisite http://pt-scriba.blogspot.com/ (This book was lproduced from scanned images of public domain material >from the Google Print project.)
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ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html PNa me ouve aqui xorar mesmo ao pe dele! LJa na fala, morreu... Forte desgrasa, DSenhor, forte desgrasa! Quem diria JQue n'um pouco de vinho fose a morte? RMas ah! que a mim do sonho inda me lembra LQue ele os tempos atrás de noite teve! O amortalhado corpo apenas pôde @Só ver, e abrasar, porque fexada >Quis dar á sua magua o dezafogo DQue a todos nos ensina a Natureza. HNa ouve ca nem gato a quem deixase HDe custar quatro lagrimas tal perda. BTodos, bom Santareno, te xorára: Ditoza Pás, dos Ceos abitadora, >Serena filha da Ventura eterna, HQue os mizeros umanos tanto alegras; FSe fora mais privado o teu imperio, FSe a execranda Discordia na ouzára LEntrar com ma armada os teus limites, HLansar neles o orror, destronizarte; @Ainda o meu Eroi de glorias xeio >Alegrára vivendo os nosos dias. FMas na susede asim: est'alma nobre 8Foi do sosego seu dezaposada HNo melhor de seus anos: os trabalhos HMais as consumisoins, que de rezerva FDispostos a atacalo andava juntos, HFizera nele o tiro; e o bem-fazejo, :O braso liberal que no regaso HDa esfaimada Pobreza amplos tezoiros DFranquear costumava viu-se a ponto BDe pegar da espada. Mas que forsa HNa era a de seu braso? Que grandeza DA de seu corasa robusto, e forte? HAh! e que Átropos cega, e sem acordo NCondene ao mesmo golpe o poltra baixo, LE o magnanimo Eroi, que a Patria onra! DAmigos deste Amigo, se inda o zelo DVos aquese as asoins, eia xoremos, BNa sejamos ingratos, indolentes: BO luto se conhesa, banhe as faces
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ABC Amber Sony Converter, http://www.processtext.com/abcsonylrf.html DUm saudozo pranto. Quem mais facil DSatisfęs algum dia, que este Amigo @As nosas precizoins? Quando caía LDas nuvems gęlo aspérrimo que o sangue FNas veias encalhava, quando a negra @Mortal Melancolia o peito inerme >Cruel nos abafava, elle benigno DNa nos dava o remedio, apenas via FJunto á porta asomar nosos garotos? JA quem mais beneficios, mais louvores >Poderemos dever, telhas abaixo? PAi de mim, que na poso, ó grande Amigo, Arrepele os cabelos sibilantes, RQue a fronte negra esquálida lhe arreia; FRaivoza a lingua morda, dę bramidos HMaiores que trovoins a magra Inveja; DTu cantado serás: teu nome egregio @Na letárgica veia entre cardumes >De populares deslembrados nomes HNaufragio na fará: em pás descansa, DSeja-te leve a terra que te cobre, HDe teus osos a pás nimguem perturbe. BDeixese ao Tempo revolver a roda: HTems sempre de ser celebre no mundo, PSem que a fama de Heitor te fasa sombra, BSem á dita de Achiles ter inveja.
FIM.
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