Barack Hussein Obama Jr

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Barack Hussein Obama Jr Powered By Docstoc
					                                        Barack Hussein Obama Jr.
                                          Era um ritual de quarta-feira à noite para Barack Obama: após um dia
                                          debatendo sobre impostos, pena de morte ou alguma outra questão
                                          controversa, ele ia para uma reunião do “comitê”.

                                          Legisladores e lobistas, tanto democratas quanto republicanos, deixavam a
                                          política de lado para se reunir para... seu jogo semanal de pôquer. Era uma
                                          chance para Obama, então um legislador de Illinois, de socializar em meio
                                          às cartas e charutos (ou, no caso dele, cigarros). Também era um modo
                                          para esse filho de um pastor de cabras africano, esse advogado educado em
                                          Harvard, autor e professor, de mostrar que podia ser apenas mais um dos
                                          rapazes. Isso não era novidade para ele.

                                                                  Entenda as eleições nos EUA

                                          Ele já havia navegado por partes exóticas do Havaí e da Indonésia, pelos
                                          salões privilegiados de Cambridge e pelas ruas destruídas pela pobreza de
Chicago quando menino, um estudante e um homem jovem. Ao longo do caminho, Barack Obama, agora um novato
como senador dos Estados Unidos e candidato democrata à presidência, partiu decidido a fazer coisas que ele afirma
que irão funcionar na Casa Branca: diminuir distâncias, fazer conexões, forjar alianças. “Barack sabe o que ele tem que
fazer para se encaixar e tem a capacidade de fazer isso”, afirma o senador do estado Terry Link, seu amigo de longa
data e ocasionalmente anfitrião do pôquer. “Ele tenta vencer em lugares em que não se sobressai.”

Sua meia-irmã, Maya Soetoro-Ng, vê as coisas de outro modo: "Ele caminha entre dois mundos”, diz ela. “Foi isso o
que ele fez a vida toda." Desde o início, Barack Obama misturou culturas. Seu pai, também chamado Barack Obama,
era um aluno negro com bolsa de estudos que viajou de sua pequena vila no Quênia para estudar na Universidade do
Havaí. Sua mãe, Stanley Ann Dunham, era branca e tinha só 18 anos quando eles se conheceram numa aula de russo.
Barack -“abençoado” em árabe- nasceu em 4 de agosto de 1961.

O casamento de seus pais durou pouco. Seu pai deixou a família para estudar em Harvard quando seu filho fez dois
anos, voltando apenas uma vez. Obama escreveu de maneira pungente sobre a visita em suas memórias -
relembrando a bola de basquete que seu pai lhe deu, os discos africanos que eles tocaram para dançar e à
apresentação de Dave Brubeck que viram juntos. Obama, então com 10 anos de idade, nunca mais viu seu pai. Na
época, a mãe de Obama havia se casado de novo, com Lolo Soetoro, outro estudante universitário.

                                                  Vida na Indonésia

Eles se mudaram para a terra natal dele, a Indonésia, arrastando Obama, na
época com seis anos, para uma terra de iguarias como carne de cobra e
gafanhoto, onde ele tinha um macaco de estimação chamado Tata e onde havia
a realidade dura da pobreza e das doenças do terceiro mundo. Após quatro anos,
Obama voltou ao Havaí, primeiro morando com sua mãe, depois com seus avós
maternos, todos vindos do Kansas.

Hoje em dia, Maya vê traços do três em seu meio irmão. De sua mãe, ela diz, “ele
puxou a habilidade de fazer conexões, de manter a mente aberta... Seu gosto
pela aventura, sua curiosidade e sua compaixão”. De sua avó, Mandelyn: “seu
pragmatismo, seu equilíbrio, sua habilidade de permanecer centrado mesmo em
meio ao caos”. De sua avó, Stanley: “seu amor pelo jogo. Meu avô... encarava
sua vida com muito gosto e entusiasmo e um grande senso de possibilidade.”

No Havaí, Obama era típico. E atípico. Ele era aluno com bolsa de estudos na prestigiosa Punahou School, uma
academia privada onde ele era “inteligente, mas não excessivamente intelectual”, diz sua meia-irmã. Ele era
extrovertido, ria com facilidade e não se importava de se exibir. Obama -então conhecido como Barry - tinha algo de
rebelde. Um amigo se lembra de que ambos foram suspensos na sétima série por jogar e fazer apostas na escola.

O garoto gorducho que colecionava revistas em quadrinhos do Homem-Aranha e de Conan, o Bárbaro, cresceu e se
tornou um adolescente que ouvia o saxofonista de jazz Grover Washington e a banda de rock progressivo Earth, Wind
and Fire, que dirigia o velho Ford Granada do avô, jogava golfe, pôquer, cantava no coral e se juntou ao Ka Wai Ola, o
jornal literário da escola.

Obama também amava jogar basquete e por isso foi chamado de “Barry O´Bomber”. Ele gostava de fazer uma jogada
especial com a mão esquerda. Durante seu último ano, o time da escola ganhou o campeonato estadual. Obama era
um competidor feroz e um amigo sensível. Seu amigo, Mike Ramos, diz que perdeu várias cestas durantes os jogos de
improviso, “Obama era o cara que dizia: ‘continue jogando, não se preocupe. Ela vai entrar’.”

                                                    Questão racial

                                                      “Também havia um lado introspectivo em Obama, o cara de
                                                     fora lidando com suas origens birraciais. Apesar de estar num
                                                     grupo de amigos racialmente misto, ele e dois outros dentre os
                                                     poucos alunos negros de Punahou se encontravam
                                                     semanalmente naquilo que ficou conhecido como o “canto
                                                     étnico”. “Era mais questão de aprender uns com os outros do
                                                     que de ser o único lugar em que nos sentíamos seguros”, diz
                                                     Tony Peterson, um dos três. Eles discutiram namoros inter-
                                                     raciais, educação e “se veriam um presidente negro em suas
                                                     vidas”.

Peterson e outros companheiros dizem que Obama nunca falou do tumulto que revela em suas memórias, “Sonhos de
Meu Pai”, na qual ele escreveu sobre sua dificuldade em aceitar sua própria identidade racial e sobre usar drogas -
incluindo maconha e cocaína - para “tirar a questão de quem eu era de minha cabeça”.

Em um artigo de 1999 escrito para o Punahou Bulletin, Obama disse que, sendo um dos poucos negros na escola, “eu
provavelmente questionava minha identidade mais do que a maioria. Como criança de um lar desfeito e de uma
família relativamente modesta, eu tinha muito ressentimento do que minhas circunstâncias justificavam e nem
sempre canalizei esses sentimentos de maneira particularmente construtiva”.

                                                  Primeiro emprego

Obama chegou a Chicago em 1985, com um diploma universitário, um mapa da cidade e um novo emprego -
organizador de comunidade. Salário inicial: US$ 13 mil por ano (incluindo dinheiro para despesas com automóvel).
Obama, que havia trabalhado em Nova York por um breve período depois de se formar pela Universidade de
Columbia, sabia pouco sobre a política de jogo duro que se fazia em Chicago. Mas o fato de ter vivido no exterior havia
lhe dado experiência como estrangeiro e uma empatia natural com pessoas de poder e dinheiro, diz Gerald Kellman, o
homem que o contratou.

Trabalhando para o Projeto de Comunidades em Desenvolvimento, Obama organizou igrejas negras no bairro
industrial de South Side, uma área prejudicada pela perda das usinas de aço e das fábricas.

A tarefa de Obama era mobilizar os residentes a promover mudanças, seja fazendo um lobby por um centro de
treinamento para empregos, seja exigindo mais parques ou removendo amianto de casas. “Ele parecia ouvir bem e
aprendia rápido”, diz Kellman. Ele diz que Obama não gostava de confrontos com pessoas. Mas quando o assunto era
negociar conflitos, ele era muito bom. “Obama se tornou próximo de muitas dessas organizações -mulheres com idade
para ser sua mãe“. Este menino era muito brilhante -eu não deveria dizer menino, este homem era tão brilhante, mas
ele não impunha isso sobre você”, lembra Loretta Augustine-Herron, uma das fundadoras do projeto comunitário. “Ele
era direto e suave... Ele explicava as coisas de um jeito que não deixasse ninguém ofendido.”
As mulheres gostavam muito dele. Elas o reprimiam quando ele só comia salada de espinafre no almoço, riam quando
ele mostrava seus passos de dança (“Não lhe faltava confiança, isso posso dizer”, diz Augustine-Herron) e brincavam
sobre sua pontualidade e seriedade. “Se não nos apressarmos, Obama cara de bebê ficará uma fera”, elas cutucavam
umas às outras enquanto corriam para um encontro com ele. Yvonne Lloyd diz que Obama os preparou para lidar com
burocratas, dizendo de quem eles deviam se aproximar, guiando-os no que dizer - e oferecendo críticas: “Ele estava lá,
tentando e fazendo força”, diz Lloyd, que tem 11 filhos. “Ele nos energizava. Quando você foi dona-de-casa a vida toda
e tudo o que fez foi criar filhos, você não sabe muito sobre o mundo exterior. Ele nos ensinou”. E se há algo que ele
não sabia, ele descobria. “’Deixe-me pesquisar a respeito’ eram suas palavras favoritas”, diz Lloyd, que ainda chama
Obama de “meu rapazinho magrelo”.

                                                                              Família

                                             Obama continuou próximo de sua meia-irmã, Maya, que visitava
                                             Chicago durante os verões. Quando seu pai morreu e ela era apenas
                                             uma adolescente, Obama, quase uma década mais velho, assumiu um
                                             papel paternal, levando-a para visitar campi de escolas. Obama também
                                             estava aprimorando suas habilidades como escritor, escrevendo
                                             histórias curtas e vívidas sobre pastores e comunidades que se
                                             desintegravam, inspirado por suas experiências em Chicago. Ele as
                                             mostrou ao companheiro organizador Mike Kruglik, que ficou
                                             impressionado pelo modo como ele capturou o clima das ruas.

                                            “Eu não podia entender como ele tinha o tempo e a energia para fazer
                                            isso”, ele diz. Em três anos como organizador, Obama se tornou cada vez
mais consciente dos limites daquilo que poderia conquistar e foi ficando cada vez mais pragmático, diz Kellman. A
experiência de seu pai como funcionário público na África era uma história que servia como exemplo. “Ele tinha essa
noção de que seu pai era idealista demais e não era prático o bastante... e não havia conseguido o que queria”,
acrescenta ele. (Obama mais tarde escreveu que seu pai -que foi morto num acidente automobilístico - havia morrido
“um homem amargo”).

Obama disse em suas memórias que durante esses anos em Chicago ele “saiu do isolamento maior” que sentia
quando chegou e descobriu que compartilhar histórias de vida com as pessoas lhe dava “um senso de lugar e um
propósito a que aspirar”. Ele estava pronto para ir adiante -para a escola de direito de Harvard. Mas ele prometeu que
voltaria.

                                                Estudos em Harvard

Obama entrou em Harvard mais velho do que muitos de seus colegas
de classe, mergulhando numa espécie de incubadora da elite norte-
americana -futuros juízes da Suprema Corte, líderes da Fortune 500,
senadores dos EUA e presidentes. Ex-colegas de classe e professores se
lembram dele como um intelecto com capacidade de julgamento
amadurecida, um conciliador que era capaz de ver ambos os lados de
uma questão. “Ele não era alguém que você simplesmente queria ler as
anotações dele ou ouvir sua voz”, diz Charles Ogletree, professor de
direito em Harvard que foi mentor de Obama e de outros estudantes
negros. “Você queria ouvi-lo pensando. Havia algo de especial nele.”

A escola de direito tinha muita gente de destaque tentar superar a
concorrência, mas esse não era o estilo de Obama, diz Laurence Tribe,
um professor que o contratou como assistente de pesquisa. “Ele não era só focado em créditos ou resultados”, diz
Tribe. “Ele com freqüência dava crédito a outros para quem ele havia feito o trabalho”. Tribe afirma que Obama era
capaz de lidar com pessoas muito inteligentes “de maneira que não as irritava, ele aprendeu a se mover nesses
círculos. Causou pouca agitação e conseguiu fazer as coisas”.
Obama teve dois momentos cruciais em Harvard. Um foi durante o primeiro verão em que ele trabalhou numa grande
firma de advocacia em Chicago e conheceu outra aluna que havia se formado em Direito em Harvard, Michelle
Robinson, que se tornaria sua esposa e a mãe de suas duas filhas, Malia e Sasha. Outro foi um triunfo pessoal: Obama
chegou às manchetes quando foi eleito o primeiro presidente negro do Harvard Law Review, talvez a mais prestigiada
publicação jurídica do país. “Para nós, foi realmente uma grande comemoração, um verdadeiro marco”, diz Earl Martin
Phalen, um colega de classe negro. “Mas aquilo não teve o mesmo significado para ele...”

                                                     Vida política

                                  Ele não assumiu uma atitude de bater no peito de orgulho, algo como "olhe pra
                                  mim, sou o primeiro". Ele estava ciente do significado histórico, mas compreendia
                                  que havia responsabilidade. Com a graduação, Obama se tornou valioso para o
                                  mercado. Ofertas de altos cargos apareciam para ele.

                              Ele escolheu outra direção. De volta a Chicago, Obama se juntou a uma pequena
                              firma de direitos civis, criou uma campanha e deu aula de direito constitucional na
                              Faculdade de Direito da Universidade de Chicago. Em 1996, ele foi eleito para o
                              cargo no Parlamento estadual representando Hyde Park -a região em South Side que
                              inclui a universidade e alguns bairros bastante pobres. Obama mais tarde escreveria
                              que ele entende política como um “esporte de contato direto e não se importava
nem com as cotoveladas nem com os golpes que às vezes recebia vindos de seu ponto cego.”

Mas em Springfield, capital do estado, ele foi conhecido pelo seu pragmatismo, que ia além das divisões entre
partidos, trabalhando com outros democratas e com republicanos. Obama ajudou a mudar as leis sobre pena de
morte, ética e perfil racial, e ganhou crédito de impostos para trabalhadores pobres. Mas ele falhou em sua campanha
pelo seguro saúde universal. Como um recém chegado à atmosfera de clube fechado de Springfield, Obama também
encontrou desprezo. Alguns legisladores inicialmente pensaram que ele era um pouco arrogante. “Demorou um
tempo para ele provar que era um cara de verdade”, afirma o senador estadual Kirky Dillard, um republicano que
aparece num comercial de campanha de Obama.

“Nos primeiros dois anos, havia ceticismo saudável”, disse. Isso era especialmente verdadeiro entre seus
companheiros legisladores afro-americanos. “As raízes de Obama e seu estilo - ele evita a retórica racialmente colorida
utilizada por alguns políticos negros - há muito levantaram debates sobre sua identidade racial. Alguns líderes negros e
comentaristas já questionaram se ele é “negro o suficiente”. Obama diz que nunca houve questionamento sobre ele
ser negro. “Se você tem aparência afro-americana na sociedade, você é tratado como afro-americano”, disse ele numa
entrevista ao programa "60 Minutos", da CBS, neste ano. “E quando você é criança em particular, é assim que você
começa a se identificar. Pelo menos era assim que eu me sentia confortável para me identificar, se não for o cerne de
quem sou”. Ser um homem negro moldou a vida de Obama de maneira inegável.

                                                  Livro e identidade

Em seu livro “A audácia da esperança”, ele diz que ser senador o poupou de alguns
dos “esbarrões e hematomas” que muitos homens negros suportam. Mas também
escreveu que havia enfrentado “o ritual de mesquinharias”, incluindo guardas de
segurança que o seguiram em lojas de departamentos, casais brancos entregando
a chave do carro a ele do lado de fora de restaurantes, confundindo-o com o
manobrista. “Eu sei como é quando as pessoas me dizem que não posso fazer algo
por causa da minha cor e eu sei o gosto amargo do orgulho negro engolido". Mas,
ao longo de toda a sua vida, de sua infância no Havaí aos dias de legislador em
Springfield, Obama tem mantido um grupo racialmente misto de amigos e aliados
políticos.

Como senador estadual, alguns de seus amigos mais próximos eram legisladores
brancos suburbanos e rurais. Obama também encontrou um aliado poderoso em
Emil Jones, o presidente do Senado, um democrata da velha-guarda de Chicago conhecido por romper acordos, punir
seus inimigos e por ter diversos membros de sua família na folha de pagamento. Já contando com três anos de carreira
legislativa, Obama, incansável e ambicioso, desafiou o republicano Bobby Rush, um veterano que tinha uma taxa de
aprovação de 70% e raízes profundas na comunidade que datavam de décadas atrás, quando ele era um "pantera
negra".

Durante a campanha, Obama foi perseguido pela mesma questão: se ele era “negro o suficiente” para o distrito. Suas
credenciais acadêmicas importavam pouco para alguns eleitores que sentiam que Rush os compreendia melhor.
Obama escorregou feio, perdendo as primárias por 31 pontos percentuais.

Quando ele chegou à festa da vitória, a eleição já havia sido decidida em favor de Rush. “Barack era visto como alguém
de fora”, diz Link, senador do estado. “Ele não era um dos rapazes”. Ele não desanimou. Dois anos depois, ele
começaria a planejar seu próximo passo -uma campanha pelo Senado dos Estados Unidos. Na época, ele já tinha uma
rede de amigos e gente que o apoiava em Springfield, incluindo seus companheiros de pôquer que viam semelhanças
na maneira como ele abordava o trabalho e o jogo.

                                                     O jogador

                                     “Ele era um jogador calculista”, diz Link. “Se ele ia jogar uma mão, ele sabia que
                                    seria uma mão que ele tinha chance de vencer. O mesmo ocorre em política,
                                    também. Ele não vai fazer por fazer.”

                                  Alguns chamam isso de “O Discurso” - um discurso de 17 minutos na abertura da
                                  Convenção Nacional Democrata que fez dele um astro. Obama era pouco
                                  conhecido fora de Illinois quando foi escolhido para fazer o importante
                                  pronunciamento. Mas ele havia impressionado John Kerry, o democrata
                                  nomeado à Presidência, depois que o senador de Massachusetts havia ouvido ele
                                  falar num evento para angariar fundos para o partido e os dois fizeram campanha
                                  juntos em Chicago na primavera. Sua aparição na convenção de julho foi seguida
                                  por um velho ditado da Broadway: Barack Obama subiu ao palco como um
desconhecido, mas saiu dele como um astro.

Comentaristas e políticos estavam zumbindo com conversas sobre seu futuro -e o mencionavam como possível
candidato à Presidência. Mas, havia algo primeiro. Quatro meses depois, Obama, com a ajuda de alguns golpes de
sorte, conquistou o cargo no Senado dos EUA com enorme vantagem sobre o segundo colocado. Ele se tornou o
terceiro senador negro dos EUA desde a Reconstrução.

Desde então, ele tem tido o toque de Midas: dois livros best-sellers, um Grammy por ter gravado um deles, capas de
revista, aparições na TV, convites e mais convites. No último outono, Obama se tornou uma das maiores atrações da
campanha de 2006, subindo ao palanque com candidatos democratas em todo o país. Até mesmo o presidente Bush
percebeu a enorme popularidade de Obama. Quando o senador foi a uma recepção na Casa Branca depois de
empossado, Bush avisou que as pessoas estariam com ele na mira, só esperando um deslize.

                                                     O anúncio

Desde o momento em que Obama emergiu na cena nacional, a questão tem
sido: ele se candidatará à Presidência? Não, não, não, respondeu ele.
Absolutamente não. Depois de dois curtos anos no Senado dos EUA, o
homem que era um obscuro legislador há pouco tempo, reverteu seu curso.
Num dia tempestuoso de fevereiro, Barack Obama voltou a Springfield, às
escadarias do Velho Capitólio, onde seu herói Abraham Lincoln foi legislador.
Ele foi fazer outro grande discurso. Ele anunciou que se candidataria à
Presidência.
                                                Questões polêmicas

Aborto - É a favor do direito ao aborto

Casamento gay - Deixaria cada estado decidir. É contra a emenda constitucional para banir
o casamento gay.

Aquecimento global - Defende a redução das emissões de carbono em 80% até 2050, com
limites obrigatórios

Controle de armas - Votou por deixar fabricantes e negociantes de armas vulneráveis a processos. Apóia restrições
mais rígidas

Saúde pública - Defende cobertura total para crianças e que empregados ajudem a pagar os seguros

Imigração - Votou pela cerca na fronteira com o México e defende legalidade aos imigrantes ilegais, desde que falem
inglês e paguem impostos

Iraque - Foi contra a invasão. Defende a retirada de todas as brigadas de combate até 31 de março de 2008

Pesquisa com células-tronco - Apóia a diminuição de restrições no financiamento federal de pesquisas com células-
tronco embrionárias

Impostos - Defende US$ 80 bilhões em descontos para trabalhadores de baixa renda e idosos



                                                                                                            Fonte: G1